16 de dezembro de 2017

Presente de Natal

Contos
O melhor Natal de todos.

Tudo o que Anna mais quer de presente de Natal é uma nova mamãe. 
Ela não pode dizer seu pedido em voz alta, é claro. 
Não só porque ela deixou de falar desde que viu sua mãe morrer afogada quando tinha 3 anos, mas porque sabe que se contar seus desejos, eles não se realizarão. 
será atendido.



Capítulo Um

Então, ela faz sua prece silenciosa e fervorosa diante da lareira com a esperança de que seu desejo 
Na véspera do Natal, Anna desce para a sala juntamente com as outras crianças,certa de que encontrará seu presente:Sua nova mamãe, uma senhorita de modos brandos, roupas simples, um rosto gentil e um cheiro maravilhoso de violetas. 
O Natal chegou adiantado para Anna, e promete ser o melhor de todos.
Edwin, visconde Radbrook, está desesperado para saber o que sua filha deseja de Natal, mas tem como empecilho o fato de ela não emitir nenhum tipo de som. 
Está ciente também de que precisa providenciar uma nova mãe para a menina, sem demora. Ele pôs seus olhos na jovem Roberta, que conheceu em Londres e que fora convidada a passar o Natal com sua família. Lorde Radbrook não espera, contudo, que a sombra da mulher que ele amou no passado ameace todos os seus planos com seus modos irritantemente comedidos capazes de encantar sua filha... E a ele também.
Emma se considera uma solteirona relativamente satisfeita com a vida. 
A contragosto, ela aceita passar o Natal com a família da cunhada, pois assim terá a oportunidade de rever seus sobrinhos.
Seu plano é passar completamente despercebida, mas é rapidamente frustrado quando ela estranhamente ganha o carinho e atenção de uma adorável menininha. 
A filha de Edwin, o homem que ela rejeitara nove anos antes. O carinho de Anna acaba por despertar em Emma todos os sonhos abafados durante todos aqueles anos de solidão.

Um Beijo de Natal

Enganada, tendo que passar um tempo sozinha com o seu marido, que deixou claro que não se importava com ela, a condessa de Blackgrove.

Amelia, não tinha ideia de como deveria reagir...Mas Stephen só queria sedução... E amor.








Capítulo Um 

A carruagem atravessou o portão de Hillbury Castle e Amelia mal conteve o estremecimento que ameaçava atravessar o seu corpo. 
O caminho até o edifício era tão longo que levaria mais de um quarto de hora antes de chegarem à porta... Antes que ela fosse forçada a encarar seu pesadelo. 
— Você está muito pálida, Lady Blackgrove —, sua jovem criada de longa data, Helen, disse. — Você se sente bem? Amelia se moveu na carruagem. Com qualquer outro servo, ela seria reticente em falar a verdade, mas Helen não era uma criada habitual. As duas tinham crescido juntas. Considerava Helen como uma amiga, mesmo que o ato de ser uma criada e uma lady as separavam um pouco, como era apropriado. — Eu admito —, Amelia disse lentamente. — Eu não estou ansiosa para essa tarefa humilhante. Helen estendeu a mão para segurar brevemente a de Amelia. 
— Eu espero que não seja tão ruim quanto tudo isso. Amelia respirou fundo. 
— Como não poderia ser? Eu fui convocada para a casa de campo do meu marido, um marido de quem estou afastada à seis meses, para preparar uma mentira, uma Festa de Natal que reunirá as nossas famílias. Ser obrigada a isso é desagradável. 
Ela virou o rosto e olhou para fora, enquanto a carruagem movimentada atravessava as densas e bonitas florestas por alguns instantes. Ela não pôde deixar de pensar na última vez que ela tinha visto Stephen. Tinha sido um dia após o seu casamento ... e a noite de núpcias deles. 
Ela ainda estava gozando de sua sorte de possuir o ardor do homem que ela amava introduzindo seu corpo a tais prazeres e então… Então ela descobriu a terrível verdade sobre ele. 
— Minha senhora! Amelia estremeceu com o tom agudo de Helen, e descobriu que sua criada estava-lhe segurando um lenço bordado branco. Ela corou quando percebeu que uma lágrima tinha escapado de seus olhos e estava escorrendo por sua bochecha. 
— Pelo menos eu estou chorando na segurança de minha carruagem —, ela murmurou enquanto enxugava a lágrima errante. — Eu certamente não gostaria de chorar na frente dos criados dele para que eles me denunciassem assim que ele chegar na próxima semana. Helen assentiu. 
— Você é forte, minha senhora. Você vai dominá-la. 
— Eu irei —, Amelia concordou. — Eu tenho a obrigação. Pelas nossas famílias e pelas próximas comemorações. Certamente não deixarei que lorde Blackgrove veja que a falta de seu afeto causa-me qualquer dor. Por sorte, eu tenho sete dias para garantir que eu consiga esconder a amarga verdade. Helen parou de olhar para ela, e agora olhava pela janela da carruagem. Seu rosto ficou de repente pálido e os olhos ficaram arregalados. 
— Minha senhora —, ela começou a falar, então interrompeu-se. Amelia enrugou a testa com a óbvia consternação da criada. — O que aconteceu? 
— É... é… — Helen apontou para a janela, quando a carruagem parou. — É ele! 











14 de dezembro de 2017

O Prisioneiro da Torre

Depois de doze longos anos, uma viúva e um conde cínico foram reunidos contra todas as probabilidades. 

Mas quando o passado ameaça destruir sua recém encontrada felicidade, poderia o amor ser suficiente para salvar esse homem marcado pela guerra e uma longa vida de solidão?







