16 de novembro de 2018

Jonathan e Amy

Série Windham


O viúvo Jonathan Dolan sabe como trabalhar duro, ganhar dinheiro e amar a sua filha Georgina, mas seus humildes antecedentes irlandeses não o prepararam para o desafio de atrair Amy Ingraham, a governanta elegante e gentil de Georgina.

Amy mostra um tímido prazer com as propostas de Jonathan, quando um primo distante aparece e afirma que Amy é obrigada a se casar com ele.
Jonathan deve ser inteligente, determinado e, acima de tudo, honroso se quiser ganhar não apenas a mão de Amy, mas o respeito de uma sociedade que está disposta a julgá-lo duramente.

Capítulo Um

— Um cavalheiro não faz avanços em direção a uma mulher em seu emprego.
Jonathan Dolan resmungando e andando de um lado para o outro, aproximou-se das janelas de seu escritório, onde ele podia observar sua filha colhendo flores nos jardins dos fundos. Sua governanta estava sentada perto, o nariz em um livro, um spaniel ofegando aos seus pés.
— Um cavalheiro não faz avanços em direção a uma mulher em seu emprego.
Essa declaração se tornou o Décimo Primeiro Mandamento pessoal de Jonathan, mas não era mais palatável com a ênfase adicionada.
— Um maldito cavalheiro, não deve fazer avanços em direção à governanta de sua filha, não importa quão amável, bem formada, de boa pronúncia, gentil, encantadora e... Maldito inferno.
Um lacaio aproximou-se do lindo quadro no jardim e, antes que a Srta. Ingraham pudesse se virar e olhar para a casa, Jonathan afastou-se das janelas. Não faria bem a ela saber que estava olhando embora ela concluísse que ele estava apenas sendo um pai vigilante.
E ele era um pai vigilante, também um pai apaixonado e amoroso, mas não apenas isso.
Ele era, além disso, um homem rico em seu auge que não tinha uma esposa com quem compartilhar sua vida ou suas paixões. Um homem que enterrou sua amada esposa há quase cinco anos e estava observando sua vida marchar, uma noite solitária seguida por outra. Um homem que tinha suportado bastante daquela vida, um sujeito agora determinado a pôr em prática um plano que, se fosse bem sucedido, melhoraria suas circunstâncias incomensuravelmente.
E lançá-lo numa escuridão insondável se falhasse.
Ele contemplou a ideia de beber uma saudável dose de bom uísque irlandês, mas se a Srta. Ingraham chegasse perto o suficiente para ele sentir o cheiro de sua fragrância de limão, ela sentiria o cheiro do álcool em sua respiração.
— Sr. Dolan?
Amy Ingraham estava na porta do escritório, a imagem de boa aparência inglesa: uma sombra mais alta que a média, cabelos loiros puxados para trás num coque arrumado, olhos cinzentos complementados por um vestido azul-celeste vários anos fora de moda. A inteligência naqueles olhos era tão atraente para Jonathan quanto as curvas preenchendo o vestido.
— Srta. Ingraham, por favor, entre. Georgina parece estar gostando do passeio.
— O dia está muito bonito para manter a criança em suas aulas sem descanso, e o cão também precisa de uma visita ocasional aos jardins.
Ela permaneceu na porta, o local tendo significado simbólico. Amy Ingraham, neta de um visconde, mas não da família nem serva na casa de Jonathan, destacava-se em pairar em espaços limítrofes.
— Sente-se, Srta. Ingraham. — Apontou para o sofá perto da lareira, em vez de uma das cadeiras de costas retas de frente para sua mesa. Quando ela atravessou a sala, ele fechou a porta atrás dela.
Seu queixo erguido.
— Sr. Dolan.
Apenas seu nome, mas crepitando com rigidez e repreensão.
— O que eu tenho que discutir é privado e respeita os melhores interesses de Georgina. Posso oferecer-lhe um chá?
Ela se abaixou até a beira do sofá.
— Aceito um chá. Apenas chá.

Morgan e Archer

Série Windham
Archer Portmaine está investigando uma trama contra a Coroa quando ele conhece Morgan James, uma jovem que sofreu de surdez por vários anos, embora sua audição tenha sido restaurada quando Archer a conhece. 

Morgan acredita que seu problema auditivo faz dela uma candidata pobre para o casamento, embora sua deficiência forneça a chave para desvendar o mistério de Archer e para capturar seu coração.

Capítulo Um

Em um mar de conversas e movimentos, o silêncio e a quietude chamaram a atenção de Archer Portmaine.
As senhoras na frente do camarote podiam ser qualquer par bonito que estivesse desfrutando de uma noite na orquestra, a mais velha exibindo o traje elegante de uma jovem matrona.
A mulher mais jovem mantinha o foco de Archer quando ele deveria estar examinando os outros camarotes procurando a sua presa. Ela fez isso não por esticar o pescoço ou inclinar-se sobre o parapeito, mas pela inspeção sem pressa e silenciosa da multidão reluzente, risonha e cheia de joias.
Archer tinha a sensação de que ele a tinha visto antes, em um cenário diferente. Ele podia esquecer o rosto ocasional, mas não se esqueceria do contorno gracioso dos ombros nus de uma mulher, ou de um queixo sombreado e determinado, mas também firme pela teimosia.
Seu perfil era clássico, seu cabelo castanho bem preso em sua nuca, seu vestido creme próximo ao nude. Ela era discretamente amável e, no entanto, tudo nela implorava para ser olhado novamente, tudo, exceto por sua quietude e o modo como ela mantinha seu próprio conselho em um local onde falar, alto e fofocar, era mais parte do programa do que a música.
Se a moça pudesse tagarelar um pouco enquanto observava a plateia, ou mandar um ocasional olhar coquete para uma sorte aleatória abaixo, ela poderia fazer um investigador passar despercebido.
Essa ideia insultaria qualquer mulher adequada com poder.
Archer parou de observar a jovem calma, para que mesmo à espreita na parte de trás do camarote ele não fosse visto por aqueles cujos caminhos ele preferia não atravessar.
Ele encolheu-se mais perto das cortinas de veludo, contente por qualquer brisa que tivesse apagado as luzes do candelabro mais próximo. Um homem em perseguição deve estar sempre alerta para os perseguidores e evitar uma distração tão fascinante quanto o silêncio de uma bela jovem.
— Você sabia que Valentine dedicou o trabalho final do programa para você? Em meio ao zumbido e a agitação da orquestra em sintonia e a plateia fofocando e cumprimentando-se, Morgan James mal conseguia discernir as palavras suaves de sua irmã.
— Que jovem dama não gostaria que o gênio da música de Windham dedicasse um trabalho para ela? — Especialmente uma jovem que devia a recuperação de sua audição ao mesmo músico?
Anna, condessa de Westhaven, estudou seu programa pela luz limitada dos candelabros do teatro. — Você já superou Valentine, não é? Por favor, diga que sim.
— Sim. — Morgan sentiu um alívio curioso ao dizer as palavras com sinceridade, levantando um peso no ar como a escala ascendente de uma flauta se aquecendo. — Valentine Windham foi o primeiro que eu conheci que se comportou como um cavalheiro, e ele foi um contraste maravilhoso com nosso falecido irmão. — Por que ela não tinha percebido essas coisas antes?
— Ele é obcecado por sua música, fascinado com isso, — continuou Morgan, — e Ellen entende isso sobre ele. Eu estava sozinha em meu próprio mundo silencioso por tanto tempo que não consigo imaginar uma existência isolada de propósito, independentemente de quão belo som eu possa preenchê-lo.
— Você é muito sensata, irmã. Westhaven disse que eu estava me preocupando por nada. — O marido de Anna frequentemente fazia pronunciamentos confiáveis sobre sua família, e ele estava certo em uma porcentagem agravante do tempo.
— Eu considero Valentine um amigo querido, — disse Morgan, — e tenho certeza de que ele considera o mesmo. A última peça é uma sonata para piano. Estou ansiosa para ouvir.
Ela também estava ansiosa para ter a noite terminada, para ficar sozinha nos cômodos aposentos que a família de Westhaven proporcionava a ela, onde curiosamente, ela começava a desfrutar do silêncio e da solidão.
Anna levantou-se graciosamente. — Vou buscar Westhaven no corredor. Ele é apanhado pelos pares da Câmara dos Lordes e é educado demais para deixá-los conversando com eles mesmos, que é o destino deles no que deveria ser um passeio social.
A linda condessa de cabelos escuros saiu do camarote para resgatar algum velho rabugento do fascínio sem fim de Lorde Westhaven pelo que ele chamava de economia, deixando Morgan a pensar no próprio destino dela.
A vida de solteirona estava próxima, e provavelmente um retorno da surdez não muito depois disso. O médico a avisara, afinal de contas.

