10 de setembro de 2009

O Lobo e a Pomba







"Um Mito"


Em tempos remotos, quando os druidas viviam nas florestas do norte da Inglaterra e realizavam seus sabás nas noites de lua, um jovem, atraído pela batalha e pela violência, estudou as artes da guerra até se tornar o melhor, o invencível.
Chamava-se de "Lobo" e atacava e saqueava para satisfazer seus desejos.
Seus feitos chegaram aos ouvidos dos deuses, na alta montanha entre a terra e o Valhalla. Woden, rei dos deuses, enviou um mensageiro para destruir aquele homem arrogante que cobrava tributo dos homens e desafiava o destino.
E agora as hordas de Guilherme cruzaram o canal, Harold desceu do norte e a guerra se aproxima...

Capítulo Um

28 de outubro, 1066
Cessou o estridor da batalha!
Os gritos e gemidos silenciaram, um a um...
A noite está quieta e o tempo parece imóvel.
A lua de outono, cansada e cor de sangue, brilha no horizonte indefinido, e o uivo distante de um lobo caçando fazia tremer a noite, acentuando o silêncio sinistro que envolvia a terra.
Retalhos de névoa deslizavam sobre os pântanos, sobre os corpos mutilados dos mortos. A terra plana, com pedras esparsas, estava coberta com os restos dos heróicos filhos da cidade.
Um jovem com não mais de doze primaveras jazia ao lado do pai.
O vulto enorme e escuro de Darkenwald erguia-se além, com a ponta aguda da única torre espetando o céu.
No interior do castelo, Aislinn estava sentada sobre a esteira que cobre o assoalho, na frente da cadeira da qual seu pai, o falecido senhor de Darkenwald, dirigia seu feudo.
Uma corda áspera estava amarrada no seu pescoço esguio, com a outra ponta atada no pulso de um normando alto e moreno, com cota de malha, encostado no símbolo rusticamente gravado do status de Lorde Erland.
Ragnor de Marte observava a selvageria com que seus homens destruíam o castelo, à procura de objetos de valor, galgando a escadaria para os quartos de dormir, batendo as portas pesadas, revistando cofres e depositando sobre um pano estendido no chão, aos seus pés, os troféus mais valiosos.
Aislinn viu sua adaga com pedras preciosas incrustadas no cabo e o cinturão de ouro filigranado, arrancado de sua cintura há poucos minutos, atirados na pilha entre os outros tesouros que enfeitavam seu lar.
Surgiam desavenças e brigas entre os homens, por causa de um ou outro objeto, mas eram rapidamente silenciadas a uma ordem do captor de Aislinn.
Quase sempre, o objeto que dera motivo à briga era depositado aos pés dele.
Os invasores tomavam cerveja liberalmente e devoravam carne, pão e qualquer outro alimento que encontrassem.
Aquele cavaleiro com armadura de ferro, das hostes de Guilherme, que a mantinha prisioneira, levou à boca o chifre de touro e tomou um generoso gole de vinho, sem se preocupar com o sangue do pai da jovem, que ainda tingia sua cota de malha. Quando nada mais prendia sua atenção, o normando girava e puxava a corda, magoando a pele fina do pescoço de Aislinn.
Cada vez que seu rosto se contorcia de dor, o cavaleiro ria cruelmente, satisfeito por ter conseguido alguma reação, e essa vitória parecia-lhe abrandar o mau humor. Contudo, certamente ele preferia vê-la chorar e pedir misericórdia.
Aislinn continuava alerta e atenta e, quando olhava para ele, era com uma expressão de calmo desafio, que o irritava.
Outra qualquer estaria se arrastando aos seus pés, implorando piedade.
Mas essa jovem... alguma coisa na atitude e na expressão dela, cada vez que ele puxava a corda, parecia desafiá-lo. O cavaleiro não podia imaginar as profundezas daquele espírito, mas estava resolvido a testá-lo antes do fim da noite.

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2 comentários:

  1. Oi Jenna,
    gostaria de dizer que amei seu blog.
    Está de parabéns e ganhou, com certeza, mais uma frequentadora do mesmo.
    Beijos***

    ResponderExcluir
  2. olá Jenna!
    gosto muito do seu blog! aliás para mim é paragem obrigatorio ir vendo o que vai postando.
    estou a ler esta historia que estou a achar muito interessante com personagens fortes, as intrigas e a "violencia" implicita que era o dia a dia naqueles tempos!
    outra coisa que gostaria de referir é que as traduções estao muito boas!
    Parabens
    uma grande beijnho :)
    fernanda

    ResponderExcluir

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