Capítulo Um

― Mas certamente você pretende conhecê-la?
― Se ela for sua escolhida, Jamie, eu prometo que eu ficarei bem satisfeito.
Houve um breve silêncio. Alex Leighton, o nono Conde de Greystone, forçou o olhar a permanecer na página impressa que estava lendo. Ele sabia que seu irmão estava tentando formular algum pedido, um que não ofenderia, por sua presença quando as visitas chegassem. Ao longo dos anos, Greystone tornou-se bastante habilidoso em negá-los, não importa o quão bem intencionado fosse. Como seria Jamie, é claro.
― Se ela for se tornar minha esposa…
As palavras de seu irmão se arrastaram para o silêncio. Dessa vez ele olhou para cima, pacientemente esperando pelo que ele sabia que estava vindo.
― Se todos nós formos viver na mesma casa…
Novamente suas palavras vacilaram. Alex resolveu ter piedade de seu irmão, que realmente era o melhor dos irmãos e que tolerava mais dele do que ele tinha o direito de esperar.
― Perdoe-me. Eu pensei ter-lhe dito, ― ele disse. ― Estou me mudando para Wyckstead.
― Para Wyckstead? ― a voz de Jamie aumentou ao final do nome, como se seu irmão tivesse anunciado que estava mudando-se para uma caverna. ― Ela é só um pouco maior que uma cabana de caça.
― E vai combinar perfeitamente comigo. Os estábulos estão bons, e há bastante espaço para os meus livros.
― Isso não vai servir. Eu não vou permitir, ― Jamie disse decididamente. Seu belo rosto ganhou cor como acontecia quando ele ficava de mau-humor.
― Perdoe-me, ― Greystone disse suavemente, jogando uma das cartas que ele raramente usava, mas uma que seu pobre irmão não poderia derrotar. ― Eu descobri que não tenho vontade de viver aqui com você e sua recente noiva bonita.
Jamie corou ainda mais forte. Sua boca finamente moldada se abriu uma vez, mas como não havia nada para ser dito sobre seu razoável desejo, ele sabiamente não disse nada.
― Quando eles chegam? ― o conde perguntou. Não porque ele se importava, mas para quebrar o silêncio constrangedor.
― Essa tarde, ― seu irmão disse rigidamente. ― Se eu soubesse que você desaprovaria.
― Você me entendeu mal. Eu não tenho nenhuma objeção para essa festividade. Essa é sua casa, Jamie. Você pode se divertir nela sempre que desejar. Contanto que você não espere que eu seja o anfitrião. Certamente você me conhece melhor que isso.
O silêncio que respondeu a esse estratagema igualmente imperdoável foi, felizmente, mais de teimosia do que constrangedor.
― Eu pensei que você gostaria de conhecer a mulher com a qual eu pretendo me casar.
― Eu não posso imaginar por que você deveria, ― Alex disse, sorrindo para ele levar a picada da repreensão.
― O que eu devo dizer a eles sobre sua ausência?
Foi óbvio pela sua pergunta que Jamie havia cedido.
― Que eu fui para Paris? ― Greystone sugeriu, sorrindo.
Seu irmão levantou uma sobrancelha em um gesto de “eu-não-estou-me-divertindo”, um que o conde reconheceu como uma cópia do seu próprio.
― Não? ― ele respondeu. ― Então diga a eles que eu estou indisposto. Se eles forem mal-educados o suficiente para questionar isso, talvez você deva repensar sua proposta.
― Eu queria sua aprovação.
― Você a tem desde que eu coloquei você em seu primeiro pônei e você falhou e caiu. Agora, vá recepcionar suas visitas e me deixe em paz, por favor.
― Eu venho te ver depois, ― Jamie prometeu, com seu sorriso restaurado.
― Eu acredito que eu estarei em Paris, ― o Conde de Greystone disse, voltando sua atenção para o livro em seu colo.
Seu irmão riu. Então Jamie tocou seu ombro em despedida, antes de atravessar a porta exterior da sala de estar do conde, que estava localizada na parte mais antiga da casa.
Os olhos de Alex continuaram olhando para baixo, até que o som dos passos de seu irmão desapareceram através do chão de pedra da casa. Somente então, ele colocou seu livro de lado e inclinou novamente sua cabeça na cadeira.
Ele nunca ficava confortável quando havia pessoas de fora em Leighton. Mesmo sem encontrá-los, ele sempre estava consciente de sua presença. Ter alguém mais em casa perturbava o calmo curso de seus dias. E a solução seria se mudar para Wyckstead.
Ele abriu os olhos, olhando em volta para os objetos bem amados com os quais ele havia preenchido essa sala. Seus livros e suas armas, as poucas lembranças de amigos e lugares que ele tinha escolhido manter.
Seu mundo. Um que ele quis, que ele desejou, escolheu manter inviolado. A propriedade e tudo que contém nela eram seus e iriam ser até a sua morte.
O que ele disse ao Jamie, entretanto, não era nada além da verdade. Ele não tinha nenhum desejo de viver aqui com seu irmão e a esposa dele. Muito melhor uma breve interrupção do seu ambiente, que uma inveja devagar e fervorosa da felicidade que tão sinceramente desejava para eles.
― E não importa o que você faça, Emma, ― seu cunhado disse pela décima vez, ― não divague.
― Emma nunca fica divagando. 



12 de dezembro de 2017

A Noiva de Outro Homem

Numa época em que mesmo os santos enfrentam as chamas, as visões de Isabella Beaufort lhe dão boas razões para ter medo. 

Ela tenta desesperadamente manter seu dom em segredo, mas quando murmúrios correm pela corte inglesa de que o rei Henry foi enfeitiçado, a única esperança de Isabella é fugir para o norte para um casamento arranjado por sua prima, a rainha Joan da Escócia. Ninguém nas Highlands tem mais razão para odiar o rei escocês do que Colyne MacKimzie. Conspirando com os inimigos do rei James na corte, Colyne promete impedir a lady inglesa de alcançar seu noivo e espera um resgate elevado para sua liberação. 
Enquanto mantém Isabella cativa, Colyne descobre o segredo dela, mas agora ele está escondendo um dos seus próprios ― ele não pode suportar ser separado desta assombrosa mulher encantada de olhos escuros. Colyne sabe que sequestrar a prima da rainha é uma coisa, mas mantê-la atrai a ira dos homens mais poderosos da Escócia.
Caindo sob o feitiço do líder, Isabella é atormentada por visões de Colyne matando o rei James ― e a ela também. 
Os esforços frenéticos de Colyne e Isabella para alterar o futuro que ela vê, apenas desviam seu caminho para mais perto do infame assassinato de um rei. 
Quando os homens do rei pegam Colyne, Isabella deve submeter-se a seu casamento arranjado para salvá-lo, mesmo quando os conspiradores se levantam para tomar o trono escocês. Entrelaçado com eventos históricos reais, A Noiva de Outro Homem é um apaixonado conto de magia, intriga de corte e um amor que mesmo o destino é impotente para quebrar.

Capítulo Um

Escócia, Outubro de 1436. A floresta desapareceu.

As brilhantes folhas de outono, o caminho enlameado, a bonita crina cinzenta de seu palafrém, Sir William à frente dela em seu cavalo preto ― tudo desvanecido no nada. E então Isabella não estava mais andando, o ar gelado das terras altas escocesas pinicando suas bochechas, mas estava inteiramente em outro lugar...
As paredes se estilhaçaram. As damas de companhia precipitando-se retornando, seus rostos distorcidos com gritos. Onde estava Kat?Ele se virou, uma silhueta alta contra o fogo. Ela o conhecia!
Isabella ergueu o braço para evitar o golpe. Ele baixou a faca...O mundo voltou ao foco. Liberada da visão, Isabella se agarrou ao cabeçote da sela de Cobweb. Seu próprio grito ― primordial e cru ― ecoava ainda nos bosques em torno deles.
― Defendam sua lady! ― Sir William gritou para os guardas.
Isabella se atrapalhou enquanto procurava adquirir o equilíbrio suficiente para ficar em seu cavalo. A transpiração brotou sobre sua testa e acima do lábio superior, apesar do frio.
O cavalo de guerra sacudiu a cabeça enquanto William incitava seu cavalo em posição de protegê-la. 
O cabelo prateado do cavaleiro captou a luz enquanto ele examinava a floresta, com a espada pronta. Os guardas contratados também tinham suas armas desembainhadas, olhando tensamente para a floresta.
Tremendo, Isabella enxugou sua testa com o dorso de sua mão enluvada. Uma visão vibrante e clara às vezes a incitava a murmurar um nome ou sorrir em resposta, mas nenhuma visão antes havia sido como essa.
Sangue de Deus, eu realmente gritei?
A floresta estava silenciosa e imóvel. Depois de um tempo William embainhou sua espada.
Ele trouxe o cavalo para o lado do dela, seu cavalo de guerra muito mais adequado ao caminho rochoso do que seu bonito palafrém. 

