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24 de março de 2017

Malaquita

Série Jóias do Texas



Se não fosse pela coragem de Ônix, o líder dos Comanches teria certamente sido morto, pois os caçadores de búfalos tinham a vantagem dos rifles.

Mas ter salvado a vida de seu líder, dois cervos, não viera sem um preço. 
Ônix tinha oscilado à beira da morte por vários dias. 
Foi apenas por causa do carinho da irmã do chefe que ele sobreviveu.

Capitulo um

Texas, 1871
Ele tinha estado na sela por cinco dias, parando apenas tempo suficiente para algumas horas de sono e mudança de cavalos. A jornada, partindo de um rancho isolado em Montana para a região montanhosa do Texas, tinha já lhe custado dois bons cavalos. Fora forçado a deixar o primeiro para trás em Wyoming, o segundo no Colorado. Ainda, com alguma sorte, devia chegar ao seu destino antes do amanhecer.
Ele deslizou de sua montaria e ajoelhou-se na neve para beber de um córrego gelado. Passando a mão sobre o seu queixo barbudo, esperou impacientemente até que seu cavalo terminar de beber. Então montou e estava em seu caminho mais uma vez.
Ele era impulsionado por um sentimento de urgência. A mensagem tinha sido breve.
Estrela da manhã está doente. Mas ele sabia que a sua mãe nunca teria permitido essas quatro palavras serem enviadas, a menos que a doença fosse grave.
Incitou sua montaria até uma colina, depois, nas águas do riacho ainda entupido de gelo.
E rezou para que chegar a tempo de fazer as pazes com a mãe cujo coração ele tinha quebrado tantos anos atrás, quando tinha deixado sua casa e povo, virando as costas para o seu modo de vida. O Comanche tinha se refugiado para o inverno em uma pequena floresta, densamente arborizada de uma área do Texas. Para um fazendeiro ocasional ou cowboy, as suas tendas eram indistinguíveis das árvores.
Quando os cascos de seu cavalo agitaram os flocos de neve, a notícia se espalhou rapidamente através do acampamento. O filho da Águia tinha retornado.
No momento em que ele entrou na tenda de sua mãe, uma multidão se reuniu, embora todos mantivessem a uma respeitosa distância.
Uma jovem mulher, sentada ao lado da cama, olhou com surpresa antes de, tranquilamente ter sua licença.
No mesmo instante, ele caiu de joelhos e tomou as mãos de sua mãe na sua. Quão pequenas pareciam. Quão frias.
"Eu sabia que você viria, Filho da Águia. "Sua voz era pouco mais que um sussurro. Mesmo o pequeno esforço parecia demais.
"Como eu não viria? Preciso consertar essa coisa entre nós, Mãe. Eu não deveria ter ficado tanto tempo longe. Eu deveria
ter ... "


Série Jóias do Texas
1-Esmeralda
2- Pérola
3- Jade
4- Rubi
5- Malaquita
Série Concluída



25 de novembro de 2014

O Highlander

Nova tradução e formatação





O homem, como todos os demais, fora trucidado de forma selvagem.

A mulher, cujas roupas lhe haviam sido arrancadas do corpo, fora violentada pelos inimigos antes que a morte misericordiosa a levasse.
— Venha, meu filho. Amanhã voltaremos para sepultar seus mortos disse frei Anselmo, em tom compassivo.
O menino não deu mostras de tê-lo ouvido. Permaneceu imóvel, de joelhos, o rosto sem expressão.
— Precisa esquecer o que viu hoje o frade insistiu, penalizado.
— Nunca!
— Pela primeira vez o garoto quebrou o mutismo que até então mantivera. Depois, apertando os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos, acrescentou, feroz: — Nunca vou esquecer!
A dureza e a determinação daquela criança abalaram o velho frade. Só vira antes tal ferocidade em guerreiros empedernidos por muitas batalhas.
— Quando eu crescer ... o menino continuou falando, através dos dentes cerrados, juro, pela alma do meu pai e da minha mãe, que vingarei meu povo! Os ingleses que fizeram isso, um dia, vão prestar contas à Dillon Campbell!

Capítulo Um

— Moira! Estou vendo os selvagens! De pé no balcão do seu quarto, Leonora, única filha de lorde Alec Waltham, observava os campos verdejantes.
Tão longe quanto à vista alcançava, as terras pertenciam a seu pai. A maior parte fora presente do rei Edward, em agradecimento aos serviços prestados por lorde Waltham à coroa inglesa. Alec Waltham era um dos mais fiéis amigos do rei, e a generosidade deste para com os que lhe prestavam lealdade era lendária, assim como seu temperamento volátil.
Era bem conhecido nos círculos da nobreza o fato de o rei Edward ser autocrático, de gênio explosivo, capaz de tornar-se violento diante de críticas, até mesmo dos amigos fiéis.
Deus nos ajude! Onde? A idosa aia saiu para o balcão e, protegendo do sol os olhos cansados, examinou as redondezas.
— Ali, naquela colina. Está vendo o reflexo do sol nas espadas?
— Sim. A velha criada persignou-se. Nunca pensei que viveria para ver esses pagãos dormindo sob o mesmo teto que gente cristã e civilizada. Nem comendo à mesa do seu pai. Ah, as coisas terríveis que tenho ouvido sobre eles.
— Ouvido? Quer dizer que nunca viu um escocês?
A mulher, que havia sido ama de criação da mãe de Leonora, antes desta, estremeceu.
— Não. Mas tenho ouvido muitas histórias a respeito desses selvagens. São gigantescos, minha criança, andam com as coxas descobertas mesmo na mais gélida temperatura, e vestem pouca coisa além de trapos. Vendo a expressão chocada de Leonora, continuou: — Sim, aqueles que já os viram dizem que são selvagens, violentos, com um jeito rude de falar, e faces barbudas, horríveis de se contemplar.
Os olhos de Leonora se arregalaram.
— Ah, Moira, e o que eu vou fazer? Papai me mandou ficar ao lado dele para recepcionar essas ... criaturas. Ela levou a mão delicada ao pescoço.
— Se ele fosse prudente, teria ordenado que você não saísse do quarto até esses pagãos escoceses fossem embora. Quem sabe de que maldades eles são capazes? A aia baixou a voz. Há pessoas que afirmam que eles comem criancinhas inglesas e bebem o seu sangue.
— Quieta, Moira. Não posso acreditar em tamanho absurdo! Papai nunca os convidaria para nossa casa, se fossem tão monstruosos assim.
— Não se esqueça, não foi escolha de seu pai. O rei ordenou esse encontro.
— Sim, e você acha que nosso rei iria colocar seu mais leal amigo em situação tão perigosa?
A criada não respondeu. Sabiamente guardou para si seu verdadeiro pensamento. Havia espiões por toda a parte e infeliz daquele que caísse no desagrado do trono.
A atenção de Leonora, contudo, já se voltara para os três cavaleiros que se aproximavam do fosso que rodeava o castelo. A um grito de comando, a ponte levadiça foi baixada, e o pesado portão, erguido. Os três escoceses avançaram para dentro do pátio e imediatamente a ponte levadiça e o portão voltaram a posição inicial, impedindo qualquer retirada.
— Esses escoceses, comentou Leonora, preparando-se para deixar o aposento, são ou muito tolos ou muito corajosos. Afinal, são apenas três homens contra mais de cem dos melhores guerreiros do rei dentro das muralhas.
—Dizem que basta um escocês para derrotar um exército inteiro de soldados ingleses.


29 de outubro de 2014

Coração Highland

 Série Irmãs McAlpin







Jamie MacDonald tinha uma tarefa solitária e perigosa, unir os clãs rivais das montanhas contra a conspiração de um traidor. 

Sua busca desesperada por aliados o levou ao Clã Gordon e, contra o bom senso, para os braços de Lindsey Gordon, filha orgulhosa e obstinada.
De temível reputação o gigante de barba ruiva que chamavam de Heartless MacDonald, a ela pouco importava com sua rudeza.
No entanto, mesmo quando debateu-se em seu abraço indesejado, ansiava o coração nobre deste guerreiro.

