13 de maio de 2015

Um jogo Escandaloso

Trilogia Amigos






O Visconde Blaine Underwood procura seu velho amigo o Conde Gabriel Warren em busca de ajuda. 

Blaine assegura que seu filho fora enganado em um clube de cavalheiros dirigido por uma mulher, pois é de conhecimento de todos que o Conde está tentando acabar com as casas de jogos em toda a Inglaterra. 
O que ele jamais suspeitou foi que a proprietária do clube não era outra que sua ex-noiva Lilith Mallory, que fugiu dele há dez anos atrás e sumiu como por passe de magia.
Gabriel e Lilith se enfrentam depois de todos esses anos no clube dela.  Lilith deseja odiar o homem que a destruiu diante da sociedade, obrigando-a a fugir do escândalo. 
Gabriel deseja odiar à mulher que o abandonou e desprezou seu amor sem olhar para trás. Entretanto, os sentimentos são profundos, apesar do rancor e desconfiança, seria possível amar o odiado inimigo?








Trilogia Amigos
1- Uma Proposta Sedutora
2-  Um jogo Escandaloso

O fantasma de Lady Constance





A festa de boas-vindas ao marquês de Windlesham estava no auge. 

Sedela a organizara para afastá-lo de lady Esther, sua rival no amor do marquês. 
Fogos de artifício riscavam o céu como estrelas cadentes, quando uma figura sinistra se aproximou, semi oculta pelas sombras da noite. 
Ninguém ouviu o grito de desespero de Sedela ao ser levada contra sua vontade.
Confirmava-se, assim, a lenda que corria no castelo: quando o espectro de lady Constance, uma jovem morta havia mais de cem anos, aparecia, era prenúncio de desgraça. E ele fora visto no sótão, naquela mesma noite...

Capítulo Um

Sedela cavalgava pelo parque à procura do gamo que se escondera entre os carvalhos.
A distância, na outra margem do lago, podia-se avistar Windle Court, um exemplo detalhado da melhor arquitetura do século passado.
A cada vez que o via, achava-o ainda mais bonito, se isso fosse possível.
Sempre houvera uma residência ali, desde que os primeiros Windle se estabeleceram no condado, o que remontava ao reinado de Henrique VIII.
Cada uma das gerações havia demolido ou construído novas dependências ao prédio existente, até que o quarto marquês, fazia sessenta anos, alterara toda a fachada, com duas magníficas alas que estendiam-se a partir da construção central.
Embora Sedela o conhecesse desde criança, sempre se sentia deslumbrada ante sua imponência.
Assim como quando percorria os bosques, os jardins e o Templo Grego, localizados à beira do lago.
Soubera que o marquês retornara da França e, ao cavalgar, indagava-se quando ele estaria de volta ao lar.
Era nove anos mais velho do que ela e, quando partira para a guerra, Sedela era ainda uma garotinha.
— Será que ele se lembrará de mim? — Sedela pensava, em voz alta.
Seria estranho se não, considerando que seu pai, o general sir Alexander Craven, e o pai dele eram amigos íntimos.
Após a morte do marquês, o general sofrera muito sua perda.
Sedela lembrava-se de que, acima de tudo, ele sentia falta dos jogos de xadrez, que ambos os cavalheiros costumavam jogar durante a tarde, embora também discutissem sobre a guerra em todos seus aspectos.
O pai ficara tão orgulhoso quanto o marquês, quando soubera que o jovem Ivan ganhara uma medalha por sua bravura na Espanha. E mais ainda quando recebera o reconhecimento por parte do duque de Wellington, após a Batalha de Waterloo.
— Graças a Deus, a guerra terminou! — Sedela agradeceu, fervorosamente.
Não se lembrava dos tempos em que a Inglaterra não estivera guerreando contra Napoleão.
Desde que a paz fora restabelecida, havia três anos, o país vinha tentando recuperar sua prosperidade.
Aliás, toda a Europa estava empenhada no mesmo propósito.
"Ao menos agora posso persuadir papai a falar de outros assuntos, que não sejam batalhas e os horrores da guerra", ela pensou.
Pelo fato de não ter gerado um filho, o general empenhara-se em dar à única filha uma verdadeira educação.
Não a matriculara numa escola, mas contratara professores na cidade mais próxima, e até mesmo em Londres, para instruí-la nas mesmas matérias que havia aprendido, quando tinha sua idade.
Aprendera a cavalgar desde muito cedo, quase que ao mesmo tempo em que se pusera a engatinhar.
Sabia atirar perfeitamente e era excepcionalmente boa em manejar o arco e a flecha.
Naquele momento, atingia os limites do parque.
Fora cautelosa com o cavalo, para evitar que caíssem nas inúmeras tocas de coelhos, mas agora já podia acelerar os passos.
Cavalgou em direção à frente da casa e, em seguida, virou à esquerda, chegando em poucos segundos aos estábulos.
O pátio de pedra havia sido lavado, da mesma forma como costumavam fazer quando o velho marquês ainda era vivo.
Os cavalos colocaram as cabeças sobre as portas das baias, como se viessem cumprimentá-la afetuosamente.
Um cavalariço veio correndo a seu encontro, para tomar as rédeas de Dragão de Fogo.
— Bom dia, srta. Sedela — ele a cumprimentou.
— Bom dia, Sam. Está tudo bem?
— Está, sim, srta. Sedela. Chegaram dois novos cavalos de Londres, ontem.
— Novos cavalos!







5 de maio de 2015

Irlandês

Série Olhos Irlandês




Lady Hope, descendente dos Reis Irlandeses, é uma jovem de espírito corajoso e aventureiro e quer viver uma grande aventura antes de um casamento de conveniência. 

Disfarçada como um menino, acompanhada por seu fiel cão, Hope começa sua jornada, apenas para descobrir que a aventura pode ser ... perigosa para seu coração.
Colin Shanekill pode deslumbrar qualquer mulher na cama e vencer qualquer guerreiro no campo de batalha. Mas o verdadeiro amor o iludiu ou ele iludiu o amor? Quando o diabo irlandês, o encarregou de encontrar uma mimada aristocrata que foge de sua responsabilidade, ele encontra o menino, Harold, que precisa de sua ajuda. Ele acaba gostando do garoto e ensinando Harold a deslumbrar as mulheres.
Uma vez que a verdadeira identidade de Harold é descoberta, Colin conseguirá ensinar a impetuosa Hope a amar?

