Série Senhoristas Americanas
Tudo nela é repudiável: seus figurinos americanos, sua falta de decoro e seu passado desonroso. Infelizmente para eles, Elliot Spencer, ou futuro Duque de Weymouth, especialista em escândalos locais, pensa o contrário. Certifique-se de que sua esposa se torne uma necessidade. Não se apaixone, esse é o plano de Elliot. Não havia vermelho para seus encantos, esse era o plano de Miranda. As apostas estão abertas... quem vai ganhar?
Capítulo Um
—Senhorita—reclamou a mulher que ajudava-lhe a arrumar o cabelo. —, a senhorita não pode sair assim.
Miranda Clark a ignorou e se levantou. Os cachos negros de seu cabelo caíam livremente sobre os ombros, exceto três, que estavam presos por delicados grampos decorados com pérolas.
—O que não podemosp fazer, Elisa, é deixar meu pai esperando, você o conhece. — O aviso de Miranda veio tarde demais, a voz estrondosa de Edward Clark ecoou pela mansão da família em Nova York.
—Miranda!
Elisa estremeceu. Queria protestar contra a partida apressada da jovem, mas manteve os lábios cerrados. Miranda lançou-lhe um olhar divertido, tingido de resignação, antes de desaparecer pelo corredor como um turbilhão de seda lilás e cachos negros.
A Sra. Elisa havia trabalhado para as famílias mais importantes de Nova York, aquelas com um toque de nobreza nas veias ou que gozavam do favor da rainha antes da independência americana. Elas ainda ditavam as regras da sociedade nova-iorquina, mesmo naquela época em que suas contas bancárias estavam apertadas e os novos ricos subiam na vida a passos largos. E os Clarks gostavam de dar grandes passos.
A pobre criada tinha mais conhecimento de protocolo e boas maneiras do que os membros da família, e tentava incutir esses costumes em Miranda, sem muito sucesso até então.
A jovem Clark era tão espirituosa quanto o pai e a mãe, um casal rude, mas bondoso, que ainda ostentava os calos nas mãos com os quais fundaram o império da construção que possuíam hoje. Os gritos de Edward podiam ser ouvidos de todos os cantos da mansão, fazendo com que os criados reprimissem suas expressões. Eles o amavam e o respeitavam, sobretudo porque, até pouco tempo atrás, aquele cavalheiro de terno e bengala com cabo de prata havia sido um deles. Um pedreiro.
Contudo, a falta de esforço do homem em aprender a etiqueta e as boas maneiras deixava os criados, acostumados a um tipo diferente de trabalho, nervosos. Era inútil lembrá-lo das campainhas localizadas em cada quarto e conectadas a uma central por fios, para que ele pudesse chamá-las sem ter que gritar como um estivador.
—Miranda!
—Já vou, pai! — Foi o grito em resposta, que fez Elisa revirar os olhos.
A moça praticamente entrou correndo no escritório do pai, esbarrando de frente em seu peito largo. A tentativa dele de ampará-la terminou em um abraço caloroso antes que ele se afastasse para deixá-la passar. Lá dentro, Eva Clark, sua mãe, estava sentada em um sofá, revisando os livros contábeis.
Eva havia trabalhado como assistente em uma chapelaria antes de se casar e abrir o negócio com o marido, que, até recentemente, era analfabeto. Por esse motivo, era Eva quem revisava as contas, assim como fazia para seu antigo patrão, só que agora as contas continham vários — talvez até demais — zeros a mais.
—O que é tão urgente? — perguntou Miranda num tom que, em outra família, teria sido considerado insolente. —Elisa vai morrer de tristeza, literalmente, vamos matá-la de tristeza.
—Sua mãe e eu queremos conversar sobre Dylan Paterson. Venha, sente-se.
Miranda ficou tensa com a ordem.
Duas coisas que seus pais fizeram indicavam que a situação era séria. Primeiro, Edward nunca pedia que se sentassem, ele acreditava que manter as reuniões em pé ajudava a evitar que as pessoas se distraíssem e as mantinha focadas nos assuntos importantes. Segundo, Eva colocou o livro-razão de lado e, além disso, o fechou. A jovem Clark começou a se preocupar.
—Há algum problema com o Sr. Paterson? — perguntou ela.
Edward insistiu para que ela se sentasse, e Miranda o fez, afundando-se na poltrona em frente à escrivaninha. Sua mãe aproximou-se e, afetuosamente, colocou as mechas soltas de seu cabelo atrás das orelhas. Foi mais um gesto do que uma tentativa de pentear seus cabelos.
—Qual a sua opinião sobre ele? — perguntou Eva com um toque de cautela. Miranda fixou o olhar no pai e percebeu seu desconforto.
—Ele parece ser um bom homem— arriscou ela. —, ele é gentil, me trata muito bem...— Hesitou um pouco antes de acrescentar: —Você sabe como são os outros, ele não se importa que eu quebre as normas sociais.
