27 de maio de 2017

Canção Audaz

Série Velvet Montgomery

Ambos são párias por decretos!

Uma luta feroz entre o amor, o orgulho e a honra!
Reine é o defensor dos inocentes, e segundo seu pai, guarda uma extraordinária semelhança física com seu antepassado, o Leão Negro. 
Alyx é a filha única do advogado de uma aldeia, cujo bem mais precioso é um cinturão de ouro que segundo a lenda, pertenceu à esposa do Leão Negro e que passava de mãe para filha.
Segundo a mesma lenda, uma de suas muitas filhas se casou com um homem de menor condição, o que explicaria porque Alyx o teria em seu poder.
Almas gêmeas?  Com seu pai assassinado, sua casa queimada, e sendo acusada de bruxaria, a adorável Alyx Blackett fugiu para o bosque e encontrou refugio no acampamento de Raine Montgomery, um nobre proscrito por decreto real. Ela escondeu sua beleza sob o disfarce de um menino, e sua tristeza em seu trabalho como escudeiro de Raine. Mas por quanto tempo uma beleza como a ela poderia ser escondida? Quanto tempo os desejos de um homem tão galante poderiam ser cegos?
Enquanto a luta de ódio e sangue se desencadeia entre os Montgomery e os Chatworth, e espadas colidem em nome da honra da família, o amor de uma mulher faria toda a diferença. Iria inflamar a paixão de um herói, tocar a compaixão de um rei, e levantar uma canção de louvor em cada coração inglês.

Capítulo Um

Sul da Inglaterra, Janeiro de 1502.
A pequena aldeia do Moretón estava rodeada por uma alta muralha de pedra, e o cinza de suas pedras projetava uma longa sombra sobre as muitas casas amontoadas em seu interior. Atalhos muito gastos uniam os edifícios entre si, abrindo-se do centro, onde se localizava a igreja com sua torre e a prefeitura branca e elevada. Agora, sob a pálida luz da manhã, uns poucos cães começavam a despertar, mulheres de olhos sonolentos preguiçosamente caminhavam em direção ao poço de água do povoado e quatro homens esperavam, com machados sobre os ombros, enquanto os guardas abriam as pesadas portas de carvalho do muro de pedra.
Dentro de uma casa singela, estreita, de dois andares, caiada de branco, Alyxandria Blackett escutava com cada poro de seu corpo o rangido dos portões. Quando o percebeu, pegou seus sapatos de delicado couro e começou a caminhar nas pontas dos pés para as escadas que, infelizmente, encontravam-se ao outro lado do dormitório de seu pai. Fazia horas que estava vestida, despertou muito antes que saísse o sol e colocou um singelo vestido de lã, um tanto áspero, sobre sua etérea figura. E hoje, pela primeira vez, não olhou o corpo com desgosto. 
Parecia que toda sua vida tinha estado esperando crescer para ganhar um pouco de altura, de peso, e sobre tudo, adquirir algumas curvas. Agora, aos vinte anos, sabia que sempre teria seios pequenos e quadris estreitos. Ao menos, pensou com um suspiro, não tinha necessidade de usar espartilho. Ao passar pelo quarto de seu pai, lançou a este um rápido olhar para assegurar-se de que estava dormindo, levantou sua saia de lã, começou a descer e evitou o quarto degrau, porque sabia que rangia sonoramente.
Quando chegou ao pé da escada não se atreveu a abrir as persianas. O ruído poderia despertar seu pai e ele necessitava de muito descanso. Contornando uma mesa coberta com papéis e tinta, e um testamento pela metade, que seu pai estava redigindo, foi até a parede mais afastada, olhando com amor os dois instrumentos musicais que estavam pendurados nela.
 Todos os sentimentos de autocompaixão pelo que Deus esqueceu-se de lhe dar fisicamente desapareceram quando pensou em sua música. Uma nova toada já começava a tomar forma em sua cabeça. Uma melodia suave e envolvente. Obviamente era uma canção de amor.
— Não pode se decidir? — a voz de seu pai veio do pé da escada.
Instantaneamente correu para ele, rodeou-lhe a cintura com o braço e lhe ajudou a sentar-se à mesa. Até na escuridão da sala pôde ver os círculos azulados debaixo de seus olhos.
— Deveria haver ficado na cama. Há tempo suficiente para fazer o trabalho do dia sem ter que começar antes do amanhecer do sol.
Tomando sua mão um instante, sorriu para seus lindos olhos. Sabia bem o que sua filha pensava sobre seu pequeno rosto oval de elfo, com rasgados olhos violetas, o nariz pequeno e a minúscula boca curvilínea. Tinha-a ouvido lamentar-se bastante a respeito, mas tudo o que tinha a ver com ela era muito amado.
O povoado ganhava vida e os aldeões começavam a se movimentar para dentro e fora das muralhas possibilitando que Alyx tivesse certa liberdade de sair.
— Segue. Vá em frente. — ele disse, empurrando-a brandamente. — Vá e veja que instrumento escolhe antes que alguém venha se queixar por não ter uma canção para seu último amor.
— Possivelmente esta manhã seria melhor que ficasse contigo. — Sussurrou, seu rosto mostrando sua preocupação por ele. Três vezes no último ano ele teve dores horríveis em seu coração.
— Alyx! — advertiu-lhe. — Não me desobedeça. Agora reúna suas coisas e vá embora!
— Sim, milorde! — ela riu, o que para ele era um sorriso que derretia o coração. Seus olhos se virando para o lado, sua boca formando um perfeito arco de cupido com o sorriso. Com soltura, tomou a cítara da parede, deixando o saltério onde estava. Virando-se, ela olhou para o pai.
— Você tem certeza que vai ficar bem? Não tenho por que sair esta manhã.
Ignorando-a, alcançou-lhe seu estojo de estudo que continha uma pluma, tinta e papel.
— Prefiro tê-la criando música que prisioneira em casa com um velho doente. Alyx! — lhe advertiu. — Venha aqui. — Com um gesto familiar começou a fazer uma grossa trança que lhe caía pelas costas. Seu cabelo era pesado, espesso e totalmente liso, sem o mínimo rastro de um cacho, e a cor era, inclusive para seu pai, muito estranha. Quase parecia como se uma criança tivesse misturado todas as cores de cabelo possíveis, em uma só cabeça. Havia fios de ouro, amarelo brilhante, vermelho profundo, acobreado, marrom, e conforme jurava Alyx, alguns no tom cinza. Quando a trança estava terminada, puxou seu manto da parede, colocando sobre seus ombros e amarrou o capuz sobre sua cabeça.
— Não fique muito absorvida com seu estudo, ao ponto de esquecer que deve se manter abrigada. — Ele disse com fingida ferocidade, enquanto a fazia girar. — Vá agora, e quando voltar quero ouvir algo belo.
— Farei todo o possível. — Respondeu ela rindo enquanto saía e fechava a porta atrás de si.
De sua casa, atrás da muralha da aldeia, animou-se e preparou-se para começar sua jornada. Parada em frente aos grandes portões, Alyx podia ver quase toda a cidade enquanto as pessoas começavam a se mexer e se preparavam para começar o dia de trabalho. Havia uma questão de centímetros entre as casas e no corredor minúsculo que corria ao longo das paredes. A mesma passagem estreita que corria, também, ao longo da muralha da aldeia. Casas de madeira e pedra, tijolo e estuque eram muito próximos, e seu tamanho variava desde a casa do prefeito ao mais ínfimo dos artesãos e advogados, como seu pai. Uma leve brisa agitava o ar e cartazes das vendas se agitavam.
— Bom dia Alyx! — saudou uma mulher que varria o cascalho diante de sua casa. — Vai fazer algum trabalho para a igreja hoje?
Deslizando a cítara para suas costas, devolveu a saudação a sua vizinha.
—Sim... e não a tudo!
Série Velvet Montgomery


26 de maio de 2017

Dorina e o Doutor

Série Homens do Duque


O Dr. Percy Worth acha a jovem viúva Dorinda Nunley arrebatadora, cada vez que a vê na casa de seus primos, o Duque e Duquesa de Lyon. 

