30 de dezembro de 2017

Somos Você e Eu

Emily Gardiner, aliás Mary Taylor, como é conhecida nas ruas do East End londrino, sobrevive como pode com os "trabalhos" pouco legais que realiza pelo centro da cidade mais cosmopolita e colorida do mundo: Londres do final do século XIX.

Emily, que mal tem 18 anos em 1890, cresceu na casa de uma grande família inglesa, onde a sua mãe é costureira a tempo integral e onde as diferenças sociais, as injustiças e o recalcitrante classismo que deveria absorver desde que nasceu, forjam nela um caráter guerreiro e independente, forte e com tanto temperamento que a empurram, aos quatorze anos, a abandonar essa vida em busca de uma nova, longe de sua mãe e rodeada de inúmeros perigos.
No entanto, embora tudo esteja contra ela, Emily Gardiner luta e sobrevive, planeia um futuro estável e independente junto a seus sócios, Molly e Winston Everhard, que serão a sua nova família e caminha com passo firme e seguro pelas convulsas ruas do centro da cidade, até que a aparição de uma personagem, completamente inesperada, lorde George Connaught, médico militar recém-chegado da Índia e filho do poderoso duque de Stevenage, altera as suas prioridades, os seus princípios, a alma e enche a sua vida de uma sensação completamente nova: amor.
George e Emily estão unidos pelo destino e apesar do abismo social que os separa, os seus caminhos se cruzam, no meio de perigosas e apaixonantes aventuras que ambos deverão viver juntos e em separado, para conseguir que o seu amor triunfe e se sobreponha aos inimigos do presente e do passado, que farão todo o possível para separá-los.

Capítulo Um

Londres, novembro de 1890
Mary Taylor e Molly Graham se embrenharam imediatamente pelas lotadas ruas do centro. Nenhuma das duas tinha ainda completado os vinte anos, eram amigas há seis e viviam juntas num quarto de uma miserável, mas limpa, pensão perto de Charing Cross, onde podiam dormir tranquilas e onde sonhavam, todo o tempo, que a vida lhes desse de presente, algum dia não muito longínquo, um pouco de fortuna.
Olhando para a sua querida amiga, Mary a agarrou pelo braço para andar mais depressa. 
Tinha sido muito má ideia brigar com Rogelia Hewitt, uma das queridas de Bob “O Carvalho”, o desgraçado pai de Fred “O Ruivo”. Aquele tipo controlava as ruas de Londres, de acordo com a sua vontade e enfrentar uma de suas amantes prediletas iria lhes custar caro; ela sabia, mas o preço valia a pena se recordasse a cara de espanto daquela mulher estúpida, depois de ter-lhe esvaziado um balde de água gelada na cabeça.
Rogelia acreditava ser uma senhora e não era mais que uma rameira com mau gosto, como dizia Molly, e ela não ia permitir que a dita cuja abusasse de ninguém, muito menos dela, que não lhe tinha feito nada, salvo nascer mais bonita e com mais classe. 
Rogelia Hewitt não podia perdoar-lhe isso e cada vez que tinha oportunidade, fazia alguma maldade. Mary já estava cansada e por fim, tinham acabado aos gritos e Hewitt empapada em plena rua. 
Mary não se arrependia de nada mas, sentia muito por Molly, que era uma vítima inocente da sua imprudência, porque o roubo daquela noite era só o princípio. Certamente Bob “O Carvalho” tinha mandado pessoalmente o seu filho para fazer-lhes mal e não parariam até enxotá-las da cidade.
Suspirou e pensou em sua mãe.
Mary Taylor na verdade se chamava Emily Gardiner. Sua mãe, Katie Gardiner, era irlandesa e costureira em um dos palácios mais elegantes da cidade. Tinha chegado a Londres pela mão de uma nobre senhora inglesa, lady Anne Shafterbury, quando tinha doze anos; tinha-a feito vir desde Cork como serviçal e desde o começo a decisão lhe tinha saído muito rentável, Katie era uma fada com a agulha e trabalhava de sol a sol, sem reclamar. 
No palácio havia, pelo menos, seis costureiras trabalhando o dia todo, que se ocupavam tanto da roupa, como dos habitantes da casa ― seis filhos, marido e mulher, e duas tias-avós ―, um trabalho incessante. Sempre havia o que fazer e as empregadas de costura só descansavam ao domingo, se não fosse temporada de bailes, claro, porque nesse caso nem sequer podiam sair para ir à igreja.
Mas Katie Gardiner não se queixava. Emily só recordava a sua muito bela mãe trabalhando, com a cabeça abaixada sobre o tecido, às vezes com uma vela diminuta como única iluminação, às vezes colada à janela para ver melhor um bordado, mas sem perder, nunca, o sorriso. 
Era uma costureira maravilhosa e, no entanto, ganhava uma miséria, e ninguém, jamais, reconhecia o seu trabalho, por isso Emily começou a odiar os Shafterbury desde muito pequena.
Ela tinha nascido dentro das quatro paredes do palácio. A sua mãe tinha dado a luz no miserável quartito onde vivia e nessa mesma noite tinha voltado para o trabalho, porque a senhora tinha um banquete real e precisava do seu vestido novo terminado a tempo. 
As companheiras de sua mãe, as faxineiras e até mesmo a governanta lhe tinham contado isso muitíssimas vezes, mas Katie Gardiner jamais tinha querido falar sobre o assunto. Sempre era assim; ela não falava, nem se queixava e quando Emily, aos dez anos, ousou perguntar quem era o seu pai, a resposta foi uma sonora bofetada que a calou para sempre. 
Foi a primeira e a penúltima vez que a sua mãe a golpeou, mas esse resultou ser um ato contundente o suficiente para que Emily jamais voltasse a interessar-se, de forma tão aberta, por semelhante segredo.
Indagando e fazendo perguntas discretas, soube que Katie só tinha dezesseis anos quando ela tinha nascido e que a senhora a tinha mantido no palácio por pura caridade, porque poderia tê-la jogado na rua como promíscua. Mas não, a dama tinha optado por perdoar o deslize da sua costureira e lhe tinha permitido ficar na casa com a menina e criá-la como uma mais de seu serviço. 
Desse modo, Emily Gardiner, que não se parecia em nada com a sua mãe, cresceu entre agulhas, tecidos e botões, acostumando-se a brincarem completo silêncio, sem levantar a voz, nem à vista aos senhores, e permanecendo quase invisível para não incomodar. 
Emily aprendeu a ler graças aos livros que a perceptora da família, a senhorita Wilkes, emprestava-lhe às escondidas e aos oito anos, quando a puseram a trabalhar como às demais, já sabia ler, escrever e fazer contas, algo que, evidentemente, se manteve em segredo.
Era esperta e ágil, muito vivaz e tinha uma perigosa tendência para rir às gargalhadas, algo que à sua discreta mãe irritava sobremaneira, que lhe rogava prudência e sobretudo, silêncio. 
Katie não queria incomodar, preferia passar inadvertida e às vezes pedia, por entre lágrimas, à sua filha que mostrasse mais sensatez em seu comportamento. 
Emily se rebelava ante tantos medos, mas sempre acabava obedecendo para não prejudicar a sua mãe, cuja conduta era irrepreensível. Embora às vezes ouvisse a proprietária da casa ou as suas filhas gritar-lhe e repreendê-la por algo, quando, na verdade, Katie era a perfeita servidora; para além de bonita e doce, um modelo de virtude. Não obstante, Emily nunca se sentiu muito próxima dela.
Quando fez doze anos teve a sua primeira menstruação e o seu corpo começou a adquirir formas arredondadas e desconhecidas até então, aí Emily foi confinada ao lugar mais escuro da sala de costura e das cozinhas. 
A sua mãe não queria que ninguém a visse, muito menos os membros da família; especialmente, os homens. Alertava-a continuamente para que não saísse da área de serviço, e quando viu um dos empregados das cavalariças segui-la com o olhar, deu ao pobre moço tal bofetão que ele não voltou a dirigir-lhe a palavra. Emily não entendia nada daquilo e tentava obedecer, embora sem compreender o porquê de tantos temores.
Naquela época foi quando conheceu Molly em Covent Garden, uma garota ruiva, filha de irlandeses também, que brincava às corridas e trapaceava perto do mercado com os seus irmãos e restantes parentes. Molly Graham era esperta e contava histórias divertidas. 
Ficaram logo amigas e quando deixavam Emily acompanhar as serviçais nas compras, sempre se encontravam para conversar. Molly era dois anos mais velha que Emily e aos quinze começou a trabalhar como camareira em um hotel da cidade. A jovem estava feliz porque conseguir um emprego em um lugar tão elegante tinha sido um favor feito especialmente a seu pai, mas entrar no Queen Hotel seria o começo da sua desgraça e a aproximação involuntária a Emily Gardiner.
Não estava nem há um ano trabalhando no hotel quando contou que tinha conhecido um homem, um cavalheiro que dizia estar apaixonado por ela. O homem, bem mais velho do que seu pai, era amável e muito generoso, um hóspede habitual, que logo começou a dar-lhe guloseimas e vestidos de presente e quando Molly contou à sua amiga, como confidência íntima, que tinha feito amor com ele, Emily abriu os olhos como pratos.
― E isso o que é?
― Não sabes?
Molly pôs-se a rir às gargalhadas, apesar de estar na igreja.
― Shiu!, que a minha mãe me mata. ― Emily olhou para a sua mãe, que rezava o terço de joelhos uns bancos mais adiante, e se benzeu ― Não, não sei.
― Amor físico, mulher. O homem coloca o seu..., já sabes, dentro de mim, por aqui. ― Fez um gesto que quase matou a sua amiga de susto ― E é delicioso... Não no início, mas depois, Deus bendito! É maravilhoso.
― O seu...? ― Não podia acreditar ― Que nojo!

