22 de abril de 2015

Uma proposta Sedutora

Trilogia Friends



Balthazar Wycherly leva anos sem honrar o seu apelido, "Brave"... Até que salva uma mulher de morrer afogada.

Então jura fazer o que for para ajudá-la, inclusive casar-se com ela, mas quem dos dois está sendo salvo na realidade?
Rachel Ashton deseja uma nova vida para ela e para sua mãe, e se casa com Brave pensando no que este pode fazer por ela. 
Mas, jamais suspeitou que este homem lhe daria tanto, ou que ela teria algo que lhe oferecer em troca... Seu coração.
Completamente destroçado pelo sentimento de culpa que lhe corrói por uma morte que foi incapaz de impedir, Balthazar Wycherly, o conde de Braven, viveu isolado durante os dois últimos anos. 
Mas quando Brave se encontra com sua vizinha, Rachel Ashton, a ponto de afogar-se em um rio próximo a seu lar e lhe salva a vida, dá-se conta de que pode ter encontrado à única mulher capaz de lhe ajudar a perdoar a si mesmo.
Muito em breve, à medida que os veem dançando e conversando em diferentes ocasiões, os rumores a respeito de um possível caso entre eles começam a circular; E quando Rachel aparece na soleira de sua porta, com sinais de ter sido agredida, Brave lhe faz uma sedutora proposta: o matrimônio. Dessa maneira poderá resgatá-la, tanto a ela como a sua mãe, das garras de seu brutal padrasto, Sir Henry Westhaver, um homem cruel que pretende casá-la com um pretendente muito semelhante a si mesmo. Rachel aceita... Mas suas esperanças sobre um futuro melhor se desvanecem quando sua mãe decide voltar com Henry. E, enquanto isso, seus sentimentos para com seu novo marido se transformam em algo mais que um simples afeto.


Amor Proibido
















Vale do Camprodon, outono de 1427.


Capítulo Um

Ao ver o que tinha acontecido pôs-se a correr montanha abaixo. Pela primeira vez em muito tempo tinha uma missão e nada nem ninguém o obrigaria a recuar.
Ante aquele horror só cabia pedir ajuda, e desse modo convencer os mais céticos. Ainda era um ser útil e sua companhia não só emprestava; também cabia a possibilidade de que, quando recordassem o episódio, associassem sua presença com um golpe de sorte passado ou futuro.
Como a idade não perdoava, com os anos tinha mudado seus costumes. Quando saía a passear pelos arredores da vila, se mantinha ao longo dos caminhos e não se afastava muito das zonas habitadas. Essa manhã, porém, estava seguindo o rastro de um gato selvagem, um dos inimigos mais perigosos com que podia encontrar-se durante suas incursões.
Indo em sua perseguição entrou por entre as árvores. A curiosidade o tinha levado a transbordar o limite da zona que considerava segura e, obedecendo a um instinto irrefreável, tinha abandonado a luz tênue e dourada que iluminava os campos para refugiar-se na persistente escuridão do interior do bosque.
Embora levasse a cabo sua busca ouviu os gritos, muito mais preocupantes que a proximidade do felino. Não se pareciam absolutamente aos ruídos habituais das primeiras horas da manhã. A prova de que o sol começava a iluminar o vale eram os pequenos ruídos entre os matagais ou o canto do galo silvestre, que viajava entre os ramos e podia confundir as percepções.
Em muitas ocasiões via algumas penugens próximas ao dossel; como a que tinha observado dias atrás, com a pelagem levemente escurecida, sinal inequívoco de que logo chegaria o inverno. A neve não demoraria a cobrir a serra e seria mais difícil divisá-los.
Abandonou o bosque para voltar para caminho que, seguindo o rio, conduzia ao Llanars e depois à vila do Camprodon.
Entretanto, antes de alcançar o curso do Ter, tão somente uns passos mais à frente, descobriu a causa da gritaria. Durante uns instantes se manteve a uma distância prudencial. Até lhe pareceu que os fatos eram graves, que devia dar um alerta imediatamente. Então pôs-se a correr atravessando o campo entre árvores e sarças com o fim de levar ao cabo sua missão.
Encontrava-se bastante longe da população e os semeados também tinham ficado atrás. Só os pastores, em busca de alguma ovelha desencaminhada, os caçadores, sempre acompanhados, ou algum viajante que ia de povoado em povoado se atreviam a entrar nas primeiras folhagens do bosque, tal como ele fizera. Mas, agora tinha impregnado nas janelas do nariz o aroma do sangue, uma sensação pegajosa que lhe dificultava a respiração em sua frenética corrida.
Sua pressa por chegar à vila o fez colidiu aos animais que se incorporavam ao novo dia. Outros, como o autillo, ave noturna, encontravam escasso interesse no mundo de luz que despertava e não demoraria para estalar em cores. Advertiu que um deles retornava ao ninho, a fim de proteger-se da claridade e descansar de seu voo noturno, mas nem sequer se voltou para olhá-lo. Já percebia o frescor das águas do rio e não demoraria para ter a seu alcance os campos de cultivo.
Ao chegar a um semeado de cevada acelerou ainda mais sua corrida. Viu as primeiras casas, de camponeses que não tinham encontrado abrigo dentro do povoado e se arriscavam a viver extramuros, com o único benefício da água do Ter, que corria perto. A silhueta da Ponte Nou também se fez evidente, embora ainda meio em penumbra porque o sol acabava de mostrar-se.
A confiança em que alguém prestasse atenção a sua reclamação era escassa, mas de repente lhe veio à mente a imagem de Marc.
 Não fazia muito que aquele sacerdote vivia no monastério, e se viram poucas vezes, mas do primeiro momento o tinha tratado muito bem, como se não existisse nenhuma diferença substancial entre ambos.
Os soldados que guardavam as portas da ponte já tinham aberto a passagem. Não teve necessidade de cruzar o rio e seguir os muros em direção norte. Seria muito mais fácil se atravessasse as duas pontes para economizar-se trajeto e em seguida estava na rua da Santa Maria. Os dois homens o viram enquanto esquentavam as mãos em uma pequena fogueira improvisada.
Conheciam-no, e lhes constava que não valia a pena preocupar-se com ele. Só se tratava de um habitante mais do Camprodon e o prefeito lhes tinha repetido muitas vezes que se ocupassem unicamente dos estrangeiros ou os malfeitores...

Veja aqui o vídeo 

19 de abril de 2015

Uma Esposa a Sua Medida

Saga da família Lester






Philip Augustus Marlowe, sétimo Barão de Ruthven, começou a sentir que algo faltava em sua ordenada vida, depois de passar as festas com seus primos do lado Lester da família.

Ele descobriu que sua dificuldade era onde encontrar uma jovem que não fosse tola, coquete e insípida.
Antonia Mannering uma jovem órfã que passara anos, isolada no norte de Yorkshire, mas extremamente determinada, vai à luta de seu maior sonho e esse é ter Philip Augustus Marlowe, o sétimo Barão de Ruthven.





