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2 de agosto de 2011

A Mulher Cativa

Trilogia Wyckerley
Uma atraente mulher cumpre pena pelo assassinato de seu marido. Ao sair em liberdade condicional, Rachel é presa de novo por vadiagem, mas desta vez o visconde D'Aubrey, um dos magistrados que a julgam, oferece-lhe a oportunidade de redimir-se trabalhando como governanta para ele. Rachel suspeita das intenções do visconde, um jovem libertino e alinhado, mas nada pode ser pior que a prisão. Ou ao menos era nisso ela acreditava.

Capítulo Um

—Bastían,você não tem consideração! Como pode me dispensar deste modo? Já não deseja mais a Lili?
—Te adoro - assegurou Sebastian Verlaine apartando mais uma vez a mão obstinada de sua amante de sua coxa. Pela janela da carruagem viu desaparecer progressivamente as chaminés de Lynton Great Hall, sua duvidosa herança, depois da fileira de velhos carvalhos. Não podia evitar não gostar de sua nova casa. Pois era difícil admirar sua grande magnificência quando pensava nas goteiras, descascados, as paredes desmoronadas e no quanto custariam os mínimos acertos.
—Por acaso não nos damos bem? Não nos divertimos brincando em sua nova baignoire? Hã? Bastían me escute!
—Foi maravilhoso, querida - respondeu maquinalmente, beijando-lhe os dedos. Cheiravam a perfume e sexo, uma essência que nesse momento ele não era capaz de apreciar, ou ao menos não na medida em que solicitava um novo esforço a sua virilidade. Chegava ao ponto onde teria que dizer chega, e quatro dias com suas noites na íntima companhia de Lili Duchamps já era, como diria ela mesma, “plus qu'il n'en fant” mais que suficiente.
—Oui, querido—concluiu ela, Colocando-lhe o dedo indicador nos lábios e batendo em seus dentes com a unha—. Esqueça de seus estúpidos negócios e vem comigo a Londres. Nunca fizemos  amor em um trem, oui.
—Juntos, não - reconheceu depois de pensar. Mordeu-lhe o dedo causando dor e ela o tirou de sua boca olhando-o fixamente. Teria gostado de poder dizer:  “Fica linda quando se zanga”, mas não seria verdade.
—Que crueldade!  Chama-me para vir... a Piymouth - pronunciou como se fosse a Antártida—, e obrigar--me a pegar o trem para Londres totalmente sozinha... c'est bar-bare, c'est vil!
—Mas se veio sozinha - apontou—, e agora só tem que fazer o mesmo, mas ao contrário. —por cima de seu cabelo louro, perfeitamente arrumado, observou o pitoresco desfile de casas com telhados de palha à medida que a carruagem avançava ruidosamente para o Wyckerley sobre os paralelepípedos de High Street. Supôs que as cabanas teriam encanto, com suas águas-furtadas, frondosos jardins e fachadas de cor clara; mas interrompeu sua apreciação estética ao pensar que certamente na maioria delas viviam seus arrendatários. Deste ponto de vista não eram tão encantadoras; era tal qual à casa principal, um montão de velhas construções que reclamavam seu dinheiro e sua atenção.
—Mas por que não pode vir comigo? Odeio-te! —Elevou a mão, mas ele a agarrou antes que pudesse lhe dar uma bofetada. Agora que já conhecia seus ataques de fúria, não voltaria a pegá-lo de surpresa.
—Cuidado - disse com o mesmo tom suave e ameaçador com que a tinha seduzido, o fato de que seguisse sendo eficaz era um dos motivos de que sua relação tivesse começado a esfriar-se—. Não brinque com minha paciência, Ma chérie, ou terei que te castigar.
O brilho resplandecente dos excitados olhos dela o fez rir...
—OH! —gritou ela, batendo em seu peito com os punhos—. Besta! Canalha! Porco ingrato!
—Não, querida, isso  é você. —corrigiu, mantendo as mãos dela sobre o colo. O inglês de Lili não era fluente e em ocasiões o chamava do mesmo modo que seus desdenhosos amantes a chamavam. - Agora me beije e diga adeus. A justiça me espera.

