16 de março de 2015

Magnólia





A Atlanta do inicio do século XX era uma cidade de contrastes, um ramo de atividades onde o comércio e a alta sociedade floresciam entre os fracos ritmos sulinos. 

Claire Lang adorava viver ali, mas a presença de um homem a perturbava no fundo da alma. Ela não estava disposta a admitir o quanto a cativava os olhos escuros e o belo rosto de 
John Hawthorn, mas o desespero causado por uma súbita tragédia a levou a casar-se com ele apesar de saber que o amor que lhe tinha não era recíproco.
Enquanto a brisa deixava em seu rastro o perfume das magnólias, Claire começava a despertar desejos inesperados e indescritíveis em seu marido... Depois de saborear seus beijos e suas carícias, teve a valentia de lutar por ele quando se abateu sobre eles um escândalo, um escândalo tão grande que poderia acabar com seu grande amor.

Capítulo Um

1900
As ruas de Atlanta estavam cheias de lama depois das chuvas recentes, e os pobres cavalos pareciam apáticos puxando com esforço as carruagens por Peachtree Street. Claire Lang desejou ter dinheiro suficiente para retornar em um veículo de aluguel para casa que estava a uns oito quilômetros dali.
Sua carruagem tinha quebrado um eixo ao se chocar contra uma rocha, de modo que as preocupações financeiras que tinham sido traumáticas por meses tinham aumentado ainda mais. 
Seu tio, Will Lang, estava tão ansioso para ter em suas mãos a pequena peça de seu automóvel que tinha encomendado em Detroit que ela tinha ido pegar na estação ferroviária de Atlanta na carruagem. 
O veículo estava velho e em mal estado, mas em vez de se concentrar no caminho resolveu olhar a chegada prematura do outono na preciosa imagem que criavam os pinheiros e as árvores.
Teria que inventar alguma coisa para chegar à loja de roupas de seu amigo Kenny e ver se ele teria como levá-la a casa de seu tio, que ficava em Colbyville. Baixou o olhar, e soltou um suspiro ao ver suas botas de cano longo, enlameadas e a barra de sua saia toda suja. 
Acabava de estrear aquele vestido azul marinho com corpo e pescoço de renda, e embora a capa e o guarda-chuva a tivesse protegido da chuva e o chapéu tivesse resguardado seu cabelo castanho, não conseguiu salvar a saia por mais que a levantasse.
Era muito fácil imaginar o que Gertie diria sobre isso, na verdade ela sempre estava toda bagunçada ao fim do dia, passava grande parte do tempo no galpão de seu tio, ajudando ele a manter em bom estado seu novo automóvel. 
Nenhum outro habitante de Colbyville tinha um daqueles exóticos inventos novos; de fato, só umas poucas pessoas em todo o país possuíam um automóvel, e a maioria eram elétricos ou com motores a vapor. 
O do tio Will estava propulsado com gasolina, e por sorte a gasolina era vendida nas lojas da região.
Os automóveis eram tão escassos, que quando passava um pela rua, às pessoas saiam para vê-lo. Eram objetos de fascínio e de medo, porque o forte ruído que geravam assustava aos cavalos. 
A grande maioria pensava que era uma moda passageira que não demoraria a desaparecer, mas ela estava convencida de que era o meio de transporte do futuro e adorava ser a mecânica de seu tio.
Ela sorriu ao pensar o quão sortuda tinha sido desde que foi viver com ele. Era filha única, e depois do falecimento de seus pais causado pela cólera há dez anos, a única família que tinha restado em todo mundo era seu tio Will. Estava solteiro, e para cuidar da enorme casa onde vivia contava com a única ajuda de empregados formada por Gertie, sua governanta, e Harry, um trabalhador que se encarregava da manutenção geral.
Ela também tinha começado a cozinhar e a encarregar-se das tarefas domésticas à medida que ia crescendo, mas o que mais gostava era de ajudar seu tio com o automóvel. Era um Oldsmobile Curved Dash, e só de olhar para ele sua pele arrepiava. Tio Will o tinha encomendado em Michigan no final do ano passado, e o tinham enviado a Colbyville pela ferrovia assim que ficou pronto. 
Como a maioria dos carros, às vezes balançava, soltava fumaça e estralava, e como os caminhos de terra dos arredores de Colbyville eram bastante irregulares e estavam cheios de enormes buracos, seus pneus de borracha fina estouravam em uma ou outra ocasião.
Os moradores rezavam para livrar-se do que para eles era um invento do diabo, e os cavalos punham-se a correr campo afora como se os fantasmas o perseguissem. 
O conselho local tinha ido ver seu tio no dia seguinte à chegada do automóvel, ele tinha sorrido com paciência e tinha prometido que o pequeno e elegante veículo não atrapalharia a circulação dos carros e as carruagens.
Tio Will adorava aquele novo brinquedo que lhe tinha deixado um pouco menos que em ruínas, e lhe dedicava todo seu tempo livre. Ela compartilhava sua fascinação, e quando ele tinha deixado-a trabalhar na garagem, foi aprendendo pouco a pouco sobre carburadores, alavancas de direção, rolamentos, velas, e pinhões de engrenagem.
A essas alturas já sabia quase tanto quanto ele, tinha mãos finas e ágeis e não tinha medo das «chicotadas» que recebia de vez em quando ao tocar a parte errada do pequeno motor de combustão. A única coisa ruim era a graxa. Tinha que manter engordurados os rolamentos para que funcionassem bem, e tudo acabava manchado… inclusive ela.
Uma carruagem apareceu nesse momento no caminho e foi aproximando-se, mas justo quando estava chegando perto passou por cima de um atoleiro e lhe salpicou a saia de lama. Ela soltou um gemido, e o desânimo que apareceu em seu rosto bastou para que o ocupante do veículo decidisse parar.
A porta se abriu, e uns olhos escuros e penetrantes a olharam cheios de impaciência.
–Pelo amor de Deus!

Anjo entre Demônios




Charisa estava morando na abadia de Mawdelyn, lugar aprazível, considerado sagrado por ter sido construído por monges medievais. 

