27 de junho de 2014

Abraços de Seda

Trilogia Seda 

Laura Stephenson luta para ocultar sua natureza sensual sob uma fachada de rigidez vitoriana, até que o valente Major Ian Cameron lhe faz a uma proposta de casamento que ela se atreve a aceitar.

Depois de anos de cativeiro na Ásia Ocidental que acabaram com seus sonhos, Ian encontra nos olhos ambarinos de Laura a esperança em um futuro que ele acreditava impossível.
Juntos lutam por construir um matrimônio único. 
Mas o perigo e as intrigas que os rodeiam são menos danosos que os segredos ocultos em seus corações.
Só a coragem indomável do verdadeiro amor os fará livres para sair à luz, a selvagem paixão que os dois temem... E desejam.

Capítulo Um

Estação de Baipur, norte da Índia Central.
Pesadelos outra vez. Laura despertou ofegando e se levantou na cama gesticulando e sacudindo o mosquiteiro de musselina que a rodeava. Enterrou tremendo o rosto entre as mãos.
Quando acalmou um pouco o medo, se reprovou por ter se agitado tanto quando seus pesadelos eram muito velhos amigos. 
Começaram quando tinha seis anos, a primeira vez que foi testemunha da violência que podia existir entre um homem e uma mulher.
Com o tempo novas cenas foram se acrescentando aos pesadelos. A pior era a tragédia que destruíra sua infância, embora as imagens não se limitassem aos anos vividos como Larissa Alexandrovna Karelian. De fato, o evento mais humilhante aconteceu depois que se convertera em Laura Stephenson.
Hoje em dia os pesadelos não eram frequentes e geralmente só os tinha diante da perspectiva de uma mudança iminente. Mas infelizmente as imagens não tinham perdido nem um ápice de suas vividas emoções: medo, repugnância e vergonha. Paixão, desastre e morte.
Laura afastou, cansativamente, o cabelo avermelhado da testa úmida. Era uma mulher de vinte e quatro anos geralmente equilibrada, serena e composta ao extremo, mas em seus pesadelos era sempre uma menina frenética e aterrorizada, e por mais que tivesse amadurecido isso não mudara em nada. 
Talvez devesse se conformar e agradecer porque os pesadelos só vinham a ela duas ou três vezes ao ano. Parecia absurdo ter pesadelos quando ela mesma estava encantada diante da mudança que estava por vir. No dia seguinte partiria com seu padrasto para realizar um percurso pelo distrito, que era a parte mais gratificante da rotina anual. Entretanto a perspectiva despertara seus demônios interiores, que tinham lançado um de seus periódicos assaltos.
O ar tinha refrescado, a temperatura era agradável e no terraço os móbiles balançavam brandamente sob a brisa. Laura elevou o mosquiteiro e se levantou descalça. 
Sem fazer caso aos possíveis escorpiões se aproximou da janela, de onde se via a Este, as primeiras luzes do amanhecer. Bom. Aquilo significava que não tinha que dormir de novo.
Como muitos britânicos na Índia, seu padrasto e ela tinham o costume de passear a cavalo muito cedo, antes que se assentasse o calor do dia. 
O homem não demoraria a levantar-se e tomariam o café da manhã juntos, chá com torradas. Depois do passeio ele atenderia seus deveres como coletor do distrito, e ela se encarregaria dos múltiplos detalhes necessários para fechar a casa e preparar a viagem. 
Seria um dia ocupado e previsível. Mas por um momento, antes de acender o lampião, Laura saboreou as melodiosas notas dos móbiles e os outros sons e aromas da noite. 
A brisa acariciava o rosto e a escuridão voluptuosa a chamava. A paixão era a natureza da Índia e às vezes, muito frequentemente, Laura ansiava render-se a ela. 
Passou sem pensar as mãos pelo corpo, percorrendo os seios e os quadris enquanto sentia o quente palpitar da pele sob a fina camisola de musselina. 
Depois, dando-se conta do que estava fazendo, ruborizou-se e deu as costas à perigosa sensualidade da noite.

Trilogia Seda
1 - Beijos de Seda
2 - Segredos de Seda
3 - Abraços de Seda
Trilogia Concluída

22 de junho de 2014

Perfumes de Rosas

Desejá-lo era loucura...

Brianna Donally nunca imaginou que encontraria o grande amor de sua vida tão longe de casa. 

Quando o major Michael Fallon, o sedutor oficial inglês, a resgatou da morte certa no deserto do Saara, ela se viu envolvida por uma paixão à qual era impossível resistir. 
Mas uma mulher independente e feminista, com ideias modernas para sua época, nunca seria uma esposa adequada para um duque. 
Além disso, uma amarga traição trancara para sempre o coração do atraente major... Ignorá-la era impossível!
Ainda assim, Michael também achava difícil resistir ao desejo que a encantadora Brianna lhe despertava. 
Não sabia se era efeito do luar, ou o inebriante perfume de rosas que ela usava, mas sentia-se enfeitiçado por aquela mulher. 
O escândalo era o menor dos problemas que enfrentariam. Haveria perigos também... pois Michael não se contentaria com menos que um amor verdadeiro, intenso e arrebatador...

