11 de dezembro de 2018

Em Uma Noite de Inverno

Série Guerreiros MacKinnon
Finalmente, depois de cinco longos anos, a guerra entre a Inglaterra e a França está chegando ao fim e os MacKinnons estão ansiosos para celebrar o seu primeiro Natal em tempos de paz. 

Entretanto, enquanto Iain e Annie descobrem que os prazeres do casamento ficam mais profundos com o tempo, Morgan e Amalie vivenciam um período de turbulência e Connor e Sarah têm um filho recém-nascido para cuidar.
Os preparativos para as festas em família são interrompidos quando Iain descobre que a Grã-Bretanha não pagou aos Guerreiros pelas campanhas vitoriosas do verão. Recusando-se a deixar, que os homens que lutaram sob o nome de MacKinnon sofressem privações na época do Natal, Iain, Morgan e Connor deixam o calor da sua fronteira e dirigem-se para Albany. Lá, eles se encontram em risco de perder o seu feliz Natal e até mesmo a sua liberdade, nas mãos de um implacável oficial britânico que lhes guarda rancor.
Com os homens fora, Annie, Amalie e Sarah fazem o melhor que podem para preparar as festividades, apesar das diferentes tradições e o temor de que os seus maridos não cheguem a casa a tempo do Yule. Os eventos começam no dia seguinte ao epílogo de Rebelde acabar. A história inclui Joseph, Killy e revelações sobre o destino de lorde William Wentworth.

Capítulo Um 

18 de dezembro de 1760, Norte de Albany
Colônia de Sua Majestade de Nova Iorque

Connor MacKinnon caminhou em direção ao celeiro, a neve rangendo sob os seus mocassins, o ar gelado mordendo o seu nariz, o nascer do sol, um vislumbre de dourado a este.
— Madainn mhath. — ele disse para o seu irmão Morgan, que estava ocupado cortando madeira perto do monte de lenha. Bom Dia.
Com o machado na mão, Morgan olhou ameaçadoramente para ele e chutou um pedaço de lenha para o monte.
— O que há de tão malditamente bom nisso?
Oh, inferno!
Então era assim que as coisas estavam?
Connor não levou em consideração as palavras do seu irmão, pois, de acordo com o seu ponto de vista, havia muito sobre este dia que era bom e certo. A guerra tinha acabado. A fazenda MacKinnon estava a prosperar, rendendo uma colheita abundante que os manteria durante o frio e a escuridão do inverno. Acima de tudo, ele e os seus irmãos tinham cada um, tomado uma formosa moça como esposa e tinham cinco fortes crianças entre eles, quatro meninos e uma menina.
Sim, Deus tinha sido bom para eles.
Se no ano passado alguém lhe tivesse dito que neste momento, ele estaria felizmente casado com a sobrinha do seu maior inimigo, Connor teria pensado que eles eram doidos. Mas era verdade, e ele não poderia estar se sentido mais abençoado.
Você é um bastardo sortudo, MacKinnon.
Ele entrou no calor escuro do celeiro. As vacas mugiam, ansiosas para ser ordenhadas, o ar tinha um cheiro pungente de feno, couro e estrume. Ele passou pelos bem ordenados e oleados equipamentos de cavalos e ferramentas de cultivo e caminhou até à parte traseira, onde Iain já estava medindo a porção de aveia matinal para os cavalos.
Iain olhou para cima.
— Mhath Madainn.
— Dia dhuit. — Deus esteja com você.
Connor acariciou o focinho aveludado de Fríthe, a sua égua favorita.
— Morgan está zangado novamente.
— Sim. Eu notei. — Iain entregou a Connor um saco cheio. — Annie disse que Amalie abandonou completamente a cama dele.
Oh, isso seria suficiente para azedar o temperamento de qualquer homem.
Connor colocou o saco na cabeça de Fríthe, e a égua começou a se alimentar.
— Falta apenas uma semana para o Yule. Não é apropriado que ele e Amalie se encontrem ainda em conflito. Fale com ele, Iain. Você é o mais velho. Ele vai ouvir o seu conselho.
Iain entregou a Connor outro saco de aveia.
— Eu tentei falar com ele, mas ele não ouve. Está se deixando levar pela preocupação. Não tenho palavras para amenizar tais temores.
Nem tinha Connor.
Estes não eram medos infundados, mas medos nascidos da dura realidade. Mulheres morriam no parto todos os dias, morriam enquanto lutavam para trazer uma nova vida ao mundo. Apenas duas semanas se passaram desde que Sarah dera à luz ao pequeno William, e Connor nunca esqueceria as suas longas horas de sofrimento, o som arrepiante dos seus gritos ou o medo que o tinha corroído enquanto ele se perguntava se ela e a criança sobreviveriam.
E mesmo assim, era difícil ouvir Iain e Morgan falar que o parto de Sarah fora abençoadamente breve e fácil em comparação com o que Amalie tinha suportado. Em março passado, Amalie dera a Morgan filhos gêmeos e certamente teria perecido se Rebecca, uma parteira habilidosa, e irmã do moicano Joseph Aupauteunk, irmão de sangue deles, não estivesse aqui para ajudar com o nascimento.
Sim, Connor conseguia entender porque Morgan tinha se recusado a se deitar com a sua esposa da maneira habitual. Morgan não queria vê-la sofrer novamente nem queria arriscar perdê-la. Mas nove meses haviam se passado desde o nascimento dos gêmeos e a paciência de Amalie parecia estar chegando ao fim. Se Amalie tinha abandonado a cama de Morgan completamente, como Annie havia dito, não haveria como viver com qualquer um deles.
Connor levou o saco até à baia de Fiona, pendurando-o gentilmente sobre a cabeça da égua.
— Algo deve ser feito. Eu não quero ver Amalie chorando no Natal, e eu já estou cansado da língua afiada de Morgan.
— Assim como eu. — Iain começou a encher mais dois sacos.
Uma ideia veio à mente de Connor, mas a manteve para si.
— E Sarah, como está? — perguntou Iain, quebrando o silêncio momentâneo. — A noite passada não deve ter sido fácil pra ela.
Na noite passada, o lorde inglês que Connor uma vez jurou matar, tinha voltado dos mortos para visitá-los. Lord William Wentworth, o tio de Sarah, tinha se esgueirado até à porta deles no escuro da noite, deixando nos degraus da cabana deles, uma carta de Inglaterra e uma única peça, rachada de xadrez — um rei feito de mármore preto. Alertados da presença dele pelos cães, Connor e os seus irmãos tinham tentado, pelo bem de Sarah, encontrá-lo e convidá-lo a sair do frio. Mas o bastardo virara a cabeça do cavalo em direção a Albany e montara como se o próprio Satanás estivesse em seus calcanhares, recusando-se a vê-los ou se deixar ser visto por eles. Embora aliviada ao saber que o seu tio, que no verão passado, fora capturado pelos índios Wyandot, estava vivo, Sarah ficara arrasada pela sua recusa em vê-la.
— Ela está guardando a peça de xadrez no bolso do avental. Eu já a vi tirá-la e fechar a mão em torno dela. Mas não disse uma palavra sobre o tio hoje.
— E a carta?
Connor, realmente não desejava falar sobre isso, mas sabia que Iain iria pressioná-lo mais se ele não respondesse.
— Encontra-se em cima do cravo dela.
Maldita fosse aquela carta!


Série Guerreiros MacKinnon
1 - Rendição
2 - Indomável
2.5 - Dia dos Namorados de 1760
3 - Rebelde
3.5 - Em Uma Noite de Inverno
Série Concluída

4 de dezembro de 2018

Depois da Inocência

Dinastia Warenne
Longe da sociedade, a rica e bela artista Sofie O’Neil encontra consolo em seu mundo particular. 

