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29 de agosto de 2018

O Fantasma

Série Guardiões das Highlands
Joan Comyn jurou lealdade a Robert o Bruce no dia em que testemunhou o rei bárbaro de Inglaterra torturando a sua famosa mãe, a patriota escocesa Bella MacDuff.

Agora, a misteriosa beleza desliza nos corações dos homens como um espectro e incita os mais ilustres barões da Inglaterra a divulgar os seus segredos sem querer, depois os compartilha com seu rei. 
Conhecida apenas como o Fantasma, mesmo entre os seus irmãos da Guarda das Terras Altas, Joan se tornou a traidora mais procurada da Inglaterra. O homem, determinado a descobrir a sua identidade representa até agora, a sua maior ameaça. Alex Seton já esteve a lado de Bruce, mas agora luta pelo inimigo. Embora Joan saiba que deve evitar o belo guerreiro ou a arrisca a ser descoberta, o seu cavalheirismo toca um lugar nela há muito enterrado. 
Quando as suas suspeitas se tornam aparentes, Joan percebe que deve fazer tudo ao seu alcance para impedir Alex de revelar a sua missão e convencer o poderoso lutador a unir forças com a Guarda das Terras Altas novamente. Mas à medida que a batalha final da grande guerra se aproxima, Alex escolherá amor ou honra?

Capítulo Um

Carlisle Castle, Cumbria, Inglaterra, 16 de abril de 1314
- Você está me deixando louco - o jovem cavaleiro disse enquanto apertava freneticamente a sua boca quente em todo o seu pescoço. - Deus, você cheira tão bem.
Joan desejou poder dizer o mesmo, mas como Sir Richard Fitzgerald, o segundo no comando das forças navais irlandesas do Conde de Ulster, a tinha cercado após o almoço, ele cheirava, claramente, a arenque defumado, o que não era o seu favorito.
Quando ele tentou pressionar a sua boca novamente, nem mesmo a perspetiva de descobrir os movimentos de toda a frota inglesa, poderia impedi-la de virar a cabeça.
- Nós não podemos -, ela disse suavemente. A ligeira respiração em sua voz não era de paixão, mas do esforço de se defender de um determinado aspirante a amante, cansado de ouvir não. - Alguém pode nos descobrir.
O qual era o motivo de ela ter ela escolhido este, como um lugar de encontro. Era privado, mas não muito privado. Ela nunca se deixaria sem meios de escapar
Torcendo-se habilmente, para sair fora do abraço de tentáculo, com a facilidade de alguém que tinha praticado escapar de homens como este muitas vezes antes, ela olhou ao redor ansiosamente, como se tentando provar o seu ponto.
Eles estavam numa secção tranquila do jardim na ala externa do castelo, onde ela anunciou que iria dar um passeio depois da longa refeição. Como ela pretendia, Sir Richard a seguiu até lá e a puxou para trás de uma das treliças de rosas.
O jovem capitão franziu o cenho, o rosto vermelho de desejo frustrado. Com os seus olhos claros, cabelos vermelho-amarelados, tez queimada pelo vento, e constituição robusta, ele carregava o carimbo marcado dos seus antepassados irlandeses. Ele era atraente. Não que isso importasse. Ela perdeu a sua fraqueza por jovens cavaleiros bonitos há muito tempo.
- Ninguém nos descobriria se você concordasse em vir ao meu quarto.
O meu escudeiro pode dormir no quartel durante a noite.
- Eu não poderia - disse ela, como se a sugestão a tivesse chocado, embora não fosse a primeira vez que ela a ouvisse.
O sorriso dele podia ser charmoso para alguém que tivesse menos experiência com os homens. - Nada desagradável vai acontecer - assegurou- lhe com um toque suave do seu dedo em sua bochecha.
Certo. Sempre que ela ouvia falsas promessas como essa, ficava mais difícil fingir inocência de olhos arregalados. Com algum esforço, ela conseguiu. - Você tem a certeza?
Ele assentiu com a voz rouca. -Podemos apenas passar um pouco de tempo sozinhos juntos. Eu pensei que você queria isso.
Ela mordeu ansiosamente o lábio inferior, como se contemplasse a oferta ilícita. O seu olhar se aqueceu, quando ele obviamente contemplou coisas igualmente ilícitas sobre a sua boca.
- Claro que sim - disse ela. - Mas é muito arriscado e temos muito tempo.
- Não, não - ele retrucou, perdendo a paciência com a sedução de duas semanas que sem dúvida, achava que teria progredido muito mais do que alguns beijos roubados. Ela deveria ser uma presa fácil. - Recebi ordens ontem. Vou sair daqui a três dias.
Finalmente, as informações pelas quais ela estava esperando! Joan começara a achar que não ouviria alguma coisa importante dele. Os jovens cavaleiros geralmente estavam tão ansiosos para se vangloriar e se gabar, e é por isso que ela os visava (e porque eles não eram casados), mas Sir Richard tinha sido, frustrantemente uma boca fechada.
Até agora.
Ela escondeu a sua excitação e alívio por trás de uma máscara de preocupação.
- Ordens? Você está partindo? Mas achei que você tinha até junho para ir para Berwick.
- Eu não vou para Berwick. - Ele parecia distraído. Os seus olhos caíram para o peito dela novamente, uma ocorrência frequente. - Deus, você é tão linda. Não há outra mulher como você.
Como parecia que ele poderia tentar beijá-la novamente, ela se mexeu “nervosamente” e falou rapidamente. - Você não vai? Então a guerra terminou?
Ele olhou para cima, do seu estudo lascivo dos seios dela. Ela esperava que ele a achasse tão estúpida quanto ela parecia. Se o seu sorriso divertido, mas ligeiramente paternalista, fosse indicação, ele a achava.
- Não, a guerra não terminou. Mas os meus deveres estão no mar antes do exército.
E por isso é que ela estava aqui com ele. Havia rumores de que o Conde de Ulster, o comandante de Sir Richard, que atualmente estava em York se encontrando com o rei Edward, estaria encarregado de fornecer os castelos antes da invasão inglesa. O rei Robert Bruce, adoraria saber dos seus planos. Embora Ulster fosse o sogro de Bruce, ele era um homem de Edward da Inglaterra.
Ela agia como se as notícias de sua partida fossem devastadoras. - Mas onde você está indo? Quando você estará de volta? Será perigoso?
Se ele teria respondido às suas perguntas, ela não descobriria. O som de vozes se aproximando, colocou um fim rápido na conversa. Inclinando- se, ele deu um beijo rápido em seus lábios que ela não pôde evitar. Arenque.
- Encontre-me mais tarde -, ele sussurrou antes de se afastar.
Nem pensar, ela pensou com um tremor. Pelo menos até que ela tivesse um meio de escapar.


Série Guardiões das Highlands

6 de julho de 2018

O Trapaceiro

Série Guardiões das Highlands
O que não havia para amar?