—Gosta dele? — perguntou sua mãe, um pouco mais adiante. Miranda corou levemente. Suas bochechas voltaram rapidamente à cor original depois de um suspiro de alívio. —Seu pai, Edward, querida, já conversamos sobre isso...
—Senhorita—reclamou a mulher que ajudava-lhe a arrumar o cabelo. —, a senhorita não pode sair assim.
Miranda Clark a ignorou e se levantou. Os cachos negros de seu cabelo caíam livremente sobre os ombros, exceto três, que estavam presos por delicados grampos decorados com pérolas.
—O que não podemosp fazer, Elisa, é deixar meu pai esperando, você o conhece. — O aviso de Miranda veio tarde demais, a voz estrondosa de Edward Clark ecoou pela mansão da família em Nova York.
—Miranda!
Elisa estremeceu. Queria protestar contra a partida apressada da jovem, mas manteve os lábios cerrados. Miranda lançou-lhe um olhar divertido, tingido de resignação, antes de desaparecer pelo corredor como um turbilhão de seda lilás e cachos negros.
A Sra. Elisa havia trabalhado para as famílias mais importantes de Nova York, aquelas com um toque de nobreza nas veias ou que gozavam do favor da rainha antes da independência americana. Elas ainda ditavam as regras da sociedade nova-iorquina, mesmo naquela época em que suas contas bancárias estavam apertadas e os novos ricos subiam na vida a passos largos. E os Clarks gostavam de dar grandes passos.
A pobre criada tinha mais conhecimento de protocolo e boas maneiras do que os membros da família, e tentava incutir esses costumes em Miranda, sem muito sucesso até então.
A jovem Clark era tão espirituosa quanto o pai e a mãe, um casal rude, mas bondoso, que ainda ostentava os calos nas mãos com os quais fundaram o império da construção que possuíam hoje. Os gritos de Edward podiam ser ouvidos de todos os cantos da mansão, fazendo com que os criados reprimissem suas expressões. Eles o amavam e o respeitavam, sobretudo porque, até pouco tempo atrás, aquele cavalheiro de terno e bengala com cabo de prata havia sido um deles. Um pedreiro.
Contudo, a falta de esforço do homem em aprender a etiqueta e as boas maneiras deixava os criados, acostumados a um tipo diferente de trabalho, nervosos. Era inútil lembrá-lo das campainhas localizadas em cada quarto e conectadas a uma central por fios, para que ele pudesse chamá-las sem ter que gritar como um estivador.
—Miranda!
—Já vou, pai! — Foi o grito em resposta, que fez Elisa revirar os olhos.
A moça praticamente entrou correndo no escritório do pai, esbarrando de frente em seu peito largo. A tentativa dele de ampará-la terminou em um abraço caloroso antes que ele se afastasse para deixá-la passar. Lá dentro, Eva Clark, sua mãe, estava sentada em um sofá, revisando os livros contábeis.
Eva havia trabalhado como assistente em uma chapelaria antes de se casar e abrir o negócio com o marido, que, até recentemente, era analfabeto. Por esse motivo, era Eva quem revisava as contas, assim como fazia para seu antigo patrão, só que agora as contas continham vários — talvez até demais — zeros a mais.
—O que é tão urgente? — perguntou Miranda num tom que, em outra família, teria sido considerado insolente. —Elisa vai morrer de tristeza, literalmente, vamos matá-la de tristeza.
—Sua mãe e eu queremos conversar sobre Dylan Paterson. Venha, sente-se.
Miranda ficou tensa com a ordem.
Duas coisas que seus pais fizeram indicavam que a situação era séria. Primeiro, Edward nunca pedia que se sentassem, ele acreditava que manter as reuniões em pé ajudava a evitar que as pessoas se distraíssem e as mantinha focadas nos assuntos importantes. Segundo, Eva colocou o livro-razão de lado e, além disso, o fechou. A jovem Clark começou a se preocupar.
—Há algum problema com o Sr. Paterson? — perguntou ela.
Edward insistiu para que ela se sentasse, e Miranda o fez, afundando-se na poltrona em frente à escrivaninha. Sua mãe aproximou-se e, afetuosamente, colocou as mechas soltas de seu cabelo atrás das orelhas. Foi mais um gesto do que uma tentativa de pentear seus cabelos.
—Qual a sua opinião sobre ele? — perguntou Eva com um toque de cautela. Miranda fixou o olhar no pai e percebeu seu desconforto.
—Ele parece ser um bom homem— arriscou ela. —, ele é gentil, me trata muito bem...— Hesitou um pouco antes de acrescentar: —Você sabe como são os outros, ele não se importa que eu quebre as normas sociais.
—Gosta dele? — perguntou sua mãe, um pouco mais adiante. Miranda corou levemente. Suas bochechas voltaram rapidamente à cor original depois de um suspiro de alívio. —Seu pai, Edward, querida, já conversamos sobre isso...
Série Senhoristas Americanas
1- Miranda