26 de julho de 2017

Emaranhados

Um homem de seu passado a assombrava… 

Com seus lindos olhos brilhando de ódio, Rebecca encarou Lorde David Tavistock. 
Ele havia voltado ferido, mas vibrante e sensualmente vivo da Guerra da Crimeia. Mas Julian Cardwell, seu marido doce e gentil e irmão adotivo de David, não. 
Ela acusou David, selvagem e imprudentemente, da decisão de Julian de entrar nos Guardas da Rainha, e da perda devastadora de seu marido jovem e perfeito, cuja memória mesmo agora ainda dilacerava seu coração e enchia seus sonhos. Ele prometeu-lhe um futuro… Com seus olhos azuis obscurecidos por segredos escuros, David tinha vindo para reivindicar a mulher que sempre amou. 
Durante toda a sua vida ele tinha protegido o encantador Julian, escondendo a verdade de Rebecca sobre as mulheres com quem Julian se relacionava, a criança que ele tinha gerado, e a maneira escandalosa pela qual ele morreu. 
Agora, David ofereceu a Rebeca uma vida de privilégio e riqueza como sua esposa. Ela queria um casamento de conveniência, mas ele pretendia despertar suas paixões mais profundas, para fazê-la esquecer de Julian Cardwell, e encontrar em sua cama todo o
êxtase do verdadeiro amor de um homem.

Capítulo Um

Inglaterra, fevereiro, 1854
Ela não iria para o cais. Já tinha dito isso a Julian. Muitas mulheres iam ficar com seus homens até ao amargo fim, é claro. Ela os observava agora, da janela do quarto do hotel, calma, ali de pé, as costas retas, de modo que qualquer um que a observasse teria pensado que não sentia nenhuma emoção, que a cena além da janela não tinha nada a ver com ela.
Os Guardas do Terceiro Batalhão dos Granadeiros estavam marchando rapidamente ao longo das ruas de Southampton, fazendo um espetáculo espetacular com seus uniformes de casaca vermelha e grandes capacetes de pele de urso preto.
Os curiosos e os patriotas alinhavam-se pelas ruas, aplaudindo-os, gritando encorajamentos, acenando lenços. E as mulheres estavam ali — esposas, namoradas e amantes — movendo-se ao longo das calçadas ao lado das tropas marchando, a maioria delas olhando com anseio para um homem em particular, olhares infelizes, pois logo estariam dizendo adeus a seus homens.
Talvez para sempre. Era fevereiro de 1854. Talvez muitos dos homens que marchavam tão rapidamente ao longo da rua nunca vissem o fim do ano. Eles deveriam navegar apenas até Malta, como medida de precaução, afirmou o governo. Era muito improvável que houvesse guerra.
O czar da Rússia seria tolo se não recuasse quando foi ameaçado com o poder da Inglaterra e da França. Mas o czar continuou a fazer sentir a sua presença no Mar Negro e no Mediterrâneo. Ele continuou a tentar tirar proveito do desmoronamento do Império Turco.
Os britânicos não estavam envolvidos em nenhuma grande guerra desde a Batalha de Waterloo, quase quarenta anos antes. Mas as rotas de comércio terrestre britânicas com a Índia e o Oriente estavam sendo ameaçadas, e os britânicos clamavam por uma briga.
No entanto, o governo afirmou que não haveria guerra. Eles estavam enviando tropas para Malta apenas como uma medida de precaução. Rebecca, Lady Cardwell, dizia a si mesma enquanto olhava para a rua, que esperava que Julian voltasse para o seu quarto para dizer adeus. Ela não iria para o cais. Talvez seu controle a abandonasse em público. Não era para ser contemplado. Quase nem sequer tinha vindo de Londres.









Trad.Paraíso da Leitura

24 de julho de 2017

A Bela e o Caçador de Recompensas

Série Era uma vez no Oeste
Amor e vingança vêm ambos com um preço.

Cathleen Chase não é assassina ― mas como Cat O'Banyon, ela é uma rude caçadora de recompensas que sempre pega seu homem. Capturando foras da lei um após o outro, ela continua sua procura pelo único homem que quer realmente localizar. Aquele ao qual a voz ela nunca esquecerá; o homem que matou seu marido. 
Nada vai pará-la na procura por ele. O trapaceiro Alexi Romanov ensinou Cat todos os truques que ela sabe. Ele é o mestre da enganação, disfarce e desejo. Difícil de confiar, e ainda mais difícil de resistir, mas tem notícias que ela não pode ignorar. 
homem que ela procura colocou uma recompensa por sua cabeça. Para pegá-lo antes que ele a pegue, terá que trabalhar junto com Alexi novamente... E como antes, os dois juntos não são nada além de problema.

Capítulo Um

Abilene, Kansas, 1870
Um novo cliente passeou pela porta da frente do Letty‟s Sporting House. Baixo, moreno e musculoso, ele carregava uma severa cicatriz em volta do seu pescoço. Mesmo assim, quase todas as mulheres no lugar endireitaram-se, embelezando-se por sua atenção. Cathleen Chase não desperdiçou tempo. Deu um passo à frente. Este era seu homem. Uma mão segurou em seu braço.
― Sissy!
Cat lutou para não encolher com o nome tolo que ela adotou. O que foi que ela estava pensando?
― Nós não os escolhemos. ― A vadia estreitou seu aperto, suas unhas compridas pressionando bruscamente na pele de Cat. ― Eles nos escolhem.
Cat levantou seu olhar da mão em seu pulso para o rosto que uma vez já foi bonito. Como sempre acontecia quando Cat deixava as pessoas verem o que tinha por baixo, a garota deu um passo para trás, enrolando seus braços nus em baixo de seus seios envoltos em cetim como se sentisse frio. Desde que ela estava revelando mais pele do que cobria ― inferno, Cat também estava ― isto poderia ser verdade. Encolhendo, a jovem olhou longe.
― Um deles é o mesmo que o próximo a mim.
― Não para mim. ― Cat murmurou. Sua saia enrugou bem abaixo de seus joelhos quando ela caminhou em direção a sua presa. Cat escolheu um vestido vermelho para combinar com seu longo cabelo escuro e olhos verdes. Sua pele era pálida como a de qualquer mulher irlandesa, sendo poupada do cabelo vermelho e as sardas que tantos de seus parentes tinham. Cat parecia-se com sua mãe ― Deus descanse sua alma e a alma de todos que ela um dia amou.
O decote estava perigosamente baixo. Cat tinha alterado o corpete para que seus seios praticamente pulassem para fora com cada respiração. Enquanto andava em volta do quarto, ela secretamente puxava a roupa para baixo para que, quando ela se aproximasse do homem, seu olhar fosse direto para seu peito e ficasse lá.
― Quanto? ― Ele resmungou.
― Cinco dólares. ― Era caro mesmo para uma mulher branca, mas não exorbitante. Mesmo assim, ele hesitou e Cat levantou um dedo, traçando-o de um lado para o outro por sua pele.
Os olhos dele seguiram o movimento como um pêndulo em um relógio; então ele agarrou sua mão e arrastou-a para cima pela escada de carvalho crepitante sem sequer olhar uma vez para o rosto de Cat.
Algumas vezes ela era tão boa nisso que se assustava ― Qual quarto? ― A voz áspera, sua respiração saia em curtos ofegos.
Cat esticou-se além dele, tendo certeza de esfregar seus seios contra seu braço enquanto abria a porta para seu quarto. Coberto em sombras, ela o deixou dessa forma. Por que se importar em acender uma lanterna? Quanto menos ele via ― menos ela via ― melhor.
Ela não tinha dado dois passos para dentro quando o homem fechou a porta com um chute e a puxou para encará-lo. Percorrendo por uma linha reta por entre seus seios, seus dedos pressionando a suave pele enquanto ele abaixava sua cabeça e erguia a dela para sua boca. Cat observou o papel de parede floral que descascava e o deixou ter um pouco de diversão. O tempo dela logo chegaria.
Quando ele começou a subir a saia com uma mão, alcançando seu cinto com a outra, Cat murmurou.
― Calma aí, soldado.
  