Sir Thomas Randolph, Conde de Moray, não era apenas um dos mais importantes e mais ricos homens do reino, ele também era encantador, devastadoramente bonito e o sobrinho favorito do rei Robert Bruce.
Ainda assim, quando Isabel – Izzie - Stewart conheceu o cavalheiro, ficou feliz por ele ser o noivo de sua prima e não o seu. Ele levava muito a sério sua aparência e parecia estar fazendo o papel de cavaleiro "perfeito". Por sua experiência, homens que eram bons demais para ser de verdade geralmente não eram. Mas quando Izzie começa a se perguntar se suas primeiras impressões poderiam estar erradas, ela descobre um homem complexo e convincente que está longe de ser perfeito e mais sedutor do que ela jamais teria imaginado.

Capítulo Um

Edimburgo, Escócia, março de 1314 
Eu vou matá-la. Como ela faria sua prima pagar por isso? Era tudo que Isabella Stewart podia pensar enquanto se afastava da Abadia de Holyrood com Sir bom demais para ser de verdade. Bem, por uma hora ― que Deus a livrasse ― ouviria o que Sir Thomas Randolph pensava que ela queria ouvir, isso era demais para suportar, mesmo em nome da amizade. Não que o cavalheiro estimado parecesse muito interessado em encantá-la ou impressioná-la neste momento.
Um olhar disfarçado debaixo de suas pestanas para seu companheiro claramente sombrio lhe disse que ele não estava mais feliz por ser forçado a estar em sua companhia tanto quanto ela. O sorriso de “tente não se apaixonar por mim” que ele não tirava do rosto, era insuportável.
Aversão era provavelmente uma palavra muito forte para descrevê-lo, mas quando Izzie chegou em Edimburgo há quatro dias e encontrou o homem que esperava se casar com a sua prima, ele e Izzie não tinha exatamente se dado bem um com o outro.
Provavelmente por culpa de Izzie. Ela não conseguiu esconder a sua diversão na sua saudação grandiosa. Que vergonha, tinha sentido como se estivesse assistindo a um jogador em um palco representando a fantasia do belo cavaleiro mais perfeito e romântico de armadura brilhante montado em seu magnífico cavalo e ajoelhado diante de sua senhora. Era demais.
Claramente, Randolph (apesar de seu novo título de conde de Moray, todos o chamavam de Randolph) não tinha visto o humor da situação e tinha ficado com algum ressentimento pela sua reação, se suas costas rígidas, mandíbula tensa e o olhar gelado significavam alguma coisa. Poderia ser perfeito e teve que admitir que seu rosto estava muito perto da perfeição, mas ele parecia saber disso e levava isso muito a sério para o seu gosto.
O que era irônico, já que nos quatro dias que o conheceu ela duvidava ter ouvido um pensamento verdadeiro sair de sua boca. Ele tinha uma grande capacidade de dizer a coisa certa, ou melhor, o que pensava que o outro queria ouvir, o que era inegavelmente adorável, mas mais uma vez a fazia se sentir como se estivesse assistindo a uma apresentação.
Uma performance magnífica sem dúvida, mas uma performance do mesmo jeito. Ainda assim, havia algo inegavelmente cativante sobre sua personalidade maior do que a sua vida e sua descarada arrogância e, como todo mundo, não conseguia tirar seus olhos da sua prima. Sir Thomas Randolph era um grande herói em perspectiva ― um homem que se tornaria uma lenda ― e todos sabiam disso. Então, por que Randolph estava levando Izzie para ver os rochedos conhecidos como Costelas de Sansão no parque da Abadia de Holyrood e não a sua prima Elizabeth, com quem estava quase comprometido?
Boa pergunta! E Izzie tinha a intenção de que sua prima lhe respondesse assim que retornasse. Izzie suspeitava que tinha algo a ver com o belo amigo de Elizabeth, Thomas MacGowan. Mas seria melhor que sua prima descobrisse qual dos dois Thomas queria ― de preferência antes que Izzie tivesse que cobri-lá novamente.
Um passeio desconfortável pelo parque era mais do que suficiente. Pelo menos eles não estavam sozinhos, embora fosse assim que ela se sentia. Como o sobrinho preferido do rei Robert Bruce, Sir Thomas Randolph era um dos mais importantes e mais ricos homens do reino e o séquito de homens ao seu redor refletia isso.
Embora provavelmente houvesse provavelmente três dezenas de guerreiros ao seu serviço, apenas um punhado os tinha acompanhado hoje. Os homens, no entanto, estavam a uma distância discreta atrás deles. Aparentemente, eles não tinham sido informados da mudança de planos, pensou com um sorriso irônico. Não era mais o passeio romântico e almoço em uma cesta que Sir Thomas tinha convidado a sua prima.
No entanto, Izzie não tinha dúvida de que a maioria das mulheres da corte ― incluindo muitas casadas ― daria seu olho para estar em seu lugar. E, de bom grado, ela trocaria de posição com qualquer uma delas.
O silêncio constrangedor era insuportável. Mas sobre o que eles poderiam falar? Não tinham nada em comum. Ela franziu a testa. Exceto pela música.
Não a surpreendeu que ele cantasse, o cavaleiro respeitoso em armadura brilhante não poderia cantar uma canção de gesta em uma história de cavaleiros?

Série Guardiões das Highlands


Rocha

Série Guardiões das Highlands

A primeira vez que viu Elizabeth Douglas, Thomas MacGowan pensou que ela fosse uma princesa. 

Para o filho do ferreiro do castelo, a filha do poderoso Senhor de Douglas também poderia ser.
Quando ficou claro que sua amiga de infância nunca iria vê-lo como um homem que poderia amar, Thom se juntou ao exército de Edward Bruce como um homem de armas para tentar mudar o seu destino.
Se ele estava abrigando uma esperança secreta de que poderia preencher a lacuna entre eles, teria que enfrentar o frio da verdade, pois tudo fica difícil quando Elizabeth pede ajuda. Ela pode precisar da criança que costumava escalar penhascos para resgatar seu irmão das mãos do inglês, mas nunca veria o filho de um ferreiro como um homem digno de sua mão.

