17 de janeiro de 2018

Confia em Mim

Lady Josephine HillRose passou toda sua vida cercada por rumores de que é ilegítima.

E a origem desses rumores não é ninguém mais ninguém menos que o Conde de Bideford, seu suposto irmão. 
Provar que ele estava errado e que tinha que confiar nela, era mais difícil do que havia imaginado.





Capitulo Um

Josephine Anne HillRose voltou-se lentamente para que sua mãe a observasse. Estava provando o vestido de sua apresentação em sociedade, que certamente seria o mais importante de sua vida depois do de suas bodas. Era totalmente branco, como ditava a tradição.
Ajustado ao corpo, ressaltando sua estreita cintura, ainda mais estreita pelo espartilho de barbatanas de baleia que vestia. Nunca vestira um e era realmente incômodo. A volumosa saia caía de sua cintura até o chão com bordados de flores, ocultando as maravilhosas sapatilhas de baile com bordados combinando.
— Esse decote não me agrada. — disse sua mãe muito séria.
Franziu o cenho olhando-se no espelho. Seus alvos peitos se mostravam mais que normalmente, mas conforme dizia a costureira, era a moda. Com um decote mais recatado nem a olhariam.
— Mamãe, não se supõe que devo exibir a mercadoria?
— Não seja desbocada, menina. — sua mãe ofendida colocou-se atrás dela segurando o decote e levantando-o um pouco. Não se moveu nem um centímetro.
— É feito sob medida, Condessa. Não se moverá. — a costureira a olhava como se a tivesse ofendido e sua mãe a ignorou voltando a fazê-lo.
— Aiii…! Mamãe, machucou-me!
— Perdoa, filha. — disse a mãe preocupada olhando seu decote. As ligeiras mangas, que se ajustavam aos ombros fazendo terminar o decote em V, estavam bordadas como a saia. — Se as mangas fossem maiores...
— Milady, é perfeito e está preciosa. Não penso trocar meu desenho.
A Condessa a fulminou com o olhar.
— Posto que pago, fará o que eu diga.
— Não pondo em risco minha reputação!
Ambas eram muito teimosas. Josephine sabia que a costureira era uma das melhores de Londres e se a ofendesse nunca iria lhe fazer outro desenho. E sua mãe nunca se intimidou ante ninguém, era uma das anfitriãs mais temíveis de Londres. Uma má crítica de July Anne HillRose, Condessa de Plimburd, e estava morto socialmente. Sua mãe não era má, mas se alguém proferia um comentário mal-intencionado sobre sua família em sua presença, já se sabia que acabaria com ele.
Assim Sefi, como a chamava a família, tinha que contê-las antes que ficasse sem vestido de apresentação. Olhou-as com seus olhos azuis e com um sorriso nos lábios.
— Acalmem-se. As duas. É um vestido precioso e ficou bem, mamãe.
A Condessa agarrou um de seus cachos negros colocando-o sobre o ombro até ficou como ela desejava.
— Menina, quero que seja a sensação da temporada e com esse vestido o será. Mas para o mal.
Ela pensou que de todas maneiras a poriam verde, mas ainda assim sorriu:
— Para isso você estará ali, para que ninguém diga algo inapropriado.
Abraçou sua mãe. Eram tão distintas como o dia e a noite. A Condessa era loira e de olhos castanhos, enquanto que ela era morena e de olhos azuis. 
Os que não as conheciam, não acreditavam que eram mãe e filha e, como seu pai era loiro e de olhos verdes, esse rumor a tinha açoitado toda a vida.
Primeira filha do Conde de Plimburd, nasceu nove meses depois de seu matrimônio, mas os rumores mal-intencionados disseram que a Condessa deu à luz antes do tempo e que tinham ocultado para proteger sua reputação. Embora a avó de Sefi, a Condessa viúva, fosse igual a ela, não tinha nada que ver. Isso era apenas uma casualidade.
A porta se abriu de repente e sua irmã Judith de seis anos entrou na estadia com um bolo de chocolate na mão. Seus dedinhos estavam cheios de chocolate e as três ficaram a gritar horrorizadas ao ver que se aproximava. 
Judith arregalou seus olhos castanhos e as olhava como se estivessem loucas. Gladys, sua irmã de dez anos, passou por ali com um livro na mão, levantou os olhos mas as ignorou por completo sem deter-se. Regina apareceu e a fitou impaciente.
— O que faz aqui? — perguntou sua irmã de dezesseis anos — Disse que ficasse lá embaixo.
— Queria ver o vestido de Sefi — disse com a boca cheia de chocolate.
— Por Deus! Tire-a daqui, milady! — disse a costureira colocando-se à frente de Sefi, que começou a ver quão divertida era situação. Sua mãe e a costureira se aliaram para proteger o vestido.
Regina as observou divertida.
— O que me dão em troca?
— Regina Steffani HillRose, está ganhando um castigo e Judith também!
Sua irmã que não era parva agarrou Judith pela mão.
— Está bem, não têm senso de humor.
— O que ocorre aqui? Não se pode trabalhar com tanta gritaria. — seu pai observou suas filhas e sua esposa diante de Sefi e entendeu rapidamente o que tinha ocorrido.
— Meninas, desçam.
Uma ordem de seu pai se cumpria no ato e suas irmãs saíram rapidamente. O Conde olhou a filha e sorriu.
— É seu vestido de apresentação?
— Charles, não sei se você gostará de...


8- Confia em Mim
(esta série é independente- podem ler fora de ordem)

12 de janeiro de 2018

A Quaker e o Rebelde

A vida de Emily Harrison foi virada de cabeça para baixo.

No início da Guerra Civil, ela tentou bravamente continuar o trabalho de seus pais como condutores no Underground Railroad até que sua fazenda em Ohio foi vendida por hipotecas.
Agora sozinha, ela aceita a posição de governanta da família de um médico na Virgínia escravagista. Talvez possa continuar seus esforços de resgate de lá.
Alexander Hunt é o belo sobrinho do médico. 
Embora não negue a atração crescente pela mais recente empregada de seu tio, ele não pode perder tempo perseguindo Emily. Alex não é nada do que parece ― rico, mimado e indolente. Ele é o esquivo fantasma cinzento, um líder Quaker2 de guerrilheiros rebeldes. 
Um homem das sombras, ele não carrega nenhuma arma de fogo e acredita de todo o coração nas convicções abolicionistas de Emily.
O caminho diante de Alex e Emily é complicado e às vezes ameaça sua vida. A guerra traz traição, aprisionamento e perigo para ambos. Em meio a seus crescentes sentimentos um pelo outro, eles podem encontrar fé em Deus entre os desafios que enfrentam e confiar na possibilidade de um futuro brilhante juntos?