Trilogia Wyckerley
1 - Lealdades Enfrentadas
2 - A Mulher Cativa
3 - Não Traduzido

1 de agosto de 2011

Lealdades Enfrentadas

Trilogia Wyckerley
Anne vive atormentada por um matrimônio infeliz. Geoffrey, seu marido, é um rico aristocrata mais interessado no jogo, mulheres e campanhas militares que nas obrigações domésticas. Ante tal situação, Anne só encontra consolo na relação com Christian, o atraente pároco do Wyckerley. Este sente por ela um grande afeto, mas dada sua profunda religiosidade unicamente pode lhe oferecer amizade. Entretanto nem sequer a vontade mais férrea resiste quando o amor e o desejo se transbordam.

Capítulo Um

Lorde D´Aubrey era um homem a quem resultava difícil amar inclusive em seu leito de morte. “Deus, me dê paciência e humildade”, rogou o reverendo Christian Morrell, que tinha por profissão - se assim podia considerar, amar inclusive aquilo que inspirava antipatia. Inclinado sobre a cama, sem chegar a tocá-la - apesar de estar doente, o ancião visconde ainda se incorporava se alguém que não fosse seu doutor se aproximava muito-, Christy perguntou a sua senhoria se queria tomar os sacramentos.
--Para que? Para ir direto ao céu? Você acredita que irei ao céu, vigário? Temo-me que... –ficou sem fôlego, e seu rosto apergaminado ficou lívido até que conseguiu aspirar uma baforada de ar.
Estava muito fraco para tossir e continuou tomando ar até que passou o espasmo. Logo ficou exausto, com as mãos apoiadas sobre o peito fundo.
Christy sentou outra vez na cadeira de respaldo alto que tinha aproximado da cama tanto como o ancião tinha permitido. O abajur de azeite que estava junto ao leito mal conseguia iluminar aquele dormitório grande e austero, de maneira que tinha que forçar a vista para ler o livro de orações. Tratou de recordar que detrás dos pesados cortinados brilhava o sol de meio-dia em uma primavera espetacularmente bela no Devonshire. A vida parecia uma frivolidade aí dentro, uma quimera. Fora cantavam as cotovias, zumbiam os insetos, e os esquilos subiam pela hera, mas na habitação do visconde doente Christy só ouvia o tictac de seu relógio de bolso.
Não pôde evitar pensar: “O doutor Hesselius deveria estar aqui”.
—Manda-me chamar se necessitar, embora duvide que seja assim - havia dito o doutor duas horas antes, nessa mesma habitação—. Não sente nenhuma dor... Normalmente não sofre, neste estado avançado da enfermidade. Duvido que passe de hoje. Fiz quanto pude. O velho Edward está em suas mãos agora, reverendo.
E Christy tinha assentido grave, serenamente, como se aquela predição não o desmoralizasse.
O reverendo se considerava, ao menos quando tinha um bom dia, um padre bastante eficiente, tendo em conta que era novo no cargo e que suas melhores qualidades eram as abnegações e as perseveranças. Mas possuía numerosos defeitos, que tinham um perverso modo de multiplicar-se e combinar-se em momentos como aquele, quando seu mais profundo desejo era confortar e consolar ao necessitado. Edward Verlaine representava um desafio especial, e Christy se desesperava porque não estava à altura das circunstâncias.
As lembranças se impunham sobre os esforços por rezar. Naquela habitação escassamente mobiliada, o escuro retrato com marco dourado do avô de lorde D'Aubrey ressaltava sobre o suporte da chaminé. O estranho sombreado cinza sob o nariz do aristocrático antepassado arrancou ao Christy um sorriso, embora fosse quase uma careta. Recordava o dia, possivelmente vinte anos atrás, em que ele e Geoffrey, seu melhor amigo, tinham entrado às escondidas na habitação, rindo e fazendo-se calar um ao outro, alterados e nervosos. Christy não acreditava que Geoffrey se atreveria realmente a fazê-lo, mas o fez; raptou uma cadeira e pintou com carvão um bigode no carrancudo rosto de seu bisavô. Ainda ficavam rastros, pois o carvão tinha demonstrado uma notável resistência aos numerosos esforços que se fez por apagá-lo. Christy  perguntava se Geoffrey conservaria ainda as marcas da surra que seu pai tinha ordenado lhe dessem e que administrou o mordomo, pois inclusive quando estava colérico Edward Verlaine mantinha a distância.

Trilogia Wyckerley
1 - Lealdades Enfrentadas
2 - A Mulher Cativa
3 - Não Traduzido
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