13 de novembro de 2017

Vento Quente do Sahara

Deslumbrada pelo sonho de explorar uma antiga cidade imersa em séculos de tradição exótica, Lady Sarah Stewart encontra-se enfrentando a morte por um crime que nunca pretendia cometer.

Por sorte, ela tem uma conexão com a família real que pode salvar sua vida.
O príncipe Ahmed nunca superou sua atração sexual pela irmã de seu amigo inglês, William Stewart. Quando a linda Sarah precisa de resgate, ele oferece uma solução que irá resolver o seu dilema e evitar sua luxúria inegável. Casar com uma inglesa é um passo pouco ortodoxo, mas a satisfação que ele encontra quando ela está em sua cama vale a pena, pois sua linda noiva se mostra tão apaixonada quanto é animada. 
Encantados com sua união inesperada, Ahmed e Sarah encontram o paraíso nos braços um do outro e a escuridão no horizonte. Pois seu inimigo planeja uma vingança diabólica sob o sopro do vento quente do Saara...

Capítulo Um

As paredes da poeirenta cela escura irradiavam o desespero dos infelizes que a ocuparam no passado. Minúscula, com nada além de uma fenda alta para a ventilação que deixava entrar uma pequena luz, tinha um chão de pedra sujo e um pequeno catre com um cobertor muito questionável.
Sentindo-se bastante infeliz, Lady Sarah Stewart tentou andar, embora o espaço fosse realmente pequeno demais para fazer outra coisa além de dar alguns passos e se virar, suas saias de seda escovando o chão imundo. 
Aquela manhã ― pensou com descrença sobre suas circunstâncias atuais ― ela tinha tomado café da manhã na cama, se banhado com água perfumada e tinha uma empregada esperando enquanto selecionava um vestido e vestia-se para sua saída na repleta e exótica cidade. 
O contraste entre seu quarto de hotel luxuoso e o local terrível em que estava presa agora era quase inacreditável, especialmente porque não tinha ideia do porquê de ter sido levada para lá, em primeiro lugar. Era difícil dizer quanto tempo passara, mas não havia dúvida de que o horrível interior estava ficando mais escuro, o que significava que ela estava lá por horas e horas.
Por favor, Deus... — Ela rezou com a garganta apertada, uma lágrima quente escorrendo pela bochecha. — Não me deixe passar a noite neste lugar!
Como por resposta, ouviu o raspar de uma chave que fez girar com gratidão as dobradiças que rangiam de protesto quando a porta se abriu. Um guarda ficou lá, parecendo completamente impassível, sua espada brilhante quase tocando o chão. Em qualquer outro momento, ela teria pensado que seu uniforme colorido de túnica e turbante era fascinante, outra indicação de que estava em uma parte completamente diferente do mundo e não na Inglaterra sua terra natal, mas agora mesmo isso a aterrorizava. 
Ele indicou que ela deveria sair, e o fez com prazer, adivinhando por seu gesto que queria que ela o precedesse pelo corredor estreito e úmido. Como isso parecia melhor do que estar trancada, Sarah concordou, ficando com as mãos trêmulas enquanto caminhava pelo corredor desigual e subia as escadas no final.
Depois de um verdadeiro labirinto de corredores semelhantes, ela foi levada para uma grande sala quadrada que tinha uma série de janelas altas que deixavam entrar o brilho do pôr-do-sol. Havia pelo menos dez pessoas na sala, todas as quais se viraram para encará-la em sua entrada. 
A maioria deles era como os homens que a haviam prendido enquanto visitava uma antiga mesquita, usavam roupas escuras e eram barbudos, suas expressões abertamente hostis que faziam com que ela respirasse mais forte. Sentados em cadeiras a uma mesa baixa e longa, eles pareciam estar esperando por alguma coisa.
― Lady Sarah. ― A única pessoa na sala vestida de um estilo mais ocidental era um homem idoso esbelto e de ossos finos que se aproximou dela imediatamente e lhe fez uma referência cortês. ― Eu sou Robert Tulane, o cônsul inglês aqui.
― Onde está minha tia?

12 de novembro de 2017

Sonhos do Deserto

Lorde Winter é um homem frio, obstinado e solitário que vaga sem descanso pelo mundo em busca de aventura, mantendo as paixões de seu coração bem ocultas.
Mas agora, durante a busca de uma legendária égua árabe, descobre sob o disfarce de um mendigo beduíno uma jovem extraordinariamente bela: Zenia Stanhope, a filha de uma aventureira inglesa conhecida como a Rainha do Deserto.
Zenia não quer para si uma vida como a que leva este perigoso aventureiro.
O que ela deseja é viajar para a Inglaterra para afastar-se do sangue e da areia do deserto. Mas quando são condenados à morte, suas vidas ficam irrevogavelmente unidas depois de compartilhar a paixão nos braços um do outro durante a noite. Graças ao acaso, conseguem escapar para o deserto onde, depois de uma batalha, Lorde Winter é dado por morto.
Zenia escapa para a Inglaterra confundida como sua esposa, para um mundo de elegância e comodidade, abandonada pelo homem valente e solitário que mudou sua vida e conquistou seu coração… até que ele retorna para invadir seu santuário e exigir que pague o preço da paixão.

Capítulo Um

Síria, 25 de junho de 1839
O reverendo Thomson se sentia compreensivelmente transtornado. De fato, demorou uns momentos para recuperar a compostura ante a visão do montão de ossos humanos empilhados no exterior da cripta, com a caveira sorridente no alto.
A horripilante cena estava iluminada unicamente por dois círios introduzidos nas cavidades oculares daquela coisa.
Estranhas sombras piscavam sobre o ataúde de pranchas, rodeado pelos tenebrosos e ferozes rostos da multidão de serventes muçulmanos.
Não tinha sido sua intenção perder-se no labiríntico jardim localizado no interior das muralhas da fortaleza de Dar Joon. Mas passavam duas horas da meia-noite e, quando os serventes, com seus turbantes e seus curvados bigodes, levantaram o ataúde para levar lady Hester Stanhope a seu lugar de repouso definitivo, o senhor Thomson ficou atrás uns momentos para familiarizar-se com os ritos funerários da Igreja da Inglaterra e pronunciá-los sem nenhuma vacilação desrespeitosa, nem ter que rebuscar nas páginas pelas palavras corretas.
Coisa que resultou ser do mais imprudente. Assim que o cortejo funerário, com suas tochas e lanternas, abandonou o pátio e desapareceu nas escuras folhagens do jardim de lady Hester, uma desafortunada rajada de vento quente deixou o missionário norte-americano em uma total escuridão.
Teve que tatear o caminho através de um matagal de atalhos tortuosos, guiando-se pelas suaves vozes, e, de vez em quando, por um brilho de luz que sempre parecia ficar detrás da espessura das sebes ou de alguma nova curva que não levava a nenhuma parte. Durante um momento o homem esteve perambulando, tropeçando em raízes, apartando ramos de jasmins, até que finalmente chegou ao caramanchão.
A macabra visão provocou-lhe uma considerável agitação. Mas o cônsul inglês, o senhor Moore, aproximou-se e, assinalando com gesto impreciso os ossos, murmurou: — Não se preocupe com ele. É apenas um francês.
O senhor Thomson voltou os olhos para o cônsul como um cavalo nervoso.
— Entendo.
— O capitão Loustenau. Tiraram-no para fazer lugar a lady Hester. O pobre tipo veio aqui de visita, deu-lhe uma dor de barriga e morreu repentinamente. Faz anos. Ela desejava-o. — Encolheu-se de ombros. — Um descarado vagabundo e abusado, conforme contam. Mas muito no estilo da dama. Não sei se me entende.
O senhor Thomson se esclareceu garganta em um sutil gesto de interrogação.
— Jovem, arrumado — disse o senhor Moore ampliando a informação.
— Ah — disse o senhor Thomson com tom vacilante.
— O velho Barker era o cônsul nos melhores tempos da senhora — acrescentou o senhor Moore com tom sugestivo, — e estava acostumado a dizer que Michael Bruce era o diabo mais bonito que caminhou sobre duas pernas.
— Seriamente? — disse o missionário.
O senhor Moore lhe dedicou um olhar divertido.
— Era seu amante.

