14 de agosto de 2019

Os Condes não se casam com Criadas

Série Chad.
Ela pensou que tinha esquecido. Ele nunca parou de procurar.

Shein Dereford retorna à Inglaterra depois de passar quase dez anos nos serviços secretos. A guerra acabou, mas o Conde de Redcliff não pode permitir que os crimes de seu maior inimigo ficassem impunes. Em sua busca por justiça, ele se encontrará novamente com a mulher que não conseguiu tirar da cabeça, e que, apesar de não ser nada mais que uma traidora, roubou seu coração.
Hannah Lubrelle alcançou a paz que nunca pensou que poderia sentir. Mora com uma família que a ama e a respeita e quase conseguiu esquecer as calamidades que sofreu por causa do homem que a traiu e que quase a levou à morte. Agora, Hannah terá que encarar o passado e reconhecer que não foi sincera nem com seus entes queridos nem com seu próprio coração.

Capítulo Um

Nymphouse, Rochester. Janeiro de 1817.
Não havia um menino mais travesso que Eric Chadwick. Tinha um rosto angelical e adorável, idêntico, segundo sua avó, ao seu pai quando criança. Os cachos louros desarrumados caindo sobre sua cabeça dura e olhos cor de mel brilhantes e grandes como um oceano de trigo, eram a personificação da ternura e bondade. Mas as aparências enganam, se bem que um observador casual poderia confundi-lo com um anjo.
Os que o conheciam sabiam que por suas veias corria a obstinação e imprudência dos Chadwick, embora houve apenas um membro da família em particular com quem todos o comparavam quando descobriam uma de suas bravatas: sua tia Megan, Lady Riversey. “Alguém deveria dizer a Megan que não ensine a meu filho a roubar dinheiro dos bolsos alheios”, se lamentava Marcus Chadwick frequentemente, sem saber que aquela habilidade em especial foi ensinada pelo marido de sua irmã, o marquês de Riversey. Não há como negar que o casal de marqueses incitava o espírito rebelde do jovem Eric, mas havia de admitir que a engenhosidade e a imprudência viessem do sangue do garoto.
Naquele preciso momento, a bendita criatura voltou a fugir do seu quarto com absoluto sigilo e sem que a pobre babá, Judith se desse conta, até passada a hora do jantar. Não havia ido muito longe. Era muito improvável que tivesse abandonado a casa, ainda mais levando em conta que naquela noite se celebrava uma festa em Nymphouse e que o barulho e a algazarra em qualquer de suas formas encantavam ao jovem Eric. Estava na festa. Escondido em algum de seus esconderijos secretos. 
Por sorte, Hanna Lubrelle conhecia a todos; desde a fenda na escada do quintal traseiro até o armário do hall de entrada no qual ele se metia para observar quem ia e vinha. Sem esquecer as áreas embaixo das camas ou as zonas ocultas detrás das cortinas. 
O senhor Eric era um Mestre do escape, mas os eficientes serviçais de Nymphouse estavam mais que qualificados na busca de fugitivos. Na missão daquela noite participaram Sam e Lucien, dois jovens lacaios que se ocupavam de inspecionar os banheiros do salão e o trajeto até a cozinha; Sílvia e Edith que ao mesmo tempo em que retiravam as louças sujas das mesas, aproveitavam para levantar as toalhas e espiar embaixo; também John e Matt, os garçons que passeavam pelo salão com suas bandejas em uma mão e com a outra iam vasculhando as cortinas, buscando atrás das poltronas e sofás que haviam sido encostados nas paredes e olhando pelas janelas para terem certeza de que o jovem não houvesse escapado para os jardins.
O corpo da casa de Nymphouse contava com ao menos cem pessoas para garantir que os estândares dos serviços seguissem altos para os convidados da festa de seus empregadores. Vigiando o desenrolar da missão, estava a chefe de operações, a própria dama de companhia da viscondessa de Collington: Hannah Lubrelle, a quem deveriam de sinalizar com os olhos quando capturassem o jovem fugitivo. Até o momento a busca havia sido falha, mas a noite era uma criança e Eric podia estar entretido no meio do caminho do seu quarto ao salão, pois também era de conhecimento geral que ele tinha uma tendência de se distrair por qualquer coisa. 
Por isso a babá e a ama das chaves, McPeere, e outro par de damas vasculhavam o resto da casa. Hannah poderia estar incomoda de ter que interromper seu descanso para ir em busca do catarrento, mas ela adorava este menino com toda sua alma, e além do mais ela se divertia muito nessas missões de capturas. Sem mencionar que a cara de mal humor do Lorde Eric — para Hannah, todos seus patrões eram lordes ou ladys, seja se tivessem o título ou não — era tão terna e engraçada quando o encontravam que ela sempre torcia para ser a captora. Hannah achava saber o que era o amor, tinha experimentado em diferentes formas, mas nunca havia imaginado que chegaria a sentir aquela adoração incondicional por um bebê que não fosse seu. 
O que a unia a Eric Chadwick era pura e indolente devoção. Para dizer a verdade, o que sentia por todos os Collingtons era um afeto que escapava da sua compreensão.








Série Chad.
2 - A Pequena Malone
3 - Os Condes não se casam com Criadas
Série concluída

O Amante de Jade

Série Joias da Nobreza
Primeiro se negou à proposta escandalosa dele… Mas pouco depois aceitou converter-se em sua amante por dinheiro.

Jade Kinsgley sabe que não é, nem será jamais a esposa que alguém possa desejar. Não é nenhuma beleza. Prefere os livros a socializar e, ah, sim!, tem uma raposa de mascote. Por isso, quando uma situação a induz a procurar dinheiro, em vez de começar a busca de um marido, como deveria ser considerando entre os de sua classe, começa a procurar um amante. E que melhor amante que aquele homem que já o tinha proposto em uma ocasião? James não podia acreditar que tivesse que abandonar Londres para evitar passar pelo altar, e só porque sua cunhada não podia ver alguém solteiro sem querer casá-lo. Tampouco podia acreditar que tivesse feito uma proposta indecente à filha de um barão sem dar-se conta de quem era. Mas nada do anterior era tão tremendo como foi a incredulidade de receber a aceitação a essa proposta por parte da mesma mulher que o tinha rejeitado em seu momento. Ser um cavalheiro nunca foi uma tarefa tão difícil até que Jade decidiu que James seria seu amante. Mas ele não tinha nenhuma intenção de ceder a isso, embora o desejo dentro dele se retorcesse cada vez que a olhava e não a pudesse tirar da cabeça.

Capítulo Um

Inglaterra, 1820
Lorde James Armit caminhou com tranquilidade pelas ruas do povoado. Seus ardilosos olhos azuis procuravam algo que o pudesse entreter e o tirasse da letargia de aborrecimento ao qual se submeteu voluntariamente fazia já uns meses. Estando como estava Londres, em plena temporada social, era quase imperdoável que um libertino como ele estivesse ali, no campo, procurando algo para matar o tempo. Entretanto, tinha sido uma medida extrema tomada se não quisesse terminar aquele ano passando no altar; pois sua cunhada, Rowena Armit, era uma casamenteira em toda regra.
Devia ser a maior casamenteira de Londres, e tinha a firme convicção de que todo mundo era mais feliz casado; por isso, como ele acabava de cumprir os vinte e nove anos, já era apto para procurar uma esposa que não queria. A solteirice era o bem mais prezado de todos os homens e ele não estava disposto a deixá-la ir tão jovem.
Era filho mais novo e não tinha responsabilidades a seu cargo, por isso a obrigação de engendrar herdeiros não seria necessária, a menos que seu irmão, o duque de Richmond, seguisse como até agora, sem descendência. Ele não queria ser duque, isso era muito atarefado e requeria um alto nível de responsabilidade.
Não se podia dizer que era irresponsável, mas tampouco tinha sido preparado para semelhante cargo, por isso rogava ao Ser Divino para um dia destes, a notícia de que se esperava um herdeiro ao ducado chegasse aos seus ouvidos, não só por ele, mas sim por seu irmão e por sua cunhada. James estava e estaria feliz sendo o que era até agora, um investidor com dinheiro suficiente para manter-se e levar uma vida esplendorosa.
Seus negócios, que por certo tinha deixado abandonados para fugir ao campo, não lhe exigiam tanta responsabilidade como um ducado e podia seguir com sua vida animada sem nenhum problema.








