21 de maio de 2017

Alma Viking




Odín, deus da guerra, tinha-o eleito.

Educado nas armas, o viking e semideus Ishkar, primogênito da casa de Vadin, estava destinado a realizar grandes conquistas.
Sayka, filha de Zollak, e Cristã, tinha tomado as armas em substituição de seu irmão menor para defender a seu povo de toda classe de invasores.
Enfrentados entre si, a cobiça, o ódio, a vingança…
Unidos a ardente fé do povo ao qual pretende submeter, conseguirão que Ishkar duvide de sua condição de semideus e de suas crenças.

Capítulo Um

«Vêm do norte, hostil e frio.Saqueiam os mosteiros, aniquilam os povos e profanam as Igrejas…»
A proa do navio, em forma de pescoço de cisne, elevava-se quase cinco metros por cima da água. Coroada pela feroz cabeça de um dragão, parecia disposta a enfrentar de igual maneira aos ventos ou às enfurecidas ondas, e fulguravam os arranjos sob o sol de meio-dia. Ishkar não pôde dissimular um sorriso satisfeito observando a nave. Com a vivacidade de um golfinho, os mais de vinte e cinco metros de comprimento do navio sulcavam o mar aproximando-os de seu destino. Um destino que tinha uma missão muito concreta: negociar ou invadir; tudo dependia dos ingleses e a favor de quem estivessem.
Em fevereiro de 1014 Knut de Store, mais conhecido pelos ingleses como Canuto o Grande, depois da triunfante invasão à Inglaterra um ano antes e o falecimento de seu pai, tinha sido proclamado rei pelas tropas dinamarquesas. Ethelredo II, entretanto, tinha aproveitado sua volta à Dinamarca para fazer-se com o trono. Ainda não tinham cessado as escaramuças e a Inglaterra se encontrava dividida em dois bandos opostos. Vadin tinha acompanhado a Canuto em algumas batalhas, era um de seus homens de confiança e gozava de seu beneplácito, mas doente como se encontrava nesses momentos delegou em seus dois filhos a incursão que lhe tinha sido encomendada.
Ishkar tinha no drakkar trinta homens sob seu comando, e um número similar em cada uma das outras naves que lhe seguiam. Agora, apoiados nos remos, tomavam uma pausa depois da fatigante e ocupada jornada do dia anterior, em que o vento não lhes tinha acompanhado, lhes obrigando a impulsionar a nave a golpe de remo. Naquela manhã, todas as velas estavam cheias e eles podiam descansar.
A madeira de pinheiro da ponte rangeu sob o peso do homem que se aproximou até ele. Se não lhe conhecesse, esse saco de músculos teria feito que fraquejasse; Goonan o ultrapassava em uma cabeça, seus ombros eram largos, seus braços poderosos troncos de aço, suas mãos grandes como maças e capazes de amassar o crânio de um homem sem esforço algum. Tudo em seu aspecto dava amostra de ferocidade e intimidava. Entretanto, seus olhos azuis olhavam Ishkar com afeto.
Uma de suas mãos caiu sobre o ombro esquerdo do mais jovem, sacudindo-o.
― O vento é hoje nosso aliado, Ishkar.
― Certo. Logo chegaremos à costa; Erik deve estar nos aguardando impaciente.
― Terá conseguido suficientes cavalos?
― Conte com isso.
Goonan fez um gesto vago e se encostou á amurada. As ondas, ao romper contra o casco da estilizada nave, salpicaram seu rosto; o ar enredou ainda mais seu avermelhado cabelo e acariciou sua espessa barba.
― Nunca gostei de me fazer de babá.
Ishkar jogou a cabeça para trás deixando escapar uma gargalhada.
― Goonan, Erik não a necessita.
― Ele teria gostado de chegar às costas inglesas sozinho e fazer o que seu pai não quer: brigar. Conheço seu irmão, a ordem de Vadin lhe fazendo aguardar o grosso de nossas forças não foi de seu agrado.
― Mas acabou obedecendo.
― Isso ainda está por se ver ― resmungou o ruivo.
Ishkar voltou a rir com humor. Desde que deixaram a Dinamarca, os deuses lhes tinham prodigalizado boa fortuna; Goonan se preocupava por nada. Chegariam à Inglaterra, tentariam conseguir as alianças encomendadas por Canuto, obteriam estanho, trigo e mel e intercambiariam culturas antes de retornar com novos apoios. Mais cedo ou mais tarde Canuto voltaria a governar sobre a ilha.
O ruivo olhou ao jovem sem intenção de unir-se a seu divertimento, mas agradecido por seu excelente estado de ânimo. Muitas vezes o tinha visto irritado e não gostava de suportar seu humor quando lhe azedava.
Para ele, Ishkar era como o filho que não tinha tido. Desde que se uniu à Vadin, um dos senhores das terras do norte, tinha estado junto ao moço. E quando o jovem foi eleito pelo muito mesmo Odín, foi a ele a quem Vadin encarregou sua educação. Tinha-lhe ensinado tudo que sabia a respeito das armas e a navegação.
Recordou aquele longínquo dia de inverno, o da consagração de Ishkar como protegido dos deuses. 
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19 de maio de 2017

O Mestre da Sedução

Série Os Sedutores 
Ela era uma mulher sensível.

Ele era um homem que poderia conduzir uma mulher insensata por meio do desejo
Gareth Fitzallen é célebre por quatro motivos: seu rosto lindo, seu charme notável, suas conexões aristocráticas, e pela habilidade de dar o tipo de prazer que faz as mulheres implorar por mais. Normalmente, ele utiliza seus talentos em mulheres experientes e meretrizes. Mas quando ele vai para Langdon’s End para restaurar uma propriedade que herdou ― e investigar um roubo de uma obra de arte monumental ― ele bola um plano para seduzir a mulher mais improvável.
Eva Russell vive a vida de uma solteirona com finanças precárias e sonhos limitados, enquanto se agarra ao status do antigo título de nobreza de sua família. Ela se sustenta copiando pinturas, enquanto trama casar sua linda irmã com um homem bem estabelecido. Todos avisam da reputação de Gareth, e aconselham-na a manter sua irmã longe dele. Só que não é sua irmã que Gareth deseja.
Um olhar, e ela percebe que ele é um problema. Um beijo, porém, prova que ela não é páreo para este mestre da sedução.

