14 de fevereiro de 2012

À Flor Da Pele

Segredos guardados, desejos apaixonados... 


Hugh D'Abernon, o marquês de Darley, está em Sevastopol por um único motivo: patrulhar a cidade para o Serviço Secreto Britânico. 
Portanto, se ele por acaso encontrar uma linda mulher em apuros, ele simplesmente a escoltará até um lugar seguro e retomará sua missão. 


Em hipótese alguma, ele se deixará desviar do cumprimento do dever, por mais tentadora que seja a dama em questão... 
Aurore Clement não é do tipo que se deixa impressionar por um homem bonito. 
A prudência vem sempre em primeiro lugar, mas perto de um cavalheiro charmoso como Hugh D'Abernon, ela descobre como é difícil manter o foco em assuntos mais importantes, como por exemplo, seu trabalho para o governo francês e os cuidados com seu irmão, que se feriu servindo o Exército. 
Hugh e Aurore, entretanto, têm seus motivos para querer escapar da realidade daquela guerra temível. 
E quando voltam a se encontrar, nada é capaz de impedir a paixão avassaladora que explode entre ambos...


Capítulo Um 


Crimeia, fevereiro de 1855 


Em uma manhã fria, fora de Sevastopol, Hugh D'Abernon, marquês de Darley, andava sobre uma colina, quando a viu pela primeira vez. 
Ela estava em pé ao lado de uma carruagem, segurando a bainha do casaco para mantê-lo longe da lama, ajudada pelo criado. 
Os cabelos dourados brilhavam ao sol, e até mesmo a dez metros de distância, sua beleza era surpreendente. 
Se ele não tivesse uma missão a cumprir, a moça teria lhe desviado o caminho. 
Mesmo assim, em um cenário de guerra, uma mulher cuja figura era memorável chamaria a atenção de qualquer jeito. 
Na certa ela devia ser esposa de algum nobre muito rico. 
O casaco de zibelina que usava era feito da mais rara e cara pele. 
A estrada se encontrava praticamente intransitável, repleta de buracos; provavelmente os responsáveis pela quebra de uma das rodas da carruagem da dama. 
Ao chegar mais perto, ele notou que a beleza da moça era ainda mais impressionante. 
Ela se assemelhava a uma bela Madonna de Della Robbia, de olhos negros. 
Em vez de ouvir seus pensamentos, que o impulsionavam a seguir em frente, tirou o chapéu de pele de lobo para cumprimentá-la. 
— Posso lhe oferecer um transporte para a cidade? — ofereceu em francês, a língua das classes mais altas da Rússia. 
Ela o fitou após alguns minutos. — Obrigada. Eu apreciaria muito. — A resposta veio na mesma língua nobre, embora pudesse ter sido em tártaro, que parecia ser a língua nativa do estranho. Observando-o melhor, ela notou que o homem forte, de cabelos escuros, tinha a pele morena e as características aquilinas da população local. 
Vestia-se como um tártaro. No entanto, seu francês fluente sugeria que a escolha das roupas tinha mais a ver com o clima do que com sua origem. 
— As estradas estão piores do que de costume depois do descongelamento da semana passada. — Ela deu um sorriso, falando o dialeto da região para testá-lo. Eram tempos perigosos, e estava envolvida em negócios arriscados. 
Não confie em ninguém” havia se tornado seu lema. 
— Ibrahim bem que me avisou sobre fazermos uma viagem hoje. — Encolheu os ombros. 
— E como o senhor... — Sem dúvida, o pobre não quis discutir. Uma dama sempre tem razão, não é mesmo? — Hugh comentou com um leve sorriso, o dialeto tão impecável quanto o dela. Arqueando uma sobrancelha, completou: — Será que consigo passar? 
— E bom ter certa cautela com os exércitos inimigos em campo — ela advertiu, voltando ao francês. 
— Muito sensato de sua parte. Pessoalmente, acredito que nações não deveriam ir para a guerra com pretextos tão superficiais, mas... Ninguém me perguntou. Entretanto, já que nos encontramos aqui, permita que eu me apresente. — Ele se curvou ligeiramente. — Gazi Maksoud, do Leste — mentiu. 
Ela inclinou a cabeça, as mãos ainda ocupadas, mantendo o casaco longe da lama. — Sou Aurore Clement de Alupka. 
— Vizinha do príncipe Woronzov, então. — Sim. Minha propriedade faz fronteira com a dele. Aurore não havia dito quem era o marido, pai ou irmão, despertando sua curiosidade. 
Apesar de todos os anos que ele passara vagando pelo mundo, nunca se sentira inclinado a perguntar algo mais íntimo sobre alguma mulher além de sua disponibilidade. 
Seria por estar cansado e não dormir havia dias? Talvez fosse apenas por ela ser uma mulher bonita que, de repente, o fizera evocar pensamentos sobre lençóis claros, camas macias e um corpo tenro. 
Desorientado com a deliciosa fantasia alimentada pela cadência alegre da voz da moça, voltou para a dura realidade do vento gelado e da lama. 
— Ibrahim, leve aquela caixa de vinho e espere aqui com nossos suprimentos. Mandarei alguém com uma nova roda o mais rápido possível — ordenou Aurore ao criado. E, voltando-se para Gazi, acrescentou: — O senhor não se importa de carregar meu vinho, não é? — indagou, lançando um olhar para a fileira de animais carregados que o seguia. 
— Claro que não. Deixe-me tirá-la deste lamaçal. — Ao desmontar, Gazi andou por sobre a lama até ela. — Mas receio não poder oferecer uma sela para damas. 
— Não tem importância. Tenho cavalgado boa parte da minha vida em selas masculinas. 
Ele devia estar mais cansado do que pensava. 
Seu cérebro estava atribuindo duplo sentido à resposta e formando uma imagem adorável: ela cavalgando sobre ele. 
O sonho quase o fez se esquecer daquela guerra sem sentido e do fato de não tomar um banho quente havia uma semana. 
— Peço desculpas por meu mau estado — murmurou ao se aproximar dela. — Viemos de Perekop sem nenhuma parada. 
— Não precisa se desculpar. As superficialidades da sociedade não têm sentido nestes tempos dolorosos. Depois de visitar os hospitais de Sevastopol, fica claro o quanto é banal a polidez diante do sofrimento humano. 
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