Capítulo Um

Terras Altas da Escócia, 1566
No exterior de Kinloch House os soldados das montanhas ficaram lado a lado, guardando a fortaleza, ignorando o frio de março, assistindo a morte.
Eles não sairiam enquanto restasse fôlego em seu líder.
No interior, Brice Campbell, conhecido em todo o país como o Highland Bárbaro, jazia mal apegando-se à vida.
Mensageiros viajavam até os extremos confins da terra para chamar os amados de seu líder, Correndo contra o tempo, deixando-o com sua amada esposa, Meredith.
Da Inglaterra tinham vindo Brenna MacAlpin e seu marido, Morgan Grey, e seus dois jovens filhos. Da Irlanda, a filha Megan MacAlpin e seu marido, Kieran O'Mara, e seu primeiro filho, Sean.
Chefes das montanhas com os seus soldados ocupavam os arredores da fortaleza antiga. Alguns, como Angus Gordon, amigos de infância, cujo coração estava pesado. Outros, que tinham tido o privilégio de lutar ao lado deste nobre rebelde, esperavam e observavam em silêncio chocado.
O vento varreu descendo pela chaminé, espalhando cinzas e faíscas. Uma chama. Explodiu e quase morreu, então serpenteava ao longo da casca de um tronco até saltar em uma chama de luz.
Os homens e mulheres se abraçavam, todos buscando ou dando conforto.
Crianças, rapidamente superavam sua timidez, falando em muitos dialetos estranhos, se familiarizando. Mas até mesmo suas vozes eram estranhamente constritas, pois sentiam a melancolia da ocasião.
Os servos moviam-se ao redor como se estivessem em transe. Um aglomerado de cães cercava a lareira, olhando nervosamente para cada par de pés.
O silêncio foi quebrado pelo som das enormes portas da frente sendo abertas. Um momento depois, um gigante de barba ruiva parou no limiar.
Seu olhar passou pela sala, em seguida, levantou o olhar à mulher que descia as escadas. Sua figura era magra como de uma donzela. Seu vestido de cetim vermelho, parcialmente coberto pela manta Campbell. Cabelo castanho grosso alastrado sobre o ombro. Carregava uma criança nos braços. Entregando a criança a um servo, correu para a frente.
— Oh, Jamie. Louvores aos céus, você veio. A bela lady Meredith agarrou-o em um abraço caloroso.
— Eu temia que você não chegasse a tempo.
— Eu vim assim que seu mensageiro chegou. Ele estudou-a: Olhos vermelhos e linhas finas ao redor da boca. Vendo o cansaço gravado nas belas características de Meredith, ele puxou-a em seus braços e apertou os lábios em seu cabelo. Ela era a coisa mais próxima de uma mãe que conhecia. Ele tinha sido muito feliz quando, anos antes, seu pai adotivo havia caído de amores por ela e concordara em deixá-lo em casa com ela em Kinloch House.
— Brice ...ele não podia dizer as palavras sobre Brice Campbell viver ou morrer. A pergunta não formulada pairando sobre eles.
— Ele está gravemente ferido. Mas ele vive. Ela viu o alívio no rosto de Jamie.
— Você o curou de ferimentos graves antes, Meredith. Ele vai melhorar; você vai ver. Você é sua razão de viver.
— Sim. Rezo que assim seja. Mas seu destino está nas mãos de Deus. Ela piscou para conter as lágrimas que ameaçavam.
— Brice insiste em vê-lo assim que chegar.
— Sim. Gostaria de vê-lo agora. Ela levantou a saia e mostrou o caminho. Seguindo- a até as escadas disse com firmeza: — Fale-me deste estranho ataque. Seu mensageiro disse ser na própria casa da rainha. É certo isso
— Sim. Meredith parou no topo da escada.
— Nós fomos convidados para jantar com Mary em Holyrood. Ela está confinada estes dias, uma vez que está grávida. Com um leve sorriso, ela acrescentou, Mary sempre teve a companhia de Brice. E agora que seu casamento com o senhor Darnley é tão infeliz, velhos amigos a rodeiam torcendo por ela.
À menção de Darnley, o franzir da testa de Jamie se aprofundou. Ele tinha ouvido os rumores sobre o marido da rainha. Bebedeira, jogos de azar, mulheres.
Se a metade fosse verdade, o casamento estava quebrando o coração terno da pobre jovem rainha.
— Durante o jantar, lord Ruthven cambaleou. Primeiramente temíamos que ele tivesse bebido cerveja demais. Mas depois, vendo o punhal na mão, Brice empurrou a mesa para barrar seu caminho. Mas no mesmo momento senhor Darnley apareceu com vários outros nobres. Ao vê-los, Brice apressou-se em defesa de Mary, percebendo que significava um ataque.
Jamie sentiu seu coração parar.
— Será que a nossa rainha foi ferida?
— Não, graças a Deus. Graças apenas a Brice. Mas pobre Riccio.
— É verdade, então, que o secretário de Mary morreu?
— Sim, Meredith sussurrou, suprimindo um arrepio.
— George Douglas utilizou a própria adaga de lord Darnley para o ato sangrento. Ele e lord Ruthven devem ter esfaqueado o jovem Riccio mais de cinquenta vezes antes de arremessar seu corpo escada abaixo. A rainha estava perto da histeria.
— E Brice? Os olhos de Jamie se estreitaram.
— Qual deles segurava a faca que causou as feridas?
— No meio da confusão, eu não podia ver. Havia servos chorando, e a própria rainha estava ajoelhado sobre o corpo de Brice, gritando por ele.O amado bárbaro highlander. Meredith tremeu.
— Eu não vi quem infligiu os ferimentos. Mas o estrago é grande.
Quando chegaram à porta da câmara, Meredith virou.
— Você não deve exigir demais de sua força. Ele perdeu muito sangue.
Não era a natureza de Jamie sentir medo. Nos últimos anos, combatera na fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, tornara- se conhecido como um guerreiro destemido. Ele sabia o que os outros o chamavam quando pensavam que ele não podia ouvir.
O MacDonald Heartless. Sim, ele era sem coração no meio da batalha.
Mas ao ver que o esperava, sentiu seu coração parar.
Era como se suas veias, de repente se tivessem transformado em gelo. Ele estudou o rosto do homem que era o único pai que ele nunca tinha conhecido, agora deitado indefeso como um bebê pequenino.
A cabeça de Brice estava envolta em ataduras.
Sangue infiltrava através das camadas de bandagens recentes. Uma tala foi colocada rigidamente ao seu lado, coberto com lençóis espessos. Seu peito subia e descia em cada respiração ofegante.
Jamie parou por um momento, lutando contra os sentimentos que rasgavam através dele.
Medo, raiva, impotência. Deixando de lado suas emoções, se ajoelhou até que seu rosto estava perto de Brice.
— Eu estou aqui, ele sussurrou.
Ele viu quando as pálpebras do homem mais velho piscaram, depois abriram. Havia uma palidez mortal em sua pele.
— Eu sabia que você viria.
A voz de Jamie tremeu com fúria.
— Eu preciso de apenas um nome e eu vou vingá-lo desse crime terrível. Diz-me quem empunhou a adaga. Ao cair da noite o seu inimigo vai morrer em seu próprio sangue.
— Não. É mais do que vingança você deve procurar. A mão que agarrou a manga de Jamie foi surpreendentemente fraca. O homem, que tinha resistido ao ataque de exércitos, que havia ampliado sua fortaleza nas montanhas e a defendido contra todos os ataques, agora estava fraco demais para cerrar o punho.
Os olhos de Brice, embora vidrados de dor, fitaram Jamie com o velho aspecto familiar de comando.
— Escute bem. Sua primeira preocupação deve ser a nossa rainha, que era o verdadeiro alvo do ataque.
— Ruthven mataria nossa rainha?
— Não apenas Ruthven. Brice se esforçou para falar apesar a dor que o assolava com cada palavra.
— Eu não confio em Darnley. Não confio em ninguém para manter a Rainha em segurança, somente você.
— Darnley!


Série Irmãs McAlpin
1- A Prisioneira do Castelo
2- Uma rebelde na corte
3- Prisioneira do Esquecimento
4- Coração Highland
5- Guerreiro Amante
6- O Inimigo
Série Concluída



3 de outubro de 2011

Sob O Encanto do Amor




Uma bela feiticeira, um nobre guerreiro e a vastidão bravia da Escócia!