Saga da família Lester
1. As Razões do Amor
2. Um Futuro de Esperança
3. Armadilha de Amor
4- Uma Esposa a Sua Medida

18 de abril de 2015

O Sabor da Inocência

Saga Familia Cynster

Apesar de Charles Morwellan, o oitavo Conde de Meredith, ver o êxito que os matrimônios de seus camaradas Cynster tiveram, também foi testemunha das obsessões de seu pai que quase levam a destruição de sua família e sorte, e esse é um erro que não queria repetir. 

Apesar disso, devido a sua posição nobiliária, não tem outro jeito senão se casar e fixou o olhar em Sarah Conningham, a filha de seus vizinhos. 
Ela é inteligente para se desenvolver adequadamente em Sociedade, bela parafazê-lo sentir certa atração e mais velhapara valorizar o lado positivo de sua oferta matrimonial.
Para a maior parte das damas da Sociedade, o matrimônio com o homem apropriado é a culminação de anos de esforço e dedicação, mas para uma mulher independente, como é Sarah, o matrimônio, salvo que seja por autêntico amor só supõe restrições a sua liberdade. Mas Charles é um homem acostumado a conseguir o que quer e convence Sarah, para quedê duas semanas para conquistá-la. E desta maneira começa um intenso cortejo.
Durante o dia, são os modelos do perfeito decoro,  formais passeios, educadas conversas e bailes aonde mantêm uma distância adequada... Mas pelas noites se deixam levar pela luxúria e se abandonam a apaixonados beijos que os fazem desejar algo mais. E depois das bodas, apesar das tórridas noites de paixão que compartilham, Charles, durante o dia, mantém-se afastado dela, como se o que acontece quando o sol se põe fosse um sonho. 
Agora, Sarah terá que lutar para demonstrar que o verdadeiro amor não pode ser contido, mas se verá envolvida em uma série de misteriosas circunstâncias, que a colocarão em perigo e que obrigará Charles não só a protegê-la, mas também tê-la para si.

Capítulo Um

Fevereiro de 1833.
Noroeste de Curve Florey, Somerset.
Tinha que se casar e o faria. Sob suas condições.
Estas últimas palavras ressonaram na mente de Charlie Morwellan ao compasso do ruído surdo dos cascos de seu cavalo, enquanto se dirigia a meio galope para o norte. O dia era frio e limpo. Perto dele, as exuberantes colinas verdes ao pé da face ocidental dos Montes Quantocks se ondulavam brandamente. Nascera nesse lugar, em Morwellan Park, seu lar, que agora se encontrava a um par de quilômetros atrás dele. Contudo, prestava muito pouca atenção a impressionante paisagem que o rodeava, pois sua mente implacável se achava enfocada em outros assuntos.
Era o dono e Senhor dos campos que o rodeavam, do vale que havia entre os Quantocks ao este e os Montes Brendon ao oeste. Suas terras se estendiam para o sul e limitavam com as de seu cunhado Gabriel Cynster. O limite norte se estendia diante dele, além da colina. Quando seu castrado manchado cinza, Tormenta coroou o topo, Charlie puxou as rédeas e se deteve, olhando para frente, mas sem ver na realidade.
O ar frio acariciou suas faces. Com a mandíbula tensa e a expressão impassível, voltou a pensar nas razões que o conduziram até ali.
Herdara o condado de Meredith depois da morte de seu pai, vários anos atrás. Essa data marcara um antes e um depois na vida de Charlie. A partir de então tivera que escapar das infrutíferas tentativas das damas para capturá-lo. Aos trinta anos era um rico Conde solteiro que fazia babar às implacáveis casamenteiras. Mas depois de uma década alternando com a flor e nata da Sociedade, conhecia todos os truques. Uma e outra vez escapava das redes que as damas estendiam algo que, além disso, desfrutava fazendo-o.
Mas inclusive para Lorde Charles Morwellan, oitavo Conde de Meredith, o matrimônio era um destino que não podia escapar. Embora não fosse isso o que finalmente o fizera tomar uma decisão.
Fazia quase dois anos que seus melhores amigos, Gerrard Debbington e Dillon Caxton, se casaram. Nenhum dos dois estivera procurando esposa, nem tinham necessitado se casar urgentemente, mas o destino jogara suas cartas e os dois acabaram em frente ao altar. O próprio Charlie estivera ali com eles e sabia que seus amigos estiveram felizes de se casar.
Agora, tanto Gerrard como Dillon eram pais.
Tormenta se remexeu inquieto. Charlie bateu no pescoço com ar distraído.
Vinculados ao poderoso Clã Cynster, Gerrard e Dillon junto as suas esposas, Jacqueline e Priscilla, e ele mesmo se reuniram como sempre tinham feito depois da Véspera de natal em Somersham Place, a residência principal dos Duques de St. Ives e lar ancestral dos Cynster. 
A numerosa família Cynster e suas muitas amizades se reuniam ali duas vezes ao ano, em agosto na chamada Celebração do verão e de novo nas férias de Natal, quando se juntavam por ocasião destas festas.
Charlie sempre desfrutara da cálida atmosfera dessas reuniões, mas não nesta ocasião. E não foi pela presença dos filhos de Gerrard e Dillon, e sim pelo que estes representavam. Dos três, amigos durante mais de uma década, ele era o único que tinha a obrigação de se casar e ter um herdeiro. Embora em teoria pudesse deixar o dever de procriar para seguinte geração de Morwellan, ao seu irmão Jeremy, que agora tinha vinte e três anos, fazia muito tempo que Charlie aceitou que não poderia escapar daquele dever familiar em particular. 
Carregar sobre os ombros de Jeremy uma das principais responsabilidades vinculadas ao título de Conde, não era algo que pudessem permitir sua consciência, sua natureza nem seu sentido de dever.
Por essa razão se dirigia a Conningham Manor.
Continuar tentando o destino, deixar que essa perigosa divindade fosse a que organizasse sua vida e buscasse uma esposa, igual fez com Gerrard e Dillon, seria uma completa estupidez, pelo que ia sendo hora de escolher a sua prometida. 
Agora, antes que começasse a temporada, assim poderia escolher à dama que melhor conviesse, sem deixar nenhum fio solto, antes que a Sociedade tivesse notícias disso.
Antes que o destino tivesse a oportunidade de por o amor em seu caminho.
Tinha que agir com rapidez para ter o absoluto e completo controle sobre seu destino, algo que ele considerava uma necessidade e não uma opção.
Tormenta saltou, transmitindo a Charlie parte de sua impaciência. Controlando ao poderoso castrado, Charlie concentrou a atenção na paisagem que tinha diante de si. A um par de quilômetros, no mais profundo do vale, viam-se os telhados de ardósia de Conningham Manor, por cima dos ramos nus das árvores. Os fracos raios do sol nascente se refletiam nas janelas do edifício, uma brisa fresca arrastava a fumaça que emergia das altas chaminés isabelinas, dissolvendo-o com rapidez. Conningham Manor tinha existido quase tanto tempo como Morwellan Park.
Charlie ficou olhando a Mansão durante outro minuto, saiu de seu devaneio, afrouxou as rédeas de Tormenta e desceu a colina a galope.
 







