11 de agosto de 2018

Casualmente Valentina

A vida sorri a Rafael Mejía.

Ele é um homem bem sucedido, jovem, atraente e arrogante, e acostumado a conseguir o que quer em um piscar de olhos, tanto nos negócios como no prazer.
Valentina, a humilde serva de uma estalagem de reputação duvidosa, será sua próxima vítima. Uma garota tão doce como linda por quem se sente atraído sem esperança, a ponto de fazer dela a principal candidata para ocupar sua cama, sem imaginar que seus problemas começarão com ela. Para Valentina, a aparência impressionante de Mejia causa um enorme cataclismo em sua vida pacífica. Determinada a não sucumbir ao enorme encanto que ele exerce sobre ela, vai lutar contra seu apelo sombrio da única maneira possível: conquistar o coração duro que ele presume não possuir.
Dos salões luxuosos do Casino de Benavente ao coração escondido da Serra da Culebra, Valentina seguirá Mejia numa jornada cheia de perigos e sombras dos quais Rafael a tentará distanciar, mas poderá eludir com a mesma força o poder do amor?

Capítulo Um

Pousada de Adela, arredores de Benavente, Zamora,
finais de agosto de 1886

Rafael Mejía abriu os olhos, antes de esfregar o rosto para se orientar melhor. Onde estava? Pigarreou e se ergueu na cama até pousar os pés no chão. Quando a luz da lâmpada lhe permitiu ver os austeros e escassos móveis do aposento, recordou rapidamente. Por todos os demônios!
Como dormira tão profundamente? Soltou um palavrão. Ramona, uma das atenciosas jovens da pousada, lhe cedera satisfeita aquele quarto para descansar, mas o breve intervalo se convertera em um profundo sono do qual acabava de despertar.
Aproximou-se do espelho, mas quase retrocedeu, assustado pela imagem que viu. Jesus, que grande aspecto! 
Com os cabelos castanho revoltos, o rosto coberto por uma sombra escura de barba e os olhos ainda meio fechados, acabava de pulverizar a imagem que mostrava a toda a vila: um homem atraente, elegante e distinto. 
Embora, pelo menos por aquela noite, teria que se contentar em se lavar um pouco com a agua da bacia antes de tentar em vão alisar as calças e as rugas da empoeirada camisa, para abandonar o quarto com passos apressados.
O ambiente do salão principal da pousada estava tão carregado de fumaça que seus olhos começaram a lacrimejar. Um conjunto ensurdecedor de vozes era dos mais variados tipos, indo desde as risadas dos clientes até os gritos de alguma discussão provocada pelos jogos de baralho e o excesso de vinho, observações obscenas e até exclamações reprovadoras quando algum aborrecimento inoportuno passava dos limites. Sua amiga Adela desfrutava de um espetáculo cheio naquela noite.
Rafael se dirigiu ao balcão, devolvendo o cumprimento a dois Civis, vestidos a paisana e parados junto a porta lateral que dava acesso ao pátio traseiro. 
Depois, centrou sua atenção na jarra repleta de vinho que Ramona lhe serviu, com seu habitual atrevimento e os seios gloriosos que balançou diante de seu olhar indiferente, antes de se dirigir a uma solitária mesa em um canto igualmente solitário. Aquilo era o que necessitava para poder analisar seu plano no pouco tempo de que dispunha. Claro que nem todos pensavam como ele. Adela o viu desmoronar sobre a cadeira e consultar seu relógio de bolso, antes de começar a beber. Assumindo a pressa que lhe nublava o gesto, pediu a Ramona um copo e se dirigiu para lá, suportando seu olhar assassino enquanto se sentava.
― Meus olhos ficam felizes em te ver, Mejía. ― Cumprimentou, quase gritando para se fazer ouvir. ― Fazia muito tempo que não se deixava cair por aqui.
Rafael começou a resmungar. Avizinhava-se outra conversa das suas, fingindo uma luta através da qual recriminaria todos seus atos passados, presentes e futuros. Sempre tinha sido assim entre eles, apesar de seus encontros se espaçarem irremediavelmente no tempo.
― O trabalho tem me ocupado além do esperado. ― se desculpou.
― Descansou bem?
― Muito bem, para ser exato. Até me esqueci de descer para cumprimentá-la.
― Claro… ou será que a baronesa Guzmán lhe deixou por fim livre e por isso anda tão distraído?
O novo resmungo foi mais audível e menos resignado.
Sua fama tornava muito difícil manter discrição em uma vila como Benavente, onde os rumores corriam como a pólvora. Ele e seu amigo Santiago Canales se converteram em autênticos heróis locais desde que, há alguns anos, prenderam um anarquista demente que pretendia voar dos vagões lotados de trabalhadores da baronesa, com uma boa carga de explosivos no meio do caminho.
Aquela posição, vantajosa para muitos, não era tanto para ele. Custara-lhe a privacidade, sobretudo quando o nome da baronesa se misturava ao seu. E tudo porquê? Pelo empenho de certas pessoas em ver sentimentos complicados onde não havia. Para ele, seu coração era o órgão que batia dentro de um espetacular corpo, nada mais. Até mesmo a baronesa tinha percebido, antes que a tomasse por uma amante muito pegajosa. Não teve que convencê-la que seu interesse sexual se convertera em simples carinho, nem lidar com lágrimas e gritos, para sua tranquilidade. Não era a primeira vez que deveria suportar cenas difíceis, para dizer o mínimo.
― Não tenho vontade de falar sobre o assunto. ― Disse secamente.
― Mas vai falar de todo modo. ― Adela insistiu. ― Está muito tenso para não ceder a uma conversa sem importância com uma boa amiga.
― Suas conversas sem importância nunca são sem importância, embora a agradeço. Agora o Flaco ocupa toda minha capacidade de atenção. Aquele maldito contrabandista está me tirando o sono.
― Tanto como antes o tirava a baronesa.
― Quer abaixar a voz? ― Ele advertiu, inclinando-se para frente. ― Nunca foi minha intenção destruir reputações alheias, e a de Claudia menos ainda. Para esta vila, minha relação com ela sempre foi estritamente profissional.
― Por favor! ― Adela exclamou com seu atrevimento habitual. ― É a pessoa mais reconhecida e respeitada de Benavente, tão influente como ela. Garanto que todos comemorariam o seu casamento.
Casamento! 
Rafael decidiu terminar o vinho de um só trago para sufocar o espanto que aquela palavra lhe produzira. Não podia evitar sentir calafrios ao ouvir aquilo.
— Com que alegria joga o laço sobre os pescoços alheios. ― Protestou ― Não me convém as algema de nenhum tipo. Corro muitos riscos em meu trabalho.
Tem muita gente para correr esses riscos por você. 


Uma Rosa na Batalha

Série Escócia Medieval 
Alana de Latimer era filha bastarda de um nobre e, por isso, sua poderosa família, os Comyn, a haviam desprezado e abandonado. 

Sua avó a criou sozinha e sempre viveram a certa distância da guerra da Escócia. 
Assim, quando a batalha se aproximou de seu lar, ela se viu obrigada a salvar da morte um guerreiro inimigo. Em consequência disso, colocou sua vida em perigo. 
Iain de Islay jurou lealdade a Robert Bruce. Uma bela mulher o resgatou da morte e lhe arrebatou o coração. Assim, embora começasse um romance apaixonado e proibido, Alana ocultou dele a sua identidade. Quando o exército de Bruce começou a destruição final do condado, Alana teve que decidir entre a família que sempre a desprezou e o homem a quem amava. 