Série Joias da Nobreza

7 de agosto de 2019

O Conde Abandonado

Isabella estava entrando em sua terceira temporada e estava ficando mais do que cansada do processo. 

Não era que ela não quisesse um marido, apenas odiava a multidão e a falsa alegria das festas. E então, quando ela finalmente conheceu um homem que ela sabia que poderia amar, ele foi rapidamente levado por outra. Ela sabia que não era notável em comparação com as outras jovens da sociedade, mas ainda conseguia alguma esperança de que se casaria por amor.
Nicholas de Meadcaster era apenas um conde. Este foi o segundo ataque contra ele no momento. O primeiro era que ele estivera bastante doente - a ponto de quase morrer - e ainda estava se recuperando. Seu irmão o encorajou a ir a Londres para encontrar uma esposa adequada. Uma esposa que se importaria com ele, com sua doença. Nicholas faz algumas escolhas ruins e Isabella é esquecida. Quando suas escolhas o assombram, Nicholas procurará um novo caminho ou afundará na miséria? Irá Isabella encontrar coragem para ser ousada e reivindicar o homem pelo qual ela está se apaixonando?

Capítulo Um

Norte de Derbyshire, Condado de Meadcaster
Ele nunca tinha notado como um nascer do sol poderia ser brilhante até o momento em que ele achava que não viveria para ver outro. 
As faixas de vermelho, laranja e amarelo cruzaram o céu quando o sol começou a se elevar sobre as árvores, exibindo uma bela imagem para aquela hora da madrugada.
Nicholas já estava acordado há uma hora, sentado na poltrona confortável do seu quarto, com as portas francesas abertas para a varanda, num esforço para ver além do vidro. 
Seu médico não aprovava que fizesse isso no momento, querendo que ele ficasse na cama, mas Nicholas estava cansado de estar na cama. Embora fraco, ele se sentiu bem o suficiente para tomar a decisão de se mudar para a cadeira.
Esfregando a mão no rosto, Nicholas apertou a mandíbula. Ele não entendia o que fizera para merecer isso, essa aflição que se apossara dele. Ele não era uma pessoa horrível, tratava seus inquilinos de forma justa e mesmo em seus dias mais jovens, não tinha gerado muitos problemas para sua família.
Era difícil acreditar que há apenas um ano ele estava cavalgando como se os cães do inferno estivessem beliscando seus calcanhares além dos pastos, além do que ele podia ver agora. O doce ar de limpeza do campo entrando e saindo de seu peito.
Nicholas Ashton, conde de Meadcaster, acabou por ser humano. Ele pensava que era imune a enfermidades. Mas o inverno lhe trouxera a febre que conseguiu derrubá-lo. Não importava o que ele fizesse, e antes que pudesse perceber, Nicholas estava deitado em sua cama, incapaz de levantar um dedo. Ele estava realmente beirando a morte. O que o trouxe de volta, ele não sabia, mas ele tinha certeza que não era mais o homem que foi no ano anterior, nem mesmo chegava perto.
A porta se abriu e seu irmão entrou, um olhar de choque e surpresa cruzando-lhe o rosto. —Você está fora da cama.
—Eu estou. — Respondeu Nicholas, puxando as pernas para fora do otomano[1] em que ele tinha apoiado. Walter era quatro anos mais novo, mas a doença de Nicholas tomara conta dele, as rugas no rosto mostrando o cansaço de toda a situação. Nicholas teve a sorte de ter seu irmão aqui, em sua propriedade de campo, tendo voltado de sua comissão no exército. —Eu não sou um infeliz inválido, você sabe.
—Poderia ter me enganado, querido irmão. — Comentou Walter, quando atravessou o quarto e se juntou a Nicholas, sentando-se na cadeira oposta. —Sabe, você parece melhor hoje de manhã. Como está se sentindo?
—Eu me sinto como um bebê recém-nascido. — Nicholas admitiu, já se sentindo cansado de tanto tempo sentado. —Que ainda precisa de fralda.
—Você está melhor a cada dia, irmão. Em pouco tempo você estará correndo pelas pastagens novamente. — Walter riu e balançou a cabeça.
Nicholas suspirou e recostou-se na cadeira. —Eu sou grato pelo seu apoio, querido irmão, mas eu não consigo ter a mesma confiança que você tem em minha recuperação. — Uma tosse atormentou-o e por alguns momentos, Nicholas lutou para controlá-la, sentindo o pânico crescer dentro dele. Será que ele voltaria a ser normal de novo?
Walter lhe deu um copo de água e Nicholas bebeu avidamente, acalmando sua garganta devastada, com o líquido frio. A porta se abriu novamente e seu médico residente entrou, também parecendo surpreso ao ver Nicholas fora da cama. —Bom Dia.
—Bom dia, doutor. — Respondeu Walter quando Nicholas lhe devolveu o copo agora vazio. —Seu paciente decidiu se sentar na cadeira esta manhã.
—De volta dos mortos, sim? — O médico respondeu, arqueando sua sobrancelha espessa. —É bom vê-lo novamente, meu senhor. Por um breve momento pensei que poderíamos tê-lo perdido.
Nicholas passou a mão pela cabeça, tentando se lembrar do último mês de sua vida. A tosse havia se tornado dor por todo seu corpo, sua febre aumentando mais do que o bom médico poderia lembrar. Houve dias em que Nicholas não conseguia respirar bem e começou a ver coisas que não estavam lá, incluindo seus pais que haviam morrido há muitos anos.
Tudo o que ele conseguiu lembrar foi de Walter ao seu lado, suplicando-o para ficar com ele. Sua tia e seu tio também estavam presentes, sua única família direta do lado de sua mãe e Nicholas estava grato por terem estado aqui com o irmão. Afinal, eles eram tudo o que ele teria deixado.
—Eu também. Então, doutor, quais são as minhas chances agora?
—Eu gostaria de examiná-lo, meu senhor. — O médico decidiu, colocando sua bolsa de médico preta na cama antes de retirar o estetoscópio. Nicholas se inclinou e permitiu que ele ouvisse seus pulmões e coração, seguindo todos os seus comandos simples. — Bem, eu posso dizer que seus pulmões estão limpos e seu batimento cardíaco é regular. E aparentemente você pode ficar razoavelmente bem. — Ele finalmente disse, dobrando o estetoscópio.
— Razoavelmente bem, mas sim, eu posso ficar—, disse Nicholas, levantando-se da cadeira e ficando de pé. Seus joelhos quase se dobraram, mas ele se forçou a permanecer em pé. — Veja?
—Bem, eu diria que você foi curado, meu senhor. — O médico disse novamente, fechando a bolsa.
—Quando vou recuperar minha força?



