15 de maio de 2018

Alguém Para Abraçar

Série Westc.
Humphrey Wescott, Conde de Riverdale, morreu, deixando para trás uma fortuna e um segredo escandaloso que alterará para sempre a vida de sua família ― enviando uma filha numa viagem de auto-descoberta… 

Com o casamento de seus pais declarado bígamo, Camille Westcott é agora ilegítima e sem título. Procurando evitar as armadilhas de sua antiga vida, ela sai de Londres para ensinar no orfanato em Bath onde morava sua meiairmã, recentemente descoberta. Mas logo que se instala, ela tem de pousar para um retrato encomendado por sua avó e suportar um artista que mexe com todos os seus nervos. Professor de arte no orfanato que já fora a sua casa, Joel Cunningham foi contratado para pintar o retrato da nova e altiva professora. Mas á medida que Camille pousa para Joel, o seu desprezo mútuo logo se transforma em desejo. E é apenas o vínculo entre eles que lhes permitirá enfrentar a dura tempestade que vem  seguir... 


Capítulo Um


Depois de vários meses a esconder-se, chafurdar na miséria e negação, raiva e vergonha, e qualquer outra emoção negativa que alguém quisesse chamar, Camille Westcott finalmente assumiu o controle da sua vida numa manhã ensolarada e ventosa de julho. Com a idade de vinte e dois anos. Ela não precisou assumir nada antes da grande catástrofe, alguns meses antes, porque ela era uma lady ― Lady Camille Westcott para ser exata, filha mais velha do Conde e da Condesa de Riverdale ― e as ladys não tinham ou precisavamde controle sobre suas próprias vidas. Em vez disso, outras pessoas o tinham: pais, criadas, enfermeiras, instrutores, ajudantes, maridos, sociedade em geral ― especialmente a sociedade em geral, com as suas inúmeras regras e expectativas, a maioria delas não escritas, mas, no entanto, reais e a ter em atenção. Mas ela agora precisava se afirmar. Ela não era mais uma dama. Ela agora era apenas a Srta. Westcott, e nem tinha certeza do nome. Um bastardo tinha direito ao nome de seu pai? A vida surgiu à frente dela como um estranho assustador. Ela não tinha ideia do que esperar. Não havia mais regras, nem mais expectativas. Não havia mais Alguém Para Abraçar ― (Westcott 02) ― Mary Balogh 6 sociedade, nem mais lugar ao qual pertencesse. Se ela não assumisse o controle e fizesse alguma coisa, quem faria? Era uma questão retórica, é claro. Ela não tinha perguntado em voz alta no ouvido de ninguém, mas ninguém teria uma resposta satisfatória para lhe dar, mesmo que a tivesse. Então ela estava fazendo algo sobre isso sozinha. Era isso ou se encolher num canto escuro em algum lugar para o resto dos seus dias. Ela não era mais uma dama, mas era, por Deus, uma pessoa. Ela estava viva ― ela estava respirando. Ela era alguém. Camille e Abigail, sua irmã mais nova, moravam com sua avó materna numa das imponentes casas do prestigiado Royal Crescent em Bath. Estava no topo de uma colina, acima da cidade, esplendidamente visível a quilômetros de distância, com sua extensa curva interior, de grandes casas georgianas todas juntas como numa só, num parque aberto, inclinado diante dele. Mas a visão funcionava em ambos os sentidos. De qualquer janela virada para a frente, os habitantes do Crescent podiam contemplar a cidade e através do rio até aos edifícios além para o campo e para as colinas à distância. Era certamente uma das mais lindas vistas de toda a Inglaterra, e Camille ficou encantada com ela quando era criança, sempre que sua mãe a trouxera juntamente com o seu irmão e irmã em visitas prolongadas a seus avós. No entanto, perdeu algo do seu encanto agora que ela era forçada a viver ali no que parecia muito como o exílio e a desgraça, embora nem ela nem Abigail fizessem nada para merecer qualquer desses destinos.









Série Westcott
1- Alguém para Amar 
2- Alguém Para Abraçar

8 de maio de 2018

Palavra de Mackenzie

Pode o amor comprometer a palavra de um homem?

Pode o desejo romper as férreas correntes da lealdade?Niall McKenzie é um guerreiro frio e autoritário que não está acostumado a ser interrogado por ninguém e rende vassalagem somente a Robert Bruce.
Uma noite de tempestade se vê obrigado a se resguardar na casa dos Campbell, aliados dos inimigos de seu senhor.
À margem das intrigas dos nobres, Niall cai vencido diante dos encantos das irmãs Campbell.
Aylin é uma mulher doce e virtuosa, a esposa perfeita para um laird como Niall. Eryn, em troca, é uma jovem exuberante e rebelde pela qual sente uma paixão incontrolável.
Sua atração por ambas porá à prova a fidelidade para com seu senhor e a felicidade junto à mulher que na verdade ama.
A quem dará sua palavra?

Capítulo Um
Lowlands, verão, 1290 As nuvens, que sem prévio aviso tinham escurecido o céu, pressagiavam uma tempestade iminente. Niall McKenzie, o chefe do contingente de homens de seu clã, virou sobre sua montaria para observar os dois membros do clero que cavalgavam cabisbaixos, com as costas curvadas e visivelmente cansadas. Amaldiçoou entre dentes por sua má sorte uma vez mais. O que em princípio se supunha ser uma viagem comercial, breve, sem maiores complicações, se convertera em uma lenta e agônica tortura. Já deveriam ter chegado à abadia de Scone há vários dias, mas os anciões não estavam acostumados a montar e avançavam lentamente. Agora, a ameaça de tempestades os obrigaria a parar de novo. Niall puxou as rédeas de seu garanhão e se dirigiu para seu irmão, que o olhava divertido, com as sobrancelhas erguidas e gesto malicioso. Ao chegar junto a ele, as primeiras gotas de chuva refrescaram seu rosto. ― Condenado tempo. A maldição de Niall provocou as gargalhadas de Duncan. ― Se nos apressarmos, chegaremos a Carlisle antes que a tempestade aumente. Está apenas a uma milha daqui. ― Carlisle é a casa dos Campbell, protegidos dos Balliol. ― destacou ― E seu laird tem fama de desconfiado. ― Estamos viajando com dois membros do clero. A hospitalidade escocesa o obrigará a nos acolher, apesar de viajarmos em nome de Robert Bruce, o Nobre. ― Espero que tenha razão, irmão. ―Voltou a dirigir seus olhos para o bispo William e seu sacerdote. Tinha de reconhecer que apesar de não estarem acostumados a viajar, não tinham se queixado durante a travessia. Acataram as decisões de Niall sem protestos. E Deus sabia que não lhes dera trégua, pelo afã de chegar o quanto antes a sua casa. Bufou quando a chuva começou a cair com força sobre eles. ― Vamos nos apressar ou adoecerão e seremos obrigados a atrasar o regresso por mais tempo. Incitaram os cavalos e só pararam, quando os guardas postados na torre do castelo de Carlisle, lhes deram a voz de alto e tiveram que se identificar. Enquanto esperavam para serem recebidos, resguardaram os anciões sob o arco da entrada para atenuar o efeito da chuva e do vento. Não devia ter passado muito tempo, mas para Niall pareceu uma eternidade, quando o som do ferrolho correu, e diante deles apareceu quem pensaram ser o laird do clã. O homem observou com receio os inesperados visitantes. O fato de que seu castelo fosse lugar de passagem para as Terras Altas, fazia com que desconfiasse de todo aquele que pedia asilo em sua casa. Niall tirou a carta que guardava com cuidado dentro de seu sporran1 e a estendeu para aquele que esperava, fosse seu futuro anfitrião com uma leve inclinação de cabeça.
― Meu nome é Niall McKenzie. Viajamos em nome de Robert Bruce, conde de Annandale, e nos dirigíamos para a abadia de Scone, acompanhando e salvaguardando o novo bispo e seu sacerdote, quando a tempestade nos surpreendeu. O laird pegou a carta e a leu detidamente. ― Esperávamos que permitisse nos resguardarmos da chuva. ― Niall insistiu. Quando aquele homem grosseiro voltou a olhá-lo, foi para dar um passo atrás e abrir as portas de sua casa sem maior cerimônia, nem palavras que acompanhassem seu gesto. Os membros do clero foram os primeiros a ter acesso ao interior com uma exclamação de alívio, seguidos pelo restante dos homens do clã McKenzie, no total de seis dos melhores guerreiros.

