27 de fevereiro de 2015

Paixão da Governanta




Ela não se renderia… A governanta Serena Barton tinha sido despedida de seu posto três meses atrás. 

Como não podia encontrar outro emprego, optou por exigir compensação ao homem culpado de sua demissão, um duque mesquinho, egoísta e canalha. Mas não era ao duque ao que temia, a não ser a sua mão direita, o homem conhecido como o Lobo de Clermont. 
O temível ex-pugilista havia conseguido má fama resolvendo os assuntos sujos do duque e, embora Serena soubesse que não poderia nada contra ele, tinha que tentá-lo, pois estava em jogo todo seu futuro. 
Ele não podia ceder… Hugo Marshall era ambicioso e desumano, característica que lhe tinham servido para subir de filho de um mineiro de carvão a mão direita de um duque. 
O dia que seu chefe lhe ordenou que se livrasse da irritante governanta por bem ou por mal, para ele era só um dia mais de trabalho. 
Infelizmente, não conseguiu convencer Serena por bem e, à medida que foi conhecendo-a, descobriu que não era capaz de fazê-lo por mal. Mas só poderia satisfazer suas ambições se ela se fosse. Tinha que escolher entre a vida que procurava e a mulher a que tinha começado a amar.

Capítulo Um

Londres, outubro de 1835
Acima a porta da Biblioteca se fechou com tal fúria que sacudiu até o marco. Uns passos ruidosos cruzaram a estadia e se aproximaram do escritório de Hugo. E punhos fortes golpearam a superfície de madeira. —Maldita seja, Marshall! Tem que arrumar isso.
Apesar do dramatismo dessas palavras, Hugo Marshall não levantou a vista de seus livros, mas sim esperou em silêncio, escutando o ruído das botas sobre o tapete. Não era um criado e se recusava ser tratado como tal. Sua paciência se viu recompensada um momento depois.
—Arruma-o, por favor — murmurou o duque de Clermont. Hugo elevou a cabeça. Um observador não treinado fixaria sua atenção no duque de Clermont, aparentemente no comando, resplandecente com um colete tão bordado em ouro que quase fazia mal à vista. 
Esse observador desdenharia ao apagado senhor Marshall, embelezado como ia com uma indumentária cujo leque de cores oscilava do marrom ao marrom mais escuro. A comparação não se deteria no vestuário. O duque era respeitavelmente volumoso sem chegar a ser gordo; tinha rasgos patrícios afiados e aristocráticos e uns olhos azuis vivazes aos que parecia que não lhes escapava nada. 
Um observador não treinado, que comparasse isso com a expressão anódina e o cabelo cor arenosa de Hugo, chegaria à conclusão de que o duque estava no comando. Esse observador não treinado seria, na opinião de Hugo, um idiota. Hugo deixou a pluma em seu lugar. 
—Não era consciente de que teria que arrumar nada — além do assunto de Sua Excelência a duquesa—. Quer dizer, nada que entre dentro de minhas atribuições. Clermont se encrespou visivelmente, com uma energia nervosa. Esfregou-se o nariz de um modo que tinha muito pouco de educado.
—Há algo mais. Surgiu esta manhã — olhou pela janela com o cenho franzido. A biblioteca da mansão de Clermont em Londres estava situada no segundo piso e não tinha uma vista chamativa. Pela janela se via somente a praça de Mayfair. 
O outono havia tornado marrons e amarelas as folhas verdes das árvores. Umas partes de ervas secas e uns quantos matagais opacos rodeavam um único banco de ferro forjado, no que se sentava uma mulher. 
Tinha o rosto oculto por um chapéu de asa larga decorada com uma fina fita rosa. Clermont apertou os punhos. Hugo quase pôde lhe ouvir chiar os dentes. Mas a voz do duque soou indiferente. 
—Se me negar a ceder às ridículas exigências da duquesa, te ocupará de arrumá-lo tudo, não é assim? — perguntou. Hugo o olhou com severidade. 
—Nem o sonhe, Excelência. Sabe o que há em jogo. O duque cruzou os braços com ar de desafio. Verdadeiramente, não compreendia a situação; aí estava o problema. 
Era um duque e os duques não sabiam o que era economizar. Se não fosse por Hugo, as grandes propriedades de Clermont teriam se arruinado anos atrás sob o peso das dívidas. 
Em qualquer caso, seguiam flutuando pelos cabelos… e isso só graças ao recente matrimônio do duque.
—Mas é tão pouco agradável! 



Baía da Escocesa

Série Os Greshan

Adam Brenton, Visconde de Teriwood, é assassinado quando tenta desmascarar uma traição. Pouco depois, sua irmã Kimberly recebe a notícia, em Nova Iorque, de que Adam cometeu suicídio. Incrédula, decidi viajar para a Inglaterra para esclarecer os fatos.
Christopher Gresham, conde de Braystone, foi amigo de Brenton na infância e não se esqueceu de sua antiga amizade, apesar de ter se distanciado ao longo dos anos. É por isso que decide realizar suas próprias investigações sobre sua morte, enquanto colabora com o governo investigando os roubos de navios ingleses.
Quando Kimberly começa a investigar a vida de seu irmão, Christopher torna-se seu principal suspeito. Nem a atração nem o desejo que surge entre eles fará Kim desistir de sua decisão de se vingar do assassino de Adam.

Capítulo Um

Inglaterra, 1820
A chuva o estava encharcando e Adam Brenton, Visconde de Teriwood, sentiu frio. Um frio espantoso. Mas não pelo ar gélido, que formava redemoinhos com sua capa ao redor de suas pernas, mas pelo cano negro apontado a sua cabeça.
Sobrepondo-se ao assombro que o paralisava e tentando conservar a calma, olhou o sujeito que apontava a pistola. Um músculo lhe contraiu junto ao lábio superior, único indício que sentia a pressão do medo. Deu uma olhada rápida às longínquas e difusas figuras que trabalhavam sem descanso um pouco mais à frente.
Agora, pouco lhe importava o ir e vir dos marinheiros que descarregavam na praia, ainda que soubesse que eram contrabandistas. Não era uma ocupação incomum naqueles tempos. Muitos traziam mercadorias da França, e as autoridades, tão necessitadas de certos artigos quanto o povo, olhavam para o outro lado.
Mas naquela ocasião, não se tratava somente de contrabando. Não, ao menos, para o homem que agora lhe apontava a arma. Tinha-o visto entregar uma pasta ao capitão do veleiro francês. Por isso se encontrava em tão delicada situação. Sua estupidez permitiu que o descobrissem e agora... Não, definitivamente, a palavra para o desgraçado era «traidor».
Consciente da ameaça que enfrentava, desfilaram por sua cabeça mil imagens. Um torvelinho em sequência de toda sua vida em poucos segundos, que lhe pareceram eternos. Uma furiosa frustração se apoderou dele, porque teve consciência de que ia morrer, justo quando acabava de encontrar um motivo pelo qual aferrar-se à vida, uma razão pela qual lutar.
— Suponho que não há maneira de arrumar isto, como cavalheiros.
Disse para ganhar tempo, só um pouco mais de tempo, arranhar segundos à morte.
— Não, Brenton. Não há. — foi a resposta.
Adam sabia que só um milagre poderia salvá-lo. Nesse momento, perguntou-se por que tinha iniciado aquela errática investigação, ele, que nunca se teve por audaz, nem sequer ousado. Foi por honra? Esboçou uma ameaça de sorriso irônico. Sim, certamente foi isso, a maldita honra que o tinha levado à precária situação em que se encontrava. O pretexto que usava para justificar, na maioria das vezes, as ações mais desatinadas.
Doía deixar-se matar assim, sem opor resistência, como gado. Mais ainda, quando seu agressor tinha compartilhado com ele tão bons momentos; tinha chegado a considerá-lo seu amigo. Que idiota tinha sido, confiando nele. Agora, quando já era muito tarde, compreendia muitas coisas, todas as dúvidas se esclareciam.