Mas, desde que morrera seu titular por muitas gerações, o marquês de Mawde, sua sucessão desencadeou estranhos acontecimentos. 
Vincent, herdeiro do título e amor secreto de Charisa, foi preso na masmorra da mansão! 
Charisa iria ter sua fé colocada à prova para salvar Vincent, vítima de rituais satânicos praticados por adoradores do Príncipe das Trevas!

Capítulo Um

1893
Vincent Mawde deu um suspiro de alívio quando encontrou um local para passar a noite.
Desmontou e colocou seu cavalo sob uma árvore.
O animal, devido ao cansaço, já não podia mais prosseguir.
Procurou um local arenoso onde pudesse dormir sem as inconvenientes pedras debaixo do cobertor, como acontecera na noite anterior.
Ele possuía uma barraca, se é que essa era a palavra certa para aquela porção de lona que o protegia das mordidas dos mosquitos e de outros insetos muito comuns naquele ponto da Índia.
No momento, sentia-se imensamente cansado.
Mesmo assim desejava ainda se alimentar da parca refeição que trouxera e também tomar um drinque. E foi o que fez. Levando consigo as duas garrafas de cerveja indiana que sobraram, ele caminhou para perto de algumas árvores. Colocou-as no fio de água de um riacho que passava, o que as manteria frescas até a manhã seguinte.
Quando retornou, o sol já descambava para o lado do poente. Não demoraria muito e logo a escuridão pairaria sobre tudo. No entanto, a luz do luar e das estrelas a abrandariam.  Ele montou a barraca e em seu interior dispôs um cobertor grosso. Certamente não precisaria se cobrir.
Já tinha despido todas as roupas que vestira durante o dia, roupas essas que só usavam os viajantes hindus de baixa casta.
Era um disfarce que ele usava. Raramente quando viajava Vincent Mawde assumia sua própria personalidade.  Pelo menos agora estava a caminho da civilização. E graças aos céus, tendo completado a missão para a qual fora designado, ele ainda se encontrava sozinho.
Estava prestes a entrar na barraca quando ouviu o som de galope se aproximando. Ficou alerta, temendo que pudesse ser outro inimigo. Conseguira escapar de um bom número deles.
Então, à medida que o som se aproximava da barraca, pôde ver o uniforme que ele usava. Vincent deu um grito de prazer!
Levantando as duas mãos num gesto de boas-vindas, esperou até que o jovem oficial desmontasse do cavalo.
— Vincent! É você mesmo ou estou tendo visões? — exclamou o recém-chegado. — Já tinha perdido as esperanças de encontrá-lo.
— Certamente eu também não esperava vê-lo por aqui, Nicolas! — foi a resposta de Vincent Mawde. — Mas por que me procurava?
— Tenho novidades para te contar, amigo — informou Nicolas Giles. — Onde posso colocar meu cavalo?
— No mesmo lugar onde pus o meu — informou Vincent —, sob as árvores.
Sem dizer mais nada, Nicolas Giles conduziu o cavalo até as árvores. Vincent Mawde acompanhou-o com os olhos, uma expressão de perplexidade no rosto.
Que motivo fizera seu colega de regimento vir a sua procura? Fazia uma semana que vivia em barracas, o que lhe parecia extraordinário. Por isso, após ter suportado a solidão por tempo tão longo, era-lhe agradável ver um rosto amigo.
Levou menos de cinco minutos para que Nicolas voltasse, tirando o pesado casaco do uniforme enquanto caminhava. Vincent tinha erguido a barraca debaixo de algumas pedras resultantes da ruína de um antigo templo. Elas ofereciam-lhe proteção do sol e um lugar para descanso de suas costas.
O rosto dele, bem como seu corpo, tinha um forte bronzeado.
Seria difícil, mesmo para seus parentes mais próximos, reconhecer nele o inglês de pele clara que sempre fora.
Nicolas sentou-se ao lado dele, e, atirando o casaco ao chão exclamou:
— Não sabe como me sinto satisfeito por tê-lo encontrado! Tudo o que posso dizer sobre esse país é que é grande e quente demais!

A Dama de Companhia





Sozinha, com fome e frio, Jacoba sentia-se triste e cada vez mais infeliz no trem que a levava para a Escócia, rumo a um destino desconhecido.

Filha de uma antiga família inglesa, estava órfã e falida, precisando se empregar como governanta de um velho senhor, o conde de Kilmurdock, chefe de um poderoso clã nas Terras Altas. 
Quase chorando, Jacoba lembrava-se dos tempos em que era feliz ao lado dos pais, em sua bela mansão no interior da Inglaterra. Agora, sem parentes e amigos, tinha medo, muito medo, de nunca mais poder encontrar carinho sincero, paz e felicidade!