Capítulo Um

Douglas, South Lanarkshire, fevereiro de 1311
Thom – ninguém mais o chamava de Thommy–, tinha esperado tempo suficiente. Ele deu um último golpe com o martelo antes de remover cuidadosamente a lâmina quente.
Enxugou o suor e fuligem da testa com as costas da mão, tirou o avental de couro protetor pela cabeça e pendurou-o num gancho perto da porta.
― Onde você vai? ― seu pai perguntou, olhando para cima de seu próprio pedaço de metal quente, no caso dele, tinha um leme severamente amassado. O inglês que certa vez o usou devia ter sentido uma dor de cabeça horrível. Se ele ainda estivesse sofrendo, é claro.
― Para o rio me lavar. ― respondeu Thom.
Seu pai franziu a testa, com as feições escurecidas pelas camadas de sujeira que vieram de trabalhar ao redor do forno durante todo o dia. Cada dia. Por quarenta anos.
Embora já não fosse o homem mais alto da aldeia – Thom tinha ultrapassado a altura de seu pai há quase dez anos–, o grande Thom continuava a ser o mais musculoso, mesmo Thom tendo passado alguns anos batendo o martelo não poderia forçar seu pai a dar-lhe esse título também. Fisicamente eles eram muito semelhantes, mas em todo o resto eram diferentes.
― Ainda falta muito para o jantar. ― disse seu pai. ― o capitão Wilton está ansioso pela sua espada.
Thom rangeu os dentes. Embora os moradores de Douglas não tivessem escolha a não ser aceitar a ocupação britânica do castelo – com o atual Senhor de Douglas sendo procurado como rebelde –, não significava que ele tinha que seguir suas ordens.
― O capitão pode esperar se ele quiser que o trabalho seja feito corretamente.
― Mas a sua moeda não. Essas ferramentas não vão se vender...
Embora não houvesse censura em seu tom, Thom sabia o que seu pai pensava. Eles não precisariam tanto da moeda se Thom não fosse tão teimoso. 
Eles estariam sentados ou, ainda melhor, dormindo, com moedas suficientes para substituir todas as ferramentas de forja e expandir para tomar um punhado de aprendizes, se eles quisessem. Mas esse era o sonho de seu pai, não dele. Sua mãe o tinha deixado uma pequena fortuna e Thom não estava disposto a desistir, nem a oportunidade que o acompanhava.
Eles não precisariam de nenhum dinheiro se o atual Senhor do Douglas não estivesse tão ocupado em fazer um nome para si mesmo com todos os seus atos sombrios, que realmente não pensava sobre aqueles deixados em seu rastro e represálias sofridas pelo Inglês. 
Thom tentou empurrar a onda de amargura e raiva que veio do pensamento de seu velho amigo, mas tinha se tornado tão pensativo que era difícil equilibrar seu martelo.
A última vez que Sir James Douglas, o sombrio, tinha tentado livrar seu castelo dos ingleses cerca de um ano atrás, quando ele enganou o então encarregado, o Sr. Thirlwall, a sair da segurança do castelo em uma emboscada, mas não conseguiu tomar o castelo ― a guarnição restante tinha retaliado os moradores, a quem eles acusaram ​​de ajudar os rebeldes.
A guerra é boa para os negócios, ele gostava de dizer ao seu pai. Só que não era. O Grande Thom MacGowan, nunca tinha sido tímido com sua lealdade aos Senhores de Douglas, mas ele pagou pela sua lealdade com uma forja quase destruída e a perda de algumas de suas ferramentas mais caras.
Ferramentas que estavam, provavelmente, em alguma forja inglesa neste momento.
Felizmente, a guarnição e o comandante que tinha substituído Thirlwall, Wilton, parecia um homem justo. Ele não culpava os moradores pelas ações de seu latifundiário rebelde e ele e seus homens viraram clientes frequentes do ferreiro da aldeia, ou como a placa de madeira não proclamava de forma imaginativa, A Forja. Seu pai não gostava dos ingleses, mas estava feliz por receber a sua moeda, especialmente as suas tarifas especiais para os ingleses.
― Terminarei logo. ― disse Thom. ― E, Johnny, a cota de malha está quase pronta, certo?
Seu irmão de quatorze anos assentiu.
― Mais alguns rebites e será tão boa quanto uma nova. ― Ele sorriu, seus dentes um flash branco em seu rosto enegrecido. ― Melhor do que uma nova.
Thom sorriu de volta.
― Não duvido.

Série Guardiões das Highlands

O Atacante

Série Guardiões das Highlands
O Ano do Senhor mil e trezentos e treze. 

Depois de quase sete anos de guerra, Robert, —O Bruce—, fez um retorno improvável de certa derrota para retomar quase todo o seu reino dos compatriotas ingleses e escoceses que lutaram contra ele. O desafio final dos ingleses virá em breve, mas ainda há bolsas de resistência na Escócia para o homem que se chamaria rei Robert I. O mais importante deles é a incômoda província de Galloway, no sudoeste, governada pelo homem mais procurado da Escócia: Dugald MacDowell, o chefe implacável do clã MacDowell. Vendo Dugald MacDowell trazido ao calcanhar, é pessoal para Bruce, como foi o MacDowells que foram responsáveis por um dos momentos mais sombrios na busca de Bruce pelo trono.
Para liderar esta importante missão, Bruce chama Eoin MacLean, um dos famosos guerreiros da força secreta de elite conhecida como Guarda das Terras Altas, que tem razões próprias para querer destruir os MacDowell.

Capítulo Um

Igreja de Santa Maria, perto do Castelo Barnard, Durham, Inglaterra, 17 de janeiro de 1313

