16 de novembro de 2014

Passagem para Pontefract

Saga dos Plantagenetas
O Príncipe Negro, herói do povo, está morto, e Eduardo iII, seu pai, tornou-se um velho senil. 

O trono agora será ocupado por um menino, Ricardo de Bordeaux, cercado de parentes ambiciosos e nada confiáveis.
Neste episódio, o tom é dado pelas intrigas palacianas e pelas relações perigosas entre os nobres e suas amantes.
Extravagante e elitista, Ricardo ama duas rainhas: Anne da Boémia, com quem se casa, e a frágil Isabella.
O rei tem sua autoridade constantemente ameaçada, mas consegue salvar a Inglaterra de uma revolução e ganha prestígio.
Logo passa a enfrentar a oposição de cinco lordes que querem tirá-lo do poder.  De quatro ele consegue se vingar, mas o quinto, seu primo Henrique de Bolingbroke, mais esperto do que os outros, está decidido a levá-lo à ruína.


Capítulo Um

Inglaterra, século XIV, O Nascimento dos Meninos
Londres estava com espírito festivo naquele magnífico dia de maio. Eram poucas as coisas de que os cidadãos gostavam mais do que um acontecimento régio, e aquele prometia ser um dos mais esplendorosos que a capital já vira até então. 
O rei adorava a exibição - quanto mais magnificente, melhor. Aquela era uma de suas qualidades de que as pessoas gostavam. Uma fraqueza, talvez, mas uma fraqueza adorável, tida por um homem que diziam ser o maior guerreiro da cristandade e cuja reputação era tão ilustre quanto a de seu avô, o grande Eduardo, o primeiro a usar aquele nome.
Três dias antes, o filho do rei - aquele que era conhecido como John de Gaunt porque nascera de Eduardo e da boa rainha Filipa na cidade flamenga de Ghent, e os ingleses, desprezando línguas estrangeiras, achavam Gaunt mais fácil de pronunciar do que Ghent casara-se em Reading com Blanche, filha do duque de Lancaster.
Todos concordavam que a união de dois belos jovens era motivo de celebração, em especial por serem os dois de sangue real, porque Blanche descendia da árvore Plantageneta, exatamente como John; e os pais da noiva e do noivo eram venerados por todo o país.
Henry de Lancaster, o pai da noiva, era conhecido na Inglaterra - e na Europa, também - como o bom Duque Henry, o cavaleiro perfeito. Ele era fidalgo o tempo todo, generoso para com os inimigos, leal aos amigos, um homem profundamente religioso, e seu avô tinha sido Edmundo H, filho de Henrique El.
Quanto aos pais do noivo, eram adorados pelo povo como poucos monarcas tinham sido até então. 
Os súditos deviam sentir-se orgulhosos daquele rei alto e bonito que muitos diziam ser a imagem do avô e ligeiramente mais baixo do que Eduardo Pernas Longas, cuja reputação tinha sido ampliada pela memória. Aquele Eduardo tinha todos os itens que formavam a beleza Plantageneta - os abundantes cabelos louros, o nariz reto, os brilhantes olhos azuis, o belo físico. 
Além do mais, trouxera estabilidade ao país, e sua popularidade era tal que as pessoas tinham se esquecido de que as glórias de Crécy e Poitiers tinham sido pagas não só com sangue, mas com impostos arrancados do povo, e que a conquista do trono da França não estava mais perto do que estava no início da guerra. 
Ele se casara com Filipa de Hainault, de cuja benevolência o povo tomara conhecimento, e até no casamento Eduardo mostrara bom senso. Filipa podia estar rechonchuda além do normal e mostrar sinais de partos contínuos e nada ter de bonita, mas seu rosado frescor lhe caía muito bem, e a expressão do seu rosto era de uma suave boa vontade. 
Sabia-se que em várias ocasiões ela implorara ao rei que mostrasse misericórdia, porque ele, como a maioria dos de sua raça, possuía um génio que se tornava violento quando provocado; e por essa qualidade, ela fora profundamente respeitada. Ela era feminina; era virtuosa; e também conhecida como a Boa Rainha Filipa.
A devoção que um dedicava ao outro fora um exemplo para o país, e se ultimamente circulavam rumores de que o rei já não era bem o marido fiel que de modo geral as pessoas acreditavam que fosse antes, as insinuações eram esquecidas quando o casal real aparecia junto.
Londres estava encantada com seu governante; e todos os governantes inteligentes sabiam que a aprovação da cidade capital era essencial à segurança deles. Sim, eles amavam aquele rei que sabia sair-se muito bem nas justas nas quais ele tanto gostava de participar, e gostavam de vê-lo brilhando com as jóias com as quais ele tanto gostava de adornar sua bela pessoa.
Não só ele restaurara o prestígio da Inglaterra, que ela perdera durante o desastroso reinado anterior de seu fraco e efeminado pai, como tivera filhos homens - todos bonitos, e o mais velho, como era adequado, era um homem cuja fama espalhara-se por todos os cantos e já mostrava sinais de ser tão notável quanto o pai e o bisavô
- outro Eduardo, conhecido no país inteiro como o Príncipe Negro.









Saga dos Plantagenetas
1- Prelúdio de Sangue
2- O Crepúsculo da Águia
3- O Coração do Leão
4- O Príncipe das Trevas
5- A Batalha das Rainhas
6- A Rainha de Provence
7- Eduardo I
8- As Loucuras do Rei
9- O Juramento do Rei
10-Passagem para Pontefract
11-A Estrela de Lancaster
12- Epitáfio para Três Mulheres
13- A Rosa Vermelha de Anjou
14-Sol em Esplendor
Saga Concluída