Um Caso Secreto

Série Noivas Secretas
A Srta. Frances Birmingham mirou no encantador Charles Holloway. Ela e sua melhor amiga, Annie, tiveram uma ideia brilhante.

Elas organizariam um leilão de solteiros para a caridade. O dinheiro arrecadado seria destinado à Real Sociedade para Tratamento Humano dos Animais e as vencedoras seriam conduzidas ao baile mais falado da temporada pelo seu solteiro escolhido. Quando Frances faz uma oferta por Charlie, a diversão de uma noite se transformará em uma vida inteira de amor?

Capítulo Um

Londres, novembro de 1816,

— Senhoras, façam seus lances — A voz do leiloeiro ecoou pela sala de reunião.
Charlie Holloway olhou ao redor do espaço cheio de encalhadas. Por que diabos ele concordou com isso? Parecia um caso bastante simples quando sua futura cunhada, Annie, explicara isso a ele. Mas estando na fila, observando os olhos desejosos de casamento das senhoritas e suas mamães o devorando como se ele fosse um doce, ele sabia com certeza. Ser leiloado como um pedaço de carne de cavalo era muito inquietante.
— Sr. Reginald Swain, senhoras — anunciou o leiloeiro, enquanto aquele digno cavaleiro se mexia desconfortavelmente em pé.
Charlie olhou ao redor da sala tentando não encontrar os olhos das mulheres solteiras no meio da multidão. Ele não se importava que o dinheiro fosse para caridade. Ele censuraria Annie por sugerir que ele fizesse isso, quanto mais convencê-lo a concordar com isso. Pura loucura. Isso é o que foi. Quando Annie — com os grandes olhos castanhos e cílios incrivelmente longos — o procurou há uma quinzena e lhe pediu para participar de um leilão de solteiros, ele deveria ter dito claramente que não.
— Mas é para a Sociedade Real para o Tratamento Humano dos Animais. — implorou. — Tudo o que você precisa fazer é passar uma noite no baile dos Wilmingtons com a senhora que fizer a oferta mais alta. E — ela adicionou para uma boa medida — Timothy e Michael já concordaram.
Foi isso. Agora que ele pensava nisso, foi isso que o convenceu. Bem, mais precisamente seus irmãos mais novos, Tim e Michael, dando-lhe uma boa notícia sobre quanto eles valeriam mais no leilão em comparação a ele.
— Você é muito velho. — Michael tinha provocado. — E você é um mero senhor.
Charlie tinha arqueado uma sobrancelha, dando a seu irmão mais novo um olhar desdenhoso. — Eu tenho apenas trinta anos, e você é um mero senhor também. — ele apontou. — E pelo menos eu sou o segundo filho. Jordan só precisa ter uma queda ruim de um cavalo, e eu sou um conde. Você, no entanto, é o quarto da fila; com Tim prestes a se casar em breve, você pode ter um sobrinho para encarar daqui há pouco.
Isso, é claro, tinha sido recebido com muitos tapinhas nas costas e objeções da parte de Jordan, que não apreciava o comentário de cair de um cavalo; para não mencionar que ele recentemente se comprometeu também... com Annie.
Os pensamentos de Charlie voltaram ao presente e à maldita e desconfortável situação em que ele estava.
— Senhoras, há uma oferta de cinco libras? — Arriscou o leiloeiro. Sir Reginald estava vários passos à frente em um estrado baixo, senhoras desfilando diante dele como se estivessem examinando seu flanco. Pobre coitado.
Por que a Sociedade Real para o Tratamento Humano dos Animais permitiu essa notoriedade? Era positivamente indecente. Tornou-se quase impossível suportar o fato de que Tim já havia sido abocanhado com a boa quantia de dez libras por sua pretendente Srta. Wintergale, e Michael logo fora vendido a uma bela e pequena dama loura. Ela era um pouco gorda, mas aparentemente sua carteira também era gordinha. Ela pagou quase vinte e cinco libras por Michael, que puxou a manga dele, curvou-se diante da senhorita e deu a Charlie um sorriso decididamente arrogante enquanto passeava.
— Eu tenho cinco. Há uma oferta de dez?









30 de julho de 2019

A Pequena Malone

Série Chad.
A honorável senhorita Lauren Malone perdeu tudo o que era honrado. 

Ela se encontra à beira da ruína graças aos vícios de seu pai, o Visconde Holbrook, que a arrastou para uma vida de crime. Sim, a honorável senhorita Malone tornou-se uma ladra que ninguém pode salvar de ser repudiada pela sociedade londrina, nem mesmo sua melhor amiga intrépida e imprudente.
Para surpresa de Lauren, o resgate virá da pessoa que menos poderia esperar e sob uma oferta que ela será forçada a rejeitar. 
Lauren Malone ainda é orgulhosa demais para aceitar a proposta do visconde de Collington, Marcus Chadwick, o Anjo de Londres, o homem que ela ama mais do que ela mesma.

Capítulo um

Londres, maio 1813.
Lauren Malone lembrou o momento exato em que, com toda certeza, sabia que seu pai não a amava.
Foi aquela noite fatídica, dois anos atrás, quando o Dr. Lambert disse a eles que não havia chance de que Lady Holbrook, sua mãe, sobrevivesse. Se ela fechasse os olhos, ainda podia sentir claramente o impacto daquelas palavras, a dor tão devastadora que fizeram sentir em seu peito.
Não é que não tinha grandes esperanças, porque era sabido que muito poucas pessoas superavam a tuberculose, mas uma coisa era ter o conhecimento vago de que algo não tem solução, e outra bem diferente é enfrentar a beira do abismo, onde podia sentir a perda como se fosse uma pedra grande que a empurrasse para o vazio.
Lauren sofria naqueles dias uma fadiga extrema devido às longas horas que velava o sono febril de Aileen Malone, enquanto aquela odiosa epidemia consumia seu último suspiro de vida, mas forçou-se a levantar da cama da paciente para descer e ir ao encontro do seu pai para informá-lo do anúncio do médico.
Durante as três semanas desde que sua mãe adoeceu, Lorde Holbrook tinha permanecido discretamente em segundo plano.
A princípio, ele se ofereceu para passar algumas noites na cama da mulher doente, mas à medida que a lucidez de sua esposa diminuía devido à febre, a passividade do visconde aumentava, até chegar ao ponto em que ele preferia passar as noites bebendo em sua biblioteca do que ao lado da mulher que ele deveria ter amado.
E ele a amara, disso Lauren não tinha dúvida, porque os poucos momentos de humanidade que ela havia testemunhado naquele ser distante e arrogante que era seu pai foram na companhia de sua perfeita e adorada esposa. 
Na verdade, pode-se dizer que eles eram uma família feliz, até aquele dia, porque, embora Lauren não tivesse o afeto de seu pai, o casamento de Malone fora muito bom, e ela recebera todo o amor que uma mãe poderia dar para sua filha.
Com um passo hesitante e a dor enchendo sua alma, Lauren entrou naquela noite, na atmosfera sombria e carregada em que se tornou a biblioteca, desde que seu pai passou a comer, beber e passar as noites lá.
Encontrou-o espalhado na poltrona, em frente a uma chaminé que não havia tomado cuidado para continuar acesa e com o eterno copo de licor pendurado descuidadamente em sua mão.
- O médico diz que devemos dizer adeus à mamãe...- Lauren anunciou em uma voz rouca, resultado do seu intenso cansaço. - Ele duvida que sobreviva esta noite.
Lorde Holbrook não mostrou nenhum sinal de ter ouvido sua filha. Ele permaneceu distraído, olhando para o buraco vazio na lareira sem mover um único músculo.
- Pai...- Lauren insistiu.
- Eu ouvi você - Ele respondeu.
Gideon Malone levantou o corpo gorducho e, segurando a mão no console da lareira, terminou de beber com calma o conteúdo de seu copo.
Ele era um homem não muito alto e com sinais visíveis de desmazelo absoluto. Ele tinha cabelos castanhos médios com alguns cachos nas costas e um leve toque de calvície na testa, que se espalhara com a maturidade. Os olhos eram verdes, mas com uma espécie de humor aguado que nunca os tornara particularmente bonitos. O nariz era plano e os lábios finos. Não se pode dizer que ele tinha um rosto bonito, embora Lauren soubesse que em sua juventude ele tinha charme suficiente para fazer sua mãe apaixonar-se por ele.
Ela havia herdado a forma oval de seu rosto e a estrutura bastante robusta para uma jovem, que transformou Lauren Malone em uma mulher voluptuosa; o que significava que ela era peituda e tinha as nádegas avantajadas: dois traços infinitamente odiados por ela.
Quando Lorde Holbrook terminou de beber, colocou o copo sobre a lareira e virou-se para sair do quarto. Ele passou por sua filha, parou e a observou por um momento. Sem ênfase, sem paixão, sem qualquer emoção, ele disse:
- Se pelo menos você tivesse nascido homem, eu teria algum motivo para viver. Mas não, até nisso me desapontou. Vá dormir ou para onde você quiser ir. Eu vou ficar com ela.
Não que Lauren não tivesse notado a falta de afeição do homem distante que convivia e que nada havia sentido por ela, mas ela sempre se consolava com a certeza de que Lorde Holbrook era uma pessoa desprovida de emoções alegres, possuidora de uma personalidade áspera, rude e introvertida.
Ela havia se convencido de que esse comportamento nada tinha a ver com qualquer tipo de aversão à ela, mas que era algo que seu pai não podia controlar, que era inato ao seu jeito de ser. Uma casca dura e amarga que só sua mãe, filha frágil, mas corajosa de um conde irlandês, conseguira penetrar.








