28 de junho de 2015

Seduzindo Um Canalha

Série Familia Beresford



Claire soube, pelo olhar que dedicou a ela, que Guillermo estava fora de si.

Não controlava a cólera nem o sentimento ferido de seu coração.
Ela o tinha desafiado ao limite. Havia provocado uma ferida mortal, sem embargo, necessitava, como o ar que respirava, a ação reprovável que ia receber dele graças a sua manipulação, e assim, a ansiada liberdade do jugo matrimonial.
À medida que avançava, Guillermo ia se despojando de sua roupa. Claire fechou os olhos e se encomendou a Deus frente a seu último sacrifício, ainda que ela ignorasse os desígnios da vida e sua forma de cobrar as ofensas cometidas. 
Queria mais que nada no mundo sua liberdade. Acima dos filhos. 
Acima do amor que lhe professava seu esposo. E ia encontrar-se com a liberdade tão ansiada.

Capítulo Um

Levantou o rosto e fechou os olhos. Entreabriu os lábios para receber o beijo ansiosamente desejado.
Percebeu as mãos fortes nos seus ombros e o coração ameaçou sair do peito. Apenas um roçar suave, efêmero, como se não fosse nada. Os lábios dele estavam mornos sobre os seus, e ela, em um impulso, esmagou a boca e introduziu a língua e a moveu como se buscasse algo. Notou com perfeita clareza o gemido de surpresa dele e o muro que levantou entre os dois, deixando-a desolada.
Entreabriu as pálpebras e o que viu encheu seus olhos de lágrimas.
Thomas estava horrorizado, como se na sua frente tivesse uma serpente a ponto de morder-lhe e não uma garota buscando um beijo. O rapaz recordou perfeitamente as advertências de sua mãe sobre Clara Luna. Sua inclinação pecaminosa, sua atitude indolente e, o mais preocupante, sua falta de moral. Ele acreditou que poderia trazê-la de volta ao caminho da virtude. Resgatá-la da lama do pecado em que estava enterrada, mas havia se equivocado completamente. A Eva tentadora que tinha na sua frente lhe oferecia sua maçã do pecado para contaminar sua alma e ele não podia permitir.
—Por que...? — O rapaz não pode continuar a pergunta — Estás maldita e perdida — assegurou com grave censura na voz. — Tenho que ir!
—Espera Thomas, não!
Mas nada pode fazer para impedir que se fosse. A garota tapou o rosto com as mãos enquanto cedia ao pranto mais humilhante. Lhe ardiam as bochechas pela vergonha. Sentia uma angústia no peito que apenas lhe permitia respirar. Escutou o galope do cavalo que já ia se perdendo na distância e deixando para trás uma nuvem de poeira.
Estava mortificada. Sumida em uma esmagadora autocompaixão.
«Como fui tão estúpida para permitir que me julgasse?», pensou ao mesmo tempo que varria as lágrimas de sua bochecha com os nós dos dedos. «Porque sou uma pecadora impenitente e me comporto como uma meretriz», se recriminou com dureza. «Por isto pode me julgar, porque mereço.»
E recordou vivamente quando anos atrás um grupo de rapazes zombou dela quando brincava no rio. Rasgaram suas roupas acusando-a de ser uma selvagem. Sua natureza sensível e forma de ver as coisas a aprisionaram com um estigma que não havia desaparecido com o tempo nem com seu esforço por parecer com sua mãe. Jamais a haviam aceitado entre eles e Thomaz acaba de demonstrar isto.
Apenas um deslize no rio e já não podia limpar a mancha sobre seu nome. Piscou várias vezes para clarear a visão e olhou adiante a nuvem de poeira que levantavam os cascos do cavalo no galope enquanto ele se afastava dela. Thomas Scott não girou a cabeça uma única vez para olhá-la. Logo seria apenas um ponto na distância e uma recordação constante de sua natural inclinação para o pecado.
—Te disse que era um pusilânime e um covarde, mas não me escutaste.
A garota girou sobre si mesma e olhou com tristeza o rosto do rapaz que lhe falava. Mike era franco, leal e o melhor amigo que tinha. —Não é um pusilânime

Família Beresford
1– Me Ame, Canalha
2– Me Beije, Canalha
3- Seduzindo Um Canalha
Concluída - Não esqueçam de Votarem no Mutirão! 
Veja aqui

Noiva Desafiadora

Série  Vikings Vitoriosos



A grande batalha...

Bela e corajosa, lady Elgiva é um prêmio tão precioso quanto as terras que o poderoso viking Earl Wulfrum acabara de conquistar. 
Ele levará Elgiva para casa e a tomará como esposa, mesmo que contra a vontade dela. 
Wulfrum é um guerreiro lendário, mas dominar o coração de sua mulher será a maior batalha de sua vida. Entretanto, a forma como Elgiva reage aos seus toques indica que ela talvez esteja escondendo algo que apenas poderá ser descoberto na noite de núpcias...