Série Os Greshan
1 - Baía da Escocesa
2 - Reinar em seu Coração
3 - Lágrimas Negras
Série Concluída

22 de fevereiro de 2015

A Paixão da Governanta

 Série Os Irmãos Sinitros
Ela não se renderia… 


A governanta Serena Barton tinha sido despedida de seu posto três meses atrás. 
Como não podia encontrar outro emprego, optou por exigir compensação ao homem culpado de sua demissão, um duque mesquinho, egoísta e canalha. 
Mas não era ao duque ao que temia, a não ser a sua mão direita, o homem conhecido como o Lobo de Clermont. 
O temível ex-pugilista havia conseguido má fama resolvendo os assuntos sujos do duque e, embora Serena soubesse que não poderia nada contra ele, tinha que tentá-lo, pois estava em jogo todo seu futuro. 
Ele não podia ceder… Hugo Marshall era ambicioso e desumano, característica que lhe tinham servido para subir de filho de um mineiro de carvão a mão direita de um duque. 
O dia que seu chefe lhe ordenou que se livrasse da irritante governanta por bem ou por mal, para ele era só um dia mais de trabalho. 
Infelizmente, não conseguiu convencer Serena por bem e, à medida que foi conhecendo-a, descobriu que não era capaz de fazê-lo por mal. Mas só poderia satisfazer suas ambições se ela se fosse. 
Tinha que escolher entre a vida que procurava e a mulher a que tinha começado a amar.

Capítulo Um

Londres, outubro de 1835 
Acima a porta da biblioteca se fechou com tal fúria que sacudiu até o marco. Uns passos ruidosos cruzaram a estadia e se aproximaram do escritório de Hugo. E punhos fortes golpearam a superfície de madeira. —Maldita seja, Marshall! Tem que arrumar isso. 
Apesar do dramatismo dessas palavras, Hugo Marshall não levantou a vista de seus livros, mas sim esperou em silêncio, escutando o ruído das botas sobre o tapete. Não era um criado e se recusava ser tratado como tal. Sua paciência se viu recompensada um momento depois. 
—Arruma-o, por favor — murmurou o duque de Clermont. Hugo elevou a cabeça. Um observador não treinado fixaria sua atenção no duque de Clermont, aparentemente no comando, resplandecente com um colete tão bordado em ouro que quase fazia mal à vista. Esse observador desdenharia ao apagado senhor Marshall, embelezado como ia com uma indumentária cujo leque de cores oscilava do marrom ao marrom mais escuro. 
A comparação não se deteria no vestuário. O duque era respeitavelmente volumoso sem chegar a ser gordo; tinha rasgos patrícios afiados e aristocráticos e uns olhos azuis vivazes aos que parecia que não lhes escapava nada. Um observador não treinado, que comparasse isso com a expressão anódina e o cabelo cor arenosa de Hugo, chegaria à conclusão de que o duque estava no comando. 
Esse observador não treinado seria, na opinião de Hugo, um idiota. Hugo deixou a pluma em seu lugar. —Não era consciente de que teria que arrumar nada — além do assunto de Sua Excelência a duquesa—. Quer dizer, nada que entre dentro de minhas atribuições. Clermont se encrespou visivelmente, com uma energia nervosa. Esfregou-se o nariz de um modo que tinha muito pouco de educado.
—Há algo mais. Surgiu esta manhã — olhou pela janela com o cenho franzido. A biblioteca da mansão de Clermont em Londres estava situada no segundo piso e não tinha uma vista chamativa. Pela janela se via somente a praça de Mayfair.
 O outono havia tornado marrons e amarelas as folhas verdes das árvores. Umas partes de ervas secas e uns quantos matagais opacos rodeavam um único banco de ferro forjado, no que se sentava uma mulher. Tinha o rosto oculto por um chapéu de asa larga decorada com uma fina fita rosa. Clermont apertou os punhos. Hugo quase pôde lhe ouvir chiar os dentes. 
Mas a voz do duque soou indiferente. 
—Se me negar a ceder às ridículas exigências da duquesa, te ocupará de arrumá-lo tudo, não é assim? — perguntou. Hugo o olhou com severidade. 
—Nem o sonhe, Excelência. Sabe o que há em jogo. 

Submissa ao Guerreiro

Série MacLerie

Aidan MacLerie é bravo, destemido e leal ao clã, mas seu coração continua insatisfeito. Até conhecer a deslumbrante Catriona MacKenzie. 

Por ser uma mulher casada, Aidan jamais teria permissão para possuí-la. 
Mesmo assim, busca sua total rendição a cada beijo. 
Quando o marido de Cat é derrubado no campo de batalha, ela fica sem recursos e com a reputação em farrapos. 
Aidan é o único homem com poder para protegê-la. 
Cat precisa apenas se submeter ao seu coração de guerreiro…