Capítulo Um

Colin se separou da impaciente boca, mas não sem antes apertar o amplo traseiro da mulher nua. Outro apertão, um beijo suave e já estava de pé e colocando sua roupa.
—Um pícaro encantador é o que é. — disse a mulher com um sorriso zombador que fazia que sua cara parecesse bonita e quando o sorriso encheu seu rosto pareceu formosa, Colin não desperdiçou esse precioso momento, inclinou-se e tomou seu queixo com uma firmeza possessiva que enviou um tremor de desejo correndo através dela.
—Nellie, só uma beleza como você poderia agradar a fundo a um pícaro encantador como eu. — Beijou-a então, rudamente, antes de suavizar seus lábios lhe roubando o fôlego junto com o coração.
Um suspiro de decepção precedeu a suas palavras.
— Tem que ir ?
—Por muito que eu gostasse de permanecer aqui contigo, tenho um dever com meu senhor.
Ela assentiu com a cabeça com conhecimento e apaziguou sua desilusão o observando vestir-se. Seus olhos escuros se detiveram em cada linha dura e musculosa dele. De pé era muito alto, possivelmente rondasse o metro e noventa, embora fosse largo de ombros não era grosso e tinha um talhe magro, mas possuía uma dureza definida em seus músculos da qual outros homens maiores careciam. 
Os músculos tensos se atavam em seu estômago e mais abaixo, lhe fazendo perguntar-se se em caso de que recebesse um golpe em sua parte baixa, se não seria o punho que sofreria todo o dano.
Suas largas pernas possuíam essa mesma estrutura muscular definida e logo estava seu... riu bobamente, acariciando sua virilidade com os olhos. Era grande e grosso, e tão ah... agradável, e sabia exatamente como agradar a uma mulher. Era um professor nesta arte. 
Um pícaro encantador com uma bela aparência que seduzia e com uma língua de ouro que o mesmo poderia falar, brincar ou tentar a qualquer mulher levando-a para o pecado. Mas ela mesma era uma pecadora e sempre ficava a confissão.
Nellie a contra gosto deixou sua cama quente e revolta, conservando as lembranças vividas nela. Vestiu-se com pressa, deixando cair um vestido folgado feito de suave lã verde sobre sua cabeça e rodeando-o na cintura com um magro cinturão de couro. Colocou um par de gastas sandálias e se sentou em cima de Colin, que tinha terminado de se vestir com uma túnica vermelho escuro, calças escuras e botas de couro. 
Ele passou seus dedos por seu próprio cabelo que levava comprido até os ombros, sorriu-lhe e estendeu seus braços abrindo-os.
Nellie doía pelo desejo por ele enquanto seus braços a envolviam e a pressionavam ferozmente contra ele.
—São boas tuas lembranças as que levarei comigo moça e sempre estarei agradecido por elas.
Nellie o beijou profundamente, apartou-se rapidamente de seus braços e foi para a porta.
—Será pão tenro e queijo, bastante para ti e seus homens, o que levará contigo, Colin.
A expressão do Colin se fez séria.
—Não procuro nenhuma compensação pelo tempo agradável que passamos juntos.
Nellie apreciou suas palavras mais do que ele saberia alguma vez, já que por instinto sabia que dizia a verdade.
—Sim e lhe agradeço isso, mas lhe ofereço isso como a um amigo.
Colin sorriu e seu coração saltou um batimento.
—Então o aceito como um amigo e obrigado por sua generosidade.
—Se só... 









Série Olhos Irlandês
1- O Diabo Irlandês
2- Irlandês
Série Concluída





26 de abril de 2015

A Guerra da Duquesa

Série Os Irmãos Sinitros





A Senhorita Minerva Lane era uma mulher retraída e calma que se escondia atrás de seus óculos!

Afinal a última  vez que tinha sido o centro das atenções tinha terminado muito mal.






Capítulo Um

Leicester, novembro de 1863
Robert Blaisdell, novo Duque de Clermont, não se escondia. Era certo que tinha subido à biblioteca da Casa do Conselho, que tinha se afastado bastante da multidão embaixo, de modo que o ruído tinha se convertido em um retumbar distante. E era certo que não havia mais ninguém por ali. E que estava de pé atrás de grossas cortinas de veludo azul cinzento que o ocultavam da vista. Como também era certo que, para chegar ali, tinha tido que mover o velho sofá de couro marrom.
Mas não tinha feito tudo isso para se esconder, mas sim porque, e isso era um ponto chave em sua linha de pensamento lógico, naquela sala centenária de madeira e gesso apenas uma das folhas da janela se abria e, casualmente, era a que ficava escondida atrás do sofá.
Ali estava, cigarro em mãos, com a fumaça elevando-se no frio ar outonal. Não se escondia, só tentava preservar da fumaça os livros antigos.
Uma desculpa na qual possivelmente ele mesmo teria acreditado... Se fosse fumante.
Através do cristal velho podia distinguir a pedra escurecida da igreja situada justo em frente. A luz da rua lançava sombras imóveis sobre o pavimento. Alguém tinha empilhado um montão de folhetos contra a porta, mas a brisa outonal os tinha espalhado pela rua e os jogado nas poças d'água.
Aquilo era um desastre. Um condenado desastre. Robert sorriu e golpeou a ponta do cigarro contra a janela, lançando cinzas nas pedras embaixo.
O fraco rangido de uma porta se abrindo o sobressaltou. Voltou-se ao ouvir o ruído das tábuas de madeira do chão. Alguém tinha subido as escadas e tinha entrado na biblioteca. Os passos eram leves… de mulher, possivelmente, ou de um menino. Também eram estranhamente hesitantes. A maioria das pessoas que subia à biblioteca no meio de um sarau musical tinha um motivo
para fazê-lo. Um encontro clandestino, talvez, ou a busca por um parente perdido.
De seu lugar privilegiado atrás das cortinas, Robert podia ver apenas uma parte da sala. A pessoa em questão se aproximou mais, com passos ainda hesitantes. Não podia vê-la, mas a ouvia deter-se frequentemente para examinar o que a rodeava.
Não chamava a ninguém nem fazia uma busca decidida. Não parecia estar à procura um amante oculto. Mas seus passos davam volta em torno da sala.
Robert demorou meio minuto em dar-se conta de que tinha esperado muito para anunciar sua presença.
—Oh! —podia dizer—. Estava admirando o gesso. Está muito bem posto neste lado, não lhe parece?
A mulher, pois Robert estava seguro de que era uma mulher, o tomaria por louco. E até o momento, ninguém tinha chegado ainda a essa conclusão. Assim, em vez de falar, jogou o cigarro pela janela e este caiu com a ponta laranja brilhante para o chão até que aterrissou em uma poça e se apagou.
Quão único via do cômodo era meia estante de livros, a parte traseira do sofá e, ao lado, uma mesa com um jogo de xadrez em cima. O jogo estava iniciado. Pelo pouco que recordava Robert das regras, estavam ganhando as negras. A visitante se aproximou e Robert se encostou mais à janela.
Ela entrou em seu campo de visão.
Não era uma das jovens às quais tinha visto antes no salão. Essas eram todas belezas que esperavam que prestasse atenção nelas. E a visitante, quem quer que fosse, não era uma beleza. Levava o cabelo moreno recolhido em um coque sério na nuca. S
eus lábios eram finos; e seu nariz, afilado e um pouco grande. Usava um vestido azul escuro com cós de cor marfim, sem rendas nem laços, só de tecido singelo. Até o corte do vestido parecia severo: uma cintura tão apertada que Robert não sabia como podia respirar e umas mangas que caíam dos ombros até os pulsos sem nenhuma sobra de tecido de enfeite que suavizasse a imagem.
Não viu Robert atrás da cortina. Tinha inclinado a cabeça de lado e contemplava o jogo de xadrez com a mesma expressão com a qual um membro da Liga da Moderação olharia uma garrafa de brandy, como se fosse um diabo ao qual teria que espantar com orações e hinos. Ou, em sua falta, com a lei marcial.
 

