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17 de julho de 2017

Resgatada pelo Guerreiro das Terras Altas

Clã MacKinloch
Celeste de Laurent está determinada a nunca mais viver na pobreza. 

Depois de sacrificar o amor por um casamento seguro, ela agora está a perder tudo como uma viúva. 
Sua única esperança é ter um herdeiro. E que melhor homem para ser o pai de seu filho — e salvá-la de um destino terrível — do que Dougal MacKinloch, o único homem que ela sempre amou?

Capítulo Um

Eiloch, Escócia, 1312
— Ela pretende livrá-la de seu filho, minha senhora — sussurrou sua criada, Síla, ao seu ouvido, olhando para a taça sobre a mesa.
— Não beba de nenhum copo que ela lhe der.
Celeste de Laurent, Lady de Eiloch, manteve seu rosto inexpressivo, embora o perigo fosse real. Agora que seu marido estava morto, seu irmão mais novo, Lionel, tornou-se herdeiro.
Mas só se ela não tivesse um filho.
Sua esposa, Lady Rowena, queria assegurar que nada ameaçasse a herança do marido. O cálice foi provavelmente misturado com ervas para forçá-la a abortar se estivesse grávida.
— Deixe-nos — ordenou Rowena. A criada obedeceu, mas lançou outro olhar de advertência em direção a Celeste.
A taça continha um vinho temperado e Celeste brincou com a taça, seguindo o dedo pela borda de prata. Mas ela deu ouvidos ao aviso de sua empregada e não bebeu.
— Você faria bem em deixar Eiloch — Rowena disse, seu rosto plácido com um sorriso suave. — Casar com outra pessoa e dar a meu marido as terras que lhe pertencem.
— Não tenho nenhum desejo de voltar a casar. Celeste se endireitou no assento, olhando para o vinho escuro. — Eu permanecerei aqui, como é meu direito.
— Por que você ficaria onde não é querida? — Seu olhar centrou-se na cintura de Celeste. — Você pode ter direito a um terço da propriedade de Lord Eiloch, por lei. Mas isso não significa que você deve morar aqui, dentro dessas paredes. — Seu sorriso se tornou ameaçador. — Há outros lugares dentro de nossa propriedade onde você poderia ir.
Outros lugares, menos desejáveis, ela não disse. — Eu posso estar carregando o herdeiro de Edmon — disse Celeste, recusando-se a recuar. — Até que eu tenha certeza, você não tem direitos.
Uma vez que tinha vindo a notícia da morte de Edmon, Rowena e Lionel tinham descido sobre Eiloch como um enxame de gafanhotos. A ameaça de uma gravidez era tudo o que Celeste tinha para defender seu direito de permanecer em sua casa. Suas mãos foram para seu ventre, orando em silêncio para que ela tivesse vivificado com a semente de seu marido. Um filho poderia mantê-la a salvo dos urubus que circulavam — mas ela se preocupava com sua própria segurança.
— Tente ficar aqui, e cuidarei para que sua vida seja uma miséria — advertiu Rowena. — Você não receberá nada de nós e viverá às margens de nossas terras, entre os arrendatários. — Ela se aproximou, seus olhos escuros decididos. — Será como era a sua vida antes de se casar com Edmon, ou você esqueceu?
Celeste fingiu não ter ouvido as ameaças de Rowena. Mas mesmo assim, um arrepio percorreu seu sangue, lembrando-se dos anos de fome e de como ela e sua irmã se haviam amontoado para se aquecerem nas noites de inverno.
Ela agarrou o cálice, como se pudesse absorver força da prata. — Não, eu não esqueci. — Ela escolheu esse casamento para escapar das lembranças.
— Edmon nunca deveria ter se casado com uma mulher como você, você não sabe nada do que significa ser senhora de um castelo.
Ela não negou. Durante seu breve casamento, ela tentou aprender, mas as complexidades de governar as pessoas e administrar os aluguéis a haviam dominado. Edmon não tinha escolha a não ser assumir as responsabilidades por conta própria. Ele deveria ter casado com uma rica herdeira normanda, que teria trazido terra e ouro para seus cofres. Em vez disso, ele a havia escolhido, a filha de um escocês de baixo nascimento.
Edmon a desejara e ela usara descaradamente sua aparência para prendê-lo em matrimônio. Seu casamento tinha sido seu meio de escapar da pobreza de sua infância, uma forma de manter sua irmã segura.
E agora, ela poderia não ter nada.
— Você não carrega nenhuma criança dentro de seu ventre — Rowena previu. — E dentro de uma quinzena, vamos saber a verdade. desaparecido daqui — replicou Celeste. — Porque eu carrego uma criança.
— Você não poderia saber disso. — Rowena se serviu uma taça de vinho. — E quando se provar que você não está grávida, sua irmã vai sair com você.
Celeste não tinha certeza de que Rowena tivesse permissão para forçá-la a sair do castelo, por lei. Mas ela não iria provocar a mulher para tentar.
— Você não gostaria que Melisandre sofresse, não é?
Celeste ficou rígida ante a ameaça. Sua irmãzinha mal tinha mais do que treze anos.
— Ela é apenas uma menina.
— Ela é. E se você insistir em ficar aqui, ela vai aguentar o mesmo destino que você. — A expressão calma de Rowena não revelou nenhum remorso.
Melisandre era a única família que Celeste possuía e não podia permitir que ninguém a ameaçasse. A resolução de ferro endureceu sua espinha dorsal e ela entendeu agora que tudo dependia de ela ter um filho. Uma criança significava santuário, um meio de proteger aqueles que amava. Isso significava mantê-la em casa em Eiloch e se livrar de Lionel e Rowena.
  








Clã MacKinloch
1 – Reclamada por Seu Marido
2 – Esquecida por Seu Marido
2.5- Desejando o Toque do Highlander
3– Voz do Coração - Brumas do Silêncio: traduzido
3.5- Resgatada pelo Guerreiro das Terras Altas 
Série Concluída


Desejando o Toque do Highlander

Clã MacKinloch
Quando Alys Fitzroy, Lady de Harkirk, encontrou Finian MacLachor o prisioneiro de seu brutal marido, acorrentado, algo no guerreiro ferido a fez libertá-lo. 

Ele deveria ser seu inimigo, mas ao contrário, o Highlander despertou nela um desejo que ela jamais houvera experimentado em seu leito matrimonial...
As cicatrizes de Finian são provas da culpa de seu passado e de tudo que ele perdeu. Mas agora, com a ajuda de Alys, ele tem uma segunda chance de lutar pelo seu clã. E em troca, mostrar a lady forte e corajosa às noites de inacreditável prazer que ela está perdendo!

