18 de janeiro de 2019

A Jóia de Meggernie

Depois do ataque ao Meggernie, o lar de Willow MacGregor, o único caminho que fica adiante da jovem é o da vingança. 

Se para isso deve penetrar na fortaleza de seu inimigo e fazer-se passar por quem não é, não duvidará em seguir os ditados de seu coração.
Para o Ewan Campbell, aceitar a um adoentado moço em seu castelo, um que além disso pretende unir-se a sua tropa de soldados, é uma autêntica aberração. Entretanto, o orgulhoso laird do clã Campbell descobrirá que um simples olhar basta para que suas convicções e suas mais arraigadas crenças se cambaleiem.  Sumidos em um desconcerto total de emoções, ambos se darão conta de que o amor se encontra onde menos o esperam, e que seu coração só se acende ante o roce de uma única pele...

Capítulo Um

Desde pequena, todos lhe haviam dito que era o vivo retrato de sua mãe. Para a jovem Willow era toda uma honra que fizessem essa comparação, posto que Erinn MacGregor tinha morrido ao dar a luz e ela não tinha chegado a conhecê-la. 
Saber que, de alguma forma, sua mãe se refletia em seus olhos azuis, no gesto de sua boca ao sorrir, na cor escura de seu comprido e sedoso cabelo, confortava-a. Era um modo de tê-la perto, mesmo que nunca tivesse estado a seu lado; era sua particular e privada maneira de conhecê-la.
Aquele dia, a semelhança entre ambas era mais notório que nunca. Talvez por sua forma de sorrir, ou porque ao fim se intuía, sob aquelas bochechas rosadas, o rosto da mulher em que estava a ponto de converter-se. 
Apesar de que acabava de fazer dezoito anos, resultava evidente que suas feições precisavam amadurecer um pouco mais para alcançar sua expressão definitiva.
Sua velha dama de companhia, Enjoe, cruzou-se com ela pelas escadas e pôde ver quão contente estava sua jovem senhora.
— Aonde vai tão eufórica? — perguntou-lhe.
— Tio Gilmer mandou me chamar. Quer dar meu presente de aniversário.
A anciã lhe sorriu com ternura. Não eram bons tempos, e qualquer detalhe que tingira de cor aqueles dias cinzas em que viviam era bem recebido. A moça tinha poucos motivos para celebrar algo, com seu pai e um de seus irmãos ausentes, convocados à guerra que liberava o rei Robert do Bruce contra os ingleses. A maioria dos soldados MacGregor tinha partido com eles e a jovem tinha ficado ao cargo do Niall, o menor dos gêmeos, que tinha o encargo de custodiá-la e tomar conta do clã enquanto o autêntico laird, seu pai, batalhava contra o inimigo.
Ao chegar no grande salão Willow comprovou que seu tio já estava ali, sentado na cabeceira da larga mesa enquanto sua ama de chaves, Rhona, servia-lhe uma taça de vinho. A mulher levantou a vista e lhe dedicou um sorriso sincero. Encaminhou-se para ela e lhe falou antes de retirar-se.
— Hoje está de muito bom humor. Acredito que o presente excita mais a ele que a você. — Sussurrou isso com cumplicidade.
Willow lhe devolveu o sorriso, encantada. Rhona sempre lhe tinha gostado, era uma mulher atenta e carinhosa que levava a cargo do Landon Tower desde que tinha memória. As más línguas diziam que tanta entrega e dedicação em seu trabalho se devia a que estava apaixonada em segredo pelo senhor daquele castelo. Willow não via nada de mau nisso, justamente o contrário. Tio Gilmer não se casou nunca e, se Rhona tinha decidido amá-lo, não fazia mal a ninguém.
— Me alegro de que esteja feliz. — Respondeu ela, apertando uma das mãos da ama de chaves com carinho. — Nós todos faremos que volte a ser o homem que era.
Uma sombra de tristeza cruzou então pelo rosto da mulher.
— Será complicado, minha senhora. Ninguém volta a ser a mesma pessoa quando os dentes desta guerra cruel lhe remoem o coração.
Willow tragou com dificuldade o nó que lhe tinha formado na garganta ao escutar seu tom. Não era apenas pela desgraça que tinha sofrido tio Gilmer. O único filho de Rhona, de apenas dezesseis anos, tinha morrido em batalha defendendo a causa do rei Bruce. Abraçou-a em um gesto espontâneo, sem saber de que outra maneira lhe transmitir o muito que lamentava sua perda. Willow não podia imaginar-se sua angústia e sua dor, e quis reconfortá-la.
— Sinto-o tanto... Tinha muita admiração ao Connor, era um moço muito valente. — Murmurou enquanto a abraçava.
Rhona se mostrou sobressaltada pela demonstração de carinho e permaneceu muito rígida até que Willow se afastou.
— Era valente e o melhor dos filhos. — Corroborou, com os olhos lacrimejados. Depois, os limpou com um par de tapas e compôs de novo seu amável sorriso. — Mas hoje não terá que falar de penas, mas sim de alegrias. Seu tio já deve estar impaciente para lhe dar o presente que preparou com tanto entusiasmo. Deixo-lhe com ele.
Dito isso, continuou seu caminho e Willow ficou a sós com o senhor do Landon Tower.
— Vamos, te aproxime, tantas coisas tem que falar com a Rhona? — Chamou-a.
— Já vou.
Enquanto se aproximava, a excitação por descobrir qual seria seu presente apagou toda preocupação de sua mente por uns instantes. Não tinha sido um bom ano; muitas ausências e muitas penas para desfrutar de seu aniversário. Somente por isso, não poderia agradecer mais o cuidado que tinha tido tio Gilmer com ela.
Sentou-se ao seu lado, incapaz de manter a compostura. Os dedos lhe tremiam de emoção e seus olhos contemplaram com deleite o tamanho e a forma daquele enorme pacote envolto com um tecido de linho branco, adornado com uma cinta carmesim que o rodeava com uma perfeita laçada. Gilmer o empurrou para ela com sua única mão. 
Willow tratou de não dirigir o olhar ao outro braço, onde um coto substituía a extremidade que tinha perdido no campo de batalha.
Aquela era a causa de que Niall e ela tinham abandonado Meggernie, seu lar, e se encontravam em Landon Tower, a fortaleza de seu tio. Ambos o queriam muito para deixá-lo sozinho em um momento assim e, tal e como lhe tinha confessado a Rhona momentos antes, Willow esperava que sua presença servisse para que o guerreiro voltasse a ser o homem que conheciam, apesar de que aquela desgraça lhe marcaria para sempre.
Na realidade, Gilmer Graham não era seu tio de sangue. Era amigo de seu pai desde que tinha uso de razão e, tanto para ela como para seus irmãos, era mais um da família. 
Quando lhe cortaram a mão na batalha da retomada da ilha do Man, o rei Bruce o liberou da obrigação de lutar contra os ingleses. 
Para o guerreiro, sua mutilação e sua posterior licença do exército escocês tinha suposto um duro golpe. Quando Niall e Willow receberam a má notícia, acudiram ao Landon Tower dispostos a lhe dar todo seu apoio.
Niall o compreendeu muito melhor que ela, posto que o moço tinha sido excluído da batalha só porque Malcom, seu irmão gêmeo, tinha aparecido a cabeça ao mundo dois minutos antes que ele. Willow sabia que Niall desejava ir à frente junto a seu pai e servir ao rei Bruce como outros muitos jovens, e estava convencida de que se ela não existisse, seu irmão teria podido cumprir com os ditados de sua honra e patriotismo.
— Não vais abrí-lo?


Evander

Highlanders Imortais

Duas almas perdidas forjam algo bonito de algo quebrado. 

Rachel Ingram está vivendo o sonho. Herdeira de bilhões, ela está comprometida com o homem perfeito. Mas com a morte súbita de seus pais, seu mundo começa a desmoronar. Quando ela descobre a verdadeira natureza de seu novo marido, sua vida implode.
Evander Talorc está vivendo um pesadelo. Traidor de seu clã de highlanders imortais, ele mora sozinho em um chalé remoto. Mas nem sempre foi assim. Uma vez ele tinha desistido de tudo por causa de seu amante mortal. Então ela morreu da peste. Mas quando ele visita seu túmulo no centro do bosque sagrado, ele encontra o inacreditável.
Abandonada e esquecida, Rachel e Evander se encontram. Mas o resto do mundo não vai deixá-los.


Série Highlanders Imortais
1 - Lachlan
2- Tharaen
3- Evander

Tharaen

Highlanders Imortais
Uma detetive em uma missão pessoal não para, mesmo quando ela cair nos braços de um deslumbrante montanhês medieval.

