1 de março de 2014

A Cama da Paixão

Série Sedução
Todos na sociedade sabem que o casamento de Lorde e Lady Hammond é infeliz. Todo mundo sabe que eles mal falam um com o outro há mais de nove anos. Mas o que ninguém na sociedade sabe são as razões para isso...

Lady Viola Courtland era uma jovem romântica e impulsiva quando se apaixonou instantaneamente pelo belo e atraente Visconde Hammond. Sem o conhecimento de Viola, John Hammond já havia dado seu coração à única mulher que ele iria amar - a esposa de seu primo -, mas ele estava em dificuldades financeiras e precisava desesperadamente se casar com uma herdeira rica. Em Viola, ele achava que havia encontrado a mulher perfeita - bonita e rica com uma natureza doce. Mas Viola não era prática nem sensata quando se tratava de casamento, pois esperava que o marido a amasse e estava determinada a não se conformar com nada menos. Logo, porém, o segredo de John foi involuntariamente revelado, mas entretanto eles se casaram e já era tarde demais. Até que um dia John finalmente caiu em si e rezou para não ser tarde demais para reconquistar o amor de sua própria esposa.

Capítulo Um

Londres, 1833

Sempre que os membros da alta sociedade londrina comentavam sobre lorde e lady Hammond, o senso comum era: o visconde e sua esposa não se suportavam. Mesmo a mais inexperiente das anfitriãs sabia que eles não podiam ser convidados para o mesmo jantar.
Ninguém conseguia entender as razões que separaram o casal apenas seis meses após o casamento, e por que, passados oito anos, lady Hammond ainda não dera a seu marido um herdeiro, como era usual.
Apesar de não haver nenhum herdeiro direto ao título do visconde, o contrato matrimonial de lorde e lady Hammond não dava sinais de que seria quebrado por nenhuma das partes. Pelo menos não até 15 de março de 1833. Esse foi o dia em que a chegada de uma carta mudou tudo, pelo menos para o visconde.
A mensagem era urgente e foi entregue na residência dele em Londres por volta das onze horas da noite. Lorde Hammond, porém, não se encontrava. No meio da alta temporada londrina, John Hammond, assim como todos de sua posição social, se ocupava com a nada sagrada trindade masculina: bebida, jogo e mulheres.
Seus amigos, lorde Damon Hewit e sir Robert Jamison o assistiam alegremente nessas atividades. Depois de várias horas de seu jogo predileto, chegaram ao Brook's pouco antes da meia-noite. Após a sexta garrafa de vinho, começaram a discutir onde deveriam pernoitar.
— Eu creio, Hammond, que deveríamos ir ao baile da Sra. Kettering pelo menos por uma hora ou duas — disse Robert. — Damon e eu prometemos a ela que iríamos. Você sabe como a dama fica quando não aparecemos.
— Nesse caso, serei forçado a deixá-los. — John despejou mais um pouco de vinho em seu copo. — Viola foi convidada para o baile e aceitou o convite. Portanto, sou forçado a declinar. Sabe muito bem que eu e minha mulher nunca comparecemos aos mesmos eventos.
— Nenhum cavalheiro comparece aos mesmos eventos que sua esposa, Robert — esclareceu Damon. — Por isso seria melhor que Hammond explicasse que a verdadeira razão é a seguinte: Emma Rawlins estará lá, e isso é sinal de confusão certa.
John quase teve vontade de rir. Sua mais recente amante não provocaria emoção alguma em Viola, a não ser o mesmo desprezo que demonstrava por ele havia vários anos. Um final melancólico, visto que John se casara com uma linda e adorável jovem. Mas casamentos raramente davam certo, e ele já desistira do seu.
— A Srta. Rawlins é uma criatura adorável — acrescentou Robert. — Pena que o romance tenha terminado.
John lembrou-se de como Emma se tornara possessiva, exigindo coisas que não cabiam a uma amante exigir. Por isso, havia terminado com ela dois meses atrás, não sem antes pagar uma boa quantia pelo rompimento do contrato.
— Veremos o quanto Emma é adorável, pois o fim do romance não foi nada amigável. Não hei de querer saber de mulheres tão cedo. — John tomou mais um gole.
— É o que sempre diz, meu amigo! — Damon deu risada. — Mas essa resolução só dura até aparecer a próxima beldade. Você precisaria ter um harém.
— Uma mulher de cada vez já basta. Minhas duas últimas amantes me deram motivos de sobra para eu nunca mais pensar em romance.
A amante anterior a Emma, a cantora de ópera Maria Allen, fez John se envolver num duelo em que acabou ferido no ombro pelo marido traído. O casal se separou, e Maria se tornou amante de lorde Dewhurst.
Emma Rawlins, entretanto, não parecia disposta a encontrar um novo protetor. Continuava a escrever toda semana, implorando que John voltasse para ela. As respostas com recusas formais não a satisfizeram, e Emma decidiu deixar a propriedade que ele lhe dera em Sussex para segui-lo até a capital. O visconde, porém, não tinha a menor intenção de revê-la.
— Não, não, meus amigos, mulheres são criaturas maravilhosas, mas cobram muito e de muitas maneiras. Pretendo passar este ano inteiro sem nenhuma amante.
— O ano inteiro, John? — Damon meneou a cabeça, incrédulo. — Estamos apenas em março. Você ama demais o sexo frágil para ficar tanto tempo longe.
John se recostou no espaldar e ergueu seu copo.
— Só porque um homem não tem uma amante não quer dizer que não goste mais de mulheres.
Seus amigos deram boas risadas e decidiram que aquele era um bom pretexto para brindar. Voltaram a encher os copos e brindaram várias vezes às damas de todas as categorias. Em menos de cinco minutos, outra garrafa foi esvaziada.

Série Sedução
1 - Prazeres Proibidos
2 - Todos os Teus Beijos
3 - A Cama da Paixão
4 - Muito Mais que uma Princesa
Série Concluída

Todos os Teus Beijos

Série Sedução
Todo mundo conhece Dylan Moore - seu talento brilhante e a sua procura constante de prazere - mas ninguém conhece o tormento que está por baixo de seu aspecto imprudente. Apenas uma mulher tem um vislumbre das forças que dirigem a alma de Dylan, uma mulher que assombra seus sonhos e evoca suas paixões como nenhuma outra mulher jamais o fez antes.
Caída em desgraça e indigente, Grace Cheval não quer nada com o homem sedutor que a deseja. Quando Dylan oferece a ela uma posição de governanta para sua filha recém descoberta, ela sabe que suas verdadeiras intenções são desonrosas. No entanto, acha difícil resistir a esse homem carismático, e retorna seus beijos apaixonados com um fogo que combina com o dele. Pode Dylan ousar esperar que a bela dama, orgulhosa e espirituosa, derreta o gelo ao redor de seu coração?