Capítulo Um

Verão 1861, Ilha Bennington, no rio Ohio
― Senhorita Harrison? ― perguntou uma voz suave. ― Por favor, entre e sente-se.
Emily, examinando o teto boquiaberta, olhou espantada na direção da voz. Ela pensou que tinha sido levada a um quarto vazio para esperar, mas uma pequena mulher estava sentada perto das janelas em uma cadeira de vime com rodas. Ela correu para o lado da mulher, balançou a cabeça e então dobrou o joelho em uma pequena reverência.
― Sra. Bennington ― disse ela. Em sua vida Emily nunca tinha feito uma coisa dessas. Ela só tinha visto uma reverência em apresentações de teatro, mas a surpreendente elegância da casa parecia justificar uma.
― Oh. Que maneiras adoráveis você tem, ― disse a mulher, batendo levemente em uma cadeira ao lado dela.
― Obrigada, madame. ― Disse Emily, pousando na borda. Julgava que a sra. Bennington tinha em torno de trinta e cinco anos, mais jovem do que sua mãe tinha sido, com uma testa sem rugas, olhos verdes e cabelos loiros escuros. Delicada, assim mamãe a teria chamado.
― Suas cartas de referência da Sra. Ames e da senhorita Turner brilharam com elogios por suas realizações. Meu marido e eu estamos contentes por você ter vindo à nossa ilha de remanso para polir as arestas ásperas de nossas meninas. Ambas frequentaram a escola secundária em Parkersburg durante seis meses do ano e nós tivemos tutores aqui, mas agora elas precisam de refinamento. Elas ainda correm soltas pelo jardim como selvagens. Annie, especialmente, precisa aprender comportamento. ― A sra. Bennington respirou fundo e suspirou. ― Estou ciente da sua perda, senhorita Harrison. E com o tempo espero que venha nos considerar como a sua família.
Surpresa pela declaração, Emily recuou da aristocrata cheirando a lavanda. ― Como estou prestes a casar, receio que a situação seja temporária, sra. Bennington. Quando meu noivo retornar de Washington, devo voltar para casa em Marietta.
Ela sabia que sua voz soou arrogante, mas não se conteve. A partir do momento em que a barcaça virou, contornou a curva e ela viu a plantação dos Bennington, estava em um terreno desconhecido. Uma carruagem estava esperando na doca para levá-la à mansão. Em seguida, um senhor negro e idoso, com roupas mais finas do que as usadas por seu pai, abriu a porta, curvou-se e conduziu-a a um vestíbulo maior do que toda sua casa.
Mármore rosa e creme jaziam sob seus pés e um lustre de cristal suspenso projetava padrões arlequim nos degraus polidos para o segundo andar. O mordomo teve que lutar com sua maleta enquanto ela ficou boquiaberta olhando ao seu redor.
O mordomo falou o inglês da rainha perfeito, sem um traço de gíria que ela esperaria de um escravo. Ele era um escravo, não era? Ela seguiu-o pelo salão e aqui estava ela ― comportando-se rudemente com sua nova empregadora, sem outras opções para seu futuro.
― É claro, senhorita Harrison. Ficaremos felizes em tê-la por tanto tempo quanto possível.

O Segredo de Pemb.Park

Segredos e omissões. Sombras e ruídos. Fantasmas e farsantes. Verdades e subterfúgios. Amor ou… morte?

Abigail Foster é uma mulher prática. Teme acabar solteirona, até porque o seu pequeno dote e o fato de que o único homem que ela acreditava que pediria a sua mão, um amigo de toda uma vida, parece que se apaixonou pela sua irmã caçula, mais bonita do que ela. Enfrentando a ruína financeira, Abigail e o seu pai procuram alojamento mais modesto, até que um estranho advogado aparece com uma oferta irrecusável: viver em uma longínqua casa senhorial que está abandonada há dezoito anos. Os Foster empreendem viagem para a imponente mansão de Pemb.Park e, ao chegar, encontram-na tal e qual como os seus últimos habitantes a deixaram, em sua repentina partida: as xícaras de chá ressecadas, as camas desfeitas, uma casa de bonecas abandonada a meio de uma brincadeira…
Apesar do atraente pastor do povoado dar-lhes as boas-vindas, tanto ele, quanto a sua família parecem saber algo do passado da casa, mas a única informação que dão a Abigail é uma advertência: cuidado com intrusos que possam chegar atraídos pelos rumores de que em Pemb.Park há um quarto secreto que alberga um tesouro.
Com a esperança de melhorar a situação financeira de sua família, Abigail procura o quarto secreto, mas a chegada de cartas anônimas dirigidas a si mesma, com pistas a respeito de dito quarto e informações assombrosas sobre o passado da casa, levam-na a descobrir coisas muito mais surpreendentes.
Quando os segredos saírem à luz, poderá Abigail encontrar o tesouro e o amor que tanto busca… ou um perigo muito real a espera?

Capítulo Um

Março 1818

O estojo estava aberto sobre a secretária. As esmeraldas verdes brilhavam fazendo contraste com o veludo negro do forro. Tinham herdado o conjunto de colar e bracelete por via da família Foster. A família de sua mãe não tinha pedra preciosa alguma para transmitir. E logo nenhum dos dois lados da família teria.
Quando o seu pai fechou o estojo, Abigail fez uma careta de dor, como se acabassem de dar-lhe uma bofetada.
― Despeçam-se das joias da família ― assinalou o seu pai ― Suponho que terei de vendê-las com a casa.
De pé, de frente para a secretária, Abigail apertou os punhos.
― Não, papai, as joias não. Tem de haver outra forma de… Tinha quase passado um ano desde que Gilbert se fora da Inglaterra. Tempo durante o qual também tinha completado o seu vigésimo terceiro aniversário. Na véspera da partida dele, quando ela predisse a incerteza de seu futuro, não havia pensado vir a estar tão certa.
No que tinha estado pensando? Só porque dirigia uma casa grande e tinha o pessoal a seu cargo, não significava que soubesse alguma coisa sobre investimentos. Considerava-se uma dessas pessoas que estava acostumada a avaliar as coisas com cuidado, a ponderar os prós e os contras antes de atuar, quer se tratasse da escolha de uma nova costureira, quer da contratação de uma nova criada. 
Abigail era a filha sensata e sempre se orgulhou de tomar as decisões mais lógicas. Por isso a sua mãe tinha delegado a ela a maior parte das decisões referentes à gestão do lar. Até mesmo o seu pai tinha a sua opinião muito em conta antes de fazer qualquer coisa.
Agora estavam à beira da ruína… e tudo por sua culpa. Fazia pouco mais de um ano que tinha encorajado o seu pai a investir no novo banco do tio Vincent. O irmão de sua mãe era o seu único tio e sempre tinha tido muito carinho por ele. Era um homem encantador, entusiasta e um eterno otimista. 
Ele e os seus sócios, o senhor Austen e o senhor Gray, eram proprietários de outros dois bancos e quiseram abrir um terceiro. O tio Vincent tinha pedido a seu pai que o avalizasse com uma importante soma de dinheiro e este, influenciado pela própria Abigail, tinha aceitado.
Inicialmente, os bancos foram um sucesso. Mas os sócios começaram a contrair empréstimos excessivos e muito arriscados, chegando mesmo a contraí-los entre si. Com o tempo, conseguiram vender um dos bancos, mas tiveram muitas dificuldades para manter os outros dois. O banco novo terminou a sua atividade em novembro e fazia apenas uma semana que o primeiro banco tinha falido, o que obrigou os sócios a declararem bancarrota.
Abigail mal podia acreditar. Seu tio tinha estado tão convencido de que os bancos funcionariam que a tinha contagiado com o seu entusiasmo.
Sentado em seu escritório, seu pai colocou o estojo a um lado e deslizou um dedo pelo livro de contas.
Ela esperou o seu veredicto com as palmas suadas e o coração pulsando rapidamente.
― É muito grave? ― perguntou, retorcendo as mãos.
― Bastante.
 




