3 de agosto de 2014

Viagem Para o Amor












A força do amor rompeu as barreiras que separavam dois jovens apaixonados.

Trêmula, os olhos marejados de lágrima, Shena não ousava encarar o marquês de Kilbrooke. 
Viajara o tempo todo ao lado desse homem belo e fascinante em seu iate, e agora, na hora de se despedir, tinha medo de deixar transparecer todo o amor que lhe ia na alma... 
Não havia a mínima chance de conquistar o marquês de Kilbrooke. 
Afinal, ele a julgava uma simples cozinheira do castelo...

Capítulo Um

1885
Lorde Hallam, um dos mais brilhantes ministros das relações exteriores que a Inglaterra já ti­vera, aposentara-se e passara a fazer parte da câmara dos lordes, achando que nunca mais iria ligar-se à diplomacia.
Entretanto, sempre que havia uma crise entre a Inglaterra e outro país ele era, invariavelmente, chamado para ajudar o governo, sobretudo por ser dotado de muita energia e inteli­gência brilhante.
No momento, estando lorde Hallam de partida para Londres reinava grande alvoroço em sua residência, no campo. O que o preocupava era deixar a única filha, Shena, sozinha.
Naturalmente havia muitos parentes que viriam com o maior prazer fazer-lhe companhia, porém a jovem preferiu ficar só com os criados.
— Estou muito acostumada a Conversar com o senhor e me aborreço com nossas parentes que só falam sobre futilidades do tempo em que eram jovens — Shena justificou-se.
— Compreendo, querida — Lorde Hallam abraçou a filha.
Mas você precisa divertir-se. Prometo-Ihe que iremos para Londres assim que meu livro estiver terminado. Oferecerei um baile magnífico em nossa casa e você será a debutante da temporada.
Seria tarde demais para debutar, pois em breve faria deze­nove anos, Shena pensou, mas nada disso; não queria aborrecer o pai.
Além disso, sentia-se muito feliz no campo. A propriedade que eles possuíam, em Hertfordshire, era vasta, toda cultivada, e a casa, encantadora.
O jardim à frente da casa era vivamente colorido pelas flores. No inverno estas floresciam nas estufas.
Para distrair-se Shena podia montar os excelentes cavalos de raça e passear pelos campos ou pelo bosque tão cheio de magia.
Devido à carreira diplomática lorde Hallam se casara com mais idade. Apaixonara-se pela filha do duque de Larington, já viúva, e desse casamento nasceu Shena.
Infelizmente lady Hallam não pôde mais ter filhos; após o nascimento de Shena tomou-se muito frágil, vindo a falecer quando a filha tinha quinze anos.
Com a morte da esposa lorde Hallam apegou-se ainda mais à filha e ambos viviam um para o outro.
Tendo herdado do pai a inteligência privilegiada, Shena tor­nou-se para ele uma ajudante preciosa. Além de auxiliá-lo na supervisão das fazendas que formavam a grande propriedade, ajudava-o a escrever sua autobiografia.
No momento o que lorde Hallam menos queria era viajar para o exterior, uma vez que seu trabalho estava prestes a ser concluído.
Entretanto, pareceu-lhe impossível deixar de atender o pe­dido do Sr. Gladstone, primeiro-ministro da Inglaterra.
— Voltarei o mais brevemente possível — disse lorde Hal­lam à filha assim que a carruagem estacionou à frente da casa.
— Cuide-se bem, papai. Nada de abusos, sobretudo não se deite tarde demais — recomendou Shena com carinho.

Uma Dama Nunca Mente

Trilogia Romances à Luz da Lua

Alexandra, Lady Morley, uma viúva atraente, está de férias para escapar de seus credores e elaborar um plano para recuperar sua fortuna. 

Distraída pela chegada de Phineas "Finn" Burke, um inventor brilhante com um passado chocante, ela se desespera e teme nunca conseguir o que precisa... Até que eles se beijam.
Finn, ingênuo em relação à espécie feminina e focado apenas em aperfeiçoar sua "carruagem sem cavalos" para uma exposição em Roma, nunca sonhou que pudesseencontrar uma mulher como Alexandra, que é tão enlouquecedoraquanto graciosa. 
Finn anseia fazer Alexandra sua esposa, mas seus próprios planos estão no caminho...A menos que Alexandra possa sacrificar tudo para realizar seus desejos mais profundos.

