28 de setembro de 2014

A Marca da Paixão



Marcada pela batalha, Lady Isobel Dalceann lutou ferozmente para defender sua fortaleza, colocando em risco a própria vida. 

Por que, então, permitiu que um estranho ultrapassasse suas muralhas? 
Embora configura uma ameaça, as cicatrizes de guerra no corpo de Marc de Courtenay também refletem as dela, fazendo com que Isobel sinta-se inclinada a depositar sua confiança em um mercenário solitário. 
E ele está cada vez mais atraído pela machucada, porém linda, Isobel. Mas agora ela treme ser traída, uma vez que Marc conhece todos os segredos de sua fortificação. 
O que acontecerá quando Isobel descobrir quem ele é de fato?

Capítulo Um

1346, Fife Ness, Escócia
De onde estava, na praia, Isobel Dalceann avistou as formas escuras contra o céu prateado. Eram oito ou mais, mesclando-se às ondas revoltas e cinzentas conforme a névoa se alastrava no horizonte.
— Ali! — gritou ela para os dois homens a seu lado. — Uns 200 metros mar adentro.
Por vezes apareciam por ali destroços de algum naufrágio, ou a carcaça de um animal marinho morto há muito tempo. Mas aquilo? A pouca claridade que ainda restava a oeste iluminou a paisagem com tons de cobre e levemente róseos, transformando o que até então era indistinguível em algo conhecido.
— São pessoas! — Ian foi o primeiro a identificar do que se tratava.
Não eram pedaços de madeira, nem um tronco de árvore que tivesse caído no mar em algum lugar perto de Dundee antes de ser levado para o sul pelas correntes geladas. Eram pessoas!
Pessoas que se afogariam se ninguém as socorresse.
Isobel sempre fora uma excelente nadadora, resistente como poucos.
Tirando os sapatos e a túnica, ela removeu a adaga amarrada aos tornozelos com tiras de pano e correu.
A água fria roubou-lhe o fôlego antes que ela atravessasse as primeiras ondas, que traziam na crista o clima gélido do norte. Quando um forte vagalhão a engolfou, fazendo o cabelo dela se enroscar nos braços, ela segurou a respiração e esperou voltar à superfície.
A cerca de dez metros, Ian gritou e Angus respondeu, a onda seguinte levantando todos eles e facilitando a visão e a direção a seguir. Isobel podia sentir nos ouvidos a própria pulsação, conforme a força da água a fazia afundar outra vez. Contando os segundos para emergir, ela bateu os pés e acabou surgindo a poucos metros de distância de um dos sobreviventes.
O sangue jorrava de um corte aberto do cotovelo ao ombro do homem, tingindo de vermelho a espuma das ondas antes de se diluir na vastidão do Mar do Norte. Ele mal registrou a presença de Isobel enquanto ela nadava em sua direção, só então notando que havia outro homem flutuando ao lado dele.
— Eu o levo para a praia se você conseguir nadar! — gritou ela acima do uivo do vento. Conforme uma chuva espessa começava a cair, os pingos formando cavidades na superfície da água, dando a impressão de que o mar borbulhava.
— Não. — Ele permaneceu imóvel, fitando-a com olhos verdes cuja expressão era de pura determinação. Olhando mais de perto, Isobel percebeu que o outro homem estava morto. — Ele morreu. O mar o levou.
Balançando a cabeça, o homem virou-se, desolado. Isobel viu, por entre a água agitada, os dedos dele se contraindo, a pele das mãos arroxeada pelo frio e marcada por pequenos cortes e hematomas enquanto ele respirava fundo várias vezes, tentando recuperar as forças. Quantas vezes ela mesma reagira assim, sentindo que a solidão, que a vida era insuportável?
— Deixe-me ajudar — pediu ela. — A distância até a praia é longa.
O toque dela no ombro dele fez o homem despertar daquela espécie de transe, e ele a fitou com toda a arrogância de alguém que não estava habituado a receber ordens.
Isobel afastou uma ligeira sensação de desconforto. Aqueles poucos minutos em que ela estava no mar haviam sido suficientes para fazê-la sentir-se congelar, e ela perguntou-se como aquelas pessoas tinham conseguido sobreviver por tanto tempo.
— A-ajude primeiros os outros q-que estão atrás de m-mim.
Quando ele moveu o braço para acomodar a cabeça do homem no ombro que não estava ferido, Isobel reparou que ele usava uma larga pulseira de ouro trabalhado.
Não era um simples marinheiro, então, que navegava pelos estreitos entre
Inglaterra e Escócia para ganhar a vida. O sotaque dele era diferente, tinha um leve timbre de alguma terra estrangeira mais distante.
Um grito atrás de Isobel a fez virar-se, sobressaltada. Ela viu Angus, ofegante de frio, batendo freneticamente os pés para se aquecer. O medo se apoderou dela. Estavam a 200 metros da terra firme, com uma tempestade se aproximando velozmente a leste, a escuridão se assomando sobre eles. Atrás de Angus, dois homens tentavam se manter na superfície para recuperar o fôlego.
Senhor... O mar era implacável, reivindicava suas vítimas sem direito a defesa ou justiça. Nadando furiosamente, Isobel esmurrou com força o homem mais velho na cabeça, livrando-se dos braços que tentavam segurá-la e pressionando-lhe a garganta, até ele revirar os olhos. Em seguida, fez a mesma coisa com o rapaz mais jovem.
— Que Dieu nous en garde! — murmurou Marc.
Aquela mulher com uma cicatriz que lhe atravessava o rosto de fora a fora estava matando os homens que estavam com ele, um a um, e ele, paralisado pelo frio, não podia fazer nada para impedi-la. Guy estava morto. Fazia tempo, talvez uma hora, que sabia disso, e ainda assim não conseguia soltá-lo. A força da água pressionava, clamava por um fim, por um descanso, e finalmente a energia que ele acumulara durante aquela tarefa de resgate o abandonou. Era inútil persistir. Estava acabado. Quando relaxou as mãos e suas pálpebras se fecharam, sentiu o calor, que há muito havia deixado seu corpo, voltar acompanhado por um forte feixe de luz.
Escócia. A terra de seu pai. Ele quase conseguira.
— Segure-o por trás — Isobel instruiu Angus. — Não o deixe virar-se, pois o pânico fará com que ele o afogue.
— Não consigo segurar os dois!

O Príncipe Guerreiro

APIMENTADO Futurista
Série Lordes Dragões 



A sobrevivente…

Embora ninguém jamais pudesse mandar nela, este guerreiro iria tentar conquistar seu coração.
Fisicamente marcada na infância num ato de traição, Pia nunca foi considerada uma mulher atraente.
Um terrível engano e ela está fugindo.
Desesperada para esconder sua identidade, ela faz um acordo com Noivas da Galáxia.
Em troca de um novo rosto, ela vai se casar com qualquer um que se coloque na frente dela. Jamais ela imaginou que seu futuro marido seria o guerreiro mais bonito dos Draig.
O guerreiro...
Embora nenhum homem pudesse frustrar o valente líder Draig, uma mulher seria a sua ruína. Zoran de Draig é um homem que sabe o que quer. Ele precisa, sendo um príncipe e o Capitão da Guarda Draig tem que tomar decisões rápidas, estar pronto para a batalha a qualquer momento, e, acima de tudo, ele sempre tem que estar no controle. Quando sua esposa, a única pessoa que deveria obedecê-lo se recusa a
...
veja em Apimentados 


24 de setembro de 2014

Amor vem a Mim







A elite de Concord está a ponto de admitir um novo membro: a jovem Lucinda Caldwell, uma bela moça mimada em excesso por seu pai.