A tenente Diana Burke não desistirá. Embora seu caso tenha caido por terra, algo sobre o desaparecimento de Kinley Chandler não faz sentido. Mas o último lugar que a detetive espera encontrá-la são as terras altas da Escócia medieval.
O guarda-costas Tharaen Aber precisa de outra complicação de segurança como ele precisa da peste. Mas a engenhosa moça que ele pega se esgueirando pelo castelo de Dun Aran não poderia ser mais oposta. Tão hábil como rastreador como ele já viu, ela empresta sua ajuda em todas as oportunidades. Infelizmente para o gigante highlander, as complicações que ela traz ao coração não são tão fáceis de resolver.
Mas nem todos os olhos veem Diana pelo bem que ela traz. Na verdade, os druidas exigem que ela saia e estão determinados a fazer isso acontecer.


Capítulo Um
Bem, ter mais de um metro e oitenta de altura tinha suas vantagens, embora não tantas quando você é mulher. A Tenente Diana Burke levantou-se para esticar os longos membros e viu o resto dos cubículos cinzentos à sua volta já vazios. Uma vantagem de ter mais de um metro e oitenta de altura era a capacidade de verificar os arredores em poucos segundos. Além do labirinto de painéis redutores de som, os painéis externos de vidro do prédio mostravam o brilho das luzes do porto contra um céu preto fosco. A última vez que ela olhou, a vista tinha sido dos arranha-céus da cidade, emoldurados por um céu azul-prateado recortado por nuvens com bordas douradas.
Dentro da têmpora direita ela sentiu o toque de advertência de outra dor de cabeça e pegou o frasco de comprimidos em sua gaveta.
Lá embaixo, no bairro de Gaslamp, a festa estaria apenas começando. Ela não tinha ido lá para beber em seu bar favorito no terraço desde que ela começou a colocar horas extras que ela não relatou em sua folha de ponto. As horas eram dela e ela faria o que quisesse com elas. Desperdiça-las em margaritas de morango congeladas e caras que empalideciam no minuto em que ela se levantava não era atraente para ela.
Mas encontrar as pessoas desparecidas e trazê-los para casa fazia com que fosse manhã de Natal todos os dias.
O cheiro de baunilha fez Diana franzir a testa, até que viu a fatia de bolo que alguém havia deixado estacionada no final de sua mesa. Isso significava um aniversário hoje na unidade, e ela tinha perdido isso. Isso a incomodou. Ela realmente gostava das pessoas com quem trabalhava e adorava bolo de qualquer tipo.
Exceto veludo vermelho. Mesmo pensando nisso, ela estremeceu um pouco. Por que alguém gostaria de bolo da cor de sangue? Era quase tão ruim quanto os crânios e esqueletos de açúcar decorados que eles vendiam pela cidade para o Dia de los Muertos.

Série Highlanders Imortais
1- Lachlan
2 - Tharaen
3- Evander

16 de janeiro de 2019

O Duque de Meus Sonhos

Série Era uma vez um Sonho


Anne Faraday, a filha de um banqueiro, é eleita como acompanhante de Elias, Duque de Sedgemere, para uma festa campestre nos Lagos. 

Anne entusiasma-se com o homem solitário e pai abnegado que está por detrás do título, e Elias fica cativado pela mulher brilhante e oprimida debaixo da fachada gentil de Anne. 
A atração converte-se em amor sob o luar de verão da Cumbria, mas as obrigações familiares, os segredos e um pato prodigioso conspiram para frustrar o curso do amor verdadeiro.
Capitulo Um

 ― Não estou pedindo este favor sem pensar. Elias, Duque de Sedgemere, seguiu andando, envergonhado, pelas brincadeiras do malvado Hardcastle, sem qualquer amostra de sentimento. Hardcastle era, depois de tudo, o amigo mais antigo e mais querido de Sedgemere. Também o único amigo de Sedgemere. 
Tomavam ar junto ao Serpentine, no Hyde Park, ignorando as olhares insistentes e os sussurros que atraíam. Enquanto Sedgemere era de um loiro tão pálido para chamar a atenção, Hardcastle era moreno. 
Ambos estavam acima da média em estatura e compleição, embora Mayfair tivesse muitos homens grandes e bem vestidos, particularmente no que se tratava de moda. 
No entanto, eles eram duques e ser um duque significava ser atormentado pelo interesse público em todo momento. Ser um duque solteiro era um inferno, porque desde cada salão de baile, às rédeas de cada cabriolé, sustentando cada guarda-sol, havia uma duquesa à espera. Em consequência, Sedgemere suportou a insistência de Hardcastle. 
― Não pede um favor ― disse Sedgemere, tocando a ponta de seu chapéu para um homem que passeava com um enorme mastim pintalgado. ― Exige a metade de meu verão, quando o verão é a melhor época do ano para ficar em Sedgemere House. Conheciam-se desde meninos na brutalidade ocasional e a quase inanição que sofriam durante a doutrinação em Eton, e pelas farras e apostas que faziam passar por uma educação de Oxford. 
Hardcastle porém, nunca se casara e, portanto, não sabia que horrores lhe esperavam no caminho para o altar. Sedgemere sabia, e além disso sabia que os dias de Hardcastle como solteiro estavam contados, se a respeitável avó de Hardcastle o enviava a festas campestres no verão. 
― Se não vier comigo Sedgemere, vou- me converter em uma má influência para meu afilhado. Vou ensinar para o garoto tudo sobre charutos, brandy, mulheres levianas e jogos licenciosos. 
― O menino tem sete anos, Hardcastle, mas sinta-se à vontade para corrompê-lo a seu desejo, caso ele não demonstre ser pior influência em... Meu Deus, essas duas outra vez não! As gêmeas Cheshire, loiras, de olhos azuis, sorridentes e tão implacáveis como uma enfermidade inominável, vinham tagarelando pelo atalho, girando as sombrinhas. 
― Senhorita Cheshire, Senhorita Sharon ― disse Hardcastle, tocando com a ponta do dedo seu chapéu. Sedgemere pegou discretamente no braço de seu amigo, embora não servisse de nada, já que Hardcastle devia trocar brincadeiras, como se estas mulheres não fossem ao equivalente social da Escila e Caribdis1 . ― Senhoras. ― Sedgemere inclinou-se também, porque estava em público e promover o assassinato de seu melhor amigo era melhor em privado. 
― Vossas Graças! Que sorte nós encontrarmo-nos!


Série Era uma vez um Sonho
1-
2-O Duque de Meus Sonhos

Arrebatado por um Beijo

Série Patifes do Mar
Eles são titulados. Ricos. Poderosos. E bonitos como o pecado... 

A socialite jade acha que já fez de tudo... até conhecer o próprio diabo vestido com roupas de padre. 
Uma identidade secreta Quando os piratas atacam o navio de Lorde Steven Ashford em alto mar, isso o aproxima mais do que nunca do criminoso nefasto que ele quer arruinar. Apenas um detalhe sedutor ameaça sua vitória: a escandalosa beleza aprisionada com ele, Lady Valerie Monroe. A tentação nunca foi tão inebriante nem tão proibida, pois Steven está disfarçado de padre francês. Se eles alcançarem sair do navio vivos, para protegê-la de seus inimigos, ele nunca mais deve vê-la novamente... Um amor inegável De volta à Inglaterra, e sob o escrutínio da cidadee sob controle por um passado imprudente que ela não escapou, Valerie sonha com o deslumbrante “homem de hábito” com quem ela compartilhou sua maior aventura. Então ele reaparece na sociedade sob sua verdadeira identidade, o Visconde Ashford, mas, apesar do perigo, sua paixão consumidora não pode ser negada. Agora, no caminho de seu desejo está o coração ferido de Valerie, o destino solitário de Steven, e um vilão que não se deterá em nada para esmagar os dois.