Capítulo Um

Foi bem depois do meio-dia, quando a empregada entregou a bandeja de café da manhã no quarto opulento de Hendrika. Gareth Fitzallen terminava de ler a versão final de um contrato de negócios complicado quando a empregada descerrou as cortinas e abriu as janelas. Hendrika ronronou, espreguiçou-se e esfregou os olhos.
Gareth recolheu as folhas de pergaminho, que ele tinha espalhado sobre o corpo dela, o melhor que pode para mantê-las organizadas. A empregada ajustou uma variedade de travesseiros. Hendrika sentou-se e apoiou as costas contra eles, expondo seu exuberante corpo nu para a empregada, para Gareth e, possivelmente, para a família que possuía a casa alta e estreita em frente ao canal.
– Senhor, precisa de alguma coisa? – Perguntou a empregada. Seu olhar cabisbaixo ainda permitia contemplar o peito nu de Gareth. Ela olhou-o nos olhos por um segundo através de seus cílios. Suas narinas se alargaram. A empregada estava se tornando um problema. Ele não fez nada para encorajá-la, mas, inevitavelmente Hendrika veria um dos sorrisos manhosos, ou olhares quentes, enviados em sua direção. Hendrika enxotou a mulher e em seguida serviu duas xícaras de café.
– O que são todos estes documentos?
– O envio para a Inglaterra de Honfleur. Nós finalizamos os termos da venda. O agente do Conde e eu somente precisamos assinar. E você, também, é claro. Embora iguais a muitos dos moradores de Amsterdã, os olhos de Hendrika poderiam ficar muito escuros quando ela ficava pensativa. Eles tornaram-se negros agora.
– Você tem certeza que seu irmão o Duque vai garantir o pagamento? Elbert se virava no túmulo se soubesse que eu tirei essa carga de um porto estrangeiro para outro, apenas em confiança. Ele colocou seu café na bandeja, gentilmente afastou uma longa mecha de seu cabelo loiro encaracolado de lado e se inclinou para dar um beijo perturbador no globo cheio de seu peito. 
– De tudo o que temos partilhado este último mês, eu suspeito que o seu falecido marido acharia a nossa parceria nesta remessa o de menos.Dedos fortes correram por seu cabelo, em seguida, segurando sua cabeça no lugar, encorajando-o a afligir o fantasma de Elbert ainda mais. Ela se encolheu, quase virando a bandeja, e riu de maneira gutural. Em seguida, ela o empurrou e voltou-se para seu café da manhã, os seios agora pesados e duros e suas pontas protuberantes. Ela espalhou manteiga em um pão. 
– Qual geleia você quer? 
– Cereja. 
Dois jornais tinham vindo com a bandeja. Ela pegou o holandês e deu-lhe o outro, de Paris. Ele mastigava seu pão enquanto lia as notícias sobre a política francesa. De repente, um punho agarrou seu braço. Hendrika exclamou algo em holandês. 
– Gareth, meu amor, – ela sussurrou depois de tomar fôlego. – Olhe para isso aqui. Você pode ler isto? Devo traduzir? Ele pegou o papel. Ela acariciou seu braço enquanto ele leu a notícia que ela indicou. Cinco palavras em que ele mal notou ela lá. 
– Zeus. – Sua própria respiração presa e mantida antes de ele exalar. Seu meio-irmão Percival, o quarto Duque de Aylesbury, estava morto. Ele tinha morrido há mais de uma semana. De repente. Abruptamente. Inesperadamente. 
– Isto é chocante. Ele não era um homem doente. Longe disso. Jovem ainda, também. Apenas trinta e três. – O que quer dizer, o inquérito está aberto? – Ela perguntou suavemente. – É apenas uma formalidade. Tenho de voltar, é claro. Imediatamente. Eu preciso ajudar os outros, e…


Série Os Sedutores 
1- O Mestre da Sedução
Trad: Paraíso da Leitura e Anjos Caidos



14 de maio de 2017

O que faria Jane?

Quando Eleanor vai para um concurso, com seus últimos desenhos de vestidos de época, à semana da Regência em uma antiga mansão na Inglaterra, não imagina que na manhã seguinte a sua chegada despertará dois séculos no passado… ano 1814!
Eleanor aceita viajar até os tempos de Jane Austen para evitar um duelo mortal, mas não sabe como deve comportar-se, o que deve dizer, nem o mais importante… como diferenciar um vilão, de um libertino. 
O cativante, rebelde e misterioso Lorde Shermont é um notório mulherengo, mas… é também um perigoso assassino e espião? Eleanor deverá aproximar-se dele para descobrir. Felizmente, Jane Austen entra em cena, e com seus sábios conselhos, a ajudará a adaptar-se entre a alta sociedade e no escorregadio terreno de seus próprios sentimentos…

Capítulo Um

“Senti a forte presença de espíritos no Twixton Manor Inn. Tratava-se claramente de duas mulheres…
Uma que não podia partir e outra que não queria.”
Crystal Darkhorse, parapsicóloga, em seu último guia de viagem
Destinos Encantados II
― O que quer dizer com: não tenho reserva? ― Eleanor se esforçou por manter um tom agradável, apesar de sentir-se física e emocionalmente exausta. ― Por favor, verifique novamente. P-O-T-T-I-N-G-E-R.
― Nãooooooo ― disse a miúda mulher de cabelo cinza enquanto repassava o registro de nomes na tela do computador. O crachá indicava que era a diretora, senhora Ruth Simms. Deu a volta e olhou com atenção por cima do mostrador. ― Sinto muito. A Associação Jane Austen vai celebrar aqui uma conferência, e, além disso, é a semana da Regência. Não temos lugares disponíveis. ― Franziu o cenho. ― Tem alguma coisa que confirme sua reserva?
― Tenho uma carta que confirma a reserva ― disse Eleanor. Abaixou-se para procurar a carta em sua bolsa de viagem.
― Lembrei ― disse a mulher do mostrador, com um tom de voz parecido ao de um pássaro. ― Recebemos várias caixas com lembretes: Guardar para E. Pottinger.
― São os trajes para meu seminário de moda da sexta-feira ― explicou Eleanor, sem deixar de procurar. Menos mal que o envio tinha chegado a tempo. Mentalmente riscou outro elemento da lista de coisas a se preocupar.
― Farei com que Harry lhe traga as caixas.
― Achei! ― Eleanor ficou de pé, com a valiosa carta de confirmação de reserva em sua mão.
Por azar, haviam fechado as portinholas do guichê, do mostrador da recepção. Olhou a seu redor em busca de um sino ou interruptor e reparou nas mudanças realizadas desde sua última visita, dois anos atrás. O mostrador fora reconstruído no marco da porta que, anteriormente, conduzia a um ambiente muito acolhedor, conhecido como a sala das damas.
O impressionante vestíbulo, com sua escada em forma de caracol, chão de mármore e painéis esculpidos parecia… bom, um pouco menos elegante do que recordava. Um abajur moderno substituíra a teia de cristal original e a armadura, que montava guarda na porta de entrada, necessitava de um polimento. À esquerda, da entrada, havia uma porta de dupla folha que levava até a sala principal, onde já se encontravam alguns hóspedes, a maioria vestida com trajes da época de Jane Austen, que levavam as estúpidas etiquetas com seu nome.
Uma sensação de esgotamento invadiu Eleanor. Depois de quinze horas de viagem, necessitava, desesperadamente, dormir. Golpeou as portinholas com os nós dos dedos. Poucos segundos depois, voltou a chamar. Uma garota cheia de tatuagens e de piercings abriu.
― Vovó foi procurar o Harry. Recomendo-lhe que se sente. ― Apontou um banco de madeira com aspecto de que fora utilizado, no passado, como banco de igreja. ― Demorará um pouco. Harry está lá fora, fumando. ― Fingiu dar uma tragada entre os dedos polegar e indicador, dando a entender que se tratava de algo mais que um cigarro normal. ― Ou isso ou está passando tempo com uma velha moto que um tio deixou aqui, como forma de pagamento. Em resumo, a vovó demorará em encontrá-lo, especialmente se a ouvir aproximar-se.
― Tenho minha confirmação de reserva.
A garota agarrou o papel com o mesmo entusiasmo com que agarraria uma multa de trânsito. Teclou algo no computador e procurou no antiquado livro de registros.
― Aqui diz que cancelou sua reserva. Era a suíte nupcial? ― Elevou a vista. Obviamente, sentindo curiosidade.
Eleanor não contaria a uma estranha que seu noivo a deixara por uma caça talentos, alta, loira e exuberante a quem ele prometera converter em uma estrela de cinema.
― Que chato. ― Disse a garota.
Sim, era mesmo. Mas uma vez que deixara de vê-lo todo cor de rosa, Eleanor se dera conta, de que Jason não era o homem que ela acreditava. Apesar do duro golpe que vivenciara, transformou-se em uma pessoa mais forte, centrada em sua carreira. Como não lhe podiam devolver o dinheiro das reservas de avião para passar a lua de mel na Inglaterra, convertera, esse fato, em uma oportunidade para fazer negócios. E para descobrir mais, sobre o colar.
― Como pode comprovar na carta que confirma minha reserva, troquei o dormitório duplo por um individual, faz seis meses.
― Aqui há algo. A vovó não vai gostar.
― O que acontece? Encontrou?
― Anotou seu nome no registro, mas se esqueceu de introduzi-lo no computador. Seu quarto está atualmente ocupado por um tal Coronel Artemis Hoover. Mmm… 
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12 de maio de 2017

O Ladrão de Noivas

Aos vinte e seis anos, Samantha Briggeham sabia que suas perspectivas de casamento iam desaparecendo lentamente, e ficou satisfeita com isso. 