9 de janeiro de 2018

O Reformador Relutante

Todos conheciam Lady X ... ou, pelo menos, todos sabiam de sua existência. 

A cortesã mascarada era uma nobre mulher caída em difículdades. O que Lorde James não sabia era que ela era Lady Margaret Wentworth ― a irmã decidida de seu melhor amigo. Gerald afirmava que sua irmã era linda, virtuosa, ingênua; e ele forçou James a um juramento de proteção. Mas quando James rastreou a menina até uma casa de má reputação, que outra explicação poderia haver, exceto que Maggie era o mais enigmático da moda de Londres?
Arrebatar a moça seria um negócio delicado, e depois disso as coisas ficaram mais difíceis. James teve que ignorar os violentos protestos de sua presa, que ele era um idiota, que ela nunca foi a infame X. 
Ele tinha que encontrar uma maneira de reformar a moça espevitada, para salvá-la do escândalo. Ele tinha que se afastar de sua própria tia intrometida ― tudo, enquanto mantinha suas mãos afastadas dessas formas voluptuosas que o resto da sociedade tinha provado. E, com Maggie, o mais difícil de tudo seria manter...

Capítulo Um

Londres, Março de 1815.
Maggie trocou seus pés ligeiramente, tentando aliviar a dor que sua posição apertada estava causando em suas pernas. O pequeno movimento foi suficiente para levá-la a bater os joelhos contra a porta do armário em que atualmente estava sentada, fazendo-a chocalhar e estremeceu com a dor que subiu pela perna dela. Maggie estava ocupada esfregando a perna quando a porta do armário se abriu e uma luz de vela veio suavemente sobre ela.
― Pare de ficar batendo assim, ou eu serei obrigada a retirar você daí de dentro.
Cessando a fricção em sua perna, Maggie conseguiu um sorriso de desculpas para a mulher jovem e seminua que estava olhando para ela.
― Sinto muito ― ela começou em tom conciliatório, depois parou e soltou um suspiro. Ela endireitou-se e começou a sair do pequeno armário. ― Não, na verdade, eu não sinto er… Daisy?
― Maisey ― a menina a corrigiu.
― Sim, bem… Maisey, então ― disse Maggie. A menina apresentava um ar que era irritante, como eram as rugas que Maggie estava inutilmente tentando escovar fora de seu vestido.
― Isso tudo é realmente um pouco bobo, e muito além da informação para o qual eu estava procurando. Tudo o que eu realmente queria era que…
O som de uma batida na porta fez com que Maggie fizesse uma pausa alarmada. A jovem mulher diante dela endureceu, então o aço parecia entrar em seus olhos e ela empurrou Maggie com firmeza para o armário. Maggie pousou de costas dentro do armário com um grunhido.
― É tarde demais para mudar sua mente agora, milady ― anunciou ela, inclinando-se para enfiar os pés de Maggie dentro do armário, antes que ela pudesse recuperar o equilíbrio. ― Madame diz que é para você assistir, e você vai. Agora, mantenha a calma ― ela disse em um silvo. A porta foi empurrada e fechada com um estalo decidido.
― Maldição ― disse Maggie em voz baixa. Em seguida, lutou por uma posição sentada. A porta sacudiu ligeiramente, quase cobrindo o som de um parafuso sendo deslizado pela casa. Pressionando um olho na fresta, aonde as portas não chegavam a encostar, ela viu Maisey acenando com um grunhido de satisfação, girando e se afastado para atender a porta. Franzindo a testa, Maggie levantou a mão para empurrar experimentalmente para frente, mas a porta permaneceu firmemente fechada. A garota tinha trancado ela no armário!
“Bem, isto é uma bela maldição” ela pensou irritada. “Brilhante! Eu costumo entrar em dificuldades, não?”
Não que ela poderia ter saído agora, de qualquer maneira. Maggie se considerava uma jovem moderna, altamente inteligente, independente e sem se importar com o que os outros pensavam dela, mas só até certo ponto. Até alguém, completamente moderna como ela era, hesitava em chamar deliberadamente a ira e desprezo da Tonelada sobre si mesma. Especialmente quando ela apenas tinha que sentar-se calmamente por um tempo curto, para evitar o escândaço. A paciência não era uma de suas virtudes naturais, mas ela tinha tentado cultivá-la ultimamente. Sim, ela simplesmente tinha que olhar para isso como uma oportunidade para se desenvolver. Uma experiência de aprendizagem, por assim dizer.
Ela mal tinha terminado esse pensamento quando lhe ocorreu que estava agachada em um pequeno armário em um dos quartos do infame Madame Dubarry's, que era um bordel, pelo amor de Deus! O que ela aprenderia neste quarto… bem, ela só não sabia ainda!

8 de janeiro de 2018

Minha Princesa Viking


Maisey toda a vida suportou o ódio de seu povo por causa de seu pai. 

Quando os vikings atacaram sua aldeia, viu a oportunidade que precisava para chegar até ele, mas seu sequestrador decidiu reivindicá-la como sua e fazer dela sua escrava. Talvez devesse mostrar-lhe que não iria ser fácil ...






Capítulo Um

Maisey virou na cama e choramingou enquanto sonhava. Cobriu-se com as grossas mantas, pois fazia frio e deixou que o sonho a envolvesse de novo.
Sua mãe sorria indicando o céu, mostrando estrelas enquanto a abraçava em seu colo. Seu cabelo castanho caía até o chão onde estava sentada e Maisey agarrava a uma de suas mechas.
— Olhe, meu amor! São as estrelas. — Dizia abraçando-a como só uma mãe podia fazer — Sempre lhe guiarão até onde queira chegar. Acompanharão você e sempre estarão aí.
— São bonitas. — Disse Maisey recostando-se em seu peito para olhar o céu— Olhe aquela tão grande!— Suspirou de felicidade ao vê-la.
— Tem que olhar fixamente para que lhe guiem, minha vida. Eu te ensinarei como.
— Fará isso?
— Não estou te ensinando muitas coisas?— Perguntou acariciando seu cabelo loiro liso.
— Algum dia necessitará de tudo que te ensinei.
— Quando?
— Quando eu faltar. — Disse beijando-a na bochecha— Então terá que ir procurar seu pai. Ele te ajudará.
— Eu não quero ir! — gritou zangada enrugando seu pequeno nariz.
— Isso será dentro de muitos anos. Quando for uma mulher. — Sua mãe olhou seus olhos grandes azuis. Tão claros que pareciam transparentes, rodeados por umas surpreendentes pestanas escuras — Tem que procurá-lo porque aqui não pode ficar, meu amor. Tentarão te fazer mal e necessita ser protegida . Seu pai o fará. Ele é um homem importante e cuidará de você.
Maisey com seus seis anos de idade não chegava a compreender tudo o que sua mãe dizia e esta sorriu — Não se preocupe, com os anos entenderá e dará importância. Será duro, mas fará o que te digo. — Acariciou sua ruborizada bochecha e Maisey sorriu.
— Como é papai?
Sua mãe sorriu com tristeza — Me perguntaste isso mil vezes.
— Conta-me.
— É um guerreiro de enorme força. Seus braços são como troncos de árvore e mede tanto quanto nossa casinha. — Maisey arregalou os olhos — Tem o cabelo um pouco mais escuro que você, mas não muito e chega até debaixo dos ombros. Sua espessa barba não me deixava ver seu rosto muito bem. — Disse sua mãe rindo — Mas era muito bonito.— No olhar de sua mãe apareceu tristeza. A tristeza que a acompanharia toda a vida — É leal e tem palavra. — Olhou sua filha. — Isso é o importante em um homem, Maisey. Se um homem não tiver palavra, não tem valor. Tem que cumpri-la, custe o que custar.
— Sim, mamãe.
— Meu Harald teve que ir, deixando-me aqui, mas sei que me amou mais que ninguém na vida e voltou para sua terra porque tinha dado sua palavra a outra mulher. Tem família lá. Mas só confie em seu pai. — Sim, mamãe.

