9 de setembro de 2016

Edenbrooke

Série Edenbrooke
Marianne Daventry faria qualquer coisa para escapar do aborrecimento de Bath e das investidas amorosas de um cretino que não lhe interessa absolutamente. 
Assim quando recebe um convite de sua irmã gêmea, Cecily, para que se una a ela em uma maravilhosa casa de campo, aproveita a oportunidade. 
Por fim, poderá relaxar e desfrutar do campo, que tanto gosta, enquanto sua irmã tenta obter as atenções do atraente herdeiro de Edenbrooke.
Entretanto, Marianne acabará por descobrir que inclusive os melhores planos podem dar errado: primeiro, terá um aterrador encontro com um ladrão de estrada, depois, uma paquera aparentemente inofensiva... o caso é que, ao final, Marianne se verá envolvida em uma inesperada aventura cheia de intriga e de amor, tão apaixonante que não poderá dar descanso a sua mente.
Será capaz de controlar seu coração traidor ou cairá rendida a um misterioso desconhecido?
Está claro, o destino quer para Marianne algo distinto do que ela tinha planejado ao ir a Edenbrooke.

Capítulo Um

Bath, Inglaterra, 1816
Aquele carvalho me distraiu. Ao passar sob seus frondosos ramos, não pude evitar elevar o olhar e ser testemunha de como o vento balançava suas folhas e as fazia girar sobre seus caules. Dei-me conta, então, de quanto tempo fazia que eu não girava sobre mim mesma. Fiquei imóvel enquanto tentava recordar a última vez que havia sentido a necessidade de dar voltas e mais voltas.
O senhor Whittles aproveitou minha distração para se aproximar silenciosamente.
—Senhorita Daventry! Que inesperado prazer!
Pus-me a andar, surpreendida, procurando com desespero minha tia Amélia, que devia ter continuado pelo caminho de cascalho enquanto eu me detinha sob a sombra da árvore.
—Senhor Whittles! Não o tinha ouvido.
Acostumava estar atenta de qualquer som que delatasse sua chegada, mas aquele carvalho me distraíra.
Obsequiou-me com um esplêndido sorriso e uma reverência tão exagerada que seu espartilho protestou. Seu rosto redondo brilhava pelo suor e levava o cabelo, ou o que ficava dele, grudado à cabeça. 
Dobrava-me em idade e era tão ridículo que apenas podia suportar sua presença. De todos seus traços repulsivos, o que mais me horrorizava era a boca, pois quando falava, na comissura de seus lábios se alojava indevidamente um fio de saliva.
Tentei não me fixar neles quando começou a falar.
—Faz uma manhã esplêndida, não lhe parece? De fato, convida-me a cantar. Oh, que esplêndida manhã! Oh, que esplêndido dia! Oh, que esplêndida mulher divisei ao longe! —Fez uma reverência, como se esperasse que o aplaudissem. Entretanto, hoje posso lhe oferecer algo melhor que essa cançãozinha. Compus um poema só para você.
Encaminhei-me na direção que devia ter tomado minha tia Amélia.
—Minha tia ficará encantada de escutá-lo, senhor Whittles. Vai um pouco adiantada, mas somente uns passos, tenho certeza.
—Mas, senhorita Daventry, é você a quem eu desejo agradar com minha poesia. —aproximou-se de mim—. Porque gosta da minha poesia, verdade?
Escondi as mãos atrás das costas se por acaso ele tentasse me dar a sua. Já o fizera outras vezes e tinha sido extremamente desagradável.
—Temo que não sei apreciá-la tão bem como minha tia.
Dei uma olhada por cima do ombro e suspirei aliviada. Minha tia solteirona vinha a meu encontro, apressada. Era uma acompanhante excelente; um fato que não soubera apreciar até esse momento.
—Marianne! Está aqui! Oh, senhor Whittles, não o tinha
reconhecido de longe. Minha pobre vista, j{ sabe< —Dedicou-lhe um sorriso transbordante de alegria—. Compôs outro poema? Eu adoro sua poesia. Você tem o dom da palavra.
Minha tia teria sido a esposa perfeita para o senhor Whittles. Seus problemas de vista suavizavam a natureza repulsiva dos traços dele e como a pobre tinha mais cabelo que engenho, tampouco sua ridicularia a horrorizava tanto quanto a mim. De fato, levava algum tempo tentando desviar a atenção do senhor Whittles para ela, embora até o momento não tivesse tido muito êxito.
—Pois, a verdade é que sim.
Tirou uma folha de papel do bolso do casaco, acariciou-a com ternura e umedeceu os lábios. Uma gota enorme de saliva ficou pendurada à comissura e não pude evitar cravar nela o olhar, apesar de não querer fazê-lo. A gota tremulou quando começou a ler, embora não se desprendesse.
—A senhorita Daventry é formosa e singular, e tem olhos de uma cor sem igual.


Série Edenbrooke
0.5 - O Herdeiro de Edenbrooke
1 - Edenbrooke
Série Concluída

29 de agosto de 2016

Escute o Seu Coração

Série Apostadores
Lydia Craven é uma jovem independente, que sabe que não haver possibilidades de se casar por amor, e por isso decide se casar com um homem bom, por quem sente um certo carinho e juntos compartilham uma grande afinidade pela matemática, ciência que Lydia ama de verdade. 

Ela sabe que encontrar um amor como aos do seus pais é impossível, e por isso decidiu agir com a cabeça e não com o coração. Jake Linley passou anos apaixonado por Lydia Craven, e acredita que ela não suporta a sua presença, pois sempre que se encontram acabam por discutirem torridamente. 
Para infelicidade de Jake, Lydia aceita a proposta de casamento de Lord Wray. Desanimado e infeliz, pensa ter perdido Lydia para sempre e que jamais poderá ser sua. Mas o destino planejou outro final para essa história... 