Série Os Irmãos Sinitros
0,5- A Paixão da Governanta
1- A Guerra da Duquesa 


Dama em Fuga



Dançando com o perigo. Lady Katerina de Dauntsey havia fugido. 

Disfarçada de dançarina de uma trupe itinerante, esconde segredos atrás de uma máscara. 
Entretanto, quando seu ato hipnotizante atrai a atenção da rainha Isabella, o passado de Katerina volta a assombrá-la. 
O nobre Lussac de Belbigny está abismado com a coragem da bela acrobata de cabelos ruivos. 
Consumido pelo desejo de vingança, o cavaleiro não vai deixar ninguém cruzar o seu caminho. Mas há algo na misteriosa Katerina que faz o seu coração partido bater mais forte...

Capítulo Um

Costa Leste, Inglaterra — Setembro de 1326
— Sucesso? — Waleran perguntou, suavemente, estufando o estômago.
Do topo da rampa, Katerina sorriu para seu amigo, a boca se curvando generosamente no seu rosto em formato de coração, e levantou sua sacola de lona pesada.
— Sucesso — respondeu ela, guardando o estilingue de volta na sacola. Desceu o caminho através das árvores, as cores sombrias de suas roupas de menino se misturando com a vegetação ao redor. Roupas largas e sem forma, que camuflavam seu verdadeiro sexo. Seu estômago roncou diante da perspectiva de comer coelho assado no café da manhã; e a última vez que comera carne tinha sido três dias atrás. Desde então, eles vinham aumentando os últimos farelos de um saco de aveia, colocando água e cozinhando para fazer um mingau fraco. John ficaria satisfeito com eles; o coelho era gordo o bastante para alimentar pelo menos metade da trupe circense.
— Venha, vamos. — Waleran ergueu seu corpo magro e forte, o orvalho escurecendo sua túnica remendada.
— Ainda é cedo. — Katerina inclinou a cabeça de lado, sorrindo; seus olhos acinzentados brilhando. O sol espreitava acima do horizonte, uma fresta de luz dourada batendo nos troncos brancos dos vidoeiros, tocando mechas de cabelos castanhos que saíam para fora de seu capuz. Ela bateu no volume em sua sacola. — Estes coelhos irão alimentar apenas metade de nós.
Waleran se moveu, desconfortavelmente, arqueando os ombros.
— Eu não quero arriscar, Katerina. Mesmo a esta hora, os homens do conde podem estar por aí. Eu não quero ser pego caçando ilegalmente.
Katerina bufou.
— E quando nós fomos pegos, alguma vez? Duvido que ele sinta a falta de alguns coelhos de suas vastas terras.
— Por que não voltamos para o acampamento ao longo da praia? — sugeriu Waleran. — Pelo menos, os peixes são de graça.
— Certo, Waleran. — Katerina enganchou seu braço no dele. — Nós faremos isso do seu jeito, esta manhã. Coelho assado e peixe, o que poderia ser melhor? — Ela levantou as mãos pequenas, a fim de puxar o capuz mais para a frente, obscurecendo a cor brilhante de seus cabelos.
Uma expressão divertida surgiu nos olhos estreitos de Waleran.
— Você esqueceu? — Ele olhou, de maneira significativa, para os braços unidos deles. — Dois garotos de braços dados certamente chamam atenção.
— Oh! — Katerina bateu uma mão na boca. Sua risada ecoou, doce e clara, entre as árvores, contra a leve brisa movendo folhas ocasionais dos galhos acima de suas cabeças. 
— Perdoe-me, eu às vezes esqueço.
— Isso é para sua própria segurança, Katerina. — Waleran sorriu-lhe, seu olhar suave. Quem poderia ter imaginado?, pensou ele, enquanto eles andavam através da floresta, mergulhados num silêncio amigável, chutando folhas secas. 
A filha de um lorde, não menos, agora rebaixada ao nível de uma acrobata comum. Nenhum dos outros artistas, os malabaristas e palhaços, os outros acrobatas, ninguém do grupo tinha ideia de quem ela era, de onde ela vinha. Tudo que ela queria era um lugar para se esconder, para desaparecer.
Perto da praia, as árvores da floresta se tornavam mais esparsas; o som das ondas quebrando contra ripas de madeira, então voltando para se lançarem para a frente mais uma vez, chegou aos ouvidos deles. Os pinheiros inclinados na extremidade da floresta deram lugar a abrunheiros baixos, arbustos se espalhando ao longo da areia. 
O vento soprava do leste, forte e ligeiro, diretamente das vastas planícies dos países ao norte, e Katerina envolveu os braços ao redor de si mesma, contra a sensação cortante que atravessava sua túnica esfarrapada e sua combinação velha. Com olhos lacrimejando por causa do vento, ela virou-se em direção à expansão do estuário do rio, pântanos de sal divididos por riachos fundos e lamacentos, um imenso monte de alagadiço, salpicado com pássaros acinzentados, seus bicos amarelos brilhando contra a lama de cor parda.
Descendo em direção ao pântano de sal, eles começaram a se dirigir para a praia, para as ondas que batiam na areia em espumas brancas e abundantes. À esquerda deles, penhascos baixos, cobertos de grama, começavam a se erguer: flancos arenosos cor de âmbar marcados com barro. 
O vento batia na capa de Katerina, enquanto eles rodeavam a base de um penhasco para chegarem à próxima baía, Waleran andando um pouco na frente dela, fazendo o papel de seu protetor, como sempre. Ele parou subitamente, de modo abrupto, levando um braço para trás, a fim de deter Katerina.
— O que foi? — perguntou ela, confusa pela parada inesperada dele.
E então ela viu.
Mais à frente na costa, banhada no brilho alaranjado da manhã, uma frota de aproximadamente trinta navios estava agrupada na praia, suas velas quadradas coloridas balançando no vento. 
Cavalos de guerra brilhantes e musculosos, seus olhos assustados diante da perspectiva de entrar na água, estavam sendo conduzidos para rampas de madeira abaixo, puxados por suas rédeas, ao longo das ondas espumantes, para a praia. 
Homens, centenas de homens vestidos em armaduras reluzentes, capacetes obscurecendo suas feições, aglomeravam-se nas laterais do navio, correndo através da água rasa do mar para se reunirem na praia. Alguns já tinham montado, virando seus cavalos com um olhar determinado. Ordens eram gritadas numa linguagem gutural dura.
— Deus do céu!
 

Aventura na França





Veneno! 

Horrorizada, Norma descobriu a trama para assassiná-la, engendrada por sua perversa madrasta. 
Precipitadamente, fugiu de casa e se empregou como secretária de um nobre francês que julgava ser idoso e cego. 
Tarde demais descobriu que fora enganada. Jovem e belo, o marquês de Carlmont tinha um segredo que o obrigava a se esconder de todos. 
Ele também precisava fugir e de maneira audaciosa propôs: "Venha comigo para a França... como minha amante!"