Capítulo Um

1879
Jacoba correu mais uma vez os olhos pela sala vazia de móveis e quadros. O sol que brilhava forte no jardim e atravessava as vidraças em forma de losango tornava mais desolador ainda aquele cenário.
Impossível acreditar que depois de toda uma vida desfrutando do luxo daquela mansão estilo Tudor, onde fora tão feliz ao lado de seus pais, agora nem sequer tivesse para onde ir.
A casa ficava no fim da vila, circundada por um muro grande de pedras. Toda a propriedade pertencia a seu tio, lorde Bresford.
Jacoba conhecia cada árvore do imenso jardim, cada declive do terreno onde a água da chuva se acumulava formando poças que eram a delícia das crianças. Aprendera a amar as baias dos cavalos e o riacho que cortava o jardim.
Tudo aquilo fora parte de uma infância alegre e feliz, cenário das mais belas recordações que trazia na memória.
Até que acontecera a catástrofe — não havia outra forma de dizê-lo. Todo o seu mundo viera abaixo ao receber a notícia de que seu pai e seu tio estavam mortos, vítimas de um acidente com o trem que voltava de Londres.
Quando sua esposa ainda vivia, o pai de Jacoba era um homem feliz, às voltas com seus cavalos, sua caça e ocasionalmente pescando salmão no rio Avon. Quando ela se foi, porém, deixou-o sozinho exceto por Jacoba, na época com quinze anos de idade apenas.
Desde então ele passara a ir regularmente a Londres na companhia do irmão, lorde Bresford, um solteirão inveterado.
Dezoito anos mais velho que o pai de Jacoba, sempre fora alvo das maiores críticas. Na vila comentavam seu comportamento libertino com belas mulheres da sociedade, porém, de moral duvidosa, bem como com as moças de um mundo um pouco mais "subterrâneo".
Jacoba sempre ouvira tais comentários, porém eles nunca a preocuparam, exceto quando seu pai passou a ser companhia constante do tio nas viagens a Londres.
Tanto um quanto o outro viviam prometendo levá-la na próxima viagem que fizessem, porém isso nunca aconteceu, e à medida que os anos foram passando esse compromisso foi ficando cada vez mais esquecido.
Porém o que mais a incomodava era ver seu pai procurando por toda a casa objetos de valor que pudessem ser vendidos sempre que voltava de Londres. E foi com grande surpresa que ela descobriu que seu tio fazia exatamente o mesmo.
— O senhor vai ter coragem de vender essa salva de prata, papai? — Jacoba protestou um dia. — Ela foi presente de um padrinho a mamãe, e originalmente pertenceu a George III.
— Posso conseguir um bom preço por ela — fora a resposta que ele lhe dera. — E estou precisando do dinheiro.
— Mas por quê? O que o senhor comprou que seja assim tão caro?
— O problema não é o que comprei, mas sim o quanto gastei! — ele respondeu. — Em Londres tudo é pelo menos cinco vezes mais caro do que no interior. Talvez seja difícil para você compreender, mas existem mulheres que têm o poder de arrancar como que por encanto até o último centavo do bolso de um homem.
Ele tinha razão, era mesmo difícil compreender tal coisa.
Mesmo assim Jacoba preferiu não tocar mais no assunto, nem mesmo quando os espelhos Queen Anne foram retirados das paredes. Por fim até as jóias de sua mãe desapareceram de dentro do cofre.
Quando fez dezoito anos Jacoba viu renascer dentro do peito a esperança de que seu pai a levasse para conhecer a tão falada Londres.
Claro que ele não estava em condições de oferecer-lhe um baile, mas talvez pudesse apresentá-la às belas damas que apareciam nos jornais, patrocinando festas enormes, recepções e bailes todas as noites. Mas eram vãs suas esperanças; o pai continuava ausentando-se na companhia do irmão apenas.

A Pérola e o Dragão






China, terra fascinante! 

Misteriosa e bela China do começo do século XX, quando Pequim, chamada Cidade Proibida, foi saqueada por terríveis e perversos soldados.
Stanton Ware, um inglês destemido e corajoso, aceitou lutar contra as infâmias que punham em risco a liberdade do povo chinês. 
Encontrou para ajudá-lo Tseng-Wen, um velho sábio, e Pérola Perfeita, uma espiã tão jovem e linda que iria tornar mais agradável sua árdua e perigosíssima missão.

Capítulo Um

— Francamente, não compreendo sua preocupação, major Ware — comentou sir Claude Macdonald, fazendo um floreio no ar com o cachimbo. — Vir da Inglaterra até aqui a mando do primeiro-ministro, por causa de uma simples desordem de rua!
— Ele anda ouvindo rumores inquietantes. Parece que há muito descontentamento nas províncias — respondeu o major, cautelosamente.
— Ora, esses chineses estão sempre descontentes! Como ministro de província, asseguro-lhe que saberei manobrar perfeitamente qualquer situação difícil que possa surgir... se é que vai surgir — sir Claude Macdonald falou algo rispidamente, como se sua autoridade estivesse sendo questionada.
Stanton Ware olhou-o, pensativo. O primeiro-ministro tinha razão quando insinuara que sir Macdonald talvez não fosse o homem certo para o lugar certo. Mentalmente repassou o recente artigo do Times, que lera pouco antes de embarcar:
“Todos receberam a indicação de sir Claude Macdonald com ceticismo, denunciando-a como sendo no mínimo desagradável. Sir Macdonald foi alvo de ataques impiedosos logo após sua nomeação, por parte dos funcionários da embaixada. É conhecido entre eles como pessoa fraca, tagarela e gabola, o tipo do militar que caiu de pára-quedas num cargo importante, devido a suas nobres raízes.”
Stanton Ware não dera maior importância aos comentários, mas agora experimentava a inquietante sensação de que sir Macdonald não tinha a menor condição de manobrar perfeitamente os problemas que certamente estavam por aparecer.
Na verdade, era irônico e trágico que, num momento como este, a Inglaterra estivesse sendo representada na China por um ministro cuja única experiência com o país residia no fato de ter sido instrutor de artilharia em Hong Kong.
Um crítico mordaz certa vez referira-se a sir Claude Macdonald como “o fibrento varapau de bigodinho encerado”.
E era justamente esse bigode que sir Macdonald cofiava aplicadamente, enquanto falava em tom pomposo:
— Pode informar o primeiro-ministro, major Ware, de que mantenho tudo sob controle, apesar de alguns incidentes de pouca importância ocorridos recentemente.
Stanton digeriu com dificuldade a afirmação solene e depois falou, controladamente:
— A morte do reverendo Brooks não me parece de pouca importância.
— Os missionários sempre causaram problemas na China, desde que obtiveram permissão para se estabelecer aqui. Desde 1860, portanto. Sabe como os chineses prezam o culto aos ancestrais, e os missionários atacam-no com quantas armas têm. Brooks era um deles, meu caro.
— Bem sei — respondeu Stanton Ware, calmamente. — Tanto que foi assassinado.
Parou, pensando na maneira pouco ortodoxa com que os missionários haviam requisitado diversos templos chineses para suas igrejas, alegando que estes, no passado, haviam pertencido a ela. Os franciscanos, por exemplo, tinham chegado ao ponto de tentar cobrar aluguel dos chineses pelo uso dos templos nos últimos trezentos anos!
Não satisfeitos com isso, ainda escolheram lugares que a tradição chinesa considerava sagrados para ali construir igrejas cristãs.
— Devo insistir, caro major, no fato de que julgo esses incidentes de pequena monta. O que realmente interessa é nosso poder de comércio na China. Ele vem sendo abalado desde que navios mercantes russos aportaram em Port Arthur, há quatro anos.
Quanto a isso, não havia como negar. Os cinco grandes poderes batiam-se entre si para manter a melhor posição na China e, com isso, deixavam-na minada e exposta. Paradoxalmente, os ocidentais auxiliavam-na a manter-se coesa, tal o receio que tinham de vê-la anexada a um dos outros quatro poderes. Somente o egoísmo dos ocidentais e sua incessante rivalidade impediam que a China ficasse cada vez mais retalhada.
No meio disso tudo, os manchus, confortavelmente instalados em Pequim, a grande capital do Império Celeste, enganavam-se a si próprios proclamando-se fortes e imbatíveis.
Como dissera um jovem oficial da embaixada a Stanton: “Os manchus são fracos e arrogantes; os europeus, fortes e igualmente arrogantes. Belo estopim para uma guerra!”