Capítulo Um


A cinquenta quilômetros a sudoeste de Florença – Março de 1890
Sempre havia mantido um nível de exigência muito elevado. Enquanto outras jovens damas sonhavam em encontrar o homem perfeito, Alexandra estava determinada a encontrar o duque perfeito.
No final, havia se conformado com um marquês, mas considerando que lorde Morley havia sido imensamente rico e idoso, ela achava que seu casamento tinha sido um êxito. Sua máxima era «pede e será concedido» — afinal isso estava na Bíblia; tinha quase certeza — e não se conformar jamais com algo de qualidade inferior.
Nem sequer quando fugia dos credores.
Aquele aposento era claramente de segunda categoria. Não, nem isso. Era pouco mais que um armário, apenas maior que o guarda roupa em que armazenava seus vestidos de noite para o verão durante o resto do ano. 
Um estreito catre embutido contra a parede não deixava espaço nem sequer para uma caixa de chapéu; a única manta de lã áspera parecia o paraíso ideal para as pulgas. Era de quarta categoria, ou de quinta. Sinceramente, era inadmissível. Alexandra se virou para o proprietário.
— Creio que não seja adequado. Non possiblo. Entende? Compreende? É muito pequeno. Troppo… Hum… Petito. Somos três. Trio. E o menino.
O dono da pousada franziu o cenho. Talvez não tenha entendido seu italiano rudimentar.
— A pousada está cheia, milady. Prepararei camas no salão de jantar, muito quentinhas, muito confortáveis.
— Dormir no salão de jantar! Três damas inglesas! Não pode estar falando sério. — Alexandra soltou uma risadinha afogada para abstrair a ideia absurda.
— Mas, milady, está chovendo, a ponte está… Inundada. Todos os quartos estão ocupados!
— Por quem? — exigiu saber, erguendo-se até uma altura impressionante.
— Um duque, milady — respondeu o homem em voz baixa e reverente. — Um duque inglês, seu irmão e um amigo.
— Não me diga! Acompanhe-me aos seus aposentos, se for amável. Hum… Operários. Veja bem bom homem, — explicou com amabilidade enquanto empurrava-o pelo estreito e maltratado corredor. 
— No meu país temos um encantador costume segundo o qual os cavalheiros estão obrigados, sem exceção, a renunciar a qualquer comodidade em favor das damas em apuros. Você concordará comigo que é uma ordem perfeitamente civilizada no mundo todo, sem a qual cairíamos na barbárie, como aqueles pobres romanos. Tenho certeza que o seu duque compreenderá. Oh, sim!
Parou na entrada e deu uma olhada no aposento. Esse era muito melhor. Maior e espaçoso. Uma ordenada cama de casal grande no centro da parede do fundo, com um armário em um lado, uma lareira na outra parede, atendida nesse instante por uma jovenzinha de bochechas coradas com uma dessas cabeleiras italianas escuras e cacheadas que eram impossíveis não se invejarem nos momentos mais apaixonados.
Era simples, claro. Essa pousada estava situada em uma remota parada em um péssimo caminho toscano, longe do civilizado refinamento de Milão e inclusive de Florença, mas, Alexandra estava disposta a fazer concessões com relação aos móveis rústicos e a carência de detalhes e acabamentos adequados. E, afinal, a chuva açoitava a pequena janela e se ouvia o som do vento pelo buraco da lareira. Não poderia se permitir ser demasiadamente exigente.
— É ideal, — disse voltando-se para o dono da pousada. — Ficaremos com ele. E também com o aposento contíguo. — apontou para a porta entreaberta próxima ao armário.
Certamente o rosto do homem havia sofrido com os rigores de um longo e chuvoso inverno, parecia quase impossível que aquelas bochechas pudessem ficar ainda mais pálidas, e mesmo assim, até o último traço de vermelhidão havia abandonado o rosto dele.
— Mas, milady, este aposento já está ocupado! — Disse com voz trêmula. — É de um duque! De um duque muito importante! De um duque muito forte! E de seu irmão e seu amigo! Todos muito altos!

Trilogia Romances à Luz da Lua
1 - Uma Dama Nunca Mente
2 - Um Cavalheiro Sempre é Discreto
3 - Um Duque Nunca se Rende
Trilogia Concluída

2 de agosto de 2014

Um Sabor de Escândalo

Série Selada com um Beijo
Um sabor vai trazê-lo de volta para mais. . . A Tentadora Diversão 

As coisas sempre caíram ao redor de Richard Moore, conde de Raleigh. 
Sua boa aparência, abundância de charme e a pequena questão de ser herdeiro de um marquesado tornava fácil a captura. 
Assim, quando uma jovem mulher deliciosa não quer nada com ele, ele não pode deixar de aproveitar o desafio irresistível. 
Um cortejo diferente Jane Bunting sabe tudo sobre a responsabilidade, ela conseguiu se sustentar e ao seu irmão com a sua padaria, mas ela não sabe nada de emoção ou paixão. 
Quando o arrojado Lord Raleigh cruza o limiar de sua loja, ela não tem ideia do perigo potencial para a sua reputação. . . ou para o seu coração. Um jogo impossível 
Nem as coisas imaginadas iriam tão longe, até a noite que seus mundos colidem, irrevogavelmente, mudando a vida de ambos. 
Mas quando o dever chama para Richard e tudo o que Jane trabalhou está subitamente em risco, será o seu gosto por escândalo a sua queda? 

Capítulo Um 

Richard Moore, conde de Raleigh, sorriu quando os primeiros raios de sol dourados se estenderam por todo o céu sem nuvens acima dele, anunciando um novo dia de primavera. Poucas coisas eram tão magníficas quanto o nascer do sol, sempre foi o pano de fundo perfeito para o final de uma noite deliciosa e não o início precoce para um novo dia. 
Pouco importava que o solestivesse acima do horizonte; ele tinha acabado de violar os altos tetos de Mayfair e era perto o suficiente para ele. Dando um enorme bocejo, se aproximou da porta negra de GranvilleHouse que como sempre e sem demora abriram-se na hora certa. 
- Bom dia, Senhor Raleigh. - Boa noite, Finnington- disse Richard dando uma piscadela quando entregou seu chapéu e luvas para Finnington que aguardava por isso e se dirigiu para as escadas. 
Era inconvenientemente condenável que a suíte que costumava alugar durante essa temporada, quando toda a sua família se reunia em GranvilleHouse, ainda estivesse no meio de reparos e, portanto, inabitável. Mas tendo Finnington quase compensava isso. 
Sendo assim, Richard voltou para casa e para o seu quarto, ele lembrou-se, tardiamente, de ter cuidado para não perturbar a família. Era estranho andar na ponta dos pés em sua própria casa. 
Durante nove meses do ano, seus pais e irmãs viviam em uma propriedade no condado de Aylesbury e Richard, claro, era o único senhor aqui. 
Agora, na única época do ano em que eles estavam na cidade, parte do telhado de sua residência de férias resolveu desabar, deixando sua suíte alagada. Quanto mais rápido fossem feitos os reparos melhor. 
Quando estava prestes a entrar silenciosamente em seu quarto, a porta se abriu e seu pai saiu barbeado e vestido. Os dois pararam surpresos, um com a presença do outro. 
Apesar de compartilharem os mesmos olhos azuis claros, havia uma leve diferença na estatura de Richard um pouco mais alto e um pouco mais atlético, mas naquele momento sem dúvida a diferença maior entre eles era na aparência impecavelmente arrumada do Marquês de Granville, contrastando com a chocantemente desleixada aparência de Richard. 
Seu pai o olhou de cima a baixo, observando seus cabelos despenteados, a jaqueta amarrotada e gravata simplesmente amarrada, as mesmas roupas que haviam sido impecáveis quando Richard deixou a casa na noite anterior. 
- Passou a noite em outro lugar? Em seu estado de privação de sono, Richard não poderia dizer se era diversão ou descrença levantando na testa de seu pai. 
- Eu suponho que você poderia dizer isso. No entanto, é considerado passar a noite se não vai dormir realmente? Claro, uma cama estava envolvida, de modo que o argumento poderia ser feito de qualquer maneira. O Marquês balançou a cabeça.
- Você sabe em se considerando esse tipo de questão filosófica, raramente tomam o meu tempo hoje em dia? 
- E eu aqui pensando que você estava voltando de uma noite de folia também. Não me diga que você acordou de propósito esta hora da manhã? Acordar com os galos é particularmente para ordenhadoras de leite rudes e malnascidas, nunca para um marquês. 
-Oito horas não é cedo. Eu tive minha caminhada matinal e estava no meu caminho para o meu escritório. Não vai demorar muito para que os gritos dos preparativos para o baile de hoje à noite façam minha concentração impossível. 
- Ah, o baile. Eu quase me esqueci.