A Estrela de Lancaster

Saga dos Plantagenetas

Capítulo Um

Um Encontro na Floresta
Os muros do convento erguiam-se serenos e belos em meio à verde campina. Perto dali estavam os muros cinzentos do castelo de Pleshy, moradia da garotinha que estava sentada à mesa, com o livro de estudo aberto à sua frente. 
Como era silencioso no convento, estava ela pensando. Havia, ali, uma tranquilidade que ela achava muito reconfortante, ainda mais porque ela passara a perceber um certo tumulto no castelo.
Mary sempre tivera um pouco de respeito temeroso por Eleanor, sua irmã mais velha, e talvez mais ainda por Thomas, marido de Eleanor. Ele era um homem muito importante, claro; e Eleanor tinha orgulho de ser sua esposa. Ela estava constantemente lembrando à sua irmãzinha que os filhos dela seriam de sangue real, porque Thomas era filho do rei.
Era verdade. Thomas de Woodstock, como as pessoas o chamavam por causa do lugar onde ele nascera, era na verdade conde de Buckingham e filho caçula do rei Eduardo e da rainha Filipa. Mary se lembrava de quando ele e Eleanor se casaram. 
Seu pai era vivo, então, e houvera muita alegria no castelo, porque se tratava de um brilhante casamento para os de Bohun, muito embora Humphrey de Bohun fosse um homem muito rico, possuindo, além do castelo de Pleshy, os de Monmouth e Leicester e uma mansão na cidade de Londres; e, embora tivesse sido devido à sua imensa fortuna que o casamento fora aprovado pela família real, os de Bohun tinham ficado perfeitamente cientes da honra que lhes fora concedida.
Depois, tudo mudara porque seu pai - Humphrey de Bohun, para dar o nome completo - morrera e sua vasta fortuna seria dividida entre as duas filhas, pois não havia herdeiro homem. 
Assim, Eleanor, mulher do Thomas de sangue real, e Mary, de dez anos de idade, tornaram-se as herdeiras mais ricas da Inglaterra.
Eleanor estava encantada com isso; Thomas também; Mary estava perplexa com a agitação deles. Que diferença fazia para elas?, perguntava-se ela. Tinham sido ricas antes. O que mais poderiam querer?
Quando ela perguntava isso, Eleanor lhe dizia, com rispidez, que não fosse ingénua, e ela ficava desanimada, porque sempre fora muito cônscia da condição de mais velha de Eleanor. 
Eleanor sempre a fizera ciente disso, mesmo antes da morte do pai. Ela era muito mais velha, salientava Eleanor, e Mary não passava de uma criança. Mary devia fazer o que lhe mandassem as pessoas que tinham maior experiência, e isso, naturalmente, significava uma irmã mais velha.
Remoendo, agora, sobre aquela época enquanto ficava sentada dentro dos pacíficos muros do convento, os livros esquecidos à sua frente, ela pensava em tudo o que acontecera desde a morte do pai e na atitude de Eleanor e seu marido para com ela. Era como se estivessem planejando alguma coisa.
O pensamento fazia com que ela se sentisse ligeiramente aflita, e mais do que nunca ela percebia como era agradável estar num convento entre as delicadas freiras. 
Dali a pouco, uma delas daria uma olhada em seu trabalho. Se estivesse bom, pouco se comentaria, porque ficava implícito que se esperava que estivesse; se tivesse sido feito com falta de cuidado ou revelasse ignorância das matérias escolhidas, haveria uma suave reprimenda, que, por estranho que parecesse, a magoava mais do que a raiva e o desprezo.
Mary gostava das freiras; gostava do convento; a atmosfera a fascinava. A abadessa dissera-lhe que as Claras Pobres viviam apenas para servir. Elas se deslocavam pelo convento como cinzentos fantasmas silenciosos, porque se quisessem falar umas com as outras, primeiro tinham de receber permissão da abadessa. 