Ela deseja, apenas por uma vez, provar um amor proibido — seguir o perigoso saqueador de diamantes Edward Delanza para o paraíso. Mas Edward quer muito mais da inocente jovem herdeira do que um breve e passageiro encontro, pois ele está determinado a curá-la e possuí-la — agora... e para todos os tempos.
Capítulo Um

Praia de Newport, 1901
O dia estava tão esplêndido que Sofie ficou feliz por ter aceitado o convite de sua mãe para passar o fim de semana em sua casa de praia e participar da festa que daria naquela noite.
Sentada em cima de uma duna da qual desfrutava de uma excelente vista, com um caderno de esboços em uma das mãos e um pedaço de carvão na outra, Sofie sentia-se a mulher mais feliz do mundo. 
As águas calmas e cintilantes do Oceano Atlântico quebravam suavemente na areia limpa da praia, enquanto grupos de gaivotas flutuavam. O céu estava claro e sua cor azul intensa era quase ofuscante. Sofie sorriu e levantou o rosto para receber a gentil carícia do sol. 
Valia a pena deixar o seu estúdio da cidade de vez em quando, especialmente se fosse para desfrutar de um dia maravilhoso como esse.
A dor no tornozelo interrompeu seus pensamentos. Talvez sair para passear não tenha sido uma boa ideia. Tinha feito um esboço de Newport Beach que pensava pintar a óleo quando retornasse ao seu estúdio, mas a agitação que a aguardava naquela noite poderia ser mais irritante do que temia, se seu pé estivesse determinado a estragar a festa. Assustou-a pensar que Suzanne tinha a casa cheia de convidados, mas sabia que não tinha escolha, prometera à mãe comportar-se como uma jovem educada e sociável e estava disposta a cumprir sua promessa.
Suspirou e se preparou para voltar para casa enquanto pensava sobre a festa que seria realizada naquela noite. Gostaria de conhecer alguns dos convidados! Sua dedicação exclusiva à pintura tornara-a hostil a festas e celebrações, incapaz de lidar com estranhos. 
Lisa, sua irmã mais nova, costumava dizer-lhe que tudo o que tinha a fazer era improvisar uma conversa inconsequente sobre qualquer pessoa ou objeto que estivesse à vista, como um belo vaso de porcelana. No entanto, Sofie descobriu que parecia mais fácil do que realmente era, então ela decidiu parar de se preocupar com a festa. Afinal, talvez conseguisse passar despercebida e retirar-se mais cedo.
Avançou com dificuldade pela areia e, depois de caminhar alguns metros, parou para recuperar o fôlego. Enquanto recuperava a respiração, virou a cabeça e um reflexo cegou-a momentaneamente. Piscou e olhou para a figura de um homem que também estava se preparando para deixar a praia.
Sofie observou o estranho com curiosidade.
Ele não usava chapéu e seu cabelo preto ondulado brilhava ao sol e contrastava com seu impecável terno de linho branco. De sua posição privilegiada, Sofie descobriu que, embora fosse alto e forte, ele se movia com a agilidade das panteras que vira no Zoológico do Bronx. 
Apesar do fato de que eles estavam separados por uma distância considerável, Sofie achou que ele era lindo. De repente, sentiu uma forte vontade de desenhá-lo. Sentou na areia, abriu o caderno e começou a desenhar freneticamente.
–Edward, espere!

Dinastia Warenne
1 - O Conquistador
2 - A Promessa da Rosa
3 - O Jogo
4 - O Prêmio
5 - A Farsa
6 - A Noiva Roubada
7 - A Filha do Pirata
8 - A Noiva Perfeita
9 - Um Amor Perigoso
10 - Uma Atração Impossível
11 - A Promessa
12 - Casa dos Sonhos
13 - Amor Escandaloso
14 - Depois da Inocência
Série concluída





Dançando sobre Brasas

Depois de escapar dos ladrões que queriam matá-la, Katherine Grant diz:

― Eu pulei da frigideira para o fogo. Em breve estarei dançando sobre as brasas. ― Os ladrões de rua eram a frigideira; o belo jovem apache que a salvou deles era o fogo; e as brasas? Gaetan.
Raiva contra os inimigos de seu povo consumiu Gaetan desde a infância. O único uso que ele encontrou para qualquer branco foi testar a nitidez de sua faca. Forçado por seu irmão a suportar a companhia de Katherine, Gaetan tenta negar o que vê ― a mulher branca tem o temperamento de um homem e a coragem de um leão. Ela tem um coração Apache. Apesar do ódio, da desconfiança e do medo, sobrevivendo no acidentado país do sul do Arizona e do norte do México, forja-se uma ligação estranha entre Katherine e Gaetan. Quando o vínculo se transforma em amor, eles podem admitir isso? Eles podem suportar as consequências?

Capítulo Um

Território do Arizona, Primavera, 1881
Quatro passageiros em uma diligência em vez de seis melhorou a experiência de infernal a miserável. Não mais esmagada entre um baterista cheirando a uísque e um vaqueiro cuspindo rios de sumo de tabaco pela janela, Katherine tentou, sem sucesso, encontrar uma posição confortável em seu largo assento. No alto, o motorista gritou para os cavalos, estalou o chicote, e a carruagem deu uma guinada em movimento, deixando a estação de Tucson atrás na poeira.
Sua pausa de dois dias na grosseira cidade não tinha sido suficiente. Nos últimos dias, Katherine tinha suportado a pressão de coxas carnudas, joelhos ossudos e pernas magras na carruagem cheia, odiando cada minuto. Agora ela sentia falta do apoio de outros corpos que a manteve no lugar enquanto o veículo rolava como um navio em mares turbulentos.
Esta etapa de sua viagem para casa prometia ser ainda mais desgastante do que a última. Quanto tempo demoraria para a carruagem parar em outra cidade com um hotel?
Pegando-se planejando outra parada com a última nem fora de vista, Katherine quase riu. Uma parada no Novo México, ela jurou, talvez duas ou três no Texas. Ela queria voltar para casa este ano, não? O pensamento deixou-a sóbria. Não querendo pensar nisso, estudou seus novos companheiros de viagem.
O senhor Estrada, um homem corpulento de cabelos prateados, sentou-se à sua frente, os olhos colados no chapéu de abas largas no colo. Desde que subiu na carruagem, ele não levantou a cabeça. Seu terno preto desgastado e chapéu eram mexicanos em grande estilo. Mesmo que as poucas palavras de inglês que ele usara para se apresentar não fossem tudo o que sabia, os outros passageiros provavelmente o intimidavam.
Homens grandes, ruidosos, com cabelos escuros e barbas espessas, os Hochners, pai e filho, com certeza intimidavam muitas pessoas. Botas de trabalho pesado, calças de lona e camisas de lã grosseira enfatizavam sua maneira agressiva, e seu comportamento exigente no armazém esta manhã não os mostrou como amigáveis companheiros de viagem.
Antes que qualquer um dos dois pudesse arrastá-la para uma conversa indesejada, Katherine decidiu descobrir se suas suposições sobre o senhor Estrada estavam corretas.
― ¿Siempre es tan caluroso el marzo, Señor Estrada?
Ele ergueu a cabeça, o prazer de encontrar alguém com quem pudesse falar, em sua própria língua. Sua resposta foi lenta e cuidadosa, como se temesse que seu espanhol se revelasse muito limitado para a conversa.
― Nem sempre, às vezes, senhorita. Este é um clima quente. Você fala bem espanhol.
Katherine sacudiu a cabeça ligeiramente.
― Eu sei que o meu espanhol é diferente do que é falado aqui, mas pelo menos eu posso entender e me fazer entender.
― Certamente. Você fala com elegância. Posso perguntar onde você aprendeu?
― Em Cuba, Espanha e Filipinas. Minha família está em expedição, e quando menina eu viajei ao redor do mundo. Eu peguei um pouco de várias línguas e mais de espanhol e francês.
― Você está longe do mar. O que a traz aqui?
A história que Katherine tinha dito com tanta frequência escorregava facilmente da língua.
― Um dia percebi que tinha viajado ao redor do mundo várias vezes, mas nunca tinha visto minha terra natal ao oeste da Filadélfia ou ao sul de Nova Jersey. Então, aqui estou em uma grande turnê, de Nova York para a Califórnia através do meio do país por via férrea e agora de volta para casa através do Sul.
Surpresa passou pelo rosto do senhor Estrada.
― Sua família permitiu que você fizesse tal viagem sozinha?
― Todo mundo na minha família é um viajante. Ninguém tem um problema com a minha viagem. ― Especialmente porque eles não sabem sobre ela. Eles provavelmente estão em uma caçada de tigres na Índia agora em uma ignorância feliz, e eu estarei em casa muito antes deles.
A carruagem saltou com força sobre uma parte áspera da estrada, quase atirando Katherine de joelhos no chão. Segurando-se, ela empurrou-se de volta no assento.
― Se eu tivesse que repetir, confesso que estaria em um trem agora.
Estrada assentiu com a cabeça, e Katherine voltou a conversa para o propósito de sua própria viagem. Como a primeira estação do caminho do dia veio à vista, eles ficaram em silêncio. Quando a carruagem continuou com os cavalos refrescados, Alfred Hochner deixou claro que não haveria mais oportunidade para conversas em espanhol.
― Que tal conversar com a gente na América por um tempo, senhorita? ― Ele disparou.
Katherine enrijeceu e voltou um olhar gelado sobre o homem. Quando ela respirou fundo para dar a Hochner a resposta que merecia, ouviu o suave apelo espanhol de Estrada.
― Por favor, Señorita, não contrarie esses homens.


