17 de fevereiro de 2018

Da Inglaterra à Virginia

Série McLeod
Anne McLeod, filha de um Barão inglês, herdou uma vasta propriedade na longínqua Virginia.

Por causa de uma decepção amorosa, empreende a maior aventura de sua vida para se encarregar do magnífico rancho Eaglethorne. Em sua nova moradia conhecerá a Harrison Bradley, um orgulhoso vaqueiro por quem se apaixonará perdidamente.




Capítulo Um

Anne McLeod desceu do navio sentindo-se algo decomposta e debilitada pela longa viajem. Seu primeiro pensamento foi que a América do Norte não se parecia em nada à imagem mental que ela tinha feito, durante as longas semanas em alto mar. Não estavam à vista as planícies, os profundos bosques, nem as azuis montanhas cobertas de neve.
No porto de Annapolis, em Maryland, um conjunto de casinhas toscas se apinhavam nas ruas laterais do agitado porto comercial.
A chegada do navio com bandeira inglesa tinha captado a atenção de todo aquele que procurava uma oportunidade para vender, comprar, transportar bagagem, e inclusive apropriar-se dos bens alheios. Alguns trombadinhas farejavam a carga que os marinheiros começavam a deixar sobre as tábuas da doca, enquanto os camelôs anunciavam, a viva voz, suas mercadorias.
O lodo que cobria as ruas empapava a roupa, o cabelo e os sapatos de um conjunto de meninos que começava a rodear a Anne estendendo, para ela, seus dedos sujos para receber algumas moedas.
— Madame! Madame! Temos fome, senhora, uma moeda por favor — suplicavam.
Anne sentia que a cabeça lhe dava voltas. Nenhum dos passageiros, que tinham viajado com ela, estava agora na doca.. O que teria acontecido a condessa Dujardin? Não estava junto a ela fazia um só momento?
— Madame Dujardin! — Gritou a jovem, enquanto os dedos pegajosos dos meninos tocavam suas luvas de pelica — Sonya! Onde está você? OH, Deus…
Anne sentiu um calafrio lhe correr pelas costas, enquanto observava desfilar centenas de caras desconhecidas ao seu redor, teria ficado sozinha no novo continente? Por um momento pensou que seu pai tinha razão e que jamais deveria ter ido ali, que a viagem era muito perigosa para uma jovem sozinha.
Naquele momento, Anne tinha atribuído, a reticência do Barão, à prematura morte de sua esposa, Jane. Fosse como fosse, a jovem nunca tinha sido presa da apreensão que sentia seu pai sobre sua viagem à América. Estando na Inglaterra se achou muito confiada e ansiava chegar a Virginia para encarregar-se de sua nova propriedade. Agora, só e perdida em um porto estranho, já não estava tão segura de si mesma.
Ainda recordava o bate-papo que tinha mantido com seu pai, na biblioteca de sua casa, duas semanas antes de sua partida. Era o fim do inverno e o fogo crepitava na lareira, enquanto no jardim a neve caía, silenciosamente, sobre a grama ressecada. O gelo da noite invernal cobria os cristais das janelas e impedia de ver a planície que circundava Mallsborough Hall. 
À luz do fogo, seu pai lhe falava com dureza, enquanto Anne quase suplicava. Ela sabia que devia partir dali, que não havia outra maneira de seguir adiante, de esquecer tudo o que havia sofrido por causa de Lorde Arthur Avegnale… Anne não desejava nem sequer recordar. 
Aos vinte e dois anos, a moça sentia que tinha vivido tudo, e que já não era uma jovenzinha inocente e cabeça oca como qualquer de suas imaturas amigas.
Seu pai também tinha sofrido muito ao longo de quase toda sua vida e, em parte, Anne sabia que era por isso que resistia a permitir que sua filha mais velha partisse para terras desconhecidas. Depois dos sete anos nos quais tinha combatido na guerra, o Barão tinha encontrado quietude nos braços de Jane, a mãe de Anne, até que a tuberculose a levasse de seu lado. A partir de então, a moça tinha visto seu pai encerrar-se, cada vez mais, em si mesmo. 
Ele e o tio Rolf passavam o dia trabalhando no campo e não se detinham, para descansar, mais que umas horas de noite. Anne não recordava que seu pai houvesse tornado a sorrir depois do desaparecimento de sua amada esposa, cinco anos atrás.
Aos dezessete anos, Anne precisou encarregar-se de seus três irmãos menores e da administração da enorme casa onde vivia a família McLeod. 
Obrigada a tornar uma adulta, do dia para a noite, a jovem se sentia mais do que capacitada para empreender a aventura de viajar várias semanas em um velho navio e radicar-se, para sempre, na América do Norte. Seus irmãos tinham crescido e já não a necessitavam.
Seu avô, o duque do Hyde, tinha lhe deixado em herança umas vastas terras nas quais florescia o tabaco. Anne ainda recordava quando o ancião a tinha chamado a seu lado, junto ao resto de sua família. Em seu leito de morte tinha falado, pela última vez, com seus dois filhos, Max e John, e com cada um de seus cinco netos.
Somente Anne tinha recebido uma extensão de terra tão imponente, mas ninguém se surpreendeu, já que todo mundo sabia que o Duque sentia predileção por sua neta mais velha. A fazenda tinha sido comprada, pelo ancião, décadas atrás, de um brilhante homem de negócios, americano, quem lhe tinha assegurado que, dela, obteria enormes lucros. 
A jovem ainda recordava esses últimos momentos com seu avô. Ele lhe havia dito que ela poderia encarregar-se das terras e que a nenhum outro membro da família lhe tinha interessado. Durante anos, o imponente imóvel chamade Eaglethorne tinha sido ignorado.
Segundo o Duque, o tabaco seria o produto com maior futuro nos anos vindouros e, se a brilhante e enérgica Anne, se fazia cargo da propriedade na Virgina, então todos os McLeod se beneficiariam com os lucros. 
O Duque tinha uma confiança cega em sua voluntariosa neta. A princípio, Anne, não soube o que sentir em relação a sua herança. Todos os seus planos, naqueles dias, centravam-se em seu próximo casamento com Lorde Avegnale… Arthur…



Série McLeod
1- Da Inglaterra à Virginia

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3 comentários:

  1. Parabéns pelo site, acompanho a muito tempo! Obg.

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  2. Adoro... Estórias de cowboys... Apaixonada...

    Parabéns e muito obrigada pelo trabalho de vocês para manter o site.

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  3. Muito legal este livro, super recomendo! Comecei o livro 2.
    Obrigada meninas por traduzir e nos disponibilizar.

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