7 de maio de 2018

Lady Encanto

Lady Claudia Harlow vê o mundo através de uma miopia que oculta aos demais. 

Nessa forma de olhar um tanto distorcida, talvez esteja aquilo que a distingue, que a aproxima a um mundo de fantasias. Conhecida como lady Encanto, título honorífico da regente mais jovem do Almack’s, o mais famoso salão de Londres, esse mundo de sonhos se projeta na senhorita Harlow e a transforma no árbitro da elegância da cidade. Junto a outras damas, decide quem está na moda e quem não; quem deve ser convidado a uma festa e quem pode oferecer festas; qual evento é digno de ser visitado e quais não. Na inocência desse mundo próximo da miopia há também uma suspeita de crueldade. Por outro lado, lady Encanto, como qualquer jovem dama da sociedade, procura um homem com quem possa se casar. Apesar de conhecer de memória o proceder mundano dos salões, sonha com um cavalheiro tão impetuoso e distante quanto apaixonado por ela, soberbo e atento até o mínimo detalhe. O que acontece, no entanto, fora dos bailes e dos salões? Com esta pergunta, Adriana Hartwig parece pôr à prova o templo de nossa heroína. O que acontece sem aqueles que, quando rejeitados, decidem se vingar, tornando a vida impossível? Triunfa a miopia do mundo fechado, perfeito, ilusório? Ou triunfa a lama real, das ruas desabitadas, dos perigos cotidianos?
Com esta adorável novela, com esta intensa história de amor, Adriana Hartwig nos apresenta um personagem singular, uma jovem atrevida que compreende, finalmente, que ser fiel a maneira – míope ou não – proporciona ver o mundo de modo a escapar de qualquer convencionalismo.

Capítulo Um

Castelo de Windsor, Berkshire, Inglaterra, 1824. Uma sombra deslizou sob a azulada penumbra do corredor e se deteve um instante junto às escadas que conduziam à biblioteca. Alguém havia aberto os elegantes cortinados cor de damasco das janelas antes do amanhecer, enquanto a lua ainda iluminava grande parte dos campos adjacentes à residência real. Através das amplas janelas de madeira e ferro forjado da ala este do castelo podia divisar as escuras nuvens carregadas que assediavam o horizonte. Um pouco além, para o Sul, ainda era visível a miríade de estrelas que, talvez antes do alvorecer, desaparecessem sob a escuridão que precede uma tempestade. A sombra jogou uma rápida olhada ao seu redor, desceu as escadas e empurrou a porta da biblioteca rogando que suas dobradiças não rangessem. Lady Claudia Harlow sorriu com malícia, satisfeita. Conseguira enganar a vigilância de sua instrutora. Com aquele travesso sorriso ainda lhe curvando os lábios, acendeu uma vela. A débil luminosidade clareou seu rosto, abrilhantou o olhar e conferiu reflexos acobreados aos seus cabelos castanhos. — Muito bem. — Murmurou. Claudia se virou e observou o aposento tentando distinguir algo na penumbra. Umas rosas brancas adornavam o beiral da janela, e a luz da lua se refletia com suavidade sobre a lustrosa superfície do piano, e iluminava as velhas partituras Lady Encanto – Adriana Hartwig 6 que alguém havia esquecido de guardar, enquanto o resto do mobiliário permanecia afundado na obscuridade. — Apresse-se. Claudia deixou a vela de lado, sobre a escrivaninha, e se dirigiu para uma das estantes que cobriam as paredes, em busca de um livro para ler. Sabia que o rei Jorge IV tinha uma importante coleção de novelas que, segundo os comentários de sua última amante, uma excêntrica aristocrata londrina, só poderiam ser interessantes com uma garrafa de uísque na mão. A jovem esperava que aquela mulher estivesse certa, porque necessitava conciliar o sono e a única forma de fazê-lo, pensava, era adentrando-se nas páginas de um livro que dificilmente conseguiria suscitar algum interesse nela. Claudia estremeceu quando uma rajada de vento deslizou por baixo da porta e arrastou consigo o frescor da noite. Esfregou as mãos contra os babados que enfeitavam seu roupão; embaixo só tinha uma delicada camisola de seda e rendas que, mesmo sendo uma peça muito linda, elaborada a partir dos maravilhosos desenhos de uma das modistas mais importantes de Londres, jamais conseguiria protegê-la do frio invernal. Sentiu as mãos geladas, os pés insensíveis, o ar gélido nas bochechas, e tiritou. Pensou que deveria se apressar se não desejasse terminar sua visita a Windsor com uma pneumonia. Fez um beicinho e com um suspiro arrastou um banquinho que se encontrava junto à janela, até a parede e se empoleirou sobre ele nas pontas dos pés. Em vão tentou alcançar um dos livros encadernados em couro de cabra na estante superior. Resmungou algo entre dentes, contrariada, esticou os dedos e tocou o lombo com a ponta das unhas. Quase alcançava seu objetivo quando a porta da biblioteca se abriu e Jorge IV atravessou o umbral, alheio a sua presença.












A Escolhida

Os Cavaleiros do Tempo
Kimball, conde de Essex, acaba de regressar das cruzadas com o rei Ricardo. 

O precipitado casamento de sua irmã antecipa seu retorno. Acaminho para as terras saxãs encontra uma mulher ferida e inconsciente... uma mulher que mudará sua existência para sempre. 
Uma série de acontecimentos inesperados surgirão na vida de Elizabeth abalando seu destino. Sem nenhuma explicação lógica acorda em um castelo, em território saxão, na época de Ricardo Coração de Leão. Desconhece que tem uma importante missão a cumprir, uma incumbência na qual um homem será o encarregado de velar para que o plano estabelecido chegue a seu fim.
Do bosque do Sherwood até às Terras Altas, entre torneios, batalhas, ameaças, incógnitas e o mistério por resolver da vida da Elizabeth, ela e Kimball viverão uma apaixonada e trepidante aventura.
divertida.

Capítulo Um

Kimball se voltou para olhar para mim. Não pude resistir: fui correndo para onde ele estava. Precisava abraçá- lo, embora fosse a última vez. Os seus braços rodearam a minha cintura; amava-o. Por que o destino era tão cruel? Por que me afastava dele? As lágrimas rolavam por minhas bochechas. Ele me afastou com delicadeza. Conhecia-o muito bem: não conseguia me ver chorar; a tristeza se refletia em seu rosto. ― Amo você. Voltaremos a estar juntos. Encontrarei uma maneira de que você volte para mim. ― Não quero me separar de você! ― Deve ir! Corre perigo e não estou disposto a perder você. ― Levantou o meu queixo. ― Confia em mim? ― Sabe que sim. ― Dou-lhe a minha palavra, eu procurarei por você. Não descansarei até que voltemos a estar juntos. Baixou o seu rosto e me beijou. Eu sentia a suavidade de seus lábios sobre os meus. Afastava-se de mim. A sua imagem desvanecia. Deixei de senti-lo, de vê-lo… Estava me afogando. ― Kimball! ― eu gritei. Não obtive resposta.  Acordei agitada, suando, outra vez o mesmo sonho. Olhei para o relógio; marcava a mesma hora de todas as noites: três. Estava tremendo. Recordava-me muito bem, durante todo um ano se repetia o mesmo pesadelo: um bosque. Corria com medo; algo ou alguém, que eu não conseguia ver, perseguia-me. Depois aparecia outra sequência de imagens: uma anciã, camponesa, vestida de outra época. Só me lembrava de seus intensos olhos azuis e de suas palavras: “Você é essa mulher”. Nesse momento eu gritava: “O que quer dizer? Não a entendo!”. Então aparecia junto à beira de uma escarpa. Não estava sozinha. Voltava-me, e ali estava ele. Não conseguia ver o seu rosto, mas havia algo que sempre ficava impresso em minha mente: o punho de sua espada. Possuía um símbolo, duas espadas de cor negra sobre fundo branco, que se cruzavam. Levantei-me. Precisava lavar o rosto. Olhei-me no espelho: estava suando, pálida. Ainda continuava impressionada por aquela visão. Todas as noites acontecia a mesma coisa; era demasiado real, como se as cenas estivessem gravadas em meu subconsciente por algum motivo. “Foi só um sonho, Isabel”, disse a mim mesma. 