Capítulo Um


Escócia, 1306
Finian MacLachor estava morrendo lentamente de frio. Despojado de suas roupas, ele não usava nada, a não ser às calças. Suas roupas haviam sido retiradas. O barão de Harkirk, Robert Fitzroy, ordenou que ele fosse chicoteado e naquele momento Finian estava aprisionado, dentro de uma câmara de armazenamento.
Suas costas estavam nuas e ensanguentadas. As grossas correntes que cercavam seus pulsos impossibilitavam sua fuga. Ao amanhecer, ele morreria.
Finian sabia que o barão não lhe daria uma morte rápida. Eles o tomariam como exemplo para aterrorizar os outros escoceses que se atrevessem a se levantar contra as guarnições inglesas.
O ar gelado se infiltrou em sua pele, lentamente tirando sua capacidade de sentir, então a sua mente se acalmou. Você não merece viver. Por causa de você, a maioria dos MacLachors estão mortos. Incluindo sua própria filha.
Finian fechou os olhos, o nó estrangulando seu coração. Era tarde demais para salvá-la. Suas mãos se enrolaram contra as correntes, agarrando-as com força enquanto tentava arrancá-las do muro de pedra. Teria Iliana morrido acreditando que ele havia se esquecido dela? A garota acabara de completar dez anos.
De joelhos, ele fez uma oração pela alma da menina. Duvidava que pudesse viver tempo suficiente para vingar a morte dela, mas não iria morrer tão facilmente. Se Deus quisesse, mataria Harkirk antes que isso acontecesse.
O som de passos se aproximando o fez se perguntar se já havia amanhecido. Finian levantou-se e ficou de pé, esperando. Quando a figura encapuzada emergiu, ele logo percebeu que era uma mulher. Intrigado, se perguntou por que ela iria entrar em um lugar como aquele? O que ela queria?
Finian abaixou a cabeça, comportando-se como se não a tivesse visto. Era mais fácil lutar com um inimigo se agisse de surpresa. Ela ainda estava na escada quando através da sua visão periférica ele pode vê-la melhor.
Seu cabelo castanho claro brilhava como ouro, ela pareceu surpresa ao vê-lo. Finian nada disse, aguardando que ela falasse. Seus olhos analisavam as correntes do prisioneiro, quase incerta do que devia fazer, às chaves descansavam na palma da sua mão. Ela estava planejando libertá-lo? Ele duvidava que uma estranha pudesse demonstrar tanta misericórdia.
O guerreiro esperou que ela partisse, aquele não era um lugar para uma mulher. Em vez disso, os passos dela se aproximaram, descendo os degraus de pedra. Finian permaneceu imóvel, e então ela ficou diante dele, ele estava consciente do seu próprio tremor. As correntes tremiam, apesar de seus punhos cerrados. E embora o sangramento houvesse parado, sua pele latejava intensamente.
— Se eu o soltar você promete que não irá me machucar? 
  








Clã MacKinloch
1 – Reclamada por Seu Marido
2 – Esquecida por Seu Marido
2.5- Desejando o Toque do Highlander 
3– Voz do Coração - Brumas do Silêncio: traduzido
3.5- Resgatada pelo Guerreiro das Terras Altas

22 de janeiro de 2017

Alma de Guerreiro

Série Guerreiros da Irlanda



Lutando por honra e amor!

A fugitiva e o guerreiro!

Ao fugir de seu casamento arranjado com um rei cruel, lady Carice sabia que seus dias estavam contados. 
Ela jamais desejara um homem... até conhecer o soldado normando Raine de Garenne. 
Logo Carice passa a sonhar em entregar-se a essa paixão, mesmo que apenas por uma noite.
Raine está em uma missão: matar o rei ou suas irmãs sofrerão as consequências. Porém, quanto mais se aproxima de seu objetivo, mais perto fica de trair o amor que sente por Carice.

Capítulo Um

Irlanda — 1172
Carice Faoilin não tinha medo de morrer.
Ela estava doente havia tanto tempo que já não sabia mais como era se sentir uma mulher normal. Não se lembrava do que era acordar sem dor, ou andar ao sol e aproveitar o dia simplesmente. Na maioria dos dias, tinha apenas as paredes para olhar, confinada que estava à cama, fraca demais para se mexer.
Até agora.
De um dia para o outro, sua casa foi invadida por soldados, exigindo que ela cumprisse o acordo matrimonial. Carice tinha de acompanhar a comitiva e seguir ao encontro do Grande Rei do Eire, Rory Ó Connor, para se casar. O Grande Rei tinha uma péssima reputação e poucas mulheres queriam se casar com ele, inclusive ela mesma.
Talvez fosse melhor obedecer às ordens do Grande Rei como qualquer outra mulher faria. Entretanto, Carice nunca foi do tipo obediente. Na verdade, se seu pai ambicioso tivesse lhe dado escolha, ela jamais teria aceitado o casamento.
Ela estava decidida a não ceder e se oferecer como um cordeirinho para sacrifício, mesmo se acabasse morrendo ao tentar escapar. E as chances de isto acontecer eram grandes.
Mesmo usando uma bengala, improvisada com um galho, cada passo era uma dificuldade, parecia que seu corpo pesava muito mais do que na realidade. Mesmo assim, ela adentrou a floresta escura para fugir. Uma voz interna insistia em avisá-la: Você não tem forças para chegar a um abrigo. Você vai morrer esta noite.
Carice calou a voz. Fazia tanto tempo que vivia com a possibilidade de uma morte iminente, que diferença faria àquela altura? Não adiantaria nada se preocupar demais ou de menos. Por isso, ela lutou por cada passo, cada suspiro, vivendo o momento presente como se fosse o último.
Se bem que a possibilidade de aquele ser seu último dia era grande, ainda mais se não encontrasse abrigo logo. O frio piorava a cada passo. A neve aumentava a cada rajada de vento. Carice apertou a capa ao redor do corpo, apoiando-se na bengala improvisada. Seus pés estavam congelados e as mãos perdiam os movimentos rapidamente. 
Ela não sabia precisar havia quanto tempo que estava andando e rezando para encontrar um lugar quente para dormir. Por favor, preciso encontrar um abrigo não muito longe.
As preces foram ouvidas, pois, quando ela saiu da floresta e aventurou-se por um campo aberto, viu na direção do horizonte, iluminado pela lua, um castelo circundado por muralhas altas.
Ao se aproximar, ela viu que não era um castelo, mas sim um mosteiro. Contudo, nunca tinha visitado o lugar, apesar de estar a apenas alguns dias de viagem de Carrickmeath, onde ela morava. E naquele momento, o mosteiro concretizava suas esperanças de se abrigar. Não sei se consigo chegar até lá. Carice sentia dores pelo corpo inteiro, sem contar que estava morrendo de fome. A distância parecia muito maior do que era na realidade.
Se não continuar andando, vou congelar, ela pensou. E morrer congelada devia ser horrível, portanto, não era uma opção válida. Assim, ela continuou dando um passo após o outro com o incentivo da lembrança de que já havia percorrido uma distância razoável.
Assim sendo, continuou andando através do vale coberto pela neve, contando cada pisada. Suas pernas estavam trêmulas de exaustão, mas ela continuou a forçá-las. 
Enquanto andava, imaginava se os monges daquela abadia lhe proveriam com um lugar para dormir e uma lareira para se aquecer. Ou pelo menos um canto onde ela pudesse desmaiar de exaustão. A promessa de um lugar para se aquecer a impulsionou a continuar andando e enfrentando a neve que caía incessantemente.
Mais um pouquinho, ela dizia para si mesma. Não pare.
Ao chegar na abadia, encontrou os portões abertos. Estranho. Um corvo grasnou e veio voando baixo para inspecionar sua presença. Dentro do pátio, era possível ver que um incêndio havia arrasado as fortificações externas, as estruturas de pedra estavam chamuscadas e em ruínas. Uma das construções, porém, estava em melhores condições, embora com danos visíveis, bem como uma torre redonda próxima.
— Há alguém aí? — gritou ela.
Nenhuma resposta e nem qualquer outro som. Ela andou pelo pátio aberto com os sapatos cobertos de neve. No cemitério havia quatro covas recém-fechadas. A neve cobria os montes de terra ao redor de cada uma delas. Carice fez o sinal da cruz e sentiu um frio correr por sua espinha ao imaginar o que podia ter acontecido ali. 
Será que todos os monges tinham morrido no incêndio? Os sinais evidenciavam que a abadia havia sido abandonada. Ela subiu os degraus que levavam à capela. Não havia sinal da porta de madeira que devia estar ali, e lá dentro estava escuro e frio. Pelo menos era melhor do que ficar do lado de fora, ela pensou. O fogo não tinha alcançado a capela, pois o cheiro diminuía à medida em que ela adentrava o local. Na extremidade oposta havia um altar com uma enorme cadeira.
Havia teias de aranha nos cantos das paredes e um aroma interessante chamou a atenção de Carice. Era um perfume suave de comida, um cervo assado, talvez. Ossos espalhados pelo chão e a lembrança de uma refeição quente aguçaram seu apetite. A sensação era de que ela jamais conseguiria saciar a fome recorrente que a torturava.
— Há alguém aqui? — Ela gritou novamente, afastando a fome do pensamento.


