11 de julho de 2018

Noiva por uma Noite


Depois de ter sido abandonada no altar, Talia Dobson sofreu uma nova humilhação: ter que casar-se com um substituto!

O irmão mais velho do seu noivo desaparecido tinha decidido enfrentar as consequências da irresponsabilidade de seu irmão. 
Talia sempre havia sentido uma secreta atração por Gabriel Richardson, o muito bonito Conde de Ashcombe. 
Mas depois do casamento e de uma só noite de paixão, ele a mandou para o campo sem suspeitar que esse único encontro tinha despertado dentro dela um fogo intenso, e completamente novo.
Por mais distante que estivesse sua bela esposa, Gabriel não podia deixar de pensar nela, e quando se inteirou de que uns espiões franceses a tinham sequestrado, o Conde teve medo de perder para sempre o que havia acabado de descobrir. Mas a mulher a qual tentaria salvar já não se parecia em nada com a jovem tímida que tinha enviado à sua solitária casa de campo. A nova Talia estava disposta a reivindicar de seu marido o que merecia e desejava.

Capítulo Um

Slone Square não era o melhor bairro de Londres, mas era respeitável e comodamente situado entre as áreas mais elegantes da cidade. Por regra, ali viviam membros da alta sociedade que saíam do convencional ou que preferiam evitar o burburinho de Mayfair.
E então, havia o senhor Silas Dobson.
Com a maior mansão do bairro, o senhor Dobson era o que se chamava, delicadamente, de oportunista. Outros menos delicados, diziam que era um mal educado que cheirava à classe trabalhadora, por mais dinheiro que tivesse.
Possivelmente teriam perdoado sua inadequada intromissão na alta sociedade se estivesse disposto a passar despercebido e a aceitar que sempre seria inferior aos que pertenciam à aristocracia por nascimento.
Silas, no entanto, não era dos que passavam despercebidos em parte alguma.
Grande como um touro, corpulento e com o rosto avermelhado pelo sol, era gritalhão e grosseiro como qualquer homem das centenas de trabalhadores dos armazéns e oficinas da cidade. O pior de tudo era que não pedia desculpas por ter saído dos baixos recursos para fazer fortuna no comércio. 
Era o mais novo de doze irmãos, tinha começado como estivador nas docas, antes de investir no transporte de mercadorias perigosas, o que lhe tinha permitido ir comprando vários imóveis, que alugava a preços exorbitantes para companhias navais.
Era um homem inculto e sem maneiras, que havia insultado pelo menos três vezes quase todos os habitantes de Sloane Square nos últimos dez anos.
Embora não fosse tão estúpido em acreditar que poderia algum dia parecer um cavalheiro, estava disposto a valer-se de sua escandalosa fortuna para conseguir introduzir sua única filha na alta sociedade.
Uma imprudência que não lhe ajudava a reconciliar-se com os cidadãos de primeira.
A única coisa que os tranquilizavam um pouco era saber que o dinheiro e as bravatas de Dobson não poderiam nunca fazer com que sua filha tivesse êxito.
Oh, ela era bonita o suficiente com seus grandes olhos cor de esmeralda colocados em um rosto oval perfeito, nariz delicado e lábios cheios e rosados. Mas havia algo bastante… singelo e pouco sofisticado em suas curvas de cigana, e em seus cachos negros como o corvo.
Foi, no entanto, sua incomparável falta de encantos que assegurou que nunca a tirassem para dançar.
Afinal sempre haveriam cavalheiros de boas famílias que careciam de recursos. Era muito caro fazer parte da nobreza, especialmente sendo o mais novo de vários irmãos, sem o benefício de grandes propriedades para compensar o custo de estar na moda.
Com um dote que superava as cem mil libras, Talia Dobson deveria ter sido arrematada do mercado de casamentos em sua primeira temporada, mesmo com um pai grosseirão que faria seu futuro genro passar vergonha.
Mas, além da desvantagem que provinha de seu pai, a moça em questão era uma intelectual incapaz de dizer uma palavra em público, e muito menos cativar a um cavalheiro com suas paqueras. O resultado de tal combinação era que todo mundo lhe tinha pena e fugiam dela como da peste.
Os membros da alta sociedade pareciam desfrutar dos fracassos de Talia. Estavam convencidos de que serviria de lição ao odioso senhor Dobson, e de exemplo para outros oportunistas que acreditassem que poderiam instalar-se entre a aristocracia graças a seu dinheiro.
Talvez não estivessem tão satisfeitos se conhecessem a Silas Dobson, como o conhecia sua filha.
O filho de um mero açougueiro não teria adquirido um pequeno império, a menos que não tivesse a absoluta determinação de superar qualquer obstáculo. A qualquer custo.
Consciente da implacável força de vontade de seu pai, Talia estremeceu ao ouvi-lo gritar pelos quartos abobadados da elegante casa.
—Talia. Talia, responda-me! Maldição onde está essa menina? 










Era estação de verão

Série Era uma vez nas Terras Altas
Uma maldição antiga, um casal de fantasmas intrometidos, uma mulher em fuga, e um fatídico mal-entendido podem criar a chance perfeita para um verdadeiro amor.

Lady Caroline Forrester do esquema de seu irmão de casá-la com o mais alto solicitante. 
Uma fuga à Escócia oferece uma chance de emprego como governanta e a liberdade de um casamento infeliz — era a solução perfeita. 
Mas Caroline não estava preparada para os sentimentos que seu novo empregador despertaria nela.
Alec McNabb, o relutante conde de Glenlorne, nunca esperava retornar à Escócia. Mas, agora aquele ele está lá, ele percebe que tem obrigações das quais ele não pode escapar. Alec precisa fazer um bom casamento e rápido.
Quando um caso de erro de identidade - juntamente com a sensual e mágica atmosfera do castelo de Glenlorne - resulta em um apaixonado encontro, Caroline e Alec devem decidir se a atração deles é o suficiente para superar os problemas de seus passados, ou se a chance de um verdadeiro amor acabou antes de começar...

Capítulo Um

— Eu terei sua decisão agora, por favor.
Lady Caroline Forrester olhou para o carpete do escritório de seu meio-irmão. Era como tudo em sua mansão em Londres: caro, elegante e escolhido apenas para proclamar sua posição como o conde de Somerson. Ela fixou os olhos nos redemoinhos azuis e arabescos desenhados no tapete e se perguntou de que terra distante ele provinha, e se ela poderia ir lá, sozinha, em vez de fazer a escolha que Somerson exigia.
— Escolha agora, — ele disse, impaciente. — Você tem duas opções para escolher. Visconde Speed tem duas mil libras por ano e herdará o condado de seu pai.
— Na Irlanda, — Caroline sussurrou, baixinho. Speed também apresentava a pele oleosa, perpetuamente úmida e um pouco de espinhas, e só se interessava por ela porque seu dote o enriqueceria. Pelo menos por um curto período, até que ele gastasse seu dinheiro enquanto gastava sua própria fortuna em amantes, bebedeiras e cavalos.
— E o senhor Mandeville possui uma boa propriedade na fronteira com o País de Gales. A mãe dele mora lá, então ela seria uma companhia para você.
Mandeville não passava tempos em sua propriedade rural por esse exato motivo. Caroline estivera em Londres fazia apenas um mês, mas ouvira a fofoca. Lady Mandeville trocava de companheiros nobres, como Charlotte, a condessa de Somerson, devorava bolos de creme no chá. Lady Mandeville era famosa por seu mau humor, sua língua afiada e seus cachorros. Ela criava dúzias, talvez até centenas, de criaturinhas mal-humoradas, desajeitadas e desagradáveis, que se comportavam como seus amantes, se as histórias sussurradas fossem consideradas. A mulher infeliz o suficiente para se tornar a esposa de Lorde
Mandeville, serviria como a companheira da velha até que um deles morresse, sem possibilidade de deixar o posto para um trabalho mais agradável.
— Então, qual cavalheiro você escolherá?