Capítulo Um

Londres
1827

Sentia-se enlouquecer. Maldito ruído, maldito ruído angustiante. Parecia um gemido alto que lhe queimava o cérebro como fogo, um som incessante, constante que lentamente o enlouquecia. Se ao menos conseguisse calá-lo. Mas era impossível.
Dylan Moore afastou bruscamente o lençol soltando uma imprecação e levantou-se da cama. Nu, atravessou o quarto e abriu os pesados reposteiros de brocado para olhar para fora. O céu estava negro como breu, naquela hora entre a meia-noite e a madrugada, e apenas um candeeiro à esquina iluminava lá em baixo a rua vazia. Tudo estava em silêncio, exceto no seu espírito. Ficou a olhar pela janela, sentindo ódio por todos os seres humanos de Londres que podiam desfrutar do silêncio que a ele lhe era negado.
Os seus movimentos acordaram Phelps e o criado entrou, vindo do quarto de vestir, com uma vela acesa na mão.
– Também não consegue dormir esta noite, senhor?
– Assim é. – Dylan soltou um suspiro. Havia já três meses. Por quantas mais noites poderia continuar assim, dormindo apenas uns minutos de cada vez? A cabeça latejava-lhe num doloroso protesto pelo ruído infindável e pela falta de sono; inclinou a cabeça e encostou-a à janela, controlando o impulso de partir com ela o vidro e pôr fim àquele tormento.
– O láudano que o doutor Forbes receitou… – O criado hesitou, vendo a expressão zangada com que o amo se voltou para ele, mas a preocupação levou-o a insistir. – Talvez o senhor deseje que prepare outra dose?
– Não. – Deitar-se na cama a aguardar o efeito do opiáceo seria uma ideia intolerável. Dylan voltou as costas à janela e dirigiu-se a passos largos para o quarto de vestir, passando pelo criado. – Vou sair.
– Vou acordar Roberts para que traga a carruagem para a frente da casa.
– Não quero a carruagem. Vou dar um passeio a pé.
– Sozinho, senhor?
– Sozinho.
Na opinião de Phelps, passear sozinho, a meio da noite, pelas ruas de Londres, não seria uma boa ideia, mas a sua expressão não demonstrou qualquer parecer sobre o assunto. Dylan fazia o que lhe apetecia e não seria apropriado o criado pôr em causa a sensatez da decisão.
– Sim, senhor – disse Phelps e ajudou-o a vestir-se.
Dez minutos depois, Phelps voltou para a cama e Dylan desceu as escadas, empunhando a vela acesa que lhe iluminava o caminho através da casa escura. Entrou no escritório, dirigiu-se à secretária e abriu uma gaveta. Ficou por momentos a olhar para a pistola e depois pegou-lhe. Um homem envergando roupas caras e percorrendo sozinho a cidade, durante a noite, estava a pedir complicações e o mais sensato seria tomar precauções. Carregou a arma, meteu-a no bolso da longa capa negra e saiu do escritório. Passou pela sala de música a caminho da porta da rua, mas alguma coisa o fez parar. Talvez que um passeio não fosse realmente a distração de que necessitava. Hesitou, depois voltou-se e entrou na sala de música.
Passara ali muitas horas até ao acidente. Um momento de descuido, uma queda do cavalo, a pancada da cabeça contra uma pedra e tudo mudara. Só dois dias depois o ouvido deixara de sangrar e levara duas semanas a recuperar do traumatismo. Durante esse tempo esperara que o zumbido dos ouvidos desaparecesse, mas afinal parecera piorar. Durante o mês seguinte à sua recuperação, entrara todas as manhãs naquela sala para trabalhar. Sentara-se ao piano de cauda, fingindo que nada se passava, repetindo para consigo que o seu estado seria temporário, que não perdera o dom, que, se tentasse, seria capaz de voltar a escrever música. Por fim, desesperado, desistira e desde aí não voltara a entrar na sala.
Dirigiu-se lentamente para o enorme piano de cauda Broadwood, olhando fixamente para o reflexo do brilho da vela na tampa de nogueira envernizada. Talvez nos últimos três meses uma qualquer transformação tivesse acontecido por magia e, quando pousasse as mãos nas teclas, a música surgisse de novo. Pelo menos podia tentar. Depois de colocar a vela no castiçal trabalhado de madeira de castanheiro do piano, ergueu a tampa e sentou-se no banco.

Série Sedução
1 - Prazeres Proibidos
2 - Todos os Teus Beijos
3 - A Cama da Paixão
4 - Muito Mais que uma Princesa
Série Concluída

Prazeres Proibidos

Série Sedução
Para a recatada e tímida Daphne Wade, seu prazer proibido mais doce é observar as escondidas seu patrão, Anthony Courtland, duque de Tremore, enquanto ele trabalha na escavação arqueológica de suas propriedades na Inglaterra.

Anthony contratou Daphne para que restaurasse os preciosos tesouros que ele ia desenterrando.
No entanto era duro para uma mulher se concentrar no trabalho quando tinha em sua frente um homem como Anthony, cuja beleza era esmagadora.
Ele nem sequer tinha reparado nela como mulher, mas quem poderia culpá-la de ter se apaixonado perdidamente?
Escondida atrás de uns óculos enormes, Daphne era a restauradora melhor preparada para realizar este trabalho e Anthony sabia disso.
Quando uma nova e encantadora Daphne sai de sua concha, as regras do jogo mudam. Anthony conseguirá convencê-la de que é a mulher de seus sonhos?