Capítulo Um

Nortúmbria — 867 d.C.
Elgiva sentou-se num tapete de couro de cabra diante do fogo com os braços ao redor das pernas dobradas e fitou as chamas. Diziam que algumas pessoas tinham a habilidade de prever o futuro no fogo. Naquele momento desejava muito possuir tal poder para pelo menos ter uma luz que a ajudasse a resolver o caos em que sua mente se encontrava. O dilema era desesperador, mas o que fazer para melhorar?
Com o canto dos olhos viu sua companheira, grata pela presença reconfortante.
Osgifu tinha sido sua mãe e confidente. A senhora de idade começara a servir o lorde Egert como enfermeira depois da morte do marido. Aos 40 anos de idade, Osgifu era uma mulher calma, uma figura elegante e bela, mesmo com vincos no rosto e mechas de cabelo branco contrastando com os fios pretos.
Aqueles olhos acinzentados tinham o poder de ver mais do que outras pessoas, ela era conhecida por ter uma segunda visão com poderes de enxergar coisas que as pessoas escondiam, invisíveis aos olhos de simples mortais. 
Ela costumava usar as runas, não o fogo, mas a precisão de suas palavras era suficiente para ter o respeito das pessoas.
Elgiva, no entanto, nunca tivera medo, apenas curiosidade. A mãe de Osgifu era dinamarquesa, filha de uma comerciante que se casara com um homem saxão. Foi da mãe que ela herdara o dom de prever o futuro e várias experiências.
Quando Elgiva era uma criança, Osgifu a entretinha contando fábulas dos deuses nórdicos: de Thor, que segurava os raios; de Loki, o deus da trapaça; Fenrir, o lobo. Elgiva ouvira entretida as histórias de Jotenheim, o mundo congelado dos gigantes e do dragão, Nidhoggr, que costumava roer as raízes de Yggdrasil, a colossal árvore esculpida das cinzas, cujas raízes uniam a terra e o céu. 
Em segredo, Osgifu tinha ensinado Elgiva a falar dinamarquês, sabendo que talvez lorde Egbert não aprovasse. Quando estavam sozinhas, as duas falavam em sua língua secreta, sabendo que suas palavras não seriam ouvidas por ninguém. Era Osgifu que sabia os segredos do coração de Elgiva, que costumava recorrer a ela quando tinha problemas.
A jovem suspirou e fitou as chamas da lareira, para em seguida voltar a atenção para sua mentora.
— Não sei o que fazer, Gifu. Desde a morte do meu pai, Ravenswood está se aproximando cada vez mais do caos. Meu irmão não fez nada. — Ela fez uma pausa. — E agora ele também morreu e os filhos são bebês ainda. Este lugar precisa de alguém de pulso forte.
Ela deixou de acrescentar que precisava de um pulso forte masculino, mas Osgifu entendeu e sabia o quanto era verdadeiro. Lorde Osric se preocupava apenas com habilidades com armas e caçar, sem demonstrar muito interesse em gerenciar as propriedades do pai, deixando a tarefa para seu mordomo, Wilfred.
Wilfred era um homem de bom coração e executara suas obrigações sob a tutela de lorde Egbert, mas depois da morte de seu mestre, ele começou a negligenciar algumas coisas, adiando o que devia ter sido feito. 
Os criados sob sua supervisão seguiram o exemplo e Elgiva começava a notar os resultados em seus passeios diários pelo castelo. Ravenswood, que até então era próspero, começava a apresentar sinais de descuido.









Série Vikings Vitoriosos
1- Noiva Desafiadora
2- The Wayward Governess - em breve
Convite
O Challenge Groups convida todos os leitores e grupos para participar do
Uma união de vários grupos e leitores no intuito
de finalizar séries de livros que estão
incompletas e ou abandonadas.
Participantes:
Leitores, Grupos de
Tradução/Revisão/Digitalização, Formatação,
blogs, Fãs e todos que gostam de ler.
Participem!
A união faz a força!!

Será Divido em 3  ETAPAS: Leia no final como participar.


"Estamos na ETAPA 2"

ETAPA 2 PARTE 2
Votem aqui até dia 30/6/15

ETAPA 2 PARTE 3
Votem aqui até dia 5/7/15

ETAPA 2 PARTE 4 FINAL
Votem aqui até dia 5/7/15


Vamos para ETAPA 2 Parte 2, 3 e 4

"ETAPA 2"

RESULTADO DA VOTAÇÃO 

ETAPA 2 - PARTE 1. 
Foi dividido em partes pois são muitos livros...Toda ajuda de revisoras será bem-vinda!

Hannah Howell / Terras Altas - 72 

Elizabeth Elliot-O Duque - 32 

Brenda Joyce - DeWarrene Dinasty - 26

Christina Dodd -Governess Brides - 22

Amanda Quick – Tril. Lake & March - 20 

Adriane Leigh - The Mourning After - 20

Alyssa Morgan - Série Warlords - 15

Arlette Geneve- Família Bereford 2 - 07

Amanda Quick – Vanza - 05

Etapa 2 - Parte 1...VOTAÇÕES ENCERRADAS.
Resultado de Análise dos livros indicados para o Mutirão.
NOTA: DESCULPE, A LISTA ESTÁ COMO IMAGEM...Recebi assim então para ler, salvar e usar o zoon.



Agora vamos para a SEGUNDA ETAPA...parte 1
PRIMEIRA ETAPA DO MUTIRÃO CONCLUÍDA...
O Mutirão será EM 3  ETAPAS

Como Participar:
O Mutirão terá três etapas:
Primeira Etapa: Os leitores indicarão suas séries
favoritas, todos vocês estão convidados a Votarem...com o nome original da série, autor e
indicará o livro faltante para completar a série.

Segunda Etapa: As séries indicadas e
pesquisadas serão votadas para finalização.

Terceira Etapa: Um grupo de Voluntários
Anônimos farão o trabalho de digitalização,
tradução, revisão formatação, e ou o necessário
para a conclusão da série, pela ordem de
votação, ou seja, os mais votados serão feitos
primeiro.
Escolha uma, ou todas e participem!


Quem desejar ajudar no mutirão dá um Oi 




24 de junho de 2015

Sua Amante Favorita

Trilogia Amantes


A vivaz Gabriella St. George é pobre, mas ainda orgulhosa.

Graças à benevolência de um generoso parente, ela obtém a oportunidade de uma nova vida em Londres, sem imaginar que vai se enredar em uma sensual batalha de vontades com um libertino irresistível que não acredita no amor.
Com uma carícia abrasadora, Anthony Black convida Gabriella a compartilhar sua cama. 
Mas ela quer seu coração e seu nome e assim a determinada beleza embarca em um jogo atrevido de sedução para ganhar ambos.
Firmemente comprometido com os prazeres de sua solteirice, Tony Black, Duque de Wyvern, não tem intenção de oferecer a todas as mulheres mais que uns momentos compartilhados de erótico prazer.
Mas Gabriella põe a prova sua têmpera, escava sua resolução, e rompe o gelo ao redor de seu coração com cada sorriso doce, olhar zombador, e um beijo extasiante.
De repente, um homem que desfruta só de prazeres carnais deve enfrentar o inesperado: uma paixão que pode conduzi-lo ao amor eterno.