Capítulo Um

Boston, Massachusetts, maio de 1810 
O Direito e honesto. Conde de Alvesrton Derbyshire, GB Querido Valentine Eu fui infantil. Eu tenho sido egoísta. Eu tenho sido todo tipo de tola. Mas agora já tive o suficiente desse tipo de coisa e de exílio. Querido irmão, pelo menos, me perdoe. Eu estou voltando para casa. Sua irmã infiel, Valerie 
 — Respire — Lady Valerie Monroe sussurrou em meio à brisa que soprava pela escotilha. A escada de madeira brilhava com polimento fresco, convidativa. Além da escotilha aberta acima, o céu azul parecia infinito. Colocando o pé no degrau mais baixo, Valerie respirou hesitante. 
Como encorajando-a, uma corrente de ar salgado se precipitou pela escotilha, enroscando-se nas mechas negras que escapavam de seu chapéu, chamando-a pelo ar. Ela subiu os degraus do convés. Arriscando sua pele leitosa, ela inclinou o rosto para o sol do final da tarde e olhou através do enfeite rendado para o céu. Os aromas misturados de água salgada e alcatrão picante provocavam suas narinas. Vozes masculinas ásperas subiram pelo tumulto da atividade através do convés e no cais além. Valerie encheu os pulmões e um sorriso abriu seus lábios. 
— Eu posso respirar de novo. — Presa pelo vento, suas palavras soaram como uma oração. Ela se moveu para o trilho do convés. No cais, abaixo, marinheiros e comerciantes apressavam-se em torno de embarcações embaralhadas, gritando em tantas línguas quanto às cores subiam dos altos mastros. Um coro de trabalhadores musculosos jogavam caixas e barris em seu navio. 
Seu olhar seguiu a procissão de homens e mercadorias a bordo, viajando na popa, depois até a ponta do mastro principal, erguendo-se acima dos telhados dos prédios das docas. Um suspiro tremeu em sua garganta. Em instantes, ao apitar o cano do contramestre, o navio mercante holandês embarcava em Portsmouth. Para Inglaterra. Casa. Os primos americanos de Valerie, ricos com venda de amêndoas, se preocupavam com ela navegando sozinha através do Atlântico em um navio mercante. Mas Valerie não se importava com a travessia. Seus únicos pensamentos eram o destino dela. 
Dois longos anos intermináveis se passaram desde que ela provocara seu amado irmão, Valentine, ou abraçara sua querida amiga, Anna; sua última corrida descalça através de um prado de veludo em Derbyshire; as últimas cócegas do champanhe numa mansão de Mayfair; e finalmente a última vez que perdeu a respiração dançando nos braços de um cavalheiro. Dois anos de culpa lancinante. Dois anos de mágoa e tédio alternados. 
— Agora estou livre, — ela murmurou, absorvendo o ar do mar inebriante como um tônico. Livre da miséria entorpecente. Livre para fazer um novo começo. 
Seu olhar deslizou pelo convés e por cima do grupo heterogêneo de marinheiros preparando-se para zarpar, rapazes e anciões enrugados, holandeses e ex-escravos, todos magros e rijos com a força desgastada pelo mar. Instalando-se em sua cabine mais cedo, ela ouvira a prima Abigail instruir o capitão a limpar o convés de marinheiros ociosos quando Valerie subisse. Não queria, Abigail sussurrou, que um incidente infeliz ocorresse durante a travessia. Com um suspiro vertiginoso, Valerie riu da lembrança. Abigail era um ganso com ervilhas. Com o Conde morto, que uso Valerie tinha para os marinheiros comuns... 

Série Patifes do Mar
1- Arrebatado por um Beijo

Outro Sonho

Série Era uma vez um Sonho
A Senhorita Eleanor Thompson se sente satisfeita como diretora de uma respeitada escola para meninas. 
A vida de uma educadora dedicada oferece muitas recompensas e muita satisfação… mas também mais solidão do que Eleanor previu. Quando aceita o convite de sua irmã, Christine, Duquesa de Bewcastle, para assistir a uma festa em Bedwyn, jamais sonhou que o plano de estudos de verão poderia incluir beijos roubados e o amor verdadeiro.
Capítulo Um

O sol ainda brilhava, em um céu azul sem nuvens quando um dos cavaleiros da escolta se aproximou da carruagem onde Eleanor Thompson viajava e se inclinou para golpear a janela. Eleanor levantou a vista de seu livro, surpresa, e tirou os óculos quando a donzela que viajava com ela baixou a janela. 
― A tempestade se aproxima rapidamente atrás de nós, senhora ― disse o homem, tirando o chapéu. ― Tom Coachman1 esperava deixá-la para atrás, mas diz que não consegue, mesmo que incite os cavalos, o que Sua Graça não gosta, porque pode machuca-los facilmente. Estamos a meio caminho entre hospedarias e tem mais sentido prosseguir do que retroceder. Tom diz que pararemos na primeira estalagem a qual cheguemos. Até então, estará bastante segura, senhora. Parece uma tempestade desagradável, mas Tom é o melhor. 
Nada menos que o melhor para o grande mergulho. Com essas palavras de alarme e consolo se retirou para retomar seu lugar atrás da carruagem. Tanto ele como o outro cavaleiro tinham sido enviados a Bath com a carruagem, o cocheiro, o lacaio e a donzela para transportar Eleanor da escola de meninas, da qual era proprietária e onde ensinava, até Lindsey Hall no Hampshire, o grande imóvel do Duque de Bewcastle. Wulfric, o duque, estava casado com a irmã de Eleanor, Christine. 
Viajar assim era inegavelmente luxuoso, embora Eleanor sempre achasse graça em ser tratada como uma grande dama. Pressionou seu rosto contra a janela e olhou para trás. Oh, Deus querido, sim. Grossas e escuras nuvens estavam se agitando no oeste, e inclusive enquanto olhava, uma descarga irregular de relâmpagos cortou através delas. 
Uma tempestade elétrica era aterradora, inclusive perigosa, quando se viajava. A chuva poderia converter rapidamente o caminho em um pântano lamacento. Inclusive quando tomou seu assento, Eleanor notou que o vento estava piorando. Estava dobrando a comprida erva do prado junto à estrada e balançando ligeiramente a carruagem. 
O trovão que se seguiu ao raio se sentiu mais do que se ouviu por cima do ruído dos cascos dos cavalos e o ruído das rodas da carruagem. Tinha saído de Bath essa manhã para o que normalmente era uma tranquila viagem de um dia. Tinha esperado estar em Lindsey Hall a tempo de tomar o chá com Christine e Wulfric e sua mãe, que vivia com eles. 
Também era possível que Hazel, sua outra irmã, já tivesse chegado com Charles e seus filhos. Era um prazer pouco comum que toda sua família estivesse junta, mas este verão Lindsey Hall ia se encher até as vigas, com sua família e outros convidados, para uma festa de duas semanas na casa, celebrando o quadragésimo aniversário de Wulfric. 
Agora parecia completamente impossível que Eleanor chegasse naquele dia de qualquer jeito. Poderia ver-se obrigada a passar uma noite no caminho. 


Série Era uma vez um Sonho
1- Outro Sonho
2-O Duque de Meus Sonhos

Foragido

McIntyre leva uma vida tranquila e rotineira. 

Manter toda a casa, ajudar a quem mais necessita, atender a escola dominical, recriminar os assíduos do Saloon local que desperdiçam horas ali, em vez de estar junto a seus filhos e suas esposas... É por isso que está solteira, tem trinta anos e muito tempo livre, além disso, os homens de Carsons pensam que é puritana impertinente e triste, não que haja muitas perspectivas de que as coisas mudem, nem Felicity está disposta a mudar seu comportamento para conseguir um marido. Mas, se um irlandês atraente, perigoso e procurado pela justiça cruzar seu caminho, e colocar seu mundo de ponta cabeça, o que mais poderá fazer a não ser se deixar levar por ele?

Capítulo Um

Meia dúzia de meninos de diferentes idades bocejavam apoiados sobre as mesas que serviam de classes improvisadas. Felicity elevou a voz tratando de contagiar com seu entusiasmo o infantil auditório.
― E é por isso que não devemos roubar, nem mentir, nem, obviamente, matar nossos semelhantes. Vejamos quem pode recitar de cor os Dez Mandamentos? Só uma mão foi levantada com rapidez. Felicity sorriu à pequena filha dos Richardson.
― Sei que você sabe Laura, mas que tal se deixar que alguém mais se anime? O que me diz Jimmy? Ou você, Samuel? Os referidos coçaram a cabeça, pensativos. Jimmy começou:
― Amará a Deus sobre todas as coisas.
― Muito bem ― incentivou Felicity ― E que mais?
― Não matarás. ― Estupendo, e…?
― Não roubarás. ― Isso. ― E… Jimmy fez cara de quem fazia um esforço tremendo, mas a inspiração não chegou. Laura voltou a levantar a mão impaciente. ― Pense com calma, não temos pressa. Vários suspiros desencantados soaram ao fundo.
― Não baterás em seu irmão mais novo? As risadas soaram em coro. ― Não, Jimmy, embora seja um bom tema. Podemos considerá-lo um extra. Lembra-se de mais algum? O menino continuou pensando. A paciência de Felicity começou a esgotar-se. Era muito pedir que decorassem dez singelos mandamentos? Outra mão foi levantada.
― Sim, diga, Peter, conhece mais alguma?
― Não, senhorita McIntyre, mas posso ir? Minha mãe me deu permissão para eu ir pescar. Todos os rostos se voltaram para ela esperançosos. Qualquer um ali possuia coisa melhor a fazer numa manhã de domingo de primavera do que ficar ali encarcerado. Felicity viu-se derrotada.
― Está bem. Podem ir, mas, lembrem-se de ler em casa o capítulo que estudamos. Não esqueçam: ― Moisés e a travessia do deserto.
― Não, senhorita McIntyre ― responderam em coro e saíram correndo da escola dominical. Todos. Inclusive Laura. Suspirou, mas não perdeu o ânimo. Estava acostumada a tratar com aquelas pequenas criaturinhas.
Era uma vitória mantê-los sentados e que se apresentassem vestidos e calçados. Além disso, ela pensou ao mesmo tempo em que consultava o pequeno relógio que levava preso ao vestido por uma fina corrente, ela também possuia mais coisas para fazer.