Não havia estradas nesta parte de Perthshire. Seu pequeno grupo só podia viajar tão rápido quanto a carruagem, transportando Katherine, e as carroças ― carregadas com as roupas, jóias e objetos de valor do dote de Isabella ― permitiam.
O cavaleiro tinha a aparência rústica de um homem que passara a vida inteira ao ar livre, e suas bochechas coradas o mostravam saudável apesar de seus sessenta e poucos anos. Suas finas roupas, agora desgastadas da estrada após dias de cavalgada, o declaravam um nobre de algum modo.
Ele olhou ao redor do bosque uma última vez, em seguida virou seu cenho franzido para ela. O nariz em gancho de William, avermelhado pelo frio, era proeminente em seu rosto, e seus olhos gentis, quase tão escuros quanto seu cavalo, estavam confusos.
Isabella engoliu com dificuldade. A meia dúzia de guardas contratados olhava fixamente para ela, suas expressões uma mistura de confusão e aborrecimento.
Isabella mal conhecia os homens que a escoltaram para o norte para se juntar a seu noivo na corte. Mesmo Sir William, encarregado por sua prima, a rainha Joan, de trazê-la com segurança para a abadia de Blackfriars, onde o rei pretendia passar o Natal, era apenas um pouco mais do que um conhecido.
Katherine, com os cabelos escuros sob o véu com alguns fios prateados, se inclinou entre as cortinas da carruagem para olhá-la com um rosto pálido e ansioso.
O cenho franzido de William se aprofundou quando ele notou seu aperto na sela de Cobweb.
― Por que você gritou, minha lady? Eu não percebi que seu cavalo tropeçou.
Inesperadamente a mente dela retrocedeu para anos atrás, para Rouen e a garota francesa que os ingleses enviaram para morrer gritando nas chamas...
Apesar de anos como dama de honra na corte inglesa, sua língua de cortesã falhou e ela conseguiu emitir apenas um som fraco e estrangulado.
― Minha Lady Isabella, você está bem?
― Louco! ― Exclamou Katherine. ― Claro que ela não está bem!
Kat empurrou para o lado as cortinas e tentou descer da carruagem. Ela lançou um severo e zangado olhar para o guarda mais próximo dela.
― Maldito plebeu! Ajude-me!
  
  








10 de dezembro de 2017

O Casamento Pagão

Série Cavaleiros de Ware
Quando Sir Noёl de Ware vem da França para reivindicar sua noiva ― a mais bela herdeira das Terras Altas ― ele tem certeza de ter recebido o melhor presente de natal... até que ele descobre que a moça com quem está casado e na cama, não é a irmã certa.

Ysenda de Rivenloch nunca pretendera ser uma noiva falsa, e quando começa a se apaixonar por seu belo marido, fica presa em sua própria decepção.
Somente o amor verdadeiro e um desejo de natal podem definir as coisas de forma direta e conceder-lhes um final feliz.

Capítulo Um

Época do Natal, 1199
Ysenda odiava a época do natal.
Ao seu redor, o clã celebrava com banquetes e aplausos. O animado festejo encheu o grande salão. O riso e a música ecoavam pelas vigas. Ainda assim, ela franzia a testa para o copo de madeira meio vazio.
Sua aversão não tinha nada a ver com a ceia.
Quem poderia reclamar sobre a comida suntuosa que cobria a mesa a cada noite de natal? Esta noite havia uma cabeça de javali suculenta, carne de carneiro defumado, veado assado, poção de coelho, berbigão, avelãs, queijos e copos infinitos de cerveja de inverno.
Ela nem se importou com a alegria bêbada que inevitavelmente seguiu.
Canções estridentes expulsaram a tristeza. Rapazes fortes agarravam as meninas risonhas. A música de flautas, harpa e tambores enchia o ar. A dança barulhenta encorajava o retorno do sol após o solstício.
Os ramos de azevinho decorando o salão pareciam reconhecidamente festivos. Da mesma forma, a hera cobria a grande lareira. O visco pendia em todas as portas para a boa sorte.
As velas de sebo luminosas colocadas sobre a sala, faziam com que os feixes de madeira áspera parecessem aconchegantes e acolhedores ao olhar.
Por uma vez, apesar de estar lotado com as pessoas se acotovelando, ninguém do clã estava brigando. Todos estavam recém-banhados, sorridentes e vestidos com a melhor roupa.
Mesmo Ysenda fez um esforço. Ela se banhou em água perfumada com lavanda, e lavou sua túnica de linho até ficar tão branca quanto a neve lá fora.
Em cima disso, ela usava seu melhor vestido de lã cinza suave. Escorrendo por sua cintura e em seu peito tinha um manto de xadrez cinza claro, preso no ombro com um broche de prata. Seu cabelo castanho normalmente rebelde, estava preso na coroa por duas tranças estreitas, amarradas na parte de trás com uma fita e levemente perfumado com mais lavanda.
Ela se sentia bonita... quase tão bonita quanto sua irmã.
― Caimbeul! ― Do outro lado do salão, acima dos seus amigos gritando, um dos muitos rufiões entediados agarrou uma moça pelo braço e gritou para o irmão mais velho de Ysenda.
― Caimbeul! Por que você não dança com Tilda aqui?
Ysenda enrijeceu quando Tilda se afastou com um rubor horrorizado. Todo mundo riu.
Era por isso que ela odiava as festas de natal.
Ao lado dela, Caimbeul sorriu da brincadeira. Mas Ysenda sabia que estava morrendo por dentro. Ele queria tanto se encaixar, ser como eles.
Na maioria das vezes, ele podia fingir que era. Na maioria das vezes, Ysenda esquecia que ele era diferente. Quando os dois estavam sozinhos, ele parecia tão bem feito e apto como qualquer homem.
Foi só quando eles foram forçados a aparecer publicamente, como na festa do natal ― sentados ao lado de sua irmã e pai como se nada estivesse errado ― que sua diferença ficou dolorosamente clara.
Uma vez que a multidão se reuniu e a cerveja estava fluindo, as provocações e as risadas começaram. E para a desonra de Ysenda, seu pai, Laird Gille, não fez nada para evitar a zombaria.
Por que ele iria? O laird tinha desaprovado seu filho deformado à primeira vista. Na verdade, a única razão pela qual ele deixara o menino viver, foi porque Caimbeul tinha seis meses de idade quando o laird voltou para casa de suas viagens e, então, colocou os olhos sobre ele.
A feroz mãe de Ysenda, descendente das infames Damas Guerreiras de Rivenloch, ameaçou a vida do laird se ele tocasse num fio de cabelo de seu precioso filho.
Ao lado dela, Caimbeul suspirou e abaixou seu bolo de aveia meio comido. Ysenda seguiu seu olhar. Um grupo de crianças brincavam ao lado da lareira. Imitando seus irmãos mais velhos, eles estavam se divertindo com o personagem coxo, caracteristica de Caimbeul.
Ela apertou sua adaga enquanto comia e murmurava:
― Aqueles filhotes de carneiros. O que eles acham que estão fazendo?
Ele deu uma risada triste e indulgente. ― Eles são apenas crianças, Ysenda. Eles não conhecem nada melhor.
― Oh, eu ficaria feliz em ensiná-los, ― disse ela entre os dentes. ― Talvez eu os cuspa e os asse lentamente sobre o fogo de natal.
Isso o fez sorrir. ― Ah, soa como a nossa mãe.
― É desrespeitoso, ― ela insistiu. ― Você é o filho do laird.
Na verdade, ele era o único filho do laird. O primogênito. Ele deveria ser o herdeiro do clã. Mas ele também podia ser invisível. Sua presença era esperada nas festas de férias quando o clã inteiro enchia o salão. Ele foi autorizado a sentar-se ao lado de Ysenda quando o laird sentou-se entre suas filhas. Mas Laird Gille não lhe deu atenção. Poderia ter tido uma parede de milha-alta entre Caimbeul e seu pai.
Ainda assim, foi insensível por parte de Ysenda lembrá-lo disso. Ela instantaneamente se arrependeu de suas palavras.Para corrigir e aliviar o humor novamente, ela deu a Caimbeul uma piscadela conspiratória. Então, quando seu pai não estava olhando, ela usou sua adaga para roubar uma fatia de javali da trincheira do laird, deixando cair sobre o de Caimbeul. Caimbeul sorriu e cavou dentro.
Ysenda não pôde deixar de sorrir de novo. Como alguém podia ignorar o gentil humor nos macios olhos castanhos de Caimbeul ― sua bondade, sua lealdade, sua natureza doce, ― ela não sabia. Ela supôs que a maioria das pessoas nunca viu além de seu corpo aleijado.
Chamá-lo de Caimbeul, que significava boca torta, tinha sido educado. Para ser honesta, parecia que não havia um osso em seu corpo que fosse reto. Suas costas estavam encurvadas.
Sua espinha tinha a forma de uma cobra se arrastando. Seus quadris eram torcidos. E um ombro era mais alto que o outro. Em cada ano que passou, sua deformidade piorou, como se as garras cruéis de um dragão se fechassem lentamente ao redor dele, deixando seu corpo mais torcido e inútil.
  