Capítulo Um

Egito, 1870
O major Michael Fallon franziu os olhos ao contemplar o ofuscante brilho noturno do deserto. Recolheu da areia o esvoaçante lenço de seda que avistara quando desceu a últi­ma duna. O perfume de rosas misturado a uma fragrância tipicamente feminina tocaram-lhe os sentidos. Guardou o lenço no bolso do casaco e olhou para o deserto, observando a trilha do animal que perseguira durante todo o dia. Vinha seguindo dois viajantes. Onde estaria o segundo?
Pegou os binóculos e seguiu o rastro que chegava a uma torre cercada por muros de pedra. Sabia que à distância em que se encontrava era alvo fácil para um rifle. Decidiu, então, seguir a pé para a torre, deixando o camelo branco para trás.
A noite caía rapidamente, trazendo consigo o frio cortante do deserto. Michael sentia cada músculo do corpo. Três noites sem dormir o haviam deixado exausto, mas ele nunca baixa­va a guarda. Por precaução, além do habitual rifle, trazia uma pistola dentro da camisa e uma faca na outra mão.
Ao atingir os perímetros da torre, agachou-se para verificar o rastro de algum animal pequeno, quando ouviu um clique atrás da cabeça.
Seu coração quase parou.
— A única razão por que ainda está vivo é que meu rifle está sem balas — afirmou uma voz feminina, firme e decidida.
Michael levantou-se devagar. A capa que usava lhe ocul­tava as armas. Não sabia quantas pessoas mais haveria na torre. Virou-se com cuidado e encarou a inimiga, surpreso.
O que quer que esperasse encontrar, não era uma mulher de olhos azuis apontando-lhe uma arma no meio do Saara.
Ela usava uma túnica escura, que revelava as curvas de seu corpo ao luar. Tinha o rosto pálido, e uma mecha dos escuros cabelos soltara-se da trança, caindo-lhe sobre a testa.
Michael sentiu respeito pela coragem da mulher, assim como respeitava também o cano de sete polegadas apontado para seu peito.
— Então estou com sorte — respondeu, bem-humorado, erguendo os braços num gesto de submissão.
Os olhares de ambos se encontraram. Fascinado pelos lindos olhos azuis e também impressionado com o inglês perfeito da mulher, conteve o impulso de matá-la.
Não notou qualquer movimento atrás de si; sentiu apenas a forte e inesperada pancada na nuca e desmaiou na areia.
Brianna Donally sentiu o estômago revirar enquanto estu­dava o deserto pelos binóculos. O camelo branco que a segui­ra durante todo o dia estava parado a uma curta distância. Teria de ir até lá, mas receava que houvesse mais alguém no deserto escuro. Apesar de todos os esforços, elas haviam sido seguidas.
Conseguira se desvencilhar do primeiro homem que a seguira pela manhã, e que agora jazia na areia. O outro, do camelo branco, estava inconsciente no chão, a seu lado.
— Acha que o matei, Brea? — perguntou, assustada, sua cunhada Alexandra. Tirou o chapéu de aba larga, e a ferida no queixo ficou mais visível. — Não podemos abandoná-lo aos urubus, como fizemos com o outro.
— Ora, se ele desejasse um enterro apropriado, não nos teria atacado.
Brianna respirou fundo e piscou, tentando afastar os pontículos brilhantes que dançavam diante de seus olhos. Quanto tempo ainda teriam até que os homens que atacaram a caravana mandassem mais alguém no encalço das duas únicas sobreviventes?
Não gastaria suas energias para enterrar um assassino.
Precisava poupar as forças que ainda lhe restavam para pen­sar em uma maneira de saírem a salvo dali. Ficariam vul­neráveis se saíssem deserto afora, mas sem dúvida seriam encontradas se permanecessem onde estavam.
— Deus do céu, acho que vou passar mal outra vez — declarou Alexandra, pondo-se de joelhos e inclinando a cabeça para baixo.
Brianna abraçou a cunhada.
— Eu também estou exausta, mas precisamos ser fortes. Nunca cuidara de ninguém antes, e o fato de a intrépida Alexandra necessitar dela a assustava. Sentia-se responsável por ambas, e temia falhar, se é que já não tinha falhado.
Haviam recolhido do beduíno duas pistolas e uma faca, mas esta era inútil para elas, pois era pesada demais para que conseguissem manejá-la. Um dos rifles que trouxeram estava sem balas, e o outro se quebrara quando Alexandra golpeara o estranho.
Poderiam buscar o camelo, mas Brianna estava com medo de ir até lá. Na verdade, estava apavorada. Brianna Donally, ativista e legionária, partidária da política anarquista, estava com medo do escuro.
Como eram insignificantes seus problemas na Inglaterra, em comparação com o que enfrentava agora! Como eram tri­viais, quando acabara de assassinar outro ser humano por instinto de sobrevivência!
A ideia de morrer de fome não podia ser descartada. Não sabiam caçar no deserto, e a pouca água que ainda tinham estava no fim.
Brianna tocou a testa de Alexandra.
— Ao menos não está com febre — afirmou, ajudando-a a beber um pouco de água.
— É possível que eu tenha matado este homem — sus­surrou, com os cabelos caindo em cima do rosto. — Imagino como será encontrá-lo no inferno...



18 de junho de 2014

Dona Do Seu Coração

Série Espiões da Coroa


Christina Bennett conquistou a sociedade londrina.

No entanto, guardava a sete chaves o segredo de seu misterioso passado até a noite em que Lyon, marques de Lyonwood, roubou-lhe um sensual beijo. 
O arrogante aristocrata com paixões de pirata saboreou o fogo agachado sob o frio encanto de Christina e jurou possuí-la algum dia. 
Mas a desafiante Christina não ia ser conquistada facilmente. 
Zelosa de seus afetos e de sua fortuna resistia às sensuais carícias de Lyon. Não se atrevia a sucumbir a seu amor, porque ele deveria então descobrir também seu precioso segredo e renunciar a seu destino.