Série Era uma vez nas Terras Altas
1- Era estação de verão

6 de julho de 2018

O Trapaceiro

Série Guardiões das Highlands
O que não havia para amar?

Sir Thomas Randolph, Conde de Moray, não era apenas um dos mais importantes e mais ricos homens do reino, ele também era encantador, devastadoramente bonito e o sobrinho favorito do rei Robert Bruce.
Ainda assim, quando Isabel – Izzie - Stewart conheceu o cavalheiro, ficou feliz por ele ser o noivo de sua prima e não o seu. Ele levava muito a sério sua aparência e parecia estar fazendo o papel de cavaleiro "perfeito". Por sua experiência, homens que eram bons demais para ser de verdade geralmente não eram. Mas quando Izzie começa a se perguntar se suas primeiras impressões poderiam estar erradas, ela descobre um homem complexo e convincente que está longe de ser perfeito e mais sedutor do que ela jamais teria imaginado.

Capítulo Um

Edimburgo, Escócia, março de 1314 
Eu vou matá-la. Como ela faria sua prima pagar por isso? Era tudo que Isabella Stewart podia pensar enquanto se afastava da Abadia de Holyrood com Sir bom demais para ser de verdade. Bem, por uma hora ― que Deus a livrasse ― ouviria o que Sir Thomas Randolph pensava que ela queria ouvir, isso era demais para suportar, mesmo em nome da amizade. Não que o cavalheiro estimado parecesse muito interessado em encantá-la ou impressioná-la neste momento.
Um olhar disfarçado debaixo de suas pestanas para seu companheiro claramente sombrio lhe disse que ele não estava mais feliz por ser forçado a estar em sua companhia tanto quanto ela. O sorriso de “tente não se apaixonar por mim” que ele não tirava do rosto, era insuportável.
Aversão era provavelmente uma palavra muito forte para descrevê-lo, mas quando Izzie chegou em Edimburgo há quatro dias e encontrou o homem que esperava se casar com a sua prima, ele e Izzie não tinha exatamente se dado bem um com o outro.
Provavelmente por culpa de Izzie. Ela não conseguiu esconder a sua diversão na sua saudação grandiosa. Que vergonha, tinha sentido como se estivesse assistindo a um jogador em um palco representando a fantasia do belo cavaleiro mais perfeito e romântico de armadura brilhante montado em seu magnífico cavalo e ajoelhado diante de sua senhora. Era demais.
Claramente, Randolph (apesar de seu novo título de conde de Moray, todos o chamavam de Randolph) não tinha visto o humor da situação e tinha ficado com algum ressentimento pela sua reação, se suas costas rígidas, mandíbula tensa e o olhar gelado significavam alguma coisa. Poderia ser perfeito e teve que admitir que seu rosto estava muito perto da perfeição, mas ele parecia saber disso e levava isso muito a sério para o seu gosto.
O que era irônico, já que nos quatro dias que o conheceu ela duvidava ter ouvido um pensamento verdadeiro sair de sua boca. Ele tinha uma grande capacidade de dizer a coisa certa, ou melhor, o que pensava que o outro queria ouvir, o que era inegavelmente adorável, mas mais uma vez a fazia se sentir como se estivesse assistindo a uma apresentação.
Uma performance magnífica sem dúvida, mas uma performance do mesmo jeito. Ainda assim, havia algo inegavelmente cativante sobre sua personalidade maior do que a sua vida e sua descarada arrogância e, como todo mundo, não conseguia tirar seus olhos da sua prima. Sir Thomas Randolph era um grande herói em perspectiva ― um homem que se tornaria uma lenda ― e todos sabiam disso. Então, por que Randolph estava levando Izzie para ver os rochedos conhecidos como Costelas de Sansão no parque da Abadia de Holyrood e não a sua prima Elizabeth, com quem estava quase comprometido?
Boa pergunta! E Izzie tinha a intenção de que sua prima lhe respondesse assim que retornasse. Izzie suspeitava que tinha algo a ver com o belo amigo de Elizabeth, Thomas MacGowan. Mas seria melhor que sua prima descobrisse qual dos dois Thomas queria ― de preferência antes que Izzie tivesse que cobri-lá novamente.
Um passeio desconfortável pelo parque era mais do que suficiente. Pelo menos eles não estavam sozinhos, embora fosse assim que ela se sentia. Como o sobrinho preferido do rei Robert Bruce, Sir Thomas Randolph era um dos mais importantes e mais ricos homens do reino e o séquito de homens ao seu redor refletia isso.
Embora provavelmente houvesse provavelmente três dezenas de guerreiros ao seu serviço, apenas um punhado os tinha acompanhado hoje. Os homens, no entanto, estavam a uma distância discreta atrás deles. Aparentemente, eles não tinham sido informados da mudança de planos, pensou com um sorriso irônico. Não era mais o passeio romântico e almoço em uma cesta que Sir Thomas tinha convidado a sua prima.
No entanto, Izzie não tinha dúvida de que a maioria das mulheres da corte ― incluindo muitas casadas ― daria seu olho para estar em seu lugar. E, de bom grado, ela trocaria de posição com qualquer uma delas.
O silêncio constrangedor era insuportável. Mas sobre o que eles poderiam falar? Não tinham nada em comum. Ela franziu a testa. Exceto pela música.
Não a surpreendeu que ele cantasse, o cavaleiro respeitoso em armadura brilhante não poderia cantar uma canção de gesta em uma história de cavaleiros?

Rocha

Série Guardiões das Highlands

A primeira vez que viu Elizabeth Douglas, Thomas MacGowan pensou que ela fosse uma princesa. 

Para o filho do ferreiro do castelo, a filha do poderoso Senhor de Douglas também poderia ser.
Quando ficou claro que sua amiga de infância nunca iria vê-lo como um homem que poderia amar, Thom se juntou ao exército de Edward Bruce como um homem de armas para tentar mudar o seu destino.
Se ele estava abrigando uma esperança secreta de que poderia preencher a lacuna entre eles, teria que enfrentar o frio da verdade, pois tudo fica difícil quando Elizabeth pede ajuda. Ela pode precisar da criança que costumava escalar penhascos para resgatar seu irmão das mãos do inglês, mas nunca veria o filho de um ferreiro como um homem digno de sua mão.