  


Série Cavaleiros de Ware
0.5 - O Casamento Pagão

9 de dezembro de 2017

A Ruína do Visconde

Série Homens do Duque

O herdeiro presuntivo do visconde de Rathmoor, Dominick Manton, certa vez, teve o desejo de seu coração ao seu alcance - um futuro brilhante como advogado e noivo de Jane Vernon, a filha de um rico barão.

Em seguida, uma armadilha traiçoeira, por parte de seu vingativo irmão George, arrebatou a herança de Dom e suas esperanças de oferecer a Jane um futuro seguro.
Com o coração partido e tentando acabar com seu noivado, sem destruir a reputação de Jane, Dom a fez acreditar que a traiu, para convencê-la, de que ele não era o futuro marido que ela pensava.
Agora, George se foi e o viscondado voltou para as mãos de Dom, já que a viúva de seu irmão, Nancy — prima de Jane e sua mais próxima confidente — nunca teve um herdeiro. Mas quando Nancy desaparece, uma Jane apavorada, contrata seu ex-noivo para localizar sua prima. Dom sabe, que os erros do passado, podem ser imperdoáveis — mas agora, envolvidos num perigoso mistério, será que eles vão reavivar um anseio apaixonado, que nunca foi totalmente esquecido?

Capítulo Um

Winborough, Yorkshire, Maio 1829
Quatro dias depois de sua chegada à propriedade de Winborough, para as comemorações de Pentecostes, Dom vasculhou as gavetas da escrivaninha, no estúdio de seu meio irmão. Onde, inferno, Tristan mantinha sua cera de vedação? Até agora, Dom tinha encontrado um canivete, uma corda, dezessete penas, uma gota de limão, uma pilha de folhas de almaço, e uma liga de renda, mas nenhum sinal da cera. Ele nem queria pensar, por que a liga estava ali.
Só de pensar, em Tristan e sua nova cunhada Zoe, fazendo. . . Qualquer coisa sobre a mesa, o fez se sentir como um Peeping Tom.
Assim que Dom fechou a gaveta, viu a cera de vedação, bem disposta ao lado de um tinteiro sobre a mesa. Bem ali, diante de seus olhos, exploda-se tudo! Claramente ele estava perdendo a cabeça. Dom caiu na cadeira. Era tudo culpa de Jane. Definido para herdar o título de Rathmoor, agora que George estava morto, ele deveria estar se concentrando em seu retorno, ao Parque Rathmoor hoje e suas tentativas de obtê-lo sem atrasos.
Em vez disso, Jane consumia seus pensamentos. Era ridículo, agora não eram nada para o outro. Certamente, ele não era nada para ela. Depois de mais de doze anos sem se casar, ela finalmente foi e se comprometeu com Edwin Barlow, o recém-proclamado Conde de Blakeborough. Ela logo estaria fora do alcance de Dom, e ele não podia mudar isso. Ele não queria mudar. Aquela época de sua vida, tinha desaparecido para sempre, bem como deveria ser.
Agora, ele estava um pouco mais velho e mais sábio, para não mencionar mais rude, e ela ainda era uma herdeira. Não tinham nada em comum, Eram pessoas diferentes. E talvez, se ele afirmasse isso o suficiente, finalmente acreditaria. Ele tinha que acreditar. Ele tinha que exorcizá-la de sua mente, de alguma forma.
 — Zoe quer saber, se você pretende se juntar a nós, para os serviços da igreja na cidade. Ele levantou a cabeça tão rapidamente, que quase derrubou a lâmpada Argand.
— Droga Lisette, já falei para não se esgueirar sobre mim assim! Com uma sacudida de cachos pretos, sua meia-irmã aproximou-se da mesa. — Não me culpe, se sua mente está nas nuvens. Eu estive aqui, esperando você me notar, por uns bons cinco minutos, enquanto você murmurava, amaldiçoava e franzia o cenho.
— Desculpa, eu estou um pouco. . . Distraído, é tudo. Ela fungou.
— É assim que você chama? E eu aqui pensando, que você está sendo rude.
— Agora, Lisette…
— Você foi um grosso na celebração ontem! Eu nem sei por que, você se incomodou em viajar por duas horas da costa, Pará a festa na propriedade. Até Tristan notou seu mau humor, o que custa muito, já que ele só tem olhos para Zoe Dom bufou. Ele nunca esperaria que seu meio-irmão, dentre todas as pessoas, se apaixonasse. Especialmente tão espetacular.
— Estou surpreso de que ele e Zoe se lembrem de que existimos, dada à distância e o resfriamento. Ele estreitou seu olhar sobre ela. — Embora ,você e Max não estejam tão ruins.
— Senhor, espero que não. Agora somos pais; Nós temos que aparentar algum decoro. Ela colocou uma mecha de cabelo perdido atrás de sua orelha. — Embora seja difícil, pois Max gosta de mim um pouco. . . indecorosa.
— Meu Deus, eu nem quero pensar nisso, disse ele, irritado. — Pare de falar sobre todas as maneiras que Max gosta de você.
— Por quê? Porque isso faz você se sentir sozinho?
— Porque você é minha irmã. — É culpa sua, que você esteja sozinho, você sabe, ela disse, ignorando sua resposta. — Você, poderia estar com Jane em Rathmoor Park enquanto ela está lá com Nancy, e em vez de aproveitar para cortejá-la, você está se escondendo aqui na propriedade de nosso irmão.
— Não estou me escondendo, disse ele friamente, embora talvez estivesse. — Além disso, por que eu cortejaria Jane? Ela está noiva de outro homem. E se você se lembrar, ela foi a pessoa que me derrubou, não o contrário.
— Se você diz. Isso fez com que ele parasse.