Mas ele imagina que uma flor de estufa da sociedade daria uma esposa de médico terrível. Ainda assim, quando ela entra em sua residência uma manhã encontrando-o meio vestido, ele fica tão fascinado quanto surpreendido pela intrusão. 
Embora Dorinda esteja zangada quando percebe que eles são vítimas da duquesa casamenteira, Percy sugere que ensinem à duquesa uma lição fingindo se cortejar, e depois rompendo espetacularmente no jantar do duque naquela noite. Mas depois de um dia juntos — e uma queda muito quente na cama —eles percebem que se adequam um ao outro muito melhor do que jamais sonharam. Agora irão para frente com seu plano? Ou abraçarão a farsa que se tornou muito real? 

Capítulo Um 

Cedo em uma bela manhã de segunda-feira, a Srta. Dorinda Nunley deixouse entrar através da porta lateral da moradia do Dr. Percy Worth, a qual ele alugava de um parente distante de Dorinda, o Duque de Lyons. Lisette, a nova esposa do duque, a enviara com a chave até ali para colocar o lugar em ordem enquanto o médico estava fora da cidade, mas ainda assim parecia estranhamente íntimo invadir sua propriedade. Pelo menos ela não estava entrando nas áreas de estar. 
Esta parte era o consultório dele, embora aparentemente ele não atendesse os pacientes nele. Não havia necessidade, pois todos eles eram membros da alta sociedade, nada surpreendente para um médico que atualmente era a celebridade de Londres. 
Depois de tirar seu chapéu, Dorinda colocou-o em cima de uma cômoda próxima e examinou o local. É claro que o homem passava pouco tempo ali, ou então como poderia suportar tal desordem? Havia caixas parcialmente desempacotadas desde quando ele fixou residência há oito meses, depois de anos como médico de um navio. 
Um esqueleto completo caía sobre uma cadeira, e frascos e ampolas estavam misturados em cima de uma mesa como se ele a vasculhasse sempre que precisava de algo. Bem, depois que ela tivesse terminado com este lugar, ele nunca teria que sair a caça por algo novamente. 
Ela odiava admitir, mas estava secretamente ansiosa para se tornar útil para ele. Embora ela não gostasse de médicos como regra, ele não era nada, exceto amável com ela, e por isso ele merecia ter um lugar de trabalho organizado. 
Mesmo que a fizesse lembrar-se de uma fase difícil de sua vida. Endireitando seus ombros, ela se dirigiu para a mesa e quase tropeçou em uma bolsa preta. Ela a olhou fixamente. Parecia aquela que ele às vezes carregava quando vinha ver como a duquesa estava passando sua gravidez. Mas por que ela estaria aqui? Ele deveria estar... Nesse momento, a porta se abriu e a consciência clareou Antes que ela pudesse grunhir um aviso, o bom doutor entrou na sala, vestindo apenas um robe meio aberto e um par de ceroulas. Ele parou de repente, seus olhos castanho-escuros se arregalaram. 
—Senhorita Nunley? 
Oh Deus oh Deus oh Deus...









Série Homens do Duque
0,5-  Era a Noite depois do Natal
1- O que o Duque deseja
2- O Regresso do Canalha
2.5- Dorina e o Doutor
Trad. Paraíso da Leitura

A Bela e o Escocês

 Série Mor.
Carrick Gordon deu sua palavra, e agora ele vai se casar com uma moça que ele nunca viu.

Depois de ficar com ela o suficiente para conseguir um herdeiro, ele a liberará do leito matrimonial. Ela não lutará contra isso. Carrick está certo que apenas um olhar para o seu rosto marcado, e ela recuará com horror.
Tinha que ser uma piada cruel. 
Analise MacGregor não pode acreditar que esse homem bonito seria seu marido. Que ele a rejeite depois de uma noite maravilhosa é doloroso, mas não quando, surpreendentemente, vê como Carrick mantém todos à distância. Será que Carrick e Analise conseguirão superar suas percepções preconcebidas, para finalmente admitir sua atração mútua?

Capítulo Um

Quando a refeição da noite foi colocada diante dele, Carrick Gordon remexeu a comida, planejando retirar-se para seu quarto o mais rápido possível. A enorme sala de jantar de Gordon estava barulhenta esta noite com a conversa turbulenta dos clãs que acabavam de voltar dos torneios, e o barulho de pratos e copos batendo nas longas mesas. O ruído aumentava com cada novo jarro de cerveja que era servido. 
Muito diferente da casa mais modesta onde ele vivia agora, com poucos serviçais e alguns membros do clã como companhia. Carrick afastou-se de seu pai logo após a morte de sua mãe, alguns anos antes, preferindo a solidão e o silêncio de sua própria casa. Isso e o fato de que a família o rejeitou. 
—Sirva-me mais cerveja. —Seu pai, Lorde Angus Gordon, gritou para uma criada que correu para atender sua ordem. Uma vez cheia, ele tomou um longo gole da caneca e a bateu sobre a mesa. Moraine, a esposa atual do Lorde, saltou com o som, mas não pronunciou uma palavra. Durante a refeição, ela manteve seu olhar para baixo, sua mão tremia ao pegar a comida, e, por vezes, a taça de vinho. 
Estudando-a, Carrick percebeu novas contusões na mandíbula da mulher. Carrick olhou para seu pai, que por sua vez observava os movimentos da mulher mansa, com um interesse que poderia ser descrito como satisfação. O medo alimentava o ego de Angus Gordon, e ele era adepto a obtê-lo, não apenas com sua família, mas também de seus homens. A tendência à crueldade do Lorde era bem conhecida. 
A comida no prato de Carrick perdeu seu encanto. Ele a empurrou para longe e pegou sua caneca de cerveja em vez disso. O Lorde limpou a garganta ao perceber o olhar de Carrick. 
—Sua moça e seu tio chegam amanhã. Você poderia tentar se comportar como se fosse parte desta família enquanto ele estiver aqui? —O homem mais velho inclinou-se para trás na cadeira e concentrou-se nele. Olhos perspicazes fixaram-se em sua túnica simples. 
— Possivelmente com um traje mais apresentável.
Carrick bocejou sem responder. Como o Lorde esperava que ele agisse? Se
havia alguém que o desprezava e assegurava-se de que ele nunca se sentisse
parte do clã Gordon, era seu pai.
—O acordo foi feito e, sinceramente, duvido que minha maneira de vestir mude alguma coisa. Este acordo matrimonial não é minha responsabilidade.

 
Série Mor.
1- A Bela e o Escocês

21 de maio de 2017

Alma Viking




Odín, deus da guerra, tinha-o eleito.

Educado nas armas, o viking e semideus Ishkar, primogênito da casa de Vadin, estava destinado a realizar grandes conquistas.
Sayka, filha de Zollak, e Cristã, tinha tomado as armas em substituição de seu irmão menor para defender a seu povo de toda classe de invasores.
Enfrentados entre si, a cobiça, o ódio, a vingança…
Unidos a ardente fé do povo ao qual pretende submeter, conseguirão que Ishkar duvide de sua condição de semideus e de suas crenças.