11 de novembro de 2017

A Condessa de Camus

Lady Madeleine não conseguia entender como se perder na mata em uma noite de tempestade, perto da casa onde passou alguns dias com a sua família, acabaria por levá-la a casar-se com um dos maiores libertinos contumazes das Ilhas. 
O Conde de Camus conhecido como um libertino, desejado pelas mulheres e invejado e odiado também por muitos de seus companheiros, foi forçado a um casamento que não esperava e nem desejava. 
Como havia terminado naquela situação? Poderia um libertino reformar-se quando não desejava ser reformado? Ela poderia perdoá-lo e acreditar que eles poderiam chegar a ter um casamento real?

Capítulo Um

Maddy se encontrava colocando os livros na salinha adjacente ao escritório do Robert. Sua irmã Júlia permanecia sentada em um dos puffs, ordenando os livros da seguinte seção que Maddy iria colocar na estante. Escutaram ruídos procedentes da biblioteca do outro lado e vozes masculinas que ainda não se entendiam com nitidez. Júlia olhou Maddy e esta lhe sorriu da escada. 
— Deve ser Robert com os amigos que o vieram visitar. É um pouco inapropriado que estejamos aqui, porque daqui pode-se ouvir com relativa clareza o que se diz na sua biblioteca privada caso permaneçam nas poltronas próximas à lareira. — encolheu os ombros —. Suponho que, esta sala, originariamente, estaria unida à biblioteca mas algum antecessor do Robert acreditou conveniente separá-las. Júlia sorriu com divertida curiosidade: 
— E dali se escuta o que se diz nesta salinha? — O certo é que não. Deve ser porque é muito pequena e não tem a acústica necessária. — Respondeu sorrindo. 
— Oh, bem melhor. Sempre me põe nervosa pensar que alguém a quem não vejo me escuta. Como nos camarotes do teatro ou nos jardins Vauxhall nos dias de concertos ao ar livre. 
— Júlia, não será porque seja uma pessoa muito charlatã. Júlia sorriu: — Bem, bom, confesso-o, estou acostumada a falar pouco. — Maddy elevou a sobrancelha irônica 
—. Mas, nem por isso me agrada que se escutem as conversas das quais tomo parte. — Olhou à parede adjacente à biblioteca 
—. Umm… tem razão começo a escutar com nitidez as vozes. Veremos, guarda silêncio. 
— Muito bonito. Você não gosta que lhe escutem mas ao contrário… — disse Maddy sorrindo. — Sshh, cala. Maddy sorriu negando com a cabeça. 
— Então, contamos com você para o sábado? — Perguntou Ferdinand 
—. O certo é que eu gostaria de desfrutar de uma boa partida de caça e prefiro não ter que lutar sozinho com alguns dos amigos de meu irmão. — Suspirou 
—. Ultimamente parece afeiçoado aos amigos idiotas. Todos riram. 
— Está bem, conta comigo, um fim de semana no campo caçando me virá bem para me limpar. — Respondeu Robert. — Sem mencionar para recuperar velhos costumes. — Joshua girou o rosto e olhou para Ferdinand sorrindo 
—. E, certamente espero, Ferdy, tenha tido a boa ideia de convidar adequada companhia feminina, assim, nosso amigo, pode recuperar-se das últimas três semanas de repouso. — Acrescentava, com certa ironia mal dissimulada. 
— E falando de repouso. — Riu brandamente Sebastian —. Não crê que é hora de enviar de retorno ao campo essa esposa, com a que, se não me recordo mal, dizia carregar por culpa de seu sentido de honra? Já está recuperado, assim não tem sentido que a tenha aqui, cuidando da casa e velando sua recuperação, salvo que tenha decidido, por fim, que não lhe vem mal ter uma mulher a seu lado. 
— Dizia, com um certo tom de ironia —. Mas se não for assim, não deve alimentar suas esperanças, tampouco seria justo para ela. 
— Logo, Seb, logo. — Respondeu Robert e uns segundos depois acrescentou — Tampouco se pode dizer que seja uma carga. Ao menos isso tenho que conceder-lhe, ocupou-se perfeitamente de tudo durante a minha convalescença, assim que um mínimo de cortesia lhe poderei mostrar. Eu goste ou não, é a condessa de Camus, de modo que, pelo menos, tratá-la—ei com deferência. Joshua sorriu: 
— Sei que é todo considerado e cortês, mas quanto mais a tenha perto, mais demorará para recuperar sua vida de antes, amigo. É você que sempre diz que por muitas vantagens que tenha a vida de casado não é o que você procurava nem desejava, assim, para que prolongar a situação? Como dizia Seb, não dê falsas esperanças à jovem condessa. Ao fim e ao cabo, lhe cuidou com dedicação e tato, e poderia considerá-la. Carregue ou não uma esposa que não é desejada desde que se uniu a ela, não quererá que comece agora a acreditar que ocupa um posto que não é dela, verdade? Além disso, sejamos justos, Robert, o certo é que não só lhe cuidou mas também não lhe deu nenhuma só preocupação nem lhe exigiu nenhum de seus direitos. Merece algo mais do que cortesia. Se não a quiser como esposa, não a humilhe voltando para sua vida, com ela como espectadora de primeira fila. 







5 de novembro de 2017

Sonhos de Tinta

Alice Hastings, bela e rebelde, está convencida de que ninguém pode obrigar uma mulher a fazer aquilo que não deseja.

Claro que não lhe é fácil, sendo a sobrinha mimada de um visconde, dono de um jornal onde ela escreve artigos incendiários com o pseudônimo de J. Steward.
Casar-se, ter filhos e assentir com um sorriso falso nos hipócritas jantares da alta sociedade? Antes morta. Não há nada que Alice odeie mais que isso!
Sim, possivelmente sim, haja algo… 
Reine Clifford, o dono do jornal conservador da concorrência. Aristocrata, insuportável, déspota… e com irresistíveis olhos azuis que parecem conhecê-la bem demais.
Reine Clifford só tem uma ideia em mente — descobrir quem é J. Steward, cujos artigos fazem a concorrência ganhar uma fortuna. Essa é sua única obsessão, até que, durante o jantar anual de seus pais, os condes de Deerwood, conhece a pequena e indômita Alice Hastings. Ela deixará claro que uma mulher pode expressar claramente suas opiniões e o atingirá no que mais lhe dói, seu orgulho. Não é decente que Alice, beligerante, instruída e comprometida com a causa sufragista, aproveite cada ocasião para vociferar sobre seus princípios e convicções.
Ela é o contrário da esposa ideal. Não obstante, a partir desse momento, a obsessão de Raine se dividirá entre J. Steward e a atração irresistível que sente pela mulher de belos olhos amendoados e língua afiada.