Capítulo Um

Havia duas formas de escolher um marido: com a cabeça ou com o coração. Sendo uma jovem sensata, Lydia Craven escolheria naturalmente o primeiro. O qual não queria dizer que não importasse seu futuro marido. Na realidade, gostava muito de Robert, Lorde Wray, o qual era bom e afável, com um encanto tranqüilo que nunca ficava nervoso. 
Era bonito de uma maneira acessível, seus traços refinados proporcionavam um par de inteligentes olhos azuis e um sorriso que era empregado em certo modo com diplomacia. Não havia duvida na mente de Lydia de que Wray nunca se oporia a seu trabalho. De fato, compartilhava com seu interesse pela matemática e a ciência. E se dava bem com sua família; sua pouco convencional e unida família, que tinha sido abençoada com uma enorme riqueza, mas que possuía uma medíocre linhagem. Iam muito a favor de Wray para que pudesse passar por cima tão facilmente a ascendência desprezível de Lydia,era como ela pensava ironicamente, um possível dote de cem mil libras poderia ser um saboroso condimento incluso para o mais plebeu dos pratos. 
Desde que Lydia completou dezoito anos, e dois anos antes, tinha sido perseguida por uma legião de caçadores de fortunas. Entretanto, tinha herdado sua própria e considerável herança, Wray não tinha necessidade do dinheiro de Lydia; outro ponto a seu favor. Todos aprovavam a união, inclusive o super protetor pai de Lydia. A única objeção tinha vindo de sua mãe, Sara, que tinha parecido vagamente perturbada por sua determinação de casar-se com Wray.
 —O conde parece ser um homem bom e honorável— havia dito Sara enquanto ela e Lydia caminhavam pelos jardins da propriedade Craven em Herefordshire. —E se ele for o único no qual puseste seu coração, diria que tem feito uma boa escolha… 
— Mas… - tinha insistido Lydia. Sara ficou olhando pensativamente a abundante e fértil plantação de dourados botões de ouro e lírios amarelos que cobriam o cuidadoso passeio. Tinha sido um dia quente de primavera, o pálido céu azul realçado com pequenas nuvens.
 —As virtudes de Lorde Wray são indiscutíveis —havia dito Sara— Entretanto, não é a classe de homem com quem imaginava que te casaria. —Mas Lorde Wray e eu somos muito parecidos —tinha protestado Lydia
— Para começar, ele é o único homem que conheço que gosta de ler meu artigo sobre geometria multidimensional. 
—É obvio, ele deve ser admirado por isso. —havia dito Sara, seus olhos azuis brilhando com uma repentina e irônica diversão. Embora Sara fosse uma mulher inteligente por direito próprio, ela tinha admitido livremente que os avançados raciocínios matemáticos de sua filha estavam fora de seu próprio entendimento. —Entretanto, eu esperava que algum dia encontrasse um homem que pudesse equilibrar sua natureza com um pouco mais de calor e irreverência do que Lorde Wray parecia possuir. 
É uma garota tão séria, minha querida Lydia. —Não sou tão séria. —tinha protestado. Sara tinha sorrido. —Quando era pequena, tentei em vão que fizesse desenhos de árvores e flores, e em troca você insistia em desenhar linhas para demonstrar a diferença entre os ângulos obtusos e os ortogonais. Quando brincávamos com blocos e começava a construir casas e cidades com eles, você me mostrava como construir uma pirâmide diedra. 
—Está bem, de acordo. —tinha resmungado Lydia com um relutante sorriso— Mas isso só serve para demonstrar porque Lorde Wray é perfeito para mim. Ele adora as máquinas, a física e a matemática. De fato, estamos pensando em escrever junto um artigo sobre a possibilidade de que os veículos funcionem com propulsão atmosférica. Sem necessidade de cavalos! 


Série Apostadores
1- Quando Você Chegou
2- Sonhando com Você
3- Escute o Seu Coração
Série Concluída


26 de agosto de 2016

O Cavaleiro dos meus Sonhos





Lady Alice sabe que não é do tipo para seduzir um homem. 

Ela é muito voluptuosa, muito inteligente, muito forte de espírito. Ela até lê! 
Mas então Jonathan, conde de Fairley, chega à corte. Alto, moreno e bonito, o cavaleiro é o sonho de qualquer mulher. 
E acabou de lhe ser ordenado pelo rei encontrar uma noiva... e Alice vai ajudá-lo! 
Jonathan tem fugido dos esquemas casamenteiros de sua mãe há anos, então por que ela insiste em que Lady Alice não é para ele?
 Alice deve apenas o ajudar na sua busca de uma noiva, mas Jonathan não pode deixar de se distrair por seu cabelo glorioso cor de um pôr-do-sol e uma figura que é como uma baga exuberante prestes a estourar na maturação completa... Será que Jonathan caiu vítima do amor?

Capítulo Um

Londres, Inglaterra 1358
— Mãe!
— Oh, querido. — Lady Margaret de Fairley fez uma pausa, em seguida, fixou um sorriso despreocupado em seu rosto e continuou escovar o cabelo enquanto ela ouvia os passos fortes de filho bater o seu caminho através pequena sala de estar fora de seu quarto de dormir. Com muita força de vontade, ela conseguiu manter a calma quando a porta se abriu atrás dela.
Ela ignorou-o enquanto ele invadiu a sala para onde ela estava sentada perto do fogo, mas fez uma careta quando o sentiu pairar acima dela, ele estava furioso, respirando na parte de trás do seu pescoço.
Ela esperou por uma contagem de dez quando ele olhou e bufou para ela muito parecido com um touro bravo, então olhou por cima do ombro e ofereceu um sorriso sem graça. — Bom dia filho. Como você está hoje?
A respostava era evidentemente, já que ele estava muito agitado. Seu rosto corou um vermelho irritado e sua expressão ficou ainda mais escura. Sim, ela pensou, ela podia ver por que os franceses estavam aterrorizados com esse homem corpulento.
— Como eu estou? Como eu estou? Por Deus, mulher, como você acha que eu estou?
— Hmmm —, ela respondeu suavemente, voltando-se para o fogo. — Alguém acordou do lado errado da cama esta manhã.
— Eu não! — Retrucou. — Eu estava em um perfeito bom humor… até a minha audiência com Edward.
Lady Fairley arregalou os olhos, fingindo surpresa. — Será que não foi tão bem?
— Será que... — Interrompeu-se a murmurar algumas palavras bem escolhidas.
Ela deu a ele um olhar de repreensão suave. — Por favor, Jonathan. Não estais sendo muito cavalheiresco de sua parte falar assim com as senhoras. Você não é um cavaleiro da Ordem da Jarreteira? Não o ensinaram melhores modos do que quando era um escudeiro? Talvez em vez de enviá-lo para treinar em Westcott, seu pai deveria ter o levado na mão, como eu sugeri. Ele nunca quis me ouvir, que teimoso era.
— Mãe, — Jonathan interrompeu com uma óbvia tentativa de contenção.
— Sim querido?
— O que você disse ao rei?
— Eu? — Ela olhou para ele em uma demonstração de inocência que só fez seus olhos se estreitam.
 Sim. Você. Eu sei que você tinha alguma coisa a ver com isso. — Julgando que era hora de mostrar um pouco de sua própria irritação, Lady Fairley largou a escova com um barulho. — Algo a ver com o que, Jonathan? Você ainda não disse o que ocorreu. Por que o rei iria chamá-lo aqui ao tribunal?
Ela assistiu a luta travada no rosto de seu filho com interesse antes que ele deixou escapar: — Ele ordenou-me casar! Eu! O Flagelo de Crécy!
— Oh. — Ela se virou para o fogo e retomou a escovar seu cabelo. — Isso é tudo? Por um momento você tinha me preocupado. — Ela sentiu mais do que viu a maneira como seu filho caiu atrás dela, abismado por sua resposta indiferente.
— Isso é tudo? — Ele repetiu com consternação. — O rei Edward me deu duas semanas para escolher minha própria noiva, ou ele vai... Duas semanas! Ele quer me ver casar até o fim do mês, e de ter gerado um herdeiro no próximo verão. — Ela se virou e viu a fúria estampada em seu rosto com o pensamento.
— Oh, incomoda! — Ela comentou, chamando a sua atenção de volta para ela.
— Oh, se preocupa? — Repetiu ele.
— Bem, na verdade, Jonathan. Você realmente acha que eu precisava fazer alguma coisa para que isso aconteça? Ha! — Ela virou o nariz e cheirou delicadamente. — Dificilmente precisava da minha atenção, certo? Seu pai e seu irmão se foram há cinco anos, deixando-o senhor de Fairley um conde heirless.Estou apenas surpresa que o rei Edward adiou o assunto por tanto tempo. Fairley Castelo está na fronteira da Escócia. Estrategicamente, é um sustento importante. É claro que ele quer que você se case. E com toda a luta que você participou. . . Se você morrer, a única pessoa a tomar o seu lugar é seu primo Albert. Você sabe é um idiota. O mesmo acontece com o rei. Ele dificilmente iria querer Albert como senhor de Fairley e suas terras.
— Bem, um bebê é uma escassa probabilidade de fazer um trabalho melhor —, Jonathan resmungou, deslocando irritado.
— Não, mas se houver um herdeiro e viúva, Edward pode colocar quem ele quer em seu lugar, seja como Chatelain, ou como um novo marido para sua noiva. Sem uma viúva e herdeiro, Albert vai herdar.
Jonathan olhou pensativo, obviamente, superado pela verdade de suas palavras, mas ele fez uma careta quando ela despreocupadamente desistiu de sua escovação em favor de vestir as jóias e um chapéu. 
Era o seu melhor chapéu, e que ela geralmente não usava, exeto para ocasiões especiais. Seus olhos se abriram um pouco, ele tomou no vestido que ela usava, o jeito que ela tinha puxado o cabelo, e... Sim, ele tinha acabado de perceber que não era a cor natural em suas bochechas, mas um dos contrabandeados rouge Francês que ela colocou lá. Ele sabia que ela estava linda e mais jovem do que seus cinquenta anos.
— Você está se arrumando!