Série Guerreiros da Irlanda
1- Sangue de Guerreiro
2- Alma de Guerreiro
Série Concluída

23 de outubro de 2016

Sangue de Guerreiro

Série Guerreiros da Irlanda
Lutando por honra e amor!

Um jogo mortal!
Devido às cicatrizes físicas e emocionais, lady Taryn acreditava que ninguém a tomaria como esposa.
Ainda assim, está determinada a livrar sua família das garras de um lorde implacável.
Para isso, pede ajuda ao poderoso guerreiro Killian MacDubh. Tendo nascido um bastardo, ele sempre sonhou em ficar frente a frente com o homem que o abandonara. 
Aceitar a missão era a oportunidade perfeita para confrontá-lo. 
Dona de uma rara beleza, Taryn logo vira uma inesperada distração para Killian. E quando traidores são revelados, o amor proibido que sente por ela se torna a única coisa pela qual ele pretende lutar.


Capítulo Um

Irlanda — 1172
A irmãde Killian MacDubh estava à beira da morte.
Para ele era um fato, apesar de que todos o negavam. Carice ainda era a mulher mais bonita em Éireann, mas seu corpo estava frágil. Eram raras as vezes que ela saía da cama, e quando o fazia, precisava ser carregada de volta. A doença tinha piorado muito havia alguns anos e ela estava definhando desde então. Ela havia mandado uma mensagem para que ele viesse vê-la, mas não havia mencionado o motivo.
Do lado de fora a chuva continuava a cair, mas a tempestade maior estava no coração de Killian. A ansiedade era latente, como se uma ameaça invisível pairasse sobre todos eles. A sensação ruim tinha durado o dia inteiro, mas ele ainda não havia conseguido identificá-la. Ele estava com a túnica e as calças justas ensopadas em pé à porta do Salão Nobre. Assim que entrou, Brian Faoilin fez uma careta de desaprovação, como se um cão de rua tivesse entrado na casa. 
O líder do clã desprezava até o ar que Killian respirava. Apesar de ter permitido que Iona ficasse com o filho bastardo, que trouxera com ela, Brian os forçava a viver entre os fuidir. Durante toda a vida, Killian havia dormido junto com os cães e comido as migalhas que restavam das refeições nas mesas. 
Ele era proibido de ter qualquer direito no clã e não podia possuir nenhum pedaço de terra. A provação devia tê-lo ensinado seu lugar, mas, em vez disso, ele nutriu o ressentimento e jurou que haveria de chegar o dia que ninguém mais o chamaria de escravo. 
Ele ansiava por uma vida onde as pessoas o vissem com respeito, e não desdém.
Durante muito tempo ele treinou com os melhores guerreiros de Éireann, com a intenção de abandonar o clã e se tornar um mercenário. Era melhor ter uma vida nômade do jeito que quisesse do que se continuasse ali.
No entanto, seus planos precisaram ser adiados quando Carice ficou doente e implorou para que ele não a deixasse. Se não fosse por ela, ele já estaria bem longe. Mas ela era o que restava de sua família e sua vida estava por um fio. Assim, ele jurou que permaneceria ao seu lado até o final.
O líder do clã cochichou com um dos guardas, Seorse, amigo de Killian, certamente dando ordens para expulsá-lo dali. Seorse atravessou o salão com uma expressão de pesar.
— Você sabe que não pode entrar sem ser chamado, Killian.
— Claro que não. — Ele tinha de permanecer do lado de fora, na chuva e no meio da lama e do estrume dos animais.
Brian se recusava terminantemente a permitir que Killian fosse membro do clã. Ele tinha de trabalhar no estábulo, obedecendo ordens.
Mas, dessa vez, Killian cruzou os braços e não se moveu.
— Você vai me jogar para fora? — perguntou ele num tom frio de voz, pois estava cansado de ser tratado como o bastardo que era. A frustração comprimiu seu coração e ele permaneceu imóvel.
— Não provoque uma briga — avisou Seorse. — Se quiser, abrigue-se na torre, mas não cause mais problemas. Mais tarde levo comida para você.
— Você acha que estou preocupado em causar confusão? — perguntou Killian com um meio-sorriso.
Ele gostava de lutar e tinha conquistado o lugar de um dos melhores guerreiros entre os homens do clã. Por baixo da túnica de pelo, ele vestia uma cota de malha que havia tirado de um normando durante uma invasão. Infelizmente não possuía uma espada, mas sabia usar os pulsos muito bem, tanto que já tinha quebrado ossos de outros combatentes durante as lutas. Brian ganhava uma pedra na bota toda vez em que ele ganhava um jogo, ou se saía melhor do que outro membro do clã.
— O que você está fazendo aqui, Killian? — Seorse baixou o tom de voz para perguntar.
— Carice mandou me chamar.
Seorse meneou a cabeça.
— Ela está pior hoje. Acho que não conseguirá sair do quarto. A noite foi muito difícil, ela enjoou demais e mal está comendo.
Killian sentiu uma dor no peito ao pensar na irmã morrendo de fome diante de seus olhos, sem tolerar alimento algum. Por ordens da curandeira, Carice devia ingerir apenas pão e comida bem simples para acalmar o estômago. Mas não estava adiantando.
— Leve-me até ela.
— Você sabe que não posso. Brian me deu ordem para escoltá-lo para fora.
Apesar de se dirigir para a porta, Killian não tinha intenções de sair… 


Série Guerreiros da Irlanda
1- Sangue de Guerreiro



11 de janeiro de 2015

Amor em Tentação

Série Vikings Proibidos


O guerreiro viking Ragnar Olafsson se conteve quando seu melhor amigo reivindicou Elena, a mulher que ele mais desejava.

Havia apenas um meio de acalmar a revolta dentro de si: tornando-se impiedoso nos campos de batalha. 

Quando ela é capturada, Ragnar coloca sua coragem à prova e arrisca tudo para salvá-la. 
Ao ficarem isolados, precisam se ajudar para sobreviverem. 
De repente, cada desejo, cada olhar, cada toque se torna proibido. Mesmo um santo poderia cair em tentação por Elena. 
Um pecador como Ragnar sabe muito bem que não conseguirá conter o ímpeto!