Capítulo Um

Londres, Inglaterra, 1810.
Os gritos de Lettie foram se tornando cada vez mais débeis.
O barão Winters, o médico que assistia à marquesa de Lyonwood, inclinou-se sobre sua paciente e tentou desesperadamente segurar suas mãos. A bela mulher se retorcia de dor. Estava claro que tinha perdido a cabeça e parecia decidida a arrancar a pele do inchado abdômen.
-Vamos, vamos, Lettie - murmurou o médico com o que esperava fosse um tom tranquilizador. -Tudo vai acabar bem querida. Apenas um pouco mais e terá um precioso bebê para dar a seu marido.
O barão não estava nada seguro de que Lettie compreendesse sequer o que estava dizendo. Seus olhos verdes esmeralda estavam opacos de dor. Pareciam que o olhavam sem vê-lo.
-Ajudei a trazer seu marido a este mundo. Sabia Lettie?
Outro grito dilacerador interrompeu seus esforços para acalmar sua paciente.
Winters fechou os olhos e rezou pedindo orientação. Tinha a frente da camisa cheia de suor e as mãos tremiam. Nunca, em toda sua vida, tinha visto um parto tão difícil. Já durava muito tempo. A marquesa estava ficando tão fraca que não podia ajudar mais.
Naquele momento a porta do quatro se abriu de repente, atraindo a atenção do barão. Alexander Michael Phillips, marquês de Lyonwood, estava na soleira. Winters suspirou aliviado.
-Graças a Deus que chegou - exclamou. - Preocupava-me que não voltasse a tempo.
Lyon se precipitou para a cama. Seu rosto mostrava sua inquietação.
-Em nome de Deus, Winters. Já se passou muito tempo, e ela está sofrendo.
-O menino decidiu ficar ao contrário - respondeu Winters.
-Não vê que está sofrendo muito? -gritou. -Faça algo!

Série Espiões da Coroa
1 - Dona do seu Coração
2 - Doce Resgate
3 - Despertar da Paixão
4 - Castelos
Série Concluída

Castelos

Série Espiões da Coroa




Órfã e sitiada, a princesa Alessandra sabe que só um casamento apressado com um inglês pode protegê-la da crise em sua própria terra. 

Colin, o irmão mais novo do Marquês de Cainewood quer reclama-la para sempre, e ele está disposto a arriscar sua vida para fazê-lo...




Capítulo Um

A Madre Superiora Maria Felicidade sempre acreditara nos milagres, mas, ao longo de seus sessenta e sete anos nesta doce terra, jamais tinha sido testemunha de nenhum, a não ser até aquele sossegado dia de fevereiro de 1820, quando chegou a carta da Inglaterra.
No princípio, a Madre teve medo de acreditar nas abençoadas novidades. 
Temia que tudo se tratasse de uma brincadeira diabólica para alimentar nela falsas esperanças que logo sumiriam como castelos de areia. Mas depois de ter respondido devidamente a missiva carta e receber uma segunda confirmação com o selo do Duque de Williamshire, não restou mais dúvida e teve que aceitar a graça pelo que realmente era. Um milagre.
Enfim se livraria da pestinha. A Madre Superiora compartilhou as notícias com
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as outras freiras na manhã seguinte durante as orações matinais. De noite, celebraram-no com sopa de pato e pão preto recém tirado do forno. Irmã Raquel, estava tão feliz que recebeu muitas reprimendas por rir-se as gargalhadas durante a manhã.
A pestinha ou, melhor dizendo, a Princesa Alessandra, teve que comparecer na sala da Madre Superiora na tarde seguinte. Enquanto a informavam que partiria do convento, Irmã Raquel estava muito atarefada preparando a bagagem dela.
A Madre Superiora estava sentada em uma cadeira de respaldo muito alto, atrás de uma ampla mesa, tão velha e desgastada quanto ela. Distraída, a freira brincava com as pesadas miçangas de madeira de seu rosário, que sempre pendurava ao lado de seu hábito preto, enquanto esperava que seu olhar reagisse diante do tal anúncio.
A Princesa Alessandra ficou estarrecida com a notícia. Apertou muito forte suas mãos, em um gesto de nervosismo, e manteve a cabeça curvada, para que a Madre Superiora não pudesse ver as lágrimas em seus olhos.
— Sente-se, Alessandra. Não quero falar com o topo de sua cabeça.
— Como quiser, Madre. — sentou-se na beirada da cadeira, ergueu as costas para agradar à freira e colocou uma mão em cima da outra na saia.
— O que achou das notícias?-perguntou a Madre.
— Foi por aquilo do lago, não Madre? Ainda não pôde me perdoar, não é?
— Tolice — respondeu a Madre Superiora — Faz mais de um mês que a perdoei por esta falta de bom senso.
— Foi Irmã Raquel que a convenceu de que me afastasse daqui? Já pedi desculpas à ela e não tem o rosto tão verde agora.
A Madre Superiora meneou a cabeça. Também franziu o cenho, porque Alessandra, sem dar conta, estava contando todos os problemas que tinha causado.
— Não posso entender de onde tirou a idéia que essa massa repugnante serviria para eliminar as sardas. Mas Irmã Raquel concordou com o experimento. Não culpo você… Completamente — apressou-se a adicionar para que a mentira que estava dizendo não fosse um pecado tão capital diante os olhos de Deus — Alessandra, eu não escrevi ao seu tutor pedindo que partisse daqui. Ele escreveu. Aqui está a carta do Duque de Williamshire. Leia e verá que digo a verdade.
Quando Alessandra estendeu o braço para pegar a carta, a mão tremeu. Analisou rapidamente o conteúdo e a devolveu.
— Deu-se conta da urgência, não? Este General lvan que seu tutor fez menção, parece ter uma reputação irrepreensível. Lembra de tê-lo conhecido?
Alessandra meneou a cabeça
— Visitou a casa de papai várias vezes, mas eu era muito pequena. Não recordo tê-los conhecido. Por que, em nome do Deus, iria querer se casar comigo?
— Seu tutor compreende os motivos do general — respondeu a Madre Superiora. Tamborilou as pontas dos dedos sobre a carta — Os súditos de seu pai não a esqueceram. Ainda continua sendo a amada Princesa. O General acha que, se casando com você, poderá ter a aprovação da massa. É um plano muito inteligente.
— Mas eu não desejo me casar com ele — murmurou Alessandra.
— E tampouco o deseja seu tutor — disse a superiora — Mas acha que o General não irá aceitar que você recuse a sua proposta e que, se necessário, a levará à força para assegurar o êxito de que busca. Essa é a razão pela qual seu tutor deseja que os guardas a acompanhem na viagem à Inglaterra.
— Eu não quero ir, Madre. De verdade, não quero.