Série Selada com um Beijo
1 - Mais do que um Estranho
1.5 - Senhorita Mistletoe
2 - Um Sabor de Escândalo
3 - Flertando com a Sorte
Série Concluída
 

27 de julho de 2014

Ela é Minha






Ela é minha! 

Era isso o que Anthony McKlain desejara gritar, mas deve ocultar no coração aquele amor. 

Os segredos e as mentiras conspiram contra ele, fazendo-o acreditar que é impossível ama-la, e, mesmo assim, Anthony está disposto a dar a vida por ela, porque prefere morrer por amor a viver sem tê-la.
Uma história de amor cheia de segredos, laços de sangue, intriga e paixão, enfeitada com a magia das terras escocesas.         

Comentário revisora Hija de La Luna: Gostei dessa autora, – apesar de nunca ter ouvido falar dela - pois ela escreve bem, não deixa pontas soltas e trata do assunto magia com muita leveza. Foi um verdadeiro prazer traduzir e revisar este livrinho... Aliás, o Anthony é uma graça... Um TDB de primeira! E aqueles votos, o que foi aquilo?! Meu Deus... Só lendo para saber do que se trata. Recomendo a leitura, pois este é mais um histórico de qualidade. Beijos.

Capítulo Um

O sol começava a descer no horizonte e o vento não mexia o capim das pradarias porque não havia capim, não havia pasto. O inverno ainda não havia chegado ao fim. 
Aquele ano parecia ter se demorado nas highlands um pouco mais. O vento frio e as nuvens que ameaçavam tormenta não queriam abandonar aquelas terras. 
Algo continuava retendo-as um pouco mais, e Anthony McKlain sabia o que era esse algo, quem era esse algo, no entanto, o que não sabia, e isso o preocupava, era o por quê.
Durante os últimos dias, enquanto atravessava a cavalo as aldeias do clã, ouvira os aldeões se lamentando sobre o longo inverno. Fazia semanas que o tempo já devia ter mudado, quase não sobrara pasto para o gado e os víveres armazenados para o inverno estavam quase no fim. A situação estava começando a ficar preocupante. 
O mau tempo da Escócia era bem conhecido por todos, mas aquilo já estava estranho demais.
O jovem McKlain e doze dos seus melhores guerreiros estavam passando pela última aldeia antes de ir para casa quando uma menina, vestida com roupas maltrapilhas e mal-cheirosas, abordou-lhe o cavalo. A montaria nem se mexeu quando a criança se agarrou à pata, e mal alcançava a bota de Anthony, que estava pendurada na sela.
— O jovem McKlain voltou, ele vai trazer boa sorte — gritou a garota, sem soltar a pata do cavalo.
Imediatamente, uma mulher, um pouco mais bem vestida, aproximou-se da menina e, de cabeça baixa, falou.
— Perdão, meu senhor, — a mulher quis tirar a menina, que continuava agarrada à montaria, e ela se aferrava a esta como se fosse sua salvação — mas é que a comida começa a escassear.
— Você não prestou atenção, mas sempre que ele volta o sol sai — insistia a menina, falando com o rosto pregado à enorme pata do corcel de guerra. — Senhor, não vá embora de novo. Não nos abandone mais.
— Não diga essas coisas, ele não pode fazer nada. Ninguém manda no tempo — a mulher repreendeu a menina. Virou a cabeça para Anthony e, sem olhar para ele, desculpou-se. — Perdoe a insolência da minha filha, ela será castigada, se assim o desejar.
— Deixe-a...
“Por quê castigar alguém que dizia a verdade”, pensou Anthony.
Ninguém mandava no tempo, ninguém mandava no tempo...
— Onde você está? — perguntava-se Anthony cada vez mais preocupado.
Fazia meses que estava fora de casa. Meses nos quais as contendas com os ingleses não lhe deixaram muito tempo para pensar nela. Faltava-lhes ainda uma noite para chegarem à fortaleza do clã, a casa dele. Então iria averiguar o que estava acontecendo.
Porém, uma estranha sensação estava lhe percorrendo o corpo. A preocupação estava começando a lhe martelar a cabeça. Já não era uma inquietude normal, cada poro da pele dele desprendia ansiedade.
Desmontaram quando saíram do povoado. Ele e os homens passariam a noite ali, debaixo do teto de um estábulo. 
O céu estava prometendo tormenta, e os homens não mereciam dormir sob a intempérie de novo. As noites no campo de batalha tinham terminado, e os poucos guerreiros que ainda o acompanhavam o seguiriam até Stongcore. O resto fora ficando nas aldeias por onde foram passando.
Como filho do senhor daquelas terras tinha o dever de deixar, nas respectivas aldeias, os guerreiros que o acompanharam nas batalhas e arriscado a vida sob o estandarte dos McKlain.
Entre os deveres do filho e herdeiro do laird, um deles era comunicar as baixas entre suas fileiras. Nesse caso devia se certificar de que a família do falecido teria meios suficientes para continuar vivendo. Como filho do chefe do clã devia garantir o bem-estar do povo e, ainda mais, das famílias dos soldados que combatiam ao lado dele.
Os homens haviam esticado no chão, sobre a palha, o manto dos MacKlain e estavam aguardando, estendidos sobre ele, que as mulheres da aldeia lhes trouxessem comida. Minutos mais tarde apareceram várias mulheres carregando pratos com carne assada, fatias de pão e vinho.
— Lamento que não seja muita coisa, mas mal nos sobra comida, senhor — desculpou-se a mulher. As demais continuaram afastadas, de cabeça baixa e sem levantar o olhar.
— É o suficiente. Não se aflija, mulher. Obrigado por compartilhá-la conosco.
— Obrigada pela sua benevolência. Estamos muito contentes com o seu retorno.
As mulheres saíram do estábulo e os homens começaram a comer e a beber com ânsia.
Anthony ficou de pé junto à janela, olhando o céu.
“Tem alguma coisa errada, o inverno não vai embora e as aldeias estão sofrendo penalidades. Onde você está...?” 