Capítulo Um

Douglas, South Lanarkshire, fevereiro de 1311
Thom – ninguém mais o chamava de Thommy–, tinha esperado tempo suficiente. Ele deu um último golpe com o martelo antes de remover cuidadosamente a lâmina quente.
Enxugou o suor e fuligem da testa com as costas da mão, tirou o avental de couro protetor pela cabeça e pendurou-o num gancho perto da porta.
― Onde você vai? ― seu pai perguntou, olhando para cima de seu próprio pedaço de metal quente, no caso dele, tinha um leme severamente amassado. O inglês que certa vez o usou devia ter sentido uma dor de cabeça horrível. Se ele ainda estivesse sofrendo, é claro.
― Para o rio me lavar. ― respondeu Thom.
Seu pai franziu a testa, com as feições escurecidas pelas camadas de sujeira que vieram de trabalhar ao redor do forno durante todo o dia. Cada dia. Por quarenta anos.
Embora já não fosse o homem mais alto da aldeia – Thom tinha ultrapassado a altura de seu pai há quase dez anos–, o grande Thom continuava a ser o mais musculoso, mesmo Thom tendo passado alguns anos batendo o martelo não poderia forçar seu pai a dar-lhe esse título também. Fisicamente eles eram muito semelhantes, mas em todo o resto eram diferentes.
― Ainda falta muito para o jantar. ― disse seu pai. ― o capitão Wilton está ansioso pela sua espada.
Thom rangeu os dentes. Embora os moradores de Douglas não tivessem escolha a não ser aceitar a ocupação britânica do castelo – com o atual Senhor de Douglas sendo procurado como rebelde –, não significava que ele tinha que seguir suas ordens.
― O capitão pode esperar se ele quiser que o trabalho seja feito corretamente.
― Mas a sua moeda não. Essas ferramentas não vão se vender...
Embora não houvesse censura em seu tom, Thom sabia o que seu pai pensava. Eles não precisariam tanto da moeda se Thom não fosse tão teimoso. 
Eles estariam sentados ou, ainda melhor, dormindo, com moedas suficientes para substituir todas as ferramentas de forja e expandir para tomar um punhado de aprendizes, se eles quisessem. Mas esse era o sonho de seu pai, não dele. Sua mãe o tinha deixado uma pequena fortuna e Thom não estava disposto a desistir, nem a oportunidade que o acompanhava.
Eles não precisariam de nenhum dinheiro se o atual Senhor do Douglas não estivesse tão ocupado em fazer um nome para si mesmo com todos os seus atos sombrios, que realmente não pensava sobre aqueles deixados em seu rastro e represálias sofridas pelo Inglês. 
Thom tentou empurrar a onda de amargura e raiva que veio do pensamento de seu velho amigo, mas tinha se tornado tão pensativo que era difícil equilibrar seu martelo.
A última vez que Sir James Douglas, o sombrio, tinha tentado livrar seu castelo dos ingleses cerca de um ano atrás, quando ele enganou o então encarregado, o Sr. Thirlwall, a sair da segurança do castelo em uma emboscada, mas não conseguiu tomar o castelo ― a guarnição restante tinha retaliado os moradores, a quem eles acusaram ​​de ajudar os rebeldes.
A guerra é boa para os negócios, ele gostava de dizer ao seu pai. Só que não era. O Grande Thom MacGowan, nunca tinha sido tímido com sua lealdade aos Senhores de Douglas, mas ele pagou pela sua lealdade com uma forja quase destruída e a perda de algumas de suas ferramentas mais caras.
Ferramentas que estavam, provavelmente, em alguma forja inglesa neste momento.
Felizmente, a guarnição e o comandante que tinha substituído Thirlwall, Wilton, parecia um homem justo. Ele não culpava os moradores pelas ações de seu latifundiário rebelde e ele e seus homens viraram clientes frequentes do ferreiro da aldeia, ou como a placa de madeira não proclamava de forma imaginativa, A Forja. Seu pai não gostava dos ingleses, mas estava feliz por receber a sua moeda, especialmente as suas tarifas especiais para os ingleses.
― Terminarei logo. ― disse Thom. ― E, Johnny, a cota de malha está quase pronta, certo?
Seu irmão de quatorze anos assentiu.
― Mais alguns rebites e será tão boa quanto uma nova. ― Ele sorriu, seus dentes um flash branco em seu rosto enegrecido. ― Melhor do que uma nova.
Thom sorriu de volta.
― Não duvido.

O Atacante

Série Guardiões das Highlands
O Ano do Senhor mil e trezentos e treze. 

Depois de quase sete anos de guerra, Robert, —O Bruce—, fez um retorno improvável de certa derrota para retomar quase todo o seu reino dos compatriotas ingleses e escoceses que lutaram contra ele. O desafio final dos ingleses virá em breve, mas ainda há bolsas de resistência na Escócia para o homem que se chamaria rei Robert I. O mais importante deles é a incômoda província de Galloway, no sudoeste, governada pelo homem mais procurado da Escócia: Dugald MacDowell, o chefe implacável do clã MacDowell. Vendo Dugald MacDowell trazido ao calcanhar, é pessoal para Bruce, como foi o MacDowells que foram responsáveis por um dos momentos mais sombrios na busca de Bruce pelo trono.
Para liderar esta importante missão, Bruce chama Eoin MacLean, um dos famosos guerreiros da força secreta de elite conhecida como Guarda das Terras Altas, que tem razões próprias para querer destruir os MacDowell.

Capítulo Um

Igreja de Santa Maria, perto do Castelo Barnard, Durham, Inglaterra, 17 de janeiro de 1313