Parece ter tudo muito claro na vida: casará-se com seu amor de infância, o homem destinado a convertê-la em uma brilhante organizadora de encontros sociais.
Mas não é esse o destino que a espera, a não ser acabar nos braços de um cavalheiro sulino, Heath Rayne, que, desde que a viu, não pôde deixar de pensar nela e de desejar que seu noivado terminasse.
E agora que Lucinda é dele, a única coisa que deseja é dedicar-se a ela por completo. Entretanto, o passado de Heath impedirá que as coisas sejam tão fáceis...

Capítulo Um

Heath levantou as lapelas de seu casaco e amaldiçoou entre dentes ao sentir o vento gelado no pescoço. Era seu primeiro inverno na Nova Inglaterra, e estava começando a compreender que não era o lugar mais adequado para alguém do Sul.
Pisou com suas botas as endurecidas camadas de neve que tinham ido acumulando-se depois das recentes tormentas.
Tinha nevado tanto, tinha esfriado tantas vezes, que temia que toda aquela neve não desaparecesse por completo até o mês de junho.
Apesar de ir vestido com pesadas roupas de lã, como um autêntico nortista, qualquer um poderia haver-se dado conta de que não levava muito tempo ali. ~
Sua pele era escura, com o permanente bronzeado próprio de alguém acostumado ao calor e ao sol do Sul. Media mais de um metro e oitenta, estatura que não destacava especialmente em Kentucky ou Virginia. Mas era muito mais alto que os magros e compactos homens da Nova Inglaterra, e, além disso, olhava fixamente com seus olhos azuis, o qual parecia incomodá-los. 
Em sua terra os estranhos se saudavam ao cruzar-se pela rua; no Norte, parecia que não se tinha o direito de olhar alguém nos olhos se não fosse de sua família, velho amigo ou compartilhava com ele algum negócio. Perguntou-se por que as pessoas de Massachusetts não se davam conta de quão estranhas eram. 
Não havia explicação alguma para sua frieza e sua rigidez, nem para aquele condenado senso de humor de que faziam ornamento. Talvez fosse coisas do clima.
Seus pensamentos lhe fizeram sorrir —um cálido e brilhante sorriso que, tempos atrás, tinha cativado às mulheres do condado de Henrico—, e apertou a mão, coberta com uma luva, ao redor da tocha enquanto ia em busca de lenha. 
Estava acostumado a esgotar com rapidez a madeira e o carvão em seu empenho por manter aquecida a pequena casa que tinha comprado à primavera anterior. Fazia tanto frio fora que lhe resultava difícil assobiar, mas mesmo assim se entreteve interpretando uma aceitável versão de “All Quiet along the Potomac Tonight”, uma das melodias mais populares durante a guerra. 
Tinha-a composto um nortista, mas uma boa canção era uma boa canção fosse quem fosse seu autor.
Seus passos diminuiram e seu assobio se esfumou quando lhe pareceu escutar um tênue ruído proveniente do rio. 
Vivia um pouco acima da beira, assim que o tranquilo som chegou até ele flutuando, levado pela brisa, dispersando-o entre as árvores e fazendo que resultasse difícil escutá-lo com claridade. Mas quase podia assegurar que se tratava da voz de uma mulher.
Não podia morrer, não desse modo, nesse lugar. Ter atravessado o rio gelado por esse ponto em vez de caminhar os trezentos metros que faltavam até a ponte tinha sido uma completa estupidez, mas ela não merecia algo assim; de fato, ninguém o merecia. 
Depois do sobressalto inicial de ver-se atravessar a superfície e cair na água, Lucy tinha lutado violentamente com os pedaços de gelo que flutuavam a seu redor, incapaz de encontrar um ponto de apoio até que suas mãos deram com um dos extremos do buraco em que havia caído. 
Nesses escassos cinco segundos, a água tinha impregnado em suas roupas e o frio lhe chegava até os ossos. Tudo tinha acontecido com grande rapidez, em um abrir e fechar de olhos. 
O ar lhe saía do mais profundo de seus pulmões enquanto se esforçava por sair da água, mas suas luvas de cachemira escorregavam sobre o gelo uma e outra vez. Cada vez que uma de suas tentativas fracassava, afundava-se até o queixo.
—Que alguém me ajude! So... socorro! —Falhou-lhe a voz ao olhar para a paisagem nevada que se estendia além da costa, cercada pela neblina de fumaça que saíam das chaminés das casas próximas. Gritar não ia adiantar, e, além disso, a fazia perder forças, mas seguiu fazendo-o, intercalando palavras e soluços—. Estou em... a água... que alguém... ajude-me...



21 de setembro de 2014

Virtude




Judith e Sebastian Davenport são jogadores profissionais. 

Os atrativos de Judith distraem os competidores enquanto seu irmão realiza jogadas suspeitas. 
Seu verdadeiro sobrenome é Devereux, mas ocultam sua identidade com a esperança de achar o homem que traiu seu pai.
Mas sua sorte muda quando suas manobras no jogo são descobertas por Marcus Devlin, o bonito e temível marquês de Carrington, que lhes exige que mudem sua rotina e ameaça delatá-los. A beleza de Judith o atrai sem remédio, apesar de tratar-se de uma aventureira...
Uma história de paixão e intriga que transcorre no final da guerra contra Napoleão e nos elegantes salões de Londres, pela autora de Beijar Um Espião.

Capítulo Um

Que diabos estaria fazendo ela? Distraído, pensou Marcus Devlin. O muito honorável marquês do Carrington trocou sua taça vazia de champanhe por outra cheia, que tirou da bandeja de um lacaio que passava. 
Afastou seus ombros da parede e se ergueu em toda sua altura para ver melhor o outro lado do abarrotado salão, ali onde estava a mesa de macao. Ela tramava algo. Ele sentia em cada um dos cabelos da nuca, completamente arrepiados.
Ela estava em pé, atrás da cadeira de Charlie, movendo o leque em lentos balanços frente à parte inferior de seu rosto. Inclinou-se para frente sussurrando algo no ouvido de Charlie, a suntuosa curva de seus seios e a funda sombra da fenda entre eles se revelou no decote de seu vestido de noite. 
Charlie a olhou e lhe sorriu com o suave sorriso tolo do primeiro amor juvenil. Não era de estranhar que seu jovem primo tivesse caído rendido aos pés da senhorita Judith Davenport, refletiu o marquês. 
Quase não havia homem em Bruxelas que não se sentisse excitado por ela: criatura de contrastes, vibrante, transbordante, de aguda inteligência... Mulher que de um modo indefinível representava um desafio para um homem, que em um instante colocava a prova o valor de um homem e no seguinte era mansa como uma gatinha, que provocava em um homem desejos de levantá-la em seus braços e embalá-la, protegê-la da tormenta...
Bobagens românticas! O marquês reprovou a si mesmo duramente por se parecer com seu primo e com a metade dos jovens soldados que passeavam orgulhosos em seus uniformes pelos salões de Bruxelas, enquanto o mundo esperava que Napoleão fizesse seu seguinte movimento.
Fazia já várias semanas que observava como Judith Davenport tecia seus feitiços, estava convencido de que a moça seguia com toda clareza um protocolo específico. Entretanto, não conseguia descobrir do que se tratava.
Pousou o olhar sobre o jovem que estava sentado em frente de Charlie. Sebastian Davenport tinha a banca. Belo como a irmã, a sua maneira, estava sentado descuidadamente na cadeira, tanto em sua forma de vestir como em sua postura, irradiava uma estudada indiferença. 
Do outro lado da mesa, ria ao mesmo tempo em que embaralhava as cartas.
O ânimo que reinava nessa mesa era descontraído, o que sempre acompanhava aos Davenport. Era de supor que esse era um dos motivos da popularidade de ambos... 


