27 de julho de 2014

Ela é Minha






Ela é minha! 

Era isso o que Anthony McKlain desejara gritar, mas deve ocultar no coração aquele amor. 

Os segredos e as mentiras conspiram contra ele, fazendo-o acreditar que é impossível ama-la, e, mesmo assim, Anthony está disposto a dar a vida por ela, porque prefere morrer por amor a viver sem tê-la.
Uma história de amor cheia de segredos, laços de sangue, intriga e paixão, enfeitada com a magia das terras escocesas.         

Comentário revisora Hija de La Luna: Gostei dessa autora, – apesar de nunca ter ouvido falar dela - pois ela escreve bem, não deixa pontas soltas e trata do assunto magia com muita leveza. Foi um verdadeiro prazer traduzir e revisar este livrinho... Aliás, o Anthony é uma graça... Um TDB de primeira! E aqueles votos, o que foi aquilo?! Meu Deus... Só lendo para saber do que se trata. Recomendo a leitura, pois este é mais um histórico de qualidade. Beijos.

Capítulo Um

O sol começava a descer no horizonte e o vento não mexia o capim das pradarias porque não havia capim, não havia pasto. O inverno ainda não havia chegado ao fim. 
Aquele ano parecia ter se demorado nas highlands um pouco mais. O vento frio e as nuvens que ameaçavam tormenta não queriam abandonar aquelas terras. 
Algo continuava retendo-as um pouco mais, e Anthony McKlain sabia o que era esse algo, quem era esse algo, no entanto, o que não sabia, e isso o preocupava, era o por quê.
Durante os últimos dias, enquanto atravessava a cavalo as aldeias do clã, ouvira os aldeões se lamentando sobre o longo inverno. Fazia semanas que o tempo já devia ter mudado, quase não sobrara pasto para o gado e os víveres armazenados para o inverno estavam quase no fim. A situação estava começando a ficar preocupante. 
O mau tempo da Escócia era bem conhecido por todos, mas aquilo já estava estranho demais.
O jovem McKlain e doze dos seus melhores guerreiros estavam passando pela última aldeia antes de ir para casa quando uma menina, vestida com roupas maltrapilhas e mal-cheirosas, abordou-lhe o cavalo. A montaria nem se mexeu quando a criança se agarrou à pata, e mal alcançava a bota de Anthony, que estava pendurada na sela.
— O jovem McKlain voltou, ele vai trazer boa sorte — gritou a garota, sem soltar a pata do cavalo.
Imediatamente, uma mulher, um pouco mais bem vestida, aproximou-se da menina e, de cabeça baixa, falou.
— Perdão, meu senhor, — a mulher quis tirar a menina, que continuava agarrada à montaria, e ela se aferrava a esta como se fosse sua salvação — mas é que a comida começa a escassear.
— Você não prestou atenção, mas sempre que ele volta o sol sai — insistia a menina, falando com o rosto pregado à enorme pata do corcel de guerra. — Senhor, não vá embora de novo. Não nos abandone mais.
— Não diga essas coisas, ele não pode fazer nada. Ninguém manda no tempo — a mulher repreendeu a menina. Virou a cabeça para Anthony e, sem olhar para ele, desculpou-se. — Perdoe a insolência da minha filha, ela será castigada, se assim o desejar.
— Deixe-a...
“Por quê castigar alguém que dizia a verdade”, pensou Anthony.
Ninguém mandava no tempo, ninguém mandava no tempo...
— Onde você está? — perguntava-se Anthony cada vez mais preocupado.
Fazia meses que estava fora de casa. Meses nos quais as contendas com os ingleses não lhe deixaram muito tempo para pensar nela. Faltava-lhes ainda uma noite para chegarem à fortaleza do clã, a casa dele. Então iria averiguar o que estava acontecendo.
Porém, uma estranha sensação estava lhe percorrendo o corpo. A preocupação estava começando a lhe martelar a cabeça. Já não era uma inquietude normal, cada poro da pele dele desprendia ansiedade.
Desmontaram quando saíram do povoado. Ele e os homens passariam a noite ali, debaixo do teto de um estábulo. 
O céu estava prometendo tormenta, e os homens não mereciam dormir sob a intempérie de novo. As noites no campo de batalha tinham terminado, e os poucos guerreiros que ainda o acompanhavam o seguiriam até Stongcore. O resto fora ficando nas aldeias por onde foram passando.
Como filho do senhor daquelas terras tinha o dever de deixar, nas respectivas aldeias, os guerreiros que o acompanharam nas batalhas e arriscado a vida sob o estandarte dos McKlain.
Entre os deveres do filho e herdeiro do laird, um deles era comunicar as baixas entre suas fileiras. Nesse caso devia se certificar de que a família do falecido teria meios suficientes para continuar vivendo. Como filho do chefe do clã devia garantir o bem-estar do povo e, ainda mais, das famílias dos soldados que combatiam ao lado dele.
Os homens haviam esticado no chão, sobre a palha, o manto dos MacKlain e estavam aguardando, estendidos sobre ele, que as mulheres da aldeia lhes trouxessem comida. Minutos mais tarde apareceram várias mulheres carregando pratos com carne assada, fatias de pão e vinho.
— Lamento que não seja muita coisa, mas mal nos sobra comida, senhor — desculpou-se a mulher. As demais continuaram afastadas, de cabeça baixa e sem levantar o olhar.
— É o suficiente. Não se aflija, mulher. Obrigado por compartilhá-la conosco.
— Obrigada pela sua benevolência. Estamos muito contentes com o seu retorno.
As mulheres saíram do estábulo e os homens começaram a comer e a beber com ânsia.
Anthony ficou de pé junto à janela, olhando o céu.
“Tem alguma coisa errada, o inverno não vai embora e as aldeias estão sofrendo penalidades. Onde você está...?” 



Cavaleiro da Meia-Noite

A fortuna e o futuro do rancho do conde espanhol Eduardo Cortes correm perigo.

Tragédia, problemas financeiros e pressão familiar o obrigam a buscar um casamento de conveniência. 
Ao encontrar Bernadette Barron vagando apavorada e desarrumada depois de um baile da alta sociedade, ele sabe que sob a sujeira se esconde uma mulher linda e rica...Mas Bernadette será apenas mais uma dor de amor? 
Ou Eduardo finalmente conheceu alguém com o poder de salvar seu rancho e curar seu coração? 
Ele pode dar a Bernadette um título de nobreza… 
Mas corresponderá aos sentimentos dela? 
Olhando no fundo dos olhos penetrantes do marido, Bernadette percebe sua frieza calculista, ao mesmo tempo em que é dominada por uma excitação apaixonada. 
O grande desejo que os consome será suficiente para superar os crescentes desafios que enfrentam e proporcionar a Bernadette o amor que tanto almeja?

