Tutelada rebelde de uma tia e um tio puritanos, Tessa dá um golpe final em sua reputação ao supostamente fugir com o chefe dos cavalariços da família. Na verdade, ela deixou a Inglaterra e foi para a França em busca de seu avô há muito perdido que, por sorte, acaba sendo um dos homens mais ricos da França. Agora, depois de vários anos, seu avô está enviando Tessa de volta para a Inglaterra, sob os cuidados do homem mais autoritário e bonito que ela já conheceu. O que Tessa não sabe é que Ross Trevenan, um misterioso amigo de seu avô, jurou protegê-la de um assassino que pode muito bem ter Tessa na mira. Agora, encontrar-se noiva de um guarda-costas devastadoramente atraente parece mais perigoso do que qualquer outra situação que ela poderia encontrar. No entanto, Tessa não sabe que ela detém a chave para um mistério que Trevenan venderia sua alma para resolver… e que um assassino cruel matará para manter.
Capítulo Um
— Tessa! É Tessa Lorimer, não é?
O som daquele refinado sotaque inglês no grande salão da elegante casa parisiense de Alexandre Beaupré trouxe um silêncio momentâneo à multidão de convidados reunidos. No outono de 1803, Inglaterra e França estavam em guerra, e os franceses não esperavam ouvir as vozes de seus inimigos em suas próprias salas de estar. Então se lembraram de que a neta de Beaupré nascera na Inglaterra, e a jovem que a chamara bem poderia ser outra parente inglesa de Beaupré, ou talvez fosse americana. De qualquer forma, ninguém se importava particularmente. Se fosse americana, era uma amiga, e se inglesa, pouco importava, não quando Beaupré tinha tantas conexões. Ele era banqueiro, um gênio das finanças, e o Primeiro Cônsul era seu amigo.
Ao ouvir seu nome, pronunciado com um inconfundível sotaque inglês, uma expressão de surpresa cruzou o rosto de Tessa, que se virou para ver quem a chamava. Logo atrás das portas de vidro da entrada, um jovem e uma jovem estavam um pouco afastados dos demais, como se não tivessem certeza se seriam bem-vindos. A moça tinha aproximadamente a mesma idade que ela, uns vinte anos, com cabelos castanhos claros e uma expressão amigável que iluminava seu rosto delicado. Ao lado dela estava um cavalheiro, obviamente inglês pelo corte de suas vestes, que talvez fosse um ou dois anos mais velho.
Tessa inclinou-se e falou suavemente com um senhor de cabelos brancos sentado em uma cadeira de rodas. Era Alexandre Beaupré, seu avô, que, apesar das enfermidades, não lhe faltava presença. Olhos escuros e astutos, belos olhos, animavam um rosto pálido e aristocrático, que ainda era bonito, embora profundamente marcado por rugas.
Ele a dispensou com um gesto. — Divirta-se — disse ele. — É seu aniversário. Marcel cuidará de mim. — Então, dirigindo-se ao lacaio que estava ao lado de sua cadeira, disse: — Traga-me uma taça de champanhe, Marcel. ‒ Sim, sim, eu sei que o médico proibiu. Que importa?
O sorriso de Tessa era caloroso quando ela se aproximou da garota que a havia cumprimentado, mas havia uma pergunta em seus olhos.
— Sou eu, Sally — disse a menina. — Sally Turner. Você não se lembra de mim? Estudávamos juntas.
— Claro — disse Tessa com carinho, e começou mentalmente a repassar a lista das inúmeras escolas que frequentara, tentando em vão se lembrar do rosto da menina.
Sally acrescentou, prestativa: — Fleetwood Hall? Imagino que não devo esperar que você se lembre de mim. Você ficou lá por apenas um ano, mais ou menos, e depois foi visitar parentes em Bath, se não me engano.
Tessa havia sido expulsa de praticamente todas as escolas que frequentara, mas evitava mencionar esse fato desagradável com tato. — Isso foi há muito tempo — disse ela vagamente.
— Isso foi há oito anos — disse Sally. — Tínhamos doze anos na época.
Isso não despertou a memória de Tessa, mas ela não deixou transparecer sua perplexidade. Ela gostou do olhar daquela jovem de rosto aberto. — Mas como você me reconheceu? — perguntou. — E o que você está fazendo na França?
Sally começou respondendo primeiro à última pergunta de Tessa. — Estávamos em Reims quando a guerra recomeçou de repente e fomos pegos completamente de surpresa. Então aqui estamos nós, isolados atrás das linhas francesas, esperando que Bonaparte decida o que será de nós.
Tessa assentiu com a cabeça. Ela sabia que havia muitos visitantes ingleses na mesma situação. Alguns haviam tomado a iniciativa e tentado fugir para a liberdade através do Canal da Mancha. Alguns haviam conseguido. Outros não, e agora estavam em prisão domiciliar ou definhavam em prisões francesas.
— Quanto ao motivo de eu tê-la reconhecido, — disse Sally — foi o seu cabelo. Nunca vi ninguém com um cabelo dessa cor. — Com um empurrãozinho da sua acompanhante, ela se lembrou das boas maneiras. — Tessa, posso apresentar meu irmão,
Desmond? Des, esta é…