A Filha do Latifundiário

O anúncio do noivado de sua amiga Elsbeth provocou uma mudança nos sentimentos de Ian McRainey.

Ele escapa para o santuário da floresta para exigir que ela se case, não com outro, mas sim com ele, apesar das suas diferenças. Uma palavra sua e ele pode reivindicar sua verdadeira identidade, o que lhe trará mais poder do que até mesmo o pai dela tem. Mas ele poderia voltar a um passado tão duro que o fez se afastar? Elsbeth McNeil sabe que ela deve aceitar o casamento com o filho de um laird. Afinal ela é a filha de McNeil. Mas o conflito em seu coração começa a afetar qualquer decisão de fazer o que se é esperado e, em vez disso, ela deseja seguir seu coração. A luta para compreender completamente seus sentimentos por Ian McRainey a coloca em uma roda viva e ela tem a chance de perder tudo indo atrás dele. Quando o clã mais poderoso chega alegando procurar pelo filho do laird Campbell, as coisas são postas em movimento e pegam todos de surpresa.

Capítulo um

—Quero que você seja o meu primeiro. —Disse a linda moça, batendo os cílios para Ian McRainey e inclinando-se para frente para ele poder olhar para baixo em seu corpete. Seus seios já estavam um pouco à vista, apenas uma amostra dos círculos rosados espiando pelo decote.
 —Venha comigo, logo atrás do galpão. É privado lá. —Com uma força incrível, ela colocou os braços em volta da cintura dele e o puxou contra si.
—Você é o homem mais bonito que já vi. Você ser o meu primeiro é um sonho se tornando realidade. —Suas palavras ofegantes o deixaram em pânico e ele procurou as palavras certas. Como ele entrou nessa situação, não sabia. A caminho dos estábulos, ele estava imerso em pensamentos e vagava em direção a um riacho próximo. Ficou apenas alguns instantes observando a ondulante água clara quando a jovem Gertrude, se ele se lembrava corretamente, apareceu.
Ele tinha notado várias vezes como ela sempre o servira quando ele e o laird Gordon vinham visitar os McNeils. Ele sempre foi cordial quando ela flertava e nunca a levou a acreditar que ele estava romanticamente interessado. A moça olhou para ele.
—Ian? Por que você hesita? Algo está errado?
—Você é uma moça linda, mas não posso aceitar sua oferta generosa. Eu não sou de deflorar virgens, mesmo uma tão doce e tentadora. —Ele tentou se soltar, mas a garota não se mexeu. Ela piscou rapidamente, como se para não chorar e ele se encolheu. Uma coisa que ele não podia ser indiferente era a uma mulher chorando.
—Gertrude, liberte o senhor McRainey e vá cuidar de seus deveres. —Uma voz suave chamou a atenção da empregada e ela rapidamente o soltou. Ian deu um suspiro de alívio quando a moça recuou um passo, aborrecida, antes de ir embora. Gertrude teve a gentileza de acenar com a cabeça para a mulher ao passar por sua jovem senhora.
—Eu agradeço. —Disse Ian, alisando sua túnica. —Ela estava bastante amorosa, eu receio. A expressão de Elsbeth McNeil era impassível.
—Você deve ter feito alguma coisa para atrair sua atenção. Não acredito que uma mulher fosse tão determinada em sua busca, a menos que tivesse certeza do resultado. Provavelmente era inútil discutir o fato. Embora a opinião de Elsbeth a respeito dele importasse, ele duvidava que ela acreditasse que ele nunca encorajou os avanços de Gertrude.
—Você acreditaria em mim se eu lhe dissesse que de fato não fiz nada para lhe dar essas ideias? Elsbeth soltou um suspiro sem comentário. Seus olhos azuis claros o observaram por alguns instantes antes de se moverem em direção ao riacho. Usando um vestido que combinava com os olhos, o cabelo amarrado com fitas da mesma cor, ela era uma bela visão. Seu pescoço elegante chamou sua atenção quando ela desviou o olhar, parecendo ponderar suas palavras antes de falar. Finalmente, quando olhou para ele, os lábios dela demonstraram diversão.
— Você parecia bastante desconfortável. Acho interessante, pois tenho certeza de que muitas mulheres bem dispostas se aproximam de você com frequência. —Era verdade, mas o pedido de Gertrude era algo novo.

Série Moriag
1 - A Bela e o Escocês
2 - A Moça do Laird
3 - A Lady e o Escocês
4- A Filha do Latifundiário

A Lady e o Escocês

Aiden Stuart estava inquieto com a monotonia de sua vida.

Assim quando ele considera voltar aos mares, sua aldeia é atacada. Entre a nova batalha por sua casa e uma bela mulher que toca a sua alma, a última coisa que sente agora é tédio. Breena McGalen está procurando por uma fuga. 
Vai aproveitar qualquer oportunidade para fugir do homem cruel de quem está noiva. Ao conhecer o belo laird Aiden Stuart, ela se pergunta se ele será seu salvador ou quem destruirá qualquer chance de felicidade. Enredado em diferentes batalhas, o destino une dois amantes de uma maneira que nenhum deles jamais imaginou.

Capítulo Um

Moriag Forest, nas terras altas do nordeste da Escócia
Pouco antes de soltar a flecha, o veado saltou e correu para longe. O dia da caça havia se tornado uma perda total de tempo. Aiden Stuart soltou um resmungo alto e bateu na perna com frustração. —Um homem inquieto é uma coisa perigosa. —Afirmou seu amigo Ian McRainey, do clã Gordon, agachado atrás de árvores e arbustos, à espera de outra flechada na presa. —Você tem que parar de se mexer. Eles ouvem todo o barulho que você faz. —Ian baixou o arco e olhou para ele. —Você passa fome todo inverno? Ele deu ao homem um olhar divertido. —Poderia ser o brilho ofuscante de suas tranças douradas, que mantém os animais longe. Ian estava certo, claro. Essa vida de lazer era terrivelmente chata. Se houvesse tal coisa como morrer de tédio, ele estava perto disso. Dentre todas as pessoas, Ian entendia bem. O guerreiro experiente, que agora vivia em Moriag com o novo proprietário de terras Declan Gordon, estava tendo problemas para se adaptar à vida em um lugar onde a paz reinava por décadas. A pequena fortaleza de Aiden ao sul das terras do Laird Gordon os fazia vizinhos. Frequentemente, ele se juntava a Ian e Declan para sair para caçar ou visitar as pessoas da cidade. Mas este dia era apenas ele e Ian caçando. Gordon estava muito ocupado, agora que sua esposa, a irmã de Aiden, havia dado à luz seu primeiro filho. Um menino. —Talvez eu devesse voltar para o mar. Sinto falta da minha vida á bordo do navio. —Aiden olhou para a floresta pensando ter visto um movimento. —Estou realmente inquieto. —Ou só precisa de uma distração. —Disse Ian com uma gargalhada. —Uma mulher pode ajudar com o que te aflige. —Pode ser. —Ele relutantemente concordou. —Eu não deito com uma mulher á quase duas semanas. Minha mão está cansada. —Aiden riu de sua própria piada. Os homens riram e desistiram da tentativa de caçar. Ian pegou um odre e tomou um gole. —É uma coisa boa que seus guardas sejam bons caçadores. —Disse Ian passando o odre para Aiden. —Senão você realmente morreria de fome. Ele tomou um longo gole e devolveu. —Eles treinam e caçam, o que os mantém em forma para o que der e vier. Vamos à cidade para nosso jantar. Em poucos instantes, eles montaram e se dirigiram para a pequena aldeia de Moriag. Lanternas iluminavam o interior da pequena estalagem dentro de Moriag. Cada mesa estava cheia com os habitantes locais ou viajantes. Um homem sentou-se no canto e tocava um instrumento de cordas, a música suave criou uma atmosfera leve. Exatamente o que Aiden não precisava. Ele revirou os olhos quando o homem começou a cantar uma canção de amor e tristeza.
Ian levantou sua caneca.
—Para você, meu amigo perigoso que precisa de uma mulher ou duas para diminuir o tédio de sua
vida. Aiden grunhiu e bebeu da sua própria caneca.
—É mais que
isso. Embora eu aprecie a paz desta terra, eu não governo sobre uma aldeia nem tenho muitos inquilinos para cuidar. Meus deveres são poucos.
—Sim, eu posso imaginar.
 