Capítulo Um

Os homens são ambiciosos por natureza, mas pobre daquele que coloca sua ambição em um só objetivo, pois se dará conta de que, ou é inalcançável ou que, chegando a conquistá-lo, já não terá nisto interesse algum. J.Stewart
Sem nenhum impedimento, naquela tarde as máquinas de impressão estavam cumprindo a função para a qual foram criadas. Reine Clifford, visconde de Deerwood, permanecia em pé olhando do seu escritório, no piso superior daquele prédio industrial, como se estampavam formosas letras negras no papel que pela manhã sairia em forma de jornal. 
Embora sua postura pudesse levar a equívocos, fazendo-o parecer um homem desprovido de qualquer preocupação, aqueles que o conheciam bem saberiam que a expressão sombria de seus olhos azuis se devia a algo que lhe escapava das mãos.
Ardia por dentro de raiva e impotência. Reine não era um homem paciente, mas sim muito perseverante e tinha o firme propósito de sair-se bem naquele assunto.
Apertou mais os dentes e sua mandíbula se esticou, tornando-se visivelmente mais dura. 
Seus olhos azuis se tornaram muito mais escuros quando inclinou a cabeça para a frente e olhou através das espessas pestanas. Parecia um predador e não distava muito de sê-lo. Tinha uma presa em mente e, certamente, iria capturá-la.
Reine era um homem de paixões, mas não havia outra paixão que lhe demandasse mais tempo e esforço que esse maldito jornal. O New London era a sua vida. Era verdade que não era o maior jornal de Londres, um fato natural quando se levava em conta que o The London Times já funcionava há mais de um século. Mas ele queria ser diferente, queria que o dele fosse um jornal diário, não uma simples gazeta ou um jornal dominical.
Os tempos estavam mudando, a sociedade estava se transformando, e ele estava disposto a somar-se a essa mudança e a estar presente para deixar um testemunho com suas próprias palavras. E isso era o que fazia — escrevia artigos politicamente comprometedores, sem assinar, sempre que seu sócio conservador o permitia. Bom… “permitir” não era a palavra adequada. Reine Clifford não necessitava do consentimento de ninguém, mas não era tolo.
Não queria indispor-se com a cúpula rançosa e aristocrática, no meio da qual crescera e vivera. E seu sócio era a representação dessa classe social. Se Dave Northon não gostava de algo, podia pressupor-se que o resto da aristocracia londrina também não haveria de gostar. Por isso, Reine era comedido em muitos artigos, mais do que desejava.
Atualmente estava planejando escrever assinando seu próprio nome, mas, como homem zeloso de sua intimidade, duvidava de que fosse o mais conveniente, embora, a partir de agora, a tendência fosse de que alguém estampasse seu nome em cada letra que publicasse.
Assim haviam nascido os jornalistas.
Já não era a opinião do jornal o que contava, nos tempos atuais era importante a opinião dos homens, do indivíduo como tal. E, precisamente, era a esses homens que ele queria chegar — às pessoas, às massas que começaram a ler e a escrever graças à educação pública. Com uma alta porcentagem de gente alfabetizada, falando dos problemas que afligiam a sociedade e, sobretudo, criticando inteligentemente os governantes, o êxito de um jornal, naqueles tempos, estava garantido.
Mas Reine Clifford não se conformava que seu jornal fosse apenas mais um. 


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2 de novembro de 2017

Não sou de Ninguém


Fenella McGregor faria qualquer coisa para proteger sua família e seu clã.

Se, para salvar a vida de sua família e de seu povo, tivesse que atravessar as terras dos Wallace correndo sérios riscos, ela faria sem pensar nas conseqüências. 
E as conseqüências podem ser muito dolorosas para uma simples donzela... Não há nada que Iver Wallace odeie mais do que os McGregor.
Ao encontrar Fenella em suas terras e ser atacado por ela, jura matá-la a qualquer preço. Para levar a cabo sua vingança ele entra sorrateiro nas terras de seu inimigo e traz seu alvo prisioneira.
Fenella não se curva ao guerreiro fazendo-o tomar uma decisão que modificará suas vidas. Nas mãos de Iver está à vida de Fenella e nas dela o coração do guerreiro.

Capítulo Um

Fenella tirou o vestido do rio e o levantou para escorrê-lo, quando escutou que vários cavalos se aproximavam a toda pressa. Escondeu-se depois de uma sebe e esperou para ver quem eram, colocando-a capuz de sua capa para cobrir seu cabelo vermelho. Ao ver o primeiro cavaleiro que cruzava o rio, sorriu radiante ao ver seu irmão Lyall encabeçando o grupo. O grupo que lhe seguia, formado pelos melhores guerreiros da aldeia, vestia suas cores. O kilt de seu irmão em cores azuis e verdes tinha manchas de sangue em um lado.
Preocupada saiu de atrás da sebe e assobiou com força. Lyall se voltou e aproximou seu cavalo olhando-a muito sério.
— Não havia te dito que não saísse da aldeia, Fenella McGregor?
— Não se zangue. Tinha que lavar meu vestido para o casamento. —Aproximou-se dele e estendeu a mão. Seu irmão a pegou e a colocou sem problema diante dele antes de iniciar o caminho de novo para a aldeia. Ao perceber que não lhe falava, voltou à cabeça olhando-o com seus lindos olhos verdes.
— Enfrentou de novo aos Wallace?
— Isso não são coisas de mulheres.
Fenella estalou a língua.
— São coisas de mulheres quando matam a nossos homens. E não ponha esse tom comigo, que te retorço as orelhas!
Lyall se ruborizou e disse em voz baixa: — Se minha irmã não me respeitar, meus homens não me respeitarão. Contarei tudo depois.
— Ah… — reprimiu um sorriso antes de olhar à frente e ver que o melhor amigo de seu irmão nas proximidades, — matou a muitos, Tevin?
— Escapamo-nos por pouco. — Grunhiu de mau humor afastando uma de suas tranças castanhas da bochecha. — Malditos Wallace. Triplicavam-nos em número.
Fenella arregalou os olhos.
— De verdade? Que corajosos são. E fez fugir a todos. Como eram? Têm os olhos vermelhos como diz Vika?
— Não diga tolices, irmã! Por que faz caso a essas histórias para crianças?
Deu de ombros deixando cair o capuz sobre os ombros, mostrando seu lindo cabelo.
— Viram-no?
— A quem?
— A quem vai ser? A esse horrível Iver Wallace! Ele os atacou?
— Não estava ali. O covarde não estava com seus homens — disse seu irmão com raiva. — Se tivesse estado protegendo suas terras como devia terfeito, teria lhe atravessado com minha espada. Ela olhou a seu redor.
— E o que roubou? — Os homens se ruborizaram. — Nada? Verá como pai vai se zangar!







30 de outubro de 2017

Até que a Morte nos Separe

Calista Langley é dona de uma agência que apresenta senhoras e senhores respeitáveis que buscam relacionamentos sérios em Londres na época vitoriana. 

Por algum tempo, ela está recebendo presentes: um espelho preto sinistro, uma coroa de flores para funeral, um sino… um ataúde, tudo gravado com suas iniciais.
Convencida de que não obterá ajuda da polícia, Calista recorre a Trent Hastings, um escritor solitário, de mistério, que tem pouca afeição às relações sociais. Enquanto Trent e Calista revisam os arquivos dos clientes rejeitados, eles tem esperança de identificar o perseguidor, mas começa a ser óbvio que a chave pode ser o passado secreto de Calista… e sua vida corre perigo.

