9 de julho de 2009

A Noiva

Série Lairds´Fiances






Prólogo

Escócia, 1100.


A vigília acabara.Por fim, a mulher de Alec Kincaid iria ao seu descanso final. 
O tempo estava tão sombrio como os semblantes dos escassos membros do clã reunidos ao redor da sepultura no topo do rochedo árido. Helena Louise Kincaid não seria depositada em terra sagrada, pois a jovem esposa do poderoso caudilho havia disposto de sua própria vida e, portanto, estava condenada a descansar fora do cemitério cristão. A Igreja não permitia que o corpo de uma pessoa que cometera um pecado mortal descansasse em solo bendito. Os chefes da Igreja consideravam que uma alma corrupta era como uma maçã podre, e era impossível considerar a possibilidade de que esse espírito manchado contaminasse os puros. Sobre os homens do clã caía uma chuva intensa. O corpo, envolto no manto dos Kincaid, vermelho, negro e da cor das urzes, gotejava água e parecia pesado quando o depositaram dentro do caixão novo de pinheiro. O próprio Alec Kincaid se ocupou de fazê-lo. Não permitiria que ninguém tocasse sua esposa morta. O padre Murdock, o ancião sacerdote, permanecia de pé a respeitável distância dos outros. Não parecia sentir-se muito à vontade por não ter celebrado a cerimônia habitual: não existiam preces destinadas aos suicidas. Por outro lado, que consolo poderia oferecer aos presentes, se todos sabiam que Helena ia para o inferno? Era a própria Igreja quem decretara esse penoso destino. O único castigo para o suicídio era o fogo eterno.
Não foi fácil para mim.
Estou de pé junto ao sacerdote com expressão tão grave como as de todos os outros membros do clã, e também elevo uma prece, mas não por Helena. Não, dou graças ao Senhor por ter completado enfim minha missão. Helena demorou muito a morrer. Tive que suportar três dias completos de agonia e de suspense, e rogar que não abrisse os olhos nem dissesse a horrível verdade.Ao negar-se a morrer imediatamente, a noiva d’O Kincaid submeteu-me a uma dura prova; claro que o fez para obrigar-me a arder por dentro. A tortura terminou quando por fim tive a possibilidade de asfixiá-la apertando sobre seu rosto o manto dos Kincaid. Não levou muito tempo, e Helena, já muito fraca, quase não opôs resistência.Deus, que instante de satisfação! Embora minhas mãos estivessem suadas, pelo temor de que me descobrissem, ao mesmo tempo a excitação fez correr um estremecimento por minhas costas.
Cometi um assassinato sem que me descobrissem!
Como me orgulho de minha audácia! Mas sei que não posso dizer uma palavra, e tampouco me atrevo a revelar a alegria no olhar.

Capítulo Um

Inglaterra, 1102.
Dizia-se que ele havia assassinado a sua primeira esposa.
Papai afirmou que, possivelmente, a mulher merecia a morte.
Foi infeliz ao fazer semelhante afirmação diante das filhas, e o barão Jamison compreendeu a estupidez no mesmo instante em que as palavras brotaram de sua boca. Certamente, muito em breve lamentaria esse comentário tão pouco piedoso.Agora, três das filhas do barão tinham levado a sério o espantoso rumor referente a Alec Kincaid e, por outro lado, não lhes importava muito a opinião de seu pai a respeito. Agnes e Alice, as filhas gêmeas do barão, soluçaram com força e em uníssono, segundo um costume irritante que tinham, enquanto que a outra irmã, Mary, de caráter mais doce, rodeou com passo ágil a mesa longa do imenso salão, para onde o pai se retirara, confuso, bebendo uma taça de cerveja e procurando recuperar a calma. No meio do ruidoso coro das gêmeas, Mary intercalou uma série de observações escandalosas sobre o guerreiro das Terras Altas, que chegaria ao lar dos Jamison em apenas uma semana.Querendo ou não, Mary provocou nas gêmeas uma onda de resmungos e bufos. Era suficiente para acabar até com a paciência do próprio demônio.O pai tentou defender o escocês e, como só tinha ouvido comentários funestos e irrepetíveis com respeito ao caráter sombrio daquele homem, viu-se obrigado a inventar as observações favoráveis.Mas tudo foi inútil.Simplesmente um esforço vão, pois as filhas não prestavam a menor atenção ao que dizia. “Nada de novo”, reconheceu com um grunhido e um sonoro arroto, “pois meus anjos nunca se interessam por minhas opiniões”.
O barão não tinha a menor habilidade para acalmar suas filhas quando ficavam assim, e até aquele momento essa incapacidade não o preocupara absolutamente. Mas agora parecia fundamental impor-se, já que não queria ficar como um idiota diante dos visitantes, escoceses ou não, e se suas filhas continuassem ignorando suas ordens, era exatamente o que iria parecer.