Série Moriag
1 - A Bela e o Escocês
2 - A Moça do Laird
3 - A Lady e o Escocês

Lady Marian

Quando Esmeralda morre, confessa toda a verdade, quem ela é, de onde vem e lhe faz prometer que voltará para junto de sua família para reparar o dano que fez tantos anos atrás. 

Marian se encontra em uma encruzilhada, não quer partir da Inglaterra porque está apaixonada por Eric Darlington, herdeiro do Ducado, mas quando ele se compromete com Lady Barbara Stanton, ela decide se afastar do único homem que ama. 
Marian não viajará sozinha, Sofia sua melhor amiga a acompanhará. O que ocorrerá ao chegar a Eilean Doam? Poderá esquecer Eric?

Capítulo Um

Sul da Inglaterra, 1500.
A última pá de areia é colocada no túmulo de Marcus, o homem que me criou, mas não é meu pai. O que sinto é tristeza, pois nunca foi um homem feliz, não era o melhor homem, mas me criou e protegeu sempre que Esmeralda embriagada pelo vinho ficava violenta comigo. Esmeralda... Devo voltar depressa para casa, ela está doente do mesmo mal que morreu seu marido, devo cuidá-la até que o Senhor decida levar-lhe. 
Olho pela última vez donde repousa para sempre Marcus, despedindo-me dele, porque quando Esmeralda também parta para sempre, finalmente serei livre para seguir meu caminho, para encontrar o que tenho sonhado há anos. Corro todo o curto caminho que separa o cemitério da aldeia de nossa pequena cabana, ao abrir a porta o fedor da morte me golpeia, até receio que esteja morta, aproximo-me do catre e posso observar como a enfermidade consumiu à mulher que tenho diante de mim. Sua pele branca e suada, seus gemidos de dor. 
— Esmeralda? — sussurro me sentando a seu lado, ela mal respira com facilidade, entreabre os olhos e me fita. — Já está feito, certo? — sua voz rouca pela febre já não me surpreende. — Parece mentira, nunca o amei e agora a morte nos leva juntos. Fecha os olhos novamente, e pela primeira vez em toda minha vida vejo como as lágrimas fluem por seus olhos fechados. — Finalmente estará livre — sussurra sem abrir os olhos, como se assim pudesse controlar as lágrimas que banham seu rosto emaciado. 
— Marian. — O que? — pergunto temendo que esteja delirando de novo. 
— Seu verdadeiro nome é Marian, é o nome que escolheu sua mãe ao dar a luz, você é filha de Valentina e Sebastien Mackenzie. Não dou crédito a suas palavras, desde muito pequena soube que não eram meus pais, mas Esmeralda dizia ser minha tia e que minha mãe morreu quando nasci. Agora entendo tudo, toda minha vida sonhei com terras longínquas, selvagens, mas bonitas, e sonhava com uma mulher linda, mas que sempre tinha seus belos olhos nublados pela tristeza, e o homem que a protege, em minhas visões, muitas vezes o vi chorar. Eles são meus verdadeiros pais... 
— Por que você fez isso? — pergunto sem compreender. — Eu amava-o mais que a mim mesma. Mas Sebastien tinha entregado seu coração a sua mãe e nada do que eu fizesse mudaria esse fato, assim obtive minha vingança através de você. 
— Roubou-me? — ainda não dou crédito a tudo o que ela me conta... — Com ajuda do Marcus sequestramos sua mãe, eu ajudei a trazê-la ao mundo, e quando você nasceu deixei sua mãe sangrando e partimos te levando conosco. 
— Mas minha mãe vive, eu já a vi! — digo confundida. — Seu cabelo é negro como a noite, e seus olhos azuis como um céu do verão. — Sobreviveu para passar seus dias suportando a dor por te haver perdido, consegui o que queria, mas não fui feliz por isso, ao contrário, ver-te todos os dias é como ver Sebastien, e recordar que perdi algo que nunca cheguei a possuir. Eu passei os primeiros dezoito anos da minha vida longe da minha família, minha terra — um profundo ódio cresce dentro de mim, mas tento dominar esse sentimento, porque Esmeralda está morrendo. 
— Você é neta do Laird Alexander e Brianna Mackenzie, o Laird mais temido das Terras Altas, você pertence a essas terras, selvagens e bonitas ao mesmo tempo, oxalá eu pudesse vê-las mais uma vez antes de morrer, mas temo que minha hora chegou. 
— Por que me conta só agora? — Insisto com os dentes apertados, controlando a vontade que tenho de lhe gritar toda a dor que sinto, controlando a vontade que sinto de feri-la, de destroçá-la como ela fez com meus pais. 
— Nunca acreditei em Deus, mas agora que minha hora se aproxima, quero saldar minhas contas — ofega em busca de ar, cada vez lhe custa mais poder respirar. — Pedir que me perdoe é inútil, tentar reparar o que fiz há tantos anos é impossível, mas dizendo-lhe a verdade te permito que escape daqui. 

Série Ladys
1 - Lady Brianna
2 - Lady Sarah
3 - Lady Valentina
4 - Lady Marian
Série Concluída

O Highlander Herói

O verdadeiro amor triunfará quando a escuridão estiver determinada a arruinar duas vidas castigadas? 

Um bravo guerreiro... Blaine McNeil é o chefe de armas em Lochlann, situado no local mais selvagem e misterioso das Terras Altas escocesas e ele deveria defender seu clã a todo custo. Quando a mulher que ele ama é feita refém pelo terrível clã McDonnel, ele parte em seu resgate... Uma jovem de espírito livre... Chrissie Connolly, agora é uma jovem mulher, frequentemente visita a casa de suas amadas primas, Amabel e Alina, e agora ela tem um motivo especial: o bebê de Amabel. Chrissie está diante do que parece ser, a mais difícil, decisão de sua vida: qual pretendente ela deve aceitar como seu futuro marido? Heath Fraser ou o inadequado, mas persistente Blaine McNeil? Entretanto, quando ela é capturada e roubada de tudo o que ela mais desejava, ela sabia que sua juventude estava perdida para sempre... Um negro e sombrio futuro... Chrissie está destinada a ter uma vida de amargura, sem nunca poder conhecer e experimentar o verdadeiro amor em toda sua glória?