Capítulo Um

Hampshire, 1830
Ninguém que olhava Daphne Wade imaginaria que ela pudesse ter algum prazer proibido, secreto. Seu aspecto era normal, os óculos não ajudavam muito, tinha o cabelo castanho claro e o usava preso na cabeça. Todos os seus vestidos eram de diferentes tons de bege, marrom ou cinza. Sua altura era normal e sua figura ficava escondida debaixo dos grandes e cômodos aventais que utilizava para trabalhar. Tinha uma voz suave e agradável de escutar, sem sons estridentes que chamassem a atenção.
Ninguém que a julgasse só pela sua aparência poderia imaginar que a senhorita Daphne Wade tinha o escandaloso costume de observar o torso nu de seu patrão sempre que tinha a oportunidade, embora a maioria das mulheres estivesse de acordo que Anthony Courtland, duque de Tremore, tinha um torso que valia a pena observar. 
Daphne apoiou os cotovelos no peitoral da janela e levantou a luneta de bronze. Utilizar esse aparelho com lentes era difícil, assim que o deixou na prateleira. Voltou a colocar os óculos e a distância, olhou toda a escavação, procurando Anthony entre os trabalhadores. Sempre que pensava nele pensava usando seu nome. 
Quando falava com ele, o chamava de «senhor», como todo mundo, mas em sua cabeça e em seu coração, ele sempre era Anthony.
Ele estava falando com o senhor Bennington, o arquiteto da escavação e com sir Edward Fitzhugh, o vizinho mais próximo do duque e antiquário amador como ele. 
Os três homens estavam no meio de uns campos da escavação, rodeados de muros, colunas quebradas e restos do que havia sido uma vila romana. 
Nesse momento, discutiam sobre o mosaico que estava debaixo dos seus pés e que havia sido descobertos pelos trabalhadores nessa mesma manhã.
Quando Daphne localizou a forte figura de Anthony, sentiu uma familiar chateação em seu coração, uma mescla viciante de prazer e incômodo. 
Era uma combinação que quando estava em sua presença a calava e lhe fazia querer se misturar com seu ambiente, passar despercebida; em troca quando o contemplava como agora, desejava se transformar no centro de toda sua atenção. 
O amor pensava, deveria ser algo agradável, cálido, doce, não algo que prejudicasse o coração com sua intensidade.
Daphne sentia essa intensidade agora, enquanto o observava. Quando estava em Tremore Hall, ele passava sempre dois ou três horas ao dia
trabalhando junto com o senhor Bennington e o resto dos homens na escavação. Algumas vezes ela não estava nas ruínas e às tardes de agosto eram excepcionalmente quentes, e Anthony sempre tirava a camisa. O dia era muito caloroso.
Para Daphne, ele quase formava parte da escavação romana que o rodeava. Era como uma escultura. 
Com sua pouco freqüente altura de mais de um metro e oitenta e seus grandes ombros e desenvolvidos músculos, apesar de seu cabelo escuro e sua pele bronzeada parecia um deus romano esculpido em mármore.
Ela o observava enquanto os três homens continuavam discutindo sobre o mosaico e teve a estranha sensação que experimentava cada vez que o via e que fazia lhe custar a respirar e que seu coração se acelerava como se estivesse estado correndo.

Série Sedução
1 - Prazeres Proibidos
2 - Todos os Teus Beijos
3 - A Cama da Paixão
4 - Muito Mais que uma Princesa
Série Concluída

23 de fevereiro de 2014

Amor Proibido

Série MacLerie 

Seu guerreiro proibido... 

Ciara Robertson sempre amou Tavis MacLerie. 
Com o coração partido, foi obrigada a presenciar o matrimônio dele com outra mulher. 
Agora que, finalmente, alcançou a idade certa para se casar, ela se joga aos pés de Tavis. 
Ele sabe que a inocente Ciara acredita estar apaixonada, mas considera que ela merece um companheiro melhor. 
Sua dolorosa experiência lhe provou que ele tem mais valor como guerreiro do que como marido. 
Com os sonhos estilhaçados, Ciara não tem opção senão aceitar o casamento com outro pretendente. Designado para conduzi-la até seu noivo, o coração de Tavis dói mais a cada passo do caminho... 
Será ele capaz de entregar a mulher que o ama? 

 Capítulo Um 

Lairig Dubh, Escócia... Primavera, 1370 d.C.
Ciara Robertson estava sentada longe da mesa, quase rio can­to da sala que o padrasto escolhera para a reunião. Era um apo­sento grande e confortável, mas não oferecia muito aconchego. As janelas estavam abertas, permitindo que a brisa fresca da primavera entrasse. Comida e bebida foram oferecidas, porém de forma econômica. Aquilo não se tratava de hospitalidade, e sim de negócios.
Ela não fitava os olhos de ninguém, e a maioria dos homens presentes provavelmente pensava que ela era uma serva espe­rando ordens. Mas Ciara não era serva... Era a filha mais velha do pacificador MacLerie, Duncan, e estava sendo treinada por ele, mesmo agora.
Como ele instruíra, ela ouvia cada palavra dita, observava as expressões daqueles que falavam, e até o jeito como eles se sen­tavam ou gesticulavam, para entender quem continha o verdadeiro poder naquelas discussões. “Nem sempre é o mais velho, o mais rico ou o mais barulhento”, ele lhe dissera muitas vezes.

O ver­dadeiro poder geralmente dispensa atenção. O verdadeiro poder delega aos subordinados e estabelece o limite para eles. O verda­deiro poder fala baixo e exerce seu controle com cuidado.
Agora, ouvindo e observando, ela acreditava que o irmão MacLaren mais novo era aquele que estava tomando as decisões nessa série de negociações para um acordo de trocas com os MacLerie. Embora outro homem, mais velho e mais calmo, dis­cursasse sobre a posição de MacLaren, estava claro para ela que ele não estava no comando.
A reunião continuou por algumas horas, cada lado esclare­cendo e expondo, e, diversas vezes, Ciara teve de reprimir um sorriso enquanto observava o padrasto trabalhar... Pressionan­do aqui, elogiando ali, alimentando egos, instigando um ou ou­tro para conseguir os melhores termos para os MacLerie. 
No momento que eles concordaram em concluir o acordo pela ma­nhã e parar para a refeição noturna, Duncan, o pacificador, tinha guiado os MacLaren para os caminhos que queria que eles se­guissem e fecharia o acordo no dia seguinte. 
Ela levantou-se, fez uma cortesia para todos que partiam e esperou pelo padrasto, a fim de discutir o dia de trabalho.
Ciara entendia como ele trabalhava, pois ele não tomava no­tas durante as conversas, mas se lembrava de cada palavra e cláusula concordada por ambas as partes. 
Ele anotaria os pen­samentos e planos antes de falar com qualquer pessoa, portanto ela agiu como criada então, servindo cerveja em canecas e dando-as aos MacLerie que permaneciam na sala agora. 
O tio, o laird e o ajudante do laird esperaram o pai dela reunir os pensamentos e falar sobre como levar aquelas negociações a uma conclusão bem-sucedida.
Alguns minutos se passaram, e era bom estender as pernas e andar um pouco depois de ficar sentada, quieta, por tanto tempo. Ficar sentada e quieta não era o comportamento habitual dela. O olhar do laird a seguiu, mas, quando Ciara o encontrou, ele sorriu e desviou os olhos. 
O padrasto dela, o único pai que ela conhecera, levantou a cabeça e pigarreou, sinalizando que esta­va pronto agora para discutir o progresso do dia, ou a falta des­te, com eles. Ele surpreendeu-a com as primeiras palavras:
— Ciara, dê-me as suas impressões das conversas de hoje. — Ele sorriu para ela de maneira tranquilizadora e assentiu com um gesto de cabeça para que ela começasse.
As palavras ficaram presas na garganta de Ciara quando ela tentou falar alguma coisa útil, alguma coisa pertinente, agora que tinha sido questionada. 
Falar em particular, dar a opinião dela e fazer observações nunca havia sido um problema, de for­ma alguma. Ela apreciava um debate inteligente com o homem que a criara como se ela fosse filha dele, após se casar com a mãe dela, e Ciara nunca temera as próprias palavras. 
Agora, todavia, com o laird e o ajudante observando e esperando, as palmas das mãos começaram a suar e a mente ficou em branco.
— Você acha que o laird irá concordar com o meu pedido de estender os termos deste acordo? — perguntou ele, claramente guiando-a na resposta. Ciara tirou as outras pessoas presentes dos pensamentos e respondeu como se estivesse falando somen­te com Duncan.
— Eu acho que o laird está disposto a estendê-lo, mas suspei­to de que o irmão dele, não. E será o irmão dele quem tomará a decisão. — E se ela estivesse enganada? E se as observações dela estivessem completamente erradas?
Duncan a olhou com intensidade antes de voltar os olhos para o laird. Connor MacLerie podia ser intimidador quando assim desejava, e, no momento, a expressão dele tornou-se séria e carrancuda. Ela cometera um erro? Ciara passou uma das mãos na testa, onde pequenas gotas de transpiração começavam a se reunir ali também.
— Eu não lhe disse, Connor? — O pai de Ciara perguntou para o laird. Teria ela estragado tudo na primeira vez que tivera permissão para opinar? Como poderia contar para a mãe, que a apoiara em sua educação e a encorajara ao longo deste caminho nem um pou­co ortodoxo para uma jovem mulher? Se ela fracassasse agora...