24 de agosto de 2016

Flora


Uma bela eurasiana, dividida entre duas raças e dois mundos, mas repudiada pelas duas sociedades!

Uma jovem pura e virgem, cuja paixão e o fogo do desejo só um homem teria o poder de despertar...
Dos confins mais remotos da China ao ambiente corrupto da decadente Xangai, Flora enfrenta a tortura da violação de seu corpo. Mas permanece livre para conhecer a sensualidade nos braços do homem amado. 
Na Inglaterra, para onde é levada, nos luxuosos castelos e nas requintadas mansões do início do século, a traição, a hipocrisia e a intriga a espreitam, ameaçando seu amor.

Capítulo Um

Ah, o amor... Que emoção perturbadora e insistente a se apossar de seus pensamento, cada dia mais e mais... Que sentimento misterioso e desconhecido!
O amor presente nos poemas, no lirismo dos romances, descrito com palavras inesquecíveis, ora louvando o encontro perfeito entre os amantes ora lamentando os desencontros do destino
Flora conheceria algum dia essa emoção misteriosa e incompreensível, ou viveria enclausurada entre as montanhas que a cercavam, como uma fortaleza perdida nos confins da China?
O grande poeta Catulo sublimava esse sentimento tão alheio a monotonia do seu cotidiano, junto às freiras da missão.
“Sed mulier cupido quod dicit amanti, in vento et rápido scribere oportet aqua...”
Ela recitou o poema, a voz melodiosa e clara ecoando por entre os pinheiros e sentinelas solitários a guardá-la em seu refúgio suspenso sobre o abismo.
"As; juras de paixão de uma mulher ao seu amante são palavras tão efêmeras, como se fossem jogadas ao vento ou na correnteza de um riacho cristalino..."
Como em todas as tardes, antes do jantar frugal e simples da missão, Flora e Pére D'Espinay debateriam as idéias do grande poeta latino, que se esmerara em descrever com infinita beleza a ligação entre um homem e uma mulher, o amor humano!
Flora já conhecia várias formas de afeição, mas a tão celebrada união entre dois seres que se completam permanecia um mistério intrigante e sedutor. Encontraria essa paixão algum dia? E como?
Estava a tal distância do mundo excitante, vislumbrado apenas através dos livros, isolada entre duas pequenas aldeias de camponeses, onde era um evento raro o aparecimento de ocidental europeus.
Perturbada com um futuro que se mostrava desolador, Flora fitou a paisagem ao seu redor.
Subitamente, o reflexo do sol sobre metal feriu seus olhos!
Excitada, ela apanhou os velhos binóculos que haviam pertencido a seu pai, sem os quais jamais saía da missão, e percorreu as escarpas da montanha até descobrir de onde viera o evidente sinal de presença humana no isolamento quase total daquele fim de mundo!
Só depois de um bom tempo, Flora conseguiu divisar, no estreito e tortuoso atalho de terra, uma caravana que subia, muito lentamente, em direção à missão de Pére D'Espinay.
Existia uma dúvida constante entre os viajantes na China, em especial àqueles que se aventuravam pelo seu interior despovoado. Quais eram as estradas mais intransitáveis, as pavimentadas ou as de terra?
Sempre que algum funcionário de alta categoria no império se lembrava do seu dever de verificar as condições daqueles vilarejos perdidos, um acontecimento muito raro, os governantes locais viam-se obrigados a colocar as estradas em boas condições.
Recrutavam os mais jovens e mais fortes entre os homens da região para esse trabalho, retirando-os do campo, onde labutavam pelo seu sustento, e os forçavam, sem nada pagar-lhes, a consertarem os estragos de meses e meses de descuido. Nessas circunstâncias, a evidente má vontade dos trabalhadores produzia resultados lamentáveis. Após as primeiras chuvas, todo o esforço se perdia junto com as enxurradas de terra vermelha, e as estradas voltavam ao seu estado normal, ou seja, ficavam péssimas!

21 de agosto de 2016

A Desonra de Lady Rowena

Série Cavaleiros de Champagne
Dever, honra, verdade e valor!

Roubada no convento!
Sequestrada por um homem mascarado, lady Rowena desaparece. 
Ela sabia que sua vida reclusa no convento estava acabada e sua reputação, em ruínas. 
Até descobrir que o homem que a abduzira era o cavaleiro preferido de seu pai. Leal e honrado, sir Eric de Monfort fizera o que seu lorde ordenara. E, por mais que seu corpo deseje Rowena, ele não a deixará cair em desgraça. 
Contudo, o perigo está cada vez mais próximo. E o único jeito de protegê-la é toma-la como sua... em todos os sentidos.