Série Era uma vez no Oeste
1- A Bela e o Caçador de Recompensas
Veja vídeo do lançamento





22 de julho de 2017

Antes do Beijo

Série Clube de Livros Belles Society
Na sonolenta aldeia de Hawcombe Prior, cinco jovens senhoras, da associação O Clube de Livros das Belles, estão à procura dos seus próprios protagonistas.

Quando o bonito e misterioso Darius Wainwright surge na cidade, os membros do Clube de Livros Belles são instantaneamente atingidas pela sua assombrosa boa aparência e comportamento orgulhoso.
É como se tivesse saído das páginas do novo livro favorito delas, um escandaloso romance chamado Orgulho e Preconceito. Mas Miss Justina Penny tem um segredo, ela conheceu este perturbante e arrogante solteirão. Em Bath. A cidade, não a banheira. Embora, estivesse nua...

Capítulo Um

Bath, 1814 
— Já passam das dez horas mocinha. — Exclamou a senhora corpulenta, com o rosto grosseiramente empoado de pó, surgindo do escuro corredor e captando a luz do poste. A sua forma volumosa preenchia o espaço estreito, exalando uma aura de desconfiança e impaciência, tão pouco sutil como o cheiro de carne cozida com legumes que persistia sobre a sua pessoa.
— Não concordo que mulheres desencaminhadas estejam nos quartos dos cavalheiros a esta hora. Esta é uma respeitável residência para solteiros, não uma casa devassa. Dito isso, preparou-se para fechar a porta, apenas para descobrir um desafiante pé no seu caminho. Um pé que pertencia a uma jovem mulher que, acostumada a se colocar onde não era bem-vinda, suportou a dor bravamente. Mas Miss Justina Penny, aventureira, otimista e determinada autora do seu próprio destino, não tinha chegado tão longe nesta missão apenas para ser afastada por uma porta.
Tinha acabado de sair da casa da sua tia e viajado sozinha, uma boa distância pelas ruas de Bath, em uma caleche alugada, com uma peruca e uma máscara. Foi difícil prosseguir com o plano e uma última pequena barreira, esta senhora com a sua máscara defeituosamente reparada, toda escamada e a cair aos pedaços, não ficaria entre ela e o prémio que procurava.
— Minha boa mulher, esta prudência mostra o seu crédito, mas sou a irmã de um dos seus hóspedes, e trago-lhe notícias importantes de casa. Devo vê-lo diretamente. — Justina falou firmemente e com a cabeça erguida aproximou-se da rabugenta senhoria, abrindo novamente a porta.
— Capitão Sherringham é meu irmão, e ele está instalado aqui, não está? — Sherringham? Mas ele… Um forte estrondo vindo da sala, no final do corredor, distraiu momentaneamente a senhoria e ela voltou a cabeça para gritar.
 — Pai! O que fez agora? É melhor não ter derrubado a cômoda outra vez. Fique quieto, por piedade! Disse-lhe para esperar por mim. Todas as noites temos a mesma conversa. Justina considerou passar rapidamente pela senhoria, mas não teve tempo suficiente. A cabeça da mulher girou mais uma vez sobre o robusto pescoço e estreitou os olhos. 
— Devia saber que você é uma dessas rameiras de Sherringham. Há sempre três ou quatro do seu tipo penduradas em torno desse sujeito. Soldados de licença! Mais problemas do que valem e metade deles fogem sem pagar a conta. Poderia pagar à uma empregada para abrir esta porta por mim, se não fosse por soldados como o seu correto capitão, enganando-me de uma vida honesta. 
Apesar de toda a sua boa conversa, nunca conheci um homem com bolsos tão vazios e, se os rumores são verdadeiros, ele deve moedas a mais de metade dos comerciantes em Bath. Duvido que conseguirá muito dele. Exceto um caso de varíola francesa. 
— Como se atreve!











Série Clube de Livros Belles Society 
0.5- Antes do Beijo
Trad.Paraíso da Leitura

Faça-me te Amar

Um duelo poderia ser considerado uma questão de honra, mas três duelos eram uma tentativa de assassinato.

Com a erudita sociedade inglesa, indignada com o comportamento imprudente dos jovens nobres, o Príncipe Regente ordena que Robert Whitworth, o herdeiro do conde de Tamdon, e Lorde Dominic Wolfe, terminem a disputa unindo suas famílias através do casamento. 
Qualquer uma das partes que se recusasse a obedecer, perderia suas terras e título. Whitworth aprecia a ideia de enviar sua irmã mais nova, Brooke, à propriedade distante de seu inimigo. 
Ele sabia que o lobo a rejeitaria como sua noiva, perdendo assim a sua riqueza e título. Lobo, por outro lado, estava determinado a afastar a garota Whitworth. 
Não podendo utilizar o duelo como meio disponível para destruir o homem que abominava, ele ficaria satisfeito ao vê-lo perder suas terras e título. Mas, não esperava que a irmã de seu inimigo fosse tão inteligente ou invulnerável. Brooke Whitworth sonhava com a sua primeira temporada em Londres, pois tinha intenção de arranjar um marido que a levasse para longe de sua família nada afetuosa. 
Mas, em vez disso, ela estava sendo enviada às charnecas de Yorkshire para se casar com um nobre misterioso, cuja família era amaldiçoada e que por três vezes tentou matar ao seu irmão. Mas não havia espaço em seu coração para o medo; este homem era o seu meio de fuga. 
Ela faria com que ele a amasse! 

 Capítulo Um 

 —Isso é intolerável. Como se atreve, aquela devassa piada de herdeiro real, a dar um ultimato em um Withworth! Envelhecendo dificilmente, e vinte e cinco anos mais velho que sua esposa, Thomas Whitworth ainda tinha um rosto que desafiava a passagem do tempo, embora seu cabelo tenha ficado totalmente branco, ele não tinha rugas para contar. 
Ainda era um homem bonito, mesmo que velho, cheio de dores na maioria de suas articulações, mas que tinha a constituição e a teimosia para mostrar o contrário. Podia ficar firme e forte na presença de outras pessoas, mesmo que isso tomasse cada grama de sua vontade para o fazer. O orgulho lhe exigia isso, e ele era um homem muito orgulhoso. 
—Ele agora é um Regente oficialmente empossado, a Inglaterra e seus súditos estão em suas mãos. —Disse Harriet Whitworth, torcendo as próprias mãos. —E, Thomas, não fale tão alto, por favor. O emissário dele ainda não saiu pela porta da frente. Mas, assim que o emissário desapareceu pela porta da sala, Thomas desabou no sofá.
 —Você acha que eu me importo se ele me ouvir? —Thomas rosnou para a sua esposa.
 —Ele tem sorte por eu não ter acrescentado minha bota em seu traseiro para ajudá-lo a sair pela maldita porta. Harriet correu para a porta da sala e a fechou, apenas por precaução, antes de se voltar para seu marido e sussurrar: 
—Mesmo assim, nós não queremos que as nossas opiniões sobre o Príncipe Regente sejam levadas diretamente para suas orelhas. Ela era jovem quando se casou com Thomas, o Conde de Tamdon, que então, era um bom partido, e ainda era uma mulher muito bela aos quarenta e três anos de idade, com seus cabelos loiros e olhos de um azul cristalino. 
Tinha pensado que poderia amar o marido que seus pais haviam lhe escolhido, mas ele não fez nada para despertar essa emoção nela e por isso, nunca o amou, Thomas era um homem com um temperamento rígido. No entanto, ela aprendeu a viver com ele sem se tornar o alvo de suas reclamações e fúria, e nunca, jamais era sua causa. Teve que se tornar tão dura e insensível quanto ele, e achava que nunca o perdoaria por transformá-la numa cópia de si mesmo.