Capítulo Um

«Vêm do norte, hostil e frio.Saqueiam os mosteiros, aniquilam os povos e profanam as Igrejas…»
A proa do navio, em forma de pescoço de cisne, elevava-se quase cinco metros por cima da água. Coroada pela feroz cabeça de um dragão, parecia disposta a enfrentar de igual maneira aos ventos ou às enfurecidas ondas, e fulguravam os arranjos sob o sol de meio-dia. Ishkar não pôde dissimular um sorriso satisfeito observando a nave. Com a vivacidade de um golfinho, os mais de vinte e cinco metros de comprimento do navio sulcavam o mar aproximando-os de seu destino. Um destino que tinha uma missão muito concreta: negociar ou invadir; tudo dependia dos ingleses e a favor de quem estivessem.
Em fevereiro de 1014 Knut de Store, mais conhecido pelos ingleses como Canuto o Grande, depois da triunfante invasão à Inglaterra um ano antes e o falecimento de seu pai, tinha sido proclamado rei pelas tropas dinamarquesas. Ethelredo II, entretanto, tinha aproveitado sua volta à Dinamarca para fazer-se com o trono. Ainda não tinham cessado as escaramuças e a Inglaterra se encontrava dividida em dois bandos opostos. Vadin tinha acompanhado a Canuto em algumas batalhas, era um de seus homens de confiança e gozava de seu beneplácito, mas doente como se encontrava nesses momentos delegou em seus dois filhos a incursão que lhe tinha sido encomendada.
Ishkar tinha no drakkar trinta homens sob seu comando, e um número similar em cada uma das outras naves que lhe seguiam. Agora, apoiados nos remos, tomavam uma pausa depois da fatigante e ocupada jornada do dia anterior, em que o vento não lhes tinha acompanhado, lhes obrigando a impulsionar a nave a golpe de remo. Naquela manhã, todas as velas estavam cheias e eles podiam descansar.
A madeira de pinheiro da ponte rangeu sob o peso do homem que se aproximou até ele. Se não lhe conhecesse, esse saco de músculos teria feito que fraquejasse; Goonan o ultrapassava em uma cabeça, seus ombros eram largos, seus braços poderosos troncos de aço, suas mãos grandes como maças e capazes de amassar o crânio de um homem sem esforço algum. Tudo em seu aspecto dava amostra de ferocidade e intimidava. Entretanto, seus olhos azuis olhavam Ishkar com afeto.
Uma de suas mãos caiu sobre o ombro esquerdo do mais jovem, sacudindo-o.
― O vento é hoje nosso aliado, Ishkar.
― Certo. Logo chegaremos à costa; Erik deve estar nos aguardando impaciente.
― Terá conseguido suficientes cavalos?
― Conte com isso.
Goonan fez um gesto vago e se encostou á amurada. As ondas, ao romper contra o casco da estilizada nave, salpicaram seu rosto; o ar enredou ainda mais seu avermelhado cabelo e acariciou sua espessa barba.
― Nunca gostei de me fazer de babá.
Ishkar jogou a cabeça para trás deixando escapar uma gargalhada.
― Goonan, Erik não a necessita.
― Ele teria gostado de chegar às costas inglesas sozinho e fazer o que seu pai não quer: brigar. Conheço seu irmão, a ordem de Vadin lhe fazendo aguardar o grosso de nossas forças não foi de seu agrado.
― Mas acabou obedecendo.
― Isso ainda está por se ver ― resmungou o ruivo.
Ishkar voltou a rir com humor. Desde que deixaram a Dinamarca, os deuses lhes tinham prodigalizado boa fortuna; Goonan se preocupava por nada. Chegariam à Inglaterra, tentariam conseguir as alianças encomendadas por Canuto, obteriam estanho, trigo e mel e intercambiariam culturas antes de retornar com novos apoios. Mais cedo ou mais tarde Canuto voltaria a governar sobre a ilha.
O ruivo olhou ao jovem sem intenção de unir-se a seu divertimento, mas agradecido por seu excelente estado de ânimo. Muitas vezes o tinha visto irritado e não gostava de suportar seu humor quando lhe azedava.
Para ele, Ishkar era como o filho que não tinha tido. Desde que se uniu à Vadin, um dos senhores das terras do norte, tinha estado junto ao moço. E quando o jovem foi eleito pelo muito mesmo Odín, foi a ele a quem Vadin encarregou sua educação. Tinha-lhe ensinado tudo que sabia a respeito das armas e a navegação.
Recordou aquele longínquo dia de inverno, o da consagração de Ishkar como protegido dos deuses. 
Veja vídeo do lançamento

19 de maio de 2017

O Mestre da Sedução

Série Os Sedutores 
Ela era uma mulher sensível.

Ele era um homem que poderia conduzir uma mulher insensata por meio do desejo
Gareth Fitzallen é célebre por quatro motivos: seu rosto lindo, seu charme notável, suas conexões aristocráticas, e pela habilidade de dar o tipo de prazer que faz as mulheres implorar por mais. Normalmente, ele utiliza seus talentos em mulheres experientes e meretrizes. Mas quando ele vai para Langdon’s End para restaurar uma propriedade que herdou ― e investigar um roubo de uma obra de arte monumental ― ele bola um plano para seduzir a mulher mais improvável.
Eva Russell vive a vida de uma solteirona com finanças precárias e sonhos limitados, enquanto se agarra ao status do antigo título de nobreza de sua família. Ela se sustenta copiando pinturas, enquanto trama casar sua linda irmã com um homem bem estabelecido. Todos avisam da reputação de Gareth, e aconselham-na a manter sua irmã longe dele. Só que não é sua irmã que Gareth deseja.
Um olhar, e ela percebe que ele é um problema. Um beijo, porém, prova que ela não é páreo para este mestre da sedução.