Série Chad.
1 - A Nobre Ladra
2 - A Pequena Malone
Série concluída


Planos Perversos

Série Liga dos Libertinos  de Londres



A Liga dos Libertinos pega o que eles querem, mas eles não pegam em demasia?

Por muito tempo, a senhorita Emily Parr ficou sujeita aos caprichos de seu tio endividado e aos avanços lascivos de seu repulsivo parceiro de negócios. Seu plano de acabar com esses homens para sempre é simples, encontrar um marido gentil que a deixe com seus livros. 
Parece um plano fácil, até que ela é inesperadamente raptada por um duque incorrigível que esconde um espírito ferido por trás de seus olhos verdes.

Capítulo Um

Londres, setembro de 1820
Algo não estava certo. Emily Parr permitiu que o cocheiro idoso a ajudasse a entrar na carruagem coletiva da cidade, e o olhar esquisito que ele lhe deu fez sua pele arrepiar-se. Espreitando o interior escuro do veículo, ela ficou surpresa ao encontrá-lo vazio. 
Tio Albert deveria acompanhá-la em compromissos sociais e, se não fosse ele, certamente uma acompanhante. Por que então a carruagem estava vazia?
Ela se acomodou no banco de trás, as mãos apertando a bolsa o suficiente para que o cordão de contas enfiasse nas palmas das mãos com luvas. Talvez seu tio estivesse se encontrando com seu parceiro de negócios, o Sr. Blankenship. Ela tinha visto Blankenship chegar um pouco antes de subir as escadas para se preparar para o baile. Um arrepio percorreu-a. 
O homem era uma criatura lasciva com olhos e mãos negras de besouro que tendiam a vagar livremente quando ele estava perto dela. Emily não era mundana, tendo acabado de completar dezoito anos meses antes, mas neste último ano seu tio a tinha esclarecido para um novo lado da vida e nada disso tinha sido bom.
Sua primeira Temporada em Londres deveria ter sido uma experiência maravilhosa. Em vez disso, começara com a morte de seus pais no mar e terminara com sua nova experiência de vida no túmulo empoeirado que era a casa de seu tio. Com uma biblioteca insubstancial, sem piano e sem amigos, Emily começou a cair em uma
névoa melancólica. Era crucial ela fazer um bom casamento e rápido. Ela precisava fugir do mundo de tio Albert, e a única maneira de fazer isso era legalmente obter a fortuna de seu pai.
Um primo distante de sua mãe segurava o dinheiro em confiança de herdade. Era uma coisa frustrante que um homem que ela nunca conheceu ter os cordões de sua vida e da sua bolsa. 
O tio Albert também desprezava a situação. Como seu guardião, ele foi forçado a prestar contas ao primo de sua mãe, que felizmente o impediu de investigar profundamente suas contas para suas próprias necessidades. A pequena fortuna era a melhor moeda de barganha que ela tinha para atrair potenciais pretendentes. Embora o dinheiro fosse para o marido, ela esperava encontrar um homem que a respeitasse o suficiente para não desperdiçar o que era dela por direito.



Série Liga dos Libertinos  de Londres
01 - Planos Perversos



Tormento de Amor

Raptada em seu caminho para o colégio interno, uma aterrorizada Catherine Enderly foi trazida da Inglaterra para a costa da Irlanda, ela era prisioneira de um jovem raivoso e poderoso chamado Sean Culhane - um homem que jurou vingança contra sua família. 

Assustada, mas desafiadora, a jovem condessa demonstrou a seu captor uma força que desmentia sua frágil beleza. Mas mesmo quando Sean prometeu se vingar de Catherine, a cada encontro ele se sentia mais atraído por ela. Sua ardente inocência era uma sedução que atraía as paixões de longa hostilidade para um ardente inferno de desejo. Preso em um duelo de amor e ódio, ele não suspeitava que a beleza cativa que lutava contra ele com tanta tenacidade, lutava desesperadamente contra seus próprios desejos despertos, e que seu toque se tornara o lembrete ardente de que o ódio feroz que ela sentia por ele se tornara um amor que tudo consome.