Série Homens do Duque


5 de dezembro de 2017

Paixão Viking

Depois da horrível traição de seu irmão, Briana é desterrada e condenada a passar o resto de sua vida em uma ordem religiosa, afastada de sua família e suas amadas terras escocesas.

Sem ocasião para escapar desse destino, sua única oportunidade aparece quando um misterioso viking irrompe uma noite no convento no que se encontra e aceita escoltá-la até uma cidade próxima.
Hakon sempre foi um aclamado herói viking, mas sua vida se complica quando se vê forçado a escapar da Noruega e esconder-se nas terras do sul, acompanhado por seus quatro irmãos de alma. 
No meio dessa dessa fuga desenfreada se encontra com Briana, uma jovem escocesa a quem jura proteger a todo o custo... embora isso lhe custe sua própria liberdade.

Capítulo Um

York, Inglaterra. 
De novo, ela estava ali, como cada vez que fechava os olhos.
Hakon a via de costas para ele, seu cabelo tão vermelho como o fogo, flamejava de igual maneira, tão longo que roçava o traseiro redondo e bem formado da mulher. Quis se aproximar e tocá-la, mas estava completamente estático, como se não estivesse nesse cômodo. Tentou olhar ao redor, mas era impossível distinguir algo além da mulher ruiva. Desejou que se virasse para contemplar seu rosto. Se fosse tão belo como seu corpo, devia ser o mais formoso do mundo.
Tentou falar, mas sua voz tampouco se escutava ali, no entanto...
— Hakon!
Alguém o estava chamando? Hakon aguçou os ouvidos para saber se era a mulher ruiva que o chamava, pois a voz que tinha ouvido também era feminina. De novo escutou e usou toda sua força de vontade para aproximar-se da mulher, cuja figura era cada vez mais difusa...
E então sentiu o frio da realidade acertando-o de repente, acordando-o desse sonho que se repetia a cada noite fazia vários meses. Mas a verdade era que não estava totalmente enganado. Ao seu lado, alguém o chamava.
— Hakon! Acorda! — Escutou um sussurro ao seu lado.
Cansado, abriu apenas um de seus profundos olhos cinzentos. Ainda não havia amanhecido provavelmente fazia só um par de horas que tinha adormecido nessa pousada, junto com seus amigos.
— O que foi? — Perguntou confuso.
Gala levou uma mão aos lábios, pedindo silêncio. Depois, ficou quieta, escutando durante um momento o que acontecia fora do quarto.
Finalmente, voltou a se fixar nos olhos de Hakon.
— Estão aqui, não sei como nos encontraram. Depressa!
O estômago de Hakon deu uma volta completa e ele levantou da cama no segundo seguinte, agarrando com força a espada que estava debaixo do travesseiro. Por sorte, ambos dormiam completamente vestidos, sempre deviam estar preparados. O homem soltou uma maldição entredentes, furioso por não ter podido descansar por muitos dias por culpa desses bastardos.
— Vermes! — Amaldiçoou Hakon.
Da janela de madeira do pequeno quarto, o homem se debruçou e pode observar como uns doze soldados vikings rodeavam a porta da pousada, procurando-o. Estavam apenas há dez dias na Inglaterra, depois da fuga apressada da Noruega por ser acusado de assassinato. Seus quatro amigos, tão próximos como irmãos, haviam decidido acompanhá-lo em sua fuga, mesmo Hakon tentando evitar por todos os meios.
O Jarl (chefe) tinha pedido sua cabeça e estes soldados estavam dispostos a entregá-la, mesmo que ainda presa ao corpo.
Há alguns metros deles, escondido atrás das abundantes árvores do bosque que rodeava a pousada, Hakon viu, durante um segundo, a flecha prateada de seu amigo Rurik, antes que este respirasse fundo e a disparasse certeiramente contra um dos soldados do Jarl.
— Temos que descer, já! — Ordenou Hakon, abrindo a porta e descendo rapidamente até o piso inferior.
Gala o seguiu, tão silênciosa e veloz como sempre. Quando chegaram, a briga já acontecia: Trud, Rurik e Viggo se encontravam lutando com força contra os soldados vikings, que não esperavam que reagissem tão rápido a essa hora da madrugada.
Hakon gritou enquanto chocava sua enorme espada com a de um soldado grande e ruivo que não parava de insultar e ameaçar.
— Traidor! Virás conosco vivo ou morto!
Entrecerrando seus penetrantes olhos cinzentos, Hakon grunhiu e finalmente cravou sua espada no ventre do soldado inimigo.
— Se eu morrer, não serão vocês que carregarão meu corpo – gritou Hakon em Norn, a língua de seu pai e, muito antes, de seu avô.
Ao seu redor, seus amigos lutavam bravamente contra os soldados e Gala acabava de fazer um deles cair de joelhos. Hakon observou durante uns momentos como sua amiga atacava elegantemente, com o cabelo loiro trançado a moda viking. Gala era excepcionalmente branca, com os olhos ambarinos e tão esbelta que parecia impossível que pudesse combater contra dois homens ao mesmo tempo sem demonstrar muito esforço.
— Vem mais! — Rurik apareceu ao seu lado repentinamente e olhou seu amigo, advertindo-o com voz séria.
— Será melhor irmos antes que apareça também o maldito Jarl para te amarrar ao seu cavalo e arrastá-lo de volta para casa.
Trud, uma viking enorme com o cabelo loiro e curto terminou de cravar sua espada no pescoço do último homem inimigo e virou para eles.
— Se o Jarl ousar colocar as mãos em nós, veremos como monta seu cavalo depois que eu tenha cortado seu...
Hakon admirou a coragem de sua amiga, mas Rurik tinha razão. Só o que fazia ali era colocá-los em perigo de uma forma que não era capaz de suportar. Eles eram guerreiros, mas nunca tinham lutado contra seu próprio povo e sabia que não poderiam fazê-lo durante muito mais tempo. Qualquer dia, os soldados seriam muitos para poder vencê-los e era óbvio que seus amigos seriam acusados de traição, assim como ele, e proclamariam que eram uns proscritos por todo o norte.
— Vamos. — Confirmou, sem que Trud pudesse dizer nada para convencê-lo.
— Talvez pudéssemos levar seus cavalos. — Gala indicou os animais que pertenciam aos soldados vikings. — Estão menos cansados que os nossos e...
— Onde está Viggo? — Interrompeu Rurik, que não via seu amigo desde o começo da briga.
A pergunta foi respondida por um grunhido profundo a alguns metros do grupo.
Todos se aproximaram rapidamente para ver como Viggo se encontrava estendido no chão, com o rosto completamente vermelho por causa do esforço para tentar levantar-se e o corpo de um soldado do Jarl sobre suas pernas.
— Maldito bastardo! — Odin!


2 de dezembro de 2017

Lady Brianna

Série Ladys
Lady Brianna de Clarence é obrigada a casar com Alexander Mackenzie, o mais temido Laird das Terras Altas.