Capítulo Um

Maio de 1174 — Castelo Jutigny, perto de Provins, no Condado de Champagne!
Fazia tempo desde a última vez que Eric de Monfort visitara o Castelo Jutigny. Era estranho voltar. Ele havia passado a infância ali. Depois de deixar o cavalo nas mãos competentes de um cavalariço, ele atravessou o pátio acompanhado pelo escudeiro, Alard, e seguiu para a escada que levava ao salão nobre.
Jutigny não havia mudado muito, o castelo se avultava sobre todos da mesma forma de antes. O brilho pálido da madeira nova das laterais do caminho que seguia até o alto da muralha era prova de que o lorde Faramus de Sainte-Colombe se preocupava com a defesa da propriedade. Ao redor da fortaleza principal havia uma sequência de edificações menores como a igreja, a cozinha…
Sir Macaire, o guardião do castelo e velho amigo de Eric, estava à porta do salão, conversando com o capitão de armas.
— Eric, graças a Deus que você está aqui! Lorde Faramus estava ficando impaciente, vá encontrá-lo logo — sir Macaire disse, recebendo-o com alegria.
— Antes preciso de uma caneca de cerveja — avisou Eric, seguindo até uma mesa lateral e pegando o jarro da bebida. — Passei a manhã toda na feira em Provins e estou com muita sede. Lorde Faramus não tinha dito que o assunto que tinha comigo era urgente. O que ele quer?
— Não tenho a liberdade de falar, rapaz, mas a cerveja terá de esperar. Lorde Faramus e lady Barbara estão esperando por você no solário há quase uma hora. Você sabe que o conde não é conhecido por sua paciência. — Sir Macaire fez uma careta e lançou o olhar na direção de um cavaleiro que estava estendido num banco perto da escada. — Além do mais, se você não for ao solário direto, tenho ordens de mandar sir Breon. Isso não teria cabimento. — Ele meneou a cabeça e repetiu: — Ridículo…
— Ridículo? — Eric procurou alguma pista na expressão de sir Macaire que explicasse a escolha de palavras, mas decidiu deixar o assunto de lado e serviu-se de cerveja, virando-a toda num gole só.
Eric conhecia Breon desde quando viveu em Jutigny e nunca simpatizou muito com seu jeito intimidador e cruel, mas os cavaleiros eram assim. O mais estranho, porém, era que ele não se lembrava de sir Macaire ter tido problemas com Breon antes.
— Sir Macaire, que raios está acontecendo?
— Não cabe a mim responder. — Sir Macaire inclinou a cabeça na direção da escadaria. — Pelo amor de Deus, Eric, corra lá para cima.
— Você disse que eles estão no solário, não é? Ali não é o espaço reservado de lady Barbara receber as outras damas? — Eric estava cada vez mais intrigado.
Sir Macaire estava suando, praticamente em pânico.
— Qual é o problema?
— Vá até o solário, rapaz. Lá você terá as respostas a todas as suas perguntas.
Lorde Faranus parecia muito abalado enquanto acariciava a barba e andava de um lado a outro do solário diante do fogo baixo da lareira. A esposa, lady Barbara, estava sentada à janela, segurando um pergaminho com as mãos alvas.
Eric tinha boas memórias de lady Barbara, que sempre o tratara com muita delicadeza. Ela também tinha vincos de preocupação na testa e parecia muito aflita. Eric sentiu pena por ver aquele rosto delicado tão transtornado. Será que ela e lorde Faramus haviam brigado de novo?
— Bom dia, milady… milorde…

Série Cavaleiros de Champagne
1 - O Campeão De Lady Isobel
2 - Os Segredos Dos Olhos De Lady Clare
3 - A Amante de Lord Gawain
4 - A Desonra de Lady Rowena
5 - Cartas para uma Falsa Dama
Série Concluída

14 de agosto de 2016

Infame Sedutor





Ele se casou pelo dote dela...ou por vingança?

Inglaterra, 1818.
A reputação do visconde de Stratton precedia-o: aventureiro e audacioso, ele era notório por suas belas amantes. 
A família de lady Elizabeth lhe devia dinheiro, e a única esperança que ele tinha de recebê-lo era apossando-se do considerável dote dela... mas teria de se casar com Elizabeth para obtê-lo!
Lady Elizabeth não desejava se casar com um conquistador infame como aquele, mesmo ele sendo irresistivelmente bonito. Se já era um homem rico, por que Stratton concordara em se casar com ela? Especialmente estando a reputação dela manchada por um escândalo! 
Era por amor... ou por vingança?

Capítulo Um

— Elizabeth!
Lady Elizabeth Rowe virou-se no vestíbulo da elegante casa de sua avó e deparou com a contrariada senhora segurando o nariz entre o indicador e o polegar, uma expressão de aversão no rosto. Elizabeth logo compreendeu. Constrangida, baixou o olhar para a barra de seu vestido. Es­tava suja. Soltou um suspiro e deu de ombros, desculpando-se. Era possível que as manchas no tecido fossem do barro dos canteiros de flores que contornara depois que descera da carrua­gem simples do reverendo Clemence. Infeliz­mente, suspeitava, assim como a avó, que havia sujeira de tipo mais ofensivo em sua roupa. Pro­vavelmente, eram detritos das sarjetas do bairro miserável de Wapping, onde estivera auxiliando o vigário nas aulas da escola dominical, dadas por ambos na rua Barrow.
— Olhe para você! — esbravejou Edwina Sampson na direção da neta, joias faiscando nos dedos rechonchudos enquanto sacudia a mão num gesto desgostoso. — Não há dúvida quando você está em casa. Eu simplesmente sigo meu olfato!
— Não fique tão aborrecida, vovó — disse Elizabeth num tom apaziguador. — Há coisas piores na vida do que um pouco de sujeira. Acabei de estar entre pobres-coitados que con­vivem com esse cheiro fétido diariamente. E ainda passam fome, além de sofrer tantas ou­tras privações.
Edwina Sampson empertigou-se.
— O que está faltando é decência e trabalho árduo! Feche essa porta! — ordenou de repen­te a um homem alto e compenetrado, parado na entrada do vestíbulo, que olhava com as sobrancelhas grisalhadas arqueadas para o rastro de sujeira no chão de mármore. — De­pressa, homem! Eu aqueço esta casa para você deixar simplesmente que o calor se vá? Sabe quanto custa um saco de carvão? Uma carroça de lenha?
— Na verdade, eu sei, senhora — respondeu Harry Pettifer calmamente. — Nesta semana mesmo, paguei a conta ao fornecedor de lenha e carvão.
— Isso é insolência, Pettifer?
— Jamais sou insolente, madame — infor­mou-a o mordomo com ar imperturbável, en­quanto seguia pelo vestíbulo.
Quando passou por Elizabeth, piscou-lhe um olho. Ela sorriu. Durante os poucos anos desde que fora morar com a avó, naquela área tranquila e elegante de Marylebone, já testemunhara discussões bas­tante interessantes entre os dois.
Enquanto descalçava os sapatos enlameados com cuidado, notou que a pequena comoção atraíra outros criados. Prontamente, Pettifer instruiu-os a limpar o vestíbulo.
— Sim, e mande que andem logo com isso, homem! — resmungou Edwina. — Imagine se um visitante resolver aparecer de repente e vir a entrada de minha casa nesse estado!
Elizabeth adiantou-se até as escadas apenas de meias nos pés, a barra da saia erguida.
— Pare de implicar tanto com Pettifer — pe­diu à avó. — Você sabe muito bem que preci­samos dele... muito mais do que o bom homem precisa de nós, eu desconfio. Ouvi dizer que Alice Penney o está cobiçando outra vez. Está deter­minada a levá-lo para trabalhar para ela em sua casa em Brighton.
— Está? — A reação de Edwina foi de indig­nação. — Quem lhe disse isso?
— Vou subir para trocar de roupa e, depois, me reunirei a você na sala para lhe dar mais detalhes sobre a popularidade de Pettifer. Nesse meio tempo, acho melhor você tratá-lo com um pouco mais de gentileza, ou ele ficará tentado a ir desta vez — disse Elizabeth por sobre o ombro com um sorriso de provocação, enquanto subia as escadas agilmente.
Momentos depois, estava em seu quarto, onde pairava a agradável fragrância de lavanda. Sua criada, Josie, torceu o nariz ao ver-lhe o estado das saias e ajudou-a rapidamente a retirar o vestido do dia. A avó estava certa, pensou Elizabeth, enquanto lavava o rosto em água perfumada com pé­talas de rosas. Era o mau cheiro o que mais incomodava. Mesmo em casa e com roupas lim­pas, o forte odor que impregnava Wapping parecia permanecer em suas narinas.