Saga Familia Cynster
1-  Diabo
2- O Juramento de um libertino
3- Seu Nome é Escândalo
4- A Proposta de um libertino
5-.Um Amor Secreto
6. Tudo sobre o amor
7- Tudo sobre a paixão
7,5- A Promessa em um Beijo 
8- Uma Noite Selvagem
9- Sombras ao Amanhecer
10- A Amante Perfeita
11- A Noiva Ideal
12-  A Verdade Sobre o Amor 
13-  Sangue Puro
14- O Sabor da Inocência
15- As Razões do Coração - em revisão
16- O sabor da Tentação -    idem


Rendição



Laura Prescott, uma aristocrata bostoniana conhece o verdadeiro significado do que é se entregar quando se apaixona terna e apaixonadamente por um estranho: Jason Moram, seu marido.









Capítulo Um


Novembro de 1880, Boston.
Quão último esperava Jason Moram quando abriu a porta de sua biblioteca era a visão de sua esposa sendo beijada por outro homem. Talvez a esposa de alguém mais recorresse a encontros clandestinos, mas não a dele. Não havia segredos em Laura... Ou ao menos isso tinha pensado ele. Seus olhos negros se entrecerraram enquanto a sensação desconhecida dos ciúmes lhe congelava a boca do estômago.
O casal se separou de um salto logo que se abriu a porta. A leve música de Strauss se escutava flutuando da festa, dissipando qualquer ilusão de privacidade que os dois pudessem ter tido. Laura levou as mãos às bochechas pela surpresa, mas que não ocultou o fato de que tinha estado chorando.
Jason rompeu o silêncio com uma voz zombadora.
-Não é uma anfitriã atenta, querida. Alguns dos convidados estiveram perguntando por ti.
Laura alisou o cabelo castanho e se recompôs com uma velocidade milagrosa, assumindo sua habitual máscara inexpressiva.
-Não pareça tão ansioso, Perry, - disse ao outro homem, que tinha avermelhado a um tom escarlate. -Jason entende um beijo entre amigos, - seus olhos verdes piscaram em direção a seu marido. -Não é assim, Jason?
-Oh, entendo tudo a respeito dos... Amigos, - respondeu Jason, apoiando o ombro contra a porta. Nunca o tinha visto tão perigoso como nesse momento, seus olhos negros tão duros e brilhantes como diamantes. -Talvez seu amigo possa ser o suficientemente amável para nos permitir um pouco de privacidade, Laura.
Isso foi todo o impulso que Perry Whitton necessitou para escapar. Murmurando alguma desculpa, deslizou-se pela porta, puxando a gola alta e engomada de sua camisa, para facilitar o fluxo de sangue a seu rosto.
-Whitton, - meditou Jason, fechando a porta atrás da figura em retirada. -Não é a opção mais óbvia para um enlace romântico, não?
Perry Whitton era um solteiro tímido, de meia idade, amigo de algumas das mulheres mais influentes na sociedade de Boston. Tinha inumeráveis amizades femininas, mas nunca mostrou um interesse romântico por nenhuma delas. A aparência de Whitton era agradável, mas não ameaçadora, suas maneiras interessantes, mas não coquetes. Qualquer marido se sentiria completamente seguro em deixar a sua esposa em companhia de Whitton.
-Sabe que não se trata disso, - disse Laura em voz baixa.
Perry tinha sido um conhecido dos Prescott durante anos, o beijo tinha sido um gesto de simpatia, não de paixão. Quando Laura lhe deu a boas-vindas à festa, Perry tinha visto a tensão em seu rosto e a infelicidade sob suas cortesias sociais.
-Está tão bonita como sempre, - disse-lhe Perry amavelmente, - mas me atreveria a dizer que há algo que lhe preocupa.
Assim era em efeito. Laura não tinha intenção de lhe confiar seus problemas com Jason, mas para seu horror, deu-se conta que estava a ponto de chorar. Teria preferido morrer antes de fazer uma cena emotiva. Entendendo seu dilema, Perry a tinha levado a um lugar privado. E antes que pudesse dizer uma palavra, ele a tinha beijado.
-Jason, certamente não pode pensar que há sentimentos românticos entre Perry e eu, - disse em um tom cauteloso.
Estremeceu de inquietação quando seu marido se aproximou dela e lhe agarrou os braços.
-Você me pertence, - disse com voz rouca.- Cada centímetro teu - seus olhos percorreram o traje de noite de cetim que usava. – Seu rosto, seu corpo, cada pensamento. O fato de que eu não queira participar de seus favores não quer dizer que te permitirei que os conceda a qualquer outro homem. É minha e só minha.





14 de abril de 2015

A Soma de todos os Beijos

Quarteto Smythe Smith






Sarah Pleinsworth não consegue perdoar Hugh Prentice pelo duelo que travou há três anos e que quase destruiu sua família, resultando na fuga de seu primo e deixando o próprio Hugh com uma perna gravemente ferida. 

Tudo bem que Hugh não podia tolerar as maneiras dramáticas de Sarah. 
Mas quando os dois são forçados a passar uma semana juntos, acham que os beijos inesperados e a paixão mútua, poderiam fazê-los mudar de ideia.