Foi um dia muito bom para um casamento. Eoin MacLean, o homem que inventou o plano para usá-lo como uma armadilha para capturar o homem mais procurado na Escócia, apreciou a ironia.
O sol, que se havia escondido atrás das nuvens de tempestade durante semanas, tinha escolhido esta manhã de inverno para reemergir e brilhar no encharcado campo inglês, fazendo a grama grossa ao redor da pequena igreja brilhar e a folhagem remanescente nas árvores brilharem como árvores de âmbar e ouro. Também, infelizmente, captou o brilho de suas correspondências, dificultando a mistura com o campo. 
A longa cota de malha de aço era uma armadura incomum para os homens de Bruce, que preferiam os cotuns de couro preto mais leves, mas, neste caso, era necessário.
De sua vista na encosta arborizada do outro lado da igreja, a pequena aldeia às margens do rio Tees, à sombra do grande Barnard Castle, parecia bonita e pitoresca. Um cenário perfeito para a noiva igualmente bonita e seu cavaleiro inglês cavalheiresco.
A boca de Eoin caiu em uma linha dura, uma pequena rachadura revelando o ácido se agitando dentro dele. Era quase uma pena estragar tudo. Quase. Mas ele estava esperando por este dia por quase seis anos, e nada - com certeza não a felicidade da noiva e do noivo - ia impedi-lo de capturar o homem responsável pelo pior desastre que se abateu sobre Robert —the Bruce— em um reino repleto de muitas delas de que para escolher.
Eles o tinham. Dugald MacDowell, o chefe do antigo reino celta de Galloway, o último da significativa oposição escocesa ao reinado de Bruce, e o homem responsável pelo massacre de mais de setecentos homens - incluindo dois dos irmãos de Bruce. 
O bastardo escapou da captura por anos, mas finalmente cometeu um erro.  Que seu erro foi uma fraqueza para a noiva tornou ainda mais adequado, pois era a fraqueza tola de Eoin pela mesma mulher que havia colocado todo o desastre em movimento.
Sentia-se para a peça esculpida em marfim em seu sporran por instinto. Estava lá - como o pedaço de pergaminho bem lido ao lado. Talismãs de uma espécie, lembretes de outra, mas ele nunca foi para a batalha sem eles.
— Você tem certeza de que ele estará aqui?
Eoin virou-se para o homem que tinha falado, Ewen Lamont, sua parceira na Guarda das Terras Altas, e um dos doze homens que o acompanharam nessa missão perigosa atrás das linhas inimigas. Embora o próprio Bruce tivesse liderado ataques em Durham no verão passado, o rei tinha um exército de apoio. 
Se a dúzia de homens de Eoin teve problemas, eles estavam sozinhos a cem milhas da fronteira escocesa. Claro era seu trabalho garantir que eles não encontrassem problemas.
Opugnate acriter.. Golpeie com força. Foi o que ele fez e o que lhe valeu o nome de guerra de Striker entre os guerreiros de elite da Guarda das Terras Altas secreta de Bruce. Como o atacante que empunhou os poderosos golpes do martelo para o ferreiro, as táticas piratas corajosas e emaranhadas de Eoin atingiram seus inimigos. Hoje não seria diferente - exceto que esse plano poderia ser ainda mais ousado (e mais louco) do que o normal. 
O que, reconhecidamente, estava dizendo alguma coisa.
Eoin encontrou o olhar do amigo, que só era visível sob a viseira do elmo completo. — Sim, tenho certeza. Nada manterá MacDowell do casamento de sua filha.
As informações sobre as núpcias planejadas de Maggie - Margaret - tinham caído em suas mãos por acaso. 
Eoin, Lamont, Robbie Boyd e James Douglas estiveram com Edward Bruce, o único irmão remanescente do rei, em Galloway, no mês passado, fazendo tudo que podiam para interromper a comunicação e as rotas de suprimento entre as fortalezas de MacDowell, na província de Galloway, na Escócia e Carlisle Castle, na Inglaterra, que estava provisionando-os. Durante uma dessas —interrupções—, eles capturaram um pacote de cartas, que incluía uma carta de Sir John Conyers, o policial de Barnard Castle para o conde de Warwick, dando a data do casamento de Conyers à filha —amada— de MacDowell. Dugald tinha oito filhos, mas apenas uma filha, para que não houvesse erro quanto à identidade da noiva.
Lamont deu-lhe um longo e sábio olhar. - Eu suspeito que o mesmo poderia ser dito de você.
O lábio de Eoin se curvou em um sorriso que era muito mais raiva do que diversão. - Você está certo sobre isso.
Este foi um casamento que ele não sentiria falta pelo mundo. 
O fato de que isso levaria à captura de seu inimigo mais odiado só o tornava mais satisfatório. Duas dívidas, atrasadas, seriam reembolsadas neste dia.
Mas diabos, quanto tempo levaria? Ele estava sempre nervoso antes de uma missão, mas isso era pior do que o habitual. Pelo amor de Deus, suas mãos estavam praticamente tremendo!
Ele riria, se ele não pudesse imaginar o porquê. O fato de que ela poderia chegar a ele depois de todos esses anos - depois do que ela fez - enfureceu-o o suficiente para imediatamente matar qualquer contração. Ele estava tão frio quanto gelo. Tão duro quanto o aço. Nada penetrou. Não demorou muito tempo.
Finalmente, a aparição de cavaleiros na ponte levadiça, um dos quais segurava uma faixa azul e branca, sinalizava a chegada do noivo.
Eoin abaixou a viseira de seu elmo, ajustou a pesada e desconfortável camisa de cota de malha e vestiu o sobretudo surrado, que, por coincidência, não correspondia a azul e branco.
— Esteja pronto, — disse ele ao seu parceiro. — Certifique-se de que os outros saibam o que fazer e esperem pelo meu sinal.











Série Guardiões das Highlands
0,5- O Resgate da Guarda das Highlands
1- O Guerreiro
2- O Falcão
3- O Guardião
4- Víbora
5- O Santo 
6- O Recruta
7- O Caçador
7.5 - O Cavaleiro
8- O Saqueador
9- O Arqueiro
10.O Atacante
11. Rocha

4 de julho de 2018

Só Você

Série Romances Vitorianos

Quando María e Black se conheceram, suas vidas mudaram para sempre. 

Surgiu entre eles uma atração instantânea e feroz. Tinham encontrado essa paixão, que, se tiver sorte, encontra uma vez na vida. A desconfiança e o ciúme tinham lhes separado três anos atrás.
 Depois, nenhum deles havia voltado a ser feliz. Um dia Black se inteira de que a vida de María está em grave perigo. 
Então corre para seu lado, para salvá-la, prometendo a si mesmo, que não permitirá que se separe dele nunca mais.

Capítulo Um

Londres, 1854
Black bebia em seu escritório.
Estava a várias horas ali, sozinho, bebendo, tentando chegar, o mais rápido possível à inconsciência.
Acreditava que estava levando muito tempo, mas ele era persistente e o conseguiria. Tinha começado essa manhã, quando pensava que a cabeça lhe ia arrebentar, se continuasse se preocupando com ela. Seu cozinheiro foi o único que se atreveu a entrar e tentar falar com ele.
– Chefe, abriremos dentro de uma hora, não pode tratar nesse estado com os clientes - ele nem lhe olhou, muito menos lhe respondeu, foi como se não lhe escutasse. William, vendo que não haveria resposta, abordou pela garrafa pensando que, estando tão bêbado, não se daria conta.
Acabava de fechar os dedos sobre ela, quando Black lhe sussurrou maliciosamente:
– Solta isso, se não quer que te fatie os dedos, e os joguemos no jantar de algum cliente hoje - as palavras estavam perfeitamente moduladas, com o tom necessário para que ao cozinheiro lhe pusessem os cabelos em pé.
Conhecia seu chefe quando estava de mau humor, mas isto era diferente. Parecia como se estivesse esperando algo, ou alguém com o que poder descarregar sua fúria, na realidade dava a impressão de estar desejoso de matar a alguém. Saiu, sem lhe responder, e fechou a porta a suas costas. O maître, outro empregado do restaurante que levava tanto tempo como ele, estava lhe esperando no corredor.
– O que te disse? – o cozinheiro negou com a cabeça, pouco disposto a repetir a ameaça. Ainda tremia interiormente, ao pensar no que lhe havia dito, e em sua expressão ao dizê-lo – É um selvagem! Nunca tinha lhe visto assim, não sei o que lhe acontece - encolheu os ombros sem saber o que mais dizer. O outro homem ficou pensativo.
– Tenho uma idéia, e se chamarmos à marquesa? – o cozinheiro duvidava.
– Não sei o que é pior, se o seu marido descobre…
– Que venha com ela, acredito que agora se dão bem. Qualquer coisa é melhor que isto. Imagine que sai assim a falar com os clientes, - foi colocar o seu casaco - volto em seguida, pegarei uma carruagem para voltar a tempo.
Pouco depois, Gabriel e Alexandra escutavam as explicações atropeladas do maître do THE CLERK, sentados em seu salão. Ela se voltou para seu marido.
– Que estranho! - observou a expressão de seu marido, conhecia-lhe muito bem - você sabe algo disto?
– Não, mulher, o que você tem - era muito inteligente. Não sabia como era possível, que sempre soubesse quando mentia. Ninguém mais se dava conta. Felizmente.
– Gabriel! O que você fez? - voltou-se para o maître do THE CLERK - Está bem, James, não se preocupe, vou em seguida - o homem pareceu tranqüilizar-se ao escutá-la. Assentiu aliviado e saiu quase correndo. Abririam o restaurante em seguida, e tinha que estar ali.
Ela esperou que o mordomo fechasse a porta, e ficou observando seu marido, com os braços cruzados. Gabriel conhecia essa expressão. Quando ficava assim, não podia lutar contra ela. Bom, de maneira nenhuma, podia lutar contra ela.
– Está bem, vêm comigo - entraram no escritório, e ele fechou a porta. Ela ficou de pé, com a mesma cara de aborrecimento.
– Gabriel - avisou, para que se apressasse.
– Sim, já sei. Levei-lhe uma carta de María, acredito que era de despedida.
– Por que uma carta? Por que não foi falar com ele?
– Está em uma missão - Alexandra franziu o cenho pela explicação.
– Acreditava que o ia deixar - protestou.
– Devido à guerra, não tem trabalho no teatro, por ser russa não querem contratá-la. Pelo visto parte do público se queixou, e os donos dos teatros não se atrevem a que atue neles, se por acaso o público não vai ver as peças.
– Mas isso é uma estupidez! É tão inglesa quanto você e eu! Você me disse que faz anos, que lhe concedeu a nacionalidade!
– Sei, sei. Pelo trabalho, não o tínhamos feito público naquele momento, e, depois, não vimos necessidade.
– Você idiota!Você conseguiu - abriu a porta e ficou olhando um momento para Gabriel. – Está bem, vou ver-lhe, há algo mais que deva saber? – não esperou que lhe respondesse, estava muito zangada. Foi à entrada para recolher seu casaco – Perkins, por favor, que preparem a carruagem! - seu marido a seguiu, como ela sabia que o faria.
– A primeira coisa é que não vai sozinha, acompanho-te, e a segunda, que a missão em que María está trabalhando, poderia ser muito perigosa.
– Estupendo! Tudo são boas notícias - resmungou a mulher, enquanto colocava as luvas – Certamente Gabriel, já falaremos de tudo isto. Enquanto o fazemos, quero apenas que saiba que estou muito zangada! - Perkins, o mordomo do Marquês de Bute, não tinha muitos momentos nos que pudesse sorrir com vontade, e aproveitou este. Seu patrão, nesse momento lhe olhou com o cenho franzido.
Imediatamente, o homem abriu a porta da rua, já totalmente sério.
– Senhores - os dois saíram para a carruagem. Alexandra na frente, andando depressa e com cara de aborrecimento, e atrás Gabriel tentando acalmá-la.
Perkins fechou a porta e foi à cozinha, para contar a sua mulher, a cozinheira, o que acabava de ocorrer.
Desde que a senhora marquesa tinha entrado em suas vidas, nunca se aborreciam.
– James, por favor, uma cafeteira com café muito carregado, para o senhor, obrigado. - O maître se foi, aliviado de que alguém tomasse as rédeas da situação. Tinham entrado apressados no escritório de Black, e Alexandra, como sempre, fazia o que queria.
Black lhes olhava com os olhos frágeis. Gabriel sentia por ele, sinceramente. O furacão Alexandra tinha entrado em sua vida, e já não podia fazer nada para evitá-lo. Tirou o casaco e as luvas e os deixou em uma cadeira, logo, agarrou outra e se sentou junto ao seu amigo.
– Black, querido. Estamos aqui para te ajudar.
– Não necessito ajuda. - em sua defesa terei que dizer que, pela menos na fala, quase não se notava que tivesse bebido, além de uma hesitação antes de dizer as frases, como se tivesse que as pensar.
– Está bem, sabe que já está aberto? Já tem clientes nas mesas. Não se preocupe, James se ocupará. Acha que ele sozinho será capaz de fazê-lo? Se não, podemos ficar para ajudar.
– Não, é muito competente - sorriu quando foi capaz de dizer a palavra inteira. Era uma palavra difícil. Sentiu-se orgulhoso. Decidiu beber outro gole, para celebrar que ainda era capaz de dizer palavras complicadas.
– Você gostaria de ir dormir em casa?