Capítulo Um

Ela não era o tipo de mulher para a qual olharia, mesmo assim, chamou sua atenção.
Aidan MacLerie decidiu parar para matar a sede num poço no meio do vilarejo antes de seguir para o castelo. Seus homens tinham continuado montanha acima para encontrar suas esposas e famílias, que os aguardavam, enquanto Aidan parou para descansar. 
Adorava o vilarejo ao redor do castelo, pois costumava encontrar companhia feminina ali e raramente se desapontava.
Ele a observou se aproximar pela borda do balde, no qual tomava água. Ela não parecia estar passeando ao movimentar os quadris exuberantes ao atravessar o pátio até o poço, vinha abraçada a um balde, pressionando-o contra os seios que ele imaginou serem fartos como os quadris. Pelo lenço que usava na cabeça, ficou claro que era uma mulher casada, ou talvez o seu tipo favorito… uma viúva.
Podia se divertir com uma viúva. Além disso elas eram experientes na arte do amor e na maneira como encaravam o mundo que as rodeava, ou seja, não tinham ilusões quanto a importância de um caso amoroso em suas vidas.
Ao chegar mais perto ela sorriu, o que o deixou enrijecido e pronto para o prazer.
Ah, sim, ela seria diferente de suas companheiras de cama, mas teriam muito prazer. Sem dúvida a possuiria.
— Bom dia — ele a cumprimentou sorrindo quando ela chegou mais perto do poço. — Deixe-me ajudá-la com isso — ofereceu, estendendo a mão para pegar o balde.
— Obrigada, milorde — disse ela numa voz doce que fez o desejo espiralar por dentro dele.
A voz era feminina e tinha o tom da luxúria, assim como o restante do corpo dela. Ela gritaria o nome dele assim que a penetrasse, conduzindo-a ao ápice do prazer. Aidan se distraiu jogando o balde dentro do poço e puxando-o cheio em seguida.
— Você sabe quem sou eu? — perguntou ele. Aidan não se lembrava de tê-la encontrado antes.
— Sim, milorde — disse ela, pegando o balde das mãos dele. — Você é o filho mais velho do conde.
— Aidan — se apresentou ele, ansioso por ouvi-la pronunciar seu nome. Sentiu a masculinidade endurecida e o sangue correr mais rápido nas veias, antecipando o que estava por vir. — Meu nome é Aidan.
— Sim, milorde — respondeu ela, afastando-se depois de inclinar a cabeça com cortesia.
Mas ele não tinha intenção alguma em deixá-la escapar antes de descobrir seu nome.
— Estou em desvantagem, senhorita, pois você sabe quem sou, mas e eu não me lembro de tê-la conhecido.
— Nunca nos encontramos, milorde. Sou Catriona MacKenzie — respondeu ela, encarando-o.
Foi quando ele percebeu que talvez ela fosse mais velha do que pensara, possivelmente até mais velha que ele.
— O que uma MacKenzie está fazendo em Lairig Dubh?
A família MacKenzie tinha sido adversária dos MacLeries por um bom tempo, até que o irmão de Aidan se casara. Rob Matheson tinha forçado as duas famílias a negociarem as desavensas, o que aliviou a tensão dos dois clãs mais poderosos das Terras Altas.
— Eu me casei com Gowan MacLerie — disse ela simples e direta, o que teria desanimado qualquer homem.
Menos Aidan.
Gowan era um dos homens de Rurik e bem mais velho que Aidan. Ele era também um treinador habilidoso de guerreiros e se ausentava de Lairig Dubh com frequência, seguindo para outras propriedades do conde.
Aidan sorriu, sentindo as possibilidades a seu favor aumentarem a cada minuto. Sem qualquer intenção de deixá-la partir, estreitou a distância que os separava e pegou o balde das mãos dela.
— Permita-me carregar isso para você.
Num primeiro momento, pela maneira como ela comprimiu os lábios adoráveis e o fuzilou com os olhos azuis, parecia que iria rejeitar a ajuda. Mas depois de hesitar brevemente, ela se virou e o conduziu por um caminho estreito que levava na direção de um grupo de chalés de camponeses.
Aidan não perdeu a oportunidade de estudar a sra. Catriona MacKenzie andando a sua frente. Mechas de cabelo castanho escapavam do lenço dela, e Aidan precisou lutar contra a urgência de soltá-los. 
Imaginou se o cabelo cairia em cascata sobre o lindo traseiro que balançava com o caminhar. Usando o balde para esconder o que pretendia fazer, ele afrouxou as calças, já que a ereção não iria ceder, pelo menos não até encontrar uma maneira de levar a sra. MacKenzie para a cama, despi-la e levá-la a se abrir para tocá-la intimamente.
Ela tomou o caminho da esquerda até parar diante do último chalé de uma série. Olhando ao redor, Aidan procurou ouvir se alguém se aproximava. Não era sempre que procurava mulheres casadas, mas também não as ignorava, principalmente aquela a quem já havia decidido assediar. 
Trataria de ser discreto e não envergonhá-la ou ao marido sem necessidade, mas não tinha dúvidas de que iria possuí-la. E logo.
Ela se virou para encará-lo, esticando o braço para pegar o balde. Em vez de estender o balde a ela, Aidan o colocou no chão e tomou-lhe uma das mãos estendidas, levando-a a boca. Ao se contrair, ela deu a entender que tinha ficado nervosa, mas logo se recompôs.
— Muito obrigada pela ajuda, milorde — agradeceu ela, tentando manter a distância mesmo que ele lhe segurasse o pulso.
— Até uma próxima vez, senhora — sussurrou Aidan...

O Segredo do Conde

Série MacLerie

Uma guerra de palavras. Uma batalha pelo amor.

O conde de Treybourne não se daria por vencido em uma discussão com um jornalistazinho insignificante. 

Assim, ele foi a Edimburgo, disfarçado como o simples Sr. Archer, para descobrir a verdadeira identidade de seu "rival". Um plano infalível... Até ele se ver distraído pela bela Srta. Anna Fairchild.
Erudita e solitária, ela não tinha qualquer interesse em se casar, embora sentisse uma estranha afeição pelo charmoso e enigmático cavalheiro. 
Mas, com seus próprios segredos a guardar, Anna fazia um jogo perigoso que poderia ameaçar a tênue ligação entre eles. Entre mentiras e desejos, poderia o amor florescer?

Capítulo Um

Londres, Inglaterra
— Maldução!
As pilhas de papéis de suas diversas participações comerciais que estavam sobre a escrivaninha de mogno se espalharam e caíram no chão quando ele atirou a edição mais recente da Scottish Monthly Gazette sobre o móvel. 
Uma raiva incomum cresceu dentro dele, que não resistiu e pegou a revista de volta para dar mais uma última olhada. Com certeza não havia lido o editorial direito. Obviamente, o autor não citara seu nome. Claro que não.
Ainda assim, após uma leitura cuidadosa, David Lansdale viu que sua raiva tinha, ao menos em parte, razão de ser; na segunda página, na coluna editorial, estava não apenas o seu título, conde de Treybourne, mas também observações espúrias contra os argumentos apresentados em seu próprio artigo, no mês anterior, na respeitável Whiteleaf's Review.
— Milorde?
David ergueu o olhar e viu o mordomo à porta de seu estúdio.
— Não quero ser incomodado, Berkley.
— Compreendo, milorde — replicou Berkley com uma mesura respeitosa —, mas lorde Ellerton está aqui e não parece disposto a ir embora sem falar com o senhor.
Ele já deve ter visto isso, pensou David, olhando de relance para a edição mais recente da Gazette. E não importava o quanto seu amigo tentasse demonstrar solidariedade, sempre soava como se estivesse tripudiando.
— Então você deve tentar demovê-lo da idéia de maneira mais convincente, Berkley. Não quero saber de visitantes neste momento. — Deixando transparecer seu desagrado, ele reiterou: — Nada de visitantes. - Berkley, o mordomo perfeito, aproximou-se da papelada espalhada sobre a escrivaninha e pelo assoalho à sua volta. Abaixou-se para recolhê-la.