Escócia, 1559.

Merrick MacAndrew sabia que era uma busca baseada apenas em lenda, mas sentia-se disposto a arriscar tudo para salvar o filho que estava morrendo... até raptar

Allegra Drummond, cujos místicos talentos de cura se igualavam a seu poder de deixar o coração dele ardendo de paixão!

Que encantamento era aquele?
Um lorde forte e intimidante das Terras Altas havia tirado Allegra Drummond de seu idílico isolamento para fazê-la obedecer-lhe!
Não importava que os motivos dele fossem louváveis e despertassem a compaixão e a preocupação dela.
Merrick MacAndrew usara uma magia própria de transformação de vida para uni-la a ele para sempre... de coração, corpo e alma!

Capítulo Um

Reino Místico, 1559

Allegra, você já trabalhou mais do que o suficiente por hoje. — Kylia afastou uma mecha de cabelo preto da face, parando junto a uma das várias carreiras da horta onde a irmã se ocupava arrancando ervas daninhas com sua enxada. — Agora, venha pescar comigo.
— Oh, como eu adoraria ir... Mas tenho outras carreiras para capinar.
— Isso pode esperar. E você vai se refrescar tanto quando andar descalça à beira do riacho comigo! — exclamou Kylia, entusiasmada.
Aos seus dezoito anos, com lustrosos cabelos negros e impactantes olhos cor de mel, no momento mais parecia uma criança ansiosa por sua diversão favorita do que a linda jovem que era.
— Sim. Eu gostaria muito de ir até lá. — Allegra removeu a camada de transpiração de sua fronte com as costas da mão. — Tão logo tiver terminado aqui, eu me reunirei a você.
— Promete?
— Claro.
Kylia sorriu, satisfeita, pois o prazer era sempre maior quando partilhado com sua irmã.
Enquanto se afastava, a irmã mais nova, Gwenellen, de dezesseis anos, surgiu correndo pelo campo, seguida de Jeremy.
Embora no passado ele tivesse sido conhecido como um troll agressivo, exigindo pagamento de todos aqueles que haviam atravessado sua ponte, Jeremy encontrara paz e contentamento ali, no Reino Místico.
— Allegra. Jeremy e eu encontramos um maravilhoso caminho de morangos na floresta.
Com sua estatura não maior do que a de um anão, o troll meneou a cabeça, o gesto agitando-lhe a cabeleira farta e escura que lhe chegava quase até os pés.
— E são os mais doces que já provei.
— Sua voz fazia lembrar um sapo coaxando. — Venha conosco e nos ajude a colhê-los — convidou, entusiasmado.
Allegra sacudiu a cabeça.
— Obrigada, mas primeiro tenho de terminar minha tarefa. Depois, prometi a Kylia que iria pescar com ela no riacho.
Mas se vocês dois ainda estiverem na floresta quando eu tiver terminado tudo isso, ficarei contente em ajudá-los.
Gwenellen dirigiu um sorriso travesso à irmã, os intensos olhos azuis brilhando.
— Espere. Deixe-me terminar sua tarefa agora mesmo.
— Antes que Allegra pudesse detê-la, ela bateu as mãos e entoou: — Desapareçam, ervas daninhas. Façam o que eu mando.
Quase imediatamente, um grupo de doninhas passou correndo por perto pelo campo e um grande manto caiu do céu.
Gwenellen olhou ao redor, mortificada, e, então, ergueu a cabeça para gritar:
— Não doninhas! Daninhas. E eu não disse manto, mas mando!

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13 de agosto de 2010

Brumas do Passado





Um mundo de escuridão e mistério...

Foi isso que Olívia St. John descobriu ao chegar em Blackthorne para trabalhar como preceptora. Mas ela estava determinada a desvendar os segredos que cercavam as terras de Lord Quenton Stamford e arrancá-lo daquela melancolia voluntária.
Quenton Stamford jurara que jamais confiaria em uma mulher novamente. Até que Olívia St. John surgiu em sua vida. 

A determinação dela em vencer as próprias dificuldades despertou-o de seu longo pesadelo. Mas como podia seguir seu exemplo e aprender a amar novamente?

Capítulo Um

Cornualha, 1662.
As sombras do entardecer projetavam-se sobre as colinas ondulantes e as campinas verdes pontilhadas de ovelhas. Camponeses arrendatários, cansados após um dia nas plantações, pararam as atividades para ver ao longe uma elegante carruagem dirigindo-se ao castelo.
— O coração de pedra voltou. — Um homem velho apoiou-se no cajado e virou-se para o filho. — Não bastou ter matado a esposa e jogado o irmão do penhasco, deixando-o mudo e paralítico. Nem partir para a Inglaterra, levando uma vida de crime nos mares, deixando o avô para cuidar do caos aqui. Ainda deve achar que sua amizade com o rei lhe dá o direito de voltar e reclamar a herança, como se nada tivesse acontecido.
— Quem vai detê-lo? — resmungou o mais jovem.
— Quem... Os ricos vivem sob suas próprias regras. — O velho estreitou o olhar e observou a carruagem parar no pátio distante. — É ruim que nosso suor e sangue contribuam para tanta riqueza, mas seria ainda pior morar no castelo Blackthorne, como aqueles serviçais...
— Louvado seja! O lorde chegou! — A sra. Thornton, governanta de Blackthorne, o domínio do lorde Quenton Stamford, bateu as mãos para chamar a atenção dos serviçais, conclamando-os com sua voz aguda e desafinada.
Quanto mais agitada, mais alto falava: — Edlyn, sua lambari retardada e imprestável! Pare de se embonecar e vá logo com os outros!
Enquanto os serviçais saíam pela porta da frente e perfilavam-se no pátio a governanta e Pembroke, o mordomo, tomavam seus lugares um pouco à frente. Formavam uma dupla cômica, a sra. Thornton rechonchuda de avental manchado e lenço sobre os cachos grisalhos, Pembroke alto e magro como uma vara, com os cabelos pretos meticulosamente arrumados e a roupa igualmente engomada. A voz dela lembrava articulações enferrujadas, enquanto a dele era tão afetada quanto a usada pela realeza.
O cocheiro freou a composição, desceu e abriu a porta da carruagem. Uma figura de capa saltou, mal olhando para a equipe reunida.
— Bem-vindo ao lar, senhor — declarou Pembroke, após pigarrear ruidosamente.
— Espero que a viagem tenha sido aprazível — acrescentou a governanta.
— Permita-me apresentar-lhe os seus criados, senhor. — Pembroke voltou-se e viu as moças já na devida postura de reverência, enquanto os rapazes tiravam os bonés.
Lorde Stamford saudou-os com um movimento de cabeça quase imperceptível e voltou-se para a porta da carruagem, de onde saltava um menino pequeno.
Ereto como um poste, Pembroke não externou o menor sinal de surpresa, mas olhou curioso para a criança morena, de cabelos e olhos castanho-escuros.
O menino, por sua vez, admirava a fortaleza imponente cercada de amplos jardins bem cuidados, as torres acasteladas captando os últimos raios de sol.
O cocheiro já descarregava a bagagem, deixando-as no chão. Com um estalar de dedos, Pembroke destacou alguns membros da equipe para transportar as malas e bolsas do lorde.
— Gostaria de um jantar tardio,senhor? — indagou a sra. Thornton, nervosa.
— Não, não quero nada.

Série Irmãos Conover

3- Um jogador Apaixonado


    
Yale adorava as emoções do jogo. Apesar disso, nunca se considerara um proscrito, enbora zombasse da lei dos homens. 

Preferia rotular-se como um individuo que vivia segundo as próprias leis.
Quis o destino que Yale, movido por seu alto senso de justiça, decidisse ajudar uma viúva e seus dois filhos a escapar de um bando de criminosos. 

E, para sua surpresa, ela era Caroline McKinnon, a jovem que fora obrigado a abandonar. 
 Caroline, que se tornara uma mulher cativante e corajosa, o fez ansiar por um lar e pelo amor de uma boa esposa, objetivos que ele sempre descartara. Mas o amor reacendido sobreviveria a uma escalada de perigos?