O Presente Ducal

Série Windham



Suas Graças, Percival e Esther Windham, Duque e Duquesa de Moreland, criaram uma grande família, e estão a observar como os seus filhos encontram o amor verdadeiro e a felicidade, um por um, nos livros da Série Windham. 

Primeiro, os filhos, Westhaven - 
O Herdeiro - St. Just - O Soldado e Lord Valentine - O Virtuoso, e depois as filhas conseguiram os seus felizes para sempre. 
Esta história encontra a família reunindo-se novamente, em antecipação das festas natalícias, e, apesar do Conde de Westhaven ter boas intenções, as suas palestras sobre poupar todos os cêntimos e autodisciplina, perdem completamente o objetivo da época ...

Capítulo Um

— As poupanças corrigiram esta família e as poupanças vão nos levar, em segurança, para a próxima geração. — O Conde de Westhaven executou uma meia-volta decidido e caminhou calmamente em direção à lareira. — Se pouparmos e praticarmos a disciplina, então, o Ano Novo, e todos os novos anos que se seguirão, trarão apenas boa sorte para a família Windham.
Westhaven deixou de andar o tempo suficiente, para aceitar um copo de conhaque muito fino de seu pai, Percival, o Duque de Moreland.
— Para afastar o frio — disse Sua Graça com um pequeno sorriso.— Moreland, você não pode esperar que o nosso filho beba sozinho, não com a proximidade do Natal. — O sorriso da duquesa era indulgente. Ela se sentou na ponta do sofá mais próximo do fogo, um bastidor em suas graciosas mãos, a luz do fogo destacando as mechas do seu cabelo dourado.
— Apenas um pouco, então.— Sua Graça serviu-se de um pouco, saudou com a taça, a sua esposa de há mais de trinta anos, depois bebeu metade do conteúdo num único gole.
—Eu acredito que está começando a nevar— observou Sua Graça. — Mesmo a tempo do Natal.
As sobrancelhas de Westhaven se contorceram.
—Neve? Quando eu tenho que ir a Surrey de manhã? Isso não vai dar.
Ele era um homem bonito, alto, com cabelo castanho escuro, e os olhos verdes da sua mãe, mas a partir da perspetiva de Sua Graça, o rapaz precisava de um pouco de humor.
—Você é o meu herdeiro, Westhaven, mas isso não lhe dá a capacidade de comandar o Todo-Poderoso em matéria de clima. Termine a sua bebida antes de correr para a sua condessa e aos agrados de uma cama quente numa noite fria de inverno.
Por apenas um momento a expressão de Westhaven ficou envergonhada. O duque trocou um sorriso privado e parental com a sua duquesa.
Westhaven levantou o copo e terminou a sua bebida.
— Os meus agradecimentos pela excelente bebida e pela vossa companhia. Mamãe, boa noite.—Ele se inclinou para beijar o rosto da duquesa. —Sua Graça.
Quando ele apertava as mãos do seu pai, o duque puxou o seu filho para um abraço, não se importando nem um pouco, que isso provavelmente, mortificava o rapaz mais jovem, além do suportável.
—Confesso Esther, que acho os jovens de hoje cansadamente adequados— Sua Graça disse, sentando-se ao lado da duquesa quando Westhaven saía. — Faz-nos imaginar como conseguem nos dar netos.
Sua Graça pôs de lado o seu bordado e apropriou-se do copo da mão do duque.
—Às vezes, todo esse decoro esconde uma natureza apaixonada, que é o caso de Westhaven. Ele pode tagarelar o que quiser sobre poupanças, mas Anna me garante que ele é pródigo em seus afetos, quando estão em privado.
O duque pegou o copo novamente, observando que um mero gole de conhaque permanecia.
—Ele sai a você com essa paixão tranquila, minha querida.
Ela descansou a cabeça no seu ombro, uma familiaridade que só se permitia quando estavam sozinhos.
—Ele sai a você com a sua determinação e fogo, Percival. Quando ele está numa demanda, Westhaven é bastante ducal e ele está numa demanda sobre as finanças da família, como de costume.
Ela ficou em silêncio o único som na sala, o silvo acolhedor do fogo. Sua Graça deixou o resto da sua bebida de lado e se perguntou como, com Westhaven insistindo em poupanças com os seus pais, os planos do duque para o Natal seriam recebidos.
O duque deu um beijo na têmpora da sua esposa. As poupanças ficam para o próximo ano, e talvez por muitos anos vindouros.

O Duque e sua Duquesa

Série Windham
Percival Windham é um segundo filho e oficial de cavalaria, quando se casa com a bela Esther Himmelfarb, que brinda seu amado marido com quatro filhos, em pouco mais de cinco anos de casamento. 

À medida que as finanças de Percival e Esther se tornam restritas, o herdeiro ducal sofre com um coração doente, e o velho duque se torna esquivo e esquecido, a vida de casado parece se tornar uma solidão e uma tribulação sem fim. 
Esther está exausta e emotiva, Percival está considerando a sabedoria de encontrar uma amante, e então duas mulheres do passado de Percival causam mais estragos ao casamento, com consequências potencialmente desastrosas para toda a família Windham.
Percival e Esther devem crescer com a nobreza com que têm resistido e ficar juntos, ou enfrentar a ameaça de destruição de sua família e o lindo amor que começou com tal promessa...
Nesta segunda novela antecedendo à série popular Windham, a autora best-seller do New York Times, Grace Burrowes, continua a história do duque e da duquesa de Moreland, através dos primeiros anos tumultuados e agridoces do casamento e paternidade.