Capitulo Um

― Devo desfazer-me dela, Birch. ― Nestor Kettering pegou a garrafa de brandy e serviu-se de outra taça. ― Já não suporto a minha mulher. Você não tem nem ideia do que significa viver com ela na mesma casa.
Doam Birch remexeu-se na cadeira e esticou as pernas, aproximando-as das chamas da lareira.
― Não é o primeiro homem que se casa por dinheiro e descobre que o trato não o satisfaz. A maioria das pessoas que se encontraram em sua situação acharam uma maneira de coabitar. É bastante comum que os casais da boa sociedade tenham vidas separadas.
Nestor contemplou as chamas. Doam convidara-o a tomar um último brandy depois de outra noitada jogando cartas no clube do qual ambos eram membros e, como resultado, os dois estavam sentados na pequena, mas elegante, biblioteca da casa de Doam.
Faria qualquer coisa para não ter que retornar ao número cinco do Lark Street, ― pensou Nestor. Haviam considerado a ideia de visitar um bordel, mas isso não despertou o entusiasmo de Nestor. Na realidade, os bordéis desgostavam-lhe, preocupava-se que as mulheres pudessem transmitir uma enfermidade e, além disso, não era nenhum segredo que as prostitutas frequentemente roubavam relógios, alfinetes de gravata e dinheiro dos clientes.
Preferia que as mulheres fossem respeitáveis, virginais e, sobretudo, carentes de familiares próximos: a última coisa que queria era enfrentar a um pai ou um irmão furioso. Escolhia suas amantes entre as solteironas de Londres: mulheres inocentes, educadas, corteses, e agradecidas pelos cuidados de um cavalheiro.
Durante o ano passado e graças a Doam Birch, tivera acesso a uma série de instrutoras jovens e atraentes que possuíam seus requisitos. 
Uma vez feita a conquista, perdia o interesse, mas isso não supunha um problema: resultava simples desfazer-se dessas mulheres. Ninguém se preocupava com seus destinos.
A residência urbana de Doam não é tão grande quanto a minha ― pensou Nestor, ― mas, é muito mais confortável porque não há nenhuma esposa dando voltas por ali. Doam herdara a casa, depois da morte de sua mulher, uma viúva rica. Esta, falecera enquanto dormia, pouco depois das bodas… e, depois de pouco tempo de ter modificado seu testamento e deixado a casa e sua considerável fortuna para seu novo marido.
Alguns homens são muito afortunados, ― pensou Nestor.
― Não sei quanto tempo mais serei capaz de suportar a presença de Anna ― disse, bebendo um gole de brandy e deixando a taça na mesa. ― Juro que perambula pela casa como um pálido fantasma. Acredita nos espíritos, sabe? Assiste a uma sessão espírita ao menos uma vez por semana com a pontualidade de um relógio. Quase todos os meses procura uma nova médium.
― Com quem tenta entrar em contato?
― Com seu pai ― respondeu Nestor, fazendo uma careta. ― O bastardo que me armou uma armadilha, com as condições de seu testamento.
― Por que quer entrar em contato com ele?
― Não tenho nem ideia e não me importa um mínimo, o maldito. ― Nestor deixou a taça de brandy na mesa. ― No princípio acreditei que tudo seria tão simples… uma noiva formosa e, além disso, uma fortuna.
Doam contemplava as chamas.
― Sempre há algo mais.
― Tal como acabei por descobrir.
― Sua mulher é muito formosa, quase todos os homens diriam que é muito afortunado por compartilhar a cama com semelhante beleza.
― Ora!


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O Senhor do Dragão

Londres 1214 ...

Uma donzela com coração de guerreiro
Em uma hora horrível, a vida de Rose de Ayrdale foi despedaçada. 
Lord Dragon, um dos cavaleiros mais fervorosos do rei John, trouxe a notícia de que o pai de Rose estava morto e revelou que tinha sido enviado pelo rei para reivindicar a propriedade para si, além da ordem para se casar com a viúva ou com a filha do traidor.
Rose estava certa de que nem sua mãe, triste em seu luto e nem Starla, sua irmã gêmea que desejava se tornar uma freira, aguentariam se casar com Lord Dragon. Mas era igualmente claro que seu novo senhor não desejava se ligar a uma donzela desafiadora como Rose. Ela decidiu em questão de segundos que deveria convencer Lord Dragon de que Rose, era o nome da gêmea doce e gentil com a qual ele estava inclinado a se casar.
Felizmente, a agonia não durou muito tempo. O casamento foi realizado com engodo, a Rose ardente, subjugou sua verdadeira natureza o suficiente para convencer o Senhor do Dragão, de que ela era a gêmea com a qual ele queria casar, e se despediu de sua mãe e de sua gentil irmã que seguiram caminho para o santuário de um convento próximo. Embora temesse a ira do Senhor do Dragão quando ele descobrisse que havia sido enganado, Rose estava contente com o fruto de seu trabalho, e ficou satisfeita por ter tramado pelo menos essa pequena vingança contra o seu inimigo.
Um cavaleiro fiel ao seu rei
Dominic de Pendragon, era conhecido como o Senhor do Dragão por sua proeza no campo de batalha e no quarto. Lord Dragon não tinha vontade de casar com uma herdeira que nunca antes havia visto, pois ele já havia encontrado a mulher com a qual queria se casar. Mas um cavaleiro sem terras tinha poucas oportunidades de ganhar uma baronia, e como súdito fiel não tinha escolha a não ser obedecer a seu rei. No entanto, como selecionar uma esposa entre as três mulheres oferecidas? Ele não sentiria prazer na cama com uma viúva aflita, e nem teria paciência