Sobre as Pontes de Paris

A melhor espadachim de Paris enfrenta três ameaças: um assassino mascarado, um complô contra o Rei e os encantos de um jovem aristocrata.

Todos em Paris ouviram falar do famoso espadachim Léonide de La Rochelle, mas quase ninguém sabe que se trata de uma mulher. Treinada por um antigo mosqueteiro, Léonide se propõe a capturar Renard Noir, o criminoso que semeia o terror na cidade noturna, entretanto, seus planos são alterados quando ela se vê obrigada a ensinar esgrima para Valérian, o arrogante filho de um aristocrata. Enquanto trata de converter o menino num herói, Léonide se verá envolta numa luta de poder que lhe poderá custar a vida

Caítulo Um
O Melhor Espadachim de Paris
Léonide de La Rochelle jogava a vida com duas cartas: sua inegável beleza, e sua habilidade com a espada. Por estranho que pareça, sua beleza a tinha tirado de mais apuros, do que o aço. E não porque fosse torneada e perfeita, como a das Virgens do Châlons3, era bem delgada, poderosa, de pele clara e com as maçãs do rosto muito salientes. Tinha o rosto de alguém que parecia um homem sob o sol e, uma mulher à luz do fogo. Ou talvez fosse ao contrário.
De qualquer forma, o importante daquele rosto não eram os traços, pouco harmoniosos, nem os olhos, de um marrom completamente vulgar, era o sorriso. Um sorriso cingido e branco que, quando iluminava seu rosto, fazia com que as mendigas como Fifi Lachance, e as grandes damas como mademoiselle Archambault sentissem o impulso irracional de proteger seu proprietário. Mas a espada também era uma boa aliada. Léonide tinha aprendido a empunhá-la por sua própria conta, usando uma das armas defeituosas que seu pai Absolon de La Rochelle havia fundido, na pequena ferraria que possuía na cidade.
Possuía um estilo particular e uma espantosa segurança em si mesma, algo que, segundo mademoiselle Archambault, “a mataria, qualquer dia”.
Contudo, Léonide não se converteu em espadachim até que o destino a colocou rumo a Paris. Enquanto vivia com seus bondosos pais em La Rochelle, as armas não eram mais que um escandaloso entretenimento para si, Paris e seus perigos tinham mudado tudo. Mas esse era um episódio de sua vida que preferia não recordar.
Por enquanto, continuava com a vida. E não havia nada que gostasse mais que tentar a sorte. A noite parisiense era dela: ia da hospedaria Pot d’Or para Bourbon em busca de gascões presunçosos e outros homens que precisaria manter distantes, e depois se deixava convidar para um vinho e recebia as quinquilharias de suas admiradoras.
Seguida fielmente por Fifi Lachance, rainha dos canalhas, sentia que a cidade noturna lhe pertencia por direito. Não queria um professor. De fato, pensava que nenhum homem de armas podia lhe ensinar mais do que ela já sabia.

15 de janeiro de 2019

Uma Princesa na Escócia

Série Príncipes de Oxenburg 
Era uma vez uma princesa adornada, mas que agora era esfarrapada...

A princesa real Tatiana Romanovin é a bela, rica e mimada, única filha do rei de Oxenburg. Em seu caminho para o casamento do primo nas terras altas da Escócia, ela e sua comitiva são apanhadas por uma gangue de ladrões. Assustados, seus servos fogem, e Tatiana logo se vê sozinha em uma hospedaria sem empregados, sem recursos e sem provas de sua identidade. Desamparada, ela aceita a oferta de um estalajadeiro compreensivo (porém descrente) para trabalhar em troca de um quarto e abrigo enquanto espera por uma resposta à carta que foi enviada para seu primo, o príncipe Nikolai. Sem outra opção, Tatiana esfrega o chão e lava a roupa suja, esperando o príncipe chegar...
“Um orgulhoso lord que perdeu uma vez e agora encontrou...Depois de um final brutal, sangrento...”

Capítulo Um

A chuva desabou sobre as pedras, espalhou ervas espessas e transformou o pátio enlameado em uma lama densa. Dentro do Leão Vermelho, a estalagem mais ao norte da velha estrada de Kinton, o estalajadeiro Ian Drummond abriu a janela da sala comunal para soltar o ar enfumaçado. Era uma noite calma, pois a chuva mantinha todos os bebedores de cerveja mais motivados, amontoados sobre seus próprios lares. Aqueles que ousaram aventurar-se no tempo para provar o bom uísque de Drummond e a excelente comida de sua esposa estavam cheios e acomodados perto do fogo, fumando seus cachimbos.
Enquanto o estalajadeiro respirava grato pelo ar fresco da chuva, uma carruagem bem equipada entrou no pátio, as rodas espirrando em poças profundas quando parou diante da ampla porta.
― Iona, venha aqui! ― Drummond chamou por cima do ombro. ― Lord Buchan veio para o jantar de sexta-feira afinal.
Sua esposa, tão baixa e redonda como ele, levantou o olhar de seu famoso ensopado para seus poucos convidados e sorriu. ― Eu não quero que ele perca a minha torta de veado. Não pela chuva.
Ela colocou a panela de ferro de volta no gancho perto do fogo e, limpando as mãos no avental, veio para ficar ao lado de Ian. Lá fora, um lacaio empacotado desceu do banco e correu para abrir a porta da carruagem. O jovem então ficou bem fora do caminho, quando Lord Buchan desembarcou. Alto e moreno, vestindo um casaco de lã grossa, uma bengala de cabeça dourada apertada em uma mão, sua senhoria desceu até a laje molhada e mancou pesadamente em direção à grande saliência que protegia a porta da frente.
O lacaio fechou a porta da carruagem e subiu em seu assento, e a equipagem rangeu para os estábulos. Iona, observando o progresso de Lord Buchan, estalou o rosto rechonchudo franzido em solidariedade. ― Ele está mancando poderosamente hoje. A chuva afeta sua perna ferida.
Mais perto agora da porta da frente, a bengala de Lord Buchan clicou ruidosamente sobre as pedras congeladas pela umidade.
― Oh, ele vai cair, ele está apoiando muito sobre aquelas pedras molhadas. ― Iona se inclinou para frente como se fosse dar um aviso.
Drummond segurou o braço dela. ― Não diga uma palavra!
― Eu só quero avisá-lo.
― Não seria bem-vindo. Ele não gosta de ser lembrado de seus ferimentos.
― Mas ele pode cair!
― Ele sabe disso. Veja o quão cuidadoso está se movendo?
Lord Buchan alcançou a saliência e Drummond deu um suspiro de alívio. ― Aí. Ele está a poucos passos da porta agora, e as pedras estão mais secas, então...
A bengala de Buchan saiu de debaixo da mão dele, indo ao chão. Ele tropeçou para frente, com o peso jogado na perna esquerda. Um fluxo de maldições aquecidas derramou-se dele, amargo e avivado.
Iona e Drummond prenderam a respiração.
Sua senhoria cambaleou até a parede e encostou-se nela, apertando a coxa com as duas mãos enquanto continuava a amaldiçoar como um marinheiro.
Drummond estremeceu com a dor crua na voz de sua senhoria.
― Eu vou ajudar. ― Iona virou nos calcanhares.
― Não! ― O estalajadeiro a puxou e deu-lhe um rápido abraço. ― Deixe-o sozinho, Iona.
― Mas ele está ferido!
― Talvez, mas ele precisará de tempo para recuperar seu orgulho. Confie em mim, que fui ferido pior do que a perna dele.
Iona soltou um suspiro. ― Bem. Você o conhece melhor que eu. Mas isso vai contra o meu coração.
― Ele vai agradecer mais por deixar o orgulho dele, senhora. Ou ele faria se soubesse da sua tolerância.
Era natural que a generosa e impulsiva Iona, que era a curandeira de sua aldeia, desejasse ajudar Lord Buchan, especialmente porque ela conhecia o rapaz desde que ele andara de calça-curta. Ah, que tristes as mudanças que o tempo fez nesse rapaz feliz desde que ele voltou da Índia, ferido e amargo.
Iona expirou exasperada. ― Eu gostaria que ele me permitisse fazer um tônico para sua dor. Ajudaria, você sabe. ― Ela balançou a cabeça. ― Bem, pelo menos ele me permite cozinhar para ele toda sexta-feira.
― E isso faz nele um mundo de melhoras também. Ele está mais forte agora e muito menos pálido.
Iona pareceu levemente apaziguada. ― Verdade. Eu vou preparar sua torta. Assim que estiver pronta, vou pedir à nova empregada para trazê-la aqui em cima. ― Ela suspirou. ― Estou feliz que a senhorita Tatiana veio até nós. Ela tem sido uma grande ajuda, embora eu tenha que treiná-la para fazer tudo. É como se ela nunca tivesse segurado um pano antes!
― Sim. Isso é estranho.
― Especialmente quando ela está contando histórias teatrais.
― Não! Outra carta?
― Sim. ― Iona, deu um tapinha no bolso do avental. ― Vou enviá-la amanhã. Ela fica imaginando por que não está conseguindo uma resposta.
― Esse é o resultado de mandar cartas para príncipes, especialmente os príncipes de Oxenburg. ― Drummond bufou. ― Não pode haver tal lugar. Eu nunca ouvi falar disso.
― Sim, apenas uma lesão na cabeça poderia causar tais desilusões. ― Iona balançou a cabeça tristemente. ― Certa vez ouvi falar de uma senhora que caiu de um cavalo e pensou que era a rainha por uma quinzena inteira. Vamos nos certificar de que nossa moça não piore seus delírios. Ela é bonita demais para se lançar no mundo sozinha. Seria comida por lobos, ela é muito inocente.
― Ninguém no mundo inteiro tem um coração melhor que você, meu amor. ― Drummond beijou Iona profundamente na bochecha, fazendo-a corar quando os homens que se aglomeravam em torno da lareira, levantaram um grito de censura zombeteiro.
― Oh, Drummond, olha o que você começou. Agora vou na cozinha. É melhor você ver o nosso convidado. ― Com o rosto vermelho, mas sorrindo, Iona saiu correndo.
O som da porta da frente abrindo alertou a Drummond que Buchan estava entrando. Endireitando o colete, o estalajadeiro foi ver seu convidado titulado.
No corredor da frente, Darrac Buchan encostou-se pesadamente contra a parede, o punho pressionado contra a coxa enquanto ondas de dor lancinante percorriam o músculo cicatrizado. Maldita perna, maldita dor, e maldita esta chuva miserável. Repetir a maldição de novo e de novo não ajudou, mas passou os minutos e, lentamente, lentamente, a dor diminuiu. Finalmente capaz de respirar, ele cerrou os dentes e, segurando a bengala com mais força, tentou colocar peso em sua perna dolorida. A dor atravessou sua coxa, mas desta vez com menos violência, e ele conseguiu ficar em pé.
― Oh, boa noite, milord!