Seu Conde de Natal

Nenhuma boa ação fica impune…

Para salvar a irmã caçula do escândalo, Philippa Sanders se aventura no quarto de um libertino — e em seu domínio. Agora, a sua reputação está por um fio e apenas um casamento apressado pode salvá-la. 
Será, o Conde de Erskine um libertino cruel, que todo o mundo acredita? Ou, Philippa descobrirá uma honra inesperada num homem famoso pelos os seus modos selvagens?
Blair Hume’s, o dissoluto Conde de Erskine, ficou de olho na intrigante Senhorita Sanders, desde que chegou na aborrecida festa.  Agora, um ato imprudente entrega a mulher sedutora em suas mãos, como um delicioso presente de Natal. O destino estar-lhe-ia oferecendo uma diversão fugaz? Ou será que este encontro, na véspera de Natal suscitará uma paixão para vida toda?

Capítulo Um

Hartley Manor, Wiltshire, Véspera de Natal, 1823 Com o coração acelerado, Philippa Sanders abriu lentamente a porta enorme de carvalho do seu quarto. Ela rezou para que ninguém surgisse no corredor com uma lamparina acesa e a pegasse num lugar, onde nenhuma dama de boa reputação deveria estar. Especialmente perto da meia-noite. 
Rápida e silenciosa como um gato, entrou no quarto sombrio e cuidadosamente fechou a porta atrás de si. Na quietude, o ruído seco do trinco ressoou como um tiro. 
A sua respiração ficou presa na garganta, e ela ficou parada e tremendo, esperando que alguém averiguasse o barulho. Mas, a casa antiga permaneceu em silêncio. Sugou o ar que desesperadamente precisava e repreendeu-se por ser uma marreca nervosa. 
O quarto, o qual sabia que seria, estava vazio. Antes de chegar ali, verificou que o Lorde Erskine permanecia no andar de baixo, festejando com os seus amigos bêbados. Se, tudo indicasse como nas últimas três noites, a sua predileção por aguardente continuaria até às primeiras horas. Isso deixou a Philippa, muito tempo para procurar os seus pertences sem perturbações. 
Esse pensamento fez muito pouco para acalmar os seus nervos. Se, alguém a pegasse sozinha no quarto de um cavalheiro, pior, um cavalheiro tão libertino, haveria um escândalo. Se, apenas as apostas não fossem tão altas. Se, apenas a sua irmã Amélia não fosse tão boba. Se, apenas Erskine não fosse um homem que tornasse as mulheres sensatas em parvas. 
Philippa suspiru e se afastou da porta. "Se, apenas" não ajudaria. Era imperativo que encontrasse e destruísse a carta comprometedora, que a sua irmã tinha enviado a Erskine, antes de seu noivado com o Sr. General Fox, que tinha sido anunciado ontem à noite. Então, Philippa afastar-se-ia dali e nunca mais pensaria sobre o devasso Lorde Erskine, novamente. 
Através da luz do fogo ardente na lareira, ela examinou seus arredores com atenção. 
O aposento era grande e luxuoso. Sua tia devia estar tentando Caroline, sua filha com cara de cavalo, em casamento. Dado o problema que o senhor libertino causou, Philippa quase desejou que o seu primo vil, fosse sobre ele. Nos últimos dias, o observou de perto. 
Não aprovava o seu olhar cínico e a forma como assumia arrogantemente, que qualquer coisa ao seu redor, desmaiasse com as suas palavras. No entanto, Philippa não seria feminina, em admitir que ele era um espécime espetacular de masculinidade. 
Estava preocupada que pudesse demorar muito para localizar a carta, ou que pudesse lavá-la com ele como um troféu, mas, o seu olhar imediatamente caiu sobre uma linda mala pequena de cor mogno deixada aberta no assento da janela. 
Mal podia acreditar na sua sorte. Com alívio, dirigiu-se para a janela. Então, de repente parou em um suspiro horrorizado, quando ouviu o guincho da maçaneta a girar. Senhor, salve-me…








27 de dezembro de 2017

A Senhora do Caminho

Os rumores de guerra pairavam sobre o afastado vale do Svatge. 

Os homens deveriam ir ao combate e Arianne tem que contrair matrimônio. 
Seu pai acordou suas bodas, mas ela se nega a obedecer, embora isso lhe custe o desprezo de seu pai e a ira de seus irmãos.
O desafio sairá muito caro. 
Ver-se-á presa sem mais opção que ceder, ou desfalecer em seu cativeiro. Entretanto, o destino dará uma volta e um novo pretendente exigirá sua mão e não admitirá desculpas.  Os enfrentamentos acontecerão entre ambos em um duelo entre atração e repulsa, paixão e dor, orgulho e amor.   Enquanto o reino treme atacado pelas intrigas, em Svatge articula-se outra dura batalha para conquistar o coração de Arianne.