Capítulo Capítulo 

O corcel de Dominic dançava impacientemente debaixo dele enquanto contemplava a magnífica fortaleza com suas quatro torres de crenelados quadrados, suavizadas por décadas de vento, chuva, neve e sol. Situado em um vale estreito entre duas colinas escarpadas, a fortaleza de pedra estava cercada por altos muros. Dominic não ficou satisfeito ao notar que a ponte levadiça que assegurava a guarda contra invasores foi levantada, impedindo-o de entrar.
Olhando para o alto, Dominic viu que os guardas no parapeito estavam olhando para ele, mas não pareciam com pressa para alertar a fortaleza para a sua presença ou para baixar a ponte para que ele pudesse entrar.
Uma onda repentina nas ameias alertou Dominic para o fato de que sua bandeira distintiva, com um dragão negro em um campo vermelho, tinha sido vista e reconhecida.
— O senhor acha que eles vão abaixar a ponte, mestre? Raj perguntou.
Dominic enviou à Raj um sorriso presunçoso quando ouviu o som de engrenagens e viu que a ponte levadiça estava sendo lentamente abaixada.
— Você tem sua resposta, Raj.
Uma vez que a ponte estava no lugar, Dominic atravessou, seguido de perto por Raj e outros dois cavaleiros anexados ao seu serviço. O sorriso de Dominic ficou azedo, no entanto, quando viu que o portão grelhado permanecia firmemente no lugar. Ele resistiu bruscamente e esperou, seu famoso temperamento ficando cada vez mais curto.
— Um guerreiro se desloca para nos encontrar, mestre, disse Raj com uma certa diversão.
Dominic não viu nenhum motivo de leviandade até que sua mente registrou o fato de que o guerreiro que se aproximava da ponte levadiça era uma mulher. Alta e bem-feita, ela empunhou uma espada como se soubesse como usá-la e não tivesse medo de um confronto.
O primeiro pensamento de Dominic era que esta mulher não era uma vassala. Um tecido de linho semitransparente cobria a cabeça, e era mantido no lugar por um anel de ouro. Seu cabelo dourado estava pendurado sob a toca, proclamando que ela, era uma mulher solteira, e uma franja em sua testa ondulava sedutoramente sob o círculo de ouro.
Seu vestido vermelho escuro tinha mangas longas e ajustadas e parecia ser feito com a melhor lã. Sua túnica de azul escuro foi cercada nos quadris com uma corrente de ouro e bordaram a bainha nas cores verde, azul e preto. Ela se aproximou do portão fechado e apontou um olhar feroz para Dominic. Se ela não tivesse parecendo tão sanguinária, Dominic teria se atirado sobre ela. Ela parecia muito jovem para ser a viúva de Fairchild, então ele assumiu que ela era sua filha.
Se essa fosse à mulher com a qual ele deveria se casar, que o Senhor, o ajudasse!
Rose de Ayrdale olhou através da grelha de ferro da entrada para o exigente cavaleiro e não sabia o que fazer com a sua chegada inesperada. Nada de bom viria da sua visita, ela tinha certeza. Ele estava revestido da cabeça aos pés, elmo, cota de malha e as perneiras, estava sentado em seu corcel como se fosse uma parte do magnífico animal. Sua
roupa era de linho branco, estava cercada com um cinto de couro na cintura, e uma espada pendia de sua bainha de seu cinturão pendurado sobre o ombro direito.
Rose estudou o emblema do dragão embutido no escudo triangular que ele carregava e franziu a testa. Alguma coisa jogou com sua memória, mas foi rapidamente perdida quando notou a aparência de irritação no rosto robusto e cheio do cavaleiro e na centelha de raiva em seus olhos escuros. Ele parecia tão feroz, tão perigoso, que ela levantou sua pesada espada na defensiva.
— Quem é você? Indique seu negócio com Ayrdale e vá embora.
— Quem é Você? Dominic desafiou.
— Uma filha de Ayrdale. O que você quer?
De repente, um guarda apareceu atrás de Rose. Ele aproximou seu cavalo do dela, inclinou-se e sussurrou algo na orelha. Ela pestanejava, olhava para o cavaleiro feroz que exigia a sua entrada e imediatamente recuou.
— Por que o Senhor do Dragão veio a Ayrdale? 


Sonhos de Leitura

28 de outubro de 2017

Beijos Vermelhos

Quando se anda pelos caminhos da uma sociedade selvagem, o maior perigo pode está em seu coração.

Alyssum Rosewood acaba de chegar a uma surpreendente conclusão. 
Sua vida é chata. 
Com a perspectiva de um baile para debutante rondando na sua cabeça, usando um dramático vestido escarlate e, fugindo para participar do infame baile de máscara de Lady Brook, onde um cavalheiro toma-a em seus braços e rouba-lhe um beijo, revela para ela uma paixão que nunca sonhou existir. Mas, então, ela descobre sua identidade... o imprudente e incorreto Visconde Lambert, o melhor amigo de seu irmão super protetor. 
Robert Lambert encontra uma cativante dama de escarlate. Seu beijo acelera seu coração e seu inocente toque faz seu corpo pegar fogo. Mas escorrega de suas mãos e foge antes que ele possa tirar sua máscara.
Mesmo que tenha que voltar para o inferno ou para o mais alto escândalo, jura encontrar a sua pequena e tentadora fera. Robert ficou horrorizado ao descobrir quem é a mulher cujo escandaloso comportamento despertou seu desejo, e Alyssum desesperadamente tenta esconder a verdade nas profundezas do seu coração. Mas ela, com cada olhar, cada beijo, torna-se mais perto de jogar o bom senso ao vento... 

Capítulo Um

Ano de 1843 
— É uma boa, respeitável e decente mulher — disse Travis Potting enquanto se sentava diante de Alyssum no salão principal na residência de sua família. Suas mãos estavam dobradas fortemente em seu regaço e sua testa suava de nervosismo. 
— É por isso que é difícil para mim te dizer... — ele apertou suas mãos mais forte. — Serei incapaz de seguir adiante com este noivado. Alyssum se sentava silenciosamente em sua cadeira enquanto escutava o anúncio do Sr. Potting. 
Suas mãos, que tinham estado estendidas em seu regaço, estavam agora apertadas. Isto não estava ocorrendo. Supunha-se que Travis se casaria com ela. Supunha-se que iriam viver uma tranqüila e, simples vida na casa do pároco. Isso era o que tinha querido, o que tinha planejado. Tranqüila e simples. Agora tudo estava arruinado. 
— Posso perguntar por quê? — perguntou, seu sorriso educado ainda congelado em seus lábios. 
— Apaixonei-me por outra — anunciou com um aumento em sua mandíbula pontiaguda. 
— Quem? — perguntou antes de poder deter-se. — A senhorita Clarice Weathers. — Travis se moveu em sua cadeira com desconforto. 
— A senhorita Weathers? — repetiu Alyssum sem fôlego. Podia-a imaginar agora mesmo. Comprido e cacheados cabelos loiro, olhos azuis de bebê, figura voluptuosa e seios grandes que aos dezoito, acabava por se revelar em decotados vestidos, era a estrela da província e os homens viviam por ela. Recordava a um galinheiro com galinhas bicando, e Clarice era o cubo de comida. 
Enquanto que Alyssum usualmente ficava com sua irmã ou sua mãe, a senhorita Clarice Weathers sempre se encontrava saltitando na pista de baile e agitando-se como um pássaro. 
— Não fazia idéia. A senhorita Weathers se sente da mesma maneira por você? — perguntou. 
— Bom... sim. Quero dizer... Não falamos de nossos sentimentos...








23 de outubro de 2017

Minha Princesa Viking


Maisey toda a vida suportou o ódio de seu povo por causa de seu pai. 

Quando os vikings atacaram sua aldeia, viu a oportunidade que precisava para chegar até ele, mas seu sequestrador decidiu reivindicá-la como sua e fazer dela sua escrava. Talvez devesse mostrar-lhe que não iria ser fácil ...