Série Príncipes de Oxenburg
1- O Príncipe que me Amou
2- O Príncipe e Eu 
2.5- Uma Princesa na Escócia

12 de janeiro de 2019

Um Beijo Ardente

Série Uma Herdeira Americana em Londres
Linnet Holland não queria saber nada sobre escavadores de ouro. 

Não, ela estava determinada a se casar com um homem que a amava. Mas, justamente quando estava prestes a aceitar a perfeita oferta matrimonial de um homem que a apreciava, o libertino Conde de Featherstone invadiu e arruinou tudo com um beijo ardente.
Jack Featherstone sabia tudo sobre o pretendente de Linnet e estava determinado a impedir que a menina se tornasse uma presa desse infeliz, como outras mulheres tinham sido no passado. Mas quando tentou salvar a reputação arruinada de Linnet, percebeu que tinha que corrigir seu erro. Então ele decidiu conquistar aquela beleza e mostrar-lhe que esse escândalo era a melhor coisa que poderia ter acontecido com ela.

Capítulo Um

Newport, Rhode Island, 1890
Desde que o Príncipe de Gales fez uma visita aos Estados Unidos em 1860, a metade feminina da sociedade de Nova York se apaixonou pela aristocracia britânica. Enquanto os milionários americanos se queixavam do típico cavaleiro britânico, que consideravam ocioso e contrário ao trabalho árduo, suas esposas preparavam possíveis combinações de suas filhas que sonhavam em se tornar condessas e duquesas.
Quando o Conde de Featherstone chegou às margens no outono de 1889, o casamento transatlântico já era algo comum e, embora o conde insistisse antes de toda a alta sociedade de Nova York, o propósito de sua visita era estritamente comercial, as mulheres, pertencendo ou não à alta sociedade de Nova York, preferiram deixar de lado esse detalhe inoportuno. O conde era um único homem sem dinheiro e "negócios" era um termo muito vago.
Mas, embora a insistência de Jack em deixar claro que não estava procurando por uma esposa não impediu as mulheres de continuarem se envolvendo em especulações ilusórias, serviu para garantir aos cavalheiros de Nova York que ele não estava lá para arrebatar uma de suas filhas. Como resultado, Jack logo descobriu que não só os salões de Nova York estavam abertos para ele, mas também os clubes de cavalheiros.
Um mês depois da sua chegada, foi convidado para todos os tipos de eventos sociais importantes e estava ciente de todos os tipos de fofocas. Dois meses depois, jantou no Oak Room e jogou cartas no House With The Bronze Doors. Depois de três, ele e Frederick Van Hausen estavam no Delmonico falando sobre as possibilidades de investir em uma lagosta no Newberg, jogar tênis no New York Tennis Club e jogar golfe no recém-inaugurado St. Andrews Field.
Forjar uma amizade com Van Hausen para planejar sua destruição poderia ter sido um trabalho tão infernal como Jack e Stuart temiam, já que o americano parecia ser um cara encantador, espirituoso, inteligente e fácil. Mas apenas haviam falado sobre capital de risco, ações e minas de ouro por duas semanas, quando os agentes de Pinkerton localizaram uma ex-empregada de Van Hausen chamada Molly Grigg, cuja saída da casa causou rumores entre os outros funcionários. Curiosidade levou Jack a entrevistá-la pessoalmente, uma entrevista que revelou o tipo de animal que se escondia sob o aparente charme de Van Hausen e esclareceu o segredo que Stuart guardava.
Após a descoberta de Molly Grigg, os homens de Pinkerton encontraram outras garotas como ela e, com cada uma dessas entrevistas, Jack achou que o inferno era um lugar muito mais confortável. No entanto, isso não facilitou sua tarefa. Destruir um homem, por mais depravado que ele fosse não era algo que poderia ser feito de forma leve. Também foi uma questão complicada que exigiu tempo, paciência e reflexão. E, para honrar os desejos de Stuart, a destruição de Van Hausen exigiu que ele cavasse seu próprio túmulo.
Assim, em meados de agosto, o poço de Van Hausen estava profundamente cavado e a única coisa que faltava era a queda.
Sabendo o que estava por acontecer com Van Hausen depois de apenas alguns meses de trabalho, Jack esperava que ele pudesse se sentir satisfeito, mas enquanto estudava sua presa do outro lado do opulento salão de baile de Newport, ele pensou em Molly Grigg, e na duquesa de Stuart, e em todos os outros, e lembrou-se de que ainda era muito cedo para comemorar a vitória. Quando Van Hausen estiver na prisão, talvez eu tenha alguma satisfação sabendo que a justiça foi feita. Mas, até lá, não.
—Você acha que ele sabe?
A pergunta fez Jack olhar de Van Hausen para o Visconde Somerton, que estava em pé ao lado dele.
—Você sabe, Denys, — ele disse, e voltou sua atenção para o homem na outra extremidade do salão de baile.
Através dos casais que giravam na pista de dança, Jack percebeu o modo como Van Hausen se movia inquieto de um lado para o outro, e também os olhares incômodos que ele dirigia a todos ao seu redor. Jack pensou sobre a última conversa que tiveram sobre como Van Hausen se aproximou há algumas horas, tentando se explicar, implorando por ajuda, pedindo-lhe para interceder com o resto dos investidores. Jack teve grande prazer em se recusar, mas, naquele momento, ele estava muito nervoso para sentir alívio.
—Acredite em mim, você sabe.
Van Hausen parou no meio de seus passos e tirou o relógio de bolso. Como se confirmasse a declaração de Jack, sua mão tremia terrível quando ele a abriu para verificar o tempo.
—Sinto muito, chegou tarde. — Uma nova voz interveio na conversa antes que Denys pudesse responder.
Ambos olharam para trás e viram o conde de Hayward atrás deles.
—Pongo!