Capítulo Um

Foi bem depois do meio-dia, quando a empregada entregou a bandeja de café da manhã no quarto opulento de Hendrika. Gareth Fitzallen terminava de ler a versão final de um contrato de negócios complicado quando a empregada descerrou as cortinas e abriu as janelas. Hendrika ronronou, espreguiçou-se e esfregou os olhos.
Gareth recolheu as folhas de pergaminho, que ele tinha espalhado sobre o corpo dela, o melhor que pode para mantê-las organizadas. A empregada ajustou uma variedade de travesseiros. Hendrika sentou-se e apoiou as costas contra eles, expondo seu exuberante corpo nu para a empregada, para Gareth e, possivelmente, para a família que possuía a casa alta e estreita em frente ao canal.
– Senhor, precisa de alguma coisa? – Perguntou a empregada. Seu olhar cabisbaixo ainda permitia contemplar o peito nu de Gareth. Ela olhou-o nos olhos por um segundo através de seus cílios. Suas narinas se alargaram. A empregada estava se tornando um problema. Ele não fez nada para encorajá-la, mas, inevitavelmente Hendrika veria um dos sorrisos manhosos, ou olhares quentes, enviados em sua direção. Hendrika enxotou a mulher e em seguida serviu duas xícaras de café.
– O que são todos estes documentos?
– O envio para a Inglaterra de Honfleur. Nós finalizamos os termos da venda. O agente do Conde e eu somente precisamos assinar. E você, também, é claro. Embora iguais a muitos dos moradores de Amsterdã, os olhos de Hendrika poderiam ficar muito escuros quando ela ficava pensativa. Eles tornaram-se negros agora.
– Você tem certeza que seu irmão o Duque vai garantir o pagamento? Elbert se virava no túmulo se soubesse que eu tirei essa carga de um porto estrangeiro para outro, apenas em confiança. Ele colocou seu café na bandeja, gentilmente afastou uma longa mecha de seu cabelo loiro encaracolado de lado e se inclinou para dar um beijo perturbador no globo cheio de seu peito. 
– De tudo o que temos partilhado este último mês, eu suspeito que o seu falecido marido acharia a nossa parceria nesta remessa o de menos.Dedos fortes correram por seu cabelo, em seguida, segurando sua cabeça no lugar, encorajando-o a afligir o fantasma de Elbert ainda mais. Ela se encolheu, quase virando a bandeja, e riu de maneira gutural. Em seguida, ela o empurrou e voltou-se para seu café da manhã, os seios agora pesados e duros e suas pontas protuberantes. Ela espalhou manteiga em um pão. 
– Qual geleia você quer? 
– Cereja. 
Dois jornais tinham vindo com a bandeja. Ela pegou o holandês e deu-lhe o outro, de Paris. Ele mastigava seu pão enquanto lia as notícias sobre a política francesa. De repente, um punho agarrou seu braço. Hendrika exclamou algo em holandês. 
– Gareth, meu amor, – ela sussurrou depois de tomar fôlego. – Olhe para isso aqui. Você pode ler isto? Devo traduzir? Ele pegou o papel. Ela acariciou seu braço enquanto ele leu a notícia que ela indicou. Cinco palavras em que ele mal notou ela lá. 
– Zeus. – Sua própria respiração presa e mantida antes de ele exalar. Seu meio-irmão Percival, o quarto Duque de Aylesbury, estava morto. Ele tinha morrido há mais de uma semana. De repente. Abruptamente. Inesperadamente. 
– Isto é chocante. Ele não era um homem doente. Longe disso. Jovem ainda, também. Apenas trinta e três. – O que quer dizer, o inquérito está aberto? – Ela perguntou suavemente. – É apenas uma formalidade. Tenho de voltar, é claro. Imediatamente. Eu preciso ajudar os outros, e…


Série Os Sedutores 
1- O Mestre da Sedução
Trad: Paraíso da Leitura e Anjos Caidos



14 de maio de 2017

O que faria Jane?

Quando Eleanor vai para um concurso, com seus últimos desenhos de vestidos de época, à semana da Regência em uma antiga mansão na Inglaterra, não imagina que na manhã seguinte a sua chegada despertará dois séculos no passado… ano 1814!
Eleanor aceita viajar até os tempos de Jane Austen para evitar um duelo mortal, mas não sabe como deve comportar-se, o que deve dizer, nem o mais importante… como diferenciar um vilão, de um libertino. 
O cativante, rebelde e misterioso Lorde Shermont é um notório mulherengo, mas… é também um perigoso assassino e espião? Eleanor deverá aproximar-se dele para descobrir. Felizmente, Jane Austen entra em cena, e com seus sábios conselhos, a ajudará a adaptar-se entre a alta sociedade e no escorregadio terreno de seus próprios sentimentos…

Capítulo Um

“Senti a forte presença de espíritos no Twixton Manor Inn. Tratava-se claramente de duas mulheres…
Uma que não podia partir e outra que não queria.”
Crystal Darkhorse, parapsicóloga, em seu último guia de viagem
Destinos Encantados II
― O que quer dizer com: não tenho reserva? ― Eleanor se esforçou por manter um tom agradável, apesar de sentir-se física e emocionalmente exausta. ― Por favor, verifique novamente. P-O-T-T-I-N-G-E-R.
― Nãooooooo ― disse a miúda mulher de cabelo cinza enquanto repassava o registro de nomes na tela do computador. O crachá indicava que era a diretora, senhora Ruth Simms. Deu a volta e olhou com atenção por cima do mostrador. ― Sinto muito. A Associação Jane Austen vai celebrar aqui uma conferência, e, além disso, é a semana da Regência. Não temos lugares disponíveis. ― Franziu o cenho. ― Tem alguma coisa que confirme sua reserva?
― Tenho uma carta que confirma a reserva ― disse Eleanor. Abaixou-se para procurar a carta em sua bolsa de viagem.
― Lembrei ― disse a mulher do mostrador, com um tom de voz parecido ao de um pássaro. ― Recebemos várias caixas com lembretes: Guardar para E. Pottinger.
― São os trajes para meu seminário de moda da sexta-feira ― explicou Eleanor, sem deixar de procurar. Menos mal que o envio tinha chegado a tempo. Mentalmente riscou outro elemento da lista de coisas a se preocupar.
― Farei com que Harry lhe traga as caixas.
― Achei! ― Eleanor ficou de pé, com a valiosa carta de confirmação de reserva em sua mão.
Por azar, haviam fechado as portinholas do guichê, do mostrador da recepção. Olhou a seu redor em busca de um sino ou interruptor e reparou nas mudanças realizadas desde sua última visita, dois anos atrás. O mostrador fora reconstruído no marco da porta que, anteriormente, conduzia a um ambiente muito acolhedor, conhecido como a sala das damas.
O impressionante vestíbulo, com sua escada em forma de caracol, chão de mármore e painéis esculpidos parecia… bom, um pouco menos elegante do que recordava. Um abajur moderno substituíra a teia de cristal original e a armadura, que montava guarda na porta de entrada, necessitava de um polimento. À esquerda, da entrada, havia uma porta de dupla folha que levava até a sala principal, onde já se encontravam alguns hóspedes, a maioria vestida com trajes da época de Jane Austen, que levavam as estúpidas etiquetas com seu nome.
Uma sensação de esgotamento invadiu Eleanor. Depois de quinze horas de viagem, necessitava, desesperadamente, dormir. Golpeou as portinholas com os nós dos dedos. Poucos segundos depois, voltou a chamar. Uma garota cheia de tatuagens e de piercings abriu.
― Vovó foi procurar o Harry. Recomendo-lhe que se sente. ― Apontou um banco de madeira com aspecto de que fora utilizado, no passado, como banco de igreja. ― Demorará um pouco. Harry está lá fora, fumando. ― Fingiu dar uma tragada entre os dedos polegar e indicador, dando a entender que se tratava de algo mais que um cigarro normal. ― Ou isso ou está passando tempo com uma velha moto que um tio deixou aqui, como forma de pagamento. Em resumo, a vovó demorará em encontrá-lo, especialmente se a ouvir aproximar-se.
― Tenho minha confirmação de reserva.
A garota agarrou o papel com o mesmo entusiasmo com que agarraria uma multa de trânsito. Teclou algo no computador e procurou no antiquado livro de registros.
― Aqui diz que cancelou sua reserva. Era a suíte nupcial? ― Elevou a vista. Obviamente, sentindo curiosidade.
Eleanor não contaria a uma estranha que seu noivo a deixara por uma caça talentos, alta, loira e exuberante a quem ele prometera converter em uma estrela de cinema.
― Que chato. ― Disse a garota.
Sim, era mesmo. Mas uma vez que deixara de vê-lo todo cor de rosa, Eleanor se dera conta, de que Jason não era o homem que ela acreditava. Apesar do duro golpe que vivenciara, transformou-se em uma pessoa mais forte, centrada em sua carreira. Como não lhe podiam devolver o dinheiro das reservas de avião para passar a lua de mel na Inglaterra, convertera, esse fato, em uma oportunidade para fazer negócios. E para descobrir mais, sobre o colar.
― Como pode comprovar na carta que confirma minha reserva, troquei o dormitório duplo por um individual, faz seis meses.
― Aqui há algo. A vovó não vai gostar.
― O que acontece? Encontrou?
― Anotou seu nome no registro, mas se esqueceu de introduzi-lo no computador. Seu quarto está atualmente ocupado por um tal Coronel Artemis Hoover. Mmm… 
Veja vídeo do lançamento

12 de maio de 2017

O Ladrão de Noivas

Aos vinte e seis anos, Samantha Briggeham sabia que suas perspectivas de casamento iam desaparecendo lentamente, e ficou satisfeita com isso. 