Foi um dia muito bom para um casamento. Eoin MacLean, o homem que inventou o plano para usá-lo como uma armadilha para capturar o homem mais procurado na Escócia, apreciou a ironia.
O sol, que se havia escondido atrás das nuvens de tempestade durante semanas, tinha escolhido esta manhã de inverno para reemergir e brilhar no encharcado campo inglês, fazendo a grama grossa ao redor da pequena igreja brilhar e a folhagem remanescente nas árvores brilharem como árvores de âmbar e ouro. Também, infelizmente, captou o brilho de suas correspondências, dificultando a mistura com o campo. 
A longa cota de malha de aço era uma armadura incomum para os homens de Bruce, que preferiam os cotuns de couro preto mais leves, mas, neste caso, era necessário.
De sua vista na encosta arborizada do outro lado da igreja, a pequena aldeia às margens do rio Tees, à sombra do grande Barnard Castle, parecia bonita e pitoresca. Um cenário perfeito para a noiva igualmente bonita e seu cavaleiro inglês cavalheiresco.
A boca de Eoin caiu em uma linha dura, uma pequena rachadura revelando o ácido se agitando dentro dele. Era quase uma pena estragar tudo. Quase. Mas ele estava esperando por este dia por quase seis anos, e nada - com certeza não a felicidade da noiva e do noivo - ia impedi-lo de capturar o homem responsável pelo pior desastre que se abateu sobre Robert —the Bruce— em um reino repleto de muitas delas de que para escolher.
Eles o tinham. Dugald MacDowell, o chefe do antigo reino celta de Galloway, o último da significativa oposição escocesa ao reinado de Bruce, e o homem responsável pelo massacre de mais de setecentos homens - incluindo dois dos irmãos de Bruce. 
O bastardo escapou da captura por anos, mas finalmente cometeu um erro.  Que seu erro foi uma fraqueza para a noiva tornou ainda mais adequado, pois era a fraqueza tola de Eoin pela mesma mulher que havia colocado todo o desastre em movimento.
Sentia-se para a peça esculpida em marfim em seu sporran por instinto. Estava lá - como o pedaço de pergaminho bem lido ao lado. Talismãs de uma espécie, lembretes de outra, mas ele nunca foi para a batalha sem eles.
— Você tem certeza de que ele estará aqui?
Eoin virou-se para o homem que tinha falado, Ewen Lamont, sua parceira na Guarda das Terras Altas, e um dos doze homens que o acompanharam nessa missão perigosa atrás das linhas inimigas. Embora o próprio Bruce tivesse liderado ataques em Durham no verão passado, o rei tinha um exército de apoio. 
Se a dúzia de homens de Eoin teve problemas, eles estavam sozinhos a cem milhas da fronteira escocesa. Claro era seu trabalho garantir que eles não encontrassem problemas.
Opugnate acriter.. Golpeie com força. Foi o que ele fez e o que lhe valeu o nome de guerra de Striker entre os guerreiros de elite da Guarda das Terras Altas secreta de Bruce. Como o atacante que empunhou os poderosos golpes do martelo para o ferreiro, as táticas piratas corajosas e emaranhadas de Eoin atingiram seus inimigos. Hoje não seria diferente - exceto que esse plano poderia ser ainda mais ousado (e mais louco) do que o normal. 
O que, reconhecidamente, estava dizendo alguma coisa.
Eoin encontrou o olhar do amigo, que só era visível sob a viseira do elmo completo. — Sim, tenho certeza. Nada manterá MacDowell do casamento de sua filha.
As informações sobre as núpcias planejadas de Maggie - Margaret - tinham caído em suas mãos por acaso. 
Eoin, Lamont, Robbie Boyd e James Douglas estiveram com Edward Bruce, o único irmão remanescente do rei, em Galloway, no mês passado, fazendo tudo que podiam para interromper a comunicação e as rotas de suprimento entre as fortalezas de MacDowell, na província de Galloway, na Escócia e Carlisle Castle, na Inglaterra, que estava provisionando-os. Durante uma dessas —interrupções—, eles capturaram um pacote de cartas, que incluía uma carta de Sir John Conyers, o policial de Barnard Castle para o conde de Warwick, dando a data do casamento de Conyers à filha —amada— de MacDowell. Dugald tinha oito filhos, mas apenas uma filha, para que não houvesse erro quanto à identidade da noiva.
Lamont deu-lhe um longo e sábio olhar. - Eu suspeito que o mesmo poderia ser dito de você.
O lábio de Eoin se curvou em um sorriso que era muito mais raiva do que diversão. - Você está certo sobre isso.
Este foi um casamento que ele não sentiria falta pelo mundo. 
O fato de que isso levaria à captura de seu inimigo mais odiado só o tornava mais satisfatório. Duas dívidas, atrasadas, seriam reembolsadas neste dia.
Mas diabos, quanto tempo levaria? Ele estava sempre nervoso antes de uma missão, mas isso era pior do que o habitual. Pelo amor de Deus, suas mãos estavam praticamente tremendo!
Ele riria, se ele não pudesse imaginar o porquê. O fato de que ela poderia chegar a ele depois de todos esses anos - depois do que ela fez - enfureceu-o o suficiente para imediatamente matar qualquer contração. Ele estava tão frio quanto gelo. Tão duro quanto o aço. Nada penetrou. Não demorou muito tempo.
Finalmente, a aparição de cavaleiros na ponte levadiça, um dos quais segurava uma faixa azul e branca, sinalizava a chegada do noivo.
Eoin abaixou a viseira de seu elmo, ajustou a pesada e desconfortável camisa de cota de malha e vestiu o sobretudo surrado, que, por coincidência, não correspondia a azul e branco.
— Esteja pronto, — disse ele ao seu parceiro. — Certifique-se de que os outros saibam o que fazer e esperem pelo meu sinal.


Série Guardiões das Highlands

17 de março de 2018

O Arqueiro

Série Guardiões das Highlands
O ano mil trezentos e doze de Nosso Senhor... 

Por seis anos Robert Bruce¹ e seu grupo secreto de guerreiros de elite, conhecidos como 
Os guardiões da Escócia, vem travando um novo tipo de guerra contra os Ingleses, que tem procurado obter a coroa da cabeça do rei Robert e fazer da Escócia um feudo com o rei da Inglaterra como seu Senhor.
Para derrotar o mais poderoso exército nas terras cristãs, superior em número, armamento e treinamento, Bruce abandonou o estilo de luta dos cavaleiros e adotou a guerra “pirata” dos guerreiros ferozes das Terras Altas e das Ilhas Ocidentais. 
Como os nórdicos que desceram sobre a costa litorânea da Grã-Bretanha centenas de anos antes, Bruce golpeou terror no coração do inimigo com seus ataques surpresas, emboscadas e queimando a terra para não deixar nada para trás, ganhando a batalha para os campos da Escócia.
Mas com as guarnições inglesas ainda ocupando importantes castelos da Escócia, e poucas armas de cerco a sua disposição, Bruce terá que se tornar ainda mais inventivo, usando astúcia, trapaça, e as habilidades especiais dos homens de sua Guarda da Escócia para recuperá-los.

Capítulo Um

Berwick Castle, English Marches, 6 de Dezembro de 1312
Não há nada de errado comigo.
Gregor puxou a fecha para trás e a soltou. Um tiro. Uma morte. Ele não perderia.
Ele não perdeu. O soldado congelou em choque paralisado quando a flecha do Gregor encontrou o estreito pedaço de pele entre os olhos, um dos poucos lugares desprotegido pelo elmo de aço preferido dos soldados. O antigo elmo de estilo nasal que os Guardiões da Escócia usavam teria os servido melhor. Mas mesmo nesta estreita faixa, Gregor tinha não mais que trinta metros de distância, tal pequeno alvo exigia habilidade para bater. Habilidade como a possuída pelo maior arqueiro na Escócia.
Um momento depois, o corpo do inglês caiu no chão como uma árvore abatida. Antes mesmo de atingir o chão, o próximo alvo já havia aparecido na muralha. Gregor mirou rápido e disparou. Ele não pareceu pensar; seus movimentos eram tão suaves e preciso como um motor afinado de guerra. Mas a fachada legal, sem esforço mascarava o foco e a concentração intensa embaixo. Todo mundo estava contando com ele, mas quando estava sob pressão era quando Gregor McGregor estava no seu melhor.
Normalmente.
O segundo soldado caiu conforme a flecha acertou o alvo.
Depois de quase sete anos de luta na elite da Guarda Highland do Bruce, ninguém foi melhor em eliminar os principais alvos antes de um ataque do que Gregor. Alvos. É assim que ele tinha de pensar deles. Um obstáculo entre ele e seu objetivo que precisava ser eliminado para conseguir a vitória. E tem havido muitos obstáculos ao longo dos últimos sete anos.
Mas eles estavam fazendo progresso, progresso real, e a vitória sobre os Ingleses que mais pensara impossível foi se aproximando da realidade. Desde que voltou para a Escócia a partir das ilhas ocidentais, onde Bruce e aqueles leais a ele tinham sido forçados a fugir há seis anos, o rei tinha feito melhorias constantes em arrancar seu reino da ocupação Inglesa. Ele derrotou seus próprios compatriotas para assumir o controle do Norte; Robbie Boyd, junto com James Douglas e Thomas Randolph, tinham um aperto firme nas Fronteiras sem lei; e do antigo reino Celta isolado de Galloway estava prestes a cair para o único irmão restante do rei, Edward Bruce.
Tudo o que restavam eram as guarnições Inglesa entrincheiradas nos castelos da Escócia, e um por um essas estavam caindo para Bruce também.Mas nada seria mais importante do que Berwick Castle. A fortaleza impenetrável dos escoceses ou ingleses Marches (dependendo de quem atualmente tinha o controle) tinha visto mais do que a sua quota desta guerra e serviu como sede Inglesa do rei em suas campanhas anteriores. Tomando-a os trariam a um passo, um grande passo, mais perto da vitória. Mas, sem armas de cerco, Bruce e seus homens tiveram que confiar em métodos mais inventivos. Como as escadas de corda com grampos fixantes que dois dos companheiros de Gregor da Guarda Highland estavam esperando para atirar por cima do muro, tão logo ele limpasse as muralhas do inimigo.
Gregor olhou para a escuridão, varrendo a parede pacientemente, seu pulso lento e constante.Haviam três soldados patrulhando esta seção do muro. Onde estava o terceiro?

