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28 de julho de 2026

Cameron

Série Senhoritas Americanas

 

Um assassinato, um segredo, um perigo... Cameron Madison cresceu protegida, isolada de todos, até que Sean Walsh entrou em sua vida e roubou seu coração.
O empresário de Chicago enxerga além da aparência dela, vê seu espírito indomável, sua sede de vida e experiências. Eles se amam, fazem planos juntos, até que o assassinato de uma escrava o aponta como o único culpado e ela como a única testemunha.
Um oceano de distância não será suficiente para silenciar a verdade, para destruir o amor deles... para acabar com o perigo que persegue Cameron. Ela levou mais do que seu coração, levou a prova de sua inocência. Ele precisa recuperá-la antes que seja tarde demais.

Capítulo Um

Virgínia, Estados Unidos, 1854.
A ansiedade de Cameron Madison se perdia em meio à agitação dos escravos que faziam os preparativos finais para a noite. Como atual senhora da casa, ela seria a anfitriã. Não era algo que a incomodasse, ela vinha desempenhando esse papel há um ano, desde que o período de luto por sua mãe terminara. Ela fora criada para isso, e era algo natural para ela. Mesmo assim, estava grata por ter uma desculpa para fingir inquietação, pois o motivo de seu coração acelerado teria que permanecer oculto por mais um tempo.
—Senhorita Cameron, os quartos…
Cameron parou ao lado de Gasira para revisar a distribuição dos quartos. A mulher de pele negra e corpo voluptuoso era a figura materna mais próxima que a senhorita Madison tinha naquele momento. Seu nome inglês era Victoria, pois ela havia nascido no mesmo dia que a rainha atual, mas Cameron já se acostumara a chamá-las por seus nomes verdadeiros.
—Homens solteiros na ala oeste, famílias na ala leste—, sua voz tremeu no final, —e coloquem o Sr. Walsh no último quarto do lado oeste.
—Sim, senhorita.
Um rubor espalhou-se por suas bochechas após o último pedido, e permaneceu ali durante as horas de preparação. O pedido não tinha nada a ver com o conforto de Walsh, mas sim com a facilidade de acesso ao seu quarto e com a facilidade de se perder dali para o bosque.
O relacionamento dela com Sean Walsh havia começado no verão anterior, quando o empresário ferroviário de Chicago iniciou negociações para transportar algodão por terra para o norte. Sean a cativou imediatamente, e o sentimento era recíproco. Eles mal conseguiam desviar o olhar em jantares, bailes ou passeios. A busca por privacidade para conversas íntimas era inevitável, assim como as consequências de estarem sozinhos.
A celebração do quinquagésimo aniversário de seu pai se apresentava como a ocasião ideal para Sean Walsh conversar com Arnold Madison e pedir a mão de sua única filha em casamento. De qualquer forma, a promessa do homem ia além da aprovação do proprietário de terras, como Cameron bem sabia, pois quando o empresário decidia algo, ele conseguia. E ele havia lhe assegurado que nada nem ninguém poderia separá-los. Ela se sentia confiante no passo que estava prestes a dar e no homem que havia escolhido, embora isso não impedisse que o medo da reação de seu pai a dominasse. Ela sabia que Arnold tinha outras aspirações para ela. Ele não tinha intenção de engordar sua conta bancária ou expandir as plantações de algodão dos Madisons — para quê, se já eram as maiores da Virgínia? A nova ambição do pai de Cameron era Washington: impor ideologias sulistas a um país que começava a ser governado por ideologias nortistas.
E esse era o maior obstáculo a superar. Sean Walsh era um defensor da industrialização americana e da abolição da escravatura. Duas causas com as quais Cameron concordava secretamente. Claro que, como qualquer boa dama sulista, ela aprendera a ficar calada. No entanto, quando compartilhou aquelas primeiras noites de verão com Sean, e suas roupas foram jogadas de lado em meio aos seus corpos nus e satisfeitos, Cameron se sentiu livre para falar, pensar e sentir.
Walsh enxergou além de sua estatura delicada, seus cabelos castanho-claros e seus intensos olhos azuis. Sean se rendeu ao charme genuíno de Cameron, aquele tipo de charme que permanecia aprisionado pelas normas sociais da Virgínia. Ele saboreou aquele fogo, uma paixão que a consumia quando faziam amor, e também quando ela falava de injustiças. Ele a observava em silêncio, cada movimento, cada sorriso e gesto. Ele a estudava como um mapa, a lia como um livro, e quando finalmente ousou falar com ela, já a conhecia, já ansiava por tê-la como esposa.
Não o surpreendeu quando Cameron confessou discordar da escravidão, embora a censura de livros e publicações a impedisse de conhecer as correntes de pensamento que justificavam seus pontos de vista. Para a Srta. Madison, era simples, direto e claro: eles eram seres humanos e a liberdade era inegociável. Tampouco se horrorizou quando ele confessou conhecer a industrialização da agricultura e que, dessa forma, menos mão de obra seria necessária.
Na correspondência que trocaram após a separação, discutiram esses e muitos outros assuntos. Walsh costumava trocar as capas dos livros e, em vez de lhe enviar sonetos de Shakespeare, escondia publicações do The Libertator ou de pensadores europeus atrás delas. E Cameron se sentia especial como nunca antes.
Desde os dezesseis anos, quando foi apresentada à sociedade da Virgínia, a Srta. Madison não teve falta de pretendentes. Poemas, buquês de flores e bajulação superficial já a haviam cansado. Sean era o único que ousava admirar sua inteligência, valorizá-la como algo mais do que um mero objeto. Cameron aprendeu que homens tolos temiam mulheres inteligentes, e isso diferenciava o Sr. Walsh de todos os outros que ela conhecia.
Além disso, ela não era ingênua, não se enganaria dizendo que sua atração por Sean era meramente intelectual. Seu desejo de vê-lo, de ficar a sós com ele, não tinha nada a ver com as conversas que tinham. Ela sabia que ambos eram prisioneiros de um desejo instintivo e irracional.
O sol começava a se pôr quando Cameron terminou seu trabalho, tudo o que restava era esperar a chegada dos convidados. 