Corações em Guerra





O capitão Pierre Dammartin é um homem honrado.

Ainda que sua prisioneira, Josephine Mallington, seja tentadora, ela é a filha de seu inimigo.
Ele teria que odiá-la, no entanto, a inocência de Josie enche de esperança seu debilitado coração.
Pela arrogância com que a trata, ela percebe que Pierre a despreza ao mesmo tempo em que a deseja. 
Josie sabe que deveria temê-lo, mas está decidida a ignorar a guerra entre seus mundos e se render somente à atração poderosa e proibida que comanda seus corações…
Decidida a provar que pode ser útil dentro e fora do campo de batalha.

Capítulo Um

Portugal — 31 de outubro de 1810
No topo do vilarejo deserto de Telemos, nas montanhas ao norte de Punhete, Josephine Mallington estava tentando desesperadamente estancar o sangue do soldado ferido, quando os franceses começaram seu ataque. Ela ficou onde estava, ajoelhada perto do soldado, no piso empoeirado de pedra do velho mosteiro, no qual seu pai e os homens dele haviam se refugiado. 
A chuva de balas, através dos buracos onde janelas haviam estado uma vez, continuou, enquanto as tropas de soldados franceses começavam a se aproximar, o som de seus pas de charge alto até mesmo sobre o barulho dos tiros.
— En avant! En avant! Vive la République! — Ela ouviu os gritos.
Tudo o que havia ao redor era o cheiro forte de pólvora e sangue fresco derramado. Pedras que tinham abrigado monges e padres por trezentos anos agora testemunhavam a matança. A maioria dos homens de seu pai estavam mortos… Sarah e Mary também. Os homens que restavam começaram a fugir.
A mão do soldado na sua estremeceu, então se tornou frouxa. Josie olhou para baixo e viu que a vida o abandonara, e, apesar de todo o caos ao redor, o horror daquilo a chocou tanto que, por um momento, ela não conseguia desviar o olhar do rosto do homem sem vida.
— Josie, pelo amor de Deus, venha aqui, garota!
A voz do seu pai a tirou do estado de entorpecimento, e ela ouviu o som abafado dos machados dos franceses, enquanto eles batiam contra a madeira pesada da porta da frente do mosteiro. Josie soltou a mão do soldado morto e, removendo o xale de seus ombros, usou-o para cobrir o rosto dele.
— Papai? — Ela olhou para as ruínas ensanguentadas.
Corpos sem vida, e outros morrendo, estavam deitados ao longo do saguão. Homens que Josie conhecera em vida... homens de seu pai, homens do Quinto Batalhão do 60º Regimento da Infantaria Britânica. Josie vira morte antes, mais mortes do que qualquer mulher jovem deveria ver, mas nunca mortes como aquelas.
Sobre as mãos e os joelhos, ela engatinhou para onde seu pai e um pequeno grupo de homens estavam agachados. Poeira e sangue sujavam seus rostos, enquanto manchas escuras eram reveladas contra suas jaquetas verde-escuras e calças azuis.
Josie sentiu os braços de seu pai a rodeando, puxando-a para junto dos homens.
— Você está ferida?
— Eu estou bem — disse ela, embora “bem” dificilmente fosse a palavra certa para definir como estava se sentindo.
Ele assentiu e tirou o braço de seu redor. Josie ouviu seu pai falar novamente, mas, dessa vez, não com ela.
— A porta não irá contê-los por muito mais tempo. Nós devemos fugir pelo piso superior. Sigam-me.
Josie agiu de acordo com a instrução, respondendo à força e à autoridade na voz de seu pai como qualquer dos homens dele, pausando apenas para coletar o rifle, cartuchos e um pequeno container com pólvoras de um soldado morto e esforçando-se para evitar olhar para o ferimento aberto no peito dele. Pegando a arma e munição para si mesma, ela correu com os homens, seguindo seu pai para fora do saguão, passando pela porta que os machados franceses tinham quase derrubado e subindo uma larga escadaria de pedra.
Eles subiram dois lances de escada e entraram numa sala na frente do prédio. 
Miraculosamente, a chave ainda estava na fechadura da porta. No momento em que seu pai virou a chave, Josie ouviu a pancada ressonante da porta da frente sendo aberta, então soube que os franceses haviam entrado. Eles ouviram o som dos franceses correndo no grande pátio abaixo e, em seguida, passos de botas começaram a subir a escada que os levaria à sala que abrigava os soldados remanescentes.
Havia pouca coisa para diferenciar o tenente-coronel Mallington de seus soldados, exceto sua atitude de comando e a autoridade inata que ele emanava.
 

22 de fevereiro de 2014

O Xerife e a Governanta Inocente

Becky Hamilton ficou órfã com apenas quatorzes anos e desde então vem morando com a sua tia, na cidade de Waco.

Desde que chegou começou a trabalhar como governanta para o jovem xerife da cidade.
Hipnotizado imediatamente pela sua masculinidade crua e a sua grande força musculosa, o seu inicial fascínio logo se transformará num imenso amor e com passar dos anos a sua integridade honesta será revelada.
Jake Cooper conseguiu ignorar durante três longos anos a sua linda e jovem governanta órfã.
Mas quando ela começa uma sutil metamorfose de menina para mulher, ele não pode mais controlar a sua necessidade de possuí-la e toma-la para si.
Ele tem muito orgulho do seu trabalho que é proteger a cidade arduamente de todos os perigos, mas quem vai protegê-la dele?