Série Guardiões das Highlands

O Saqueador

Série Guardiões das Highlands
De todos os guerreiros de elite de Bruce, Robert "Raider" Boyd é o mais formidável. 

Um verdadeiro patriota cujas mãos nuas são uma arma mortal, Robbie é o executor mais feroz da Guarda. Seu ódio pelos ingleses foi aperfeiçoado por uma navalha de lâmina afiada. 
Mas a vingança se prova agridoce quando a bela irmã de seu inimigo cai em suas mãos, e ele se vê lutando contra a tentação; uma batalha que quer muito perder.
Lady Rosalin Clifford mal reconhece o prisioneiro rebelde que salvou da execução seis anos antes. Embora seus ideais de justiça de menina tenham maturado para uma paixão pela justiça, Rosalin acredita que traiu seu irmão quando ajudou este homem perigoso a fugir. Agora, seu ato de traição está de volta para assombrá-la. Mas ela não pode negar o desejo que este guerreiro atormentado inflama dentro dela, ou negar a paixão que transforma inimigos jurados em amantes. Mas será o amor suave de uma verdadeira Rosa Inglesa suficiente para libertar o guerreiro mais brutal da Escócia de sua obsessão pela vingança, antes que seja tarde demais?

Capítulo Um

Cranshaws, fronteiras escocesas, Fevereiro de 1312.
O inglês iria pagar.
Robbie Boyd, braço direito do rei Robert nas fronteiras, encarou o celeiro queimado e jurou vingança.
Sua boca tornou-se uma linha sinistra, o gosto amargo da lembrança era tão ácido como a fumaça em sua garganta. Ele nunca seria capaz de ver um celeiro destruído sem pensar naquele que servira de fogueira para o seu pai.
Essa foi sua primeira lição, aos dezessete anos, sobre injustiça e traição inglesa.
Nos quinze anos seguintes ele teve muito mais.
Mas isso terminaria. Por tudo que era mais sagrado, ele tinha certeza disso. Custe o que custar, ele veria a Escócia livre desses soberanos ingleses. Nunca mais um filho veria seu pai ser queimado e pendurado nas grades, nenhum irmão veria sua irmã ser estuprada ou seu irmão ser assassinado e nenhum agricultor veria suas terras destruídas e seu gado roubado.
Ele não se importava se tivesse de lutar mais quinze anos, ele não descansaria até que o último ocupante inglês fosse expulso da Escócia e o leão (símbolo da realeza Escocesa) rugisse livre.
Liberdade era a única coisa que importava. Nada mais importava desde o primeiro dia em que levantou sua espada para lutar ao lado de seu amigo de infância, William Wallace.
Ao relembrar as causas da morte de seu amigo, Robbie serrou a mandíbula com a determinação de aço nascida do ódio. Ele virou-se para as toras de madeiras queimadas — o último exemplo da “justiça” inglesa — para enfrentar os moradores que cautelosamente se aproximaram da mansão.
—Quem fez isso? — ele perguntou, a serenidade de seu tom não mascarava completamente o aviso ameaçador disfarçado.
Mas ele já sabia a resposta. Apenas um homem seria corajoso o suficiente para desafiá-lo. Apenas um homem recusará-se a renovar a trégua. Somente um homem enviaria uma missiva a Robbie para solicitar uma nova negociação em brasas.
Alguns dos moradores olharam ao redor, mas o chefe da aldeia, um fazendeiro chamado Murdock, se aproximou cautelosamente. A ansiedade entre os aldeões não era incomum. Como um dos homens mais temidos na fronteira – inferno, em todo o universo – Robbie era usado pra isso.
Apesar de sua notoriedade ter atingindo seu propósito que era causar medo no inimigo, isso não era sem complicações. Tinha a certeza que manter sua identidade secreta como um dos membros da Guarda Highland era um desafio. Eventualmente, ele sabia que alguém poderia reconhecê-lo, mesmo com suas feições escondidas. Ele tornou-se muito conhecido.
—Homens de Clifford, milorde.

Série Guardiões das Highlands


8 de janeiro de 2016

O Recruta

Série Guardiões das Highlands
O feroz, agressivo e audaz Kenneth Sutherland é um grande guerreiro e um vencedor nato. 

Está pronto para enfrentar seu maior desafio: se juntar à Guarda secreta de Robert Bruce para libertar a Escócia do domínio dos ingleses. 
Os Jogos dos Highlanders são a oportunidade que estava esperando para demonstrar suas habilidades e alcançar o seu objetivo, mas a chegada inesperada de uma bela mulher está prestes a destroçar todos os seus planos. 
Mary havia jurado que nunca voltaria a cair nos braços de nenhum outro homem, mas não consegue resistir à atração que sente por Kenneth, que culmina com um encontro casual de paixão descontrolada.... Ambos se encontram em uma encruzilhada: serão capazes de renunciar a tudo por amor? 