Capítulo Um

O vento chegava do leste naquela noite.
Era menos gelado que o do norte mas também frio e fazia com que os clarins que anunciavam a mudança da guarda soassem longínquos e apagados. Eram muitos os muros que mediavam entre o pátio de armas e aquela esquina da muralha onde ela encontrava-se. Uma esquina onde o vento açoitava, com especial crueldade.
Arianne aconchegou-se mais em sua capa e deixou que o quente contato do arminho acariciasse seu pescoço. Fora estupidez dizer que não sentia frio. Acabava de começar o outono, mas naquele árido vale rodeado de montanhas, o inverno chegava antes que desse tempo de saborear o breve tempo de trégua.
O certo era que o frio não a incomodava, muito.
 Arianne estava mais do que acostumada a ele. No castelo os muros e mesmo o piso, eram de pedra, e os lugares não ficavam, jamais, aquecidos por mais lenha que se colocasse nas lareiras. 
O frio fazia parte dela, desde que tinha lembrança na memória. E em todo caso, que o inverno chegasse pontual, ano após ano, era algo que não dependia de Arianne e que por mais que odiasse-o não podia solucionar. Não, não era o inverno o que a preocupava naquela noite, ou ao menos, não só isso. Se fosse somente o inverno…
O vento trazia também outras vozes. Clamores de guerra e entrechocar de espadas. Levantava-se como um rumor surdo, mas crescente, e varria todo o reino e seus caminhos, das desertas planícies geladas de Langensjeen até as cálidas praias de Tiblisi, lá longe, no sul.
Era daquela região, que somente sabia-se o que contavam as canções dos histriões, que provinha o ramo materno de sua família, embora sua mãe tivesse nascido e criado-se no oeste, na corte. 
Possivelmente Arianne herdara dela essa desacostumada sensibilidade às baixas temperaturas, a qual os naturais de Svatge estavam, mais, que habituados. 
Sendo ou não esta a causa, Arianne a suportava tão estoicamente como os demais, e aquele violento vendaval não incomodava mais do que as primeiras nevascas, já muito próximas, incomodariam aos lobos, que neste inverno, como em todos os outros invernos, sairiam dos bosques para rondar por granjas e vilas, em busca de um alimento, que escasseava para todos. Ao menos, para todos os que não gozavam do amparo do castelo.
Os lobos, a fome e o frio… Como se esses não fossem já suficientes maus para que, por outro lado, os orgulhosos e néscios cavalheiros enfrentassem-se sem trégua, entre eles, e arrastassem à guerra, a tantos outros, atrás de si. 
Aldeias arrasadas, campos de cultivos queimados, pequenas cidades e vilas tomadas a sangue e fogo, somente pela absurda cobiça, o afã de saque e poder de poucos, com frequência vilmente justificados por antigas rivalidades que não faziam mais que crescer, com cada enfrentamento. 
O certo, era que Svatge não tinha motivos para preocupar-se com os saqueadores. Não era um vale fértil e generoso. Em suas ravinas só cresciam coníferas e lilases. Mais acima, ao norte, a terra era dura, também, e o inverno até mais extenso, mas sob suas montanhas encontravam-se as minas.
Minas e minas, montanhas inteiras forjadas em prata. Tanta, que dizia-se que os senhores daquelas terras possuiam palácios inteiros construídos nesse metal. Não, ali não havia prata, nem as terras eram férteis e proveitosas como no sul. O único valor que Svatge realmente possuía era o caminho. 
Assim fora sempre. O castelo de Svatge custodiava o único caminho existente em muitas milhas sobre o Taihne, um rio caudaloso, profundo e traiçoeiro que dividia o reino de Ilithya em dois. 
Era o caminho mais curto para chegar ao Ilithe, se algum assunto te requeresse na corte, a não ser que tivesse um navio a sua disposição e atracasse por mar, ou te aventurasse a confrontar os redemoinhos do Taihne em barcaça, ou estivesse disposto a cavalgar longas semanas através de estreitos atalhos de montanha.
Em qualquer dos casos, nenhuma dessas alternativas era a mais adequada para um acompanhamento numeroso, assim, se algum senhor desejasse fazer uma demanda ao rei e para isso se fizesse acompanhar de muitos de seus vassalos armados, antes, precisava contar com a benevolência dos Weiner. 
É que Svatge não era outra coisa, que uma fortaleza militar, uma última linha de defesa, sempre leal ao rei, porque do rei e do reino vinham todas as coisas boas das quais Svatge desfrutava.

26 de dezembro de 2017

Tesouros de Natal

Um pequeno Milagre

A caminho de um indesejado casamento além-mar, a nobre beldade francesa, Lady Tessa Dousseau reza por um milagre de Natal. 
Ela tem seu desejo atendido da forma mais inesperada, quando é sequestrada pelo devastadoramente viril pirata: Red Fox[1]. Entretanto, mares revoltos e mesmo um pirata ainda mais áspero, não podem impedir um milagre de acontecer.
 Capítulo Um

— Santo Jesus, Maria e José! — Anna Maria clamou, terror profundo brilhando em seus olhos cinzentos enquanto olhava as ondas brancas diante delas. — Aquele é um navio pirata; veja como a caveira balança solidamente em seu mastro! — Ela se benzeu uma vez, então de novo, e ainda mais uma vez. — Querido Senhor, nos salve! 
Tessa Dousseau, em pé com Anna Maria na proa do armado veleiro francês, Mademoiselle, estreitou seus olhos e olhou através das ondas, sentindo tremores de medo, excitação e o terror percorrendo sua espinha. 
De fato, o navio parecia ser um navio pirata, dirigindo-se até eles rápida e velozmente, independentemente das nuvens cinzentas, do céu ameaçador, independentemente das selvagens e temerárias ondas de pontas brancas, como se tivessem sido tocadas pela neve. 
O Mademoiselle era um bom veleiro, e enquanto estava sendo construído, pretendia-se que carregasse trinta canhões e uma tripulação de mais de cem marujos robustos para os operar. Mas, de alguma forma, ele deixou o porto com uma baixa de quinze canhões e dezenas de homens. 
Não houve tempo para equipá-lo apropriadamente, não com o inverno tão próximo de chegar. E, o pai de Tessa, o Conde de la Verre, estava muito determinado em que Tessa chegasse à ilha francesa de Dejere bem antes das festas de Natal – pois ela era, na mente dele, um presente para um amigo. 
Era quase primeiro de novembro agora, e eles estavam a menos de vinte e quatro horas de distância de seu porto. Enfrentando um navio pirata... 
— Oh, querido Deus, por favor! — Anna Maria começou novamente, e Tessa observou sua criada ajoelhar-se na proa do barco. 
Os dedos de Tessa se fecharam mais fortemente ao redor do arco de madeira do barco enquanto se lembrava o quanto ela rezou aquelas mesmas palavras, uma vez e outra, por todo o caminho em alto-mar. Querido Senhor, por favor. Querido Senhor, por favor... Ela tinha estado implorando e rezando para que um milagre a libertasse da barganha de seu pai. 
Dia após dia, hora após hora. Ela considerou pular no mar, não para tirar sua própria vida, mas para nadar para algum lugar distante na costa. Mas agora parecia que suas preces estavam prestes a ser atendidas, e da forma mais desagradável e aterrorizante. Havia um navio pirata vindo em direção a eles, estava equipado com uma bandeira inglesa – e uma outra com a caveira e os ossos cruzados – ambas tremulando fortemente contra o vento a partir do mastro do navio.
— Ladies!







A Eterna Coleção Barbara Cartland


1.Castigo de Amor
Meiga, tímida, Latônia estava quase desmaiando diante de lorde Branscombe. Os olhos acinzentados do homem brilhavam de ira quando ele gritou, sem piedade: “Você é uma mentirosa, uma mulher sem escrúpulos!” Latônia sabia queria ser castigada por culpa bem merecida. Por querela havia enganado o lorde, fingindo ser sua prima, e viajado com ele para a Índia? Agora, em meio à pompa e riqueza dos palácios indianos, a farsa foi descoberta. O pior é que lorde Branscombe escolheu um estranho castigo para Latônia: obrigou a moça ase casar com ele!