Capítulo Um

Penas de Aço
 Toc, toc, toc. Alice mudou sua arma inusitada e seu peso considerável ao mesmo tempo. Toc, toc, toc, o pé largo da babá estava batendo no chão. Ela olhou furiosa para a jovem criatura angelicalmente serena que tinha a cabeça enfiada sob travesseiros de ponto de cetim. 
A pequena Catherine, não era nenhum anjo! Catherine era uma atrevida. Com ossos pequenos, graça grotesca e uma indisciplinada confusão de cabelos negros tão finos que parecia se tornar azul, ela geralmente se parecia com um moleque de má reputação por causa de sua indiferença em se vestir. 
Seus olhos notáveis, amendoados, fortemente arredondados, eram de um azul iridescente tão inquieto na sombra quanto opalas. 
Eles nunca tinham sido os olhos de uma criança, a menos que a criança fosse o próprio Urano. Alice esperara que no ano passado em Bath veria Catherine evoluir para uma jovem lady da moda, mas quando Catherine chegou em casa para as férias de Natal, ela parecia pouco diferente da moça espevitada que se misturava inconscientemente com os filhos dos servos. 
Não era incomum em Windemere ver cozinheiros novatos e duques puxarem a mesma corda em Cabo de Guerra enquanto uma Catherine enlameada gritava encorajamento e se arrastava com eles. 
O rosto de Alice ficou melancólico. Catherine, filha de John Enderly, visconde de Windemere e condessa por sua própria conta, fora enviada à Academia de Damas em Bath depois da morte de sua mãe, cinco anos antes. 
Cartas sobre Catherine vindas daquele estabelecimento eram desaprovadoras. Na opinião das diretoras da escola, a condessa tinha feito demais e, graças a seu pai diplomata, vira muito do mundo para uma garota que ainda não tinha dezessete anos. A moça poderia ser versátil em quatro línguas, mas podia ser pega sendo insolente em qualquer uma delas. 
Suas colegas de escola invariavelmente seguiam seu exemplo, seja lendo discursos sobre a igualdade feminina de uma certa mulher italiana, Gaetana Agnesi, ou esgueirando-se em roupas masculinas para entretenimentos inadequados. 
O visconde achava divertido, mas Alice, ciente das dificuldades da adaptação de Catherine à escola, sentia pena dela. A posição de Catherine languidamente mudou, e a simpatia de sua velha ama de leite evaporou enquanto franzia o cenho para a ofensiva ilícita da anatomia. Alice poderia ser iletrada, mas ela sabia o que significava 
— Vamos. —Ela deveria prever problemas a uma semana da véspera de Natal, quando contou a Catherine sobre o guarda-roupa parisiense que o visconde comprara para ela. Ela deveria ter sabido que Catherine deduziria que o novo guardaroupa trazia um cheiro de pretendentes junto com lavanda inocente. 
Um olhar de bruxa tinha cintilado através dos olhos extraordinários de Catherine, e para o desalento de Alice, ela escolheu usar o mais ousado dos novos vestidos para cumprimentar os convidados para o jantar de Natal. 
A seda carmesim do sári, com cores iridescentes e flamejantes, envolvia seu jovem corpo como magia, e Alice agora tinha certeza de que o problema que se formou naquela noite havia transbordado. 
Só de pensar nisso fez seu temperamento ferver. Seu pé, interrompendo suas batidas impacientes no chão, desceu com uma rachadura peremptória. Os travesseiros explodiram e Catherine subiu os escombros da seda. 




A Conquista de Esmeralda

Série Joias da Nobreza
O único homem que não podia amá-la era o único que ela desejava. 

Esmeralda Loughy tem só um objetivo: encontrar o homem de sua vida e casar-se com ele. O homem perfeito tem que ser um cavalheiro simpático, alegre, romântico, fiel e, sobretudo, que a ame tanto como ela o amará. Sabe que o reconhecerá assim que o ver. E assim acontece, embora haja um pequeno problema: não tem nenhuma das qualidades anteriores, e nem sequer acredita no amor. Esmeralda não se dará por vencida, é uma Loughy, e as Loughy são teimosas. Ela está disposta a fazê-lo se apaixonar e a ter seu romance com final feliz. Anthony Price, barão de Cliffton, é um pária na sociedade londrina. Sua horrível reputação faz com que os cavalheiros tremam quando o veem, as mães afastem suas filhas dele e as mulheres casadas suspirem ante sua aura de perigo. 
Depois do abandono de sua mãe, a raiva de seu pai e a morte de sua prometida, há anos está convencido que não nasceu para ser amado, por isso, dedica-se a destruir literalmente sua vida. Álcool, jogos, mulheres, e aventuras formam parte de seu cotidiano, e não está disposto a mudar... Ou não estava até que aquela intrometida moça se interpôs em seu caminho. Com aqueles olhos verdes cheios da inocência de quem não sofreu na vida e aquele caráter tão otimista, ela se dedicará a persegui-lo pondo em perigo seu coração e também a reputação que tanto se esforçou em promover.

Capítulo Um

Londres, 1820 
Esmeralda Loughy entrou mais no labirinto de lady Dartmouth, tendo especial cuidado em não chamar a atenção e olhando sempre para trás para assegurar-se de que ninguém a via. Ela sabia que uma jovem solteira não devia ausentar-se sozinha de uma festa, mas estava muito necessitada de uma pausa para ter em conta essa pequena regra da sociedade. 
Seus doloridos pés, embainhados em umas delicadas sapatilhas de baile, não emitiram nenhum ruído ao caminhar e Esmeralda logo pôde respirar aliviada, sabendo que era pouco provável que alguém a encontrasse ali, por isso teria um pouco de tempo para descansar. Sentando-se em um dos bancos distribuídos em diversos pontos do labirinto, Esmeralda deixou que o frio ar da noite a acariciasse e brincasse com os caracóis loiros que emolduravam seu rosto.
 Fechou os olhos e desfrutou da paz do lugar preparando-se mentalmente para quando tivesse que retornar. Desde jovem sempre sonhou em como seriam seus anos em sociedade; imaginava grande parte do tempo passeando pelo parque, indo ao teatro, dançando com cavalheiros até que encontrasse entre eles o homem com quem se casaria. 
Entretanto, nunca imaginou que ter uma fila de pretendentes atrás dela fosse tão exaustivo, mais ainda quando tinha uma tutora que parecia viver só para casá-la com um bom partido. Esmeralda não duvidava das boas intenções de Rowena com respeito ao seu futuro, sabia que a amava como a uma filha e que quão único desejava era casá-la bem e logo, mas seus intentos, em sua opinião, eram um pouco excessivos. 
Ter que dançar com um cavalheiro atrás de outro, sorrir de forma cortês ante um comentário estúpido dito por eles, e agradecer cada adulação vazia que lhe dedicavam durante a dança não era bom para sua saúde mental e, definitivamente, não era bom para seus pés. Ela gostava de dançar, o que não lhe agradava eram os companheiros de dança que sua tutora lhe apresentava, devia admitir que, embora muitos eram jovens, bonitos, e inclusive simpáticos, nenhum parecia ter aquele “algo” especial que ela estava procurando. 








Série Joias da Nobreza

24 de julho de 2019

Segredos de uma Noiva Fugitiva

Série Noivas Secretas
A emoção da fuga

A Srta. Annie Andrews está finalmente livre para se casar com o homem que ama. 
Com sua irmã super protetora fora do país em sua lua de mel, nada pode impedir sua fuga para Gretna Green, nada, a não ser, um sequestro pelo cavalheiro errado.
A doçura da rendição
Quando Jordan Holloway, o conde de Ashbourne, prometeu cuidar da cunhada de seu melhor amigo, ele não imaginava que seria tão difícil. Mas quando ele a manda para a casa de campo dele, para evitar sua fuga, ele descobre que a beleza tentadora sabe como lutar. Para piorar a situação, ele está preso no papel de protetor honrado… quando o que ele realmente quer é fugir com ela.