Série MacLerie
1 - Domando o Highlander
2 - Tudo por Desejo
3 - Guerra de Paixões
3.5 - Guerreiro Domado
4 - Amor Proibido
5 - Amor Renegado
6 - Tentação Perigosa
6.5 - The Forbidden Highlander
7 - Submissa ao Guerreiro
8 - O Segredo do Conde
8.5 - One Candlelit Christmas

21 de fevereiro de 2015

O Mistério do Castelo Du Condrey

Lançamento Autora Brasileira






A vida é feita de sonhos e mistérios.

À cada dia vivemos um sonho e um mistério, que muitas das vezes não podem ser revelados sob pena de se tornarem realidade, portanto, não contrarie seus sonhos, se não quiserem vê-los reais.
"O Mistério do Castelo Du Condrey". Trata-se de uma história apetitosa que envolve suspense, romance e muito mistério.
Trata-se da história de uma garota que não queria ser normal e conseguiu o que queria, todavia como diz o ditado: “Deve-se tomar cuidado com aquilo que deseja”. 
Leia mais...

Bastardos

Lançamento de Autora Brasileira
Ryan de Murray é encarregado pelo senhor de Murray e também seu pai de criação a investigar constantes roubos que vem acontecendo na região, ele não imaginava que além de lidar com um vilarejo recentemente incendiado encontraria uma fêmea que gostava de se vestir de homem e que foi capaz de desembainhar a espada para ele.

Ryan estava acostumado a mulheres chorosas ou até mesmo fogosas, mas não impetuosas como Chloe.
Ele não entendia o porquê de ela prender cabelos tão bonitos e esconder suas formas debaixo de túnicas, nem o desejo incontrolável que sentia quando estava perto dela, mas não iria se deixar levar por uma fêmea, pois aprendeu desde cedo, com a mulher que te deu a vida, que não deveria confiar em nenhuma delas.
Chloe não iria abaixar a cabeça para um homem, já havia sofrido muito nas mãos de um para deixar que a história se repetisse, mesmo que esse homem fosse tão atraente como Ryan de Murray.


Capítulo Um 

Londres, 1086.
_ Não temos que ir, isso é ridículo. Temos pessoas inferiores para fazerem isso.
As terras de Sir. George de Murray estavam sendo atacadas por ladrões e ele encarregou seu filho de criação, Ryan, de resolver a situação.
_ Não são pessoas inferiores, são nossos amigos.
Ryan respondeu olhando para Harry, que se encontrava no canto da porta. Sempre fiel, Jack sabia muito bem magoar, mas, para Ryan, ele era um bom amigo desde os tempos de infância. Ryan mirou Jack nos olhos _ verdes como os do homem que considerava seu pai _, mas não encontrou a mesma sinceridade.
_ Se não dão o exemplo, como vou confiar em deixar minhas terras para meus filhos quando me for?
George, um senhor de meia idade, mas ainda bastante forte, cabelos grisalhos mesclando com os loiros e profundos olhos verdes, desceu as escadas e se juntou aos seus filhos que estavam no centro do salão.
O solar estava vazio, sem nenhum criado, pois mal havia amanhecido.
_ Harry. _ George o cumprimentou.
Harry respondeu ao cumprimento de seu senhor apenas com um aceno de cabeça.
_ Então eu acordo e, para variar, meus queridos filhos estão brigando…
_ Não há mais briga. Se não quer vir, não venha, Jack. Chamei-o para não dizer que faço tudo pelas suas costas, como costuma dizer a todos.
_ É o responsável por acabar com tudo isso. Eu não sirvo para nada, não é Sir. George de Murray? Ama-o como se fosse seu sangue e não ama a mim?
Jack não esperou a resposta, saindo a passos largos da porta onde Harry estava parado, quase o derrubando.
_ Não ligue. Para mim é tão meu filho quanto ele. Isso não tem a ver com ciúmes, Ryan, mas com a frustração que ele sente em saber que você é muito mais competente do que ele. Agora vá, temos que pegar logo esses ladrões.
Ryan, Harry e mais quatro homens montaram em seus cavalos. Tinham que se apressar antes de o sol ficar alto, pois os ladrões costumavam atacar o povoado no início da manhã.
_ Acha mesmo que vamos conseguir? Já tentamos tanto e eles são muito espertos, estão sempre um passo a frente de nós... _ Harry tinha cabelos e olhos escuros como o amigo, mas o físico não tinha comparação. Enquanto Ryan era alto, com músculos bem definidos, Harry era baixo e robusto, porém dificilmente perdia uma briga.
_ Harry. _ George o cumprimentou.
Harry respondeu ao cumprimento de seu senhor apenas com um aceno de cabeça.
_ Então eu acordo e, para variar, meus queridos filhos estão brigando…
_ Não há mais briga. Se não quer vir, não venha, Jack. Chamei-o para não dizer que faço tudo pelas suas costas, como costuma dizer a todos.
_ É o responsável por acabar com tudo isso. Eu não sirvo para nada, não é Sir. George de Murray? Ama-o como se fosse seu sangue e não ama a mim?
Jack não esperou a resposta, saindo a passos largos da porta onde Harry estava parado, quase o derrubando.
_ Não ligue. Para mim é tão meu filho quanto ele. Isso não tem a ver com ciúmes, Ryan, mas com a frustração que ele sente em saber que você é muito mais competente do que ele. Agora vá, temos que pegar logo esses ladrões.
Ryan, Harry e mais quatro homens montaram em seus cavalos. Tinham que se apressar antes de o sol ficar alto, pois os ladrões costumavam atacar o povoado no início da manhã.
_ Acha mesmo que vamos conseguir? Já tentamos tanto e eles são muito espertos, estão sempre um passo a frente de nós... _ Harry tinha cabelos e olhos escuros como o amigo, mas o físico não tinha comparação. Enquanto Ryan era alto, com músculos bem definidos, Harry era baixo e robusto, porém dificilmente perdia uma briga.
Nenhuma palavra precisou ser dita, todos os seis, imediatamente, desceram dos seus cavalos e apenas um ficou tomando conta dos animais.
Ryan foi na frente e desembainhou a espada, mas não havia ladrões, apenas uma senhora e um jovem sorrindo, provavelmente de alguma brincadeira.
O jovem imitou o gesto de Ryan desembainhando a sua própria espada.
_ Calma, calma, sem briga. _ Harry falou colocando as mãos para cima em um gesto brincalhão. _ Nós não batemos em crianças.
_ Não sou criança. _ O jovem falou se lançando para frente, mas a senhora o deteve.
_ Homem que não é com essa voz…

Leia o Primeiro capítulo na Biblioteca em Títulos: Bastardos
Aqui o ebook completo

17 de fevereiro de 2015

A Bailarina Misteriosa







De seu camarote forrado de veludo dourado, o príncipe Ivan Volkonski via a jovem dançarina mover-se com graça, ao som da música doce e romântica. 