Cavaleiro da Meia-Noite

A fortuna e o futuro do rancho do conde espanhol Eduardo Cortes correm perigo.

Tragédia, problemas financeiros e pressão familiar o obrigam a buscar um casamento de conveniência. 
Ao encontrar Bernadette Barron vagando apavorada e desarrumada depois de um baile da alta sociedade, ele sabe que sob a sujeira se esconde uma mulher linda e rica...Mas Bernadette será apenas mais uma dor de amor? 
Ou Eduardo finalmente conheceu alguém com o poder de salvar seu rancho e curar seu coração? 
Ele pode dar a Bernadette um título de nobreza… 
Mas corresponderá aos sentimentos dela? 
Olhando no fundo dos olhos penetrantes do marido, Bernadette percebe sua frieza calculista, ao mesmo tempo em que é dominada por uma excitação apaixonada. 
O grande desejo que os consome será suficiente para superar os crescentes desafios que enfrentam e proporcionar a Bernadette o amor que tanto almeja?

Capítulo Um

Não havia nada no mundo inteiro que Bernadette Barron adorasse mais do que seu jardim, apesar da asma que, por vezes, fazia com que ela fugisse dele nos meses da primavera.
 Havia muitas flores no sudoeste do Texas e, em muitas ocasiões, a elaborada casa em estilo vitoriano de seu pai se enchia delas. Colston Barron era dono de ao menos metade do condado de Valladolid, que ficava entre a próspera cidade de San Antonio e a cidade menor de Del Rio, na fronteira com o México.
Ele fora extremamente bem-sucedido para um imigrante irlandês que começara trabalhando na construção de ferrovias. Agora, 33 anos depois de sua chegada aos Estados Unidos, era proprietário de duas delas. Tinha dinheiro suficiente para poder queimá-lo, mas poucos parentes com os quais gastá-lo.
Apesar de sua fortuna, havia algo que ainda faltava em sua vida: aceitação e respeito da elite da sociedade. Seu rústico sotaque irlandês e sua falta de maneiras convencionais o isolavam das proeminentes famílias da época, uma situação que ele estava determinado a mudar. E Bernadette seria o meio para fazer isso.
Sua amada esposa, Eloise, morrera de uma infecção logo após dar à luz Bernadette. A filha mais velha dele falecera durante o parto. 
Seu único filho, casado e pai de uma criança pequena, morava no leste, trabalhava como pescador e mantinha um mínimo de contato com o pai. Albert era rejeitado por ter se casado por amor, recusando o casamento social planejado por seu pai. Restava apenas Bernadette na casa agora. 
O irmão dela mal era capaz de sustentar a própria e pequena família. Sendo assim, recorrer a ele não era uma opção, a menos que ela também pudesse trabalhar, o que era impossível, pois sua saúde era precária demais para lhe permitir manter um emprego como o de professora. 
Enquanto isso, ela precisaria aguentar as fanáticas aspirações sociais de seu pai.
Não que Bernadette não quisesse se casar eventualmente. Tinha os próprios sonhos de ter um lar e uma família. Contudo, seu pai queria escolher um marido para ela com base no destaque social. Dinheiro, por si só, não serviria. 
Colston Barron estava determinado a fazer Bernadette se casar com um homem que tivesse um título de nobreza ou, se fosse americano, um homem de imenso prestígio social. Sua primeira opção, um duque britânico, fora um fracasso total. 
O empobrecido nobre estava disposto a se casar. Então, ele havia sido apresentado a Bernadette, que fora ao primeiro encontro, por motivos que só ela e Deus sabiam, com o jeans surrado de seu irmão, uma camisa suja, dois dos dentes enegrecidos com cera e seu longo e lindo cabelo platinado manchado com o que parecia graxa. 
O duque fora embora imediatamente, dando a desculpa de que um familiar estava à beira da morte. Mas como ele ficara sabendo daquilo naquela isolada região do sudoeste texano…?
 

24 de julho de 2014

Flertando com a Sorte

Série Selada com um Beijo
Uma decepção honesta...