2- Corações Indômitos

Sempre vestida com trajes masculinos de pele de gamo e com os cabelos loiros e encaracolados presos sob um chapéu de aba larga, ela era conhecida por sua tenacidade em perseguir, por semanas a fio, os rastros de cavalos selvagens. 

Dormia tão bem ao relento, sob as estrelas, quanto no calor de uma cama. Distinguia as rochas pelo formato, conhecia os picos das montanhas um por um e cada curva das trilhas. 
Acima de tudo, ela aprendera a esperar o inesperado e a resolver qualquer contratempo.
Mas Bo Chandler foi uma surpresa que pegou Kitty desprevenida. Depois de salvar a vida de Bo, ela começou a sentir os primeiros e inegáveis sintomas do verdadeiro amor. E não ficou nem um pouco satisfeita com isso!
Ela entendia de cavalos, mas os homens eram uma espécie bem mais complicada. Kitty não estava disposta a confiar seu coração a um desconhecido que acendia nela faíscas mais eletrizantes do que os relâmpagos de uma tempestade de verão!



1- Direito à Esperança

Ele era sério demais. Ela era enlouquecedora! 

Qualquer que fosse o problema naquela cidade, todos se apressavam em chamar o xerife Gabe Conover. 
Não fora somente a habilidade de ser um bom atirador que lhe garantira a notoriedade de xerife mais respeitado da região. 
Fora sobretudo a fama de ser um homem consciente, dedicado, honesto e respeitador da lei, que não fazia nenhuma concessão. 
Mandara mais bandidos para julgamento do que qualquer outro xerife do Território de Dakota. Gabe reconhecia uma situação difícil de longe. E Billie Calley era um problema, e dos grandes. 
As complicações começaram no momento em que ela chegou à cidade. Mas o alvoroço que envolvia Billie no Red Dog Saloon era mínimo se comparado à luta que Gabe enfrentava com sua atração por aquela mulher misteriosa! 
Quando Billie foi acusada de assassinato, o xerife correto teve de decidir quem seguiria: alei... ou seu coração? 

Série Irmãos Conover
1- Direito à Esperança
2- Um jogador apaixonado
3 -Corações indômitos

Série Concluída

O Herói do Texas



O fazendeiro Thad Conway tinha certeza de que a nova professora daquela pequena cidade do Texas não era a jovem recatada e ingênua que fingia ser. 

De acordo com ele, a “srta. Adams” representava muito bem esse papel; mas ao ser atingido pelo intenso brilho daqueles olhos verdes, Thad percebeu o fogo que queimava dentro dela, revelando uma mulher capaz de arrebatadoras paixões… 
Caroline Adams tinha um trabalho honesto numa respeitável comunidade, bem longe dos problemas que a haviam obrigado a fugir de sua terra natal. 
Pelo menos, era o que ela pensava. Até que o pesadelo de seu vergonhoso passado voltou para atormentá-la. 
Agora, correndo perigo, precisava pedir a proteção de Thad, o único homem capaz de salvá-la… ou arruiná-la! 

Capítulo Um 

México, 1885
Thad Conway ouviu um barulho na porta de entrada da cadeia. Por força do hábito, a mão dele foi até o lado direito dos quadris, onde em geral levava um revólver. Daquela vez, porém, não tinha nenhuma arma com que se defender.
No escuro, ouviu o inconfundível clique de um revólver sendo engatilhado, um som que conhecia muito bem. Então, preparou-se para o que estava por vir.
Olhando pela pequena janela gradeada ele podia ver o céu escuro e estrelado. Devia ser por volta de meia-noite, uma hora pouco própria para visitas, mesmo numa cadeia mexicana.
As dobradiças enferrujadas rangeram quando a porta da frente foi aberta. A luz mortiça de uma lanterna iluminou o ambiente à frente dele, mostrando duas figuras. O homem que segurava a lanterna também empunhava um revólver. O outro enfiou a chave na fechadura e abriu a porta da cela.
— Desculpe a demora, senor Conway — disse delegado, numa voz rouca e de forte sotaque espanhol. — Nosso mensageiro levou dois dias para ir até as terras de don Esteban e mais dois para voltar com a informação de que precisávamos.
Thad ficou esperando, sem dizer nada.
Depois de alguns segundos de pesado silêncio, o homem limpou a garganta e prosseguiu:
— Don Esteban confirmou que a égua em seu poder não era roubada. De fato, como nos disse… você a comprou a dele.
A única reação de Thad foi apertar levemente os olhos.
Como se sentisse um calor provocado pela raiva do ex-prisioneiro, o delegado deu um passo atrás.
— Espero que compreenda o nosso engano — ele se desculpou, com a voz trêmula. — Um homem como você… Todos nós já ouvimos falar da sua habilidade com o revólver. Era natural concluir que o Texano houvesse roubado a égua puro-sangue de don Esteban.
Então o mexicano se voltou para o homem atrás dele, que entregou o revólver e o cinto-cartucheira.
— Sua arma, senor.
Sem uma palavra, Thad passou a cartucheira em volta da cintura e pôs o revólver no coldre. Depois, pegou o chapéu de cima de um banquinho ali perto. Só então quebrou o silêncio que havia se imposto.
— Onde estão meus cavalos?
O carcereiro olhou para o chão, temeroso de enfrentar a frieza daqueles olhos.
— Estão lá fora.
Thad passou pelos dois homens e saiu na noite fria. Pacientemente examinou a égua, certificando-se de que ela havia sido bem cuidada na ausência dele. Depois examinou também o cavalo e verificou o conteúdo das bolsas da sela. Finalmente, apertou a cilha dos dois animais, montou no cavalo e segurou as rédeas da égua.
Sem olhar para a cadeia onde ficara confinado nos últimos quatro dias, bateu de leve com as esporas no ventre do animal e rumou para a fronteira.
Os dois mexicanos suspiraram aliviados. O famigerado homem conhecido como o Texano não era mais responsabilidade deles.
— E melhor se preparar, moça. Logo a estrada vai ficar bem ruim.

Anjo


Desde quando os anjos do Natal usavam guarda-pós e chapéus de abas largas? 

Talvez fosse esse o traje que reservavam para Montana, pois Quin McAllister parecia um deles ao surgir naquela região selvagem e na vida de Cassie Montgomery e suas duas filhas. 
No entanto, ela sabia que a sua felicidade duraria pouco. 
Apaixonou-se por um homem que jamais renunciaria à liberdade de não se fixar em lugar algum. 
Quin McAllister, um jogador, começara a se apaixonar por Cassie muito antes de conhecê-la, graças às cartas do marido dela. Então, perdeu o coração quando a viu com seus próprios olhos! 
Cassie era a única mulher que o levaria a arriscar todas as suas cartas a fim de conseguir tudo quanto sempre desejara… 