Série Uma Herdeira Americana em Londres 
1- Em busca de uma Dama
2- Um Pacto Audaz
3- Um Beijo Ardente

8 de janeiro de 2019

O que Ela quer

Com a morte do seu tio, o cavaleiro Hugh Dulonget descobre que é herdeiro legítimo do feudo de Hillcrest.

Earl Hugh Dulonget, de Hillcrest, era um cavaleiro formidável, com o objectivo de conseguir o que queria. Desta vez, ele se meteu numa encrenca. O testamento do seu tio tinha um codicilo: ele deveria se casar. Mas a vontade exige que se case com uma garota de origens misteriosas que a vive na floresta. E Hugh acabara de insultar sua pretensa noiva chamando-a de camponesa! Como ele poderia recuperar sua estimativa e sua mão? Concertos de vasto mundo. Alguns soldados achavam que Hugh poderia ganhar o amor da bela Willa oferecendo-lhe uma série de bugigangas. A velha bruxa que era a sua guardiã queria que ele rastejasse suplicando seu afeto. E o padre do castelo ofereceu-lhe “De Secretis Mulierum”, um livro sobre os segredos das mulheres. Mas Hugh tinha ideias próprias. Ele superaria todos os obstáculos e com a ajuda de todos os seus amigos, ir-lhe-ia mostrar que ele não era apenas o que ela precisava, mas o que ela queria. E que os dois foram feitos para uma vida de felicidade.

Capítulo um

A porta se abriu, batendo na cabana com o que teria sido um estrondo se esta tivesse sido feita de material mais forte. Hugh estava prestes a desmontar, mas fez uma pausa para olhar atento para a velha que agora o observava pela porta aberta.
Eada. Ela era muito velha, a idade era reflectidas pelos ombros e as mãos e os dedos torcidos. Seu cabelo branco era uma longa capa grossa em torno de um rosto enrugado pela passagem dos anos. Apenas seus olhos cobaltos ainda mantinham qualquer indício de juventude. Eles também refletiam um conhecimento enervante.
Ela pode olhar nos seus olhos e ver sua alma, identificar cada falha que você possua, juntamente com cada graça. Ela pode ler o seu futuro nos resíduos da cerveja que você bebe e ler o seu passado nas linhas do seu rosto.
Hugh fora informado de tudo isso e, ainda assim, um choque trespassou-o enquanto olhava nos olhos da velha bruxa. Ele sentiu um choque percorrer seu corpo inteiro, como se ela realmente estivesse olhando diretamente para ele. Como se ela pudesse ver todo o caminho até os dedos dos pés agora curvados. Ela segurou Hugh por um momento apenas com os olhos, depois se virou para entrar no casebre. Ela deixou a porta aberta - sem dúvida, um convite para ele a seguir.
Hugh relaxou, com ela fora de vista, então olhou para o homem montado ao lado dele: Lucan D'Amanieu, seu amigo e confidente por anos. Hugh tinha esperado que seu companheiro acalmasse as superstições tolas que de repente aumentavam dentro dele. As antigas crenças da infância em bruxas e assombrações fervilhavam na sua mente cheia de imaginação, e ele contava com Lucan para arquejar uma sobrancelha divertida e fazer algum comentário irônico que colocaria tudo novamente em perspectiva. Infelizmente, parecia que seu sensível amigo estava se sentindo bastante fantasioso hoje. Em vez de acalmá-lo, Lucan parecia nervoso.
- Acha que ela sabe? - Perguntou ele.
Hugh deu início à pergunta. Não lhe ocorreu que ela pudesse. Ele considerou a possibilidade, seu olhar fixo no casebre.
- Não - ele disse finalmente. - Como ela poderia?
- Sim - concordou Lucan com menos confiança quando desmontaram. - Como ela pode?
A velha estava mexendo no fogo quando entraram no barraco. Isso deu aos dois homens a oportunidade de inspecionar seus arredores.
Em contraste com o estado imundo e tosco do lado de fora da cabana, o interior era limpo e bastante caseiro. Flores estavam em uma tigela de madeira no centro de uma mesa de talha em uma extremidade da sala, enquanto uma cama estreita estava encostada na parede oposta. Um fogo foi construído na parede em frente à porta, e foi aí que a mulher ficou em pé, alimentando as chamas. Uma vez satisfeita, ela voltou para a mesa e desabou sobre uma das três cadeiras, depois acenou para Hugh e Lucan se sentassem nas outras.
Depois de uma hesitação quase imperceptível, Hugh sentou-se em frente à mulher, de costas para a porta. Lucan se sentou ao lado dela, deixando-o com uma visão clara da porta, se alguém entrasse. Eles então esperaram ansiosamente que mulher perguntasse o motivo da vinda. Em vez disso, pegou o vaso da cerveja do centro da mesa e serviu duas canecas cheias. Ignorando Lucan, ela empurrou uma para Hugh, depois levou a outra à boca.
Por falta de algo melhor para fazer, Hugh bebeu. Ele ficou imediatamente arrependido. A cerveja estava amarga, raspando sua língua. Fazendo o melhor que pôde para não mostrar seu desgosto, ele colocou a caneca quase cheia de volta na superfície desgastada da mesa. Hugh voltou seu olhar para a bruxa, ainda esperando perguntas sobre sua presença, ou pelo menos sua identidade. A bruxa apenas olhou para ele sobre o lábio de sua própria caneca, esperando. Quando o silêncio se tornou longo e tenso, ele finalmente falou: - Eu sou Hugh Dulonget.
- O quinto conde de Hillcrest.
Ele deu um começo quando ela terminou a introdução para ele.
- Você conhece o estado de meu tio?
- Morto. Coração.
- Perdão, como assim? - Ele olhou para ela sem pensar.
- Eu disse que ele está morto. Seu coração falhou-lhe, - ela repetiu impaciente. - Você será bem sucedido em seu título e posse.
- Sim. Eu sou sobrinho dele. Seu único herdeiro.
- O único, hmm? - Seu tom era seco e ele tinha se mexido desconfortavelmente.
- Bem...


Tradução Independente

A Fada Madrinha

Quando uma donzela do século XIV chamada Odel perde o pai, ela se depara com a sua madrinha que a quer casar - e que um punhado de pó de fada pode separar os homens dos ratos.

Tendo renunciado ao amor, Odel reluta em cumprimentar seus, muitos pretendentes, até que um deles chama sua atenção.
Gentil e generoso, Michelle mostra a Odel como é bom se apaixonar - pena que Odel não pode confiar em seu coração.
Destruirá Michelle as barreiras que Odel ergueu em relação aos homens, será que ele a convencerá que o amor é verdadeiro?

Capítulo um

Roswald Keep, Inglaterra - 1324
A tampa do sarcófago se fechou com o som semelhante ao das mós de um moinho. Por um momento fez-se silêncio, então todos começaram a se afastar, voltando às suas tarefas diárias e vidas, deixando Odel em paz. Ela estava ciente de sua saída e pensou como era engraçado que os outros ainda tivessem tarefas para fazer. Diferente de si mesma, a vida continuava para eles assim como antes da morte de seu senhor e mestre, seu pai.
O padre tocou no ombro dela e Odel sorriu para ele rigidamente, depois observou-o seguir os outros para fora do edifício. Ele estava deixando-a sozinha para lidar com sua dor. 
Mais atenciosa, ela pensou, quase envergonhada por não estar sentindo nada. Tudo o que ela parecia preenchida era uma confusão vazia, uma espécie de perda quanto ao que fazer a seguir.
Parecia que toda a sua vida tinha sido centrada em torno dos desejos e necessidades egoístas do homem que agora jazia ali. Sem ele para mandá-la, realmente não tinha ideia do que fazer. Ela ficou onde estava, olhando com os olhos secos para a pedra diante dela, esperando.
Alguns momentos depois ela ainda estava lá, quando a porta se abriu novamente. Um vento gelado de inverno soprou, agitando o véu negro que envolvia os olhos ainda secos de Odel. O padre voltou, pensou, ela mas não olhou em volta. Mas quando a voz de uma mulher soou atrás dela, ela quase deu um pulo.
- Bem, aqui estou eu. Tarde de novo como de costume. Mas então, melhor tarde do que nunca, eu sempre digo - a voz alta, soou quase como um sino no pequeno edifício de pedra.
Levantando o véu negro que cobria seu rosto, Odel jogou-o de volta por cima da cabeça e girou em direção à porta. Uma senhora rechonchuda, de cabelos grisalhos, vestida com a mais horrível confeção rosa que Odel já vira, estava vindo em sua direção. Ela tinha certeza de que nunca a conhecera antes, mas as palavras da mulher pareciam sugerir o contrário. O modo como ela agora envolvia Odel em um abraço rosa e perfumado parecia indicar que elas não eram estranhas. De olhos arregalados, Odel ficou rígida em seus braços e procurou em seu cérebro por quem ela poderia ser.
- Bom dia, querida. Sinto muito que você teve que passar por tudo isso sozinha. Eu vim o mais rápido que pude. Mas nunca parece rápido o suficiente. Soltando-a, a mulher deu um passo atrás para olhar a severa efígie de pedra sobre o túmulo do pai de Odel, depois fungou com desagrado. Bastante sombrio, não é? Mas então ele era um homem perfeitamente sombrio. Nunca conheci um idiota mais rabugento.
Quando Odel ficou boquiaberta com palavras tão irreverentes, a mulher arqueou ligeiramente as sobrancelhas.
- Certamente você não discorda?
- Eu... ele era meu pai...