Capítulo Um 

Julho, 1309 Newcastle-upon-Tyne, Northumberland, Inglaterra 
Mary entregou ao comerciante o pacote que representava quase três centenas de horas de trabalho e esperou pacientemente enquanto ele examinava as várias bolsas, fitas, e toucas com a mesma atenção meticulosa aos detalhes que havia mostrado na primeira vez que havia levado as mercadorias para vender, há quase três anos. 
Quando terminou, o velho cruzou os braços e lhe mostrou uma carranca ameaçadora. "Você fez tudo isso em quatro semanas? Você deve ter uma boa equipe de fadinhas ajudando você à noite, milady, porque me prometeu que ia abrandar o ritmo este mês." 
"Vou desacelerar no próximo mês, prometo", assegurou ela, "depois da Festa da Colheita." 
"E o que me dizes das festividades de São Miguel Arcanjo?" Falou ele, lembrando-a da grande festividade em setembro. 28 Ela sorriu para o homem carrancudo. Ele estava se esforçando para parecer imponente, mas com seu corpo generoso e o rosto afável, com cara de avô, não estava tendo muito sucesso. 
"Quando terminarem as festividades de São Miguel, ficarei tão preguiçosa que vou ter que comprar uma indulgência do Padre Andrew, ou minha alma estará em perigo." Ele tentou manter a carranca, mas, por fim, não conseguiu evitar que uma gargalhada escapasse. 
"Gostaria de ver isso com meus próprios olhos." Respondeu, balançando a cabeça como faria um pai amoroso com um filho travesso, e lhe entregou o saco de moedas que tinham combinado. Mary agradeceu e o enfiou na bolsa que usava amarrada em sua cintura, apreciando o peso que puxava o tecido para baixo. 
O ancião arqueou uma sobrancelha espessa, salpicada com longos fios grisalhos, especulativamente. 
"Você não precisaria trabalhar tão duro se concordasse em aceitar um dos pedidos que recebi. 
Um bordado opus anglicanum tão delicado como este não deveria ser desperdiçado nas mãos desses camponeses." Ele disse isso com tanta repugnância que Mary teve que se esforçar para não rir. 
Os clientes que frequentavam seu comércio não eram camponeses, mas sim comerciantes burgueses – pessoas como ele – que estavam ajudando a transformar Newcastle-upon-Tyne em uma cidade importante. Os mercados e as feiras, tais como os de hoje, eram alguns dos melhores do norte de Londres. E o comércio do John Bureford, cheio de tecidos e de acessórios finos, era um dos mais populares. Em menos de uma hora, estaria cheio de jovens 29 ansiosas que buscavam as últimas modas.

Série Guardiões das Highlands





11 de dezembro de 2015

O Guerreiro

Série Guardiões das Highlands

Rastreando os rincões mais recônditos das Highlands e as ilhas do oeste, Robert de Bruce escolhe dez guerreiros para ajudá-lo em sua cruzada para libertar a Escócia do domínio inglês. 

São os melhores entre os melhores, escolhidos por suas extraordinárias habilidades em cada disciplina de guerra.

E para liderar a este seleto grupo, Bruce escolhe ao maior guerreiro de todos.
Tor MacLeod, guerreiro sem igual, não tem rival com a espada, não está disposto a deixar-se arrastar à guerra da Escócia contra Inglaterra. Devoto a seu clã, este líder independente não responde ante ninguém, muito menos ante sua recente e sedutora noiva, a qual lhe é entregue numa tentativa de assegurar seu comando da força de combate mais letal que o mundo jamais conheceu.
Pode ser que a insidiosa moça que conseguiu penetrar em sua cama tenha ganhado algumas batalhas, mas nunca terá seu coração.


Capítulo Um

Castelo de Lochmaben , Dumfries e Galloway, Escócia,
28 de agosto de 1305

—William Wallace morreu.
Por um momento, Robert de Bruce, conde de Carrick, senhor de Annadale e antigo defensor da Escócia em companhia de Wallace, não pôde articular uma só palavra. Apesar da morte ser inevitável para Wallace desde que o tinham capturado fazia umas semanas, não era por menor devastador o golpe final, e vacilou a esperança que o arrojado Wallace tinha acendido em seu coração, como nos corações de todos os escoceses oprimidos pela tirania inglesa.
O paladino da Escócia tinha morrido. Correspondia-lhe continuar com sua missão, se decidisse empreender esse caminho. A carga era pesada e perigosa, como tinha demonstrado a morte do Wallace. Tinha todas as chances de perder.
Bruce separou de si os pensamentos erráticos e recebeu o anúncio do prelado com uma séria inclinação de cabeça. Fez um gesto a seu amigo para que se sentasse no banco de madeira e se esquentasse ao amor da luz. William Lamberton, bispo de Saint Andrews, estava encharcado e parecia a ponto de cair rendido pelo esgotamento, como se tivesse sido ele mesmo, cavalgado noite e dia de Londres levando a notícia.
Bruce se serviu uma taça de escuro vinho da jarra que havia sobre a mesa e se sentou a seu lado.
—Tomem, bebam isto. Dá a impressão de necessitar.
Ambos o necessitavam.
Lamberton aceitou a taça dando obrigado em um murmúrio e bebeu um bom gole. Bruce fez o mesmo, mas o intenso sabor frutado do vinho lhe pareceu azedo.
—Como? —perguntou, baixando a voz e preparando-se para o que ia ouvir.
Lamberton lançou rápidos olhares de um lado a outro. Com seu rosto redondo e infantil e o nariz frio e avermelhado tinha o aspecto de uma lebre ao perceber um perigo. E uma lebre bem gorda, além disso. Mas Bruce não se deixava enganar pelo aspecto inofensivo do prelado, pois atrás daquela máscara tão pouco favorecedora espreitava uma mente tão ágil, sagaz e ardilosa como a do próprio rei Eduardo.
—É seguro falar aqui? —perguntou o bispo.
—Sim


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10 de agosto de 2015

O Cavaleiro

Série Guardiões das Highlands
O ano de nosso senhor 1311. Por cinco longos anos, Robert the Bruce lutou por seu direito de sentar-se no trono da Escócia.

Mas, desde a sua derrota nas mãos do Inglês em 1306, ele andou fugindo no seu reino como um fora da lei, e muitos abandonaram a esperança de que ele teria sucesso.
No entanto, Bruce teve um retorno triunfante, primeiro ao derrotar o Inglês em Glen Fruin e LoudounHill, e, em seguida, os senhores escoceses, que estavam contra ele em guerra civil.
Depois de uma breve trégua da guerra, Bruce solidificou a sua espera no norte do país no RioTay. A batalha, em seguida, virou-se para o sul: em marchas problemáticas, para os castelos ainda ocupados pelo inimigo, e para o rei Inglês, que invadiu a Escócia, no verão de 1310.
Mas, Edward II da Inglaterra não era nada como o seu pai "Martelo dos Escoceses", e falhou assim a campanha do Inglês, quando Bruce e os seus homens se recusaram a entrar em campo contra o Inglês, travando, invés disso, uma "guerra secreta" de ataques surpresas e emboscadas para devastar o inimigo. No inverno, Edward II foi forçado retirar para as Planícies Inglesas, para lamber as suas feridas, e planejar a marcha para o norte novamente, na Primavera.
Mas, não havia nenhum descanso para Bruce e seus homens. Enquanto se preparavam para a segunda invasão de Edward, puseram-se a expulsar os ocupantes ingleses de alguns dos castelos chave da Escócia. Bruce podia não ter os meios aterrorizantes de cerco que o Inglês tinha para tomar um castelo, mas ele tinha algo tão destrutivo: homens como James Douglas, cuja destreza, habilidade, e ferocidade, se tornariam numa lenda.

