Nunca abandonou uma batalha sem lutar, mas ela lhe deixou bem claro que não havia nascido para ficar com ele.
Abatido, humilhado e com o coração partido, O´Brian se propôs a destruir aquele sentimento que tinha por seu grande amor.
Entretanto, quando por fim conseguiu não pensar tanto nela, a vida lhe brinda com outra oportunidade e nesta ocasião, não permitirá que April Campbell, viúva do visconde de Gremont, rejeite-o de novo. Superará April o engano e a traição de seu falecido marido? Será capaz de dar uma oportunidade ao homem que nunca a esqueceu? Quem sabe… (Esta é a história de dois personagens que aparecem na novela A Tristeza do Barão: o inspetor O´Brian e a viscondessa viúva de Gremont)
Capítulo Um
Londres. Outubro de 1867.
Michael olhava aos dois cavalheiros com ferocidade. Continuava zangado por como tinham irrompido em seu interrogatório e como lorde Cooper confessara na presença destes onde tinha estado antes de ser preso. Duas horas!!
Ele esbanjou duas horas de seu valioso trabalho para tentar tirar uma declaração que não obteve até que elas apareceram e que, para sua surpresa, não esperava obter. Tinha dado por feito a culpabilidade do detido, teria apostado sua fortuna nisso, entretanto, enganou-se.
Possivelmente sua mente agitada por aquele ódio que tinha pela aristocracia desde anos atrás não foi capaz de discernir que o homem que se encontrava em frente a ele era uma pessoa honrada e humilde, embora ostentaria, futuramente, o título de barão. A fama de respeitoso e incorruptível era a melhor apresentação de lorde Cooper, mas ele não acreditava nesse tipo de etiquetas sociais.
Quantos aristocratas decentes tinham utilizado o poder que lhes outorgava seu sangue azul, para livrar-se de suas maldades? Dezenas. Não obstante, era certo que Federith Cooper sempre se manteve em um discreto segundo plano. Apesar de sua famosa vida de libertino, que se aplacou após casar-se com a falecida, não provocou nenhum tipo de escândalo em Londres. Michael cruzou os braços e dirigiu os olhos para seus acompanhantes.
O duque, um homem com uma figura autoritária e severa apesar da cicatriz em seu rosto e aquela mão que escondia nas costas, não deixava de olhar para o exterior de maneira hesitante. O´Brian imaginou que meditasse sobre o austero e sombrio lugar onde se encontrava seu amigo e rezava em silêncio por liberá-lo de seu cativeiro.
Todo mundo conhecia a relação que Rutland mantinha com lorde Cooper e ninguém duvidava que, salvo o fato de que não tinham o mesmo sangue percorrendo suas veias, eles sempre se consideraram irmãos. O inspetor franziu levemente o cenho ao recordar um episódio na vida do duque alguns anos atrás.
Tinha estado a ponto de chegar até ele, de conseguir assinalá-lo como autor de um assassinato, mas ninguém foi capaz de declarar que Rutland matou o conde de Rabbitwood em um duelo.
Aqueles aos quais fez falar pela força só indicaram que o cavalheiro havia levado um tiro ao descobrir-se que tinha violado a uma mulher que, estranhamente, converteu-se na esposa do duque. «Sem provas, não há caso». Seu antecessor murmurava essa frase todos os dias e era tão certa como a própria vida.
― Não acredito que sua excelência goste de como o olha ― indicou Roger divertido.
― Fecha essa boca, Riderland! ― Exclamou zangado. Desesperava-o. Aquele maldito presunçoso o tirava do sério cada vez que estava ao seu lado e, para seu sofrimento, nos últimos dois anos seus encontros tinham sido bastante numerosos.
Logicamente, teve que investigar o incêndio ocorrido em um terreno do marquês no qual tinha construído uma residência que chamou Children Saved; naquela investigação seu ódio por aquele que o olhava com zombaria aumentou. Como pensava que ia validar sua declaração sem averiguar se suas palavras eram verdadeiras? Um herói?

Série Os Cavalheiros
1 - A Solidão do Duque
2 - A Surpresa do Marquês
3 - A Tristeza do Barão
4 - O Coração do Inspetor O'Brian
5 - a revisar