2.Coracao Roubado

Para fugir de uma ardente admiradora, Justin, o marquês de Veryan, escapou de Londres e foi se refugiar no seu castelo, ao sul da Inglaterra. Mas, em lugar de paz, o marquês foi envolvido por um mistério assustador! Objetos começaram a sumir, vozes estranhas atravessavam os salões, vultos corriam pelos corredores, colocando a vida de Justin em perigo! O pior aconteceu quando, uma noite, o marquês recebeu a visita de Ivana, sua bela vizinha…

3.O Duque e a Filha do Reverendo
O reverendo Aaron Galvine abandonou luxo e riqueza e, com sua filha Bianca, se dedicou à ajuda e conversão de humildes camponeses e homens fora-da-lei. Pobremente vestidos, alimentando-se mal, dormindo ao relento ou em precários celeiros, pai e filha começaram a sofrer as agruras da miséria. Foi nessa condição de penúria que o duque de Kingswood encontrou Bianca e seu agonizante pai. Condoído, levou a moca e o pastor para seu castelo. Bianca achava que o duque era um anjo vindo do céu... Mas logo ela iria descobrir que anjos não exigem o amor e a pureza de uma jovem inocente.

4.Os Caminhos Do Amor
Papai fez uma fogueira no jardim e queimou tudo que tinha sido de mamãe: vestidos, peles… Eu chorei, mas ele ficou rezando até ver tudo queimado. Depois me bateu, me flagelou para expulsar o demônio que vivia em mim. Porque, para ele, as mulheres são sacerdotisas do inferno! — Sophie dizia essas palavras, implorando ao jovem conde de Hawkshead que a levasse para longe do pai, homem enlouquecido pelo fanatismo religioso. O conde, ao ver como Sophie era atraente, decidiu levá-la para Paris. Mas o destino que a esperava também era muito triste e perigoso.

5. Seu Reino Por um Amor
Zita percebeu, de repente, que não estava sozinha. Ouviu passos e avistou um vulto no meio das árvores. Ficou aborrecida com aquela intromissão. Será que não tinha sequer o direito de sofrer em paz? Por que um estranho vinha perturbar a beleza daquele lugar que ela só gostaria de compartilhar com uma única pessoa no mundo? Enquanto hesitava entre ir embora ou fingir que não o via, o homem se aproximou. E Zita pensou que estava sonhando. Mas era o rei! Impulsivamente, sem pensar no que fazia, obedeceu ao coração. Correu para ele, esquecida de que Maximiliano só a desejava como amante. Esquecida de que ele era o homem destinado à sua irmã!

6. A Criada Misteriosa
Para salvar a vida do Conde, Giselda era capaz de qualquer sacrifício. Ferido na batalha de Waterloo, o Conde de Lyndhurst, corria grande perigo ao ter que amputar a perna… mas só com o cuidado de uma empregada jovem, bonita e cheia de segredos e mistérios, é que o salvariam de um terrível destino. Giselda, contratada como enfermeira eficiente, cuidou do Conde com infinita dedicação e carinho… um carinho que dará lugar, a um grande amor impossível entre eles.

7. Corações Em Jogo
Escondida em Baden-Baden, a cidade do jogo na Floresta Negra, Selina Wade procurava esquecer que tivera de matar um homem devasso para defender sua virtude. Protegida por Quintus Tiverton, um jogador sem dinheiro, tentava esconder de todos, ter fugido de uma casa de tolerância, onde seria obrigada a entregar seu corpo virginal a clientes pervertidos.
Mas seria frente às mesas de jogo, ao lado de gente viciada e dissoluta, que Selina iria finalmente, encontrar a paz e a felicidade? O que lhe reservaria o destino, ao lado de Quintos Tiverton ?

8. Violeta Imperial
No começo do século XIX, Napoleão se preparava para conquistar a Inglaterra e concretizar seu fantástico sonho de desfilar pelas ruas de Londres como o novo Imperador do Reino Unido. Foi naquela época de tensão e nervosismo que a família de Vernita, se viu perseguida em Paris.
Escondidos numa casa de cômodos, os pais da moça morreram de tristeza e inanição e para sobreviver, Vernita foi costurar para Pauline Bonaparte, a belíssima e devassa irmã de Napoleão e é então que nos luxuosos aposentos da Princesa, que Vernita se apaixona pelo Conde Axel de Storvik, o jovem amante de Pauline!

9. Uma Noite No Moulin Rouge

Paris do século XIX! Capital dos prazeres proibidos, reino de belas e desinibidas cortesãs que se exibiam no cabaret Moulin Rouge, cobertas de sedas e joias espetaculares, ao lado de seus ricos amantes! Foi nesse cenário deslumbrante de erotismo e boêmia, que Una Thoreau, recém-saída de um convento, foi procurar seu pai, pintor, no bairro de Montmartre, refugio dos artistas, e foi lá, numa sombria e velha casa parisiense, que Una abriu a porta de um quarto, esperando ver seu pai e foi agarrada por um desconhecido! Não adiantava gritar… Una estava sozinha em Paris. Quem poderia salvá-la?

10. Vingança Do Coração
As águas do rio Sena brilhavam freneticamente, refletindo o brilho fantástico das luzes de Paris. Lágrimas também brilhavam nos olhos de Nádia, mostrando a dor de seu jovem e sofrido coração. O Sena a chamava, prometendo-lhe no gozo de suas águas o fim das perseguições, tentando seduzi-la com a volúpia de seu misterioso beijo da morte. De repente, um homem a agarrou! Nádia sentiu que seria difícil libertar-se daqueles braços fortes, daqueles olhos negros que a dominavam, com doce e surpresa censura...


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pelo título: A Eterna Coleção Barbara Cartland

22 de dezembro de 2017

Uma Promessa de Natal

O conde de Falloden herdou pesadas dívidas, juntamente com o seu título, 14 meses antes do início do livro.

Ele tem poucas chances de pagá-las.
Mas então, a ele é dada a chance de ter todas as suas dívidas canceladas caso se case com a filha do homem que as comprou. 
Sr. Transome, um imensamente rico comerciante de carvão, está morrendo e quer garantir para sua filha um casamento seguro antes que ele se vá.
O conde é obrigado a aceitar, mas jura silenciosamente fazer sua conivente noiva sofrer, como recompensa pela ambição da jovem.
Eleanor Transome, entretanto, está horrorizada com o que seu pai arranjou, mas ele está morrendo e ele é tudo no mundo para ela. Como poderia recusar o seu último pedido? Ela concorda em se casar com o Conde de Falloden, mas em particular, promete fazê-lo sofrer, como recompensa pela cínica ganância dele.
Não é um início auspicioso para um casamento. Mas o Natal está chegando e o conde convida alguns amigos para passa-lo no campo, e diz à Eleanor que ela pode levar seus próprios convidados.
No entanto, ele não especifica um número, e logo descobre sua casa invadida e transbordando com a voz alta, talvez vulgar, mas totalmente calorosa dos Transome.