Capítulo Um

Não havia nada no mundo inteiro que Bernadette Barron adorasse mais do que seu jardim, apesar da asma que, por vezes, fazia com que ela fugisse dele nos meses da primavera.
 Havia muitas flores no sudoeste do Texas e, em muitas ocasiões, a elaborada casa em estilo vitoriano de seu pai se enchia delas. Colston Barron era dono de ao menos metade do condado de Valladolid, que ficava entre a próspera cidade de San Antonio e a cidade menor de Del Rio, na fronteira com o México.
Ele fora extremamente bem-sucedido para um imigrante irlandês que começara trabalhando na construção de ferrovias. Agora, 33 anos depois de sua chegada aos Estados Unidos, era proprietário de duas delas. Tinha dinheiro suficiente para poder queimá-lo, mas poucos parentes com os quais gastá-lo.
Apesar de sua fortuna, havia algo que ainda faltava em sua vida: aceitação e respeito da elite da sociedade. Seu rústico sotaque irlandês e sua falta de maneiras convencionais o isolavam das proeminentes famílias da época, uma situação que ele estava determinado a mudar. E Bernadette seria o meio para fazer isso.
Sua amada esposa, Eloise, morrera de uma infecção logo após dar à luz Bernadette. A filha mais velha dele falecera durante o parto. 
Seu único filho, casado e pai de uma criança pequena, morava no leste, trabalhava como pescador e mantinha um mínimo de contato com o pai. Albert era rejeitado por ter se casado por amor, recusando o casamento social planejado por seu pai. Restava apenas Bernadette na casa agora. 
O irmão dela mal era capaz de sustentar a própria e pequena família. Sendo assim, recorrer a ele não era uma opção, a menos que ela também pudesse trabalhar, o que era impossível, pois sua saúde era precária demais para lhe permitir manter um emprego como o de professora. 
Enquanto isso, ela precisaria aguentar as fanáticas aspirações sociais de seu pai.
Não que Bernadette não quisesse se casar eventualmente. Tinha os próprios sonhos de ter um lar e uma família. Contudo, seu pai queria escolher um marido para ela com base no destaque social. Dinheiro, por si só, não serviria. 
Colston Barron estava determinado a fazer Bernadette se casar com um homem que tivesse um título de nobreza ou, se fosse americano, um homem de imenso prestígio social. Sua primeira opção, um duque britânico, fora um fracasso total. 
O empobrecido nobre estava disposto a se casar. Então, ele havia sido apresentado a Bernadette, que fora ao primeiro encontro, por motivos que só ela e Deus sabiam, com o jeans surrado de seu irmão, uma camisa suja, dois dos dentes enegrecidos com cera e seu longo e lindo cabelo platinado manchado com o que parecia graxa. 
O duque fora embora imediatamente, dando a desculpa de que um familiar estava à beira da morte. Mas como ele ficara sabendo daquilo naquela isolada região do sudoeste texano…?
 

24 de julho de 2014

Flertando com a Sorte

Série Selada com um Beijo



Uma decepção honesta...

Sir Colin Tate nunca imaginou casar por dinheiro. 
Mas as dívidas deixadas por seu pai artista colocou o futuro de seus irmãos em perigo. 
Para casar com uma herdeira elegível, este escocês de espírito independente deve jogar pelas regras restritivas, até que uma senhora irresistível se atreve a perseguir sua paixão pela arte... e ele. 
Um desejo inesperado Lady Beatrice Moore pode descobrir um caçador tão habilmente quanto ela captura assuntos sobre a tela. 
Mas quando ela conhece o filho notável do pintor mais famoso da Grã-Bretanha, a atração é instantânea, cegando-a para a possibilidade de que ele poderia ser um desses conspiradores... 
Um dilema Impensável Em seguida, a verdade vem à tona, quebrando a fé de Lady Beatrice no homem ainda de natureza travessa, que conquistou seu coração. 
Com reputações e fortunas na balança, Colin e ela devem encontrar uma maneira de confiar em um amor que não pode ser provado ou enfrentar uma perda imensurável.

Capítulo Um 

Quando se assiste a uma das peças mais esperada da temporada, mesmo que fosse apenas por pouco tempo como era o caso, acaba sem querer participando do espetáculo. Enquanto Lady Beatrice Moore andava pela galeria de artes deserta de Lady Churly, acompanhada por nada alm do sussurro mudo da orquestra distante e o menor senso de realização, ela não conseguiu segurar o suspiro de prazer que lhe escapou. 
Ela estava no céu. Finalmente estava longe daquela multidão, longe dos olhos dos caçadores de fortuna, que a assistiam como se fossem um falcão olhando para um rato do campo e também longe o suficiente do alcance da voz dos fofoqueiros, que queriam abocanhar a última vitima. 
Bea estava sozinha naquele momento, apenas com o brilho suave das lâmpadas, colocadas estrategicamente no forro do corredor e uma parede inteira cheia de algumas das maiores obras-primas que a Inglaterra já havia produzido. 
Sem pressa, agora que ela havia fugido, cruzou as mãos atrás das costas e começou a passear pelo corredor estreito, os seus chinelos não faziam barulhos sobre o piso de madeira com estampas de espinha de peixe. Foi por isso que ela tinha realmente concordado em vir a esta peça, bem, uma de duas razões, pelo menos. Lady Churly possuía a maior coleção de obra do aclamado pintor Sir Frederick Tate, composta de quatro retratos espetaculares que eram muito mais do que a soma de seus súditos. 
O seu verdadeiro trunfo havia sido no jogo de luz, principalmente as sombras incrivelmente realistas que sempre davam as suas peças tal brilho temperamental, escuro mais ainda assim cheio de vida, cada retrato era uma obra-prima absoluta. Ainda mais agora que ele se foi. 
Ela sentiu uma estranha sensação de perda ao pensar em sua morte. Seu trabalho havia causado um impacto tão grande sobre ela, como era uma jovem-artista, era impossível pensar que nunca poderia conhecer o homemque de alguma forma tornou-se para ela o seu mentor ausente, mas pelo menos como um artista o seu legado havia sido preservado.
  




Série Selada com um Beijo
1- Mais do que um Estranho
1,5 - Senhorita Mistletoe
2- A Taste For Scandal
3- Flertando com a Sorte
  

17 de julho de 2014

Olhos da Inocência




Sincera inocência... ou enganadora ilusão?

O conde austríaco Ferdinand von Berg era um homem cético. 
Havia participado de batalhas sangrentas, testemunhando muitas carnificinas, e guardava no coração as cicatrizes dos caprichos de varias mulheres. 
Ao conhecer a linda e ingênua Arabella Douglas, desejou muito acreditar em sua pureza. 
Contudo, aprendera havia muito tempo a nunca confiar, a jamais ter esperanças...
Arabella Douglas não suportava as vaidades e intrigas da aristocracia vienense, mas ao ver o conde, atraente e severo, logo descobriu que ele era o único homem que merecia seu amor e por quem estava realmente se apaixonando! 
Como agir para vencer a desconfiança de Ferdinand e lhe provar a sinceridade de seus sentimentos?

Capítulo Um

Viena, Áustria, 1814
Tão logo abriu os olhos, Arabella afastou o alcochoado e abandonou a cama. Em poucos instan­tes, depois de abrir as cortinas, escancarava a janela. A primeira lufada de ar frio, que o sol de setembro ainda não conseguira esquentar, invadiu o quarto trazendo um leve cheiro de fumaça e de pão saído do forno. Com as mãos apoiadas nos batentes, Arabella içou o corpo até conseguir debruçar-se no peitoril. Vi­rando o rosto para cima, respirou fundo.
Apenas uma nesga do céu azul podia ser vista acima das casas estreitas e de vários andares. Mas que azul profundo! Jamais em lugar algum da Inglaterra, o céu recebera pinceladas dessa ina­creditável tonalidade anil. Tratava-se de algo lindo, uma verda­deira proclamação ao mundo abaixo.
— Viena — murmurou Arabella.
O nome continuava a ter o mesmo encanto e doçura de duas semanas atrás, da primeira manhã em que se debruçara nessa janela. Aliás, a palavra tinha sabor tão doce quanto a confeitaria pela qual a cidade se tornara famosa. Nem o fato de já haver descoberto aspectos menos atraentes de Viena diminuía o prazer da aventurazinha que a enchia de expectativa ao despertar de manhã.
Ainda era cedo e os ruídos, que chegavam até sua janela no terceiro andar, tornavam-se distintos na quietude matinal. Sorrin­do, Arabella fechou os olhos para absorver melhor os sons e deixá-los formar um quadro na mente.
Uma canção assobiada, sinal convencionado, chamou a atenção de Arabella levando-a a debruçar-se mais ainda a fim de olhar para a pequena praça abaixo.
O rapaz de cabelos claros, aprendiz de padeiro, estava lá co­locando, na carroça, uma cesta larga repleta de pães dos mais variados tipos. Ele olhou para cima e sorriu. Enquanto acenava disfarçadamente para Arabella, verificava se o patrão, rápido em esbofetear-lhe as orelhas, não estava por perto.
Arabella retribuiu a saudação sem se importar com a aparência pouco convencionai dada pela camisola de cambraia branca e pela trança dos cabelos já bem desfeita e caída sobre um dos ombros.