Sir Colin Tate nunca imaginou casar por dinheiro. 
Mas as dívidas deixadas por seu pai artista colocou o futuro de seus irmãos em perigo. 
Para casar com uma herdeira elegível, este escocês de espírito independente deve jogar pelas regras restritivas, até que uma senhora irresistível se atreve a perseguir sua paixão pela arte... e ele. 
Um desejo inesperado Lady Beatrice Moore pode descobrir um caçador tão habilmente quanto ela captura assuntos sobre a tela. 
Mas quando ela conhece o filho notável do pintor mais famoso da Grã-Bretanha, a atração é instantânea, cegando-a para a possibilidade de que ele poderia ser um desses conspiradores... 
Um dilema Impensável Em seguida, a verdade vem à tona, quebrando a fé de Lady Beatrice no homem ainda de natureza travessa, que conquistou seu coração. 
Com reputações e fortunas na balança, Colin e ela devem encontrar uma maneira de confiar em um amor que não pode ser provado ou enfrentar uma perda imensurável.

Capítulo Um 

Quando se assiste a uma das peças mais esperada da temporada, mesmo que fosse apenas por pouco tempo como era o caso, acaba sem querer participando do espetáculo. Enquanto Lady Beatrice Moore andava pela galeria de artes deserta de Lady Churly, acompanhada por nada alm do sussurro mudo da orquestra distante e o menor senso de realização, ela não conseguiu segurar o suspiro de prazer que lhe escapou. 
Ela estava no céu. Finalmente estava longe daquela multidão, longe dos olhos dos caçadores de fortuna, que a assistiam como se fossem um falcão olhando para um rato do campo e também longe o suficiente do alcance da voz dos fofoqueiros, que queriam abocanhar a última vitima. 
Bea estava sozinha naquele momento, apenas com o brilho suave das lâmpadas, colocadas estrategicamente no forro do corredor e uma parede inteira cheia de algumas das maiores obras-primas que a Inglaterra já havia produzido. 
Sem pressa, agora que ela havia fugido, cruzou as mãos atrás das costas e começou a passear pelo corredor estreito, os seus chinelos não faziam barulhos sobre o piso de madeira com estampas de espinha de peixe. Foi por isso que ela tinha realmente concordado em vir a esta peça, bem, uma de duas razões, pelo menos. Lady Churly possuía a maior coleção de obra do aclamado pintor Sir Frederick Tate, composta de quatro retratos espetaculares que eram muito mais do que a soma de seus súditos. 
O seu verdadeiro trunfo havia sido no jogo de luz, principalmente as sombras incrivelmente realistas que sempre davam as suas peças tal brilho temperamental, escuro mais ainda assim cheio de vida, cada retrato era uma obra-prima absoluta. Ainda mais agora que ele se foi. 
Ela sentiu uma estranha sensação de perda ao pensar em sua morte. Seu trabalho havia causado um impacto tão grande sobre ela, como era uma jovem-artista, era impossível pensar que nunca poderia conhecer o homemque de alguma forma tornou-se para ela o seu mentor ausente, mas pelo menos como um artista o seu legado havia sido preservado.

Série Selada com um Beijo
1 - Mais do que um Estranho
1.5 - Senhorita Mistletoe
2 - Um Sabor de Escândalo
3 - Flertando com a Sorte
Série Concluída
  

17 de julho de 2014

O Cavalheiro de Ouro




















Capítulo Um

Bamfleigh, Sussexm Junho, 1803
Jenny Dell tinha uma habilidade especial para se movimentar em silêncio  e na escuridão, senão nunca teria conseguido viver tanto nem tão  grandiosamente como até ao momento.
Sem acender sequer uma vela, continuou a mexer-se pelo quarto escuro, os seus pés tão silenciosos como as patas de um gato.Os donos daquela  estalagem tinham recebido Jenny e o seu irmão de braços abertos quando lhes tinham alugado os seus dois melhores quartos, contudo, Jenny sabia que aquelas calorosas boas-vindas teriam sido muito diferentes se soubessem que Rob e ela estavam quase a fugir a meio da noite.
Jenny lamentava imenso o que iam fazer, pois gostava daquela casa e dos quartos com vista para um prado magnífico, coberto de flores cor-derosa. No entanto, Rob tinha os seus motivos, embora ainda não os tivesse partilhado com ela. Assim que o  fizesse, dir-lhe-ia também que havia sempre outra casa magnífica à espera na próxima colina, cheia de pessoas contentes por desfrutarem da companhia de dois jovens elegantes como Jenny e Rob e de partilharem as suas imensas fortunas com eles.
O que tinha isso de mal?
Jenny tirou os seus três vestidos do roupeiro e colocou-os rapidamente no pequeno baú de viagem. Embora fosse nuito limitado por causa das viagens, o seu vestuário era sempre muito refinado.
Musselinas da Índia, com laços de seda muito cara, combinações da Holanda e suaves xailes de caxemira. Rob considerava que nunca se devia poupar na roupa e, na verdade, era mais fácil para Jenny comportar-se como uma dama quando se vestia como tal. 
Rob herdara a astúcia do seu pai, o que, especialmente naquele momento, Jenny não devia esquecer.
Em algum lugar da casa, ouviram-se as três badaladas de um relógio que fizeram com que Jenny se apressasse.
Rob estava à sua espera na estrada. Fechou o baú e, com a perfeição da prática, passou um lençol pelas correias de couro antes de se dirigir à janela para descer o vulto com muito cuidado, até o depositar sobre a relva fofa.
Respirou fundo duas vezes antes de se empoleirar na janela e atirar-se sobre a relva. No chão, agarrou em todas as suas coisas e correu, descalça, através do prado. A estrada não estava longe e, mesmo apenas com a escassa luz de uma lua quase nova, não demorou a ver a carruagem alugada que a esperava entre as sombras.
– Alguém te viu, pequena? – perguntou Rob, carregando o baú.
– Ninguém – respondeu quase sem fôlego. – Está toda a gente a dormir. Já podes dizer-me porque temos de fugir hoje?  Porque não temos outra escolha – respondeu. – Temos de o fazer. Jenny olhou para ele com impaciência. A maioria das coisas que faziam era porque não tinham escolha. A sua vida já era bastante insegura sem que Rob lhe escondesse os detalhes.
– Eu pensei que estivesse a correr tudo bem com sir Wallace – argumentou.
– Como ele te pedia opinião sobre aqueles livros velhos da sua biblioteca, pensei que ficaríamos, pelo menos, mais duas semanas e que nos iríamos embora com algum dinheiro nos bolsos.
– Também eu


Olhos da Inocência




Sincera inocência... ou enganadora ilusão?