Capítulo Um

Irlanda — 875 d.C.
Não existe nada pior do que estar apaixonado pela esposa de seu melhor amigo.
Ragnar Olafsson segurou firme nos remos, puxando-os contra as ondas do mar. Não deveria ter ido para a Holanda com eles. Mas, quando Styr o convidou a ir, acabou aceitando num momento de fraqueza. Mas escondeu todos os sinais de sua obsessão por Elena, a ideia de não vê-la nunca mais era pior do que o tormento de vê-la com o marido.
Até então, nunca tinha deixado nenhum dos dois desconfiar de seu fascínio por ela. Ninguém tinha conhecimento de sua frustração visceral ao presenciar Styr levando a mulher que amava para a tenda. Era uma tortura mortal vê-los juntos.
Por outro lado, não conseguia tirá-la de sua mente. Enquanto remava, Ragnar mantinha os olhos fixos em Elena. O cabelo longo e avermelhado tinha mechas loiras como se fosse ouro sobre o fogo. Ela era uma linda deusa, que ele adorava de longe.
Ela o considerava como um amigo, nada além disso, o que não era surpresa alguma. Uma mulher como Elena merecia um casamento sólido com um guerreiro nobre de nascimento. 
O casamento com Styr tinha sido arranjado havia anos e Ragnar não fazia o tipo de homem que roubava a mulher de alguém, principalmente se este fosse seu melhor amigo.
Ela havia feito sua escolha e Styr fazia tudo para vê-la feliz. Foi por essa razão que Ragnar ficou de lado.
Durante os anos, ele vinha buscando outra mulher. Apesar de ser um guerreiro forte e cobiçado por várias moças solteiras que já tinham lhe lançado olhares de esgueira, nenhuma delas se comparava à Elena. Talvez nunca encontrasse outra igual.
Enquanto remava, ele a estudou observando as águas cinzentas. Alguma coisa tinha mudado naqueles últimos meses. Ela e Styr mal conversavam um com o outro. A esterilidade de Elena corroía sua alma, deixando-a afogar-se na tristeza. Ao fixar o olhar no mar, seu rosto assumiu uma palidez nada natural. 
Não havia palavras para remendar os pedaços do casamento, nada que Ragnar pudesse dizer a ela.
As águas próximas à praia eram mais rasas do que eles haviam imaginado.
— Vamos parar aqui — ordenou Styr. Depois de uma olhadela aos outros, ele se aproximou de Ragnar e, por um momento, olhou para a enseada, avistando uma aldeia. — Você pode ir com Elena depois? Há movimento na praia, não a quero por perto, receio pela segurança dela.
— Vou mantê-la a salvo. — Ragnar banharia sua espada no sangue de qualquer inimigo que ousasse ameaçar Elena, mesmo que ela não lhe pertencesse, tinha de ser seu protetor. Não hesitaria em oferecer a própria vida se isso a salvasse.
Styr pousou a mão no ombro de Ragnar e com um suspiro pesado, admitiu:
— Fico feliz que você tenha vindo conosco. Uma viagem como essa só podia ser suportada com o apoio de amigos.
— Faz três dias que os homens não dormem — concordou Ragnar. — Todos nós precisamos de uma boa refeição e descanso.
As fortes ondas jogavam a embarcação de um lado para o outro, como se os deuses os quisessem em sacrifício. Eles lutaram bravamente contra o vento impiedoso, tentando sobreviver à tempestade. E tinham vencido, mas sem descansar. 
Ragnar estava com o corpo e mente debilitados, era difícil concatenar as ideias e a única coisa que lhe passava pela mente era o desejo de desmoronar na areia.
— É uma pena que você não tenha uma mulher para aquecer sua cama — acrescentou Styr ao encolher os ombros.
— Soube que há mulheres em Erie. Talvez eu encontre alguma — disse Ragnar, olhando para o amigo com amargura.
Ragnar tivera outras mulheres durante os anos passados, mas nenhuma delas era comparável a ela. Por mais que tivesse tentado arrancar Elena de sua mente, havia noites em que acordava encharcado de suor…


Série Vikings Proibidos
1- Amor em Pecado
2- Amor em Tentação

26 de outubro de 2014

Amor em Pecado

Série Vikings Proibidos
Pelo amor de um homem, ela enfrentaria a lei!

Caragh Ó Brannon luta bravamente quando o inimigo aporta, defendendo a si e a sua família. 
Agora, ela se vê sozinha com um viking muito bravo... Styr Hardrata navegou até a Irlanda buscando um recomeço, mas nunca imaginou que acabaria prisioneiro de uma bela dama.
O guerreiro atraente e poderoso assusta Caragh ao mesmo tempo em que a atrai. 
Apesar de ter se apaixonado pelo inimigo, ela deveria se afastar dele, pois... é casado. Contudo, por mais que tentem, eles não conseguem ignorar seus sentimentos... e o desejo!