Não tinha a intenção de se comprometer com um homem que não amasse. Tinha um plano… que não incluía ser raptada por um cavaleiro mascarado. 
A notícia do resgate heróico de Sammie, de um casamento indesejado, a converteu no tema de conversação de toda a elite social e daí em diante não parou de ser assediada por todos os tipos de pretendentes. No entanto, ela não podia esquecer o bandido atraente que a tinha sequestrado por engano. 
Havia nele algo que a intrigava profundamente… Quem era o famoso ladrão, autor de feitos lendários? Eric Landsdowne, o sedutor conde de Wesley, tinha suas próprias razões para ajudar as mulheres a fugir do triste destino de um casamento arranjado e para manter sua identidade secreta. Mas a partir do momento em que ele resgatou Sammie soube que não poderia perde-la uma segunda vez…

Capítulo Um

Kent, 1820
Samantha Briggeham se retirou da janela pela qual entrava na sala a fresca brisa noturna e olhou para seu querido e senil pai.
― Não posso acreditar que me sugira isso, papai. Por que acredita que deveria considerar a possibilidade de me casar com o major Wilshire? Apenas o conheço.
― Bom, é amigo da família há anos ― respondeu Charles Briggeham enquanto cruzava a sala para se reunir com Samantha junto à janela.
― Sim, mas passou a maior parte desses anos no exército ― assinalou ela, se esforçando por conservar o tom calmo e conter um estremecimento.
Não imaginava que alguma mulher pudesse albergar pensamentos românticos a respeito do austero major Wilshire. Céus, aquele homem tinha um cenho que lhe dava a aparência de acabar de morder um limão. Aquela conversa era provavelmente o resultado das maquinações casamenteiras, bem-intencionadas mas inoportunas, de sua mãe.
O pai acariciou o queixo.
― Já tem quase vinte e seis anos, Sammie. É hora de casar.
Sammie lutou contra o impulso de elevar os olhos ao teto. Seu pai era o homem mais carinhoso e doce do mundo, mas apesar de ter uma esposa e quatro filhas era mais burro que uma porta para entender as mulheres, sobretudo a ela.
― Papai, já passei em muito a idade de casar. Estou perfeitamente bem tal como estou.
― Bobagem. Todas as jovens desejam se casar. Foi o que me disse a sua mãe. Aquelas palavras confirmaram suas suspeitas de que sua mãe estava por trás daquilo.
― Nem todas, papai.
O estremecimento que já não podia reprimir mais fez com que ela baixasse os ombros ao pensar em se ver presa com grilhões a algum dos homens que conhecia. Todos eram uns gordos e torpes, e se limitavam a olhá-la fixamente com uma mescla de pena, confusão e, em alguns casos, claro horror, quando ousava falar com eles sobre equações matemáticas ou temas científicos. A maioria a chamava por Sammie A Excêntrica, um nome que ela aceitava filosoficamente, já que sabia que era excêntrica, ao menos aos olhos dos demais.
― Obviamente que todas as jovens desejam se casar ― insistiu seu pai, voltando a atrair sua atenção ao assunto que tinha entre mãos. ― Veja as suas irmãs.
― Já as vi. Todos os dias de minha vida. Amo-as muito mas já sabe que não sou em absoluto como elas. Minhas irmãs são bonitas, doces e femininas, perfeitamente dotadas para ser esposas. Durante os últimos dez anos não fizemos outra coisa que tropeçar com uma grande quantidade de pretendentes. Mas o fato de que Lucille, Hermione e Emily estejam já casadas não significa que eu deva me casar.
― Não deseja ter uma familiar própria, querida?
Um silêncio encheu o ar, e Samantha fez caso omisso da pontada de ânsia que lhe feriu as entranhas. Fazia muito tempo que havia enterrado aquelas fantasias.
― Papai, os dois sabemos que não sou dessas mulheres que atraem os homens para o casamento, nem por meu aspecto nem por meu temperamento. Alem do mais, sou muito velha…






8 de maio de 2017

Para Conquistar um Lorde, Não aja como uma Dama


Darcy Blake, Conde de Chase, é um guerreiro, um leal homem do rei e também um espião.

Com a ordem de espionar a luxuriosa atriz Amélia Fox, Darcy deve fingir ser seu aluno em uma apresentação teatral da corte.
Ele estava certo de que poderia educá-la na arte da sedução enquanto descobre se ela seria uma traidora. Mas para sua surpresa, a Srta. Fox acaba ensinando-lhe uma lição completamente diferente.
Como atriz mais popular de Londres, Amélia é famosa na corte, e não tem marido para lhe dizer o que fazer. Infelizmente, o rei ordenou-lhe treinar o dissoluto Lorde Chase a atuar para a corte.
Em pouco tempo, o Conde a deixa louca de desejo e desperta seu coração para o amor. Como atriz, a sociedade dita que ela nunca poderia ser mais do que a amante de lorde Chase, e Amélia jurou nunca ser menos do que uma dama. Quando Darcy descobre que a atriz espirituosa está realmente ligada a um traidor, ele terá que decidir se o amor ou a lealdade governará seu caminho.