O conde austríaco Ferdinand von Berg era um homem cético. 
Havia participado de batalhas sangrentas, testemunhando muitas carnificinas, e guardava no coração as cicatrizes dos caprichos de varias mulheres. 
Ao conhecer a linda e ingênua Arabella Douglas, desejou muito acreditar em sua pureza. 
Contudo, aprendera havia muito tempo a nunca confiar, a jamais ter esperanças...
Arabella Douglas não suportava as vaidades e intrigas da aristocracia vienense, mas ao ver o conde, atraente e severo, logo descobriu que ele era o único homem que merecia seu amor e por quem estava realmente se apaixonando! 
Como agir para vencer a desconfiança de Ferdinand e lhe provar a sinceridade de seus sentimentos?

Capítulo Um

Viena, Áustria, 1814
Tão logo abriu os olhos, Arabella afastou o alcochoado e abandonou a cama. Em poucos instan­tes, depois de abrir as cortinas, escancarava a janela. A primeira lufada de ar frio, que o sol de setembro ainda não conseguira esquentar, invadiu o quarto trazendo um leve cheiro de fumaça e de pão saído do forno. Com as mãos apoiadas nos batentes, Arabella içou o corpo até conseguir debruçar-se no peitoril. Vi­rando o rosto para cima, respirou fundo.
Apenas uma nesga do céu azul podia ser vista acima das casas estreitas e de vários andares. Mas que azul profundo! Jamais em lugar algum da Inglaterra, o céu recebera pinceladas dessa ina­creditável tonalidade anil. Tratava-se de algo lindo, uma verda­deira proclamação ao mundo abaixo.
— Viena — murmurou Arabella.
O nome continuava a ter o mesmo encanto e doçura de duas semanas atrás, da primeira manhã em que se debruçara nessa janela. Aliás, a palavra tinha sabor tão doce quanto a confeitaria pela qual a cidade se tornara famosa. Nem o fato de já haver descoberto aspectos menos atraentes de Viena diminuía o prazer da aventurazinha que a enchia de expectativa ao despertar de manhã.
Ainda era cedo e os ruídos, que chegavam até sua janela no terceiro andar, tornavam-se distintos na quietude matinal. Sorrin­do, Arabella fechou os olhos para absorver melhor os sons e deixá-los formar um quadro na mente.
Uma canção assobiada, sinal convencionado, chamou a atenção de Arabella levando-a a debruçar-se mais ainda a fim de olhar para a pequena praça abaixo.
O rapaz de cabelos claros, aprendiz de padeiro, estava lá co­locando, na carroça, uma cesta larga repleta de pães dos mais variados tipos. Ele olhou para cima e sorriu. Enquanto acenava disfarçadamente para Arabella, verificava se o patrão, rápido em esbofetear-lhe as orelhas, não estava por perto.
Arabella retribuiu a saudação sem se importar com a aparência pouco convencionai dada pela camisola de cambraia branca e pela trança dos cabelos já bem desfeita e caída sobre um dos ombros.

14 de julho de 2014

O Acordo

Série Medieval

Lady Christiana Fitzwaryn não se opõe ao casamento. 

Mas exige ser casada em seus próprios termos, e não como punição por uma indiscrição romântica, nem especialmente com um mercador qualquer. 
No entanto, fica chocada quando conhece David de Abyndon. 
Ela descobre que ele não é um simples mercador, mas um homem de equilíbrio e virilidade extraordinários. Ele não se sente afetado pela diferença de status social. 
E menos ainda por seus argumentos bem pensados contra o compromisso.  Em vez disso, é Christiana que se sente desconfortável na presença deste homem naturalmente nobre, por trás de frios olhos azuis,por quem ela sente a mais intrigante das paixões. 
Embora tenha prometido o seu coração a outro homem, não pode resistir ao charme sedutor de David. Atraída pelo seu carisma, ela descobre o prazer, o amor, e finalmente, os segredos escondidos em seu coração.