Trad.Paraíso da Leitura

17 de julho de 2017

Resgatada pelo Guerreiro das Terras Altas

Clã MacKinloch
Celeste de Laurent está determinada a nunca mais viver na pobreza. 

Depois de sacrificar o amor por um casamento seguro, ela agora está a perder tudo como uma viúva. 
Sua única esperança é ter um herdeiro. E que melhor homem para ser o pai de seu filho — e salvá-la de um destino terrível — do que Dougal MacKinloch, o único homem que ela sempre amou?

Capítulo Um

Eiloch, Escócia, 1312
— Ela pretende livrá-la de seu filho, minha senhora — sussurrou sua criada, Síla, ao seu ouvido, olhando para a taça sobre a mesa.
— Não beba de nenhum copo que ela lhe der.
Celeste de Laurent, Lady de Eiloch, manteve seu rosto inexpressivo, embora o perigo fosse real. Agora que seu marido estava morto, seu irmão mais novo, Lionel, tornou-se herdeiro.
Mas só se ela não tivesse um filho.
Sua esposa, Lady Rowena, queria assegurar que nada ameaçasse a herança do marido. O cálice foi provavelmente misturado com ervas para forçá-la a abortar se estivesse grávida.
— Deixe-nos — ordenou Rowena. A criada obedeceu, mas lançou outro olhar de advertência em direção a Celeste.
A taça continha um vinho temperado e Celeste brincou com a taça, seguindo o dedo pela borda de prata. Mas ela deu ouvidos ao aviso de sua empregada e não bebeu.
— Você faria bem em deixar Eiloch — Rowena disse, seu rosto plácido com um sorriso suave. — Casar com outra pessoa e dar a meu marido as terras que lhe pertencem.
— Não tenho nenhum desejo de voltar a casar. Celeste se endireitou no assento, olhando para o vinho escuro. — Eu permanecerei aqui, como é meu direito.
— Por que você ficaria onde não é querida? — Seu olhar centrou-se na cintura de Celeste. — Você pode ter direito a um terço da propriedade de Lord Eiloch, por lei. Mas isso não significa que você deve morar aqui, dentro dessas paredes. — Seu sorriso se tornou ameaçador. — Há outros lugares dentro de nossa propriedade onde você poderia ir.
Outros lugares, menos desejáveis, ela não disse. — Eu posso estar carregando o herdeiro de Edmon — disse Celeste, recusando-se a recuar. — Até que eu tenha certeza, você não tem direitos.
Uma vez que tinha vindo a notícia da morte de Edmon, Rowena e Lionel tinham descido sobre Eiloch como um enxame de gafanhotos. A ameaça de uma gravidez era tudo o que Celeste tinha para defender seu direito de permanecer em sua casa. Suas mãos foram para seu ventre, orando em silêncio para que ela tivesse vivificado com a semente de seu marido. Um filho poderia mantê-la a salvo dos urubus que circulavam — mas ela se preocupava com sua própria segurança.
— Tente ficar aqui, e cuidarei para que sua vida seja uma miséria — advertiu Rowena. — Você não receberá nada de nós e viverá às margens de nossas terras, entre os arrendatários. — Ela se aproximou, seus olhos escuros decididos. — Será como era a sua vida antes de se casar com Edmon, ou você esqueceu?
Celeste fingiu não ter ouvido as ameaças de Rowena. Mas mesmo assim, um arrepio percorreu seu sangue, lembrando-se dos anos de fome e de como ela e sua irmã se haviam amontoado para se aquecerem nas noites de inverno.
Ela agarrou o cálice, como se pudesse absorver força da prata. — Não, eu não esqueci. — Ela escolheu esse casamento para escapar das lembranças.
— Edmon nunca deveria ter se casado com uma mulher como você, você não sabe nada do que significa ser senhora de um castelo.
Ela não negou. Durante seu breve casamento, ela tentou aprender, mas as complexidades de governar as pessoas e administrar os aluguéis a haviam dominado. Edmon não tinha escolha a não ser assumir as responsabilidades por conta própria. Ele deveria ter casado com uma rica herdeira normanda, que teria trazido terra e ouro para seus cofres. Em vez disso, ele a havia escolhido, a filha de um escocês de baixo nascimento.
Edmon a desejara e ela usara descaradamente sua aparência para prendê-lo em matrimônio. Seu casamento tinha sido seu meio de escapar da pobreza de sua infância, uma forma de manter sua irmã segura.
E agora, ela poderia não ter nada.
— Você não carrega nenhuma criança dentro de seu ventre — Rowena previu. — E dentro de uma quinzena, vamos saber a verdade. desaparecido daqui — replicou Celeste. — Porque eu carrego uma criança.
— Você não poderia saber disso. — Rowena se serviu uma taça de vinho. — E quando se provar que você não está grávida, sua irmã vai sair com você.
Celeste não tinha certeza de que Rowena tivesse permissão para forçá-la a sair do castelo, por lei. Mas ela não iria provocar a mulher para tentar.
— Você não gostaria que Melisandre sofresse, não é?
Celeste ficou rígida ante a ameaça. Sua irmãzinha mal tinha mais do que treze anos.
— Ela é apenas uma menina.
— Ela é. E se você insistir em ficar aqui, ela vai aguentar o mesmo destino que você. — A expressão calma de Rowena não revelou nenhum remorso.
Melisandre era a única família que Celeste possuía e não podia permitir que ninguém a ameaçasse. A resolução de ferro endureceu sua espinha dorsal e ela entendeu agora que tudo dependia de ela ter um filho. Uma criança significava santuário, um meio de proteger aqueles que amava. Isso significava mantê-la em casa em Eiloch e se livrar de Lionel e Rowena.
  








Clã MacKinloch
1 – Reclamada por Seu Marido
2 – Esquecida por Seu Marido
2.5- Desejando o Toque do Highlander
3– Voz do Coração - Brumas do Silêncio: traduzido
3.5- Resgatada pelo Guerreiro das Terras Altas 
Série Concluída


Desejando o Toque do Highlander

Clã MacKinloch
Quando Alys Fitzroy, Lady de Harkirk, encontrou Finian MacLachor o prisioneiro de seu brutal marido, acorrentado, algo no guerreiro ferido a fez libertá-lo. 

Ele deveria ser seu inimigo, mas ao contrário, o Highlander despertou nela um desejo que ela jamais houvera experimentado em seu leito matrimonial...
As cicatrizes de Finian são provas da culpa de seu passado e de tudo que ele perdeu. Mas agora, com a ajuda de Alys, ele tem uma segunda chance de lutar pelo seu clã. E em troca, mostrar a lady forte e corajosa às noites de inacreditável prazer que ela está perdendo!