Pacto de Amor




Adriana Sutton e Colton Wyndham se conheciam desde a infância.

O maior desejo de suas famílias era se unir com o casamento entre eles. Mas o coração não conhece imposições. 
Depois de vários anos de ausência, Colton retorna à Inglaterra para herdar o título e as propriedades de seu pai. E logo descobre que a honra da família o obriga a renovar o pacto que ele sempre recusou. 
Em sua memória, Adriana continuava a ser a garota rebelde que o via como um herói. Portanto, é surpreendido e subjugado ao se encontrar com uma mulher bonita, jovem e inteligente, de caráter indomável, determinada a ser a dona do próprio destino. E que não só o vê como o homem que a desprezou... Mas também como o único que poderia amar.

Capítulo Um

Campina de Wiltshire, Inglaterra
Ao nordeste de Bath e Bradford-on-Avon, 5 de setembro de 1815

ady Adriana Sutton atravessou com elegância a varanda em arco de Randwulf Manor e riu quando se esquivou com perícia da mão de seu ansioso admirador. Para a seguir, ele tinha saltado de seu cavalo e corrido atrás dela, com a intenção de a alcançar antes que subisse a escadaria de pedra e desaparecesse no interior da mansão jacobina dos vizinhos e amigos mais íntimos de sua família. 
Ao se aproximar dela, a enorme porta se abriu e, com serena dignidade, um mordomo alto, magro e de idade avançada se afastou para a esperar.
—Oh, Harrison, é um encanto — disse Adriana com voz melodiosa enquanto atravessava o espaçoso vestíbulo. Protegida atrás do criado se virou e adotou uma pose triunfal dedicada a seu perseguidor. Este se deteve na soleira, e a moça arqueou uma sobrancelha, intrigada. 
Apesar do zelo com que Roger Elston a perseguia há quase um ano para reclamar seu amor, irrompendo inclusive na mansão quando não o haviam convidado, dava a impressão de que seu temor pelo defunto lorde Sedgwick Wyndham, sexto marquês de Randwulf, tinha aumentado durante os meses posteriores à sua morte, ao invés de diminuir.
Se em algumas ocasiões lorde Sedgwick havia se exasperado pelas visitas inoportunas do homem, a culpa não era do ancião, pois Roger se mostrava inusualmente persistente na tarefa de conquistar a moça, como se isso fosse remotamente possível. 
Seu descaramento tinha alcançado limites assombrosos. Sempre que tinham convidados, ou quando amigos íntimos desfrutavam de um jantar com os Wyndham, seu teimoso admirador se apresentava com algum pretexto se ela estivesse presente, embora só fosse para conversar uns momentos. 
Isso fazia Adriana se arrepender de ter concordado com a primeira visita do homem a Wakefield Manor. Até depois de sua audaz proposta de matrimônio, recusada imediatamente por seu pai explicando que ela já estava comprometida, Roger a vinha perseguindo sem cessar. Adriana chegara a apensar em dar ordens para impedir que ele a visse, mas os escrúpulos ainda a atormentavam quanto a isso. Às vezes, Roger lhe parecia um indivíduo solitário, um claro reflexo de sua juventude problemática. 
Cada vez que estava a ponto de cortar relações com ele, era invadida pela lembrança de todos os bichinhos indefesos que ela e sua amiga de toda a vida, Samantha Wyndham, tinham alimentado quando pequenas. Sentir menos compaixão por um ser humano que necessitava com desespero de um pouco de amabilidade lhe parecia terrível.
—Acredito que esse covarde tem medo de você, Harrison — brincou Adriana, ao mesmo tempo em que erguia o chicote para apontar o admirador. — Sua relutância em enfrentar um homem como você me favoreceu. Se não tivesse aberto a porta nesse preciso momento, é muito provável que o senhor Elston tivesse me alcançado para me censurar porque Ulises e eu deixamos para trás a ele e a seu miserável cavalo.
Embora Roger não tivesse sido convidado ao passeio daquele dia, apareceu em Wakefield Manor justo quando as amigas de Adriana chegavam a cavalo para reunir-se com ela e uma nova amiga. Que outra coisa teria podido fazer, a não ser oferecer ao jovem uma montaria? Apesar de estar ciente de que
ela já estava comprometida com outro homem por um acordo que seus pais tinham assinado anos antes, a perseverança de Roger parecia infatigável, o que a levava a se perguntar se o ele pensava que sua determinação bastava para anular o contrato e assim conseguir sua mão.
Com expressão perplexa, Adriana arqueou as sobrancelhas enquanto apoiava um dedo no queixo.
—No entanto, por mais que tentasse conter Ulises, temo que ele não possa suportar a visão de outro cavalo diante dele. Se nega a ir trotando ao lado dos castrados de nossos estábulos, tal como o senhor Elston pôde testemunhar com seus esforços por não se atrasar. 
Não me surpreenderia que Ulisses considerasse uma afronta pessoal se relacionar com eles. Já sabe Harrison, que lorde Sedgwick se queixava frequentemente do espírito indomável do corcel.
O sorriso fugaz do criado insinuou um humor disfarçado pela aparência digna.
—Sim o fazia minha senhora, mas sempre com um brilho de orgulho nos olhos, devido a sua habilidade para dominar um corcel tão teimoso.



7 de agosto de 2016

A Noiva Prometida


"Casamos ou não, Caroline Holt?"

De repente, Caroline entendeu que todos na pequena comunidade do interior da Carolina do Norte aceitavam o motivo evidente pelo qual se casaria com Frederich Graeber.