Capítulo Um

Waco, Texas 1872
Becky Hamilton apertou o pacote de linho branco contra seu peito, enquanto se apressava para longe de pensão da tia e tentava voltar para o seu trabalho na casa do xerife antes que a tempestade chegasse. Ela podia sentir o toque da chuva no ar, assim como o seu resmungo vindo do sul que soava muito feroz para os seus ouvidos.
Ela estava muito atrasada hoje, devido a sua tia ter passado mal esta manhã, sobrando assim para Becky ajudar a preparar o café da manhã para os cinco hóspedes pagantes que estavam hospedados esta semana.
Enquanto se apressava ao longo do calçadão, estava pensando nas coisas que precisava fazer hoje e que eram de suma importância em sua mente.
O xerife amava um bom assado de carnes com batatas e Becky sabia exatamente quanto tempo seria necessário para deixar a carne tão macia quanto ele gostava. Ela também precisava encontrar tempo para se dedicar a costura daquele intrincado linho branco que estava, naquele momento, protegendo contra a chuva.
A Sra. Sloan estava bastante impressionada com os bordados de Becky e tinha começado a lhe pagar para ajuda-la com os últimos retoques nas blusas finas que seriam colocadas à venda, na Bolsa de Mercadorias. E Becky precisava desesperadamente do dinheiro extra.
A quantidade que ganhava realizando a limpeza para o xerife não era muita coisa, então precisava desesperadamente de uma nova fonte de renda. Parecia que a única coisa que conseguia pensar constantemente nos últimos dias se relacionava com dinheiro, para falar a verdade desde que descobriu que a sua tia Beth estava tendo problemas financeiros.
Apesar de ser verdade que a sua tia jamais admitiria lhe dizer o que estava acontecendo, mas Becky sabia que ela precisava do quarto que ocupava no momento para O Xerife e a Governanta Inocente Lynda Chance 4 oferecer aos futuros clientes, pois a falta desta renda estava colocando uma pressão muito forte sobre os ganhos, já magros, da mulher mais velha. Becky estava usando o quarto a três anos, desde que tinha se mudado para o Texas vinda de Boston, o que aconteceu quando seus pais morreram e a sua tia tinha lhe resgatado de só Deus sabe o quê quando a levou para viver com ela.
E ela era muito grata a ela todos os dias. Mas agora, aos dezessete anos, Becky tinha idade suficiente para começar a pensar em tirar esse fardo das costas de sua tia. E ela tinha encontrado um jeito. Não era o ideal, longe disso, mas ela tinha uma opção para sair da pensão de sua tia.
Muitas meninas de sua idade já estavam casadas e Becky sabia que este era o esperado para ela também.
O problema era que o homem errado ficava lhe perguntando a todo instante se queria se casar com ele e com o agravante que ele era um bom partido para qualquer moça. Kyle Bolton era de uma boa família, alem de ser bom e gentil e até mesmo ter uma boa aparência, mas Becky sentia uma ligeira sensação de náusea cada vez que ele pegava a sua mão e concentrava toda a sua atenção sobre ela. Oh Deus, tinha que haver outra maneira.
Ela não podia se casar com ele. Ela realmente não podia.
 

16 de fevereiro de 2014

O Que a Rainha Quer





Elizabeth Orleans acabou de ser amarrada por três homens grandes. 

Ela deve se submeter as suas demandas ou ela nunca será libertada. 
Mas quando o seu jogo sexual termina, ela despede os homens com um movimento do seu pulso. 
Afinal de contas, Elizabeth é a Rainha de Magonia e estes três homens são empregados por ela para satisfazer seus desejos sexuais infinitos. 
Mas após trinta anos estando no completo controle, seu prisioneiro impressionantemente bonito Gavin Court — não só arrogante, mas aparentemente imune aos seus encantos deliciosos — está prestes a mostrar-lhe como pode ser bom conseguir o que realmente quer.  Ler mais



10 de fevereiro de 2014

Série Irmãos Carsington

1 - Irresistível

Alistair Carsington gostaria de ser menos namorador, mas as mulheres sempre foram sua perdição e ruína. 

Para escapar de seus piores impulsos viaja ao condado do Derby — segundo ele, o lugar mais afastado de toda civilização, — onde espera matar dois pássaros com um tiro: fugir da tentação e, sobretudo, fazer um favor a um amigo que salvou sua vida no campo de batalha de Waterloo. 
Suas nobres intenções se modificam quando conhece Mirabel Oldridge, uma mulher tão inteligente, obstinada e confusa como ele… e maravilhosamente irresistível.

Ambientada na Inglaterra da Regência, Irresistível reúne os melhores ingredientes das novelas da Loretta Chase: uma história esplendidamente escrita, com fino sentido da ironia, extraordinária sensibilidade e muito romantismo.

Série Irmãos Carsington
1 - Irresistível
2 - Impossível
3 - Perfeito
4 - Toda uma Dama
5 - O Escândalo de Ontem a Noite
Série Concluída

9 de fevereiro de 2014

Coração Selvagem



Um encontro mágico... Um homem para não se esquecer!

Serena Rogan tinha saído da Irlanda em busca de um novo sonho na América. Mas como lavadeira num campo de mineração, ela só encontrou escravidão e sofrimento. 
Até que, arriscando a vida para salvar um grupo de mulheres sioux, ela entrou em um mundo cheio de amor, respeito e de... Lobo Negro.
Curandeiro lakota, Lobo Negro sonhava com o dia em que Serena, a mulher de cabelos vermelhos, deixasse de temê-lo. Estava determinado a provar-lhe que um homem podia ser tanto amigo quanto amante!