Capítulo Um


Escócia, 1306
Finian MacLachor estava morrendo lentamente de frio. Despojado de suas roupas, ele não usava nada, a não ser às calças. Suas roupas haviam sido retiradas. O barão de Harkirk, Robert Fitzroy, ordenou que ele fosse chicoteado e naquele momento Finian estava aprisionado, dentro de uma câmara de armazenamento.
Suas costas estavam nuas e ensanguentadas. As grossas correntes que cercavam seus pulsos impossibilitavam sua fuga. Ao amanhecer, ele morreria.
Finian sabia que o barão não lhe daria uma morte rápida. Eles o tomariam como exemplo para aterrorizar os outros escoceses que se atrevessem a se levantar contra as guarnições inglesas.
O ar gelado se infiltrou em sua pele, lentamente tirando sua capacidade de sentir, então a sua mente se acalmou. Você não merece viver. Por causa de você, a maioria dos MacLachors estão mortos. Incluindo sua própria filha.
Finian fechou os olhos, o nó estrangulando seu coração. Era tarde demais para salvá-la. Suas mãos se enrolaram contra as correntes, agarrando-as com força enquanto tentava arrancá-las do muro de pedra. Teria Iliana morrido acreditando que ele havia se esquecido dela? A garota acabara de completar dez anos.
De joelhos, ele fez uma oração pela alma da menina. Duvidava que pudesse viver tempo suficiente para vingar a morte dela, mas não iria morrer tão facilmente. Se Deus quisesse, mataria Harkirk antes que isso acontecesse.
O som de passos se aproximando o fez se perguntar se já havia amanhecido. Finian levantou-se e ficou de pé, esperando. Quando a figura encapuzada emergiu, ele logo percebeu que era uma mulher. Intrigado, se perguntou por que ela iria entrar em um lugar como aquele? O que ela queria?
Finian abaixou a cabeça, comportando-se como se não a tivesse visto. Era mais fácil lutar com um inimigo se agisse de surpresa. Ela ainda estava na escada quando através da sua visão periférica ele pode vê-la melhor.
Seu cabelo castanho claro brilhava como ouro, ela pareceu surpresa ao vê-lo. Finian nada disse, aguardando que ela falasse. Seus olhos analisavam as correntes do prisioneiro, quase incerta do que devia fazer, às chaves descansavam na palma da sua mão. Ela estava planejando libertá-lo? Ele duvidava que uma estranha pudesse demonstrar tanta misericórdia.
O guerreiro esperou que ela partisse, aquele não era um lugar para uma mulher. Em vez disso, os passos dela se aproximaram, descendo os degraus de pedra. Finian permaneceu imóvel, e então ela ficou diante dele, ele estava consciente do seu próprio tremor. As correntes tremiam, apesar de seus punhos cerrados. E embora o sangramento houvesse parado, sua pele latejava intensamente.
— Se eu o soltar você promete que não irá me machucar? 
  








Clã MacKinloch
1 – Reclamada por Seu Marido
2 – Esquecida por Seu Marido
2.5- Desejando o Toque do Highlander 
3– Voz do Coração - Brumas do Silêncio: traduzido
3.5- Resgatada pelo Guerreiro das Terras Altas

14 de julho de 2017

Cheyenne Amber


Nascida e criada em Boston, Laura Cheney estava acostumada com a sociedade civilizada. 

Ela nunca sonhou que iria acabar no deserto do Colorado com seu filho recém-nascido, viúva e muito sozinha. Mas sua beleza frágil e olhos cor de âmbar escondem um espírito a ser reconhecido e a proteção feroz de uma mãe. 
Quando seu filho é sequestrado, Laura se volta para um homem temido por muitos e confiável para poucos. Criado pelos Cheyennes, Deke Sheridan é considerado um renegado por seu povo. Mas a sua reserva de aço não é páreo para a beleza quase tóxica de Laura. E para ganhar sua confiança e devoção, Deke fará qualquer coisa... 

Capítulo Um 

1864,  Colorado 
Cavar um poço era um negócio sombrio. Conforme ela esvaziou sua pá, Laura Cheney apertou os olhos para ver. Sentindo com uma das mãos, ela descobriu que a terra úmida amontoada no balde estava alta. Pelo o que parecia ser a milésima vez, ela colocou a pá ao lado e começou a subir a escada. Um passo. Dois. Ela se concentrou na contagem e tentou ignorar a sensação de chumbo em seus pés. Com cada movimento, as dobras enlameadas de sua saia e anáguas agarravam-se a seus pés, em seguida, se soltavam com pequenos sons suaves de sucção. Três, quatro. 
Transpiração jorrou em seu rosto. Cinco, seis. Sujeira caiu em seus olhos. Ela bateu em seu rosto, não se lembrando até ser demasiado tarde que suas mãos estavam enlameadas. Tão espessas e pesadas, ela jurou que podia sentir o gosto, o cheiro de mofo e umidade quase a sufocou. Fazendo uma pausa para recuperar o fôlego, Laura olhou para a esfera de luz acima dela. Mais sete degraus. 
Uma cãibra esfaqueou sua coxa esquerda, e sua perna começou a se contrair. Ela se inclinou para amassar os músculos tensionados. Quando ela mudou de posição, a escada oscilou. Ela suspirou e jogou seu peso contra os degraus.
 — Exploda no inferno, Tristan Cheney. Este deveria ser o seu trabalho. Dentro do poço, o som de sua voz foi amplificada. As palavras, feias e discordantes, rolaram de volta para ela. Pelo visto, futuramente ela estaria dizendo o nome do Senhor em vão e fumando um cachimbo de sabugo de milho como o velho Missus Peabody no vagão de trem. 
Com um suspiro, ela enrolou suas mãos em torno da escada e forçou seus pés a se movimentarem. Conforme ela arrastou-se para cima, uma bolha de água2 na palma de sua mão rompeu-se. Cerrando os dentes, ela continuou a subir. 
Havia um poço para cavar, um jardim à regar, e um bebê para cuidar. O tempo era precioso. O sol da manhã atingiria o seu apogeu em apenas um par de horas. Quando sua cabeça alcançou a borda do poço, a luz solar momentaneamente cegou-a. Ela piscou para ver e, em seguida, quase perdeu o equilíbrio quando ela se concentrou e se encontrou cara a cara com um lagarto short-horned. A pequena criatura rotunda com sulcos acima de seus pequenos olhos redondos, sentou-se com as patas espalhadas na borda do poço. Com a barriga e garganta inchada para a batalha, ele fez Laura pensar em um pequeno gladiador blindado. Sob o queixo triangular, ela podia ver seu pulso martelar, e por causa disso ela soube o quanto ela o havia assustado. Exausta demais para sentir caridade, ela disse — Shoo!










Trad.Paraíso da Leitura

13 de julho de 2017

Sequestrada por um Highlander

Depois de perder o amor de sua vida anos atrás nas mãos de John Wood, Alexander Chattan tem a oportunidade de se vingar. 