8 de março de 2015

Um Coração por Conquistar



Tiffany Warren está prestes a se casar, mas não por amor, mas para acabar com uma antiga rixa.

Relutantemente, viaja para o oeste ao encontro de seu pai e do filho mais velho do inimigo deste, o fazendeiro Hunter Callahan.
A união entre Hunter e Tiffany é para acabar com uma briga entre os Warren e os Callahan por um lote de terra.
Mas o trem em que viaja é atacado, e durante a confusão Tiffany aproveita a oportunidade para assumir a identidade da nova governanta de seu pai, o que lhe permitirá viver com o pai que nunca viu e avaliar a sua autenticidade, e também conhecer o cowboy vizinho com quem está comprometida...

Capítulo Um

Rose Warren deixou de chorar justo antes que sua filha Tiffany abrisse a porta de sua mansão de pedra avermelhada, mas não podia tirar da cabeça as palavras que tinham provocado suas lágrimas: “Veem com ela, Rose. Já faz quinze anos, não acha que já nos torturamos o bastante?”.
Normalmente deixava que fosse sua filha, que tinha completado dezoito anos no mês anterior, quem lesse as cartas de Franklin Warren. Frank estava acostumado a escrever coisas impessoais para que Rose pudesse compartilhá-las com sua filha. Esta vez não o tinha feito, assim Rose a dobrou e a meteu no bolso quando ouviu a voz de Tiffany no vestíbulo. A jovem não conhecia o autêntico motivo pelo qual seus pais não viviam juntos. Nem sequer Frank sabia o motivo real que ela tinha tido para deixá-lo. E depois de tantos anos, era melhor que seguisse assim.
—Tiffany, veem ao salão, por favor! — gritou-lhe Rose antes que ela pudesse subir para o seu quarto.
Com a luz da tarde cintilando em seu cabelo loiro avermelhado, Tiffany tirou o chapéu enquanto entrava no salão e em seguida a capa curta e fina que levava sobre os ombros. 
O tempo estava muito quente para um casaco, mas mesmo assim uma dama de Nova York tinha que se vestir respeitavelmente quando saía de casa.
Rose olhou para Tiffany e recordou mais uma vez que sua pequenina já não era tão pequena. Desde que sua filha havia completado dezoito anos, Rose tinha rezado mais de uma vez para que deixasse de crescer. Já estava bastante acima da média de um metro e setenta e a pequena se queixava disso. Tiffany era tão alta como seu pai, Franklin, e também tinha seus olhos verdes esmeralda, embora ela não soubesse. 
Tinha os ossos magros de Rose e umas feições delicadas que a faziam mais do que bonita, embora só em parte tivesse herdado o cabelo ruivo de sua mãe; o de Tiffany era mais acobreado.
—Recebi uma carta de seu pai.
Nenhuma resposta.
Tiffany estava acostumada a emocionar-se com as cartas de Frank, embora isso fizesse já muito tempo, mais ou menos pela época em que tinha deixado de perguntar quando as visitaria.
O coração de Rose rompia ao ver a atitude de indiferença que havia adotado sua filha para seu pai. 
Sabia que Tiffany não conservava nenhuma lembrança dele. Era muito pequena quando Rose e ela partiram de Nashart, em Montana. 
Rose sabia que deveria ter deixado que se conhecessem ao longo de todos aqueles anos. Frank tinha sido magnânimo lhe enviando os meninos, embora ela estivesse segura de que o tinha feito para fazê-la sentir-se culpada por não lhe corresponder e permitir que sua filha o visitasse.
Temia que Frank não deixasse que Tiffany voltasse para casa com ela. Era um temor infundado, seu pior pesadelo. 
Em uma explosão, tinha-a ameaçado que ficaria com sua filha. Tinha-a ameaçado com muitas coisas apenas para voltar a reunir-se a sua família. E ela nem sequer podia culpá-lo por isso! 
Mas isso não ia ocorrer. Impossível. E agora teria que enfrentar o seu pior medo: que quando Tiffany fosse a Montana, ela jamais voltasse a vê-la.
Deveria ter insistido em que o prometido de Tiffany viesse á Nova York cortejá-la. Mas isso teria sido a gota que enche o copo para o Frank, que tinha respeitado o desejo de Rose durante quinze anos e havia se mantido afastado dela. Mas havia chegado o ano em que lhe havia prometido que Tiffany voltaria a viver sob seu teto. 
Rose não podia mantê-los separados por mais tempo e seguir com a consciência tranquila.
Tiffany se deteve ante ela e estendeu a mão reclamando a carta, mas Rose, em vez de dar-lhe assinalou-lhe o sofá.
—Sente-se.
Sua filha arqueou a sobrancelha ao negar-se a entregar-lhe a carta, mas sentou-se frente a ela. 


1 de março de 2015

Armadilha de Amor

Saga da Família Lester







Harry Lester interessado em cavalos era um libertino confesso.

Depois de que na juventude teve seu coração menosprezado pela mulher a quem amava, não tinha intenção de voltar a apaixonar-se e, muito menos, de deixar-se apanhar nas teias do matrimônio.
Pouco depois de que por pura sorte sua família teve uma drástica mudança em sua situação financeira, tornou-se um alvo das casamenteiras decidiu abandonar Londres fugindo para Newmarket, lugar que se notabilizavam pelas famosas corridas hípicas.
Estava chegando quando encontrou acidentalmente com Lucinda Babbacombe, uma bela viúva de sólida situação financeira.