Capitulo Um

Douglas, Lanarkshire, no sul da Escócia, fevereiro 1311
Silenciai-vos, silenciai-vos, vosso animalzinho,
Silenciai-vos, silenciai-vos, preocupei-vos,
The Black Douglas não deve pegar-vos.
Sr.Tales Walter Scott, de um avô
James estava voltando para casa! Joanna Dicson esperou ansiosamente ao lado da grande rocha no topo de Pagie Hill. Espalhando-se abaixo dela, agrupada nas margens do rio, estava a aldeia de Douglas. Para o norte, no outro lado da margem do rio, ela podia ver as torres do Castelo dos Douglas ou, como o Inglês que agora tomava conta do castelo, chamava, "o Castelo Perigoso de Douglas." Para o oeste, eram terras do seu pai em Hazelside, e para o leste...
Para o leste era James!
O sorriso dela caiu. Pelo menos, ela pensava que ele estaria vindo do Oriente. Embora James tenha travado sua campanha contra o Inglês a partir de uma base nas florestas a oeste de Selkirk, e tinha ouvido rumores dele estar recentemente no Norte com o rei Robert the Bruce como um membro da sua guarda pessoal. Agora, ele era tão importante e ela estava tão orgulhosa dele. Mas, tinha passado muito tempo desde que ela o tinha visto. Há quase três meses, James tinha passado por aqui, logo retornando para a sua fortaleza ancestral a fim de devastar o Inglês que detinha o seu castelo, ela não podia ter a certeza de seu paradeiro.
Quando seu pai lhe dissera que havia rumores que James estava na área, ela correu até a colina onde eles tinham se conhecido, sabendo que ele iria encontrá-la lá, assim que ele chegasse. Lágrimas de felicidade turvaram a sua visão. Ela não podia esperar para vê-lo. Eles tinham muito que falar. O coração dela inchou com emoção. Ele ia ficar tão feliz.
Quanto tempo ela tinha estado à espera? Uma hora, talvez duas? Seria meio-dia em breve. O estalo de um galho atrás dela fez seu coração pular. Ela virou-se animadamente. Finalmente!—É você?
Aqui. Só que não era ele. Não era James. A onda de emoção que surgiu através dela, de repente desabou.
O homem que se aproximou balançou a cabeça em falso desgosto. —Desculpe desapontá-la, Jo. Sou eu apenas.—Um canto de sua boca se curvou em um sorriso irônico. —Ainda bem que eu não sou um daqueles soldados ingleses de vocês; o olhar de decepção em seu rosto teria mergulhado uma adaga direto através de meu coração.
Joanna sentiu o calor subir-lhe ao rosto. —Eles não são meus soldados ingleses, Thommy. Você sabe que eu nada faço para encorajá-los.
O homem que ela conhecia desde a infância, que estava mais perto dela do que qualquer irmão olhou para ela com um piscar de diversão em seu olhar azul escuro. —Lass, só está lá e você o incentiva. Quem teria pensado que uma coisa tão engraçada de olhar viria a ser uma das moças mais bonitas de Lanarkshire?
—Coisa engraçada?

Série Guardiões das Highlands

9 de agosto de 2015

O Santo

Série Guardiões das Highlands
Ano do Senhor de 1308. Depois de dois anos e meio de guerra, a campanha de Robert Bruce foi uma das reações mais importantes da história. 

Apesar de todas as apostas contra sua equipe secreta de guerreiros de elite, chamada de Guarda dos Highlanders, eles o ajudaram a derrotar os britânicos em Glen Trol e Loudon Hill, e os poderosos barões escoceses que se levantaram contra: Comin, MacDowell e MacDougall.
Finalmente, em outubro o Conde de Ross se submete a Bruce, que controla toda a Escócia a partir do norte de Tay.
Seu irmão Edward Bruce auxilia ao sul e Eduardo II, novo rei da Inglaterra, está ocupado tentando subjugar os barões problemáticos, de modo que o Rei Robert goza agora de um merecido descanso após a batalha. Mas sua coroa está longe de estar garantida, é pouco mais do que uma ilusão em um reino cheio de inimigos ainda desconhecidos. Logo ele terá que enfrentar a maior ameaça a sua vida e, mais uma vez, os lendários guerreiros da Guarda dos highlanders chegarão ao seu auxílio para salvá-lo.

Capítulo Um

Dunstaffnage Castle, Dezembro 1308
Você pode conseguir, caramba. Magnus era capaz de resistir praticamente a qualquer tipo de tortura e dor física. Ele teve que se lembrar que ele era um bastardo duro. Isso foi o que ele disse.
Ele continuou a olhar fixo a tigela, concentrando-se nos alimentos para não ver o que acontecia ao redor. Mais presunto e queijo com café da manhã. 
Estava se sentindo sufocado. Apenas cerveja para baixo também. Nem era forte o suficiente para apaziguar o seu desconforto roendo o interior. Se não tivesse apenas passado uma hora da madrugada, Eu teria tomado uísque. Mas certamente ninguém com essa atmosfera festiva teria notado. 
A atmosfera de celebração ecoava das vigas de madeira decorada com ramos de pinheiro para o -juncos que haviam recém recolhido espalhados no chão de pedra. O impressionante salão do Castelo Dunstaffnage era tão brilhante que parecia Beltane, com centenas de velas e lareira queimando atrás dele. Mas o calor no quarto não poderia passar seu escudo frio. 
-Se você continuar fazendo essa cara, nós alteraremos o seu nome para Assassino.
Magnus virou-se para seu companheiro de mesa e olhou para ele. Lachlan MacRuairi tinha uma incrível capacidade de encontrar a fraqueza de alguém. Ele atacava com precisão letal como uma víbora, assim recebeu o seu nome de guerra. Ele era o único membro da Guarda Highlander que tinha adivinhado o seu segredo e nunca deixava passar a oportunidade de lembrá - lo.
-Sim, continuou MacRuairi, balançando a cabeça. Você não parece em nada, com um santo. Você não é suposto ser o mais pacífico e sensato acima de tudo?
Erik MacSorley, o melhor marinheiro nas Ilhas Ocidentais, Ele começou a chamar "santo" como uma brincadeira durante os testes para acesso a Guarda Highlanders. Magnus, ao contrário de seus companheiros de equipe, não passava as noites pelo fogo Falando sobre a próxima mulher em quem ele iria saltar. Nem tinha perdido a calma. Então, quando eles escolheram os nomes de guerra para proteger suas identidades mantiveram o nome de” Santo”.
- Foda-se, MacRuairi.
O muito insensível fez nada, mas sorriu.
-Nós pensamos que você não viria.
Magnus tinha estado fora tanto tempo quanto possível, voluntariado- se para qualquer missão que o afastasse para longe. Mas dois dias atrás, ele tinha deixado Edward Bruce, irmão de recém- nomeado rei e senhor de Galloway, para se juntar ao resto dos Membros da Guarda dos Highlanders em Dunstaffnage e celebrar o casamento de um deles. O casamento de William Gordon, seu melhor amigo e companheiro, com Helen Sutherland.
"Minha Helen."
Não, nada disso. Ela nunca tinha sido sua. Tinha sido uma ilusão. Por três anos ele entrou para a Guarda Highlanders em uma tentativa de escapar de suas memórias. Mas o destino, tinha um senso de ironia cruel. Pouco depois de chegar, ele aprendeu que o seu novo parceiro e Helen tinham acabado de ficar noivos. O Sutherland não perdeu tempo ao para garantir que não mudaria sua mente. Magnus já tinha planejado não se importar com o compromisso. O que não se esperava era que doesse tanto.
Três anos atrás, sabia que este momento chegaria. Ele tinha aceitado. O problema é que, no caso de Gordon não podia pôr a ausente desculpa. Apesar de seu apelido, flagelação não era algo que ele voluntariamente se expunha.
-Onde está Lady Isabella? Ele perguntou em resposta.
MacRuairi franziu os lábios. Ainda era estranho ver o bastardo sem coração sorrir, mas nas últimas semanas, depois de livrar pela segunda vez Lady Isabella MacDuff, ele conquistou seu coração e o fazia com mais freqüência. Ele assumiu que, se um bastardo como MacRuairi encontrou o amor de alguém poderia conceber esperanças.
Qualquer um, mas ele...