Capítulo Um

Castelo de Brodie, Escócia, primeiro de dezembro de 1307. Tudo era um inferno em chamas. Os homens gritavam de dor e agonia, os cavalos relinchavam de terror e as espadas se chocavam umas com as outras. A fumaça se dissipou, e Alana ficou horrorizada. Haviam incendiado uma casa e, no interior de seus muros, os homens lutavam com espadas e facas, tanto a pé como a cavalo. 
Alguns eram cavaleiros Ingleses protegidos com cota de malha, e outros eram Escoceses das Terras Altas, highlanders, com as pernas nuas sob a saia de lã. Um deles atravessou um cavaleiro com a espada. Um enorme cavalo caiu derrubado por um projétil e um escocês pulou ao chão… Onde se encontrava? Alana estava confusa. 
O solo se moveu violentamente sob os seus pés. Teve certeza de que caia, então cravou as unhas no chão. Olhou para cima. Em meio a aquela luta brutal, viu um homem, um guerreiro com uma espada ensanguentada na mão. Os cabelos longos e negros cobriam seu rosto, ele usava uma túnica curta e branca sobre os músculos nus e uma capa de pele sobre os ombros. Gritava aos escoceses para que resistissem, embora todos estivessem feridos e desesperados, eles lutavam pela vida. 
A batalha lhes foi favorável, ao final; alguns dos soldados Ingleses fugiram, e alguns dos ginetes decidiram se retirar a galope. Porém, o highlander não parou de lutar ferozmente contra um inglês. Suas espadas entrechocavam selvagemente uma com a outra. Alana ficou muito tensa. O que era o que acabava de ouvir? Olhou para a casa, e se deu conta de que havia uma mulher pedindo ajuda aos gritos. Também, havia crianças chorando? Alana conseguiu ficar em pé. 
O highlander já estava frente à porta da casa. Pela janela contígua saiam línguas de fogo, mas ele ignorou o perigo e começou a golpear a porta com o ombro, uma e outra vez. Ela temeu por ele. De súbito, o highlander se virou; por um momento, ela pode ver seu semblante duro e decidido, seus penetrantes olhos azuis. Então, ele conseguiu entrar na casa. Um momento depois apareceu de novo, seguido por uma mulher que carregava um bebê nos braços, e ao seu lado, seguia uma menina. Alana sentiu um enorme alívio. O Escocês havia conseguido resgatar a mulher e seus filhos. 
O telhado da casa caiu, e as chamas se erguiam violentamente ao céu. Ele cobriu o menino com o seu corpo, sobre o solo, para protegê-lo dos pedaços de madeira ardentes que chovia por todos os lados. Então, se levantou em um salto, afastou-se da casa e devolveu o menino a sua mãe. Virou-se e observou atentamente o lugar onde ela se escondia, como se a procurasse. E, enquanto o fazia, um homem ruivo, outro escocês das Terras Altas do mesmo exército, se aproximou dele por trás e levantou uma adaga para esfaqueá-lo. A suas costas. — gritou Alana. 
Talvez tenha sentido o perigo, porque se voltou justo quando a adaga descia. Não gritou; ficou rígido ao receber a facada no peito, mas, em seguida, sua espada estava cortando rapidamente o ar. O traidor ruivo caiu ao solo com o peito atravessado pela espada. O Escocês deu outro golpe com a espada e acabou com ele. Depois, cambaleou e também caiu ao solo.… 
—Alana! 
 
Série Escócia Medieval 
1 - O Guerreiro e a Rosa
2 - Uma Rosa na Tempestade
3 - Uma Rosa na Batalha

Lágrimas do Coração

Série Os Kinsberly 
Ela apaixonada por ele... Grace Kinsberly amou em silêncio o marquês de Wolfwood mais tempo do que gostaria de admitir. 
Evelin Mordán E quando por fim os acontecimentos a convertem em sua esposa crê ter encontrado a sorte que tanto tinha desejado. Ele apaixonado por  outra...
Damien crê ter tudo e, de repente, não tem nada. Nada, exceto, a uma jovem que o cativa com a ternura de seus olhos e que tão bem parece compreendê-lo. Mas às vezes o passado se interpõe da pior maneira e ambos serão testemunhas disso.

Capítulo Um 

1812, Londres. 
― Grace? ― Perguntou uma voz, ao seu parecer, muito longínqua. ― Grace!? 
― O quê? Grace voltou o olhar para o rosto ovalado de olhos verdes que a olhava com recriminação. 
― Escutou o que te disse? 
― Perdoe, Carl, estava absorta. Diga-me. Um sopro muito pouco feminino escapou dos lábios da jovem. ― É o pior baile de máscaras da história. Grace estava totalmente de acordo, mas era melhor não revelar seu desânimo. ― Tampouco é tão horrível. ― Olhou ao seu redor, todos os convidados pareciam ter o cenho franzido. 
― Só é um pouco insípido, suponho. ― Não tem nem um grama de sal. Muito menos de açúcar. 
― Já tem fome, Carl? ― E exagerada. 
― Pois não será por falta de aperitivos. Deveria ir procurar algum ― sugeriu-lhe. ― Eu te esperarei aqui, no momento não tenho ninguém em meu cartão de baile. Sorriu com pesar ao olhar seu cartão creme quase vazio. 
― É uma ideia maravilhosa. ― Carl não tinha avançado nem três passos quando se virou e lhe disse por cima do ombro: ― E deixa de olhá-lo prima, ou toda a sala se dará conta. Grace ia perguntar a quem se referia, mas Carl já se dirigia à variada bandeja de aperitivos que estava na outra ponta da sala, esquivando à multidão.  Mas, é óbvio, ela já sabia. Apenas se tornava impossível afastar os olhos dele. Damien Cross, marquês de Wolfwood, monopolizava toda sua atenção onde o visse e Carl era muito capaz de dar-se conta disso. 
Carlota Sharleston era sua prima mais próxima, das que habitavam em Londres, e desde pequenas tinham estabelecido uma amizade que com os anos se fez mais forte e confidente. Sem lhe dizer nada, Carl se tinha dado conta de que o coração de Grace já tinha dono, e que este era do marquês de Wolfwood, cavalheiro que tinha sido apresentado a ambas no ano anterior, a qual tinha sido sua terceira temporada social. 
Tinha passado todo um ano até que havia tornado a vê-lo, já que, ao que parecia, era um homem que viajava muito. Mas ao reencontrá-lo seu coração tinha deixado de pulsar por um segundo, trazendo para sua mente a lembrança de tantas noites em claro que passou pensando naquele momento em que olhou àqueles olhos azuis, quando ele beijou o dorso de sua mão… o sentir sobre as luvas de seda tinha sido o único contato que conservava daquele homem por quem tinha se apaixonado, já que nem sequer tinham dançado, mas tinha sido formoso e o único que tinha dele. 
Por isso sabia, acabava de herdar o título de marquês de Wolfwood depois do falecimento de seu pai há dois anos. Vivia em sua residência de Londres, em Grosvenor Square, junto com sua avó materna e sua irmã mais nova, lady Anne Cross. Dizia-se que mantinha em pé o legado de seu pai e que era muito valorado na Câmara dos Lordes. E, para sua desgraça, também era de domínio público o fato de que mantinha um tranquilo romance com a viúva lady Cheryl Growpenham. Toda a sociedade londrina sabia que lady Growpenham, uma mulher formosa de apenas uns trinta anos, mantinha uma relação séria com lorde Wolfwood. A Grace repugnava a forma tão pública com a qual demonstravam seu amor, iam juntos a todas as partes, davam passeios pelo Hyde Park e não se incomodavam em desmentir os rumores de que ele dormia em sua casa mais de uma vez na semana. Era vergonhoso. 
Nesse instante, precisamente, lorde Wolfwood estava inclinado sobre ela de forma discreta enquanto lhe sussurrava algo ao ouvido. Uma pontada de ciúmes percorreu sua espinha dorsal obrigando-a a afastar o olhar. Mas o pior era que não podia, morria de vontade de saber o que lhe estava dizendo, embora aquilo a fizesse sentir-se pior. Por que tinha que haver se apaixonado por ele? Era um amor impossível.