Capítulo Um

Irlanda — 875 d.C.
O clã estava pouco a pouco morrendo de fome.
Caragh Ó Brannon olhou para o saco de grãos, quase vazio. Restava somente um punhado de aveia, uma quantidade que mal dava para alimentar uma pessoa.
Ela fechou os olhos, pensando no que poderia fazer. Seus irmãos mais velhos, Terence e Ronan, tinham partido 15 dias antes, para tentar conseguir mais comida. 
Ela lhes entregara um broche de ouro que pertencera à sua mãe, com a esperança de que alguém o quisesse trocar por carneiros ou vacas. Mas a penúria era geral, e dificilmente haveria alguém disposto a se desfazer de suas reses.
— Tem alguma coisa para comer, Caragh? — perguntou seu irmão mais novo, Brendan. Com 17 anos, ele tinha um apetite voraz, e ela fizera o possível para evitar que ele sentisse fome. Mas agora era evidente que ficariam sem comida antes do que ela imaginara.
Em vez de responder, ela mostrou o que sobrara. Ele ficou muito sério, o rosto magro encovado pela desnutrição.
— Também não conseguimos pescar nada. Vou tentar novamente hoje.
— Posso fazer uma sopa — ofereceu-se Caragh. — Vou ver se encontro alguma coisa... cebolas, ou cenouras...
Embora ela tentasse falar num tom otimista, ambos sabiam que os campos e florestas tinham sido debulhados fazia tempo. Não havia sobrado nada, com exceção de talos secos de grama.
Brendan estendeu a mão e tocou o ombro de Caragh.
— Nossos irmãos vão voltar, e então teremos comida.
Caragh viu no rosto dele a necessidade de acreditar e forçou-se não só a sorrir como a aparentar que o sorriso era verdadeiro.
— Eu espero que sim.
Depois que Brendan saiu com sua rede de pesca, Caragh olhou ao redor na choupana vazia. Seu pai e sua mãe haviam morrido no último inverno. O pai tinha ido pescar e se afogara. A mãe sofrera muito e nunca se recuperara da perda. Cedera inúmeras vezes seu prato de comida para Brandon, mentindo que já havia se alimentado. Quando eles descobriram o que estava acontecendo, já era tarde demais para evitar que ela definhasse até a morte.
Tantas pessoas sucumbiram à fome, e Caragh sentia o coração confrangido por saber que os pais tinham morrido tentando alimentar os filhos.
As lágrimas inundaram seus olhos quando ela olhou para a forja do pai. Ele era ferreiro, e Caragh estava acostumada a ouvir o som do martelo, a ver o brilho de metal quente conforme ele moldava as ferramentas e armas. Sentiu o coração pesado, sabendo que nunca mais ouviria a risada contagiante dele.
Embora o barco ainda estivesse lá, ela não tinha coragem de enfrentar as ondas mais bravias a mar aberto. Seus irmãos sabiam navegar, mas nenhum deles tinha se aventurado outra vez após a morte do pai. 
Era como se o barco avariado que regressara vazio estivesse envolto por uma energia ruim, e nenhum deles chegava muito perto.
Caragh gostaria que fosse possível ir embora de Gall Tír. Aquela era uma terra desolada e devastada, mas eles não tinham os mantimentos necessários para viajar muito longe a pé. Deveriam ter partido no verão anterior, quando as plantações apodreceram antes de florescer. 
Nessa ocasião, pelo menos, ainda possuíam um estoque suficiente para sobreviver. Agora, mesmo que viajassem pelo mar, não tinham comida suficiente para mais de um dia.
A mão da Morte estava estendida sobre aquele lugar, e Caragh sentia que também começava a perder as forças. Já não conseguia caminhar longas distâncias sem se sentir fraca, e as tarefas mais insignificantes pareciam um fardo. Estava tão magra que a roupa larga caía sobre seu corpo, e os ossos dos pulsos e dos joelhos estavam salientes.
Contudo ela não estava pronta para desistir. Como todos os demais, lutava para viver.
Ela pegou a cesta e saiu para a luz do sol. A aldeia, fortificada por uma muralha circular, estava em silêncio, com poucas pessoas dispostas a gastar energia conversando quando havia algo mais importante e urgente a fazer, que era procurar alimento. Seus irmãos mais velhos não foram os únicos a partir em busca de suprimentos. 
A maioria dos homens também havia ido, principalmente os que tinham filhos. Se voltariam ou não, ninguém sabia.
Algumas mulheres mais velhas, também carregando suas cestas, cumprimentaram Caragh com um aceno de cabeça. Ela pensou na promessa que fizera ao irmão, de procurar legumes para fazer uma sopa, mas sabia que não acharia nada. 
Mesmo que ainda tivesse restado algum tubérculo ou folhagem comestível, era provável que as outras chegassem antes dela. Então resolveu ir até a orla, esperando encontrar alguns mariscos ou algas.
Parou várias vezes para se sentar em alguma pedra ou no chão, quando a visão escurecia e a cabeça rodava, num prenúncio de desmaio. 
Depois de descansar um pouco, respirava fundo e prosseguia. A água estava muito escura naquela manhã, as ondas calmas e silenciosas. Seu irmão estava mais adiante, na faixa de areia, jogando a rede de pesca. Ele acenou quando a viu.
Contudo foi a visão do navio viking no horizonte que despertou o medo em ambos. Era uma embarcação grande, de extremidades curvas, com capacidade para transportar no mínimo uma dúzia de homens. 
Uma massiva vela listrada ondulava no mastro, e escudos ornados com um padrão vermelho e branco se enfileiravam na amurada lateral. Ao sol da manhã, um cata-vento de bronze brilhava no topo do mastro principal, e a cabeça de um dragão estava esculpida na proa. 
Assim que Caragh avistou o navio, seu coração acelerou.
— São os lochlannach? — gritou para o irmão.
Já ouvira contar inúmeras histórias sobre os bárbaros vikings das terras escandinavas que saqueavam as casas de pessoas inocentes. Se aquele navio fosse deles, o clã teria menos de uma hora até que o pesadelo começasse.
Sua pele se arrepiou ante a ideia de ser capturada por um daqueles selvagens. Ou pior, de ser queimada viva se eles tentassem tirá-la de casa à força.
— Volte para casa, Caragh — ordenou Brendan. — Fique lá dentro, e pelo amor de Deus, não deixe ninguém entrar! 

Série Vikings Proibidos
1- Amor em Pecado
2- Amor em tentação

27 de abril de 2014

Inverno Sombrio

Série Guerreiros do Gelo





O marido de Brianna MacEgan foi assassinado há um ano, e ela continua obcecada por vingar sua morte. 

Mas Arturo de Manzano irá distraí-la com seu corpo musculoso de guerreiro... 
O gelo que endurece o coração de Brianna corre o risco de começar a derreter...

Capítulo Um

Irlanda — 1192
O vento ficara frio em Éireann, forçando Brianna MacEgan a buscar abrigo no interior da choupana de pedra em forma de colmeia. A lareira se apagara, mas ela ainda não a reacendera. O frio no interior daquelas paredes combinava com os sentimentos no seu coração. 
A qualquer instante, esperava que a porta se abrisse, e Murtagh chegasse para roubar um beijo. Mas ele não chegaria. Fora morto em um ataque por um guerreiro lochlannach de Gall Tir.
Nos seus pesadelos, Brianna via a expressão de choque no rosto de Murtagh quando uma lança lhe tirou a vida. 
Ela arrancara um grito de angústia de dentro de si quando correra para o lado dele, sem ligar para o perigo. Jamais esqueceria a expressão fria do viking que o matara. Em uma fração de segundo, ele acabara com seu mundo.
Parte de si estava enterrada ao lado dele. O pior era jamais ter dado à luz uma criança durante o tempo em que ficaram casados. Não haveria menino com os olhos de Murtagh, nenhuma menina com o seu sorriso. O desejo de ter um filho era um vazio que latejava em seu íntimo, mas ela não conseguia imaginar outro homem tomando o lugar de Murtagh.
As paredes pareciam sufocá-la, a tristeza encobrindo-a. Embora o pai houvesse implorado para que ela retornasse a Rionallís, o lar onde crescera, não conseguia se forçar a deixar Laochre. Todas as suas melhores lembranças estavam ali, naquela casa. 
No interior daquele espaço, podia sentir a presença de Murtagh, como um fantasma assombrando-a. E, embora soubesse ser chegada a hora de deixar o passado ir, ainda não estava pronta.
Alguém bateu à porta, e, sem aguardar uma resposta, sua prima, Rhiannon, entrou. O longo cabelo castanho estava trançado ao redor de sua testa, enquanto o restante lhe cascateava até a cintura.
— Procurei por você em todo canto. Os guardas avistaram cavaleiros se aproximando. Liam voltou… e está trazendo uma mulher!
— Ele voltou das Cruzadas? — Brianna ficou de pé, esfregando os braços para espantar o frio.
O primo fora para a Terra Santa contra as ordens do pai. O rei ficara furioso ao descobrir, mas permitira que o filho permanecesse… desde que continuasse a serviço do rei Ricardo Coração de Leão.
— Por que acha que ele trouxe uma mulher?
Rhiannon deu de ombros.
— Na certa para se casar com ela. Há carroças atrás deles, e mais cavaleiros. — A voz da prima estava carregada de empolgação ante a perspectiva de visitantes. — Talvez eu encontre um marido. Reze a Deus para que haja alguém bonito entre eles.
A prece fervorosa não foi de todo um gracejo. O pai de Rhiannon acreditava não haver homem vivo à altura da filha. Proibira qualquer um da aldeia de sequer olhar para ela, quanto mais pedi-la em matrimônio.
— E se você conhecer um forasteiro bonito? — perguntou Brianna.
Rhiannon lançou-lhe um sorriso misterioso.
— Não falarei dele para o meu pai, disso você pode ter certeza. — Ela esfregou os ombros ante o frio. — Venha, vamos cumprimentar Liam.
— Vá sem mim, Rhiannon. Eu irei em alguns instantes.
Sem dúvida, se Liam ia se casar, haveria banquetes e comemorações durante dias. A simples ideia de se divertir era estranha para Brianna, como um sonho há muito esquecido.
O rosto de Rhiannon ficou sério.
— Há semanas você vem se escondendo. Se eu a deixar a sós, sei que não virá.
— Sinto muito. — A solidão era tão insuportável que ela não sabia como se libertar dos braços da melancolia. — É só que…


Série Irmãos MacEgan
1- Guerreiro Guardião
2- O Toque do Guerreiro
3- Rei Guerreiro
4- Guerreiro Escravo

5- Guerreiro Proibido
5,5 - A Virgem Proibida Do Guerreiro
6- Rendida ao Guerreiro
6.5- Plesured by the viking - ainda não foi publicado no Brasil
6.6- Lionheart’s bride -                     idem
7- Guerreiros do Gelo - Antologia com 3 histórias
7.1- Inverno Sombrio - Brianna MacEgan e Arturo de Manzano
7.2- A Sagrada e o Maldito - Rhiannon MacEgan e Kaall
7.3- Tempo de perdão - Adriana de Manzano e Liam MacEgan



A Sagrada e o Maldito

Série Guerreiros do Gelo






Perdida em uma tempestade de neve, Rhiannon MacEgan é salva por um viking destemido. 

