8 de fevereiro de 2015

Reencontros do Destino





Quem era aquela beldade que desfilava com tanta graça e elegância?

O escocês Glive, marquês de Morelanton, fugindo das tropas de Cromwell, esconde-se na casa do conde Bruce Dalton, onde a governanta o faz passar por uma menina doente, pondo-o na cama e colocando ao Iado da touca de dormir mechas dos cabelos de Alissa, filha do conde. 
Clive jamais se esqueceu do perfume que guardavam aqueles fios de cabelos loiros. Então, anos mais tarde, quando encontra Alissa, tem certeza de que eram dela os cabelos dourados que embalaram suas noites solitárias...

Capítulo Um 

Escócia, 1651
No quarto de Alissa, inundado pelos raios de sol, Jane, a babá, ocupava-se passando a ferro as fitas da touca de dormir de sua patroa. Sentada junto à janela, Alissa, menina de nove anos de idade, desenhava um vaso de flores. Usava como modelo um que estava sobre a mesa. Queria fazer um cartão de aniversário para sua mãe Elizabeth.
Elizabeth Dalton não andava muito bem de saúde. Passava a maior parte do dia na cama. No momento dormia, por isso Alissa ficara em cima, em seu quarto com a babá, a fim de não perturbar a mãe.
A menina e Jane já haviam passeado pelo jardim planejando como comemorar o aniversário de Elizabeth.
A casa onde moravam ficava ao lado do rio Avon, em Pershore, uma aldeia com surpreendente e enorme Abadia. Nesse mesmo lugar Elizabeth Fenwick residira desde que nascera. Herdara a propriedade por ocasião da morte do pai.
Logo depois do triste desenlace ela conheceu Bruce Dalton, que viajava pela Inglaterra. Veio a saber, mais tarde, que ele não era inglês, mas escocês. E veio a saber também que ele reportava à Escócia tudo o que descobria sobre a força dos regimentos de Cromwell e o local onde se aquartelavam.
Assim que Bruce viu Elizabeth apaixonou-se perdidamente por ela. Com intensidade igual a esse amor estava sua ambição de abalar as estruturas do governo Cromwell.
Na Câmara dos Lordes a Monarquia fora abolida e os soldados de Cromwell haviam já expulsado grande número de membros do Parlamento. Dois anos mais tarde Oliver Cromwell foi nomeado Lorde Protetor.
Com a Escócia subjugada, Cromwell tentava dar ao seu governo um aspecto mais civil que militar, como vinha sendo até então.
Bruce Dalton ficara bastante conhecido entre os habitantes de Worcester, muitos deles a favor dos Stuart, pois consideravam-nos os governadores de direito.
Tão logo Elizabeth ficou noiva de Bruce, seu pai morreu, deixando-lhe como herança a casa e a propriedade na qual ela fora criada desde ó nascimento.
Bruce, casado e sendo muito feliz com Elizabeth, receava que sua verdadeira identidade fosse descoberta pelas tropas de Cromwell, sempre ciosas em desmascarar qualquer tipo de espionagem.
Por esse motivo ele adotara o nome de Bruce Dalton, e com esse nome casara-se. Era o segundo filho do conde de Dalwaynnie.
O velho conde há muito fora conhecido como um ardente admirador dos reis Stuart. E era essencial para Bruce, morando na Inglaterra, que ninguém soubesse acerca de sua filiação.
Bruce adorava a linda esposa Elizabeth. Sua única mágoa era ter tido apenas uma filha, Alissa, agora com nove anos de idade.
Os três levavam uma vida de família muito sossegada, sem dificuldades de forma alguma. Bruce sentia-se tão feliz com o casamento que chegava quase a se esquecer de sua querida Escócia.
Os adeptos dos Stuart almejavam colocar o príncipe Charles no trono da Inglaterra. Charles contava agora com dezoito anos de idade e fora imediatamente aceito, após a execução de seu pai, como rei da Escócia.
Bruce recebera informações sobre Charles através de uma carta enviada por seus parentes.
Charles é alto, magro e elegante. Tem um charme todo especial e estamos encantados com a coragem dele. Queremos que seja aceito como soberano da Grã-Bretanha e você precisa nos ajudar, caro Bruce, com todos os meios que possui.
Charles concordou em assinar uma Convenção prometendo que restabeleceria a Igreja Presbiteriana na Inglaterra.
Ele voltara à Escócia em abril de 1650, evitando que os navios da Comunidade Britânica aportassem na foz do rio Spey, onde ele iria desembarcar.
A notícia de sua chegada fez com que o Conselho de Estado de Londres determinasse a invasão da Escócia antes que o exército escocês marchasse sobre Londres.
Nove meses mais tarde Bruce recebeu uma carta informando-o de que o príncipe fora coroado com o título de Charles II, em Perth, em janeiro de 1651.
Era em Perth os reis da Escócia haviam sido coroados durante séculos.