Seu rei está punindo seus pais por desobedecer a suas ordens, e agora, dezoito anos depois é hora de pagar o preço.
Alexander Mackenzie odeia os ingleses e, portanto, a mulher que se tornará sua esposa por ordens do rei, enquanto tira seus sonhos de casamento e felicidade com Isabella, a única mulher que possui seu coração desde a adolescência e é sua amante. Alexander e Brianna devem lutar contra si mesmos, pois nenhum deles estará disposto a se render e sucumbir ao desejo.

Capítulo Um

Inglaterra 1462

Lady Brianna, observava como os servos carregavam seus pertences na carruagem que a conduziria a seu novo lar. Depois de dezoito anos, o qual não tinha saído jamais de seu querido país, devia dirigir-se para regiões mais selvagens nas Terras Altas da Escócia, concretamente a Ross-Shire.
Não conhecia nada de seus costumes, só que seus habitantes eram celtas pagãos, selvagens e guerreiros sanguinários que fazia séculos, ingleses e escoceses, professavam-se um ódio desmedido por todas as batalhas que tinham travado entre eles; sempre ambicionando mais terras, mais poder, mais riquezas… Daquele que deve ser seu esposo sabia menos ainda, só que era o Laird do clã Mackenzie.
Pelo pouco que tinha podido averiguar do que se dizia dele, era desumano com seus inimigos, frio e distante até mesmo com o povo de seu clã, sua reputação de guerreiro lhe precedia... que poderia ela esperar dele? O que mais a assustava, era não se acostumar ali.
Era muito diferente de tudo o que ela conhecia, se pelo menos conhecesse seu futuro esposo antes de partir… Mas o Rei Henrique se assegurou que o castigo fosse infligido o mais dolorosamente possível e, o que seria mais doloroso que enviar à primogênita dos Clarence, a um terrível destino? Sua mãe desde que soube da notícia, não fazia outra coisa que chorar, e seu pobre pai tinha tentado por todos os meios impedir tal desatino, mesmo que fosse membro da casa de York, já não tinha o mesmo favor dos nobres de antigamente.
Preferia ser ela à escolhida que alguma de suas irmãs mais novas, ela era mais forte, mais amadurecida. Tinha chegado o momento de partir e devia despedir-se de sua família.
Certamente, jamais voltaria a vê-los e isso encheu seus olhos de lágrimas, não voltar a ver sua mãe nem ver crescer suas irmãs doía terrivelmente. Se despedir de sua mãe e irmãs foi horrível, houve lágrimas e promessas que sabiam que nenhuma delas poderia cumprir, e seu pobre pai que tinha removido céus e terra para salvá-la de tão horrível destino, estava devastado.
Levariam embora seu pequeno girassol, sempre a chamava assim por seu cabelo dourado.
Subiu à carruagem e entre lágrimas viu como pouco a pouco, tudo o que conhecia ia ficando para trás, sua família, seu lar, sua vida… A viagem foi exaustiva, foram quase cinco dias na estrada, quanto mais ainda poderia faltar? Perguntou a um dos soldados que seu futuro esposo tinha enviado para escoltá-la, se faltava muito para chegarem e sua seca resposta foi negativa, assim tinha a esperança de chegar logo a seu destino. Estava rodeada de guerreiros que não dissimulavam o ódio por ela, incomodava-a e assustava ao mesmo tempo.
Não podia mentir, a paisagem era linda, tão verde e cheia de cor, não era tão diferente de seu país. Finalmente, parecia que chegavam a um castelo.
Ela pensou que seria algo menor, mas se impressionou com o tamanho, seria esse o lar de seu futuro esposo? Quando cruzamos o portão, pude ver muita gente reunida no pátio.
Parece que estão me esperando, mas não acredito que seja para me dar uma cálida boas-vindas. Por suas caras, percebo o ódio e ressentimento que nos separa durante séculos, mas o que me assusta, é ver finalmente o senhor destas terras.
Quando a carruagem se detém, desembarco dela sem esperar que ninguém me ajude. Estes bárbaros não entendem de boas maneiras, mas fico paralisada ao ver que se aproxima de mim um homem enorme, porém bonito.
Deus do céu! Na verdade é lindo! De cabelo negro como o carvão e olhos que pareciam do outro mundo de tão azuis, os mais lindos que já vi. Seu corpo parece esculpido em pedra, não usa camisa alguma só seu tartan que pelo pouco que sei, cada clã tem o seu. Seu olhar é frio como o gelo e me olha sem nenhuma emoção. Para ser sincera este homem me dá medo, mas não demonstrarei.
— Demorou moça — me disse com voz rouca e com um sotaque muito forte que me custa entender. — Laird — lhe saúdo por educação coisa que parece que ele, não tem.
Olha-me com fúria e me segura fortemente pelo braço me levando para as escadas que fazia minutos tinha descido. 
Ficamos frente a toda a multidão que até agora, estava em silêncio observando, não sei o que lhes disse em seu idioma e explodiram em gritos que me assustam fazendo com que dê um salto e ele, ri de mim. O olho furiosa e ele parece não gostar, faz mais forte a pressão em meu braço me machucando e ao perceber isso, sorri; é um sorriso maldoso e faz com que um calafrio percorra meu corpo.
Leva-me para dentro do castelo onde estão reunidos todos os servos que a meu parecer são poucos, só vejo duas criadas, um cozinheiro e a que suponho é a ama de chaves. 
Todos me observam e posso ver em suas caras um sentimento diferente aos dos outros habitantes deste lugar...

Série Ladys
1 - Lady Brianna
2 - Lady Sarah
3 - Lady Valentina
4 - Lady Marian
Série concluída




1 de dezembro de 2017

A Herdeira e o Ativista

Série Pretendentes Pecadores
Assombrados pelo calor de um inesperado beijo em uma fria véspera de inverno, dois estranhos de mundos substancialmente diferentes transformam exaltados princípios em ardente paixão.

Amanda é uma herdeira americana, proprietária de fábricas de tecido, que viaja para a Inglaterra para buscar novas técnicas para sua produção. 

Stephen é um homem com uma missão. 
Conseguir que os proprietários de fábricas inglesas proporcionem ambientes seguros para seus funcionários. O encontro dos dois abala as estruturas de suas convicções.