Grávida, abandonada pelo verdadeiro pai da criança e com o parto para dali a poucos meses, seu filho só teria a lucrar se aquele fazendeiro másculo e impetuoso se tornasse seu marido. 
Só Caroline sabia que, ao aceitar a proposta de Frederich, estava se arriscando a trocar a liberdade de seu coração pelos caprichos daquele estrangeiro enigmático.

Capítulo Um

Março de 1862
Caroline Holt esperara a tarde inteira pela volta do irmão, Avery. Vez por outra, apro­ximava-se da janela e olhava os campos da fazenda Graeber. Ainda não acreditava que Avery tivesse algum assunto tão importante assim, a ponto de ser chamado para conversar com Frederich Graeber. Havia toda a terra para arar, afinal aproximava-se a época do plantio da primavera, além do que Avery desprezava o cunhado alemão.
Era quase noite quando seu irmão finalmente apareceu no pátio. Caroline voltou correndo para a cozinha e conti­nuou batendo a manteiga, uma tarefa que começara desde a saída dele. Concentrou-se vivamente na batedeira, deci­dida a não lhe dar o prazer de descobrir que estivera tão curiosa a respeito de sua ausência. Avery entrou imediata­mente na cozinha, deixando a porta escancarada por mais tempo que o necessário, deixando atrás de si um rastro de lama sem mostrar a menor preocupação com o esforço exaus­tivo de Caroline em esfregar o piso de carvalho até deixá-lo limpo. Ela estremeceu ao ser tocada pela corrente de ar frio, mas não fez o menor comentário.
— Frederich Graeber quer se casar com você — Avery informou sem preâmbulos.
Ela ergueu os olhos da batedeira de manteiga, sem alterar o ritmo das batidas. A declaração era tão ridícula que seu primeiro impulso foi de dar uma risada. O irmão não era um homem bem-humorado, mas ainda assim pensou que estivesse brincando. Por mais que ele estivesse desesperado para casá-la, nunca teria sugerido o nome de Frederich Graeber... a não ser por uma brincadeira de mau gosto.
— Quero que você se case com ele. Já respondi por você — continuou ele. — Vão fazer o anúncio na igreja alemã neste domingo... então Frederich vai apresentar-lhe o pedido formalmente.
Ela continuou encarando-o, percebendo agora que ele es­tava completamente sério e que aquele plano de casamento justificava a convocação de Frederich e a disposição de trazer as sobrinhas dela para visitá-la. "Pobre Avery", pensou ela. Ele não fazia a ideia da impossibilidade desse acordo. Pela primeira vez na vida ela sentiu pena do irmão.
— Por que está me olhando dessa maneira? — indagou ele, irritado. — Ouviu o que eu falei?
— Ouvi muito bem, Avery. E só posso imaginar que perdeu o juízo.
Ele lhe dirigiu um sorriso breve.
— E por que está imaginando isso?
— Você sabe que não posso me casar com Frederich Graeber.
— Não pode? — reagiu ele, aproximando-se.
Os cabelos dele estavam grudados na testa suada. Antes de ele ter saído para a fazenda de Graeber, Avery e o so­brinho de Frederich, Eli, estiveram espalhando esterco de cavalo sobre a terra recém-arada a manhã inteira. Ele re­cendia a esterco e, em algum lugar pelo caminho, devia ter parado para tomar uma caneca de cerveja... para comemorar o negócio que ele e Frederich pensavam ter fechado.
— Está tudo acertado, Caroline.


Coleção Barbara Cartland


Um Amor para a Eternidade  
Um encontro capaz de revelar segredos e despertar paixões!
Karla sentou-se diante do espelho, tirou a peruca e removeu a maquilagem que a transformava em uma senhora. Depois, colocou a camisola e deitou-se, exausta demais com a farsa que estava encenando. Porém, não conseguiu conciliar o sono: o marquês de Welbourne não lhe saía do pensamento. Mas como poderia sonhar com o amor se o marquês pensava que ela era uma mulher muito mais velha que ele, e, além de tudo, dama de companhia?


Um Anjo em minha Vida
Irreal, etérea, mas determinada a não apenas salvar a vida do marquês, como também conquistar seu coração!
Jean-Pierre, marquês de Castillon, retorna da guerra, ferido, e vai para o castelo que herdou.
Para seu desespero fica sabendo que se tornara tutor de três crianças, filhas de um coronel inglês de quem se tornara amigo no hospital, na Bélgica, para onde ambos-tinham sido levados, depois da batalha de Waterloo. O que ele não sabia era que Iva, a mais velha dos três, não era tão criança assim...
E ela se revelaria o anjo bom que iria guardá-lo e protegê-lo...
stava encenando. Porém, não conseguiu conciliar o sono: o marquês de Welbourne não lhe saía do pensamento. Mas como poderia sonhar com o amor se o marquês pensava que ela era uma mulher muito mais velha que ele, e, além de tudo, dama de companhia?




"Coleção Barbara Cartland"
Um Amor para a Eternidade - 351
Um Anjo em minha Vida - 346

30 de julho de 2016

Amar para Sempre

Série Berkley-Faulkner 
Alex Faulkner, duque de Stafford, conhece Mireille Germain na luxuosa mansão de Sackville, em Hampshire, durante uma caçada.

William Sackville, o anfitrião de meia-idade, deixa entrever a seus amigos e conhecidos que ela é sua amante quando, na realidade, sua relação não é mais que uma farsa.
Mira vive há dois anos na mansão, mas sua presença é puramente ornamental. 

Sackville é um homem poderoso com um segredo a ocultar, por isso, quando encontra Mira, não duvida em lhe oferecer amparo em troca de sua conivência na mentira. Ela aceita, pois tem algo a ocultar.
Mira e Alex sentem-se inevitavelmente atraídos desde o primeiro momento, e apesar da reticência de Mira em revelar seus segredos, Alex está destinado a descobrir tudo... Mas a jovem e gentil francesa está decidida a manter ocultas suas origens, assim como a verdadeira natureza da relação que a une a Sackville.