Série Os Cavaleiros do Tempo
1- A Escolhida



Era Uma Vez Um Beijo

Série Clube de Livros Belles Society
Na sonolenta Vila de Hawcombe Prior, cinco jovens senhoritas da sociedade de livros local está lendo um romance lascivochamado Orgulho e Preconceito.

Ao terminar o livro, as jovens decidem encontrar o seu próprio Mr Darcy, o bonito e misterioso Darius Wainwright éo ponto de partida.
Justina Penny não consegue entender por que suasamigas do Clube Bellesestão tão entusiasmadasna presença do arrogante recém-chegado. Mas se o único solteirão elegível da cidade se casaria com alguém, deveria ser com sua doce e linda irmã. E cabe a Justina fazer comque isso aconteça.
Como poderia este plano dar errado?

Capítulo Um

Fim do verão de 1815 —Bem, alguém tem que ir primeiro, e já que são todas vocês uns bandos de flores delicadas vai ter que ser eu. Assim declarou Miss Justina Penny que, apesar de ser uma das mais jovens do grupo, se via como uma aventureira destemida e esperava um dia ver uma estátua erguida em sua homenagem no centro da vila. —Sem risco, ela gostava de dizer, — não há recompensa. As cinco jovens senhoritas do Clube do Livro Belles, viravam a curva juntas enquanto seguiam envolvidas num debate animado, não tinham visto a grande poça de lama emboscada para elas até que estava sob seus pés. Enquanto as outras senhoritas ainda ponderavam sobre a melhor rota de atravessá-la, Justina decidiu sua mente com desenvoltura imprudente pela qual ela era conhecida. Ignorando quaisquer palavras de cautela proferida por suas companheiras, ela recolheu suas saias, andou para trás uma boa distância, e deu um salto sobre a poça. Suas botas de caminhada saltaram sobre a terra, arrepios vibraram através de sua pele e ela soltou uma gargalhada alegre e triunfante. O que se foi prematuramente, já que isso também era nada incomum para ela. A primeira parte de sua jornada começou bem o suficiente, até mesmo – isso foi admitido mais tarde por sua irmã – com uma espécie espetacular de estilo, se pudesse ignorar a abundante exibição de perna e ligas. Mas onde seu voo falhou não estava mais no seu final. Justina sentiu-se descendo rápido demais a vários pés da estrada seca. Na verdade, ela caiu diretamente no mais profundo centro da poça de lama, que agora parecia mais um lago, ao invés de uma poça. Para agravar seu infortúnio, vinha em sua direção Mrs Dockley, naquele mesmo momento, inocentemente abrindo o portão. A arrumada e frágil velhinha, saiu para o caminho em seu melhor traje de domingo, ignorando a imparável ameaça descendo pelo ar rapidamente na direção dela com a velocidade e graça de uma bala de canhão. *** 29 de agosto de 1815 A.D. Hoje eu salpiquei Mrs Dockley de lama da cabeça aos pés, quebrei um prato de porcelana chinesa, e não consegui ajudar Mama. Três vezes. Todas essas coisas, em minha defesa, foram bastante acidentais. Eu briguei em quatro ocasiões e menti sobre o prato de porcelana chinesa quebrado, peça que um dia será encontrado enterrado no jardim de ervas e não na posse de uma cigana de olhos arregalados, empunhando uma faca, com uma verruga e um pé de madeira. Embora eu ache que a minha versão dos acontecimentos é muito melhor. Às vezes a vida real é muito chata, ou simplesmente inconveniente, e as coisas nunca se revelam da maneira que se espera ou se tem esperanças. Eu ouvi dizer que os desafios são enviados para nos tentar. Eu gostaria de saber quem está enviando tantos para mim, pois eu acredito está sendo endereçada a pessoa errada. Sou tentada o suficiente, e suspeito que alguém, em algum lugar, está completamente aliviado, desde que tenho sofrido todas as suas calamidades, bem como a minha própria. Falando nisso, hoje eu pensei no Homem Errado novamente. Eu não sei por que ele continua a me atormentar, a menos que seja um caso em desenvolvimento crônico da doença de donzela. Há mais de um ano. Tudo o que posso dizer é que a cidade de Bath tem muito a ganhar por eu não querer ir lá novamente nem por dez mil libras e um fornecimento de chocolate quente pelo resto da vida. Qualquer um que lesse o diário de Justina Penny ficaria chocado, não só pela sinceridade das suas páginas, mas pela atenção meticulosa aos detalhes. Sua irmã, Catherine, mantinha-se acordada todas as noites na cama ao lado dela enquanto ela escrevia sobre esses – acontecimentos triviais e pensamentos ociosos – proclamando que essa era uma forma perversa de autoindulgência. —Seu tempo seria gasto melhor na reflexão interna e oração, Jussy, ela disse afetadamente. —Por que você se preocupa em passar para o papel todos os seus defeitos terríveis, eu nunca vou saber. Para isso Justina respondeu: — Realmente, Cathy! Como posso ter certeza de ter recompensado adequadamente aqueles que eu angustiei, se eu não mantiver o controle de meus malefícios diários? —Se não levasse tanto tempo para escrevê-los no papel. Cathy puxou duro o seu lado da colcha. — E se você não estivesse com esses espirros alegres, sacudindo a cama toda, eu poderia ter mais algumas horas de sono. Eu começo a passar por um espantalho abatido, uma vez que você leva mais tempo a cada noite para escrever em seu diário.









Série Clube de Livros Belles Society 

Pecaminosamente Para Sempre

Série Clube de Livros Belles Society
Ensinar a jovens escandalosos uma lição? Este não é um típicoclube de leitura...

Para Rebecca Sherringham, todos os homens são livros abertos, livros que devem ser lidos rapidamente e esquecidos. Talvez ela seja apenas muito prática para o amor. A última coisa que ela precisava é de outro homem ao seu redor - especialmente um que todos acreditavam estar morto.
O capitão Lucius "Lucky" Wainwright aparece uma década depois dedesaparecer sem deixar vestígios. Ele está em uma missão para reivindicar seu direito de primogenitura, e suspostamente ele não iráembora novamente até que oobtenha. Mas Becky e as Ladys da Sociedade Clubede leitura Belles não vão deixar esse indivíduo astuto fugir com seus pecados. Ele Logodescobrirá que certas Ladys estão acostumadas a lidar com vilões.


Capítulo Um

Brighton, 1810 Seria uma surpresa, pensou Rebecca, que ela, aos dezessete anos, já via os homens com um olhar tão clínico? Ela olhou novamente para as palavras rabiscadas ao acaso naquele pedaço de papel. Estou precisando temporariamente de alguns xelins. Seja um anjo e traga a caixa de música da mamãe, o mais rápido que você consegue. Nate Esmagando a nota em seu punho enluvado, ela amaldiçoou. — Anjo, de fato! Se eu tivesse uma auréola, eu te sufocaria com ela, Nathaniel Sherringham. Ela olhou através da janela da taverna. Um ponto vermelho entre os outros, seu irmão era identificável entre a maioria pelo seu riso familiar, descarado. Quanto, ela se perguntou com aquela horrível náusea que afundava em seu estômago, ele tinha apostado e perdido desta vez? Às vezes ficava surpresa ao descobrir que ainda tinha cabelos quando acordava de manhã, já que Nathaniel tentou pagar certa vez uma dívida oferecendo-lhe suas abundantes mechas de bronze como pagamento. Respirando fundo, como se fosse o último ar fresco que ela respirava, Becky abriu a porta e entrou naquela taberna cheia de fumaça. O ruído reduziu para um murmúrio de surpresa quando os rostos se voltaram para observá-la através da nuvem cinza. Eles não podiam saber, é claro, que se alguém tentasse colocar as mãos sobre ela, ela tinha uma pistola de oficial escondida dentro de seu regalo e ela coçava por uma chance de usá- la. Homens! Você nunca vai encontrar um grupo de mulheres sentadas ao redor, bêbadas, sem nada para fazer, jogando dinheiro fora e acariciando pessoas livres do sexo oposto, ela pensou. — Ah! Aqui está ela! O grito de bêbado de Nathaniel a cumprimentou quando ela marchou até sua mesa, separando as nuvens nebulosas com rápidas e impacientes braçadas. Pela falta de foco nos olhos azuis de seu irmão e pela maneira como ele se encurvava na cadeira, podia dizer que ele estivera ali por um bom tempo. Ao redor da mesa, seus oponentes estavam em um estado semelhante de embriaguez, todos com seus copos, olhando para ela. Exceto um. Embora Rebecca tivesse pretendido apenas olhar os outros jogadores com desdém, seu olhar desdenhoso parou. Nesse antro lotado de vício, os olhos dele eram os únicos que não tomaram nota óbvia de sua chegada. Ele estava muito preocupado com algo que guardava dentro do casaco - uma pequena protuberância protegida possessivamente. Seus ganhos, sem dúvida. Mas quando um dos outros homens o alertaram para a mudança em seu entorno, ele lentamente virou a cabeça para onde Rebecca estava. Dois olhos escuros em um rosto profundamente bronzeado pelo clima encontraram seu olhar. Quando ele a encontrou olhando para trás com tanta audácia, ele se inclinou para frente, para que ela tivesse uma melhor visão dele. Rebecca não hesitou em estudá-lo e em troca reparou que o homem também não hesitou em estudá-la da mesma maneira. Ele era mais másculo do que bonito, não mais distinto ou arrojado do que qualquer outro homem em torno dos trinta anos. Seus cabelos e olhos eram negros como uma meia-noite sem lua no inverno. Uma pestana de luz de fogo revelou que seu nariz estava ligeiramente torto e a ponta achatada - sem dúvida causado por uma pancada bem forte, ele parecia o tipo de homem que atraía os punhos de outros e servia os dele próprio em abundância. Oh sim, ela conhecia o tipo.