Saga da Família Lester
1. As Razões do Amor
2. Um Futuro de Esperança
3. Armadilha de Amor
4- Uma Esposa à sua Medida
Série Concluída

Os Caminhos do Coração






Um amor para sempre

Quando o destino... e um impulso cavalheiresco... convergem para colocar no caminho do visconde Ashley Desford, a graciosa e encantadora Cherry Steane, uma jovem abandonada que vive da caridade de parentes, a quem mais ele poderia recorrer em busca de ajuda senão sua amiga de infância, Henrietta Silverdale? Afinal, embora tenham rompido o noivado anos atrás, Ashley e Henrietta nunca deixaram de ser amigos.
Contudo, enquanto Ashley sai à procura do avô sovina de Cherry e de seu irresponsável pai, visitando lugares não muito bem frequentados, Henrietta se pergunta se ele, finalmente se deixou atingir pela flecha do amor. No entanto, sem a oportuna intervenção de seu irmão Simon e do honrado pretendente de Henrietta, Ashley pode estar prestes a cometer a maior tolice de sua vida...

Capítulo Um 

Inglaterra, 1825
Para um homem de idade avançada, sofrendo de dispepsia e violentas crises de gota, obtendo algum prazer somente quando suas dores eram aliviadas, o conde de Wroxton se divertia na medida do possível. Ultimamente estava concentrado na agradável tarefa de desenvolver uma diatribe sobre os defeitos do seu herdeiro. Para uma pessoa sem experiência na arte da crítica, a tarefa certamente parecia injusta, pois o visconde Ashley Desford possuía todos os atributos de um filho que seria motivo de orgulho para qualquer pai. Somando-se ao belo semblante, e uma figura ágil e atlética, ele tinha modos afáveis provenientes tanto de uma amabilidade inata, quanto da criação. 
Tinha também um considerável histórico de paciência e senso de humor que transparecia em um sorriso, que brotava dos olhos, considerado por muitos, irresistível. Seu pai não fazia parte deste grupo. Aliás, considerava o status irritante.
Era mês de julho, mas o tempo estava tão distante do abafamento esperado para a estação, que o conde mandou acender a lareira da biblioteca. Sentados um de cada lado da lareira, estava o conde, com um pé enfaixado sobre um banquinho, e seu filho, após ter discretamente afastado a cadeira do calor emitido pelas brasas. Ashley usava paletó, calça de camurça e botas de cano alto, um perfeito traje matutino para qualquer cavalheiro em estada no campo. 
A elegância derivada do corte do paletó e do arranjo do lenço de pescoço deu ao pai uma desculpa para classificá-lo como um desprezível almofadinha. Ao que ele reagiu com um protesto moderado.
— Não, não, Sir! Um verdadeiro dândi ficaria chocado ao ouvir isso!
— Concluo, então, que você se considere um coríntio.
— Para ser honesto, Sir, não me considero nada! — discordou Ashley. Esperou por um momento, observando tanto com empatia quanto com divertimento o ranger de dentes do pai, antes de completar em tom bajulador. — Agora diga, o que fiz para merecer uma repreensão sua?
— Não seria melhor indagar o que fez para merecer um elogio meu? Nada! Você é um cabeça de vento! Um falastrão, que se importa com o próprio nome tanto quanto um plebeu qualquer! Um perdulário. Não precisa me lembrar de que não depende de mim para gastar com os cavalos, apostas e bocados de musselina, pois não me esqueci que aquela maluca da sua tia-avó deixou toda a sua fortuna para você, por meio de uma carta branca para que você possa cometer todo tipo de extravagância tola. 
Não posso dizer mais nada, uma vez que ela era tia de sua mãe. — Wroxton fez uma pausa, lançando um olhar desafiador ao filho.
— Certamente, papai!
— Se ela tivesse estipulado que a fortuna deveria ser usada apenas para o sustento de sua esposa e família, eu consideraria o legado adequado — anunciou Wroxton. — Não que na época, ou neste exato momento, eu não possa aumentar a sua mesada para que você tivesse condições de arcar com as despesas de um homem casado.
Outra pausa se seguiu. Pressentindo que o pai esperava algum comentário, disse educadamente que lhe era muito grato.
— Ah, não é não! — retrucou Wroxton. — E quer saber mais? Só acreditarei na sua gratidão quando me der um neto, não importa o quanto a fortuna da sua tia queime no seu bolso. Belo bando de filhos eu tenho! 
— De repente o alvo da revolta foi ampliado. — Nenhum de vocês se importa com a linhagem da família. Na minha idade, eu esperava ter um bom número de netos para alegrar meus últimos dias. Mas eu tenho algum? Não! Nenhum!






Viagem ao Paraíso



Naquela viagem ela encontrou o perigo...E o Amor!

Ao fugir do padrasto que pretende obrigá-la a se casar com um homem que ela detesta, Shenia Winterton emprega-se como secretária do marquês de Chilworth.
Com o propósito de colher dados papa o livro que pretende escrever, o marquês parte em seu iate para uma viagem por diversos países e leva Shenia consigo. Começa a nascer entre Shenia e o marquês uma grande afeição. Ao chegarem ao Egito, entretanto, algo inesperado acontece...A vida de Shenia corre perigo... Mas o que será mais forte?A maldade ou o amor?