Capítulo Um

Londres, Fevereiro de 1815. 
Tudo o que precisava era uma única bala atravessando diretamente o coração, disse para si mesma Gabriella St. George enquanto apertava a pistola dentro de sua palma. Ela era uma boa atiradora e confiava em suas habilidades. Afinal de contas, tinha sido ensinada pelos melhores professores, o próprio Moncrief, conhecido como o melhor atirador do mundo civilizado.
Sua maior preocupação era achar a coragem para aferrar-se a sua determinação e seguir adiante com seu plano mantendo o braço firme, sem tremer tão violentamente para não errar seu alvo.
Supôs que tinha boas razões para seu nervosismo, já que antes dessa noite as únicas vidas que havia tirado fora as de animais, coelhos e aves que caçou para comer, enquanto viajou por toda a Inglaterra. Inclusive foi capaz de caçar um veado para manter a fome à distância. Mas esta noite seria diferente.
Essa noite planejava matar um homem. Oculta nas sombras profundas que obscureciam as paredes e os cantos do estúdio, ela esperava, sabendo que em algum momento ia chegar.
Esteve observando-o toda semana passada e conhecia muito bem seus hábitos, sabia que sempre se detinha em sua escrivaninha durante uns minutos toda noite antes de retirar-se a seu quarto.
Graças a uma criada que não se importou em conversar com uma estranha amistosa, enquanto esperava para completar suas tarefas, Gabriella soubera que, à exceção dos criados, vivia só nessa imensa casa.
Sua esposa e seus filhos pequenos, segundo o que o havia dito, estavam em sua propriedade, ao norte da Inglaterra.
A informação tinha sido um alívio, já que não tinha nenhum desejo de implicar inocentes nesse assunto. Afinal os crimes eram dele; era o único que merecia o castigo.
Mesmo assim, não podia deixar de lado por completo a culpa que a mordiscava como um cardume de peixes diminutos, consciente de que suas ações dessa noite causariam uma enorme dor a outros. Mas pôs de lado seus remorsos. Uma vida, em troca de outra, argumentou para si mesma.
Quando deslizou através de uma janela convenientemente desprovida de ferrolhos há um par de horas, tinha ouvido o som baixo de conversas masculinas, pontuadas por esporádicos estalos de risadas.
Convidara alguns amigos, um pequeno grupo de homens reunidos para compartilhar o jantar, e depois bebidas enquanto jogavam umas quantas rondas de cartas. Muito tempo atrás aprendeu a arte da paciência, por isso podia permitir-se estar instalada em um canto, pistola em mão, e esperando passar o tempo.
Por fim, a casa se tornou silenciosa quando seus convidados se despediram e se foram, os criados também se retiravam a seus aposentos.
Só o tic-tac constante dos elaborados relógios de madeira acetinada do aposento rompiam o silêncio, junto com o chiado suave do fogo que fora reavivado fazia pouco mais de uma hora. Agora falta pouco, julgou, logo ele vai estar aqui. Modificando sua postura, tratou de aliviar a rigidez e a tensão acumulada em seus músculos e articulações. Outros cinco minutos transcorreram antes que finalmente escutasse seus passos. Pressionou as costas contra a parede, e se afundou mais nas sombras que a ocultavam enquanto o observava entrar em passadas no aposento. Desde o momento em que entrou no estúdio, dominou o espaço, não só com seu impressionante tamanho e sua figura atlética, mas também com a contundência inata de sua personalidade. Apesar da penumbra, reconheceu arrogância em seu porte, junto com um inconfundível ar de autoridade e nobreza que assumia ele levava desde seu nascimento, se ela não tivesse conhecido outra faceta dele.








Trilogia Amantes
1- Amante Honrada
2- Amante por Acidente
3- Sua Amante Favorita


A Duquesa Rebelde






De plebeia a duquesa em um dia!

Lady Miranda noivou e casou com Marcus Radwell, o duque de Haughleigh em um único dia! 
Não tardou para descobrir que a vida de casada não era bem o paraíso… 
Uma mansão decadente e um marido reservado não faziam parte dos sonhos de nenhuma mulher.
Mas toda vez que olhava para seu taciturno marido sentia-se compelida e obstinada a não só conquistar o coração dele, mas também a transformar a união em um casamento feliz… e bastante sensual!