Capítulo Um

Hampton Court Palace, 1670.
Lorde Darcy Blake, o terceiro Conde de Chase, não estava satisfeito com sua mãe, seus servos, seu País, sua amante, e neste momento nem com seu rei. Mas, particularmente, ele não estava satisfeito em ficar vestido com uma anágua parado em um escuro hall de uma das alas do Hampton Court Palace.
Maldição, se ele soubesse dez anos atrás, quando trouxe Carlos de volta da França, que ele estaria vestindo babados rosa em uma sala de estar mal iluminada, ele teria deixado a maldita monarquia com os revolucionários. E se ele tivesse de suportar outro momento interminável como esse na presença de qualquer pessoa ou de qualquer coisa, salvo um punhado de fantasmas, ele iria mandar todo mundo se danar.
Ainda assim, o dever o chamava. Os reis convocavam e os Condes de Chase respondiam... Sempre.
— Você é uma mulher bem pouco atraente, Chase — disse Scott Winters, conhecido por seus compatriotas como o Conde de Gelo.
Darcy estreitou os olhos, olhou por cima do ombro e deu ao seu companheiro de batalhas um olhar esmagador.
— Mesmo? Pensei que você iria levantar minha saia mais de uma vez. Winters riu e puxou um punhado das dobras de seu casaco. Recostado na cadeira dourada a poucos metros de distância, inclinou a cabeça para o lado.
— Acredito que você está me confundindo com a senhorita Rochester, velho amigo.
— Aquela maldita francesa? — Darcy virou-se para o longo espelho apoiado contra a parede pintada. Ele parecia um idiota. — Isso era um absurdo. A saia cor-de-rosa pendia de seus quadris estreitos, mas parava vários centímetros acima de seus tornozelos, revelando as grandes fivelas prateadas de suas botas. O maldito corpete cor-de-rosa mal fechava em suas costas, e seus ombros pareciam que iam explodir nas mangas bufantes.
Um sorriso torceu os lábios de Winters.
— Ah, vamos lá, meu velho… ou melhor, minha velha. Você parece muito charmosa.
Darcy bufou. Pelo amor de Deus, se alguma vez ele visse uma mulher como ele, viraria no mesmo pé e sairia correndo. Depois que seu pênis se encolhesse de horror. As mulheres não deviam ter a constituição de soldados. O que, em nome de Deus, Carlos estava pensando?
— Isso é loucura…
A porta do outro extremo da sala se abriu. O rei entrou, com os cachorros latindo nos seus calcanhares. Seu longo casaco vermelho balançava ao redor de sua alta figura enquanto caminhava, e sua peruca preta brilhava suavemente na luz fraca das velas. Os olhos de Carlos, por outro lado, reluziam intensamente.
Winters levantou-se imediatamente.
Darcy deu um passo à frente e ambos inclinaram a cabeça para o rei, depois esperaram. Os cães correram pela sala cheirando e lambendo. Depois de um momento, eles olharam para o rei, rodaram em círculos, e se jogaram em um tapete de peles gigante diante do fogo.
Embora decadente como Baco, Carlos tinha um intelecto astuto, que inspirava respeito em seus homens. Muitos reis, forçados ao exílio, jamais reclamaram seus tronos, mas Carlos tinha agarrado o seu com um punho de ferro e natureza selvagem.
O rei apertou os olhos.
— Loucura, Chase? O que poderia provocar tal censura de sua pessoa?
— Sua Majestade simplesmente não me pareço em nada com uma mulher — protestou Darcy.
O rei olhou Darcy de cima abaixo, seu rosto inexpressivo, exceto um brilho de diversão em seus olhos.
— Isso é verdade. Entretanto, isso me diverte.
Darcy clareou a garganta enquanto Winters tossiu para disfarçar uma risada. Fez um gesto para o seu vestido curto e para seu rosto, que ele sabia ter os mesmos traços rudes do pai, e apelou para a razão:
— Isso nunca vai enganar Warrington.
Carlos acenou com a cabeça enquanto atravessava a sala para ficar diante da lareira onde crepitava o fogo.
— Esse não é o propósito.
— Mas, sua Majestade…
— Chase. — O rei cortou com um gesto — Eu não estou satisfeito com você.
Oh, por que tinha que ter se deitado com a filha de Richmond? Por que, oh Deus, por quê?
— O que quero dizer, senhor, é que deve haver homens mais adequados... 
Veja vídeo do lançamento


6 de maio de 2017

Aprendendo a te Amar

Serie Worthin.Hall



Henrietta e Robert seguem com sua apaixonada relação. 

Dois temperamentos fortes unidos por um poderoso laço de duas pontas: amor e respeito.
Marjorie, a irmã de Robert, vive com eles e reúne seu amor pela leitura com seu talento para pintar. 

William Harvey, o melhor amigo de Robert, se converteu em alguém importante para ela.
A vida no Worthington Hall caminha suave e tranquila, até que um acontecimento inesperado voltará a pôr suas vidas ao avesso.


Capítulo Um

—Esta mulher é impossível!
Lorde Worthington bateu a porta ao sair o que fez tremer as paredes. Subiu sobre Tormenta quase de um salto e se afastou à galope de Worthington Hall como se temesse que o perseguisse o próprio demônio. Marcus moveu a cabeça e, sem saber se ria ou preocupava-se, voltou para seu trabalho.
Sua esposa estava aos pés da escada com os braços estirados em ambos lados do corpo e os punhos apertados. Estava furiosa, mas sabia que não podia demonstrá-lo. Era uma dama.
—O que eram esses gritos? —Marjorie apareceu no alto das escadas esfregando os olhos.
Henrietta se sentiu mortificada ao estar consciente do espetáculo que haviam dado. Subiu correndo e agarrou a sua cunhada pelos ombros acompanhando-a até seu quarto.
—Peço-te desculpas, Marjorie, não deveríamos nos comportar deste modo —disse entrando atrás dela na habitação.
—Como se fosse a primeira vez! —disse Marjorie sorrindo ao sentar-se na cama e olhar a sua cunhada.
Henrietta ficou vermelha, como sempre. Já tinha descartado a possibilidade de livrar-se daquela estúpida debilidade. Imaginava-se tendo oitenta anos e ficando vermelha por qualquer tolice. Sentou-se junto a Marjorie olhando para a porta.
—Não sei como controlar seu gênio —disse.
—Seu gênio? —disse Marjorie surpreendida—. E o teu?
Henrietta a olhou desconcertada.
—Quando passei a viver aqui faz um ano, foi uma pessoa contida, inclusive um pouco enrijecida, nada a ver com a pessoa que é agora —disse a jovem—. Vi-os discutir e não te reprime, irmâzinha.
Henrietta abriu a boca assombrada, mas voltou a fechá-la e meditou sobre isso. Marjorie tinha razão, não se continha quando discutiam, suas forças se mediam em igualdade, algo que violava todas as normas de comportamento de uma esposa. A segurança que tinha, aumentando dia a dia estava fazendo que suas reservas frente aos outros estivessem desaparecendo. Se não tomasse cuidado, qualquer dia discutiria com ele sobre o voto feminino em meio de um jantar com convidados.
Henrietta levou a mão à boca emocionada por aquele descobrimento. Pensou que possivelmente Robert acreditava que lhe tinha perdido o respeito e se sentiu terrivelmente mal.
—Tenho que ir ver seu irmão —disse ficando de pé.
—Agora? —perguntou Marjorie rindo.
Henrietta assentiu.
—Sim, e aproveitarei para perguntar ao senhor Diamond por sua filha, soube que está grávida —disse Henrietta.
—Não me parece boa idéia —respondeu Marjorie ficando de pé—. Por que discutiam sobre a Mary?
—Não era nada, minhas tolices.
Henrietta deu as costas temendo que sua cara falasse por ela, e sentou-se à frente da penteadeira de sua cunhada. Marjorie se aproximou por trás e a abraçou apoiando o queixo em seu ombro. As duas jovens se viram refletidas no espelho. Ambas tinham olhos grandes e expressivos, mas o nariz de Henrietta era menor e afilado e os lábios da Marjorie eram
mais carnudos. Igual aos de seu irmão. No que sim, se assemelhavam muito era na suave pele de cor rosada, que tendia a avermelhar-se quando as violentavam de algum modo.
—Pareço-te bonita, Henrietta? —perguntou Marjorie de repente.
Sua cunhada a observou e um enorme sorriso se desenhou em seus lábios.
—É preciosa, Marjorie.










Serie Worthington Hall
1- Ensina-me a te Amar
2- Aprendendo a te Amar

1 de maio de 2017

Highlander Audaz

Série Velvet Montgomery
Stephen é um guerreiro feroz, destemido e perspicaz, demonstra sua bravura lutando e liderando nos últimos anos o grande exercito do rei inglês nas Terras Baixas, na Escócia. 