Ele viaja para a Inglaterra representando Angus Campbell, o jovem que vai se casar com a filha de seu inimigo. Ele engana e sequestra Charlotte e a leva para a Escócia para se vingar. No entanto, a bela e rebelde Charlotte atrai Alexander, e faz com que ele se esqueça das razões de sua vingança. A jovem será seduzida pelo rude escocês?
Capítulo Um

1760
Fazia catorze anos desde a batalha de Culloden em que muitos escoceses foram mortos e inúmeras mulheres ficaram viúvas ou perderam seus filhos naquela batalha sangrenta. As coisas deram errado para muitos escoceses, alguns foram presos e enviados para a forca, enquanto outros tiveram que se esconder nas montanhas. No entanto, outros foram sortudos e seus clãs passaram despercebidos para os Ingleses, ou assim parecia no momento.
No entanto, a imagem de um vale cheio de mortos ficou na memória de Alexander Chattan, que teve a infelicidade de testemunhar como os ingleses impiedosamente abateram os poucos escoceses remanescentes que estavam no campo de batalha. 
Todo aquele sangue, o cheiro e os gritos ainda ecoavam em sua cabeça apesar de ter passado mais de dez anos da batalha. Ele ainda era uma criança quando esse conflito ocorreu e não poderia lutar como fizeram seus irmãos e seu pai. Ele ainda se lembrava do rosto de horror que mostrava seu pai quando via cair seus amigos e familiares. E o semblante que apareceu em seu rosto quando uma bala o alcançou no coração, provocando sua morte imediatamente. 
O jovem Alexander esteve a ponto de sair a seu encontro, mas o medo de receber uma bala como aquela o manteve em seu esconderijo. Sua mãe não sabia que estava ali, que tinha escapado com o cavalo de um vizinho para ver como lutavam por seu país. Ele sonhava poder ser igual e forte como seu pai, mas quando o viu cair, seu sonho se tornou um pesadelo. 
Pouco depois viu morrer seus irmãos, perto de seu pai, e não pôde evitar que uma infinidade de lágrimas corressem por seu rosto ao saber-se órfão de pai.
O medo o fez voltar-se e correr para o seu cavalo, deixando para trás os gritos, a fumaça e o aroma da morte. Prometeu a si mesmo esquecer o que havia visto naquele 16 de abril de 1746, mas jamais pôde fazê-lo.
Os sonhos de Alexander se tornavam pesadelos todas e cada uma das noites desde que tinha quatorze anos. Logo que dormia um par de horas, despertava empapado de suor e tremendo. Em seus vinte anos ainda o atormentavam os gritos dos jacobitas desse dia presenciado por ele. 
As imagens de seus sonhos se tornavam de cor vermelho sangue e um intenso aroma de pólvora o envolvia por completo. Em seus sonhos via como se aproximava seu pai para abraçá-lo, mas de repente em seu peito se abria um buraco e um jorro de sangue emanava dele.
Naquela noite nada tinha sido diferente. Voltou a sonhar com aquilo e fez o mesmo ritual que seguia todas as noites fazia anos: ia a seu celeiro, montava à cavalo e cavalgava durante horas pelo bosque próximo a aldeia.
Sua mãe tinha morrido fazia um par de anos. 
Não tinha sido capaz de superar a morte de seu marido e de seus filhos, e o desgosto a levou. Desde que ficou sozinho tinha sido ainda mais difícil aguentar as noites, já que muitas vezes se sentava com sua mãe ao lado do fogo, porque ela tampouco podia dormir.
Entretanto, fazia algum tempo que a ilusão tinha voltado para sua vida. Tempo atrás conheceu uma jovem que encheu de alegria seus dias e, em parte, tinha aplacado alguns de seus pesadelos noturnos. 
Aileen era um sopro de ar fresco em sua vida. Era uma mulher alegre que tentava não pensar nas penúrias pelas quais tinha passado seu clã e sua família. Essa jovem ruiva tinha conseguido lhe arrancar mais de um sorriso e desejar que chegasse a noite, para poder lhe roubar um beijo às escondidas nos estábulos da família de Aileen.










Trad.Paraíso da Leitura

9 de julho de 2017

Um Amor Contra o Vento

Uma assombrosa reflexão sobre o amor, a família, o verdadeiro significado de lar e sobre os laços que nos unem.

Depois da morte de sua irmã Katrina, Eva Ward regressa ao único sítio a que verdadeiramente pertence, à velha casa na costa da Cornualha, à procura das memórias felizes dos verões de sua infância.
A manutenção de Trelowarth, com seus magníficos jardins e admiráveis rosais, constitui um problema constante para Mark Hallett, o atual proprietário e paixão adolescente de Katrina. A fim de combater a tristeza e para ajudar Mark e sua irmã, Susan, Eva colabora em seu projeto de abrir um salão de chá na mansão. Aí encontra vozes misteriosas e passagens secretas que a levam a viajar para o passado e a tropeçar nos irmãos contrabandistas Jack e Daniel Butler, e a participar cada vez mais de suas vidas.
Viajando inverificada entre o presente e o passado, Eva tem de confrontar não só os seus próprios fantasmas, como também os de outrora. À medida que começa a questionar o seu lugar no presente, percebe que tem de decidir o seu futuro.

Capítulo Um

Perdi a minha única irmã nos últimos dias de novembro.
É uma época terrível para perder alguém, quando o mundo inteiro está a morrer e a escuridão chega antes, e quando cai a chuva gelada parece que o mesmíssimo céu está chorando. Não é que haja um bom momento para perder a sua melhor amiga, mas, por algum motivo era mais difícil esperar ali, sentada no quarto de hospital, com os especialistas de bata branca, entrando e saindo, e vendo somente nuvens cinzentas por trás das espessas janelas, as quais não ofereciam nem calor, nem esperança.
No início, quando a minha irmã ficou doente, às vezes, saíamos para o jardim e nos sentávamos juntas no banco, ao lado do arbusto florido. Ficávamos ali um bom pedaço, sem falar, simplesmente sentindo o sol na cara e contemplando a dança das borboletas.
A doença parecia insignificante então, algo que podia combater, tal como tinha superado tudo quanto o destino tinha posto em seu caminho. Era conhecida por isso, por sua coragem. Os diretores lhe davam papéis para os quais estavam acostumados a escolher mais homens que mulheres, o papel do herói solitário, e ela sempre saía graciosa, com sua elegância do costume, e o público adorava. Adoravam-na. Os jornalistas acampavam nas imediações de sua casa durante o verão, e quando ingressou no hospital também foram para lá, montar guarda diante da entrada principal.
Mas no fim, no quarto só estávamos três: minha irmã Katrina, Bill, seu marido, e eu.
Seguravamos-lhe as mãos - Bill e eu - com os olhos cravados na cara de Katrina, porque nenhum dos dois foi capaz de olhar o outro. E, com o tempo, só ficamos dois, mas eu não podia soltar a mão de minha irmã, por que uma parte de mim era incapaz de acreditar que, de verdade, se tinha ido e fiquei ali sentada, no meio do silêncio desangelado1, vazio, até que Bill se levantou lentamente e pousou, com cuidado, a mão que ainda não tinha soltado, sobre o coração de Katrina. Apertou com doçura a sua mão contra a dela uma última vez, tirou um pequeno objeto do dedo de Katrina e mo deu: um anel de ouro, um anel de Claddagh2, que tinha sido de nossa mãe.
Entregou-mo silenciosamente, e silenciosamente o agarrei, continuando sem olhar-nos. E depois vi que apalpava um bolso, procurando os cigarros; deu a volta, saiu, e eu fiquei sozinha. Completamente sozinha.
E pelo vidro da janela deslizava a fria chuva de novembro, a qual projetava suas cambiantes sombras sobre um quarto que já não podia reter a luz.
Não assisti ao funeral. Ajudei a prepará-lo e me assegurei de que se cantassem as suas canções favoritas e se lessem os seus poemas preferidos, mas quando apareceram os amigos e admiradores para render-lhe a última homenagem, eu não estava ali para cumprimentá-los, nem escutar suas bem-intencionadas palavras de simpatia. Sei que algumas pessoas me consideraram uma covarde por isso, mas não me senti capaz. Minha dor era íntima, muito profunda para compartilhá-la com alguém. E além disso, sabia que não importava se eu não fosse à igreja, Katrina não estaria lá.
Não estava em parte alguma.
Parecia-me incrível que uma luz tão potente, como a sua, pudesse extinguir-se, sem deixar sequer um pequeno fulgor, como quando ao desligar um candeeiro, às vezes, sua silhueta continua brilhando fracamente contra a escuridão. Eu estava convencida de que sentiria a sua presença em algum lugar... mas não foi assim.
Em redor do arbusto florido do jardim só havia folhas mortas, e junto ao alpendre, com o balanço de descanso vazio, matas sem flores, e quando comecei a tirar as suas coisas dos armários, no corredor não se sentia nem uma ligeira brisa, que me fizesse acreditar que minha irmã continuava ali comigo, de alguma maneira.
E assim fui embora. Dediquei-me às pequenas coisas que requeriam a minha atenção e tentei continuar com a minha vida, como todos diziam que devia fazer, enquanto dentro de mim ia crescendo uma oca solidão. Chegou a primavera, e também chegou Bill; apareceu em minha porta, um sábado pela manhã, sem ter avisado, com as cinzas de Katrina. Parecia desconfortável.
Eu não o vira desde novembro, não pessoalmente, mas, como acabava de estrear um filme com ele, tinha-o visto com frequência nas notícias de entretenimento.
Não quis entrar. Clareou a garganta, um pouco violento.
— Tinha pensado que...