Epitáfio para Três Mulheres

Saga dos Plantagenetas


Capítulo Um

O Escudeiro Galês
Quando o cunhado foi dizer a Katherine que o rei estava morto, ela não pôde acreditar. Henrique, não, não o poderoso conquistador do país dela, não o amante, marido e pai de seus filhos. Olhou fixo para o cunhado, incrédula, abanando a cabeça.
- Não! - bradou ela. - Não. Não pode ser.
John, o grande duque de Bedford, que amara muito o irmão Henrique e sempre declarara ser o seu mais caro desejo servi-lo com todas as suas forças, e que provara que aquilo era verdade, agora a olhava com olhos melancólicos.
- Os últimos pensamentos dele foram para você - disse ele. - "Console minha querida esposa", disse ele. "Hoje, ela será a criatura viva mais angustiada do mundo."
Katherine continuou a olhar para Bedford com olhos incrédulos.
Murmurou:- Ele estava um pouco doente... sim... Mas a morte...! Oh, não... isso, não - murmurou ela.
- Ele devia ter descansado. Insistiu em ir em auxílio da Borgonha.
A raiva surgiu nos olhos dela, abafando momentaneamente a dor. Toda a sua vida fora abafada pelo conflito entre Borgonha e Orléans. E uma vez mais, era a Borgonha.
- Você o conhecia tanto quanto eu - prosseguiu o duque.- Ele jamais descansava enquanto houvesse uma batalha a ser lutada.
- Inglaterra... França... meu filho... O que vamos fazer agora? - murmurou ela, com voz pausada.
O duque colocou as mãos nos ombros dela e, atraindo-a para ele, beijou-lhe delicadamente a testa.
- Caberá a Deus decidir - disse ele.
E porque sabia que não havia nada mais que pudesse fazer para consolá-la, chamou uma das damas de companhia de Katherine.
- Deixe-a com sua dor - disse ele. - Mas fique preparada. Será terrível quando ela perceber o que isso significa.
com que então o aparentemente invencível Harry, um nome cuja simples menção provocava o terror dos franceses, estava morto. Desde que subira ao trono, ele deixara para trás sua vida dissoluta e se dedicara a conquistar a coroa da França. 
Ele fora um homem alto, bonito, viril, ativo, mas delicado e justo em seu comportamento, exceto quando sua raiva era provocada. Nesses casos, os homens comparavam-no a um leão. Era um homem que se recusava a reconhecer o fracasso, e sempre, dali por diante, quando falassem nele, todos iriam pensar em Agincourt, aquela batalha famosa à qual ele liderara seus homens com todo o ânimo e a confiança de um conquistador, de modo que seu pequeno exército, exaurido pelas doenças, enfrentara a poderosa França e obtivera uma retumbante vitória. 
Tinha sido mais do que uma batalha vitoriosa, porque anunciara o fim da guerra que vinha durando desde a época em que Eduardo III decidira que tinha direito a reivindicar o trono da França.E justo quando o grande guerreiro estava prestes a aceitar os frutos de sua conquista, ele caíra de cama e morrera.
Katherine poderia perguntar: "E agora?"
Ela estava com vinte e um anos de idade. Não muito velha, mas era provável que uma infância cheia de desgraças a tivesse preparado de algum modo para isso.
No castelo de Windsor, na Inglaterra, um menino de nove meses vivia aos cuidados das amas, sob o controle do irmão de Henrique, Humphrey, duque de Gloucester. Aquele menininho
- Henrique, tal como o pai - era a criança mais importante da Inglaterra, porque com a morte súbita do pai ele se tornara rei da Inglaterra.
Agora que se acostumara com a realidade de que Henrique tinha morrido, uma calma tomou conta de Katherine. Seu cunhado John iria dizer-lhe o que fazer, e ela confiaria nele, como fizera Henrique.
Viajou de Senlis para o castelo de Vincennes, onde Henrique jazia, e quando olhou para o corpo do marido morto, a calma abandonou-a e, pela primeira vez desde que recebera a notícia, ela chorou. 
Era como se finalmente percebesse o que a morte de Henrique significava, e ficou desolada, com medo do futuro.
Muitas pessoas queriam falar com ela. O corpo dele tinha de ser levado de volta para a Inglaterra, diziam elas. Não deveria haver demora alguma. Mas o duque de Bedford dera ordens para que a vontade dela fosse respeitada sob todos os aspectos.
Ela disse que queria ficar sozinha, só durante uma hora... sozinha para pensar. Mandou que seu cavalo fosse selado; queria a solidão que só a floresta podia oferecer.
E assim selaram o cavalo, e ela se dirigiu para o Bois de Vincennes, enquanto a uma distância respeitosa os escudeiros do rei esperavam por ela. Quando desmontou, um dos escudeiros apressou-se a adiantar-se para segurar o cavalo. Katherine olhou para ele. Era jovem, mais ou menos da idade dela, alto, moreno, com um rosto que a interessou.
- Estou com vontade de descansar aqui um pouco - disse ela. A floresta é bela nesta época do ano. O senhor não acha?
- É mesmo, majestade - respondeu ele. Tinha um sotaque que ela achou difícil entender, mas na verdade não era tão proficiente em inglês quanto gostaria. Tornou a se lembrar de como Henrique rira da maneira como ela pronunciava certas palavras. "
Eu tenho de melhorar", dissera ela, recatada. "Não", bradara ele. "Eu gosto da sua maneira de falar, Kate. Não mude. Continue sendo a minha pequena Kate francesa."

A Rosa Vermelha de Anjou

Saga dos Plantagenetas
Capítulo Um

Ventos gelados de março açoitavam os muros do castelo de Keure, e as duas mulheres que estavam sentadas juntas no grande aposento arejado encolhiam-se mais perto do fogo. Ambas estavam atarefadas, costurando.
A mais velha das duas fez uma pausa repentina e ergueu uma pequena peça de roupa.
- Eu nunca pensei - disse ela - que se chegaria a este ponto. Um filho para nascer e aqui estou eu com dificuldades para encontrar roupas dignas dele. Quem teria pensado que um filho do rei de Anjou um dia ficaria num apuro desses?
Sua companheira ergueu do trabalho um rosto notavelmente bonito. A expressão era de uma serenidade rara numa pessoa tão jovem.
- A França toda tem de estar preparada para aceitar essas diferenças, Theophanie - disse ela.
- Para os jovens, está tudo bem - foi a resposta. - Lembre-se de que estive com o rei e a rainha de Anjou durante anos, até vir para cá. Criei as crianças... todas elas.
- Bem, na verdade você não deixou a casa deles.
- Não... não... Aqui estou com o Sr. René e sua pequena família. Que Deus os conserve. Agnès, minha jovem, no momento há coisas terríveis acontecendo na França.Penso muito naquelas pobres almas de Orleans.
- Precisamos ter esperanças e rezar para que o socorro deles chegue em breve.
- Deus parece ter nos abandonado. Você não se lembra, Agnès, mas quando eu era jovem não havia esses problemas. A vida era tranquila. Depois, começou. Primeiro foram os Armagnac contra os Borgonha.
- Ainda é assim - disse Agnès.
- Mas os nossos verdadeiros inimigos são os ingleses. Eles estão arruinando este país. É por causa da guerra... porque eles dizem que estamos derrotados, que tenho de reformar as coisas de D. Yolande para esse novo bebé.
- Poderia haver problemas piores - sugeriu Agnès.
Ela voltou para sua costura, mas Theophanie, ama dos cinco filhos do rei e da rainha de Anjou e agora transferida para a ala infantil do segundo filho do casal, René, para ficar encarregada dos filhos dele, estava com espírito de reminiscências.
- René... ele sempre foi meu favorito - refletiu ela. - Ele foi um belo menino, é um belo homem. Sempre gostou de poesia... do canto dos trovadores. Estava mais interessado nisso do que em todas aquelas manobras elegantes com o cavalo. A mãe, a rainha Yolande, ficava um pouco preocupada com isso.
O pai raramente estava no castelo. "René gosta mais de ler livros do que de derramar sangue", dizia ela. "É admirável, mas os livros não manterão suas propriedades juntas se alguém lançar sobre elas um olhar ganancioso." "Ah, senhora, não se preocupe", dizia eu a ela, "que quando a hora chegar, meu senhor vai saber como agir da forma correta."
- É disso que qualquer um de nós precisa - disse Agnès -, saber a forma correta de agir quando chegar a hora.