Capítulo Um

Inglaterra, 1876
Depois de passar uma semana no condado de Essex, na casa dos pais de uma colega de internato, Shenia Winterton teve de voltar para Londres.
Recebera pela manhã uma carta da mãe pedindo-lhe que voltasse para casa. Um trecho da carta dizia:
“Você deve lembrar-se de que assumiu compromissos sociais e seria indelicadeza de sua parte cancelá-los.
E o mais importante, minha filha, é que seu padrasto e eu vamos oferecer no próximo sábado, na Winterton Park, uma recepção para vários amigos. São pessoas por quem temos grande estima, querida. Algumas querem conhecê-la e outras estão ansiosas para revê-la, uma vez que você esteve durante mais de quatro anos estudando fora ou viajando pelo Continente.
Apesar de você ter voltado para casa há mais de três meses, não tem ficado muito em Londres, tampouco em nossa casa de campo”.
A vontade de Shenia era continuar em Essex, mas seu amor filial fez com atendesse ao pedido da mãe. Arrumou a bagagem e retornou a Londres no luxuoso coche que os pais de sua amiga providenciaram.
Durante a viagem, Shenia pensou no motivo que levara o padrasto a convencer a esposa a oferecer aquela recepção. Sua intuição lhe dizia que o convidado de honra seria o conde de Harrington, e era justamente Sua Senhoria quem Shenia menos desejava encontrar.
O conde tornara-se amigo do coronel Lockwood, padrasto de Shenia, porque ambos tinham uma paixão em comum: cavalos de raça. Os dois possuíam puros-sangues magníficos, vencedores de várias corridas importantes.
O coche parou na frente de uma casa majestosa, na Park Lane, e Shenia desceu do veículo.
Jarvis, o mordomo, abriu a porta e cumprimentou-a com um sorriso.
— Boa tarde, srta. Shenia. E um grande prazer vê-la de volta. Sentimos sua falta.
— Estou exausta, Jarvis. Fui a uma festa atrás da outra — disse Shenia. — O que eu mais quero é dormir horas a fio.
— Deve fazer isso, senhorita. Deitar tarde noites seguidas é extremamente desgastante.
— E compromete a beleza. Pelo menos é o que sempre ouvi dizer — Shenia acrescentou, rindo.
— E verdade — Jarvis concordou. — Mas a senhorita é jovem e não precisa se preocupar. Aliás, sabemos que a senhorita fez o maior sucesso nos bailes. Mas agora que está em casa, nada melhor do que muitas horas de descanso para voltar a sentir a disposição de sempre.
Era bem próprio de Jarvis dizer isso. Seus cuidados com Shenia eram genuínos. Não podia ser diferente, uma vez que ele começara a trabalhar naquela casa quando Shenia nascera.
— Mamãe e meu padrasto já voltaram de Winterton Park?
— Lady Margaret e o coronel Lockwood avisaram que chegarão amanhã para o almoço — Jarvis respondeu. — Bem, senhorita, vou mandar dois lacaios levarem a bagagem para seu quarto. Judith já está à sua espera.
— Obrigada, Jarvis. Você pensa em tudo — Shenia agradeceu ao mordomo e afastou-se.
Subiu a escada e foi para o quarto mergulhada em suas reflexões. A intenção do padrasto era casá-la com o conde de Harrington. A simples ideia provocou-lhe um arrepio por todo o corpo.
Jamais lhe ocorrera, por um momento que fosse, que o conde prestara atenção nela quando se conheceram numa recepção. De repente, o padrasto passara a convidá-lo com frequência, tanto para jantares e festas na casa da Park Lane, como para ir à Winterton , Park, a casa de campo que ficava no condado de Kent.
Shenia entrou no quarto e Judith, sua criada pessoal, uma senhora de meia-idade, depois de cumprimentá-la disse, solícita:
— Já preparei seu banho, srta. Shenia. Vejo que está cansada, o que não é de admirar. Certamente você foi a inúmeros bailes em Essex.
— Acertou, Judith. Ah, que semana animada! Foi tudo maravilhoso!


A Herdeira






Estela Brome nunca imaginou que o doce sonho de participar de um baile, dançar com atraentes rapazes e depois receber um emocionante pedido de casamento caminhasse ao lado de um sórdido sentimento de ambição.

Desencantada, logo percebeu que os elogios que recebia não eram para a meiguice de seu sorriso ou o brilho de seus olhos azuis. 
A notícia de que herdara enorme fortuna fazia os caça-dotes se aproximarem com um único objetivo: seu dinheiro! 
Estela só tinha uma saída: desistir da fortuna para ter a chance de conhecer o verdadeiro amor.

Capítulo Um

1885
— Sinto muito, mas a resposta é não! Apesar do tom muito baixo da voz, as palavras soaram firmes e determinadas.
Lorde Charles Monte olhava para Estela com franca perplexidade.
— Está me dizendo que se recusa a aceitar meu pedido de casamento?
Estela se limitou a assentir com um movimento de cabeça.
— Será que não percebe que assim que meu tio morrer, o que não deve demorar a acontecer devido a seu precário estado de saúde, eu herdarei seu título de duque?
— Muitas pessoas já me disseram o mesmo — Estela respondeu com um sorriso.
— E assim mesmo continua recusando. Posso saber o por quê?
— Porque não te amo e sinto que você também não me ama.
— Não é verdade — lorde Charles se apressou a contradizê-la. — Eu te amo, Estela. Se não gostasse de você, não desejaria tê-la como esposa.
Seguiu-se um longo silêncio, interrompido por fim, por Estela.
— Teria pensado em pedir minha mão em casamento caso eu não fosse rica?
O embaraço de lorde Charles não lhe passou despercebido. No entanto, como se seu caráter o obrigasse a se mostrar autêntico e responder com igual sinceridade, respondeu:
— A verdade, Estela, é que minha família não daria sua aprovação caso eu resolvesse me casar com alguma moça que não tivesse dinheiro.
— Eu tinha certeza que o motivo era esse. O fato de eu ser muito rica os convenceu de que eu seria uma boa duquesa.
— Sua concordância os faria felizes. Quanto a mim, Estela, sinto realmente que poderia dar certo entre nós.
Ela tomou a negar.
— Não me casaria com você sem que estivéssemos apaixonados um pelo outro.
— Tenho certeza de que poderei ensiná-la a me amar.
— E durante todo o tempo pensaria no quanto nosso casamento foi providencial. Não, Charles, não pode ser, Eu não suportaria conviver com a idéia de que foi o meu dinheiro e não a minha pessoa quem te atraiu. Não suportaria me tomar apenas a chave do sucesso de seu tão esperado ducado.
Lorde Charles se levantou da cadeira e se pôs a andar de um lado para o outro da sala.
— Quando resolvi procurá-la, hoje, não imaginei nem por um momento que viéssemos a entabular uma conversação tão difícil e constrangedora.
— Eu estava ciente da razão de sua visita — Estela confessou — , por isso achei melhor usar de franqueza.
— Mal consigo acreditar que esteja falando sério. E a primeira garota que já conheci que não ambiciona um título de nobreza. Qualquer outra mulher daria tudo para se tomar uma duquesa.
— Então sou uma exceção — Estela declarou com uma pitada de ironia na voz. — Melhor para você. Dessa forma encontrará uma noiva muito em breve. Tenho certeza de que há muitas garotas prontas para aceitá-lo, mesmo que um título de duquesa seja a única coisa que tenha a lhes oferecer.