Não tinha a intenção de se comprometer com um homem que não amasse. Tinha um plano… que não incluía ser raptada por um cavaleiro mascarado. 
A notícia do resgate heróico de Sammie, de um casamento indesejado, a converteu no tema de conversação de toda a elite social e daí em diante não parou de ser assediada por todos os tipos de pretendentes. No entanto, ela não podia esquecer o bandido atraente que a tinha sequestrado por engano. 
Havia nele algo que a intrigava profundamente… Quem era o famoso ladrão, autor de feitos lendários? Eric Landsdowne, o sedutor conde de Wesley, tinha suas próprias razões para ajudar as mulheres a fugir do triste destino de um casamento arranjado e para manter sua identidade secreta. Mas a partir do momento em que ele resgatou Sammie soube que não poderia perde-la uma segunda vez…

Capítulo Um

Kent, 1820
Samantha Briggeham se retirou da janela pela qual entrava na sala a fresca brisa noturna e olhou para seu querido e senil pai.
― Não posso acreditar que me sugira isso, papai. Por que acredita que deveria considerar a possibilidade de me casar com o major Wilshire? Apenas o conheço.
― Bom, é amigo da família há anos ― respondeu Charles Briggeham enquanto cruzava a sala para se reunir com Samantha junto à janela.
― Sim, mas passou a maior parte desses anos no exército ― assinalou ela, se esforçando por conservar o tom calmo e conter um estremecimento.
Não imaginava que alguma mulher pudesse albergar pensamentos românticos a respeito do austero major Wilshire. Céus, aquele homem tinha um cenho que lhe dava a aparência de acabar de morder um limão. Aquela conversa era provavelmente o resultado das maquinações casamenteiras, bem-intencionadas mas inoportunas, de sua mãe.
O pai acariciou o queixo.
― Já tem quase vinte e seis anos, Sammie. É hora de casar.
Sammie lutou contra o impulso de elevar os olhos ao teto. Seu pai era o homem mais carinhoso e doce do mundo, mas apesar de ter uma esposa e quatro filhas era mais burro que uma porta para entender as mulheres, sobretudo a ela.
― Papai, já passei em muito a idade de casar. Estou perfeitamente bem tal como estou.
― Bobagem. Todas as jovens desejam se casar. Foi o que me disse a sua mãe. Aquelas palavras confirmaram suas suspeitas de que sua mãe estava por trás daquilo.
― Nem todas, papai.
O estremecimento que já não podia reprimir mais fez com que ela baixasse os ombros ao pensar em se ver presa com grilhões a algum dos homens que conhecia. Todos eram uns gordos e torpes, e se limitavam a olhá-la fixamente com uma mescla de pena, confusão e, em alguns casos, claro horror, quando ousava falar com eles sobre equações matemáticas ou temas científicos. A maioria a chamava por Sammie A Excêntrica, um nome que ela aceitava filosoficamente, já que sabia que era excêntrica, ao menos aos olhos dos demais.
― Obviamente que todas as jovens desejam se casar ― insistiu seu pai, voltando a atrair sua atenção ao assunto que tinha entre mãos. ― Veja as suas irmãs.
― Já as vi. Todos os dias de minha vida. Amo-as muito mas já sabe que não sou em absoluto como elas. Minhas irmãs são bonitas, doces e femininas, perfeitamente dotadas para ser esposas. Durante os últimos dez anos não fizemos outra coisa que tropeçar com uma grande quantidade de pretendentes. Mas o fato de que Lucille, Hermione e Emily estejam já casadas não significa que eu deva me casar.
― Não deseja ter uma familiar própria, querida?
Um silêncio encheu o ar, e Samantha fez caso omisso da pontada de ânsia que lhe feriu as entranhas. Fazia muito tempo que havia enterrado aquelas fantasias.
― Papai, os dois sabemos que não sou dessas mulheres que atraem os homens para o casamento, nem por meu aspecto nem por meu temperamento. Alem do mais, sou muito velha…






8 de maio de 2017

Para Conquistar um Lorde, Não aja como uma Dama


Darcy Blake, Conde de Chase, é um guerreiro, um leal homem do rei e também um espião.

Com a ordem de espionar a luxuriosa atriz Amélia Fox, Darcy deve fingir ser seu aluno em uma apresentação teatral da corte.
Ele estava certo de que poderia educá-la na arte da sedução enquanto descobre se ela seria uma traidora. Mas para sua surpresa, a Srta. Fox acaba ensinando-lhe uma lição completamente diferente.
Como atriz mais popular de Londres, Amélia é famosa na corte, e não tem marido para lhe dizer o que fazer. Infelizmente, o rei ordenou-lhe treinar o dissoluto Lorde Chase a atuar para a corte.
Em pouco tempo, o Conde a deixa louca de desejo e desperta seu coração para o amor. Como atriz, a sociedade dita que ela nunca poderia ser mais do que a amante de lorde Chase, e Amélia jurou nunca ser menos do que uma dama. Quando Darcy descobre que a atriz espirituosa está realmente ligada a um traidor, ele terá que decidir se o amor ou a lealdade governará seu caminho.