Capítulo Um

— Você é jovem e tem todos os dentes. — George, Sua Graça, o Duque de Moreland fez essa afirmação soar como se Percival tivesse cometido um crime de enforcamento duplo. — Se você copular com esta esposa até a morte, você sempre pode conseguir outra.
Os irmãos de Lord Percival Windham reagiram à observação do duque previsivelmente. Tony lançou a Percy um olhar de comiseração enquanto Peter — mais propriamente o Marquês de Pembroke — recuou da mesa de cartas.
— Estou pronto para me retirar, — anunciou Peter. Ele se levantou e se curvou para o duque. — Sua Graça, sonhos agradáveis.
Os irmãos mais novos de Peter mereceram um aceno de cabeça, um que transmitia mais que um toque de simpatia. Sobre este tema, pelo menos, o herdeiro de um ducado podia delegar o tratamento com um velho irascível aos substitutos.
— Vocês dois são péssima companhia para um homem velho, — cuspiu Sua Graça. — Tragam-me um lacaio para que eu possa me preservar do tédio a ser suportado quando vocês não me permitem mais que um dedo de bebida decente.
Tony e Percy colocaram cada um as mãos sob um dos cotovelos de Sua Graça e levantaram o duque. Tony empurrou a cadeira para longe, e então — só então — Sua Graça livrou-se da sustentação de seus filhos. — Pense em mim como se você estivesse ficando bêbado mais uma vez. — Ele olhou furiosamente para cada filho, um de cada vez. — E eu quis dizer o que eu disse, Percival. A senhora sua esposa pariu quatro vezes em pouco mais de cinco anos de casamento. No meu tempo, um cavalheiro não incomodava sua esposa além do necessário, e certamente não quando ele podia se dar ao luxo de ter seu cio em outro lugar. Sua Graça teria concordado comigo.
Percival não se dignou a responder a isso, embora Tony — homem corajoso — murmurasse: — Boa noite, papai, —enquanto entregavam o duque a um lacaio corpulento e sem expressão.
Quando a porta foi fechada e um pesado silêncio tomou conta, Percival voltou para a mesa e começou a organizar as cartas.
— Ele está errado, Percy. — O caminho de Tony levou-o para o decantador. — Sua Graça não concordaria. Ela diria que o dever de Esther era fornecer tantos filhos quantos você e o bom Deus achassem adequados para ela. Sua Graça era um terror quando se tratava da sucessão.
Nas mãos de Percival, a rainha de ouros apareceu primeiro. — O velho pode ter razão. Esther cumpriu seu dever com a sucessão.
E a que custo? Ela caía na cama exausta a cada noite, embora nem uma vez Percival a tivesse ouvido reclamar.
Com o decantador na mão, Tony levou consigo um copo de conhaque para o lado da sala de jogos onde os dardos eram jogados. Uma superfície robusta de cortiça portuguesa rodeava o alvo circular marcado, os buracos e os cortes ficando cada vez mais próximos do centro.
— Eu seria melhor processando um jogo de dardos, se eu não estivesse bêbado, — Tony murmurou, mirando. — Você não será a morte de sua esposa, Percy. Sua Graça está de luto, é tudo, e não está indo muito bem com isso.
Percival mantinha as mãos ocupadas organizando as cartas, todas indo na mesma direção, da maior para a menor, naipe por naipe. — Ele não está apenas de luto, está morrendo. Pode um homem ficar de luto por sua própria iminente morte?
Tony atirou-lhe um olhar. — Você está soando ducal novamente. Morte iminente? Eu digo que é com Peter que temos que nos preocupar mais. Sua Graça tem humor suficiente para viver até cem. Ele e Sua Graça tiveram alguns anos de cordialidade até o final — em grande parte em função do seu sucesso em povoar o berçário, se você me perguntar.
Quando Percival teve o baralho disposto em perfeita ordem, ele cortou e embaralhou, depois embaralhou novamente. O estalo e o embaralhamento das cartas o acalmavam, colocando-lhe na mente os anos gastos em operações militares - e tremores - no Canadá. — Quanto tempo se passou desde que Peter se aventurou lá fora?
Um dardo foi em direção à parede apenas para pousar a vários centímetros do alvo. — Maldição. Ele fica no terraço quando o tempo está bom. Quando um homem faz quarenta anos, tem direito a uma programação mais sedentária.
Sedentária? Em sua juventude, Peter tinha sido um gigante robusto e loiro. Herdeiro de um ducado, ele tinha sido o maior prêmio no mercado de casamentos em todos os sentidos. Quando ele partiu em seu Grand Tour, metade das damas em Londres entrou em declínio. E agora... 



Série Windham
0.5 - O Cortejo
0.6 - O Duque e sua Duquesa
1 - O Herdeiro


10 de novembro de 2018

Amando um Highlander

 Série Noivas das Highlands
Lady Murine Carmichael tinha tido sua parcela de azar.

Mas quando seu meio-irmão endividado, Lord Danvries, tentou vendê-la em troca de alguns cavalos escoceses tinha sido a gota d'água. 
Se manter sua liberdade significava escapar sozinha, através de uma paisagem agreste, que fosse. Ela mal começara sua jornada quando desabou numa improvável escolta — o forte Highlander que se recusou a comprar sua virtude.
Dougall Buchanan ficou desgostoso com a oferta vergonhosa de Lord Danvries, mas Murine o tenta além dos limites. Mesmo enlameada e empoeirada a moça brilha, com beleza e bravura. Dougall quer fazer mais do que apenas ajudá-la a fugir. Ele quer protegê-la — com sua vida e seu coração — se ela apenas o permitisse. Porque Murine pode estar sendo perseguida por um poderoso inimigo, mas nada se compara à coragem ardente de um Highlander apaixonado.

Capítulo Um

— Eles estão aqui!
Murine levantou os olhos bruscamente da mensagem que estava escrevendo, quando sua criada entrou no quarto. Ela esperou até que Beth fechasse a porta, antes de perguntar: — Você descobriu quem são?
— Não. — A morena parecia irritada. — Nenhuma das criadas, nem as moças da cozinha parecem saber, ou se sabem, elas não estão me dizendo.
— Oh, — Murine disse com desapontamento, então balançou a cabeça e voltou seu olhar para a mensagem que estava escrevendo. Apertando a boca, ela assinou seu nome no final. — Não importa. Eles são escoceses. Certamente a viagem para casa os levará além dos Buchanans ou dos Drummonds e eles vão entregar isso para mim. Mordendo o lábio, ela começou a agitar o pergaminho para secá-lo e acrescentou: — Eu tenho algumas moedas que posso dar-lhes, pelo trabalho.
— A maioria gosta de embolsar as moedas, dizer que vão entregar e jogam fora assim que deixam Danvries, — disse Beth, infeliz. Eu não sei porque você simplesmente não envia um homem de seu irmão com a mensagem.
— Mandei três dessa forma e não obtive resposta, — Murine lembrou-a sombriamente. Boca apertada com desagrado, ela admitiu: — Eu começo a suspeitar que Montrose não está enviando nenhuma.
— Mas por que ele faria isso?
— É difícil saber, com meu irmão, — murmurou Murine, infeliz. — Ele é um... homem difícil.
Beth bufou. — Ele é um patife egoísta e ganancioso, determinado a apostar a vida dele e a sua junto. Mas não vejo razão para ele não enviar suas mensagens para seus amigos.
— Nem eu, — admitiu Murine, infeliz. — Mas se ele enviou, então... Ela mordeu o lábio, não querendo dar voz ao seu maior medo. Se Montrose tivesse enviado suas mensagens, então Saidh, Jo e Edith simplesmente não estavam se incomodando em responder.
Esse pensamento era perturbador e a fez se preocupar que ela tivesse dito ou feito algo, quando elas estavam juntas, para aborrecer todas elas. Murine havia atormentado seu cérebro tentando descobrir o que poderia ser isso, mas não conseguia pensar em nada. Ela então mudou para se perguntar se talvez seu irmão não estava enviando-as, como ele assegurou que iria. Ela não podia imaginar por que, mas na verdade estava começando a esperar que fosse o caso. Certamente isso era preferível de pensar, do que suas três melhores amigas lhe terem dado as costas, por algum motivo.
— Deve estar seco o suficiente agora, — ela murmurou e rapidamente enrolou, em seguida selou o pergaminho.
— Como você vai levá-lo aos escoceses sem seu irmão ver? — Beth perguntou, preocupada, enquanto se levantava.
— Eu ouvi Montrose ordenando a Cook para ter certeza de que teria muita comida e bebida disponíveis, quando os escoceses chegassem — Murine explicou, enquanto deslizava o pergaminho na manga e verificava se ele estava escondido e não estava sendo esmagado...
— Vou passar a mensagem para um dos homens quando Montrose estiver distraído com a comida.
— Seu irmão está oferecendo comida e bebida para alguém? — perguntou Beth, secamente. — Eu nunca pensei ver isso. O bastardo é tão mesquinho que eu pensaria que ele engasgaria com a oferta.
— Espero que ele queira enchê-los com cerveja ou uísque para torná-los mais receptivos a aceitar crédito, em vez de exigir pagamento pelos cavalos que ele quiser, — Murine disse, satisfeita de que o pergaminho estaria bem em sua manga.
— Sim, bem, Deus sabe que ele não tem o dinheiro para realmente comprá-los. Ele já jogou fora todo o seu dinheiro e o seu dote, — Beth disse amargamente.
— Sim, — concordou Murine, de maneira cansada. Não era um assunto que ela queria considerar. Ela ficou horrorizada quando tinha sabido dessa notícia. Ela pensou que sua situação era terrível o suficiente quando ela tinha um dote, mas não era comprometida, mas sem dote, seria impossível encontrar alguém disposto a casar com ela. Agora, parecia que ela iria viver seus dias aqui em Danvries, como uma solteirona, dependente de seu irmão egoísta, e isso seria apenas se ele não se cansasse de sua presença e a mandasse para a Abadia, para se tornar uma freira.
Afastando aquele pensamento deprimente de sua mente, ela escovou as rugas de seu vestido, endireitou os ombros e se dirigiu para a porta. — Venha. Nós nos sentaremos junto ao fogo no grande salão até que eles entrem. Então, quando a comida chegar, usaremos isso como uma desculpa para nos juntarmos à mesa e passar minha mensagem para um dos homens.
— Tinham me dito que seus animais eram superiores e eles certamente são.
Dougall esperou pacientemente quando Montrose Danvries passou a mão pelo lado da égua e depois a circulou, examinando cada centímetro dela.
Em seguida, lord Danvries foi até o garanhão e deu a mesma atenção, examinando seu garrote e as pernas, os lados e a cabeça, da mesma maneira minuciosa. Sua expressão era uma combinação de admiração e apreciação quando ele parou na cabeça da besta. Esfregando uma das mãos no nariz do garanhão, ele murmurou: — Exatamente o que eu estava querendo.
— Se eles atenderam suas expectativas, talvez devêssemos discutir o pagamento, — sugeriu Dougall.
Danvries endureceu, várias expressões cintilando em seu rosto. Acomodando-se em um sorriso largo e falso, o homem virou-se para a fortaleza. — Venha. Vamos entrar para as bebidas.
— Eu disse a você, — Conran murmurou, caminhando ao lado de Dougall. — O bastardo não tem o dinheiro. Ele perdeu tudo na última aposta com seu rei.
Dougall suspirou com as palavras de seu irmão, reconhecendo a satisfação, em meio à irritação, no tom do homem mais jovem. Conran sempre gostou de dizer eu disse a você.
— Venham comigo, senhores, — disse Danvries, sem olhar para trás. — Há muito a discutir.
— Apertando a boca, Dougall olhou para o homem recuando. Danvries deveria ter lhe atirado um saco de moedas e lhe mostrado o caminho. O único momento em que o comprador queria “discutir” assuntos era quando ele não tinha o dinheiro ou queria reduzir o preço. Dougall não era alguém para negociar.
Apesar de saber que era uma grande perda de tempo, porém, ele afastou os murmúrios do irmão e seguiu o inglês para fora do estábulo e em direção ao castelo. 
Ele não precisou olhar em volta para saber que Conran, Geordie e Alick o estavam seguindo. Foi uma longa jornada até aqui e todos estavam com sede. O mínimo que Danvries podia fazer era vê-los alimentados e hidratados, antes de pegarem suas bestas e irem para a Escócia. 
— Ele tentará enganá-lo, — advertiu Conran, nos calcanhares de Dougall. Malditos bastardos ingleses. A maioria deles venderia a mãe por uma moeda. 
— Não, — seu irmão mais novo, Geordie, se colocou atrás deles. — São as filhas que eles vendem. As mulheres velhas não valeriam uma moeda. Elas são amargas demais, por anos vivendo com os bastardos ingleses, para valer qualquer coisa. As filhas, no entanto, geralmente são doces e bonitas e ainda não estão amargas. Retire-as suficientemente jovens e elas são quase tão boas quanto uma moça escocesa. Quase, — ele repetiu, enfatizando a palavra.
— Lord Danvries não tem mãe nem filha, então eu tenho certeza que isso não é uma preocupação, — Dougall murmurou impaciente.
— Ele tem uma irmã, entretanto, — Conran assinalou. Quando Dougall olhou para ele com surpresa, ele assentiu. — Uma velha solteirona deixada para definhar e morrer, graças a Lorde Danvries ter apostado seu dote.
— Ele apostou seu dote? — Geordie perguntou, surpreso quando Dougall não comentou.
— Isso é permitido?