 

Série Senhoritas Americanas
2- Cameron



23 de junho de 2026

Miranda

Série Senhoritas Americanas

Para a sociedade inglesa, Miranda Clark é sinônimo de escândalo.

Tudo nela é repudiável: seus figurinos americanos, sua falta de decoro e seu passado desonroso. Infelizmente para eles, Elliot Spencer, ou futuro Duque de Weymouth, especialista em escândalos locais, pensa o contrário. Certifique-se de que sua esposa se torne uma necessidade. Não se apaixone, esse é o plano de Elliot. Não havia vermelho para seus encantos, esse era o plano de Miranda. As apostas estão abertas... quem vai ganhar?

Capítulo Um

—Senhorita—reclamou a mulher que ajudava-lhe a arrumar o cabelo. —, a senhorita não pode sair assim.
Miranda Clark a ignorou e se levantou. Os cachos negros de seu cabelo caíam livremente sobre os ombros, exceto três, que estavam presos por delicados grampos decorados com pérolas.
—O que não podemosp fazer, Elisa, é deixar meu pai esperando, você o conhece. — O aviso de Miranda veio tarde demais, a voz estrondosa de Edward Clark ecoou pela mansão da família em Nova York.
—Miranda!
Elisa estremeceu. Queria protestar contra a partida apressada da jovem, mas manteve os lábios cerrados. Miranda lançou-lhe um olhar divertido, tingido de resignação, antes de desaparecer pelo corredor como um turbilhão de seda lilás e cachos negros.
A Sra. Elisa havia trabalhado para as famílias mais importantes de Nova York, aquelas com um toque de nobreza nas veias ou que gozavam do favor da rainha antes da independência americana. Elas ainda ditavam as regras da sociedade nova-iorquina, mesmo naquela época em que suas contas bancárias estavam apertadas e os novos ricos subiam na vida a passos largos. E os Clarks gostavam de dar grandes passos.
A pobre criada tinha mais conhecimento de protocolo e boas maneiras do que os membros da família, e tentava incutir esses costumes em Miranda, sem muito sucesso até então.
A jovem Clark era tão espirituosa quanto o pai e a mãe, um casal rude, mas bondoso, que ainda ostentava os calos nas mãos com os quais fundaram o império da construção que possuíam hoje. Os gritos de Edward podiam ser ouvidos de todos os cantos da mansão, fazendo com que os criados reprimissem suas expressões. Eles o amavam e o respeitavam, sobretudo porque, até pouco tempo atrás, aquele cavalheiro de terno e bengala com cabo de prata havia sido um deles. Um pedreiro.
Contudo, a falta de esforço do homem em aprender a etiqueta e as boas maneiras deixava os criados, acostumados a um tipo diferente de trabalho, nervosos. Era inútil lembrá-lo das campainhas localizadas em cada quarto e conectadas a uma central por fios, para que ele pudesse chamá-las sem ter que gritar como um estivador.
—Miranda!
—Já vou, pai! — Foi o grito em resposta, que fez Elisa revirar os olhos.
A moça praticamente entrou correndo no escritório do pai, esbarrando de frente em seu peito largo. A tentativa dele de ampará-la terminou em um abraço caloroso antes que ele se afastasse para deixá-la passar. Lá dentro, Eva Clark, sua mãe, estava sentada em um sofá, revisando os livros contábeis.
Eva havia trabalhado como assistente em uma chapelaria antes de se casar e abrir o negócio com o marido, que, até recentemente, era analfabeto. Por esse motivo, era Eva quem revisava as contas, assim como fazia para seu antigo patrão, só que agora as contas continham vários — talvez até demais — zeros a mais.
—O que é tão urgente? — perguntou Miranda num tom que, em outra família, teria sido considerado insolente. —Elisa vai morrer de tristeza, literalmente, vamos matá-la de tristeza.
—Sua mãe e eu queremos conversar sobre Dylan Paterson. Venha, sente-se.
Miranda ficou tensa com a ordem.
Duas coisas que seus pais fizeram indicavam que a situação era séria. Primeiro, Edward nunca pedia que se sentassem, ele acreditava que manter as reuniões em pé ajudava a evitar que as pessoas se distraíssem e as mantinha focadas nos assuntos importantes. Segundo, Eva colocou o livro-razão de lado e, além disso, o fechou. A jovem Clark começou a se preocupar.
—Há algum problema com o Sr. Paterson? — perguntou ela.
Edward insistiu para que ela se sentasse, e Miranda o fez, afundando-se na poltrona em frente à escrivaninha. Sua mãe aproximou-se e, afetuosamente, colocou as mechas soltas de seu cabelo atrás das orelhas. Foi mais um gesto do que uma tentativa de pentear seus cabelos.
—Qual a sua opinião sobre ele? — perguntou Eva com um toque de cautela. Miranda fixou o olhar no pai e percebeu seu desconforto.
—Ele parece ser um bom homem— arriscou ela. —, ele é gentil, me trata muito bem...— Hesitou um pouco antes de acrescentar: —Você sabe como são os outros, ele não se importa que eu quebre as normas sociais.
—Gosta dele? — perguntou sua mãe, um pouco mais adiante. Miranda corou levemente. Suas bochechas voltaram rapidamente à cor original depois de um suspiro de alívio. —Seu pai, Edward, querida, já conversamos sobre isso...

 

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1- Miranda