Capítulo Um

O conde de Falloden olhou para o cartão de visita que descansava na bandeja que seu mordomo segurava estendida em direção a ele. Franziu a testa.
— Sr. Joseph Transome, comerciante de carvão — disse ele — Por que diabo é que um comerciante de carvão gostaria de falar comigo? Você não poderia ter resolvido o problema dele e o mandado embora, Starret?
O mordomo e o valete do conde trocaram um breve olhar. — Ele foi muito insistente, Milorde. Ele declarou que não poderia divulgar o propósito de sua visita a ninguém, senão ao senhor. Quer que eu diga que não se encontra em casa, Milorde?
—Sim— o conde disse, irritado, apontando para que seu criado lhe entregasse a gravata. Ele tinha acabado de voltar de um passeio matinal no parque que não tinha feito nada para afastar a melancolia de sua mente - embora sabia que nada seria capaz de afastá-la. E ele não estava com humor para visitantes.
O mordomo se curvou em uma profunda reverência e se virou para sair do quarto de vestir do seu mestre.
—Espere! — Disse o conde. Ele parecia ainda mais irritado enquanto amarrava a gravata com um nó precipitado e simples, apesar dos lábios apertados de seu valete em desaprovação. — O homem é respeitável, Starret? E ele veio até a porta da frente?
—Ele chegou em uma carruagem equipada com quatro cavalos, Milorde — disse o homem.
O conde arqueou as sobrancelhas. —É melhor eu ver o que demônios ele quer — disse ele. — Leve-o até o salão, Starret.
— Sim, Milorde. — O mordomo inclinou-se novamente antes de se retirar.
— Um comerciante de carvão — disse o conde para o criado, olhando-o através do espelho. — O que acha que ele quer, hein, Crawley? Oferecer-me que mude de fornecedor de carvão para o inverno? E quem é que me fornece, em todo caso? Bem, eu suponho que deveria descer e satisfazer a minha curiosidade. Ele veio até a porta da frente chamando a mim em vez de ir para a parte de trás chamar a Sra. Lawford. Interessante, você não diria?
Mas ele não esperou por uma resposta. Saiu do quarto e desceu as escadas passando pelo corredor, em sua casa da cidade, em Grosvenor Square. A melancolia de uma manhã de novembro tornou quase necessário ter as lamparinas acesas, ele pensou enquanto atravessava o corredor e esperava por um lacaio para abrir as portas duplas que davam no salão. Era um dia inteiramente de acordo com o seu estado de espírito geral.
Sr. Joseph Transome, comerciante de carvão, parecia um legítimo burguês, pensou quando o homem se afastou da janela, enquanto as portas se abriam. Ele estava tão bem e tão ricamente vestido como o próprio conde, e bem mais elegantemente, sendo sincero. O conde não tinha sido capaz de dar-se ao luxo de manter-se na moda no ano passado, embora a maior parte desse tempo, tinha passado vestindo luto de qualquer maneira. A única crítica que ele poderia fazer à roupa do comerciante, era que tudo parecia, pelo menos dois tamanhos maiores do que deveriam ser. Ele era magro e anguloso, com um rosto bicudo acentuado, a partir do qual os olhos muito escuros e muito grandes olhavam atentamente para seu anfitrião.
O conde assentiu para ele. — Eu sou Falloden — Disse ele. — O que posso fazer por você? 

20 de dezembro de 2017

O Feitiço

Século XXI: Anaís, britânica e leitora inveterada de romances, acabava de terminar seu relacionamento com Jacob por uma infidelidade deste. 
Para animá-la, sua amiga Jane levou-a a uma noite de festa. 
E com algumas bebidas a mais, terminam em um tarô fazendo um feitiço de amor para Anaís, para atrair sua alma gêmea.

Século XVIII: 
Neilan é um escocês que foge dos casacas vermelhas após sobreviver à batalha de Inverness. 
Em sua fuga, cai do cavalo, exausto, e encontra uma mulher misteriosa que lhe oferece uma mudança de vida. Desesperado, bebe uma poção mágica, sem saber que vai despertar no século XXI, no jardim de Anaís, tonto e confuso.O primeiro encontro entre os dois vai ser caótico. Quem não fugiria correndo ao encontrar um escocês armado com uma espada?
Após os primeiros mal-entendidos compreendem o que aconteceu. Neilan permanecerá 27 dias no nosso tempo, a duração dos efeitos do feitiço, e a convivência com uma moça do século XXI não será fácil. No entanto, juntos eles embarcam em uma viagem que irá mudar suas vidas, percebendo que são feitos um para o outro e conscientes que seu tempo juntos está se esgotando.
O que irá acontecer uma vez que a magia se dissipe? Será que o amor consegue ultrapassar as barreiras do tempo?

Capítulo Um

Fort William, Escócia , 20 de abril, 2018
Anaís Stewart estendeu sua mão para o jovem cliente que acabava de atender.
― Assim que tenha a sentença o notificarei. ― Pronunciou amável.
O rapaz aceitou e partiu completamente angustiado. Sabia que não se livraria, seguro que o condenavam a pagar uma multa. Não pretendia dirigir com uma taxa tão elevada de álcool, conduzir e ficar impune. Se tivesse sido a primeira vez que lhe ocorria, possivelmente o juiz teria sido mais benevolente, mas o rapaz, em seus vinte e dois anos, acumulava já seis antecedentes pelo mesmo crime.
Anaís passou a mão sobre o rosto, atormentada, e olhou o relógio. Era quase uma hora depois do meio-dia e sem nada no estômago.
Ela amava seu trabalho, com vinte e seis anos de idade podia se orgulhar de ser uma jovem advogada que trabalhava para um escritório de prestígio em Fort William. Como havia dito, desfrutava de seu trabalho, mas ele a esgotava mentalmente. Muitas lamentações, muitas vidas destroçadas que não pareciam se empenhar em melhorar. Detestava a decadência de toda aquela gente.
Caminhou pelos corredores do tribunal, pensando em todo o trabalho que tinha acumulado no escritório. Ao menos era sexta-feira e poderia desfrutar de um fim de semana tranquilo, era a única coisa que necessitava, inundar-se em um tolo filme romântico ou novela que a levasse a lugares plácidos, onde era feliz, onde sempre triunfava o amor.
E falando de amor. Seu olhar colidiu diretamente com aqueles olhos cor de mel que a observavam intrigados. Jacob vestia seu impecável terno cinza, com uma gravata vermelha carregando-o de força. Seu cabelo loiro dava um aspecto infantil.
Ele acenou enquanto falava com os clientes e Anaís seguiu o seu caminho. Não queria falar com ele, nem sequer queria vê-lo. Ela se disse inúmeras vezes que devia superar isso, que a vida seguia e que ainda tinha tempo suficiente para encontrar o amor, mas a lembrança do que tinha vivido com ele a entristecia. Entristecia? Bom, melhor dizendo, a irritava, ele fazia sair toda a fúria que levava dentro de si. 
Sim, ele tinha sido seu grande amor desde o início da faculdade de direito, mas também sua maior decepção. Após seis anos de relacionamento, Jacob tinha decidido que ela já não era suficientemente boa para ele, no entanto, sim o era a secretária do escritório onde trabalhava, uma mulher de formosas curvas, magra, loira, olhos claros… Justamente o oposto dela. Uma garota de estatura mediana, cabelos castanhos e ondulados. Ao menos, podia se orgulhar de ter os olhos mais azuis que aquela raposa.
Alegrou-se quando Jane, sua melhor amiga, havia informado que Jacob tinha deixado aquela mulher explosiva, mas ela ficou surpresa quando, pouco depois de receber a notícia, Jacob parecia voltar a aproximar-se dela.
A única coisa boa que tinha tirado daquela relação era seu cachorro Pluto, que queria com loucura. Um pequeno Yorkshire que Jacob tinha lhe dado fazia pouco mais de dois anos.
― Oh, não, agora não. ― Sussurrou observando como Jacob se despedia de seus clientes e se dirigia em sua direção apressado.
Estalou a língua e seguiu caminhando como se nada tivesse acontecido, até que ele se interpôs em seu caminho. ― Boa tarde, letrada!

16 de dezembro de 2017

Presente de Natal

Contos
O melhor Natal de todos.

Tudo o que Anna mais quer de presente de Natal é uma nova mamãe. 
Ela não pode dizer seu pedido em voz alta, é claro. 
Não só porque ela deixou de falar desde que viu sua mãe morrer afogada quando tinha 3 anos, mas porque sabe que se contar seus desejos, eles não se realizarão. 
será atendido.