Série Os Kinsberly
1- Lágrimas do Coração

4 de agosto de 2018

A Falsa Noiva do Major

Série Duques da Guerra
Quando o Major Bartholomew Blackpool descobre que sua vizinha de infância vai ser forçada a se casar contra a vontade, volta para casa para encenar como seu falso namorado. 

Ele imagina que agora que perdeu uma perna, uma noiva falsa é o melhor que um ex-soldado pode conseguir. 
Admira a coragem dela, mas a dama merece um homem inteiro — e garantirá que ela consiga um.
A Senhorita Daphne Vaughan odeia que o rompimento vá destruir as chances do Major Blackpool de encontrar uma noiva real. Ela trama fazê-lo largá-la primeiro. 
Quem se importa se isso a arruinar? Nunca quis um marido de qualquer maneira. Mas o major está igualmente determinado que ela rompa o noivado. Com ambos em seu pior comportamento, nenhum espera que seu falso noivado os conduza ao amor…

Capítulo Um

Fevereiro, 1816, Londres, Inglaterra
Apesar de o vento gelado atingir as janelas com neve, riachos quentes de suor escorriam da pele do major Bartholomew Blackpool.
Estava de bruços no centro de sua sala de estar na casa da cidade, os músculos de seus braços tremendo enquanto empurrava seu corpo de bruços em cima do desbotado tapete oriental de novo e de novo. Como fazia todas as manhãs. Equilibrando-se sobre os dedos de apenas um pé.
Não que Bartholomew tivesse muita escolha. Metade de sua perna direita estava faltando. Havia perdido o membro – e tudo o mais com que já se importou – sete longos meses atrás, na batalha de Waterloo. Seu orgulho. Seu irmão gêmeo. Sua própria identidade. Tudo se foi, no espaço de alguns segundos.
Bartholomew cerrou os dentes e aumentou o ritmo. Não poderia substituir seu irmão ou sua perna perdida, mas não ficaria por aí chorando sobre isso. Tinha vivido com a dor até agora. Poderia sobreviver por muito mais.
Uma tábua solta rangeu no corredor. Alguém se aproximava da sala de estar.
Com uma maldição murmurada, Bartholomew se jogou para fora do tapete e para trás do piano. Pegou sua prótese descartada e mal tinha fixado a miserável coisa antes da porta da sala de estar lentamente se abrir.
A fúria no tom de Bartholomew poderia ter derretido ferro enquanto içava-se do chão para olhar de cara feia para seu mordomo.
– O que diabos é tão importante que você me interromperia quando eu expressamente proibi todas as interrupções?
Apenas a menor contração de seu nariz denunciou a afronta de Crabtree com esta repreensão. Impassível, ele entrou na sala de estar com as missivas da manhã em uma bandeja de prata polida, assim como tinha feito todos os dias de seus sete anos de trabalho para Bartholomew.
Todos os dias até que seu senhor saiu para a guerra, no caso. Ao voltar para casa, Bartolomeu solicitou que toda a correspondência recebida fosse entregue diretamente na lareira mais próxima.
– Quem te designou para isso? – Exigiu, embora só pudesse realmente ter um culpado. – Fitz, não se atreva a se esconder no canto como um covarde. Se você tem culhões o suficiente para mandar o Crabtree por aí, tem culhões o suficiente para me trazer suas queixas pessoalmente.
O silêncio reinou por alguns momentos antes do magro, sensível valete de Bartholomew aparecer na porta, torcendo as mãos pálidas e lançando olhares suplicantes ao sempre estoico Crabtree.
Bartholomew soltou o ar lentamente. Esta era sua própria tolice. Se tivesse sido menos vaidoso e cheio de si quando partiu para a guerra, não continuaria a pagar as taxas exorbitantes de seu cobiçado valete, apenas para manter Fitz fora das garras dos dândis de duas pernas.
E se Bartholomew não tivesse sido o mais descarado fanfarrão, o mais infame libertino, o mais imitado coríntio – Fitz poderia não estar mais aqui, na esperança de que algum dia poderia mais uma vez afofar arrancar e adornar seu mestre, de volta em seu legítimo lugar como o mais célebre dândi da alta sociedade.
Tolice, obviamente. Sem as duas pernas um homem não podia cavalgar, boxear, valsar, ou levar belas jovens damas para cantos escuros. Nem o desejava. Não mais. Sem seu gêmeo, Bartholomew não conseguia nem sorrir, muito menos enfrentar os semblantes julgadores de seus pares.
O que era a vida agora além de solidão e dores fantasmas, e se trancar em seu cômodo enquanto atendia a sua própria toalete? Já não podia aguentar que seu valete vislumbrasse o que se tornou do corpo uma vez perfeito do qual ele tinha estado tão arrogantemente orgulhoso. Não era nada, isso é o que era. Era o orgulho que o impedia de permitir qualquer ajuda. E era o orgulho que o impedia de deixar Fitz ir.
Ou permitir que qualquer pessoa o visse, agora que era menos do que perfeito.
– O que quer que seja essas missivas, você sabe o que pode fazer com elas.
Bartholomew limpou o suor de seu rosto com a toalha. Quando olhou para cima novamente, nenhum dos seus servos tinham se movido.
– Se precisa de sugestões sobre onde colocar essas cartas, você pode começar com seu…
– É a Temporada. - Fitz desabafou.
Bartholomew sacudiu a cabeça.
– A Noite de Reis passou faz tempo. É fevereiro.
– Não essa temporada, senhor. – Fitz parecia horrorizado. – A Temporada que importa. A Temporada de Londres. Está aqui. Você está aqui. Tudo que temos que fazer é…
– Eu disse não.
– Você deveria está lá fora na Sociedade. Você foi feito para a Sociedade.
Bartholomew bufou e gesticulou para a estranha prótese de madeira amarrada em seu joelho direito.
– Com esta perna, Fitz? Qual seria o ponto?
– Nem todo momento deve ser gasto dançando.
– Ou boxeando no Gentleman Jackson, suponho, ou cavalgando como louco pela St. James Square, ou indo para remotos bordéis, ou levando damas às nuvens? – Bartholomew jogou a toalha sobre o ombro.
– Você não tem que literalmente levá-las às nuvens. – Fitz disse fervorosamente, as mãos magras torcendo sem cessar. – Você poderia usar o seu… seu charme, senhor. Certamente você não perdeu isso na guerra.
– Meu charme? O que eu tinha era boa aparência, duas pernas, e muita arrogância. – Bartholomew cruzou os braços. – Isso foi antes. Isto é agora. Se estacas de madeira repentinamente não se tornaram um afrodisíaco para procriar com damas, não consigo ver…
– Você não consegue mesmo ver, senhor! O seu aparelho é dificilmente uma monstruosidade. Tem junções móveis no tornozelo e cinco destros dedinhos do pé…
– Dedos de madeira…
– …e nem se pode distingui-lo sob seus calções e meias e botas. De verdade. – Fitz respirou fundo e se apressou a continuar, seus dedos se estendendo na direção do peito de seu senhor. – Se você apenas me deixasse fazer algo sobre esse hediondo colete.
Bartholomew afastou as mãos de seu valete com um tapa. Olhou sobre o ombro de Fitz ao mordomo que não mudara de posição ou expressão desde que entrou na sala.
– Crabtree, se não tem nada a dizer por si mesmo, poderia ao menos bater na cabeça de Fitz com essa bandeja de prata até que ele recupere um pouco de juízo?
– E o que dizer da sua cabeça? – Fitz falou antes que Crabtree pudesse responder. – Se o seu charme está enferrujado, certamente sua mente não está. Não se desvalorize tão facilmente, senhor. Você foi para Eton e Cambridge, e foi um major no exército do rei. Se você usasse…
Bartholomew zombou.
– Minha cabeça é irrelevante. A alta sociedade nunca se interessou por intelectuais. Minhas conversas com os homens se centravam no esporte, nas raças de cavalos e mulheres, e minhas conversas com as damas se limitavam a galanteios de salão e sussurros no quarto. Tentar forçar uma aleijada, mas intelectual versão de mim mesmo sobre a Sociedade, seria um pesadelo para todos os envolvidos. Não, obrigado.
– Mas, senhor…

O Desafio do Highlander

Série Lairds de Dunkeld 
O amor verdadeiro pode abrir caminho para dois corações solitários?