Capítulo Um

Hampton Court Palace, 1670.
Lorde Darcy Blake, o terceiro Conde de Chase, não estava satisfeito com sua mãe, seus servos, seu País, sua amante, e neste momento nem com seu rei. Mas, particularmente, ele não estava satisfeito em ficar vestido com uma anágua parado em um escuro hall de uma das alas do Hampton Court Palace.
Maldição, se ele soubesse dez anos atrás, quando trouxe Carlos de volta da França, que ele estaria vestindo babados rosa em uma sala de estar mal iluminada, ele teria deixado a maldita monarquia com os revolucionários. E se ele tivesse de suportar outro momento interminável como esse na presença de qualquer pessoa ou de qualquer coisa, salvo um punhado de fantasmas, ele iria mandar todo mundo se danar.
Ainda assim, o dever o chamava. Os reis convocavam e os Condes de Chase respondiam... Sempre.
— Você é uma mulher bem pouco atraente, Chase — disse Scott Winters, conhecido por seus compatriotas como o Conde de Gelo.
Darcy estreitou os olhos, olhou por cima do ombro e deu ao seu companheiro de batalhas um olhar esmagador.
— Mesmo? Pensei que você iria levantar minha saia mais de uma vez. Winters riu e puxou um punhado das dobras de seu casaco. Recostado na cadeira dourada a poucos metros de distância, inclinou a cabeça para o lado.
— Acredito que você está me confundindo com a senhorita Rochester, velho amigo.
— Aquela maldita francesa? — Darcy virou-se para o longo espelho apoiado contra a parede pintada. Ele parecia um idiota. — Isso era um absurdo. A saia cor-de-rosa pendia de seus quadris estreitos, mas parava vários centímetros acima de seus tornozelos, revelando as grandes fivelas prateadas de suas botas. O maldito corpete cor-de-rosa mal fechava em suas costas, e seus ombros pareciam que iam explodir nas mangas bufantes.
Um sorriso torceu os lábios de Winters.
— Ah, vamos lá, meu velho… ou melhor, minha velha. Você parece muito charmosa.
Darcy bufou. Pelo amor de Deus, se alguma vez ele visse uma mulher como ele, viraria no mesmo pé e sairia correndo. Depois que seu pênis se encolhesse de horror. As mulheres não deviam ter a constituição de soldados. O que, em nome de Deus, Carlos estava pensando?
— Isso é loucura…
A porta do outro extremo da sala se abriu. O rei entrou, com os cachorros latindo nos seus calcanhares. Seu longo casaco vermelho balançava ao redor de sua alta figura enquanto caminhava, e sua peruca preta brilhava suavemente na luz fraca das velas. Os olhos de Carlos, por outro lado, reluziam intensamente.
Winters levantou-se imediatamente.
Darcy deu um passo à frente e ambos inclinaram a cabeça para o rei, depois esperaram. Os cães correram pela sala cheirando e lambendo. Depois de um momento, eles olharam para o rei, rodaram em círculos, e se jogaram em um tapete de peles gigante diante do fogo.
Embora decadente como Baco, Carlos tinha um intelecto astuto, que inspirava respeito em seus homens. Muitos reis, forçados ao exílio, jamais reclamaram seus tronos, mas Carlos tinha agarrado o seu com um punho de ferro e natureza selvagem.
O rei apertou os olhos.
— Loucura, Chase? O que poderia provocar tal censura de sua pessoa?
— Sua Majestade simplesmente não me pareço em nada com uma mulher — protestou Darcy.
O rei olhou Darcy de cima abaixo, seu rosto inexpressivo, exceto um brilho de diversão em seus olhos.
— Isso é verdade. Entretanto, isso me diverte.
Darcy clareou a garganta enquanto Winters tossiu para disfarçar uma risada. Fez um gesto para o seu vestido curto e para seu rosto, que ele sabia ter os mesmos traços rudes do pai, e apelou para a razão:
— Isso nunca vai enganar Warrington.
Carlos acenou com a cabeça enquanto atravessava a sala para ficar diante da lareira onde crepitava o fogo.
— Esse não é o propósito.
— Mas, sua Majestade…
— Chase. — O rei cortou com um gesto — Eu não estou satisfeito com você.
Oh, por que tinha que ter se deitado com a filha de Richmond? Por que, oh Deus, por quê?
— O que quero dizer, senhor, é que deve haver homens mais adequados... 
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6 de maio de 2017

Aprendendo a te Amar

Serie Worthin.Hall



Henrietta e Robert seguem com sua apaixonada relação. 

Dois temperamentos fortes unidos por um poderoso laço de duas pontas: amor e respeito.
Marjorie, a irmã de Robert, vive com eles e reúne seu amor pela leitura com seu talento para pintar. 

William Harvey, o melhor amigo de Robert, se converteu em alguém importante para ela.
A vida no Worthington Hall caminha suave e tranquila, até que um acontecimento inesperado voltará a pôr suas vidas ao avesso.


Capítulo Um

—Esta mulher é impossível!
Lorde Worthington bateu a porta ao sair o que fez tremer as paredes. Subiu sobre Tormenta quase de um salto e se afastou à galope de Worthington Hall como se temesse que o perseguisse o próprio demônio. Marcus moveu a cabeça e, sem saber se ria ou preocupava-se, voltou para seu trabalho.
Sua esposa estava aos pés da escada com os braços estirados em ambos lados do corpo e os punhos apertados. Estava furiosa, mas sabia que não podia demonstrá-lo. Era uma dama.
—O que eram esses gritos? —Marjorie apareceu no alto das escadas esfregando os olhos.
Henrietta se sentiu mortificada ao estar consciente do espetáculo que haviam dado. Subiu correndo e agarrou a sua cunhada pelos ombros acompanhando-a até seu quarto.
—Peço-te desculpas, Marjorie, não deveríamos nos comportar deste modo —disse entrando atrás dela na habitação.
—Como se fosse a primeira vez! —disse Marjorie sorrindo ao sentar-se na cama e olhar a sua cunhada.
Henrietta ficou vermelha, como sempre. Já tinha descartado a possibilidade de livrar-se daquela estúpida debilidade. Imaginava-se tendo oitenta anos e ficando vermelha por qualquer tolice. Sentou-se junto a Marjorie olhando para a porta.
—Não sei como controlar seu gênio —disse.
—Seu gênio? —disse Marjorie surpreendida—. E o teu?
Henrietta a olhou desconcertada.
—Quando passei a viver aqui faz um ano, foi uma pessoa contida, inclusive um pouco enrijecida, nada a ver com a pessoa que é agora —disse a jovem—. Vi-os discutir e não te reprime, irmâzinha.
Henrietta abriu a boca assombrada, mas voltou a fechá-la e meditou sobre isso. Marjorie tinha razão, não se continha quando discutiam, suas forças se mediam em igualdade, algo que violava todas as normas de comportamento de uma esposa. A segurança que tinha, aumentando dia a dia estava fazendo que suas reservas frente aos outros estivessem desaparecendo. Se não tomasse cuidado, qualquer dia discutiria com ele sobre o voto feminino em meio de um jantar com convidados.
Henrietta levou a mão à boca emocionada por aquele descobrimento. Pensou que possivelmente Robert acreditava que lhe tinha perdido o respeito e se sentiu terrivelmente mal.
—Tenho que ir ver seu irmão —disse ficando de pé.
—Agora? —perguntou Marjorie rindo.
Henrietta assentiu.
—Sim, e aproveitarei para perguntar ao senhor Diamond por sua filha, soube que está grávida —disse Henrietta.
—Não me parece boa idéia —respondeu Marjorie ficando de pé—. Por que discutiam sobre a Mary?
—Não era nada, minhas tolices.
Henrietta deu as costas temendo que sua cara falasse por ela, e sentou-se à frente da penteadeira de sua cunhada. Marjorie se aproximou por trás e a abraçou apoiando o queixo em seu ombro. As duas jovens se viram refletidas no espelho. Ambas tinham olhos grandes e expressivos, mas o nariz de Henrietta era menor e afilado e os lábios da Marjorie eram
mais carnudos. Igual aos de seu irmão. No que sim, se assemelhavam muito era na suave pele de cor rosada, que tendia a avermelhar-se quando as violentavam de algum modo.
—Pareço-te bonita, Henrietta? —perguntou Marjorie de repente.
Sua cunhada a observou e um enorme sorriso se desenhou em seus lábios.
—É preciosa, Marjorie.










Serie Worthington Hall
1- Ensina-me a te Amar
2- Aprendendo a te Amar

1 de maio de 2017

Highlander Audaz

Série Velvet Montgomery
Stephen é um guerreiro feroz, destemido e perspicaz, demonstra sua bravura lutando e liderando nos últimos anos o grande exercito do rei inglês nas Terras Baixas, na Escócia. 