Quando o espetáculo terminou, o pano desceu e os aplausos foram frenéticos.
A bailarina não voltou para agradecer os aplausos. 
Desapareceu pelos fundos do teatro, fugindo como fazia todas as noites. 
Inconformado, o príncipe decidiu descobrir onde se escondia a bela misteriosa. E, se a encontrasse, iria confessar-lhe seu grande amor!

Capítulo Um

1867
— Sua Alteza, o príncipe Ivan Volkonski! — um lacaio com a libré da embaixada britânica anunciou em voz bem alta.
Lorde Marston, que escrevia uma carta, levantou a cabeça, incrédulo; depois, pôs-se de pé num salto e exclamou:
— Ivan, meu caro amigo! Não tinha ideia de que você se encontrava em Paris.
— Acabei de chegar. Fiquei encantado quando soube que você estava aqui.
— Fui mandado a Paris para fazer a reportagem sobre a Exposição Internacional. Mas, agora que você chegou, vou negligenciar um pouco minhas obrigações, e podemos nos divertir.
— Sem dúvida. — O príncipe sentou-se numa das confortáveis poltronas da sala.
Lorde Marston e o príncipe ,— este primo do czar, eram amigos íntimos desde muito jovens, pois o pai de lorde Marston fora embaixador em São Petersburgo. Tinham os dois a mesma idade, e ambos estavam frequentemente envolvidos em orgias, tanto na Rússia como na França e Inglaterra. Eles escandalizaram a sociedade desses três países. Mas o príncipe era o maior culpado de tudo, porque lorde Marston, inglês de hábitos mais rígidos, jamais embarcaria nessas extravagâncias por si só.
Naquele instante, Marston sorria de prazer ao ver o amigo russo, e perguntou-lhe:
— Diga-me, Ivan, o que o traz aqui?
Os olhos do príncipe, sua principal atração, brilharam. Eram cor de violeta, com cílios escuros, e revelavam em sua profundeza todas as emoções. Talvez fossem aqueles olhos a causa de o príncipe ser tão assediado por mulheres, que ficavam de coração partido quando ele as deixava, o que acontecia em geral após curto tempo! 
Mas o príncipe tinha também feições clássicas, e um belo físico evidenciava sua vida passada em grande parte na sela de um cavalo. E até mesmo na corte da Rússia, em meio aos atraentes homens que frequentavam a sociedade do czar, Ivan se sobressaía.
— Quem desta vez o fez vir até aqui? — perguntou-lhe novamente lorde Marston.
— Ela era linda e tentadora! — O príncipe sorriu. — Mas tudo tem um fim, e quando o czar, a pedido da czarina, protestou contra meu procedimento, achei que minha ausência do país seria a melhor solução.
— Pensei que você tivesse vindo à procura das mulheres de Paris. De qualquer maneira, encontrará aqui os antigos flertes esperando por você, e muitas outras beldades que deliciarão sua vista. Como pode concluir, muitas delas vieram para a Exposição Internacional. Aliás, Paris está superlotada.
— Foi o que imaginei, Marston. Mas garanto que, como velhos habitués dos mais exóticos cabarés, nossa entrada não será impedida.
— Não mesmo — respondeu lorde Marston.
O príncipe não somente era muitíssimo rico mas extremamente pródigo no que dizia respeito ao seu dinheiro. Ninguém melhor que ele conseguiria obter uma boa frisa num teatro, a melhor mesa num restaurante e convites nas mansões da moda.
— Como está a Rússia? — indagou lorde Marston.
— Intolerável — foi a breve resposta.
— Que houve agora? Achei que tudo ia se transformar num mar de rosas após a emancipação dos escravos.
— Achamos também que teríamos uma permanente idade do ouro, mas os camponeses não entenderam bem a responsabilidade que caberia a eles com a posse dás terras.
— Eu estava presente naquele domingo, quando se leu a proclamação do fim da escravatura em todas as igrejas. O czar Alexander foi cognominado de “O Czar Libertador” — observou lorde Marston. — Ainda posso ouvir os aplausos da audiência.
— Não os esqueci tampouco — replicou o príncipe. — O êxtase do povo foi indescritível.
— Então, o que houve de errado?
— Os escravos libertos acreditaram que o czar lhes dera as terras de presente, sem ônus de espécie alguma. Depois, foram informados de que deveriam pagar impostos; e isso os fez mais pobres ainda, embora livres.
— É possível?!

Guerreiro Domado

Série MacLerie

Laird Connor MacLerie é implacável, um fato que a esposa Jocelyn, sabia muito bem. 

Principalmente quando se trata de arranjar casamentos para os membros do seu clã. 
Embora eles tenham encontrado felicidade e paixão, Jocelyn foi comprada como uma noiva para Connor e não quer ver outra mulher na mesma situação.
Ela planeja um casamento em seus termos, mas só será bem sucedida se conseguir domar o seu marido!