Capítulo Um

— É claro, você sabe que estou morrendo. — Sua mãe retirou os dedos magros debaixo das cobertas e bateu suavemente na mão que ele lhe oferecia.
Marcus Radwell, quarto duque de Haughleigh, manteve o rosto impassível, vasculhando a mente por uma resposta apropriada.
— Não. — O tom de voz era neutro. — Teremos, sem dúvida, esta conversa novamente no Natal, quando você se recuperar dessa doença momentânea.
— Só você usaria a teimosia como um modo de me animar no meu leito de morte.
E somente você usaria a morte como palco para um melodrama teatral. Ele não proferiu as palavras, lutando por decoro, mas observou cuidadosamente a cena arranjada. Ela escolhera tapeçarias de veludo cor de vinho para as paredes e luz difusa para acentuar sua já pálida pele. O cheiro enjoado dos lírios sobre a penteadeira deixava o ar fúnebre.
— Não, meu filho, não teremos esta conversa outra vez. As coisas que tenho para lhe revelar serão ditas hoje. Não tenho forças para contar duas vezes e, certamente, não estarei aqui no Natal para forçar outra promessa sua. — Gesticulou para o copo de água sobre o criado mudo.
Ele o encheu e lhe ofereceu, apoiando-a enquanto bebia.
Sem forças? Ainda assim, a voz dela parecia firme o suficiente.
Esta nova doença fatal não devia ser mais real do que a última. Ou a penúltima. Marcus olhou firme para o rosto da mãe, procurando por alguma indicação da verdade. O cabelo ainda tinha o mesmo tom loiro delicado sobre o travesseiro, mas seu rosto era cinzento sob a pele com aparência de porcelana que sempre lhe dera um falso ar de fragilidade.
— Se você estiver fraca demais… talvez mais tarde…
— Talvez mais tarde eu esteja fraca demais para dizer as palavras, e você não terá de ouvir. Boa tentativa, mas eu esperava mais.
— E eu esperava mais de você, mamãe. Pensei que havia deixado claro, na minha última visita a seu leito de morte — As palavras eram pesadas com uma ironia que ele não conseguia mais disfarçar — , que eu estava cansado de bancar o bobo nestes pequenos dramas que você insiste em encenar. Se quer algo de mim, poderia pelo menos ter a cortesia de estabelecer isso claramente numa carta.
— Para que você pudesse recusá-la pelo correio e livrar-se da viagem a nossa casa?
— Nossa casa? Esta é sua casa, seu lar. Não o meu.
A risada dela foi melancólica e terminou numa tosse áspera.
Velhos instintos o fizeram estender a mão, mas logo percebeu e a deixou cair para o lado. A tosse terminou abruptamente, como se a falta de compaixão fizesse com que ela repensasse a estratégia usada.
— Este é seu lar, Vossa Graça, mesmo que você escolha não morar aqui.
Desse modo, se o medo pela saúde dela não o movia, talvez a culpa por sua omissão sim. Ele deu de ombros.
A mão dela tremeu enquanto gesticulava em direção ao criado-mudo. Ele alcançou a garrafa de água para tornar a encher o copo.
— Não o copo. A caixa sobre a mesa.
Marcus passou a caixa trabalhada para ela, que a abriu e retirou um maço de cartas, afagando-as.
— Como meu tempo de vida é curto, trabalhei para reparar os erros do meu passado. Para acertar os erros que pude. Para fazer paz.
Para ficar bem com Deus antes do inevitável julgamento Dele, acrescentou Marcus para si mesmo.
— E, recentemente, recebi uma carta de uma amiga da juventude. Uma velha companheira que foi tratada muito mal.







O Inesperado Highland Herói

Série Medieval





A vida de Lady Eilis Dunbarton sofre uma mudança drástica, com a morte de sua prima, Agnes. 

Agora ela está diante de uma perspectiva desagradável: casar-se com o homem que seria marido de sua prima. 
Entretanto, não por uma mudança no contrato. 
Em vez disso, por engano, fingindo ser sua prima. Mas se o seu futuro marido descobrir que ela não é Agnes realmente, sua vida estará perdida. 
Que escolha Ellis tem, senão fugir?
Quando o clã de Laird James MacNeill resgata uma moça semi-afogada do mar, especula-se que seja do clã inimigo, especialmente porque ela não se lembra de seu próprio nome.
James fica imediatamente atraído pela dama, mas tem que permanecer focado em encontrar uma noiva adequada. 
Se ele não se casar em breve, deverá entregar seus bens a um de seus irmãos mais novos.
Quanto mais tempo passa perto de Ellis, menos focado fica e então James cogita tomá-la como esposa sem saber a sua verdadeira identidade.
Quão perigoso seria o resultado final? E o que acontecerá se o futuro marido de Ellis a estiver procurando apenas para encontrá-la nos braços de outro homem?
2- O Inesperado Highland Herói


7 de junho de 2015

A Vantagem da Herdeira

Série Os Irmãos Sinitros





A senhorita Jane Fairfield não podia fazer nada certo.

Quando tinha companhia, sempre dizia o que não devia... 
Por mais caros que fossem seus vestidos, sempre eram horríveis. 
Nem sequer seu imenso dote poderia salvá-la de ser ridicularizada.Isso era exatamente o que ela queria. 
Ela estava pronta para qualquer coisa, até ser humilhada, contanto que permanecesse solteira para proteger a sua irmã.
O senhor Oliver Marshall tinha que fazer tudo certo. Era filho bastardo de um duque, criado em circunstâncias humildes, e pretendia dar voz e poder às pessoas pobres. 
Se desse um passo em falso, nunca teria a oportunidade de fazer nada. 
Não o ajudaria em nada salvar a mulher errada. E muito menos lhe ajudaria apaixonar-se por ela. Mas a valente e encantadora Jane tinha algo que ele não podia resistir... Embora isso pudesse implicar em um desastre para os dois.