O barão bebeu outro gole de cerveja e se armou de coragem. Deu um murro sobre a mesa de madeira para chamar a atenção e afirmou que todas essas afirmações sobre o escocês eram um monte de bobagens.
Ao ver que a afirmação não despertava a menor reação, nem mesmo atenção, deixou-se levar pela cólera. Então pensou que se os rumores fossem verdadeiros, talvez a esposa do escocês realmente merecesse ser vítima do crime.
“Teria começado como uma surra”, especulou, “e, como normalmente acontece, ele esqueceu da força do próprio braço”.

>Para o barão Jamison a explicação foi coerente. E conquistou a atenção das filhas, mas as expressões atônitas das moças não eram o que esperava obter. Seus preciosos anjos o olhavam, horrorizados como se acabassem de ver uma sanguessuga pendurando do nariz do pai.
De repente, compreendeu que elas acreditavam que ele estava louco e então o frágil temperamento do barão explodiu. Bramou que sem dúvida a mulher teria esgotado a paciência de seu amo e senhor. E que seria melhor que moças desrespeitosas aprendessem a lição.
A única intenção do barão era inspirar o temor de Deus em suas filhas, mas compreendeu que tinha fracassado quando as gêmeas começaram a gritar outra vez.

Cobriu os ouvidos com as mãos para se proteger daquele barulho que destroçava seus nervos, e fechou os olhos para não ver o olhar hostil que Mary lhe dirigia. Afundou-se mais ainda na cadeira, até que quase seus joelhos roçassem o chão.
Com a cabeça encurvada, toda coragem já perdida, desesperado, recorreu a Herman, seu fiel criado, e o ordenou que procurasse por sua filha caçula.
O servo grisalho pareceu aliviado pela ordem, assentiu várias vezes e logo saiu do salão arrastando os pés para cumprir a ordem do amo. O barão juraria pela Santa Cruz que, enquanto o criado saía, tinha murmurado que já era hora daquela ordem ser dada.
Menos de dez minutos depois sua filha, que possuía o nome idêntico ao seu, apareceu no meio do caos e imediatamente, o barão se endireitou na cadeira. Dirigiu a Herman um olhar severo, indicando que tinha ouvido a crítica sussurrada e logo abandonou a expressão carrancuda. Ao voltar-se para observar a filha, lançou um prolongado suspiro de alívio.
Sua Jamie se encarregaria de tudo.
O barão Jamison soube que estava sorrindo e reconheceu que era impossível manter o humor azedo na presença de Jamie.
A moça era um espetáculo fascinante. Sua visão era uma benção; apenas vê-la fazia um homem esquecer todas as preocupações. A presença de Jamie era tão imponente como sua beleza, já que tinha herdado a formosura da mãe. 