Capítulo Um

Broch Dubh Keep
Lairig Dubh — Oeste da Escócia — Verão de 1370
— Há um ladrão aqui em Lairig Dubh.
Connor MacLerie, líder do clã e conde de Douran, verificou seu cofre mais uma vez. O cadeado não cedeu nem quando ele o balançou, provando que era seguro, mas as manchas no pó ao redor da caixa eram uma prova de que alguém tinha estado ali.
Connor se virou para seu homem de confiança, Duncan, que cuidava dos assuntos financeiros do clã MacLerie, e Rurik, responsável pela segurança do clã, em tempos de paz ou guerra. Os dois reagiram conforme o previsto.
— Aqui? Debaixo dos nossos narizes? — indagou Rurik ao se aproximar por cima do ombro de Connor para olhar onde estavam todos os documentos importantes e registros do clã MacLerie. Rurik era o único homem mais alto que Connor. — Nay, ninguém entra no castelo sem minha aprovação.
— Está faltando alguma coisa? — perguntou Duncan, cruzando os braços. Sempre pragmático, levantou o queixo e avaliou o cadeado. — Eu revisei alguns acordos na semana passada.
— Nay, não notei nada, Duncan. Foi a mesma coisa de antes, tudo foi mexido, mas não levaram nada. Está intacto.
Connor tinha perguntado inclusive a Jocelyn se faltava alguma chave no seu molho, mas ela negara.
— Isso não faz sentido algum. — Duncan meneou a cabeça. — Por que invadir com o perigo de ser preso se não queriam levar nada.
— Ou, então, não encontraram o que procuravam — comentou Rurik. — Quantas vezes isso já aconteceu?
Connor fez um sinal para que o seguissem até um canto dos aposentos dele e de Jocelyn antes de responder.
— A primeira vez foi há alguns meses, mas pensei que tivesse sido eu mesmo. Mas com essa é a quarta vez, e a última foi há poucos dias.
— Teremos muitos visitantes no vilarejo e no castelo por causa da festa de casamento amanhã. A coincidência é suspeita — acrescentou Rurik, franzindo o cenho.
— Fique alerta, Rurik. Ninguém deve entrar nesses aposentos. Vou mudar isto…
A porta abriu num repente, e Jocelyn entrou com os olhos arregalados e quase sem ar.
Apesar de casados havia quase duas décadas, a beleza dela ainda impressionava Connor. O cabelo castanho tinha mechas de fios grisalhos, e seus olhos verdes brilhavam vívidos. As gestações tinham alterado o corpo dela um pouco, mas ele ainda reagia a sua simples presença. Entretanto, com a idade chegando, ele temia que o desejo fosse diminuir, algo que Jocelyn não deixaria de comentar. Deus o livre, aye, seu corpo jamais o trairia.
— Jocelyn? — perguntou Connor.
Ela parecia assustada e sorriu ao encontrar todos ali, mas não foi muito convincente.
— Aconteceu alguma coisa?
— Nay, Connor. Bom dia, Duncan. Rurik… — cumprimentou ela os outros dois, meneando a cabeça, mas não entrando no quarto. Não olhou diretamente para o marido, o que o deixou desconfiado. — Seu tio estava procurando por você há pouco. Vocês se encontraram? — perguntou ela, ainda sem encará-lo.
— Nay, mas vamos encontrá-lo agora.
Duncan e Rurik entenderam que a pequena reunião havia terminado e saíram do quarto. Jocelyn entrou logo em seguida e olhou ao redar.
— Alguma coisa mais? — perguntou ele, desejando possuí-la ali mesmo.
— Nay, só isso — respondeu Jocelyn, dirigindo-se para a porta de novo.
Alguma coisa estava definitivamente errada.
Connor estava quase certo de que ela notara o quanto ele estava excitado, mas ou tinha fingido não perceber, ou o tinha evitado. Eram raras as vezes em que ela recusava um convite daqueles.
Jocelyn não chegou até a porta porque ele a puxou e a abraçou pela cintura, beijando-a com volúpia, as línguas se encontraram para um bailado único. 
Preocupada que estava, ela chegou a resistir, mas logo correspondeu ao beijo, enlaçando-o pelo pescoço. Aos poucos seus lábios fartos se aqueceram, e ela se deixou levar pela paixão. Jocelyn sempre despertara a luxúria de Connor independentemente de hora ou lugar.
Como se a quisesse devorar, ele embrenhou os dedos pelo cabelo longo, deliciando-se com aquela boca bem desenhada. O sabor dos lábios era doce, como se ela tivesse terminado de comer os quitutes que a cozinheira havia preparado para o casamento do dia seguinte.
No entanto, nada era tão tentador quanto o sabor da pele de Jocelyn. Assim, parou de beijá-la para percorrer o pescoço dela com a ponta da língua, deixando um rastro em brasa por onde passava. Com as mãos em concha, aprisionou-lhe os dois seios, prendendo os mamilos entre os dedos através do vestido. Não demoraria muito para se livrarem das roupas e se amarem ali mesmo. Mas foram interrompidos bruscamente por batidas fortes na porta.
— Connor! — o chamou Rurik, subindo as escadas.
Com o calor que envolvia seu corpo e o coração transbordando de tanto amor, Connor quase permitiu que o beijo apaixonado fosse visto por Rurik… Duncan… 

O Amor é a Solução










Como levar uma vida simples, depois de haver pertencido à nobreza?

Destituída da herança, depois da falência dos negócios do pai, Sheila Rosswood é expulsa da própria casa e se vê frente a frente com a pobreza. 
Para sobreviver, teve de trocar de nome e se mudar para Londres, Onde arrumou um emprego como secretária. 
Só não contava que seu patrão seria o cobiçado visconde Charles Stone, o mais abastado e atraente dos nobres!