14 de setembro de 2014

Amor Pagão


A longa capa negra e a máscara evocavam mais perigo que a arma que o salteador trazia nas mãos. 

Sobressaltada, Honor viu-o aproximar-se, os olhos fitando-a com uma intensidade que a desconcertou. "Perdoe-me, milady, mas preciso de suas joias e dinheiro.
" De nada adiantaram os protestos. 
Honor foi roubada de tudo que restara de sua fortuna e que pretendera transferir para Londres.
Ela quis agredi-lo, desafiar tanta ousadia; porém, antes de partir com seus comparsas, o mascarado ainda a tomou nos braços e a beijou, saboreando os lábios de Honor como a uma exótica iguaria.
"Não vou perdê-la de vista", prometeu à estarrecida Honor Dale, sem saber que acabara de atacar a sobrinha de Oliver Cromwell, o líder puritano da Inglaterra!

Capítulo Um

Honor Dale fitou a mão direita, reticente. Pouco discreta, a pérola do anel de noivado destacava-se sob a luva de pelica. Talvez não devesse estar usando a joia. Escondê-la junto às outras na capa, porém, podia parecer uma afronta a sir Tyler Vail.
Lamentavelmente, seu noivo não aguardaria a carruagem vinda de Oxford, ocupado demais que estava com seus investimentos na Bolsa Real. Ainda assim, meditou Honor, não seria direito chegar a Londres para o casamento sem o anel.
Erguendo o olhar sob os cílios longos e dourados, percebeu que o casal sentado no banco oposto examinava-lhe a mão com indisfarçada curiosidade. Ao lado dela, no assento pouco confortável, um homem rude e corpulento, conhecido como dr. Kennel de Kenilworth, chacoalhava de um lado para o outro, como um barco na tempestade.
— Quem ousou chamar essas carroças de "coches voadores" certamente jamais pisou em uma delas! — resmungou o médico, caindo primeiro de encontro a Honor, depois contra a parede do barulhento veículo.
— Não guarda mesmo nenhuma semelhança com uma criatura alada... — observou com afetação a mulher de cabelos grisalhos presos com rigor sob um chapéu.
Honor concordou mentalmente, embora não fizesse nenhum comentário. Esforçando-se para ignorar a trilha acidentada, concentrou-se na paisagem composta de cerrados e faias. O coche gemeu ao contornar uma curva e, projetando-se para a frente, ela buscou equilíbrio. Ao tomar a carruagem, em Oxford, haviam-lhe dito que se podia cumprir a jornada em pouco tempo. Já era quase meio-dia, contudo, e encontravam-se bem a umas vinte milhas da parada, em High Wycombe.
À frente, a parelha mal entrosada de seis animais tentou vencer uma ponte estreita de pedra. O cocheiro instigou-a a prosseguir com um estalar fraco do chicote, fazendo meia dúzia de corvos alçarem voo de uma sebe que margeava a estrada.
Cinco horas de viagem, calculou Honor, tentando se acomodar melhor ao lado do médico obeso que resfolegava a cada tomada de ar. Naquele ritmo, não alcançariam Londres antes da hora da ceia. Deveria ela seguir direto para a residência de tio Oliver, em Whitehall? Os Cromwell, pelo menos, deviam estar a sua espera.
Ansiosa, manuseou as fitas negras do vestido de luto, aproveitando para tatear a capa e certificar-se de que as joias permaneciam em segurança. Reencontrar o tio não era nenhum acontecimento. Sua posição e título nobres de Lorde Protetor da Inglaterra jamais a haviam intimidado. Mesmo quando criança, o considerava afetuoso e de um surpreendente e travesso senso de humor.
A carruagem sacudiu mais do que nunca, percorrendo a estrada que serpenteava por Chiltern Hills. O casal empertigado, sr. e sra. Cosgrove, já sustentava uma expressão de alarme.
— Eu disse! — queixou-se o sr. Cosgrove, enquanto o veículo lutava com uma vala particularmente profunda. — Teria sido mais sensato viajar a cavalo.
— Não a meu ver, meu caro — o dr. Kennel observou, irônico, quase como se divertindo com o desconforto do companheiro. — Prefiro não ficar à mercê dos elementos. Era só o que me faltava, atender aos chamados de meus pacientes acometidos de crupe...
Honor percorreu o corpanzil do médico com os olhos castanhos, indagando-se se ele já não desistira de tentar encontrar uma montaria forte o bastante para carregá-lo de Oxford a Londres. Ela mesma não atinava com o motivo pelo qual resolvera viajar de carruagem. Na ocasião, os preparativos tinham sido feitos tão às pressas... O pobre camareiro de tia Lucy mal pudera acreditar quando lhe revelara a intenção de explorar a cavalo os campos ingleses.
— Uma jovem de dezenove anos? E de luto? O que não diria lady Lucy? — perguntara Master Ormsby, escndalizado.
Na verdade, não diria nada, já que a pobre estava morta havia mais de um mês. De qualquer forma, refletiu Honor, não tinha a menor intenção de desdenhar a memória da tia. Por mais inconsequente e aborrecido que fosse o apego de Lucy Dale Ashford a detalhes e convenções sociais, ela fora para Honor uma verdadeira mãe naqueles últimos dez anos.
Um solavanco devolveu Honor ao presente. O coche inclinou para um lado, arremessando-a para cima do médico obeso. Vexada, ela lutou para endireitar o corpo, consciente do prazer estampado nas feições de Kennel.
— Eh-eh... — ofegou ele, deliciando-se com o contato do corpo jovem contra o seu. — Parece que viajar de carruagem tem lá suas vantagens.
Honor apoiou o pé na parede do carro, buscando equilíbrio e recompondo-se com dificuldade. No outro assento, os Cosgrove faziam o possível para se desembaraçar um do outro com o mínimo de dignidade.
— Com mil demônios! — praguejou o sr. Cosgrove, olhando por cima dos ombros da esposa. — Creio que perdemos uma roda.
— Inferno! — exclamou o médico, espiando disfarçadamente os tornozelos de Honor, esperançoso, e reprimindo um muxoxo ao perceber que ela usava botas. — Assim não alcançamos Londres antes do anoitecer.
Honor.buscou conter a própria perturbação. Graças aos céus era julho e a tarde se estenderia por mais algumas horas. Pela primeira vez, desejou ter acatado o conselho de Master Ormsby e viajado acompanhada por Yetta Ward, a inexpressiva dama de companhia de tia Lucy. 
As incessantes trapalhadas da mulher, porém, somadas a sua resistência em admitir os próprios erros, irritavam-lhe. Após o casamento, ela poderia escolher à vontade, pois Tyler devia manter um verdadeiro exército de criados.
O cocheiro foi até a porta pedir aos passageiros que descessem do veículo para que ele e o lacaio pudessem recolocar a roda. Os resmungos soaram em uníssono, mas Honor manteve a compostura, preocupada apenas em verificar se o forro da capa continuava intato. Que Deus a livrasse de perder as joias, seu único dote, agora que seu irmão Palmer se apossara da herança destinada a ambos.
Herança que, de certa forma, não era nada se comparada às terríveis perdas sofridas pelos Dale na última guerra civil. Se tia Lucy não houvesse falecido tão subitamente, talvez pudesse ter refeito seu testamento em vez de deixar o solar de sua propriedade para as duas bem casadas filhas.
Pela centésima vez, desde a morte da tia, Honor abençoou sir Tyler Vail. Não somente por ter-se apaixonado por ela, mas também por sua delicadeza em adiantar o casamento em três meses. Era bem possível que as primas dela vendessem de imediato a confortável residência de tia Lucy em Whitehorse Hill, abandonando-a à própria sorte.
Afastando-se dos outros, Honor sentou-se à sombra de uma densa faia. A não ser por umas poucas folhas caídas, o solo não apresentava nenhuma vegetação rasteira. Segurando a borda do chapéu negro, olhou para cima, mal podendo avistar o céu azul por entre os galhos cheios. Apenas os grunhidos de esforço do lacaio e o tinir do eixo da roda rompiam o silêncio em Chiltern Hills.
Só então ela se deu conta do quão exausta e faminta se encontrava. A atribulada viagem de coche provara-se bem mais fatigante do que pudera imaginar.
Ajeitando-se melhor contra o tronco da árvore, fechou os olhos e procurou relaxar. Após alguns minutos, adormeceu. Sonhou que avistava sir Tyler Vail, com os cabelos loiro-acinzentados esvoaçando à brisa do verão e as feições nobres abertas num sorriso, à porta de sua elegante residência na praia. Estendia os braços para recebê-la e ela corria para ele.
De repente despertou, deparando-se não com sir Tyler, mas com um estranho usando uma capa e uma máscara.
— Tão linda donzela ocultando-se nas árvores?