Capítulo Um

Território de Dakota, 1825

Fui largada aqui para morrer... Serena refletiu e mal ergueu a cabeça da vegetação áspera que cobria a margem do rio. Doía respirar, mas mesmo assim, ela tentou encher os pulmões de ar. Com esforço, soergueu-se nos braços. Começava a amanhecer, a luz empurrando para longe a escuridão do céu de setembro. Um arrepio percorreu-lhe o corpo. Jamais esqueceria essa noite. O rosto fino, com bigode, de Blackjack a espionava através da nebulosidade da dor.
A fim de afastar a imagem do rico minerador de ouro, Serena sacudiu a cabeça e forçou-se a não pensar nos ferimentos dos seios. Semicerrando os olhos verdes, observou o rio calmo que corria entre as colinas Negras de South Dakota. Como dedos trêmulos, o vapor subia da superfície e formava neblina sobre as margens. Wexford, sua terra natal na Irlanda, ficava tão longe. Ela encontrava-se na outra metade do mundo, violentada por um homem depravado e, depois, largada para morrer.
- Não! - murmurou.
Olhou para o vestido de algodãozinho azul claro e ralo. A blusa estava manchada de sangue dos ferimentos feitos por Blackjack e o tecido grudava-se na carne.
As últimas palavras dele ressoavam-lhe na mente: "Quero ter certeza de que nenhum outro homem há de querer pôr as mãos em você, sua bruxa ruiva".
Serena fechou os olhos. A dor emocional sobrepujava a física e ela revivia a cena na qual Blackjack cruzava o aposento trazendo o espeto de ferro em brasa da lareira. Sem querer, soluçou. Não tinha como abafar o terror. Por não se submeter às exigências do minerador, ele a tinha violentado vezes seguidas, tirando-lhe a virgindade e a dignidade.
Curvou a cabeça e apalpou os seios doloridos. Vinha de uma pobre família católica da Irlanda. Talvez seus cabelos vermelhos e flamejantes, tão sujos e embaraçados agora, anunciassem o espírito indomável que Blackjack tentara dobrar. O espírito era tudo que lhe restava, refletiu, atordoada com as ocorrências da véspera à noite. Sem haver ingerido a comida com narcótico, ela havia tentado fugir. Quase conseguira ultrapassar a porta e ganhar a liberdade, mas ele a tinha apanhado em flagrante. Enrolando a mão em seus cabelos compridos, a levantara do chão.
Serena mergulhou a mão na água límpida, o oposto de como se sentia por dentro. Suja. Imunda. Ansiava tirar o gosto de sangue da boca. Com dificuldade, ajoelhou-se.
Com as mãos em concha, lavou o rosto. Blackjack sempre exaltava sua beleza, ressaltando os imensos olhos verdes, os lábios polpudos e a exuberância dos cabelos vermelhos. Em vez de usar o espeto para marcar-lhe o rosto, ele tinha queimado seus seios.
Observou a faixa avermelhada no horizonte. A sua volta, o mundo acordava e os pássaros anunciavam um novo dia. Estou viva. De alguma forma, hei de vencer. Serena apanhou mais água e bebeu-a, sentindo-se melhor. Depois, rasgou um pedaço da barra do vestido e esfregou o pescoço, os braços e as mãos na esperança de tirar o cheiro de Blackjack que a lembrava dos terríveis meses de cativeiro.
Durante os meses em que fora prisioneira dele, Serena jamais tinha mostrado medo ou chorado. Ele havia encarado sua coragem como um desafio para dobrar-lhe o espírito, para fazê-la gritar de dor ou, pelos menos, chorar. Fracassando, ele a tinha acusado de bruxa e de não ter sentimentos. Serena baixou a cabeça e observou os brotos de capim. Um dia, ela também tinha sido como eles, pura e vulnerável.
- Nunca mais... 

Prisioneira Apaixonada



Seqüestrada na noite do noivado!

América do Norte, 1873. 
O que as pessoas pensariam de Jenny Eriksen? 
Afinal, ela desaparecera na noite da festa de seu noivado! 
Agora, lá estava ela, trancafiada num saloon de uma cidadezinha do Oeste, à mercê de Luke McLintock, o homem que a roubara do noivo... não só seu corpo, mas também a alma e o coração! 
Luke McLintock não podia deixar sua missão falhar. 
Sim, ele "seqüestrara" a noiva de seu amigo de infância - mas só porque Jenny Eriksen era a chave para o futuro de uma criança. 
Mas Luke não contava com a forte atração que sentiria por aquela culta e refinada dama de Boston. 
Assim, não podia imaginar como seria sua vida depois que ela partisse...

Capítulo Um

Denver, setembro de 1873
Alto, forte, perigoso... Quem era ele?
Jenny Eriksen viu o estranho na rua deserta. Suas pulsações aceleraram de maneira inesperada.
Caminhando devagar, o estranho passou pelos álamos, pelo estábulo, depois pelas traves de amarrar cavalos recentemente pintadas da cafeteria. Ombros largos e pernas compridas, o homem movia-se com total controle dos músculos. Com o coldre nos quadris, o Stetson enterrado na cabeça, esse era o tipo de homem que ela preferia evitar naquela cidade primitiva, onde predominava a exploração de minérios.
Por um instante, Jenny parou de respirar.
Acabara de sair do salão de baile com a governanta. A princípio, até sentira-se aliviada por escapar do baile de caridade, mas agora, já não se sentia tão segura. Na brisa fria da noite, ela avaliou o rosto bem barbeado do estranho.
Céus, como ele era bonito! Mas o que o diferenciava dos outros homens era o ar de isolamento, de perigo. Os passos largos, cadenciados, e os movimentos graciosos e firmes indicavam autoridade. 
Definitivamente, um homem por quem jamais se interessaria. Ela preferia um homem mais brando, que usasse mais cabeça e menos as mãos. Um homem como o maravilhoso Daniel, seu noivo.
O vento batia em seus ombros nus e balançava as mangas do seu vestido de veludo azul. O som do piano executando uma música conhecida pairava pela noite fria, amenizando a tensão e lembrando-a de que estava em segurança. Apertou o xale de penas de pavão ao redor do corpo.
— Seis meses em Denver, e ainda não me acostumei com estranhos portando revólveres — ela murmurou.
Ao lado dela, o vestido de cetim de Olívia farfalhava.
— Pelo menos em Boston, eles os escondem.
Dobrando uma esquina, o estranho desapareceu na rua estreita. Jenny varreu-o do pensamento. Contemplando a lua minguante, ela relaxou e sorriu. Naquela noite, durante o baile, Daniel anunciara formalmente o noivado deles. E de tão feliz, ela se conteve para não sair rodopiando pelo salão.
Mais quatro meses, e seria a Sra. Daniel Kincaid. Realmente, ela era uma mulher de sorte. Não fora Daniel quem organizara aquele adorável baile de caridade? Que homem mais gentil e encantador! Sábia decisão a do pai dela, ao firmar aquele compromisso.
Dois meses não era muito tempo entre o primeiro encontro e o noivado, ela admitia, mas não se preocupava. Afinal, seu maior sonho sempre fora formar a sua família. Ela e Daniel tinham uma base sólida de companheirismo e respeito. Amor e paixão nasceriam daí.
Olívia ajeitou o xale de franjas longas.
— Você avisou Daniel que íamos para casa?
— Eu tentei, mas ele estava conversando com o banqueiro e a esposa, pleiteando uma generosa doação. Eu não poderia aproximar-me deles com o corpete do vestido aberto. — Bem-humorada, ela olhou para o ponto onde deveria existir um botão, e apertou mais o xale ao redor do corpo. A bolsa de contas balançou em seu pulso.
— Mas deveríamos ter avisado alguém...
— Se alguém mais visse meu vestido assim, eu morreria de vergonha. A casa de Daniel fica logo ali na esquina. O mordomo não pode deixar o baile, pois está servindo os drinques no bar, mas ele me falou onde guarda a caixa de costura. Ele me deu a chave da casa.
— Bem... uma caminhada ao ar livre é mais do que bem-vinda. Meus olhos estão ardendo por causa da fumaça dos cigarros, e meu nariz... — Olívia, mais uma irmã do que governanta, tagarelava em seu jeito descontraído, num tom de voz que sempre acalmara Jenny, desde que ambas eram crianças.
Jenny tocou nos cachos de cabelos presos no alto da cabeça. 
Ela preferia tê-los penteado da maneira habitual, mas acabara concordando que as irmãs Windsor, vizinhas de Daniel, a penteassem.
 Seus cabelos eram lisos e finos como fios de seda, mas para não desagradar as duas anciãs, concordara com os caracóis e o pó. 
Pó nos cabelos não era usado havia décadas!
Porque era a primeira vez em duas semanas, desde a perda do amado gato, que Jenny via as vizinhas sorrirem, ela não tivera coragem de recusar o oferecimento delas.
Muito obrigada, mas não. Precisava praticar para dizer essas palavras mais vezes.
Elas dobraram a esquina, passando por casas imensas de pedra e cedro. As saias ondulavam em seus tornozelos. Na manhã seguinte, Jenny acordaria cedo. 
Finalmente, o caixote com os tecidos chegara do leste, e ela ansiava por cortar seu vestido de noiva. 
Em Boston, sua finada avó ensinara-a a cortar e costurar as mais finas roupas de baixo, lingeries, era assim que os franceses as chamavam, e isso era um passatempo muito agradável para Jenny.
Infelizmente, ela não conseguira convencer Daniel que uma loja de lingeries seria apropriada para uma mulher de sua condição social, embora esse fosse seu sonho desde os quatorze anos de idade. 
Quando ele decidiria sobre qual tipo de loja que ele considerava apropriado?

