Série Três Patifes Sensuais
Quando Kate Anderson ouviu sua jovem prima reclamar do homem com quem ela deveria se casar, Kate jamais imaginou que seria Harry Le Clere, Lorde Godridge! Durante uma temporada em Edimburgo, Kate e Harry experimentaram a paixão pela primeira vez ‒ e um erro os separou. Agora, Kate está em posição de ensinar Harry a cortejar sua prima… mas Kate não percebe que ela é a única mulher que ele sempre desejou. E Harry está determinado a tê-la de volta…
Capítulo Um
As damas de companhia não dançavam em bailes, mas o pé de Kate Anderson insistia em acompanhar o ritmo de uma reel escocesa. Os cavalheiros e damas londrinos não tinham um pingo da paixão ou do entusiasmo que a dança exigia.
Elegante em um vestido cor de narciso[1], a loira Diana Buntin se virou na cadeira, os olhos azuis brilhando de alegria. — Da próxima vez que um cavalheiro lhe convidar para dançar, insistirei que aceite. — Embora seu tom fosse gentil, Kate percebeu que sua patroa falava sério.
— Desculpe, — disse Kate, e parou de andar.
— Onde está Denton com a minha limonada? — Lizzie Mcrae, sobrinha de Diana, igualmente loira e de olhos azuis, ergueu-se na ponta dos pés para ver por cima da multidão reunida na pista de dança. À primeira vista, ela e a Srta. Buntin poderiam ser irmãs, embora fossem parentes apenas por casamento. Ambas tinham a mesma beleza inglesa e o mesmo temperamento doce. Ao contrário de Kate, cujo temperamento era ditado pelos seus cabelos ruivos.
— Oh, não, — disse Lizzie. Seu rosto, antes feliz, deu lugar à tristeza.
— O que foi? — perguntou Diana. — Quem você vê?
Sentadas encostadas na parede do vasto salão de baile de Bertwick, nem ela nem Kate conseguiam ver muito além dos membros da alta sociedade elegantemente vestidos em sua proximidade imediata.
— É o ogro, — disse Lizzie. — Por que ele está na cidade? Ele vai estragar tudo.
O ogro era como Lizzie chamava o solteirão idoso da propriedade escocesa vizinha, o homem com quem seu pai queria que ela se casasse. Uma onda de raiva subiu ao peito de Kate ao ver a menina tão chateada. Ela ansiava por dizer umas boas verdades ao pai de Lizzie por ter proposto um casamento assim.
— Ai, meu Deus, — disse Diana, fazendo uma careta. — Tenho a sensação de que a culpa é minha.
Naquele instante, a multidão se abriu, revelando um senhor de porte impressionantemente grande, com uma expressão severa no rosto claro e bronzeado pelo sol, caminhando em sua direção.
O coração de Kate parou ao observar a testa franzida acima dos olhos cor de avelã, o maxilar quadrado e inflexível e as ondas nítidas do cabelo castanho-claro.
Harry?
Será que ela estava vendo coisas? Seu coração batia no ritmo há muito esquecido de uma canção vagamente lembrada. A sala pareceu desaparecer. Tudo o que ela via era ele, caminhando em direção a elas com uma graça atlética e desenvoltura.
Ela queria desviar o olhar, mas permaneceu imóvel, como pedra, seu olhar ressecado absorvendo os traços fortes e agrestes que sempre lhe lembravam de sua amada Escócia.
Os anos haviam alargado seus ombros, fortalecido seus traços, tornando-o mais austero do que quando ela o conhecera em Edimburgo. Mas, mesmo depois de tantos anos, ele continuava sendo o homem mais bonito que ela já vira.
E agora ele estava ali. Vindo diretamente em direção a eles, com o olhar fixo em Lizzie.
Harry era o ogro de Lizzie? A alegria que sentia no peito se dissipou, e seu coração ficou pesado como chumbo.
— Seu pai deve tê-lo enviado, — exclamou Diana. — É uma pena mesmo.
Kate conseguiu pensar em palavras mais fortes. Ela baixou o olhar para as mãos enluvadas que repousavam sobre o tecido cinza-escuro da saia. Ela conteve o tremor, respirou fundo para acalmar as batidas aceleradas do coração.