Capítulo Um

Território de Montaria — 1867
A mulher corria, atravessando o pátio entre a cabana e o estábulo, nitidamente alarmada. Abrindo a porta pesada de madeira, ela entrou, levando consigo o vento gelado que carregava flocos de neve.
— Cassie! Temos problemas! Vem vindo um cavaleiro em direção a nossa casa. — Ela calou-se para recuperar o fôlego antes de prosseguir.
— Não reconheci o cavalo… Acho melhor apanhar o seu rifle, menina. A jovem mulher parou de colocar feno na manjedoura e, deixando cair o forcado, apanhou o rifle apoiado na porta.
— Voltem todas para casa. — Ela virou-se para as duas garotas que a ajudavam. — Jennifer e Rebecca… Acompanhem sua avó. Mantenha seu rifle carregado e apontado para o forasteiro através da fresta da porta, mãe.
Cassie esperou até que as três estivessem seguras dentro da cabana antes de sair do estábulo para aguardar a chegada do forasteiro. Ele descia a colina do norte, em um cavalo negro que se movia sem esforço aparente através das lufadas de vento e neve.
O cavalheiro lhe pareceu ser uma aparição fantasmagórica, vestido de branco da cabeça aos pés. Quando ele se aproximou mais, Cassie percebeu que a neve formara uma camada alva e brilhante sobre o chapéu e o guarda pó do estranho, dando-lhe uma aparência de um ser de algum outro mundo.
Ele não disse uma só palavra até parar o cavalo bem junto de Cassie.
— Bom dia, madame. — Ele tocou polidamente a aba do chapéu.
— Estou procurando por Ethan Montgomery.
Com um olhar rápido, Cassie notou a sela luxuosa e as botas brilhantes e bem cuidadas do recém chegado. Aquele forasteiro não pertencia à agreste região de Montana! Um homem tão bonito e fascinante estaria à vontade num belo salão, jogando cartas e flertando com belas mulheres ricamente vestidas.
— Ele não está aqui.
— Mas já ouviu falar dele?
— Pode ser… Ao notar o rifle mirando o seu coração, ele manteve as mãos imóveis e bem à vista da mulher. Seria loucura assustá-la com um gesto brusco pois também avistara uma outra arma, através da porta da cabana, apontada em sua direção. Os habitantes de Montana eram doentiamente cautelosos e não pretendia ser pego no meio de um fogo cruzado.
— Por acaso, estou perto da propriedade dele?
— Está dentro dela. Disfarçando a surpresa, ele reconheceu que não prestara suficiente atenção na fala macia e de sotaque nitidamente do sul da Geórgia ou nos caracóis ruivos escapando do enorme capuz do casaco. Entretanto, seria impossível imaginar que aquela criatura rústica fosse a requintada beldade de Atlanta de quem tanto ouvira falar,
— Então, você deve ser Cassie… A Sra. Montgomery.
— Exatamente. E quem é o senhor?
— Um amigo de Ethan. Seu marido me escreveu uma carta, pedindo-me que viesse juntar-me a ele. Meu nome é Quin McAllister.
— Quin… — Sem disfarçar a surpresa e o embaraço, Cassie abaixou, o rifle. — Desculpe-me, sr. McAllister. Eu não costumo receber amigos de meu marido dessa forma. O senhor deve estar gelado. Por favor, venha até nossa casa para se aquecer.
Desmontando, ele puxou o cavalo, caminhando para a cabana. A porta se abriu e uma mulher de meia idade surgiu, com o rifle ainda apontado na sua direção.
— Está tudo bem, mãe. Este homem é um amigo.
A mulher afastou-se da porta e, logo atrás dela, Quin avistou duas garotas abraçadas. A mais velha, de aproximadamente doze anos, tremia convulsivamente e a caçula, de cinco anos, segurava com força as mãos da irmã entre as suas. Ela não demonstrava nenhum temor e sim uma ávida curiosidade.
— Vocês só podem ser Jen e Becky — declarou Quin, sorrindo. — Becky… Seu pai me contou que a sua voz é angelical, digna de um coro de igreja. Falou de uma criança e vejo que já é quase uma mulher. Quanto a Jen… Ele me dizia que ainda era um pingo de gente!




Aventureira!



Uma farsante na corte

Stephan Driscoll precisava de uma mulher não apenas por uma noite de amor... Bastava ao impetuoso lorde estalar os dedos, para que qualquer uma das damas da corte de Londres se atirasse a seus pés. 

Quando, porém, o rei Charles II decidiu, só por capricho, obrigá-lo a se casar, Stephan escolheu a desconhecida e estonteante Lady Claire.
Dessa vez Claire se metera em sérios apuros! 
Fora capturada, juntamente com um bando de ladrões, ao tentar assaltar o lorde e seus amigos. 
Sem meios de escapar, não tivera alternativa senão desempenhar seu papel na estranha encenação que o nobre idealizara. 
Mas fingir ser um respeitável dama em meio a todo aquele luxo foi bem mais fácil do que ocultar uma outra e perigosa verdade: a paixão de Claire irresistível Stephan...

Capítulo Um

Londres, 1665
Marinheiros, estivadores, artesãos e comerciantes aglomeravam-se na taverna. A uma longa mesa sentavam-se três homens, que se destacavam por suas jaquetas bem talhadas, calções de cetim e chapéus emplumados, que pen­diam de cabides na parede. Tendo consumido vários picheis de cerveja, ocupavam-se em beliscar as raparigas que serviam às mesas e trocar comentários com os outros fregueses.
Dois de seus companheiros sentavam-se a um canto mais afas­tado, as cabeças juntas, conversando em voz baixa.
— O ano que passou no Novo Mundo não o afetou, Stephan. Pensei que voltaria transformado em um bárbaro.
— Mas foi justamente o que aconteceu! — Uma gargalhada deixou à mostra os dentes alvos, que se destacavam no rosto bronzeado pelo sol e pelo sal marinho. — As colônias da América são lugares espetaculares, James. Creio que deixei lá o meu co­ração.
— Então deseja voltar?
— É o que pretendo. Assim que tiver a audiência com seu irmão e encerrar as formalidades de mais um título, ou seja, o que for que ele tiver planejado para a cerimônia em Westminster.
— O avanço da peste fez com que meu irmão deixasse Londres e fosse respirar o ar puro do campo em Hampton Court. Disse que esperava convencê-lo a passar o verão lá, na companhia dele.
O rosto fino e anguloso abriu-se em um sorriso.
— Quando o rei espera convencer alguém de alguma coisa, isso significa uma ordem real que não pode ser desobedecida. — Deu um suspiro. — Eu esperava partir dentro de no máximo um mês.
— Um mês? Acho que vai ficar de cabelos brancos antes de pôr o Ilusão para navegar novamente. Stephan. Charles tem planos para você.
Uma sobrancelha escura se arqueou.
— Planos? Que planos?
O companheiro observou-o atentamente.
— Já deve saber que ele não o chamou simplesmente para lhe conceder mais títulos, honradas e terras. Lorde Ashton.
— Sabe que detesto esse título. — Stephan fez uma pequena pausa, e prosseguiu: — Por que, então, a carta dava a entender que me convocavam de volta a Londres para receber as honradas de um rei agradecido?

Milagre de Natal





Um presente de coração Era difícil encontrar a magia do Natal no caminho para o Oeste, em 1866.

Apesar disso, Lizzy Spooner pretendia lutar para que sua família, traumatizada pela guerra, não abandonasse os antigos sonhos nem mesmo no Novo México, com intensas nevascas e homens rudes corno a terra selvagem em que viviam. 
O espírito natalino não tinha significado algum para Cody Martin, homem amargurado e “casado” com as montanhas primitivas que ele escolhera para seu lar. Então, numa noite em que a neve parecia cobrir o mundo, o brilho de uma promessa surgiu diante de seus olhos na figura de Lizzy Spooner, seu anjo de Natal…

Capítulo Um

Território do Novo México
Inverno de 1866
Concentre-se, menina! Empurre esse tronco com toda a sua força ou não sairemos mais daqui!
— Estou tentando, vovô…
Lizzy Spooner colocou todo o seu peso sobre o tronco que servia de alavanca e a carroça se ergueu ligeiramente, o bastante para que seu avô pudesse trocar a roda quebrada.
Enquanto ela e o avô trabalhavam, a irmã mais nova de Lizzy, Sara Jean, permanecia deitada sobre o capim crestado pelo frio à beira da trilha. Já nos últimos meses de gravidez, a jovem tentava encontrar uma posição que aliviasse as dores provocadas por longas horas de viagem na incômoda carroça.
A poucos passos deles, um garoto de cinco anos procurava capturar um grilo que saltava entre os arbustos secos.
— Talvez fosse melhor nos abrigarmos junto a essas árvores, vovô. — Lizzy puxou para mais perto do rosto o cobertor que retirara da bagagem para substituir o xale de lã que já não a protegia dos ventos gelados. — A cor do céu não me agrada e o ar está ficando a cada instante mais frio.
— Nós não vamos parar — resmungou Amos Spooner que terminara de prender o último parafuso da roda. — Ajude a sua irmã a voltar para a carroça, Lizzy.
Antes que ela pudesse protestar, o velho Amos acomodou-se no banco da carroça. Lizzy resignou-se a prosseguir apesar do mau tempo que se aproximava rapidamente. Aprendera, há muitos anos, que não adiantava argumentar com o avô depois que ele tomava suas decisões.
— Venha, Sara Jean — pediu Lizzy à irmã. – Levante-se.
— Como eu gostaria que ficássemos junto a estas árvores pelo menos por uma noite! — Sara Jean massageou as costas doloridas. — Não sei por quanto tempo mais vou agüentar os solavancos desta maldita trilha.
— Talvez estejamos perto de alguma cidade. — Lizzy voltou-se para o garoto que se aproximava da carroça. — Vamos, James! É hora de recomeçar a viagem.
Mal o menino havia se acomodado atrás da irmã,o velho Amos chicoteou os cavalos e a carroça começou a se mover lentamente sobre o solo acidentado.
— Nós realmente estaremos na Califórnia para festejar o dia de Natal, Lizzy? — perguntou o garoto, revelando incredulidade.
— Vovô tem certeza que sim…
Lizzy controlou as lágrimas com muito esforço. Durante vinte anos, ela passara o Natal em Willows, a antiga fazenda que pertencia à sua família há mais de um século. Pela primeira vez em toda a sua vida, não celebraria as festas natalinas no salão luxuoso mas aconchegante da imponente mansão que seu bisavô erguera na Geórgia.
— E você acha que o Natal chega até este lugar selvagem, Lizzy? — insistiu James, preocupado.
— É claro que sim…
— Pare de dar trela a James, Lizzy!