Um highlander determinado... Duncan MacConnoway, filho de um poderoso conde e ansioso para entender seu caminho na vida, está desesperado para se casar com a mulher de seus sonhos.
O tio dela, o astuto Conde de Lochlann, exige que ele cumpra três tarefas que até Hércules lutaria para terminar. 
O amor deles é tudo o que ilumina o caminho através daquele labirinto escuro, que se ele puder ficará por muito tempo...
A mulher sábia... Alina du Mas pode ver coisas que ninguém mais acredita, então ela, geralmente guarda seus segredos para si mesma. Atormentada por sonhos sombrios, tudo o que Alina sabe é que ela tem o poder de encontrar um caminho através do futuro assustador que tem pela frente.
Ela só precisa descobrir como. Enquanto isso, ela luta por um amor que seu tio Brien parece determinado a negar, embora, ele finalmente ofereça uma solução impossível... Segredos Familiares Mortais... Alina e Duncan logo percebem que o plano de seu tio pode ser ainda mais desonesto do que eles pensavam ― ele pode ter colocado Duncan para falhar. Pior ainda, o enredo de Brien conduz a uma situação mortal que convence Duncan que sua morte pode ter sido o objetivo o tempo todo. Com a ajuda do resto de sua família, cabe a Alina descobrir a verdade sobre as pessoas que ela mais preza e rezar para que não seja tarde demais para seu verdadeiro amor...
Como o amor verdadeiro pode prevalecer contra a vontade de ferro de um homem perigoso? Duncan pode encontrar uma maneira de alcançar o impossível sem ajuda? Alina deve confiar à sábia tia Aili, a sua irmã Amabel ou Broderick a informação que poderia salvar seu amor?

Capítulo Um

― Não! Não vá até ele. Ele não vai ouvir. Aquelas palavras quebraram o silêncio, cortando a luz do sol de verão, a paz e a quietude sonolenta e do lugar. Duncan suspirou.
Ele se sentou e estendeu a mão até os dedos longos e pálidos de Alina, pois ela se sentara ao lado dele no sofá. Ele acabara de dizer para Alina que pretendia pedir permissão ao tio dela para se casar com ela. Conhecendo Alina como ele, Duncan sabia que não devia fazer nenhuma suposição sobre sua reação. Mesmo assim, ele não achara que a reação dela seria algo tão veemente.
― Não se preocupe, querida, ― disse ele suavemente. ― Está tudo bem. Ele vai ouvir. Eu juro. Seu rosto forte e bonito estava preocupado, seus olhos castanhos enrugados sob uma carranca. ― Eu vou garantir isso. Alina apertou a mão dele.
― Eu confio em você, querido. Eu acredito que você faria o seu melhor para fazê-lo ouvir. Mas eu não confio no tio Brien. Nem um pouco. Ela mexeu a cabeça, fazendo seu longo cabelo preto azulado balançar. Seu movimento provocou rios de luz do fogo dançando ao longo dos fios. Duncan respirou fundo. Sentado tão perto de Alina, ele achou difícil se controlar. Tudo o que queria fazer era se inclinar e dar um beijo naqueles lábios carnudos e vermelhos. Ansiava por segurá-la perto dele, sentir o corpo esbelto dela contra o seu. Queria se casar com ela e logo. Ele a amara logo que se conheceram. Precisava ser em breve. Ele às vezes sentia que, se tivesse que esperar mais um minuto, morreria de saudade.
― Seu tio Brien é ambicioso, eu sei ― ele disse gentilmente, ― mas porque ele me recusaria a permissão para casar com você? Você acha que eu sou uma escolha muito pequena para ser de ajuda para as ambições dele? Alina soltou uma risada trêmula.
― Eu suponho que não, ― disse ela, e lhe deu um sorriso provocante. ― Assim é melhor, ― Duncan concordou, sentindo seu pulso bater com o desejo crescente. Ele amava o sorriso provocante dela. Amava cada parte dela, desde a suave elevação de seus seios sob o vestido de veludo preto, até a alta curvatura de seu pescoço e a boca vermelha. Amava seus olhos negros e a pele pálida, sua misteriosa quietude e sua risada doce, que parecia completamente em desacordo com sua sábia seriedade. Alina riu de seu comentário e Duncan se deitou no sofá, olhando para ela.
Era tudo o que podia fazer para evitar devorá-la ali mesmo. Ele olhou para o teto, tentando apagar as imagens que sua mente estava formando. Limpou a garganta. Não podia deixar sua mente levá-lo por aqueles caminhos. Assim, tudo o que ele fez foi beijá-la uma ou duas vezes. Isso foi o suficiente para fazê-lo saber que, em breve, precisaria pedir a mão dela em casamento.
― Eu devo ir, ― Alina disse suavemente, saindo de onde ela se sentou, ao lado dele. Duncan franziu a testa.
― Fique mais um pouco?



Série Lords de Dunkeld
1- Coração de um Hinghlander
2- O Desafio do Highlander 

O Fim do Inverno

Silvia e John cresceram rodeados pela miséria e pela pobreza em uma favela miserável em Londres.

No meio de tantas dificuldades, entre ambos, surgirá um amor puro e nobre, que lhes dará asas para tentar sair da penúria que os rodeia.
Mas, então, o pai da moça, a vende para um nobre que a deseja. John, amargurado e triste pelo desaparecimento de Silvia, vai se tornar um homem duro e implacável, que consegue fazer fortuna com a prostituição e jogos de azar. Anos mais tarde, reencontram-se novamente, mas...Poderá o amor que uma vez os uniu, superar os obstáculos, que agora se interpõem entre eles?