1 de fevereiro de 2015

Jóia Proibida da Índia


Anusha Laurens é um perigo. A filha de uma princesa indiana e de um nobre inglês é a pretendente perfeita na opulenta corte do Rajastão. 

Ainda assim, ela não retornará para o pai que a rejeitou. 
O arrogante major Nicholas Herriard é incumbido de levar a atraente princesa em segurança para sua nova vida em Calcutá. 
A missão dele é proteger e servir… mas sob o escaldante sol indiano nasce uma tentação proibida. 
A bela e impossível Anusha é um teste para a honra de Nick, especialmente quando resta apenas uma saída: casamento. Mas a forte correnteza do Ganges lhes reserva um destino diferente, e o dever pode separá-los para sempre…

Capítulo Um

Palácio de Kalatwah, Rajastão, Índia — março de 1788
Formas projetadas pela luz do sol e pelas sombras que incidiam dos orifícios das paredes de pedra sobre o chão de mármore provocavam o efeito de um bálsamo calmante nos olhos castigados por milhas de estradas empoeiradas. 
O estresse físico da longa jornada começava a se dissipar. Um banho, uma massagem, uma troca de roupas e ele se sentiria humano outra vez.
Passos apressados, o raspar indistinto e afiado de garras sobre o mármore. O cabo da faca que trazia na bota foi empunhado com a familiaridade adquirida pelos longos anos de prática enquanto ele girava de frente para uma passagem lateral e se acocorava antecipando o ataque.
Um mangusto se materializou na abertura, estacou de repente e chiou para ele. Todos os pelos do corpo eriçados diante da ameaça, a cauda empinada lembrava a floração da escova-de-garrafa.
— Animal idiota. — Nick disse em hindi, à medida que o som de passos apressados se tornava mais nítido e uma menina surgia no encalço do mangusto. A saia rodada escarlate girando em torno dela quando recobrou o equilíbrio e parou. 
Não era uma menina, mas, sim, uma jovem, sem a proteção do véu e desacompanhada. A parte do cérebro de Nick, que ainda se concentrava no ataque, analisou o som das passadas da jovem: ela havia mudado a direção duas vezes, antes de emergir na abertura, o que significava que aquela era uma das entradas alternativas para a zanana.
Aquela moça não deveria estar ali, fora dos aposentos femininos. Ele não deveria estar ali, observando-a enquanto todo o sangue do seu cérebro rumava para os pés, o corpo se posicionava para a violência e a mão empunhava uma faca.
— Pode guardar sua adaga — disse ela. Levou alguns instantes para Nick perceber que a jovem falava em um inglês com sotaque. — Tavi e eu estamos desarmados. Exceto pelos dentes — acrescentou, mostrando os dela, brancos e regulares, entre os lábios levemente curvados por um sorriso irônico. O que lhe mascarava o choque, Nick tinha certeza. O mangusto se enroscou nos pés descalços pintados com hena, ainda chiando consigo mesmo. O animal usava uma coleira cravejada de pedras preciosas.
Nick se recompôs e enfiou a faca de volta na bainha enquanto se erguia e unia as mãos.
— Namaste.
— Namaste. — Por sobre as mãos que ela também unira, os olhos cinza-escuros o estudavam. O choque parecia ter se dissolvido em uma desconfiança mesclada com hostilidade, e a jovem se esforçava para disfarçar os dois sentimentos.
Olhos cinza? E uma pele com a tonalidade dourada do mel. Mechas cor de mogno se alternavam nos cabelos castanho-escuros, presos em um trança grossa que lhe caía pelas costas. Ao que tudo indicava, sua caça o encontrara.
A jovem não parecia desconcertada por estar sozinha, sem a proteção do véu, na presença de um desconhecido. Apenas permanecia parada no mesmo lugar, observando-o. A saia ampla escarlate, pesada devido ao excessivo bordado prateado, chegava-lhe à altura dos tornozelos, permitindo um vislumbre da calça justa por baixo. A choli apertada revelava não apenas curvas deliciosas e braços elegantemente torneados, ornados com pulseiras de prata, como também uma desconcertante faixa do abdome aveludado e dourado.
— Devo me retirar. Desculpe-me por incomodá-la. — Nick disse em inglês, imaginando se talvez não fosse o mais desconcertado dos dois.
— Não deve — retrucou ela com uma simplicidade esmagadora no mesmo idioma. Em seguida, virou-se e transpôs a mesma abertura pela qual surgira. — Mere pichhe aye, Tavi — chamou enquanto a saia da lehenga desaparecia de vista. O mangusto a seguiu obediente.
O som das garras contra o assoalho fenecendo, juntamente com os passos leves da jovem.
— Diabos! — Nick disse diante da passagem vazia. — Essa é definitivamente a filha dele. De repente, um simples dever se tornou algo complemente diferente. Ele aprumou os ombros e marchou na direção de seus aposentos. Um homem não se tornava major da Companhia Britânica das Índias Orientais se deixando afetar por uma mulher de língua afiada, não importava o quanto fosse bela. Tinha de tomar um banho e procurar ter uma audiência com o rajá, o tio daquela jovem. Depois disso, tudo o que tinha a fazer era transportar a srta. Anusha Laurens em segurança para o outro lado da Índia, até o pai.
— Paravi! Rápido!
— Fale em hindi. — Paravi repreendeu quando Anusha entrou em seu quarto em uma revoada de saias e lenços.
— Maf kijiye. — Anusha se desculpou.
— Acabei de conversar com o homem inglês e minha mente ainda está traduzindo.
— Angrezi? 