3 de janeiro de 2018

Somos Você e Eu

Emily Gardiner, aliás Mary Taylor, como é conhecida nas ruas do East End londrino, sobrevive como pode com os "trabalhos" pouco legais que realiza pelo centro da cidade mais cosmopolita e colorida do mundo: Londres do final do século XIX.

Emily, que mal tem 18 anos em 1890, cresceu na casa de uma grande família inglesa, onde a sua mãe é costureira a tempo integral e onde as diferenças sociais, as injustiças e o recalcitrante classismo que deveria absorver desde que nasceu, forjam nela um caráter guerreiro e independente, forte e com tanto temperamento que a empurram, aos quatorze anos, a abandonar essa vida em busca de uma nova, longe de sua mãe e rodeada de inúmeros perigos.
No entanto, embora tudo esteja contra ela, Emily Gardiner luta e sobrevive, planeia um futuro estável e independente junto a seus sócios, Molly e Winston Everhard, que serão a sua nova família e caminha com passo firme e seguro pelas convulsas ruas do centro da cidade, até que a aparição de uma personagem, completamente inesperada, lorde George Connaught, médico militar recém-chegado da Índia e filho do poderoso duque de Stevenage, altera as suas prioridades, os seus princípios, a alma e enche a sua vida de uma sensação completamente nova: amor.
George e Emily estão unidos pelo destino e apesar do abismo social que os separa, os seus caminhos se cruzam, no meio de perigosas e apaixonantes aventuras que ambos deverão viver juntos e em separado, para conseguir que o seu amor triunfe e se sobreponha aos inimigos do presente e do passado, que farão todo o possível para separá-los.

Capítulo Um

Londres, novembro de 1890
Mary Taylor e Molly Graham se embrenharam imediatamente pelas lotadas ruas do centro. Nenhuma das duas tinha ainda completado os vinte anos, eram amigas há seis e viviam juntas num quarto de uma miserável, mas limpa, pensão perto de Charing Cross, onde podiam dormir tranquilas e onde sonhavam, todo o tempo, que a vida lhes desse de presente, algum dia não muito longínquo, um pouco de fortuna.
Olhando para a sua querida amiga, Mary a agarrou pelo braço para andar mais depressa. 
Tinha sido muito má ideia brigar com Rogelia Hewitt, uma das queridas de Bob “O Carvalho”, o desgraçado pai de Fred “O Ruivo”. Aquele tipo controlava as ruas de Londres, de acordo com a sua vontade e enfrentar uma de suas amantes prediletas iria lhes custar caro; ela sabia, mas o preço valia a pena se recordasse a cara de espanto daquela mulher estúpida, depois de ter-lhe esvaziado um balde de água gelada na cabeça.
Rogelia acreditava ser uma senhora e não era mais que uma rameira com mau gosto, como dizia Molly, e ela não ia permitir que a dita cuja abusasse de ninguém, muito menos dela, que não lhe tinha feito nada, salvo nascer mais bonita e com mais classe. 
Rogelia Hewitt não podia perdoar-lhe isso e cada vez que tinha oportunidade, fazia alguma maldade. Mary já estava cansada e por fim, tinham acabado aos gritos e Hewitt empapada em plena rua. 
Mary não se arrependia de nada mas, sentia muito por Molly, que era uma vítima inocente da sua imprudência, porque o roubo daquela noite era só o princípio. Certamente Bob “O Carvalho” tinha mandado pessoalmente o seu filho para fazer-lhes mal e não parariam até enxotá-las da cidade.
Suspirou e pensou em sua mãe.
Mary Taylor na verdade se chamava Emily Gardiner. Sua mãe, Katie Gardiner, era irlandesa e costureira em um dos palácios mais elegantes da cidade. Tinha chegado a Londres pela mão de uma nobre senhora inglesa, lady Anne Shafterbury, quando tinha doze anos; tinha-a feito vir desde Cork como serviçal e desde o começo a decisão lhe tinha saído muito rentável, Katie era uma fada com a agulha e trabalhava de sol a sol, sem reclamar. 
No palácio havia, pelo menos, seis costureiras trabalhando o dia todo, que se ocupavam tanto da roupa, como dos habitantes da casa ― seis filhos, marido e mulher, e duas tias-avós ―, um trabalho incessante. Sempre havia o que fazer e as empregadas de costura só descansavam ao domingo, se não fosse temporada de bailes, claro, porque nesse caso nem sequer podiam sair para ir à igreja.
Mas Katie Gardiner não se queixava. Emily só recordava a sua muito bela mãe trabalhando, com a cabeça abaixada sobre o tecido, às vezes com uma vela diminuta como única iluminação, às vezes colada à janela para ver melhor um bordado, mas sem perder, nunca, o sorriso. 
Era uma costureira maravilhosa e, no entanto, ganhava uma miséria, e ninguém, jamais, reconhecia o seu trabalho, por isso Emily começou a odiar os Shafterbury desde muito pequena.
Ela tinha nascido dentro das quatro paredes do palácio. A sua mãe tinha dado a luz no miserável quartito onde vivia e nessa mesma noite tinha voltado para o trabalho, porque a senhora tinha um banquete real e precisava do seu vestido novo terminado a tempo. 
As companheiras de sua mãe, as faxineiras e até mesmo a governanta lhe tinham contado isso muitíssimas vezes, mas Katie Gardiner jamais tinha querido falar sobre o assunto. Sempre era assim; ela não falava, nem se queixava e quando Emily, aos dez anos, ousou perguntar quem era o seu pai, a resposta foi uma sonora bofetada que a calou para sempre. 
Foi a primeira e a penúltima vez que a sua mãe a golpeou, mas esse resultou ser um ato contundente o suficiente para que Emily jamais voltasse a interessar-se, de forma tão aberta, por semelhante segredo.
Indagando e fazendo perguntas discretas, soube que Katie só tinha dezesseis anos quando ela tinha nascido e que a senhora a tinha mantido no palácio por pura caridade, porque poderia tê-la jogado na rua como promíscua. Mas não, a dama tinha optado por perdoar o deslize da sua costureira e lhe tinha permitido ficar na casa com a menina e criá-la como uma mais de seu serviço. 
Desse modo, Emily Gardiner, que não se parecia em nada com a sua mãe, cresceu entre agulhas, tecidos e botões, acostumando-se a brincarem completo silêncio, sem levantar a voz, nem à vista aos senhores, e permanecendo quase invisível para não incomodar. 
Emily aprendeu a ler graças aos livros que a perceptora da família, a senhorita Wilkes, emprestava-lhe às escondidas e aos oito anos, quando a puseram a trabalhar como às demais, já sabia ler, escrever e fazer contas, algo que, evidentemente, se manteve em segredo.
Era esperta e ágil, muito vivaz e tinha uma perigosa tendência para rir às gargalhadas, algo que à sua discreta mãe irritava sobremaneira, que lhe rogava prudência e sobretudo, silêncio. 
Katie não queria incomodar, preferia passar inadvertida e às vezes pedia, por entre lágrimas, à sua filha que mostrasse mais sensatez em seu comportamento. 
Emily se rebelava ante tantos medos, mas sempre acabava obedecendo para não prejudicar a sua mãe, cuja conduta era irrepreensível. Embora às vezes ouvisse a proprietária da casa ou as suas filhas gritar-lhe e repreendê-la por algo, quando, na verdade, Katie era a perfeita servidora; para além de bonita e doce, um modelo de virtude. Não obstante, Emily nunca se sentiu muito próxima dela.
Quando fez doze anos teve a sua primeira menstruação e o seu corpo começou a adquirir formas arredondadas e desconhecidas até então, aí Emily foi confinada ao lugar mais escuro da sala de costura e das cozinhas. 
A sua mãe não queria que ninguém a visse, muito menos os membros da família; especialmente, os homens. Alertava-a continuamente para que não saísse da área de serviço, e quando viu um dos empregados das cavalariças segui-la com o olhar, deu ao pobre moço tal bofetão que ele não voltou a dirigir-lhe a palavra. Emily não entendia nada daquilo e tentava obedecer, embora sem compreender o porquê de tantos temores.
Naquela época foi quando conheceu Molly em Covent Garden, uma garota ruiva, filha de irlandeses também, que brincava às corridas e trapaceava perto do mercado com os seus irmãos e restantes parentes. Molly Graham era esperta e contava histórias divertidas. 
Ficaram logo amigas e quando deixavam Emily acompanhar as serviçais nas compras, sempre se encontravam para conversar. Molly era dois anos mais velha que Emily e aos quinze começou a trabalhar como camareira em um hotel da cidade. A jovem estava feliz porque conseguir um emprego em um lugar tão elegante tinha sido um favor feito especialmente a seu pai, mas entrar no Queen Hotel seria o começo da sua desgraça e a aproximação involuntária a Emily Gardiner.
Não estava nem há um ano trabalhando no hotel quando contou que tinha conhecido um homem, um cavalheiro que dizia estar apaixonado por ela. O homem, bem mais velho do que seu pai, era amável e muito generoso, um hóspede habitual, que logo começou a dar-lhe guloseimas e vestidos de presente e quando Molly contou à sua amiga, como confidência íntima, que tinha feito amor com ele, Emily abriu os olhos como pratos.
― E isso o que é?
― Não sabes?
Molly pôs-se a rir às gargalhadas, apesar de estar na igreja.
― Shiu!, que a minha mãe me mata. ― Emily olhou para a sua mãe, que rezava o terço de joelhos uns bancos mais adiante, e se benzeu ― Não, não sei.
― Amor físico, mulher. O homem coloca o seu..., já sabes, dentro de mim, por aqui. ― Fez um gesto que quase matou a sua amiga de susto ― E é delicioso... Não no início, mas depois, Deus bendito! É maravilhoso.
― O seu...? ― Não podia acreditar ― Que nojo!


