Com a sua casa perdida para os credores, Lady Eleanor Hadley foi forçada a tomar medidas drásticas. Ela está sem esperança – até que o notório libertino oferece uma saída para sua situação…Garrick logo descobre que sua nova amante é virgem, e uma dama com uma perigosa vida secreta! Mas o prazer que ela proporciona pode ser exatamente o que ele precisa para aliviar a dor do passado.
Capítulo UmSussex, Inglaterra — maio de 1811
A raiva que ardia na garganta do Marquês de Beauworth tinha gosto de bile e amargo arrependimento. Enquanto os cavalos trotavam pelas sombras e extensões iluminadas pelo luar da paisagem ondulada de Sussex, Garrick lutava contra o impulso de voltar para Londres.
Ele engoliu a raiva e a carruagem disparou. De volta para Beauworth. O lugar que ele mais odiava no mundo. Nem mesmo a pessoa mais próxima dele, Duncan Le Clere, entendia seu ódio por aquele lugar. Às vezes, nem ele mesmo o entendia, mas a falta de conhecimento não diminuía a tensão em seus ombros nem o pressentimento. A dor nos tendões e ossos lesionados o fez lembrar do motivo de seu retorno. Um a um, ele soltou os dedos, relaxando as mãos à força no colo, respirando fundo e lentamente, recuperando o controle. Recostou-se ainda mais no canto, esticando as pernas no espaço entre os assentos, um retrato de total despreocupação. Afinal, o Marquês de Beauworth, libertino ocioso, jogador imprudente e dândi entediado, tinha uma reputação a zelar. A carruagem balançou violentamente. Ele agarrou a alça ao lado da cabeça. O veículo diminuiu a velocidade e parou.
— Meu Deus! E agora? — Ele abaixou o vidro e colocou a cabeça para fora.
Os cavalos da carruagem sacudiam a cabeça inquietos, suas formas indistintas na sombra das altas sebes que margeavam a estrada. O som de sua respiração ofegante e do tilintar dos arreios cortava o silêncio acolhedor. Garrick estreitou os olhos, fitando a escuridão à frente. — O que você vê, Johnson? — Provavelmente uma poça. O pobre coitado já devia ter se aposentado há anos.
Algo branco brilhava sinistramente nas sombras à frente. Um cavalo branco caminhava no meio da estrada, o luar luminescente deslizando sobre sua pelagem salpicada. A princípio, ele viu apenas o cavalo. Depois, outra forma escura, uma figura esguia segurando as rédeas. Uma mulher com um traje de montaria preto. Caminhando sozinha? Puxa vida. Ela deve estar em apuros.
Ele abriu a porta da carruagem com um puxão, saltou para fora e começou a avançar, oferecendo ajuda. A visão de um par de pistolas de cano longo nas mãos dela, uma apontada para sua testa e a outra para seus criados, o fez parar abruptamente.
A luz fria do luar revelava uma máscara negra que cobria tudo, exceto a boca, enquanto um chapéu de abas pontiagudas adornava uma peruca encaracolada e empoada. Rendas negras formavam espuma em seus pulsos e pescoço.
— Mon Dieu!