Capítulo Um

Chamava-se Mireille Germain, mas ninguém o sabia em Sackville Manor. Na realidade, ninguém na Inglaterra sabia. Imaginava ser um grande problema que alguém conhecesse sua verdadeira identidade, algo que resolveu deixando aquele nome em seu país natal, a França. Aqui era Mira, um nome que gostava muito mais.
Apoiando os cotovelos no batente da janela da torre, inclinou-se para frente e desfrutou da brisa e da esplêndida vista que a altura do lugar lhe oferecia. Divertia-lhe observar a chegada dos convidados de lorde Sackville; damas e cavalheiros de alta linhagem que passavam o tempo pavoneando-se, um costume do qual Mira zombava abertamente, até que lorde Sackville a tomou sob sua tutela. Agora tinha melhores maneiras, mas apesar da rigorosa educação recebida, alguns de seus velhos costumes e crenças estavam muito arraigados para que pudesse mudá-los. Tinha crescido em um mundo muito diferente desse, em que a falsa cortesia da classe privilegiada era considerada algo desprezível.
Uma nova carruagem se aproximou da mansão e percorreu o comprido caminho arborizado do portão. O veículo trazia as cores azul marinho e negro, muito vistosas. Segundo os rumores que circulavam em Sackville sobre os convidados que assistiriam à caçada, o azul e o negro eram as cores dos Falkner. Quando a carruagem com elegantes cavalos parou bem diante do pórtico, Mira inclinou a cabeça um pouco mais, concentrando seus olhos cor de café na figura de Alexander Falkner, duque de Stafford, que neste momento descia do veículo.
Aparentava menos idade do que tinha imaginado e era muito elegante, tinha a pele morena e o cabelo escuro cortado na altura da nuca. Endireitou o casaco com porte arrogante e se encaminhou para a frente da carruagem. Em um homem menor, aquela caminhada teria sido considerada uma ostentação, pensou Mira sorrindo levemente, enquanto fixava o olhar nele. Esse homem estava rodeado de vitalidade e fortaleza que o tornava muito atrativo. Nestes dias, estava muito na moda que os homens adotassem a romântica palidez que caracterizava Byron.
A maioria dos cavalheiros pareciam indolentes e melancólicos, como se estivessem cheios de um desejo desesperado, mas este homem em particular parecia carecer de tais pretensões.
Mira apoiou o queixo nas mãos, enquanto o observava estender uma mão morena em volta de um dos cavalos e acariciar seu pescoço, com um gesto distraído. Sorriu por algo que havia dito o cocheiro e seus dentes brilharam em contraste com a pele escura.
Seria realmente este homem o lorde Falkner que tanto sofreu com a morte de seu primo? Não parecia ter sofrido uma grande perda recentemente. Sackville disse que Falkner lamentava profundamente o assassinato do primo, mas Mira decidiu que aquele devia ser outro dos típicos exageros de Sackville. 

Em sua curta vida viu muito frequentemente a morte e as sombras, mas não havia rastros de aflição no rosto de lorde Falkner.
Apareceram dois lacaios de Sackville com perucas empoadas com talco e uma imponente pomposidade; inclinaram-se ante Falkner e abriram as portas.
Depois que ele entrou na casa, chegaram mais carruagens com diversos convidados ricamente adornados, mas Mira os observou sem muito interesse, pois ainda tinha a mente no moreno recém-chegado.
William Sackville recebeu Alec na biblioteca, com uma bebida na mão e um sorriso no rosto. Esta expressão de prazer e bom humor era algo que oferecia muitas vezes, e por que não fazê-lo? Salvo uma esposa e herdeiros que perpetuassem sua linhagem, tinha tudo o que um homem podia desejar, uma propriedade bem administrada, muitos amigos, estabilidade financeira e o respeito de todos os que o conheciam.
Seus principais interesses, a política e as caçadas, eram bem conhecidos por seus amigos e mudavam conforme as estações do ano: toda primavera ia a Londres para representar Hampshire nas sessões do Parlamento, e a cada outono se retirava para caçar em sua propriedade.


Série Berkley-Faulkner
1 - Onde a Paixão nos leve
2 - Amar para Sempre
Série concluída

27 de julho de 2016

Amante da Meia-Noite

Série Guerreiros Sombrios



A luta é contra o mal. 

Obrigado aos deuses. 
Os Guerreiros das Trevas estão batalhando desde a Escócia antiga até o mundo moderno — onde amor de uma mulher poderá libertá-los.
A Paixão de um Guerreiro
Conduzido pelo Deus feroz dentro dele, o Highlander Ian Kerr está determinado a lutar pela terra que ama e o irmão que perdeu. 
Mas quando é magicamente transportado para quatro séculos no futuro, encontra-se lutando contra seus próprios desejos... por uma mulher bela e encantadora, que poderia prender um guerreiro encantado.
A Magia de uma Mulher
Danielle Buchanan ouviu as lendas. Sentiu o poder do sangue de Druidesa em suas veias. Mas nunca conheceu um homem tão temível — ou tão assombrado — como o guerreiro Ian. 
Com sua magia, Dani deve ajudá-lo a combater um mal antigo. 
Com seu coração, deve acompanhá-lo em sua busca. Mas apenas com sua alma pode libertá-lo de sua maldição. E selar seus destinos juntos.

Capítulo Um

Inverness — Véspera de Ano Novo
Danielle fechou as botas que alcançavam seus joelhos e levantou-se da cama para olhar fixamente no espelho de corpo inteiro atrás de sua porta. Girou para um lado então para o outro olhando para o vestido preto colante que abraçava suas curvas.
— Definitivamente preciso malhar mais, — murmurou com uma careta e encolhendo seu estômago.
A porta foi aberta e Whitney, uma de suas colegas de quarto, meteu sua cabeça escura pela porta. — Uau, Dani. Você está maravilhosa!
— Tem certeza que não quer vir comigo? — Danielle pediu pela décima vez. Elas planejaram passar o ano novo juntas com outro grupo de amigos dois meses atrás, mas agora Dani acabou ficando sozinha com Mitchell. Não que Mitchell fosse um cara mau, só alguém que ela não se interessava em ter um encontro.
Whitney riu e agitou sua cabeça. — De jeito nenhum! Joe disse que tem algo que quer conversar comigo. Eu acredito que finalmente vai me pedir para casar com ele. Eu estou esperando por meses!
Danielle sorriu e abraçou Whitney. Ficava feliz por sua amiga, mas era apenas outra lembrança de que estava sozinha. Novamente.
— Quero que você me chame tão logo ele proponha. Bem, depois de você dizer sim, claro. — Danielle disse com uma risada.
— Eu ligo. Eu prometo. Escute, vim para perguntar se me emprestaria seu sapato preto de salto. O novo que você comprou esta semana?
Danielle se apressou até o armário e abriu a caixa com seus Kate Spade[1]. — Isso! Você precisa estar no seu melhor. Você sabe que as pérolas de Clair ficariam ótimas com seu vestido.
— Eu já as pedi emprestadas. — Whitney disse e pegou os sapatos. — Eu tenho as amigas mais maravilhosas do mundo.
Danielle sorriu quando apoiou sua mão na maçaneta. — Eu sou apenas grata que todas nós vestimos o mesmo tamanho. Isso me economizou muito dinheiro ao longo dos anos.
Quando Whitney caminhou para seu quarto, Danielle fechou a porta e seu sorriso esmaeceu. Era um grupo animado de amigos para festejar. Não que Danielle fosse uma festeira. Era o oposto na verdade. Tinham sido elas que a convenceram a comemorar nesse Ano Novo. E por caso você não saiba que todo mundo teria algo planejado com seus namorados?
Danielle suspirou e olhou para o relógio em sua cabeceira. Era um pouco mais de dezessete horas. Tinha tempo suficiente para fazer algumas coisas antes de encontrar com Mitchell e irem para a Blink’s. A Blink’s era a mais nova e concorrida boate em Inverness, e eles estavam organizando um inferno de uma festa hoje à noite.
Depois de mais uma olhada no espelho, Danielle alcançou as pulseiras em sua penteadeira e deixou seu quarto. Gostava do som das pulseiras de prata ao deslizar seus braços.
— Estou indo! — Danielle gritou.
— Cuide—se! — Whitney gritou por sua porta. — Tem previsão de uma nevasca para hoje à noite!
Danielle gemeu interiormente enquanto embrulhava seu cachecol ao redor seu pescoço antes de vestir suas luvas. — Era só o que faltava!
Agarrou sua bolsa e chaves e deixou o apartamento. Uma explosão de vento frio a encontrou enquanto fechava a porta e se apressava pelos degraus em direção a seu carro encostado no meio fio.
O carro, um Mini econômico dos anos 70, tinha sido de sua tia Josie. Quando Josie ficou muito doente para dirigi-lo, deu-o para Danielle. Danielle amou o carro, mesmo que não fosse muito confiável.
Destrancou sua porta e deslizou no assento do motorista. Como sempre, o carro não pegou na primeira tentativa.
— Vamos! 