O Amuleto de Meu Destino

Intriga, magia, feitiçaria, uma estranha maldição, perigos... e Amor. 

Ruth é uma mulher moderna, com uma vida aparentemente perfeita e, um casamento feliz? Sem esperar, ela tem um encontro com uma feiticeira, mas a realidade que ela descobrirá lhe destroçará o coração, porque nem tudo é o que parece. 
Aquela atípica mulher lhe presenteará com um amuleto mágico e a possibilidade de mudar seu destino, sem mencionar o quão radical a mudança pode chegar a ser.  Um desejo e uma viagem no tempo levarão Ruth ao ano de 1831, estranhas maldições e numerosos perigos farão parte dos acontecimentos com os quais Ruth deverá se confrontar em sua nova vida. Porém ela não estará sozinha. Lorde Werwich, um convicto mulherengo, relutante ao compromisso, a protegerá e cuidará dela, mesmo temendo aquilo que ela possa fazê-lo sentir. Poderá Ruth sobreviver naquela nova realidade? Ela se renderá diante daquele enigmático homem? Ela preferirá regressar a sua almejada vida anterior? Somente seu coração poderá decidir. E você, o que faria se tivesse a oportunidade de mudar seu destino? 

Capítulo Um

Londres, ano 1831…
Os primeiros raios de sol entraram pela enorme janela do aposento onde Ruth dormia, tirando-a do sonho espantoso que tivera naquela noite. A traição de seu marido voltou a estar presente em seu pesadelo, algo que não a deixara descansar tanto quanto necessitava. 
Quando despertou, inquietou-se ao não saber onde se encontrava, arregalou os olhos e precisou se beliscar, para comprovar que não era um sonho aquilo que estava vivendo. Não reconhecia aquele aposento onde amanhecera, era o dobro de tamanho do quarto de casal de sua casa. Sua cama de ferro fora substituída por uma de madeira de carvalho, com dossel, da qual caíam finas cortinas de cor vermelha com estampa bege. 
Dirigiu seu olhar à enorme janela que dava a um amplo balcão, ocupando a maior parte da parede direita e que estava adornada com cortinas semelhantes às que estavam penduradas no dossel da cama. Sua televisão de plasma desaparecera e em seu lugar, um grande armário do mesmo tipo de madeira da cama com várias portas e gavetas, ocupava toda a parede central. 
Na parte esquerda do quarto, havia uma penteadeira com alguns frascos de perfume e um pente de prata. Uma cadeira estofada do mesmo tecido bege da colcha da cama, completava o perfeito conjunto de móveis. Na parede havia um grande espelho colocado para que qualquer um que se olhasse, pudesse ver-se dos pés a cabeça e no extremo do aposento, havia uma bacia para o asseio. 
Ela não fazia ideia de onde estava, mas o que mais a preocupava não era isso: era como chegara até ali? Levantou-se da enorme cama e procurou, desesperadamente, seu telefone móvel por todo aposento. Precisava chamar alguém que pudesse lhe explicar onde estava, precisava pedir ajuda. 
Entretanto, não havia nem rastro de seu iPhone 5. Golpes na porta a fizeram retornar rapidamente à cama. Estava assustada por desconhecer a pessoa que batia à porta e tentou refugiar-se entre os lençóis. O medo de um possível sequestro se apoderou de todo seu corpo. 

Bodas de Odio

Com sua beleza ruiva, sua teimosia e seu espírito impulsivo, a jovem Fiona de Malone faz honra a sua origem irlandesa.

Nega-se a seguir os costumes portenhos da época, pois está decidida a casar-se por amor. Por isso se desespera quando seu pai impõe seu matrimônio com Dom Juan Cruz de Silva, protegido do tirano Juan Manuel de Rosas. De Silva, apelidado de “o Diabo”, tem um escuro passado e deve a sua prosperidade a sua inteligência, coragem e frieza, como também ao afeto que Rosas têm por ele. Para consolidar sua posição deve casar-se com uma jovem de boa família, e a beleza de Fiona o conquistou. Entretanto, o matrimônio começará marcado pelo ódio. Juan Cruz e Fiona só serão felizes se souberem ceder à imensa força do desejo e do amor.