Tradução Independente

6 de janeiro de 2019

Quando o coração decide

Fanny Clark vive junto com sua família na tranquilidade rural do condado de Sheepfold.

Ali compartilha a casa com seu pai, dois irmãos e a mamãe, cuja única coisa que lhe traz maior felicidade do que as intrigas, são as conspirações para casar sua filha com alguém endinheirado. De qualquer modo, o que Fanny mais gosta é dos livros, os romances que representam mulheres decididas e amores imensos. A calma em sua vida será interrompida quando viajar a Londres para acompanhar Charlotte, sua melhor amiga, que vai ser apresentada em sociedade. Ali, Fanny conhecerá as absurdas convenções, a desnecessária ostentação e os aborrecidos bailes nos quais esbarrará com o sombrio Oliver Hawthorne, a quem ela designará de asno. A febre de sua irmã mais nova, a obriga a retornar a Sheepfold e a chegada do misterioso Jarrod Rygaard, um americano amigo de seu irmão, em sua casa, completam, para Fanny, a trama de sua própria novela: disputada por dois homens, disputada pela vida no campo ou na cidade, ela deverá escolher o que fazer para ter o que deseja.
Todo o corpo de Fanny arrepiou-se quando se deu conta, de que Oliver Hawthorne seria o melhor herói romântico, bonito e sensual, que jamais encontraria em alguma de suas novelas. E, por fim aquele herói estava ali, com ela, no melhor marco cênico que qualquer sofrida moça romântica poderia desejar. Como pudera estar tão cega até então?

Capítulo Um

Do interior da velha e desmantelada reitoria afloravam os ecos da irritante voz da senhora Clark que, por algum motivo, parecia exaltada ou desgostosa ou, provavelmente, ambas as coisas de uma vez.
Fanny suspirou paciente, e desenhou no semblante um sorriso carregado de condescendência antes de transpassar a soleira da porta e seguir o rastro que sua mamãe anciã costumava deixar atrás de si, como sinal inequívoco de sua presença.
Desatou com destreza a laçada do chapéu com uma só mão, e o pendurou de um lado. A seguir, passou a fazer parte daquela cena cotidiana, com todo o aprumo e a distância que a atitude de sua mãe permitia.
O senhor Clark permanecia sentado como de costume, na velha e maltratada poltrona sem braços, preenchendo o cachimbo com tranquilidade e fazendo caso omisso ao monólogo de sua esposa. 
Ela, de pé em frente a lareira, esmurrava com um ferro as lenhas empilhadas atrás do salva faíscas, com a mesma frieza e idêntico frenesi que empregaria para degolar frangos no matadouro.
Com o rosto, completamente vermelho por causa da excitação, a impetuosa senhora pretendia desviar a atenção de seu marido para um assunto que a ele parecia não importar, absolutamente. E semelhante abandono, por parte do cavalheiro, não podia menos que irritá-la sobremaneira.
Ao precaver-se da chegada de Fanny, o ancião elevou os cansados olhos por cima dos diminutos óculos de arame que descansavam na ponta do nariz, para fixar o olhar na jovem e obsequiar-lhe com um silencioso sorriso de comiseração. Ou, possivelmente, se tratasse de um sorriso manso e servil, que pretendia informar-lhe das sombras negras que sua mãe lançara sobre a sala durante toda a tarde, e do aspecto que ele mesmo tivera que mostrar para suportá-la e evitar ordenar a um servente que lhe costurasse a boca.
Seu irmão mais velho, Ian, permanecia sentado junto às janelas refugiado, depois do amparo que lhe proporcionara um grande gole de John Donne. 
Uma opção da mais acertada, a julgar pelo grau de excitação da senhora da casa. Entretanto, deu-se conta da chegada de sua irmã, e sua sobrancelha direita, arqueada a modo de silenciosa boas vindas, pretendeu dissuadi-la de permanecer na estadia durante muito mais de meio minuto.
— Oh!, Fanny, Fanny querida! — A senhora Clark desistiu da luta contra as lenhas e, ante a acentuada indiferença dos varões Clark, concentrou-se em chamar a atenção de sua filha. De fato, nesse momento, a aparição da moça na pequena salinha de chá, resultava para ela uma coincidência da mais afortunada. — Consegue imaginar de que maravilhosa notícia, acabo de inteirar-me?
Fanny nem sequer se incomodou em olhá-la quando enrolou-se aos pés do pai. Conhecia de sobra as excentricidades da senhora Clark, para preocupar-se sequer, em prestar atenção.
 Além disso, desde muito tenra idade, optara por imitar seu progenitor e seu irmão mais velho, e mostrar para com os exagerados arranques de entusiasmo da senhora, a mais absoluta e esmagadora, indiferença. Essa fora, sempre, a técnica de sobrevivência mais eficaz e indispensável para evitar perder de todo o juízo.
— Como poderia estar a par, mamãe? Acabo de voltar, após dar um passeio pelo campo.
A senhora Clark franziu o cenho, como se de repente a moça acabasse de colocá-la em dia de um pecado inconfessável, que a excitação do momento a obrigara a passar por cima.
— Ah sim, você e seus insofríveis passeios! 

4 de janeiro de 2019

O Príncipe e Eu

Série Príncipes de Oxenburg
Gregori Romanovin, o príncipe guerreiro de Oxenburg, escolta sua avó para um baile no alto das Terras Altas da Escócia, quando ele e sua comitiva são roubados no ponto da espada por um grupo de rufiões. 


Conduzido por um homem apelidado de Robin Hood escocês, Gregori sentiu a sensação de que algo estava mal – que, ele, na verdade, é ela.
Lady Murian é uma jovem e bela viúva que busca vingança contra o poderoso conde que matou seu marido e roubou seu direito de nascença. Vivendo no bosque, ela e seu bando de homens banidos roubam nobres ricos visitando o conde maligno. Mas quando Murian embosca a carruagem dourada do Príncipe, ela ganha muito mais do que esperava. E ela ficou com medo de que ele seja o verdadeiro ladrão... do seu coração.