Capítulo Um


Walton Hall, Hertfordshire, 19 de dezembro, 1829
Lorde Stephen Corry, irmão mais novo de um marquês, talvez fosse considerado muito radical para ser companhia adequada, contudo, claramente, ainda possuía algum crédito na sociedade, do contrário não seria um convidado na casa senhorial do Artista Americano Jeremy Keane e sua nova esposa, antiga amiga de Stephen, Lady Yvette.
Ele adentrou a sala de estar, encontrando Yvette instruindo um lacaio que estava pendurando uma grande pintura na parede.
— Ah, aí está você — ela disse. — E no momento certo para revelação de meu novo retrato. Jeremy ainda não o viu enquadrado, logo o estou surpreendendo, exibindo o quadro a nossos convidados. Os cavalheiros estão se trocando depois de um dia de caça, as damas chegarão a qualquer momento das compras na cidade, e isto deve estar pendurado antes que eu possa chamar Jeremy em seu escritório.
— Ele não foi caçar com os outros? Ela riu.
— Jeremy não faz o tipo caçador. Stephen entendeu muito bem.
— Temo estar me intrometendo em sua reunião.
— Bobagem. Clarissa estava coberta de razão. É um absurdo que você passe a noite na hospedaria enquanto temos muitos quartos aqui. O que pensaria Yvette se soubesse que sua melhor amiga, prima dele, tinha suas próprias razões para desejar a presença dele ali? Foi um golpe de sorte que tivesse encontrado com Clarissa mais cedo.
— Convencerei Yvette a convidá-lo se beijar-me debaixo do visgo na presença de Edwin — Clarissa disse.
— Por que diabos haveria de desejar comparecer a qualquer evento social? — Ele perguntou.
— Você me disse uma vez que gostaria de encontrar o proprietário das confecções Montague. Pois bem, ela estará nesta reunião. Eu posso apresentá-los.
Apesar de Stephen não estar certo sobre o que Clarissa tinha com Edwin Barlow, o Lorde de Blakeborough, ele achou a promessa a respeito da Srta. Amanda Keane, cunhada de Yvette, impossível de resistir. Ele tinha um artigo a escrever, afinal das contas, e não teria a oportunidade de conhecer o dono de uma confecção americana de outro modo.
De qualquer forma, ela era uma solteirona sem atrativos com uma estrita visão da vida, alguém que se aventurava o mínimo possível na sociedade. Ele havia escutado que ela estaria deixando a Inglaterra em algumas semanas, logo esta seria a única oportunidade de entrevista-la.
— Bem, prometo não causar muitos problemas. — Ele brincou.
— De certa maneira, duvido disso. Entre a nossa tendência em provocar pessoas e a maneira como as mulheres reagem a você, imagino que haverá problemas em abundância. — Ela sorriu amplamente. — Felizmente, eu aprecio reuniões espirituosas, assim como Jeremy.
— Espere! Como de fato as mulheres reagem a mim? — Ele perguntou genuinamente curioso.
Yvette o encarou perplexa.
— Você sabe, perfeitamente bem, que toda dama que encontra, deseja cair em seus braços. Quanto mais velho, mais inatingível fica, e agora que está quase na casa dos trinta, elas estão salivando para conquistar o esquivo Lorde Stephen.
— Tenho apenas 28. — Ele disse azedo.
— É o bastante. Especialmente, quando as persegue com este ar de desconsiderada impaciência, que perversamente atrai a todas.
— Está lendo romances góticos novamente?
—De maneira alguma, na verdade. — Ela disse despreocupadamente. — Meramente levei anos observando mulheres rastejando a seus pés como se fosse alguma espécie de encantador Dom Juan.
A parte do Don Juan certamente se adequava. E não era por culpa dele que suas buscas não o deixassem com tempo para o sexo frágil. Ou que sua falta de interesse só fizesse atraí-las mais.
O som de cascos de cavalo batendo na entrada cheia de neve do lado de fora chegou a seus ouvidos.
— Podemos continuar esta discussão mais tarde — Yvette disse. — Esta é a carruagem trazendo as senhoras da cidade, e estou certa de que os cavalheiros também chegarão logo. Vá receber todas e então as direcione a sala de estar, silenciosamente, para não estragar a surpresa não é mesmo?
Antes de sair, Stephen perguntou: — Meu irmão sabe que estou aqui?
— Como ele poderia? Quando chegou mais cedo, ele ainda estava caçando com os outros. Mas estou certa de que ficará contente em vê-lo.
— Tenho minhas reservas. — Desde que Stephen começou a escrever para o London Monitor, ele e Warren vinham se estranhando. — Ele me considera um perigoso radical determinado a fomentar a revolução e destruir a Inglaterra.
— Ele não pensa desta forma. Apenas se preocupa que você faça algo imprudente e acabe morto.
Stephen grunhiu. Com certeza, alguns de seus discursos eram conhecidos por inflamar temperamentos, e sua série de artigos considerando o mau tratamento oferecido aos trabalhadores das usinas, não foi bem recebido por seus companheiros que o maldisseram por sua pouca lealdade aos cidadãos ingleses pertencentes à sua classe. 
No entanto ninguém se atreveria a matá-lo por causa disso. E uma vez que ele entrevistasse a Srta. Kane e mostrasse que os donos americanos não eram melhores do que os Ingleses, as pessoas veriam que ele não estava apenas lançando pedras em seus compatriotas. A situação em usinas inglesas refletia igualmente a situação ruim na América. Quem sabe então eles finalmente considerariam as condições de trabalho na indústria do algodão um problema que atravessou o continente.
Talvez, assim fizessem algo sobre isso, enfim.


27 de novembro de 2017

O Relógio de Bolso

Série Crônicas do Relógio de Bolso
Quando Maggie Mitchell é transportada para o século XIII nas Highlands, irá Lorde Logan Carr ajudá-la a consertar o seu coração ou colocá-lo em mais perigo?

Generosa, gentil e amável, Maggie quase sempre coloca as necessidades dos outros em primeiro lugar. 
Então quando uma misteriosa mulher lhe dá um extraordinário relógio de bolso, contando que é um canal para o passado, Maggie concorda em dar uma oportunidade ao relógio, mas apenas para refutar a ilusão da mulher. Mas ele funciona. Maggie encontra-se nas Highlands Escocesas no século XIII, com um bonito guerreiro que a despreza. 
A sua alma sensível é apanhada entre os seus próprios desejos e o desastre que ela poderia causar para os outros. Conseguirá ela encontrar uma maneira de resolver os problemas e voltar para casa dentro dos sessentas dias determinados? Ou alguém digno ganhará o seu coração para sempre?