Série Guardiões das Highlands

2 de agosto de 2015

O Caçador

Série Guardiões das Highlands
A centímetros de distância. 

Sua respiração ficou presa. Somente então ela percebeu o que havia feito. Suas mãos agarraram seus braços e seu corpo estava pressionado contra o dele. Intimamente. Peito com peito, quadril com quadril. Ela podia sentir cada centímetro de seu peito e pernas firmes. Podia sentir outra coisa também. Algo que fez sua boca secar, seu coração parar e seu estômago revirar, tudo ao mesmo tempo.
Oh, meu Deus.
O choque a assustou. Era como se cada terminação nervosa em seu corpo tivesse sido atingida por um raio de consciência. Ela abriu sua boca para suspirar, mas o som ficou estrangulado em sua garganta quando seus olhos se encontraram.
Que os céus a ajudassem! Apesar da chuva e do frio, seu corpo se encheu de calor.
Se ela não tivesse sentido a prova de seu desejo, podia vê-lo agora em seus olhos. Ele a queria, e a força disso parecia estar irradiando sob a ponta de seus dedos, fazendo-a tremer com sensações desconhecidas. O coração dela parecia estar batendo muito rápido, a respiração curta e os membros muito pesados.
Ela não conseguia se mover. Foi pega em algo que não entendia, mas não pôde resistir. Não queria resistir.

Capítulo Um

Convento de Coldingham, perto de Berwick-upon-Tweed, Fronteira Inglesa nos idos de abril, 1310.
Ewen não segurava sua língua, o que muito frequentemente causava-lhe problemas.
— Você mandou uma mulher? Por que diabos faria isso?
William Lamberton, Bispo de St. Andrews, eriçou-se, seu rosto vermelho de raiva. Não foi a blasfêmia, Ewen sabia, mas a crítica não tão sutilmente implícita.
Erik MacSorley, chefe das Highlands Ocidentais e o maior marinheiro ao sul da terra de seus ancestrais Vikings, lançou um olhar impaciente a Ewen.
— O que Lamont quis dizer — MacSorley disse, tentando abrandar o importante prelado. — É que com os ingleses apertando sua vigia nas igrejas locais, poderia ser perigoso para a moça.
MacSorley podia não apenas navegar por entre um turbilhão de merda, podia também usar sua lábia para sair de uma e sair cheirando como uma rosa. Eles não poderiam ser mais diferentes a esse respeito. Ewen parecia pisar nisso sempre que caminhava. Não que se importasse. Ele era um guerreiro. Estava acostumado a chafurdar na lama.
Lamberton deu-lhe um olhar que sugeria que aquela lama era exatamente o lugar onde achava que Ewen pertencia — de preferência sob seu calcanhar. O eclesiástico dirigiu-se a MacSorley, ignorando Ewen completamente.
— Irmã Genna é mais do que capaz de cuidar de si mesma.
Ela era uma mulher — e uma freira. Como, nos infernos, Lamberton pensou que uma dócil, doce e inocente poderia defender-se contra cavaleiros Ingleses empenhados em descobrir os pró-Escoceses — mensageiros do clero — como eles tinham sido apelidados?
A Igreja tinha fornecido uma rede de comunicação chave para os escoceses através da primeira fase da guerra, enquanto Bruce lutava para retomar seu reino. Com a guerra novamente no horizonte, os ingleses estavam fazendo o seu melhor para fechar estas rotas de comunicação. Qualquer pessoa do clero, padre, frei ou freira atravessando as fronteiras para a Escócia tinha sido sujeito ao aumento do exame pelas patrulhas inglesas. Até mesmo peregrinos estavam sendo perseguidos.
Talvez sentindo a direção de seus pensamentos, Lachlan MacRuairi interveio antes que Ewen pudesse abrir sua boca e dificultar as coisas com Lamberton.
— Pensei que soubesse que estávamos vindo?
O magro e inofensivo bispo poderia parecer fraco, especialmente em comparação com os quatro guerreiros imponentes que estavam tomando muito da pequena sacristia do convento, mas Lamberton não desafiou o maior rei da Cristandade para colocar Robert the Bruce no trono sem considerável força e coragem.
Ele aprumou-se em toda sua altura, uns bons centímetros abaixo do mais baixo dos quatro soldados (Eoin MacLean, alguns centímetros acima de um metro e oitenta), e olhou de seu longo e fino nariz para um dos homens mais temidos da Escócia, como o nome de guerra “Viper” de MacRuairi atestava.
— Disseram-me para procurá-los na lua nova. Isso foi mais de uma semana atrás.
— Fomos atrasados. — MacRuairi disse sem maiores explicações.
O bispo não perguntou, provavelmente supondo corretamente que teve a ver com a missão secreta para a Guarda das Highlands, o grupo de guerreiros de elite selecionados a dedo por Bruce para formar a maior força de combate já vista, cada guerreiro sendo o melhor do melhor em sua disciplina de guerra.
— Eu não poderia esperar mais. Era imperativo que o rei receba esta mensagem o mais rápido possível.
Apesar de estarem na Inglaterra, não era sobre Eduardo o Plantageneta, o rei inglês, de quem Lamberton falava, mas do rei escocês, Robert the Bruce. Graças aos esforços de Lamberton em ajudar Bruce a chegar ao trono, o bispo ficou preso na Inglaterra por dois anos, e então liberado e confinado à diocese de Durham por mais dois. Embora recentemente tenha sido permitido ao bispo viajar pela Escócia, ele estava de volta à Inglaterra sob a autoridade inglesa. Era onde Bruce precisava que estivesse. O bispo era a fonte central da maioria das informações em um caminho sinuoso para a Escócia através de uma via complexa de igrejas, monastérios e conventos.
— Para onde ela foi? — MacLean perguntou, falando pela primeira vez.
— Para o mosteiro Melrose pelo caminho de Kelso. Ela partiu há uma semana, juntando-se a um pequeno grupo de peregrinos em busca dos poderes curativos da Abadia de Whithorn. Ainda que os ingleses os parem, eles a deixarão seguir caminho uma vez que ouvirem seu sotaque. O que os fariam suspeitar de uma freira italiana?
Os quatro membros da Guarda das Highlands trocaram olhares. Se a mensagem era tão importante quanto o bispo dizia, era melhor garantir que não suspeitassem.
MacSorley, que tinha o comando do pequeno time para essa missão, prendeu o olhar de Ewen:
— Encontre-a.

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