Até que este decide recompensá-lo com uma herdeira das Terras Altas. Bronwyn MacArran é uma orgulhosa escocesa. Stephen Montgomery um dos odiados ingleses. 
Apesar de ser a filha mais nova de um poderoso Laird, morto em combate, é nomeada a nova 
Laird do clã, devido à instabilidade de seu irmão que seria Laird por direito de sucessão do pai.  Stephen veio para a Escócia como um conquistador, furioso pelo casamento imposto pelo seu rei, entretanto se viu enfeitiçado pela beleza de Bronwyn e foi conquistado. Ela é uma excelente estrategista e usava como um homem as armas de batalha. Era respeitada e amada pelo seu clã. 
Seus homens a seguiam com paixão e davam suas vidas por ela.Mas, enquanto clã lutava contra clã, irmãos cruzavam espadas e o sangue escoava nas montanhas, seu destino foi selado... Este poderoso guerreiro prometeu domar o orgulho de sua mulher. 
Lutar por sua honra e seu nome, fazendo do seu amor uma tocha para queimar através das gerações. 
Ela tornou-se sua razão de viver... Mas ela ainda o detestaria. Ela tornou-se sua razão para amar... Mas ela ainda resistiria a ele. Ela tornou-se sua razão para lutar... E ela ainda o rejeitaria. Se ele é obstinado... Ela seria muito mais! 

Capítulo Um

1501

Bronwyn MacArran estava de pé na janela da mansão inglesa, contemplava o pátio abaixo. A janela estava aberta para que entrasse o quente sol do verão. Inclinou ligeiramente para pegar um sopro de ar fresco. Ao fazê-lo, um dos soldados abaixo sorriu para ela sugestivamente.
Recuou dando um passo atrás rapidamente, agarrou a janela e fechou-a com violência. Virou-se furiosa.
— Porcos ingleses! — Bronwyn amaldiçoou em voz baixa. Sua voz era suave, mas o tom trazia os espinhos das urzes e o frio da névoa das Terras Altas.
Ante sua porta soaram fortes passos. Conteve o fôlego, mas o deixou escapar ao ouvir que continuavam sua marcha. Estava prisioneira e permanecia cativa no extremo norte da fronteira da Inglaterra. Prisioneira de homens que sempre odiou, os mesmos homens que agora lhe sorriam e lhe piscavam os olhos como se conhecessem seus pensamentos mais íntimos.
Caminhou até uma pequena mesa no centro do quarto com painéis de carvalho. Agarrou com força a borda da mesa, deixando que a madeira cortasse suas palmas. Ela faria qualquer coisa para impedir aqueles homens de ver como ela se sentia por dentro. Os ingleses eram seus inimigos. Tinha-os visto matar seu pai e seus três chefes. Viu seu irmão quase enlouquecido pela inutilidade de seus intentos de fazer pagar aos ingleses com a mesma moeda. E ela mesma passou a vida ajudando a alimentar e vestir aos membros de seu clã, depois que os ingleses destruíram suas colheitas e incendiaram suas casas.
Um mês atrás tinha sido feita prisioneira. Sorriu ao recordar as feridas que os soldados ingleses receberam pelas mãos dela e de seus homens. Mais tarde, quatro deles morreram.
No final ela foi capturada, por ordem do rei inglês Henry VII. Esse rei dizia querer a paz e, portanto, nomearia a um inglês como chefe do clã MacArran. Acreditava poder obtê-lo pelo mero feito de casar Bronwyn com um de seus cavalheiros.
Sorriu diante da ignorância do rei inglês. Ela era chefe do Clã MacArran, e nenhum homem tiraria seu poder. O estúpido rei achava que seus homens seguiriam um estrangeiro, um inglês, só pelo fato de que seu verdadeiro Laird, era uma mulher. Demonstrava com isso o pouco que Henry sabia dos escoceses!
Um grunhido do Rab a fez voltar-se subitamente. Rab era um galgo irlandês, o maior cão do mundo: corpulento, veloz, forte, de pelagem como aço macio. Seu pai lhe deu o cachorro há quatro anos, quando Jamie voltou de uma viagem à Irlanda. Jamie ordenara que o cão fosse treinado como guardião de sua filha, mas não havia necessidade. Rab e Bronwyn tomaram-se de afeto mutuamente. O galgo demonstrou várias vezes que era capaz de dar a vida por sua amada proprietária.
Bronwyn relaxou os músculos, pois Rab tinha deixado de grunhir; só uma pessoa amiga podia lhe provocar essa reação. Ela levantou a vista, espectadora.
Foi Morag quem entrou. Morag era uma mulher velha, de baixa estatura e membros torcidos, que parecia mais um tronco escuro de madeira do que um ser humano. Seus olhos eram como de vidro negro, cintilante, penetrante, vendo mais de uma pessoa do que o que estava na superfície. Usava com habilidade seu corpo miúdo e ágil com frequência, passando despercebida entre as pessoas que não reparavam nela, sempre com os olhos e os ouvidos bem abertos.
Morag se moveu silenciosamente através do quarto e abriu a janela.
— E bem? — inquiriu Bronwyn impaciente.
— Vi-te fechar a janela. Eles soltaram gargalhadas e disseram que iriam assumir a responsabilidade pela noite de núpcias que você está perdendo.
Bronwyn se afastou da velha dando-lhe as costas.
— Dá-lhes muito de que falar. Deveria manter a cabeça erguida e não lhes emprestar atenção. São meros ingleses; você, em troca, é uma MacArran.
Bronwyn girou em silêncio.
— Não necessito que ninguém me indique o que devo fazer ou não. 
Série Velvet Montgomery
1- Promessa Audaz
2- Highlander Audaz

30 de abril de 2017

União entre Inimigos


Inimigos ou amantes?

O único objetivo da corajosa Mairead Buchanan era capturar o responsável pela morte de seu irmão e recuperar a valiosa adaga que fora roubada. 
Porém, nada poderia prepará-la para a aventura que enfrentaria ao descobrir o segredo sobre a relíquia e ser sequestrada pelo sensual Caird, do clã Colquhoun. 
Logo, o inimigo se transforma em uma distração impossível de ser ignorada. 
Mas será que eles conseguirão deixar a rivalidade das famílias de lado para se renderem à intensa paixão que ameaça consumi-los?