Série Romances Vitorianos 
1- Traição
2- Vingança
3- Só Você
Série concluída

A Surpresa do Marquês

Série Os Cavalheiros
Roger Bennett, o futuro marquês de Riderland, define-se a si mesmo como um cavalheiro disposto a ajudar as pobres infelizes carentes de prazeres sexuais. 

Gosta tanto da sua vida que deseja continuar assim até o final de seus dias. Entretanto, uma pessoa truncará essa vida de libertinagem que tanto anseia manter. Resignado por ter que viver com uma esposa a quem não conhece nem ama, decide enfrentar com integridade o seu futuro. 
Mas quando seus azulados olhos se cravam em Evelyn, descobre que tudo aquilo que desejou se evaporou. Mas o amor terá que trabalhá-lo e para um homem a quem foi fácil romper corações, resultar-lhe-á incrível ver como o seu se faz em pedacinhos como o cristal. 

Capítulo Um 

Suas mãos percorreram de novo as costas. A suavidade do tato o encantava até tal ponto que perdia o pouco controle que tinha. Era a mulher perfeita: bela, ardente, carinhosa, apaixonada e, sobretudo… viúva. Roger aproximou sua boca da dela para aplacar a intensidade de seus gemidos. Nunca tinha escutado uma amante soluçar com tanta força ao ser penetrada. 
Gemia, retorcia-se sob seu corpo, pedia-lhe mais e ele o oferecia. Fechou os olhos ao perceber como seu sexo começava a palpitar. Estava a ponto de explodir. Aferrou com força a cintura da mulher e, justo antes que brotasse sua semente, separou-a de seu corpo. 
Sem levantar as pestanas e satisfazendo-se ele mesmo, deixou que Eleonora soltasse os acostumados impropérios ante tal ação. Odiava que seus encontros passionais finalizassem sempre iguais, mas ele era incapaz de ejacular dentro de uma mulher. 
Apesar de seus insistentes comentários sobre as medidas que tomava para não ficar grávida, Roger não acreditava. Desde que William descobriu que lady Juliette não era a viúva que dizia ser e sofrera as consequências de um engano, ele se cuidava muito com as afirmações de qualquer mulher. O que faria com um filho? Nada. Nem sequer pensou em têlo. 
Não podia permitir que um momento de prazer alterasse o resto de sua vida. Embora, se o pensava melhor, não seria o primeiro Bennett que engendraria filhos bastardos. Bom exemplo disso era seu respeitável pai, aquele que o acusava de não ser o homem adequado para possuir o título de marquês de Riderland. Quantos tinha? Vinte, trinta ou talvez quarenta? Tinha perdido a conta quando apareceu a última criada pedindo clemência. Veementemente, ele não ia se converter no que tanto odiava. 
― Deixa-me fria como um iceberg! ― Exclamou Eleonora agarrando os lençóis para cobrir seu corpo. ― Mon amour… ― Roger a olhou de esguelha e sorriu. 
― Não se zangue com este pobre apaixonado… 
― Basta, não me olhe assim! ― Disse ofuscada. 
― Quer que eu vá? Quer que eu não volte mais? ― Levantou-se com rapidez da cama e sem ocultar sua nudez se aproximou da poltrona onde estava sua roupa. 
― Faça o que quiser! ― Continuou elevando a voz. Deulhe as costas e, como uma menina zangada, começou a resmungar. 
Não queria que partisse. Se o fizesse não conseguiria seu objetivo e não era justo que depois de comprar daquela cigana todo tipo de beberagens para ficar grávida não o obtivesse. Eleonora respirou fundo tentando captar a atenção do homem. 
Queria que acreditasse que se sentia ferida por suas dúvidas e assim eliminar, de uma vez por todas, a desconfiança que a impedia de alcançar seu propósito: deixar de ser a viúva de um vulgar comerciante e converter-se na futura marquesa de Riderland. 
― Não se zangue, mon amour ― respondeu Roger com voz melosa. Abotoou a camisa, ajustou bem a calça e antes de terminar de vestir-se, caminhou para a moça, levantou seu queixo com um dedo e lhe deu um terno beijo. ― Amanhã retornarei e voltará a me amar como tem feito durante estes dois meses. 
― E se não o fizer? ― Perguntou desafiante. 
― Ce n'est rien… 