Capítulo Um

Fensmore Nr. 
Chatteris Cambridgeshire Outono 1824
Lady Sarah Pleinsworth, veterana de três temporadas sem sucesso em Londres, olhou ao redor do salão de visitas de sua prima e anunciou. — Estou atormentada por uma epidemia de casamentos. Suas companheiras eram suas irmãs mais jovens, Harriet, Elizabeth e Frances, que, aos dezesseis, quatorze e onze anos, não estavam na idade de se preocupar com perspectivas matrimoniais. Ainda assim, poder-se-ia pensar que ofereceriam um pouco de simpatia. Poderia se já não estivesse familiarizada com as meninas Pleinsworth.
— Você está sendo melodramática. retomar seus rabiscos na escrivaninha. Sarah virou-se lentamente em sua direção. — Você está escrevendo uma peça sobre Henry VIII e um unicórnio e me chama de melodramática?
— É uma sátira. — Harriet respondeu. — O que é uma sátira? — Frances intrometeu-se.
—É o mesmo que um sátiro? Os olhos de Elizabeth se alargaram com prazer perverso. — Sim! — Exclamou ela.
— Elizabeth! — Harriet repreendeu. Frances estreitou os olhos para Elizabeth.
— Não é isso? — Respondeu Harriet, dispensando a Sarah um olhar fugaz antes de mergulhar sua caneta na tinta e  — Deveria ser. — Elizabeth replicou. — Dado que você a fez colocar um maldito unicórnio na história.
— Elizabeth! — Sarah não se importava que a irmã tivesse praguejado, mas como a mais velha da família, sabia que deveria se importar. Ou pelo menos, mostrar uma pretensão. — Não estava praguejando. — Elizabeth protestou.
— Foi um pensamento. Isso foi recebido com silêncio confuso. — Se o unicórnio sangrar. — Explicou Elizabeth — Então, a peça terá pelo menos uma chance de ser interessante. Frances engasgou.
— Ah, Harriet! Você não vai ferir o unicórnio, vai? Harriet deslizou uma mão sobre sua escrita. — Bem, não muito. O suspiro de Frances saiu como um estrangulamento de terror. — Harriet! — Será que é mesmo possível ter uma epidemia de casamentos? — Harriet disse alto, voltando-se para Sarah. — E se assim for, dois deles poderia qualificar isso?
— Qualificam. — Sarah respondeu sombriamente. — Caso ocorram com apenas uma semana de intervalo, e se por acaso estiver relacionado com uma das noivas e um dos noivos, e especialmente se foi forçada a ser a dama de honra em um casamento no qual... — Você só tem que ser dama de honra uma vez. — Elizabeth interrompeu.
— Uma vez é suficiente. — Sarah murmurou. Ninguém deveria ter que caminhar pelo corredor de uma igreja com um buquê de flores, a menos que ela seja a noiva, já tenha sido a noiva ou fosse muito jovem para ser a noiva. Caso contrário, isso seria muito cruel.
— Acho que foi divino que Honória tenha pedido a você para ser a dama de honra. — Frances jorrou.
— É tão romântico. Talvez possa escrever uma cena assim na sua peça, Harriet.
— Que boa idéia. — Respondeu Harriet. — Eu poderia introduzir um novo personagem. Vou fazê-la parecida com Sarah. Sarah não se preocupou em virar-se em sua direção.
— Por favor, não. — Não, vai ser muito divertido. — Harriet insistiu. —Um pequeno pedacinho especial apenas para nós três.
— Há quatro de nós. — Disse Elizabeth. — Oh, bem. Desculpe, acho que esqueci Sarah, na verdade. Sarah considerou esse indigno comentário, então torceu seu lábio.
— Meu ponto é... — Harriet continuou. — ...que vamos sempre lembrar que estávamos aqui juntas quando pensamos nisto. — Você poderia fazer parecida comigo. — Disse Frances esperançosa. — Não, não. — Harriet disse, acenando para ela.
— É tarde demais para mudar agora. Já tenho tudo na minha cabeça. A novo personagem deve se parecer com Sarah. Deixe-me ver... — Começou a rabiscar loucamente. — Cabelo espesso e escuro, com apenas uma leve tendência a enrolar. — Olhos escuros, insondáveis. — Frances propôs ofegante.
— Eles devem ser misteriosos. — Com uma pitada de loucura. — Disse Elizabeth. Sarah olhou ao redor para encará-la.
— Só estou fazendo minha parte. — Elizabeth hesitou. — E certamente vejo essa pitada de loucura agora. — Acho que sim. — Respondeu Sarah. — Não muito alta, nem muito baixa. — Harriet disse, continuando a escrever. Elizabeth sorriu e juntou-se a cantilena.
— Não muito magra, nem muito gorda. — Oh! Oh! Oh! Eu tenho uma! — Frances exclamou, praticamente saltando ao longo do sofá. — Não é muito rosa, não muito verde. Isso esfriou a conversa.
— Perdão? — Sarah finalmente controlou-se. — Você não se embaraça facilmente. — Explicou Frances. — Portanto ruboriza muito raramente. E eu só vi você ficar enjoada apenas uma vez e foi quando todas nós pegamos aquele peixe ruim em Brighton.
— Por isso, o verde. — Harriet disse com aprovação. — Muito bem, Frances. Isso foi muito inteligente. As pessoas realmente ficam esverdeadas quando estão enjoadas. Gostaria de saber por que isso acontece. — Bile. — Disse Elizabeth.
— Nós devemos ter esta conversa? — Sarah perguntou. — Não sei por que está de mau humor. — Disse Harriet. — Não estou de mau humor. — Você não está de bom humor. Sarah não se preocupou em contradizer.
— Se fosse você... — Harriet disse. — ...eu estaria flutuando no ar. Poderá caminhar até o altar. — Eu sei. — Sarah caiu de volta no sofá, o lamento de sua sílaba final aparentemente forte demais para que permanecesse em posição vertical. Frances se levantou e foi para o lado dela, olhando para baixo sobre o sofá.
— Não quer caminhar até o altar? 
 







Quarteto Smythe Smith
1- Assim Como o Céu
2- Uma Noite Como Esta
3- A Soma de todos os 
4 - Sem previsão por parte da autora

Anjo do Amor



O jovem conde de Chadwood abriu os olhos, depois de ter ficado dias entre a vida e a morte, e não reconheceu o quarto onde estava. 

A escuridão era quebrada apenas pela ténue luz de pequenos candelabros. 
Um perfume suave chegava até ele como uma carícia. 
Quando olhou para o lado encantou-se com um rosto alvo, emoldurado por cabelos dourados, e grandes olhos brilhantes que pareciam duas estrelas no céu. 
Por um momento achou que fosse um anjo, mas logo reconheceu Olívia, a jovem que ele ameaçara expulsar de Chad, sua mansão ancestral!

Capítulo Um

1824
Olívia olhou dentro de sua bolsa e deu um suspiro. Constatou que estava quase sem dinheiro.
Mais cedo ou mais tarde teria de se dirigir ao novo conde de Chadwood.
Esperara que ele fosse visitá-la ou, ao menos, que a convidasse para ir a Chad.
Porém, até aquele momento, não tivera notícias da Casa Grande. E considerara de mau gosto impor sua presença logo após a chegada do novo conde.
Afinal, tudo seria difícil para ele, pois jamais imaginara herdar o título.
Primo distante do último conde, o quinto, exercia suas funções militares na índia, quando recebeu a notícia da morte do velho primo e dos dois filhos.
Os primos William e John velejavam, e o barco foi dado por perdido. Iam para Cornwall, onde possuíam uma propriedade. Ousadamente, partiram em dia de grande temporal.
Os dois morreram afogados, e a notícia causou um golpe fatal ao velho pai, já muito doente.
E todos na propriedade do conde ficaram consternados.
Amavam William e John. Viram-nos crescer, e dedicavam-lhes a mesma afeição que tinham por seus próprios filhos.
Olívia custou a acreditar que os rapazes haviam morrido. Gostava deles como irmãos e faziam parte de sua vida desde que nasceram.
Após a morte do velho conde, passou-se um ano até o novo conde voltar da índia. Ninguém sabia nada sobre ele, exceto que era primo do antigo dono.
Os habitantes da aldeia tiveram esperança de que as coisas caminhassem normalmente.
Os velhos empregados de Chad cuidavam da Casa Grande como se lhes pertencesse. Os arrendatários e trabalhadores dos campos lutavam para fazer das fazendas a inveja de qualquer proprietário de terras vizinhas.
Para Olívia, o último ano fora muito triste. Não apenas por causa da morte do velho conde, do qual se lembrava sempre com carinho, mas pela morte de seu próprio pai.
Pastor da aldeia, o pai de Olívia percorria longas áreas em seu coche puxado por um único cavalo, a fim de visitar os paroquianos doentes.
Um dia, numa curva da estrada, um enorme faetonte com quatro cavalos colidiu com seu pequeno veículo. O condutor do faetonte estava bêbado. Sobreviveu ao acidente, mas o pastor morreu.
O reverendo Arthur Lambrick cuidara dos moradores do local e do conde por vinte e cinco anos.
Muito inteligente e simpático, tivera, contudo, dificuldade em se recuperar depois da morte da esposa. Ela falecera um ano antes, em consequência de uma epidemia que assolara a aldeia.
Todos diziam ser esse o início de uma nova praga. E afirmavam ser o castigo de Deus à maldade e imoralidade reinante em Londres.
A epidemia matou muitos velhos e também a linda e amada esposa do pastor. Olívia, com apenas dezenove anos de idade, encontrou-se sem o amparo do pai e da mãe. 
Moravam com ela a irmãzinha Wendy e o irmão Anthony, que só aparecia no período de férias escolares. Tony, como era conhecido, terminara o curso secundário em Eton.
O velho conde prometera mandá-lo a Oxford, onde o pastor também estudara. As aulas começariam em outubro e Olívia rezava para que o novo conde cumprisse as promessas de seu antecessor.
Ela contou novamente o dinheiro da bolsa, e viu que não tinha quase nada. Pegou meia libra, o salário da empregada Bessie correspondente a três semanas. Envergonhava-se por ter se atrasado no pagamento. E ainda precisava guardar algum dinheiro para a comida, e Tony tinha um apetite voraz.