Série Espiões da Coroa
1 - Dona do seu Coração
2 - Doce Resgate
3 - Despertar da Paixão
4 - Castelos
Série Concluída

Doce Resgate

Série Espiões da Coroa


Capítulo Um

Londres, 1815
Paciente, o caçador esperava a presa.
A mentira que o Marques do Cainewood tentava pregar era perigosa. Não cabia dúvida de que o infame Pagam, do Shalow’s Wharf, ouviria falar que o imitava e se veria obrigado a deixar o esconderijo, pois, se soubesse dos falatórios, seu orgulho monstruoso não permitiria que outro indivíduo levasse os méritos de suas próprias maldades. 

Por certo, o pirata tentaria exercer sua própria forma de vingança, e Caine contava com isso. Assim que Pagam aparecesse, Caine o teria.
E a lenda seria destruída.
Ao marquês já não restavam alternativas. A aranha não abandonaria a teia. A generosidade não tinha dado resultado. Por mais surpreendente que parecesse, entre os marinheiros não havia traidores, embora aqueles homens comuns fossem capazes de vender suas mães pela quantidade de ouro que o Marques tinha oferecido. Por outro lado, tinha sido um erro de cálculo por parte de Caine. Todos os homens do mar proclamavam que a lealdade à lenda era o motivo pessoal para rechaçar as moedas, mas Caine, cínico por natureza, e pelas amargas experiências passadas, imaginou que a causa real era o medo. O medo e a superstição.
O mistério rodeava o pirata como as paredes de um confessionário. Na realidade, ninguém jamais tinha visto Pagam. Seu navio, o Emerald, foi visto em inumeráveis ocasiões sulcando as águas como um calhau arrojado pela mão de Deus... ou ao menos assim contavam quem alardeava havê-lo visto. 
A imagem do belo navio negro produzia terror nos cavalheiros da alta sociedade, de carteiras repletas; provocava risadas dissimuladas nos indivíduos malvados e humildes preces de agradecimento por parte dos desafortunados, pois Pagam tinha fama de compartilhar os grandiosos tesouros com estes últimos.
Mas apesar da freqüência com que o navio era avistado, ninguém podia descrever um só dos diversos marinheiros a bordo, coisa que só aumentava a especulação, a admiração e o encantamento pelo o pirata fantasma.
Era óbvio que Pagam desfrutava com a variedade, pois seus latrocínios se estendiam até o outro lado do oceano, embora os ataques em sua terra provocassem a mesma consternação, possivelmente mais até. 

Pagam tomava o cuidado de roubar só os membros da alta sociedade. 
Era evidente que não queria que nenhum outro ficasse com o crédito por seus próprios ataques noturnos aos despreparados, pois deixava um cartão pessoal, que consistia em uma rosa branca de talo comprido. 
No geral, a vítima despertava na manhã seguinte e encontrava a flor a seu lado, sobre o travesseiro. 
A simples visão da rosa era suficiente para que até homens maduros desmaiassem.

Série Espiões da Coroa
1 - Dona do seu Coração
2 - Doce Resgate
3 - Despertar da Paixão
4 - Castelos
Série Concluída

Despertar da Paixão

Série Espiões da Coroa



O estrangeiro que vem para reivindicar Sara Winchester como sua noiva é desconcertante, arrogante e bonito. 

Nathan, sabendo mais de guerra do que do amor, é completamente seduzido pela forma desafiante, mas doce de sua esposa Sara . 
A bordo de seu navio está determinado a conquistar seu coração, mas o amor deles será testado.

Capítulo Um

Londres, Inglaterra, 1816
Seria um seqüestro limpo e sem complicações. Ironicamente, o seqüestro seria considerado legal nas Cortes exceto pelos cargos de entrada, mas essa possibilidade não era significativa. 
Nathanial Clayton Hawthorn Baker, o terceiro marquês do St. James, estava preparado para utilizar qualquer método que considerasse necessário para obter seu objetivo. 
Se a sorte estivesse do seu lado, sua vítima estaria profundamente adormecida. Se não, uma simples mordaça eliminaria qualquer ruído de protesto.
De um modo ou de outro, legal ou não, ele se reuniria com sua noiva. Nathan, como o chamavam seus amigos mais próximos, não teria que atuar como um cavalheiro, o qual era uma bênção considerando que essas tenras qualidades eram completamente alheias a sua natureza. Além disso, o tempo estava se esgotando. Só faltavam seis semanas para que houvesse uma verdadeira violação do contrato matrimonial.
Nathan não via a noiva fazia quatorze anos, quando leram os contratos de casamento, mas a imagem que tinha em sua mente não era muito fantástica.
Não tinha muitas ilusões sobre a moça, já que havia visto suficientes mulheres Winchester para saber que não eram nada extraordinário. Não eram muito agraciadas em aspecto nem em disposição. A maioria tinha forma de pêra, com ossos grandes, os traseiros maiores, e se as histórias não exageravam, apetites gigantescos.
Embora ter uma esposa a seu lado parecia tão espantoso como nadar a meia-noite entre tubarões, Nathan estava preparado para suportar a prova. Possivelmente se realmente se ocupava do problema poderia encontrar a forma de cumprir com as condições do contrato sem ter que estar com a mulher dia e noite.
Durante quase toda sua vida Nathan tinha estado sozinho, negando-se a receber conselhos de homens. Só confiava seus pensamentos a seu amigo Colin. 
Entretanto, os lucros eram muito grandes como para que Nathan os ignorasse. O bota de cano longo que oferecia o contrato depois de um ano de convivência com lady Sara compensava qualquer repulsão que pudesse sentir ou inconveniente que tivesse que suportar. 
As moedas que receberia por decreto da coroa fortaleceriam a nova sociedade que ele e Colin tinham formado no verão anterior. A Emerald Shipping Company era a primeira empresa legítima que tinham empreendido, e estavam dispostos a fazê-la funcionar. A razão era simples de compreender. 
Ambos os homens estavam cansados de viver à margem da lei. Tinham entrado na pirataria por acidente e o tinham feito bastante bem, mas já não valia a pena correr os riscos que implicava. Nathan, atuando como o infame pirata Pagam, converteu-se em uma lenda. Sua lista de inimigos podia cobrir um grande salão de festas. 
A recompensa por sua cabeça tinha aumentado tanto que até um santo teria sentido tentado a converter-se em um traidor para obtê-la. Manter em segredo a outra identidade de Nathan era cada vez mais difícil. 
Só era uma questão de tempo que o apanhassem, se continua-se com suas incursões de piratas, assim finalmente Nathan cessou.