Série Clube de Livros Belles Society 
0.5- Antes do Beijo
1- Era Uma Vez Um Beijo
2- Pecaminosamente Para Sempre
3- Como Conquistar um Libertino

Como Conquistar um Libertino

Série Clube de Livros Belles Society
Rejeitar sua proposta de casamento.

Nathaniel Sherringham voltou a Hawcombe Prior, um homem mudado. Partiu como um libertino imprudente que teve sua proposta de matrimônio, a Diana Makepiece, rejeitada há três anos. Agora, a atual e misteriosa riqueza de Nate tem
causado rumores na cidade. Para agitar as coisas (e chamar a atenção de Diana),Nate ousadamente anuncia seus planos de se casar com “qualquer garota adequada” com menos de 25 anos.
Fugir.
Diana, agora com 27 anos e ainda solteira, está plenamente consciente do retorno de Nate. Quando sua mãe sugere uma viagem para visitar uma prima em
Bath, Diana abraça a chance para escapar do desgosto, do arrependimento e de não conseguir deixar de sentir a presença de Nate... E evitar a sua irritante charada
para encontrar uma noiva.
Mas para Nate, Diana sempre foi única. Ele a seguiria até Bath, e mais uma vez colocaria seu coração na linha de frente para atrair sua atenção e seu coração.

Capítulo Um

1815 A meio caminho até a árvore... Às vezes, um homem tinha que “sair em um membro”. Capitão Nathaniel Sherringham, um apostador inveterado que ultimamente tinha se pendurado em um grande número de membros literais, e com certa frequência perdia suas camisas lá, não era nada, se não persistente. Mas, por uma vez, ele se encontrou literalmente numa árvore e potencialmente arriscando perder mais do que uma camisa de linho. Mesmo que ele tenha rasgado suas calças e ficou preso ao escalar esta árvore, não poderia ser por uma causa melhor. Esperançosamente, a nota que ele carregava no bolso do casaco, estava prestes a impressionar Diana Makepiece o suficiente, para que ela lhe desse outra chance de aceitar sua proposta, desta vez enquanto estivesse sóbrio. Seja qual fosse o meio que essa nota chegasse às suas mãos, a nota a afetaria. Ele chegou a divertir-se, ficando preso nos ramos ou ameaçado por melros no processo de entrega, muito bem. Apesar de sua maneira arrogante, Diana lutava para esconder sua risada quando ele entrava no salão e era pressionado contra uma parede, ou tocado nos olhos por uma pluma de avestruz de alguma dama. Com seu perverso senso de humor, ela se deleitaria em vê-lo encalhado lá, e se ele caísse alguns metros e quebrasse algum osso, ela ficaria ainda mais divertida. Talvez ele pudesse arrumar um olho roxo também. A hilaridade seguramente dobraria seu esforço, mas só quando ninguém pudesse testemunhar os elegantes ombros relaxados dela. — Capitão Sherringham, ela diria com sua voz sombria, e com suas sobrancelhas desenhadas em alerta: — Eu teria lhe costurado algumas asas, se eu soubesse que você estava tentando voar. Ah, sim, as desgraças de Nathaniel eram frequentemente sua fonte de alegria privada. No entanto, por mais perverso que isso possa parecer, essa era a mulher que ele desejava e não estava desistindo, ainda. Diana sugeriu recentemente, que seu otimismo em face às probabilidades impossíveis era parte de seu “miserável” encanto. Isso, era o suficiente para lhe dar esperança. Agora, ele estava se atrapalhando em meio a raivosos membros de árvores, fazendo uma última tentativa de conquistar Diana, antes de deixar Hawcombe Prior, arriscando suas calças de camurça novas no processo. Sentiu-se afortunado por embora o ar da manhã lhe abotoasse a pele com gotículas frias, a geada ainda não havia chegado. Certamente, havia pouco mais a seu favor quando ele escalou o carvalho atrás da casa, onde morava Diana e sua severa mãe. Nada mais do que um ato de bravura imprudente. Ele olhou para as raízes nodosas, onde ele deixou o jovem Jamie Bridges em guarda. Quando ele assobiou bruscamente, o menino virou o rosto sonolento. Nathaniel estalou os dedos em direção a seus olhos e então apontou para a casa. Jamie acenou com a cabeça, franzindo o cenho e recostou-se contra o tronco da árvore, esperando pelo tostão que lhe tinha prometido e o retorno seguro de sua funda. Ele era, possivelmente o vigia mais desinteressado do mundo. Nathaniel não conseguiu chegar muito mais alto na árvore, então, chegou a hora de aproveitar sua chance. Ele conhecia sua janela; Estava aberta. Diana lhe havia dito uma vez — em um momento raro e sem vigilância — que gostava de dormir com o ar fresco, mesmo quando era inverno. Ele tirou a nota dobrada do bolso. O pequeno quadrado de papel, estava amarrado com um barbante a uma pequena maçã, que ele estimou que isso desse apenas peso suficiente. Com cuidado, ele apontou a funda e disparou. Sua mensagem voou graciosamente através da curta distância e até de sua janela, ignorando outras barreiras. Tal como a mãe dela.