Capítulo Um

1855, Inglaterra.
— Lamento muito, milady, mas acredito que tenho más notícias para lhe dar — disse o homem, com lentidão, como se cada palavra estivesse sendo pronunciada com dificuldade.
Lady Sheila Rosswood suspirou e respondeu:
— Eu já estava esperando por isso. O senhor veio dizer que meu pai não deixou dinheiro para mim.
— Infelizmente — falou o homem —, existem alguns débitos pendentes, mas estou certo de que serão assumidos pelo novo conde como sendo dívidas da propriedade, e não de seu falecido pai.
Apesar de não acreditar que seu primo fosse fazer tal gentileza, lady Sheila preferiu não dizê-lo em voz alta, atendo-se apenas ao necessário.
— Não restou nada do dinheiro que mamãe havia deixado como herança para mim? indagou, tentando manter a calma.
O representante do banco olhou para os papéis que tinha em mãos, como se procurasse alguma informação a mais.
— Eu estava temendo que milady visse a me fazer tal pergunta. O dinheiro foi gasto por seu pai, na última e mais desesperada empreitada que fez. Como em todas as tentativas anteriores, também foi um fracasso total.
Deixando escapar um suspiro profundo, lady Sheila fechou os olhos por um momento. Então se levantou e caminhou até a janela.
Parecia quase impossível que seu pai tivesse gastado tudo o que tinham nos investimentos que fizera, aplicando em empresas que ofereciam a oportunidade de um enriquecimento rápido. Todavia, nenhuma das companhias fora bem-sucedida. Em geral, faliam antes mesmo de completar seis meses de existência.
O falecido conde tinha certeza de que algum de seus esquemas seria, como ele costumava dizer, "triunfal". Isso o levara a continuar desperdiçando dinheiro em investimentos fúteis, mesmo após os apelos dos amigos e da família.
Sheila achava que o pai sempre considerara a vida como um grande jogo. Nem mesmo o fato de estarem ficando cada vez mais pobres o impedira de continuar a assumir riscos cada vez mais ousados. E, no final da vida, o velho conde se descuidara por completo.
Porém, ele estava morto e lady Sheila precisava saber em que condição financeira se encontrava, antes da chegada do novo conde.
A casa, que abrigara a família nas últimas cinco gerações, estava em péssimo estado de conservação, mas continuava sendo uma construção lindíssima. A mobília e os bens ali guardados eram muito requintados e valiosos.
Sheila achou que fora muita sorte, o fato de seu pai não ter lançado mão daqueles objetos para levantar fundos, em seus esforços desesperados para ficar milionário.
Aquilo se devera aos fiscais de propriedade, e ao fato de ele ter aprendido, desde garoto, que a família deveria estar sempre em primeiro lugar. Assim sendo, nem sequer um quadro havia sido retirado das paredes.
Parecia inacreditável que toda a fortuna, deixada por sua mãe, como herança, houvesse acabado. Não imaginava que seria possível ficar sem dinheiro algum.
Dessa forma, seria obrigada a se colocar à mercê da generosidade do novo conde. A situação ficava ainda mais delicada pelo fato de seu pai nunca ter gostado do primo Thomas Ross, o novo conde.
Lady Sheila considerava que nada poderia ser mais humilhante do que ter de pedir ajuda a ele para sua subsistência. Não o via há dez anos, mas, pelo que se lembrava, tratava-se de um homem severo e desagradável. Contudo, essa era a impressão que tivera quando criança e, com sorte, seria um mero exagero infantil.
Entretanto, não era difícil deduzir que, como o velho conde o evitara e o ignorara por tanto tempo, seria improvável que Thomas viesse a simpatizar com Sheila, por qualquer que fosse o motivo.
Seria muito difícil pedir auxílio financeiro para outra pessoa, mais ainda para um homem que fora desprezado por seu pai ao longo de toda a vida.
Sentindo-se desolada, lady Sheila se afastou da janela e voltou a encarar o homem que representava o banco.
— O que, posso fazer? — indagou ela, sem conseguir ocultar o tom de desespero na voz.
O banqueiro era um senhor de meia-idade, considerado de grande importância no meio financeiro. Parecia ser um bom homem, e a olhou com ar triste, ao se ver forçado a falar:
— Temo que não há outra coisa que milady possa fazer, a não ser esperar e pedir ajuda ao novo conde.



8 de fevereiro de 2015

O Desejo em teu Olhar

Ela ansiava por aventura...

Para a maioria das moças da sociedade, a temporada em Londres era uma sequência de bailes esplendorosos, uma oportunidade de exibir roupas novas e de flertar com os rapazes. 
Para Juliette Hamilton, no entanto, era somente tédio e hipocrisia. Incapaz de reprimir sua natureza rebelde, Juliette estava desesperada para escapar daquilo tudo, para não ter de obedecer a regras ridículas e viver uma grande aventura. 
E a oportunidade perfeita se apresentou na forma do atraente capitão Harrison Fleming...Mas ele podia oferecer muito mais!
Quando Harrison encontrou Juliette escondida no navio, seu primeiro impulso foi dar meia-volta e entregá-la de volta à família. Mas já era tarde demais para mudar o curso da viagem e atrasar seus compromissos, por isso ele impôs a Juliette um merecido castigo: o cargo de sua criada pessoal! 
Agora Juliette estava à disposição dele, dia e noite, e ela não tardaria a descobrir que aquela punição poderia ser bem mais prazerosa do que ela imaginava...

Capítulo Um

Londres, Inglaterra, Verão de 1871
A noite em que o capitão Fleming chegou para o jantar em Devon House significou o impulso que faltava para Juliette Hamilton finalmente tomar a decisão de fugir de casa.
Isso tinha acontecido três semanas antes.
Agora, Juliette segurava o fôlego enquanto o coração se acelerava dentro do peito. Oculta nas sombras, ela observava em silêncio o pequeno grupo de marinheiros que passava e os sons ruidosos de suas conversas e gargalhadas. Ainda bem que eles nem mesmo olharam para o lugar onde ela se encontrava.
Oh. Deus! Ela realmente estava conseguindo fazer o que desejara havia muito tempo. Estava deixando tudo para trás: as irmãs, a família e seu lar.
Um arrepio lhe percorreu a espinha e ela inspirou o ar salino com força para tentar impedir que as pernas continuassem a tremer.
Juliette espiou com cautela por trás de um dos largos barris de madeira que estavam enfileirados e cheios de algo que ela não sabia o que era. Os raios da lua refletiam sobre as águas escuras do cais, tornando a superfície espelhada.
Tudo que ela planejara começava a acontecer naquele instante.
Lá estava o Sea Minx, atracado exatamente no lugar onde o capitão Fleming dissera que estaria. Por alguma razão, ele parecia menor do que ela imaginava.
Quando o último marinheiro desapareceu no passadiço em direção ao navio, Juliette puxou o capuz do casaco e escondeu os cabelos longos por dentro dele para completar seu disfarce de garoto. Respirou fundo outra vez, para reforçar a coragem e correu sorrateiramente na direção da rampa que conduzia ao deque do Sea Minx.
Juliette tinha conseguido um pequeno milagre por ter chegado ao cais e entrar no navio sem ter sido vista. Agora começava a parte mais difícil de seu plano. Ela precisava se esconder em algum lugar até que o navio estivesse em alto-mar e fosse tarde para que o capitão Fleming retornasse a Londres e a levasse para casa.
Sem ter certeza do que deveria fazer em seguida, Juliette desceu uma escada que a levou a um corredor estreito e pouco iluminado. 
Ao ouvir vozes masculinas e passos pesados se aproximando, ela entrou em pânico e abriu a porta que estava mais próxima. Após entrar, trancou a porta com cuidado para não fazer barulho. 
Apesar da ausência de luz, ela notou que se encontrava em um pequeno depósito. Mais uma vez, Juliette segurou o fôlego e permaneceu imóvel até que as vozes ficassem distantes e seus olhos se ajustassem à escuridão. Assim que houve silêncio no corredor, ela suspirou duas vezes e pensou: E agora?
Seu plano não tinha sido tão bem elaborado a ponto de saber o que deveria fazer depois que conseguisse entrar no navio, a não ser manter-se escondida até que as velas fossem içadas e o Sea Minx zarpasse do porto. 
Ela estendeu os braços e começou a apalpar às cegas até encontrar um caixote de madeira baixo e largo. Animada com sua pequena descoberta, Juliette sentou-se sobre ele e depositou a seu lado a sacola que havia conseguido trazer e que continha alimentos suficientes para sustentá-la por alguns dias, desde que se alimentasse com moderação. 
Também trouxera uma foto de família que havia sido tirada na festa de casamento de sua irmã Colette, realizado no último outono; algumas cartas de sua amiga Christina Dunbar que continham o seu endereço; uma muda de roupas e dinheiro. 
Um montante suficiente para durar algum tempo. Seu cunhado havia depositado uma quantia considerável em sua conta, e Juliette tinha ido ao banco naquela tarde e retirado quase o total do dinheiro, porque não sabia de quanto precisaria.
Assim que chegasse a Nova York, procuraria a casa da amiga na Quinta Avenida e, então, sua aventura começaria de verdade.
Finalmente ela havia conseguido! 
Estava a bordo do navio do capitão Fleming. Juliette cruzou os braços ao redor do corpo, quase não acreditando que havia atingido seu objetivo.
Um repentino arrependimento a incomodou quando se lembrou de suas quatro irmãs. No instante em que descobrissem o bilhete de despedida que ela deixara em seu quarto, antes de sair, certamente entrariam em pânico. Mas não havia alternativa. Aquele era o momento certo para agarrar a oportunidade de finalmente conseguir ser livre e independente.
Enquanto estava distraída com seus pensamentos, Juliette sentiu uns solavancos e agarrou-se ao assento improvisado para não cair. Ela podia ouvir as exclamações e os gritos excitados dos homens no convés. 
Um sorriso vitorioso surgiu em seus lábios. O Sea Minx estava deixando o cais para cruzar o Oceânico Atlântico em direção à América do Norte.
Agora não havia mais retorno, pensou Juliette. Seu destino estava selado, fosse para bem ou para mal. Por uma fração de segundo, ela se arrependeu daquela louca aventura, mas em seguida confirmou seu desejo e empinou o queixo com determinação.