Segredos de um Coração







Teria o amor forças para brotar em corações endurecidos pela guerra?

Dulcie Trenton ressurgira das cinzas da guerra determinada a construir uma vida nova. Mas o preço pela sobrevivência era alto e poderia custar-lhe o amor de Cal Jermain, cuja honestidade era tão forte e real quanto sua paixão.
Arrasado e amargurado, Cal precisava de um milagre, e a providência lhe fornecera um quando Dulcie e um grupo esfarrapado de órfãos invadiram sua ilha, acabando com a tristeza dele.
Mas poderia um homem que já tinha estado às portas do inferno algum dia esperar que pudesse ter um anjo em seus braços?

Capítulo Um

Ilha Jermain, Carolina do Sul
A tempestade não durou mais de uma hora, mas os ventos, com sua força destrutiva, tinham arrancado várias árvores e derrubado um celeiro, o qual tombara como uma armação feita com cartas de baralho. A chuva caía ainda do céu escuro, mas o pior já passara.
Cal Jermain andava pelos canteiros, observando as mudas, tombadas pelo temporal. Avaliava os estragos, percebendo que acabara de perder dias e dias de trabalho duro nos campos de sua propriedade. A plantação estava arruinada e teria de ser totalmente refeita se quisesse colher alguma coisa no final do verão.
Meneou a cabeça, entristecido e desanimado, voltando-se em direção à praia, para onde se encaminhou com passos pesados. Quando se aproximou mais, saindo da linha de arbustos que contornavam a orla, divisou um barco junto à arrebentação.
— Ora, se um homem não se importa em amarrar bem sua embarcação, deveria perdê-la, por castigo — murmurou, irritado, mais pelo que lhe acontecera do que por perceber a falta de responsabilidade do provável dono do barco.
E, mesmo aborrecido, resolveu aproximar-se e amarrá-lo. Ao chegar mais perto, sentiu que a respiração lhe faltava. Havia muitos corpos inertes no fundo do barco. Estavam amontoados, mas pôde contar sete com certeza. Mulheres e crianças. Estavam desfalecidos, alguns tinham cortes que ainda sangravam.
Cal praguejou alto, e agarrou a proa da embarcação, puxando-a para fora da água. Quando conseguiu, ouviu um gemido dolorido e, de imediato, procurou identificar o sobrevivente.
Uma moça ergueu a cabeça levemente. Seus cabelos negros, como a noite, estavam colados a sua cabeça e ombros, e contrastavam com a palidez cadavérica de seu rosto, dando-lhe um aspecto quase grotesco.
— Sara! — Cal sussurrou, em um misto de surpresa e incredulidade. — Meu Deus! Você veio!
Ajoelhando-se a seu lado, Cal levou as mãos aos ombros da moça, só então percebendo seu engano. Não se tratava de Sara; e, naquele momento, pôde ter certeza de que aquela estranha nem sequer se parecia com ela. No entanto, a voz de Cal ainda era um murmúrio rouco;
— Então, você sobreviveu... Pode se sentar? — Ele a amparava, ajudando-a a sentar-se no fundo molhado do barco.
Dulcie sentiu como se tudo se apagasse a seu redor por alguns instantes. Logo em seguida, percebeu o rosto do homem que estava a sua frente. Sua impressão foi um tanto vaga, mas pôde notar os cabelos e os olhos escuros. Era um homem alto e forte, e tinha uma expressão severa na boca de lábios finos.
Segredos De um Coração Sua primeira reação foi de afastar-se, de desvencilhar-se daqueles braços o mais rápido possível. E assim o fez.
Cal percebeu o medo nos olhos verdes dela. Eles brilhavam, talvez de febre, ou choque.
Com calma, ele se afastou um pouco, para não assustá-la ainda mais. Percebeu que ela baixava a guarda.
— Onde estamos? — perguntou, por fim, com voz cansada.
Cal notou de pronto o sotaque sulista. Aquele sotaque trazia-lhe recordações que não queria ter no momento, mas que doíam de maneira quase agradável nos ecos de seu passado. Afinal, as mulheres de sua família sempre tiveram aquele jeito suave e típico de falar.
— Esta baía é conhecida como Baía das Tormentas — respondeu, tentando ser gentil com a desconhecida. — E fica ao largo da ilha Jermain, bem afastada da costa de Charleston.
— Muito afastada?
 

O Inimigo

Série Irmãs McAlpin



Eles não tinham o direito de se amar!

Para salvar a vida de seu irmão gêmeo, Shaw Campbell arrombaria as portas do inferno. Mas ele não caiu nas garras do demônio e sim nas mãos de Moira Lamont — mulher fascinante e intrépida que defenderia a honra de sua família até a morte… levando Shaw consigo!
Nessa época de guerras e vinganças entre clãs, Moira não podia confiar em ninguém. 

 Contudo, nos olhos de Shaw Campbell havia algo que lhe dizia ser ele um homem de paz. Um homem que poderia facilmente conquistar e prender para sempre seu atormentado coração!