Saga dos Plantagenetas
1- Prelúdio de Sangue
2- O Crepúsculo da Águia
3- O Coração do Leão
4- O Príncipe das Trevas
5- A Batalha das Rainhas
6- A Rainha de Provence
7- Eduardo I
8- As Loucuras do Rei
9- O Juramento do Rei
10-Passagem para Pontefract
11-A Estrela de Lancaster
12- Epitáfio para Três Mulheres
13- A Rosa Vermelha de Anjou
14-Sol em Esplendor
Saga Concluída

O Sol em Esplendor

Saga dos Plantagenetas

Depois de 13 livros contando a saga dos Plantagenetas, Jean Plaidy coloca o ponto final na trajetória dessa histórica família de reis ingleses a partir da coroação de Eduardo IV, cujo emblema era um sol. 

Eduardo IV teve vários filhos, entre eles Eduardo V e Ricardo.
Após a morte do pai, Ricardo recebe a coroa. 
Mas havia outro aguardando para tomá-la. A batalha final pelo trono da Inglaterra resulta na ascensão dos Tudor e no fim da saga dos reis Plantagenetas.

Capítulo Um

Jacquetta estava na torre mais alta da Mansão Grafton, aguardando a chegada da filha. Ela arrumara pessoalmente a alcova de Elizabeth, providenciando para que o cómodo ficasse o mais confortável possível. 
A pobre Elizabeth estaria carente de conforto, viúva pesarosa que era, com duas crianças pequenas para criar e um futuro incerto pela frente.
Aqueles eram realmente tempos incertos. A maldita guerra não chegava a uma conclusão. Num dia, a vitória era de York; no seguinte, de Lancaster.
Malditas sejam as guerras, que afastam os maridos das mulheres de sangue quente e, não satisfeitas, matam os esposos de suas filhas, pensou Jacquetta.
Ao menos seu amado Richard estava seguro e conseguira mandar notícias, depois de ter rugido com o rei para algum lugar ao norte, pois a mensagem fora enviada de Newcastle. Eles eram perdedores de novo e, aparentemente, algo importante acontecera desta vez: Eduardo de York proclamara-se rei e o povo o apoiara. 
Jacquetta precisava admitir que Eduardo era um moço encantador, embora os Rivers fossem lancasterianos arraigados. "Rei em cada um de seus centímetros", era o que diziam sobre Eduardo; e ele media quase 1,90m, o que somava muitos centímetros. Era soldado magnífico, amante ardoroso e o maior contraste
possível ao pobre Henrique, que fora tão santo que desejara tornar-se monge e, em mais de uma ocasião, mergulhara na loucura.
Talvez estejamos do lado errado, pensou Jacquetta.
O coração de Jacquetta começou a bater mais rápido quando divisou um grupo de cavaleiros ao longe. Sua filha poderia estar entre eles.  Ela desceria imediatamente para recebê-la, para assegurar-lhe que era bem-vinda, que Grafton era o seu lar e que permaneceria assim enquanto ela quisesse.
A visão da filha encheu Jacquetta de orgulho. Elizabeth estava bela como sempre - a flor mais deslumbrante de uma família de pessoas bonitas. Jacquetta tinha motivo para orgulhar-se dos descendentes que dera a Richard - sete filhos e sete filhas. Elizabeth, a mais velha, fizera uma entrada muito discreta no mundo. 
Como o casamento de Elizabeth e Richard fora desaprovado por pessoas importantes, tudo relacionado à união fora conduzido com o máximo de segredo.
Elizabeth desmontara. Estava muito calma, conforme previra a mãe. Poucas coisas perturbavam Elizabeth, que era assim desde a mais tenra idade. 
Na ausência de Jacquetta ou Richard, ela sempre cuidara dos irmãos; era natural, sendo a mais velha. Porém, por mais travessas que tenham sido as crianças, Elizabeth jamais perdera a paciência com elas.
- Minha querida! - exclamou Jacquetta, entre lágrimas, enquanto abraçava a filha. - Esta é uma ocasião triste.
Elizabeth retribuiu o abraço da mãe com afeto contido.
- Sabíamos que a senhora nos ofereceria refúgio - disse Elizabeth.
Elizabeth chamou as crianças. Thomas e Richard Grey eram meninos bonitos, com cerca de dez e oito anos de idade. Eram velhos o bastante para entender que a morte do pai fora um evento trágico e de grave consequência para eles.
Jacquetta beijou os netos com fervor, dizendo que eles eram pequenas ovelhas das quais teria imenso prazer em cuidar.
- Entre, querida - convidou Jacquetta, dando o braço à filha. - Deve estar cansada. O seu quarto está pronto, e os meninos ficarão no cómodo ao lado. Sejam bem-vindos a Grafton, meus amores. O seu lar, querida Elizabeth, como sempre foi e sempre será, enquanto eu estiver aqui.
- Agradeço do fundo de meu coração, querida senhora-disse Elizabeth. - Pois estamos numa situação realmente lamentável.
Entraram juntos na mansão.
- Foi uma viagem longa até Northamptonshire - prosseguiu Elizabeth.
- Tudo bem, querida. Agora vocês estão aqui.









Saga dos Plantagenetas
1- Prelúdio de Sangue
2- O Crepúsculo da Águia
3- O Coração do Leão
4- O Príncipe das Trevas
5- A Batalha das Rainhas
6- A Rainha de Provence
7- Eduardo I
8- As Loucuras do Rei
9- O Juramento do Rei
10-Passagem para Pontefract
11-A Estrela de Lancaster
12- Epitáfio para Três Mulheres
13- A Rosa Vermelha de Anjou
14-Sol em Esplendor
Saga Concluída

2 de novembro de 2014

O Principe dos Sonhos

Série Os Stokehurts
Um rico e amargo exilado, o homem mais perigoso e desejável de toda a Inglaterra, ele deseja possuir uma beleza orgulhosa e obstinada que é prometida a outra pessoa. Mas ganahr a bela mão de Emma Stokehurst, através de ameaças e determinação, não faz nada para preencher os espaços vazios no coração de Nikolas, até que a magia da paixão leva o bonito e atormentado príncipe de volta a uma época passada de esplendor e sonhos românticos. Por lá o seu destino o aguarda numa vida distante. E, no toque terno de uma mulher extraordinária, dolorosamente familiar, mas gloriosamente novo, ele deve buscar a esquiva promessa do êxtase... e finalmente aprender a amar.