Nota Autora: Os britânicos descobriram o Sul da França como local de veraneio e a moda acabou espalhando-se por toda a Europa. Costumava-se dizer que lorde Brougham descobrira Cannes e Smallett descobrira Nice. O autor de Humphrey Clinker passou por lá em 1763 e, quando descreveu o local em seus relatos de viagens, o grande humorista despertou o interesse dos que apreciam belas paisagens.

Capítulo Um1896

Norma virou-se ao ouvir baterem na porta.— Entre — disse.
A porta se abriu e surgiu um lacaio portando uma bandeja. Largou-a sobre a mesa bruscamente, sem dizer nada, e em seguida saiu.Ela suspirou baixinho. Sua mãe jamais admitira que alguém fosse servido daquela maneira tão rude por um criado.A madrasta, entretanto, escolhia lacaios pela aparência, e enchera a casa com criados que Norma nunca vira antes e que pouco se importavam com o fato de ser ela a filha de lorde Sedgewyn.
Comer no quarto era algo que jamais fizera antes. Entretanto, a madrasta agora impedia-a sempre que possível de participar dos jantares que dava com frequência, e não deixava nem que ela fizesse a refeição em alguma das outras salas do andar térreo.
Norma sabia que tudo era resultado de sua aparência, e nada podia fazer a esse respeito.
Por ser linda e encantadora, despertou o ódio da madrasta, assim que se conheceram. Um ódio tão forte, que Norma chegava a sentir as vibrações no ar, mesmo quando estava longe da presença dela.
Quando sua mãe morrera havia dois anos, o pai ficara arrasado. Lorde Sedgewyn adorava a esposa, uma pessoa meiga, doce, encantadora, e que desejava sempre ver felizes todos a sua volta.
Contando apenas dezesseis anos, era difícil para Norma saber como tratar o pai ou como consolá-lo.
Moravam no campo nesse tempo, e então ele começou a sair sozinho para longas cavalgadas, das quais voltava ainda mais triste e deprimido.
Por fim, não suportando mais viver naquela casa sem a esposa adorada, resolveu ir para Londres. Aliás, tinha mesmo que se encontrar com seus advogados, para resolver a questão da herança da mulher.
Dissera a Norma que voltaria em dois dias. Mas, para sua surpresa, os dois dias se ampliaram para dois meses. Ela já estava bastante preocupada, quando o pai finalmente apareceu de volta.
Sem dúvida, parecia mais animado, embora ainda se perturbasse toda vez que passava diante do quarto da falecida esposa.


Uma Noite de Sonho






O luar transformara o jardim num recanto prateado e imaterial. 

Sua luz se filtrava para dentro das amplas janelas da mansão, refletindo nos cristais e pratarias o seu fulgor. 
Carolina, porém, não podia se entregar à doçura que aquele momento lhe oferecia, na companhia do marquês Alexander de Brox. 
Para salvar seu irmão da ruína, aceitara participar de uma farsa para enganar um rico comerciante americano, amigo do marquês. Mas... apaixonou-se por Alexander! 
Como continuar enganando-o?

Capítulo Um

1896
Carolina, cavalgando de volta para casa, passou por Brox Hall.
Pensou, como sempre acontecia, que aquela era a casa mais bela que já vira.
A edificação pertencia ao período histórico favorito de Carolina, tendo sido projetada em meados do século XVII. As estátuas que encimavam o teto da edificação recortavam-se contra o céu. O que sempre a entristecia, porém, era que quase todas as janelas permaneciam fechadas.
À imponente casa estava praticamente vazia, só contando com a presença de dois vigias que lá se encontravam havia anos. O que tornava tudo ainda mais melancólico, pensou Carolina, era que o marquês de Broxburne estava em Londres.
Segundo o irmão dela, que o conhecia bem, o marquês passava o tempo se divertindo naquela cidade.
— Por que ele não volta, não abre a casa e passa seu tempo restaurando a propriedade? — indagava ela.
Carolina sabia que a resposta era a falta de dinheiro. E o mesmo acontecia com várias famílias aristocráticas.
Tudo se tornara muito mais caro. As imponentes edificações, que costumavam empregar um grande número de criados, já não tinham condições de prosseguir.
Quando Carolina se pôs de pé, pensou que deveria se sentir agradecida pela casa, ainda que pequena, onde a família de seu pai vivera por várias gerações.
O primeiro baronete foi criado durante o reinado de James II. Em cada geração subsequente, houvera um filho para herdar o título. O irmão dela, Peter, era agora o sexto baronete.
Ele sentia-se extremamente orgulhoso, tanto de seu nome quanto de sua propriedade, que era muito menor que a do marquês. O irmão de Carolina nunca ia a Brox Hall, e por isso não se sentia desolado diante dos campos sem cultivo e das sebes sem poda.
Havia naquele local dois ou três arrendatários de fazenda.
Mas Carolina pensava que eles se sentiam de certa forma desanimados, por jamais receberem a visita do proprietário.
Ela continuou cavalgando e, saindo da propriedade de Broxburne, chegou afinal à sua, que ficava numa parte afastada do condado. Com exceção de Brox Hall, não existia um grande número de famílias que fossem abastadas o suficiente para possuírem muitas terras nem, tampouco, para maior consternação de Carolina, para promoverem festas.
Houvera, no entanto, algumas recepções por ocasião do Natal. O vice-rei promoveu uma grande festa num jardim, durante o verão. Foi a única chance, pensou Carolina, para que várias pessoas que viviam naquela parte do mundo pudessem se conhecer








22 de abril de 2015

Uma proposta Sedutora

Trilogia Amigos



Balthazar Wycherly leva anos sem honrar o seu apelido, "Brave"... Até que salva uma mulher de morrer afogada.

Então jura fazer o que for para ajudá-la, inclusive casar-se com ela, mas quem dos dois está sendo salvo na realidade?
Rachel Ashton deseja uma nova vida para ela e para sua mãe, e se casa com Brave pensando no que este pode fazer por ela. 
Mas, jamais suspeitou que este homem lhe daria tanto, ou que ela teria algo que lhe oferecer em troca... Seu coração.
Completamente destroçado pelo sentimento de culpa que lhe corrói por uma morte que foi incapaz de impedir, Balthazar Wycherly, o conde de Braven, viveu isolado durante os dois últimos anos. 
Mas quando Brave se encontra com sua vizinha, Rachel Ashton, a ponto de afogar-se em um rio próximo a seu lar e lhe salva a vida, dá-se conta de que pode ter encontrado à única mulher capaz de lhe ajudar a perdoar a si mesmo.
Muito em breve, à medida que os veem dançando e conversando em diferentes ocasiões, os rumores a respeito de um possível caso entre eles começam a circular; E quando Rachel aparece na soleira de sua porta, com sinais de ter sido agredida, Brave lhe faz uma sedutora proposta: o matrimônio. Dessa maneira poderá resgatá-la, tanto a ela como a sua mãe, das garras de seu brutal padrasto, Sir Henry Westhaver, um homem cruel que pretende casá-la com um pretendente muito semelhante a si mesmo. Rachel aceita... Mas suas esperanças sobre um futuro melhor se desvanecem quando sua mãe decide voltar com Henry. E, enquanto isso, seus sentimentos para com seu novo marido se transformam em algo mais que um simples afeto.