Série Espada Negra
1– O Beijo do Demônio
2– O Pergaminho Oculto
3– Highlander Perverso
4– Highlander Selvagem
5– O Amuleto Secreto
6– O Highlander Escuro
Série Espada Negra continua...com salto no futuro
Série Guerreiros Sombrios
1- Mestre da Meia-Noite 
2-  Amante da Meia-Noite




26 de julho de 2016

O Prelúdio de Camelot



Um menino nascido para ser rei

Uther Pendragon, o rei de Kernow, deseja Ygraine, mulher de um de seus vassalos. Com a ajuda do mago Myrddin, ele consegue tê-la e, com ela, concebe Arthur.
Arthur cresce sem saber quem é seu pai. Seu mentor é Myrddin, e a única coisa que ele sabe é que deve lutar para salvar a Bretanha dos saxões...
Uma menina destinada a ser rainha
O melhor amigo de Arthur é Bedwyr, irmão mais velho de Gwen, uma menina independente e corajosa, que vive em Cameliard e está determinada a livrar o vilarejo do jugo de um homem, seja ele quem for. Arthur e Gwen só se viram quando crianças, mas na adolescência ela tem sonhos freqüentes com um guerreiro valente e bonito, alguém que ela não conhece, mas que lhe desperta fantasias românticas e sensuais...
Um príncipe com sangue de feiticeiro
A força de Lancelot nas batalhas se equipara à de Arthur, assim como suas habilidades na cama... uma competição que um dia irá determinar o destino de Camelot...

Capítulo Um


Bretanha,  485 d. C.
Arthur, com dez anos, bateu as costas na carroça, espalhando pelo chão os pães frescos, irritando o mercador. A praça ruidosa ficou parada com a briga dos garotos com os ciganos.
Arthur gemeu ao se contorcer no chão, segurando a virilha, onde tinha sido atingido. O segundo chute acertou as costas miúdas e o fez ranger os dentes de fúria. Com um movimento repentino e ágil, virou-se e pegou o oponente pelas pernas, derrubando-o no chão. De joelhos, acertou um soco no rosto do cigano.
Com o canto dos olhos, viu o irmão, Kai, lutando com dois meninos ciganos e um terceiro que disparava em sua direção.
Afinal, por que Kai os teria xingado de cães piores que os saxões? Teriam problemas com sir Ector quando chegassem em casa!
Foi então que viu o brilho de uma adaga. Um homem de olhos escuros e com a cabeça coberta por um lenço sujo, rumava em direção de Kai com a lâmina em punho.
— Cuidado! — gritou Arthur, ao se colocar de pé e correr na direção do homem.
O estranho virou-se ligeiro, a adaga cortando o ar na direção de Arthur. Um braço, vindo do meio da multidão, não se sabe de quem, prendeu o pulso do atacante, que deixou a adaga cair no chão.
Myrddin soltou o homem ao se destacar do meio das pessoas.
— Chega. Tirem suas carroças e caiam fora daqui!
Ele encarou um a um dos presentes, os cabelos emaranhados mais parecendo a juba de um leão. Os ciganos se dispersaram sem demora, deixando os dois meninos com o druida.
— O que houve? — perguntou.
Kai mancou uns passos à frente.
— Um deles estava tentando roubar um pedaço de carne, e decidi impedi-lo. — Como Myrddin não disse nada, ele continuou: — Está bem, eu devo tê-lo xingado também.
— Por que estava brigando também? — Myrddin questionou Arthur, pousando nele seus olhos claros de águia.
Arthur levou a mão à boca e passou a língua para limpar o sangue que escorria em um canto.
— Eu tinha de defender Kai. Ele é meu irmão.
— É mesmo. Obrigado. — Kai parecia um carneiro. — Eu não fazia ideia de que eles eram muitos. Eu podia tê-los derrotado. Você sabe como gosto de uma boa briga.
— Quantas vezes eu já não disse que é melhor usar a cabeça em vez dos punhos? — indagou Myrddin. — Lutem apenas em casos extremos.
— Mas... — Kai protestou.
— Basta. — Myrddin levantou-se, ostentando sua altura sobre Kai, que recuou. — Trate de arrumar as carroças e ajeitar a bagunça que criou, além de pagar por tudo que estragou dos mercadores. Será difícil compensar a perda de alimentos, que além de um desperdício, é um insulto aos deuses. Mas estes saberão como lidar com você. Vamos ver o que sir Ector tem a dizer.
Ector empalideceu ao ouvir as histórias. Sua esposa, Bronwen, rezava baixinho enquanto enrolava as costelas de Arthur, olhando, nervosa, para o marido.
— Já que os dois fizeram papel de tolos em praça pública, podem tomar o lugar dos bufões no jantar e ceder-lhes seus lugares — declarou Ector com voz grave.
O coração de Arthur se confrangeu. Detestava ter de cantar e fazer papel de bobo. Se assim fosse, não teria tempo de estudar a lição de astronomia de Myrddin. Não haveria como se desculpar. Correu o olhar pela sala à procura do mentor, mas Myrddin continuou impassível. Arthur passou os dedos pelos cabelos.
— Estávamos nos defendendo, sir — disse Kai com o rosto vermelho. — O garoto estava tentando roubar carne!
Ector balançou a cabeça com veemência.
— Esse é um lar cristão, Kai. Não lhe passou pela cabeça que ele podia estar com fome? Você bem sabe que os ciganos não são bem aceitos.
— Mas ele continua sendo um ladrão.
Arthur prendeu a respiração. A atitude do irmão iria colocá-los em apuros de novo.
Fique quieto, Kai.
— E nessa sua batalha para salvar um pedaço de carne, você conseguiu destruir muita coisa que alimentaria os aldeões por alguns dias. — Ector relanceou o olhar para Arthur e voltou para o filho. — Vocês dois podem muito bem passar sem comida por um dia. Esta será a penitência.
Myrddin bateu no ombro de Arthur.
— É o carma, menino. Não lhe disse para não insultar os deuses?