Série Espiões da Coroa
1 - Dona do seu Coração
2 - Doce Resgate
3 - Despertar da Paixão
4 - Castelos
Série Concluída

11 de junho de 2014

Inimigos Perfeitos

Série Malory  

Nove anos atrás Richard Allen fugiu da Inglaterra quando seu pai controlador, o Conde de Manford, negociou seu noivado com Julia Miller, a jovem filha de um rico comerciante de Londres.

Após ver como a ambição de seu pai arruinou as perspectivas de felicidade de seu irmão mais velho com um casamento arranjado, o espírito livre de Richard o levou para o mar determinado a viver sua própria vida.
No Caribe, se junta a um bando de piratas caçadores de tesouro, e adota a personalidade de um francês chamado Jean Paul.
Quando ousa voltar para a Inglaterra para realizar uma missão urgente para seu capitão, Richard se apaixona por uma mulher casada, Georgina Malory.
Apesar da indiferença de Georgina com ele e as ameaças do marido dela, James Malory em prejudicá-lo, Richard continua apaixonado.
Sua próxima tentativa de cortejar Georgina num baile de máscaras acaba por ser um erro terrível porque o leva cara a cara com outra bela mulher.
Adulta e sofisticada, Julia Miller, uma amiga de Georgina, se encanta com o mascarado francês Jean Paul até que descobre que ele é na verdade seu noivo detestável!
Julia contrata advogados para conseguir que Richard seja declarado morto para que possa libertar-se de seu noivado e seguir em frente com sua vida.
Mas quando o Conde de Manford descobre que seu filho voltou e pode cumprir o contrato de casamento, ele põe em movimento uma cadeia de eventos que coloca Julia em alto-mar com seu noivo que não é meramente um nobre irresponsável, mas um pirata sedutor amante de aventuras!

Capítulo Um

Considerar que Hyde Park é o jardim de sua casa pode parecer estranho, mas para Julia Miller o era. Criara-se em Londres e, desde que tinha memória, havia montado a cavalo pelo parque quase diariamente, desde o primeiro pônei que lhe compraram quando menina até as éguas de puro sangue que teve depois. Tanto se a conheciam como se não, os outros a saudavam ao passar, porque estavam acostumados a vê-la por ali.
Os membros da classe alta, os empregados que cortavam caminho pelo parque ao ir para o trabalho, os jardineiros, todos se fixavam nela e a tratavam de igual para igual.
Julia era alta, loira; vestia-se na moda e sempre devolvia os sorrisos e as saudações. Em geral era de aspecto amistoso e as pessoas lhe respondiam do mesmo modo.
Mais estranho ainda que considerar aquele enorme parque seu campo de equitação pessoal, eram suas circunstâncias. Julia tinha crescido na parte nobre da cidade, embora sua família não fosse da nobreza.
Vivia em uma das maiores casas de Berkeley Square, porque não só os nobres podiam se permitir essas mansões.
De fato, sua família, cujo sobrenome procedia da Idade Média, quando os artesãos adotavam o nome de seu ofício, foi uma das primeiras a comprar e construir em Berkeley Square, em meados de 1700, quando se projetou a praça, assim que os Miller estavam vivendo ali há muitas gerações.
Julia era conhecida e apreciada na vizinhança. Sua melhor amiga, Carol Roberts, era de família nobre, e outras jovens da classe alta que a conheciam através de Carol, ou do colégio privado que tinha frequentado, também a apreciavam e a convidavam a suas festas.
Elas não se sentiam ameaçadas por sua beleza ou sua riqueza, porque Julia já estava comprometida em casamento. Era noiva quase desde seu nascimento.
— Alegra-me vê-la por aqui — disse uma voz feminina atrás dela.
Carol Roberts alcançou Julia e sua égua adotou um suave trote ao lado da sua amiga.
Julia riu e olhou a sua grande amiga de cabelo negro.
— Esse comentário deveria tê-lo dito eu, porque ultimamente você mal monta.
Carol suspirou.
— Sei. Harry não gosta que o faça, sobretudo desde que tentamos ter um filho. Não quer que me arrisque a perdê-lo mesmo antes que saibamos que o concebemos.
Julia sabia que montar a cavalo podia provocar um aborto.
— Então por que se arrisca?
— Porque este mês não fiquei grávida — declarou Carol franzindo, decepcionada, os lábios.
Julia assentiu com compreensão.
— Além disso — acrescentou Carol, — sinto tanto a falta de nossos passeios a cavalo que estou disposta a enfrentar Harry cada vez que a menstruação nos impeça de tentar conceber.
— Agora não está em casa e não sabe que saiu para montar, não? — Perguntou Julia.
Carol se pôs a rir e seus olhos azuis faiscaram com travessura.
— Não, claro, mas estarei de volta antes dele.
Julia não se preocupou que sua amiga pudesse ter problemas com seu marido. Harold Roberts adorava a sua mulher. Conheceram-se e se gostaram mesmo antes da apresentação em sociedade de Carol, que tinha sido celebrada há três anos atrás, assim ninguém se surpreendeu quando se comprometeram ao cabo de algumas semanas e se casaram poucos meses depois.
Carol e Julia tinham sido vizinhas durante toda a vida, suas casas eram vizinhas e só as afastava um estreito beco.
Além disso, as janelas de seus dormitórios estavam uma em frente da outra — elas se encarregaram de que assim o fosse, — de modo que, embora não estivessem juntas, podiam falar de seus dormitórios sem sequer ter que levantar a voz. Não era de estranhar que se converteram em amigas íntimas.
Julia sentia muitíssimo a falta de Carol. 
Embora continuassem vendo-se com frequência quando Carol estava em Londres agora ela já não vivia na casa vizinha.