Capítulo Um

Escócia, 1315
Com licença, milorde. Um mensagei­ro acabou de chegar de Edimburgo. A sra. MacCallum, a gorda governanta de Kinloch House, a fortaleza dos Campbell, entrou na sala de jantar dizendo. Ela vinha seguida de um rapaz com as roupas úmidas e sujas, o que provava a árdua viagem que fizera pelas florestas da região. O mensageiro colocou uma carta sobre a mesa. Distraído, Dillon apanhou-a e disse à governanta:
— Dê comida e cama ao rapaz, sra. MacCallum.
— Pois não, milorde.
Dillon leu o documento e disse à esposa, sentada à outra extremidade da mesa:
— Rob insiste na minha presença em Edimburgo.
— Oh, Dillon — Leonora protestou. — Você já não fez o bastante? Lutou com valentia ao lado de Rob, deu seu sangue em Bannockburn. Mas agora as batalhas termina­ram e Robert the Bruce conseguiu tudo o que queria. Você merece um pouco de paz.
Dillon olhou para o primo Clive, e comentou:
— Sempre minha leal protetora, não acha?
Clive sorriu com sarcasmo e perguntou a Leonora:
— Você teria coragem de dizer a Rob o que acabou de falar?
— Teria, se Rob estivesse presente. Mas, uma vez que não está, como posso fazer isso?
— Diga quando o vir em Edimburgo — Dillon retrucou com um sorriso. — Porque Rob ordenou que você me acompanhasse.
— Ordenou?
Dillon levantou-se e pegou a mão da esposa.
— Foi um pedido — explicou. — Mas, como Rob agora é rei, ordenar soa melhor que pedir. Ele deseja nossa com­panhia nas festividades comemorativas da independência da nação.
— Uma ordem real. Tudo bem. — Leonora relaxou. Tendo crescido no meio da realeza inglesa, ela não estava nada encantada pela perspectiva de passar algum tempo na companhia dos homens mais influentes da Escócia. Ca­sada com um proprietário de terras escocês, acostumara-se ao ritmo de vida lento dos montanheses. Sentia-se tão à von­tade nas terras altas da Escócia como se tivesse nascido lá. Porém, com a irmã mais nova de Dillon, Flame, a situação era bem diferente. Tendo passado toda sua vida nas mon­tanhas, uma visita à movimentada Edimburgo significaria uma grande aventura.
— E eu? — Flame perguntou. — Fui incluída?
— Acho que não… Leonora interrompeu-o:
— Penso que seria boa idéia expor Flame a uma vida diferente desta nossa por aqui.
— E o que há de errado na nossa vida aqui? — Dillon estendeu as mãos e apontou para a tapeçaria das paredes, os candelabros, os elegantes arranjos que a esposa inglesa trouxera à Escócia montanhosa.
Dillon olhou também para as fileiras de mesas onde se sentaram um dia dúzias de montanheses,-usufruindo a re­feição do meio-dia, com empregados servindo iguarias fumegantes. Depois da derrota dos ingleses em Bannockburn, a vida ficou muito calma na região montanhosa da Escócia. Ou tão calma como se poderia esperar numa terra primitiva onde os clãs ainda combatiam entre si.
— Não há nada de errado em nossa vida aqui — Leonora respondeu — se você acha que a melhor coisa que uma moça deva aprender é montar a cavalo sem sela e manejar uma espada como um homem.
— Ensinar Flame coisas de mulher cabe a você, não a mim — Dillon comentou para dar um fim à conversa. Mas, vendo o olhar suplicante de sua irmã, abrandou-se e acres­centou: — Muito bem. Ela pode nos acompanhar.
— E Clive? — Flame perguntou virando-se para o primo que fora morar com eles em Kinloch Home depois da morte do pai, Thurman. — Ele não foi convidado? Afinal, Dillon, você disse que Clive lutou corajosamente a seu lado.
— E lutou. — Dillon encarou o primo. — Você gostaria de ir às festividades em Edimburgo, Clive?
O rapaz sacudiu a cabeça, dizendo:
— Não. Como meu pai, prefiro a vida simples das montanhas.
— Está louco?! 



1- A Prisioneira do Castelo
2- Uma rebelde na corte
3- Prisioneira do Esquecimento
4- Coração Highland
5- Guerreiro Amante
6- O Inimigo
Série Concluída

Uma Nova Vida



O caminho para o coração de uma mulher…

América do Norte, 1880
Isabella McCree queria ser amada. Por isso, trocou a existência solitária no Leste pela vida numa cabana nas montanhas com um marido de encomenda e seus filhos. Mas conseguiria superar seus segredos e tornar-se uma esposa de verdade?
Dedicado à arte de criar quatro filhos e domar cavalos selvagens, Matt Prescott já não sabia como cortejar uma mulher. Muito menos alguém como Isabella, linda e tímida. 

No entanto, em seus olhos azul-esverdeados viu força e sofrimento e soube que, de algum modo, encontraria o caminho para o coração daquela mulher!

Capítulo Um

Divisa da Califórnia e Nevada, 1880
Quanto falta, cocheiro? — gritou Izzy pela janela da diligência postal, em meio ao barulho dos cascos e arreios dos ca­valos. O vento forte balançou-lhe o chapéu e o teria ar­rebatado, se ela não o segurasse com a mão.
— Meu nome é Boone, dona, já disse! E já estamos nas terras de Prescott!
— Já?
— Entramos a uns três quilômetros! Vai ver a casa da fazenda além da próxima colina!
Izzy acomodou-se de novo no assento duro e olhou pela janela. Quem teria imaginado? Todas aquelas terras per­tenciam a Matthew Prescott. Embora o território lhe pa­recesse ameaçador, com áreas rochosas alcançando picos cobertos de neve, estava impressionada. Seu futuro ma­rido possuía toda aquela imensidão. Levou as mãos ao rosto, de repente afogueado.
Apressada, abriu a sacola de viagem e tirou um par de sapatos. Por serem finos demais, carregara-os desde a Pensilvânia, ou seja, por quase cinco mil quilômetros. No trem. Numa série de diligências. Protegendo-os como a um tesouro. Seu vestido estava todo sujo e coberto de pó e seus cabelos sob o gorro, embaraçados, mas os sa­patos continuavam reluzentes.
Descalçou as botas gastas e enfiou-as na sacola. Então, deslizou os pés para dentro dos sapatos e amarrou-os com todo o cuidado, o tempo todo ensaiando as palavras de sua apresentação.
Isabella McCree. Membro da Primeira Congregação da Pensilvânia. Muito prazer em conhecê-lo.
Ao levantar o rosto, viu pela primeira vez a casa da fazenda.
Sentiu o coração afundar. Não passava de uma cabana tosca rodeada por várias construções igualmente precá­rias. Tudo parecia diminuído em contraste com os picos verdejantes da Sierra Nevada ao fundo.
Os cavalos forçavam os arreios na subida da colina. Quando o solo se nivelou, dispararam pela campina, detendo-se bruscamente diante da cabana.
— Chegamos, dona!
O cocheiro grisalho saltou para o chão e escancarou a porta da diligência.
Izzy estendeu-lhe a sacola antes de descer. Os sapatos novos eram desconfortáveis, mas, para seu prazer, pro­porcionavam um andar seguro e preciso. Dinheiro bem gasto, aparentemente.
— Não estou vendo ninguém, Boone. — Olhou apreensiva para a porta da cabana. — Será que o sr. Prescott saiu?
O cocheiro sorriu, exibindo dentes manchados de tabaco.
— Deve estar na lida. — Estendeu-lhe um maço de correspondências. — Já fazia uns seis meses que eu não passava por aqui. Ele vai gostar de receber isso… e tam­bém de vê-la, dona, claro.
Retomando seu assento, pegou as rédeas e, com um estalo de chicote, fez os cavalos puxarem a carruagem numa ampla curva. Dali a minutos, todo o conjunto desaparecia sob a linha das árvores.
Izzy olhou para a porta fechada. Por mais exausta que estivesse da viagem, não lhe parecia correto invadir a moradia de alguém. Continuava aguardando de pé, por­tanto, fitando as colinas distantes, a mão sobre os olhos contra o fraco sol de outono.
Minutos depois, uma figura a cavalo saiu galopando do bosque próximo, acompanhada de um cão de caça. Da di­reção oposta aproximava-se outro cavaleiro, atravessando um córrego, com vários outros cães de caça. Sob os raios do sol, a água esparramada formava um arco-íris ofuscante.
Antes que pudesse admirar a beleza da cena, porém, Izzy ouviu latidos e uma voz de criança às costas.
— Del, veja. É… uma moça.
Izzy deu meia-volta e viu três garotos de calças remen­dadas e camisas desbotadas com as mangas arregaçadas até os cotovelos. Todos tinham os cabelos desgrenhados cortados no mesmo estilo, à altura das orelhas, com franjinhas sobre as sobrancelhas. O mais novo era loirinho, o do meio, ruivo, e o mais alto, moreno. Salvo pelos cortes de cabelo e roupas maltrapilhas, as crianças não se pare­ciam muito entre si. Seriam os filhos de Matthew?
Os cães de caça já a cercavam, farejando-lhe os tornozelos e latindo tão alto que seria impossível fazer-se ouvir.
Não obstante, tentaria:
— Olá! Eu sou…

20 de agosto de 2009

A Prisioneira do Castelo

Série Irmãs McAlpin








Escócia 1561

A fila de pessoas se estendia até onde alcançava a vista.
Os homens, mulheres e crianças do clã MacAlpin esperaram pacientemente para oferecer seus respeitos a seu latifundiário morto,
Alastair MacAlpin.

