Isabel Elliot só quer uma vida tranquila, num lugar onde a comida seja valorizada e onde não seja tratada como escrava. Desde que sua mãe morreu, deixando-a aos 13 anos com o pai alcoólatra, ela aprendeu as dificuldades da vida.
Capítulo Um
Isabel estava terminando de servir o jantar nos vários recipientes que seriam levados à mesa. Havia muita agitação na cozinha, pois alguns convidados de sua tia haviam chegado de longe naquela noite, e queria causar uma boa impressão, já que aparentemente o tio Henry tinha negócios com eles. Mabel, sua amiga e empregada mais antiga da casa, ajudava em tudo e também carregava os pratos para a mesa.
— Esses estão prontos para levar? — perguntou sua amiga Mabel, que entrou a toda pressa na cozinha.
— Sim, mas a bandeja com o camarão, ainda não. — Pegou cuidadosamente o arroz de camarões e o colocou delicadamente no centro da bandeja, depois dispôs cuidadosamente o restante do camarão que havia reservado ao redor da bandeja em um padrão artístico. — Agora está pronto.
— Parece perfeito, Isabel.
Ela sorriu. — Você não viu o pescado. É salmão cozido com semolina.
Mabel riu. — Tenho que admitir que, quando vi a semolina pela primeira vez, não achei nada apetitoso. Mas depois de ver como você o prepara e tudo o que coloca nele, posso dizer que é a coisa mais deliciosa que já provei.
— Obrigada, Mabel.
— Os convidados estão satisfeitos com o que está sendo servido. Só falta esta bandeja?
— Sim, as saladas e os legumes quentes já estão sendo levados à mesa.
— Só faltam as sobremesas, que serão servidas no final. — Ela foi até um canto onde havia vários tipos de doces. De torta de nozes-pecã e coco a bolo de limão e creme, passando por um bolo “red velvet” tão fofinho que seria o sucesso da noite. Não tinha sido nada fácil, já que ela teve que preparar as beterrabas para dar aquela cor especial e depois recorrer a alguns truques para disfarçar o sabor.
— Todos vão enlouquecer com essas sobremesas. O pessoal da Virgínia está falando da sua tia, por sua causa. A alta sociedade já está falando da moça que cozinha na casa da Sra. Rebecca Elliot. Se continuar assim, vai ficar tão famosa que pode sair daqui a qualquer momento para abrir seu próprio restaurante.
— Espero que isso seja possível um dia, minha amiga, — sorriu aos bons desejos de Mabel. — Mas, por enquanto, vamos continuar com este jantar e torcer para que seja mais uma noite de sucesso na casa dos Elliot. Três horas depois, Isabel estava quase desmaiando de exaustão. Ela pensou que aquelas pessoas nunca iriam embora, e a cozinha estava uma verdadeira bagunça para limpar. Sentou-se por um instante para descansar os pés, mas quando ouviu passos se aproximando, levantou-se imediatamente, pensando que era sua tia.