14 de julho de 2014

O Acordo


Lady Christiana Fitzwaryn não se opõe ao casamento. 

Mas exige ser casada em seus próprios termos, e não como punição por uma indiscrição romântica, nem especialmente com um mercador qualquer. 
No entanto, fica chocada quando conhece David de Abyndon. 
Ela descobre que ele não é um simples mercador, mas um homem de equilíbrio e virilidade extraordinários. Ele não se sente afetado pela diferença de status social. 
E menos ainda por seus argumentos bem pensados contra o compromisso.  Em vez disso, é Christiana que se sente desconfortável na presença deste homem naturalmente nobre, por trás de frios olhos azuis,por quem ela sente a mais intrigante das paixões. 
Embora tenha prometido o seu coração a outro homem, não pode resistir ao charme sedutor de David. Atraída pelo seu carisma, ela descobre o prazer, o amor, e finalmente, os segredos escondidos em seu coração.

Capítulo Um

— Se o seu irmão descobrir, terei sorte seescapar com minha masculinidade, muito mais com minha cabeça—disse Thomas.
A pálida luz da lua jogava sombras nas paredes dos bazares que ladeavam a rua. Movimentos ameaçadores à direita e ocasionalmente à esquerda atraíam a atenção de Christiana, mas ela não receava ospassos ou os notívagos esta noite. 
Thomas Holland, um dos cavaleiros da Rainha, andava ao lado dela, e o brilho de sua tocha mostrava sua longa espada. Christiana não esperava desafios de quem pudesse vê-los fora da cidade após o toque de recolher.
—Ele nunca vai saber,prometo. Ninguém saberá— ela assegurou-lhe.
Thomas estava preocupado com razão. Se seu irmão, Morvan, descobrisse que Thomas tinha lhe ajudado a fugir de Westminster depois do anoitecer não haveria inferno que pagasse. 
Ela iria levar toda a culpa se fossem descobertos, no entanto. Afinal, não poderia entrar em mais problemas do que já estava agora.
— Este mercador que você precisa ver deve ser rico, se não vive acima de sua loja, — Thomas ponderou. — Não é minha função bisbilhotar, minha senhora, mas este é um momento peculiar paravisitar e estar às escondidas por aí. É verdade que não foi atéum amante que eu a trouxe. Se fosse, o próprio Reiiria me estripar.
Ela teria rido de sua sugestão, sesuas emoções frenéticas não a tivessem deixado muito abalada para desfrutar da terrível piada. — Não é um amante, e vim agora porque é o único momento em que posso ter a certeza de encontrá-lo em casa — disse ela esperando que ele não pedisse mais explicações. 
Usara toda a sua astúcia para escapar até esta clandestina visita, e não tinha nada adicional para inventar outra mentira.
O último dia foi um dos piores de sua vida, e um dos mais longos. Fora somente ontem à noite que havia encontrado a Rainha Philippa e que fora informada da decisão do Reisobre aceitar uma proposta de casamento para ela. Cada momento a partir daí tinha sido uma eternidade de pânico infernal e indignação.
Ela não se opunha ao casamento. Na verdade, aos dezoito anos, ela já tinha passado da idade em que a maioria das moçasse casava.Mas esta oferta não tinha vindo de Stephen Percy, o cavaleiro a quem havia dado seu coração. Nem fora feito por algum outro cavaleiro ou Lorde, como convinha à filha de Hugh Fitzwaryn e uma moça de uma família de antiga nobreza.
Não, o Rei Edward tinha decidido casá-la com David de Abyndon, a quem ela nunca vira.
Um simples mercador.
Um antigo mercador comum, de acordo com sua guardiã, lady Idonia, que se lembrara de te ter comprado sedas de Mestre David, ummercador em sua juventude.
Era o modo de o Rei castigá-la.



Série Medieval
1- By Possession
2- By Design
3- Stealing Heaven
4- O Acordo
5- O Protetor
6- O Lord das Mil Noites

29 de junho de 2014

Retorno do Guerreiro







Necessitando de um protetor e acompanhante, a princesa irlandesa Sorcha não tem escolha a não ser aceitar a presença de Hugh, um mercenário sem memória. 

Vítima de uma ilusão e condenada ao exílio, ela não confia nos homens. 
Apesar disso, existe algo naquele guerreiro que a faz desejar ser tocada por ele. 
Sob as ordens do rei, Hugh deve aniquilar os inimigos de Sorcha sem piedade. Embora ele não tenha intenção de se casar, a cada dia que passa é consumido por um desejo pela princesa ruiva.

Capítulo Um

Norte de Londres, 1169.
Andar se provava tarefa difícil para uma pessoa cujos olhos estavam fechados.
Sentindo-se tonto, o homem, de sua posição no duro colchão de palha, moveu os músculos do rosto. Tentou, sem sucesso, forçar as pálpebras a se abrir, de modo que ele pudesse ver o mundo ao seu redor. Os aromas que o assaltavam eram familiares e estranhos ao mesmo tempo. Estrume de ovelha. Feno. Restos queimados de alguma refeição pobremente cozida. 
Ao contrário dos cheiros, os sons não proporcionavam nenhuma pista. Ele ouvia crianças rindo e berrando. A voz de uma mulher gritando. Animais grunhindo e resfolegando.
O efeito era desagradável, e não era um a que ele estava acostumado. Ou estaria?
A preocupação o fez enrugar a testa, e ele se esforçou para visualizar uma manhã normal. Um dia normal? Não tinha certeza do horário, muito menos do lugar.
— O estranho parte esta manhã, Meg. — A voz profunda de um homem veio de algum lugar próximo. — A doença dele é um fardo para esta família, pois rouba comida de nossas crianças.
— Você não tem caridade cristã, marido? — A doce voz feminina parecia música no cômodo frio.
Ele era o tópico da discussão? Era óbvio que sua saúde não estava boa, uma vez que não conseguia sequer abrir os olhos. O corpo doía com a fraqueza, os membros estavam muito pesados para que conseguisse levantá-los.
— Você não é esposa de um lorde, Meg. Se quiser que esse farrapo humano desmaiado coma e beba, leve-o para uma família que tenha condições de sustentá-lo. Entendeu? Ele vai embora hoje, ou eu o levo para a praça do vilarejo para ficar com os outros dementes incapazes de se alimentar.
Algo o espicaçou. Seu orgulho percebeu. Não era um demente. Apenas um homem em sofrimento.
— Mas, John, e se ele for alguém importante? O jovem Harold diz que o estranho trouxe um cavalo, e não tem a aparência de um ajudante de estábulo. — A mulher continuava tentando convencer o marido.
No entanto, a conversa deles parou quando outra voz soou mais perto do ouvido do homem:
— Você precisará ir embora, se não quiser tornar-se comida para os porcos do vilarejo, na próxima semana — sussurrou um menino, perto de sua cama.
Com muito esforço, o homem abriu um olho, e depois o outro.
Viu-se num pequeno barracão de madeira com chão de terra. Animais andavam tão livremente pelo lugar quanto os quatro seres humanos na residência. Bem, quatro sem contar com ele. Não tinha certeza se se sentia muito humano, e o consenso parecia colocá-lo num nível de importância bem abaixo, tanto das pessoas quanto dos animais.
Um garoto o olhou, o rosto coberto de poeira, o cabelo sujo emplastrado no rosto. Todavia, os olhos estavam iluminados com interesse. Como se comida de porco fosse fascinante.
— Meu irmão diz que é isso o que se faz com os dementes se eles não trabalharem — continuou o menino.
O homem tocou a têmpora e estremeceu. O cabelo fora cortado, a testa estava suturada com pontos. Ele soube imediatamente que os pontos haviam sido trabalho da mulher de voz doce. Sem dúvida, devia sua vida àqueles estranhos.
— Qual é o seu nome? — perguntou o garoto cutucando-lhe o ombro.
O homem tornou a fechar os olhos, mal ouvindo a conversa tempestuosa do outro lado do cômodo. Por Deus, ele se levantaria e iria embora se fosse capaz.
— Você nem sabe o próprio nome? — o menino soou exasperado, a entonação imitando a do pai em cadência.
— Hugh — o homem respondeu sem pensar, mas aquele nome solitário foi tudo o que conseguiu.
Agora que o nome pairava no ar entre os dois, ele desejou acrescentar alguma coisa. Declarar sua família e seu legado com algum título.
 Hugh, filho de alguém Hugh de York. Hugh de Black Garter. Mas não foi capaz de encontrar nenhuma pista de um segundo nome no caos de seus pensamentos confusos. Sua cabeça estava limpa do passado, como se não tivesse retido nada que antecedera esse momento.
Entrando em pânico, Hugh bateu nas coxas da calça e na cintura da túnica, procurando por objetos pessoais. Não havia espada. Nem uma faca com uma insígnia de família que pudesse identificá-lo. Nenhuma bolsa de couro com pertences ou o lenço com o nome de alguma lady bordado.
E por que um homem usando calça de lã áspera e uma túnica de algodão surrada teria a recordação de alguma mulher? A ideia parecia incongruente, todavia.
Quem era ele?
— Eu não me importo que você coma meu mingau, Hugh. — O menino fungou, então esfregou a manga da camisa no rosto para limpar o nariz molhado. — Mas meu pai diz que você tem de ir embora, porque, apesar de ter chegado ao meu estábulo conduzindo um cavalo, talvez não passe de um ladrão comum.