Capítulo Um

Então, ela faz sua prece silenciosa e fervorosa diante da lareira com a esperança de que seu desejo 
Na véspera do Natal, Anna desce para a sala juntamente com as outras crianças,certa de que encontrará seu presente:Sua nova mamãe, uma senhorita de modos brandos, roupas simples, um rosto gentil e um cheiro maravilhoso de violetas. 
O Natal chegou adiantado para Anna, e promete ser o melhor de todos.
Edwin, visconde Radbrook, está desesperado para saber o que sua filha deseja de Natal, mas tem como empecilho o fato de ela não emitir nenhum tipo de som. 
Está ciente também de que precisa providenciar uma nova mãe para a menina, sem demora. Ele pôs seus olhos na jovem Roberta, que conheceu em Londres e que fora convidada a passar o Natal com sua família. Lorde Radbrook não espera, contudo, que a sombra da mulher que ele amou no passado ameace todos os seus planos com seus modos irritantemente comedidos capazes de encantar sua filha... E a ele também.
Emma se considera uma solteirona relativamente satisfeita com a vida. 
A contragosto, ela aceita passar o Natal com a família da cunhada, pois assim terá a oportunidade de rever seus sobrinhos.
Seu plano é passar completamente despercebida, mas é rapidamente frustrado quando ela estranhamente ganha o carinho e atenção de uma adorável menininha. 
A filha de Edwin, o homem que ela rejeitara nove anos antes. O carinho de Anna acaba por despertar em Emma todos os sonhos abafados durante todos aqueles anos de solidão.

Um Beijo de Natal

Enganada, tendo que passar um tempo sozinha com o seu marido, que deixou claro que não se importava com ela, a condessa de Blackgrove.

Amelia, não tinha ideia de como deveria reagir...Mas Stephen só queria sedução... E amor.








Capítulo Um 

A carruagem atravessou o portão de Hillbury Castle e Amelia mal conteve o estremecimento que ameaçava atravessar o seu corpo. 
O caminho até o edifício era tão longo que levaria mais de um quarto de hora antes de chegarem à porta... Antes que ela fosse forçada a encarar seu pesadelo. 
— Você está muito pálida, Lady Blackgrove —, sua jovem criada de longa data, Helen, disse. — Você se sente bem? Amelia se moveu na carruagem. Com qualquer outro servo, ela seria reticente em falar a verdade, mas Helen não era uma criada habitual. As duas tinham crescido juntas. Considerava Helen como uma amiga, mesmo que o ato de ser uma criada e uma lady as separavam um pouco, como era apropriado. — Eu admito —, Amelia disse lentamente. — Eu não estou ansiosa para essa tarefa humilhante. Helen estendeu a mão para segurar brevemente a de Amelia. 
— Eu espero que não seja tão ruim quanto tudo isso. Amelia respirou fundo. 
— Como não poderia ser? Eu fui convocada para a casa de campo do meu marido, um marido de quem estou afastada à seis meses, para preparar uma mentira, uma Festa de Natal que reunirá as nossas famílias. Ser obrigada a isso é desagradável. 
Ela virou o rosto e olhou para fora, enquanto a carruagem movimentada atravessava as densas e bonitas florestas por alguns instantes. Ela não pôde deixar de pensar na última vez que ela tinha visto Stephen. Tinha sido um dia após o seu casamento ... e a noite de núpcias deles. 
Ela ainda estava gozando de sua sorte de possuir o ardor do homem que ela amava introduzindo seu corpo a tais prazeres e então… Então ela descobriu a terrível verdade sobre ele. 
— Minha senhora! Amelia estremeceu com o tom agudo de Helen, e descobriu que sua criada estava-lhe segurando um lenço bordado branco. Ela corou quando percebeu que uma lágrima tinha escapado de seus olhos e estava escorrendo por sua bochecha. 
— Pelo menos eu estou chorando na segurança de minha carruagem —, ela murmurou enquanto enxugava a lágrima errante. — Eu certamente não gostaria de chorar na frente dos criados dele para que eles me denunciassem assim que ele chegar na próxima semana. Helen assentiu. 
— Você é forte, minha senhora. Você vai dominá-la. 
— Eu irei —, Amelia concordou. — Eu tenho a obrigação. Pelas nossas famílias e pelas próximas comemorações. Certamente não deixarei que lorde Blackgrove veja que a falta de seu afeto causa-me qualquer dor. Por sorte, eu tenho sete dias para garantir que eu consiga esconder a amarga verdade. Helen parou de olhar para ela, e agora olhava pela janela da carruagem. Seu rosto ficou de repente pálido e os olhos ficaram arregalados. 
— Minha senhora —, ela começou a falar, então interrompeu-se. Amelia enrugou a testa com a óbvia consternação da criada. — O que aconteceu? 
— É... é… — Helen apontou para a janela, quando a carruagem parou. — É ele! 








14 de dezembro de 2017

O Prisioneiro da Torre

Depois de doze longos anos, uma viúva e um conde cínico foram reunidos contra todas as probabilidades. 

Mas quando o passado ameaça destruir sua recém encontrada felicidade, poderia o amor ser suficiente para salvar esse homem marcado pela guerra e uma longa vida de solidão?







Capítulo Um

― Mas certamente você pretende conhecê-la?
― Se ela for sua escolhida, Jamie, eu prometo que eu ficarei bem satisfeito.
Houve um breve silêncio. Alex Leighton, o nono Conde de Greystone, forçou o olhar a permanecer na página impressa que estava lendo. Ele sabia que seu irmão estava tentando formular algum pedido, um que não ofenderia, por sua presença quando as visitas chegassem. Ao longo dos anos, Greystone tornou-se bastante habilidoso em negá-los, não importa o quão bem intencionado fosse. Como seria Jamie, é claro.
― Se ela for se tornar minha esposa…
As palavras de seu irmão se arrastaram para o silêncio. Dessa vez ele olhou para cima, pacientemente esperando pelo que ele sabia que estava vindo.
― Se todos nós formos viver na mesma casa…
Novamente suas palavras vacilaram. Alex resolveu ter piedade de seu irmão, que realmente era o melhor dos irmãos e que tolerava mais dele do que ele tinha o direito de esperar.
― Perdoe-me. Eu pensei ter-lhe dito, ― ele disse. ― Estou me mudando para Wyckstead.
― Para Wyckstead? ― a voz de Jamie aumentou ao final do nome, como se seu irmão tivesse anunciado que estava mudando-se para uma caverna. ― Ela é só um pouco maior que uma cabana de caça.
― E vai combinar perfeitamente comigo. Os estábulos estão bons, e há bastante espaço para os meus livros.
― Isso não vai servir. Eu não vou permitir, ― Jamie disse decididamente. Seu belo rosto ganhou cor como acontecia quando ele ficava de mau-humor.
― Perdoe-me, ― Greystone disse suavemente, jogando uma das cartas que ele raramente usava, mas uma que seu pobre irmão não poderia derrotar. ― Eu descobri que não tenho vontade de viver aqui com você e sua recente noiva bonita.
Jamie corou ainda mais forte. Sua boca finamente moldada se abriu uma vez, mas como não havia nada para ser dito sobre seu razoável desejo, ele sabiamente não disse nada.
― Quando eles chegam? ― o conde perguntou. Não porque ele se importava, mas para quebrar o silêncio constrangedor.
― Essa tarde, ― seu irmão disse rigidamente. ― Se eu soubesse que você desaprovaria.
― Você me entendeu mal. Eu não tenho nenhuma objeção para essa festividade. Essa é sua casa, Jamie. Você pode se divertir nela sempre que desejar. Contanto que você não espere que eu seja o anfitrião. Certamente você me conhece melhor que isso.
O silêncio que respondeu a esse estratagema igualmente imperdoável foi, felizmente, mais de teimosia do que constrangedor.
― Eu pensei que você gostaria de conhecer a mulher com a qual eu pretendo me casar.
― Eu não posso imaginar por que você deveria, ― Alex disse, sorrindo para ele levar a picada da repreensão.
― O que eu devo dizer a eles sobre sua ausência?
Foi óbvio pela sua pergunta que Jamie havia cedido.
― Que eu fui para Paris? ― Greystone sugeriu, sorrindo.
Seu irmão levantou uma sobrancelha em um gesto de “eu-não-estou-me-divertindo”, um que o conde reconheceu como uma cópia do seu próprio.
― Não? ― ele respondeu. ― Então diga a eles que eu estou indisposto. Se eles forem mal-educados o suficiente para questionar isso, talvez você deva repensar sua proposta.
― Eu queria sua aprovação.
― Você a tem desde que eu coloquei você em seu primeiro pônei e você falhou e caiu. Agora, vá recepcionar suas visitas e me deixe em paz, por favor.
― Eu venho te ver depois, ― Jamie prometeu, com seu sorriso restaurado.
― Eu acredito que eu estarei em Paris, ― o Conde de Greystone disse, voltando sua atenção para o livro em seu colo.
Seu irmão riu. Então Jamie tocou seu ombro em despedida, antes de atravessar a porta exterior da sala de estar do conde, que estava localizada na parte mais antiga da casa.
Os olhos de Alex continuaram olhando para baixo, até que o som dos passos de seu irmão desapareceram através do chão de pedra da casa. Somente então, ele colocou seu livro de lado e inclinou novamente sua cabeça na cadeira.
Ele nunca ficava confortável quando havia pessoas de fora em Leighton. Mesmo sem encontrá-los, ele sempre estava consciente de sua presença. Ter alguém mais em casa perturbava o calmo curso de seus dias. E a solução seria se mudar para Wyckstead.
Ele abriu os olhos, olhando em volta para os objetos bem amados com os quais ele havia preenchido essa sala. Seus livros e suas armas, as poucas lembranças de amigos e lugares que ele tinha escolhido manter.
Seu mundo. Um que ele quis, que ele desejou, escolheu manter inviolado. A propriedade e tudo que contém nela eram seus e iriam ser até a sua morte.
O que ele disse ao Jamie, entretanto, não era nada além da verdade. Ele não tinha nenhum desejo de viver aqui com seu irmão e a esposa dele. Muito melhor uma breve interrupção do seu ambiente, que uma inveja devagar e fervorosa da felicidade que tão sinceramente desejava para eles.
― E não importa o que você faça, Emma, ― seu cunhado disse pela décima vez, ― não divague.
― Emma nunca fica divagando. 