Harry. Ela nunca esperara vê-lo novamente. Nunca quisera, depois de perceber o erro estúpido que cometera. Nunca sequer perguntara por ele, supondo que ele devia ter se casado há muito tempo.
Aparentemente não.
As damas de companhia não dançavam em bailes, mas o pé de Kate Anderson insistia em acompanhar o ritmo de uma reel escocesa. Os cavalheiros e damas londrinos não tinham um pingo da paixão ou do entusiasmo que a dança exigia.
Elegante em um vestido cor de narciso[1], a loira Diana Buntin se virou na cadeira, os olhos azuis brilhando de alegria. — Da próxima vez que um cavalheiro lhe convidar para dançar, insistirei que aceite. — Embora seu tom fosse gentil, Kate percebeu que sua patroa falava sério.
— Desculpe, — disse Kate, e parou de andar.
— Onde está Denton com a minha limonada? — Lizzie Mcrae, sobrinha de Diana, igualmente loira e de olhos azuis, ergueu-se na ponta dos pés para ver por cima da multidão reunida na pista de dança. À primeira vista, ela e a Srta. Buntin poderiam ser irmãs, embora fossem parentes apenas por casamento. Ambas tinham a mesma beleza inglesa e o mesmo temperamento doce. Ao contrário de Kate, cujo temperamento era ditado pelos seus cabelos ruivos.
— Oh, não, — disse Lizzie. Seu rosto, antes feliz, deu lugar à tristeza.
— O que foi? — perguntou Diana. — Quem você vê?
Sentadas encostadas na parede do vasto salão de baile de Bertwick, nem ela nem Kate conseguiam ver muito além dos membros da alta sociedade elegantemente vestidos em sua proximidade imediata.
— É o ogro, — disse Lizzie. — Por que ele está na cidade? Ele vai estragar tudo.
O ogro era como Lizzie chamava o solteirão idoso da propriedade escocesa vizinha, o homem com quem seu pai queria que ela se casasse. Uma onda de raiva subiu ao peito de Kate ao ver a menina tão chateada. Ela ansiava por dizer umas boas verdades ao pai de Lizzie por ter proposto um casamento assim.
— Ai, meu Deus, — disse Diana, fazendo uma careta. — Tenho a sensação de que a culpa é minha.
Naquele instante, a multidão se abriu, revelando um senhor de porte impressionantemente grande, com uma expressão severa no rosto claro e bronzeado pelo sol, caminhando em sua direção.
O coração de Kate parou ao observar a testa franzida acima dos olhos cor de avelã, o maxilar quadrado e inflexível e as ondas nítidas do cabelo castanho-claro.
Harry?
Será que ela estava vendo coisas? Seu coração batia no ritmo há muito esquecido de uma canção vagamente lembrada. A sala pareceu desaparecer. Tudo o que ela via era ele, caminhando em direção a elas com uma graça atlética e desenvoltura.
Ela queria desviar o olhar, mas permaneceu imóvel, como pedra, seu olhar ressecado absorvendo os traços fortes e agrestes que sempre lhe lembravam de sua amada Escócia.
Os anos haviam alargado seus ombros, fortalecido seus traços, tornando-o mais austero do que quando ela o conhecera em Edimburgo. Mas, mesmo depois de tantos anos, ele continuava sendo o homem mais bonito que ela já vira.
E agora ele estava ali. Vindo diretamente em direção a eles, com o olhar fixo em Lizzie.
Harry era o ogro de Lizzie? A alegria que sentia no peito se dissipou, e seu coração ficou pesado como chumbo.
— Seu pai deve tê-lo enviado, — exclamou Diana. — É uma pena mesmo.
Kate conseguiu pensar em palavras mais fortes. Ela baixou o olhar para as mãos enluvadas que repousavam sobre o tecido cinza-escuro da saia. Ela conteve o tremor, respirou fundo para acalmar as batidas aceleradas do coração.
Harry. Ela nunca esperara vê-lo novamente. Nunca quisera, depois de perceber o erro estúpido que cometera. Nunca sequer perguntara por ele, supondo que ele devia ter se casado há muito tempo.
Aparentemente não.