Amor Proibido
















Vale do Camprodon, outono de 1427.


Capítulo Um

Ao ver o que tinha acontecido pôs-se a correr montanha abaixo. Pela primeira vez em muito tempo tinha uma missão e nada nem ninguém o obrigaria a recuar.
Ante aquele horror só cabia pedir ajuda, e desse modo convencer os mais céticos. Ainda era um ser útil e sua companhia não só emprestava; também cabia a possibilidade de que, quando recordassem o episódio, associassem sua presença com um golpe de sorte passado ou futuro.
Como a idade não perdoava, com os anos tinha mudado seus costumes. Quando saía a passear pelos arredores da vila, se mantinha ao longo dos caminhos e não se afastava muito das zonas habitadas. Essa manhã, porém, estava seguindo o rastro de um gato selvagem, um dos inimigos mais perigosos com que podia encontrar-se durante suas incursões.
Indo em sua perseguição entrou por entre as árvores. A curiosidade o tinha levado a transbordar o limite da zona que considerava segura e, obedecendo a um instinto irrefreável, tinha abandonado a luz tênue e dourada que iluminava os campos para refugiar-se na persistente escuridão do interior do bosque.
Embora levasse a cabo sua busca ouviu os gritos, muito mais preocupantes que a proximidade do felino. Não se pareciam absolutamente aos ruídos habituais das primeiras horas da manhã. A prova de que o sol começava a iluminar o vale eram os pequenos ruídos entre os matagais ou o canto do galo silvestre, que viajava entre os ramos e podia confundir as percepções.
Em muitas ocasiões via algumas penugens próximas ao dossel; como a que tinha observado dias atrás, com a pelagem levemente escurecida, sinal inequívoco de que logo chegaria o inverno. A neve não demoraria a cobrir a serra e seria mais difícil divisá-los.
Abandonou o bosque para voltar para caminho que, seguindo o rio, conduzia ao Llanars e depois à vila do Camprodon.
Entretanto, antes de alcançar o curso do Ter, tão somente uns passos mais à frente, descobriu a causa da gritaria. Durante uns instantes se manteve a uma distância prudencial. Até lhe pareceu que os fatos eram graves, que devia dar um alerta imediatamente. Então pôs-se a correr atravessando o campo entre árvores e sarças com o fim de levar ao cabo sua missão.
Encontrava-se bastante longe da população e os semeados também tinham ficado atrás. Só os pastores, em busca de alguma ovelha desencaminhada, os caçadores, sempre acompanhados, ou algum viajante que ia de povoado em povoado se atreviam a entrar nas primeiras folhagens do bosque, tal como ele fizera. Mas, agora tinha impregnado nas janelas do nariz o aroma do sangue, uma sensação pegajosa que lhe dificultava a respiração em sua frenética corrida.
Sua pressa por chegar à vila o fez colidiu aos animais que se incorporavam ao novo dia. Outros, como o autillo, ave noturna, encontravam escasso interesse no mundo de luz que despertava e não demoraria para estalar em cores. Advertiu que um deles retornava ao ninho, a fim de proteger-se da claridade e descansar de seu voo noturno, mas nem sequer se voltou para olhá-lo. Já percebia o frescor das águas do rio e não demoraria para ter a seu alcance os campos de cultivo.
Ao chegar a um semeado de cevada acelerou ainda mais sua corrida. Viu as primeiras casas, de camponeses que não tinham encontrado abrigo dentro do povoado e se arriscavam a viver extramuros, com o único benefício da água do Ter, que corria perto. A silhueta da Ponte Nou também se fez evidente, embora ainda meio em penumbra porque o sol acabava de mostrar-se.
A confiança em que alguém prestasse atenção a sua reclamação era escassa, mas de repente lhe veio à mente a imagem de Marc.
 Não fazia muito que aquele sacerdote vivia no monastério, e se viram poucas vezes, mas do primeiro momento o tinha tratado muito bem, como se não existisse nenhuma diferença substancial entre ambos.
Os soldados que guardavam as portas da ponte já tinham aberto a passagem. Não teve necessidade de cruzar o rio e seguir os muros em direção norte. Seria muito mais fácil se atravessasse as duas pontes para economizar-se trajeto e em seguida estava na rua da Santa Maria. Os dois homens o viram enquanto esquentavam as mãos em uma pequena fogueira improvisada.
Conheciam-no, e lhes constava que não valia a pena preocupar-se com ele. Só se tratava de um habitante mais do Camprodon e o prefeito lhes tinha repetido muitas vezes que se ocupassem unicamente dos estrangeiros ou os malfeitores...

Veja aqui o vídeo 

19 de abril de 2015

Uma Esposa a Sua Medida

Saga da família Lester






Philip Augustus Marlowe, sétimo Barão de Ruthven, começou a sentir que algo faltava em sua ordenada vida, depois de passar as festas com seus primos do lado Lester da família. 

Ele descobriu que sua dificuldade era onde encontrar uma jovem que não fosse tola, coquete e insípida. Antonia Mannering uma jovem órfã que passara anos, isolada no norte de Yorkshire, mas extremamente determinada, vai à luta de seu maior sonho e esse é ter Philip Augustus Marlowe, o sétimo Barão de Ruthven.





Saga da família Lester
1. As Razões do Amor
2. Um Futuro de Esperança
3. Armadilha de Amor
4- Uma Esposa a Sua Medida

18 de abril de 2015

O Sabor da Inocência

Saga Familia Cynster

Apesar de Charles Morwellan, o oitavo Conde de Meredith, ver o êxito que os matrimônios de seus camaradas Cynster tiveram, também foi testemunha das obsessões de seu pai que quase levam a destruição de sua família e sorte, e esse é um erro que não queria repetir. 

Apesar disso, devido a sua posição nobiliária, não tem outro jeito senão se casar e fixou o olhar em Sarah Conningham, a filha de seus vizinhos. 
Ela é inteligente para se desenvolver adequadamente em Sociedade, bela parafazê-lo sentir certa atração e mais velhapara valorizar o lado positivo de sua oferta matrimonial.
Para a maior parte das damas da Sociedade, o matrimônio com o homem apropriado é a culminação de anos de esforço e dedicação, mas para uma mulher independente, como é Sarah, o matrimônio, salvo que seja por autêntico amor só supõe restrições a sua liberdade. Mas Charles é um homem acostumado a conseguir o que quer e convence Sarah, para quedê duas semanas para conquistá-la. E desta maneira começa um intenso cortejo.
Durante o dia, são os modelos do perfeito decoro,  formais passeios, educadas conversas e bailes aonde mantêm uma distância adequada... Mas pelas noites se deixam levar pela luxúria e se abandonam a apaixonados beijos que os fazem desejar algo mais. E depois das bodas, apesar das tórridas noites de paixão que compartilham, Charles, durante o dia, mantém-se afastado dela, como se o que acontece quando o sol se põe fosse um sonho. 
Agora, Sarah terá que lutar para demonstrar que o verdadeiro amor não pode ser contido, mas se verá envolvida em uma série de misteriosas circunstâncias, que a colocarão em perigo e que obrigará Charles não só a protegê-la, mas também tê-la para si.