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A Moça do Laird

Série Mor.

O que acontecerá quando Meredith Stuart descobrir que seu amante é realmente o único homem de quem ela prometeu ficar longe?

Será que Declan Gordon descobrira os segredos de seu passado e que a revelação afastará Meredith para longe? Declan Gordon está feliz por um novo começo longe dos fantasmas de seu passado.
Assim que ele começa sua nova vida como Lorde, ele conhece uma garota de cabelos ardentes que lhe permite seduzi-la, porém, a mesma o espanta e demonstra seu desgosto com a possibilidade de casamento com o "novo Lorde". Meredith Stuart casará somente com um homem de sua própria escolha. Quando ela se encontra com um belo homem moreno, ela decide seduzi-lo para evitar que seu irmão a desfile diante do novo Lorde, que dizem não ter honra.

Capítulo Um

Moriag, nas Terras Altas ao Nordeste da Escócia.
Declan Gordon parou o cavalo para observar a cena a sua frente. Majestosa e exuberante, uma névoa pesada dava a ilusão que sua nova moradia, repousava em um reino celestial. Ele puxou seu tartã1 mais apertado para dissipar a frieza do ar noturno.
A torre de pedra estava aninhada entre as nuvens. Pelo menos era como parecia, ela ficava em uma clareira de flora rica, como um pano de fundo estavam às montanhas e a sua esquerda um lago. Seu amigo de infância Ian, parou ao lado de seu garanhão castrado cinzento.
—É isso? —Sim, é a nossa nova casa, Moriag.
—Maior do que eu esperava. — Ian escaneou o ambiente e franziu o cenho, seu cabelo loiro escuro brilhando com gotas da chuva fina.
—É verdade que um Campbell possui as terras de um lado e um McNeil do outro? —Pelo que minha mãe sempre disse, os clãs nunca lutam aqui, mas, ao invés disso, coexistem hoje em paz. Foi assim desde que meu bisavô se estabeleceu nessas partes. O vento soprou, com o cheiro da chuva. O olhar mais profundo no rosto de Ian refletia seus próprios sentimentos. Depois de uma vida inteira de confrontos constantes e sempre olhando para trás nas terras de Gordon, era difícil imaginar a paz.
Tanto ele como Ian tinham vivido a vida de guerreiros, com uma espada sempre ao alcance. Seria possível agora viver sem desconfiança sobre invasores de terra, as derrubadas de fronteira, o gado roubado? Declan supôs que descobriria. —Ainda assim, eu me sentiria melhor se chegássemos antes da escuridão. —Declan fez sinal aos outros cavaleiros para levarem os cavalos a um trote.
— Não tenho certeza do que esperar, então é melhor ter a vantagem do que resta da luz do dia. Uma vez que eles se aproximaram, um rapaz, que devia estar olhando para fora, correu em direção ao pátio interior, gritando com o máximo de seus pulmões.
—O Lorde chegou. “Lorde”. Ele era agora o superintendente da grande fortaleza, das terras e das pessoas. Algo que ele nunca tinha ousado sonhar. Quando Declan e seus seis homens levaram os cavalos para dentro do pátio, oito pessoas estavam alinhadas com expressões de curiosidade mal dissimulada.
Cada olho seguiu seu progresso, quando desmontou e caminhou até eles. Declan se assegurou de manter uma fachada calma, embora por dentro, seu estômago revirou e seu coração batia acelerado.
Uma grande mulher com as bochechas rosadas vestindo um avental e uma touca que combinavam, deu um passo à frente, se destacando do resto. —Bem-vindo, Lorde, eu sou Pat, sua cozinheira e governanta da casa. — Ela tentou uma reverência, mas pareceu mais como um aceno, sendo sua circunferência tão larga quanto sua altura. Um por um, dois rapazes e três empregadas domésticas foram apresentados. Um jardineiro mais velho com um aperto firme de mão, foram os últimos.
 
Série Moriag
1- A Bela e o Escocês
2- A Moça do Laird

7 de julho de 2017

O Guerreiro e a Rosa

Série Escócia Medieval 
Lady Juliana MacDougall reza para que seus entes queridos sobrevivam a guerra contra Robert Bruce ... Mas a batalha vem até ela quando suas terras são atacadas por um bando de Highlanders, liderados por um homem vestindo as cores do pior inimigo do seu clã.
Tomada como refém por Alasdair Og, Juliana rapidamente descobre que ele é um amante tão excepcional como é um guerreiro.
O mais cruel é como ela pode amar Alasdair quando ele é seu inimigo de sangue?
Capítulo Um

Castelo Coeffin, Lismore, Escócia-Fevereiro de 1287
Não havia nenhum som na sala, exceto o dos dois meninos que galopavam sobre pôneis imaginários, agitando bastões de madeira um contra o outro como se fossem espadas. Juliana MacDougall adorava seus pequenos sobrinhos, mas não conseguia sorrir. Ela tremeu, mas não pela escuridão de um inverno frio, mas sim porque não podia desfazer o nó de medo que tinha em seu interior.
Olhou através da grande sala de pedra para sua irmã Mary, que estava sentada junto à mesa amamentando o seu filho mais novo, era um espetáculo tão formoso que Juliana se comoveu ao vê-la. Mary Comyn era nove anos mais velha que ela, entretanto, mais que uma irmã, era sua melhor amiga. Juliana sempre se encantava em ter sua irmã em casa com ela e adorava seus filhos, já que não tinha nenhum próprio.
Entretanto, desejava que a atual visita da Mary fosse estritamente familiar. Mas não era.
Ela estava em Coeffin Castle porque o país estava em guerra. A Escócia estava em guerra porque não tinha um rei.
Deus, haveria alguma vez um período de paz? As têmporas de Juliana doíam, como odiava a guerra e como odiava aguardar notícias daqueles que amava!
Mary ergueu os olhos. Era uma mulher muito bonita, com olhos azuis como o céu e cabelo loiro acobreado. Sua graça era natural e atraía aos homens e às mulheres como abelhas ao mel. Ela sorriu, a expressão cálida, mas a preocupação enchia seus olhos. Enquanto o fazia trocou de lado o menino de um ano de idade e ajustou seu surcote1.
—Vou ter que desmamar Thomas em breve.
— Sim, você vai.
Mary estava esperando seu quarto filho para o início do verão. Estava encantada, assim como Juliana. Esperava que fosse uma sobrinha.
O pequeno sorriso de Mary desapareceu.
— Não posso acreditar que Buittle caiu — disse laconicamente.
O Buittle Castle tinha pertencido a John Balliol, uma grande propriedade, que foi adquirida pelos laços do casamento. A notícia de sua queda tinha acabado de alcançá-los.
De repente, os rapazes gritavam e golpeavam violentamente os bastões um do outro. Com a dor de cabeça de Juliana aumentando, ela levantou-se e caminhou em direção de seus sobrinhos.
— Roger! Donald! Basta!
Rindo selvagemente, os dois meninos, de quatro e cinco anos de idade, detiveram-se, burlando-se dela. Roger era ruivo e sardento, Donald loiro. Então, Donald levantou seu bastão de madeira para ela.
— Ao Comyn!











