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8 de março de 2017

Dilema


É possível renunciar a tudo por uma ilusão?

O amor seria uma recompensa suficiente? 
O que seríamos capazes de deixar para trás quando as consequências podem ser nefastas? 
Até onde está disposto a arriscar? 
Estes são os dilemas aos quais se enfrentam os protagonistas desta história. 
Sua vida é perfeita. 
Tem tudo o que um homem pode desejar: família, amor, riquezas… 
Então, pode um instante, um só beijo, dar uma virada na sua existência e arrasar com todas suas convicções? Afastada da agitada Londres, Ayleen faz uma tentativa para recuperar sua vida. No campo encontra tudo o que andava procurando… inclusive mais. 
Quando o que mais deseja está proibido, quando o homem que ama pertence a outra mulher, se resignará a deixá-lo escapar?

Capítulo Um

Inglaterra, 1875.

Estava cansada e fazia frio, mas não o suficiente para impedir um passeio que vinha postergando. Foram dois dias de limpeza exaustiva e arrumação da moradia, sem contar as preparações prévias desde sua Londres natal.
Não era nem meio-dia, quando, sem pensar muito, pegou as luvas, o chapéu e um casaco, para deslizar furtivamente pela casa tentando escapar.
Virou-se quando já se afastara alguns metros e olhou para aquela que a partir daquele momento, seria sua nova casa. Claros, só se viam as janelas da fachada posterior, todas abertas para afastar o acúmulo da poeira que o carpinteiro provocava. Mesmo de fora podia ouvir com clareza as rítmicas marteladas com a finalidade de consertar as velhas persianas.
Sentia um pouco de culpa ao deixar os outros trabalhando, mas necessitava respirar um pouco de ar e tinha curiosidade de saber para onde a conduziria o pequeno caminho — apenas visível — que se adentrava no bosque à frente. Não que estivesse vivendo em meio ao nada, mudara-se para o condado de Buckingham, nos arredores de Greenville, uma pequena povoação muito afastada da agitada e movimentada cidade. Acreditava ter feito o melhor quando tomara a decisão de viver em um lugar rodeado de bosques, campos de cultivo e tranquilidade.
Afastou-se caminho adentro, tomando a precaução de não sair dele. Não conhecia aquelas paragens e não desejava se perder, se bem, que seria gratificante encontrar um agradável lugar para poder se sentar e ler, embora, no momento não trouxesse um livro, mas já imaginava um lugar ensolarado no qual pudesse deixar correr o tempo e usufruir de um agradável momento de leitura.
O bosque não era frondoso, mas dotado de suficiente intimidade e não ouvia outros sons que não fossem os dos pássaros. Esperava que se houvesse dono não fosse encontrá-lo. Acreditava não fazer nada errado, ainda que não pudesse prever.
 Sua pequeníssima propriedade, que só constava de uma casa de dois andares, um jardim minúsculo e alguns canteiros na parte traseira, estava no começo do tal bosque, bem ao lado do caminho principal que conduzia ao povoado. A propriedade vizinha, segundo lhe informaram, pertencia ao duque de Redwolf, mas, o terreno era tão grande que seria impossível divisar a mansão, até mesmo os imensos portões de ferro que se abriam para o caminho e que divisara no dia de sua chegada.
“Talvez este bosque também lhe pertença”, pensou desanimada. Se a proibissem de andar por ali, teria que limitar seus passeios, o que não era bem o que desejava.
Abotoou melhor o casaco, quando uma rajada inesperada de vento gelado a alcançou. Mesmo brilhando numa agradável e clara manhã, as copas das árvores impediam que o sol esquentasse. 
Por um momento observou as luvas, de um cinza escuro, da mesma cor que o casaco. Sabia que não representava a personificação da elegância, mas, quando as comprou não pensou naquilo. 
Andava há muito tempo sem pensar em suas próprias necessidades e pensou que continuava sendo jovem e o período de luto já havia passado, e que prometera, a si mesma, renovar seu vestuário quando estivesse instalada.
Pensar naquilo a deixou triste, como não podia deixar de ser. Tinha transcorrido dois anos desde a morte de seu pai, mas, ainda sobrevinham lágrimas a cada vez que pensava nele. No entanto, em cada ocasião experimentava uma primitiva sensação de liberdade e ao mesmo tempo a sensação de culpa.
Durante cinco anos cuidara dele e só agora conseguia encaminhar sua vida, para um futuro mais ou menos agradável. Aos vinte e quatro anos já podia ser qualificada como uma solteirona, mas mantinha a esperança de encontrar algum viúvo com filhos, agradável, o suficiente, para que pudesse pensar em uma vida ao seu lado. 
Para trás ficaram seus sonhos e esperanças. Só o presente poderia determinar o tipo de futuro que teria.
Na sua juventude estivera ansiosa para que chegasse a sua apresentação, o acontecimento mais esperado por ela e suas amigas. E um mês antes, quando já tinha em mãos seu precioso vestido de seda, aconteceu o inesperado: Arthur Blake sofreu um acidente de carruagem enquanto voltava para casa de uma de suas viagens de negócios.
Veja Vídeo do lançamento
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