Capítulo Um

Maisey virou na cama e choramingou enquanto sonhava. Cobriu-se com as grossas mantas, pois fazia frio e deixou que o sonho a envolvesse de novo.
Sua mãe sorria indicando o céu, mostrando estrelas enquanto a abraçava em seu colo. Seu cabelo castanho caía até o chão onde estava sentada e Maisey agarrava a uma de suas mechas.
— Olhe, meu amor! São as estrelas. — Dizia abraçando-a como só uma mãe podia fazer — Sempre lhe guiarão até onde queira chegar. Acompanharão você e sempre estarão aí.
— São bonitas. — Disse Maisey recostando-se em seu peito para olhar o céu— Olhe aquela tão grande!— Suspirou de felicidade ao vê-la.
— Tem que olhar fixamente para que lhe guiem, minha vida. Eu te ensinarei como.
— Fará isso?
— Não estou te ensinando muitas coisas?— Perguntou acariciando seu cabelo loiro liso.
— Algum dia necessitará de tudo que te ensinei.
— Quando?
— Quando eu faltar. — Disse beijando-a na bochecha— Então terá que ir procurar seu pai. Ele te ajudará.
— Eu não quero ir! — gritou zangada enrugando seu pequeno nariz.
— Isso será dentro de muitos anos. Quando for uma mulher. — Sua mãe olhou seus olhos grandes azuis. Tão claros que pareciam transparentes, rodeados por umas surpreendentes pestanas escuras — Tem que procurá-lo porque aqui não pode ficar, meu amor. Tentarão te fazer mal e necessita ser protegida . Seu pai o fará. Ele é um homem importante e cuidará de você.
Maisey com seus seis anos de idade não chegava a compreender tudo o que sua mãe dizia e esta sorriu — Não se preocupe, com os anos entenderá e dará importância. Será duro, mas fará o que te digo. — Acariciou sua ruborizada bochecha e Maisey sorriu.
— Como é papai?
Sua mãe sorriu com tristeza — Me perguntaste isso mil vezes.
— Conta-me.
— É um guerreiro de enorme força. Seus braços são como troncos de árvore e mede tanto quanto nossa casinha. — Maisey arregalou os olhos — Tem o cabelo um pouco mais escuro que você, mas não muito e chega até debaixo dos ombros. Sua espessa barba não me deixava ver seu rosto muito bem. — Disse sua mãe rindo — Mas era muito bonito.— No olhar de sua mãe apareceu tristeza. A tristeza que a acompanharia toda a vida — É leal e tem palavra. — Olhou sua filha. — Isso é o importante em um homem, Maisey. Se um homem não tiver palavra, não tem valor. Tem que cumpri-la, custe o que custar.
— Sim, mamãe.
— Meu Harald teve que ir, deixando-me aqui, mas sei que me amou mais que ninguém na vida e voltou para sua terra porque tinha dado sua palavra a outra mulher. Tem família lá. Mas só confie em seu pai. — Sim, mamãe.


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21 de outubro de 2017

Alguns gostam de Escoceses

Série Escândalos nas Highlands

Pode um confronto de vontades...

Quando uma excêntrica moça usando calças atira nele, Munro “Bear” MacLawry não tem certeza do que o impressiona mais - sua pontaria certeira ou suas curvas irresistíveis e tentadoras. 
Catriona MacColl fugiu para as Highlands com sua meia-irmã para escapar de um casamento indesejado, por não querê-lo, ou a qualquer homem. 
Mas ele não poderia abandonar a gata selvagem de cabelos flamejantes e de língua afiada, agora que a encontrou - não quando ela se encaixava perfeitamente em seus braços. Levar a um amor para sempre? Munro tinha mais do que merecido o apelido que tinha: um homem enorme e musculoso, bem-favorecido, com um sorrisinho de bad boy envolvente e uma sucessão de moças bem satisfeitas atrás dele. 
Levar a Catriona comida, cobertores, velas, e tudo o que ela precisava para sobreviver a um inverno em uma abadia abandonada, Munro é um presente inesperado na tentativa imprudente de liberdade dela - e uma complicação inesperada. 
O Clã MacDonald tem planos para ela, e eles não incluem se apaixonar por um MacLawry. Mas este homem a faz se sentir como uma mulher - e ele pode ser sua única chance de viver uma vida sobre a qual só ousou sonhar.

Capítulo Um 

Lorde Munro MacLawry rastejou para baixo, os joelhos expostos cavando o chão macio e musgoso debaixo dele. A brisa fria levantou o cabelo preto de sua testa; tinha se movido a meio caminho ao redor do vale para manter o vento em seu rosto. 
O xadrez preto, branco e vermelho de seu kilt estava gasto e confortável antes mesmo de ter se arrastado através da lama e das silvas, porque não seria tolo o suficiente para vestir seu outro kilt em uma caçada. 
Claro que poderia ter usado calças e ter algo cobrindo os joelhos, mas não era um maldito inglês. Não estava caçando por esporte, e não estava tentando se exibir para qualquer maldito Sassanach, Lorde ou Lady, que pensava que trabalhar até suar fosse normal. Queria uma maldita carne de veado para o jantar, e com o caos atual no Castelo Glengask, a maneira mais simples de obtê-la seria levá-la à mesa ele mesmo. 
Assim que alcançou o cume, parou e abaixou-se, alongando-se para escutar o vento nos pinheiros, os mergulhões aproximando-se dos juncos na margem oeste do Lago Shinaig à sua direita. 
A chuva tinha parado durante a maior parte da manhã, mas com as nuvens agrupando-se contra as montanhas, poderia cair a qualquer momento agora. 
Estava uma manhã linda, apesar de tudo - não os dias calmos e claros que os Sassannach preferiam, ao sul da Muralha de Adriano, mas uma manhã fria, úmida, selvagem e atraente - nas Highlands. 
Quer a chuva se detivesse ou não, provavelmente só tinha mais uma ou duas horas para permanecer no vale. Depois disso, o Marquês de Glengask estaria mobilizando metade do agregado familiar para rastrear seu irmão mais novo. 
Isso seria ainda mais certo do que a tempestade que se aproximava. Simplesmente por ter saído sozinho, tinha violado pelo menos meia dúzia de regras de seu irmão Ranulf - e, consequentemente, do clã MacLawry. Munro se permitiu um sorriso sombrio. 
Inferno, além de estar sozinho na floresta, não se tinha incomodado em dizer a ninguém aonde estava indo, não tinha levado um cavalariço ou um dos cães de caça de Ranulf com ele, não estava usando um casaco quente, não estava à vista do castelo Glengask, e... contava nos dedos.









Série Escândalos nas Highlands
0,5- Um Escocês Sedutor
1- O Diabo Veste Kilt
2-  Um Libertino com Sotaque
3- Louco, Mau e Perigoso em Tartã
4- Alguns gostam de Escoceses
Série concluída

16 de outubro de 2017

O Reformador Relutante

Todos conheciam Lady X ... ou, pelo menos, todos sabiam de sua existência. 

A cortesã mascarada era uma nobre mulher caída em difículdades. O que Lorde James não sabia era que ela era Lady Margaret Wentworth ― a irmã decidida de seu melhor amigo. Gerald afirmava que sua irmã era linda, virtuosa, ingênua; e ele forçou James a um juramento de proteção. Mas quando James rastreou a menina até uma casa de má reputação, que outra explicação poderia haver, exceto que Maggie era o mais enigmático da moda de Londres?
Arrebatar a moça seria um negócio delicado, e depois disso as coisas ficaram mais difíceis. James teve que ignorar os violentos protestos de sua presa, que ele era um idiota, que ela nunca foi a infame X. 
Ele tinha que encontrar uma maneira de reformar a moça espevitada, para salvá-la do escândalo. Ele tinha que se afastar de sua própria tia intrometida ― tudo, enquanto mantinha suas mãos afastadas dessas formas voluptuosas que o resto da sociedade tinha provado. E, com Maggie, o mais difícil de tudo seria manter...