Capitulo Um

― ... As estradas são miseráveis, esta carruagem salta como uma mola e eu estou congelando. Bozhy moj, as pessoas deste país gelado nunca ouviram falar de um aquecedor de pés? ― No escuro brilho da lanterna que girava em um gancho na carruagem rangente, a Grã-Duquesa Natasha Nikolaevna esperou por uma resposta. Ela catalogou nada menos que catorze queixas, mas seu companheiro não ficou impressionado. Na verdade, ele parecia estar dormindo.
Profundamente adormecido.
Mas ela já sabia. Seu neto poderia ser um príncipe, mas ele também era um soldado ao longo da vida, que fez um nome para si mesmo em muitas batalhas duramente conquistadas. Um famoso general e o líder do Grande Exército de Oxenburg, o Príncipe Gregori Maksim Alexsandr Romanovin não dormia profundamente. Nunca.
Seus irmãos e pais o chamavam de ― Grisha―, um apelido para Gregori, mas Natasha se recusara. Desde o dia em que nasceu ela o chamou de Max, como o nome de um conquistador. O nome tinha se encaixado, para a irritação de seus pais – e o deleite de Natasha – ele cresceu preferindo Max e eventualmente se recusou a responder a qualquer outra coisa.
Mas príncipe guerreiro ou não, não havia desculpa para ignorar sua avó. Ela bateu a bengala no chão da carruagem.
Suas pestanas se deslocaram e ela soube que ele olhara rapidamente. Embora não fosse muito, provou seu ponto de vista: ela estava sendo deliberadamente ignorada.
A mão apertou-se no topo da bengala e imaginou o rosto dele se ela batesse a bengala sobre o joelho. Isso faria com que ele prestasse atenção. Infelizmente, isso também o enfureceria, e ela precisava estar em suas boas graças. Pelo menos até que ela encontrasse uma saída para sua situação não tão pequena.
Ela forçou os dedos a relaxar. Haveria tempo para resolver isso mais tarde. Por enquanto, ela deveria se concentrar em seu neto. Para ser sincera, ele a preocupava.
Como seus três irmãos, ele era alto e de ombros largos, o cabelo grosso e preto, os olhos verdes. Ao contrário de seus irmãos, ele carregava uma cicatriz em sua testa, causada pelo raspão de uma bala durante uma batalha. Outras cicatrizes marcavam o queixo e a mandíbula, e sem dúvida outras partes do seu corpo. No entanto, as cicatrizes que ela via não a preocupavam.
Ultimamente ela chegou a pensar que seu neto tinha feridas muito mais profundas. Se o que seus companheiros relataram fosse verdade, a morte do amigo de infância de Max e um dos seus principais assessores, Dimitri Fedorovich, o afetou fortemente.
Não que Max admitisse tal coisa, não importa quantas oportunidades ela lhe desse. Ele não se tornou o melhor general e o mais brilhante estrategista em toda a Europa admitindo fraqueza, e ele não estava prestes a começar agora.
Droga. Ela franziu o cenho enquanto olhava para o seu lindo perfil. Mesmo com cicatrizes, com um nariz muito quebrado, ele ainda parecia principesco. Como convém a um príncipe do sangue do imponente Oxe.
A carruagem virou para um lado, inclinando-se loucamente, como se estivesse levantando duas rodas. Natasha agarrou a borda de seu assento, mas foi jogada para a frente. Com a graça de um leão, Max a pegou no ar e colocou-a de volta no assento, assim que a carruagem bateu de volta nas quatro rodas e continuou em um ritmo muito mais rápido.
Irritada, Natasha recolheu seu xale, puxando-o de volta sobre seus ombros à luz da lanterna que balançava.
― Isso foi quase um acidente perigoso - nenhuma surpresa, considerando a forma como esse cocheiro conduz, atingindo cada solavanco e buraco na estrada.
Não mais fingindo estar dormindo, Max afastou a cortina e olhou para fora, sua sobrancelha abaixada.
Gritos se misturaram com o relincho selvagem dos cavalos e a carruagem repentinamente parou, deslizando para um lado da estrada. Houve um baque e depois uma queda, uma vez que uma roda pareceu escorregar para uma vala. Mais uma vez, Natasha voou para a frente, uma boneca de pano jogada pelo movimento brusco. Ela teria atingido a borda do assento oposto, se Max não a tivesse capturado novamente.
Ele a depositou no chão da carruagem e soprou a lanterna, lançando-os na escuridão.
Ela mexeu para voltar ao assento, mas ele colocou uma mão no ombro dela.
― Fique.
― Eu não vou sentar no chão...
― Shh! Preciso ouvir. ― Max olhou através de uma pequena abertura na cortina, uma lasca de luz da lanterna do lado de fora fazendo uma barra branca em seu rosto. ― Os vagões de bagagem também pararam.
Vozes discordantes subiram no escuro; gritando, seguido de exclamaçoes ansiosas.
Natasha notou a linha firme de sua boca, a intenção de sua expressão.
Uma voz berrou através da noite, áspera e surpreendentemente alta, pedindo aos cocheiros para se afastarem.
Natasha agarrou sua bengala mais firme.
― Salteadores? ― Ela tinha ouvido que não havia nenhum, mas ela disse a Max que eles atacavam constantemente nesta estrada isolada para convencê-lo a acompanhá-la. ― Eu lhe disse que haveria...
― Silêncio, ― ele sibilou. Outro toque na porta, desta vez um pedido estranhamente educado, mas firme, para que os dois cocheiros saissem. Ao som de uma briga, o rosto de Max ficou mais severo quando ele fechou a cortina de couro, deixando-os na escuridão. Ela ouviu um movimento farfalhante, e então um cobertor foi jogado sobre ela. ― Fique aqui.
― Nyet!



Série Príncipes de Oxenburg
1- O Príncipe que me Amou
2- O Príncipe e Eu 
2.5- Uma Princesa na Escócia


30 de dezembro de 2018

Amanhecer em Óregon

Série Óregon
Derek Herring ama seu lar, a granja e as terras férteis onde vive em pleno coração do Óregon, onde nunca sentiu falta de nada, nem do amor de uma mulher.

Escapando de seu passado em São Francisco e sem ninguém que lhe estenda uma mão, Faith Leiner está no limite de suas forças.
Em uma virada do destino ambos se encontram e Derek decide que não pode abandoná-la a sua sorte.
Ela busca uma nova oportunidade. Ele não tem nada para oferecer, salvo o fruto de seu trabalho duro, mas, pouco a pouco entre os dois vai se forjando um sentimento que mudará suas vidas.

Comentário Sil: Muito delicada e emocionante esta história do Derek e da Faith. Uma gravidez naquela época sendo solteira deveria ser assustador. Me apaixonei pelo casal, a historia em si é simples, mais foi contada de forma maravilhosa, e todas as mulheres deveriam ter a chance de encontrar um homem incrível como o Derek em suas vidas. Observei a utilização de tantas palavras que não se usam mais, mas que no contexto da obra e no período em que foi citada foi perfeito.
Capítulo Um

São Francisco, 1888
Não é boa ideia. Não é boa ideia, repetiu.
Porém, Faith Leiner não podia fazer outra coisa, sem ainda ter uma boa explicação preparada se chegasse a ser encontrada no primeiro andar. Entrou no corredor e deu uma olhada parcial no vestíbulo da casa. Atenta, aguçou o ouvido para notar se alguém se aproximava. Temia menos aos seus patrões que a qualquer membro do serviço da família Gleason, em especial a senhora Bingham — a governanta — que não duvidaria em informar sobre aquela transgressão e recomendar que fosse jogada à rua.
Quando esteve segura de não ser vista, segurou firme a caixa de aparelhos que levava sob o braço e fechou a porta, dirigindo-se silenciosamente para o vestíbulo.
Tinha decidido enquanto limpava a prata. A dúvida e o nervosismo tinham abalado fortemente uma segurança que ela considerava indestrutível, mas apenas alguns comentários maliciosos de seus colegas foram necessários e ela já estava hesitante.
Amaldiçoava-se por sua fraqueza, mas se recordava do último ano e lhe aquecia o coração enquanto formava um meio sorriso. Tudo valera a pena. Tudo. A segurança, o prazer, o amor, a surpresa...
Por eles, sua atual determinação e ousadia eram, talvez, produto do desespero, mas também do querer saber, de ter uma confirmação que mitigasse as aborrecidas dúvidas que agora ressoavam em seu estômago em forma de pontadas de apreensão.
Sem ninguém à vista, e com as escadas limpas, apressou o passo e subiu rapidamente, sem se permitir olhar para trás, chegando ao piso superior com o coração acelerado.
Em um ato reflexo, se escondeu atrás de um busto que repousava em cima de um largo pé de mármore. No princípio — antes dela chegar a casa — era de madeira, mas após umas férias da família na Europa, a senhora Gleason convenceu todos que o mais acertado e elegante seria tê-lo sobre uma base de mármore e assim o fizeram.
Até agora estava com sorte, mas ainda deveria percorrer o longo corredor até o último aposento do fundo, seu destino. Talvez fosse mais fácil chegar a ele pelas escadas de serviço, bem ao lado, mas seria muito mais arriscado. Ao contrário daquelas que acabava de subir, as quais ela costumava utilizar diariamente, que eram muito mais utilizadas. Se as escolhesse seria provável ter que dar algumas explicações que pretendia evitar. Naquela casa — e pensava que nas demais também — se desviar do trabalho encarregado, teria como punição ficar sem o meio dia livre de que dispunha. Isso se tivesse sorte.
Tomando coragem saiu de seu precário esconderijo e correu pelo corredor. Uma vez diante da porta olhou para ambos os lados e, com toda a suavidade que foi capaz, abriu e entrou.
No aposento tudo era escuridão e silêncio. O suave ruído da porta ao se fechar ecoou no quarto, embora não tenha percebido resposta por ele. Faith só era capaz de ouvir as loucas batidas de seu coração e a sua respiração acelerada, que foram diminuindo quando percebeu aquilo.
Pronto. E agora o que?
Aquele era um dos problemas de sua impulsiva decisão. Reagia antes de pensar. 
Série Óregon
1 - Viagem ao Óregon
2 - Amanhecer em Óregon
Série Concluída
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