30 de dezembro de 2017

Seu Conde de Natal

Nenhuma boa ação fica impune…

Para salvar a irmã caçula do escândalo, Philippa Sanders se aventura no quarto de um libertino — e em seu domínio. Agora, a sua reputação está por um fio e apenas um casamento apressado pode salvá-la. 
Será, o Conde de Erskine um libertino cruel, que todo o mundo acredita? Ou, Philippa descobrirá uma honra inesperada num homem famoso pelos os seus modos selvagens?
Blair Hume’s, o dissoluto Conde de Erskine, ficou de olho na intrigante Senhorita Sanders, desde que chegou na aborrecida festa.  Agora, um ato imprudente entrega a mulher sedutora em suas mãos, como um delicioso presente de Natal. O destino estar-lhe-ia oferecendo uma diversão fugaz? Ou será que este encontro, na véspera de Natal suscitará uma paixão para vida toda?

Capítulo Um

Hartley Manor, Wiltshire, Véspera de Natal, 1823 Com o coração acelerado, Philippa Sanders abriu lentamente a porta enorme de carvalho do seu quarto. Ela rezou para que ninguém surgisse no corredor com uma lamparina acesa e a pegasse num lugar, onde nenhuma dama de boa reputação deveria estar. Especialmente perto da meia-noite. 
Rápida e silenciosa como um gato, entrou no quarto sombrio e cuidadosamente fechou a porta atrás de si. Na quietude, o ruído seco do trinco ressoou como um tiro. 
A sua respiração ficou presa na garganta, e ela ficou parada e tremendo, esperando que alguém averiguasse o barulho. Mas, a casa antiga permaneceu em silêncio. Sugou o ar que desesperadamente precisava e repreendeu-se por ser uma marreca nervosa. 
O quarto, o qual sabia que seria, estava vazio. Antes de chegar ali, verificou que o Lorde Erskine permanecia no andar de baixo, festejando com os seus amigos bêbados. Se, tudo indicasse como nas últimas três noites, a sua predileção por aguardente continuaria até às primeiras horas. Isso deixou a Philippa, muito tempo para procurar os seus pertences sem perturbações. 
Esse pensamento fez muito pouco para acalmar os seus nervos. Se, alguém a pegasse sozinha no quarto de um cavalheiro, pior, um cavalheiro tão libertino, haveria um escândalo. Se, apenas as apostas não fossem tão altas. Se, apenas a sua irmã Amélia não fosse tão boba. Se, apenas Erskine não fosse um homem que tornasse as mulheres sensatas em parvas. 
Philippa suspiru e se afastou da porta. "Se, apenas" não ajudaria. Era imperativo que encontrasse e destruísse a carta comprometedora, que a sua irmã tinha enviado a Erskine, antes de seu noivado com o Sr. General Fox, que tinha sido anunciado ontem à noite. Então, Philippa afastar-se-ia dali e nunca mais pensaria sobre o devasso Lorde Erskine, novamente. 
Através da luz do fogo ardente na lareira, ela examinou seus arredores com atenção. 
O aposento era grande e luxuoso. Sua tia devia estar tentando Caroline, sua filha com cara de cavalo, em casamento. Dado o problema que o senhor libertino causou, Philippa quase desejou que o seu primo vil, fosse sobre ele. Nos últimos dias, o observou de perto. 
Não aprovava o seu olhar cínico e a forma como assumia arrogantemente, que qualquer coisa ao seu redor, desmaiasse com as suas palavras. No entanto, Philippa não seria feminina, em admitir que ele era um espécime espetacular de masculinidade. 
Estava preocupada que pudesse demorar muito para localizar a carta, ou que pudesse lavá-la com ele como um troféu, mas, o seu olhar imediatamente caiu sobre uma linda mala pequena de cor mogno deixada aberta no assento da janela. 
Mal podia acreditar na sua sorte. Com alívio, dirigiu-se para a janela. Então, de repente parou em um suspiro horrorizado, quando ouviu o guincho da maçaneta a girar. Senhor, salve-me…








27 de dezembro de 2017

A Senhora do Caminho

Os rumores de guerra pairavam sobre o afastado vale do Svatge. 