Capítulo Um

Escócia — Setembro de 1296
Mairead Buchanan tentou acalmar o coração, mas não conseguiu. Na verdade, não sabia nem por que havia tentado, pois era simplesmente impossível. Seu coração estava em descompasso havia mais de quinze dias e agora estava ainda pior. Apesar do ruído estrondoso das batidas do coração, havia também a tristeza que lhe doía o peito.
Mas não havia tempo para tristeza ou para raciocinar com clareza. Ela estava perto de ter um colapso, mas tinha de acabar o que havia começado.
Aquele pesadelo tinha de terminar. E, naquela noite, ali estava ela, observando as sombras de uma estalagem de má reputação, congelando com o frio úmido.
As velas do salão da estalagem haviam finalmente se apagado. As janelas escuras e as venezianas estavam fechadas. Não havia nenhum riso de mulher a distância e nem o farfalhar das folhas com a brisa. Era bem tarde, e havia chegado a hora.
Mesmo já estando ali, ela ainda lutava contra o que deveria fazer. Até agora, ela gostaria de correr como uma louca a fim de escapar do que tinha visto e feito. Mas era algo que nunca poderia arrumar.
O irmão, Ailbert, estava caído no chão, os olhos, vazios e sem vida. Ela fechou os olhos, lutando contra a tristeza que ameaçava dominá-la.
Não adiantaria nada pensar em Ailbert naquele momento e nem em sua raiva ou dor. Tinha de controlar o coração e recuperar o que havia sido roubado do irmão. Era a única maneira de salvar a família da imprudência de Ailbert. Se ela não recuperasse a adaga valiosa, o dono das terras certamente puniria a família dela.
A Escócia estava sendo assolada pela guerra e conflitos. A mãe e irmãs jamais sobreviveriam à humilhação de serem banidas do clã. Fora do clã, elas não teriam como se proteger dos ingleses e nem para onde ir, nem recorrer a qualquer outra família.
Pensando na família, ela seguiu o assassino de Ailbert até a estalagem, onde ele provavelmente estava hospedado. Agora, ele dormia profundamente, após ter desfrutado de uma lauta refeição. Essa era uma rotina simples que seu irmão nunca mais poderia seguir. A raiva só aumentou a tristeza de Mairead já praticamente em desespero, mas a ajudaria a cumprir o que tinha de ser feito.
Olhando por cima do ombro e através da névoa da noite, ela respirou fundo. Ninguém a havia seguido e ela já havia esperado bastante. Procurando não fazer barulho, ela segurou a respiração enquanto abria a porta e entrava sorrateiramente. O salão estava mais escuro do que imaginava, os móveis pareciam sombras enormes. Ela apurou os ouvidos, prestando a atenção a qualquer ruído. Até então, só ouvia o próprio coração bater e a respiração, além dos estalos da madeira da antiga construção.
Nada além.
Com toda a agilidade de que foi capaz, ela seguiu em frente, desviando dos bancos e mesas até chegar às escadas. Seria difícil adivinhar em qual quarto o assassino estaria; por isso, ela decidiu procurar pela adaga por, no máximo, uma hora. Se demorasse mais do que isso, correria o risco de ser vista por alguém.
Ela precisava recuperar aquela adaga de qualquer jeito. Chegaria até a mentir e roubar se fosse preciso. E arriscaria a vida se precisasse entrar no quarto de um hóspede.
A caixa da adaga era de prata polida, trabalhada, e tinha dois rubis cravejados. Se conseguisse vendê-la como Ailbert pretendia, a dívida ainda podia ser paga. Nem tudo estaria perdido por causa daquela jogatina irresponsável, mas só depois ela ficaria de luto pelo irmão.
Seguindo pelo pequeno corredor do andar de cima, ela parou diante da primeira porta e ergueu a pesada trava de ferro, mas o quarto estava vazio. Fechou a porta com cuidado e olhou para os dois lados. Ninguém a havia visto.
Mairead seguiu para a segunda porta, empurrou-a e franziu o rosto com o ranger da madeira. O quarto estava ligeiramente iluminado por uma fresta na janela da parede oposta. Havia alguém na cama e, pelo tamanho, devia ser um homem. O assassino de Ailbert era um homem grande, e aquele parecia ser também. Se bem que não era possível saber exatamente, já que o homem estava sob cobertor e lençóis.
Afastando o receio, ela suspirou e entrou no quarto. Havia roupas acumuladas num banquinho ao pé da cama. Não muito distante, estava um par de botas. Talvez a adaga estivesse ali. As tábuas do piso não rangeram quando ela se ajoelhou.
As brasas também providenciavam um pouco de luz, o suficiente para que ela identificasse as roupas: uma capa, roupas de baixo, uma calça de couro justa e escura, uma túnica desbotada, botas e uma bolsa.
O homem estava dormindo nu. A cama rangeu quando ele virou para o outro lado. Mairead se posicionou para sair correndo, mas o homem suspirou e se acalmou — diferentemente do coração dela, que continuava totalmente descompassado.
Bem, ela precisava se acalmar e começar a busca. Ao tatear as botas com as mãos trêmulas, percebeu que não havia nada ali. Em seguida, puxou a bolsa do banquinho e colocou-a no colo. O tilintar das moedas a assustou, mas o homem continuava imóvel. As cobertas continuavam a subir e descer no compasso da respiração tranquila.
Sem se preocupar em abrir a bolsa, ela tateou o couro mole e não encontrou nenhuma adaga. Em seguida, procurou também pela túnica, pelas roupas de baixo e pela calça de couro. Nada. Faltava apenas a capa.
A capa era de uma lã boa e macia — era a primeira vez que ela sentia um tecido tão refinado — e ela a puxou para cima do colo. O banquinho balançou, ela tentou segurar, mas não deu tempo, e o barulho foi inevitável.
O homem respirou fundo e parou. Mairead ficou paralisada.
— Quem está aí?






29 de abril de 2017

Irresistível

Ela era solteira, intocada e tinha quase trinta anos, mas, a romancista Amanda Briars, não estava a fim de passar seu próximo aniversário sem fazer amor com um homem.
Quando ele apareceu em sua porta, ela acreditou que ele era seu presente, contratado para uma noite de paixão.
Terrivelmente bonito, irresistivelmente viril, ele a tentou de maneiras que ela nunca imaginou serem possíveis, mas, algo o impediu de realizar completamente seu sonho.
A determinação de Jack Devlin de possuir Amanda tornou-se maior quando descobriu sua verdadeira identidade. Mas, educada com esmero, Amanda desejava respeitabilidade mais do que ela admitia, enquanto Jack, filho bastardo de um nobre e empresário mais famoso de Londres, recusou-se a viver de acordo com as regras da sociedade. No entanto, quando o destino conspirou para que se casassem, seus mundos colidiram com uma força apaixonada inesperada… mas que ambos desejavam.

Capítulo Um

Amanda sabia exatamente que o homem que estava em pé na porta era um prostituto. Desde o momento em que o fez entrar na casa com gesto de quem proporciona asilo a um convicto fugitivo, ele não deixou de olhá-la em silêncio, confuso.
Era óbvio que carecia da capacidade mental necessária para dedicar-se a uma ocupação de nível mais intelectual. Mas, era evidente que um homem não necessitava possuir inteligência para fazer aquilo para o qual o haviam contratado.
— Depressa — sussurrou Amanda, puxando com ansiedade o musculoso braço do homem. Fechou a porta com um golpe atrás dele — Acha que alguém viu você? Não havia previsto que se apresentaria na porta principal. Os homens de sua profissão não sabem guardar certa discrição?
— Minha... profissão — repetiu ele, desconcertado.
Agora que o tinha a salvo dos olhares públicos, Amanda se permitiu observá-lo de cima abaixo. Apesar de sua aparente escassez de intelecto, era notavelmente elegante. Na realidade, era belo, se é que podia aplicar-se semelhante adjetivo a uma criatura tão masculina.
Possuía uma constitução robusta, apesar de ser magro, com uns ombros que pareciam abarcar toda largura da porta. Seu cabelo negro e brilhante era espesso e estava bem cortado. Seu bronzeado rosto brilhava graças a uma barba bem feita. Tinha um nariz longo, reto e uma boca sensual.
Também um par de notáveis olhos azuis, de um tom que Amanda estava certa de não ter visto antes, à exceção, talvez, na loja onde o farmacêutico local fabricava tinta, cozinhando plantas índigo e sulfato de cobre durante vários dias, até que produziam um azul tão intenso e profundo que se aproximava do violeta.
Sem dúvida, os olhos deste homem não possuíam o ar angelical que em geral, se poderia associar a tal cor: era astuto, curtido, como se tivesse contemplado com muita frequência o lado desagradável da vida que ela não chegou a conhecer.
Para Amanda não foi difícil compreender por que as mulheres pagavam para gozar da companhia daquele homem. A ideia de alugar aquela criatura masculina de poderoso olhar, para que fizesse o que lhe ordenasse, era extraordinária. E tentadora.
Amanda se sentiu envergonhada da secreta reação que experimentou ao vê-lo, dos estremecimentos frios e quentes que percorreram todo seu corpo, do intenso rubor que tingiu suas faces.
Tinha se resignado a ser uma digna solteirona... 