Uma Dama do Oeste



A bela e inocente Vitória Waverly, descendente de uma nobre e aristocrática família sulina, é obrigada pela guerra a deixar para trás tudo o que conheceu e a enfrentar um futuro cheio de incertezas no Oeste.

O que não imaginava é que se veria imersa em uma complexa rede de ódio e vingança, e que perderia o coração para um perigoso pistoleiro que a arrastaria a uma escura e poderosa paixão sem limites.
Sendo apenas um menino, Jake Sarratt foi testemunha do brutal assassinato de sua família e do roubo de suas terras.
Agora sendo um duro e implacável pistoleiro estava disposto a vingar-se e reclamar o que era seu por direito.
Nada se interporá em seu caminho. Nada… exceto o feroz desejo que sente por Vitória o que acabará convertendo-se em um profundo amor que rasgará sua alma.
Só seu amor poderia lhe redimir.

Capítulo Um

O comandante Frank McLain saiu do alpendre expondo-se ao sol e observou como se aproximava a calesa enquanto entrecerrava os olhos com expectativa.
Por fim tinha chegado sua prometida.
Uma violenta satisfação se apoderou dele. Aquilo nunca teria acontecido antes da guerra, entretanto, as coisas tinham mudado e agora uma maldita Waverly seria sua esposa. Sua mãe, Margaret, pertencia à poderosa família Creighton, e a jovem tinha o aspecto de uma deles, pálida, elegante e orgulhosa até os ossos.
Vitória Waverly. Poucos anos antes, sua família teria lhe cuspido. Mas agora ia se casar com ele porque tinha dinheiro e não ficava mais que estômagos vazios e uma impecável árvore genealógica. A guerra e a fome eram os melhores ecualizadores do mundo. Os Waverly e os Creighton não tinham duvidado em casar a sua filha com ele em troca de uma vida mais confortável.
Mal podia esperar. Tinha arrancado aquela terra dos Sarratt com sangue e morte, e a tinha feito dele. Naquele momento possuía mais terras que qualquer fazendeiro sulino, tinha conseguido que seu nome se reconhecesse em todo o território, tinha mais ganho e empregava a mais homens que qualquer outro rancheiro e, entretanto, faltava-lhe algo. Ainda não tinha conseguido o que mais desejava na vida, e isso era uma dama sentada a sua mesa, uma autêntica aristocrata que levasse seu sobrenome.
Nunca tinha albergado esperanças de consegui-lo, mas depois da guerra tinha retornado a Augusta, à cidade em que tinha crescido como um desprezível pária. Ali procurou à mulher perfeita, a mulher de seus sonhos, e encontrou a Vitória.
O coração lhe pulsava com mais força em apenas pensar nela. Levava quatro meses esperando sua chegada e por fim estava ali.
Casariam-se aquela mesma noite.
Um dos homens que estavam atrás dele mudou de lugar para ver melhor.
—Quem vem na calesa com ela?
—Sua irmã pequena e sua prima, Emma Gann —respondeu McLain.
Não lhe importava que Vitória houvesse trazido consigo parte de sua família. Em certo modo lhe agradava a idéia das acolher sob seu teto. Provavelmente iriam cortejar os homens chegados de todo o território.
As mulheres brancas seguiam sendo pouco habituais no Oeste, e as damas autênticas eram tão apreciadas como o ouro.
Desfrutou durante um instante com o agradável pensamento das alianças que poderia forjar arranjando proveitosos matrimônios para as duas jovens. Levantaria um império que faria com que os Sarratt parecessem uns sujos granjeiros a seu lado.
Tinham passado vinte anos desde que matou ao último deles e ficasse com sua terra, e ainda seguia odiando aquele sobrenome. Duncan Sarratt o tinha tratado sempre como se fosse lixo, e aquela cadela da Elena tinha atuado como se sujasse o ar que respirava. Mas tinha ido pelos dois, tinha-lhes feito pagar, e agora vivia na casa dos Sarratt. Não, que diabos, era sua casa, do mesmo modo que aquelas eram suas terras. Já não ficavam Sarratt. Encarregou-se disso.
A meia dúzia de homens que tinha às costas estava, em certo modo, igualmente ansiosa como ele por ver a calesa se deter. OH, havia algumas prostitutas brancas em Santa Fé se queriam ir-se tão longe, mas todas as mulheres do rancho ou das redondezas eram mexicanas.
As poucas mulheres brancas de Santa Fé que não se dedicavam à prostituição eram as esposas dos soldados, ou as anciãs mulheres dos rancheiros. Só a esposa do comandante estaria proibida.
Que diabos, todos o conheciam. Se queria deitar-se com a irmã de sua esposa, faria-o sem pensar-lhe duas vezes. Assim observaram a chegada da calesa com olhadas ávidas, perguntando-se que aspecto teriam aquelas mulheres, embora isso tampouco importasse muito.
Will Garnet cuspiu no chão.
—O comandante está atuando como um idiota com essa mulher —murmurou—. Nenhuma fêmea merece tanto alvoroço.
Os poucos homens que o ouviram estiveram de acordo com ele, embora se mantivessem em silêncio. Só havia dois homens imunes à raiva do comandante, e Garnet era um deles.
Tinha quarenta e tantos anos, o cabelo escuro e as têmporas chapeadas, e estava com o McLain desde o começo. Era o capataz e fazia sempre o que queria com a bênção do comandante.
Todos caminharam com passos rápidos a seu redor, exceto o homem que permanecia afastado do grupo, mantendo uma postura relaxada e os olhos frios sob a asa do chapéu. Jake Roper levava só uns meses no rancho, mas ele também parecia imune à ira do comandante.