Capítulo Um

Cambridgeshire, Inglaterra, janeiro de 1867.
A maioria dos números que a senhorita Jane Vitória Fairfield tinha encontrado em sua vida tinham sido inofensivos. Por exemplo, a costureira com quem ela estava provando um vestido a tinha furado sete vezes ao colocar quarenta e três alfinetes, mas a dor tinha desaparecido logo. 
Os doze buracos de seu espartilho eram um inferno, sim, mas um inferno necessário; sem eles não conseguiria reduzir sua cintura de um contorno terrível de trinta e seis polegadas, para um também terrível, trinta e uma.
Os dois não eram números assustadores, nem sequer chegava ao número das irmãs Johnson, que estavam atrás dela vendo a costureira cravar com alfinetes o vestido no corpo pouco elegante de Jane.
Não aguentou as irmãs rindo dela pelo menos seis vezes na última meia hora. Não, esses números eram meramente irritantes... como mosquitos que podiam ser espantados com um leque banhado em ouro.
Não, todos os problemas de Jane podiam se resumir em dois números diferentes a esses. O primeiro era de cem mil, e era um veneno absoluto.
Respirou tão profundamente como lhe permitia o espartilho e saudou com uma inclinação de cabeça à senhorita Geraldine e à senhorita Genevieve Johnson. Aquelas jovens não faziam nada de errado aos olhos da sociedade. Estavam com vestidos quase idênticos; um de musselina azul e o outro verde pálido. Levavam leques idênticos, ambos com cenas bucólicas pintadas. As duas eram bonitas e pareciam bonecas de porcelana da China: olhos azuis e cabelos loiros claro que se frisavam formando cachos nos cabelos brilhantes. O contorno de suas cinturas era muito inferior a vinte polegadas. O único modo de distinguir às irmãs era que Geraldine Johnson tinha um sinal em forma de lua perfeito na bochecha direita e Genevieve tinha outro igual na esquerda.
As primeiras semanas depois de conhecer Jane tinham sido amáveis com ela.
Essa suspeitava que deviam ser bastante agradáveis enquanto fazia suas vontades. Mas Jane tinha um talento para que as garotas amáveis deixassem de ser.
A costureira colocou o último alfinete.
-Ai está – anunciou - Agora olhe-se no espelho e me diga se quer trocar algo, retirar um pouco da renda, talvez, ou utilizar menos.
Pobre senhora Sandeston! Pronunciava aquelas palavras igual falaria do tempo um homem que iria cavalgar essa tarde. Melancolicamente, como se a ideia de muita renda fosse horrível, algo que só saberia graças a um extraordinário e improvável ato explícito de clemência.
Jane caminhou para frente e observou o efeito de seu novo vestido. Nem sequer teve que fingir um sorriso, pois este se estendeu por seu rosto como manteiga derretida sobre pão quente. O vestido era horrível. Verdadeiramente horrível. Nunca antes se investiu tanto dinheiro em tanto mau gosto. Olhou sua imagem no espelho com prazer. A imagem lhe devolveu o olhar: cabelo e olhos escuros, charmosos e misteriosos.
-O que vocês acham? - perguntou, voltando-se - Deveria ter mais renda?
Atormentada a senhora Sandeston lançou um gemido a seus pés.
Tinha motivo. O vestido já tinha três tipos diferentes de renda. Metros e metros de azul rodeavam a cintura formando ondas grossas. Uma peça fina de renda belga marcava o decote e um chantilly negro com um desenho de flores criava manchas negras ao longo das mangas. O tecido era bonito de seda estampada, mas não se podia ver debaixo de tantas camadas de renda.
O vestido era uma abominação de rendas mais Jane amava.
Porém uma verdadeira amiga falaria para tirar toda a renda.
Genevieve assentiu.
-Mais rendas. Definitivamente, acredito que precise de mais. Um quarto tipo, provavelmente?
Santo Deus!
 

Série Os Irmãos Sinitros
0,5- A Paixão da Governanta
1- A Guerra da Duquesa
2- A Vantagem da Herdeira





Uma Lady Nunca se Rende

Série Os Demônios de Halstead Hall
Lady Célia Sharpe sempre foi cautelosa sobre casamento... mas agora seu futuro depende disso.

Com dois meses para encontrar um marido e cumprir o ultimato de sua avó, Célia ajusta sua mira em três solteiros.
Ser pedida em casamento por um desses homens ricos e de alto escalão certamente irá provar a sua capacidade de se casar, por isso esperava que o casamento em si não seria necessário para Célia para receber sua herança. 
O segundo passo do seu plano audacioso é contratar o sombrio e perigosamente atraente detetive de Bow Street, Jackson Pinter, para investigar os três homens que ela escolheu.
Com Lady Célia infernizando Jackson dia e noite, a última coisa que ele quer é ajudá-la a encontrar um marido. 
E quando ela relembra memórias enevoadas que levam sua investigação sobre as mortes misteriosas de seus pais em uma nova direção, colocando-a em perigo, Jackson percebe que o único homem que ele quer que se case com Célia é ele mesmo!


Capítulo Um

Ealing Novembro de 1825
Quando o detetive da Bow Street Jackson Pinter entrou biblioteca de Halstead Hall, ele não se surpreendeu ao encontrar apenas uma pessoa lá. Era cedo, e ninguém na família Sharpe costumava levantar cedo.
- Bom dia, Masters. - disse Jackson, inclinando a cabeça para o advogado que estava sentado debruçado sobre alguns papéis. Giles Masters era marido da irmã Sharpe mais velha, Lady Minerva. Ou senhora Masters, como ela tinha escolhido ser chamada.
Masters olhou para cima.
- Pinter! É bom ver você, meu velho. Como estão as coisas em Bow Street?
- Bem o suficiente para eu ter tempo para esta reunião.- Ouso dizer que os Sharpes têm sobrecarregado você com a investigação da morte de seus pais.
- Assassinato. - Jackson corrigiu - Nós determinamos isso com certeza agora.
- Certo. Eu esqueci que Minerva disse que a pistola encontrada no local nunca havia sido disparada. Uma pena que ninguém notou isso 19 anos atrás, ou uma investigação poderia ter sido realizada e, em seguida, poupadouma grande dose de sofrimento.
- A sra. Plumtree pagou qualquer um que poderia ter investigado mais.
Masters suspirou.
- Você não pode culpá-la. Ela pensou que estava impedindo um escândalo.
Jackson fez uma careta. Em vez disso, ela impediu a descoberta da verdade. E foi por isso que ela terminou com cinco netos presosao passado, incapazes de ir em frente com suas vidas. Por isso ela tinha feito seu ultimato: todos tinham de se casar até o final do ano ou nenhum herdaria. Até agora, eles tinham cumprido com a obrigação. Todos, menos um.
Em sua mente surgiu uma imagem de Lady Célia que ele rapidamente reprimiu.
- Onde estão todos?
- Ainda no café da manhã. Eles virão em bando do outro lado do pátio em breve, tenho certeza. Sente-se.
- Eu vou ficar de pé. - ele caminhou até a janela que dava para o pátio carmesim, nomeado por seu piso vermelho.
Estar em Halstead Hall sempre deixava Jackson desconfortável. A enorme mansão gritava“aristocracia”. Tendo passado sua infância em um cortiço de Liverpool antes de se mudar para uma casa geminada em Cheapside aos dez anos, ele achava Halstead Hall muito grande, muito suntuoso e muito cheio de Sharpes.
Depois de quase um ano com eles, como seus clientes, ele ainda não tinha certeza de como se sentia sobre eles. Mesmo agora, quando os viu andando pelo pátio debaixo de um céu de novembro escurecido de nuvens, ele ficou tenso.
Eles não pareciam como se planejassemjogar qualquer coisa sobre ele. Eles pareciam felizes e contentes.