Quando o Sol Brilhar








Ivan, duque de Lavenham, ao descobrir que Penélope, a bela debutante que ele pretende desposar, não o ama, é fútil, leviana e deseja apenas tornar-se uma duquesa, toma a única decisão para um homem de fibra: rompe o noivado.

Mas ela não desiste de seu intento e passa a perseguir Ivan. 
Para livrar-se da ex-noiva, o duque propõe a Lavínia, uma moça pobre e órfã, que passe por sua noiva.
Mas Ivan não imagina em que teia de intrigas ele está entrando...

Capítulo Um

Inglaterra: Londres, Istambul; Grécia 
1880
Naquela manhã, o duque de Lavenham desceu mais tarde do que o normal para o breakfast que estava preparado havia algum tempo.
Ele comparecera, na véspera, a uma festa muito animada, onde permanecera, ao contrário do que era seu costume, até o fim da mesma.
Dessa forma, quase ao clarear o dia, voltara para sua majestosa casa, na Park Lanfe, da qual se tinha uma bela vista do Hyde Park.
Entrando na sala de desjejum, um cômodo aconchegante, voltado para o gracioso e bem-cuidado jardim aos fundos da casa, e esplendorosamente iluminado pelo sol da manhã, o duque sentou-se à mesa. Suspirou ao ver a grande pilha de correspondência deixada pele sr. Morgan, seu secretário.
Eram cartas particulares que o sr. Morgan separava e deixava à disposição de Sua Alteza, assim que chegavam.
O mordomo e dois criados apressaram-se para atender o patrão. Enquanto lhe era servido o chá, sua bebida predileta pela manhã, o duque examinou rapidamente os envelopes e reconheceu a caligrafia de pelo menos, três das cartas, todas enviadas por admiradoras.
Alto, de porte atlético, cabelos negros, olhos verdes, Ivan, duque de Lavenham, era extremamente belo e, aos vinte e oito anos, estava na sua melhor forma.
Não só as mulheres, mas também os amigos de Sua Alteza, não raramente, comentavam:
— Chega a ser injusto, Ivan, um homem possuir tantos atributos! Além do mais importante título de nobreza, você tem uma imensa fortuna, e a sua aparência é a de um Apoio. Quem mais poderá competir com você?
Lisonjeado, o duque sorria e, de fato, considerava-se um homem extremamente favorecido pela sorte.
Seu pai, embora tivesse herdado o título de sétimo duque de Lavenham, herdara também dívidas e lutara com dificuldades financeiras até se casar com a filha de um conde riquíssimo.
Graças a seu talento para negócios, disposição para o trabalho e muito bom senso, o sétimo duque multiplicara a fortuna do sogro e a própria, vindo a ser, por sua vez, multimilionário.
Pouco depois de Ivan tornar-se o oitavo duque, tendo herdado propriedades e a imensa fortuna do pai, recebera também considerável soma de um de seus padrinhos.
Nessa ocasião, Ivan cansara-se de ouvir de todos os que o conheciam praticamente as mesmas palavras, ditas com assombro:
— Lavenham, você é o maior felizardo do mundo!


27 de fevereiro de 2015

A Chama de um irresistível Amor



“O seu interesse, por mim, uma simples criada, senhor marquês, é chocante”, declarou Nenta, os olhos brilhando de agressividade ,”ainda mais que o senhor é um homem casado!”

O jovem marquês sorriu, divertido, e replicou

“Se quer mesmo fazer o papel de tímida donzela, não posso impedi-la, mas você também não pode me impedir de tentar descobrir seu passado. 
E eu vou desvendar esse mistério, porque você é minha prisioneira… prisioneira do meu amor!”.
Nerita queria fugir, mas como escapar do círculo de fogo que a consumia nas chamas dessa louca paixão?

Capítulo Um

1889
— Isto quer dizer — declarou lorde Dunbarton, com certa solenidade — que lhe resta apenas o dinheiro que sua avó lhe deixou, mais ou menos cem libras por ano, e suas jóias.
Fez-se silêncio e então Nerita indagou timidamente:
— E… é tudo?
— É desnecessário lembrar, Nerita, que seu pai faliu antes de morrer, e tudo o que ele possuía pertence a seus credores.
— Tudo?
— Sim, as casas e tudo o que elas contém, o que restou de sua fortuna, suas roupas e tudo o mais que ele possuía.
— Não me parece justo…
— Não lhe parece? E se acha injusto, como imagina que sua tia e eu nos sentimos? Afinal de contas, gozamos de uma certa posição na sociedade e na qualidade de chefe da família sinto-me abismado. . . sim, abismado é a palavra correta… diante do modo como seu pai nos lançou no descrédito.
— O senhor sabe muito bem que papai não agiu com essa intenção.
— Imagino que não, mas ele criou uma publicidade muito negativa em torno de seu nome, devido à maneira pela qual dilapidou sua imensa fortuna. Fracassar dessa maneira é uma lição para todos aqueles que jogam, quer se trate de cartas de baralho ou de especulações na bolsa.
Nerita manteve-se em silêncio, por demais atônita diante do que tinha acontecido nas duas últimas semanas para apresentar qualquer defesa em relação a seu pai.
Claro que ele não tinha tido a intenção de provocar aquela tragédia.
Mas era um traço muito característico de sua personalidade não enfrentar os fatos.
Em vez disto, suicidou-se dramaticamente, deixando uma carta em que se desculpava perante todos que haviam confiado nele. Para sua filha, destinou uma carta muito especial.
Quem teria imaginado, sequer por um momento, que o Intrépido Dunbar, como era conhecido em todas as bolsas de valores do mundo, passasse por um desastre financeiro em uma fase em que a Inglaterra gozava da maior prosperidade?
Houve um tempo em que as pessoas diziam, bem humoradas:
— Quando Dunbar se mete em um negócio, isto quer dizer que o império vai muito bem!
Nerita encontrava-se em Roma quando foi chamada de volta à Inglaterra por um telegrama lacônico que lhe dizia:
“Volte imediatamente para casa. Urgente. Tio Henry”.
Achou que seu pai encontrava-se doente demais para comunicar-se diretamente com ela, mas, bem antes de chegar, lívida e apreensiva, à casa de seu tio, em Belgrave Square, ficou sabendo o porquê daquela convocação sumária.
Foi-lhe difícil e quase impossível compreender que todo o seu mundo havia desmoronado.
Amava seu pai e confiava nele com aquela fé e abandono que as crianças demonstram em relação a um ser muito amado e no qual centralizam toda a sua existência.
Após a morte de sua mãe, ocorrida havia três anos, aproximaram-se muito, mas sir Ralph Dunbar, decidido a fazer tudo pela filha, insistiu que ela deveria completar sua educação.
— Quero que você domine perfeitamente vários idiomas. Como você bem sabe, eu apenas me dou com pessoas inteligentes, nos vários países em que viajo. Quero que a admirem, querida, não somente por sua beleza, mas também por sua inteligência.