Capítulo Um

Mariquita Sánchez de Trompson A noite de 9 de julho de 1847, Buenos Aires. 
Fiona de Malone suspirou cansada e sentou-se meio entorpecida na poltrona. Dali observava a sala principal da mansão, lotada de gente. Fizera uma pausa no baile. Os homens, reunidos em pequenos grupos, conversavam de política. As jovenzinhas, excitadas, consultavam suas cadernetas e anotavam os nomes dos cavalheiros que tinham pedido esta ou outra peça. Em um canto, a orquestra afinava os instrumentos, enquanto seu maestro, o professor Favero, recebia instruções da anfitriã, Misia Mercedes de Sáenz.
As mulatas iam e vinham com mate nas mãos, bandejas com manjares e garrafas de vinho. Tudo parecia ocorrer como foi pedido, os convidados pareciam satisfeitos e a proprietária da casa resplandecia pelo êxito de sua reunião social no Dia da Independência. Fiona voltou a suspirar, pensando em sua cama, quentinha e cômoda, em um bom livro, ou no copo de leite quente que sua criada preparava a cada noite. Mas não! Aí estava, rígida, de espartilho até os seios, os pés gelados, e com muito desejo de voltar para sua casa. Sentia-se cansada; nada parecia atraí-la, sempre era o mesmo.
Definitivamente, odiava as festas; em realidade, para ela não eram mais que uma feira de luxo, aonde o gado se substituía por mulheres desesperadas para encontrarem um marido. Uma solteirona: antes, fossem ao convento. Perguntou-se, então, por que permanecia nessa tertúlia, em uma gelada noite de inverno, entre pessoas tediosas e espalhafatosas.
Pensou por instantes e recordou as palavras de sua avó Brigid essa tarde.
— Deve ir, Fiona — lhe ordenou a anciã. — Se se negar a participar de todas as festas que lhe convidam, nunca conseguirá um bom partido para se casar, — predisse sua tia Ana, colocando um pente ornamentado de prender cabelo na sua cabeça que ela, a sua vez, tirou-o rapidamente.
— What are you doing, girl? Não percebe o trabalho que dá colocá-lo em um cabelo tão liso como o seu? — recriminou-lhe a tia. — Não irei com pente de prender cabelo. Os odeio. Além disso, não quero conseguir um bom partido para me casar, quero me apaixonar.
A jovenzinha, desafiante, observava alternadamente para sua tia e sua avó. — Good heavens! Essas baboseiras românticas que lhe colocaram na cabeça, Fiona, são ridículas; terminarão por me enlouquecer. A anciã se deixou cair em uma poltrona.
As ideias irreverentes de sua neta conseguiam tirá-la do controle.
— Por que são ridículas, Grannie? Acaso você não se casou apaixonada pelo Grandpa?
— Menina! Que perguntas você faz? — exclamou sua tia.
— Grannie... — disse Fiona, insistindo para que sua avó respondesse.
— Bom... não...

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3 de novembro de 2018

Satisfaça-me

A juventude e a beleza são os tesouros mais apreciados que uma cortesã pode possuir, contudo nos seus quarenta e um anos, lady Ruth Attwood parece ter perdido ambos. 

Enquanto tenta aceitar o fato de que já não a consideram uma mulher desejável, não sabe se sente-se ofendida ou adulada quando o barão Garrick Stratfield, um homem doze anos mais jovem que ela, lhe faz uma incomum oferta que não pode recusar.
Apesar de ter fama de ser muito apaixonado, Garrick nunca esteve com uma mulher por medo do rechaço que seu defeito físico lhe pudesse provocar. Para manter as aparências, só necessita de uma amante disposta a não compartilhar de seu leito.
Mas Garrick não contava que Ruth conseguiria fazer estragos nos seus sentidos e que só necessitaria de um delicioso beijo para despertar sua paixão.

Capítulo Um

Londres, 1897
— Estou certo de que compreende minha querida. A senhorita Fitzgerald e eu, sentimos um afeto mútuo que supera o que você e eu compartilhamos neste último ano. Assombra-me que tenha aceitado minha proposta, visto que é muito mais jovem que eu.
Ruth, em pé perante da janela e de costas para Marston, estremeceu. O que queria dizer na realidade, era que Ernestina Fitzgerald era mais jovem que ela. O tom de seu amante soava bastante autossuficiente para saber que o bastardo estava divertindo-se. Passara por essa mesma situação, muitas vezes, ao longo dos últimos vinte anos, mas nessa ocasião, era pior. Era a segunda vez em menos de dois anos, que um amante deixava-a por outra mulher mais jovem. E aos quarenta e um anos, ela era velha, não? Tremiam-lhe as mãos apesar de que apertava-as, com força. Respirou fundo, obrigou-se a esboçar um sorriso e voltou-se para ele.
— É claro que o compreendo, Freddie. — Ruth usou o apelido de propósito, o que lhe rendeu um olhar furioso de seu amante. Sabia quanto odiava que chamassem-no, assim. — Estou certa de que formarão um casal muito bom. Pelo que tenho entendido, o talento da senhorita Fitzgerald como hábil conversadora equipara-se ao teu.
Marston lançou lhe um olhar receoso, mas Ruth sabia que ele nunca compreenderia o duplo sentido. Esse homem não era, absolutamente, tão inteligente quanto gostava de acreditar. De fato, era um irremediável inepto no que se refere a manter uma conversação coerente sobre qualquer assunto que não fosse a caça ou a pesca. De repente, odiou-se a si mesma por ter sequer aceite manter uma relação com ele. Sabia porque o fizera. Entretanto, não quisera reconhecer até esse momento. Tivera medo. Medo de que estivesse acabando o seu tempo. E agora, acabara.
— Naturalmente, me encarregarei de que seja paga sua atribuição deste mês.
— Naturalmente — replicou ela com frieza. Não estava disposta a deixar que ele visse que essa ruptura a afetava. Não era tão inesperada quanto humilhante. — E Crawley Hall?
— Lamento Ruth, mas me parece um presente de despedida muito extravagante, não acredita?
— Prefiro considerar o cumprimento de uma promessa que fez vários meses atrás.
Olhou-o com os olhos entreabertos. Necessitava aquela propriedade.O orfanato de Aston Street estava transbordando, e para os meninos mais doentios faria bem o ar puro do campo.
— Prometi? Não recordo ter feito semelhante coisa.
— Então, possivelmente deveria fazer que Wycombe refresque-lhe a memória, já que ele estava presente quando aceitou comprar o imóvel para mim.
— Estou certo de que Wycombe não recordará desse fato — replicou Marston, com algo mais que um leve rastro de presunçosa arrogância. — Por outro lado, você já tem uma propriedade no campo. Não vejo nenhum motivo para que possa necessitar de outra. Se estiver preocupada com dinheiro, sempre poderá vender as joias que lhe dei de presente.
“Porco dissimulado.” Esse bastardo sabia porque queria Crawley Hall. Também, sabia muito bem, que a casa que possuía junto ao Bath era muito pequena para satisfazer suas necessidades. E as joias com que a presenteara, somente obteria o suficiente para um primeiro pagamento por Crawley Hall. Necessitaria muito mais que isso para comprar aquela propriedade. Embora, no momento desfrutasse de uma segurança econômica, teria que ser cuidadosa com o dinheiro, já que seu futuro distanciava-se muito de ser brilhante no referente a conseguir um novo protetor. Dirigiu-lhe um sorriso desdenhoso.
— As joias que me deu de presente? Freddie, querido, essas bagatelas dificilmente se venderão por uma considerável soma. Não obstante, se negar a manter sua promessa com respeito à Crawley Hall, quem sou eu para questionar sua honra? — Ruth vislumbrou o enfurecido obscurecimento de seu rosto quando deu-lhe as costas, encolhendo os ombros presunçosamente.
— Já que não temos nada mais que nos dizer, acredito que é o momento de que te vá.

26 de outubro de 2018

Rebelde

Série Guerreiros MacKinnon
Acusados de um crime que não cometeram, os irmãos MacKinnon enfrentam uma sentença de morte a menos que aceitem servir a Coroa Britânica e lutar contra os franceses.