Coração de Pedra






Ao acordar em uma cama estranha, Henrietta Markham encontra o homem mais sensual que já conhecera. 

Entretanto, a última coisa que se lembra é do ataque de um invasor e de ter sido resgatada por Rafe St. Alban, o notório conde de Pentland. 
E ele parece bem mais perigoso!
Um casamento fracassado transformou o coração de Rafe em uma pedra de gelo. 
Contudo, a impetuosa e atraente preceptora faz seu sangue entrar em ebulição. Quando Henrietta é acusada de roubo, Rafe se coloca de prontidão para salvá-la. Será que a inocência dela deixará este endurecido libertino de joelhos?

Capítulo Um

Sussex, março de 1824.
A névoa mal começava a se dissipar naquele começo de manhã, e ele já fazia Thor, seu imponente garanhão negro, tomar o rumo de casa pelo atalho que cortava o comprido e arborizado caminho que margeava os formais jardins de Woodfield Manor.
A intensa luz do sol do começo do verão inglês atravessava as árvores altas, fazendo o orvalho na grama cintilar como se tivesse sido espalhado com uma miríade de pequeninos diamantes.
O cheiro de terra e raízes recém-reviradas levantado pelos cascos de Thor se misturava ao inebriante perfume da madressilva que circundava, irrestrita, os troncos dos majestosos teixos. A manhã estava perfeita, prelúdio de um dia sem dúvida belo.
O honorável sr. Rafe St. Alban, conde de Pentland, barão de Gyle, era o senhor de tudo o que estava a inspecionar. Todavia, mantinha-se alheio às glórias da natureza que o alcançavam de todos os lados. Mentalmente esgotado após mais uma noite insone, fisicamente exaurido devido ao cansativo galope logo de manhã cedo, seu único interesse era cair nos receptivos braços de Morfeu.
Puxando as rédeas do cavalo, Rafe desmontou do animal para desengatar o portão de ferro forjado, que se abriu para o caminho lateral de cascalhos que dava direto para sua cocheira.
O homem alto, bem proporcionado, e o enorme cavalo negro feito ébano faziam um par e tanto. Cada um, a seu modo, um glorioso exemplo de sangue azul. Espécimes supremos de músculos fortes e tonificados e com a energia no ápice da perfeição física.
A pele de Rafe brilhava, saudável. Seu cabelo negro como um corvo, refletindo a luz do sol, tinha um corte reto e bem aparado, ressaltando o perfil impecável. Os ângulos das maçãs do rosto mostravam-se corados pelo esforço do galope vertiginoso montes abaixo. O tom azulado da barba que começava a nascer só acentuava o maxilar forte e os dentes muito brancos.
Ao estilo lorde Byron, eis como uma jovem apaixonada e arfante o descrevera; um cumprimento que Rafe enjeitou com sua típica risada sarcástica, apesar de suas belas feições e sua riqueza fabulosa o tornarem um dos solteirões mais cobiçados da sociedade. 
Até as damas mais difíceis se derretiam perante seu olhar distante e verve áspera, que lhe caíam muitíssimo bem.No entanto, Rafe não tinha o menor interesse em se comprometer pela segunda vez. Já tivera sua dose de casamento pelo período de uma vida inteira. Na verdade, por várias vidas.
— Estamos quase perto de casa, agora, velho amigo — murmurou ele batendo de leve no flanco suado do cavalo.
Thor balançou a cabeça enorme, expelindo uma nuvem de ar quente das narinas, tão ansioso quanto o dono pelo calor de seus aposentos.
Rafe tirou o casaco, jogou-o com displicência sobre o ombro e decidiu seguir a pé a curta distância até a casa em vez de voltar a montar o cavalo. Como não esperava encontrar ninguém tão cedo, saíra sem chapéu, colete ou cachecol. As dobras brancas e limpas de sua camisa de linho grudavam-se nas costas suadas, e a gola aberta revelava um tufo de pelos no peito musculoso.
O portão bem azeitado se abriu sem ruído, e Rafe fez o cavalo avançar, mas Thor pisou a grama com passos hesitantes e resfolegou. 
Sem paciência, Rafe voltou a puxar as rédeas, com mais força desta vez, mas o garanhão recusou-se a se mexer e soltou um relincho agudo.
— Está com medo de quê?


27 de junho de 2014

Abraços de Seda

Trilogia Seda 


Laura Stephenson luta para ocultar sua natureza sensual sob uma fachada de rigidez vitoriana, até que o valente Major Ian Cameron lhe faz a uma proposta de casamento que ela se atreve a aceitar.

Depois de anos de cativeiro na Ásia Ocidental que acabaram com seus sonhos, Ian encontra nos olhos ambarinos de Laura a esperança em um futuro que ele acreditava impossível.
Juntos lutam por construir um matrimônio único. 
Mas o perigo e as intrigas que os rodeiam são menos danosos que os segredos ocultos em seus corações.
Só a coragem indomável do verdadeiro amor os fará livres para sair à luz, a selvagem paixão que os dois temem... E desejam.