Série Escócia Medieval 
1- O Guerreiro e a Rosa
Trad.Paraíso da Leitura

5 de julho de 2017

A Espada do Highlander



Uma beleza tranquila, de cabelos de fogo, com seus próprios segredos…

Lady Aila Graham está destinada para o convento, até que a morte de seu irmão a deixa como herdeira. 
Logo ela é pega entre o casamento arranjado às pressas com um guerreiro escocês, a insistência do Abade para que ela tome seus votos, o Laird escocês que a sequestra, e o traidor que os trai a todos.
Ela não é nada do que ele esperava e tudo o que ele realmente precisa… Padyn MacLaren, um cavaleiro de batalha endurecido, retorna para casa para as Highlands, após anos de luta contra os ingleses na França. MacLaren carrega as cicatrizes físicas da batalha, mas são as feridas mais profundas da traição que abalam sua fé. Chegando com apenas um bando de cavaleiros de guerra cansados, MacLaren encontra sua terra saqueada e seu clã disperso. Determinado a restaurar seu clã, ele vê a fortuna de Aila como a resposta para seus problemas… mas talvez seja a própria mulher.

Capítulo Um

Dundaff Castle, na Escócia, 26 de junho de 1347 
Todo mundo sabia que a véspera de São João, que acontecia no solstício de verão, era um tempo para ser cauteloso. Espíritos vagavam livres, fadas faziam o mal, e noivados podiam ser felizes ou arruinados para sempre.
 Demorou um planejamento cuidadoso para garantir que todos os requisitos da festa foram atendidos, para que a colheita fosse pobre e o poço funcionasse seco. Considerando tudo o que eles tinham sofrido durante o ano passado, todo o futuro do clã Graham estava atrelado aos acontecimentos da véspera de São João. Tudo dependia de Aila. Lady Aila Graham sentou em um banco de pedra esculpida na parede de seu quarto na torre de Castelo Dundaff, olhando para fora da janela de vidro grosso, com chumbo. 
O Castelo Dundaff estava situado na passagem através das colinas rochosas entre a cidade de Carron e da estrada principal para Stirling. Uma estrutura imponente, Dundaff foi esculpida na montanha em níveis progressivamente mais altos. O torreão principal, construído no alto da montanha, foi ligado através de uma série de paredes, torres, e passagens para a parte inferior de Bailey. 
Era madrugada, e o brilho alaranjado do sol brilhou na cidade abaixo quando os burgueses começaram a sua rotina habitual. O campanário da igreja da aldeia se erguia de forma promissora, lançando sua longa sombra sobre os telhados de palha das casas da aldeia amontoados em estreita junção. Aila encostou a testa contra o frio do vidro e fechou os olhos, revendo tudo o que precisava fazer. Como castelã do castelo, estava preparando tudo para este dia. Nada poderia dar errado. 
Aila usava uma blusa marrom trabalhada e a prendeu no lugar. Seu traje não era particularmente elegante, mas era prático e modestamente cortado, como convinha a uma mulher destinada ao convento. Tranquilizava-se de que tudo estava bem em suas mãos, ela endireitou os ombros e caminhou firmemente descendo as escadas da torre. Saindo da torre na neblina, fria e úmida da manhã, um tremor estranho de excitação percorreu-a. 
Ia ser uma festa muito grande. Porém, lembrou-se, que sua mãe nunca lhe permitiria participar. O ritmo de Aila diminuiu e os ombros recuperaram o peso. Ainda assim, ela esperava que este dia representasse um novo começo para o seu clã, longe da dor e sofrimento. 
—Bom dia, Bom milefólio, bom dia para ti. —Uma jovem dançava pelo pátio do Castelo Dundaff, a névoa da manhã girando em sua saia. Ela deu a Aila um de seus feixes preciosos e dançou longe, continuando a sua música: —“Envie-me esta noite, meu amor verdadeiro para ver. As roupas que vou vestir, a cor do seu cabelo, e se ele vai casar comigo”. Um pequeno feixe de folhas milefólio havia sido pressionado na mão de Aila. Era do conhecimento geral que, se uma moça dormisse com milefólio debaixo do travesseiro na véspera de São João, ela sonharia com seu futuro marido. 
Aila abriu a boca para chamar a moça de volta. Ela não tinha necessidade de um marido, ela iria para o convento. No entanto, as palavras ficaram presas em sua garganta, e ela viu a garota pular fora. Ela devia deixar cair à planta no chão. Ela colocou o milefólio em seu bolso. 
—Och, Lady Aila. —Uma empregada, corada com o esforço, correu para Aila. —Venha rápido!











Trad.Paraíso da Leitura

3 de julho de 2017

Seu Rosto em Chamas

No marco de um dos períodos mais cruciais e trágicos da história argentina.

Em meio das lutas entre unitários e federais, uma paixão igualmente tormentosa une Piedade e Ernesto, pertencentes a famílias rivais. 
O casal será desafiado a fugir não só das perseguições que sangram o país, como também da crueldade da mãe de Piedade, um espírito escuro que se desvela em fazê-los sofrer.
Ernesto Salvadores de Arzuaga, fervoroso opositor ao governo de Juan Manuel de Rosas, se uniu às tropas de Justo José de Urquiza, que avança para Buenos Aires a procura de uma nova organização para o território. 
No entanto o destino lhe traça um mau pedaço e, ao se ver jogado de seu cavalo sobre o inimigo, fica preso no estribo e deve ser conduzido para o acampamento com a perna quebrada. 
Para se recuperar, visita as terras do Pergaminho, onde vive seu antigo companheiro de estudos Honório Iriarte, pertencente a uma família de estancieiros claramente rosistas. Ali Ernesto conhece Piedade, a irmã de Honório, dona de uma beleza soberba e nada convencional. Em meio às guerras civis que sangram o país, uma paixão secreta e asfixiante une os jovens, desafiados a fugir não só do sagaz fanatismo de Honório como também da crueldade de dona Augusta, a mãe da jovem, um espírito escuro que se propôs a destruí-los.