Capítulo Um

As últimas milhas até o Castelo Dunkeld eram as piores: a excitação crescia até o ponto que se manter sentada era impossível. Chrissie estava sentada na carruagem, segurando sua respiração em antecipação. Ela não conseguia parar sua perna que balançava e seu corpo saltando no assento.
 — Acalme-se mocinha. — Tia Aili disse com sua voz ressonante. — Falta apenas uma milha ou duas agora. Você verá suas primas em breve. 
— Eu sei! — Chrissie respondeu, colocando uma de suas mãos sobre as magras mãos de sua tia. Ela apertou gentilmente, notando com alguma preocupação, que as mãos de sua tia estavam geladas. Tia Aili riu. — Ele estará de pé quando chegarmos. O castelo, eu quis dizer. A menos que eles não tenham construído tão bem como eu vejo hoje em dia... 
— Oh, Tia! — Ela exclamou sorrindo. — Tenho certeza de que Dunkled é tão sólido quanto Lochlann. Nós veremos. 
— Não tenho tanta certeza. — Aili disse obscuramente, apesar de sua face, claramente, mostrar que ela estava brincando e não falando seriamente. — A última vez que vi um castelo ser construído, já tem aproximadamente cinquenta anos. Chrissie ainda sorria. 
O fato de Aili viajar com ela era surpresa suficiente. Sua tia — irmã de sua mãe, Lady Frances — tinha se afastado do contato com as pessoas, logo após a morte de Frances; indo viver no lado leste do castelo com sua criada pessoal, uma senhora mais velha que ela própria, que agora também viajava com elas. Lá, sua tia havia ganhado uma reputação como vidente. Sendo ou não verdade, Chrissie não tinha certeza, mas ela sabia que havia algo incomum na mulher. 
Tia Aili nunca havia nem ao menos olhado para Chrissie até alguns anos atrás, quando elas se encontraram por acidente. Desde então, Aili passou a se interessar pelo mundo novamente. 
— Não posso esperar para ver Alina! — Chrissie disse. Ela sabia que sua tia tinha conhecimento disso, ao ver o leve sorriso e seus olhos azuis brilhando. — I ken that, lassie. Eu sei disso, mocinha. — Ela disse, falando a gíria de seus criados para enfatizar. — Mas também sei que nossa Alina tem muita coisa a considerar agora. 
— Oh! — Chrissie mordeu o lábio. Alina e sua tia dividiam a reputação de vidente. Se Aili disse que sua sobrinha tinha algo para se preocupar, Chrissie acreditava que era verdade. 
— Ela não está bem? Espero que não seja isso! 



Série Lords de Dunkeld
1- Coração de um Hinghlander
2- O Desafio do Highlander
3- O Highlander Herói

Beija-flor

O Bandido e o Cavalheiro Ambos foram feridos no mesmo assalto ao trem na fronteira do Colorado e acabaram na porta de Abigail McKenzie atrás de cuidados.

O amoroso e gentil David, prometendo-lhe uma felicidade que ela perdera a esperança de encontrar, era tudo o que uma mulher poderia desejar. Jesse representava tudo o que ela odiava: era rude, violento, grosseiramente bonito e perturbadoramente sensual. Mas era a boca zombeteira de Jesse que incomodava seus sonhos, Jesse que a fazia sentir centenas de coisas que uma dama nunca deveria conhecer. Jesse que a desafiava a cada hora de vigília. Ela lutou com todas as suas forças..., mas nela queimava as brasas do amor por muito tempo negado — amor que a forçaria a uma escolha que nenhuma mulher deveria ter que fazer...

Capítulo Um

Quando às 9h50 chegaram a Stuart's Junction, sempre atraíam uma multidão, pois o trem ainda era uma novidade que toda a cidade antecipava diariamente. Crianças descalças agachavam-se como codornas na areia quente, até que a monstruosidade barulhenta e gasosa liberasse seus últimos fôlegos e corresse até o último quarto de milha em direção à estação ferroviária.
Ernie Turner, o bêbado da cidade, vinha todos os dias para encontrá-la também. Arrotando e saindo do saloon, ele se acomodaria em um banco na varanda da estação e dormiria até que o trem da tarde o mandasse de volta para sua ronda da noite.
Na forja, Spud Swedeen recostaria sua marreta, esticaria os cotovelos, e ficaria na porta escancarada com os braços pretos cruzados sobre o avental mais preto. E quando o repique da ferramenta de Spud cessava, todas as orelhas de Stuart's Junction, Colorado, se animavam.
Em seguida, ao longo da pequena extensão da Rua Front, lojistas sairiam de suas portas para as tábuas do calçadão, descoloridas pelo tempo. Aquela manhã de junho, em 1879, não foi diferente. Quando Spud parou o ruído, a cadeira do barbeiro esvaziou-se, os funcionários do banco deixaram seus caixas e as balanças na contrastaria foram esvaziadas enquanto todos saíam para encarar o nordeste e observar a chegada das 09h50. Mas as 09h50 não veio.
Em pouco tempo, dedos nervosamente brincaram com correntes de relógio; relógios foram puxados para fora, abertos e fechados antes que olhares duvidosos fossem trocados. Murmúrios de especulação foram eventualmente substituídos por inquietação quando um por um os moradores voltaram às suas lojas para espiar ocasionalmente através de suas janelas e se espantarem com o atraso do trem.
O tempo se arrastava enquanto cada orelha era levantada para captar o gemido do apito, que não veio e não veio. Uma hora passou, e o silêncio sobre Stuart's Junction se tornou um silêncio de reverência, como se alguém tivesse morrido, mas ninguém sabia quem.
Às 11h06 levantaram-se as cabeças, uma a uma. O primeiro, então o segundo comerciante pisou na soleira de sua porta mais uma vez conforme o vento vívido do verão levantou o assobio de vapor saindo do fôlego de sua caldeira.
— É ela! Mas ela está vindo muito rápido! — Se for Tuck Holloway dirigindo-a, ele está se preparando para atravessar a estação com ela! Se afastem, ela pode pular os trilhos! O limpa-trilhos surgiu em um borrão de velocidade enquanto vapor e poeira flutuavam atrás dele, e um braço envolto em tecido vermelho-xadrez balançou da janela aberta da cabine.
Era Tuck Holloway, cujas palavras foram perdidas no estampido do ferro e no sibilo de vapor conforme o motor sobrevoava os cem metros restantes até a ferrovia, ainda milagrosamente em ambas as faixas. Mas a voz rouca de Tuck não poderia ser ouvida acima da multidão balbuciante que tinha subido em direção à estação.
Então, um único tiro de bala fez cada cabeça girar e cada mandíbula parar enquanto Max Smith, o agente da estação recémnomeado, estava com uma pistola ainda fumegando em sua mão.
— Onde está o Doutor Dougherty? — Tuck gritou para a calmaria. — É melhor trazê-lo rápido, porque o trem ficou preso a cerca de vinte quilômetros ao norte daqui e nós temos dois homens feridos a bordo.


(Nova Leitura)

27 de novembro de 2018

Uma Imperfeita Flor Inglesa

Elena, a antiga herdeira da casa MacGowan, é uma mulher forte apesar das queimaduras sofridas durante a infância que a mantêm afastada da sociedade vitoriana.

Quando seu tio lhe comunica que abandone seu lar compreenderá que sua vida se encaminha ao desastre. 
Mas sem dote nem um título jamais conseguirá um marido. Desesperada, reclamará seus direitos de nascimento, embora o resultado seja tão desalentador que ao cruzar uma rua não verá uma carruagem que se aproxima a toda velocidade. O chofer é um homem grosseiro e detestável. Um antigo conde francês, chamado Laramie Devereux, cuja tragédia pessoal marcou sua existência e da qual se diz que, graças ao contrabando de ópio, obteve uma enorme fortuna. Em um ataque de fúria o conde a julgará como mulher, e a achará imperfeita por causa das queimaduras.
Entretanto, o destino e uma partida de cartas os unirá de novo. Graças à insensatez de sua prima, Elena aproveitará o acusado desconhecimento das normas sociais de Laramie e idealizará um plano para lhe enganar.