Capítulo Um

Londres, Março de 1815.
Maggie trocou seus pés ligeiramente, tentando aliviar a dor que sua posição apertada estava causando em suas pernas. O pequeno movimento foi suficiente para levá-la a bater os joelhos contra a porta do armário em que atualmente estava sentada, fazendo-a chocalhar e estremeceu com a dor que subiu pela perna dela. Maggie estava ocupada esfregando a perna quando a porta do armário se abriu e uma luz de vela veio suavemente sobre ela.
― Pare de ficar batendo assim, ou eu serei obrigada a retirar você daí de dentro.
Cessando a fricção em sua perna, Maggie conseguiu um sorriso de desculpas para a mulher jovem e seminua que estava olhando para ela.
― Sinto muito ― ela começou em tom conciliatório, depois parou e soltou um suspiro. Ela endireitou-se e começou a sair do pequeno armário. ― Não, na verdade, eu não sinto er… Daisy?
― Maisey ― a menina a corrigiu.
― Sim, bem… Maisey, então ― disse Maggie. A menina apresentava um ar que era irritante, como eram as rugas que Maggie estava inutilmente tentando escovar fora de seu vestido.
― Isso tudo é realmente um pouco bobo, e muito além da informação para o qual eu estava procurando. Tudo o que eu realmente queria era que…
O som de uma batida na porta fez com que Maggie fizesse uma pausa alarmada. A jovem mulher diante dela endureceu, então o aço parecia entrar em seus olhos e ela empurrou Maggie com firmeza para o armário. Maggie pousou de costas dentro do armário com um grunhido.
― É tarde demais para mudar sua mente agora, milady ― anunciou ela, inclinando-se para enfiar os pés de Maggie dentro do armário, antes que ela pudesse recuperar o equilíbrio. ― Madame diz que é para você assistir, e você vai. Agora, mantenha a calma ― ela disse em um silvo. A porta foi empurrada e fechada com um estalo decidido.
― Maldição ― disse Maggie em voz baixa. Em seguida, lutou por uma posição sentada. A porta sacudiu ligeiramente, quase cobrindo o som de um parafuso sendo deslizado pela casa. Pressionando um olho na fresta, aonde as portas não chegavam a encostar, ela viu Maisey acenando com um grunhido de satisfação, girando e se afastado para atender a porta. Franzindo a testa, Maggie levantou a mão para empurrar experimentalmente para frente, mas a porta permaneceu firmemente fechada. A garota tinha trancado ela no armário!
“Bem, isto é uma bela maldição” ela pensou irritada. “Brilhante! Eu costumo entrar em dificuldades, não?”
Não que ela poderia ter saído agora, de qualquer maneira. Maggie se considerava uma jovem moderna, altamente inteligente, independente e sem se importar com o que os outros pensavam dela, mas só até certo ponto. Até alguém, completamente moderna como ela era, hesitava em chamar deliberadamente a ira e desprezo da Tonelada sobre si mesma. Especialmente quando ela apenas tinha que sentar-se calmamente por um tempo curto, para evitar o escândaço. A paciência não era uma de suas virtudes naturais, mas ela tinha tentado cultivá-la ultimamente. Sim, ela simplesmente tinha que olhar para isso como uma oportunidade para se desenvolver. Uma experiência de aprendizagem, por assim dizer.
Ela mal tinha terminado esse pensamento quando lhe ocorreu que estava agachada em um pequeno armário em um dos quartos do infame Madame Dubarry's, que era um bordel, pelo amor de Deus! O que ela aprenderia neste quarto… bem, ela só não sabia ainda!

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13 de outubro de 2017

Rio de Paixões

Dois dias antes de suas bodas com o marquês Maurice du Mercier, a bela Shemaine é sequestrada e enviada às Colônias como prisioneira. 

Em meados do século XVIII, muitos condenados eram enviados às colônias inglesas na América, onde deviam trabalhar como serventes durante longos anos. 
Shemaine consegue sobreviver à viagem, mas sua grande beleza e seu caráter intrépido provocam o ódio e a inveja das pessoas que a rodeiam. 
Ao atracar o navio na costa da Virginia, a prisioneira é comprada por Gage Thornton. O homem é considerado um assassino pelos habitantes do povoado e só adquiriu Shemaine para que cuide de seu pequeno filho. 
Não sabe que talvez seu coração possa trai-lo. Logo o temor da jovem desaparecerá frente à ternura de Gage, e ambos se apaixonarão profundamente. Arrastados por uma corrente de paixões e ódios, Gage e Shemaine deverão lutar contra seus perversos inimigos para salvar seu amor. 

Capítulo Um 

Newportes Newes, Virginia, 25 de abril de 1747. 
O London Pride roçou contra o cais quando as rajadas cada vez mais intensas de um vento do nordeste balançaram lentamente o navio amarrado. Perto dos batentes dos mastros passavam as nuvens, como escuros presságios da tormenta que se aproximava. As gaivotas mergulhavam do cordame do navio, acompanhando com seus roucos grasnidos o ruído das correntes que carregavam uma dupla fila de sentenciados fracos e esfarrapados, que saíam pela escotilha arrastando os pés sobre as gastas tábuas da coberta. 
Os homens, presos com grilhões nos tornozelos e unidos entre si por menos de um metro de corrente, receberam a ordem de alinhar-se para serem inspecionados pelo contramestre. As mulheres, por outro lado, estavam algemadas separadamente e podiam mover-se a seu próprio ritmo pela proa, onde lhes tinham ordenado aguardar. Mais adiante, a popa, um marinheiro que limpava o convés, interrompeu sua tarefa para observar a este último grupo. 
Depois de um precavido olhar à ponte de comando, a persistente ausência do capitão Fitch e de sua bovina esposa o animaram e, depois de guardar depressa seu balde e sua vassoura, aproximou-se com passo seguro pelo convés. 
Rebolando como um galo ao redor das esfarrapadas mulheres, com seu sorriso luxurioso e suas rudes maneiras, provocou um muro quase sólido de defesa, constituído por turvos olhares. Houve só uma exceção: uma rameira de olhos escuros e cabelos negros, que tinha sido condenada por roubar dinheiro dos homens com quem se deitava e de causar feridas graves a um bom número deles. Ela foi quão única dedicou um sorriso promissor ao marinheiro. 
—Senhor Potts, faz quase uma semana que não vejo a pequena trotona — comentou com aspereza a rameira, dirigindo uma careta triunfal a suas furiosas companheiras
—. Não vai me dizer que a pequena mendiga encontrou a morte no paiol das correntes? O teria bem merecido por me golpear o nariz. Uma menina miúda de cabelos lisos castanhos abriu passo entre o grupo de mulheres e replicou com vivacidade à prostituta:
 —Pode soltar todo seu veneno, Morrisa Hatcher, mas aqui todas nós sabemos que milady te deu seu castigo, nem mais nem menos. Pelo modo como lhe golpeou as costelas quando ela não estava olhando, você deveria ter sido trancada no paiol das correntes! 

9 de outubro de 2017

O Segredo de Pemb.Park

Segredos e omissões. Sombras e ruídos. Fantasmas e farsantes. Verdades e subterfúgios. Amor ou… morte?

Abigail Foster é uma mulher prática. Teme acabar solteirona, até porque o seu pequeno dote e o fato de que o único homem que ela acreditava que pediria a sua mão, um amigo de toda uma vida, parece que se apaixonou pela sua irmã caçula, mais bonita do que ela. Enfrentando a ruína financeira, Abigail e o seu pai procuram alojamento mais modesto, até que um estranho advogado aparece com uma oferta irrecusável: viver em uma longínqua casa senhorial que está abandonada há dezoito anos. Os Foster empreendem viagem para a imponente mansão de Pemb.Park e, ao chegar, encontram-na tal e qual como os seus últimos habitantes a deixaram, em sua repentina partida: as xícaras de chá ressecadas, as camas desfeitas, uma casa de bonecas abandonada a meio de uma brincadeira…
Apesar do atraente pastor do povoado dar-lhes as boas-vindas, tanto ele, quanto a sua família parecem saber algo do passado da casa, mas a única informação que dão a Abigail é uma advertência: cuidado com intrusos que possam chegar atraídos pelos rumores de que em Pemb.Park há um quarto secreto que alberga um tesouro.
Com a esperança de melhorar a situação financeira de sua família, Abigail procura o quarto secreto, mas a chegada de cartas anônimas dirigidas a si mesma, com pistas a respeito de dito quarto e informações assombrosas sobre o passado da casa, levam-na a descobrir coisas muito mais surpreendentes.
Quando os segredos saírem à luz, poderá Abigail encontrar o tesouro e o amor que tanto busca… ou um perigo muito real a espera?