Vestidos com roupas e objetos singelos de camponês de lã áspera, suas calosa mãos de uma vida de dura de trabalho que tinham, deixaram seus campos, rebanhos e andaram com passo pesado as milhas para a casa de seu chefe.
Meredith de dezessete anos de idade, a filha mais velha,estava sentada ao lado de seu corpo para saudar as pessoas.
Seu cabelo escuro grosso, cor de mogno, tinha sido escovado em ondas sedosas que caiam sob sua cintura. Seus olhos verdes que ocasionalmente nublavam de lágrimas que eram rapidamente piscadas e banidas.
Ao lado dela sentados, os menores Brenna, de dezesseis anos de idade, com cabelo a cor da asa de um corvo e olhos que rivalizaram com o urze que florescia na colina e Megan de quatorze anos de idade, de cabelo cor de cobre e os olhos salpicados em ouro que deram a ela um brilho aceso que envergonhava até o sol.
Embora fosse a natureza de Brenna ser serena no olho da tempestade, era a primeira vez que Meredith tinha a visto tão comprenetrada.
Um por uma as pessoas paravam para lhes prestar condolências e empenhar sua lealdade a Meredith, a nova chefe do clã.
"Você teve a um bom professor, moça- O velho mal-humorado, Duncan MacAlpin, passou um pano sobre uma lágrima do canto de seu olho e colocou uma mão ossuda no ombro da garota.
- Você aprendeu suas lições adequadamente. Você deixará MacAlpin orgulhoso
- Obrigado, Duncan - Meredith se fortaleceu contra a dor.
Não haveria desmonstração pública de debilidade.
O que as pessoas, e especialmente suas irmãs menores, precisavam ver agora era força, dignidade, esperança. Mais tarde, quando ela estivesse sozinha com sua dor, ela cederia à vontade entristecedora de chorar.
O som de cascos de cavalos espantaram as galinhas .
A porta da casa foi aberta para dar entrada a Gareth MacKenzie e uma dúzia de seus homens. A terra MacKenzie era vizinha à terra MacAlpin ao norte, então se estendia as milhas até que encontrasse ao rio Tweed .
- Minhas condolências. Lady Meredith - Gareth MacKenzie dobrou ponto baixo sobre sua mão, logo começou a estudar a forma quieta de MacAlpin.
- Você sabe, claro, quem assassinou a seu pai?
- Sim. Os covardes. Os salteadores que se escodiam na escuridão e atrás de máscaras. Duncan aqui disse que haviam mais de uma dúzia.
-Você os viu? - Gareth cravou um olhar penetrante no velho cabisbaixo.
-Trazia Mary de volta de um parto na fazenda de nosso sobrinho. Quando percebi o que ocorria, eles fugiram. E MacAlpin estava empapado em seu sangue. - O velho conteve um soluço antes de acrescentar- Mary e eu lhe trouxemos aqui em nossa carroça.
Mas até os medicamentos de Mary não lhe puderam salvar.
- Conseguiu dar uma boa olhada no cavalo deles"? - Gareth dê polegadas sobrevoadas por cima de sua espada, e Meredith foi meio doido pela veemência em seu tom.
Embora suas terras tinham estado ligadas por gerações, ela nunca antes tinha sido testemunha da preocupação de Gareth com o bem estar de seu pai.
- Não - A voz do velho se interrompeu.-Estava muito escuro, e meus olhos ficam escuros. Mas minhas mãos são ainda fortes o suficiente para esgrimir um sabre com o melhor deles. Alguns poucos minutos mais e MacAlpin ainda estaria vivo - ele tocou uma mão no ombro de Meredith e adicionou brandamente
- Eu teria morrido ao lado dele onde sempre estive.
- Não insista nisso, Duncan - Meredith se levantou e abraçou o homem que tinha sido o braço direito de seu pai desde que eram jovens.
- Você e Mary fizeram tudo o que podiam



1- A Prisioneira do Castelo
2- Uma rebelde na corte
3- Prisioneira do Esquecimento
4- Coração Highland
5- Guerreiro Amante
6- O Inimigo
Série Concluída

Uma Rebelde na Corte

Série Irmãs McAlpin
Sem deixar transparecer seu desespero,Brenna MacAlpin via as campinas verdejantes de sua terra irem ficando para trás.

Por ordem de Elizabeth, rainha dos ingleses, havia sido arrancada de seu castelo na Escócia para que se cumprisse uma "missão de paz".
E casando-a à força com um nobre inglês achavam possível aplacar os conflitos entre os dois países?
Seguramente não conheciam seu povo, nem a ela!
As lendas que Brenna ouvira sobre Morgan Grey, o Bárbaro da Corte, não a intimidavam. Ela era uma MacAlpin, chefe de um clã, e não seria subjugada pela violência. Morgan logo conheceria a força de sua "convidada" escocesa, capaz de afrontar a ele e a própria rainha!

Capítulo Um

Escócia, 1562
Uma nuvem acinzentada cobria o céu.
O silêncio súbito, inusual para uma tarde tranqüila de verão, alertou Brenna para o perigo iminente.
Os pássaros desapareceram entre as árvores, silenciando seu canto, e até os insetos se imobilizaram, interrompendo o zumbido e o murmúrio monótono das asas enquanto revoavam em torno das flores.
Brenna MacAlpin, a bela jovem de dezessete anos, tirou a adaga da faixa na cintura, cochichando para sua irmã:
— Volte para o castelo. Agora.
Embora Megan sempre se rebelasse quando lhe impunham ordens, dessa vez reconheceu o perigo na inflexão de voz da irmã. Não havia tempo para discutir e, sem fazer perguntas, obedeceu.
Em poucos minutos, uma multidão de soldados a cavalo fervilhava sobre o topo da colina, a luz do sol refletindo brilhos metálicos de prata polida e adereços de ouro. O estandarte desfraldado ao vento ostentava o escudo do temível soldado inglês conhecido como o Bárbaro da Corte, Morgan Grey.
O cavaleiro montado no corcel negro como o ébano vestia traje preto da cabeça aos pés. Os ombros largos esticavam as costuras da túnica reluzente de pele de zibelina, realçando o corpo magro enrijecido pelos anos de batalha.
Os cabelos castanhos caíam sobre a testa, emoldurando os olhos escuros, impenetráveis.
Num relance, ela percebeu todos os detalhes, porém sua atenção se concentrava na ponta da espada ameaçadora, apoiada na altura do seu coração.
— Deus do céu, Brenna, corra, depressa! Estamos cercadas!
— gritava Megan por sobre o ombro. Brenna MacAlpin tinha consciência da carreira desenfreada de sua irmã em direção ao abrigo do castelo, porém ela não conseguia se mover, paralisada.
Não sentia medo por si mesma, já que passara toda sua vida entre a guerra e a morte. Preocupava-a a segurança de Megan, preferia morrer antes de permitir que fizessem algum mal à menina de quinze anos.
Fechando os olhos por um instante, desejou que a pequena e valente irmã conseguisse se refugiar por trás dos muros da fortaleza.
A voz do recém-chegado, baixa e ameaçadora, ressoou na paisagem.
— Não tenho intenção de machucá-la, porém, se não soltar a adaga, me verei forçado a tirá-la de sua mão. — Sim, eu sei — respondeu Brenna, de forma quase inaudível, enquanto a faca deslizava por entre os dedos, caindo no chão.
— É a maneira típica dos ingleses.
A fúria contida na resposta deixou o intruso perplexo.
Ao ver a silhueta da irmã esgueirando-se entre as sombrias paredes de pedra, Brenna suspirou aliviada. Podia enfrentar a morte agora. Sua irmã estava a salvo.Levantando a cabeça para encontrar o olhar do forasteiro, disse com altivez:
— Pode completar sua façanha. Não tenho medo do senhor, nem da morte e da destruição que carrega consigo.
O cavaleiro olhava do alto de sua cavalgadura, o rosto encantador, a mais fascinante entre todas as mulheres que conhecia. A testa lisa, sem marcas de expressão, os traços perfeitos, destacando-se o pequeno nariz arrebitado e os lábios apertados numa reação de raiva.Grandes ondas de cabelos caíam pelas costas ultrapassando a linha da cintura fina, os seios arfando com o ritmo da respiração entrecortada.
No entanto, foram os olhos que lhe chamaram a atenção, olhos cor de violeta que brilhavam, não de medo, mas de orgulho, de arrogante desafio.





Série Irmãs McAlpin
1- A Prisioneira do Castelo
2- Uma rebelde na corte
3- Prisioneira do Esquecimento
4- Coração Highland
5- Guerreiro Amante
6- O Inimigo
Série Concluída


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