Série Malory
1 - Amar uma só Vez
2 - Terna e Rebelde
3 - Amável e Tirano
4 - A Magia de Seu Ser
5 - Cativa do Amor
6 - O Marquês e a Cigana
7 - Minha Adorável Safada
8 - Cativa de Meus Desejos
9 - Sem Mais Alternativa do que a Sedução
10 - Inimigos Perfeitos
11 - Stormy Persuasion
12 - Beautiful Tempest

7 de junho de 2014

Senhorita Mistletoe

Série Selada com um Beijo
A sorte do Lord é mudada para sempre com um beijo no Natal de uma jovem ousada ..

Finn, Visconde Edgerton, evitou a cena londrina para se concentrar apenas em escavar para fora da pilha de dívidas que seu pai deixou para trás.
Um dote decente poderia tornar as coisas um inferno muito mais fácil para a propriedade, mas ele não encontrou a mulher certa.
E ele nunca teria esperado que ela viesse na forma de "Miss Mistletoe", a jovem que roubou um beijo em um baile em frente as pessoas e causou um escândalo.
Às vésperas do casamento de seu primo, Cece McCrea dificilmente espera correr para o homem que inspirou sua indiscrição, há cinco anos.Desta vez, ela resolve deixar de lado sua paixão infantil e evitá-lo por completo.
Sua vontade é testada, no entanto, quando ele a persegue ...

Comentário revisora Renatinha: É uma história bem emocionante, sobre Cece que nutre uma paixão de infância por Finn e que protagoniza em um baile aos 16 anos um beijo que se torna um escândalo inesquecível na época! Mas ela é muito doce e escolhe abdicar a sua vida para cuidar do seu pai que ficou cego. E durante o casamento de sua prima Evie, ela reencontra Finn e todas as emoções que tinham ficado no passado voltam a tona com força total.Finn é um visconde que herdou o titulo e as dividas de seu pai recentemente, e ainda sofre com os comentários sobre o beijo impulsivo que Cece lhe deu há anos atrás. Ele teme ser perseguido pela mesma moça que o atormentava, anos atrás, porém o jogo vira quando ele se torna o único a persegui-la e tentar conquistá-la. Adorei a história!

Capítulo Um

Alyesbury, Inglaterra 1816
"Sabe qual é a pior coisa sobre um casamento?"
Finn Edgerton olhou por cima de suas cartas, levantando uma sobrancelha questionando a Richard, Lord Raleigh. Vendo como eles estavam a celebrar a noite da despedida de solteiro com seu amigo Bento Hastings antes que o homem se casasse com a própria irmã de Richard na parte da manhã, Finn sinceramente esperava que a pergunta fosse retórica. Era difícil dizer, já que Richard estava sobre a sua quinta taça de uísque já que o relógio bateu meia-noite, cerca de duas horas atrás.
"A hora do dia em que eles são realizados?"
Richard era famoso por suas aversões a manhã, e, a este ritmo, Finn teve uma sensação de que ele se sentiria da mesma forma amanhã. 
Ele tinha um chegado tão tarde quando finalmente saiu de sua propriedade, era quase dez horas quando chegou ao Hertford Hall, mas os dois homens se retiraram para a noite.
Richard riu, erguendo o copo em saudação. "Não, mas isso é um ponto muito próximo. Terrível, realmente, que a igreja deva ter um problema com casamentos à tarde. Tanto quanto eu estou preocupado, todos os casamentos deveriam ser realizados por meio de uma licença especial, não antes de seis horas da noite. Muito mais civilizado dessa maneira."
À sua direita, Hastings riu. "Você deveria me agradecer, Richard. Se fosse ao modo de Evie, todos nós estaríamos indo de encontro ao amanhecer. Eu mal fui capaz de convencê-la às onze horas."
Richard, meio bêbado e mais feliz por ele, bateu em aprovação ao ombro de Hastings, quase derrubando as cartas de suas mãos. "Você vai ser um bom cunhado. Estou feliz agora que eu não te matei."
Finn piscou surpreso, com seu olhar deslizando para trás e para frente entre os dois amigos. 
O pensamento do Richard que era descontraído já possuir tal inclinação foi chocante, para dizer o mínimo. "Parece, senhores, que há mais para esse casamento do que os olhos podem ver."
Hastings apenas deu de ombros. "Apenas um pequeno mal-entendido, tudo esclarecido agora." Ele colocou suas cartas de bruços sobre a mesa e olhou para Richard. "Então, o que é a pior coisa sobre casamentos, se não as horas não civilizadas?"
Inclinando-se para trás na cadeira, Richard levantou seu charuto e tomou uma longa tragada antes de responder. "As mulheres".
Ele deixou as palavras pendurar por um momento em uma nuvem de fumaça azul antes de continuar. "Nada faz uma mulher mais choca do que assistir a uma de suas colegas do sexo feminino dar o nó.
Toda vez que vou a uma dessas coisas, sinto-me como uma exposição na Torre Menagerie”.
"Talvez seja porque você se parece com uma exposição na Torre Menagerie", Finn disse, ganhando um riso de Hastings. Richard apenas revirou os olhos.
Ele colocou o charuto e sentou-se em linha reta, escolarizando seus recursos em uma máscara de indiferença sóbrio, impressionante para alguém tão afundado em seus copos.
"Observe-se, senhoras e senhores, o jovem conde solteiro, à sua esquerda. Extremamente raro na natureza, tal espécime é valorizado por seus hábitos libertinos, boa aparência e encantos primorosos. Se alguém encontrar tal nobre em pessoa, é aconselhável a atacar na primeira oportunidade. - Seu sorriso habitual rompeu e ele sacudiu a cabeça.
"Como aquela maldita mulher Austen escreveu:" é um fato universalmente reconhecido que um homem em posse de sua liberdade abençoada e muito contundente, deve estar na falta de uma esposa."