Capítulo Um

Primavera de 1855, Londres.
Elena deixou de cantar uma canção irlandesa quando escutou como seu tio entrava no salão de música. A voz da moça era embriagadora. Cada vez que Troy contemplava o cabelo dourado e os belos olhos verdes de sua sobrinha via Vitória, a mãe da Elena e a mulher que sempre amaria. Fugir dela foi a maior estupidez que cometeu em sua juventude. Por causa da falta de atenção de uma criança, uma vela prendeu as cortinas da mansão MacGowan e no incêndio seu irmão Robert e Vitória perderam a vida. 
Graças a um dos criados Elena se salvou, não sem pagar um grande preço. Observou a beleza murcha de sua sobrinha. As queimaduras de seu queixo caiam até o ombro. Durante as mudanças de estação a via dolorida e sempre utilizava vestidos abotoados até o pescoço. Lamentou que fora ele quem tivesse que lhe comunicar a decisão que Rosalyn lhe tinha obrigado tomar. 
Casou-se com ela por despeito, em um arrebatamento de insensatez do que se arrependia cada dia de sua existência. Elena se levantou do tamborete do piano e confrontou seu tio que raramente lhe emprestava atenção.
― Bom dia. ― A jovem alisou as rugas da saia do vestido cinza que lhe deu um aspecto muito mais triste e desgracioso.
― Elena... ― durante um instante, olhou-a além da realidade, como se visse um fantasma. Sua sobrinha retirou o olhar, incômoda. ― Tenho algo que te comunicar, embora se estiver ocupada... ― a voz estridente do Rosalyn anunciou sua chegada.
―... é lorde MacGowan, por que pede permissão para falar? ― Troy apertou os punhos para controlar a ira, mas Rosalyn suavizou o discurso. ― Meu amor deve se acostumar a seu título. Os músculos faciais de seu marido se relaxaram.
― O que querem me dizer?
A moça fechou a tampa do piano com lentidão, com a única intenção de recuperar um pouco de integridade. O olhar vitorioso no rosto de sua tia não pressentia boas notícias.
― Deve partir desta casa ― lhe anunciou Troy. Elena se agarrou ao piano para evitar sentar-se de novo pela notícia. ―Já cumpriste a maioridade e pensamos que seria melhor que fosse viver com a senhora Turquins; era prima de sua mãe, é viúva e necessita de companhia. Suas... ― disse, e assinalou seu rosto ― queimaduras não lhe ajudarão a encontrar um marido e espantarão os futuros pretendentes de sua prima.
Troy havia proposto com clareza a expulsar de sua própria casa. As feridas a obrigavam a manter uma postura rígida. Em troca, seu tio estava caminhando pela sala com inquietação ante o olhar atento do Rosalyn.
― Por quê? ― perguntou consciente de que nada do que argumentasse se teria em conta. Não entendia no que prejudicariam suas queimaduras a Virginia. ― Nem sequer assistirei aos atos sociais aonde venha minha prima ― propôs esperançada.
― Por Deus! Não o faça mais difícil ― os olhos de seu tio se mostravam envergonhados pela decisão. Naquele momento, sua semelhança com Robert era evidente e muito mais doloroso para Elena. A jovem conhecia muito bem as vontades de Rosalyn por desprender-se dela. Para essa mulher era um lembrete perpétuo de lady Vitória. Toda a sociedade londrina a comparava com sua mãe e na comparação, sempre saía perdedora. Com os anos se converteu em uma ferida entrincheirada que agora curaria jogando na rua a filha de sua eterna competidora. Nada do que Troy dissesse a convenceria de que tomasse outra decisão.
― O que vou fazer? ― sussurrou em voz baixa ante a incerteza pelo futuro.
― É uma jovem preparada, seu tio te conseguiu um lugar onde viver. Se não for de seu agrado pode procurar um emprego como dama de companhia ou governanta ― adicionou Rosalyn com um sorriso de triunfo insalubre. Olhou a sua sobrinha e agarrou seus cabelos com uma mão ossuda repleta de anéis.
― Com certeza que sim ― respondeu, e apertou os dentes.
No fundo ambas as mulheres sabiam que ninguém em Londres a contrataria. Quem quereria um monstro como ela para ser uma dama de companhia ou governanta de seus filhos? 
― Nenhuma MacGowan trabalhará para ganhar o sustento ― sentenciou Troy, ao menos, isso o devia a Vitória.
Rosalyn acatou a decisão, mas em seus olhos se observou o ódio que ela sentia. Troy teria uma dura briga que não ganharia, embora nenhuma das consequências que derivassem dessa ordem lhe impediria de cumprir a promessa de manter a sua sobrinha.
Elena assentiu com uma inclinação de cabeça. Conhecia muito bem Rosalyn, ele não gastaria um centavo se ela insistisse nisso. Tinha vontade de gritar, de dizer a esses dois que ela era a autêntica lady MacGowan, a única herdeira dessa casa.
Ninguém a baniria como se fosse uma praga a um lugar perdido na metade do um nada. Conteve a vontade de chorar ao recordar aqueles espantosos dias depois do incêndio. Era a responsável pela morte de seus pais. Durante muito tempo os pesadelos lhe impediram de dormir. Ainda revivia aquela noite. 
No instante em que a vela prendeu as cortinas seu mundo se desfez como uma fina capa de gelo na primavera. O sorriso cínico de Rosalyn e suas bochechas maquiadas lhe davam um aspecto vulgar. Dizia-se que um verdadeiro MacGowan não rogaria, não deixaria que a vissem humilhada e afundada.
― Dispõe de um mês para organizar sua nova vida ― anunciou com satisfação. Sua tia ficou em pé, o encaixe das mangas lhe caiu como uma cascata de algodão sobre o colo. A forma colorida e carregada de vestir contrastava com o aspecto sombrio e discreto da Elena. A mulher observou com malícia a garota cuja beleza tanto prometia. Alegrou-se de que o destino tivesse concedido o posto que correspondesse a sua filha Virginia. Pigarreou duas vezes antes de anunciar que a reunião tinha concluído.
Eu...

25 de novembro de 2018

Somente Sua

Série Oeste
Olho por olho. Irmã por irmã.

Willow Moran ficou completamente sozinha depois da devastação causada pela Guerra da Secessão. 
Fugiu da Virgínia e se dirigiu para o Oeste, à procura de seu irmão Matthew que estava atrás do ouro nas Montanhas Rochosas. Para chegar até ele, Willow contrata Caleb Black como guia, um antigo explorador do exército. Trata-se de um homem tão selvagem, imprevisível e justiceiro como o próprio Oeste. 
Juntos iniciam uma dura viagem cheia de perigos na qual Willow não consegue evitar se apaixonar perdidamente por Caleb. Sabe que o orgulhoso e enigmático homem é seu destino, e se entrega a ele com uma paixão sem limites. O que ela desconhece é que Caleb a está utilizando em sua vingança pessoal contra Matthew. Havia jurado matá-lo por ser o causador da sedução e morte de Rebecca, sua jovem irmã. Mas Willow desperta uma necessidade tão feroz em Caleb, que será capaz de derrotar o próprio diabo para fazê-la sua. É um homem dividido entre o dever e o amor, porque sabe que quando levar a cabo sua vingança, perderá Willow. Além de também ter seduzido a inocente irmã de seu inimigo.

Capítulo Um

O perigo parecia fazer parte daquele homem. Moreno, forte e com um semblante sombrio, preenchia a entrada do hotel, e um poder mal reprimido irradiava de sua quietude. Ao avançar, o movimento de seus músculos recordava mais os de um predador do que os de um cavalheiro. Meu Deus, pensou Willow Moran ao observar que aquele homem avançava a grandes passos para ela, através do vestíbulo do recém construído Hotel Denver Queen. Não pode ser Caleb Black, o íntegro militar que o senhor Edwards encontrou para me levar até meu irmão. 
A súbita desilusão de Willow não se evidenciou em seus olhos cor de avelã ou em sua postura. Não retrocedeu nem um centímetro, apesar do súbito e frenético palpitar de seu coração. A Guerra da Secessão lhe ensinara que quando uma mulher não podia correr ou se esconder, devia ficar em seu lugar com tanta dignidade quanto pudesse…, além de ocultar uma derringer2 de dois tiros em um bolso especial de sua saia. Saber que contava com o peso do aço frio entre as sedosas dobras reconfortou Willow, como já fizera tantas vezes no passado. Segurando a pequena arma, olhou para o desconhecido moreno que se aproximava. 
O que viu dele a curta distância não a tranquilizou, em absoluto. Sob a sombra do chapéu negro de abas largas, uma gelada inteligência observava o mundo com olhos da cor do whisky. — Senhora Moran? Sua voz era tão intensamente masculina quanto a barba incipiente e o bigode que, em vez de disfarçar, acentuavam as fortes faces de seu rosto. No entanto, não era uma voz áspera, mas profunda, suave, potente, como um rio a meia noite fluindo para um mar invisível. Uma mulher poderia se afogar naquela escura voz, naqueles olhos castanhos, no poder que se agitava debaixo da controlada superfície do homem. — Sim, sou a senhori…eh, a senhora Moran. — Willow disse, sentindo uma onda de calor avermelhar as maçãs do rosto enquanto pronunciava a mentira. Seu sobrenome, sim,
era Moran, mas não era casada. — Você vem para me levar até o senhor Black?
A voz de Willow soou muito rouca, ofegante, mas não conseguiu evitar. Já era difícil tentar fazer o ar passar através da sua garganta repentinamente apertada, quando o impacto masculino do desconhecido desceu sobre ela em uma maré escura, pressionando-a.
— Eu sou Caleb Black.
Willow se obrigou a sorrir.
— Perdão, não o reconheci. Pela descrição do senhor Edwards, esperava um cavalheiro mais velho. Ele está com você?
Houve uma ênfase mal perceptível na palavra cavalheiro, que a maioria dos homens não teria notado, mas Caleb Black sim. Sua boca se converteu em uma linha um pouco curva que só uma pessoa caridosa teria chamado de sorriso, enquanto assinalava com o polegar sobre seu ombro.
— Lá fora, naquelas montanhas, senhora Moran, um cavalheiro tem menos utilidade que um punhado de areia. Mas não espero que uma boa dama sulista como você compreenda.
Todos sabemos a importância que vocês, os virginianos, dão aos modos elegantes. — Caleb olhou além dela, para a larga porta no fundo do vestíbulo. 