29 de março de 2015

O Campeão de Lady Isobel





Durante os longos anos no convento esperando por seu prometido, lady Isobel de Turenne transformou o Conde D‘ Aveyron em uma fantasia, o homem que iria resgatá-la, protegê-la e amá-la. 

Mas quando finalmente retorna para buscar sua noiva, Isobel percebe que ele é uma pessoa de contradições, e que esconde seus desejos mais obscuros. 
Assustada por ter vivido tantos anos reclusa, mas desesperada para usufruir de sua liberdade, Isobel deve descobrir se é somente o dever que prende o conde a este casamento, ou se ele é realmente o marido de seus sonhos.

Capítulo Um

Outubro de 1173
Torre leste de Ravenshold — Condado de Champagne
Com a ponta da adaga, Lucien Vernon, conde d’Aveyron, cutucou o que suspeitou ser um pardal morto.
— Isso é o que estou pensando? — perguntou ele, inspecionando a mesa suja de restos.
Havia uma porção de ossinhos, várias asas de borboleta num pote de barro e em outro havia uma casca de árvore retorcida que Lucien achou que não veria em nenhuma outra cozinha ou enfermaria. O pilão estava lascado e mal se podia ver a superfície da mesa de tão repleta de insetos mortos, cabos de folhas, castanhas e frutos de carvalho.
— Seria um morcego seco? — sugeriu o amigo, sir Raoul de Courtney. — Ou talvez um sapo?
Ele estava examinando um jarro de vidro repleto de um líquido turvo com uma expressão de curiosidade no rosto que beirava o nojo. A luz do dia se esgueirava pela janela adornada por teias de aranha.
— Mon Dieu! — exclamou Raoul, examinando o líquido na luz e logo em seguida batendo o vidro na mesa, levantando uma nuvem de poeira. Curvou os lábios para baixo, evidenciando que o nojo tinha vencido a curiosidade.
— Deus do céu, Luc, você já não viu o suficiente? Vamos sair daqui.
Lucien passou a mão no rosto, tocando levemente a cicatriz áspera na têmpora esquerda com os dedos. A cicatriz vinha latejando desde que soubera da morte prematura de Morwenna e sempre que pensava nela.
— Desculpe-me, Raoul, pensei que poderia encontrar alguma coisa aqui, ou uma explicação da razão da morte de Morwenna. Eu contei a você que tive de subornar o padre Thomas para obter permissão para enterrá-la no cemitério?
Raoul meneou a cabeça, entendendo a dor do amigo.
— Ouvi alguns rumores de que estavam praticando bruxaria. Você imagina quem começou com isso dessa vez?
— Não. Eu esperava encontrar respostas aqui, mas... — Lucien balançou a cabeça, invadido por uma onda de arrependimento.
Se ao menos tudo tivesse sido diferente. Ele não via Morwenna havia pouco mais de dois anos. E agora ela havia partido. A culpa apertou-lhe o coração e o arrependimento deixara um gosto amargo na boca.
— Apesar de tudo o que você está vendo aqui, ela não era uma bruxa — disse ele, inclinando a cabeça na direção da mesa.
— Eu sei que não.
— Ela era apenas... obcecada. — Lucien respirou fundo. Aquele lugar rescendia a mofo. Cheirava a morte. Era como se o tempo tivesse parado na torre leste e tudo tivesse congelado a ponto de se dissolver. — Morwenna não estava tão obcecada no começo.
— Ela era bonita nessa época?
— Uma deusa. Ah, Raoul, se você a tivesse visto antes do nosso casamento...
— Sei que você não se envolve com bruxaria, Luc, mas fico impressionado como ela o enfeitiçou.
— Eu tinha 15 anos. — Lucien riu e encarou o jarro de vidro sobre a mesa. — Muitos jovens ficam enfeitiçados com essa idade. Se bem me lembro, você mesmo.
— Já entendi — Raoul o interrompeu, levantando a mão. — Não precisa trazer meu passado à tona. — Ele olhou para um punhado de nozes mofadas e deu de ombros. — Por Deus, você não vai descobrir nada aqui. Eu o aconselho a queimar tudo o que há nesta sala. Não seria bom que lady Isobel visse.
— Não há pressa — disse Lucien. — Lady Isobel só chega daqui a um mês.
— Ah, Luc... sobre isso.

Série Cavaleiros de Champagne
1- O Campeão De Lady Isobel
2- Os Segredos Dos Olhos De Lady - em revisão
3- The Knights of Champagne - não foi publicado no Brasil

Estigma do passado


Celeste e o conde entraram no esconderijo e a porta se fechou. Estranhas vibrações começaram a afetá-los tanto física quanto mentalmente. 

Lembrando-se do que acontecera à sua mãe, a jovem estremeceu.
Tinha horror de pensar num contato mais íntimo com um homem. 
Tinha horror ao amor por ser um sentimento incontrolável, um sentimento que fazia uma mulher perder a noção de decência. 
Por amor, sua mãe jogara fora todo um passado, o marido, os filhos! Celeste tinha de fugir, não podia se deixar dominar por esse homem perturbador. E foi aí, então, que o jovem conde a beijou e seus lábios sensuais a mantiveram cativa...

nota da autora : É autêntica a descrição do Rei George IV, de suas vestes e do banquete, feita neste livro. A Rainha Caroline faleceu a 8 de agosto, exatamente vinte e um dias após ter sido impedida de entrar na Abadia de Westminster.