Os homens deveriam ir ao combate e Arianne tem que contrair matrimônio. 
Seu pai acordou suas bodas, mas ela se nega a obedecer, embora isso lhe custe o desprezo de seu pai e a ira de seus irmãos.
O desafio sairá muito caro. 
Ver-se-á presa sem mais opção que ceder, ou desfalecer em seu cativeiro. Entretanto, o destino dará uma volta e um novo pretendente exigirá sua mão e não admitirá desculpas.  Os enfrentamentos acontecerão entre ambos em um duelo entre atração e repulsa, paixão e dor, orgulho e amor.   Enquanto o reino treme atacado pelas intrigas, em Svatge articula-se outra dura batalha para conquistar o coração de Arianne.

Capítulo Um

O vento chegava do leste naquela noite.
Era menos gelado que o do norte mas também frio e fazia com que os clarins que anunciavam a mudança da guarda soassem longínquos e apagados. Eram muitos os muros que mediavam entre o pátio de armas e aquela esquina da muralha onde ela encontrava-se. Uma esquina onde o vento açoitava, com especial crueldade.
Arianne aconchegou-se mais em sua capa e deixou que o quente contato do arminho acariciasse seu pescoço. Fora estupidez dizer que não sentia frio. Acabava de começar o outono, mas naquele árido vale rodeado de montanhas, o inverno chegava antes que desse tempo de saborear o breve tempo de trégua.
O certo era que o frio não a incomodava, muito.
 Arianne estava mais do que acostumada a ele. No castelo os muros e mesmo o piso, eram de pedra, e os lugares não ficavam, jamais, aquecidos por mais lenha que se colocasse nas lareiras. 
O frio fazia parte dela, desde que tinha lembrança na memória. E em todo caso, que o inverno chegasse pontual, ano após ano, era algo que não dependia de Arianne e que por mais que odiasse-o não podia solucionar. Não, não era o inverno o que a preocupava naquela noite, ou ao menos, não só isso. Se fosse somente o inverno…
O vento trazia também outras vozes. Clamores de guerra e entrechocar de espadas. Levantava-se como um rumor surdo, mas crescente, e varria todo o reino e seus caminhos, das desertas planícies geladas de Langensjeen até as cálidas praias de Tiblisi, lá longe, no sul.
Era daquela região, que somente sabia-se o que contavam as canções dos histriões, que provinha o ramo materno de sua família, embora sua mãe tivesse nascido e criado-se no oeste, na corte. 
Possivelmente Arianne herdara dela essa desacostumada sensibilidade às baixas temperaturas, a qual os naturais de Svatge estavam, mais, que habituados. 
Sendo ou não esta a causa, Arianne a suportava tão estoicamente como os demais, e aquele violento vendaval não incomodava mais do que as primeiras nevascas, já muito próximas, incomodariam aos lobos, que neste inverno, como em todos os outros invernos, sairiam dos bosques para rondar por granjas e vilas, em busca de um alimento, que escasseava para todos. Ao menos, para todos os que não gozavam do amparo do castelo.
Os lobos, a fome e o frio… Como se esses não fossem já suficientes maus para que, por outro lado, os orgulhosos e néscios cavalheiros enfrentassem-se sem trégua, entre eles, e arrastassem à guerra, a tantos outros, atrás de si. 
Aldeias arrasadas, campos de cultivos queimados, pequenas cidades e vilas tomadas a sangue e fogo, somente pela absurda cobiça, o afã de saque e poder de poucos, com frequência vilmente justificados por antigas rivalidades que não faziam mais que crescer, com cada enfrentamento. 
O certo, era que Svatge não tinha motivos para preocupar-se com os saqueadores. Não era um vale fértil e generoso. Em suas ravinas só cresciam coníferas e lilases. Mais acima, ao norte, a terra era dura, também, e o inverno até mais extenso, mas sob suas montanhas encontravam-se as minas.
Minas e minas, montanhas inteiras forjadas em prata. Tanta, que dizia-se que os senhores daquelas terras possuiam palácios inteiros construídos nesse metal. Não, ali não havia prata, nem as terras eram férteis e proveitosas como no sul. O único valor que Svatge realmente possuía era o caminho. 
Assim fora sempre. O castelo de Svatge custodiava o único caminho existente em muitas milhas sobre o Taihne, um rio caudaloso, profundo e traiçoeiro que dividia o reino de Ilithya em dois. 
Era o caminho mais curto para chegar ao Ilithe, se algum assunto te requeresse na corte, a não ser que tivesse um navio a sua disposição e atracasse por mar, ou te aventurasse a confrontar os redemoinhos do Taihne em barcaça, ou estivesse disposto a cavalgar longas semanas através de estreitos atalhos de montanha.
Em qualquer dos casos, nenhuma dessas alternativas era a mais adequada para um acompanhamento numeroso, assim, se algum senhor desejasse fazer uma demanda ao rei e para isso se fizesse acompanhar de muitos de seus vassalos armados, antes, precisava contar com a benevolência dos Weiner. 
É que Svatge não era outra coisa, que uma fortaleza militar, uma última linha de defesa, sempre leal ao rei, porque do rei e do reino vinham todas as coisas boas das quais Svatge desfrutava.


26 de dezembro de 2017

Tesouros de Natal

Um pequeno Milagre

A caminho de um indesejado casamento além-mar, a nobre beldade francesa, Lady Tessa Dousseau reza por um milagre de Natal. 
Ela tem seu desejo atendido da forma mais inesperada, quando é sequestrada pelo devastadoramente viril pirata: Red Fox[1]. Entretanto, mares revoltos e mesmo um pirata ainda mais áspero, não podem impedir um milagre de acontecer.
 Capítulo Um