Tinha cabelos negros como as asas de um corvo, olhos de cor violeta que faziam seu pai pensar na primavera, e uma pele tão imaculada quanto seu coração.Embora o barão jurasse amar todas suas filhas, Jamie era seu orgulho e sua alegria


Série Lairds´Fiances
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13 comentários:

  1. Oi,gostei muito do teu blog e sou muito apaixonada pelos romances de Julia Garwood.
    Não tem um que eu tenha lido que eu não tenha amado.Gostaria de saber se vc tem em e-book esses aqui:
    1-O Segredo.
    2-Fogo e Gelo.
    3-Músicas e Sombras.

    Já varri a net e não encontro para download,se vc tiver poderia me passar?
    Agradeço.
    Dri

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  2. Olá Dri,
    Também adoro Julie Garwood.
    E tem estes ebooks publicados aqui no blog, vá na busca é a ""Série Highlands`s Lairds"".
    Apesar de Fogo e Gelo não fazer parte desta série descrita abaixo.
    1-O Segredo
    2-O Resgate
    3-Música e Sombra. Tendo dúvidas ou desejar entrar em contato deixe seu e-mail(não divulgo)
    E Boa Leitura!
    Bjs

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  3. Anônimo4:45 PM

    Oi Jenna,amei teu blog,amei mesmo!!!

    Baixei ontem uns 70 e-books e ainda vou baixar mais,pois gosto muito de ler e os meus preferidos são os medievais,depois vem os históricos e contemporâneos (incluindo vampiricos).
    Estou lendo no momento Guerras das Rosas ,e rindo muito ,amando a estória de Tristan e Genevieve.

    Abração!

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  4. To a séculos procurando esse livro.
    Li uma adaptação em 2009 e me apaixonei!
    Amei o blog.

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  5. gente,eu AMO esse livro! e eu ja li milhares de vezes e não me canso *-*
    mais eu não acho ele pra comprar,alguem sabe onde posso encontra-lo?
    beijos e obrigada pela atenção :D

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  6. Oi, onde eu posso encontrar esse guerras das rosas? puxa fiquei com vontade de ler! bjs

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  7. Anônimo12:29 PM

    Olá, adorei o blog e sem falar que amo os livros da Julie Garwood , gostaria de saber se vai ter continuaçao da serie lairds Fiances..

    Beijosss e Obrigada pela atençao.

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  8. Olá Anônimo kkkkkkkkk !

    Bem., esta série só tenho em TM, tradução mecânica, não achei revisado por isso não publiquei, se alguém tiver agora revisado vou pesquisar por aí e se achar publico.

    Bjs

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  9. Achei a mocinha desse livro A Noiva meio retardada, e os diálogos são looooooongos... 3 páginas pra ela explicar o que é uma cadeira de balanço... o mocinho é irritante, mas é uma graça!!! Fofo!!!

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  10. Livro gostoso de ler, mocinha decidida, esperta e que faz o mocinho dançar sua música sem nem notar!!! A trama é perfeita e o desfecho é intrigante - apesar que eu descobri assim que ela chega a casa de Alec. =p
    Vale apena ler!!!

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  11. Adorei esse livro, leitura leve, engraçada e prende do início ao fim. A mocinha é engraçada e decidida. O mocinho parece um ogro mas de ogro não tem nada. Já entrou na listinha dos meus romances medievais favoritos =)

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  12. Livro sensacional, história muito cativante, mocinha decidida e mocinho super apaixonado.
    Como sempre acontece nos livros desta autora (por quem aliás já virei super fã), existe uma história paralela que te cativa também.

    Ri demais com os xelins gastos para redimir a alma do Alec. kkkkkkkk

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  13. Gosto tanto desse livro que estou relendo. A mocinha é encantadora e engraçada.

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Oiiiiii...Não vai sair sem deixar um comentário vai?

Aqui é seu canal compartilhando a leitura...Conte para nós o que achou do último livro que leu ou lendo, livros que está afins de ler, comente o que desejar sobre o blog, os livros, só não vale detonar revisões e sim agradeçam as revisoras que fazem com carinho a leitura chegar à vocês!
bjs, Jenna e Seriam

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