
Jasmine Tristan não era uma estranha para a classe superior da sociedade inglesa.
E, embora, adotada por um visconde, a chamavam de —Escorpião Marrom— e conhecia bem o ferrão cruel do isolamento.
Sua mãe manifesta seus temores quando a ira da Jasmine explode.
Acaso Jasmine alberga tanta maldade em seu coração, como seu pai, o sultão de quem estava fugindo?
Como podia ser assim, quando com Lord Thomas Claradon a havia conhecido em um momento de pura beleza?
Seus beijos eram ardentes como o sol do deserto.
Mas como uma tempestade de areia, sua direção não era a correta; o desprezo da mãe de Thomas e a lealdade deste para com sua família e o dever fazem com seja inalcançável.
Apenas voltando a seu lugar de nascimento, em busca de suas raízes, conseguirá Jasmine a resposta... e pode que o verdadeiro amor triunfe sobre a ignorância e a paixão sobre o preconceito.
Capítulo Um
Londres, 1894
Sua boca estava
sangrando. Um longo arranhão escorria por seu rosto, como se um gato tivesse
lhe arranhado. Partículas de grama marcavam suas roupas.
Tudo isso era
possível de esconder, se Nigel não contasse e Thomas rogava para que seu irmão
não o fizesse. Por favor, Deus, ele implorou silenciosamente, por uma vez,
deixe que seu irmão permaneça quieto. Por favor. Ele não sabia se poderia
suportar outra surra.
A casa estava em
silêncio quando ele entrou, a escada brilhante cheirava a cera de abelha, o
piso estava limpo e brilhante. Seu pai não tolerava bagunça. Thomas olhou para
suas roupas rasgadas. Ele estava uma bagunça. Talvez, a empregada pudesse
poli-lo também.
Mal tinha começado
a subir as escadas, com uma ponta de esperança, quando uma voz severa o chamou
por trás.
— Onde você pensa que está indo?
O medo percorreu
sua coluna. Thomas mordeu o lábio e tentou segurar o seu terror.
— Eu, hum, Pai.
— Venha aqui.
Lentamente, ele se
virou. Virou-se e o viu: o conde de Claradon encarando-o com o rosto vermelho
como uma beterraba, o colarinho engomado branco em sua garganta carnuda, como
se fosse estrangulálo. Ao lado do conde, Nigel sorriu. Um sorriso demoníaco,
conhecedor.
Thomas engoliu em
seco. Eu devo ser corajoso. Mas ele não podia deixar de tremer à medida que
descia a escada. Nigel, o filho precioso, o filho bom. Nigel não fazia nada
errado. Nigel era perfeito. Perfeito, como Thomas não era.
Seu pai assobiou
com desgosto quando Thomas chegou ao fim da escada. — Uma garota. Uma
maldita garota, e não apenas uma garota qualquer. Aquela pagã morena pertence à
mulher egípcia. Onde está seu suporte, para permita que uma inferior seja
melhor que você? Você tem doze anos. Você é mole, garoto. Seja como seu irmão.
Você é um Wallenford.
A voz do conde era
baixa, o que indicava sua fúria. Coragem brotou dentro de Thomas. Ele olhou
diretamente para seu pai.
— Eu nunca poderei ser como Nigel, pai.
Não importa o quão duro você tente nos tornar iguais.
O sangue subiu pelo
rosto do conde. — Cuidado com a
língua, menino.
— Eu acho que Thomas deveria convidar
Jasmine à festa na próxima semana apenas para que todos possam ver exatamente
quem o massacrou, Nigel falou.
Thomas ousou
levantar o olhar hostil a seu irmão. — Eu o faria, somente para evitar olhar
para sua cara feia. Jasmine é uma visão muito mais bonita.
— Minha cara feia? Olhe-se no espelho.
Nigel zombou, em seguida, começou a cantar: Thomas
gosta de Jasmine, Thomas gosta de Jasmine. Ele está apaixonado pelo pequeno
escorpião marrom.
A dor atingiu Thomas.
Por que seu irmão não gostava mais dele? Uma vez eles riram juntos, brincaram
juntos, caçaram rãs e se envolveram em problemas. Eles apoiavam um ao outro
como melhores amigos. Então, quatro invernos atrás, Nigel ficou gravemente
doente. Thomas foi com sua tia e tio para visitar o quente e ensolarado Egito.
Quando ele chegou em casa, com medo de que Nigel tivesse morrido, encontrou seu
irmão vivo.
Mas Nigel tinha
mudado. Ele não era mais um amigo, mas um inimigo. Thomas discretamente
forçou-se a aceitar o fato de que Nigel sempre iria detestá-lo, e que seu pai
sempre iria suspirar e balançar a cabeça, comparando-os desfavoravelmente.
Nigel detestava
tanto Thomas quanto Amanda, de oito anos de idade. Uma e outra vez ele
declarou-lhes em particular como desejava que fosse filho único. Na semana
anterior, ele jogou Mandy no monte de feno, dizendo-lhe que estava cansado de
sua tagarelice incessante.

Série Guerreiros do Vento
1 - O Falcão e a Pomba
2 - O Tigre e a Tumba
3 - A Cobra e a Concubina
4 - A Pantera e a Pirâmide
5 - A Espada e a Bainha
6 - O Escorpião e o Sedutor
7 - A Dama e o Libertino
Série Concluída