Série Os Cavalheiros
1- A Solidão do Duque
2- A Surpresa do Marquês 

A Noiva Solteirona

Série Lordes e Ladys
Mr. Charles Norris precisa de ajuda para encontrar uma esposa…
Pois ele tem o hábito lamentável de se apaixonar pela mais bela debutante de cada temporada, apenas para ter seu coração partido quando ela se casa com outro. Certamente que Lady Marjorie Penwhistle o pode ajudar. Ela é sensata, inteligente, conhece a sociedade e deve casar com um lorde, coisa que ele não é. 
Já que se encontra decididamente fora de seu alcance, Charles é livre de desfrutar de sua honestidade refrescante e seus inesperadamente atraentes beijos…
Lady Marjorie Penwhistle não quer um marido…
Pelo menos não quer pretendentes com títulos, mas insuportáveis que sua mãe está determinada que ela case. Preferiria ficar solteira e cuidar de seu irmão excêntrico. Contudo, aconselhar Mr. Norris é uma excitante diversão secreta. Depois de tudo, quão difícil será encontrar um par para alguém tão justo, honorável e completamente lindo? Não é como se estivesse em perigo de ela própria achar Charles demasiado irresistível…

Capítulo Um

Marjorie Penwhistle chegou à alarmante realização, no dia cinco de maio no ano de nosso Senhor de mil oitocentos e setenta e quatro, que estava destinada a ser uma solteirona. Que já era, de fato, uma solteirona.
Tinha sido negligenciada.
Enquanto estava no salão de dança ao lado de sua mãe, reparou em um fenômeno estranho. Todos os jovens cisnes que costumavam estar à sua volta estavam agora em volta de Miss Lavínia Crawford. Marjorie era, pelos padrões da sociedade londrina, bastante velha para não estar casada. Aos vinte e três anos (e muito próxima dos vinte e quatro), ela ainda continuava adorável, claro, mas existiam outras mulheres mais adoráveis (e mais jovens), frescas para o mercado de casamento, cheias de riso e vida, enquanto Marjorie tinha que admitir que estava… cansada.
― Miss Crawford parece estar atraindo uma multidão. ― Disse para sua mãe.
Um olhar disse a Marjorie que sua mãe tinha reparado no mesmo.
Com olhos estreitos, Dorothea Penwhistle, Lady Summerfield disse:
― Pararão de andar atrás dela quando ela abrir a boca para falar. Nunca ouvi um som tão agudo saindo da boca de uma jovem lady.
Marjorie riu baixinho e sua mãe pareceu satisfeita com sua reação. Miss Crawford tinha, de fato, uma voz normalmente encontrada em uma criança de dez anos, mas, apesar do comentário de sua mãe, os jovens cavalheiros a seu lado não pareciam incomodados com isso. Marjorie pressionou seus lábios juntos, recebendo um olhar agudo de sua mãe. Forçou- se a relaxar a boca, tornando em um sorriso agradável destinado a transmitir confiança e charme feminino. Era um sorriso que tinha praticado em frente do espelho um grande número de vezes, com sua mãe ao seu lado oferecendo sugestões.
Marjorie tinha sido um produto bastante milagroso de duas pessoas extremamente simples. Seu pai há muito morto (alguns disseram que sua mãe o tinha matado com um de olhares letais) tinha sido baixo, gordo, e estava perdendo seu cabelo, com um nariz batatudo e grosso e lábios carnudos. Sua única característica agradável, os olhos profundos cinzentos rodeados de azul, tinham sido herdados por Marjorie. Dorothea tinha sido seu par perfeito, uma mulher forte e de queixo quadrado com cabelo cinzento de ferro (mesmo em seus vinte e poucos anos) e pequenos olhos castanhos dominados por sobrancelhas fortes e grossas que precisavam de ser aparadas uma vez por semana.
Marjorie era ligeiramente maior que seu pai e sua mãe e tinha sido abençoada com um rosto adorável, caracóis negros e grossos, uma figura feminina que, até aquela temporada, tinha atraído um grande enxame de pretendentes. Sabia que sua falta de namorados podia ter tanto a ver com sua idade como com o fato de que tinha rejeitado quase todos os que se aproximaram dela.
 A mina de homens adequados estava diminuindo rapidamente não só por sua exigência, mas também devido à exigência de sua mãe de que ela se cassasse apenas com um lorde. Era bem conhecido entre a alta sociedade que, a menos que tivesse um título importante (um mero barão nunca serviria, pelo menos não nesta altura) ninguém se aproximava de Lady Marjorie Penwhistle, nem com um simples convite para dançar. Se Marjorie fosse honesta, ela teria desfrutado de sua reputação perspicaz nos primeiros dois anos de sua estreia, mas estava cansada disso agora. Perguntou- se se sua mãe estava sequer consciente de que Marjorie já mão era mais a bela da temporada.
― Ela se parece com um delicado canário rodeado de gatos famintos. ― Marjorie comentou sobre Lavínia no ouvido de sua mãe, ganhando um sorriso dela.
Era fácil agradar a sua mãe. Marjorie precisava apenas respirar para fazer sua mãe feliz. Sabia que sua mãe acreditava que Marjorie era o produto de seu próprio trabalho árduo, uma peça de arte a exibir orgulhosamente. Marjorie amava muito sua mãe, mas muitas vezes se encontrava não gostando dela. O peso de ser sempre s filha boa, bonita, encantadora e especial se tornava cansativo. Se ela era a criança de ouro, seu pobre irmão George era o pária. George, com todas suas maravilhosas imperfeições, embaraçava amargamente a sua mãe. Doce George, que não possuía um único osso mau em seu corpo magro, era o objeto do desprezo de Lady Summerfield. E, portanto, por muito que Marjorie amasse sua mãe, não gostava dela, também. Não gostava do modo com tratava seu amado irmão, da forma como seus olhos ficam frios sempre que ele entra numa sala.
Algo estava errado com o jovem sentado à sua frente na mesa de cartas, mas Charles não conseguida identificar o quê. Era mais do que seu cabelo horrivelmente vermelho e indisciplinado ou a forma estranhamente intensa com que olhava para suas cartas. 
O jovem rapaz, que não poderia ter mais de vinte anos, continuava perdendo, principalmente para ele. E, contudo, sua expressão nunca se alterava, mesmo quando seu amigo muito mais velho perdeu. Ele não suava nem praguejava. Não se envolvia em nenhuma das provocações que os outros trocavam depois de uma mão desastrosa, o tipo de troca verbal que tinha a intenção de anunciar aos outros que perder quinhentas libras em uma única jogada era apenas uma gota no balde. Parecia como se não se importasse realmente se ganhava ou perdia.
E Charles ainda tinha que conhecer um homem que realmente não se importe.
Jogada após jogada, o jovem olhava para a mesa ou para suas cartas quando lhe eram dadas. Ele jogava mal, principalmente porque nunca olhava à sua volta, não se preocupava em tentar ver se seus companheiros estavam telegrafando o tipo de cartas que possuíam. 
Sir Robert, por exemplo, puxaria de suas sobrancelhas por domar quando tinha uma mão particularmente pobre e se sentaria direito quando tinha uma mão muito boa. Lorde Hefford limparia sua garganta quando estava um pouco excitado sobre sua mão: Lorde Pendergast se iria desleixar. E o amigo do jovem (não se recordava do nome apesar de terem sido apresentados) puxava por seu colarinho quando sua mão era particularmente má. 
Seus tiques nervosos eram fáceis de perceber se alguém estivesse realmente observando.Mas o jovem não tinha tiques, pois sua expressão nunca variava. Charles sabia disso porque olhou para o jovem jogada após jogada, observou seus olhos passarem por suas cartas. Ele sabia como jogar, isso era certo. 
Apostava bem quando tinha uma mão para apostar. Mas, porque não olhava a seu redor, não tinha ideia do que os outros homens tinham. E foi assim que Charles ganhou, jogada após jogada, até que o jovem percebeu, muito para sua surpresa aparentemente, que tinha entrado em uma dívida de quase vinte e cinco mil libras. Era uma soma enorme. 
Uma soma devastadora. E, contudo… 










Série Lordes e Ladys
1- Quando um Duque diz Sim
2- A Filha do Lord Louco
3- Quando um Lorde precisa de uma Lady 
4- A Noiva Solteirona
Série Concluída

A Sedução

Série Os Amantes de Londres
Conhecido em toda Londres por suas proezas na cama, Morgan Lyons, o oitavo Conde de Westcliffe, não podia perdoar tal afronta para sua honra. 