Série Selada com um Beijo

Fora da Lei

Capítulo Um

Precisava beber um whisky barato e quente. Depois de seis semanas na estrada, queria também a mesma tipo de mulher. Alguns homens fixavam-se nelas para conseguir o que queriam. Ele era um deles.
Sem hesitar, Jake decidiu que a mulher podia esperar, mas o whisky não. Mas tinha um caminho longo e poeirento antes de chegar em casa. Se é que podia considerar a pensão de Lone Bluff uma casa.
Para ele, sua casa podia ser o espaço que ocupava sua sombra. Mas nos últimos meses, Lone Bluff tinha sido um lugar tão bom quanto qualquer outro. 
Ali podia conseguir um quarto, um banho e uma mulher por um preço razoável. Era um povoado onde um homem podia evitar problemas ou buscá-los, dependendo do seu estado de ânimo.
Agora, com a poeira da estrada na garganta e o estômago vazio, com exceção do whisky que acabava de tomar, estava muito cansado para arranjar problemas. Tomaria mais um copo, uma comida decente e seguiria a estrada.
O sol da tarde entrava pela parte superior das portas do bar. 
Alguém havia colocado na parede uma foto de uma mulher enfeitada com plumas vermelhas, mas aquela era toda a companhia feminina que havia. Os lugares como aquele não proporcionavam mulheres aos seus clientes, só bebida e jogo.
Mas mesmo em uma cidade tão pequena com apenas um bar ou dois. Um homem podia contar sempre com isso. Mas não era meio dia e já estavam ocupadas a metade das mesas. O ar estava carregado com o cheiro do fumo que o barman vendia.
O lugar cheirava a whisky e suor e cigarro, mas Jake supunha que ele mesmo não devia estar cheirando bem. Havia cavalgado diretamente desde do Novo México e gostaria de chegar a Lone Bluff sem parar, mas desejava dar um descanso ao seu cavalo e dar ao seu estomago, algo diferente de carne seca que levava com ele.

25 de maio de 2014

Calor do Coração


Uma ceia de delícias e malícias… 

Rose Westerhill quase congela de medo quando se vê presa em uma casa de campo com o notório e perigoso sir Lawrence Daunton durante uma tempestade de neve! 
Ao perceber que confundiu endereços, ela não tem alternativa senão aceitar a oferta de abrigo. 
Entretanto, promete a si mesma que se manterá indiferente aos encantos de Lawrence. 
À medida que a temperatura declina, Rose descobre que o melhor meio para se aquecer é se entregar à terrível e abrasadora sedução do libertino. 
Por uma noite apenas,ela abandona seus princípios e seu corpo ao toque habilidoso de Daunton. 
Passar o Natal com um farrista promete ser uma celebração inusitada.

Capítulo Um

A Sala de visitas de Knightscote Lodge era considerada por muitos o aposento ideal para uma fria noite de inverno. O teto com estruturas de madeira e lustrosos painéis de carvalho formavam o cenário perfeito para as mentes mais românticas. Sem dúvida, com uma chama vibrante na enorme lareira e o brilho dourado de velas, o aposento parecia quente e acolhedor.
Seu atual ocupante estava afundado na poltrona com os pés calçados em botas e em posição de descanso sobre o piso da lareira. Ele fitava sorumbaticamente o fogo com uma taça de vinho pela metade em sua mão de dedos magros e compridos.
A neve começara a cair um pouco mais cedo. Agora, impulsionada pelo vento uivante, chocava-se contra as vidraças reluzentes.
Sir Lawrence Daunton ergueu a cabeça quando uma rajada particularmente forte sacudiu os caixilhos. Ele considerou que, se a nevasca continuasse, seria impossível passar pela trilha por vários dias.
— Ótimo — murmurou ao esvaziar o copo.
Era véspera de Natal. Cavalgara até sua cabana de caça nos limites de Exmoor, alguns dias atrás, com duas ideias em mente. A primeira era evitar qualquer companhia durante a temporada de festas. A outra, ficar muito, muito bêbado. Pronto para atingir a segunda meta, estendeu o braço na direção da garrafa pousada na mesa ao seu lado. Vazia. Levantou-se e, quando se dirigia aos aposentos dos criados para buscar outra, escutou batidas vigorosas na porta.
Lawrence se deteve.
— Quem diabos será?
Com gestos controlados, colocou a garrafa na mesa e pegou o lampião. Seus passos ecoaram sobre o piso de pedra no caminho até a entrada. Perdeu um instante tentando destrancar. Por fim, abriu a porta.
Uma rajada de vento gelado o deixou sem fôlego.
Assim como a visão postada sob o abrigo da varanda.
Diante dele estava uma jovem envolta em uma capa de viagem de veludo azul-claro. As bordas de pelos brancos do capuz emolduravam um rosto pálido e delicado, com um nariz reto, lábios generosos e um par de olhos acinzentados adornados por cílios escuros.
Lawrence notou cada detalhe imediatamente. Quando piscou para se certificar de que a visão não desapareceria de sua frente, a mulher tratou de adentrar o chalé, comandando:
— Não me deixe parada na neve! Por favor, avise a sua patroa que a sra. Westerhill gostaria de vê-la. Imediatamente. — Esta última palavra foi pronunciada com certa ênfase, pois Lawrence ainda a fitava. Ela continuou: — Meu cavalariço encontra-se lá fora com os cavalos. Seria bom indicar para ele os estábulos antes de fechar a porta.
Lawrence tornou a piscar. Uma rajada de vento trouxe mais neve para dentro do vestíbulo, cada floco caindo sobre o piso escuro e se dissolvendo.
— Perfeitamente. Com licença. — Sem perder tempo, ele saiu da cabana, fechou a porta e correu até onde o infeliz cavalariço, prostrado, segurava as rédeas de dois cavalos.
Após algumas palavras de orientação, Lawrence correu de volta para dentro da casa. Encontrou o hall de entrada vazio, mas uma trilha de pegadas molhadas indicava a direção da sala de visitas. Lá, encontrou a dama aquecendo as mãos junto ao fogo.
Ela tirara a capa. Trajava um vestido de veludo azul-marinho de gola alta, apenas ornamentado nas bordas dos punhos e no pescoço com uma delicada renda branca. A seriedade da roupa era abrandada pela abundância do cabelo cor de mel que pendia em cachos suaves sobre os ombros.
— E então? Informou à sra. Anstey que estou aqui?
— Hã… Não.
Ela se empertigou, franzindo a testa ao fitá-lo.
— Aqui é Knightshill Hall, não é?
— Na verdade, não — respondeu Lawrence. — Estamos em Knightscote Lodge. Knightshill fica em Stoke Pero.
— Ah, meu Deus! Quer dizer que esta não é a casa da sra. Anstey?
— Não. Deve ter perdido a entrada.
Lawrence observou quando os pequenos dentes brancos mordiscaram o lábio inferior, tão generoso e vermelho quanto uma cereja madura. O olhar dela percorreu o aposento, e, pela primeira vez, pareceu se dar conta de seu estado desmazelado.
— Há uma patroa nesta casa?
Lawrence meneou a cabeça.
— Não no momento.
— Nesse caso, talvez queira informar ao seu patrão… 