Da Magia á Sedução

Hippolyta afirmava que simplesmente buscava “a sabedoria oculta do universo” a fim de usá-la para fazer o bem. 

Para todas as outras pessoas, no entanto, ela era uma bruxa. 
Ela era também uma jovem viúva, condessa de Trevalyen e senhora da misteriosa e encantada Rookeshaven, determinada a continuar se dedicando aos seus estudos de magia... 
Até que o amor surgiu de repente para complicar a sua vida.
Julian St. Ives foi a Rookeshaven para aprender com Hippolyta a arte da cura. A atração entre os dois foi imediata e irresistível. Mas quando uma intriga de família e um insidioso perigo começaram a rondá-los e ameaçá-los, só restava a Julian e Hippolyta provar que o amor de ambos não era fruto de feitiçaria, e sim de outro tipo de encantamento...

Capítulo Um

Diana Neysmith deitou-se sobre uma pilha de travesseiros macios e arrumou com capricho as madeixas escuras sobre as fronhas alvas. Estava acordada havia algum tempo e terminara de passar uma camada generosa de pó de arroz nas faces redondas e róseas, além de uma sombra escura sob os olhos. 
Era preciso empregar qualquer recurso disponível para ocultar a coloração saudável do rosto que não traduzia os sofrimentos de um destino que considerava tão injusto.
Admitiu que a visão da fisionomia pálida no espelho fora convincente e que o espetáculo de seu sofrimento enterneceria o mais empedernido dos corações. Atuaria como uma pobrezinha sem vontade própria, se fosse para esmagar os ditames da má sorte que a perseguia. Para tanto executaria sua parte à perfeição. No momento, só lhe restava esperar Jane que traria a bandeja com o café da manhã.
Não demorou muito e a paciência de Diana foi recompensada. Na verdade, ela encarou como um bom presságio cantarolar uma melodia triste pouco antes de a criada entrar.
Ele cavalgou, cavalgou.
Até encontrar seis jovens que carregavam um cadáver vestido de branco.
Deixem-na aqui, deixem-na aqui perto de mim para que eu possa beijar-lhe os lábios brancos como gesso, antes que ela seja levada para sempre.
Diana foi forçada a limpar uma pequena lágrima que ameaçava fazer uma trilha reveladora na face empoada e destruir seu trabalho, quando Jane empurrou a porta com um dos lados do quadril grande. Se não tivesse boa saúde, Diana julgou, com uma fungadela, a canção poderia muito bem ter sido inspirada nela.
— Ai de mim, minha filha — Jane queixou-se, pesarosa, e carregou a bandeja pesada até a cama de sua jovem patroa. — O céu está azul, mas acredito que não demora a escurecer. Estou sentido muita dor nos ossos, um prenúncio de tempo ruim. Ah, minha filha, não desperdicemos minutos preciosos com minhas agruras. Eu lhe trouxe o desjejum, não sem antes ter repreendido a cozinheira por causa do aspecto do bacon. Se a carne lhe fizer mal, a culpa recairá sobre ela. Srta. Diana, não se incomode comigo. Sente-se e coma. A senhorita tem de se aprontar o mais rápido possível para a viagem de hoje.
Diana não se preparou para comer com a animação costumeira. Gemeu e virou a cabeça, refletindo que teria sido sensato devorar uma lauta refeição a noite anterior.
— Jane — ela falou com fraqueza fingida —, nada me apetece.
— Por que, srta. Diana? — Jane exclamou, preocupada. — Não quer chocolate? Nem ovos quentes? Nem um bolinho delicioso? Santo Deus, misericórdia! — O fato de sua jovem patroa não ter apetite era preocupante.
Em vez de responder, Diana suspirou dramaticamente e fitou o teto.