Capítulo Um

Londres, 1821
Cantarolando baixinho, Celeste recolhia os últimos pêssegos da estação, armazenados no depósito erguido no pomar-, e encostado no muro elisabetano de tijolos vermelhos.
Um raio de sol, que entrava por uma fresta do cômodo mal conservado, tornava-lhe os cabelos refulgentes como ouro.
Os pêssegos, embora muito doces, estavam pequenos aquele ano, uma vez que os pessegueiros não haviam sido desbastados na primavera.
Saudosa, Celeste pareceu ter à sua frente a cena que se repetia invariavelmente, todos os anos, enquanto a mãe estivera com eles: o pai, pegando um dos pêssegos róseos do prato de porcelana de Sèvres, usada diariamente pela família, removia a casca aveludada da fruta com a faca de sobremesa, de ouro, e perguntava:
— Certamente todos os pêssegos bem graúdos foram reservados para a exposição, não é mesmo?
— É claro que sim! — Era a resposta da esposa sentada à outra extremidade da mesa. — Você sabe que o velho Bloss ficaria decepcionado se não ganhasse um premio!
Com um ligeiro estremecimento Celeste recompôs-se e afastou tais lembranças. Foi recolhendo os pêssegos e colocando-os na cesta, enquanto imaginava a quem faria presente dos mesmos.
A velha sra. Oakes, atacada de artrite e com setenta e oito anos, ficaria encantada com cerca de meia dúzia das frutas; o pequeno Billy Ives que havia quebrado a perna teria outro tanto; a velha esposa de Bloss, agora morando numa casinha ao fim da vila, exultaria não apenas com o presente, mas também com os dois dedos de conversa que teria com alguém, pois vivia muito só depois da morte do marido.
Ainda haveria muitos pêssegos para ela e Naná se fartarem; os que sobrassem se transformariam em geléia, a especialidade de Nana, mesmo havendo na despensa alguns potes de geleia da colheita anterior. Seria uma pena deixar as frutas se perderem.
Ao estender a mão para pegar um dos três últimos pêssegos da, prateleira, Celeste ouviu uma voz profunda atrás de si, vinda da entrada do depósito:
— Uma linda ladra, mas por certo uma ladra!
Quase morrendo de susto, ela virou-se e deparou com o cavalheiro mais elegante que já vira na vida! Trajava-se no rigor da moda, trazia a larga gravata bem alta no pescoço, o fraque tinha corte impecável e o mesmo se podia dizer da calça justa, cor de champanhe. Ele pareceu tão alto e dominador que o cômodo de teto baixo ficou pequeno demais para um homem como aquele estranho.









Noites de bailarina









Sozinha, sem meios para viver decentemente, Fiona foi trabalhar como bailarina num dos night-clubs mais chiques da cidade. 

Devia dançar com homens desacompanhados, carentes de amor e amizade. 
Uma noite, um desconhecido jovem e belo apareceu... Começaram a dançar abraçados, muito juntos. E ele a beijou, numa carícia doce, apaixonada. 
Cativa nos braços fortes que a cingiam, sentia-se embalada pela música, conhecendo emoções nunca antes experimentadas, sequer imaginadas! 
Neste momento, Fiona não se lembrava que era apenas uma dançarina de aluguel.

Capítulo Um

Lonfres, 1929
O motorista mantinha o capo do Rolls-Royce levantado e o motor funcionando, enquanto limpava o carro, assobiando a nova canção que nas últimas semanas tornara-se o maior sucesso em Londres.
Algumas crianças brincavam no pátio pavimentado com pedras arredondadas, à frente da garagem, tomando o sol da manhã.
Fiona revirou-se na cama estreita e finalmente acordou. Ficou deitada por uns minutos tentando voltar aos sonhos, mas gradativamente ganhou consciência da algazarra sob sua janela.
"Que barulho!", pensou, irritada, desejando poder encontrar um quarto barato como aquele, porém mais silencioso.
O pequeno cômodo que ocupava, com espaço suficiente apenas para a estreita cama de ferro, uma cômoda e o lavatório, só lhe era conveniente pelo baixo aluguel pago à esposa do motorista: dez xelins por semana.
Até a véspera esse era o aluguel máximo que podia pagar, porém na noite anterior começara num novo emprego com o magnífico salário de trinta xelins por semana.
Pensando no novo trabalho, teve de reconhecer que sua estreia fora um tanto penosa. Ao voltar para casa há menos de cinco horas, tinha os olhos ardendo por causa da atmosfera esfumaçada, as pernas doídas e os pés machucados devido aos sapatos novos comprados para a ocasião.
Apesar de tudo, sentia-se feliz e orgulhosa de ter sido a escolhida para a vaga, entre tantas candidatas, todas elas com a ansiedade no olhar, necessitadas que estavam de um emprego que as salvasse da penúria.
A vaga era de dançarina, ou "dance-hostess", no mais elegante restaurante do West End, o Paglioni, frequentado pela alta sociedade e pelos jovens da realeza.
Paglioni empregava duas dançarinas e um dançarino, ou "dancehost".
O trabalho dos três era estimular os presentes a dançar, desde os primeiros acordes da orquestra, até o fim da noite.
Os três dançarinos sentavam-se a uma mesa e qualquer cavalheiro que desejasse um par para a dança podia ser apresentado a uma das "dance-hostesses". O dançarino em geral apresentava-se às senhoras mais velhas, cujos maridos, ou devido à idade ou à apatia, não se entusiasmavam para aprender os passos dos novos ritmos, tirava-as para dançar.
O ambiente era respeitoso e exigia-se que o cavalheiro interessado em dançar com uma "dance-hostess" lhe fosse apresentado por Paglioni ou pelo "dance-host".
Na maioria dos restaurantes o salário dos dançarinos era de apenas dez xelins por semana e esses profissionais recebiam gorjetas de seus pares. Mas Paglioni teve a ideia de atrair mais clientes para seu restaurante cobrando apenas a refeição e as bebidas sem haver pagamento extra pela dança.









Renúncia



Enquanto seguia Beryl pela nave da igreja, segurando a cauda do vestido de noiva da prima, Torilla tinha a impressão de que ia morrer. 

No altar, Gallen esperava, mais bonito e elegante do que nunca. 
Torilla sentia uma vontade louca de correr para ele e dizer que estava disposta a fugir para bem longe dali, até o fim do mundo... se ele ainda a quisesse. Mas não podia roubar o noivo de Beryl. 
Não era capaz de ser feliz causando a desgraça da prima. Por isso, continuou andando atrás daquela que seria a esposa do homem que adorava. Ia como uma sonâmbula, rezando para que algum milagre acontecesse...