Série Os Demônios de Halstead Hall
1– A Verdade sobre Lorde Stoneville
2– Um Demônio em sua Cama
3– Como Conquistar uma Lady Relutante
4– Casando com um Lorde Selvagem
5– Uma Lady Nunca Se Rende
Série Concluída
  

1 de junho de 2015

Louco Desejo

Ela jamais escaparia da sedução daquele homem...

A gangue dos assaltantes de trens jurava que poderia farejar uma repórter a milhas de distância. 
E talvez tenha sido mesmo o perfume de Mary Michael Dennehy o que a salvou do destino brutal sofrido por seus colegas da redação do jornal, no trem para o Colorado. Em vez de ser morta, ela foi raptada por Ethan Stone, um homem cujo sorriso sarcástico era perturbador, e também estranhamente familiar. 
Michael gostaria de ser indiferente ao magnetismo sensual e aos beijos de Ethan, que lhe despertava uma paixão que era a um só tempo doce e explosiva...Era impossível esquecê-la... nem de seu próprio desejo!
Ethan reconheceu Michael de imediato. Desde que a viu pela primeira vez, na redação do jornal, com seu ar profissional, os lindos olhos verdes atrás dos óculos de aro dourado, ele imaginara como seria beijar aqueles lábios. 
Lábios que ele agora tinha de fazer de tudo para que não se abrissem e falassem o que não deviam, caso ela também o reconhecesse como o detetive disfarçado que ele era. Além do mais, não seria sacrifício algum aproveitar a oportunidade e realizar suas fantasias secretas com aquela mulher que ele nunca conseguira esquecer...

Capítulo Um

Estados Unidos, Outono de 1875
trem349, cujo destino final era a cidade de Sacramento, na Califórnia, atravessava as Montanhas Rochosas rumo ao oeste dos Estados Unidos, região bem menos desenvolvida do que a costa Leste do país.
Incitados pelo condutor, foguistas alimentavam a fornalha da locomotiva com o carvão que produzia vapor, a energia que a punha em movimento. 
Com um apetite insaciável, a engrenagem produzia uma coluna de fumaça que ia assinalando o percurso percorrido por entre as montanhas e também tingindo, com uma fina película de pó preto, os trajes de quem viajava naquele comboio da Union Pacific Transportes.
O trem carregava 158 passageiros, em sua maior parte pessoas que não gastariam mais de um dia ou dois para chegar a seus destinos, as pequenas estações secundárias ao longo do caminho até o outro lado do país. Eram indivíduos que preferiam enfrentar os desconfortos dos vagões da segunda classe a fazer o penoso trajeto pelas encostas e desfiladeiros no lombo de cavalos ou mulas, sobretudo quando a neve vinha mais cedo do que o esperado.
Nesse grupo se encontravam vaqueiros, fazendeiros, famílias de pequenos comerciantes e, principalmente, mineiros à procura de distração em uma parada qualquer. Na terceira classe achavam-se os emigrantes estrangeiros, em sua maioria cidadãos de parcos recursos que, vindos de Nova York, Filadélfia e outras cidades dos estados mais próximos da costa voltada ao Oceano Atlântico, sonhavam com uma vida melhor numa região que prometia um sem-número de oportunidades.
Transportadas como mercadorias, eram pessoas praticamente ignoradas pelos demais viajantes e também pelos funcionários da companhia ferroviária. Na primeira classe, em confortáveis vagões chamados pullman, iam os passageiros mais abastados, em viagem de negócios ou com o intuito de implantar novos empreendimentos no oeste do país. 


Série Irmãs Dennehy
1- Louco Desejo
2- Amante do Canalha
3- Inesquecível
4- Insinuante!
5- Fascinação
Série Concluída - baixar em Séries

Amante do Canalha




Embora lhe foi dito que seu pai tinha morrido, Rennie Dennehy recusou-se a acreditar. 

Então, depois de jurar que iria descobrir a verdade que estava escondida em seu estranho desaparecimento, ela foi para os confins do Colorado em busca do único homem que poderia ajudar.
Jarret Sullivan, o caçador de recompensas, um canalha com um sorriso tão irritante quanto irresistível. 
Ambos compartilhavam um passado que Rennie preferiria esquecer, mas ao vê-lo novamente sentiu reacender as chamas de um desejo que não pode silenciar...