24 de abril de 2017

Em Busca do Impossível

Série Os Marchant
Ele era um cavalheiro taciturno, ela uma mulher muito especial…

O estado de ânimo de Christopher Marchant era tão sombrio como as escuras nuvens que se acumulavam junto a sua mansão.
Quando uma bela mulher foi apanhada no meio de uma tempestade, Christopher atuou como faria qualquer cavalheiro. Uma vez resgatada, a dama devia partir.
Mas se Hero Ingram partisse com as mãos vazias, seu tio a castigaria. 
Então Christopher se deixou envolver por sua valorosa rebeldia, não isenta de vulnerabilidade, e como cavalheiro que era decidiu protegê-la e acompanhá-la em sua aventura. Em troca, ela despertaria seu lado mais apaixonado…

Capitulo Um

Hero olhou pela janela da carruagem, mas não viu nenhum sinal de Oakfield Manor na crescente escuridão. A má conservação das estradas tinha culminado em um grande atraso, mantendo-a muito tempo confinada no veículo. Sua companheira de viagem, sentada frente a ela, olhava para diante inabalada, o pequeno e mau ventilado espaço que ocupavam e os buracos que faziam Hero ricochetear, não pareciam perturbá-la.
Não pôde evitar perguntar se a senhora Renshaw viajava com ela em qualidade de dama de companhia ou como espiã cuja missão era assegurar-se de que os assuntos de Raven seriam resolvidos
Sentiu uma corrente de ressentimento que aplacou por puro costume. Sabia o que se esperava dela. 
Sem dúvida, Christopher Marchant resultaria ser um velho verde enrugado, calvo e fedorento. E ela teria que recostar-se a seu lado e exibir seu vestido decotado. Usando sua persuasão e adulações estava acostumada a escapar com o prêmio e sua pessoa intacta, embora não podia dizer o mesmo de seu amor-próprio. Mas fazia muito tempo que tinha aprendido que luxos como o orgulho eram para gente enriquecida e não para pessoas como ela.
Se lhe restava alguma dúvida sobre se o mundo era um lugar sombrio bastava dar uma olhada nas charnecas açoitadas pelo vento, as árvores cortadas e as escuras nuvens que se amontoavam lá fora. Se não soubesse que era impossível, teria pensado que Raven era o responsável pelo mau tempo, além de todo o resto. A ideia lhe crispou os nervos.
Outro buraco a lançou contra a pele gasta e gretada da tapeçaria e se deu conta que tinham tomado um atalho de cascalho em tão más condições como a estrada. Perguntava-se se estariam por fim aproximando-se de seu destino quando se viu lançada de novo, desta vez com mais força. Tentou em vão de encontrar algo ao que agarrar-se. De súbito, a senhora Renshaw aterrissou em seu colo e Hero percebeu que algo estava errado.
A imperturbável mulher soltou um grunhido de surpresa enquanto seu peso deixava Hero sem fôlego. 



Série Os Marchant
1- Coração ferino
2- Em Busca do Impossível
Série Concluída
Veja vídeo do lançamento

22 de abril de 2017

Ensina-me a te Amar

Serie Worthin.Hall
Henrietta e Lídia, as duas filhas de lady Margaret Tomlin, não receberam o mesmo carinho por parte de sua mãe. 

Para lady Tomlin, sua filha mais velha é feia e desagradável, enquanto Lídia é um modelo de perfeição.
Henrietta é uma mulher à frente de seu tempo, que não precisa de adulação para levar uma vida feliz. Lídia é a prometida de Robert, Lorde Worthington, e em breve celebrarão suas núpcias.
Ou não, porque o destino vai surpreender a estas duas irmãs. Amor apaixonado e intriga na Inglaterra do século XIX.

Capitulo Um

Henrietta Tomlin se olhava no espelho com aquela expressão entre ácida e deprimida, com que sempre enfrentava esse momento tão dramático: a aprovação de sua mãe.
—Henrietta já te disse que a cor verde não te favorece em nada — disse lady Margaret olhando sua filha com reprovadora expressão. —O vestido branco teria sido muito mais adequado para… seu físico.
Henrietta sabia perfeitamente o que sua mãe estava dizendo, em sua cabeça tinha escutado, uma a uma, todas as palavras que lady Margaret não tinha se atrevido a pronunciar.
«Henrietta esse vestido foi feito para uma jovem bela e não para alguém com um físico tão vulgar e comum como o seu.»
—Querida minha — disse sua mãe, aproximando-se dela e fazendo um gesto que queria ser uma carícia em uma de suas pálidas bochechas —Não deve se angustiar, já sabe o que sempre digo, o mais importante é reconhecer nossos defeitos e carências. Não é aconselhável esperar que sejam os outros que descubram por nós.
—Sim, mamãe. Já me disse isso muitas vezes e graças a você tenho todas as minhas carências muito assumidas. Meu nariz é muito pequeno, meus olhos muito grandes, minha boca excessiva… — recitou a jovem.
—Isso! É igualzinha a seu pai — sorriu lady Margaret caminhando para a porta —Tem tempo para se trocar, mas se apresse, saímos assim que sua irmã estiver pronta. Lídia! Aonde vai?
—Ver minha irmãzinha. OH, Henrietta, está linda! A cor verde combina com seus olhos.
Lídia era a filha mais nova dos Tomlin. Era uma jovem elegante e muito bela, que em nada se parecia com sua irmã mais velha. Lady Margaret sempre dizia que era como ela, quando era jovem.
—Estava a ponto de tirá-lo — disse a primogênita da família.—Mamãe pensa que não me favorece em nada.
—Por que diz isso, mamãe? — disse Lídia olhando sua mãe —Está muito bonita.
—Para isso teria que sê-lo — murmurou lady Margaret.
—O que disse mamãe? — perguntou Lídia, arrumando a saia do vestido de sua irmã —Não fale tão baixo para que eu não te entenda.
—Deve terminar de se arrumar, Lídia, a festa é em sua homenagem e não pode descuidar de nenhum detalhe.
Lídia olhou para sua irmã com cara de aborrecimento, aproveitando que sua mãe estava de costas e não podia vê-la.
—Já estou quase pronta, mamãe, só tenho que pôr as jóias e descerei. Tenho certeza que papai estava te procurando — mentiu.
—Este homem não sabe fazer nada sem mim! Não sei o que vai ser dele no dia em que eu não esteja!









Serie Worthington Hall
1- Ensina-me a te Amar
2- Aprendendo a te Amar

17 de abril de 2017

Um Engano Mascarado


Uma noiva aturdida…

Margaret Wells é profundamente apaixonada pelo atraente Richard Adair, conde de Brampton, desde que o conheceu em um baile de máscara, há seis anos. 
A  paixão havia surgido entre eles, naquele baile, mas, ela fugira antes da hora em que todos tirariam as máscaras e revelariam suas identidades. 
Agora, Richard só precisa de uma esposa para lhe dar um herdeiro, e a calma e recatada 
Senhorita Wells parece tão adequada quanto qualquer outra mulher. Desejando viver algum tipo de paixão em seu matrimônio maçante, se pergunta o que aconteceria, se ela se tornasse aquela mascarada feiticeira, mais uma vez, e encontrasse seu marido, por acaso, em algum ambiente isolado e romântico.
Margaret, suspeita, que Richard nunca conseguirá esquecer a encantadora dama, sem identidade, por quem ele procurou, em vão, por semanas e meses, após o baile de máscaras. E suspeita, muito menos, que ele está se apaixonando, de verdade, por sua calma esposa.