— A viúva Sorenson e Eddy nos esperam lá.

Série Oeste
1- Somente Sua 

20 de novembro de 2018

Abraço do Destino

Trilogia Destino
Mariah Cooper de Filadélfia, cresceu numa casa sem amor, criada por revoltada mãe solteira. 

Logan Yates teve a experiência oposta: ele é o filho de um fazendeiro negro, criado pela sua madrasta da alta sociedade espanhola, junto com os seus dois meios-irmãos, rodeado por amor. Quando Mariah vai até á Califórnia para se tornar a sua governanta, Logan está certo, que a garota da cidade vai fugir com o rabo entre as pernas. 
Em vez disso, Mariah encontra o seu temperamento e coragem, e as faíscas que voam entre eles, mudam de uma batalha de vontades, para um arroubo de paixão.

Capítulo Um

Rancho Destino, Condado de Yolo, California, Abril 1885
Alanza Yates estava na varanda de seu rancho, sentido o ar fresco da manhã e olhando a vasta paisagem verde. Ao longe, perto da linha de árvores que ladeavam as montanhas, cavalos e potros destinados à venda galopavam vagarosamente sob os olhos vigilantes dos que cuidavam do rancho. A oeste, movendo- se lentamente, o gado, também destinado à venda, engordava nas pastagens abertas e bebia no riacho claro que serpenteava dos morros. 
Seus pomares, com limoeiros e laranjeiras, dividiam espaço com fileiras de videiras que estavam carregadas de frutas. O rancho, originalmente estabelecido por seu avô, e passado para o pai após a sua morte foi o local de nascimento dela. Quando era jovem e a área era conhecida como a Alta Califórnia do México, passara de uma ponta a outro da propriedade sem nenhuma preocupação com o mundo. Desde então, muitas coisas mudaram e, o mais importante, ela também.
Nasceu Alanza Maria Vallejo, filha única e mimada do rico e bem relacionado Don Francisco Vallejo, que traçou sua linhagem durante os dias de glória da Espanha. Alanza foi educada pelos frades e freiras.
Quando tinha quinze anos viajou muito pelo México e pela Europa e foi prometida em casamento a Don José Ignácio, um homem trinta e cinco anos mais velho do que ela. Ela o odiava. Ele e suas mãos suadas estavam sempre tentando tocá-la, quando a encontrava sozinha, nos corredores de sua casa, sem seus pais ou sua governanta.
Seus olhos maliciosos parecidos com os de um porco, e o jeito que ele lambia os lábios como se ela fosse algo que ele planejava comer, fazia com que o odiasse ainda mais, então ela se recusou a honrar o acordo de casamento. Seu pai se enfureceu, sua mãe chorou, e as famílias espanholas vizinhas balançaram a cabeça com sua insolência escandalosa, enquanto sussurravam atrás de seus admiradores sobre sua reputação. 
Para piorar a situação, ela estava secretamente apaixonada por um homem que não era descendente de espanhóis. Seu nome era Abraham Yates. Seus pais não teriam se importado com sua herança africana, afinal, havia muitas famílias no México e na Califórnia, com o mesmo sangue, incluindo mais da metade dos colonos originais da cidade de Los Angeles.
O que importaria a eles era que Abraham era um americano. Aos seus olhos, seus laços com a Festa da Bandeira do Urso, um grupo cujas maquinações abriram o caminho para o governo americano conquistar a Califórnia do México através de subterfúgios, e depois da guerra, teriam feito com que eles enviassem sua única filha para um convento e nunca ver ou falar com ela novamente. Exigiram que se casasse com Dom Ignácio, mas porque ela era teimosa e mimada, fugiu para o seu amor secreto com a esperança de que ele a levasse junto.
Sendo um homem honesto, Abraham imediatamente a trouxe de volta para seus pais. Mas o dano já estava feito, agora, nenhum espanhol de boa família iria querê-la, então um padre foi imediatamente convocado, e depois de suportar o único espancamento já dado pela mão de seu pai, Alanza rapidamente se casou com o viúvo Abraham Yates e tornou-se sua esposa e madrasta de Logan, seu filho de seis anos.
Alanza suspirou com a lembrança. Tinha sido tão arrogante e cheia de si mesma naquela época. Se soubesse então, o que a vida tinha lhe reservado, teria se atirado aos pés de seu pai e implorado por perdão e misericórdia. Depois da cerimônia, ela e Abraham voltaram para sua pequena cabana. Sua admissão de não estar apaixonado por ela destruiu seu mundo.
Ele não tinha ideia de que ela tinha sentimentos tão fortes por ele, e disse a ela que, se soubesse, teria gentilmente lhe apontado à verdade. Não tendo nenhuma experiência com homens, ela entendera os sorrisos suaves que ele lhe dava quando vinha ao rancho para cuidar dos cavalos de seu pai. 
Cada vez que ele chegava, ela achava algum motivo absurdo para falar com o pai sempre que os dois conversavam, apenas para se aquecer no sorriso de Abraham. Mas na noite de seu casamento, percebeu que não era nada mais do que uma criança vaidosa e mimada que havia envergonhado a si mesma e sua família, e que havia forçado um homem austero, mas compassivo a ser ligado a ela até que a morte os separasse. Sua humilhação, a culpa e a vergonha não conheciam limites.
— Senora? — com o seu devaneio quebrado, Alanza se virou para a governanta irlandesa.
— Sim, Bonnie?
— O Sr. Logan e seus homens retornaram. Você deseja que o almoço seja servido antes ou depois de recebê-lo em casa?
— Depois, Bonnie. Gracias. E traga minha carruagem, por favor.
Bonnie partiu, deixando Alanza sozinha com seus pensamentos novamente. Fez uma prece silenciosa de agradecimento por Logan ter retornado em segurança. Oito anos depois de seu casamento, Abraham perdeu a vida em um deslizamento de rocha. Para não sobrecarregar Logan com seus medos de que ele sofreria um destino semelhante, sempre que estava longe, ela dormia sem sossego e acendia velas extras para a Virgem Mãe em seu nome.
Muitas segundas esposas escolheram se distanciar das crianças trazidas para o casamento pelos maridos, mas ela amara Logan desde o momento em que o conhecera. Os anos que se seguiram à morte de Abraham estavam cheios de desespero e de uma pobreza extrema que ela nunca poderia ter imaginado enquanto crescia na casa de seus pais, sendo esperada por um pequeno exército de criados e dormindo sob lençois de seda. Logan se tornou sua pedra de toque e sua luz durante esse tempo. 
Conversava com ela, ouvia suas esperanças e sonhos e trabalhava incansavelmente ao lado dela. De muitas maneiras, ainda fazia esse papel. Embora ela não o tivesse dado à luz, era seu filho, e amava-o tão ferozmente quanto se o tivesse carregado.
Trilogia Destino
1 - Abraço do Destino

16 de novembro de 2018

Jonathan e Amy

Série Windham


O viúvo Jonathan Dolan sabe como trabalhar duro, ganhar dinheiro e amar a sua filha Georgina, mas seus humildes antecedentes irlandeses não o prepararam para o desafio de atrair Amy Ingraham, a governanta elegante e gentil de Georgina.

Amy mostra um tímido prazer com as propostas de Jonathan, quando um primo distante aparece e afirma que Amy é obrigada a se casar com ele.
Jonathan deve ser inteligente, determinado e, acima de tudo, honroso se quiser ganhar não apenas a mão de Amy, mas o respeito de uma sociedade que está disposta a julgá-lo duramente.