Aliados com as tribos indígenas que vivem no deserto, os guerreiros das Highlands escocesas compõem uma nova classe de soldados, Os Rangers MacKinnon.
O major Connor MacKinnon despreza o seu comandante, lorde William Wentworth, mais que a qualquer homem. Porém, quando Wentworth pede que vá resgatar sua sobrinha dos índios Shawnee, que a tomaram como prisioneira, Connor aceita, embora espere encontrar em lady Sarah Woodville um ser tão despresível quanto seu tio. Para sua surpresa, encontra uma garota valente e bonita, mas em perigo e desesperada. No entanto, a única maneira de libertar Sarah é Connor derrotando o guerreiro Shawnee que a sequestrou e a reclamando como sua esposa.
Devastada pela tragédia que assolou sua vida protegida em Londres, lady Sarah não está preparada para a dureza das colônias fronteiriças, nem para a atração que sente por Connor. Contudo, quando chegam a civilização, é ela quem deve protegê-lo. Se seu tio descobrir o que Connor teve que fazer para salvá-la, o matará. Mas, as chamas da paixão, uma vez acesas são difíceis de apagar. Quando o desejo se transforma em amor, Connor terá que desafiar todo um império para manter Sarah ao seu lado.

Capítulo Um

20 de março de 1760, a noroeste de Albany
Lady Sarah Woodville lutava para manter-se ao lado do seu captor, os pulmões doendo pela respiração e uma pontada, parecida a uma afiada adaga, nas costas. Implacável, ele puxou-a para frente, ajustando o cordão de couro que segurava seus pulsos. Os dedos dos pés estavam rígidos pelo frio e suas coxas ardiam pela estrada íngreme colina acima. Cada passo era uma agonia, com os pés cheios de bolhas e os calcanhares em carne viva pelo couro molhado de seus novos sapatos. E, no entanto, não se atrevia a pedir que a soltasse, nem sequer que fossem mais devagar.
Sabia que ele a mataria.
Ela estava navegando com a Sra. Price, sua acompanhante e Jane, a nova criada da senhora em Nova York, pelo rio Hudson em direção a Albany, onde tinha planejado implorar ao seu tio William que a ajudasse, quando o capitão tinha se encontrado com icebergs de gelo bloqueando o rio. Tentou abrir caminho, mas terminou com o navio encalhado em um banco de areia ao lado da colina ocidental. Desfazendo-se em desculpas por seu erro de julgamento, enviou imediatamente alguém em busca de ajuda, assegurando a Sarah que Albany não estava longe, rio acima.
Mas o estômago da Sra. Price não conseguiu tolerar o balanço do navio encalhado. Para ajudar a aliviar seu mal de mar, o capitão, Sarah e Jane haviam desembarcado, junto com outros passageiros que ficaram enjoados.
Mas, assim que puseram os pés na colina, ouviram um tiro de mosquete e o capitão caiu morto.
Então, os mais terríveis gritos que poderiam ser concebidos saíram da floresta, seguidos por homens pintados, segurando mosquetes, facas e machados. E, em questão de momentos, todos os que haviam deixado o navio, além de Sarah, Jane e um jovem, haviam sido mortos, seus cabelos ensanguentados pendurados nos cintos de contas.
Tio William enviaria soldados. Ele poderia até enviar seus Rangers.
Sarah tinha contado oito atacantes, mas só podia ver a três agora, seu captor e os dois que carregavam Jane e o menino. Só em raras ocasiões, os índios olhavam para os seus prisioneiros e nunca com preocupação, seus rostos terríveis à vista, pintados em tons de vermelho e preto, com a cabeça raspada, exceto uma só mecha de cabelo sobre o couro cabeludo como uma crista, seus corpos estavam cobertos de peles curtidas e pintadas.
E pensar que ontem ela havia dito a Jane que esperava ver um índio.
Por quanto tempo caminharam? Sarah não podia dizer. A dor em seus pés tornou-se insuportável e ainda assim não teve escolha senão suportá-la. Os índios seguiram um caminho através de pinheiros altos, evitando a neve sempre que podiam, com o solo inclinado para cima e a floresta escura em torno deles. E, de repente, na distância, Sara ouviu o som dos tambores militares.
Soldados!
Os índios também ouviram. Pararam, falaram um com o outro com palavras silenciosas que Sarah não conseguiu entender. Jane inclinou-se contra uma árvore, tentando recuperar o fôlego e seus espessos cabelos vermelhos, depois que caíram dos grampos, ficaram pendurados nas costas numa trança longa. O menino olhou para Sarah, com medo em seus olhos verdes, seu rosto polvilhado com sardas. Vestido de entrecasaca, tinha aspecto de morar na fronteira. Quantos anos ele teria? Nove? Dez? Sua família estava entre os mortos?
Pobre criança!
A mente de Sarah derivou até os pensamentos de sua própria família. O que eles fariam quando descobrissem que havia sido levada pelos índios? Será que os pais se arrependeriam de mandá-la para longe? Ou seria sua culpa ter deixado à segurança de Nova York? Se ela tivesse sido a filha que sua mãe queria que ela fosse e não tão envolvida em sua música, não haveria nenhum escândalo e ela estaria segura em sua casa em Londres, longe desse lugar selvagem e terrível.
O menino se aproximou dela, como se estivesse buscando o conforto de uma mãe.
Não pense apenas em si mesma, Sarah, que vergonha! Você tem dezoito anos e ele é apenas uma criança.
Ela sorriu e ofereceu encorajamento silencioso. Então seus captores voltaram e olharam para eles como se estivessem cientes deles pela primeira vez. Aquele que segurava sua corda estendeu a mão, pegou uma mecha de seus cabelos entre os dedos e esfregou, seus olhos escuros cravados nos dela. Ela sentiu seu coração encolher sob seu olhar frio, mas se forçou a sustentar seu olhar, recusando-se a deixá-lo ver o quanto a assustava.
Nunca revele seu verdadeiro eu aos que não te amam de verdade.
As palavras de lady Margaret vieram até ela, um eco longe no tempo.
Então, novamente, ouviu o toque do tambor. Tão abruptamente quanto pararam, os índios começaram a se mover de novo, arrastando Sarah e os outros mais rápido desta vez, primeiro colina acima, depois para baixo, até que a dor nos pés de Sarah fosse tão insuportável que ela teve que lutar para não gritar, com lágrimas nos olhos. Então, finalmente, os índios pararam, deixando-os descansar perto de um córrego congelado na base da colina, inclusive libertando-os de suas amarras, como se soubessem que seus prisioneiros estavam muito exaustos para escapar.
Um dos índios entregou a Sarah um odre de água e fez um gesto para que bebesse. Assim o fez e com gratidão. Mas quando quis dar o odre a Jane, o arrancou de suas mãos.
Seu captor ajoelhou-se diante dela, com um par de mocassins nas mãos e olhou atordoada, como ele descartava os sapatos e as meias rasgadas e lavava suas bolhas com a água do odre e depois deslizava os mocassins macios e quentes em seus pés. Mostrando em seu rosto uma máscara fria de indiferença, se levantou e se afastou para falar com os outros. E por um momento, Sarah ficou sozinha com Jane e o menino. Ela encontrou o olhar do menino.
—Você é um jovem muito corajoso, como se chama?
—Thomas Wilkins, senhorita. —Thomas deu um sorriso triste, seu olhar caindo para seus mocassins. —Acredito que vai te manter com vida, pelo menos.
Suas palavras a surpreenderam.
—O que você quer dizer?
—Eles lhe deram água e mocassins, mas não a nós. —Seu olhar caiu a seus pés de novo. —Eles pensam que nossos soldados não poderão te seguir se você tiver mocassins em seus pés.
—Mas e você, Thomas e minha doce Jane?
Não muito mais velha do que ela, Jane tinha sido uma fiel companheira de Sarah desde que tinha sido enviada a Nova York para ficar com o governador DeLancey. Jane não enrugou o nariz para Sarah como as outras, pelo contrário, ela mostrou simpatia e compreensão, apesar do escândalo. Desde a morte de Lady Margaret, que tinha sido a única amiga de Sarah.
Ela deu a Sarah um sorriso trêmulo.
—Você deve continuar, eu acho, minha senhora, mas tenho medo de que nós dois ficaremos neste lugar solitário.
Um arrepio que não tinha nada a ver com o frio deslizou pelas costas de Sarah.
—Não! Não diga tal coisa!