Capítulo Um

Silvia sentiu que emergia dos braços doces de um sonho bom, quando começou a notar o desconforto e a dor. O frio e a fome, somados aos dedos rudes de seu pai, que se cravavam em sua pele macia, fizeram-na compreender que um novo dia começava. Lentamente, abriu os olhos e espreguiçou-se devagar, resistindo à ideia de levantar do colchão que compartilhava com sua família.
— Acorde já! — Seu pai não deixava de cutucá-la. — Cada dia tornase mais preguiçosa! 
Silvia levantou-se, e observou que, com exceção de Henry, seu irmão mais novo, todos já estavam de pé. Sua mãe esquentava algo no fogão, e seus irmãos mais velhos, Joseph e Charlie, apressavam-na de maneira brusca e sem consideração.
Olhou-os com desagrado, e teve o prazer de comprovar como Charlie baixava o olhar, envergonhado. No entanto, não podia culpá-los, seu pai costumava insultar e bater em sua esposa pelos motivos mais absurdos, e seus irmãos haviam aprendido rapidamente a não tentar defendê-la, já que assim, os insultos e os golpes se voltavam contra eles, o que aumentava o sofrimento da mulher. Silvia aproximou-se da figura pálida que, imune às recriminações de seus filhos mais velhos, mexia, na panela, o que parecia ser um mingau, e depositou um beijo suave em sua bochecha. Os olhos tristes e cansados da mulher desviaram-se para sua filha, e por um instante, uma faísca de alegria brilhou através deles.
— Posso ajudá-la, mamãe? — Não, querida, já estou quase terminando. A voz de seu pai, rouca pela bebida, interrompeu as mulheres.
— Querem calar a boca? Nunca vi duas mulheres mais inúteis que vocês! Com um olhar de alívio pateticamente evidente, a mãe de Silvia tirou a panela do fogo. Todos se sentaram ao redor da única mesa que havia no casebre de tábuas em que viviam, nos arredores de St. Katharine Docks, em East End. Enquanto todos comiam da própria panela, Silvia observava... Sua mãe tinha o cabelo emaranhado e grisalho, preso em um coque.
Devia ter sido bonita em outros tempos, seus olhos eram verdes, que ela havia herdado, e a fineza de seus traços, atestava esse fato. Mas agora, rugas profundas de tristeza e preocupação, sulcavam suas bochechas e a testa, seu olho esquerdo permanecia meio fechado, consequência de um soco desferido por seu pai. Suas mãos tremiam ligeiramente, como sempre, desde que Silvia podia recordar, e mantinha os olhos baixos, tentando passar despercebida.
Ela ainda lembrava, que até alguns anos atrás, sua mãe costumava se sentar junto a ela, para contar histórias estranhas e maravilhosas, de um livro que chamava de “O Livro Sagrado”. Eram histórias sobre meninos que matavam gigantes com uma funda, de um filho que havia abandonado sua casa, e era recebido de braços abertos, ou de um jovem que havia sobrevivido durante quarenta dias dentro de uma baleia. 
Também tirava seus piolhos, e desembaraçava seu cabelo louro com os dedos, cantava e tentava fazê-la esquecer da vida miserável que tinham.
Mas, com o passar dos anos, ela tornou-se cada vez mais taciturna e silenciosa, e, além disso, Silvia suspeitava que, a morte recente de seus dois irmãozinhos, Sally e Ned, quando ainda eram bebês, havia sido um golpe muito duro, para que ela pudesse suportar.
Seu pai, por sua vez, nem sequer notou a falta das crianças, seu único comentário fora, que a partir disso, teriam duas bocas à menos para alimentar.


O Sósia do Duque

Era uma vez, a linda Johanna Sherwood, condessa de Carew, que esteve loucamente apaixonada por Adrian Delacourt, o sombrio, atrativo, e devastadoramente encantador Duque de Roxbury. 

Isso foi antes de casar-se com ele. Isso foi antes que ele mostrasse sua verdadeira natureza quando a acusou de infidelidade, arrastando seu nome pela lama. Isso foi antes que ela fugisse para Itália com o melhor amigo de Adrian, Gareth Sherwood, que a resgatou da ruína total de seu divórcio ao fazê-la sua esposa. Agora Johanna retornou a Inglaterra como uma jovem viúva encantadora só para descobrir que nada mudou. O escândalo injusto ainda envolve seu nome e o amor impossível ainda ardia em seu coração. A opção mais simples… Johanna sabia muito bem que não deveria duvidar na escolha entre o Duque de Roxbury e Lorde John Barrasford. O duque era exatamente como ela o recordava de seu breve e desastroso matrimônio, arrogante, desconfiado, implacável e impaciente por acreditar o pior dela, sempre rechaçando ouvir suas explicações. 
Lorde John Barrasford era justamente ao contrário, atencioso, pormenorizado, elogiando-a e comprometendo-se fazê-la a mais feliz das mulheres. Obviamente isto não deveria fazê-la duvidar: voltar com o terrível duque ou abrir seus braços e coração à adoração que lhe professava Barrasford. Porque para Johanna era tão difícil escolher algo tão evidente. 

Capítulo Um

 — Em realidade, querida, é de pouca importância onde a aflige a morte de meu filho — a condessa viúva suplicou a sua nora. — Então, também podemos retornar a Inglaterra. Suas saias de seda negra rangeram ao mover-se pelo salão fracamente iluminado. 
— Johanna, nada pode devolver a vida de Gary, ambas sabemos. Sua preocupação agora devem ser seus filhos, Justin deve crescer consciente de suas responsabilidades. 
— Mamãe, ele tem só cinco anos — protestou. — Meu amor, ele deve saber que é inglês, não pode criá-lo na Itália e esperar que aprenda o que significa sua herança. Por favor, Johanna, pelo amor de Gary volte com seus filhos à Inglaterra. Johanna Sherwood não se alterou pela suplica. Olhou tristemente o pequeno jardim onde o sol banhava as flores da primavera com sua luz, em contraste com a escuridão de seu coração. Com um suspiro olhou para sua sogra. 
— E fazê-los viver com o escândalo? — perguntou amargamente. — Ouvir que sua mãe foi acusada de adultério e divorciada. — Razão a mais para transladar-se agora, quanto antes Johanna, voltemos para New Haven, confrontemos os falatórios, conseguiremos que se esqueçam. Novos rumores substituem sempre os velhos. Terá que se comportar prudentemente, é obvio, como se a sociedade esquecesse. 
— Eles realmente se esquecem? — Durante um momento seus olhos se nublaram. — Esqueceram um divórcio, que me obrigaram a deixar o país, esqueceram as humilhantes acusações públicas de Adrian, duvido-o muito. 
— O tempo e a distância já tomou cuidado que se esqueçam da maior parte, passaram seis anos desde que ocorreu e Gary... — Ninguém sabe melhor que eu, o que deixou atrás por mim, mas não posso voltar, não me peça isso, não posso. 
— Johanna. — A mulher mais velha se aproximou e abraçou a jovem viúva. — Me olhe, por nada no mundo quero te causar mais dor, mas deve fazê-lo. Gary deixou por você sua casa, seu país, seus amigos, sua carreira política porque a amou por cima de todas as coisas. Pode não encontrar em seu coração razões para retornar com seus filhos para casa. Eles têm o direito de conhecer a herança de seu pai. Justin deve crescer em New Haven, Gary desejaria que fosse dessa forma e você sabe disso. 
— Só tem cinco anos, podemos viver alguns anos a mais na paz do exílio. Não devemos voltar tão cedo.
 — Jo — sua sogra insistiu brandamente. — Só tem vinte e cinco anos, com sua hierarquia e a fortuna de meu filho pode voltar a se casar, amar outra vez, não deixe à amargura te privar disso, ou a meus netos, de encontrar de novo a felicidade, não há nada para atá-la a esta casa, mas a herança de meu filho está esperando por seu filho, não esqueça que Justin é agora o conde de Carew. 


29 de julho de 2018

Uma Paixão Francesa

Um emocionante romance de amor durante os tempos da Revolução Francesa. 

Uma heroína seduzida e ultrajada por um elegante cavalheiro a quem não pode esquecer. Uma luta desenfreada para recuperar uma paixão que só nos braços daquele desconhecido pode encontrar.
Uma mulher disposta a arriscar, inclusive, sua própria vida para alcançar um sonho de amor…
Manon d'Epinay está a caminho de Paris para se casar com um dos mais poderosos nobres da França, um conselheiro do rei Louis. Mas a caminho, sua carruagem é atacada por revolucionários assaltantes. Para salvar sua família, Manon luta por um acordo com um demônio sedutor que selará seu destino. Pois a revolução está prestes a atingir a França e transformar sua vida para sempre.
Uma Paixão Francesa é a história vibrante de três pessoas ardentes em um momento decisivo na história: Manon, uma aristocrata atrevida e empobrecida entre dois homens carismáticos, que faz o que precisa para sobreviver; André, cujo passado está coberto de mistério e que arrisca sua vida para proteger a mulher que ama enquanto luta para trazer justiça e igualdade a seus compatriotas; e o Comte de Crequi, vinculado pelas antigas leis de nobreza e classe, cujas paixões por seu país e por Manon são mais profundas do que qualquer um poderia ter imaginado.