Capítulo Um

1816
A marquesa de Havingham disse, pegando num cálice de Madeira:
— Os médicos proibiram-me de beber álcool, mas tenho de festejar a tua chegada, querido.
— Sente algumas melhoras, mãe?
O marquês, ao fazer a pergunta, demonstrou uma ansiedade na voz, que não passou desapercebida aos ouvidos da mãe.
Ela habituara-se já a ouvi-lo falar num tom preguiçoso e arrastado, muito em voga entre os fidalgos e elegantes que rodeavam o Príncipe Regente.
Ela detestava, embora não o dissesse por prudência, a maneira de arrastar as palavras e de olhar o mundo por debaixo das pálpebras descaídas e arrogantes.
— Acho que a água, apesar de ser horrível, já me aliviou um pouco as dores — respondeu — mas acho Harrowgate aborrecidíssimo e, francamente, estou ansiosa por voltar para casa.
— Nesse caso, eu trago-lhe uma boa desculpa para se ir embora — disse o marquês.
A mãe olhou-o admirada enquanto ele, levantando-se da cadeira onde estava sentado, se ia colocar de pé, de costas para o fogão.
Os aposentos ocupados pela marquesa, no melhor e mais caro hotel de Harrowgate, eram muito agradáveis e o marquês reparou que a mãe tinha modificado o ambiente um tanto austero com alguns pormenores muito pessoais.
Havia um retrato dele, feito a óleo, uma miniatura sobre uma das mesas de cabeceira e muitos vasos com plantas de estufa — quase não conseguia imaginar a mãe sem as plantas.
Havia ainda almofadas macias, pousadas sobre sombrias cadeiras forradas de damasco e, mais importante ainda, lá estavam os pequenos cocker spaniel que o tinham recebido efusivamente à chegada.
— Isto está muito confortável — disse, lembrando-se, de repente, de que até um hotel pode ter as suas vantagens.
— Bastante — respondeu a marquesa. — Agora, Gallen, diz-me o que tens para me dizer; tenho a certeza, querido, que não fizeste esta longa viagem só para ver se estou bem instalada.
Ao falar, a marquesa envolvia o filho num olhar de admiração.Não havia nenhum outro, pensou, tão bem parecido, tão requintado no vestir e, ao mesmo tempo, tão marcadamente másculo.
Os fatos acentuavam-lhe os ombros largos e as ancas estreitas, mas, a verdade era que, por ser tão atlético, fazia o desespero dos alfaiates. Não estava muito em moda ter músculos tão fortes e flexíveis sob finíssimos casacos de bom corte.
O marquês era conhecido como excelente pugilista no Club Gentleman Jackson, em Bond Street, e era com dificuldade que encontrava alguém à sua altura no florete.









A Espiã de Staverly



Madrugada...Os candelabros em que ainda ardiam algumas velas lançavam sombras sinistras nos corredores silenciosos de Staverly. Nervosa, Otila ouviu um ruído do outro lado da porta e, rápida, ocultou-se atrás das cortinas. Se fosse encontrada descobririam que era uma espiã. 

Para sua surpresa, entram no aposento dois malfeitores subjugando seu patrão, Clint Wickham, o milionário americano. 
Pretendiam matá-lo ali mesmo! Sem pensar nos riscos que corria, Otila empunhou um revólver e atirou... 

Capítulo Um 

1882 
Tila olhou ao redor da sala de visitas e constatou que o papel de parede estava descascando num dos cantos. Uma mancha de umidade no teto, que não existia antes, fez com que Tila suspirasse de desgosto. Não havia chances de se restaurar o teto da sala, que como os outros iria se deteriorar aos poucos, até desmoronar. Tila sentia-se deprimida ao pensar nas condições da casa em que vivia. Caminhou até a janela e olhou para o maltratado jardim. 
 O único consolo eram os frondosos carvalhos do parque que nunca haviam apresentado tanta beleza! Narcisos, em grande profusão, espalhavam-se como um tapete de ouro debaixo das grandes árvores. A primavera costumava trazer sempre muita esperança ao coração de Tila, mas, a cada ano, a situação parecia piorar. Ela se questionara desesperadamente na noite anterior sobre como sobreviveriam. Não era só por ela, mas por Roby e os dois velhos criados que ainda persistiam na casa. 
 O casal Coblin vivia em Staverly Park há quarenta anos. Ambos haviam iniciado suas atividades, ele como auxiliar e ela como leiteira na cozinha. Ao longo dos anos a sra. Coblin se tornou cozinheira dos pais de Tila e o sr. Coblin, o mordomo, que tinha três lacaios sob sua supervisão. A sra. Coblin tinha sob suas ordens três criadas que a auxiliavam na cozinha e duas na lavanderia. "Os anos dourados." Quantas vezes Tila ouvira esta frase e pelo que sabia os anos realmente tinham sido promissores. 
 Tila se lembrou de quando era criança. A casa era adorável e muito bem cuidada pela mãe. As carruagens, puxadas por cavalos fortes e de boa raça, ficavam à disposição na porta da frente. Os convidados eram sempre pessoas adornadas de jóias que brilhavam ao sol e suas roupas estavam na última moda. Para Tila, que espiava da balaustrada, aquelas pessoas pareciam ter saído de um conto de fadas. 
 A mãe, usando a tiara dos Staverly, sem dúvida parecia uma rainha. Tila não suportava estas recordações agora. Apesar da tiara permanecer na casa, a maior parte dos objetos de valor tinham sido vendidos. Tudo que restava eram os quadros dos ancestrais de Tila, resultado de herança da família. Os gabinetes de prata, a magnífica coleção de armaduras, e também as coleções de livros da biblioteca só permaneciam ali pela mesma condição de herança. 
— E qual será a importância desses objetos para o filho que jamais terei condições de sustentar — fora a pergunta furiosa de Roby na última vez que a visitara. Ele vivia em Londres a fim de gozar da companhia dos amigos e de se divertir, mas para isso não tinha dinheiro. As anfitriãs adoravam convidar um barão bem-apessoado e descomprometido para suas festas. Mas a mesma disposição de espírito não se aplicaria a uma moça que não podia nem mesmo se sustentar. Por esta razão, Tila resolveu ficar no campo. 
Na ocasião não se importou com o fato, pois ainda tinha seu cavalo para cavalgar. Mas agora, sem dinheiro suficiente nem para comprar alimentos, Tila começava a ficar desesperada. Sabia que era perda de tempo pedir ajuda a Roby. Ela tinha certeza, apesar do irmão não querer admitir, que ele se encontrava em débito até mesmo com o alfaiate. Nem Roby, nem Tila podiam recorrer à ajuda dos parentes, pois ou já estavam mortos ou se encontravam em situação igual à deles.



Casamento em Nova York








Herdeira da maior fortuna dos Estados Unidos, Virgínia tinha tudo para ser uma das moças mais invejadas do mundo. Por ser feia e gorda, porém, era desdenhada por todos. 

Sua mãe, dama esnobe e autoritária, não lhe dedicava amor nem carinho. 
A rica senhora, desejosa de um título de nobreza, para se impor ainda mais às amigas, chegou ao cúmulo de "vender" a filha a um duque inglês, dando-lhe em troca um dote de sete milhões de dólares. Virgínia foi obrigada, então, a casar-se com um homem desprezível, ambicioso e falido!