11 de setembro de 2014

Um Cavalheiro sempre é discreto

Série Romances á luz da Lua

Há seis anos, Elizabeth Harewood e Lorde Roland Penhallow eram o casal de ouro de Londres, jovens, bonitos e loucamente apaixonados. 

Forçados a se separarem por seus parentes ardilosos e a carreira dele, Lilibet e Roland enterraram sua paixão sob o dever e a abnegação, até que um encontro casual numa remota pousada na Toscana muda tudo o que eles sabiam sobre si mesmos... E sobre os dois.
Mas Elizabeth Harewood é agora a Condessa de Somerton, ex-esposa de um dos aristocratas mais poderosos e brutais da Inglaterra,e não pode ter o menor indício de escândalo associado ao seu nome. Quando Roland aparece misteriosamente no castelo onde está se escondendo, ela tenta agir como uma dama, mas a tentação está apenas a um beijo de...

Capítulo Um

A cerca de cinquenta quilômetros a sudeste de Florença – Março de 1890.
O menino não podia ter mais do que cinco anos. Estava plantado diante da porta da pousada e olhava para lorde Penhallow com uma peculiar e hostil intensidade, o cenho franzido sobre seus olhos azuis e o polegar entre os dentes.
— Garotinho, —disse Roland com um suave pigarrear e um pé no degrau. — Posso passar?
O menino retirou o dedo da boca.
— Meu pai poderia dar uma surra em você.
Roland sentia a chuva fria que caia da copa de seu chapéu. Dali descia ao longo de sua nuca até a gola de seu casaco, encharcando sua camisa até que se colava a sua pele.
— Certamente, garoto, — disse, juntando as pontas da gola com uma mão. — Mas, eu gostaria de me secar junto a esse fogo que está bem atrás de você. Se não for incômodo, claro.
— Meu pai, —continuou o menino levantando o dedo e apontando para o nariz de Roland. — Poderia quebrar a sua cara, os braços e as pernas e você choraria muito.
Pronunciou a última palavra com satisfação.
Roland piscou. Atrás da pequena figura do menino estava o salão de refeições da pousada, suas longas mesas cheias de gente, com pratos de comida fumegantes e garrafas de vinho da região. Umfogo enorme, incrivelmente tentador, espantava o frio e úmido ar de março com seu crepitar.
— Claro que choraria, — concordou Roland. — Na verdade, amargamente. Sem dúvida, sem dúvida nenhuma. Mas sobre esse fogo...
—Philip! Aqui está!
Uma exausta voz feminina surgiu por trás de Roland, de algum lugar em meio aquele mal cheiroso e lamacento pátio interior que acabava de cruzar. Uma voz exausta, sim; triste e seca, com indícios de uma incipiente rouquidão, mas também uma voz muito familiar.
A coluna de Roland ficou rígida por causa da surpresa. Ali não, era impossível. Devia estar equivocado. Não no pátio de umapousada italiana rústica escondida em uma remota colina, a quilômetros do conforto civilizado de Florença e a um mundo do Conservatório londrinense onde havia ouvido aquela voz doce pela última vez.
Não, devia estar imaginando coisas.
—Philip, não estará importunando este pobre cavalheiro, não é? — A mulher falava com um tom rouco enquanto se aproximava rapidamente pela direita de Roland.
Santo Deus! Não podia estar imaginando. Ou sim?
—Senhor, peço-lhe que me perdoe. O menino está muito cansado e...
Roland se virou.
—Oh.
A dama parou imediatamente a três passos dele. A aba de seu chapéu escondia seu rosto quase completamente, mas os lábios e o queixo se arqueavam exatamente como em seus sonhos. Um lenço simples envolvia aquele pescoço que ele sabia ser longo e sinuoso, que se fundia com a delicada carne de seu peito e ombros, nesse momento, cobertos de forma prudente por um casaco de lã.
—Roland —sussurrou.
É claro que estava sonhando. Ela não podia ser real. Apenas um mero produto de sua imaginação; o esgotamento da viagem, que cobrava seu preço a suas faculdades mentais.


Série Romances À Luz da Lua
1-  Uma Dama Nunca Mente
2-  Um Cavalheiro sempre é discreto
3- A Duke Never Yields


Minha Última Duquesa






Beleza, fortuna, admiradores e a arrogância ingênua de acreditar que o dinheiro lhe abriria todas as portas eram do que uma jovem precisava para ser feliz nos Estados Unidos no final do século 19.

Cora Cash tinha tudo isso. Mesmo assim, lhe faltava o que alguns consideravam o mais importante: um título de nobreza.
Por isso, para conseguir um casamento que lhe garantisse um status social inabalável, ela partiu para a Inglaterra aos 18 anos.
A primeira impressão do novo país não foi nada boa - a aristocracia era fria e hostil, dominada por intrigas e fofocas.
Mas a situação ficou ainda pior quando Cora se apaixonou por um homem que mal conhecia... e entrou em um jogo com regras desconhecidas e que tinha como único prêmio a própria felicidade.

