
Devlin Ryland retornou de Waterloo como um aclamado herói de guerra, embora em seu interior prefira esquecer tudo relacionado a ela e tudo o que teve que fazer em nome do dever.
Blythe Christian conhece muito bem do que são capazes os homens quando estão em plena guerra. Como por exemplo, trair suas prometidas.
Agora, o destino quis que os caminhos de ambos se cruzassem, e embora nenhum deles possa negar a atração mútua que surgiu, terão que aprender a confiar de novo; Devlin com seus segredos e Blythe com seu coração.
Só então conhecerão o poder curativo do amor.
Devlin Ryland, herói de guerra em Waterloo, retornou triunfante a Londres, aclamado por sua coragem e ousadia ao salvar a vida de um dos oficiais ingleses.
Devlin se sente envergonhado pela atenção que recebe, já que não quer tomar parte em nada disso, nem deseja sua recém achada glória, nem recordações da guerra ou do papel que desempenhou nela.
Seu bom amigo Miles o convida à festa que vai celebrar em sua casa nos subúrbios de Londres.
E é durante essa festa onde descobre uma mulher que desperta seu interesse e seu desejo como nenhuma outra nunca fez: a bela Lady Blythe Christian.
Para sua desgraça, a dama em questão não quer nada com o célebre herói, pois Devlin foi quem salvou a vida do homem que era seu prometido e que depois de se recuperar de suas feridas se casou com outra.
Não importa que seja devastadoramente bonito amável e atencioso.
Devlin é um constante aviso da dor e humilhação que sentiu ao ser traída.
Como resultado daquela traição, Blythe jurou não casar-se jamais, nem voltar a confiar seu coração a outro homem para que volte a ser destroçado.
Por sua parte, Devlin, apesar de ser elogiado por onde quer que vá, segue lutando contra o sentimento de ser um homem que não encontra seu lugar neste mundo, embora haja uma coisa que tem muito clara, e é que ninguém o fez sentir-se como faz Blythe e, pela primeira vez em sua vida, deseja muito mais…
Capítulo Um
Londres,
Julho, 1817
— Assim vai partir.
Devlin Ryland deixou de fazer as malas e levantou o olhar
para seu irmão mais velho.
— Sim — disse Devlin,
pegando mais uma camisa da pilha que havia na cama e colocando-a na bolsa de
couro gasta.
Já havia colocado a
roupa de noite, calças extras, lenços de pescoço, camisas e mais um casaco. O
casaco a mais era sua única concessão na moda. Em Brixleigh Park encontraria
com pessoas que se empenhariam em não usar a mesma peça duas vezes. Ao menos
devia ter um pouco de variedade.
Brahm, enigmaticamente
atraente, com traços muito mais marcados e duros que os de Devlin, entrou
mancando no "lugar sagrado"
do quarto. O teor dos fortes golpes da bengala contra a polida superfície do
chão, a perna de seu irmão doía.
— Pensava que se preocupava por voltar a ver Carnover.
Depois de fechar a mala, Devlin deu de ombros.
— Todos nós temos que enfrentar nossos demônios. Você mesmo
me disse isso.
E o Senhor sabia que Brahm tinha sua cota de demônios.
Com ambas as mãos sobre
o punho de prata lustrado e esculpido de sua bengala, Brahm se inclinou
levemente para frente.
— Mas se considera que Carny seja um amigo, não um demônio.
— São ambas as coisas.
Não era necessário que explicasse algo, porque seu irmão o
entendia muito bem.
Brahm esboçou uma
espécie de sorriso, um pouco muito incomum nele nos últimos meses, desde a
morte de seu pai.
— O que vai fazer?
Devlin deu um encolher de ombros de novo. Tinha as malas
feitas e estava preparado para partir, mas havia algo que
ainda o retinha.
— Não sei. Talvez vê-lo seja mais fácil desta vez.
— Quer dizer que talvez deixe de ter pesadelos.
Erguendo-se, Devlin encontrou serenamente o olhar preocupado
de Brahm.
— Sim.
— E o que acontecerá se voltar a tê-los?
Era óbvio que Brahm não
queria deixá-lo em paz. Era simples preocupação fraternal ou por acaso temia
que Devlin fizesse algo que envergonhasse a família em Devon? Teria que
acontecer algo bem escandaloso para igualar ao que Brahm havia feito. Urinar em
uma fonte com ponche era difícil de superar.
Entretanto, não podia
imaginar Brahm preocupado pelo status social da família. Seu irmão estava
preocupado por ele, simples e sinceramente.
— Tudo irá bem.
— Não duvido — respondeu Brahm, sorrindo de forma estranha
de novo.
Fez-se um silêncio
enquanto Devlin se virava para pegar o rifle Baker que estava
apoiado na cadeira, perto da janela. Tinha estado acordado até as três da manhã
limpando-o e engraxando-o, polindo a madeira raiada até deixá-la brilhante,
esfregando o canhão por dentro e por fora com um pano até que ficou impoluto.
Meteu-o no estojo e o arrumou sobre a colcha aveludada de cor creme ao lado de
sua mala.
— Por que leva isso? — perguntou Brahm Por acaso quer sair
a disparar em Devon? Desta vez, Devlin encolheu só um ombro.
— Talvez.
— Não pode suportar a idéia de deixá-lo para trás, não é?
O que era o que mais o
incomodava? O tom de compaixão de Brahm ou sua perspicácia? Provavelmente para
Brahm parecesse uma tolice que seu irmão mais novo tivesse tanta dependência de
algo tão inanimado quanto um rifle, mas não o julgaria por isso. Brahm jamais
julgava, fosse porque não era sua maneira de ser ou porque sabia que não tinha
direito de fazê-lo.
— É parte de mim.

Série Irmãos Ryland
1 - Paixão Esquiva
2 - Pela Primeira Vez
3 - De Novo em Teus Braços
4 - Na Escuridão da Noite
5 - Ainda Te Amo
Série Concluída