— Santo Jesus, Maria e José! — Anna Maria clamou, terror profundo brilhando em seus olhos cinzentos enquanto olhava as ondas brancas diante delas. — Aquele é um navio pirata; veja como a caveira balança solidamente em seu mastro! — Ela se benzeu uma vez, então de novo, e ainda mais uma vez. — Querido Senhor, nos salve! 
Tessa Dousseau, em pé com Anna Maria na proa do armado veleiro francês, Mademoiselle, estreitou seus olhos e olhou através das ondas, sentindo tremores de medo, excitação e o terror percorrendo sua espinha. 
De fato, o navio parecia ser um navio pirata, dirigindo-se até eles rápida e velozmente, independentemente das nuvens cinzentas, do céu ameaçador, independentemente das selvagens e temerárias ondas de pontas brancas, como se tivessem sido tocadas pela neve. 
O Mademoiselle era um bom veleiro, e enquanto estava sendo construído, pretendia-se que carregasse trinta canhões e uma tripulação de mais de cem marujos robustos para os operar. Mas, de alguma forma, ele deixou o porto com uma baixa de quinze canhões e dezenas de homens. 
Não houve tempo para equipá-lo apropriadamente, não com o inverno tão próximo de chegar. E, o pai de Tessa, o Conde de la Verre, estava muito determinado em que Tessa chegasse à ilha francesa de Dejere bem antes das festas de Natal – pois ela era, na mente dele, um presente para um amigo. 
Era quase primeiro de novembro agora, e eles estavam a menos de vinte e quatro horas de distância de seu porto. Enfrentando um navio pirata... 
— Oh, querido Deus, por favor! — Anna Maria começou novamente, e Tessa observou sua criada ajoelhar-se na proa do barco. 
Os dedos de Tessa se fecharam mais fortemente ao redor do arco de madeira do barco enquanto se lembrava o quanto ela rezou aquelas mesmas palavras, uma vez e outra, por todo o caminho em alto-mar. Querido Senhor, por favor. Querido Senhor, por favor... Ela tinha estado implorando e rezando para que um milagre a libertasse da barganha de seu pai. 
Dia após dia, hora após hora. Ela considerou pular no mar, não para tirar sua própria vida, mas para nadar para algum lugar distante na costa. Mas agora parecia que suas preces estavam prestes a ser atendidas, e da forma mais desagradável e aterrorizante. Havia um navio pirata vindo em direção a eles, estava equipado com uma bandeira inglesa – e uma outra com a caveira e os ossos cruzados – ambas tremulando fortemente contra o vento a partir do mastro do navio.
— Ladies!










Coleção Barbara Cartland


1.Castigo de Amor
Meiga, tímida, Latônia estava quase desmaiando diante de lorde Branscombe. Os olhos acinzentados do homem brilhavam de ira quando ele gritou, sem piedade: “Você é uma mentirosa, uma mulher sem escrúpulos!” Latônia sabia queria ser castigada por culpa bem merecida. Por querela havia enganado o lorde, fingindo ser sua prima, e viajado com ele para a Índia? Agora, em meio à pompa e riqueza dos palácios indianos, a farsa foi descoberta. O pior é que lorde Branscombe escolheu um estranho castigo para Latônia: obrigou a moça ase casar com ele!

2.Coracao Roubado
Para fugir de uma ardente admiradora, Justin, o marquês de Veryan, escapou de Londres e foi se refugiar no seu castelo, ao sul da Inglaterra. Mas, em lugar de paz, o marquês foi envolvido por um mistério assustador! Objetos começaram a sumir, vozes estranhas atravessavam os salões, vultos corriam pelos corredores, colocando a vida de Justin em perigo! O pior aconteceu quando, uma noite, o marquês recebeu a visita de Ivana, sua bela vizinha…

3.O Duque e a Filha do Reverendo
O reverendo Aaron Galvine abandonou luxo e riqueza e, com sua filha Bianca, se dedicou à ajuda e conversão de humildes camponeses e homens fora-da-lei. Pobremente vestidos, alimentando-se mal, dormindo ao relento ou em precários celeiros, pai e filha começaram a sofrer as agruras da miséria. Foi nessa condição de penúria que o duque de Kingswood encontrou Bianca e seu agonizante pai. Condoído, levou a moca e o pastor para seu castelo. Bianca achava que o duque era um anjo vindo do céu... Mas logo ela iria descobrir que anjos não exigem o amor e a pureza de uma jovem inocente.

4.Os Caminhos Do Amor
Papai fez uma fogueira no jardim e queimou tudo que tinha sido de mamãe: vestidos, peles… Eu chorei, mas ele ficou rezando até ver tudo queimado. Depois me bateu, me flagelou para expulsar o demônio que vivia em mim. Porque, para ele, as mulheres são sacerdotisas do inferno! — Sophie dizia essas palavras, implorando ao jovem conde de Hawkshead que a levasse para longe do pai, homem enlouquecido pelo fanatismo religioso. O conde, ao ver como Sophie era atraente, decidiu levá-la para Paris. Mas o destino que a esperava também era muito triste e perigoso.

5. Seu Reino Por um Amor
Zita percebeu, de repente, que não estava sozinha. Ouviu passos e avistou um vulto no meio das árvores. Ficou aborrecida com aquela intromissão. Será que não tinha sequer o direito de sofrer em paz? Por que um estranho vinha perturbar a beleza daquele lugar que ela só gostaria de compartilhar com uma única pessoa no mundo? Enquanto hesitava entre ir embora ou fingir que não o via, o homem se aproximou. E Zita pensou que estava sonhando. Mas era o rei! Impulsivamente, sem pensar no que fazia, obedeceu ao coração. Correu para ele, esquecida de que Maximiliano só a desejava como amante. Esquecida de que ele era o homem destinado à sua irmã!

6. A Criada Misteriosa
Para salvar a vida do Conde, Giselda era capaz de qualquer sacrifício. Ferido na batalha de Waterloo, o Conde de Lyndhurst, corria grande perigo ao ter que amputar a perna… mas só com o cuidado de uma empregada jovem, bonita e cheia de segredos e mistérios, é que o salvariam de um terrível destino. Giselda, contratada como enfermeira eficiente, cuidou do Conde com infinita dedicação e carinho… um carinho que dará lugar, a um grande amor impossível entre eles.

7. Corações Em Jogo
Escondida em Baden-Baden, a cidade do jogo na Floresta Negra, Selina Wade procurava esquecer que tivera de matar um homem devasso para defender sua virtude. Protegida por Quintus Tiverton, um jogador sem dinheiro, tentava esconder de todos, ter fugido de uma casa de tolerância, onde seria obrigada a entregar seu corpo virginal a clientes pervertidos.
Mas seria frente às mesas de jogo, ao lado de gente viciada e dissoluta, que Selina iria finalmente, encontrar a paz e a felicidade? O que lhe reservaria o destino, ao lado de Quintos Tiverton ?

8. Violeta Imperial
No começo do século XIX, Napoleão se preparava para conquistar a Inglaterra e concretizar seu fantástico sonho de desfilar pelas ruas de Londres como o novo Imperador do Reino Unido. Foi naquela época de tensão e nervosismo que a família de Vernita, se viu perseguida em Paris.
Escondidos numa casa de cômodos, os pais da moça morreram de tristeza e inanição e para sobreviver, Vernita foi costurar para Pauline Bonaparte, a belíssima e devassa irmã de Napoleão e é então que nos luxuosos aposentos da Princesa, que Vernita se apaixona pelo Conde Axel de Storvik, o jovem amante de Pauline!

9. Uma Noite No Moulin Rouge
Paris do século XIX! Capital dos prazeres proibidos, reino de belas e desinibidas cortesãs que se exibiam no cabaret Moulin Rouge, cobertas de sedas e joias espetaculares, ao lado de seus ricos amantes! Foi nesse cenário deslumbrante de erotismo e boêmia, que Una Thoreau, recém-saída de um convento, foi procurar seu pai, pintor, no bairro de Montmartre, refugio dos artistas, e foi lá, numa sombria e velha casa parisiense, que Una abriu a porta de um quarto, esperando ver seu pai e foi agarrada por um desconhecido! Não adiantava gritar… Una estava sozinha em Paris. Quem poderia salvá-la?