Capítulo Um

O casamento foi exatamente como Maggie Mitchell sonhou que seria, desde o momento em que no ensino médio percebeu que amava Elliott Danvers. Foi numa tarde de junho de tirar o fôlego. As peônias em tons variados de rosa adornavam a igreja. Um guitarrista tocou Pachelbel´s Canon in D enquanto a festa prosseguia.
A menina das alianças, claramente intimidada já que todos os olhos estavam nela, abriu o caminho ao longo do corredor com um sorriso tímido em sua face. Ela realmente se lembrou de atirar algumas pétalas pelo caminho. Os vestidos das damas de honra, simples e chiques, eram o tom mais bonito de pervinca que se possa imaginar, algo entre lavanda e azul. O vestido de casamento era a perfeição.
Quando a ultima dama de honra alcançou o altar, o guitarrista mudou para Jesus Joy of Man's Desiring. Elliot se virou e olhou para o corredor. Ele estava devastadoramente bonito em seu terno. Alto, esbelto, com cabelos loiros espessos e olhos azuis brilhantes, ele parecia assustado, mas somente por um momento. Assim que se recuperou, seu rosto se transformou num sorriso largo e ele piscou.
Sim, esse foi exatamente o casamento que Maggie sempre imaginou, com uma exceção. Em todos os seus sonhos, ela era a noiva e aquela piscada era para ela.
Elliott era um ano mais velho e eles se conheciam desde sempre. Ele morava do outro lado da rua e, enquanto cresciam, passaram praticamente cada minuto acordados juntos.
Quando crianças, Elliott foi seu melhor amigo. Quando eles cresceram, depois que ela o deixou roubar seu primeiro beijo, ele se tornou seu namorado. Seu primeiro beijo, sua primeira dança, seu primeiro encontro de verdade, tudo foi com Elliott. 
Quando estavam no ensino médio juntos, eles eram inseparaveis. A irmã mais nova de Maggie até se referia a Elliot como o “marido da Maggie”.
Elliot se formou no ensino médio um ano antes de Maggie. Ele foi para a Universidade de Georgetown para estudar ciências da computação, mas assegurou a ela que eles não ficariam separados por um longo tempo.
― Você candidata-se a uma formação antecipada no departamento de enfermagem. Suas notas e pontuações no teste são excelentes. Você não terá nenhum problema para entrar.
Como ele previu, a carta com a formação antecipada chegou em Dezembro. Ela se lembrava de esperar para contar a ele pessoalmente, mas estava tão ansiosa, que precisou de todas as forças que tinha para evitar enviar uma mensagem para ele. No dia em que ele deveria chegar a casa para as férias de inverno, ela ficou colada na janela a noite toda, esperando o seu carro. Quando o avistou, ela correu pelas escadas e pela porta quase antes que ele desligasse o motor.
― Eu entrei, eu entrei ― ela gritou enquanto acenava a carta para ele.
Ele a levantou nos braços e a girou.
― Isso é brilhante, querida, eu sabia que você entraria. Será maravilhoso.
E teria sido, mas Maggie não foi para Georgetown naquele outono. Eventualmente Elliot se apaixonou por outra garota e o seu novo amor, Amanda, era a bonita noiva agora.
O que diabos tinha Maggie para se sujeitar a este tipo de tortura?
Bom, a resposta era muito fácil. Elliot.
Quando o convite chegou, ela conseguiu ignorá-lo por um bom tempo. Afinal de contas, estava endereçado ao Dr. Edward Mitchell e família, então ela pensou que deveria ser o seu pai a recusar. Maggie evitou constantemente todos os Danvers. Quando acontecia ver um deles passando, ela sorria, acenava e dizia uma versão de “Estou atrasada, vejo você depois”. Mas numa noite, ela não conseguiu escapar de Elliot. Ele deveria estar esperando ela voltar do trabalho, porque assim que ela saiu do carro, ele estava lá.
― Ei, Mags. É bom ver você. Não tem estado por perto recentemente.
― Eu suponho que não. Eu tenho feito alguns turnos extras.
― Isso explica esses círculos escuros em volta dos seus olhos. Você se cobra muito, Maggie. Sempre se cobrou.
Ela forçou um sorriso.
― Talvez. Olha, Elliot. Estou cansada e foi um longo dia...



Série Crônicas do Relógio de Bolso
1 - O Relógio de Bolso
2- A Parteira

25 de novembro de 2017

Imagine

A guerra de Secessão podia ter terminado para o resto do país, mas não para Kit Weston.

Disfarçada de moço, viaja a Nova Iorque para matar ao Baron Cain, o homem que se interpõe entre ela e Risen Glory, seu querido lar na Carolina do Sul. Mas o que ela não sabe é que o herói de guerra ianque não só é seu acérrimo inimigo, mas também seu tutor. E também que é muito mais difícil de matar do que ela pensava. 
Duas pessoas tão apaixonadas como tenazes… Dois adversários teimosos mas de alma terna…

Capítulo Um

O velho vendedor ambulante o captou imediatamente, já que o moço parecia desambientado entre a multidão de corretores da bolsa e banqueiros bem vestidos, que lotavam as ruas da sub Manhattan. Uns cachos negros se sobressaíam por debaixo de um chapéu de feltro amassado.
Uma camisa remendada desabotoada no pescoço, possivelmente em deferência ao calor de princípios de julho, os ombros estreitos, frágeis, enquanto uns suspensórios de couro seguravam umas calças enormes e sujas. O moço usava umas botas negras, que pareciam muito grandes para seu pequeno tamanho, e levava um vulto retangular em seu braço.
O vendedor ambulante se apoiou em seu carrinho de mão cheio de bandejas de bolos e observou o moço caminhar entre a multidão, como se fosse conquistar o inimigo. O ancião viu coisas no moço que outros não viam e lhe chamou a atenção
. — Oh, ragazzo. Tenho um bolo para tí. Doce como o beijo de um anjo. Viene qui. O moço levantou a cabeça, e olhou fixamente com ânsia as bandejas de bolos caseiros que sua esposa fazia todos os dias, e o vendedor quase pôde lhe ouvir contar os peniques que guardava no vulto de maneira tão protetora.
— Vem, ragazzo. Isto é um presente para ti — sustentava uma tartaleta de maçã grande —. O presente de um ancião a um recém-chegado aqui, à cidade mais importante do mundo. O moço colocou desafiante o polegar no cinto de sua calça e se aproximou do carro.
— O que lhe faz pensar que acabo de chegar? Seu sotaque era tão pesado como o aroma dos jasmins sobre um campo de algodão da Carolina, e o ancião ocultou um sorriso.
— Talvez seja minha tola imaginação, né? O moço encolheu os ombros e deu um chute a algo atirado no chão.— Não sou um forasteiro — assinalou com um imundo dedo o bolo
— Quanto você pede por isso? — Não disse que é um presente? O moço pensou, assentiu com a cabeça e estendeu a mão.
— Muito obrigado. Enquanto agarrava o bolo, dois homens de negócios com levita e chapeus altos de castor passaram junto ao carro. O olhar fixo do moço varreu com desprezo as correntes de seus relógios de ouro, os guarda-chuvas enrolados, e os polidos sapatos negros.
— Malditos porcos ianques — resmungou. Os homens estavam absortos em sua conversa e não o escutaram, mas assim que se afastaram, o ancião franziu o cenho.
— Acredito que esta cidade não é um bom lugar para ti, não é? Faz só três meses que acabou a guerra. Nosso presidente morreu. O ódio é ainda muito forte. O moço se sentou no meio-fio para comer o bolo.
— Eu não gostava muito do Sr. Lincoln. Penso que era pueril.
— Pueril? Madre de Dio! O que significa essa palavra? — Ingênuo como um menino. — E onde um moço como você aprendeu uma palavra como essa? O moço estreitou os olhos para protegê-los do sol da tarde e entortou os olhos ao ancião.
— Me distraio lendo livros. Essa palavra em particular aprendi do senhor Ralph Waldo Emerson. Admiro muito o senhor Emerson — começou a mordiscar com delicadeza ao redor da borda do seu bolo —. Eu não sabia que era um ianque quando comecei a ler seus ensaios. Quando me inteirei me zanguei muitíssimo. Mas já era muito tarde, porque já era seu discípulo.
— Este senhor Emerson. O que diz ele que é tão especial? Um pedaço de maçã ficou colado à ponta de seu dedo imundo, e ele o chupou com a ponta de sua pequena língua rosada.
— Ele fala do caráter e da independência. É a independência o atributo mais importante que uma pessoa pode ter, verdade?
— A fé em Deus. Isso é mais importante.
— Já não acredito mais em Deus, nem em Jesus. Acreditava, mas vi muita dor estes últimos anos. Vi os ianques matar todos os nossos animais e queimar nossos celeiros. Vi como davam um tiro no meu cão, Fergis. Vi à senhora Lewis Godfrey Forsythe perder a seu marido e seu filho Henry no mesmo dia. Meus olhos se sentem velhos.