Encontrar sua jovem noiva nos braços de seu irmão foi um golpe atordoante, imperdoável... então ele baniu a bonita enganadora para a sua propriedade rural e se dedicou à perseguição dos prazeres carnais. 
Claire Lyons era uma menina inocente e assustada na sua noite de núpcias, que só buscava o conforto de um amigo de infância. Agora, anos mais tarde, ela floresceu magnificamente e retornou a Londres com um único objetivo em mente: A sedução de seu marido. Inexperiente nas artes sensuais, porém anseia pelos beijos há muito tempo negados. E ela tem apenas uma temporada para ganhar de volta o coração do libertino que ela traiu. 
Eles são mestres da sedução, os maiores amantes de Londres. Vivendo para o prazer, eles não darão seus corações para ninguém . . . até que o amor os surpreenda. 

Capítulo Um

Londres 1853 
Morgan Lyons, o oitavo Conde de Westcliffe, sem pressa arrastou seus dedos sobre as costas nuas do esbelto corpo que sempre o encantou. Um leve toque, quase inexistente, tão suave quanto uma nuvem que se move através do céu de final de tarde. Ele descobriu que Anne respondia melhor só à sugestão da sensação, como se o tormento de ser negada mais pressão exaltasse seu prazer. Ela era uma criatura tão maravilhosamente carnal, disposta a explorar a paixão e o prazer em todas as suas formas. Essa era a verdadeira razão porque ele buscou sua companhia. E
la estava profundamente adormecida, não reagindo aos seus gestos sutis, mas ela ficaria chateada se ele fosse embora sem se despedir. Recolhendo seu cabelo, com seus tons de vermelho que muitas vezes pareciam como se pudessem inflamar -se a qualquer momento, ele o ajeitou sobre um ombro, expondo a nuca e seu pescoço esbelto. 
Ele ajeitou seu corpo para que ela fosse embalada em baixo dele, ele apertou sua boca quente, úmida no cume de sua espinha e começou a vagarosa viagem descendente. Gemendo baixo, ela estirou-se languidamente, como um felino que vadia no sol. “Mmm, eu realmente aprecio o modo como você me acorda.” Sua forma de falar, preguiçosa, rouca, abafada, fez com que ele endurecesse rápida e dolorosamente. Com seus joelhos, ele separou as coxas dela, abrindo-a para ele, e deslizou em seu aveludado abrigo. 
Era só aqui, quando ele podia ficar perdido em sensações perversas, que ele era mestre, que o mundo e todas as suas decepções recuavam. De boa vontade, com um gemido de satisfação, ela ergueu seus quadris ligeiramente, e ele cavou mais fundo. Agora ele gemia, um grunhido baixo e gutural. Isto era o que ele precisava, o que ele sempre precisou. Mãos correndo livremente, dedos arreliando, bocas devorando. 
Era um ritual antigo de corpos se contorcendo, suspiros crescentes, e sensações intensas. Com uma risada triunfante, ela o empurrou e se escarranchou nele, o reivindicando. 
Mesmo quando ele a fez chegar lá, ou quando ele a fez gritar seu nome, ele não sentiu nada além do chamuscar superficial da carne. 
Por que diabos seu prazer não era verdadeiro, sua satisfação não era um imenso contentamento, em vez disto, era só essa improdutiva emoção sem brilho? O quarto ecoava com seus grunhidos, seus gritos, suas exclamações. Ele sabia como tocar, como mexer, como agradar, como levá-la ao limite do prazer. Até quando ela desmoronou em cima dele, ele segurou seu próprio clímax, prolongando-o o máximo possível, até que ele o consumiu, veio embatendo ao redor dele. Repleto, exausto, respirando fortemente, ele ficou debaixo dela. 
Como sempre nunca era suficiente. Sua ousadia legendária zombou dele, deixando-o insatisfeito. Ah, a parte física era incrível, mas posteriormente, ele sempre experimentava uma sensação aguda de perda, de falta de algo, algo em que ele não podia envolver nem sua cabeça nem seu coração. 
Ele sempre partia querendo mais, mais pela vida dele, ele não podia definir exatamente o que o mais devia ser. Ele simplesmente sabia que apesar de toda sua beleza primorosa, ela não tinha o que ele procurava. Mas ele também sabia que a falha estava nele, não nela. Lhe faltava algo essencial. Era a razão porque nenhuma mulher jamais o amou. Tão suavemente quanto possível, ele a afastou. 
Seus olhos verdes letárgicos, ela lambeu os lábios e o brindou com um olhar parecido com o de um gato que perdeu sua última nata. Ele apertou um beijo na sua testa antes de rolar da cama. 
Ele juntou suas roupas de onde elas tinham caído no chão quando ela o despiu horas mais cedo. 
Não foi até que ele se sentou na cadeira de veludo púrpura para colocar suas botas que ela se esgueirou para o pé da cama e disse, “Diga-me o que está aborrecendo você.” 










Série Os Amantes de Londres
1-A Sedução

Edith

Série As Feias Também os Conquistam

Era uma vez um duque em busca do amor, mas que nunca teve sorte. 

Era uma vez uma plebeia que o amava. Era uma vez um rocambolesco plano para uni-los… 
Embora, a princípio, este não seja um conto de fadas, nem a protagonista uma formosa dama. 
Por seu aspecto, Edith Bell nunca teve qualquer pretendente. 
Jeremy, em troca, bonito Duque de Dunham, não conseguia que nenhuma mulher permanecesse ao seu lado. Sua relação é qualquer coisa, menos cordial, e seus encontros, um desafio que alterará a idílica convivência dos que os cercam. Apesar das desavenças e com uma “pequena” ajuda, ambos caíram em um plano que os levará a acreditar que o amor vem pelas mãos de quem menos se espera. 