Capítulo Um

— Se o seu irmão descobrir, terei sorte seescapar com minha masculinidade, muito mais com minha cabeça—disse Thomas.
A pálida luz da lua jogava sombras nas paredes dos bazares que ladeavam a rua. Movimentos ameaçadores à direita e ocasionalmente à esquerda atraíam a atenção de Christiana, mas ela não receava ospassos ou os notívagos esta noite. 
Thomas Holland, um dos cavaleiros da Rainha, andava ao lado dela, e o brilho de sua tocha mostrava sua longa espada. Christiana não esperava desafios de quem pudesse vê-los fora da cidade após o toque de recolher.
—Ele nunca vai saber,prometo. Ninguém saberá— ela assegurou-lhe.
Thomas estava preocupado com razão. Se seu irmão, Morvan, descobrisse que Thomas tinha lhe ajudado a fugir de Westminster depois do anoitecer não haveria inferno que pagasse. 
Ela iria levar toda a culpa se fossem descobertos, no entanto. Afinal, não poderia entrar em mais problemas do que já estava agora.
— Este mercador que você precisa ver deve ser rico, se não vive acima de sua loja, — Thomas ponderou. — Não é minha função bisbilhotar, minha senhora, mas este é um momento peculiar paravisitar e estar às escondidas por aí. É verdade que não foi atéum amante que eu a trouxe. Se fosse, o próprio Reiiria me estripar.
Ela teria rido de sua sugestão, sesuas emoções frenéticas não a tivessem deixado muito abalada para desfrutar da terrível piada. — Não é um amante, e vim agora porque é o único momento em que posso ter a certeza de encontrá-lo em casa — disse ela esperando que ele não pedisse mais explicações. 
Usara toda a sua astúcia para escapar até esta clandestina visita, e não tinha nada adicional para inventar outra mentira.
O último dia foi um dos piores de sua vida, e um dos mais longos. Fora somente ontem à noite que havia encontrado a Rainha Philippa e que fora informada da decisão do Reisobre aceitar uma proposta de casamento para ela. Cada momento a partir daí tinha sido uma eternidade de pânico infernal e indignação.
Ela não se opunha ao casamento. Na verdade, aos dezoito anos, ela já tinha passado da idade em que a maioria das moçasse casava.Mas esta oferta não tinha vindo de Stephen Percy, o cavaleiro a quem havia dado seu coração. Nem fora feito por algum outro cavaleiro ou Lorde, como convinha à filha de Hugh Fitzwaryn e uma moça de uma família de antiga nobreza.
Não, o Rei Edward tinha decidido casá-la com David de Abyndon, a quem ela nunca vira.
Um simples mercador.
Um antigo mercador comum, de acordo com sua guardiã, lady Idonia, que se lembrara de te ter comprado sedas de Mestre David, ummercador em sua juventude.
Era o modo de o Rei castigá-la.


Série Medieval
1 - By Possession
2 - By Design
3 - Stealing Heaven
4 - O Acordo
5 - O Protetor
6 - O Lord das Mil Noites
6.5 - A Interrupted Tapestry

29 de junho de 2014

Retorno do Guerreiro







Necessitando de um protetor e acompanhante, a princesa irlandesa Sorcha não tem escolha a não ser aceitar a presença de Hugh, um mercenário sem memória. 

Vítima de uma ilusão e condenada ao exílio, ela não confia nos homens. 
Apesar disso, existe algo naquele guerreiro que a faz desejar ser tocada por ele. 
Sob as ordens do rei, Hugh deve aniquilar os inimigos de Sorcha sem piedade. Embora ele não tenha intenção de se casar, a cada dia que passa é consumido por um desejo pela princesa ruiva.

Capítulo Um

Norte de Londres, 1169.
Andar se provava tarefa difícil para uma pessoa cujos olhos estavam fechados.
Sentindo-se tonto, o homem, de sua posição no duro colchão de palha, moveu os músculos do rosto. Tentou, sem sucesso, forçar as pálpebras a se abrir, de modo que ele pudesse ver o mundo ao seu redor. Os aromas que o assaltavam eram familiares e estranhos ao mesmo tempo. Estrume de ovelha. Feno. Restos queimados de alguma refeição pobremente cozida. 
Ao contrário dos cheiros, os sons não proporcionavam nenhuma pista. Ele ouvia crianças rindo e berrando. A voz de uma mulher gritando. Animais grunhindo e resfolegando.
O efeito era desagradável, e não era um a que ele estava acostumado. Ou estaria?
A preocupação o fez enrugar a testa, e ele se esforçou para visualizar uma manhã normal. Um dia normal? Não tinha certeza do horário, muito menos do lugar.
— O estranho parte esta manhã, Meg. — A voz profunda de um homem veio de algum lugar próximo. — A doença dele é um fardo para esta família, pois rouba comida de nossas crianças.
— Você não tem caridade cristã, marido? — A doce voz feminina parecia música no cômodo frio.
Ele era o tópico da discussão? Era óbvio que sua saúde não estava boa, uma vez que não conseguia sequer abrir os olhos. O corpo doía com a fraqueza, os membros estavam muito pesados para que conseguisse levantá-los.
— Você não é esposa de um lorde, Meg. Se quiser que esse farrapo humano desmaiado coma e beba, leve-o para uma família que tenha condições de sustentá-lo. Entendeu? Ele vai embora hoje, ou eu o levo para a praça do vilarejo para ficar com os outros dementes incapazes de se alimentar.
Algo o espicaçou. Seu orgulho percebeu. Não era um demente. Apenas um homem em sofrimento.
— Mas, John, e se ele for alguém importante? O jovem Harold diz que o estranho trouxe um cavalo, e não tem a aparência de um ajudante de estábulo. — A mulher continuava tentando convencer o marido.
No entanto, a conversa deles parou quando outra voz soou mais perto do ouvido do homem:
— Você precisará ir embora, se não quiser tornar-se comida para os porcos do vilarejo, na próxima semana — sussurrou um menino, perto de sua cama.
Com muito esforço, o homem abriu um olho, e depois o outro.
Viu-se num pequeno barracão de madeira com chão de terra. Animais andavam tão livremente pelo lugar quanto os quatro seres humanos na residência. Bem, quatro sem contar com ele. Não tinha certeza se se sentia muito humano, e o consenso parecia colocá-lo num nível de importância bem abaixo, tanto das pessoas quanto dos animais.
Um garoto o olhou, o rosto coberto de poeira, o cabelo sujo emplastrado no rosto. Todavia, os olhos estavam iluminados com interesse. Como se comida de porco fosse fascinante.
— Meu irmão diz que é isso o que se faz com os dementes se eles não trabalharem — continuou o menino.
O homem tocou a têmpora e estremeceu. O cabelo fora cortado, a testa estava suturada com pontos. Ele soube imediatamente que os pontos haviam sido trabalho da mulher de voz doce. Sem dúvida, devia sua vida àqueles estranhos.
— Qual é o seu nome? — perguntou o garoto cutucando-lhe o ombro.
O homem tornou a fechar os olhos, mal ouvindo a conversa tempestuosa do outro lado do cômodo. Por Deus, ele se levantaria e iria embora se fosse capaz.
— Você nem sabe o próprio nome? — o menino soou exasperado, a entonação imitando a do pai em cadência.
— Hugh — o homem respondeu sem pensar, mas aquele nome solitário foi tudo o que conseguiu.
Agora que o nome pairava no ar entre os dois, ele desejou acrescentar alguma coisa. Declarar sua família e seu legado com algum título.
 Hugh, filho de alguém Hugh de York. Hugh de Black Garter. Mas não foi capaz de encontrar nenhuma pista de um segundo nome no caos de seus pensamentos confusos. Sua cabeça estava limpa do passado, como se não tivesse retido nada que antecedera esse momento.
Entrando em pânico, Hugh bateu nas coxas da calça e na cintura da túnica, procurando por objetos pessoais. Não havia espada. Nem uma faca com uma insígnia de família que pudesse identificá-lo. Nenhuma bolsa de couro com pertences ou o lenço com o nome de alguma lady bordado.
E por que um homem usando calça de lã áspera e uma túnica de algodão surrada teria a recordação de alguma mulher? A ideia parecia incongruente, todavia.
Quem era ele?
— Eu não me importo que você coma meu mingau, Hugh. — O menino fungou, então esfregou a manga da camisa no rosto para limpar o nariz molhado. — Mas meu pai diz que você tem de ir embora, porque, apesar de ter chegado ao meu estábulo conduzindo um cavalo, talvez não passe de um ladrão comum.