Prisioneira de um Rebelde

Série Clã Brunson

Atormentado pela inocência. 

Como líder do clã, Rob, conhecido como o Brunson Negro, faz jus a cada letra de seu apelido. 

Mas quando toma como refém a filha de seu inimigo, a culpa, mesclada à necessidade de protegê-la, dilacera sua consciência... 
Rob luta contra uma tentação proibida! 
No princípio, Stella Storwick se sentia desprezada por Rob. 
Lentamente, começa a perceber em seu olhar a perfeita expressão de um sentimento impossível de ser descrito com palavras... 
E apenas um beijo poderá aplacar seu desejo!


Capítulo Um

Centro da Fronteira — abril de 1529
Quando Rob Negro Brunson inspirou ao acordar naquela manhã, inalou pela primeira vez o ar livre do odor das cinzas desde que os Storwick atearam fogo à casa-torre, menos de dois meses antes.
Seu primeiro pensamento, porém, foi o mesmo que o da véspera e das manhãs anteriores. Eles lhe pagariam. Cada um deles.
Ah, Rob se apressara em revidar. Os tetos que abrigavam os Storwick sentiram o ardor das chamas. O líder daquele clã agora definhava, vigiado por um guardião escocês.
Mas aquilo não era o suficiente. Não diante de tudo o que haviam feito.
As cinzas desapareceram com a neve. O teto da cozinha ostentava um novo colmo, mas ao inspirar uma segunda vez, a verdade o atingiu. Seu nariz nunca se livraria daquele odor pungente.
Tampouco os narizes dos Storwick. Rob se certificaria de não permitir.
Pôs os pés para fora da lateral da cama e olhou por sobre o ombro, como que esperando que o fantasma do pai espreitasse atrás dele.
Mas não havia nada lá.
Estava sozinho no quarto do líder. Agora era o chefe do clã, como fora criado para ser durante os últimos 26 verões.
Rob se espreguiçou, coçou as costas e esticou as mãos para pegar as botas.
A neve e o frio persistiam, mas, naquela manhã, sentia uma suavidade na atmosfera. Primavera. A estação do nascimento dos cordeiros. Época de ser pastor, além de guerreiro, percorrendo o vale para se certificar de que o rebanho vinha sendo bem tratado.
No ano anterior, executara aquela tarefa ao lado do pai.
Após levantar e se vestir, Rob fez uma incursão à cozinha em busca de sobras de broas de aveia para enfiar na sacola. A irmã costumava fazer isso para ele, para todos. Cozinhava, limpava, lavava, mantinha tudo em ordem até poucos meses antes, quando os abandonara por aquele marido pouco confiável.
Em breve, todos o estariam pressionando para que arranjasse uma esposa. Alguma mulher que esbravejaria pelo fato de ele empreender aquelas rondas sozinho. O perigo não desaparecera com a neve, mas Rob retornaria antes do escurecer, e ninguém ousaria arriscar um ataque em um dia ensolarado de primavera.
Além disso, Rob preferia a solidão. A sós, desfrutaria ao menos de alguns momentos sem que ninguém estivesse olhando para ele, esperando que desse a palavra final.
Cruzou o portão e observou os cavalos pastando do lado de fora dos muros, feliz por deixar a torre para trás. Assoviou, e Felloun trotou em sua direção, pronto para a cavalgada. Na verdade, Rob se sentia mais à vontade sobre uma sela do que em qualquer outro lugar. O chão sob os cascos do cavalo — a terra em si — era como seu lar. Rob era parte integrante daquilo. Das montanhas, do limo, das pedras e do solo. Parente da terra pensava algumas vezes, e não dos homens.
Mas aquela era a natureza de todos os Brunson, desde o Primeiro. Um Brunson pertencia a terra. Àquela terra.
A outra metade de Rob, a que alguns homens encontravam nas companheiras, pertencia às montanhas. Ninguém poderia forçá-lo a se separar delas.
Rob alcançou o membro do clã mais próximo antes de o sol chegar a pino. Ovelhas baliam e vagavam ao redor enquanto um cão bem treinado colocava ordem nas margens do rebanho, respondendo ao assovio do dono.
Rob cumprimentou o homem com um aceno de cabeça.
— Está tudo bem? — Não quis sugerir que Joe, o Sem Dedo, precisava de ajuda, mas apenas deixá-lo ciente de que estava ali, caso precisasse.
— Sim.
Um novo cordeiro, ainda sem firmeza nas pernas, se mantinha próximo à mãe.
Rob engoliu em seco.
— O pequeno… 

Série Clã Brunson
1 - Fronteira do Desejo
2 - O Limite da Paixão
3 - Prisioneira de um Rebelde
Série Concluída