Seu Desejo Secreto



Lilly quer amor; não apenas casamento! 

Lilly Brody estava muito interessada no homem mais bonito da cidade: Tyler Kincaide. Mas não conseguia abrir a boca quando chegava perto dele! 
Então, ao receber seu pedido de casamento, ela ficou feliz da vida... depois furiosa! 
Como poderia se casar com um homem que não a amava, alguém que só queria uma babá para a filha? 
O viúvo Tyler Kincaide não tinha a menor vontade de se casar de novo. 
Mas precisava de alguém muito especial para ajudar a criar a filha, Melody Ann. Lilly Brody era a pessoa ideal, mas Tyler não conseguia entender os motivos de sua recusa. 
A moça realmente o intrigava. Então ele passou a ter vontade de lhe oferecer tudo. 
Uma família, casamento de verdade e... seu amor. 
Mas será que ela iria aceitá-lo? 

Capítulo Um 

Sweet Springs, Texas, 1880
Lilly sabia que estava sendo seguida. Passando a mão por entre os cabelos, num gesto característico de quando estava nervosa, tratou de apertar o passo. A poucos metros de distância, Tyler Kincaide apertou o dele.
Ela engoliu em seco, rezando para chegar logo a seu destino. Era só aquele fazendeiro lindo e atraente lançar um olhar em sua direção e seu coração parecia prestes a sair-lhe pela boca. Era sempre assim. Não adiantava dizer a si própria que não passava de uma menina louca. A verdade era que não conseguia lutar contra as estranhas emoções que aquele homem lhe despertava.
Mas que situação desagradável!
Muito alta, muito magra e muito sem graça, Lilly não tinha ilusões a seu próprio respeito. Jamais poderia atrair o charmoso fazendeiro, mas só o fato de vê-lo sorrir fazia com que se sentisse... uma mulher de verdade.
Mais do que uma mulher de verdade, aliás. Uma mulher quase desejável.
Desesperada para sumir de vista, começou a andar ainda mais depressa. Então, sem nem olhar por onde pisava, tropeçou numa pedra... e caiu no chão, levantando poeira.
— Ah, não!
Uma voz masculina soou a seu lado.
— Bom dia, Lilly. Posso ajudá-la?
Completamente mortificada, ela olhou para a mão que lhe era estendida. Mãos grandes, fortes, cheias de calos. Não conseguiu desviar o olhar. Eram mãos que faziam parte de suas fantasias mais loucas. Quantas e quantas vezes, na solidão do quarto escuro da pensão onde morava, havia sonhado acordada com coisas que jamais iriam acontecer.
Agora, por um breve instante, ela desejava ser outra pessoa. Alguém que Tyler Kincaide tivesse vontade de abraçar numa noite fria de inverno.
Não. Tinha de parar com aquele monte de pensamentos sem sentido. O atraente fazendeiro jamais iria desejá-la. E mesmo que desejasse... ela não iria saber o que fazer para agradá-lo. Sua experiência com o sexo oposto era extremamente limitada. Nula, na verdade.
— Lilly?
Ela estava vermelha como um pimentão. Cair em cima do próprio traseiro no meio da principal rua da cidade era algo tenebroso. Mas fazê-lo diante do homem mais bonito de todo o Texas era algo mais tenebroso ainda.
Como ela não respondesse, Tyler ajoelhou-se a seu lado.
— Você está machucada?
Lilly deu um sorriso sem graça.
— N... não. Acho que não. É que detesto bancar a idiota, só isso.
Tyler olhou para a pedra que causara todo o problema.
— Qualquer um poderia ter tropeçado nisso aqui. Essa rua está cheia de entulhos.
Dessa vez, quando ele ofereceu sua mão, Lilly aceitou. Ignorando os pensamentos indecentes que começaram a povoar-lhe a mente, ela se levantou.
— Obrigada.
— Eu estava mesmo querendo falar com você, Lilly. Posso acompanhá-la até o empório?
Ela não pôde deixar de sorrir. Sem ser seu pai, Tyler Kincaide era o único homem que a chamava pelo apelido.
— S... sim, é claro.

  

8 de fevereiro de 2014

Encontro com o Diabo

Série Devil




Frederica D'Avillez está convencida de que nunca conseguirá casar-se. 

A última temporada em Londres foi desastrosa e, além disso, seu pretendente dos últimos anos a deixou por outra senhorita. 
Apesar de todas as adversidades, Freddie toma uma decisão: não cessará até conseguir experimentar uma inesquecível noite de paixão. 
Por que não, entre os braços do casanova Bentley Rutledge? 
Por sua parte, Rutledge que leva anos se esquivando de compromissos, fiel a sua castigada fama de sedutor, sucumbe aos encantos de Freddie, deslumbrado por sua exótica beleza. 
Mas essa paixão selvagem lhes leva a uma situação desesperada em que Bentley acabará enfrentando um dilema de ter que escolher entre ser um homem de honra ou manter sua liberdade.
 