Série Clube de Livros Belles Society 

Um Lugar para Conor

Capítulo Um

Norte de Luisiana, 1871 Quando Conor Branigan se agachou para passar sob as cordas do quadrilátero e entrou no ringue, os homens de Callersville pensaram que ele era muito bonito para ser um bom boxeador. As mulheres, obviamente, teriam uma opinião totalmente distinta a respeito, mas ali não havia mulheres. Assim que os homens de Callersville deram uma olhada ao magro corpo de Conor e a seu bonito rosto, decidiram que o campeão local seria com certeza o vencedor. Conor se deteve no meio do ringue e respondeu às vaias e assovios que foram dirigidos a ele, o intruso, com um gesto insolente como provocação. Logo se dirigiu lentamente até o seu canto no ringue e se dispôs a esperar, enquanto o corretor de apostas tomava nota dos últimos jogadores. Os olhos azuis de Conor inspecionaram as filas abarrotadas de gente —era noite de sexta-feira— sem se fixar em nenhum rosto em particular. Depois de vinte cidades e vinte lutas em setenta dias, todas as caras lhe pareciam iguais, brilhantes de suor e anônimas, esperando ansiosamente a luta. Mas a Conor isso não importava. A vida no circuito de boxe estava indo bem. S Conor calculou que Elroy pesava pelo menos vinte quilos a mais que ele, mas sabia por experiência que os maiores eram também os mais lentos. Se Elroy tivesse uma constituição parecida sua, Conor teria se preocupado, mas quando Elroy se dirigiu até o seu canto do ringue e o olhou com o cenho franzido, ele se limitou a se apoiar despreocupadamente contra as cordas e lançou ao outro homem um sorriso deliberadamente provocador. Quando os provocava, se enfureciam. —Irlandês filho da puta —grunhiu Elroy. Conor lhe sorriu ainda mais amplamente. Os tipos furiosos cometiam erros. O boxe era só um trabalho, uma forma de ganhar a vida. Não era divertido, mas era melhor que limpar pescado em Boston ou limpar excrementos de cavalo das ruas de Nova York doze horas por dia por um mísero salário. Era melhor que estar cravando trilhos sob o asfixiante sol na ferrovia. Conor só trabalhava duas noites por semana durante cinco meses do ano, e ficava livre no tempo restante. Não tinha que responder a ninguém, não necessitava de ninguém. Sim, a vida no circuito de boxe era adequada para ele. —Já está se achando o bom, não? A voz de Dan Sweeney, seu agente, o afastou de seus pensamentos e Conor se virou e encolheu os ombros despreocupadamente. —Não posso evitá-lo, Danny. Olha o tipo. Talvez não tenha nem sequer que golpeá-lo. Me limitarei a dançar ao seu redor até que fique zonzo. Cairá ao chão. Danny e ele haviam zombado um pouco sobre o estilo de boxear de Conor, mas naquela ocasião, Dan não riu. Ao contrário. Olhou ao redor e logo se inclinou para Conor, apoiando a testa nas cordas que os separavam. —As apostas estão feitas, rapaz. —E? Dan passou a mão pela mandíbula. —Nenhuma surpresa. Elroy é o grande favorito. Mas todas as apostas nele são pequenas, nenhuma supera um dólar ou dois dólares. —Dan fez uma pausa e logo continuou— Por outro lado, alguns ricaços de Nova Orleans que te viram lutar em Shaugnessey na primavera passada estão aqui. E apostaram muito em você. Quinhentos cada um. —Então logo serão ainda mais ricos.


27 de abril de 2018

O Jogo da Inocência

Sensual, erótico e elegante, O jogo da inocência transcorre na França no final do século XVIII, justo na véspera de um acontecimento histórico crucial, em uma época conhecida pela falta de moralidade dos costumes e pelas desigualdades sociais. 

Luís de Argenteuil, jovem ocioso e libertino, vê ameaçada a comodidade de sua vida, quando seu tio Eustáquio, farto de seu descuido e ante seu iminente novo matrimônio, decide retirar sua ajuda econômica. Luís terá ocasião de vingar-se seduzindo Helena Villiers, a futura esposa de Eustáquio. Uma moça singela e inocente, recém-saída de um convento, a quem ensinará toda classe de jogos carnais, sempre deixando, intacta, sua virgindade. Resguardar a virtude de Helena implicará um desafio para Luís, um descobrimento para Helena, e uma surpresa para ambos.

Capítulo Um

Luís Edmond de Argenteuil e Rochelle, Visconde de Tremaine, Cavalheiro da ordem de Saint-Sprit e Senhor de Valdecourt e Chenerailles, para citar somente alguns de seus muitos títulos, esperava com as mãos estendidas, que seu lacaio alcançasse a toalha com a qual secar o rosto, depois de sua higiene matutina. Na realidade o pano estava bem à sua direita e bastaria que Luís virasse ligeiramente para tê-lo a seu alcance, entretanto, preferia esperar que fosse Pierre quem o estendesse, para prosseguir com seu asseio. Nem sequer tratava-se de uma decisão pensada, era somente a força do costume. Luís secou-se com paciência e voltou a estender os braços para que Pierre vestisse-o com a camisa, a casaca e calçasse as meias e as bota O Jogo da Inocência – Marisa Sicilia 7 casaca mostarda, com festões dourados era magnífica e a palidez, dava um matiz ainda mais frio a seu rosto. Suas feições eram angulosas e não de todo formadas, já que Luís apenas completara vinte e um anos, mas em seu rosto juvenil e indolente já se destacavam algumas rugas. As pestanas loiras, claras e apagadas, os olhos de transparente íris azul pálida, o olhar com frequência acompanhado de soberba, mas vivo e inteligente. E sobre o conjunto destacavam seus lábios grossos e, a dizer de muitos, grosseiros, mais acostumados às caretas de desprezo do que aos sorrisos, entretanto manifestamente libidinosos e sensuais. Sim, Luís possuía justamente o aspecto com o qual pretendia mostrar-se. Um aristocrata jovem, ocioso, libertino e hedonista. E por acaso a vida foi feita para algo mais que seu desfrute? Não obstante, hoje não era um desses dias no qual Luís pensava tirar mais partido da vida. Tinha um encontro marcado com seu tio paterno e tutor legal, Eustáquio de Argenteuil, conde de Bearnes. Não era a ocupação com a qual preferia perder o tempo. O pai de Luís morrera pisoteado por um cavalo quando ele tinha três anos. A mãe fora levada pela tuberculose quando não completara nem os oito. Recordava-a vagamente vencida em seu leito, seu quarto estava sempre às escuras, cheirava a enfermidade e decomposição. Sua mãe chamava-o implorando, e pedia-lhe que se aproximasse, mas os acessos de tosse interrompiam-na, sufocava-se e cuspia sangue. Luís soltava-se da mão de sua aia para escapar para o jardim e O Jogo da Inocência – Marisa Sicilia 8 sentir, de novo, o calor do sol no rosto. Não recordava ter chorado nem quando a velha Manon comunicara sua morte.
Seu tio exerceu a tutoria com rigidez e distanciamento. Luís teve os melhores preceptores, severos e rigorosos, dispostos a pôr em prática o lema: a letra com sangue entra. O jovem Luís mal suportava as varadas e as pauladas, pois nunca fora aplicado nem dado ao estudo, e engolia as lágrimas o melhor que podia. Por fim, um dia, seus estudos foram dados por concluídos. Luís completou os dezesseis anos e como recompensa o tio cedeu-lhe a administração e o domínio do viscondado de Tremaine e atribuiu-lhe uma renda anual de três mil ducados. A vida começou então para Luís.

Uma Terra Ocupada

Julho de 1808: as tropas francesas ocupam a Espanha. 

Inés de Mendívil, que odeia os franceses, deve mudar para Vitória, uma cidade tomada pelo exército. E, embora ao conhecer Adrien Labat, o médico francês que seus tios hospedam, descubra que não é ódio o que sente por ele, está disposta a se envolver tanto quanto necessário para que os invasores se retirem. 
Ocupado na organização hospitalar, a última preocupação de Adrien deveria ser a sobrinha de seus anfitriões. Mas quando a jovem desperta as suspeitas de um general francês, ele é forçado a tomar uma decisão sobre ela. Uma decisão que se volta contra ele quando Inés salva sua vida e a incipiente atração que sentem se transforma em algo mais intenso. 

Capítulo Um

Aclama, Espanha, 11 de julho de 1808. 