Capítulo Um

Londres, 1877
- Estas esperando a alguém? - disse uma voz de homem rompendo o silêncio que reinava no parque.
Tinha um ligeiro acento russo que a Emma parecia encantador e melodioso. Voltou-se com fingida indiferença e viu o príncipe Nicolas surgindo das sombras.
Com sua pele bronzeada, seu espesso e loiro cabelo e seu imprevisível caráter, Nicolas parecia mais um tigre que um aristocrata. Emma nunca tinha conhecido uma mescla tão perfeita de beleza e ferocidade. Conhecendo sua reputação sabia que devia lhe temer. Mas também sabia dominar aos animais selvagens. Frente a uma fera quão último teria que fazer era demonstrar que se tinha medo. Assim, relaxou-se e se sentou mas comodamente no banco de pedra que estava em um isolado rincão da enorme propriedade.
- Em qualquer caso não é a ti - respondeu secamente - O que faz aqui?
- Tinha vontades de dar um passeio - declarou com um largo sorriso deixando ver uns dentes brilhantes.
- Preferiria que te passeasse em outra parte. Tenho um encontro.
- Com quem? - perguntou o príncipe deslizando as mãos em seus bolsos sem deixar de dar voltas ao redor dela.
- Vá - te Nicolas.
- Me responda.
- Vá - te!
- Com que direito me dá ordens? Esta é minha casa, querida menina.
Nicolas se deteve uns passos dela, era muito alto e um dos poucos homens aos quais Emma não ultrapassava em altura. Suas mãos eram grandes e seus ombros largos, uma sombra escondia seu rosto deixando sozinho à vista o brilho dourado de seus olhos.
- Não sou uma menina, sou uma mulher.
- Já o vejo - disse brandamente Nicolas.
Seus olhos se passearam pelo corpo da jovem olhando com detalhe as curvas escondidas sob um singelo vestido branco. Como de costume não levava nada de maquiagem. Seu cabelo, de um magnífico tom avermelhado com reflexos de bronze e canela, estavam recolhidos para cima em um coque mas algumas mechas rebeldes lhe acariciavam a cara e o pescoço.
- Estas encantadora esta noite - disse ele.
- Me economize seus galanteios! - respondeu Emma rindo - como muito sou bonita e sei muito bem. Não vale a pena me fazer machuco na cabeça com forquilhas e me comprimir as costelas com um espartilho até o ponto de não poder respirar. Eu gostaria mas poder passear todos os dias com botas e calças como os homens. Quando não se pode ser formosa é melhor não insistir.
Nicolas não a contradisse, mas tinha uma opinião completamente distinta nisso. O encanto único da Emma sempre lhe tinha fascinado. Era uma mulher decidida, cheia de energia, com uns maçãs do rosto altos, uma boca sensual e um nariz cheia de sardas. Era magra e tão alta que Nicolas só a ultrapassava por uns centímetros.
Pareciam feitos um para o outro e entretanto ninguém parecia dar-se conta. Mas Nicolas por sua parte sabia desde por volta de anos, desde que se viram pela primeira vez. Emma era então uma menina amalucada com uma cabeleira de fogo. 
Aos vinte anos se converteu em uma jovem cuja franqueza lhe chegava à alma. Recordava às mulheres que tinha conhecido na Rússia, mulheres de caráter que se pareciam muito pouco às insípidas européias que freqüentava desde fazia sete anos.
Consciente de seu insistente olhar Emma lhe fez uma careta um pouco infantil.
- Dá-me igual ser vulgar - afirmou isso - hei tido a oportunidade de comprovar que a beleza pode converter-se em um terrível inconveniente. Agora, de verdade, é preciso que vá Nicolas. Estando você perto nenhum homem se atreverá a acercar-se a mim.
- Seja quem é que esperas, não ficará mais tempo que os outros.
- Este sim- lançou ela com desafio.
- Alguma vez ficam - insistiu ele com desenvoltura - Rechaças a todos à medida que se apresentam, por que o faz?
Emma avermelhou violentamente e apertou os lábios. A flecha tinha acertado o alvo. Para já três temporadas que tinha sido apresentada em sociedade, se não se comprometia logo seria rapidamente considerada com um caso desesperado e acabaria sendo uma solteirona.
- Não sei porque necessito um marido - replicou - Eu não gosto da idéia de pertencer a alguém. Deve pensar que sou muito pouco feminina, não é assim?
- Parece-me muito feminina.
- É um elogio ou te está burlando por mim? - perguntou ela arqueando suas douradas sobrancelhas - contigo sempre é difícil sabê-lo.
- Nunca rio de ti Emma. De outros sim, mas de ti nunca.
Ela emitiu um suspiro de perplexidade.
Nicolas se aproximou dela, ficando sob a luz.
- Agora vais voltar comigo para dentro e te reunirá com os outros convidados. Além de ser o anfitrião, sou primo longínquo teu, não posso te deixar aí fora sem acompanhante.
- Não tente alegar um parentesco longínquo entre nós, só é um parente de minha madrasta, nós não temos nenhum vínculo de sangue.
- Somos primos por aliança - insistiu ele.
Emma esboçou um sorriso. Como membros da mesma família podiam falar sem fingimentos, chamar-se por seus nomes e conversar sem necessidade de um acompanhante.
- Como deseja, Sua Alteza.

Série Os Stokehurts
1 - O Anjo da Meia-noite
2 - O Príncipe dos Sonhos
Série Concluída

Encontro Com A Felicidade





O duque de Eaglefreld aproximou-se do rio cristalino, onde os salgueiros debruçavam-se sobre as águas calmas que espelhavam o céu azul. 