Até que este decide recompensá-lo com uma herdeira das Terras Altas. Bronwyn MacArran é uma orgulhosa escocesa. Stephen Montgomery um dos odiados ingleses. 
Apesar de ser a filha mais nova de um poderoso Laird, morto em combate, é nomeada a nova 
Laird do clã, devido à instabilidade de seu irmão que seria Laird por direito de sucessão do pai.  Stephen veio para a Escócia como um conquistador, furioso pelo casamento imposto pelo seu rei, entretanto se viu enfeitiçado pela beleza de Bronwyn e foi conquistado. Ela é uma excelente estrategista e usava como um homem as armas de batalha. Era respeitada e amada pelo seu clã. 
Seus homens a seguiam com paixão e davam suas vidas por ela.Mas, enquanto clã lutava contra clã, irmãos cruzavam espadas e o sangue escoava nas montanhas, seu destino foi selado... Este poderoso guerreiro prometeu domar o orgulho de sua mulher. 
Lutar por sua honra e seu nome, fazendo do seu amor uma tocha para queimar através das gerações. 
Ela tornou-se sua razão de viver... Mas ela ainda o detestaria. Ela tornou-se sua razão para amar... Mas ela ainda resistiria a ele. Ela tornou-se sua razão para lutar... E ela ainda o rejeitaria. Se ele é obstinado... Ela seria muito mais! 

Capítulo Um

1501

Bronwyn MacArran estava de pé na janela da mansão inglesa, contemplava o pátio abaixo. A janela estava aberta para que entrasse o quente sol do verão. Inclinou ligeiramente para pegar um sopro de ar fresco. Ao fazê-lo, um dos soldados abaixo sorriu para ela sugestivamente.
Recuou dando um passo atrás rapidamente, agarrou a janela e fechou-a com violência. Virou-se furiosa.
— Porcos ingleses! — Bronwyn amaldiçoou em voz baixa. Sua voz era suave, mas o tom trazia os espinhos das urzes e o frio da névoa das Terras Altas.
Ante sua porta soaram fortes passos. Conteve o fôlego, mas o deixou escapar ao ouvir que continuavam sua marcha. Estava prisioneira e permanecia cativa no extremo norte da fronteira da Inglaterra. Prisioneira de homens que sempre odiou, os mesmos homens que agora lhe sorriam e lhe piscavam os olhos como se conhecessem seus pensamentos mais íntimos.
Caminhou até uma pequena mesa no centro do quarto com painéis de carvalho. Agarrou com força a borda da mesa, deixando que a madeira cortasse suas palmas. Ela faria qualquer coisa para impedir aqueles homens de ver como ela se sentia por dentro. Os ingleses eram seus inimigos. Tinha-os visto matar seu pai e seus três chefes. Viu seu irmão quase enlouquecido pela inutilidade de seus intentos de fazer pagar aos ingleses com a mesma moeda. E ela mesma passou a vida ajudando a alimentar e vestir aos membros de seu clã, depois que os ingleses destruíram suas colheitas e incendiaram suas casas.
Um mês atrás tinha sido feita prisioneira. Sorriu ao recordar as feridas que os soldados ingleses receberam pelas mãos dela e de seus homens. Mais tarde, quatro deles morreram.
No final ela foi capturada, por ordem do rei inglês Henry VII. Esse rei dizia querer a paz e, portanto, nomearia a um inglês como chefe do clã MacArran. Acreditava poder obtê-lo pelo mero feito de casar Bronwyn com um de seus cavalheiros.
Sorriu diante da ignorância do rei inglês. Ela era chefe do Clã MacArran, e nenhum homem tiraria seu poder. O estúpido rei achava que seus homens seguiriam um estrangeiro, um inglês, só pelo fato de que seu verdadeiro Laird, era uma mulher. Demonstrava com isso o pouco que Henry sabia dos escoceses!
Um grunhido do Rab a fez voltar-se subitamente. Rab era um galgo irlandês, o maior cão do mundo: corpulento, veloz, forte, de pelagem como aço macio. Seu pai lhe deu o cachorro há quatro anos, quando Jamie voltou de uma viagem à Irlanda. Jamie ordenara que o cão fosse treinado como guardião de sua filha, mas não havia necessidade. Rab e Bronwyn tomaram-se de afeto mutuamente. O galgo demonstrou várias vezes que era capaz de dar a vida por sua amada proprietária.
Bronwyn relaxou os músculos, pois Rab tinha deixado de grunhir; só uma pessoa amiga podia lhe provocar essa reação. Ela levantou a vista, espectadora.
Foi Morag quem entrou. Morag era uma mulher velha, de baixa estatura e membros torcidos, que parecia mais um tronco escuro de madeira do que um ser humano. Seus olhos eram como de vidro negro, cintilante, penetrante, vendo mais de uma pessoa do que o que estava na superfície. Usava com habilidade seu corpo miúdo e ágil com frequência, passando despercebida entre as pessoas que não reparavam nela, sempre com os olhos e os ouvidos bem abertos.
Morag se moveu silenciosamente através do quarto e abriu a janela.
— E bem? — inquiriu Bronwyn impaciente.
— Vi-te fechar a janela. Eles soltaram gargalhadas e disseram que iriam assumir a responsabilidade pela noite de núpcias que você está perdendo.
Bronwyn se afastou da velha dando-lhe as costas.
— Dá-lhes muito de que falar. Deveria manter a cabeça erguida e não lhes emprestar atenção. São meros ingleses; você, em troca, é uma MacArran.
Bronwyn girou em silêncio.
— Não necessito que ninguém me indique o que devo fazer ou não. 
Série Velvet Montgomery
1- Promessa Audaz
2- Highlander Audaz
3- Canção Audaz

30 de abril de 2017

União entre Inimigos


Inimigos ou amantes?

O único objetivo da corajosa Mairead Buchanan era capturar o responsável pela morte de seu irmão e recuperar a valiosa adaga que fora roubada. 
Porém, nada poderia prepará-la para a aventura que enfrentaria ao descobrir o segredo sobre a relíquia e ser sequestrada pelo sensual Caird, do clã Colquhoun. 
Logo, o inimigo se transforma em uma distração impossível de ser ignorada. 
Mas será que eles conseguirão deixar a rivalidade das famílias de lado para se renderem à intensa paixão que ameaça consumi-los?