Capítulo Um

Londres, final de setembro de 1816
Annie Andrews estava a meio caminho do lado da casa da cidade de Arthur Eggleston, escalando uma hera tão conveniente e forte, quando o barulho dos cascos de um cavalo a deteve. Ela fechou os olhos. Ah, isso não era bom.
Apesar do fato de que ela estava no beco nos fundos da casa e estava escuro como breu, ela acabara de ser descoberta. Ela sabia disso. Por favor, que seja um servo. Mas, mesmo quando ela desejava, ela sabia que não poderia ser. Um empregado no beco a cavalo? Não.
E as chances de ser tia Clarissa eram decididamente baixas também. Annie tinha se assegurado que a senhora estivesse bêbada e adormecida antes mesmo de ter tentado a pequena escapada desta noite. Além disso, tia Clarissa tinha muito medo de cavalos.Annie mordeu o lábio. Então ela lentamente virou a cabeça.
Ela engoliu em seco. Era pior que um servo. Muito pior.
— Perdida? — A voz masculina arrogante perfurou o ar fresco da noite. Jordan Holloway, o conde de Ashbourne, passou a perna por cima da sela e desmontou.
Oh, droga. Não havia absolutamente nenhuma maneira plausível de explicar isso. Annie ergueu o queixo numa tentativa de manter sua dignidade. Tanto quanto se poderia quando alguém estava se agarrando precariamente a uma videira.
A lua espiava por trás das nuvens, lançando um pouco de seu brilho na cena enquanto Lorde Ashbourne subia os degraus e ficava em pé olhando para ela, com os braços cruzados sobre o peito. Recostou-se contra a balaustrada de pedra, cruzou os pés com botas negligentemente nos tornozelos e observou-a com um olhar zombeteiro no rosto tão bonito… lindo demais se lhe perguntassem. O homem tinha facilmente um metro e oitenta de altura, possuía ombros largos, quadris estreitos, nariz reto, escuras sobrancelhas, cabelos escuros e ruivos, e os olhos cinzentos mais incomuns.
— Se não é a noiva fugitiva. — Ele sorriu. — O que você está fazendo agora, Srta. Andrews?
Annie rangeu os dentes. Ela odiava quando Lorde Ashbourne a chamava com aquele nome ridículo. A «noiva fugitiva». Humph Como melhor amigo de seu novo cunhado, Lorde Ashbourne a conheceu logo depois de um infeliz incidente em que fugira com Arthur para Gretna Green na primavera passada. Mas isso foi há meses e as coisas eram diferentes agora. Arram, apesar das circunstâncias presentes. E era tão típico de Lorde Ashbourne zombar dela enquanto ela não estava em posição de chutá-lo ou, pelo menos, dar-lhe um olhar condenatório. Era extremamente difícil conjurar a condenação enquanto estava empoleirada em uma planta.
Com as palmas das mãos suadas, Annie apertou mais a videira e convocou a indignação que conseguiu. — Eu não vejo como isso é da sua conta. — Mas mesmo quando ela disse as palavras, ela sabia quão ridícula elas eram. — Como você sabia que eu estava aqui?
— Digamos que eu tive um palpite. Mas, antes de ajudá-la a se afastar desta situação ridícula… — ele demorou. — Eu insisto que você me diga por que, exatamente, você está fazendo isso.
Annie cuspiu uma folha errante da boca. — Eu não preciso de sua ajuda, Lorde Ashbourne. Eu sou bem capaz… — Ela olhou para baixo. Era pelo menos uma queda de um metro e meio até a varanda abaixo. Ela só teria que pular. Ela se afastou da videira, mas descobriu, para seu espanto, que a bainha de seu vestido estava presa nos arbustos.
Lorde Ashbourne sacudiu a cabeça. — Sério, Srta. Andrews, por quê?
Ela soltou o fôlego, ainda tentando manter um mínimo de dignidade. Oh muito bem. Algumas explicações estavam obviamente em ordem. — Não é tão ruim quanto parece. Eu apenas queria chamar a atenção de Arthur. Eu planejava jogar uma pedra na sua janela
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Série Noivas Secretas

1- Segredos de uma Noite de Nupcias
1.5- Uma Proposta Secreta
2- Segredos de uma Noiva Fugitiva
2.5- Um Caso Secreto

23 de julho de 2019

O Anjo e o Canalha

Série Os Irmãos Kensington 

Phillip Kensington, marquês Huntley, foi ferido e dado como morto antes de ser descoberto e levado a uma abadia próxima para recuperar-se. 

Tinha sido um bêbado, uma desgraça, e a ruína de mais de uma mulher decente. Mas não demora para ver-se reformado, e apaixonado por uma mulher que não pode ter. Ângela Sullivan planejava dedicar sua vida a um homem celestial e imortal. Em troca, vê-se cuidando de um diabolicamente belo canalha, que provoca sentimentos que acreditava ter dominado fazia muito tempo. Odeia seus célebres pecados, mas nunca contou apaixonar-se profundamente pelo pecador. Seus passados não demoram em alcançá-los, e uma segunda oportunidade ao amor parece ser muito a se esperar. Aí é quando intervém lady Palmerston, uma parente longínqua de Ângela, com seu próprio e negligente modo de se conduzir como acompanhante e que deve assegurar um final feliz para as duas pessoas que a sociedade espera ver casadas.

Capítulo Um

Abadia de Stanbrook, Sussex, Inglaterra, setembro de 1821
Ao abrir os olhos, Phillip não reconheceu o que viu. Uma luz estranha e sedosa lhe deslumbrava. Deu-se conta de que tinha amanhecido. Não era capaz de recordar quando tinha sido a última vez que tinha visto a luz da manhã. Para ele, era um espaço de tempo que passava dormindo atrás de cortinas de veludo, depois de ter estado toda a noite bebendo, jogando cartas e em companhia feminina. Piscou até que seus olhos se acostumaram à luz. O que fazer pela manhã? «Tomar o café da manhã» recordou, dando a volta na cama e encolhendo-se de dor. 
Procurou a campainha para chamar o serviço. Os músculos do braço e o peito lhe doíam. Procurou em vão pela campainha. Não havia! Como ia comer se não podia chamar a nenhum criado? Iria morrer de fome. Phillip se voltou uma vez mais na cama para deitar-se de barriga para cima, algo que lhe resultou bastante doloroso. Que diabos teria feito? E onde demônios estava? Jogou uma olhada ao lugar onde se achava: pelo estreito que era, certamente se tratava de uma cela. Estava em um cárcere. 
As paredes e o chão eram de pedra cinza. Havia uma porta e na parede oposta uma janela, pela qual se via o céu. Não havia tapetes nem cortinas, nem nada que não fosse estritamente necessário: a estreita cama sobre a qual jazia, uma mesinha de noite e uma cadeira, ambas de tão má qualidade que Phillip se perguntou se eram obra de algum carpinteiro bêbado. Fim do inventário. 
Esse lugar não tinha nada a ver com nenhuma das casas que tinha ocupado em seus vinte e nove anos de vida. Cliveden, a residência ducal onde tinha passado sua juventude, tinha conhecido épocas melhores, mas ao menos conservava os tapetes em todas as habitações. E o apartamento de Paris, do qual tinha fugido recentemente — isso sim recordava, — embora pequeno, — só dez habitações — estava decorado com um gosto requintado. Inclusive a habitação da donzela tinha cortinas. Não deixava de se perguntar onde diabos se encontrava. 
Não podia sair de suas dúvidas porque faltava a ditosa campainha. Sem ela não podia chamar um criado para que respondesse suas perguntas. Phillip acabou por chegar à conclusão de que não tinha conseguido livrar-se de seus perseguidores. Ao tratar de recordar o que tinha acontecido, começou a sentir uma dor aguda na cabeça. 
Tudo que se lembrava era da escuridão fechada da noite, do som constante dos cascos dos cavalos e da chuva fria que lhe golpeava a cara impregnando-o até os ossos. Recordava estar olhando de maneira constante para trás, para ver se pôr fim os tinha despistado. Depois disso, não recordava mais nada.
Tendo em conta a dor que sentia e a espécie de cela em que se encontrava, tinha chegado à conclusão de que o tinham alcançado. Mas estava muito cansado e dolorido para pensar nisso agora. Nem sequer ficavam forças para preocupar-se pelos passos que às vezes se ouvia no corredor, passando diante de sua porta. Seu interesse despertou quando viu entrar no quarto, uma mulher com uma bandeja na qual esperava que houvesse comida. — É um anjo.