Capítulo Um

― Não deveríamos estar viajando com esta escuridão. ― gemeu tia Thérése, retorcendo seus gordinhos e enluvados dedos. ― Deveríamos ter chegado ao hotel de Poste faz duas horas.
― Duas horas ― disse. ― Que coincidência, é o tempo que precisámos esperar para que ferrassem o cavalo!
Meu esforço por acalmá-la com uma brincadeira não deu resultado. Tia Thérése continuou, com voz tremente:
― Nestes dias há muitos bandidos! Assaltantes de caminhos.
Era verdade. Corriam rumores de que havia bandoleiros, especialmente na rota Paris-Reims. Tia Thérése, como se quizesse jogar uma olhada aos supostos assaltantes, espiou pelo guichê da nossa velha carruagem, eu e Jean Pierre nos voltamos involuntariamente. Vários quilômetros atrás, ao deixar a ferraria, os lampiões da carruagem tinham sido acesos. Sua luz fumegante, velada pela espessa chuva, foi tudo o que pudemos ver.
Os cavalos patinaram em um pântano. Saltamos todos de uma vez, tia Thérése contra mim: Jean Pierre, que ia sentado em frente, esticou o braço para segurá-la.
― O que foi isso? ― Disse ela, sem fôlego pelo terror.
― Nada, tia ― disse ― os camponeses não cumprem com suas tarefas nos caminhos, isso é tudo.
― Às vezes, os ladrões cavam uma fossa para atrasar os viajantes… Ao menos é o que dizem.
Tia Thérése, nossa tia avó, era muito bondosa. E muito antiquada. Sempre estava citando ditos e frases.
― Diga-me, tia ― perguntei, ― que ladrão em seu são juízo desafiaria esta tempestade para roubar uma carruagem deteriorada?
― Manon, ― repreendeu-me ela ― não deve brincar com as coisas sérias. Logo vai se casar.
Ao ouvir a palavra casar tive um estremecimento involuntário. E meu irmão, que sabia tranquilizar muito melhor que eu, disse com sua musical voz de tenor:
― Por este caminho passaram soldados.
― Jean Pierre, isso é exatamente o que quero dizer ― exclamou ela. ― Patrulham por causa dos bandidos. Na última parada falavam de um caso terrível acontecido faz uns dias. Os viajantes, um barão, sua mulher e sua irmã, foram despojados de tudo. Mataram o barão. As senhoras foram ― se interrompeu, e me lançou um olhar antes de prosseguir em voz baixa. ― Foram maltratadas.
― O triste ― disse ― é o fato do barão estar morto, mais do que das damas maltratadas!
― É muito jovem para entender o que estou dizendo, Manon ― e a adorável e gorda solteirona, com o espartilho tão ajustado que logo não poderia respirar, levou a mão ao coração, sobre sua capa de viagem. Tia Thérése acreditava firmemente que eu, que tinha vivido dezesseis anos entre os animais de minha granja, ignorava o que fazem um macho e uma fêmea.
Na penumbra encontrei o olhar de Jean Pierre. Piscou-me um olho. Fiz todo o possível por não soltar uma gargalhada.
Querido, querido Jean Pierre. Irmão, amigo, minha única família. Faria quaquer coisa por ele. Quando eu tinha três anos e ele quatro, nossos pais morreram de cólera no mesmo dia, e ser órfãos nos uniu mais do que à maioria dos irmãos e irmãs. 
Jean Pierre era o mais velho, mas eu sempre o tinha protegido. Sua saúde era delicada. Com frequência tinha febre, sofria ataques de tosse e enxaquecas e, durante estas enfermidades, eu permanecia em seu quarto escuro, cuidando-o. 
Devido as dores de cabeça, muitas vezes não estudava as lições, e eu o escondia entre as cortinas de minha cama, protegendo-o da régua do nosso tutor quase cego. Para ser sincera, a enfermidade não era o único motivo pelo qual Jean Pierre desatendia suas lições. 
Ambos tínhamos herdado o amor à diversão dos D’Epinay. Juntos, vadiávamos nos córregos, deslizávamos pelos montões, galopávamos nos gordos cavalos da granja, corríamos com os cães pelo bosque. Jean Pierre estava acostumado a cantar. Tinha uma voz maravilhosa e eu podia escutá-lo durante horas.
Na incerta luz pude ver o delicado arco de sua fronte, o orgulhoso ângulo de sua cabeça. Tinha o aspecto de um aristocrata e o era. 
Em tempos passados, os D’Epinay, tínhamos sido ricos e poderosos, mas várias gerações tinham ido vendendo as granjas e as propriedades de campo para pagar formosos vestidos ou uma noite de jogo ― os D’Epinay, dizia a gente, nunca renunciavam a um gosto. E agora, em 1785, a herança do Jean Pierre era uma desmantelada casa hipotecada, com um telhado de ardósia, que caía. 
E eu possuía as opalas dos D’Epinay, um colar normalmente escondido na gaveta secreta de um banco, que agora se encontrava sob as volumosas saias de tia Thérése.
Nossa pobreza nunca me tinha incomodado.
Jean Pierre, em troca, estava acostumado a falar com veemência de um milagre futuro, quando de algum jeito a fortuna dos D’Epinay voltaria e ele poderia acotovelar-se novamente com a grande nobreza da França. Nossa casa, nossas roupas pobres, faziam-no infeliz. Estranho.
 Em geral, era Jean Pierre quem recusava abertura às coisas desagradáveis. Via o lado bom de tudo. Inclusive quando caia de dor durante um ataque de febre, dizia: Por sorte não terei que estudar essas condenadas lições. Estas duas coisas foram a causa de que Jean Pierre aprovasse meu matrimônio com o conde do Créqui.
Era tia Thérése quem nos tinha recolhido, quando nos tornamos um par de órfãos chorosos e assustados, tinha-nos abraçado contra seu brando peito perfumado de baunilha e nos tinha criado. Mas nosso futuro era o conde de Créqui.
O conde de Créqui era um dos grandes nobres que rodeavam o rei. Caçava com o rei, viajava na carruagem do rei, aconselhava o rei. O conde nos tinha visitado uma vez, quando nossos pais morreram, e eu o recordava como uma figura alta, negra e resplandecente, com uma peruca branca como a neve.
Aquele mês de maio, quando se celebrou meu aniversário, havia tornado a nos visitar. A sensação de estatura que pode ter uma criatura de três anos não é de confiar. 
O imponente vulto dos ombros e o peito do conde de Créqui se seguravam fracamente sobre umas pernas curtas e magras. Uns olhos vivazes iluminavam sua cara de macaco inteligente. Em que, pese a sua fealdade, irradiava linhagem e presença. Sua casaca de cetim negro brilhava com botões incrustados de diamantes. Seu pescoço se movia facilmente dentro de sua camisa com séries de encaixe. Tinha a cortesia quase brutal de um homem que sabe que pode obter tudo o que deseja: mansões, formosos cavalos, mulheres fáceis. Era viúvo.
Tinham arrumado para mim o vestido de seda verde que tinha sido de minha mãe. Meu cabelo, tão loiro que parecia empoado, caía em cachos sedosos. Tia Thérése, ao me examinar antes da refeição, tinha lançado exclamações, comentando minha delicada figura, meu cabelo de um loiro prateado, minha fronte alta, minha pele branca, minhas faces rosadas, o verde de meus olhos, acrescentando que devia cobrir o decote com um lenço.
― OH, tia ― exclamei, ― não seja tão antiquada!