Capítulo Um

Estação de Baipur, norte da Índia Central.
Pesadelos outra vez. Laura despertou ofegando e se levantou na cama gesticulando e sacudindo o mosquiteiro de musselina que a rodeava. Enterrou tremendo o rosto entre as mãos.
Quando acalmou um pouco o medo, se reprovou por ter se agitado tanto quando seus pesadelos eram muito velhos amigos. 
Começaram quando tinha seis anos, a primeira vez que foi testemunha da violência que podia existir entre um homem e uma mulher.
Com o tempo novas cenas foram se acrescentando aos pesadelos. A pior era a tragédia que destruíra sua infância, embora as imagens não se limitassem aos anos vividos como Larissa Alexandrovna Karelian. De fato, o evento mais humilhante aconteceu depois que se convertera em Laura Stephenson.
Hoje em dia os pesadelos não eram frequentes e geralmente só os tinha diante da perspectiva de uma mudança iminente. Mas infelizmente as imagens não tinham perdido nem um ápice de suas vividas emoções: medo, repugnância e vergonha. Paixão, desastre e morte.
Laura afastou, cansativamente, o cabelo avermelhado da testa úmida. Era uma mulher de vinte e quatro anos geralmente equilibrada, serena e composta ao extremo, mas em seus pesadelos era sempre uma menina frenética e aterrorizada, e por mais que tivesse amadurecido isso não mudara em nada. 
Talvez devesse se conformar e agradecer porque os pesadelos só vinham a ela duas ou três vezes ao ano. Parecia absurdo ter pesadelos quando ela mesma estava encantada diante da mudança que estava por vir. No dia seguinte partiria com seu padrasto para realizar um percurso pelo distrito, que era a parte mais gratificante da rotina anual. Entretanto a perspectiva despertara seus demônios interiores, que tinham lançado um de seus periódicos assaltos.
O ar tinha refrescado, a temperatura era agradável e no terraço os móbiles balançavam brandamente sob a brisa. Laura elevou o mosquiteiro e se levantou descalça. 
Sem fazer caso aos possíveis escorpiões se aproximou da janela, de onde se via a Este, as primeiras luzes do amanhecer. Bom. Aquilo significava que não tinha que dormir de novo.
Como muitos britânicos na Índia, seu padrasto e ela tinham o costume de passear a cavalo muito cedo, antes que se assentasse o calor do dia. 
O homem não demoraria a levantar-se e tomariam o café da manhã juntos, chá com torradas. Depois do passeio ele atenderia seus deveres como coletor do distrito, e ela se encarregaria dos múltiplos detalhes necessários para fechar a casa e preparar a viagem. 
Seria um dia ocupado e previsível. Mas por um momento, antes de acender o lampião, Laura saboreou as melodiosas notas dos móbiles e os outros sons e aromas da noite. 
A brisa acariciava o rosto e a escuridão voluptuosa a chamava. A paixão era a natureza da Índia e às vezes, muito frequentemente, Laura ansiava render-se a ela. 
Passou sem pensar as mãos pelo corpo, percorrendo os seios e os quadris enquanto sentia o quente palpitar da pele sob a fina camisola de musselina. 
Depois, dando-se conta do que estava fazendo, ruborizou-se e deu as costas à perigosa sensualidade da noite.








Trilogia Seda
1- Beijos de Seda
2- Segredos de Seda
3-  Abraços de Seda
 

26 de junho de 2014

Êxtase Sob A Lua

Sobrenatural Histórico
Série Os filhos da lua

Eles têm o poder de mantê-lo enfeitiçado, cativar seus sentidos e mantê-lo para sempre em seu controle. Para sempre encantado...

Florestas dos Éan, Highlands da Escócia.

1144 DC, Reinado de Dabíd Mac Maíl Choluim, Rei da Escócia, e Reinado do Príncipe Eirik Taran Gra Gealach, Regente dos Éan.
Una estava em choque, terror passando por ela como fogo em suas veias, mandando a razão para longe, destruindo a fachada de paz que ela trabalhou tão duro para manter nos últimos cinco anos. Sua águia gritava para ser liberada. Ela quis chegar aos céus e voar até onde suas asas pudessem levá-la, até que o sol afundasse sobre as águas e a lua aparecesse e se fixasse novamente no céu. Leia mais

22 de junho de 2014

Perfumes de Rosas

Desejá-lo era loucura...

Brianna Donally nunca imaginou que encontraria o grande amor de sua vida tão longe de casa. 

Quando o major Michael Fallon, o sedutor oficial inglês, a resgatou da morte certa no deserto do Saara, ela se viu envolvida por uma paixão à qual era impossível resistir. 
Mas uma mulher independente e feminista, com ideias modernas para sua época, nunca seria uma esposa adequada para um duque. 
Além disso, uma amarga traição trancara para sempre o coração do atraente major... Ignorá-la era impossível!
Ainda assim, Michael também achava difícil resistir ao desejo que a encantadora Brianna lhe despertava. 
Não sabia se era efeito do luar, ou o inebriante perfume de rosas que ela usava, mas sentia-se enfeitiçado por aquela mulher. 
O escândalo era o menor dos problemas que enfrentariam. Haveria perigos também... pois Michael não se contentaria com menos que um amor verdadeiro, intenso e arrebatador...

Capítulo Um

Egito, 1870
O major Michael Fallon franziu os olhos ao contemplar o ofuscante brilho noturno do deserto. Recolheu da areia o esvoaçante lenço de seda que avistara quando desceu a últi­ma duna. O perfume de rosas misturado a uma fragrância tipicamente feminina tocaram-lhe os sentidos. Guardou o lenço no bolso do casaco e olhou para o deserto, observando a trilha do animal que perseguira durante todo o dia. Vinha seguindo dois viajantes. Onde estaria o segundo?
Pegou os binóculos e seguiu o rastro que chegava a uma torre cercada por muros de pedra. Sabia que à distância em que se encontrava era alvo fácil para um rifle. Decidiu, então, seguir a pé para a torre, deixando o camelo branco para trás.
A noite caía rapidamente, trazendo consigo o frio cortante do deserto. Michael sentia cada músculo do corpo. Três noites sem dormir o haviam deixado exausto, mas ele nunca baixa­va a guarda. Por precaução, além do habitual rifle, trazia uma pistola dentro da camisa e uma faca na outra mão.
Ao atingir os perímetros da torre, agachou-se para verificar o rastro de algum animal pequeno, quando ouviu um clique atrás da cabeça.
Seu coração quase parou.
— A única razão por que ainda está vivo é que meu rifle está sem balas — afirmou uma voz feminina, firme e decidida.
Michael levantou-se devagar. A capa que usava lhe ocul­tava as armas. Não sabia quantas pessoas mais haveria na torre. Virou-se com cuidado e encarou a inimiga, surpreso.
O que quer que esperasse encontrar, não era uma mulher de olhos azuis apontando-lhe uma arma no meio do Saara.
Ela usava uma túnica escura, que revelava as curvas de seu corpo ao luar. Tinha o rosto pálido, e uma mecha dos escuros cabelos soltara-se da trança, caindo-lhe sobre a testa.
Michael sentiu respeito pela coragem da mulher, assim como respeitava também o cano de sete polegadas apontado para seu peito.
— Então estou com sorte — respondeu, bem-humorado, erguendo os braços num gesto de submissão.
Os olhares de ambos se encontraram. Fascinado pelos lindos olhos azuis e também impressionado com o inglês perfeito da mulher, conteve o impulso de matá-la.
Não notou qualquer movimento atrás de si; sentiu apenas a forte e inesperada pancada na nuca e desmaiou na areia.
Brianna Donally sentiu o estômago revirar enquanto estu­dava o deserto pelos binóculos. O camelo branco que a segui­ra durante todo o dia estava parado a uma curta distância. Teria de ir até lá, mas receava que houvesse mais alguém no deserto escuro. Apesar de todos os esforços, elas haviam sido seguidas.
Conseguira se desvencilhar do primeiro homem que a seguira pela manhã, e que agora jazia na areia. O outro, do camelo branco, estava inconsciente no chão, a seu lado.
— Acha que o matei, Brea? — perguntou, assustada, sua cunhada Alexandra. Tirou o chapéu de aba larga, e a ferida no queixo ficou mais visível. — Não podemos abandoná-lo aos urubus, como fizemos com o outro.
— Ora, se ele desejasse um enterro apropriado, não nos teria atacado.
Brianna respirou fundo e piscou, tentando afastar os pontículos brilhantes que dançavam diante de seus olhos. Quanto tempo ainda teriam até que os homens que atacaram a caravana mandassem mais alguém no encalço das duas únicas sobreviventes?
Não gastaria suas energias para enterrar um assassino.
Precisava poupar as forças que ainda lhe restavam para pen­sar em uma maneira de saírem a salvo dali. Ficariam vul­neráveis se saíssem deserto afora, mas sem dúvida seriam encontradas se permanecessem onde estavam.
— Deus do céu, acho que vou passar mal outra vez — declarou Alexandra, pondo-se de joelhos e inclinando a cabeça para baixo.
Brianna abraçou a cunhada.
— Eu também estou exausta, mas precisamos ser fortes. Nunca cuidara de ninguém antes, e o fato de a intrépida Alexandra necessitar dela a assustava. Sentia-se responsável por ambas, e temia falhar, se é que já não tinha falhado.
Haviam recolhido do beduíno duas pistolas e uma faca, mas esta era inútil para elas, pois era pesada demais para que conseguissem manejá-la. Um dos rifles que trouxeram estava sem balas, e o outro se quebrara quando Alexandra golpeara o estranho.
Poderiam buscar o camelo, mas Brianna estava com medo de ir até lá. Na verdade, estava apavorada. Brianna Donally, ativista e legionária, partidária da política anarquista, estava com medo do escuro.
Como eram insignificantes seus problemas na Inglaterra, em comparação com o que enfrentava agora! Como eram tri­viais, quando acabara de assassinar outro ser humano por instinto de sobrevivência!
A ideia de morrer de fome não podia ser descartada. Não sabiam caçar no deserto, e a pouca água que ainda tinham estava no fim.
Brianna tocou a testa de Alexandra.
— Ao menos não está com febre — afirmou, ajudando-a a beber um pouco de água.
— É possível que eu tenha matado este homem — sus­surrou, com os cabelos caindo em cima do rosto. — Imagino como será encontrá-lo no inferno...