Capítulo Um

Fevereiro de 1833.
Noroeste de Curve Florey, Somerset.
Tinha que se casar e o faria. Sob suas condições.
Estas últimas palavras ressonaram na mente de Charlie Morwellan ao compasso do ruído surdo dos cascos de seu cavalo, enquanto se dirigia a meio galope para o norte. O dia era frio e limpo. Perto dele, as exuberantes colinas verdes ao pé da face ocidental dos Montes Quantocks se ondulavam brandamente. Nascera nesse lugar, em Morwellan Park, seu lar, que agora se encontrava a um par de quilômetros atrás dele. Contudo, prestava muito pouca atenção a impressionante paisagem que o rodeava, pois sua mente implacável se achava enfocada em outros assuntos.
Era o dono e Senhor dos campos que o rodeavam, do vale que havia entre os Quantocks ao este e os Montes Brendon ao oeste. Suas terras se estendiam para o sul e limitavam com as de seu cunhado Gabriel Cynster. O limite norte se estendia diante dele, além da colina. Quando seu castrado manchado cinza, Tormenta coroou o topo, Charlie puxou as rédeas e se deteve, olhando para frente, mas sem ver na realidade.
O ar frio acariciou suas faces. Com a mandíbula tensa e a expressão impassível, voltou a pensar nas razões que o conduziram até ali.
Herdara o condado de Meredith depois da morte de seu pai, vários anos atrás. Essa data marcara um antes e um depois na vida de Charlie. A partir de então tivera que escapar das infrutíferas tentativas das damas para capturá-lo. Aos trinta anos era um rico Conde solteiro que fazia babar às implacáveis casamenteiras. Mas depois de uma década alternando com a flor e nata da Sociedade, conhecia todos os truques. Uma e outra vez escapava das redes que as damas estendiam algo que, além disso, desfrutava fazendo-o.
Mas inclusive para Lorde Charles Morwellan, oitavo Conde de Meredith, o matrimônio era um destino que não podia escapar. Embora não fosse isso o que finalmente o fizera tomar uma decisão.
Fazia quase dois anos que seus melhores amigos, Gerrard Debbington e Dillon Caxton, se casaram. Nenhum dos dois estivera procurando esposa, nem tinham necessitado se casar urgentemente, mas o destino jogara suas cartas e os dois acabaram em frente ao altar. O próprio Charlie estivera ali com eles e sabia que seus amigos estiveram felizes de se casar.
Agora, tanto Gerrard como Dillon eram pais.
Tormenta se remexeu inquieto. Charlie bateu no pescoço com ar distraído.
Vinculados ao poderoso Clã Cynster, Gerrard e Dillon junto as suas esposas, Jacqueline e Priscilla, e ele mesmo se reuniram como sempre tinham feito depois da Véspera de natal em Somersham Place, a residência principal dos Duques de St. Ives e lar ancestral dos Cynster. 
A numerosa família Cynster e suas muitas amizades se reuniam ali duas vezes ao ano, em agosto na chamada Celebração do verão e de novo nas férias de Natal, quando se juntavam por ocasião destas festas.
Charlie sempre desfrutara da cálida atmosfera dessas reuniões, mas não nesta ocasião. E não foi pela presença dos filhos de Gerrard e Dillon, e sim pelo que estes representavam. Dos três, amigos durante mais de uma década, ele era o único que tinha a obrigação de se casar e ter um herdeiro. Embora em teoria pudesse deixar o dever de procriar para seguinte geração de Morwellan, ao seu irmão Jeremy, que agora tinha vinte e três anos, fazia muito tempo que Charlie aceitou que não poderia escapar daquele dever familiar em particular. 
Carregar sobre os ombros de Jeremy uma das principais responsabilidades vinculadas ao título de Conde, não era algo que pudessem permitir sua consciência, sua natureza nem seu sentido de dever.
Por essa razão se dirigia a Conningham Manor.
Continuar tentando o destino, deixar que essa perigosa divindade fosse a que organizasse sua vida e buscasse uma esposa, igual fez com Gerrard e Dillon, seria uma completa estupidez, pelo que ia sendo hora de escolher a sua prometida. 
Agora, antes que começasse a temporada, assim poderia escolher à dama que melhor conviesse, sem deixar nenhum fio solto, antes que a Sociedade tivesse notícias disso.
Antes que o destino tivesse a oportunidade de por o amor em seu caminho.
Tinha que agir com rapidez para ter o absoluto e completo controle sobre seu destino, algo que ele considerava uma necessidade e não uma opção.
Tormenta saltou, transmitindo a Charlie parte de sua impaciência. Controlando ao poderoso castrado, Charlie concentrou a atenção na paisagem que tinha diante de si. A um par de quilômetros, no mais profundo do vale, viam-se os telhados de ardósia de Conningham Manor, por cima dos ramos nus das árvores. Os fracos raios do sol nascente se refletiam nas janelas do edifício, uma brisa fresca arrastava a fumaça que emergia das altas chaminés isabelinas, dissolvendo-o com rapidez. Conningham Manor tinha existido quase tanto tempo como Morwellan Park.
Charlie ficou olhando a Mansão durante outro minuto, saiu de seu devaneio, afrouxou as rédeas de Tormenta e desceu a colina a galope.
 







Saga Familia Cynster
1-  Diabo
2- O Juramento de um libertino
3- Seu Nome é Escândalo
4- A Proposta de um libertino
5-.Um Amor Secreto
6. Tudo sobre o amor
7- Tudo sobre a paixão
7,5- A Promessa em um Beijo 
8- Uma Noite Selvagem
9- Sombras ao Amanhecer
10- A Amante Perfeita
11- A Noiva Ideal
12-  A Verdade Sobre o Amor 
13-  Sangue Puro
14- O Sabor da Inocência
15- As Razões do Coração - em revisão
16- O sabor da Tentação -    idem


Rendição



Laura Prescott, uma aristocrata bostoniana conhece o verdadeiro significado do que é se entregar quando se apaixona terna e apaixonadamente por um estranho: Jason Moram, seu marido.