Capítulo Um 

Surrey, 1875
Não havia paisagem mais bonita e bucólica que aquela, admitiu do alto da pequena colina que lhe servia de atalho até Commor Manor, enquanto via as folhas caírem. Não é que ela tivesse viajado muito: seu limite era Bruxelas; no entanto não poderia estar mais orgulhosa de pertencer a essa terra. 
Destampou um pouco a cesta que levava pendurada em seu braço, sem perder de vista a paisagem outonal e pegou um delicioso biscoito de nozes que a cozinheira havia preparado para Margaret Gibson, a duquesa viúva. Comeu-o em poucas mordiscadas e, sem remorsos, passou a língua sobre os dentes, para evitar que ficassem com restos. 
Um gesto nada próprio de uma dama, e sua mente não pôde evitar pensar no que sua tia diria se a visse. “O doce não é nosso amigo”, costumava dizer sua querida tia Cecile todas as horas, razão pela qual não lhe restava mais remédio do que fazê-lo às escondidas. 
Como se a essas alturas tivesse importância se engordava. Tinha vinte e três anos, estava solteira e seu rosto era tão diabolicamente feio que ninguém prestaria atenção se sua cintura chegasse a se assemelhar à de uma vaca no curral. 
Todo mundo dos arredores a adorava: era cordial, carinhosa, esperta, e tão misericordiosa como podia e, se não fosse por seu aspecto, estava segura de que a estas alturas estaria casada. No entanto não havia encontrado marido e nunca alguém tinha se interessado por ela ou havia tentado manter uma relação que abarcasse mais do que amizade. 
Talvez sentisse certa pontada de decepção ao pensá-lo detidamente, mas não era algo pelo que deveria afligir-se, já que só contrairia matrimônio com um homem. Só com ele. “Sua boca me recorda a de uma carpa”. A frase ressoou em sua cabeça com dor. 
Por mais que o tempo passasse, nunca conseguiria esquecê-la, não porque a tornara consciente de seu físico, mas sim porque ele a havia pronunciado. “Por que sou tão fraca?” 
Perguntava-se frequentemente. Não havia homens suficientes na Inglaterra, para acabar apaixonando-se por quem pior a tratava? Uma parte dela queria odiá-lo por suas palavras ou por seu desprezo e outra desejava com todas as suas forças que chegasse o momento em que lhe confessaria seu amor. 
Retomou a caminhada com vigor, pois sentiu a tentação de pegar outro biscoito, mas sabia que logo pegaria outro e outro e a pobre duquesa encontraria a cesta vazia, assim concentrou-se em suas passadas.
Como fazia sempre que ia à mansão, havia abandonado a estrada na altura da granja dos Collins e tomava um atalho cruzando os campos, entrando na propriedade da família Gibson pelo lado Sul. E à altura dos jardins, se deteve de repente para contemplar a cena que se desenrolava. Era ele!














Série As Feias Também os Conquistam
1 - Camile
2-  Deirdre
3-  Edith

Deirdre

Série As Feias Também os Conquistam
Depois de muitos anos solteirona, o pai de Deirdre faz algo detestável: obriga-a a contrair matrimônio. 

Por ele, deve abandonar sua Inglaterra natal para trasladar-se à Escócia, onde acabará casada com Liam McDougall, um bonito escocês que não suporta sua aparência. 
Acostumada a não agradar, Deirdre fingirá que isso não a afeta… Perceberá, enfim, que a aparência não é tão vital quando o amor entra em jogo?
Capítulo Um

Londres, 1870 
- Decididamente, você não me ama. Robert Doyle, conde de Millent, enrugou a testa ao escutar essa contundente afirmação. Coçou a cabeça, numa tentativa de se acalmar, enquanto evitava o olhar reprovador de sua única filha solteira. 
- Vamos, Deirdre, não seja assim… 
-  E o que queria? Duvido muito que esperasse uma rápida e agradecida aceitação de minha parte. A jovem levantou-se do divã atapetado em cinza perolado e passeou enfurecida para cima e para baixo pelo tapete de lã que protegia seus delicados sapatos do chão frio. 
- Se pensar por um momento… - O pai tentou de novo fazê-la compreender. 
- Não preciso. - Deteve-se e lançou um olhar zangado. – Não vou deixar que me case como se fosse uma velha vaca para a qual não tem outro jeito além de presentear, porque já nem leite dá. 
- Não seja melodramática, filha. Deirdre Doyle podia ser qualquer coisa menos melodramática. Nos seus vinte e oito anos, sua característica principal era ser uma jovem tolerante e nada dada a grandes exageros. Também sabia que era graciosa, culta, feia e solteira. Uma total tragédia, segundo seu pai. 
- Melodramática? – Repetiu. – Sinto-me enganada por meu pai, genitor, amor de meus amores, o homem mais importante de mi… 
- Basta, basta – cortou-a. – Não nego que estou fazendo algo possivelmente reprovável… 
- Possivelmente? – Ofegou a aludida, ultrajada. - Mas estou fazendo com a melhor das intenções. É pelo seu bem. 
- Ah, a frase do ano. – Deirdre retirou um lenço da manga e fingiu secar algumas lágrimas, não porque fosse incapaz de chorar, mas sim porque sentia tanta raiva que não podia derramá-las. A única coisa que necessitava era comover um pouco esse pedaço de bruto que chamava de “pai”. 
– O que mais dói é ser traída por minha própria família. 
- Bom… quanto a isso… - hesitou ao se explicar – tenho que dizer que ninguém me apoiou. Isso tampouco era novidade para Deirdre, mas ao conde de Millent não faria mal sentir-se embaraçado pelo que estava fazendo. - Nem sequer Sharon? – Perguntou-lhe, já sabendo a resposta. Nem mesmo sua madrasta via com bons olhos essa heresia. 
- Ela é a que mais está contra todo esse assunto. – Ainda lhe amargurava a discussão que haviam tido na noite anterior. E na outra, e na outra… - Sharon a ama. Deirdre sorriu em seu interior. Também sabia disso, como sabia que, em todo esse despropósito, seu pai era o único culpado. Sua madrasta e o resto de seus irmãos, assim como seus cônjuges, haviam—lhe dado seu apoio. Em vão. 
- Pois isso me confirma que você não. – Fez seus melhores bicos e se aproximou dele, mimosa. – Vamos, papai; na realidade não quer fazê-lo. O conde não se deixou comover, por mais que lhe fosse conveniente. Era um assunto resolvido. 
- Engana-se – respondeu-lhe. – Quero fazê-lo e o farei. - Argggggggg!!! – Deirdre se afastou dele, furiosa. – Se me casa contra minha vontade, nunca o perdoarei – ameaçou. Seu pai se levantou e a fitou com tristeza. 
- Espero de todo coração que isso não seja verdade, porque estou decidido. – Saiu do salão, deixando-a sozinha. Quase imediatamente, a porta se abriu novamente, dando passagem à sua madrasta. A esbelta e madura mulher rondava já os cinquenta anos, mas nem sua magreza, nem a suavidade de sua pele, nem sua vivacidade, e agora preocupados olhos verdes, o testemunhavam.
Apesar de não ser a mulher que lhe deu à luz, a queria como se fosse. Deirdre se lembrava perfeitamente de sua mãe e, ainda no dia de hoje, sentia saudades. Lesley Millent, anteriormente conhecida como Porterfield, morreu de uma febre quando ela era jovem. 
Por isso, depois de treze anos compartilhando a vida com seu pai, a ternura dessa mulher e o profundo afeto que sentia por cada um dos filhos de seu marido havia conquistado para ela um lugar em seus corações. Era uma mulher muito especial. 
- Deirdre, filha, acabo de ver seu pai sair. Conseguiu fazê-lo mudar de ideia? – Sentou-se e deu palmadinhas a seu lado para que ela fizesse o mesmo. - Não. – Seu humor era terrível e seu futuro um negro borrão. 
– Querendo ou não, me casarei. 
- Oh, minha menina. – Pegou-lhe as mãos para dar-lhe consolo. – Sinto tanto…














Série As Feias Também os Conquistam
1 - Camile
2-  Deirdre
3-  Edith
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