Sua alma solitária logo se identifica com Kaall, mas eles conseguirão ficar juntos um dia? Além de cego e exilado, Kaall é o inimigo mais odiado da prima de Rhiannon...

Capítulo Um

Inverno de 1192
Eu lançarei um encanto para você, prima. E no solstício de inverno, prometo que encontrará o amor.
Rhiannon MacEgan duvidava que uma garota de 12 anos pudesse invocar um homem, ainda mais um que pudesse se apaixonar por ela.
Contudo, Alanna acreditava firmemente nos costumes antigos. Talvez corresse sangue druida nas suas veias, ou talvez o tio Trahern houvesse lhe contado algumas histórias de fadas a mais do que devia.
Independentemente do que fosse, não havia mal em caminhar até o dólmen, que ficava na metade do caminho entre Laochre Castle e Gall Tír, o povoado viking. Sua prima podia lançar os encantamentos que quisesse, e Rhiannon não a impediria.
O céu ficou escuro com as nuvens pesadas, e o ar estava tão frio que sua respiração produzia círculos de vapor. A geada estalava sob seus pés, e, ao aproximar-se do dólmen, ela apertou a capa ainda mais ao redor do corpo. 
Lembrava um altar antigo, com as duas rochas paralelas na base e a mesa de pedra inclinada. Alanna aguardava perto do cemitério druida, e ao seu lado estava Cavan MacEgan. Ele parecia irritado por ter de acompanhar a irmã caçula.
Quando Rhiannon os alcançou, Cavan lançou-lhe um olhar sombrio.
— Não acredito que concordou com a superstição tola dela. Está um gelo, e prestes a nevar.
— Não é tolice — protestou Alanna. — Prometo que vai funcionar.
Cavan revirou os olhos, mas Rhiannon lançou um sorriso encorajador para a menina.
— O que devo fazer?
— Precisarei de uma mecha de seu cabelo. — A garota mostrou uma trouxa contendo uma mistura de casca de vidoeiro e ervas.
Rhiannon usou uma faca para cortar uma pequena mecha da parte interna da cabeleira. Alanna enrolou a mecha escura ao redor da trouxa e a pousou sobre o dólmen.
— Agora acendemos uma fogueira, e eu lanço o feitiço.
Cavan pegou uma pederneira e a estendeu para Rhiannon, que hesitou.
— Talvez seja melhor você acender, Cavan. Não sou boa em produzir centelhas.
— Não — protestou Alanna. — Se meu irmão o fizer, o feitiço de amor recairá sobre ele.
— E não queremos isso — comentou o primo com secura.
Rhiannon pegou a pederneira, segurando-a sobre a trouxa de ervas.
— Ao esfregar a pederneira, limpe sua mente, e eu invocarei a imagem do homem que você virá a amar. Queimaremos o talismã e você inalará a fumaça.
— O cheiro de cabelo queimado é horroroso — lembrou Cavan. — Ela na certa vai se engasgar.
A irmã caçula lançou-lhe um olhar fulminante, mas Cavan apenas sorriu, recuando, com os dedos tapando o nariz.
— Sendo assim, vá em frente, Rhiannon.
Foram necessárias várias tentativas, contudo, por fim, ela conseguiu fazer com que uma faísca pousasse sobre o montinho. Esta morreu instantaneamente, deixando escapar uma fina coluna de fumaça.
— Rápido, inspire — ordenou Alanna.
Rhiannon fungou, rindo ao fazê-lo.
— Tem razão, Cavan. O cheiro é terrível.
— Acho que devemos voltar para Laochre para beber algo quente — sugeriu o primo, olhando para o céu coberto de nuvens. — Antes que acabemos enterrados na neve.
— Não até que eu tenha terminado. — Alanna empertigou os ombros e ordenou: — Você deve queimar o talismã de amor. E não se esqueça de pensar no rosto do seu amor. É importante.
Rhiannon mordeu o lábio inferior e conteve o riso. Era tolice, mas entendia que era importante para Alanna. Tantos outros zombavam da garota desajeitada, fazendo pouco de suas crenças. E, por experiência própria, Rhiannon sabia como era doloroso ser ridicularizada.
Os jovens evitavam Rhiannon, como se ela tivesse lepra, por causa do seu pai superprotetor. Jamais fora beijada e não tinha pretendentes. 
Connor MacEgan jurara matá-los caso sequer ousassem olhar para ela. E, quando um amigo ousara segurar-lhe a mão durante o banquete de Bealtaine, seu pai esbravejara com o jovem, ameaçando cortar-lhe os dedos.
Embora Rhiannon tivesse muitas amigas mulheres, as assistira se casarem uma a uma. Na esperança de encontrar um marido, ela deixara o seu lar no oeste de Éireann e viajara para o castelo do tio, em Laochre. Contudo, embora alguns houvessem sorrido para ela, nenhum ousara cortejá-la. 
A interferência do pai continuava a acompanhá-la, e, embora não acreditasse realmente em feitiços de amor, começava a ficar sem ideias


Série Irmãos MacEgan
1- Guerreiro Guardião
2- O Toque do Guerreiro
3- Rei Guerreiro
4- Guerreiro Escravo

5- Guerreiro Proibido
5,5 - A Virgem Proibida Do Guerreiro
6- Rendida ao Guerreiro
6.5- Plesured by the viking - ainda não publicado no Brasil
6.6- Lionheart’s bride -                     idem
7- Série Guerreiros do Gelo - Antologia com 3 histórias
7.1- Inverno Sombrio - Brianna MacEgan e Arturo de Manzano
7.2- A Sagrada e o Maldito - Rhiannon MacEgan e Kaall
7.3- Tempo de perdão - Adriana de Manzano e Liam MacEgan



Tempo de Perdão

Série Guerreiros do Gelo






Adriana de Manzano está comprometida com Liam MacEgan e perdidamente apaixonada por ele. 

Mas ela esconde um terrível segredo: para salvar a vida de seu amado, Adriana foi obrigada a traí-lo. Será que o orgulhoso guerreiro conseguirá perdoá-la quando descobrir a verdade?