18 de junho de 2014

Dona do seu Coração

Série Espiões da Coroa


Christina Bennett conquistou a sociedade londrina.

No entanto, guardava a sete chaves o segredo de seu misterioso passado até a noite em que Lyon, marques de Lyonwood, roubou-lhe um sensual beijo. 
O arrogante aristocrata com paixões de pirata saboreou o fogo agachado sob o frio encanto de Christina e jurou possuí-la algum dia. 
Mas a desafiante Christina não ia ser conquistada facilmente. 
Zelosa de seus afetos e de sua fortuna resistia às sensuais carícias de Lyon. Não se atrevia a sucumbir a seu amor, porque ele deveria então descobrir também seu precioso segredo e renunciar a seu destino.

Capítulo Um

Londres, Inglaterra, 1810.
Os gritos de Lettie foram se tornando cada vez mais débeis.
O barão Winters, o médico que assistia à marquesa de Lyonwood, inclinou-se sobre sua paciente e tentou desesperadamente segurar suas mãos. A bela mulher se retorcia de dor. Estava claro que tinha perdido a cabeça e parecia decidida a arrancar a pele do inchado abdômen.
-Vamos, vamos, Lettie - murmurou o médico com o que esperava fosse um tom tranquilizador. -Tudo vai acabar bem querida. Apenas um pouco mais e terá um precioso bebê para dar a seu marido.
O barão não estava nada seguro de que Lettie compreendesse sequer o que estava dizendo. Seus olhos verdes esmeralda estavam opacos de dor. Pareciam que o olhavam sem vê-lo.
-Ajudei a trazer seu marido a este mundo. Sabia Lettie?
Outro grito dilacerador interrompeu seus esforços para acalmar sua paciente.
Winters fechou os olhos e rezou pedindo orientação. Tinha a frente da camisa cheia de suor e as mãos tremiam. Nunca, em toda sua vida, tinha visto um parto tão difícil. Já durava muito tempo. A marquesa estava ficando tão fraca que não podia ajudar mais.
Naquele momento a porta do quatro se abriu de repente, atraindo a atenção do barão. Alexander Michael Phillips, marquês de Lyonwood, estava na soleira. Winters suspirou aliviado.
-Graças a Deus que chegou - exclamou. - Preocupava-me que não voltasse a tempo.
Lyon se precipitou para a cama. Seu rosto mostrava sua inquietação.
-Em nome de Deus, Winters. Já se passou muito tempo, e ela está sofrendo.
-O menino decidiu ficar ao contrário - respondeu Winters.
-Não vê que está sofrendo muito? -gritou. -Faça algo!

Série Espiões da Coroa
1-  Dona do seu Coração
2-  Doce Resgate
3-  Despertar da Paixão
4-  Castelos

Castelos

Série Espiões da Coroa




Órfã e sitiada, a princesa Alessandra sabe que só um casamento apressado com um inglês pode protegê-la da crise em sua própria terra. 

Colin, o irmão mais novo do Marquês de Cainewood quer reclama-la para sempre, e ele está disposto a arriscar sua vida para fazê-lo...




Capítulo Um

A Madre Superiora Maria Felicidade sempre acreditara nos milagres, mas, ao longo de seus sessenta e sete anos nesta doce terra, jamais tinha sido testemunha de nenhum, a não ser até aquele sossegado dia de fevereiro de 1820, quando chegou a carta da Inglaterra.
No princípio, a Madre teve medo de acreditar nas abençoadas novidades. 
Temia que tudo se tratasse de uma brincadeira diabólica para alimentar nela falsas esperanças que logo sumiriam como castelos de areia. Mas depois de ter respondido devidamente a missiva carta e receber uma segunda confirmação com o selo do Duque de Williamshire, não restou mais dúvida e teve que aceitar a graça pelo que realmente era. Um milagre.
Enfim se livraria da pestinha. A Madre Superiora compartilhou as notícias com
projeto_romances@yahoo.com.br 6
as outras freiras na manhã seguinte durante as orações matinais. De noite, celebraram-no com sopa de pato e pão preto recém tirado do forno. Irmã Raquel, estava tão feliz que recebeu muitas reprimendas por rir-se as gargalhadas durante a manhã.
A pestinha ou, melhor dizendo, a Princesa Alessandra, teve que comparecer na sala da Madre Superiora na tarde seguinte. Enquanto a informavam que partiria do convento, Irmã Raquel estava muito atarefada preparando a bagagem dela.
A Madre Superiora estava sentada em uma cadeira de respaldo muito alto, atrás de uma ampla mesa, tão velha e desgastada quanto ela. Distraída, a freira brincava com as pesadas miçangas de madeira de seu rosário, que sempre pendurava ao lado de seu hábito preto, enquanto esperava que seu olhar reagisse diante do tal anúncio.
A Princesa Alessandra ficou estarrecida com a notícia. Apertou muito forte suas mãos, em um gesto de nervosismo, e manteve a cabeça curvada, para que a Madre Superiora não pudesse ver as lágrimas em seus olhos.
— Sente-se, Alessandra. Não quero falar com o topo de sua cabeça.
— Como quiser, Madre. — sentou-se na beirada da cadeira, ergueu as costas para agradar à freira e colocou uma mão em cima da outra na saia.
— O que achou das notícias?-perguntou a Madre.
— Foi por aquilo do lago, não Madre? Ainda não pôde me perdoar, não é?
— Tolice — respondeu a Madre Superiora — Faz mais de um mês que a perdoei por esta falta de bom senso.
— Foi Irmã Raquel que a convenceu de que me afastasse daqui? Já pedi desculpas à ela e não tem o rosto tão verde agora.
A Madre Superiora meneou a cabeça. Também franziu o cenho, porque Alessandra, sem dar conta, estava contando todos os problemas que tinha causado.
— Não posso entender de onde tirou a idéia que essa massa repugnante serviria para eliminar as sardas. Mas Irmã Raquel concordou com o experimento. Não culpo você… Completamente — apressou-se a adicionar para que a mentira que estava dizendo não fosse um pecado tão capital diante os olhos de Deus — Alessandra, eu não escrevi ao seu tutor pedindo que partisse daqui. Ele escreveu. Aqui está a carta do Duque de Williamshire. Leia e verá que digo a verdade.
Quando Alessandra estendeu o braço para pegar a carta, a mão tremeu. Analisou rapidamente o conteúdo e a devolveu.
— Deu-se conta da urgência, não? Este General lvan que seu tutor fez menção, parece ter uma reputação irrepreensível. Lembra de tê-lo conhecido?
Alessandra meneou a cabeça
— Visitou a casa de papai várias vezes, mas eu era muito pequena. Não recordo tê-los conhecido. Por que, em nome do Deus, iria querer se casar comigo?
— Seu tutor compreende os motivos do general — respondeu a Madre Superiora. Tamborilou as pontas dos dedos sobre a carta — Os súditos de seu pai não a esqueceram. Ainda continua sendo a amada Princesa. O General acha que, se casando com você, poderá ter a aprovação da massa. É um plano muito inteligente.
— Mas eu não desejo me casar com ele — murmurou Alessandra.
— E tampouco o deseja seu tutor — disse a superiora — Mas acha que o General não irá aceitar que você recuse a sua proposta e que, se necessário, a levará à força para assegurar o êxito de que busca. Essa é a razão pela qual seu tutor deseja que os guardas a acompanhem na viagem à Inglaterra.
— Eu não quero ir, Madre. De verdade, não quero.