Bandido Sedutor







Sequestrada por impiedosos bandidos, Vanda estava sendo mantida prisioneira nas ruínas de uma antiga capela. 

Pelo que ouvira falar a respeito da ganância e crueldade do chefe do bando, temia que ele não se contentasse apenas com a soma exigida por seu resgate. 
Foi com horror, então, que viu suas suspeitas confirmadas ao ser entregue a um homem que, incógnito por uma máscara, lhe ordenou: "Venha! É inútil resistir, paguei um preço elevado por você e, antes que a noite termine, vou torná-la minha".

Capítulo Um

1817
Vanda atravessava o bosque refletindo que há muito não fazia um dia tão lindo como aquele.
As primaveras estavam floridas, violetas desabrochavam à sombra das árvores. Uma profusão de pássaros enchia o ar com seus trinados.
Sempre gostara de cavalgar no grande parque que circundava a mansão Wyn. O sr. Rushman, o administrador da propriedade, durante a guerra lhe dera permissão para passear à vontade por ali sempre que quisesse.
O velho conde de Wynstock, nessa época, estava enfermo e preso ao leito, e o filho dele lutava contra Napoleão.
— Será bom ter alguém jovem circulando por aqui dissera-lhe o administrador -, e não é preciso se fazer acompanhar por um cavalariço.
Isso para Vanda era mais importante que qualquer outra coisa. Seu pai sempre insistira para que levasse um acompanhante quando saísse de casa para cavalgar. Eles moravam nas proximidades de Wyn Park, no fim da aldeia. Bastava apenas cruzar a estrada, sob as árvores, para se sentir, como ela própria definia, livre, e um acompanhante tolheria boa parte dessa sensação de liberdade.
Vanda refletiu então que seria muito frustrante se, agora que a guerra terminara, o conde voltasse e a impedisse de usar a propriedade para seus passeios. Não imaginava como ele iria se comportar quanto a isso. Ela mal se lembrava dele. E o jovem conde tomara posse do título há três anos por intermediação legal.
Soubera que se distinguira na Batalha de Waterloo e recebera condecoração por atos de bravura. Juntara-se, então, à equipe do duque de Wellington servindo no Exército de Ocupação.
Agora os soldados haviam sido desmobilizados e centenas deles começavam a voltar para a Inglaterra. Contudo, não haviam tido notícias do novo conde de Wynstock.
— Talvez ele resolva não voltar — Vanda pensou triste. Assim devaneando, encaminhou-se para o centro do bosque, onde sabia que ninguém além dela ia.
Lá, em meio às árvores, havia as ruínas de uma antiga capela, construída por um monge que se afastara do mundo civilizado para viver como ermitão. Era um homem muito religioso, quase um santo, e naquela região corriam lendas sobre seu dom de curar animais.
As raposas que caíam em armadilhas só escapavam da morte porque ele as tocava. Crianças levavam-lhe gatos e cachorros doentes, pássaros com asas quebradas. O monge fazia uma prece e, colocando a mão sobre os animais, curava-os.
A pequena capela, no entanto, desgastada pela ação do tempo e por falta de conservação, acabara destruída. Os aldeões acreditavam que o fantasma do monge assombrava o bosque e temiam ir até aquele lugar.
— Como é que a senhora pode ter medo de alguém que foi um santo? — Vanda perguntou a uma mulher idosa, certa vez.
— Pode ser que seja santo, mas mesmo assim é horripilante a ideia de ver alguém que já morreu!
Ninguém da aldeia se atrevia a pôr os pés no bosque do monge. Apenas alguns rapazes invadiam esporadicamente a propriedade para caçar e pescar, já que, com o conde ausente, havia abundância de faisões, pombos e outros tipos de caça.
Para Vanda, entretanto, aquele bosque era quase mágico. Gostava de ficar ali sozinha, sem ninguém para perturbá-la, ouvindo o zumbido das abelhas e o farfalhar causado pelo vento passando por entre ás folhas das árvores. Ela procurava fixar na mente esses sons harmoniosos para tentar mais tarde reproduzi-los ao piano.
A mãe de Vanda fora uma excelente pianista e isso a estimulava a seguir-lhe os passos. Estava naquele momento pensando em compor uma melodia que evocasse a primavera e buscava inspiração nas árvores floridas ao seu redor.
Foi então que, de repente, ouviu um som estridente que interrompeu seus devaneios e quebrou a harmonia do bosque.
O barulho se repetiu e ela refreou o cavalo.
O pai de Vanda possuía animais de excelente qualidade. Seu favorito era o que ela estava montando naquele momento, um garanhão chamado Kingfisher.
O animal obedeceu imediatamente ao comando e parou. Vanda percebeu que, bem no meio do bosque, onde nunca encontrara ninguém antes, havia alguns homens.
O som que ouvira era de uma gargalhada debochada.