Capítulo Um

Irlanda — 1192
— Liam MacEgan desobedeceu às minhas ordens. E merece morrer.
O rei Ricardo falou tais palavras com um tom de voz frio, que não revelava nenhuma misericórdia. Ele já ordenara a morte de mais de mil mulheres e crianças reféns, e a recusa de Liam de erguer a espada contra elas resultara no seu aprisionamento e tortura.
— Por favor — sussurrou Adriana. — Poupe-o.
Não suportava pensar no que o prometido estava sofrendo naquele instante.
Mas contido no sorriso do rei se achava a promessa de morte. Ele estendeu a mão e a encostou na sua face, e o toque provocou um frio de medo na barriga de Adriana. Ricardo fora fiel à sua rainha por algum tempo, mas se distraía com facilidade agora. Quando a mão do rei vagou pescoço abaixo em uma carícia, Adriana reprimiu um tremor de repulsa.
— Nesse caso, o que faria para salvá-lo?
Adriana de Manzano acordou na escuridão, seu corpo tremendo com o medo relembrado. Que Deus a ajudasse, a visão apavorante jamais deixava de assombrá-la. Fechou os olhos, esforçando-se para silenciá-la.
Desceu da cama, as pedras congelando os pés enquanto seguia descalça para o corredor lá fora. Ainda estavam no meio da noite, mas ela precisava de um instante para colocar os pensamentos em ordem e se acalmar. As outras mulheres na câmara continuavam a dormir, sem se deixar perturbar por sua saída.
A porta para a câmara de Liam estava aberta, e, sob a luz fraca, Adriana o viu aproximar-se. O rosto bonito estava sério, os olhos acinzentados carregados de preocupação.
— O mesmo sonho?
Ela assentiu, sentindo-se culpada por tê-lo acordado. Ou, talvez, houvessem sido os próprios sonhos dele a incomodá-lo. Desde que deixaram a Terra Santa, haviam feito uma promessa silenciosa de jamais voltar a falar de tal época. As cicatrizes de Liam eram visíveis na sua pele, a manifestação física das torturas que sofrera.
As dela eram internas, tão profundas que Adriana queria que Liam jamais soubesse de sua existência.
Liam a puxou para os seus braços.
— Tem tido esses sonhos com uma frequência cada vez maior.
— São apenas sonhos. — Mas ela o abraçou com muita força, querendo que ele silenciasse os pesadelos, que a ajudasse a esquecê-los. Suas mãos se ergueram para tocar no cabelo loiro-escuro, que havia sido cortado para melhor se encaixar no interior do elmo de fero, no campo de batalha.
— Gostaria que seus pais chegassem logo. — Liam a conduziu corredor abaixo, na direção das escadas. — Então você seria a minha esposa, e eu dormiria ao seu lado. E, se os sonhos retornassem, eu a consolaria.
Ela esboçou um débil sorriso, e, quando Liam chegou às escadas de pedra, sentou-se e a colocou no colo. Com as mãos, massageou-lhe os pés frios, aquecendo-os.
Enquanto ele a tocava, ela enterrou o rosto no seu peito. Liam estava vivo e bem, e ela jamais revelaria para ele o que acontecera na Terra Sagrada. Era melhor esquecer, e Adriana encontraria uma maneira de deixar o passado para trás, onde era o seu lugar.
Liam jamais precisaria saber o terrível preço que ela pagara pela sua vida.


Série Irmãos MacEgan
1- Guerreiro Guardião
2- O Toque do Guerreiro
3- Rei Guerreiro
4- Guerreiro Escravo

5- Guerreiro Proibido
5,5 - A Virgem Proibida Do Guerreiro
6- Rendida ao Guerreiro
6.5- Plesured by the viking - ainda não foi publicado no Brasil
6.6- Lionheart’s bride -                     idem
7- Guerreiros do Gelo - Antologia com 3 histórias
7.1- Inverno Sombrio - Brianna MacEgan e Arturo de Manzano
7.2- A Sagrada e o Maldito - Rhiannon MacEgan e Kaall
7.3- Tempo de perdão - Adriana de Manzano e Liam MacEgan

2 de setembro de 2013

Voz Do Coração

Clã Mackinloch




A força de seu silêncio a tocou…

Finalmente, depois de anos de torturas brutais, Callum MacKinloch está livre de seus raptores, mas sua voz ainda está aprisionada. 
Seu grito não seria ouvido por ninguém, nunca. 
Apesar de invisíveis, as correntes de lady Marguerite de Montpierre podem prendê-la a um casamento cruel e sem amor. 
Quando Marguerite descobre Callum à beira da morte, seu coração bate mais forte, ainda que o amor deles não tenha futuro. 
Mesmo assim, ela é única mulher com o poder de domar a fúria contida no peito dele. 
Talvez Callum possa encontrar uma nova razão para viver...Por Marguerite.

Capítulo Um

Escócia, 1305
O som de um homem gritando a despertou do sono.
Marguerite de Montpierre sentou-se num sobressalto, agarrando a colcha enquanto encarava sua criada, Trinette.
— O que foi isso?
Trinette balançou a cabeça, os olhos arregalados de medo.
— Não sei. Mas devemos ficar aqui, onde é seguro.
Marguerite aproximou-se da janela da torre, espiando o céu escuro iluminado apenas pela lua. Os gritos do homem tinham silenciado agora. Ela bem podia imaginar o que isso significava.
Fique aqui, ordenou sua mente. Não se intrometa. O que poderia fazer, afinal? Era apenas uma moça de 18 anos. Tanto seu pai quanto lorde Cairnross ficariam furiosos caso saísse sozinha.
Mas se alguém precisava de ajuda, que direito tinha ela de permanecer no quarto? O medo não deveria encobrir a misericórdia.
— Vou descobrir o que foi — informou à criada. — Pode ficar aqui se quiser.
— Minha senhora, non. Seu pai não permitiria.
Não, ele não permitiria. Marguerite podia bem imaginar a voz autoritária do pai ordenando que permanecesse na cama. Respirou fundo, dividida pela indecisão. Se não fizesse nada, permaneceria segura e ninguém se zangaria com ela.
E alguém poderia morrer. Isso não tinha a ver com obediência, mas sim com salvar uma vida.
— Tem razão. O duque não me permitiria sair. Mas ele não está aqui, está? — murmurou, e rezou para que seu pai voltasse o mais rápido possível, pois cada dia de ausência transformava sua vida num pesadelo maior.
Guy de Montpierre, o duque DAvignois, não sabia o que estava acontecendo ali, pois o noivo de sua filha havia se comportado com grande cortesia diante da família.
O duque era um homem que valorizava riqueza e status, e Gilbert de Bouche, o conde de Cairnross, promoveria uma forte aliança com a Inglaterra. Uma filha caçula não poderia esperar por casamento melhor.
Mas embora o conde a tivesse tratado com respeito e honra, sua crueldade a horrorizava. Era um homem que acreditava piamente que os escoceses mereciam a servidão. Ele havia capturado vários prisioneiros de guerra, e ela os viu construírem muros de pedra por horas a fio.
Trinette estremeceu, olhando para o cobertor.
— Acho que não vai querer zangar lorde Cairnross saindo deste aposento.
Marguerite não discordou. Mas o grito do prisioneiro a assombrava, penetrando em sua consciência. 
Tinha visto os escravos de Cairnross, homens magérrimos, com a desesperança marcada no rosto. 
Dois já haviam morrido desde a sua chegada. E suspeitava, a julgar pelo berro, que outro homem estava agonizando.
— Não posso ficar parada sem fazer nada — murmurou. Do contrário, não seria melhor que o conde.
Ela colocou um vestido justo de mangas compridas, uma túnica rosada, depois uma capa escura. 
A criada deu um suspiro resignado e a ajudou a terminar de se arrumar antes de colocar a própria roupa.
Passava da meia-noite, e os soldados estavam dormindo ao longo dos corredores e no cômodo maior da torre de madeira principal. 
Marguerite ficou com as costas grudadas na parede, o coração tremendo enquanto passava sorrateira pelos homens. Seu pai havia deixado meia dúzia dos seus soldados como guardas; sem dúvida, eles a deteriam caso acordassem.
Deixou a torre de madeira e seguiu para o pátio interno. Lá, viu a causa dos gritos.
Um homem, talvez um ano mais velho que ela, jazia prostrado no chão. 
As costas estavam cobertas de sangue, os tornozelos, acorrentados. 
O longo cabelo escuro obscurecia seu rosto, mas ela viu que os ombros se mexiam. Ele estava vivo...
 