Capítulo Um

A noiva não estava corando. O toque de cor em suas bochechas se devia a sua irritação. O brilho em seus olhos, uma cor verde-esmeralda escura, não nascia de ilusão, mas de impaciência, e sua boca carnuda foi reduzida a uma linha séria e severa. Tinha os ombros estreitos rígidos, e sua figura esguia se manteve ereta em uma atitude firme.
 No momento seu encaracolado e rebelde cabelo de um tom ruivo vibrante, que foi domado e agora estava liso, se agarrava ao crânio e depois se trançava na parte de trás de sua cabeça. A mulher parecia pronta para o combate, e não para avançar pelo corredor de uma igreja. Tudo girava em torno dela. Rennie fechou os olhos e agradeceu a escuridão que lhe deu uma paz momentânea. 
Em seguida, tentou pensar em qualquer coisa que não fosse às promessas que não tardariam em compartilhar. Mas era impossível. Não havia mais que imaginar a nave principal, com dezenas de convidados, repetindo as palavras que dissesse o padre... E repeti-las, pensou. Não havia como voltar atrás, mesmo que quisesse. A verdade era que não queria. Hollis Banks... Era um companheiro perfeito, um parceiro, não um marido. A escolha das palavras não a surpreendeu. Seu casamento era um acordo de negócios, e ela admitia isso, mas o orgulho e o bom senso impediram de admitir para os outros.
Ela abriu os olhos. Ainda seguiam a rondá-la..., mas desta vez a visão a fez sorrir. 
De joelhos a frente estava sua irmã, Skye Dennehy fazendo os ajustes de última hora na barra do vestido. Com o pequeno rosto oval sufocado pelos seus encaracolados cachos ruivos que haviam se libertado do laço de fita. Murmurava algo entre os alfinetes que tinha em sua boca, mas ninguém prestava atenção. Maggie, por sua vez, ajustava os ramos de flores novamente para arranjar melhor o buquê. Seus traços, pequenos e delicados, pareciam tensos, e sua boca estava torcida comicamente enquanto se concentrava em seu trabalho. 
Enquanto isso, Mary Francis, com o belo rosto emoldurado pelo seu hábito, acariciou o cabelo de Rennie: ela voltava a colocar os grampos no lugar e ajeitava o véu, enquanto tranquilamente cantarolava a mesma melodia que o organista tocava no salão principal, lembrando a todos, sem querer, que não faltava muito tempo.
A mãe da noiva cobria seus cabelos vermelho escuro com uma echarpe todo rendado. Com a testa franzida de preocupação, Moira alisou o vestido de cetim sem mangas, suas mãos tremiam um pouco. Ocasionalmente observava Rennie com expressão ansiosa. 


Série Irmãs Dennehy
1- Louco Desejo
2- Amante do Canalha
3- Inesquecível
4- Insinuante!
5- Fascinação
Série Concluída

31 de maio de 2015

Os Segredos dos Olhos de Lady Clare

Série Cavaleiros de Champagne





Um olhar misterioso...

Quando sir Arthur Ferrer a vê entre os espectadores do Torneio da Noite de Reis, percebe algo de distinto nela. 
Talvez seus olhos... Ele já os vira, não se lembrava de quando nem onde. 
Ao procurar a mulher misteriosa que o havia hipnotizado, ela desaparece. 
Clare fugia de um passado sombrio que jamais revelaria a ninguém. Mas o belo cavaleiro se empenharia em descobrir os segredos guardados em seu olhar.

Capítulo UmJaneiro de 1174 — Chalés na praça dos mercadores de Troyes, Condado de Champagne.
A temperatura estava amena para o mês de janeiro. As janelas tinham sido abertas para iluminar o chalé o máximo possível. Clare ajudou Nicola a se levantar da cama e a levou para o banco à mesa. Com isso ganhou um sorriso de recompensa.
O coração de Clare se enlevou. Nicola estava muito fraca e doente, por isso seus sorrisos eram preciosos.
— Percebi que você recebeu visitas enquanto eu estava no mercado — disse Clare.
Nicola resmungou ao se movimentar e encostar-se à parede de tábuas.
— É verdade. Não foi uma visita qualquer, mas sim de um nobre, que me trouxe um presente. Eu não vou usar, talvez você e Nell gostem. Eu queria contar a você antes de Nell. Não há razão para deixá-la empolgada se você se recusar a ir com ela. Sei o quanto você se preocupa sempre que sai de casa.
— Um presente? — Clare colocou uma manta sobre as pernas de Nicola.
O visitante misterioso, talvez o conde Lucien, tinha feito bem a ela. Havia anos que os olhos de Nicola não brilhavam daquele jeito. Clare esperou que Nicola confirmasse a identidade do visitante. Desde a morte de Geoffrey não havia segredos entre elas.
— Você está confortável? Se a corrente de ar estiver incomodando, posso fechar a janela.
— Não feche não, precisamos aproveitar a luz tão rara nesta época do ano.
Clare tirou o véu que usava sempre que ia ao mercado e o pendurou num gancho, por cima da capa. Os cachos da cor do cobre emolduraram-lhe o rosto. Enquanto trançava os cabelos, olhou para a lareira com o fogo baixo. A fumaça azulada subia na direção de uma abertura no telhado do chalé.
— Quer que eu coloque mais lenha na lareira?
— Clare, não se preocupe, estou bem. Economize a madeira para a noite.
Clare acenou com a cabeça e colocou a cesta que trouxera do mercado sobre a mesa. Dali tirou farinha, queijo, um punhado de peras maduras, cebolas e feijões secos. E graças à generosidade do suserano de Geoffrey, conde Lucien, trouxera também porco salgado e peixe seco.
— E os ovos? — perguntou Nicola.
— Estavam muito caros. Volto amanhã, mas temo que o preço não abaixe até a primavera. — Clare olhou de relance para Nicola. — E então? O que é o presente misterioso?
Nicola alcançou a bolsa em cima da mesa, abriu e jogou uma moeda sobre o tampo de madeira.
— Lorde d’Aveyron esteve aqui de novo.
Toda vez que Clare pensava em Lucien Vernon, conde d’Aveyron, lembrava-se da tolice e da imprudência que Geoffrey havia cometido. Ele tinha feito um pacto maldito com um bando de ladrões. Antes de morrer, Geoffrey havia confessado a Clare sua participação em um roubo para ajudar a mãe. Ela também sabia como ele se arrependera e tentou consertar, mas no momento em que resolvera se livrar do pacto, assinou sua condenação. Os ladrões o mataram.
Não só Clare sabia do conluio de Geoffrey com os ladrões, mas o conde Lucien também. Menos Nicola, que vivia na feliz ignorância do erro fatal do filho. Para Clare era melhor que continuasse assim; por ela, Nicola jamais saberia do que Geoffrey havia feito. Um baque daqueles no estado frágil de Nicola poderia levá-la à morte.
Até aquele dia, o conde Lucien não havia falado nada sobre a transgressão de Geoffrey, mas Clare tinha medo de suas visitas. Geoffrey fora um dos cavaleiros pessoais do conde, que podia deixar escapar alguma coisa.
— Não precisa fazer careta — disse Nicola, empurrando a moeda na direção de Clare. — O conde é um bom homem, que honra a memória de Geoffrey cuidando de mim. Olhe direito, isto não é dinheiro.
Depois de colocar as peras numa tigela ela pegou a moeda; era um pouco maior do que um centavo e tinha sido forjada em prata.
— É algo simbólico.
— Isso mesmo.
O palácio de Troyes havia sido cunhado num dos lados da moeda, e do outro havia a imagem de um cavaleiro portando uma lança. Clare sentiu uma dor no peito e colocou a moeda de volta sobre a mesa.
— Espero que não seja o que estou pensando.
A expressão de alegria do rosto de Nicola se transformou.
— Isso é um convite para assistir ao Torneio da Noite de Reis perto de onde as damas se sentam. Clare, pensei que...