Série Os Irmãos Kensington 
1- Gêmeos e Rivais
2-  O Anjo e o Canalha
Série concluída

17 de julho de 2019

Cúmplices nas Sombras

Série Irmãos de de Armas

Um foragido com mais honra que a maioria dos cavaleiros salvou Lady Elizabeth D’Averette de um destino pior que a morte, e ela decidiu recompensar sua valorosa intervenção. 

Entretanto, não pagaria um preço muito alto ao dormir em sua cama, embora fosse castamente? Finn apreciava a coragem, uma virtude que Lizette tinha em abundância. Seu caráter aventureiro parecia com o dela e estava disposta a acompanhá-lo em uma perigosa missão para resgatar ao Ryder, o irmão de Finn, e trazer à luz alguns segredos muito bem guardados da corte real. No entanto, era possível que uma nobre tão bela pudesse chegar a querer a um plebeu irlandês?

Capítulo Um

Midlands, 1204.
— Acreditava que ia enlouquecer se tivesse que seguir sentada nessa carroça. — Se queixou Lady Elizabeth de Averette, enquanto levantava a barra da saia e se dirigia para beira de um riacho.
— Não acha que deveríamos ficar com os homens? — Perguntou sua donzela que olhava nervosamente à escolta de soldados que também tinham desmontado.
Os homens brincavam e amaldiçoavam entre eles enquanto levavam os cavalos para água ou os deixavam pastando na erva abundante que havia ao lado da estrada. Alguns tinha tirado de seu alforje pedaços de pão ou davam goles de cerveja. 
O líder do cortejo, Iain Mac Kendren, não fazia nenhuma coisa nem outra. Estava com braços nos quadris e com os pés bem plantados no chão, como se fosse uma estátua, apenas o ligeiro movimento de sua cabeça dava a entender que estava vivo e vigilante.
— Ontem à noite ouvi o hospedeiro falar sobre um ladrão que assalta aos viajantes por esta área. — Disse Keldra quase sem respirar pelo medo. — Um homem enorme, bárbaro e espantoso!
Lizette, como conheciam suas irmãs e o povo de Averette, a olhou com um sorriso condescendente. Keldra só tinha quinze anos e não estava acostumada a viajar. Não admirava que se assustasse com qualquer história de ladrões, por mais exagerada ou desatinada que fosse.
— Segundo uma das moças, é um ladrão muito bonito. Também disse que não rouba às mulheres se elas derem um beijo, mas me parece algo saído de canção de um menestrel. Mas, seja como for o ladrão, temos cinquenta homens para nos proteger, além do Iain Mac Kendren, e estou segura de que não nos acontecerá nada.
— Isso espero. — Sussurrou Keldra como temesse que o ladrão pudesse ouvi-la.
Lizette, sorridente e encantada de sair da fechada carroça, tirou a tiara de prata e o véu de seda e se agachou à beira do riacho.
— Se ele se contenta com um beijo em vez de minhas roupas e joias, acredito que até poderia me divertir conhecendo-o.
— Milady...! — Exclamou Keldra escandalizada, o qual demonstrou o pouco que conhecia a sua senhora.
Lizette pegou água com as mãos e a levou aos lábios.
— Você não gostaria de beijar um canalha bonito?
— Não se for um foragido!
— Eu preferiria beijar a um foragido bonito do que alguns cortesãos, que acham obviamente que eu quero casar com eles. 

Um Cavaleiro de Armadura Brilhante

Série Engana-me uma vez
A charmosa e encantadora novela de uma bela donzela inglesa e o bravo cavaleiro que se apaixona por ela...

Desesperada para fugir do casamento forçado com o Barão Warbrooke, o cavaleiro mais temível da Inglaterra, Lady Linnet de Ardenwood contrata o perigoso mercenário, Guilherme de Ros, para escoltá-la a um convento onde ela poderia se casar com Deus, em vez do cruel guerreiro que diz ser o diabo encarnado. O que ela não sabe é que de Ros é na verdade o próprio homem do rei e o novo Barão Warbrooke, que por acordo com o avô protetor de Linnet, tem apenas uma semana para cortejá-la e conquistá-la.

Capítulo Um

A visão dela tirou o fôlego dele. Ele, um feroz e valente cavaleiro, estava congelado em cima de sua montaria e observava a jovem na beira da clareira. Ela ficou presa por um momento atemporal em prismas de luz branca enevoada que se espalhou pela floresta.
Se ele não estivesse sozinho, ele teria perguntado a seus homens de armas se ela era uma visão - um sonho nascido da fraqueza de um homem que tinha lutado muitas batalhas, bebido demais e dormido muito pouco. Pois apenas uma visão poderia ter cabelos que ondulavam pelas costas, quase tocando seus joelhos. Cabelo com a rica cor de fogo de um pôr do sol. Apenas uma visão poderia parecer tão inocente. Apenas uma visão poderia cantar como os anjos.
Sua voz subiu em música até as copas das árvores, um som que ele somente podia entender como música do céu - clara, fresca e sem falhas. Ele desmontou e se aproximou, sua busca por água subitamente esquecida. Naquele momento, importava pouco que sua boca contivesse o sabor empoeirado da estrada, tão cativado ele estava por essa jovem.
Ela se abaixou e pegou outra flor amarela brilhante do chão da floresta, tecendo-a em uma grinalda de flores silvestres e hera exuberante que pairava sobre o braço. Ela se virou então, girando sobre um pé descalço enquanto seu cabelo corria para fora e sua túnica marrom soava ligeiramente. Ela estava cantando uma alegre e feliz melodia, uma canção para os gatinhos que brincavam a seus pés.
Eu ansiava no passado em ser uma fada,
Para voar na pálida luz da lua.
Com asas ténues tão leves e arejadas,
Em uma noite de verão em junho.
Uma música tola cheia de capricho, mas de alguma forma isso o encantou como nada havia feito a mais tempo do que ele conseguia se lembrar. Ele continuou a observá-la.
Logo um esquilo saiu correndo de uma árvore alta, seguida por mais dois. Eles ficaram de pé e inclinaram as cabeças curiosas enquanto ela cantava. Três coelhos saltaram das samambaias, contorcendo os narizes e as caudas, em vez de instintivamente usar as velozes patas traseiras para saltar. E os pássaros – andorinhas comum, tordos-americanos e beija-flores - flutuaram a cima dela.
Estranho, ele pensou, como os animais não tinham medo dela. Era como se eles fossem atraídos, assim como ele, pela doce voz de uma sereia.
Ele perguntou a si mesmo se ele estava há muito tempo em guerra. Será que ele tinha visto tanto derramamento de sangue, tão longe de sua terra natal, que a mera visão de uma beleza inglesa fez sua mente fingir que ele era falso? A floresta era um lugar escuro de lenda, o cenário para o lado maligno do conto de um bardo e lar de trolls e bruxas, se alguém acreditasse em fantasia.
Mas a fantasia não era para os homens de guerra, mais do que uma jovem poderia se transformar em uma fada. Não, para a mente de um guerreiro, a floresta era um lugar para ladrões e perdulários, e o melhor lugar possível para uma emboscada.
Seu sexto sentido dizia que não havia perigo aqui. Como se estivesse encantada, essa floresta parecia ganhar vida na aura alegre dessa criatura pequena e adorável. E ele também sentia aquela sensação de vida que ele pensava estar perdida por muito tempo. Ou talvez nunca tivesse estado lá.
Ela dançou até um pequeno riacho borbulhante onde levantou a túnica e pulou de pedra em pedra, rindo quando os pássaros a seguiram e os esquilos, coelhos e gatinhos a observaram da margem.
Ele sorriu. Sangue de Deus. Ele se perguntou quanto tempo tinha passado desde que algo o tocara tanto. Ele sabia a resposta - muito tempo.