Capítulo Um

Escócia — Setembro de 1296
Mairead Buchanan tentou acalmar o coração, mas não conseguiu. Na verdade, não sabia nem por que havia tentado, pois era simplesmente impossível. Seu coração estava em descompasso havia mais de quinze dias e agora estava ainda pior. Apesar do ruído estrondoso das batidas do coração, havia também a tristeza que lhe doía o peito.
Mas não havia tempo para tristeza ou para raciocinar com clareza. Ela estava perto de ter um colapso, mas tinha de acabar o que havia começado.
Aquele pesadelo tinha de terminar. E, naquela noite, ali estava ela, observando as sombras de uma estalagem de má reputação, congelando com o frio úmido.
As velas do salão da estalagem haviam finalmente se apagado. As janelas escuras e as venezianas estavam fechadas. Não havia nenhum riso de mulher a distância e nem o farfalhar das folhas com a brisa. Era bem tarde, e havia chegado a hora.
Mesmo já estando ali, ela ainda lutava contra o que deveria fazer. Até agora, ela gostaria de correr como uma louca a fim de escapar do que tinha visto e feito. Mas era algo que nunca poderia arrumar.
O irmão, Ailbert, estava caído no chão, os olhos, vazios e sem vida. Ela fechou os olhos, lutando contra a tristeza que ameaçava dominá-la.
Não adiantaria nada pensar em Ailbert naquele momento e nem em sua raiva ou dor. Tinha de controlar o coração e recuperar o que havia sido roubado do irmão. Era a única maneira de salvar a família da imprudência de Ailbert. Se ela não recuperasse a adaga valiosa, o dono das terras certamente puniria a família dela.
A Escócia estava sendo assolada pela guerra e conflitos. A mãe e irmãs jamais sobreviveriam à humilhação de serem banidas do clã. Fora do clã, elas não teriam como se proteger dos ingleses e nem para onde ir, nem recorrer a qualquer outra família.
Pensando na família, ela seguiu o assassino de Ailbert até a estalagem, onde ele provavelmente estava hospedado. Agora, ele dormia profundamente, após ter desfrutado de uma lauta refeição. Essa era uma rotina simples que seu irmão nunca mais poderia seguir. A raiva só aumentou a tristeza de Mairead já praticamente em desespero, mas a ajudaria a cumprir o que tinha de ser feito.
Olhando por cima do ombro e através da névoa da noite, ela respirou fundo. Ninguém a havia seguido e ela já havia esperado bastante. Procurando não fazer barulho, ela segurou a respiração enquanto abria a porta e entrava sorrateiramente. O salão estava mais escuro do que imaginava, os móveis pareciam sombras enormes. Ela apurou os ouvidos, prestando a atenção a qualquer ruído. Até então, só ouvia o próprio coração bater e a respiração, além dos estalos da madeira da antiga construção.
Nada além.
Com toda a agilidade de que foi capaz, ela seguiu em frente, desviando dos bancos e mesas até chegar às escadas. Seria difícil adivinhar em qual quarto o assassino estaria; por isso, ela decidiu procurar pela adaga por, no máximo, uma hora. Se demorasse mais do que isso, correria o risco de ser vista por alguém.
Ela precisava recuperar aquela adaga de qualquer jeito. Chegaria até a mentir e roubar se fosse preciso. E arriscaria a vida se precisasse entrar no quarto de um hóspede.
A caixa da adaga era de prata polida, trabalhada, e tinha dois rubis cravejados. Se conseguisse vendê-la como Ailbert pretendia, a dívida ainda podia ser paga. Nem tudo estaria perdido por causa daquela jogatina irresponsável, mas só depois ela ficaria de luto pelo irmão.
Seguindo pelo pequeno corredor do andar de cima, ela parou diante da primeira porta e ergueu a pesada trava de ferro, mas o quarto estava vazio. Fechou a porta com cuidado e olhou para os dois lados. Ninguém a havia visto.
Mairead seguiu para a segunda porta, empurrou-a e franziu o rosto com o ranger da madeira. O quarto estava ligeiramente iluminado por uma fresta na janela da parede oposta. Havia alguém na cama e, pelo tamanho, devia ser um homem. O assassino de Ailbert era um homem grande, e aquele parecia ser também. Se bem que não era possível saber exatamente, já que o homem estava sob cobertor e lençóis.
Afastando o receio, ela suspirou e entrou no quarto. Havia roupas acumuladas num banquinho ao pé da cama. Não muito distante, estava um par de botas. Talvez a adaga estivesse ali. As tábuas do piso não rangeram quando ela se ajoelhou.
As brasas também providenciavam um pouco de luz, o suficiente para que ela identificasse as roupas: uma capa, roupas de baixo, uma calça de couro justa e escura, uma túnica desbotada, botas e uma bolsa.
O homem estava dormindo nu. A cama rangeu quando ele virou para o outro lado. Mairead se posicionou para sair correndo, mas o homem suspirou e se acalmou — diferentemente do coração dela, que continuava totalmente descompassado.
Bem, ela precisava se acalmar e começar a busca. Ao tatear as botas com as mãos trêmulas, percebeu que não havia nada ali. Em seguida, puxou a bolsa do banquinho e colocou-a no colo. O tilintar das moedas a assustou, mas o homem continuava imóvel. As cobertas continuavam a subir e descer no compasso da respiração tranquila.
Sem se preocupar em abrir a bolsa, ela tateou o couro mole e não encontrou nenhuma adaga. Em seguida, procurou também pela túnica, pelas roupas de baixo e pela calça de couro. Nada. Faltava apenas a capa.
A capa era de uma lã boa e macia — era a primeira vez que ela sentia um tecido tão refinado — e ela a puxou para cima do colo. O banquinho balançou, ela tentou segurar, mas não deu tempo, e o barulho foi inevitável.
O homem respirou fundo e parou. Mairead ficou paralisada.
— Quem está aí?






29 de abril de 2017

Irresistível

Ela era solteira, intocada e tinha quase trinta anos, mas, a romancista Amanda Briars, não estava a fim de passar seu próximo aniversário sem fazer amor com um homem.
Quando ele apareceu em sua porta, ela acreditou que ele era seu presente, contratado para uma noite de paixão.
Terrivelmente bonito, irresistivelmente viril, ele a tentou de maneiras que ela nunca imaginou serem possíveis, mas, algo o impediu de realizar completamente seu sonho.
A determinação de Jack Devlin de possuir Amanda tornou-se maior quando descobriu sua verdadeira identidade. Mas, educada com esmero, Amanda desejava respeitabilidade mais do que ela admitia, enquanto Jack, filho bastardo de um nobre e empresário mais famoso de Londres, recusou-se a viver de acordo com as regras da sociedade. No entanto, quando o destino conspirou para que se casassem, seus mundos colidiram com uma força apaixonada inesperada… mas que ambos desejavam.

Capítulo Um

Amanda sabia exatamente que o homem que estava em pé na porta era um prostituto. Desde o momento em que o fez entrar na casa com gesto de quem proporciona asilo a um convicto fugitivo, ele não deixou de olhá-la em silêncio, confuso.
Era óbvio que carecia da capacidade mental necessária para dedicar-se a uma ocupação de nível mais intelectual. Mas, era evidente que um homem não necessitava possuir inteligência para fazer aquilo para o qual o haviam contratado.
— Depressa — sussurrou Amanda, puxando com ansiedade o musculoso braço do homem. Fechou a porta com um golpe atrás dele — Acha que alguém viu você? Não havia previsto que se apresentaria na porta principal. Os homens de sua profissão não sabem guardar certa discrição?
— Minha... profissão — repetiu ele, desconcertado.
Agora que o tinha a salvo dos olhares públicos, Amanda se permitiu observá-lo de cima abaixo. Apesar de sua aparente escassez de intelecto, era notavelmente elegante. Na realidade, era belo, se é que podia aplicar-se semelhante adjetivo a uma criatura tão masculina.
Possuía uma constitução robusta, apesar de ser magro, com uns ombros que pareciam abarcar toda largura da porta. Seu cabelo negro e brilhante era espesso e estava bem cortado. Seu bronzeado rosto brilhava graças a uma barba bem feita. Tinha um nariz longo, reto e uma boca sensual.
Também um par de notáveis olhos azuis, de um tom que Amanda estava certa de não ter visto antes, à exceção, talvez, na loja onde o farmacêutico local fabricava tinta, cozinhando plantas índigo e sulfato de cobre durante vários dias, até que produziam um azul tão intenso e profundo que se aproximava do violeta.
Sem dúvida, os olhos deste homem não possuíam o ar angelical que em geral, se poderia associar a tal cor: era astuto, curtido, como se tivesse contemplado com muita frequência o lado desagradável da vida que ela não chegou a conhecer.
Para Amanda não foi difícil compreender por que as mulheres pagavam para gozar da companhia daquele homem. A ideia de alugar aquela criatura masculina de poderoso olhar, para que fizesse o que lhe ordenasse, era extraordinária. E tentadora.
Amanda se sentiu envergonhada da secreta reação que experimentou ao vê-lo, dos estremecimentos frios e quentes que percorreram todo seu corpo, do intenso rubor que tingiu suas faces.
Tinha se resignado a ser uma digna solteirona... 




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