Série Guerreiros MacKinnon

20 de outubro de 2018

Tudo que Eu Quero

Série Duques da Guerra
Ele ensinou-a a confiar. Ele ensinou-a a amar. 

E então ele a deixou sem uma palavra. Hoje à noite ele está de volta. 
Se por um momento ou para sempre, dependerá da virada de uma carta. Vinte e um para ganhar - ou perder tudo. 
O futuro deles dependerá de jogar a carta certa ... 



Capítulo Um 

Outro sarau elegante, outra proposta rastejante de um pretendente faminto de dinheiro com idade suficiente para ser o pai de Matilda. Apesar de seus sapatos de salto alto, Lady Matilda Kingsley correu para o salão de jogos. 
Ela não queria nada mais do que correr para casa e esquecer seus problemas no conforto de um bom livro. Mas para chegar lá, ela precisava do primo Egbert. Ele tinha sido seu acompanhante durante a maior parte de sua vida. 
Ele era um perdulário para todos os seus. Era um elemento fixo em todas as mesas de apostas e jogos de azar em toda a cidade. O pior de tudo, ele tinha a sorte do diabo. Ele não deixava uma mesa até que a moeda de todos os outros tilintasse dentro de seus bolsos, o que às vezes ia muito além do amanhecer. 
Os passos de Matilda diminuíram. Aquele era o primo Egbert, envolto em fumaça de charuto e roupa enrugada, com um pé dentro do salão de jogos e um pé fora? Ele estava gesticulando para ela? Ela parou de andar. 
Normalmente, ela que era encontrada pairando em uma porta, tentando em vão sinalizar a ele que estava pronta para sair, sem deixar os dedos dos pés atravessarem o limiar fino da infame sala de jogos. Fazer isso seria cortejar o escândalo. E, no entanto, ele estava ali, acenando-lhe para se juntar a ele. 
Algo estava muito estranho. Seu pescoço formigou. Todos os seus sentidos ficaram em alerta máximo. Ela arriscou apenas na medida do batente da porta, e pôs a mão no braço de seu primo. 
─ Eu quero ir para casa, ─ ela murmurou. ─ Por favor, primo. Foi uma noite longa. O arranjo tácito deles era que se conseguisse chamar sua atenção, ele seria obrigado a levá-la de volta à casa. Mas desta vez ele sacudiu a cabeça. Seus olhos estavam frios e duros, seu sorriso fácil distorcido e mesquinho. 
Seu estômago se contorceu. Ela não tinha visto essa expressão em seu rosto em anos, mas ela sabia muito bem o que significava: não haveria como falar com ele sobre qualquer problema que estivesse criando. E ele pretendia envolvê-la no meio disso. 
─ Por favor, ─ ela repetiu, embora soubesse que era inútil. Seus olhos estavam muito vidrados. Mas ela tinha que tentar. ─ A música acabou. Não podemos ir para casa? 
─ É claro, ─ disse ele, mas seu sorriso severo só aumentou. ─ Eu estou terminando um jogo de azar. Se você jogar minha última mão, podemos estar a caminho. Seu batimento cardíaco falhou, então acelerou a novas alturas. O que ele queria dizer? Se cruzar o limiar era escandaloso, jogar seria sua ruína. Só podia ser um truque. Mas por quê? E de quem? 
─ Você ... deseja que eu aposte? ─ Sua garganta estava seca demais para engolir corretamente. Ele sorriu. ─ Basta jogar uma mão. Então eu vou te levar para casa. Eu prometo. ─ Ele agarrou-a pelo pulso e puxou-a para a sala iluminada por velas. 
Seus músculos se trancaram. Ela não deveria estar em qualquer lugar perto desta sala. Ou desses homens. Tudo que Eu quero – Erica Ridley Fumaça subia dos dedos e bocas de todos os cavalheiros presentes, tornando o ar espesso e doce demais da fumaça de seus charutos. 
Um bando de dândis cercava o que ela assumiu ser uma mesa de jogo. Duas dúzias de espectadores embriagados em linho extrafino e calças de camurça a rodeava. Eles se separaram para deixá-la passar. 
A mesa era pequena, redonda e vazia, salvo por um pedaço de papel dobrado e um conjunto de cartas de jogar empilhadas de um lado. Um soldado estava sentado em uma das duas cadeiras de madeira, de costas para Matilda. Seus ombros largos e músculos definidos preenchiam seu casaco vermelho imaculado. Dragonas douradas e as estrelas correspondentes marcavam-no como um oficial. 
Ela voltou seu olhar em direção a seu primo. Seu sorriso cruel gravou mais fundo em seu rosto, quando ele a puxou à vista do rosto do soldado. Owen Turner. 
A agitação em seu estômago borbulhava em náusea. 
Ela estendeu a mão para firmar-se. Alguém empurrou-a para a cadeira vazia. Ela tentou não olhar, não encarar, mas seus olhos tinham fome de um mero vislumbre dele por muito, muito tempo ... Ele era lindo. O primeiro amigo que ela já fez. O único garoto que ela sempre amou. 

Série Duques da Guerra
1 - Tentação de Natal do Visconde
1.5 - O Feriado de Lady Amélia
2 - A Desafiante Solteirona do Conde
3 - A Amante Intelectual do Capitão
4 - A Falsa Noiva do Major
5 - Noiva em Fuga
6 - A Passageira Clandestina do Pirata
7 - Esposa Acidental do Duque
8 - Tudo que Eu Quero
Série Concluída

Esposa Acidental do Duque

Série Duques da Guerra
A senhorita Katherine Ross é uma socialite rica e excêntrica que sabe exatamente o que quer: nem marido, nem filhos, nem luz de velas ou tête-à-tête com o insuportavelmente sem emoção Duque de Ravenwood. 

Ela está convencida de que seu coração é de gelo - até que toca no peito esculpido e cinzelado do Duque. Um lapso de julgamento é tudo o que é preciso para transformar a vida de ambos e virá-la de pernas para o ar ...
O Duque de Ravenwood não é frio e arrogante, mas secretamente romântico que sempre sonhou em se casar por amor. Em vez disso, conhece a Srta. Katherine Ross - uma mulher obstinada e decidida que tem a intenção de desvendar seu mundo cuidadosamente ordenado. Ele não sabe se deve beijá-la ou estrangulá-la. Eles podem sobreviver à companhia um do outro o tempo suficiente para transformar um compromisso em amor?

Capítulo Um

Junho 1816 Londres,Inglaterra

Lawrence Pembroke, Duque de Ravenwood, não podia esperar para fugir do palácio de Westminster. Como de costume, a “curta” reunião da Câmara dos Lordes não havia começado até às quatro da tarde, porque a maioria dos lordes presentes não poderia sair de suas camas até pelo menos dar o início da tarde, em seus relógios.
Ravenwood, no entanto, estava acordado desde o amanhecer. 

Ele não gostava nem de beberrões nem de dançar, e não ficou satisfeito com o que se pretendia ser um debate prático e inteligente sobre a necessidade de uma maior estabilização da moeda no pós-guerra, ter se deteriorado, mais uma vez, para a especulação sobre o recente casamento da Princesa Charlotte, e fofocas alegres sobre a aparição de uma senhorita Katherine Ross, sem máscara, numa das festas de máscaras do Duque de Lambley.
Lambley se safava dessa maneira, porque era um duque. Ele não apenas era a razão pela qual o Parlamento não podia começar a trabalhar em uma hora mais razoável, como o maldito homem estava alegremente contando histórias deliciosas das artimanhas da Srta. Ross. Essa senhorita Ross era prima de Lambley, que, aparentemente, encenara sua façanha para atrair outros aristocratas frívolos a participar de uma paixão igualmente frívola.
Ravenwood não estaria presente. Nunca. 

Além de uma antipatia visceral por multidões e bailes, ele desprezava qualquer comportamento que banalizasse seu título ou a sua integridade.
Nem sequer estaria no Palácio de Westminster até um quarto para a meia-noite, se não tivesse as suas responsabilidades como duque e membro do Parlamento, pelas quais tinha o maior respeito. 