Doce Resgate

Série Espiões da Coroa


Capítulo Um

Londres, 1815
Paciente, o caçador esperava a presa.
A mentira que o Marques do Cainewood tentava pregar era perigosa. Não cabia dúvida de que o infame Pagam, do Shalow’s Wharf, ouviria falar que o imitava e se veria obrigado a deixar o esconderijo, pois, se soubesse dos falatórios, seu orgulho monstruoso não permitiria que outro indivíduo levasse os méritos de suas próprias maldades. 

Por certo, o pirata tentaria exercer sua própria forma de vingança, e Caine contava com isso. Assim que Pagam aparecesse, Caine o teria.
E a lenda seria destruída.
Ao marquês já não restavam alternativas. A aranha não abandonaria a teia. A generosidade não tinha dado resultado. Por mais surpreendente que parecesse, entre os marinheiros não havia traidores, embora aqueles homens comuns fossem capazes de vender suas mães pela quantidade de ouro que o Marques tinha oferecido. Por outro lado, tinha sido um erro de cálculo por parte de Caine. Todos os homens do mar proclamavam que a lealdade à lenda era o motivo pessoal para rechaçar as moedas, mas Caine, cínico por natureza, e pelas amargas experiências passadas, imaginou que a causa real era o medo. O medo e a superstição.
O mistério rodeava o pirata como as paredes de um confessionário. Na realidade, ninguém jamais tinha visto Pagam. Seu navio, o Emerald, foi visto em inumeráveis ocasiões sulcando as águas como um calhau arrojado pela mão de Deus... ou ao menos assim contavam quem alardeava havê-lo visto. 
A imagem do belo navio negro produzia terror nos cavalheiros da alta sociedade, de carteiras repletas; provocava risadas dissimuladas nos indivíduos malvados e humildes preces de agradecimento por parte dos desafortunados, pois Pagam tinha fama de compartilhar os grandiosos tesouros com estes últimos.
Mas apesar da freqüência com que o navio era avistado, ninguém podia descrever um só dos diversos marinheiros a bordo, coisa que só aumentava a especulação, a admiração e o encantamento pelo o pirata fantasma.
Era óbvio que Pagam desfrutava com a variedade, pois seus latrocínios se estendiam até o outro lado do oceano, embora os ataques em sua terra provocassem a mesma consternação, possivelmente mais até. 

Pagam tomava o cuidado de roubar só os membros da alta sociedade. 
Era evidente que não queria que nenhum outro ficasse com o crédito por seus próprios ataques noturnos aos despreparados, pois deixava um cartão pessoal, que consistia em uma rosa branca de talo comprido. 
No geral, a vítima despertava na manhã seguinte e encontrava a flor a seu lado, sobre o travesseiro. 
A simples visão da rosa era suficiente para que até homens maduros desmaiassem.


Série Espiões da Coroa
1-  Dona do seu Coração
2-  Doce Resgate
3-  Despertar da Paixão
4-  Castelos

Despertar da Paixão

Série Espiões da Coroa



O estrangeiro que vem para reivindicar Sara Winchester como sua noiva é desconcertante, arrogante e bonito. 

Nathan, sabendo mais de guerra do que do amor, é completamente seduzido pela forma desafiante, mas doce de sua esposa Sara . 
A bordo de seu navio está determinado a conquistar seu coração, mas o amor deles será testado.

Capítulo Um

Londres, Inglaterra, 1816
Seria um seqüestro limpo e sem complicações. Ironicamente, o seqüestro seria considerado legal nas Cortes exceto pelos cargos de entrada, mas essa possibilidade não era significativa. 
Nathanial Clayton Hawthorn Baker, o terceiro marquês do St. James, estava preparado para utilizar qualquer método que considerasse necessário para obter seu objetivo. 
Se a sorte estivesse do seu lado, sua vítima estaria profundamente adormecida. Se não, uma simples mordaça eliminaria qualquer ruído de protesto.
De um modo ou de outro, legal ou não, ele se reuniria com sua noiva. Nathan, como o chamavam seus amigos mais próximos, não teria que atuar como um cavalheiro, o qual era uma bênção considerando que essas tenras qualidades eram completamente alheias a sua natureza. Além disso, o tempo estava se esgotando. Só faltavam seis semanas para que houvesse uma verdadeira violação do contrato matrimonial.
Nathan não via a noiva fazia quatorze anos, quando leram os contratos de casamento, mas a imagem que tinha em sua mente não era muito fantástica.
Não tinha muitas ilusões sobre a moça, já que havia visto suficientes mulheres Winchester para saber que não eram nada extraordinário. Não eram muito agraciadas em aspecto nem em disposição. A maioria tinha forma de pêra, com ossos grandes, os traseiros maiores, e se as histórias não exageravam, apetites gigantescos.
Embora ter uma esposa a seu lado parecia tão espantoso como nadar a meia-noite entre tubarões, Nathan estava preparado para suportar a prova. Possivelmente se realmente se ocupava do problema poderia encontrar a forma de cumprir com as condições do contrato sem ter que estar com a mulher dia e noite.
Durante quase toda sua vida Nathan tinha estado sozinho, negando-se a receber conselhos de homens. Só confiava seus pensamentos a seu amigo Colin. 
Entretanto, os lucros eram muito grandes como para que Nathan os ignorasse. O bota de cano longo que oferecia o contrato depois de um ano de convivência com lady Sara compensava qualquer repulsão que pudesse sentir ou inconveniente que tivesse que suportar. 
As moedas que receberia por decreto da coroa fortaleceriam a nova sociedade que ele e Colin tinham formado no verão anterior. A Emerald Shipping Company era a primeira empresa legítima que tinham empreendido, e estavam dispostos a fazê-la funcionar. A razão era simples de compreender. 
Ambos os homens estavam cansados de viver à margem da lei. Tinham entrado na pirataria por acidente e o tinham feito bastante bem, mas já não valia a pena correr os riscos que implicava. Nathan, atuando como o infame pirata Pagam, converteu-se em uma lenda. Sua lista de inimigos podia cobrir um grande salão de festas. 
A recompensa por sua cabeça tinha aumentado tanto que até um santo teria sentido tentado a converter-se em um traidor para obtê-la. Manter em segredo a outra identidade de Nathan era cada vez mais difícil. 
Só era uma questão de tempo que o apanhassem, se continua-se com suas incursões de piratas, assim finalmente Nathan cessou.