 Capítulo Um

Newport, Rhode Island, agosto de 1893 
A hora das visitas estava quase terminando, por isso, o homem do beija-flor encontrou apenas uma e outra carruagem enquanto empurrava seu carrinho pela estreita faixa da estrada entre as mansões de Newport e o oceano Atlântico. 
As senhoras de Newport haviam deixado seus cartões cedo naquela tarde, algumas para se prepararem para o último e mais importante baile da estação, outras para, no mínimo, parecerem estar fazendo o mesmo. 
A algazarra e a agitação costumeiras da Bellevue Avenue desapareceram no momento em que os Quatrocentos repousavam antecipando a noite que teriam logo mais, deixando para trás somente a batida firme das ondas nas rochas lá embaixo. 
A luz começava a sumir, mas o calor do dia ainda emanava das fachadas de calcário branco das enormes casas aglomeradas ao longo dos penhascos como uma coleção de bolos de noiva, cada uma rivalizando com a vizinha para ser a mais bela das refinadas construções. 
Contudo, o homem do beija-flor, que usava um fraque empoeirado e um chapéu-coco cinzento muito batido em algo mais ou menos parecido com um traje de noite surrado, não parou para admirar a varanda nos Breakers, as torrinhas dos Beaulieu ou as fontes dos Rhinelander, que podiam ser vislumbradas por entre as cercasvivas e os portões dourados. 
Ele continuava pela estrada, assoviando e matraqueando com seus encargos em gaiolas negras cobertas, para que escutassem um ruído familiar em sua última viagem.
 Seu destino era o castelo francês logo antes da ponta, a maior e mais complicada criação em uma rua de superlativos, o Sans Souci, chalé de verão da família Cash. A bandeira da União tremulava em uma das torres, o emblema da família Cash na outra. Ele parou no portão e o zelador apontou a entrada do estábulo a uns Oitocentos metros. 
Enquanto caminhava até o outro lado da propriedade, luzes alaranjadas começavam a pontilhar o crepúsculo. Lacaios caminhavam pela casa e pelo terreno, acendendo lanternas chinesas em tons de seda âmbar. Assim que virou depois do terraço, foi ofuscado por um raio de luz fraca do sol que morria refletido nas compridas janelas do salão de baile. No salão dos espelhos (visitantes que haviam estado em Versalhes declararam ser mais espetacular do que o original), a Sra. Cash, que enviara oitocentos convites para o baile daquela noite, olhava para si mesma refletida até o infinito. 
Ela batia o pé, esperando com impaciência o sol desaparecer para que pudesse ver todo o efeito de sua fantasia. O Sr. Rhinehart estava por perto. O suor pingava de suas sobrancelhas, talvez mais suor do que o calor justificaria. - Quer dizer que só tenho que apertar a válvula de borracha e a coisa toda vai se iluminar? - Sim, com certeza, Sra. Cash. 
A senhora só precisa agarrar essa bolota com firmeza e todas as luzes se acenderão com um efeito realmente celestial. Devo lembrar que será apenas um momento. As baterias são muito trabalhosas e só coloquei no vestido a quantidade compatível com um movimento fluente. - Quanto tempo terei, Sr. Rhinehart? 
- É muito difícil dizer, talvez não mais de cinco minutos. Qualquer instante a mais e não poderei garantir a sua segurança. A sra. Cash já não escutava. Limites não tinham o menor interesse para ela. O brilho rosado do anoitecer desaparecia na escuridão. Estava na hora. Ela agarrou a bolota de borracha com a mão esquerda e ouviu um leve estalido enquanto a luz viajava pelas cento e vinte lampadazinhas em seu vestido e as cinquenta em sua meia-coroa. Eram como fogos de artifício soltos no salão de baile espelhado. 
Enquanto volteava lentamente, lembrou-se dos iates na baía de Newport iluminada para a recente visita do imperador alemão. 
A vista na parte de trás era tão esplêndida quanto na parte da frente, a cauda do vestido que descia de seus ombros parecia uma faixa do céu noturno. 
Ela fez um aceno alegre de satisfação com a cabeça e soltou a bolota. O salão ficou às escuras até um criado aparecer para acender os candelabros.

7 de setembro de 2014

A Escolha de Rose







Três irmãos desejavam a mesma mulher... Porém, somente um deles a amava de verdade!

Rose China Grant chegou em Portsmouth, faltando somente duas semanas para seu casamento com sir Ranulf Cross. 
Logo na primeira noite, na casa que seria seu futuro lar, sua vida foi ameaçada...
À medida que os dias passavam, fragmentos de um antigo mistério e segredos de família começaram a se desenredar, mais rápido do que a capacidade de Rose de assimilá-los. 
E então ela se viu forçada a escolher entre cumprir uma promessa feita a seu pai, no leito de morte, e o impulso de seguir a voz de seu coração...

Capitulo Um

Sir Ranulf Fitzhenry Cross, membro da nobreza, doutor em medicina e cirurgião de renome, baixou a cabeça com determinação. Estava suando profusamente, uma condição que ele abominava. 
Seu belo rosto estava contraído, tamanha a concentração. Os músculos das pernas e braços doíam pela tensão imposta. Ele sabia que não conseguiria se segurar por muito tempo mais. Sentia-se tenso como uma única corda de um violino, quando todas as outras já se tinham rompido. 
Nunca havia se sentido tão impotente, dolorido, entregue e desesperado...
A mulher gemeu ao sentir as mãos grandes de Ranulf segurando suas nádegas, impulsionando-a a prender as pernas em volta da cintura dele. Ela começou a se mover rápido, usando as unhas como pequenas adagas para se apoiar nos ombros largos e galgar até o ápice do prazer.
Ranulf inclinou a cabeça para trás, exibindo as veias do pescoço dilatadas. O corpo másculo estava inteiro contraído, rendido à intensidade do êxtase. 
No desespero, entregou-se a uma busca desenfreada por ar, os olhos estáticos, vidrados em um caleidoscópio imaginário de cores que absorviam todos os seus sentidos, transformando-os em puro deleite. Nem sequer estava consciente da mulher presa a ele, que também hipnotizada pela preciosidade do momento, empenhava-se em sugar-lhe as últimas gotas de vida. Ah, Deus, e ela quase conseguiu.
Com a cabeça imersa entre os seios volumosos e com um grito vindo das profundezas da alma, Ranulf arremeteu-se para dentro do corpo feminino em um ritmo frenético, até não ouvir mais gemidos e senti-la relaxar em seus braços. 
Foi então que, com imensa gratidão, soltou-se das pernas que o prendiam e deslizou na investida final para também desfrutar o merecido clímax.
— Ah, isso foi perfeito — disse ela, espreguiçando-se sob os lençóis conforme a brisa lhe acariciava o corpo. — Podemos repetir daqui a alguns minutos? E permitirá então que Bessy mostre um truque que irá mantê-lo animado?
— Minha querida garota — Ranulf piscou, expulsando uma gota de suor da pálpebra—, acho que mesmo que eu tivesse mais algumas horas, eu não conseguiria repetir isso.
— Ah, mas você foi ótimo mesmo assim, por isso fiquei com ideias! — Bessy riu e se abanou. — Pode escrever o que digo, logo estará me chamando de volta.
Ranulf gemeu e deitou-se de bruços.
— Eu desejo você, rameira, mas lamento informar que sou humano.

Em busca da esposa Perfeita

Charlotte Wilcox, filha de um barão sem dinheiro, tem vivido com seu pai em uma pequena aldeia desde que sua mãe morreu quando era criança, e embora se sentisse feliz em sua casa e não se importasse com o fato de permanecer solteira aos vinte e três anos,

É pressionada por sua família para encontrar um marido que a sustente.
Para isso viaja para Bath, onde sua tia Margaret se encarrega de instruí-la para que consiga uma oferta adequada de casamento.
Para Charlotte, ás regras estritas que regem os membros da sociedade aristocrática parecem absurdas e ultrapassadas, temendo que nunca consiga chegar a ser a esposa perfeita que sua tia pretende e que todo cavalheiro deseja.
No primeiro baile que participa conhece Edward Holne, Visconde de Eversley e qualquer regra que sua tia seja capaz de ensiná-la, será inútil para a atração que surge entre eles.