Encantado com o cenário mágico, Theo Eaglefreld pensou estar sonhando ao ver, à beira do rio, uma linda jovem com reflexos do sol nos cabelos dourados e a pele alva se destacando na paisagem. 
Numa fração de segundo ele percebeu que ela, desesperada, tencionava jogar-se nas águas geladas. 
Sem pensar em mais nada, envolveu-a em seus braços, tentando salvá-la de tão cruel destino!

Capítulo Um

1827
O duque de Eaglefield caminhou ao longo da extensa janela do salão de festas e afinal se viu no jardim.
Ele se afastou bastante da casa, por isso a música que tocava ao longe quase não se ouvia.
Sentou-se e contemplou o mar.
A estrelas começavam a pontilhar o céu e a lua já despontava por detrás das árvores. À luz prateada, tudo parecia ainda mais romântico.
O duque, no entanto, mal se dava conta da beleza que tinha a seu redor. Sentado no banco de madeira, pensava no fato de ter fugido das festividades.E tais festividades arrebatavam tanto o rei, a ponto de ele promover uma festa após outra no Pavilhão Chinês em Brighton.
Para a maioria das pessoas, o palácio por si só era fantástico, apesar de inapropriado para a Inglaterra.
A mobília, apesar de valiosa, não condizia com os costumes ingleses.A maior parte dos móveis era oriunda de Carlton House.
Na época, como príncipe-regente, o rei fora criticado por suas preferências e muitos comentários foram feitos a respeito da fortuna que ele tinha gasto no palácio.O salão de festas, onde ele recepcionava os convidados aquela noite, primava pela ostentação.
Somente o príncipe-regente poderia ter imaginado algo tão fantástico como os enormes candelabros em forma de nenúfar.Á parte externa do pavilhão lembrava o Kremlin de Moscou.
No salão de festas havia um dragão de prata que espreitava os convidados por detrás de várias palmeiras gigantes.E, além de tudo, as chacotas, o riso das mulheres e a música estridente da orquestra eram mais do que o duque podia suportar.Portanto, fugira da festa no momento em que percebeu que ninguém sentiria sua falta.Naquele momento ele se limitou a respirar fundo o ar salgado que vinha do mar.
Se queria ficar sozinho, porém, não foi feliz. Logo ouviu passos atrás de si.O conde enrijeceu o corpo, contrariado com a intromissão.Uma voz então disse:
— Vi quando deixou a festa às escondidas, Theo. O que faz aqui?
O duque deixou escapar um suspiro de alívio.
O intruso era Harry Hampton, um grande amigo, por quem nutria profunda afeição.
Ambos haviam crescido juntos e frequentado o Eton no mesmo período.
Após deixarem Oxford, reuniram-se à Household Brigade.
O duque, porém, deixara de ser soldado desde o momento em que herdara o título.Pelo fato de ter perdido a companhia do amigo, o conde insistira para que ele se demitisse do exército.
Harry sentou-se ao lado do duque.
Qualquer pessoa que os olhasse, enquanto estavam juntos, concluiria que eram os homens mais elegantes que a Inglaterra já vira. O duque, em particular, era um jovem muito atraente. Seus cabelos eram negros, os quais ele penteava para trás da cabeça, deixando à mostra a testa decidida e as feições clássicas.
Harry era também um belo jovem, e os dois tinham a mesma estatura. Por serem de porte atlético, havia leveza e virilidade em seus movimentos.
— Por que veio aqui para fora? — Harry quis saber. — Lady Antônia se tornou enfadonha?
— Sinto-me entediado — o duque explicou —, entediado por ter de rir sempre das mesmas piadas, apreciar a mesma comida, a mesma música e, se quer saber a verdade, de ver sempre os mesmos rostos!
Harry riu.
— Sei o que quer dizer — ele respondeu —, mas me diga, que outra alternativa temos?
— É essa a pergunta que tenho feito a mim mesmo sem achar resposta — o duque argumentou.
— Alguém deve tê-lo aborrecido para que esteja assim, tão mal-humorado — Harry observou pensativo. — Eu vi quando lady Antônia começou a flertar com alguns homens, cujos nomes agora não me lembro.
— Ela quer que eu sinta ciúme — o duque observou —, e tudo porque deseja que eu lhe presenteie com os cavalos alazão que trouxe na semana passada de Penny Wakehurst.
— Mas você só montou esses animais uma vez, pelo que sei — Harry exclamou.
— Sei disso — o duque replicou —, mas sabe como é Antônia quando cisma com algo. Jamais descansa enquanto não atinge seus objetivos!

1 de novembro de 2014

O Anjo da Meia-noite

Série Os Stokehurts

A cidade inteira exigia sua morte. Seria executada ao amanhecer acusada de assassinato.

As provas eram determinantes, tinham encontrado Tasia coberta de sangue ao lado do cadáver do seu prometido, o príncipe Mikhail. Mas Tasia não se lembrava de nada.
Graças à ajuda de uma criada consegue fugir encontrando refúgio na Inglaterra como professora da filha de lorde Stokehurst.
Sua vida dá um giro de 180 graus. Adeus à rica herdeira comprometida com um príncipe de sangue real, destinada a reinar sobre uma legião de criados. Agora a criada era ela e devia servir a um homem acostumado a obter tudo o que deseja incluindo a própria Tasia.
E ela não era indiferente ao charme de seu chefe.
Poderia fugir eternamente de seu passado e dos ditames de seu coração?

