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1 de dezembro de 2009

Orgulho Casto




















Capítulo Um

Com as faces rosadas de excitação, levou um pouco de tempo para apreciar a ironia daquela animada caçada matutina, em que a rapoza só dava a impressão de ser a presa.
Assim, deu por inúteis os esforços dos dois pajens que tinham tentado segui-la através do bosques que ela conhecia tão bem como a palma de sua mão e, com uma presumida piscada de seus olhos violeta com matizes azulados,
inclinou-se para elogiar a sua égua:
-Muito bem , preciosa; parece que os despistamos. Isto merece um prêmio.
Deu uma olhada ao redor para orientar-se e recordou que, a umas poucas jardas de distância, havia uma clareira isolada pelo qual cruzava um riacho, cuja água fria e clara tinha um delicioso sabor de suave musgo verde e a rica terra negra.
-Ambas merecemos beber algo fresquinho, não é? Deixemos que os caçadores sigam vagando em círculos até que se cansem.
Catherine recebeu um suave relincho como resposta, e guiou à égua bosque dentro. Podia ouvir ao longe o desacordado e rouco latido dos cães e o eco estremecedor e grave dos trompetistas que chamavam os cavaleiros a se juntar.
Ignorou aquele som e inclusive preferiu, depois de um breve momento, desmontar e caminhar junto ao animal, com a atenção dividida em partes iguais entre os galhos pequenos que lhe enredavam nas saias e os misteriosos sussurros da brisa entre as folhas de envés prateado que ondeavam sobre sua cabeça.
Era feliz ali em sua casa, em Derby.
A tranqüilidade do campo era uma mudança desconcertante e não tinha nada a ver com a infinita sucessão de bailes, carnavais e festas, mas para falar a verdade, depois de ter passado três meses dançando até o amanhecer e dormindo durante toda a tarde, tinha muita vontade de acabar sua temporada em Londres.
Aqui, na saudável e fresca campina azul e verde que rodeava Rosewood Hall, os dias eram largos e ociosos, e as noites transbordavam de estrelas e cheiravam a rosas e madressilva.
Podia soltar o camafeu que, a modo de broche, sujeitava o pescoço de sua blusa de seda fechado até a garganta (e o fez) sem medo de armar um escândalo.
Podia tirar as luvas, desabotoar os botões de seu traje de montar de veludo azul, inclusive os fechamentos de pérolas de seu entalhado colete de cetim, e ter o prazer de afrouxar as cintas de seu ajustado e enrijecido espartilho.
Estava sozinha, e tinha a intenção de ficar assim durante um longo momento, assim tirou o chapéu, alto e com véu, e tirou as grandes presilhas de marfim que lhe prendiam o cabelo em um severo coque sobre a nuca.
Deixou que a grossa e loira cascata caísse sobre seus ombros e passou os dedos entre os cabelos ondulados enquanto caminhava e, distraída, metia-se em um matagal de sarças a ras do chão.
A prega de sua saia se enganchou em uns espinhos e, ante aquele puxão, Catherine se viu obrigada a parar de repente.
E foi enquanto estava agachada para soltar-se que sentiu um estranho formigamento de alarme lhe percor-rer as costas.
Seu primeiro pensamento foi que a tinham encontrado, e se voltou, totalmente convencida de que veria a cara, o sorriso zombador de um caçador com traje escarlate.
Entretanto, só as verdes árvores que filtravam a luz do sol foram surpreendidas por seu repentino e sobres-saltado olhar, e, enquanto esperava que seu coração se tranqüilizase e se acomodasse de novo no peito, prestou atenção ao gorjeio dos pássaros nos ramos e a silenciosa correria dos esquilos entre a espessa vegetação que a rodeava. Sorriu para seus adentros, imaginando que podia ouvir a estridente voz de sua gorvenanta quando a repreendia:
«Não deve sair a passear sozinha jamais, senhorita.
É um claro convite para arranjar problemas. O bosque está cheio de caçadores de javalis, de dentadura trincada, para quem é tão fácil seduzir a uma garotinha inocente como se parassem para perguntar a hora».
O sorriso de Catherine se entristeceu enquanto continuava caminhando, porque a senhorita Phoebe tinha morrido fazia dois verões.
E embora fosse severa e intransigente, ao menos se preocupou realmente com ela.
Com muita dificuldade podia dizê-lo mesmo da mãe de Catherine, lady Caroline Ashbrooke, ou de seu pai, sir Alfred, um recém eleito membro do Parlamento que poucas vezes tinha mais que um rápido e passageiro pensamento para sua família, e ainda menos para uma filha que parecia decidida a provocar que seus cabelos embranquecessem prematuramente.
Em realidade, Catherine só tinha a seu irmão mais velho, Damien, para procurar consolo e conselhos, e inclusive ele estava se distanciando mais e mais, ultimamente.
Estabeleceu-se como advogado em Londres, e quase nunca encontrava tempo para viajar para Derby.
Agora estava ali, para passar dois curtos dias, mas só porque era o aniversário de Catherine, e lhe tinha insistido de todas as maneiras possíveis (exceto na mira de pistola) para conseguir que estivesse presente.
Não era algo que acontecesse cada dia que uma jovenzinha completasse os dezoito anos, nem tampouco todas as jovenzinhas podiam presumir de ter recebido seis propostas de matrimônio nos últimos vinte e quatro meses... Eram tantas, de fato, que os rostos dos pretendentes começavam a misturar-se




Série Highlanders
1- Orgulho Casto
2- Coração Audaz
3- Em Nome da Honra
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