― Ouçam, ouçam, ouçam! A voz enérgica que cumpria o protocolo elevou-se acima dos presentes como o teria feito um corvo negro, atraindo a desgraça sobre a terra. Involuntariamente, Inês estremeceu. Deu um passo para trás e se apertou contra o pilar do arco que dava entrada à praça nova. Quase podia sentir em si mesma a fúria e a humilhação que agitavam seu tio, lá sentado no palanque junto ao deputado geral e outros procuradores, depois de ter sido conduzido até ali como um delinquente vulgar, escoltado por duas filas de soldados armados com as baionetas em riste, portando tochas acesas, através da rua Ferraria, o Mentirón e a praça velha, em um desfile solene e lúgubre como um enterro. Envolveu o xale ao redor de seu corpo como se o suave tecido pudesse lhe oferecer algum conforto, e dando uma olhada para ambos os lados, passou entre os pilares até que encontrou um lugar discreto. Ela não deveria estar ali, mas ninguém olhava para ela, apesar de a praça estar cheia de soldados franceses com as armas preparadas para sufocar qualquer rebeldia. Ninguém a olhava, porque toda a guarnição e os muitos cidadãos que se aproximaram tinham o olhar
fixo no tablado levantado no meio da praça, onde o deputado geral e os procuradores da província, a ponta da baioneta, estavam a ponto de proclamar ao José Bonaparte1 rei da Espanha. Apoiou um momento a têmpora sobre a pedra, desejando com todas suas forças que acontecesse um milagre. Mas já a vários minutos sabia que era impossível; desde que o deputado geral, Dom Pedro Echevarría, tinha feito o protesto da Junta sobre a violência de que era objeto, acrescentando que só por força maior faria essa proclamação. Então dois dos procuradores tinham recolhido a bandeira carmesim e os galhardetes2 brancos que ondeavam nos balcões da prefeitura, sem um só olhar para o dossel que cobria o retrato do José Bonaparte, e ela tinha compreendido que todas suas esperanças eram em vão. Agora o damasco amadurecido se esticava entre as mãos do deputado geral. O silêncio da praça, transbordando de gente que não ousava fazer nenhum movimento, era assustador. Inês olhou fixamente no rosto tenso de Germán de Mendívil, esperando escutar a proclamação que encerraria aquele pesadelo. ― Álava, Álava, Álava! ― A voz de Pedro Echevarría, grave e alta, retumbou entre os arcos do lugar ― Longa vida ao nosso rei e senhor, José Bonaparte I. Viva! O movimento do tecido, ondeando a esquerda e direita, atraiu a atenção de Inês, enquanto o grito do general Merlín ― Viva! ― repetiam-se no acento estranho daqueles a quem os habitantes do país tinham recebido há meses como amigos e que agora mostravam o verdadeiro rosto de sua chegada.
Com o eco daquele grito ressoando em seus ouvidos, Inês fugiu antes que os soldados rompessem a formação, tentando apressar-se para voltar para a casa de seu tio. Mas a urgência por abandonar a praça parecia acometer a multidão, e no arco de saída os empurrões e cotoveladas se fizeram inevitáveis.

 

24 de abril de 2018

Lady Valentina

Série Ladys
Sebastien ama Valentina MacKenzie desde que a viu pela primeira vez, quando eram crianças, ela é seu anjo, sua luz em suas trevas. 

Dentro das brumas de dor que o assola, Sebastien luta para viver cada dia de uma vez. Marcas interiores ainda sangram e seu anjo poderá curá-lo, mas como deixá-la se aproximar se a si mesmo envergonha seu passado? Com o seu medo de machucá-la o faz afastá-la. Os anos passam e ele acredita que tudo está perdido, que deve viver seus dias rodeado com seus demônios internos. Mas quando Valentina necessita de sua ajuda ele sai desesperado em seu resgate, e o amor e a paixão ressurge entre eles, embora existam pessoas que queiram separá-los. Será que finalmente eles conseguiram seu final feliz?

Capítulo Um
Eilean Doam 1481. Como todos os anos, venho trazer as flores preferidas de minha irmã a seu túmulo. Há seis anos ela se foi, e sinto sua falta como no primeiro dia, ela ainda tinha muito para viver, sempre tive a esperança de que suas previsões não se cumprissem, mas desde o momento que tive diante de mim Valentina MacKenzie sabia que perderia minha irmã. Nunca esquecerei o dia que a vi pela primeira vez, para mim foi como ver um anjo, uma menina de cabelos escuros e olhos claros, em seu olhar pude ver o mesmo que eu sentia, minha alma clamava pela sua e qual foi minha reação? Fugir. Fugir dela e dos sentimentos que despertava em mim, acreditando que desse modo evitaria que minha irmã tivesse razão em sua predição, pensei que desse modo a salvaria como tantas vezes fiz. Equivoquei-me, exato como Marian me havia dito que ocorreria alguns dias antes de fazer quinze anos. Minha irmãzinha foi dormir, mas não voltou a despertar. Ainda escuto os gritos de Valentina me chamando...
— Sebastien! — Escuto Valentina gritar. — Sebastien! Corro para o quarto que ela compartilha com Marian rezando que seus gritos não sejam pelo que penso, todos na casa escutaram os gritos e correm tanto como eu, mas sou o primeiro em entrar e o que vejo me destroça mais que qualquer coisa que tive que suportar. Valentina chora desconsolada tendo entre seus braços uma Marian adormecida e sorridente, sua visão é de muita paz. — Não acorda, diga-lhe que desperte! — ela ainda é tão ingênua, só tem doze anos. Alexander entra correndo e afasta sua filha do corpo sem vida de Marian, é Marie quem leva Valentina do quarto, ainda não posso me mover. Sarah histérica tenta despertar aquela que foi sua filha por seis anos. — James, minha filha não! — grita chorando abraçando e embalando minha irmã.

Meu pai tenta acalmá-la, embora ele também esteja chorando, meu Laird abraça Brianna que chora como sua irmã, os gêmeos estão imóveis sem compreender muito bem por que sua companheira de brincadeiras se foi. Finalmente quando James consegue afastar Sarah, me aproximo, sento na cama e abraço minha irmã, afastando seu cabelo negro de seu rosto pequeno; olho-a durante horas esperando que abra seus olhos, mas ela já não está mais aqui. Partiu para um lugar melhor como há anos atrás me assegurou tranqüilamente que aconteceria; este mundo é muito cruel para uma alma tão pura como era a dela, sempre pensei que minha irmã era um anjo enviado a Terra com um proposito, e tendo completado sua tarefa voltaria para o Céu, para seu lar. A enterramos em sua colina favorita, onde as flores florescem antes que chegue a primavera.











Série Ladys
1- Lady Brianna
2- Lady Sarah
3- Lady Valentina

Vitória



No final do século XIX a Inglaterra transbordava modernidade. 

Os novos meios de produção chegados com a Revolução Industrial transformaram o país e modificaram a vida cotidiana das pessoas: trens para viajar, jornais para informar-se e um arsenal de objetos novos começaram a integrar-se em uma sociedade receptiva. Também nesse dinamismo continha classes sociais, a migração do campo à cidade em busca de trabalho e uma nova dinâmica de ascensão econômica. Mesmo assim, com tantas modificações, a moral vitoriana manteve a mulher em um plano quase decorativo. As viúvas da época não podiam deixar o luto por dois anos nos quais deviam permanecer encerradas em suas casas com as janelas muradas sem receber visitas masculinas de nenhum tipo. Nem sequer logo depois da morte do marido as mulheres podiam dispor do próprio corpo à vontade. Victory Brandon é uma moça de vinte anos que esteve casada com o erudito barão de Lovelance. A diferença de idade e o fato de não ter eleito essa união fizeram com que, para ela, o matrimônio não tivesse a ver com o desejo. Mas não podia dizer que não tinha havido companheirismo e afeto. Viúva recente, rica de repente, Victory deverá enfrentar o rigor do luto para evitar a condenação social, para evitar que a chamem de "viúva alegre". Entretanto, seis meses de reclusão a empurram a embora. Ela é apenas uma moça que deseja conhecer o mundo exterior. Então viajará a Londres e lá conhecerá a dupla moral que rege a sociedade vitoriana: bailes de máscaras cheios de erotismo e traição, relacionamentos extraconjugais, nobres à procura de um matrimônio vantajoso. Também nessa viagem conhecerá o desejo e deverá confrontá-lo para poder chegar a ser a mulher que quer.
Alexandra Risley pinta um afresco de uma época cheia de contradições, em que as mulheres devem lutar para fazer um lugar em uma sociedade não preparada para as aceitar.