Capítulo Um

1902
— Não vou me casar com um homem que nem conheço, mamãe! Não vou, não vou, não vou! Não pode me obrigar!
— Virgínia Stuyvesant Clay, você vai fazer o que eu mandar! — replicou uma voz áspera.
A sra. Clay levantou-se com impaciência, andou pela enorme sala decorada com exagero, e encarou a filha.
— Sabe o que está dizendo, menina? Recusa casar-se com um inglês que muito breve será duque! Um duque! Ouviu bem? Há apenas vinte e seis duques na Inglaterra, e você será duquesa. Isso dará uma lição à sra. Astor que me olha por baixo, como se eu fosse uma "ninguém". O dia que eu vir você saindo da igreja como futura duquesa acho que vou morrer de alegria!
— Mas, mamãe, ele nem me conhece! — queixou-se Virgínia.
— Que tem isso a ver com o caso? Estamos em 1902, é verdade, no começo de um novo século, mas na Europa casamentos ainda são arranjados pelos pais dos noivos, e dão certo.
— Você sabe, mamãe, que o marquês quer se casar comigo por dinheiro, nada mais.
— Que modo ridículo de falar, Virgínia — respondeu a mãe.
— A duquesa é velha amiga minha. Há mais ou menos dez anos seu pai e eu a conhecemos numa viagem à Europa, e ela amavelmente nos convidou para um baile em seu castelo.
— E vocês pagaram a entrada — interrompeu-a Virgínia.
— Isso não vem ao caso. Foi um baile de caridade, e nunca escondi. Continuei ajudando-a em suas obras sociais e ela sempre se mostrou muito grata a mim.
— Gosta de seu dinheiro, mamãe!
— Mantemos correspondência regularmente, mando-lhe presentes pelo Natal e ela agradece. Escreveu-me perguntando se eu tinha uma filha na idade de casar. Então, senti-me recompensada pelos milhares de dólares que lhe tenho enviado ano após ano. Agora começam a ser pagos os dividendos.
— Mas eu não desejo ser esses dividendos, mamãe. E, embora a duquesa seja encantadora, você nem conhece o filho dela.
— Vi fotografias e me parece um rapaz muito simpático. Não é um menino, fez vinte e oito anos já. Um homem, Virgínia. Um homem para cuidar de você e de toda essa incalculável fortuna que seu pai lhe deixou.
— Oh, mamãe, vamos entrar nesse assunto outra vez? Você é rica, muito rica, e a razão de papai ter deixado seu dinheiro dividido igualmente entre nós duas não importa.
Quanto a mim, pode ficar com tudo. Aí, só quero ver se esse marquês ainda vai se interessar por mim.
— Virgínia, você é a criatura mais ingrata do mundo! Tem a oportunidade de realizar o sonho de todas as moças, casando-se com um dos homens mais importantes da Inglaterra; na verdade, do mundo! Pode imaginar o que suas amigas dirão? Pense em Millie, em Nancy, em Gloriana. Vão ficar verdes de inveja! Você será convidada para ir ao Buckingham Palace, jantará com o novo rei e a rainha. Usará uma coroa na cabeça.
— Uma tiara, mamãe!




17 de março de 2015

Filhos de Outra Terra



A Inglaterra explora as colônias americanas com impostos opressivos, para manter sua guerra com a França. 

Chester Clayton, de pai americano e mãe inglesa, irá juntar-se aos rebeldes para defender seu país da tirania britânica e acaba prisioneiro em uma fazenda na Virginia. 
Terry Darnell, sobrinha dos Rains, os proprietários da fazenda Ireland, vive com eles desde que ficou órfã. 
O encontro entre os dois desencadeará paixões e ódios, mas Chester não consegue evitar de se sentir atraído pela mulher que o irrita e seduz, ao mesmo tempo. 
Uma reviravolta inesperada faz dele o capitão do exército colonial e é forçado a salvar as vidas daqueles que o mantiveram como escravo. Clayton consegue que toda a família fuja para a Inglaterra. Mas não está disposto a deixar que Terry fuja com eles. 
Tem outros planos para sua inglesa indomável. 

Capítulo Um

1774, Rhode Island 
Ele observou Yorktown através da neblina leve que cobria o mar nessas primeiras horas da madrugada. Os marinheiros do Embers estavam ocupados arrebanhando velas e percorrendo o convés molhado sob os olhos febris do seu mestre, sem se preocupar se o prisioneiro estava vivo ou morto. Na verdade, davam pouca ou nenhuma atenção se todos nós viveríamos ou morreríamos. 
A existência de um prisioneiro condenado à prisão perpétua não valia nada para aqueles homens, acostumados a lutar, constantemente, em seus porões, com os presidiários. No entanto, Chester ainda estava vivo. Apesar de tudo, respirava, e era a dor que o mantinha acordado. 
A dor e o vento frio que descia sobre seu corpo dilacerado. Tinham se passado horas desde que teve os braços pendurados no mastro, e seu próprio peso, apenas tocando o convés sujo, ameaçava desmembrá-lo. 
No início, a dor era insuportável e sob o impacto do navio, que travava uma luta contra um mar em fúria, teve que morder o lábio para aliviar a dor. Em seguida, uma vez que a angústia enlouquecedora se transformou em uma picada maçante, acabou por entorpecer suas articulações. 
Tentou não pensar, esquecer sua escravização e os fatos que o levaram a tal humilhante situação. Mas todas as suas memórias convergiram a cinco de março, em Boston... 
Boston. 1770. 
Quatro anos antes Dick Robertson entrou como um furacão no quarto que ocupava havia dois meses com seu amigo. Chegou afobado e alegre. Chester olhou para os esboços que estudava e que, desordenadamente, cobriam sua pequena mesa de trabalho em um canto da sala. 
Um dia atrás, discutiu com seu professor e estava disposto a mostrar-lhe que era capaz de pôr fim a esses planos no prazo de quarenta e oito horas. As dependências da Universidade de Harvard, construída por volta de 1636, garantia-lhes uma acomodação confortável para os estudos. Mas tanto ele como Dick preferiram alugar este quarto e dormir fora dos muros de Harvard. 
Não foi uma decisão fácil por causa da oposição por parte do conselho da Universidade e suas próprias famílias, que quase os fez desistirem. E talvez fosse sua teimosia, o que levou Dick à morte naquele dia triste e cinza no mês de março.
- Levanta sua bunda, Chester! - Ele pediu. -O povo está fazendo manifestações nas ruas! Chester se remexeu na cadeira. Tinham esperado essa reação durante muito tempo. Em 1765, quando eram apenas crianças, encenaram sua primeira fuga de casa. Eles concordaram em se juntar a um punhado de homens que decidiram protestar contra o governo britânico. 
Os custos da guerra que a Inglaterra travava com a França levaram-nos a criar uma nova taxa: o imposto sobre o selo. 


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