Ele, pelo menos, iria defender seu dever para com a Inglaterra, apesar de certos lordes caprichosos desperdiçarem um tempo precioso com fofocas ociosas. E sairia daqui antes da meia-noite, se humanamente possível. Sua irmã implorou para que parasse para jantar depois da reunião, e Ravenwood dera sua palavra.
Ele se pôs de pé.
— Proponho que formemos um Comitê de Cunhagem para investigar opções e propor não apenas um curso de ação, mas também um cronograma para alcançá-lo.
A conversa parou enquanto dezenas de rostos viravam em sua direção.
Ravenwood manteve seu tom imperioso, seu rosto uma máscara em branco, apesar de seu coração acelerado. Não gostava que o encarassem ainda mais do que não gostava de salas lotadas, mas o dever vinha primeiro. A Câmara dos Lordes precisava de uma babá, mas esta noite deveria se contentar com Ravenwood. A experiência lhe ensinara que a maneira mais conveniente de atingir um objetivo, era comprometer a si mesmo.
Muito bem.
— Quem estiver interessado em se juntar ao comitê fiduciário deve chegar duas horas antes da nossa próxima reunião. Até que uma cadeira possa ser formalmente nomeada, eu irei encabeçar o esforço nesse ínterim. — Ele enviou seu olhar frio e imperioso sobre a câmara. — A menos que um de vocês queira se voluntariar para o lugar?
Claro que não. O punhado de lordes com inteligência e convicção suficientes para se juntar a tal comitê, era brilhante o suficiente para não se voluntariar para administrá-lo. Com certeza, os lordes mais tolos e indolentes estariam ainda na cama na hora marcada, dormindo após outra noite de farra.
Que assim fosse.
Assim que a reunião foi encerrada, Ravenwood saiu do Tribunal para o ar frio da noite. Uma vez sentado dentro da sua imponente carruagem de quatro cavalos, permitiu-se um pequeno suspiro de alívio por ter finalmente um momento de paz.
Mais seis semanas. Isso era tudo. O Parlamento se dispersaria em julho e não seria retomado até o mês de novembro seguinte.
Graças a Deus. Ele caiu contra o encosto. Nada esgotava sua energia e seu espírito com tanta eficiência quanto ser forçado a interagir com multidões de pessoas que não podia compreender nem encurralar.
Lady Amélia era a epítome de uma mulher incapaz de ser encurralada, mas pelo menos a compreendia. Ele não só valorizava sua mente afiada e suas formas de gestão, mas também sentia muita falta de sua presença em sua casa, agora que ela era casada com Lord Sheffield.
Ravenwood nem percebeu o quanto sentira falta dela até receber o seu convite para jantar.
Ele sempre manteve uma natureza silenciosa e reservada, mas sem a irmã sempre a colocar o nariz onde não devia, as únicas palavras que lhe diziam em casa nos dias de hoje eram ‘Sim, Sua Graça’ ou ‘Talvez o colete azul, hoje?’


Série Duques da Guerra
1 - Tentação de Natal do Visconde
1.5 - O Feriado de Lady Amélia
2 - A Desafiante Solteirona do Conde
3 - A Amante Intelectual do Capitão
4 - A Falsa Noiva do Major
5 - Noiva em Fuga
6 - A Passageira Clandestina do Pirata
7 - Esposa Acidental do Duque
8 - Tudo que Eu Quero
Série Concluída

Uma Noiva Tentadora

Trilogia Fitzhugh
Helena Fitzhugh entende perfeitamente bem que seria arruinada se seu caso de amor secreto fosse descoberto. 
Então, quando um encontro corre mal e ela está prestes a ser pega no ato, é com a maior relutância que aceita a ajuda de David Hillsborough, Visconde Hastings, e foge com ele para salvar a sua reputação. Helena desprezou David desde que eram crianças —o famoso libertino a atormentou toda a sua vida. 
David, por outro lado, sempre amou Helena, mas seu orgulho nunca o deixará admitir os segredos de seu coração. Um acidente de carruagem no dia seguinte de sua fuga, no entanto, rouba a memória a Helena. Por fim, David se atreve a revelar seu amor, e ela o acha fascinante e desejável. Mas o que acontecerá quando sua memória retornar e ela perceber que se apaixonou por um homem em que jurou nunca confiar?

Prólogo

Janeiro, 1896
David Hillsborough, Visconde de Hastings, nunca se apaixonou. E ele, com toda certeza, nunca foi rejeitado no amor. Isso porque ele tinha um coração alegre e abençoadamente liberto. Embora ele se dedicasse a si mesmo, espalhava amostras de todo o charme que tinha para oferecer como um solteiro jovem, rico e bonito.
Essa era, de qualquer forma, sua posição oficial.
Ele suspeitava que a maior parte das pessoas próximas a ele soubesse a verdade —possivelmente há muito tempo, de sua especial circunstância de amor não correspondido que durava aproximadamente metade de sua vida. Mas ele encontrava conforto no fato de ela não ter a menor ideia. E, se Deus quisesse, ela nunca ia saber.
Porque ele estaria em um inferno se algum dia ela descobrisse.
Não que ele estivesse muito longe disso no momento, observando a garota dos seus sonhos, Srta. Helena Fitzhugh, admirando outro homem com adoração. Sua irmã mais velha era conhecida por todos como a grande beleza daquele tempo, mas sempre foi Srta. Fitzhugh a mulher de quem ele não conseguia tirar os olhos.
Ele não invejava que ela amasse outro. Afinal de contas, se ele recusava a disputar o concurso, não poderia reclamar de outra pessoa receber o prêmio. Mas ele se importava, bastante, de que o homem para quem ela esbanjava sua atenção não a merecesse.
Anos atrás, Andrew Martin teve a oportunidade de desposa-la, mas sua mãe esperava que ele se casasse com outra pessoa a fim de unir duas propriedades próximas. Sem coragem de desafiar a velha Sra. Martin, ele se casou com outra pessoa.
Mesmo em uma terra de gélidos casamentos formais, o casamento do Sr. Martin se destacava por sua frieza e formalidade. Marido e mulher jantavam em horas diferentes, andavam em diferentes círculos e se comunicavam quase completamente por mensagens escritas.
Nada disso importava. Feliz ou não, um homem casado era um homem casado, e uma moça respeitável deve buscar outro lugar para satisfação.
A Srta. Fitzhugh era uma rebelde. Até agora, entretanto, ela ultrapassou não apenas regras, como recomendações. Quando ela se tornou a única de seus irmãos a escolher uma educação universitária, isso foi visto como uma excentricidade. E quando ela foi atrás de sua pequena herança e usou o dinheiro como capital para uma editora que ela mesma administrava, o risco foi descartado como simplesmente outra peculiaridade na família —afinal de contas, seu irmão, Conde Fitzhugh, administrava o curtume que sua esposa rica tinha herdado.
Mas tolerar uma amizade próxima com um homem casado pressionava os limites de um comportamento aceitável. Ela não precisava cometer nenhum pecado de verdade; parecer inapropriado era o bastante para mancha-la.
A sala de estar na propriedade rural do Lorde Wrenworth foi inundada de risos e bom humor. Sra. Denbigh, a amiga casada de Srta. Fitzhugh que era sua dama de companhia no baile da Casa Wrenworth, estava muito ocupada aborrecendo ela mesma. Hastings esperou por uma pausa na conversa em que ele participava, pediu licença, e atravessou a sala até onde Srta. Fitzhugh e Martin sentavam em um sofá chaise-longue, seus corpos de frente um para o outro, efetivamente bloqueando qualquer um que quisesse participar da conversa.
—Sr. Martin, o que você ainda está fazendo aqui? —Hastings perguntou. —Você não tem seu novo livro para escrever?

Trilogia Fitzhugh
0.5 - Reivindicando a Duquesa
1 - Uma Beleza Sedutora
2 - Uma Mulher para Todas as Estações
2.5 - Uma Dança ao Luar
3 - Uma Noiva Tentadora
3.5 - The Bride of Larkspier
Nova Leitura
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