28 de julho de 2018

A Tristeza do Barão

Série Os Cavalheiros
Dizem que o amor juvenil nunca se esquece, talvez porque é suficientemente puro e real. 

Depois de anos procurando Anaís Price, sonhando em têla de novo ao seu lado, Federith Cooper terá que se casar com lady Caroline, que leva o filho de ambos em seu ventre, assim pensa ele. Mas sua vida matrimonial é um inferno, sua esposa rejeita sua presença, sua ternura e inclusive sente repulsa por ele, o homem mais educado e respeitoso de Londres. Federith tenta aceitar a vida que lhe calhou, mas... durante quanto tempo poderá manter aquele comportamento frio e aristocrático que seus pais lhe impuseram desde menino, quando o amor de sua vida reaparece anos depois? Um verdadeiro amor não desaparece com o tempo, e a promessa que fez de protegê-la, cuidá-la e amá-la, tampouco. Entre na apaixonada vida de Federith Cooper, futuro Barão de Sheiton e último cavalheiro desta série.

 Capítulo Um 
Londres, 1865. Hemilton, residência de Federith Cooper
Quando a observou entrar em sua casa ficou surpreso e milhares de perguntas apareceram em sua mente: o que fazia ali, de noite e sem uma acompanhante? A resposta surgiu com rapidez ao vê-la com mais precisão. Seus olhos, inchados e vermelhos por um incessante pranto, indicaram-lhe o motivo da visita àquelas horas e naquelas condições. 
Abriu os braços para que se sentisse reconfortada no calor de seu corpo e pudesse consolá-la. Não precisava saber a causa de sua presença, embora ela o tenha explicado de qualquer forma. Nesse preciso momento, ao escutar da boca da mulher o que temia, virou-se e caminhou para a janela. Tinha que pensar, que repensar sobre como liberar a adaga que atravessava seu coração, mas por mais que tentasse tira-la e escrever um novo capítulo do livro que começou na sua infância, foi incapaz de fazê-lo. Tinha mantido a esperança de encontrá-la face aos infortúnios da vida. 
Recordou a última vez que soube algo sobre ela e a amargura que sentiu ao compreender que tinha desaparecido para sempre. Por mais que tentasse assimilá-lo, até o momento em que entrou Caroline em sua casa, imaginou que esse dia poderia chegar a qualquer instante. Abriu a cortina. Parado em frente à janela olhou para o céu e a contemplou. 
Fazia muito tempo que não a observava daquela maneira. Desde aquele dia tão somente se atreveu a olhá-la quando não estava na fase de lua cheia. E depois de tantos anos, admirava-a absorto, em silêncio e rogando que o perdoasse por tê-la afastado de sua vida durante tanto tempo. Acreditou, inutilmente, que se a admirasse com a mesma intensidade que naquela noite obteria a resposta que necessitava. Apoiou a testa sobre o vidro e suspirou. 
Seu futuro já estava determinado? Devia esquecer a promessa de procurá-la? Na verdade, não tinha outra alternativa e, apesar de não poder imaginar uma vida ao lado de Caroline, esta se converteria na mulher com quem teria que viver no futuro. Procurou-a durante os meses após a sua partida. Perguntou sobre a família do conde Kingleton em todos os eventos nos quais comparecia. Mas ninguém soube lhe informar para onde tinham partido. Entretanto, anos depois, na universidade, um pequeno mundo afastado do resto da humanidade, uma pessoa mencionou aquele sobrenome… 








Série Os Cavalheiros
1- A Solidão do Duque
2- A Surpresa do Marquês 
3- A Tristeza do Barão

24 de julho de 2018

Indomável

Série Guerreiros MacKinnon
Guardas MacKinnon

Eles eram um bando de irmãos, sendo que a lealdade entre eles foi forjada através das dificuldades e batalhas. O vínculo entre esses guerreiros Highlands, as colônias acidentadas e os ferozes nativos americanos é mais forte do que os laços de sangue.
Apesar de ser forçado a lutar pelos odiados ingleses, Morgan MacKinnon não iria trair seus homens e levá-los a morte, nem mesmo quando foi capturado pelos franceses e ameaçado a sofrer uma morte agonizante, queimado vivo pelas mãos dos Abenaki.
 Somente o olhar inocente de uma moça francesa, criada em um convento, poderia fazê-lo questionar sua promessa de escapar e retornar aos Guardas.
Logo, a doce paixão que despertou em Amalie, fez com que ele amaldiçoasse a guerra, forçando-o a escolher entre defender sua honra ou comprometer-se com a mulher que ama.

Capítulo Um

Ticonderoga, Fronteira com Nova Iorque
19 de abril, 1759
O Major Morgan MacKinnon jazia sobre seu estômago, olhando para baixo na cúpula da Montanha Rattlesnake, diretamente para o forte francês na Ticonderoga. Ele ergueu o binóculo de seu irmão Iain, que agora era dele e observou enquanto os soldados franceses descarregavam barris de pólvora de um pequeno navio. Claramente, Bourlamaque estava se preparando para defender o forte novamente. Mas se Morgan e seus Guardas se saíssem bem-sucedidos em sua missão desta noite, essa pólvora nunca veria o interior de um mosquete francês.
Connor estirou-se ao lado dele e falou em um sussurro.
― Não posso ver este lugar sem pensar nesse bastardo do Abercrombie e nos bons homens que perdemos. ― Morgan baixou o binóculo e encontrou o olhar de seu irmão mais novo.
― Eu tampouco posso, mas não viemos aqui para nos lamentar.
― Não. ― o olhar do Connor se endureceu. ― Viemos por vingança.
Amalie beliscou sua comida, seu apetite se perdeu ao falar da guerra.
Ela fez o seu melhor para ouvir educadamente, sem se importar com o quão assustada ela estava, ao pensar em outro ataque britânico. Monsieur de Bourlamaque era comandante de uma guarnição no meio do conflito. Era certo que ele e seus oficiais mais confiáveis deveriam discutir sobre a guerra enquanto comiam. Ela não queria distraí-los com sentimentos infantis, nem era tão egoísta a ponto de exigir diversão. É só que, às vezes, desejava que seu tutor pedisse para ouvir seus pensamentos...
Seu pai era a única pessoa que já havia feito isso e agora ele se foi.
E foi assim que Amalie passou a refeição, em silêncio, como sempre fazia na abadia.
― Não devemos permitir que a vitória do verão passado nos cegue a ponto de termos excesso de confiança. ― Bourlamaque limpava seus lábios com um guardanapo branco de linho. Seu uniforme azul, com suas condecorações e a faixa vermelha diferenciava-o de seus oficiais, que levavam cinza. ― Amherst não é um idiota como Abercrombie, ele nunca teria atacado sem artilharia.
O tenente Rillieux recostou-se em sua cadeira, o rosto sorridente. Somente ele, dentre os oficiais mais jovens, que eram favorecidos pelos seus cabelos naturais, usava uma peruca empoeirada, o branco fazendo grande contraste com a sua pele oliva e as sobrancelhas escuras.
― Deixem-no fazer seu pior esforço.
Amalie sufocou um suspiro. Como ele poderia tentar o destino de tal maneira, quando isso poderia significar a morte de seus próprios homens? Ele faria melhor se rezasse pela paz!
Mas o tenente Rillieux não parecia dar-se conta que havia dito algo sem pensar.
― Devemos dirigir Amherst de volta à floresta, assim como fizemos com o seu antecessor. Meus homens estão prontos.
― Estavam prontos quando MacKinnon e seus homens assaltaram as últimas provisões do trem de abastecimento? ― Bourlamaque elevou uma sobrancelha em desaprovação. ― Perdemos uma fortuna em mosquetes, sem mencionar várias caixas com meu vinho favorito, não importa o quão bem você se prepare, parece que a Guarda sempre está um passo à sua frente.
O estômago de Amalie se retorceu, como o fazia cada vez que mencionavam à Guarda dos MacKinnon. Estes homens que tinham matado seu pai pareciam estar em todos os lugares e em lugar nenhum, embora papai tivesse assegurado que não existia tal coisa como oschi bai, começou a se perguntar se seus primos tinham razão. Talvez os Guardas não fossem homens depois de tudo, o Tenente Rillieux soprou e inclinou a cabeça como desculpa.
― Meus mais sinceros pêsames de novo por sua perda, senhor. Os irmãos MacKinnon são adversários formidáveis, mas os faremos cair.
― Esperemos que sim. Talvez agora que o mais velho dos MacKinnon foi liberado do serviço, os Guardas cairão sob as ordens de um líder incompetente.
― Duvido-o, senhor. Morgan MacKinnon é todo um homem das florestas, arqueiro e líder, assim como Iain MacKinnon foi. Seria uma tolice subestimá-lo. Mas foram feitos arranjos. Como eu disse anteriormente, meus homens estão prontos.
Mas Amalie não estava pronta. Ainda não tinha esquecido a batalha do verão passado e temia à possibilidade de um renovado derramamento de sangue. A dor pela morte de seu pai ainda era evidente, seus sonhos cheios de disparos de mosquetes e dos gritos de homens moribundos.
Se apenas essa guerra maldita acabasse! A vida seria livre para florescer novamente na Nova França. Marinheiros encheriam o porto, trazendo, não soldados, mas homens e mulheres desejosos de construir lares e criar famílias ali.
E o que você fará Amalie? 