12 de dezembro de 2017

A Noiva de Outro Homem

Numa época em que mesmo os santos enfrentam as chamas, as visões de Isabella Beaufort lhe dão boas razões para ter medo. 

Ela tenta desesperadamente manter seu dom em segredo, mas quando murmúrios correm pela corte inglesa de que o rei Henry foi enfeitiçado, a única esperança de Isabella é fugir para o norte para um casamento arranjado por sua prima, a rainha Joan da Escócia. Ninguém nas Highlands tem mais razão para odiar o rei escocês do que Colyne MacKimzie. Conspirando com os inimigos do rei James na corte, Colyne promete impedir a lady inglesa de alcançar seu noivo e espera um resgate elevado para sua liberação. 
Enquanto mantém Isabella cativa, Colyne descobre o segredo dela, mas agora ele está escondendo um dos seus próprios ― ele não pode suportar ser separado desta assombrosa mulher encantada de olhos escuros. Colyne sabe que sequestrar a prima da rainha é uma coisa, mas mantê-la atrai a ira dos homens mais poderosos da Escócia.
Caindo sob o feitiço do líder, Isabella é atormentada por visões de Colyne matando o rei James ― e a ela também. 
Os esforços frenéticos de Colyne e Isabella para alterar o futuro que ela vê, apenas desviam seu caminho para mais perto do infame assassinato de um rei. 
Quando os homens do rei pegam Colyne, Isabella deve submeter-se a seu casamento arranjado para salvá-lo, mesmo quando os conspiradores se levantam para tomar o trono escocês. Entrelaçado com eventos históricos reais, A Noiva de Outro Homem é um apaixonado conto de magia, intriga de corte e um amor que mesmo o destino é impotente para quebrar.

Capítulo Um

Escócia, Outubro de 1436. A floresta desapareceu.

As brilhantes folhas de outono, o caminho enlameado, a bonita crina cinzenta de seu palafrém, Sir William à frente dela em seu cavalo preto ― tudo desvanecido no nada. E então Isabella não estava mais andando, o ar gelado das terras altas escocesas pinicando suas bochechas, mas estava inteiramente em outro lugar...
As paredes se estilhaçaram. As damas de companhia precipitando-se retornando, seus rostos distorcidos com gritos. Onde estava Kat?Ele se virou, uma silhueta alta contra o fogo. Ela o conhecia!
Isabella ergueu o braço para evitar o golpe. Ele baixou a faca...O mundo voltou ao foco. Liberada da visão, Isabella se agarrou ao cabeçote da sela de Cobweb. Seu próprio grito ― primordial e cru ― ecoava ainda nos bosques em torno deles.
― Defendam sua lady! ― Sir William gritou para os guardas.
Isabella se atrapalhou enquanto procurava adquirir o equilíbrio suficiente para ficar em seu cavalo. A transpiração brotou sobre sua testa e acima do lábio superior, apesar do frio.
O cavalo de guerra sacudiu a cabeça enquanto William incitava seu cavalo em posição de protegê-la. 
O cabelo prateado do cavaleiro captou a luz enquanto ele examinava a floresta, com a espada pronta. Os guardas contratados também tinham suas armas desembainhadas, olhando tensamente para a floresta.
Tremendo, Isabella enxugou sua testa com o dorso de sua mão enluvada. Uma visão vibrante e clara às vezes a incitava a murmurar um nome ou sorrir em resposta, mas nenhuma visão antes havia sido como essa.
Sangue de Deus, eu realmente gritei?
A floresta estava silenciosa e imóvel. Depois de um tempo William embainhou sua espada.
Ele trouxe o cavalo para o lado do dela, seu cavalo de guerra muito mais adequado ao caminho rochoso do que seu bonito palafrém. 

Não havia estradas nesta parte de Perthshire. Seu pequeno grupo só podia viajar tão rápido quanto a carruagem, transportando Katherine, e as carroças ― carregadas com as roupas, jóias e objetos de valor do dote de Isabella ― permitiam.
O cavaleiro tinha a aparência rústica de um homem que passara a vida inteira ao ar livre, e suas bochechas coradas o mostravam saudável apesar de seus sessenta e poucos anos. Suas finas roupas, agora desgastadas da estrada após dias de cavalgada, o declaravam um nobre de algum modo.
Ele olhou ao redor do bosque uma última vez, em seguida virou seu cenho franzido para ela. O nariz em gancho de William, avermelhado pelo frio, era proeminente em seu rosto, e seus olhos gentis, quase tão escuros quanto seu cavalo, estavam confusos.
Isabella engoliu com dificuldade. A meia dúzia de guardas contratados olhava fixamente para ela, suas expressões uma mistura de confusão e aborrecimento.
Isabella mal conhecia os homens que a escoltaram para o norte para se juntar a seu noivo na corte. Mesmo Sir William, encarregado por sua prima, a rainha Joan, de trazê-la com segurança para a abadia de Blackfriars, onde o rei pretendia passar o Natal, era apenas um pouco mais do que um conhecido.
Katherine, com os cabelos escuros sob o véu com alguns fios prateados, se inclinou entre as cortinas da carruagem para olhá-la com um rosto pálido e ansioso.
O cenho franzido de William se aprofundou quando ele notou seu aperto na sela de Cobweb.
― Por que você gritou, minha lady? Eu não percebi que seu cavalo tropeçou.
Inesperadamente a mente dela retrocedeu para anos atrás, para Rouen e a garota francesa que os ingleses enviaram para morrer gritando nas chamas...
Apesar de anos como dama de honra na corte inglesa, sua língua de cortesã falhou e ela conseguiu emitir apenas um som fraco e estrangulado.
― Minha Lady Isabella, você está bem?
― Louco! ― Exclamou Katherine. ― Claro que ela não está bem!
Kat empurrou para o lado as cortinas e tentou descer da carruagem. Ela lançou um severo e zangado olhar para o guarda mais próximo dela.
― Maldito plebeu! Ajude-me!
  