 Capítulo Um

Região dos Arroios ― Fazenda Carmen, 1854
Uma nuvem de pó se levantava atrás do caminho da carruagem. A carruagem parou em Carmen e Piedade desceu sem pressa. O campo estava quieto e silencioso, somente interrompido pelo chilrear de algum pássaro. Ao longe se escutava o murmúrio das águas do rio. 
Aquele som que embalara toda sua infância hoje lhe produzia um medo intenso. Enrolou-se no xale e seguiu caminhando. Seu olhar se dirigiu para os currais vazios. O gado não estava lá, nem os touros de lida, nem aqueles cavalos que tanto havia amado. 
Somente algumas ovelhas pastavam tranquilas em meio do curral de pau a pique. Um vira-lata faminto e pedinte se aproximou para cheirá-la. Piedade lhe acariciou a cabeça sem medo e o cachorro não se afastou mais desde aquele momento.
Ainda não havia entrado na casa e se entretinha nos jardins. Os pastos estavam altos, as cercas de napindá sem cortar, e as ervas daninhas sufocavam as plantas tão bem cuidadas em outros tempos. 
Suspirou resignada e se dirigiu para a porta principal. Não tinha sido uma decisão fácil. Era consciente que deveria silenciar os fantasmas do passado e não havia melhor ideia do que se dirigir ao lugar dos fatos. Desistiu de usar um de seus vestidos novos. Para viajar escolhera uma saia simples e uma blusa abotoada até a base do pescoço.
Sabiamente também levou um de seus xales de lã para se proteger daquele frio gelado que lhe atravessava as entranhas. Usava, como único adorno, um colar de pedras desiguais. Já não era uma jovenzinha crédula, cheia de ilusões e medos, mas uma mulher segura de si mesma, disposta a terminar de uma vez por todas com seu passado. Arrumou um cacho dos cabelos que havia escapado de seu rodete e seus olhos escuros contemplaram a casa.
Aquela casa principal fora construída por seu avô nas terras que havia comprado a um preço irrisório. Nada restava de tanto esplendor. A casa estava ruim pela falta de cuidados e pela devastadora inundação.
As paredes descascadas necessitavam pintura, e as portas e janelas de carvalho clamavam pela presença de um carpinteiro.
Pegou uma chave em sua bolsa e, com certa apreensão, abriu o cadeado e empurrou a porta suavemente.
O cheiro do lugar fechado a invadiu por completo e não pode evitar distinguir aquilo que a havia acompanhado desde pequena: um cheiro almiscarado, denso, que habitava todos os espaços do lugar.
Os móveis se encontravam cobertos por lençóis e os lugares estavam velados por teias de aranhas. 
Uma tênue claridade se filtrava através dos postigos fechados. Tirou a tulipa de cristal de uma lâmpada, soprou o pó da mecha, não sem antes verificar se havia azeite. 
Acendeu-a e percorreu os aposentos um a um: o de Honório, com a austeridade de um soldado e o de Emília, que não fora ocupado desde seu desaparecimento. 
Antes, ela sempre o enchia de flores e o abria para ventilar pelo menos uma vez por mês. Ainda se respirava o ar leve de sua presença. Continuou avançando pelo corredor até chegar aos aposentos dos rapazes: o de Jeronimo e Nicholas onde ainda se podia ler em uma velha escrivaninha, os pensamentos do mais velho: “Eu o odeio, José Manuel, odeio você”










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30 de junho de 2017

Aprisionada pelo Viking

“De hoje em diante, você é minha!”

Desde o momento em que colocou os olhos naquele poderoso viking, algo se transformou dentro de Merewyn. 
Ela sabe que devia temê-lo, que seria melhor fugir. 
Ainda assim, não consegue evitar se sentir atraída pelo implacável guerreiro. 
Eirik nunca havia capturado uma mulher antes, mas a beleza estonteante de Merewyn acaba despertando nele um desejo sombrio. 
Então, Eirik a leva para sua terra natal, onde finalmente sucumbem à paixão. Porém, entregar-se a esse amor pode ser mais perigoso do que imaginavam...

Capítulo Um

Nortúmbria — 865 d.C.

Eirik nunca havia raptado ninguém antes, mas a ideia de aquela mulher vir a ser sua era tentadora demais. Ele fechou os olhos numa tentativa de afastar o pensamento inadequado, mas quando os abriu e ela ainda não tinha visto os barcos, seu coração acelerou. O desejo fez o sangue correr mais rápido em seu corpo, provocando um zumbido nos ouvidos e bloqueando quase tudo em sua mente, com exceção da imagem daquela moça.
Durante dois anos ele havia sido o líder de sua frota de drácares, os navios-dragão usados pelos vikings. Mesmo antes disso, viajara sob o comando do pai para os lugares mais longínquos do mundo. 
Aprendera a ler sinais, a captar pistas que normalmente passariam despercebidas, a confiar na intuição. 
Era por isso que seus homens confiavam tanto nele. E agora a intuição lhe dizia para raptar aquela moça.
Ela já deveria tê-los notado àquela altura afinal, ele conseguia avistá-la através da bruma, portanto era provável que ela os tivesse visto também. Mas rodopiava na névoa como se não tivesse uma única preocupação na vida. Talvez os deuses a tivessem deixado ali justamente para ele.
Eirik piscou e afastou o pensamento, seu instinto de guerreiro controlando a situação. Não havia sinais de fogo na praia. Ou os guardas estavam dormindo, ou não havia guardas. 
Alguém deveria estar ali com aquela moça, mas ela dançava sozinha, uma prenda para ser colhida daquelas praias desoladas e levada para casa.
Eirik olhou para as duas extremidades da baía, procurando por sinais de uma possível emboscada, alguma sombra ou vulto que emergisse da bruma para revelar a presença de um exército saxão pronto para atacar. Talvez a moça tivesse sido colocada ali como uma espécie de chamariz — ou então talvez se tratasse de algum plano mais sinistro. Ele ouvira histórias de sereias que atraíam homens para a morte; geralmente habitavam ilhas míticas que depois eram tragadas pelo mar, mas era possível que a costa da Nortúmbria tivesse suas próprias sereias.
A praia, porém, estava deserta, e um rápido olhar para os homens que remavam indicou que nenhum deles ficara encantado como ele com a moça na praia. Talvez fosse uma sereia destinada especialmente para ele.
O corpo ágil oscilava num ritmo suave enquanto ela rodopiava, livre, sem restrições. O feitiço que lançava o atraía com uma promessa de liberdade das obrigações e das sombras do passado que sempre o haviam mantido em rígido controle. 
Ele queria a companhia daquela mulher e ao mesmo tempo se surpreendia com o absurdo desse desejo. 
Era apenas uma menina, como tantas outras que vira em suas viagens, e, no entanto, ele poderia nomear o instante exato em que ela o avistara na bruma.
 O olhar dela parecia irradiar um brilho de consciência, e quando encontrou o seu, ele foi atingido por um estranho senso de reconhecimento. Nunca vira aquela moça antes, nunca estivera naquelas praias longínquas do Norte, mas a sensação de que ela lhe pertencia continuava presente, com toda a intensidade.
A aproximação da frota fora planejada para coincidir com a aurora, e os homens eram bem treinados na arte de ser discretos e sub-reptícios. Seria fácil pegar a moça. A expectativa tomou conta de Eirik, fazendo seus músculos se contraírem. Mas ele tentou se concentrar na missão daquela viagem, que era fazer um reconhecimento da costa. O intuito não era capturar reféns.
Finalmente compreendendo o perigo que se aproximava, ela se virou e começou a correr. O coração de Eirik acelerou, e sentiu o impulso de detê-la antes que ela avisasse todo mundo. Ele pulou do barco e suas botas chapinharam na água; seus homens o seguiram, largando os remos e desembarcando para puxar o navio para a praia.
O temporal da véspera não impedira Merewyn de fazer seu passeio matinal na praia. Se as repetidas ameaças de seu irmão mais velho não a haviam detido, não seria uma chuvarada a representar um obstáculo. Ela ansiava pelas manhãs longe do castelo, quando podia ficar sozinha e ver o sol nascer. 
Podia ser uma tolice, mas naqueles breves momentos sentia como se tudo fosse possível. Que, com o novo dia, sua vida podia ser mais do que a labuta diária de cuidar dos sobrinhos e ser relegada às tarefas domésticas de uma criada. Ela adorava as crianças, mas eram filhos de seu irmão, não seus.

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