Capítulo Um

Bath, condado de Somerset, Março de 1831
«...A esposa perfeita sempre tem presente que a felicidade do marido é a maior de suas preocupações embora para isso deva renunciar à sua própria. Esse consigo é suficiente para lhe proporcionar uma intensa sorte.
Nunca peça ao marido explicações a respeito de suas palavras ou ações, nem se queixe se ele chegar tarde ao lar. Tem presente que ele é o amo da casa e de sua pessoa.
Sempre deixe falar primeiro ao marido e lhe escute com atenção, pois qualquer tema de conversa que ele exponha é mais importante que os que você puder conceber. E, quando lhe permitir falar, faça-o em tom humilde e direto, sem estender-se em banalidades próprias de mulheres que acabam aborrecendo ou exasperando o marido.
Não lhe aflija com problemas domésticos ou sobre seus interesses e afeições, que são insignificante comparados com os dos homens...»
Charlotte fechou o livro e emitiu um buf1o de exasperação nada elegante. 
Quanto mais lia, mais absurdo lhe parecia seu conteúdo. Como era possível que tia Margaret defendesse tamanhos desatinos?
Tinha-lhe deixado o manual lhe recomendando que o lesse atentamente e assimilasse seus ensinamentos por tratar-se das principais normas de conduta que deveriam reger sua futura vida de casada. Mas ela não acreditava que pudesse realizá-las; inclusive duvidava seriamente de que algumas fossem realmente acertadas. 
Seu pai a tinha educado para que pensasse e atuasse com liberdade, sempre que esta não ocasionasse prejuízo a seus semelhantes, a fazer dos conhecimentos uma fonte de satisfação, a sentir-se orgulhosa de sua inteligência, de suas vontades de aprender e raciocinar, e não estava disposta a sacrificar tudo isso para conseguir um marido. Preferia ficar solteira a converter-se em uma marionete descerebrada nas mãos de um homem que se nomeava em árbitro do que devia fazer ou dizer. 
Era uma idéia tão humilhante que se considerava incapaz de aceitá-la.
Apreciava muito a sua tia e agradecia seus esforços para casá-la, mas não estava de acordo em que essa atitude fosse adequada para uma esposa irrepreensível, como ela assegurava, e garantisse a estabilidade do matrimônio.
Desde que chegou há Bath duas semanas antes, sua tia não tinha deixado de tentar polir seu rebelde caráter e rústicas maneiras; algo que sempre lhe recordava, assim como adestrá-la nas práticas sociais necessárias para que pudesse ter um certo êxito na temporada social que acabava de começar. 
Tudo isso para conseguir uma proposta de matrimônio, a principal razão de que estivesse ali. 
Charlotte imaginava que, convertê-la em uma correta dama, estava custando a sua tia mais esforço do que calculou no inicio, embora soubesse que seu orgulho lhe impediria de admiti-lo e, é obvio, abandonar a tarefa.
Com um suspiro entre divertido e resignado, fechou os olhos e se entregou a um leve sono propiciado pela placidez que o delicioso almoço lhe tinha ocasionado. Essa era outra das pautas que se negava a seguir: a frugalidade na alimentação que o manual indicava e que sua tia defendia ao extremo, o que a obrigava a se introduzir com freqüência na cozinha e procurar um extra de mantimentos que a ajudassem a agüentar aquela espécie de penitência.
Margaret insistia em que uma dama refinada devia comer pouco e isso a torturava. Certo que a gulodice era inclusive pecado, que provar mais de um bocado resultava excessivo; por isso tinha decidido, com a cumplicidade da cozinheira, prover-se ela mesma do necessário para não morrer de fome enquanto estivesse naquela casa.
Tampouco estava de acordo em levantar-se quase à alvorada para dar um passeio a cavalo pelo parque. Segundo sua tia, tratava-se de um costume elegante ao mesmo tempo em que proveitoso tendo em conta que a essa hora muitos cavalheiros solteiros se dedicavam a tão saudável passatempo. E, embora nenhum lhe tivesse dirigido a palavra, provavelmente pelo fato de passar velozmente a seu lado, Margaret não se desanimava e insistia nisso a cada dia. Enfim, uma insensatez atrás da outra que estava lhe custando muito esforço aguentar.
—Mas é que te tornaste completamente louca, criatura?

Céu em Chamas


No mundo em guerra, o amanhã era apenas um sonho.

A vida de Maggie Lawrence como enfermeira do Exército americano em Manila, nas Filipinas, muda radicalmente, após o ataque japonês a Pearl Harbor. 
Enviada para a ilha de Corregidor, ela entra em contato com um mundo envolto em medo e desolação, e se torna consciente não só da brutalidade mas também do valor da vida. 
E nessa terra de sofrimento que ela conhece Anthony Gargano, um herói das Forças Navais mergulhado no mesmo drama, vítima da mesma guerra cruel e desumana.
Colhidos pelo redemoinho da tormenta, ainda assim eles encontram tempo para viver um amor que não conhece regras e que não pode esperar...

Capítulo Um

A major Kay Broderick recostou a cabeça dolorida no espaldar almofadado da cadeira e apertou na palma da mão a medalha que seu pai ganhara na Primeira Guerra Mundial. Era uma mulher sensata, habituada à rígida disciplina militar e não tinha dúvida quanto à urgência da ordem que devia dar. Não obstante, chocava-a ter que aceitar o inevitável.
Seu primeiro impulso fora o de agarrar-se cegamente à esperança. Mas, agora, tinha certeza de que nada poderia deter o sangrento avanço dos japoneses. A queda de Manila seria, talvez, uma questão de horas.
Afastando o medo, insidioso inimigo entrincheirado em suas próprias entranhas, pôs-se a pensar em de que modo dar cumprimento ao que podia ser considerado como seu último ato oficial. Decorridos alguns minutos, levantou-se lentamente da cadeira, ficou longo tempo parada, ainda esperando que algo acontecesse, e depois atravessou o corredor do hospital com passos firmes.
Ao abrir a porta da enfermaria, um odor familiar invadiu-lhe as narinas. O aroma forte dos anestésicos mesclado ao cheiro do sangue e da podridão, uma estranha emanação que a leve brisa que entrava pelas janelas abertas e os ventiladores que giravam no teto não conseguiam dispersar.
No entanto, o que mais impressionava era o silêncio. Os únicos sons vinham dos homens que jaziam nas macas com os corpos dilacerados e que, sem forças para gritar, gemiam baixinho. Normalmente, o ruído do tráfego teria suplantado a dolorosa quietude. Mas, naquela manhã, o temor parecia ter tomado conta da cidade.
Parada na porta, Kay Broderick sentiu orgulho da dedicação e da disciplina de sua equipe. Sua presença não passara despercebida e, no entanto, o trabalho prosseguia sem interrupção, o punhado de enfermeiras e de atendentes continuando a proporcionar aos feridos todo o conforto que podiam.
Das cento e poucas profissionais que haviam estado sob suas ordens, restavam poucas. Talvez meia dúzia. Mas um número tão reduzido não diminuía sua responsabilidade. Resolveu falar com cada uma, individualmente, a fim de informá-las sobre sua próxima atribuição. Um anúncio geral era não só desnecessário, mas também uma verdadeira ofensa à quietude quase reverente, em meio à qual vidas humanas se esvaíam lentamente.
Transmitiu as ordens em voz baixa e, uma a uma, as jovens inclinavam as cabeças num assentimento mudo, terminavam suas tarefas e saíam discretamente da sala.
Fitou pensativamente a última delas, curvada sobre o soldado com o peito e o abdômen enfaixados. Seu lindo rosto em forma de coração estava tão cheio de piedade que Kay Broderick hesitou um momento, antes de abordá-la.
Sabia que a retirada, difícil para todo o corpo médico, seria particularmente penosa para Maggie Lawrence. A jovem, que provinha de uma antiga família de militares, fora criada no respeito as tradições e no cumprimento do dever. Havia sido sua comandante desde sua chegada a Manila, no ano anterior, e desde o primeiro instante ela provara ser uma daquelas raras criaturas com a capacidade de dar-se integralmente. Imaginava, portanto, como não lhe seria doloroso abandonar seu paciente.
Mas, como não havia outra alternativa viável, ordenou-lhe bruscamente:
— Vamos logo com isso, tenente. Está na hora de deixar seu posto.