Capítulo Um

— Um cavalheiro não faz avanços em direção a uma mulher em seu emprego.
Jonathan Dolan resmungando e andando de um lado para o outro, aproximou-se das janelas de seu escritório, onde ele podia observar sua filha colhendo flores nos jardins dos fundos. Sua governanta estava sentada perto, o nariz em um livro, um spaniel ofegando aos seus pés.
— Um cavalheiro não faz avanços em direção a uma mulher em seu emprego.
Essa declaração se tornou o Décimo Primeiro Mandamento pessoal de Jonathan, mas não era mais palatável com a ênfase adicionada.
— Um maldito cavalheiro, não deve fazer avanços em direção à governanta de sua filha, não importa quão amável, bem formada, de boa pronúncia, gentil, encantadora e... Maldito inferno.
Um lacaio aproximou-se do lindo quadro no jardim e, antes que a Srta. Ingraham pudesse se virar e olhar para a casa, Jonathan afastou-se das janelas. Não faria bem a ela saber que estava olhando embora ela concluísse que ele estava apenas sendo um pai vigilante.
E ele era um pai vigilante, também um pai apaixonado e amoroso, mas não apenas isso.
Ele era, além disso, um homem rico em seu auge que não tinha uma esposa com quem compartilhar sua vida ou suas paixões. Um homem que enterrou sua amada esposa há quase cinco anos e estava observando sua vida marchar, uma noite solitária seguida por outra. Um homem que tinha suportado bastante daquela vida, um sujeito agora determinado a pôr em prática um plano que, se fosse bem sucedido, melhoraria suas circunstâncias incomensuravelmente.
E lançá-lo numa escuridão insondável se falhasse.
Ele contemplou a ideia de beber uma saudável dose de bom uísque irlandês, mas se a Srta. Ingraham chegasse perto o suficiente para ele sentir o cheiro de sua fragrância de limão, ela sentiria o cheiro do álcool em sua respiração.
— Sr. Dolan?
Amy Ingraham estava na porta do escritório, a imagem de boa aparência inglesa: uma sombra mais alta que a média, cabelos loiros puxados para trás num coque arrumado, olhos cinzentos complementados por um vestido azul-celeste vários anos fora de moda. A inteligência naqueles olhos era tão atraente para Jonathan quanto as curvas preenchendo o vestido.
— Srta. Ingraham, por favor, entre. Georgina parece estar gostando do passeio.
— O dia está muito bonito para manter a criança em suas aulas sem descanso, e o cão também precisa de uma visita ocasional aos jardins.
Ela permaneceu na porta, o local tendo significado simbólico. Amy Ingraham, neta de um visconde, mas não da família nem serva na casa de Jonathan, destacava-se em pairar em espaços limítrofes.
— Sente-se, Srta. Ingraham. — Apontou para o sofá perto da lareira, em vez de uma das cadeiras de costas retas de frente para sua mesa. Quando ela atravessou a sala, ele fechou a porta atrás dela.
Seu queixo erguido.
— Sr. Dolan.
Apenas seu nome, mas crepitando com rigidez e repreensão.
— O que eu tenho que discutir é privado e respeita os melhores interesses de Georgina. Posso oferecer-lhe um chá?
Ela se abaixou até a beira do sofá.
— Aceito um chá. Apenas chá.

Morgan e Archer

Série Windham
Archer Portmaine está investigando uma trama contra a Coroa quando ele conhece Morgan James, uma jovem que sofreu de surdez por vários anos, embora sua audição tenha sido restaurada quando Archer a conhece. 

Morgan acredita que seu problema auditivo faz dela uma candidata pobre para o casamento, embora sua deficiência forneça a chave para desvendar o mistério de Archer e para capturar seu coração.

Capítulo Um

Em um mar de conversas e movimentos, o silêncio e a quietude chamaram a atenção de Archer Portmaine.
As senhoras na frente do camarote podiam ser qualquer par bonito que estivesse desfrutando de uma noite na orquestra, a mais velha exibindo o traje elegante de uma jovem matrona.
A mulher mais jovem mantinha o foco de Archer quando ele deveria estar examinando os outros camarotes procurando a sua presa. Ela fez isso não por esticar o pescoço ou inclinar-se sobre o parapeito, mas pela inspeção sem pressa e silenciosa da multidão reluzente, risonha e cheia de joias.
Archer tinha a sensação de que ele a tinha visto antes, em um cenário diferente. Ele podia esquecer o rosto ocasional, mas não se esqueceria do contorno gracioso dos ombros nus de uma mulher, ou de um queixo sombreado e determinado, mas também firme pela teimosia.
Seu perfil era clássico, seu cabelo castanho bem preso em sua nuca, seu vestido creme próximo ao nude. Ela era discretamente amável e, no entanto, tudo nela implorava para ser olhado novamente, tudo, exceto por sua quietude e o modo como ela mantinha seu próprio conselho em um local onde falar, alto e fofocar, era mais parte do programa do que a música.
Se a moça pudesse tagarelar um pouco enquanto observava a plateia, ou mandar um ocasional olhar coquete para uma sorte aleatória abaixo, ela poderia fazer um investigador passar despercebido.
Essa ideia insultaria qualquer mulher adequada com poder.
Archer parou de observar a jovem calma, para que mesmo à espreita na parte de trás do camarote ele não fosse visto por aqueles cujos caminhos ele preferia não atravessar.
Ele encolheu-se mais perto das cortinas de veludo, contente por qualquer brisa que tivesse apagado as luzes do candelabro mais próximo. Um homem em perseguição deve estar sempre alerta para os perseguidores e evitar uma distração tão fascinante quanto o silêncio de uma bela jovem.
— Você sabia que Valentine dedicou o trabalho final do programa para você? Em meio ao zumbido e a agitação da orquestra em sintonia e a plateia fofocando e cumprimentando-se, Morgan James mal conseguia discernir as palavras suaves de sua irmã.
— Que jovem dama não gostaria que o gênio da música de Windham dedicasse um trabalho para ela? — Especialmente uma jovem que devia a recuperação de sua audição ao mesmo músico?
Anna, condessa de Westhaven, estudou seu programa pela luz limitada dos candelabros do teatro. — Você já superou Valentine, não é? Por favor, diga que sim.
— Sim. — Morgan sentiu um alívio curioso ao dizer as palavras com sinceridade, levantando um peso no ar como a escala ascendente de uma flauta se aquecendo. — Valentine Windham foi o primeiro que eu conheci que se comportou como um cavalheiro, e ele foi um contraste maravilhoso com nosso falecido irmão. — Por que ela não tinha percebido essas coisas antes?
— Ele é obcecado por sua música, fascinado com isso, — continuou Morgan, — e Ellen entende isso sobre ele. Eu estava sozinha em meu próprio mundo silencioso por tanto tempo que não consigo imaginar uma existência isolada de propósito, independentemente de quão belo som eu possa preenchê-lo.
— Você é muito sensata, irmã. Westhaven disse que eu estava me preocupando por nada. — O marido de Anna frequentemente fazia pronunciamentos confiáveis sobre sua família, e ele estava certo em uma porcentagem agravante do tempo.
— Eu considero Valentine um amigo querido, — disse Morgan, — e tenho certeza de que ele considera o mesmo. A última peça é uma sonata para piano. Estou ansiosa para ouvir.
Ela também estava ansiosa para ter a noite terminada, para ficar sozinha nos cômodos aposentos que a família de Westhaven proporcionava a ela, onde curiosamente, ela começava a desfrutar do silêncio e da solidão.
Anna levantou-se graciosamente. — Vou buscar Westhaven no corredor. Ele é apanhado pelos pares da Câmara dos Lordes e é educado demais para deixá-los conversando com eles mesmos, que é o destino deles no que deveria ser um passeio social.
A linda condessa de cabelos escuros saiu do camarote para resgatar algum velho rabugento do fascínio sem fim de Lorde Westhaven pelo que ele chamava de economia, deixando Morgan a pensar no próprio destino dela.
A vida de solteirona estava próxima, e provavelmente um retorno da surdez não muito depois disso. O médico a avisara, afinal de contas.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...