Série Engana-me uma vez
1- Um Cavaleiro de Armadura Brilhante
2- Pelo amor de Grace (digitalizado)
Série concluída






A Tentação de um Highlander

Série Macken.
A mulher a quem deve resistir é a que ele mais deseja…

Darroc MacConocher passa inumeráveis noites sonhando com uma linda mulher de negros cabelos que o fazer arder de desejo. Então seu sonho se faz realidade: a dama de sedutoras curvas e pele clara aparece na costa, arrastada pelo mar. Darroc se sente atraído imediatamente por sua força e sua beleza, e desde que vê o poderoso guerreiro, Lady Arabella Mackenzie sabe que jamais desejará a outro homem. Mas o amor deles é proibido. Os Mackenzie expulsaram os MacConocher de suas terras e destruíram sua honra. Agora, Darroc pode utilizar esta sedutora de olhos da cor da safira para acabar com seus inimigos. Mas, como pode negar a paixão que arde entre Arabella e ele e arruinar à única mulher que alcançou seu coração e sua alma?

Capítulo Um

Castelo de Eilean Creag
O grande salão na manhã do outono 1350
— A que se refere ao dizer de que quer ver as Ilhas das Focas?
Duncan MacKenzie, o indomável Cervo Negro de Kintail, arremessou de um golpe sua taça de cerveja e fixou o olhar ao outro lado da bem servida mesa principal, em sua filha mais velha, Lady Arabella. Seu bom humor de momentos antes se desvaneceu enquanto estreitava os olhos sobre ela, com seu olhar penetrante.
Arabella lutou por manter a compostura. Anos em fazê-lo a ajudaram a não retorcer. Mas não tinha certeza de poder evitar que suas bochechas queimassem. Já a parte posterior de seu pescoço estava ardendo como se estivesse em chamas.
Então umedeceu seus lábios e tentou agir como se seu pai não estivesse perfurando-a com um olhar que dizia que ele podia ver através de sua alma, possivelmente soubesse como seu ventre se retorcia e que suas mãos estavam úmidas.
Ou que todas suas esperanças e sonhos dependiam deste momento.
— E então? — Ele levantou uma escura sobrancelha.
Arabella atirou um fio em sua manga, e logo, dando-se conta do que estava fazendo, deteve-se imediatamente. Levantou o olhar, de algum modo resistindo a urgência de deslizar um dedo sob o decote de seu vestido ou possivelmente soltar os laços de seu sutiã. Pela
santa fé, ela necessitava de ar. Seu peito estava tão apertado, que mal podia respirar.
Concentrou-se para sustentar o olhar de seu pai. Por suas veias também corria sangue MacKenzie, quente e audaz. E, apesar de que passou toda sua vida anulando qualquer impulso de fazer uso de seu caráter mais apaixonado, característico de seu clã, este era um momento de que tinha a intenção de fazer uso de seu orgulhoso nome.
Assim inclinou o queixo e endureceu sua mandíbula com apenas um toque de teimosia.
— Escutou o que eu disse — Falou tão tranquilamente como pôde, sua ousadia fazendo com que seu coração se acelerasse. — As focas...
Deixou que as palavras se desvanecessem, a desculpa soando ridícula incluso a seus próprios ouvidos.
Seu pai soprou, claramente estando de acordo.








Série Macken.
01 - Demonio com Saia Escocesa
02 - A Noiva da Besta
03 - Só Para Um Cavaleiro
04 - Até que Chegue o Cavaleiro
05 - Noiva Para Um Cavaleiro
06 - Seduzindo um Noivo Escocês
07 - A Tentação de um Highlander


16 de julho de 2019

Gêmeos e Rivais

Série Os Irmãos Kensington

Uma americana recém-chegada Emília Highhart, está na boca de toda Londres.

Possui beleza, encanto, inteligência e certo exotismo. Infelizmente, a graça não é uma de suas virtudes. Escadas, portas e inclusive o chão parecem ser seus inimigos, deixando-a com frequência prostrada e mortificada no meio de um monte de musselina. Contudo, seu cartão de dança não demora em encher-se com os nomes dos homens mais adequados no seu primeiro baile. Mas Emília só tem olhos para um homem... Aquele que sua tia apontava como inadequado, lorde Phillips... Na realidade, não se tratava do verdadeiro lorde Phillips. Enquanto o verdadeiro Phillip, dedicava-se a esbanjar os recursos da família, seu gêmeo, Devon, o “substituto” deveria assistir a atos sociais atuando como lorde Phillips... Tudo por alguns malditos minutos de diferença. Ambos os homens não demoraram em iniciar uma competição por Emília. E sob a vigilância, não tão estreita, de lady Palmerston, tia e acompanhante da jovem dama, Emília será cortejada em segredo por dois homens diferentes, mas com o mesmo rosto. Mas só um deles é o amor de sua vida...

Capítulo Um

Londres, 1818 
A senhorita Emília Highhart estava sempre tropeçando e caindo. E desta vez, no entanto, quando ela tropeçou, em vez de terminar com hematomas em partes inomináveis de sua anatomia, ela se apaixonou. Ela soube que era amor instantaneamente. E ficou satisfeita em perceber, porque a verdade era que sua cabeça parecia incapaz de pensar.
Aconteceu assim: foi o primeiro baile de sua primeira temporada em Londres, e dada a sua desastrosa tendência a tropeçar a qualquer momento, ela olhou aterrorizada para a escadaria de mármore que se curvava para o corredor. Dentro de seus delicados sapatos de cetim, rosa pálido e adornados com contas, os dedos dos pés estavam se encolhendo com ansiedade.
Enquanto ela fazia uma pausa para reunir coragem para descer, olhou com admiração para as senhoras que deslizavam como cisnes pelas águas de um lago sereno naquele chão encerado. Sua própria tia e acompanhante, Lady Palmerston, parecia flutuar escada abaixo sem olhar para os pés nem se agarrar ao corrimão. Ela até conseguia sorrir para seus amigos ao mesmo tempo!
Emília ficou parada por muito tempo, então respirou fundo, segurou o corrimão com força, deu um passo indeciso e rezou. Ela já estava no meio do caminho e estava indo muito bem, quando aconteceu.
Por um segundo, ela olhou para baixo e viu um homem tão fascinante que teve que parar. Parecia que tinha acabado de sair das páginas de um daqueles romances populares que lia com frequência.
Nossa, nunca viu um homem tão... Masculino na vida real. Mas não era apenas seu peito largo no terno preto e branco, ou suas feições firmes, ou seus cabelos negros, curtos e penteados para trás de uma maneira casual que acentuava as maçãs do rosto que pareciam ter sido cinzelados em granito. Claro, ele era bonito e só um tolo poderia dizer que não era.
No entanto, foi sua maneira de se comportar que conquistou seu coração. Ele se movia com firmeza e determinação, como se tivesse um objetivo, absolutamente certo de que seu corpo não iria traí-lo. Emília sentiu uma grande inveja. Ele deu um passo decidido para cima; ela, um passo delicado para baixo. Seus olhos se encontraram, eles não se afastaram. E assim continuaram.



Série Os Irmãos Kensington 
01- Gêmeos e Rivais