Capítulo Um

Londres, Inglaterra
Lady Ashbourne retorcia as mãos com nervosismo.
- Tenho uma ótima noticia para lhe dar Luke, encontramos uma dama para ser a governanta de Emma. Uma maravilhosa jovem, inteligente e com uma educação irretocável perfeita em tudo. Tem que vê-lo por ti mesmo.
Lorde Lucas Stokehurst, marquês de Stokehurst sorriu com ironia.
- Eis o motivo por ter sido convidado a vir aqui hoje. E eu que acreditei que era por minha encantadora conversa.
Fazia cerca de meia hora que estava bebendo chá e falando tolices no salão dos Ashbourne no Queen´s Square.
Charles Ashbourne, seu melhor amigo desde que estudaram juntos em Eton, era um homem encantador, dotado com um estranho talento: sempre via o melhor de cada pessoa, qualidade que não compartilhava Luke. Ao saber que seu amigo estava passando o dia em Londres o tinha convidado a lhe visitar quando acabasse com seus compromissos.
Assim que pôs os pés em sua casa, Luke soube que queriam lhe pedir um favor.
- É perfeita - repetiu Alice - Não é verdade Charles?
Charles assentiu com entusiasmo.
- Certamente querida.
- Saiu tudo tão mal com a governata anterior - continuou Alicia - que tentei encontrar uma boa substituta. Sabe o muito que quero a sua filha e o muito que ela se lembra de sua mãe.
Titubeou um momento.
- OH Deus, não queria te recordar a Mary!
O sombrio rosto de Luke continuou imperturbável. Tinham passados vários anos desde a morte de sua mulher, mas ainda sofria quando alguém pronunciava seu nome. E seria assim até o último dia de sua vida.
- Continue – disse em tom neutro – Fala-me desse modelo de virtudes.
- Chama-se Karen Billings, embora tenha vivido a maior parte de sua vida no estrangeiro, escolheu viver na Inglaterra. Viverá conosco até que lhe encontremos um trabalho adequado. Em minha opinião, é o bastante amadurecida para proporcionar a Emma toda a disciplina que necessita, e ao mesmo tempo é o bastante jovem para ganhar a simpatia da menina. Assim que a veja compreenderá que é exatamente o que necessita, estou segura disso.
- Muito bem.
Luke terminou seu chá, esticou suas longas pernas e disse:
- Me mande suas referências, darei uma olhada assim que tenha tempo.
- Bem… há um pequeno problema.
- Um pequeno problema? - repetiu Luke levantando as sobrancelhas.
- Não tem nenhuma carta de recomendação.
- Nenhuma?
O pescoço de Alicia se tingiu de rosa por cima das rendas do vestido.
- Prefere não falar de seu passado. Por desgraça não posso te dizer por que, mas confie em mim.
Depois de um breve silêncio Luke começou a rir.
Era um homem bonito de uns trinta e cinco anos com o cabelo negro e os olhos muito azuis. Entretanto seu rosto era mais atrativo por sua virilidade que por sua beleza, a expressão de sua boca era severa e seu nariz um pouco maior do que o habitual. Tinha o sorriso levemente irônico de um homem que não leva a si mesmo a sério e eram muitos os que tentavam imitar seu cínico encanto. Quando ria como agora, a alegria não alcançava realmente a seus olhos.
- Já ouvi o bastante Alicia. Certamente deve ser uma excelente governanta, um tesouro. Assim espero que outra família se aproveite desta joia.
- Antes de te negar, fale ao menos com ela.
- Não. Só me resta Emma e quero o melhor para ela.
- Miss Billings é a melhor.
- Só é uma protegida sua - objetou Luke com ironia.
- Charles…

Série Os Stokehurts
1 - O Anjo da Meia-noite
2 - O Príncipe dos Sonhos
Série Concluída

29 de outubro de 2014

Coração Highland

Série Irmãs McAlpin

Jamie MacDonald tinha uma tarefa solitária e perigosa, unir os clãs rivais das montanhas contra a conspiração de um traidor. 

Sua busca desesperada por aliados o levou ao Clã Gordon e, contra o bom senso, para os braços de Lindsey Gordon, filha orgulhosa e obstinada.
De temível reputação o gigante de barba ruiva que chamavam de Heartless MacDonald, a ela pouco importava com sua rudeza.
No entanto, mesmo quando debateu-se em seu abraço indesejado, ansiava o coração nobre deste guerreiro.