Série Cavaleiros de Champagne
1- O Campeão De Lady Isobel
2- Os Segredos dos Olhos de Lady  Clare
3- The Knights of Champagne

É Primavera em Roma







A noite estava quente, e a lua brilhava sobre as águas calmas do lago que circundava o pequeno templo romano. 

Alina, vítima de uma armadilha, tentava conter o ímpeto do jovem príncipe Alberto, que a cada minuto que passava se tornava mais inconveniente, em seu ritual de sedução. 
"Em meus braços, você se transformará em outra mulher...", ele lhe dizia.  Alina, apavorada, fugiu do templo, rezando para que lorde Teverton chegasse a tempo de salvá-la desse perigoso sedutor!

Capítulo Um

Passando os olhos pela sala, Alina Langley buscava, desesperada, encontrar algo, ainda que de pouco valor, que lhe rendesse algum dinheiro.
Desalentada, constatou que tudo já fora vendido. Nas paredes restavam apenas as manchas mais claras, onde até bem pouco tempo estavam dependurados quadros e lindos espelhos.
Ao notar o canto antes ocupado pela secretaire marchetada, teve vontade de chorar.
— O que posso fazer? — ela perguntou-se.
Era incrível como tudo acontecera tão depressa. Vivia imensamente feliz em seu mundo sem sombras com os pais, e, de repente, foi como se o teto desabasse sobre sua cabeça.
Há um ano sir Oswald, pai de Alina, sofrera uma queda durante uma caçada e em consequência quebrara a espinha. A partir daí o mundo pareceu terminar para Alina e lady Langley.
A pequena família havia sido gloriosamente feliz até o acidente. Embora não fossem ricos, os Langley tinham o suficiente para apreciar seus cavalos magníficos e desfrutar os acres de terra que circundavam a casa ancestral.Sobrevindo a morte de sir Oswald, a esposa e a filha tiveram a desagradável surpresa de se inteirarem de que o falecido contraíra uma verdadeira montanha de dívidas.
Não que sir Oswald tivesse gasto o que possuía numa vida de dissipações. Suas dívidas eram referentes a impostos e contas acumuladas, sendo os maiores credores o fabricante de carruagens e os profissionais que haviam trabalhado na reforma da casa.
O pior foi que sir Oswald investira não apenas seu dinheiro, mas também o da esposa, em ações de companhias que tiveram prejuízos.
Lady Langley não deu importância ao fato de ter perdido o dinheiro. Para ela a vida passou a não ter mais sentido depois da morte do esposo. Alina notava, horrorizada, que a mãe se consumia aos poucos, cheia de saudade e sem ter motivo para viver.
Embora fosse ainda jovem e muito bonita, lady Langley morreu simplesmente por desejar ir para junto do esposo querido.
Alina viu-se sozinha no mundo e, o que era mais assustador, estava sem recursos. Era verdade que possuía aquela casa, mas como haveria de mantê-la? Tudo o que pudera render algum dinheiro fora vendido para saldar as dívidas de sir Oswald.
Mesmo os objetos que lhe eram tão caros Alina teve de vender para comprar alimentos e remédios para a mãe. Estes últimos não fizeram efeito algum, pois lady Langley jamais teve sinal de melhora, uma vez que não desejava viver.
Indo até a janela, Alina ficou olhando o jardim. Os narcisos eram uma linda e enorme mancha dourada sob as árvores. As amendoeiras começavam a florescer e os gramados tinham um belo tom de verde.
O sol brilhava intensamente e o canto dos pássaros enchia o ar de notas maviosas e as abelhas zumbiam sobre as flores. Tudo era muito familiar a Alina.
Ela sentiu que, assim vestida de festa, a natureza tentava dar um pouco de alegria a sua vida abalada. Era como se os pássaros e as abelhinhas quisessem ajudá-la.
— O que posso fazer? — Alina perguntou a algumas cambaxirras que a fitavam de um arbusto cujos galhos se revestiam das folhas novas da primavera.
Surpresa, Alina ouviu o ruído das rodas de uma carruagem chegando à porta da frente e ficou imaginando quem poderia ter vindo visitá-la.
Depois da morte da mãe ela costumava receber visitas de pessoas da vila, que vinham até sua casa a pé.
Ocorreu-lhe que o médico, sempre amigo da família, devia ter vindo vê-la para ajudá-la no que pudesse. Mas no mesmo instante lembrou-se de que ele havia tirado uns dias de férias e estava viajando.
Sem pressa, quase irritada por ver sua solidão perturbada pela chegada de um estranho, Alina deixou a sala e foi para o hall, abrindo ela mesma a porta da frente, pois a criada que cuidava da limpeza já havia saído àquela hora.
Uma carruagem muito elegante estava parada diante dos degraus de entrada. Vendo um rosto na janela do veículo, Alina desceu os degraus correndo, sem esconder um grito de surpresa e alegria.
— Denise! É mesmo você?
A jovem visitante, vestida no rigor da moda, saiu da carruagem e Alina a abraçou.
— Que prazer imenso revê-la, Denise! Cheguei a pensar que você não se lembrava mais de mim!
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