Série Guerreiros MacKinnon
1- Rendição
2- Indomável

Um Libertino à Meia-Noite

Série Irmãs O’Rourke/Série Irmãos Hunter



Seu desejo é mantê-la como sua amante!

James Hunter não pode esquecer a noite em que resgatou Eugenia O'Rourke de uma provação terrível, de como a sentiu em seus braços, quente e vulnerável. 
Agora trabalhando no Ministério do Interior durante o dia, ele não acha difícil assumir o papel de seu protetor libertino à noite...
Gina está dolorosamente ciente de que James testemunhou sua mais profunda humilhação. Seu maior medo era o retorno de seu captor, mas à meia-noite ela tem mais medo de ser o objeto da pena de James. No entanto pena não é o que James sente...

Capítulo Um

12 de setembro de 1821
Noite novamente. Ruas escuras, movimentos inconstantes nas sombras, sons abafados, sussurros no vento, o frio úmido de um nevoeiro sufocante. E sempre, a ameaça iminente de desastre nas costas dela. Gina O'Rourke odiava a noite, embora tivesse começado a viver sua vida nas horas entre o crepúsculo e o amanhecer, como se nada de mal pudesse acontecer com ela se apenas vigiasse. Se encheu de alívio ao ver acender o poste de luz do lado de fora da sua janela da sala de estar. Ela poderia jurar que havia sombras no parque do outro lado.
Afastando-se da janela, pegou o bordado e sentou-se perto da lareira, onde a luz era melhor. Enquanto empurrava a agulha através do linho fino, tentou direcionar seus pensamentos para o futuro, algo que ela não era capaz de fazer desde aquela noite.
Amanhã, talvez, falaria com seu cunhado sobre achar, para ela e sua mãe, um lugar só delas. Andrew e Bella deveriam ter a chance de ficar sozinhos e nutrir o casamento sem a interferência da mãe. Nada tão distante quanto St. Albans, mas talvez um chalé em St. John's Woods funcionasse muito bem. Lá, mamãe poderia reclamar e se preocupar com seu coração, sem incomodar a ninguém. Exceto Gina. Mas havia algo... seguro nesse tipo de vida. Seguro e reconfortante, como só o familiar poderia ser.
Sim, uma vida tranquila sem drama ou perigo era o que queria. Ninguém teria que saber sobre o passado dela, sobre aquela noite. Ela poderia parar de se atormentar, tentando lembrar os trechos horríveis, antes de se ver carregada da mesa, embalada nos braços de James Hunter. Apenas seu perfume, amadeirado e aquecido, a acalmou então. Agora a lembrança disso a incomodava de um modo muito perturbador.
O sino da frente tocou, seguido pelo som de botas e uma voz baixa falando com o mordomo de Andrew no vestíbulo. Ela olhou para o relógio. Quase meia-noite. A reunião de Andrew se estendeu até muito tarde e ele ainda estava na biblioteca com Lorde Wycliffe, mas quem viria à meia-noite? Ela se levantou, pronta para fazer uma retirada rápida, mas não foi rápida o suficiente. James Hunter apareceu na porta e tirou o chapéu.
— Imploro seu perdão, Senhorita O’Rourke. Eu vim para ver meu irmão e Edwards me pediu para esperar enquanto informa a Drew que estou aqui. Ele não sabia que você estava usando a sala.
Gina se esforçou para pensar em algo para dizer, mas se encontrou com a língua presa. Ela afundou-se no sofá, com o coração disparado, e se perguntou se seus simples pensamentos haviam sido suficientes para convocá-lo. Coisas mais estranhas que essa tinham acontecido com ela ultimamente.
Sair agora seria rude. E revelador. Recuperou o bordado novamente e o colocou no colo, rezando para que os dedos não tremessem quando ela pegasse a agulha.
— Acredito que ele esteja em algum tipo de reunião tardia, Senhor Hunter. — Ela disse a ele. — Eu duvido que você tenha que esperar muito tempo.
— Com uma companhia tão encantadora, rezo para que ele atrase.
Ela encontrou seu olhar e percebeu que ele estava apenas sendo gentil, e só porque sua irmã era casada com o irmão dele. Todos os irmãos Hunter eram extremamente educados. Ainda assim, nunca poderia encontrá-lo sem ver a lembrança daquela noite miserável nas profundezas de seus olhos azul-violeta. Também viu pena e abominou o pensamento de que ele sentia pena. Não podia deixar de se perguntar se ele ainda a via como estava naquela noite, nua até que a cobrisse com sua capa. O calor a atravessou e ela engoliu um pequeno gemido ao simples pensamento.
Ele deixou cair o chapéu numa cadeira e foi até um aparador para se servir de uma garrafa de xerez de lá. Olhou para ela por cima do ombro e levantou uma sobrancelha a convite.
— Não, obrigada. — Ela murmurou, olhando para a porta da sala de estar. Onde estava Edwards? E por que James, de todas as pessoas, tinha que encontrá-la sozinha?
— Como tem passado, Senhorita O’Rourke?
— Bem, obrigada. — Ela olhou para o bordado, mas a mão direita ergueu-se para tocar a garganta e a ferida que cicatrizara ali. Encontrou o olhar dele, engoliu em seco e tirou a mão rapidamente. Por que ele tinha que ser tão diabolicamente bonito? Ela poderia suportá-lo se fosse velho ou feio ou grosseiro em vez de alto e invulgarmente bonito!










Série Irmãs O’Rourke/Série Irmãos Hunter
1- Indiscrições
2- Beijos de Fel
3- Despindo Lilly
4- Um Libertino à Meia-Noite
5. A Daring Liaison - a revisar

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