Capítulo Um

Terras Altas da Escócia, 1566
No exterior de Kinloch House os soldados das montanhas ficaram lado a lado, guardando a fortaleza, ignorando o frio de março, assistindo a morte.
Eles não sairiam enquanto restasse fôlego em seu líder.
No interior, Brice Campbell, conhecido em todo o país como o Highland Bárbaro, jazia mal apegando-se à vida.
Mensageiros viajavam até os extremos confins da terra para chamar os amados de seu líder, Correndo contra o tempo, deixando-o com sua amada esposa, Meredith.
Da Inglaterra tinham vindo Brenna MacAlpin e seu marido, Morgan Grey, e seus dois jovens filhos. Da Irlanda, a filha Megan MacAlpin e seu marido, Kieran O'Mara, e seu primeiro filho, Sean.
Chefes das montanhas com os seus soldados ocupavam os arredores da fortaleza antiga. Alguns, como Angus Gordon, amigos de infância, cujo coração estava pesado. Outros, que tinham tido o privilégio de lutar ao lado deste nobre rebelde, esperavam e observavam em silêncio chocado.
O vento varreu descendo pela chaminé, espalhando cinzas e faíscas. Uma chama. Explodiu e quase morreu, então serpenteava ao longo da casca de um tronco até saltar em uma chama de luz.
Os homens e mulheres se abraçavam, todos buscando ou dando conforto.
Crianças, rapidamente superavam sua timidez, falando em muitos dialetos estranhos, se familiarizando. Mas até mesmo suas vozes eram estranhamente constritas, pois sentiam a melancolia da ocasião.
Os servos moviam-se ao redor como se estivessem em transe. Um aglomerado de cães cercava a lareira, olhando nervosamente para cada par de pés.
O silêncio foi quebrado pelo som das enormes portas da frente sendo abertas. Um momento depois, um gigante de barba ruiva parou no limiar.
Seu olhar passou pela sala, em seguida, levantou o olhar à mulher que descia as escadas. Sua figura era magra como de uma donzela. Seu vestido de cetim vermelho, parcialmente coberto pela manta Campbell. Cabelo castanho grosso alastrado sobre o ombro. Carregava uma criança nos braços. Entregando a criança a um servo, correu para a frente.
— Oh, Jamie. Louvores aos céus, você veio. A bela lady Meredith agarrou-o em um abraço caloroso.
— Eu temia que você não chegasse a tempo.
— Eu vim assim que seu mensageiro chegou. Ele estudou-a: Olhos vermelhos e linhas finas ao redor da boca. Vendo o cansaço gravado nas belas características de Meredith, ele puxou-a em seus braços e apertou os lábios em seu cabelo. Ela era a coisa mais próxima de uma mãe que conhecia. Ele tinha sido muito feliz quando, anos antes, seu pai adotivo havia caído de amores por ela e concordara em deixá-lo em casa com ela em Kinloch House.
— Brice ...ele não podia dizer as palavras sobre Brice Campbell viver ou morrer. A pergunta não formulada pairando sobre eles.
— Ele está gravemente ferido. Mas ele vive. Ela viu o alívio no rosto de Jamie.
— Você o curou de ferimentos graves antes, Meredith. Ele vai melhorar; você vai ver. Você é sua razão de viver.
— Sim. Rezo que assim seja. Mas seu destino está nas mãos de Deus. Ela piscou para conter as lágrimas que ameaçavam.
— Brice insiste em vê-lo assim que chegar.
— Sim. Gostaria de vê-lo agora. Ela levantou a saia e mostrou o caminho. Seguindo- a até as escadas disse com firmeza: — Fale-me deste estranho ataque. Seu mensageiro disse ser na própria casa da rainha. É certo isso
— Sim. Meredith parou no topo da escada.
— Nós fomos convidados para jantar com Mary em Holyrood. Ela está confinada estes dias, uma vez que está grávida. Com um leve sorriso, ela acrescentou, Mary sempre teve a companhia de Brice. E agora que seu casamento com o senhor Darnley é tão infeliz, velhos amigos a rodeiam torcendo por ela.
À menção de Darnley, o franzir da testa de Jamie se aprofundou. Ele tinha ouvido os rumores sobre o marido da rainha. Bebedeira, jogos de azar, mulheres.
Se a metade fosse verdade, o casamento estava quebrando o coração terno da pobre jovem rainha.
— Durante o jantar, lord Ruthven cambaleou. Primeiramente temíamos que ele tivesse bebido cerveja demais. Mas depois, vendo o punhal na mão, Brice empurrou a mesa para barrar seu caminho. Mas no mesmo momento senhor Darnley apareceu com vários outros nobres. Ao vê-los, Brice apressou-se em defesa de Mary, percebendo que significava um ataque.
Jamie sentiu seu coração parar.
— Será que a nossa rainha foi ferida?
— Não, graças a Deus. Graças apenas a Brice. Mas pobre Riccio.
— É verdade, então, que o secretário de Mary morreu?
— Sim, Meredith sussurrou, suprimindo um arrepio.
— George Douglas utilizou a própria adaga de lord Darnley para o ato sangrento. Ele e lord Ruthven devem ter esfaqueado o jovem Riccio mais de cinquenta vezes antes de arremessar seu corpo escada abaixo. A rainha estava perto da histeria.
— E Brice? Os olhos de Jamie se estreitaram.
— Qual deles segurava a faca que causou as feridas?
— No meio da confusão, eu não podia ver. Havia servos chorando, e a própria rainha estava ajoelhado sobre o corpo de Brice, gritando por ele.O amado bárbaro highlander. Meredith tremeu.
— Eu não vi quem infligiu os ferimentos. Mas o estrago é grande.
Quando chegaram à porta da câmara, Meredith virou.
— Você não deve exigir demais de sua força. Ele perdeu muito sangue.
Não era a natureza de Jamie sentir medo. Nos últimos anos, combatera na fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, tornara- se conhecido como um guerreiro destemido. Ele sabia o que os outros o chamavam quando pensavam que ele não podia ouvir.
O MacDonald Heartless. Sim, ele era sem coração no meio da batalha.
Mas ao ver que o esperava, sentiu seu coração parar.
Era como se suas veias, de repente se tivessem transformado em gelo. Ele estudou o rosto do homem que era o único pai que ele nunca tinha conhecido, agora deitado indefeso como um bebê pequenino.
A cabeça de Brice estava envolta em ataduras.
Sangue infiltrava através das camadas de bandagens recentes. Uma tala foi colocada rigidamente ao seu lado, coberto com lençóis espessos. Seu peito subia e descia em cada respiração ofegante.
Jamie parou por um momento, lutando contra os sentimentos que rasgavam através dele.
Medo, raiva, impotência. Deixando de lado suas emoções, se ajoelhou até que seu rosto estava perto de Brice.
— Eu estou aqui, ele sussurrou.
Ele viu quando as pálpebras do homem mais velho piscaram, depois abriram. Havia uma palidez mortal em sua pele.
— Eu sabia que você viria.
A voz de Jamie tremeu com fúria.
— Eu preciso de apenas um nome e eu vou vingá-lo desse crime terrível. Diz-me quem empunhou a adaga. Ao cair da noite o seu inimigo vai morrer em seu próprio sangue.
— Não. É mais do que vingança você deve procurar. A mão que agarrou a manga de Jamie foi surpreendentemente fraca. O homem, que tinha resistido ao ataque de exércitos, que havia ampliado sua fortaleza nas montanhas e a defendido contra todos os ataques, agora estava fraco demais para cerrar o punho.
Os olhos de Brice, embora vidrados de dor, fitaram Jamie com o velho aspecto familiar de comando.
— Escute bem. Sua primeira preocupação deve ser a nossa rainha, que era o verdadeiro alvo do ataque.
— Ruthven mataria nossa rainha?
— Não apenas Ruthven. Brice se esforçou para falar apesar a dor que o assolava com cada palavra.
— Eu não confio em Darnley. Não confio em ninguém para manter a Rainha em segurança, somente você.
— Darnley!

Série Irmãs McAlpin
1 - A Prisioneira do Castelo
2 - Uma Rebelde na Corte
3 - Prisioneira do Esquecimento
4 - Coração Highland
5 - Guerreiro Amante
6 - O Inimigo
Série Concluída