10. Vingança Do Coração
As águas do rio Sena brilhavam freneticamente, refletindo o brilho fantástico das luzes de Paris. Lágrimas também brilhavam nos olhos de Nádia, mostrando a dor de seu jovem e sofrido coração. O Sena a chamava, prometendo-lhe no gozo de suas águas o fim das perseguições, tentando seduzi-la com a volúpia de seu misterioso beijo da morte. De repente, um homem a agarrou! Nádia sentiu que seria difícil libertar-se daqueles braços fortes, daqueles olhos negros que a dominavam, com doce e surpresa censura...


20 de dezembro de 2017

O Feitiço

Século XXI: Anaís, britânica e leitora inveterada de romances, acabava de terminar seu relacionamento com Jacob por uma infidelidade deste. 
Para animá-la, sua amiga Jane levou-a a uma noite de festa. 
E com algumas bebidas a mais, terminam em um tarô fazendo um feitiço de amor para Anaís, para atrair sua alma gêmea.

Século XVIII: 
Neilan é um escocês que foge dos casacas vermelhas após sobreviver à batalha de Inverness. 
Em sua fuga, cai do cavalo, exausto, e encontra uma mulher misteriosa que lhe oferece uma mudança de vida. Desesperado, bebe uma poção mágica, sem saber que vai despertar no século XXI, no jardim de Anaís, tonto e confuso.O primeiro encontro entre os dois vai ser caótico. Quem não fugiria correndo ao encontrar um escocês armado com uma espada?
Após os primeiros mal-entendidos compreendem o que aconteceu. Neilan permanecerá 27 dias no nosso tempo, a duração dos efeitos do feitiço, e a convivência com uma moça do século XXI não será fácil. No entanto, juntos eles embarcam em uma viagem que irá mudar suas vidas, percebendo que são feitos um para o outro e conscientes que seu tempo juntos está se esgotando.
O que irá acontecer uma vez que a magia se dissipe? Será que o amor consegue ultrapassar as barreiras do tempo?

Capítulo Um

Fort William, Escócia , 20 de abril, 2018
Anaís Stewart estendeu sua mão para o jovem cliente que acabava de atender.
― Assim que tenha a sentença o notificarei. ― Pronunciou amável.
O rapaz aceitou e partiu completamente angustiado. Sabia que não se livraria, seguro que o condenavam a pagar uma multa. Não pretendia dirigir com uma taxa tão elevada de álcool, conduzir e ficar impune. Se tivesse sido a primeira vez que lhe ocorria, possivelmente o juiz teria sido mais benevolente, mas o rapaz, em seus vinte e dois anos, acumulava já seis antecedentes pelo mesmo crime.
Anaís passou a mão sobre o rosto, atormentada, e olhou o relógio. Era quase uma hora depois do meio-dia e sem nada no estômago.
Ela amava seu trabalho, com vinte e seis anos de idade podia se orgulhar de ser uma jovem advogada que trabalhava para um escritório de prestígio em Fort William. Como havia dito, desfrutava de seu trabalho, mas ele a esgotava mentalmente. Muitas lamentações, muitas vidas destroçadas que não pareciam se empenhar em melhorar. Detestava a decadência de toda aquela gente.
Caminhou pelos corredores do tribunal, pensando em todo o trabalho que tinha acumulado no escritório. Ao menos era sexta-feira e poderia desfrutar de um fim de semana tranquilo, era a única coisa que necessitava, inundar-se em um tolo filme romântico ou novela que a levasse a lugares plácidos, onde era feliz, onde sempre triunfava o amor.
E falando de amor. Seu olhar colidiu diretamente com aqueles olhos cor de mel que a observavam intrigados. Jacob vestia seu impecável terno cinza, com uma gravata vermelha carregando-o de força. Seu cabelo loiro dava um aspecto infantil.
Ele acenou enquanto falava com os clientes e Anaís seguiu o seu caminho. Não queria falar com ele, nem sequer queria vê-lo. Ela se disse inúmeras vezes que devia superar isso, que a vida seguia e que ainda tinha tempo suficiente para encontrar o amor, mas a lembrança do que tinha vivido com ele a entristecia. Entristecia? Bom, melhor dizendo, a irritava, ele fazia sair toda a fúria que levava dentro de si. 
Sim, ele tinha sido seu grande amor desde o início da faculdade de direito, mas também sua maior decepção. Após seis anos de relacionamento, Jacob tinha decidido que ela já não era suficientemente boa para ele, no entanto, sim o era a secretária do escritório onde trabalhava, uma mulher de formosas curvas, magra, loira, olhos claros… Justamente o oposto dela. Uma garota de estatura mediana, cabelos castanhos e ondulados. Ao menos, podia se orgulhar de ter os olhos mais azuis que aquela raposa.
Alegrou-se quando Jane, sua melhor amiga, havia informado que Jacob tinha deixado aquela mulher explosiva, mas ela ficou surpresa quando, pouco depois de receber a notícia, Jacob parecia voltar a aproximar-se dela.
A única coisa boa que tinha tirado daquela relação era seu cachorro Pluto, que queria com loucura. Um pequeno Yorkshire que Jacob tinha lhe dado fazia pouco mais de dois anos.
― Oh, não, agora não. ― Sussurrou observando como Jacob se despedia de seus clientes e se dirigia em sua direção apressado.
Estalou a língua e seguiu caminhando como se nada tivesse acontecido, até que ele se interpôs em seu caminho. ― Boa tarde, letrada!


16 de dezembro de 2017

Presente de Natal

Contos
O melhor Natal de todos.

Tudo o que Anna mais quer de presente de Natal é uma nova mamãe. 
Ela não pode dizer seu pedido em voz alta, é claro. 
Não só porque ela deixou de falar desde que viu sua mãe morrer afogada quando tinha 3 anos, mas porque sabe que se contar seus desejos, eles não se realizarão. 
será atendido.



Capítulo Um

Então, ela faz sua prece silenciosa e fervorosa diante da lareira com a esperança de que seu desejo 
Na véspera do Natal, Anna desce para a sala juntamente com as outras crianças,certa de que encontrará seu presente:Sua nova mamãe, uma senhorita de modos brandos, roupas simples, um rosto gentil e um cheiro maravilhoso de violetas. 
O Natal chegou adiantado para Anna, e promete ser o melhor de todos.
Edwin, visconde Radbrook, está desesperado para saber o que sua filha deseja de Natal, mas tem como empecilho o fato de ela não emitir nenhum tipo de som. 
Está ciente também de que precisa providenciar uma nova mãe para a menina, sem demora. Ele pôs seus olhos na jovem Roberta, que conheceu em Londres e que fora convidada a passar o Natal com sua família. Lorde Radbrook não espera, contudo, que a sombra da mulher que ele amou no passado ameace todos os seus planos com seus modos irritantemente comedidos capazes de encantar sua filha... E a ele também.
Emma se considera uma solteirona relativamente satisfeita com a vida. 
A contragosto, ela aceita passar o Natal com a família da cunhada, pois assim terá a oportunidade de rever seus sobrinhos.
Seu plano é passar completamente despercebida, mas é rapidamente frustrado quando ela estranhamente ganha o carinho e atenção de uma adorável menininha. 
A filha de Edwin, o homem que ela rejeitara nove anos antes. O carinho de Anna acaba por despertar em Emma todos os sonhos abafados durante todos aqueles anos de solidão.