1 de setembro de 2014

Lições de Sedução




Ansiosa para viver com independência, Jane de Weston se disfarça como um rapaz. Mas ela não esperava sentir uma forte atração por Duncan. 

Sensações deliciosas percorrem seu corpo feminino. 
Quando ele descobre acidentalmente a verdadeira identidade dela, sabe que deveria mandá-la embora... mas concorda em guardar seu segredo! 
Jane possui o dom de iluminar os recônditos sombrios do coração de Duncan, despertando nele o desejo de ensinar à dedicada pupila os refinados prazeres de ser uma mulher...

Capítulo Um

Inglaterra — final do verão de 1388
O odor do quarto de parto a sufocava.
O fogo crepitava e fervia a água, aquecendo a manhã de agosto.
Ela abriu a cortina que encobria a janela do castelo para respirar o ar fresco. Com certa nostalgia observou o sol brilhando. Talvez mais tarde pudesse pegar um cavalo emprestado e sair para um passeio.
— Jane!
— Sim? — respondeu ela soltando a cortina.
— A dor passou. Solay precisa beber alguma coisa.
Jane seguiu até a pia no canto e encheu uma caneca com água fresca. Devia ter percebido as necessidades da irmã e a atendido antes. Era como se lhe faltasse um instinto nato que outras mulheres possuíam, algo que lhes sussurrava o que devia ser feito.
O papagaio de Solay andava pelo poleiro, as penas verdes do pescoço eriçadas, dizendo:
— Jane! Jane! — O chalrear da ave soava como uma acusação.
Jane se virou para a cama onde a irmã jazia com a barriga alta como uma montanha. As dores vieram em ondas sucessivas durante a noite inteira, dando a Solay pouco tempo para se recuperar. Seu cabelo longo e escuro estava preso e trançado, e os profundos olhos violeta, vermelhos.
Justin, o marido de Solay, afastou a cortina que cobria a porta, mas não entrou no aposento.
— Como está ela? Posso fazer alguma coisa?
Solay abriu os olhos e acenou, mal conseguindo levantar a mão.
— Saia... Não estou arrumada para ser vista.
A mãe das duas foi até a porta e o empurrou para fora.
— Volte para a sala. Jogue xadrez com seu irmão.
— É sempre assim? — perguntou ele sem sair do lugar.
Jane mal o ouviu sussurrar.
— O nascimento de Solay foi parecido — respondeu a mãe sem se preocupar em baixar a voz. — Disseram que foi a noite mais curta do ano, mas para mim foi a mais longa.
— Mas já faz muito tempo.
A certeza da sogra não aplacou o medo estampado no rosto de Justin.
— E ainda vai demorar mais um pouco. Esse é o trabalho de uma mulher. Se quiser fazer algo de útil, vá acordar a parteira. — E ao tocar o braço dele, sussurrou: — E reze para a Virgem Maria.
Jane deu um passo à frente, querendo segui-lo, mas ele era um homem, portanto, livre para fazer o que quisesse. Era ela que estava com vontade de ir acordar a parteira, ou jogar xadrez, ou inspecionar os documentos legais de Justin, para o que sempre tinha a permissão dele. Na verdade, queria estar em qualquer lugar, menos ali.
— Jane! Onde está a água?
Ela voltou para a borda da cama e estendeu a caneca. Solay, que mal era capaz de manter os olhos abertos, acabou esbarrando na mão de Jane e derrubando a água toda na cama.
Solay se surpreendeu.
— Veja o que aconteceu! — ralhou a mãe olhando preocupada para Solay.
E Jane soube que falhara de novo.
— Veja! — gritou o papagaio. — Veja!
— Quieto, Gower! — repreendeu Jane.
Em seguida, tentou enxugar, mas esbarrou na barriga de Solay, e a mãe tirou o pano de sua mão.
— Deite-se, Solay. — Ela procurou secar o lençol molhado, sem tocar na filha. — Descanse. Vai dar tudo certo.
— É sempre assim? — indagou Jane, sussurrando, quando a mãe devolveu-lhe o pano.
— O nenê já vai nascer — respondeu a mãe, baixinho.
Jane torceu o pano sem saber que atitude tomar, receando fazer alguma coisa errada e querendo apenas fugir dali.
— Vou buscar panos limpos.
— Não saia. — O pedido de Solay surpreendeu Jane. — Cante para mim.
Advertindo Jane com o olhar, a mãe foi para o corredor à procura de uma criada e de panos limpos.
Jane tentou entoar as primeiras notas de “Summer Is Icumen In”, mas a voz ficou presa na garganta. Ela, então, olhou para Solay, indefesa.
— Nem isso consigo fazer direito.
— Não se preocupe. Gosto de ter minha irmã caçula por perto. — Solay estendeu a mão, e Jane a segurou, olhando para os dedos trançados.
Os de Solay eram finos, brancos e delicados. Solay representava tudo o que uma mulher devia ser: linda, graciosa, hábil e obsequiosa.
Tudo o que Jane não era. Suas mãos eram quadradas e ásperas. Os dedos, curtos e grossos, só estavam limpos, sem o cheiro de sujeira e cavalos, porque a parteira insistira que lavasse as mãos antes de entrar no quarto de parto.
— Você está bem? — Jane quis saber, quando a irmã apertou sua mão.
— A dor é suportável. — Solay esboçou um sorriso fraco. — Mas acho que terá de receber seu futuro marido sem mim.
Marido. Um estranho para quem teria de submeter a vida. Jane se esquecera de que ele chegaria em um mês.
Tinha feito tudo para esquecer.
— Não quero me casar.
Um marido exigiria que ela fosse como Solay ou sua mãe e soubesse todas aquelas coisas mais estranhas do que latim.
— Eu sei, mas está na hora, você já está com 17 anos. Já passou da hora, na verdade. — Solay apertou-lhe a mão, solidária. E com muito esforço tocou os lábios de Jane. — Veja só. O papagaio vai bicar seu bico. Pelo menos se encontre com ele. Justin disse a seu noivo que você era diferente.
Isso, ela era diferente.
— Ele sabe que quero viajar pelo mundo? E que sei ler em latim?
— Ele é um mercador, e você poderá fazer coisas que a esposa de um nobre não poderia. Além do mais, logo isso perderá a importância para você — afirmou Solay com um sorriso hesitante.
— Você já me disse isso. — Como se o casamento fosse torná-la uma criatura estranha e irreconhecível.
— Se não gostar dele, prometo que não a forçaremos a se casar. Justin e eu só queremos que você seja tão feliz quanto nós.
— Eu sei. — Jane pressionou a mão de Solay contra o rosto. Sonho impossível. Jamais chegaria aos pés da linda irmã, que tentava entendê-la, mas sem muito sucesso.
— Gostaria que você não tivesse cortado o cabelo. — Solay a soltou e acariciou o cabelo curto e loiro da irmã.
— Os homens gostam de cabelo longo, loiro e cacheado como o seu. — De repente, contraiu o rosto e olhou para baixo. — Alguma coisa está acontecendo. Está... eu... está tudo molhado.
Jane ficou imóvel por instantes, antes de correr para a porta, afastar a cortina e gritar:
— Mamãe!

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