Capítulo Um


Novembro de 1880, Boston.
Quão último esperava Jason Moram quando abriu a porta de sua biblioteca era a visão de sua esposa sendo beijada por outro homem. Talvez a esposa de alguém mais recorresse a encontros clandestinos, mas não a dele. Não havia segredos em Laura... Ou ao menos isso tinha pensado ele. Seus olhos negros se entrecerraram enquanto a sensação desconhecida dos ciúmes lhe congelava a boca do estômago.
O casal se separou de um salto logo que se abriu a porta. A leve música de Strauss se escutava flutuando da festa, dissipando qualquer ilusão de privacidade que os dois pudessem ter tido. Laura levou as mãos às bochechas pela surpresa, mas que não ocultou o fato de que tinha estado chorando.
Jason rompeu o silêncio com uma voz zombadora.
-Não é uma anfitriã atenta, querida. Alguns dos convidados estiveram perguntando por ti.
Laura alisou o cabelo castanho e se recompôs com uma velocidade milagrosa, assumindo sua habitual máscara inexpressiva.
-Não pareça tão ansioso, Perry, - disse ao outro homem, que tinha avermelhado a um tom escarlate. -Jason entende um beijo entre amigos, - seus olhos verdes piscaram em direção a seu marido. -Não é assim, Jason?
-Oh, entendo tudo a respeito dos... Amigos, - respondeu Jason, apoiando o ombro contra a porta. Nunca o tinha visto tão perigoso como nesse momento, seus olhos negros tão duros e brilhantes como diamantes. -Talvez seu amigo possa ser o suficientemente amável para nos permitir um pouco de privacidade, Laura.
Isso foi todo o impulso que Perry Whitton necessitou para escapar. Murmurando alguma desculpa, deslizou-se pela porta, puxando a gola alta e engomada de sua camisa, para facilitar o fluxo de sangue a seu rosto.
-Whitton, - meditou Jason, fechando a porta atrás da figura em retirada. -Não é a opção mais óbvia para um enlace romântico, não?
Perry Whitton era um solteiro tímido, de meia idade, amigo de algumas das mulheres mais influentes na sociedade de Boston. Tinha inumeráveis amizades femininas, mas nunca mostrou um interesse romântico por nenhuma delas. A aparência de Whitton era agradável, mas não ameaçadora, suas maneiras interessantes, mas não coquetes. Qualquer marido se sentiria completamente seguro em deixar a sua esposa em companhia de Whitton.
-Sabe que não se trata disso, - disse Laura em voz baixa.
Perry tinha sido um conhecido dos Prescott durante anos, o beijo tinha sido um gesto de simpatia, não de paixão. Quando Laura lhe deu a boas-vindas à festa, Perry tinha visto a tensão em seu rosto e a infelicidade sob suas cortesias sociais.
-Está tão bonita como sempre, - disse-lhe Perry amavelmente, - mas me atreveria a dizer que há algo que lhe preocupa.
Assim era em efeito. Laura não tinha intenção de lhe confiar seus problemas com Jason, mas para seu horror, deu-se conta que estava a ponto de chorar. Teria preferido morrer antes de fazer uma cena emotiva. Entendendo seu dilema, Perry a tinha levado a um lugar privado. E antes que pudesse dizer uma palavra, ele a tinha beijado.
-Jason, certamente não pode pensar que há sentimentos românticos entre Perry e eu, - disse em um tom cauteloso.
Estremeceu de inquietação quando seu marido se aproximou dela e lhe agarrou os braços.
-Você me pertence, - disse com voz rouca.- Cada centímetro teu - seus olhos percorreram o traje de noite de cetim que usava. – Seu rosto, seu corpo, cada pensamento. O fato de que eu não queira participar de seus favores não quer dizer que te permitirei que os conceda a qualquer outro homem. É minha e só minha.





14 de abril de 2015

A Soma de todos os Beijos

Quarteto Smythe Smith






Sarah Pleinsworth não consegue perdoar Hugh Prentice pelo duelo que travou há três anos e que quase destruiu sua família, resultando na fuga de seu primo e deixando o próprio Hugh com uma perna gravemente ferida. 

Tudo bem que Hugh não podia tolerar as maneiras dramáticas de Sarah. 
Mas quando os dois são forçados a passar uma semana juntos, acham que os beijos inesperados e a paixão mútua, poderiam fazê-los mudar de ideia.


Capítulo Um

Fensmore Nr. 
Chatteris Cambridgeshire Outono 1824
Lady Sarah Pleinsworth, veterana de três temporadas sem sucesso em Londres, olhou ao redor do salão de visitas de sua prima e anunciou. — Estou atormentada por uma epidemia de casamentos. Suas companheiras eram suas irmãs mais jovens, Harriet, Elizabeth e Frances, que, aos dezesseis, quatorze e onze anos, não estavam na idade de se preocupar com perspectivas matrimoniais. Ainda assim, poder-se-ia pensar que ofereceriam um pouco de simpatia. Poderia se já não estivesse familiarizada com as meninas Pleinsworth.
— Você está sendo melodramática. retomar seus rabiscos na escrivaninha. Sarah virou-se lentamente em sua direção. — Você está escrevendo uma peça sobre Henry VIII e um unicórnio e me chama de melodramática?
— É uma sátira. — Harriet respondeu. — O que é uma sátira? — Frances intrometeu-se.
—É o mesmo que um sátiro? Os olhos de Elizabeth se alargaram com prazer perverso. — Sim! — Exclamou ela.
— Elizabeth! — Harriet repreendeu. Frances estreitou os olhos para Elizabeth.
— Não é isso? — Respondeu Harriet, dispensando a Sarah um olhar fugaz antes de mergulhar sua caneta na tinta e  — Deveria ser. — Elizabeth replicou. — Dado que você a fez colocar um maldito unicórnio na história.
— Elizabeth! — Sarah não se importava que a irmã tivesse praguejado, mas como a mais velha da família, sabia que deveria se importar. Ou pelo menos, mostrar uma pretensão. — Não estava praguejando. — Elizabeth protestou.
— Foi um pensamento. Isso foi recebido com silêncio confuso. — Se o unicórnio sangrar. — Explicou Elizabeth — Então, a peça terá pelo menos uma chance de ser interessante. Frances engasgou.
— Ah, Harriet! Você não vai ferir o unicórnio, vai? Harriet deslizou uma mão sobre sua escrita. — Bem, não muito. O suspiro de Frances saiu como um estrangulamento de terror. — Harriet! — Será que é mesmo possível ter uma epidemia de casamentos? — Harriet disse alto, voltando-se para Sarah. — E se assim for, dois deles poderia qualificar isso?
— Qualificam. — Sarah respondeu sombriamente. — Caso ocorram com apenas uma semana de intervalo, e se por acaso estiver relacionado com uma das noivas e um dos noivos, e especialmente se foi forçada a ser a dama de honra em um casamento no qual... — Você só tem que ser dama de honra uma vez. — Elizabeth interrompeu.
— Uma vez é suficiente. — Sarah murmurou. Ninguém deveria ter que caminhar pelo corredor de uma igreja com um buquê de flores, a menos que ela seja a noiva, já tenha sido a noiva ou fosse muito jovem para ser a noiva. Caso contrário, isso seria muito cruel.
— Acho que foi divino que Honória tenha pedido a você para ser a dama de honra. — Frances jorrou.
— É tão romântico. Talvez possa escrever uma cena assim na sua peça, Harriet.
— Que boa idéia. — Respondeu Harriet. — Eu poderia introduzir um novo personagem. Vou fazê-la parecida com Sarah. Sarah não se preocupou em virar-se em sua direção.
— Por favor, não. — Não, vai ser muito divertido. — Harriet insistiu. —Um pequeno pedacinho especial apenas para nós três.
— Há quatro de nós. — Disse Elizabeth. — Oh, bem. Desculpe, acho que esqueci Sarah, na verdade. Sarah considerou esse indigno comentário, então torceu seu lábio.
— Meu ponto é... — Harriet continuou. — ...que vamos sempre lembrar que estávamos aqui juntas quando pensamos nisto. — Você poderia fazer parecida comigo. — Disse Frances esperançosa. — Não, não. — Harriet disse, acenando para ela.
— É tarde demais para mudar agora. Já tenho tudo na minha cabeça. A novo personagem deve se parecer com Sarah. Deixe-me ver... — Começou a rabiscar loucamente. — Cabelo espesso e escuro, com apenas uma leve tendência a enrolar. — Olhos escuros, insondáveis. — Frances propôs ofegante.
— Eles devem ser misteriosos. — Com uma pitada de loucura. — Disse Elizabeth. Sarah olhou ao redor para encará-la.
— Só estou fazendo minha parte. — Elizabeth hesitou. — E certamente vejo essa pitada de loucura agora. — Acho que sim. — Respondeu Sarah. — Não muito alta, nem muito baixa. — Harriet disse, continuando a escrever. Elizabeth sorriu e juntou-se a cantilena.
— Não muito magra, nem muito gorda. — Oh! Oh! Oh! Eu tenho uma! — Frances exclamou, praticamente saltando ao longo do sofá. — Não é muito rosa, não muito verde. Isso esfriou a conversa.
— Perdão? — Sarah finalmente controlou-se. — Você não se embaraça facilmente. — Explicou Frances. — Portanto ruboriza muito raramente. E eu só vi você ficar enjoada apenas uma vez e foi quando todas nós pegamos aquele peixe ruim em Brighton.
— Por isso, o verde. — Harriet disse com aprovação. — Muito bem, Frances. Isso foi muito inteligente. As pessoas realmente ficam esverdeadas quando estão enjoadas. Gostaria de saber por que isso acontece. — Bile. — Disse Elizabeth.
— Nós devemos ter esta conversa? — Sarah perguntou. — Não sei por que está de mau humor. — Disse Harriet. — Não estou de mau humor. — Você não está de bom humor. Sarah não se preocupou em contradizer.
— Se fosse você... — Harriet disse. — ...eu estaria flutuando no ar. Poderá caminhar até o altar. — Eu sei. — Sarah caiu de volta no sofá, o lamento de sua sílaba final aparentemente forte demais para que permanecesse em posição vertical. Frances se levantou e foi para o lado dela, olhando para baixo sobre o sofá.
— Não quer caminhar até o altar? 
 