  







10 de dezembro de 2017

O Casamento Pagão

Série Cavaleiros de Ware
Quando Sir Noёl de Ware vem da França para reivindicar sua noiva ― a mais bela herdeira das Terras Altas ― ele tem certeza de ter recebido o melhor presente de natal... até que ele descobre que a moça com quem está casado e na cama, não é a irmã certa.

Ysenda de Rivenloch nunca pretendera ser uma noiva falsa, e quando começa a se apaixonar por seu belo marido, fica presa em sua própria decepção.
Somente o amor verdadeiro e um desejo de natal podem definir as coisas de forma direta e conceder-lhes um final feliz.

Capítulo Um

Época do Natal, 1199
Ysenda odiava a época do natal.
Ao seu redor, o clã celebrava com banquetes e aplausos. O animado festejo encheu o grande salão. O riso e a música ecoavam pelas vigas. Ainda assim, ela franzia a testa para o copo de madeira meio vazio.
Sua aversão não tinha nada a ver com a ceia.
Quem poderia reclamar sobre a comida suntuosa que cobria a mesa a cada noite de natal? Esta noite havia uma cabeça de javali suculenta, carne de carneiro defumado, veado assado, poção de coelho, berbigão, avelãs, queijos e copos infinitos de cerveja de inverno.
Ela nem se importou com a alegria bêbada que inevitavelmente seguiu.
Canções estridentes expulsaram a tristeza. Rapazes fortes agarravam as meninas risonhas. A música de flautas, harpa e tambores enchia o ar. A dança barulhenta encorajava o retorno do sol após o solstício.
Os ramos de azevinho decorando o salão pareciam reconhecidamente festivos. Da mesma forma, a hera cobria a grande lareira. O visco pendia em todas as portas para a boa sorte.
As velas de sebo luminosas colocadas sobre a sala, faziam com que os feixes de madeira áspera parecessem aconchegantes e acolhedores ao olhar.
Por uma vez, apesar de estar lotado com as pessoas se acotovelando, ninguém do clã estava brigando. Todos estavam recém-banhados, sorridentes e vestidos com a melhor roupa.
Mesmo Ysenda fez um esforço. Ela se banhou em água perfumada com lavanda, e lavou sua túnica de linho até ficar tão branca quanto a neve lá fora.
Em cima disso, ela usava seu melhor vestido de lã cinza suave. Escorrendo por sua cintura e em seu peito tinha um manto de xadrez cinza claro, preso no ombro com um broche de prata. Seu cabelo castanho normalmente rebelde, estava preso na coroa por duas tranças estreitas, amarradas na parte de trás com uma fita e levemente perfumado com mais lavanda.
Ela se sentia bonita... quase tão bonita quanto sua irmã.
― Caimbeul! ― Do outro lado do salão, acima dos seus amigos gritando, um dos muitos rufiões entediados agarrou uma moça pelo braço e gritou para o irmão mais velho de Ysenda.
― Caimbeul! Por que você não dança com Tilda aqui?
Ysenda enrijeceu quando Tilda se afastou com um rubor horrorizado. Todo mundo riu.
Era por isso que ela odiava as festas de natal.
Ao lado dela, Caimbeul sorriu da brincadeira. Mas Ysenda sabia que estava morrendo por dentro. Ele queria tanto se encaixar, ser como eles.
Na maioria das vezes, ele podia fingir que era. Na maioria das vezes, Ysenda esquecia que ele era diferente. Quando os dois estavam sozinhos, ele parecia tão bem feito e apto como qualquer homem.
Foi só quando eles foram forçados a aparecer publicamente, como na festa do natal ― sentados ao lado de sua irmã e pai como se nada estivesse errado ― que sua diferença ficou dolorosamente clara.
Uma vez que a multidão se reuniu e a cerveja estava fluindo, as provocações e as risadas começaram. E para a desonra de Ysenda, seu pai, Laird Gille, não fez nada para evitar a zombaria.
Por que ele iria? O laird tinha desaprovado seu filho deformado à primeira vista. Na verdade, a única razão pela qual ele deixara o menino viver, foi porque Caimbeul tinha seis meses de idade quando o laird voltou para casa de suas viagens e, então, colocou os olhos sobre ele.
A feroz mãe de Ysenda, descendente das infames Damas Guerreiras de Rivenloch, ameaçou a vida do laird se ele tocasse num fio de cabelo de seu precioso filho.
Ao lado dela, Caimbeul suspirou e abaixou seu bolo de aveia meio comido. Ysenda seguiu seu olhar. Um grupo de crianças brincavam ao lado da lareira. Imitando seus irmãos mais velhos, eles estavam se divertindo com o personagem coxo, caracteristica de Caimbeul.
Ela apertou sua adaga enquanto comia e murmurava:
― Aqueles filhotes de carneiros. O que eles acham que estão fazendo?
Ele deu uma risada triste e indulgente. ― Eles são apenas crianças, Ysenda. Eles não conhecem nada melhor.
― Oh, eu ficaria feliz em ensiná-los, ― disse ela entre os dentes. ― Talvez eu os cuspa e os asse lentamente sobre o fogo de natal.
Isso o fez sorrir. ― Ah, soa como a nossa mãe.
― É desrespeitoso, ― ela insistiu. ― Você é o filho do laird.
Na verdade, ele era o único filho do laird. O primogênito. Ele deveria ser o herdeiro do clã. Mas ele também podia ser invisível. Sua presença era esperada nas festas de férias quando o clã inteiro enchia o salão. Ele foi autorizado a sentar-se ao lado de Ysenda quando o laird sentou-se entre suas filhas. Mas Laird Gille não lhe deu atenção. Poderia ter tido uma parede de milha-alta entre Caimbeul e seu pai.
Ainda assim, foi insensível por parte de Ysenda lembrá-lo disso. Ela instantaneamente se arrependeu de suas palavras.Para corrigir e aliviar o humor novamente, ela deu a Caimbeul uma piscadela conspiratória. Então, quando seu pai não estava olhando, ela usou sua adaga para roubar uma fatia de javali da trincheira do laird, deixando cair sobre o de Caimbeul. Caimbeul sorriu e cavou dentro.
Ysenda não pôde deixar de sorrir de novo. Como alguém podia ignorar o gentil humor nos macios olhos castanhos de Caimbeul ― sua bondade, sua lealdade, sua natureza doce, ― ela não sabia. Ela supôs que a maioria das pessoas nunca viu além de seu corpo aleijado.
Chamá-lo de Caimbeul, que significava boca torta, tinha sido educado. Para ser honesta, parecia que não havia um osso em seu corpo que fosse reto. Suas costas estavam encurvadas.
Sua espinha tinha a forma de uma cobra se arrastando. Seus quadris eram torcidos. E um ombro era mais alto que o outro. Em cada ano que passou, sua deformidade piorou, como se as garras cruéis de um dragão se fechassem lentamente ao redor dele, deixando seu corpo mais torcido e inútil.
  
  









Série Cavaleiros de Ware
0.5- Cavaleiros de Ware
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