Série Espiões da Coroa
1-  Dona do seu Coração
2-  Doce Resgate
3-  Despertar da Paixão
4-  Castelos

O Rei

Série Irmandade da Adaga Negra


Século Dezessete, Velho Mundo

— Vida longa ao Rei.
Ao som da voz grave e profunda, Wrath, filho de Wrath, instintivamente olhou em volta procurando por seu pai... Com uma centelha de esperança de que sua morte fosse um engano e que o grande governante ainda estivesse com eles.
Mas é claro, seu amado pai tinha mesmo ido para o Fade.
Mas quanto tempo esta triste procura duraria? Ele se perguntava. Era uma ilusão inútil, especialmente porque as vestes sagradas do Rei dos vampiros estavam sobre o seu corpo, as faixas bordadas em pedrarias, o manto de seda e as adagas cerimoniais adornavam seu próprio corpo. Mas sua mente não ligava para estas provas de sua recente coroação... Leia mais em Apimentados

11 de junho de 2014

Inimigos Perfeitos

Série Mallory  

Nove anos atrás Richard Allen fugiu da Inglaterra quando seu pai controlador, o Conde de Manford, negociou seu noivado com Julia Miller, a jovem filha de um rico comerciante de Londres.

Após ver como a ambição de seu pai arruinou as perspectivas de felicidade de seu irmão mais velho com um casamento arranjado, o espírito livre de Richard o levou para o mar determinado a viver sua própria vida.
No Caribe, se junta a um bando de piratas caçadores de tesouro, e adota a personalidade de um francês chamado Jean Paul.
Quando ousa voltar para a Inglaterra para realizar uma missão urgente para seu capitão, Richard se apaixona por uma mulher casada, Georgina Malory.
Apesar da indiferença de Georgina com ele e as ameaças do marido dela, James Malory em prejudicá-lo, Richard continua apaixonado.
Sua próxima tentativa de cortejar Georgina num baile de máscaras acaba por ser um erro terrível porque o leva cara a cara com outra bela mulher.
Adulta e sofisticada, Julia Miller, uma amiga de Georgina, se encanta com o mascarado francês Jean Paul até que descobre que ele é na verdade seu noivo detestável!
Julia contrata advogados para conseguir que Richard seja declarado morto para que possa libertar-se de seu noivado e seguir em frente com sua vida.
Mas quando o Conde de Manford descobre que seu filho voltou e pode cumprir o contrato de casamento, ele põe em movimento uma cadeia de eventos que coloca Julia em alto-mar com seu noivo que não é meramente um nobre irresponsável, mas um pirata sedutor amante de aventuras!

Capítulo Um

Considerar que Hyde Park é o jardim de sua casa pode parecer estranho, mas para Julia Miller o era. Criara-se em Londres e, desde que tinha memória, havia montado a cavalo pelo parque quase diariamente, desde o primeiro pônei que lhe compraram quando menina até as éguas de puro sangue que teve depois. Tanto se a conheciam como se não, os outros a saudavam ao passar, porque estavam acostumados a vê-la por ali.
Os membros da classe alta, os empregados que cortavam caminho pelo parque ao ir para o trabalho, os jardineiros, todos se fixavam nela e a tratavam de igual para igual.
Julia era alta, loira; vestia-se na moda e sempre devolvia os sorrisos e as saudações. Em geral era de aspecto amistoso e as pessoas lhe respondiam do mesmo modo.
Mais estranho ainda que considerar aquele enorme parque seu campo de equitação pessoal, eram suas circunstâncias. Julia tinha crescido na parte nobre da cidade, embora sua família não fosse da nobreza.
Vivia em uma das maiores casas de Berkeley Square, porque não só os nobres podiam se permitir essas mansões.
De fato, sua família, cujo sobrenome procedia da Idade Média, quando os artesãos adotavam o nome de seu ofício, foi uma das primeiras a comprar e construir em Berkeley Square, em meados de 1700, quando se projetou a praça, assim que os Miller estavam vivendo ali há muitas gerações.
Julia era conhecida e apreciada na vizinhança. Sua melhor amiga, Carol Roberts, era de família nobre, e outras jovens da classe alta que a conheciam através de Carol, ou do colégio privado que tinha frequentado, também a apreciavam e a convidavam a suas festas.
Elas não se sentiam ameaçadas por sua beleza ou sua riqueza, porque Julia já estava comprometida em casamento. Era noiva quase desde seu nascimento.
— Alegra-me vê-la por aqui — disse uma voz feminina atrás dela.
Carol Roberts alcançou Julia e sua égua adotou um suave trote ao lado da sua amiga.
Julia riu e olhou a sua grande amiga de cabelo negro.
— Esse comentário deveria tê-lo dito eu, porque ultimamente você mal monta.
Carol suspirou.
— Sei. Harry não gosta que o faça, sobretudo desde que tentamos ter um filho. Não quer que me arrisque a perdê-lo mesmo antes que saibamos que o concebemos.
Julia sabia que montar a cavalo podia provocar um aborto.
— Então por que se arrisca?
— Porque este mês não fiquei grávida — declarou Carol franzindo, decepcionada, os lábios.
Julia assentiu com compreensão.
— Além disso — acrescentou Carol, — sinto tanto a falta de nossos passeios a cavalo que estou disposta a enfrentar Harry cada vez que a menstruação nos impeça de tentar conceber.
— Agora não está em casa e não sabe que saiu para montar, não? — Perguntou Julia.
Carol se pôs a rir e seus olhos azuis faiscaram com travessura.
— Não, claro, mas estarei de volta antes dele.
Julia não se preocupou que sua amiga pudesse ter problemas com seu marido. Harold Roberts adorava a sua mulher. Conheceram-se e se gostaram mesmo antes da apresentação em sociedade de Carol, que tinha sido celebrada há três anos atrás, assim ninguém se surpreendeu quando se comprometeram ao cabo de algumas semanas e se casaram poucos meses depois.
Carol e Julia tinham sido vizinhas durante toda a vida, suas casas eram vizinhas e só as afastava um estreito beco.
Além disso, as janelas de seus dormitórios estavam uma em frente da outra — elas se encarregaram de que assim o fosse, — de modo que, embora não estivessem juntas, podiam falar de seus dormitórios sem sequer ter que levantar a voz. Não era de estranhar que se converteram em amigas íntimas.
Julia sentia muitíssimo a falta de Carol. 
Embora continuassem vendo-se com frequência quando Carol estava em Londres agora ela já não vivia na casa vizinha.

Série Mallory
1- Amar Uma Só Vez
2- Terna e Rebelde
3- Amável Tirano
4- A Magia de seu Ser
5- Cativa do Amor
6- O Marquês e a Cigana
7- Minha Adorável Safada
8- Cativa de Meus Desejos
9- Sem mais Alternativa que a Sedução
10- Inimigos Perfeitos -  nova tradução 
Série Concluída


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...