Quarteto Smythe Smith
1- Assim Como o Céu
2- Uma Noite Como Esta
3- A Soma de todos os 
4 - Sem previsão por parte da autora

Anjo do Amor



O jovem conde de Chadwood abriu os olhos, depois de ter ficado dias entre a vida e a morte, e não reconheceu o quarto onde estava. 

A escuridão era quebrada apenas pela ténue luz de pequenos candelabros. 
Um perfume suave chegava até ele como uma carícia. 
Quando olhou para o lado encantou-se com um rosto alvo, emoldurado por cabelos dourados, e grandes olhos brilhantes que pareciam duas estrelas no céu. 
Por um momento achou que fosse um anjo, mas logo reconheceu Olívia, a jovem que ele ameaçara expulsar de Chad, sua mansão ancestral!

Capítulo Um

1824
Olívia olhou dentro de sua bolsa e deu um suspiro. Constatou que estava quase sem dinheiro.
Mais cedo ou mais tarde teria de se dirigir ao novo conde de Chadwood.
Esperara que ele fosse visitá-la ou, ao menos, que a convidasse para ir a Chad.
Porém, até aquele momento, não tivera notícias da Casa Grande. E considerara de mau gosto impor sua presença logo após a chegada do novo conde.
Afinal, tudo seria difícil para ele, pois jamais imaginara herdar o título.
Primo distante do último conde, o quinto, exercia suas funções militares na índia, quando recebeu a notícia da morte do velho primo e dos dois filhos.
Os primos William e John velejavam, e o barco foi dado por perdido. Iam para Cornwall, onde possuíam uma propriedade. Ousadamente, partiram em dia de grande temporal.
Os dois morreram afogados, e a notícia causou um golpe fatal ao velho pai, já muito doente.
E todos na propriedade do conde ficaram consternados.
Amavam William e John. Viram-nos crescer, e dedicavam-lhes a mesma afeição que tinham por seus próprios filhos.
Olívia custou a acreditar que os rapazes haviam morrido. Gostava deles como irmãos e faziam parte de sua vida desde que nasceram.
Após a morte do velho conde, passou-se um ano até o novo conde voltar da índia. Ninguém sabia nada sobre ele, exceto que era primo do antigo dono.
Os habitantes da aldeia tiveram esperança de que as coisas caminhassem normalmente.
Os velhos empregados de Chad cuidavam da Casa Grande como se lhes pertencesse. Os arrendatários e trabalhadores dos campos lutavam para fazer das fazendas a inveja de qualquer proprietário de terras vizinhas.
Para Olívia, o último ano fora muito triste. Não apenas por causa da morte do velho conde, do qual se lembrava sempre com carinho, mas pela morte de seu próprio pai.
Pastor da aldeia, o pai de Olívia percorria longas áreas em seu coche puxado por um único cavalo, a fim de visitar os paroquianos doentes.
Um dia, numa curva da estrada, um enorme faetonte com quatro cavalos colidiu com seu pequeno veículo. O condutor do faetonte estava bêbado. Sobreviveu ao acidente, mas o pastor morreu.
O reverendo Arthur Lambrick cuidara dos moradores do local e do conde por vinte e cinco anos.
Muito inteligente e simpático, tivera, contudo, dificuldade em se recuperar depois da morte da esposa. Ela falecera um ano antes, em consequência de uma epidemia que assolara a aldeia.
Todos diziam ser esse o início de uma nova praga. E afirmavam ser o castigo de Deus à maldade e imoralidade reinante em Londres.
A epidemia matou muitos velhos e também a linda e amada esposa do pastor. Olívia, com apenas dezenove anos de idade, encontrou-se sem o amparo do pai e da mãe. 
Moravam com ela a irmãzinha Wendy e o irmão Anthony, que só aparecia no período de férias escolares. Tony, como era conhecido, terminara o curso secundário em Eton.
O velho conde prometera mandá-lo a Oxford, onde o pastor também estudara. As aulas começariam em outubro e Olívia rezava para que o novo conde cumprisse as promessas de seu antecessor.
Ela contou novamente o dinheiro da bolsa, e viu que não tinha quase nada. Pegou meia libra, o salário da empregada Bessie correspondente a três semanas. Envergonhava-se por ter se atrasado no pagamento. E ainda precisava guardar algum dinheiro para a comida, e Tony tinha um apetite voraz.









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