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12 de setembro de 2010

Saga Coração

Caroline Bennet
1- A DAMA E O DRAGÃO


Na guerra enfrentada pela casa dos York com os Lancaster, o nome
“Dragão”passou a ser sinônimo de crueldade.

Temido e desprezado sem igual, Henrique VII o considera um de seus mais fiéis servidores.
Depois de anos combatendo ardentemente por sua causa, a paz parece afirmar-se no reino e chega o momento de premiar a fidelidade do feroz e hermético guerreiro com uma recompensa ansiada por muitos: a mão de Lady Norfolk.
Lady Margaret Norfolk é uma mulher acostumada guiar as rédeas de sua vida; por isso, quando tem que defender-se dos avanços de um pretendente muito ansioso por conseguir sua mão, não duvida em pedir audiência ao rei e pactuar com ele.
Agora, por decreto real está obrigada a contrair matrimônio com o genioso Dragão.
Mas a prática moça não pensou em se deixar intimidar pelo imponente guerreiro; e mais, está disposta a lhe fazer frente sempre que lhe for possível.
O que esconde o feroz guerreiro que tanto a comove?
Seu penetrante olhar cria na jovem uma ânsia difícil de qualificar, possivelmente seja certo que os dragões possuem um coração.

Capítulo Um

Os ecos da batalha se extinguiam lentamente, enquanto um espesso e persistente aroma de sangue e carne mutilada se estendia através do campo de batalha.
Adrian Wentworth, mais conhecido como “o Dragão”, embainhou sua espada com o braço tremendo pelas largas horas de luta e retirou de sua cabeça o elmo que a cobria.
Com seu grito de guerra fez que os seus o rodeassem elevando suas espadas para festejar a vitória.
Entretanto, não brilhava em seus olhos nenhum sinal de euforia.
Tinha participado de muitas batalhas, em sangrentas guerras e sabia que na morte não há nada que festejar.
Uma vez mais, tinha finalizado seu trabalho limpa e eficazmente conforme as ordens de Enrique VII, mas continuava sem se acostumar a tanta miséria.
Seus homens, contentes com a vitória, felicitavam-se com palmadas de ânimo e gritos de alegria. Adrian contou as baixas de sua guardar pessoal. Tão somente D’Claire mostrava uma ferida feia na perna.
–Voltemos para acampamento – grunhiu elevando uma mão para que os outros o seguissem o acampamento, montado no outro lado da colina, representava uma patética imagem de lar.
As tendas de lona, em outros tempos de cores brilhantes, estavam agora cobertas de barro, sangue e neve.
Entre elas, pululava todo um exército que, embora não se ocupava de brandir a espada, cumpria com uma missão de igual importância para a vida do soldado: procurar alimento, diversão e bebida.
Os ambulantes e prostitutas festejaram a chegada dos soldados.
Previam que a celebração dessa noite seria prolongada, mas ao ver o sombrio olhar do Dragão Wentworth apressara-se em se esconder, todos sem exceção temiam sua ira.
Frente a sua tenda Adrian lançou uma série de ordens a seus homens.
– Marcus, se encarregue de que os corpos sejam enterrados e chama o padre. Sem dúvida, irá querer rezar uma última oração por suas almas. Você, D’Claire, arranjar um médico que veja essa ferida, parece grave – e dirigindo-se de novo a Marcus – Se encarregue também dos prisioneiros, quero suas confissões amanhã há primeira hora.
D’Claire assentiu e se apressou a obedecer apoiando-se em Jules, o capitão do guarda e homem de confiança do Wentworth.
Ainda montado em seu cavalo de batalha, Adrian pôde ouvir o cantarolar afeminado proveniente do interior de sua tenda.
Em seu rosto cruzou uma careta de desgosto que aumentou ainda mais quando a entrada da tenda se elevou para dar passagem a um moço magro de lustrosa cabeleira ruiva.











2- O CORAÇÃO DA DONZELA


A Condessa Darkmoon deixou para trás sua infância em Norfolk para converter-se em uma das herdeiras mais desejáveis da corte de Enrique VII, mesmo quando suas reiteradas negativas em aceitar um marido lhe valeram o sobrenome de Lady Não.

Mas quando os laços de fidelidade que a unem a Adrian Wentworth, seu mentor e protetor, obrigam-na a casar-se com Hugh de Claire, não terá mais remédio que aceitar esta união e tentar salvar da forca o homem pelo qual esteve apaixonada em sua infância.O reencontro com este ex-mercenário desperta em seu coração velhos desejos que não está disposta a reviver.
Acusado falsamente de assassinato, Hugh de Claire aguarda sua morte em uma escura masmorra da cidade de Amsterdã. 

Quando todas suas esperanças de redenção se desvaneceram recebe um trato que não poderá recusar embora isso implique casar-se com Anne, aquela irritante menina que ele estava acostumado a chamar "menina".

Capítulo Um

Dezembro de 1505, Canal da Mancha.
O casco do navio abria passo entre as águas cinza e agitadas do oceano Atlântico. No convés, sob o mastro, Hugh de Claire observava o mar.
Seus olhos se elevaram até a vela do mastro que o vento agitava com rudeza invernal. Os três mastros estavam com suas velas inchadas, cheias pelo ar do oeste.
"Uma noite mais de temporal", prognosticou visivelmente chateado.
Odiava navegar quase tanto como as tormentas.
Soltou uma maldição segurando-se com força quando o intenso vento açoitou o navio mercante, um arsenal de sólida e pesada aparência que nivelava em seu casco, ideal para o transporte de mercadorias.
O navio fazia parte da incipiente frota que Hugh tinha construído prevendo os benefícios que o comércio com o continente traria para seus bolsos em médio prazo. Para ele, navegar continuava sendo sem atrativos.
Seu meio era a terra firme, não a água!
Uma nova onda elevou a proa sobre as enfurecidas águas, depois, com a mesma velocidade com que se elevou, voltou a afundar-se, permitindo que uma crista de espuma salgada varresse o convés.
Um suor frio escorreu por suas têmporas. Dissimuladamente, olhou ao redor ao sentir uma ânsia. Vários marinheiros trabalhavam em diversas partes do navio, concentrados em ajustar cabos, fixar cabotagens e pregar velas.
Conseguiu conter-se bem a tempo e, sem se importar em ter alguém por testemunha de seu mal-estar, inclinou-se pelo corrimão de apoio, ignorando o perigo de cair pela amurada, devolveu seu jantar sobre agitado mar.
O vômito aliviou fugazmente seu enjôo. Discretamente, enxugou os lábios com o extremo de seu capuz tentando recuperar o aprumo necessário para caminhar pela proa. O camarote vazio não diminuiu seu mal estar, era estreito, escuro, e tinha cheiro de suor e umidade das adegas.
Deixou-se cair na incômoda cama de armar e cobriu seu rosto com um braço.
Odiava os navios, o mar e as tormentas!
Repetiu a si mesmo esforçando-se para dormir. Se o mau tempo permitisse, chegariam ao porto de Amsterdã em dois dias.
Perguntou-se por seus ilustres convidados, os embaixadores que Enrique VII tinha renomado para aquela particular empresa.
Uma pontada de culpa o assaltou ao recordar sua precipitada partida durante o jantar no qual os emissários reais desfrutavam no camarote principal.
Nessa mesma noite deviam discutir a estratégia para conseguir a comercialização do grão procedente do báltico. E pestes do inferno!
Era impossível concentrar-se em algo quando seu estômago gemia e se retorcia como se tivesse vida própria.


Saga Coração
1 - A Dama e o Dragão
2 - O Coração da Donzela
Série Concluída
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