Capítulo Um

Richard Adair, o sétimo conde de Brampton, não tinha certeza se ele estava se sentindo apenas desconfortável ou realmente entediado. Nenhum dos sentimentos em que ele, geralmente, se deixava aprisionar. Levantou a delicada xícara de chá, de porcelana, até os lábios, apenas para descobrir que estava vazia. 
Colocou-a de volta no pires e deixou, ambos, sobre a mesa lateral.
Ele olhou para sua companheira, que parecia estar bem absorvida em seu bordado. Seus olhos viajaram, com algum desgosto, para a touca de renda que ela usava em seu cabelo castanho, que foi puxado suavemente e enrolado em tranças pesadas na parte de trás. 
Que idade tinha ela, pelo amor de Deus? Brampton se perguntou irritado. Vinte e seis? Vinte e sete? Ela se comportava como se fosse uma tia, solteirona, em sua velhice.
Seus olhos percorreram o rosto plácido, os olhos fixos em seu trabalho, com surpreendentes cílios longos e escuros fazendo sombra em bochechas pálidas, o nariz reto e curto, uma boca que poderia ser descrita como doce, mas, certamente, não era convidativa. 
Chamavam seu tipo de rosto de formato de coração? Ele se admirava daquilo. Ou, isso era exagerar muito? Ele observou a ascensão e queda de seus seios pequenos, que eram evidenciados pela cintura alta de seu vestido, de dia, em musselina azul. Ele olhou para seus pequenos pés dispostos, lado a lado, envolvidos com sapatilhas azul escuro. Definitivamente, concluiu silenciosamente e sem rodeios, ela não podia ser vista como um prêmio.
Margaret Wells fez uma pausa em seu trabalho e ergueu os olhos para ele. 
Ele foi sacudido de volta à realidade, de repente, consciente de seu silêncio mal-educado.
– Tem notícias de seu irmão, milorde? – Ela perguntou, sua voz baixa e melódica, mas totalmente desprovida do tipo de inflexão que poderia capturar seu interesse.
– Minha mãe recebeu uma carta, dele, há apenas uma semana. – Ele respondeu. – Ele, ainda, está na Espanha, suportando a chuva, a lama e as constantes marchas de um lugar para outro, mas, até agora escapou sem lesões.
– Fico feliz em ouvir isso, milorde. – Comentou ela. E isso esgotava esse tópico, ele decidiu, de forma sombria. Ele respirou fundo e finalmente chegou ao ponto final de sua visita.
– Senhorita Wells, – começou ele, cruzando uma perna elegantemente sobre a outra – você deve saber, creio, que falei com seu pai e recebi a permissão para lhe cortejar. Você me daria uma grande honra se consentisse em se tornar minha esposa.
Ele manteve os olhos fixos sobre a pequena figura sentada no sofá, em frente a ele. Seus olhos ficaram no bordado, mas suas mãos haviam parado.
– Sim, milorde, eu conhecia o motivo da sua visita. – Respondeu Margaret, com a voz calma. – Você se engana milorde, a honra é toda minha, e ficarei feliz em aceitar sua proposta.


Veja vídeo do lançamento.


16 de abril de 2017

O Cortejo

Série Família Sherbrook
Helen é uma mulher alta ― mais baixa do que Heatherington apenas cinco centímetros ― uma atarefada e resoluta proprietária de sua própria pousada.


Ela adora seu pai, Lorde Prith, e quer encontrar a “lâmpada mágica do Rei Edward” mais do que tudo. É a sua única paixão ― até que ela conhece Heatherington.
Spenser Heatherington, Lorde Beecham, é um mulherengo de renome, um solteirão resoluto, e realmente gosta de sua vida. Quando ela o joga no chão e se senta sobre ele, este finalmente admite que vá sucumbir a ela, mas ela o informa, para seu desgosto, que não quer um amante, quer um parceiro. Mas as coisas funcionam um pouco diferente do que qualquer um dos dois esperava. Na verdade, Heatherington, se sentindo frustrado, toma medidas drásticas para mudar as ideias da moça. Será que eles encontrarão a lâmpada de Helen? Há mais neste tesouro que qualquer um deles sabe? Procurar e descobrir...

Capitulo Um

Londres 1811, 14 de maio, Pouco antes da meia-noite
Lorde Beecham parou abruptamente. Ele virou-se tão rapidamente que quase tropeçou em um grande vaso de palmeira. Ele não podia acreditar. Ele tinha que estar errado. 
Ela não poderia ter dito isso, poderia? Ele olhou para a mulher que acabara de ouvir falar. Ele abriu duas grandes folhas de palmeira e olhou para a biblioteca do Sanderling, uma longa, estreita, sala forrada de prateleiras ao lado do salão. Enquanto a biblioteca estava cheia de tomos escuros, teias de aranha nos cantos sombrios, e apenas um pequeno ramo de velas iluminando as sombras, o salão estava cheio de velas acesas, plantas, e pelo menos duas centenas de convidados, todos rindo, dançando, e bebendo muito do potente ponche de champanhe. 
 A mulher que ele tinha ouvido antes falou novamente. Ele deu um passo mais perto da biblioteca mal iluminada. Sua voz era rica, tentadora, cheia de risos. —Realmente, Alexandra, —ela disse, —não é apenas o simples pensamento da disciplina; só de ouvir a palavra, dizê-la lentamente para si mesma e deixá-la acariciar sua língua quando você a diz, não é o mesmo que conjurar todos os tipos de deliciosas cenas de dominação? Você não pode ver apenas a si mesma? Você está completamente à mercê de outro, essa pessoa está em total controle, e não há nada que você possa fazer. Sabe de uma coisa que vai acontecer e você está temendo isso, o seu coração está batendo, você está com medo, muito medo, mas é um delicioso tipo de medo o que sente. Você sabe, no fundo, que está antecipando o que está por vir. Você mal pode esperar que ele venha, e não há nada que você possa fazer a não ser imaginar o que ele fará com você. 
Ah, sim, sua pele está ondulando com a emoção. Houve um silêncio mortal. 
Espere, foi uma respiração pesada que ouviu? Lorde Beecham, cuja imaginação muito ativa tinha evocado uma visão de si mesmo em pé sobre uma mulher bonita, sorrindo para ela enquanto amarrava suas mãos sobre a cabeça e depois suas pernas, em propagação para sua cama, sabendo que em apenas alguns minutos, ele iria retirar sua roupa, uma linda peça de cada vez, lentamente, muito lentamente, e... 
 —Oh, Deus, Helen. Eu tenho que me abanar. Creio que o meu peito está palpitando. Você é muito boa em criar figuras com as palavras. O que você descreveu soa terrível e maravilhoso. É algo que me faz ficar com água na boca. Também soa como uma grande produção que requer muito planejamento. 
 —Ah, sim, mas isso é parte do ritual. É muito importante que o mesmo seja planejado perfeitamente. Você faz parte do ritual, a parte mais importante, você é a única no controle. Ele requer que você seja constantemente inventiva, que não continue utilizando as mesmas disciplinas com o passar do tempo. Lembre-se, a antecipação de algo desconhecido é uma coisa muito poderosa. Para ser eficaz, a disciplina deve constantemente crescer e mudar. Na maioria dos casos, é eficaz ter outras pessoas por perto para testemunhar a disciplina. Isso faz com que o destinatário fique ainda mais assustado, seus sentidos mais elevados, seus pensamentos mais focados. É um processo incrível. Você terá que tentar. Ambos os lados da mesma. O mais profundo silêncio se seguiu. 
 Tentar? 









Série Família Sherbrook
1- A Noiva Trocada
2- A Noiva Endiabrada
3- A Herdeira
4- Louco Jack
5- O Cortejo
6- A Noiva Escocesa
7- a revisar e demais
8- The Sherbrooke Twins
9- Lyon's Gate
10- Wizard's Daughter
Baixar em Séries
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