Clã MacKinloch
1 – Reclamada por Seu Marido
2 – Esquecida por Seu Marido
2.5- Desejando o Toque do Highlander
3 – Voz do Coração - Brumas do Silêncio-traduzido
3.5- Resgatada pelo Guerreiro das Terras Altas

22 de abril de 2013

Nos Braços Do Guerreiro

Série Irmãos MacEgan





Um guerreiro irlandês com sede de vingança...

Trahern MacEgan tinha o corpo coberto pelas marcas da batalha, e sua alma era escura como as trevas da noite mais sombria.
Muitas, mulheres desejavam domá-lo, mas ele havia amado somente uma vez, e aquele amor estava perdido para sempre. 
Um sofrimento silencioso.
Morren Ó Reilly conheceu a dor e a vergonha, mas mantinha a cabeça erguida, ainda que se sensibilizasse com o toque de um homem.
Uma entrega apaixonante.
Seria possível, que Morren iluminasse a alma obscura de Trahern?
E ele conseguiria romper sua resistência uma vez que a tomasse em seus braços?

Capítulo Um

Manda, 1180

O vento de outono se infiltrava, frio e cortante, através da capa que ele usava. Um aviso sombrio de que precisava procurar um abrigo.
Mesmo assim, Trahern MacEgan mal sentia o frio. Durante a última estação, ele não sentira nada, as emoções estavam tão frias quanto o ar que o cercava. O desejo de vingança o consumia, junto da necessidade urgente de encontrar os homens que haviam matado Ciara.
Ele deixara casa e família e estava voltando para o sudoeste de Éireann, onde vivia o clã Ó Reilly, em Glen Omrigh. Os irmãos dele não sabiam de sua intenção de encontrar os invasores.
Eles acreditavam que Trahern estava viajando outra vez para visitar amigos e contar suas histórias.
Como era um bardo, ele raramente ficava em um lugar só por muito tempo, por isso os irmãos não desconfiaram de nada. Mas, para aquela jornada, Trahern quisera ir sozinho.
Os irmãos tinham as esposas e os filhos para tomar conta. Jamais arriscaria a segurança deles quando tinham tanto a perder. Ele não tinha ninguém, e preferia que fosse assim.
A terra era mais montanhosa agora, com colinas verdes se erguendo do nevoeiro.
Uma estrada estreita serpenteava através do vale, nuvens quentes de vapor saíam das narinas do cavalo.
O vazio combinava com Trahern, que jamais imaginara perder a mulher que amara.
No último verão, o irmão de Ciara, Áron, mandara avisar que o cashel, a fortaleza circular onde vivia o clã, fora atacado por invasores vikings.
Ciara fora pega no meio da batalha, derrubada e morta quando tentava escapar. A notícia devastadora o mantivera longe de Glen Omrigh por meses.
Trahern não queria ver o túmulo de Ciara nem ouvir as palavras de compaixão dos amigos. Mais do que tudo, ele precisava esquecer. Mas o tempo não diminuíra a dor dele; ao contrário, só a fez aumentar.
Não deveria ter deixado a noiva. A culpa o consumia, corroendo e modificando o homem que ele fora.
O ódio corria em suas veias agora, sufocando a dor da perda.
A angústia fora substituída pela raiva e pela determinação. 
Iria encontrar os invasores e, quando isso acontecesse, eles teriam o mesmo fim de Ciara. Quando o sol já estava baixo no céu, Trahern acendeu uma fogueira e montou a barraca.
Embora pudesse ter alcançado logo Glen Omrigh se cavalgasse por mais algumas horas, ele preferia passar a noite sozinho. 
As chamas lambiam a madeira, o laranja brilhante se sobressaindo no céu que começava a escurecer.
No dia seguinte, ele chegaria ao cashel e começaria a rastrear o inimigo. Trahern esticou o corpo sobre a capa e ficou observando o fogo e ouvindo os sons da noite enquanto comia. A distância, ele ouviu o farfalhar das folhas sobre o chão da floresta. Provavelmente eram animais. Mesmo assim, Trahern levou a mão à espada.
O movimento indicava alguma coisa mais pesada do que um esquilo ou uma raposa. Não, os passos eram humanos, e não de um animal. Trahern segurou a espada com força, esperando que a pessoa chegasse mais perto. De repente, uma figura emergiu das árvores.
Era uma jovem donzela, com cerca de 13 anos, talvez, usando um leme branco, rasgado e um vestido verde. O rosto estava sujo de terra, e ela logo estendeu as mãos na direção do fogo.
A menina era tão magra que parecia não ter comido uma refeição completa por semanas. O cabelo longo e castanho descia até à cintura, e ela estava descalça. Jesus, ela devia estar congelando.
— Quem é você? — perguntou ele com delicadeza. A menina manteve os olhos afastados e não respondeu à pergunta. Mas o rosto ficou ruborizado antes que ela o chamasse com um gesto.
— Chegue mais perto, aqueça-se — ofereceu Trahern. — Tenho comida para dividirmos, se estiver com fome. A jovem deu alguns passos na direção do fogo, porém balançou a cabeça e apontou para as árvores atrás dela.
Trahern examinou o lugar, mas não viu ninguém. Embora a garota tenha erguido as mãos para aquecê-las na frente do fogo, a expressão estava cada vez mais assustada.
Mais uma vez, ela gesticulou na direção das árvores. 
— O que foi? — perguntou ele. A jovem tossiu e moveu a boca, mas demorou para falar. — Minha irmã. Trahern se levantou.
— Traga-a para cá. Ela pode se aquecer e comer alguma coisa. Tenho o bastante para as duas. — Isso não era verdade, mas ele não se importava nem um pouco se elas acabassem com a comida.
Era melhor que as mulheres saciassem a fome, já que ele poderia caçar se fosse preciso. A garota voltou a balançar a cabeça. — Ela está ferida. — É grave? A jovem não respondeu, contudo voltou a gesticular para que ele a acompanhasse e entrou na floresta. Trahern olhou primeiro para o cavalo e, então, para a encosta cheia de árvores.
Embora fosse mais rápido ir cavalgando, as árvores eram próximas demais umas das outras para que o animal conseguisse passar. Trahern não estava com a menor vontade de se aventurar na floresta, principalmente porque em menos de uma hora já estaria completamente escuro.
Mas também não podia deixar a jovem voltar para lá sem ninguém para acompanhá-la. 
Carrancudo, ele improvisou uma tocha com um galho caído. Então pendurou o alforje com a comida no ombro, porque não temos nenhum. — Ela balançou a cabeça. 
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Edição Editora
Mesma revisada pelo GRH como: Rendida ao Guerreiro.
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