Capítulo Um

Março 1818

O estojo estava aberto sobre a secretária. As esmeraldas verdes brilhavam fazendo contraste com o veludo negro do forro. Tinham herdado o conjunto de colar e bracelete por via da família Foster. A família de sua mãe não tinha pedra preciosa alguma para transmitir. E logo nenhum dos dois lados da família teria.
Quando o seu pai fechou o estojo, Abigail fez uma careta de dor, como se acabassem de dar-lhe uma bofetada.
― Despeçam-se das joias da família ― assinalou o seu pai ― Suponho que terei de vendê-las com a casa.
De pé, de frente para a secretária, Abigail apertou os punhos.
― Não, papai, as joias não. Tem de haver outra forma de… Tinha quase passado um ano desde que Gilbert se fora da Inglaterra. Tempo durante o qual também tinha completado o seu vigésimo terceiro aniversário. Na véspera da partida dele, quando ela predisse a incerteza de seu futuro, não havia pensado vir a estar tão certa.
No que tinha estado pensando? Só porque dirigia uma casa grande e tinha o pessoal a seu cargo, não significava que soubesse alguma coisa sobre investimentos. Considerava-se uma dessas pessoas que estava acostumada a avaliar as coisas com cuidado, a ponderar os prós e os contras antes de atuar, quer se tratasse da escolha de uma nova costureira, quer da contratação de uma nova criada. 
Abigail era a filha sensata e sempre se orgulhou de tomar as decisões mais lógicas. Por isso a sua mãe tinha delegado a ela a maior parte das decisões referentes à gestão do lar. Até mesmo o seu pai tinha a sua opinião muito em conta antes de fazer qualquer coisa.
Agora estavam à beira da ruína… e tudo por sua culpa. Fazia pouco mais de um ano que tinha encorajado o seu pai a investir no novo banco do tio Vincent. O irmão de sua mãe era o seu único tio e sempre tinha tido muito carinho por ele. Era um homem encantador, entusiasta e um eterno otimista. 
Ele e os seus sócios, o senhor Austen e o senhor Gray, eram proprietários de outros dois bancos e quiseram abrir um terceiro. O tio Vincent tinha pedido a seu pai que o avalizasse com uma importante soma de dinheiro e este, influenciado pela própria Abigail, tinha aceitado.
Inicialmente, os bancos foram um sucesso. Mas os sócios começaram a contrair empréstimos excessivos e muito arriscados, chegando mesmo a contraí-los entre si. Com o tempo, conseguiram vender um dos bancos, mas tiveram muitas dificuldades para manter os outros dois. O banco novo terminou a sua atividade em novembro e fazia apenas uma semana que o primeiro banco tinha falido, o que obrigou os sócios a declararem bancarrota.
Abigail mal podia acreditar. Seu tio tinha estado tão convencido de que os bancos funcionariam que a tinha contagiado com o seu entusiasmo.
Sentado em seu escritório, seu pai colocou o estojo a um lado e deslizou um dedo pelo livro de contas.
Ela esperou o seu veredicto com as palmas suadas e o coração pulsando rapidamente.
― É muito grave? ― perguntou, retorcendo as mãos.
― Bastante. 

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6 de outubro de 2017

A Dama sem Nome


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Fugindo de seus tios, e de seus planos para ela e até mesmo de seu possível assassinato, Lady Adeline Claire Forley, adotou uma nova identidade.

Estava esperando encontrar um lugar seguro para aguardar os meses que faltavam para atingir a maioridade e ser livre. 
A idade em que já não estaria sob o poder de seu tio e poderia receber seu dote para começar uma nova vida longe dele, de sua tia e de suas primas. 
Lorde Alexander de Camus, Marquês de Southern, não imaginava o que aconteceria quando foi passar alguns dias na casa de sua tia. Esperava relaxar na companhia de sua família, mas nunca esperou se deparar com o amor. Se apaixonar era última coisa que ele esperaria e muito menos por uma jovem desconhecida e mais, sem nem sequer saber o seu nome real. Uma nova fuga só conseguiria mantê-los longe mesmo sabendo dos perigos que os cercavam, mas o maior perigo não seria se apaixonar e perder o objeto do desejo? 

Capítulo Um

O tio Edward e sua esposa Frances eram tão diferentes de seus pais como a noite e o dia. No momento em que entraram na mansão, a trataram com desdém, desprezo e como se fosse uma carga. O qual não melhorou quando se leu o testamento pois, desde esse dia, Addy passou a ser tratada como mais uma criada. 
A chamaram ao escritório de seu tio um dia depois da leitura do testamento, seis depois da morte de seus pais, e lhe informaram que seu pai tinha deixado um dote mas que até então tinha que ficar com eles e que, desde esse preciso momento, seguiria recebendo a educação que se esperava de uma jovem dama mas que, como agora já não era mais que uma menina 
“acolhida generosamente nessa casa pela bondade dos novos condes,” disse-lhe com evidente orgulho a tia Frances, devia ganhar o direito a permanecer ali e os gastos que geraria a seus tios pela comida, a educação e pelo teto sobre sua cabeça, deveria ajudar nas tarefas que determinassem sem reclamar ou seria enviada a uma instituição eclesiástica, longe do mundo que ela conhecia até então e de onde não poderia sair sem a permissão de seu tutor até os dezenove anos. 
Imediatamente, transferiram seus pertences para os quartos dos serviçais, lhe informaram que passaria a atender a suas primas, salvo quando fosse liberada dessas tarefas para assistir as aulas e que obedeceria a sua tia em todo momento, sob pena de ser expulsa de seu lar, já que, conforme lhe disseram, depois de receber de sua tia uma bofetada que a fez cair no chão como advertência para o futuro, não tolerariam uma menina desobediente, rebelde e consentida sob seu teto, menos ainda quando era acolhida por caridade. 
Ela não entendia nada. 
Como era possível que seus pais tivessem morrido? 
Como era possível que a tivessem deixado nas mãos daqueles parentes que nunca tinha visto em sua vida e que a desprezavam e humilhavam sem piedade? Chorou amargamente todas as noites na pequena cama de seu minúsculo novo quarto enquanto devia preparar sem reclamar, o café da manhã de suas odiosas primas e subir a seus quartos ao despertar, o senhor Greyson, o amável homenzinho que tinha sido secretário e administrador de seu pai, deu-lhe um conselho que serviria mais que nenhuma outra coisa no mundo desde esse momento. 
Disse-lhe que tentasse passar o mais desapercebida possível com seus tios e suas filhas, que procurasse obedecer sem se queixar já que os anos passariam rapidamente e no final teria a vida que merecia e que seus pais tinham querido para ela. E o fez. Durante os seguintes dez anos.








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