Capítulo Um
Aos olhos da sociedade britânica, Lucious McLean, o barão de Lovelance, foi um autêntico exemplo de homem virtuoso. Suas inestimáveis contribuições à ciência moderna, suas esplêndidas obras para os mais desafortunados e uma conduta absolutamente irrepreensível mantida por mais de seis décadas assim o demonstraram. Célebre desde seus primeiros anos como estudante de engenharia, física e matemática, o gênio escocês tinha alcançado a fama e o favor da Academia graças aos seus descobrimentos no campo da eletrônica e da termodinâmica, ciências que constituíam um enigma para a maioria dos homens, mas cujos progressos os tinham beneficiado excepcionalmente na construção de navios de propulsão a vapor e de trens mais rápidos, estáveis e eficientes. Suas inumeráveis publicações repletas de notáveis teorias sobre o aperfeiçoamento dos meios de transporte de grande distância e sua assessoria a empresas do ramo renderiam-lhe mais tarde uma fortuna considerável. Quem o conheceu se referia ao McLean como um verdadeiro fogaréu andante; um homem bondoso, engenhoso ao extremo, piedoso e excêntrico como todos os grandes homens da história, mas acima de tudo isso, justo. Não demorou muito tempo para que McLean fosse recebido pela própria rainha Vitória e o príncipe Albert para compartilhar conhecimentos e deleitá-los com um inestimável gênio que, segundo palavras de Sua Majestade, tinha sido concedido pelos anjos. Em gratificação por toda uma vida de contribuições incontáveis à ciência, a Rainha o honrou com a baronia de Lovelance. Como afirmado por alguns acadêmicos que conheceram mais a fundo o alcance de suas contribuições, McLean conseguiu levar a física à sua forma moderna, impulsionando com isso o ingresso da humanidade a um prometedor futuro, condicionando uma época e deixando um claro selo de esperança para os tempos vindouros.
Por estas e muitas razões mais, lorde Lovelance alcançaria um espaço privilegiado nas alturas. Muitas razões que ninguém além de Victory Brandon chegaria a compreender jamais. Ali, em frente ao seu monumento funerário na gótica cripta familiar dos McLean, a moça de vinte anos totalmente vestida de negro contemplava a inscrição daquele nome com gesto solene enquanto as implacáveis gotas de chuva trovejavam sobre o guarda-chuva. Era um domingo de abril, o terceiro depois da morte do barão vítima de uma enfermidade que por anos o tinha mantido afastado da vida pública. Após, as coroas de flores não tinham parado de chegar à Lovelance Manor, a residência nas Terras Altas da Escócia onde tinha passado os últimos anos de vida, e os jornais não deixavam de falar do lamentável falecimento de uma das mentes mais brilhantes do século.

19 de abril de 2018

Quando um Homem se Apaixona

Série O Clube do Falcão
Depois de anos como agente secreto do Falcon Clube, Lorde Blackwood sabe que é o momento de retornar à Escócia.

Entretanto, uma tentação ameaça seus planos: Kitty Savege, uma dama que esteve envolta em um escândalo e que lhe esquenta o sangue, igual a um bom uísque.
Mas um perigoso inimigo se interpõe no caminho do desejo, e para lutar contra um homem chamado Leam ele precisará da ajuda da jovem.

Capítulo Um

Londres, 1816 
Compatriotas britânicos: O Governo comete um delito ao esbanjar, aqui e lá, o, gravemente diminuído, tesouro de nosso nobre reino, sem atenção alguma à prudência, a justiça ou a razão? Definitivamente, sim. Irresponsavelmente, sim.
Vilmente, sim! Como todos sabem, fiz a denúncia de todo este esbanjamento, próprio de esbanjadores, minha cruzada pessoal. Este mês conto com um novo exemplo: 14½ de Dover Street.
Para que serve à sociedade, um clube exclusivo de cavalheiros se jamais se vê um só cavalheiro cruzando a porta do mesmo? E aquele painel pintado de branco adornado com uma intimidante maçaneta: uma ave de rapina. Mas cuja porta nunca se abre. Alguma vez os membros importantes usam aquele moderno local? Ao que parece, não.
Compatriotas, recentemente obtive informações, através de canais perigosos, nos quais me introduzi por nosso bem. Parece que sem o debate prévio correspondente, os Lordes aprovaram, por votação secreta, uma contribuição do Ministério do Interior destinada a este, digamos assim: clube.
Entretanto, qual é o propósito do mesmo, a não ser mimar aos ricos indolentes para quem estes estabelecimentos já são a maioria?
Não pode haver nada de bom neste gasto imprudente. Comprometo-me a desmascarar este encoberto esbanjamento da riqueza do reino. Averiguarei os nomes de cada um dos membros deste clube e que negócios e tramoias existem atrás de seus arrogantes membros. Então, queridos leitores, revelarei isso a vocês.
A Dama da Justiça Senhor: Lamento informar que os agentes Águia, Gavião, Corvo e Pardal se retiraram do serviço. O Clube Falcon, ao que parece, foi dissolvido. Eu, é óbvio, devo permanecer ativo, até que todos os casos pendentes sejam resolvidos.
Do mesmo modo, permito-me chamar sua atenção sobre o folheto de 10 de dezembro de 1816, publicado pelo Brittle & Sons, impressores, que está anexo. A pobre virgenzinha terá uma decepção. S
eu, etc..., Peregrine
― Obrigada, senhor. ― A dama apertou a mão de Leam Blackwood com dedos trêmulos.
― Obrigada. Na densa névoa de uma noite sem lua de dezembro ele elevou a mão e beijou-a fugazmente nos nódulos.
― Vá com Deus, senhora ― ele lhe desejou em escocês. As bochechas da dama brilhavam como duas fontes de gratidão.
― Você é muito bom. ― levou o lenço aos lábios trêmulos. ― Muito, milorde. ― Ela pestanejou.
― Quem dera... Sorrindo, ele a ajudou a subir à carruagem e fechou a porta.
O veículo partiu, as rodas estralaram envoltas na névoa da madrugada londrina. Por um instante Leam a observou se afastar. Deixou escapar um longo suspiro.



Série O Clube do Falcão
1- Quando um Homem se Apaixona

13 de abril de 2018

Tempo de Lobos

Série Crônicas do Tempo
Um lobo solitário em busca de algo que dê sentido à sua vida.

Uma mulher que não pode, nem quer esquecer. Obrigada a casar-se com o homem que mais odeia e do qual jurou vingar-se, Munia vê como se desvanece toda a sua ira quando Hernán, mais conhecido como Lobo Cinzento, decide que ela será para ele mais do que um simples objeto de desejo. A sua ternura, a sua perseverança, até mesmo a sua honra, serão postas aos pés de sua esposa, assim que ela concordeem olhá-lo com outros olhos. Munia e Hernán deverão lutar por seu futuro enquadrados em uma guerra que não cessa, de traições daqueles que o Lobo Cinzento jurou proteger, de ambições disfarçadas de lealdades e de um passado que volta para envenenar o seu presente. Este amor acabará por triunfar, apesar de todos os obstáculos que terá de superar?

Capítulo Um

Fevereiro de 921
Desate-o e o jogue ao rio. Depois… Hernán não conseguiu escutar o resto das ordens. A sua mente se negava a aceitar mais sofrimento do que o seu corpo albergava. A pele era uma autêntica pira por cujos poros exalava puro fogo. A carne lhe ardia. A umidade provocada pelo sangue derramado lhe mantinha a roupa colada ao corpo. Não conseguia sentir os braços, nem as pernas, e a dor que o atingia era tão insuportável que nem sequer conseguiu gritar para afastá-lo dele. Embora se o fizesseequivalesse a render-se. E não tinha chegado até onde estava para entregar-se daquele modo tão humilhante. Lutou contra a inconsciência embora estivesse esgotado. Consumido. Sem orgulho. Mesmo assim, quis opor resistência quando seus braços ficaram livres, mas não lhe responderam. Tampouco os pés, quando tentou cravá-los na terra resistindo ser arrastado por alguém que tinha mais força do que ele. Não era o seu verdugo quem o fazia, recordou-se, com alguma esperança, enquanto a escuridão era substituída por um pequeno fio de luz que penetrava através de suas pálpebras fechadas e suas fossas nasais captavam um ar mais puro e menos putrefato que o que suportava fazia dias. Aquele homem não cheirava como ele. O seu ritmo de respiração tampouco era o mesmo. Inclusive acreditou escutar uma série de insultos sussurrados com prudência que, em outras circunstâncias, tê-lo-iam feito sorrir.



Série Crônicas do Tempo
1- Tempo de Promessas
2- Tempo de Lobos
(Série Concluída)


6 de abril de 2018

A Duquesa

Série Saga Montgomery

Inglaterra, 1886. 
A jovem norte-americana Claire Willoughby só poderá receber a fabulosa herança de seu avô e salvar da ruína sua esbanjadora família, se se casar com o homem "adequado". Claire não demora para achar um marido com título nobiliário: o escocês Harry Montgomery, décimo primeiro duque de MacArran.
Harry possui um histórico castelo em Bramley, é loiro, bonito e parece encarnar toda a tradição e magia da Escócia. Entretanto, não tem dinheiro e carece totalmente de engenho e motivação para ganhar a vida ou tirar proveito de suas propriedades.
Quando foi anunciado o compromisso entre a jovem herdeira e o encantador nobre, a futura duquesa viaja a Bramley para conhecer o excêntrico clã dos Montgomery, e casualmente, a um estranho personagem: Trevelyan.
Trevelyan, é cínico, altivo e fascinante. Desvendará Claire os misteriosos vínculos que o unem aos membros do clã e se converterá em seu melhor amigo e confidente?
Dividida entre o amor e a paixão que suscita nela o aventureiro Trevelyan e o sentido de dever que a obriga a casar-se com Harry, Claire deverá tomar uma decisão.

