8 de setembro de 2013

Herança De Felicidade





A Lei se mudara para a casa de Bernardine Dancer!

Kansas, 1880.
Gabriel Delaney era o xerife. Um homem da lei, sisudo, de músculos fortes, atraente demais para ser ignorado.
Ainda mais estando sob o mesmo teto que Bernardine.
Não havia manhã em que conseguisse ignorar sua presença.
Nem noite em que não desejasse estar nos braços dele.
Bernardine sabia que teria de ser muito forte para não entregar seu coração a Gabriel... Mas será que ela queria mesmo ser forte?

Capítulo Um

Eram sete e trinta da manhã, e o calor do Kansas já prometia um dia de altas temperaturas, quando Delaney se pôs a caminhar meia milha além de Moccasin Creek até onde o corpo de Ezra Dancer fora descoberto.
Um pequeno grupo de homens já se juntara sob um enorme algodoeiro, olhando de longe para o cadáver, dando de ombros, apontando aqui e ali. Por fim, acabavam enfiando as mãos nos bolsos, num gesto de impotência, enquanto esperavam a chegada do xerife, traçando linhas no chão com a ponta das botas.
— Bom dia xerife — murmuraram vários deles, quando Gabriel aproximou-se.
Ele mal assentiu em resposta, o olhar atento ao terreno à volta do morto, cheio de marcas de passos. 
Pelo jeito, os rapazes andaram por ali desde bem cedo, especulando sobre o que poderia ter acontecido. As botas pesadas haviam deixado marcas no chão, apagando qualquer possível evidência.
— Droga! — Resmungou Hub Watson, batendo o chapéu na perna. — O que acha xerife?
Delaney observou o corpo de Ezra Dancer, a arma caída entre os joelhos. 
O que achava? Que já tinha visto mortes demais na vida, e que estava cansado, sobretudo agora, que seu braço não era mais o mesmo. 
E também, em seu ponto de vista, que Ezra devia ter sido idiota e covarde demais para colocar a pistola na boca e disparar.
Não havia dúvidas de que era Dancer. Metade do rosto ainda estava intacto, e ficara claro que o homem se suicidara. 
Recostado na árvore, o corpo parecia relaxado, mesmo com o dedo ainda no gatilho. E Delaney achou que o que via era um meio sorriso nos lábios do falecido.
— Ezra estava muito doente — disse alguém. Delaney olhou para Abel Fairfax, um dos hóspedes da pensão de Dancer, um homem de cinquenta e poucos anos, mais ou menos da idade do morto.
— Doente? Eu não sabia. — Mas ao falar, Delaney passou a recordar como Dancer, mudara nos últimos seis meses.
Quando Delaney chegara a Newton, Dancer, forte e com fartos cabelos crespo, viera até ele na reunião da igreja metodista e o saudara, batendo em seu braço ferido com tanta força que Gabriel precisara cerrar os dentes para não gritar. E então houvera aquela ocasião em janeiro, quando Dancer escorregara na rua cheia de gelo, e Delaney impedira que fosse atropelado por uma carroça.
Olhando o defunto, deu-se conta de que Dancer perdera mais de dez quilos nos últimos tempos. 
Os cabelos do sujeito ficaram grisalhos, e era evidente que estivera mesmo com problemas sérios de saúde. E Delaney sabia que não percebera, porque tinha evitado encontrá-lo.
Ou melhor, evitara encontrar a mulher dele.
— Alguém deve avisar Bernardine.
Quem quer que tenha feito a declaração, por certo não pretendia desempenhar a tarefa. Delaney tirou a pistola da mão gelada de Dancer, certificou-se de que o tambor estava vazio e levantou-se.
— Acho que esse é meu dever. — Virou-se para os demais. — Será que um de vocês pode pedir ao agente funerário para vir recolher o corpo?
— É claro xerife. — Hub Watson colocou o chapéu e saiu em disparada na direção da cidade.
Delaney ainda ficou parado por um momento, desejando ser outra pessoa. 
Não gostava de dizer às mulheres que seus maridos, filhos ou irmãos haviam morrido. E sempre temia que um dia precisasse dizer a Mattie que Wyatt se fora, ou a Lou que Morgan já não estava mais entre eles.
Aquela era uma das razões pela qual não tinha se casado de novo, nem se tornado íntimo de outra garota. 
A outra foi ainda mais forte: quando voltara da guerra, soubera que a jovem meiga e doce com quem se casara, havia se enforcado ao saber da notícia falsa, de que todos que faziam parte de sua companhia haviam morrido. 
Não era justo colocar nenhuma moça na mesma situação.
Ou talvez jamais tivesse gostado de ninguém como Morgan e Wyatt gostavam.
 
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