O Destino de Coraline Smith







Coraline Smith decidiu que quer estudar em Oxford.

Sempre lhe interessaram os livros, o saber, mas também o esporte, em especial o incipiente futebol.
O único pequeno problema é que uma mulher não pode estudar nessa universidade, não pode ter haver com o masculino ambiente futbolístico. 
Então, faz o que qualquer garota faria; corta o cabelo, usa umas costeletas falsas, consegue um trabalho de cronista esportivo, ingressa na universidade sob o nome falso do Corl Smith.
Tudo vai bem até que se topa, literalmente, com David Flint, um professor e capitão do novíssimo selecionado inglês.
Davis Flint é um dos professores mais destacados de Oxford, reconhecido por seus pares e entusiasta treinador e jogador da seleção inglesa de futebol. 
Sua vida gira em torno dos livros e ao campeonato que se disputa entre a Inglaterra, Irlanda, Gales e Escócia. Nenhuma mulher o afastou jamais desse universo que construiu. Então, não entende os sentimentos que começa a desenvolver por esse moço um tanto feminino, que estuda em Oxford, que vai aos treinamentos, que bebe cerveja com eles, que se faz chamar Corl Smith. Sabia que ela não era desse tipo de mulher. Não. Ela somente se disfarçava de homem. 

Capítulo Um

 “Desastre irlandês 26 de janeiro passado deu inicio a atual edição da British Home Championship, torneio de futebol no que participam as seleções nacionais da Inglaterra, Escócia, Irlanda e Gales.
A primeira partida do campeonato teve lugar no Ulster Cricket Ground do Belfast. Enfrentaram-se as equipes da Irlanda e Escócia.
 Apesar de jogar em casa, frente a seu público, Irlanda não pôde levar a iniciativa do jogo, mas sim se viu superada em todo momento por uma excelente seleção escocesa, que assinou um grande início de campeonato.
Devido às intensas chuvas de dias anteriores, o estado do campo não era o mais idôneo. Com tudo e depois do chute inicial, Escócia interceptou a bola e desfrutou do jogo ao longo dos noventa minutos, ante a inoperancia rival.
Brilhou graças a uma técnica depurada e um toque de bola rápido e preciso. O primeiro gol se produziu no minuto dezessete, depois de uma jogada embaralhada dentro da área local. John Gouide conseguiu abrir o marcador e encarrilhar a partida depois de um golpe certeiro com a perna direita, com o que bateu ao goleiro irlandês.
Sobre tudo, terá que destacar as atuações dos dianteiros James Gossland e William Harrower que, com dois gols cada um, conseguiram um resultado final para sua equipe de cinco gols a zero.
Cabe mencionar ao J. C. Miller, o melhor interior escocês que, apesar de não marcar, foi dos mais destacados do encontro. Recém começando o campeonato, ainda é cedo para dizer quem será o vencedor, mas sim posso assegurar que, se a Irlanda não trocar de atitude e de tática de jogo, podemos apostar seguramente a que será o último no campeonato.
C.S. The Manchester Guardian, segunda-feira, 28 de janeiro de 1884.” 
 — Maldição! —exclamou Coraline quando ouviu o gongo do relógio— Está se fazendo tarde. —Fechou o periódico e o deixou em cima da mesa, de uma vez que apurava sua taça de chá— Tenho que ir, avó. —Empurrou a cadeira para trás, com um ruído. 
A senhora Atkinson observou com horror como se levantava sua neta da mesa.
 — Coraline, não seja mal educada! Essa não é forma de tomar um chá. —Deu um sorvo delicado de sua própria taça — Nem de levantar-se de uma mesa — acrescentou enquanto a olhava por cima dos óculos. 
— Sim sei — concordou resignada a jovem — perdoa. —Deu-lhe um beijo na têmpora, sem lhe dar mais importância — Tentarei melhorar, prometo-lhe isso.
 — P... mas o que é que tem posto? — exclamou a senhora Atkinson, escandalizada.
 — Agora não tenho tempo — gritou Coraline da porta — lhe explicarei isso tudo mais tarde. Quero-te, avózinha. Adeus!
A honorável senhora Atkinson não ficou mais remédio que manter sob controle seu estupor, se queria evitar as fofocas do serviço. Alguém tinha que guardar o decoro na família, assim que o melhor que podia fazer era terminar seu agradável café da manhã da forma mais elegante possível. Já teria tempo de descobrir o que trazia entre mãos sua neta. — Ah! — suspirou a mulher em voz alta — Essa menina saiu igualzinha ao escocês de seu pai. Não possui uma só gota do sangue inglês de minha querida filha. Susan deveria ter vigiado mais à menina. Pobre da minha filha, o que estará padecendo entre tantos selvagens.
Coraline não escutou nem um só lamento do que dizia sua querida avó, mas podia imaginá-los. Mantinha toda sua atenção em subir os degraus de dois em dois, sem matar-se.
Fazia seis meses que tinha elaborado o plano e, por fim, tinha chegado o grande dia. Tinha conseguido que seus pais a enviassem a casa de sua avó, Annabel Atkinson, e a deixassem sob sua tutela.
Sua mãe, ao princípio, tinha estado em desacordo por ter que separar-se de sua preciosa filha, mas, depois de refletir mais ou menos durante três minutos, tinha concluído que era a melhor opção. Sobre tudo ao ter em conta o estranho comportamento que Coraline tinha tido os últimos meses. 
Decidiu que não lhe viria nada mal a influência de sua avó, uma inglesa de alta berço. Além disso, elas se adoravam e passavam pouco tempo juntas por certas circunstâncias familiares. Entretanto, custou-lhes um tremendo esforço convencer ao pai.