Capítulo Um

Londres 1883
Claire Willoughby se apaixonou por Harry, décimo primeiro duque de MacArran, a primeira vez que o viu... como ocorreu com as demais mulheres do salão. Mas não foi somente a incrível beleza do homem o que a fez apaixonar-se. Não foram seus ombros, de uma largura descomunal, ou seus espessos cabelos loiros e brilhantes olhos azuis. Nem foram suas pernas musculosas, por todos os anos de montar cavalos indômitos, expostas vantajosamente sob o vistoso kilt verde. Não, não foi o que viu o que fez com que o piso tremesse sob seus pés; foi o que ouviu.
À vista do kilt, com o sporran prateado pendurando de sua cintura, a adaga de cabo de marfim embainhado em sua grosa meia de lã e o tartan jogado sobre um ombro, seguro pelo broche do lorde, ouviu um homem solitário tocando uma gaita de fole. Ouviu a brisa por cima dos brejos e a melodia local. Ouviu os canhões de Culloden e os gemidos das viúvas chorando a seus homens caídos. Ouviu os gritos de alegria pela vitória e o silêncio desesperado da derrota. Ouviu o rumor de esperança ante o aparecimento do príncipe Charlie e ouviu a desesperança quando o derrotaram. Ouviu a traição dos Campbell e ouviu o triste, triste lamento de dor dos escoceses em sua secular batalha contra os ingleses.
Harry por sua vez viu uma americana baixa e bonita, certo, mas o que a fazia quase linda era a expressão de seu rosto. Uma expressão ansiosa, interessada em tudo e por todos. Quando olhava Harry sentia que era o único ser na Terra que merecia ser escutado. Seus grandes olhos castanhos refletiam curiosidade e inteligência. Seu corpo pequeno e enérgico se movia com rapidez e caminhava com uma decisão que a maioria das mulheres não possuía.
Harry não demorou em compreender que gostava do fato de que Claire fosse uma mulher de ação. Não podia estar sentada, quieta, nem um instante, e sempre queria ir a todas as partes e ver coisas. Claire sugeria excursões e se encarregava da comida, e o único que Harry e seus amigos deviam fazer eram aparecerem. O fazia rir e lhe distraía. Às vezes falava muito a respeito da história da Escócia, mas achava extremamente divertido que a narração de uma batalha que tinha acontecido há mais de cem anos atrás lhe enchesse os olhos de lágrimas. Parecia haver centenas de homens mortos que ela considerava heróis e que, a seu parecer, tinham realizado façanhas de grande valentia e importância. Ao falar desses homens, seus olhos se tornavam sonhadores, perdiam-se no infinito. Enquanto, Harry passava o tempo admirando seus seios.





Um Oceano Entre os Dois

Beatriz Ibáñez cursa doutorado em História da Espanha do século XVIII, nas Bahamas. 

Em uma de suas travessias, junto com seu tutor, se vêem surpreendidos por uma estranha tormenta. 
Beatriz consegue sobreviver e chega a uma ilha. Ali, encontra um grupo de homens dirigido por Duncan, a quem pede ajuda. 
Depois de pensar que são traficantes tenta fugir, e é, finalmente, capturada. Sua surpresa é enorme ao se dar conta de que viajou para o passado, e de que é prisioneira de piratas ingleses, inimigos do Império espanhol. Depois de ser resgatada pelos franceses, aliados do Império, Bastian a acolhe em seu navio, que não só transportam tecidos e manufaturas, mas também escravos. 
Enquanto Beatriz os ajuda e tenta procurar uma tormenta para conseguir retornar à sua época, Bastian se apaixona por ela. Esta plácida calma se vê interrompida quando os piratas ingleses, os mesmos que a capturaram na ilha, fazem-na de novo sua prisioneira.

Capitulo Um

Volta no tempo
20 Anos antes Nassau, Bahamas. Ano 2000
Beatriz apoiou, contra a parede, a bicicleta com a que havia chegado, vinda de seu pequeno apartamento localizado no centro da cidade perto da Universidade de Nassau. Fazia quase dois meses que chegara a Nassau. Instalouse naquela calorosa cidade e começara redigir sua tese.
Em seus vinte e seis anos, era licenciada em história pela Universidade de Salamanca, com um mestrado universitário em estudos avançados e investigação em história, sociedades, poderes e identidades e agora, estava a ponto de terminar seu doutorado sobre A Espanha do Século XVIII.
Seu doutorado se apoiou no estudo do Império espanhol, no comércio de escravos, em como tudo isso havia influenciado na Guerra de Sucessão Espanhola e o sistema do Utrecht; na mudança drástica que se deu nesse século, e as reformas internas que se realizaram na política borbônica que se aplicou. E que melhor lugar que as Bahamas para acabar seu doutorado? Essa zona foi a chave naquele período, onde os espanhóis junto a seus aliados franceses lutavam pela conquista daquelas novas terras, para expandir-se mais e conquistar aquele novo mundo.
Havia lhe atraído desde pequena e, agora, estava a ponto de se converter em uma qualificada doutora em história. Havia solicitado o ingresso e, graças a seu imponente currículo e à fluidez dos idiomas que falava, haviam concedido. Ali poderia visitar lugares concretos, museus e inclusive ver algum navio afundado em um naufrágio.
Graças aos museus e à documentação que datava daquela época, poderia fazer uma tese brilhante e, certamente, conseguir aquele lugar, tão ansiado, como professora de história na Universidade de Salamanca. Entrou na universidade, sentindo aquele intenso calor. Ao menos, enquanto o sol não continuasse roçando sua pele seria mais suportável.
O professor William Davis era seu mentor ali. Se de algo podia estar agradecida é que, além disso, possuía um dos melhores historiadores a seu lado, um homem que havia lecionado história na Universidade de Columbia durante vinte anos, e que agora, fazia pouco mais de dois anos, era o reitor da Universidade de Nassau. Não poderia ter tido um tutor melhor que esse.
William era um verdadeiro encanto. Pouco depois de saber que lhe haviam concedido a bolsa de estudos, recebeu um e-mail dele, dizendo que se encarregaria de tudo para sua chegada, inclusive lhe pediu informação sobre sua tese para começar a adiantar trabalho e ajudá-la.
Não era somente isso, jantara com ele e sua esposa, uma infinidade de vezes naqueles dois últimos meses, inclusive dormiu em sua casa.
― Se enrolou nos lençóis? ― perguntou William com um sorriso enquanto lhe estendia uma boa xícara de café. Beatriz forçou um sorriso, enquanto depositava a pasta sobre a mesa e agarrava o café que ele oferecia, realmente agradecida.
― Este calor é horrível ― disse a contra gosto. ―Não consigo dormir de noite.
― Tudo é questão de se acostumar ― pronunciou, sentando-se a seu lado. ― Bem ― disse sem mais demora, ― preparou o que lhe pedi ontem? Beatriz abriu a pasta e retirou alguns documentos.
― Aqui estão ― explicou enquanto lhe mostrava o mapa. ― Estive olhando as cartas navais tal e como me disse, e acredito que tracei a rota que os navios espanhóis faziam, entre as ilhas, para comercializar com os escravos. William observou o mapa atentamente.
― É interessante. Incluiu os franceses também?
― Não, somente os espanhóis. Pensei em fazer outro mapa com as rotas francesas. Ele a olhou de esguelha.
― Pode ser que sejam as mesmas. Não se esqueça, eram aliados.
― Sim, mas o governo era diferente ― pronunciou divertida. ― Pode ser que tivessem outras diretrizes. Tenho que conseguir as cartas de navegação de algum casco de navio francês ― pronunciou pensativa. William sorriu ante a emoção que a voz dela transmitia. Depois de vários segundos a observando, adotou uma posição despreocupada.
― Tenho uma surpresa para você. Ela se voltou para olhá-lo com uma sobrancelha arqueada.
― Não serão quatro livros de mais de oitocentas páginas, não é? ― brincou. ― Porque de verdade que lhe agradeço isso, mas…


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