Série Devil
1- Encontro com o Diabo
2- Pacto com o Diabo 
3- Dívida com o Diabo
4- Acordo Com o Diabo

A Filha Abandonada

Série Crônicas Italianas

Maresa Fairweather era a quinta filha de um homem que a abandonou ao ficar viúvo.
Mas era muito afortunada por ter Percy Bronwell para protegê-la.
Mas este, consciente de que seu amor por Maresa não era correspondido, decidiu alistar-se na marinha. Sempre tinha se sentido atraída pelo homem equivocado... Até que as fofocas dos vizinhos a obrigaram a empreender viagem e partir para a Itália.
Embora ali tampouco conseguisse trocar de costumes e, quando teve que romper um compromisso urgentemente, decidiu voltar a recorrer à ajuda de Percy.
E ele voltou a salvá-la da única maneira que lhe ocorreu: Oferecer-lhe um matrimônio de conveniência.
Depois de uma só noite juntos, Percy teve que retornar à marinha... e Maresa se converteu na mulher que estava destinada a ser, uma mulher capaz de arriscar sua própria vida para dar ao seu marido o que sempre ele tinha dado a ela, amor incondicional.
Seria muito tarde?

Capítulo Um

O senhor Samuel Livingston Bronwell era feliz por muitas razões, mas nunca havia se sentido tão contente como quando retornou para casa com sua família. Uma semana em Londres visitando os parentes de sua querida esposa era um suplício.
Samuel e sua esposa estavam falando tranquilamente quando de repente o chofer diminuiu o passo. Ao olhar pelo guichê, Samuel e Olympia sua mulher, viram o que estavam acontecendo junto ao cemitério. Afastaram rapidamente a vista ao passar junto a um pequeno grupo de pessoas reunido em torno de uma tumba aberta frente à qual o reverendo Charles Constable anunciava um funeral.
Entretanto, Stephen, o filho mais velho dos Bronwell, pressionou o nariz contra o cristal.
Um enterro! – exclamou - Quem morreu papai?
Não sei filho. Possivelmente saberemos ao chegar a casa.
A senhora Bronwell, sentada do outro lado do assento da carruagem, puxou Stephen pela manga.
- Saia da janela. Não deve olhar. Terá que mostrar respeito pelos mortos.
Percy Bronwell, o pequeno de três anos que tinha permanecido silenciosamente sentado junto a sua mãe, decidiu passar por cima dela para olhar pelo guichê.
Vê? - a senhora Bronwell repreendeu a Stephen - Agora seu irmão também quer olhar.
A senhora Bronwell sentou Percy sobre seus joelhos e baixou a cortina da janela mais próxima a Stephen. A carruagem deixou atrás o pequeno grupo de parentes e começou a descer pelo caminho sinuoso.

Série Crônicas Italianas
1 - A Filha Abandonada
2 - O Italiano
Série Concluída

28 de janeiro de 2014

A Prometida do Duque

Série Os Dois Duques de Wyndham

Amélia Willoughby está comprometida com o Duque de Wyndham desde que pode se lembrar...

Era um bebê de seis meses quando assinaram os contratos, e desde então está esperando...
E esperando por Thomas Cavendish. E, finalmente, parece que o orgulhoso Duque encontrou tempo para se casar com ela. Embora Amélia desconfie que ele nunca pense nela.
E é verdade. Não pensa.
É conveniente para Thomas ter uma noiva, especialmente para manter longe os maridos das damas que corteja.
Mas, justo quando vê que sua noiva poderia ser algo mais do que uma conveniência, seu mundo se vira ao revês diante da aparição de seu primo, desaparecido há tempos, que pode ou não ser o verdadeiro Duque de Wyndham.
E se Thomas não for o Duque, então não estará comprometido com Amélia.
O que é uma tremenda ironia, porque o ilustre e arrogante Duque cometeu o erro de se apaixonar... Por sua noiva.

Capítulo Um

É um verdadeiro crime que Amélia Willoughby ainda não tenha se casado.
Pelo menos, era isso o que dizia sua mãe.
Amélia ou, mais corretamente, Lady Amélia, era a segunda filha do Conde de Crowland, sendo assim ninguém poderia encontrar nenhum defeito em sua linhagem. 
Sua aparência era mais do que aceitável, se o gosto se inclinasse para as saudáveis rosas inglesas, gosto que, felizmente para ela, era dominante na alta Sociedade.
Seu cabelo era admiravelmente louro, seus olhos castanhos um tanto cinza esverdeados, e sua pele lisa e branca sempre que se lembrava de não ficar ao sol, as sardas não eram amigas de Lady Amélia. 
Tinha também, como sua mãe gostava de comentar, uma inteligência adequada, sabia tocar piano e pintar aquarelas, e isso sua mãe enfatizava com entusiasta insistência, estava em posse de todos os seus dentes.
Melhor ainda, que os mencionados dentes fossem perfeitamente iguais, o que não se podia dizer de Jacinda Lennox, a que caçou de forma limpa o Marquês de Baresford, cujo casamento foi o casamento de 1818, embora não antes de recusar dois Viscondes e um Conde, como gostava de informar a mãe de Jacinda.
Mas todas essas qualidades desapareciam diante do que, sem dúvida, era o aspecto mais pertinente e extraordinário da vida de Amélia Willoughby, seu longo compromisso de noivado com o Duque de Wyndham.
Se Amélia não tivesse sido comprometida, quando ainda estava no berço, com Thomas Cavendish, que nesse tempo era o herdeiro do ducado e ainda um menino, sem dúvida não teria chegado a pouco atraente idade de vinte e um anos, sendo donzela.
Durante uma temporada ficou em Lincolnshire, porque ninguém pensou que precisasse se incomodar em ir à Londres, a seguinte temporada sim, passou na capital, para acompanhar sua irmã mais velha, Elizabeth, pois seu prometido, também desde que ela estava no berço, teve a má sorte de contrair uma febre aos doze anos e morreu, deixando sua família sem herdeiro e Elizabeth Willoughby sem compromisso.
E quanto à temporada seguinte, quando todos estavam quase certos que Elizabeth se comprometeria em casamento a qualquer momento e Amélia continuava comprometida com o Duque, foram a Londres de todo jeito, porque teria sido embaraçoso se ficassem no campo.
Amélia gostava bastante da cidade. Divertia-se com as conversas, gostava muitíssimo de dançar, e se as pessoas falassem com sua mãe mais de cinco minutos, inteiravam-se de que se Amélia estivesse livre para se casar, teria recebido meia dúzia de pedidos, no mínimo.
O que significava que Jacinda Lennox continuaria sendo Jacinda Lennox e não a Marquesa de Baresford. 
E, mais importante ainda, Lady Crowland e todas as suas filhas continuariam a ter um status mais elevado do que a enfadonha garota.
Evidentemente, como ouvia dizer com freqüência do pai de Amélia, a vida nem sempre era justa, de fato, dificilmente era. Só tinha de olhar para ele, pelo amor de Deus. Cinco filhas, cinco!  

Série Os Dois Duques de Wyndham
1 - O Duque de Wyndhan
2 - A Prometida do Duque
Série Concluída