Coração de Pedra






Ao acordar em uma cama estranha, Henrietta Markham encontra o homem mais sensual que já conhecera. 

Entretanto, a última coisa que se lembra é do ataque de um invasor e de ter sido resgatada por Rafe St. Alban, o notório conde de Pentland. 
E ele parece bem mais perigoso!
Um casamento fracassado transformou o coração de Rafe em uma pedra de gelo. 
Contudo, a impetuosa e atraente preceptora faz seu sangue entrar em ebulição. Quando Henrietta é acusada de roubo, Rafe se coloca de prontidão para salvá-la. Será que a inocência dela deixará este endurecido libertino de joelhos?

Capítulo Um


Sussex, março de 1824.
A névoa mal começava a se dissipar naquele começo de manhã, e ele já fazia Thor, seu imponente garanhão negro, tomar o rumo de casa pelo atalho que cortava o comprido e arborizado caminho que margeava os formais jardins de Woodfield Manor.
A intensa luz do sol do começo do verão inglês atravessava as árvores altas, fazendo o orvalho na grama cintilar como se tivesse sido espalhado com uma miríade de pequeninos diamantes.
O cheiro de terra e raízes recém-reviradas levantado pelos cascos de Thor se misturava ao inebriante perfume da madressilva que circundava, irrestrita, os troncos dos majestosos teixos. A manhã estava perfeita, prelúdio de um dia sem dúvida belo.
O honorável sr. Rafe St. Alban, conde de Pentland, barão de Gyle, era o senhor de tudo o que estava a inspecionar. Todavia, mantinha-se alheio às glórias da natureza que o alcançavam de todos os lados. Mentalmente esgotado após mais uma noite insone, fisicamente exaurido devido ao cansativo galope logo de manhã cedo, seu único interesse era cair nos receptivos braços de Morfeu.
Puxando as rédeas do cavalo, Rafe desmontou do animal para desengatar o portão de ferro forjado, que se abriu para o caminho lateral de cascalhos que dava direto para sua cocheira.
O homem alto, bem proporcionado, e o enorme cavalo negro feito ébano faziam um par e tanto. Cada um, a seu modo, um glorioso exemplo de sangue azul. Espécimes supremos de músculos fortes e tonificados e com a energia no ápice da perfeição física.
A pele de Rafe brilhava, saudável. Seu cabelo negro como um corvo, refletindo a luz do sol, tinha um corte reto e bem aparado, ressaltando o perfil impecável. Os ângulos das maçãs do rosto mostravam-se corados pelo esforço do galope vertiginoso montes abaixo. O tom azulado da barba que começava a nascer só acentuava o maxilar forte e os dentes muito brancos.
Ao estilo lorde Byron, eis como uma jovem apaixonada e arfante o descrevera; um cumprimento que Rafe enjeitou com sua típica risada sarcástica, apesar de suas belas feições e sua riqueza fabulosa o tornarem um dos solteirões mais cobiçados da sociedade. 
Até as damas mais difíceis se derretiam perante seu olhar distante e verve áspera, que lhe caíam muitíssimo bem.No entanto, Rafe não tinha o menor interesse em se comprometer pela segunda vez. Já tivera sua dose de casamento pelo período de uma vida inteira. Na verdade, por várias vidas.
— Estamos quase perto de casa, agora, velho amigo — murmurou ele batendo de leve no flanco suado do cavalo.
Thor balançou a cabeça enorme, expelindo uma nuvem de ar quente das narinas, tão ansioso quanto o dono pelo calor de seus aposentos.
Rafe tirou o casaco, jogou-o com displicência sobre o ombro e decidiu seguir a pé a curta distância até a casa em vez de voltar a montar o cavalo. Como não esperava encontrar ninguém tão cedo, saíra sem chapéu, colete ou cachecol. As dobras brancas e limpas de sua camisa de linho grudavam-se nas costas suadas, e a gola aberta revelava um tufo de pelos no peito musculoso.
O portão bem azeitado se abriu sem ruído, e Rafe fez o cavalo avançar, mas Thor pisou a grama com passos hesitantes e resfolegou. 
Sem paciência, Rafe voltou a puxar as rédeas, com mais força desta vez, mas o garanhão recusou-se a se mexer e soltou um relincho agudo.
— Está com medo de quê?