— A senhorita não vai sarar a tempo! — Jane exclamou, atirando as mãos para cima. — Oh, meu Deus! E a família está se aprontando com intuito de ir para Brighton hoje. Que transtorno! Nem posso imaginar o que o patrão vai dizer!
Diana exagerou um gemido de cortar o coração.
— Por mais que eu deteste a tarefa, acho melhor chamar lady Ann! Creio que ela não vai gostar nada disso, srta. Diana. Sabe muito bem que não será possível desmarcar a viagem de férias que ela tem aguardado com muita ansiedade. Milady se sentirá frustrada. A senhorita não acha que poderia melhorar um pouco e ficar doente em Brighton?
Determinada, Diana pôs um braço sobre a testa e tornou a gemer, dessa vez com energia renovada. Não viajaria para Brighton! Seu coração não suportaria. Nenhum poder no mundo a forçaria a enfrentar Brighton, um local nocivo, com amantes indecorosos que infestavam ruas e parques...
— Srta. Diana, eu não gostaria nem um pouco de dar essa notícia para lady Ann — Jane continuou a se lamentar —, pois ela fará um espalhafato. Tenho certeza de que a causa foi a reunião absurda da noite passada. Tenho dito mais de uma vez que o ar úmido da noite não é salubre. Muitas jovens morreram por causa disso. Ah, por favor, srta. Diana, por favor — ela quase gritou e levou as mãos ao peito —, por favor, tente não morrer! Se tal fato ocorresse, tenho certeza de que seria ainda mais chocante para lady Ann do que não ir para Brighton!
Diante da última tolice, Diana soltou-se das garras do sinistro anjo da morte e apoiou-se nos cotovelos, irritada.
— Pelo amor de Deus, Jane, vá de uma vez chamar minha mãe! Preciso falar com ela e não tenho o dia inteiro disponível!




Armadilha para um Duque


Fugindo de uma armadilha, o duque deixou-se prender pelo verdadeiro amor...

O duque Gcorgic de Stevenwood escrevia uma carta em seu quarto, na Estalagem dos Carvalhos, quando um grito lancinante cortou o silêncio da noite. 

Quase ao mesmo tempo, a porta de seu quarto se abriu, e uma jovem entrou, quase desfalecida, e lançou-se em seus braços pedindo com voz quase inaudível: “Por favor, salve-me, meu padrasto quer me matar...” 
Ao olhar o belo rosto em seus braços, Georgie soube que encontrara alguém muito especial em sua vida. Só não sabia que teria um grande enigma para resolver...

Capítulo Um

1870, Escócia.
O duque de Stevenwood dirigia sua carruagem com mãos firmes através do tráfego, na direção da casa da avó. Estava ansioso por vê-la. Preocupava-se muito com ela, pois a saúde da velha senhora não era mais tão boa como costumava ser.
Sua avó fora, um dia, uma das grandes beldades de Londres, a anfitriã que oferecia as festas mais famosas e a melhor comida. Recebia toda a sociedade da Realeza, até o mais novo membro do beau monde.
Agora ela estava de cama. Embora ainda bastante bonita, tinha aspecto muito frágil. Cada vez que o duque a visitava ficava com a impressão de que seria o último encontro.
Ela lhe enviara uma carta pedindo-lhe que aparecesse o mais depressa possível. O duque então cancelara o almoço com uma linda mulher que ocupava, no momento, muitas horas de sua vida.
Mandou um recado à avó dizendo que estaria lá mais ou menos ao meio-dia.
Enquanto seguia em sua carruagem se perguntava se havia algo errado ou se a avó apenas queria sua companhia, coisa que ela requisitava de quando em quando. E ele tentava satisfazê-la à medida do possível.
Enquanto dirigia pelas ruas de Mayfair, não havia um só representante do sexo masculino que não prestasse atenção em seus cavalos. E as mulheres, estas, assim que o notavam, achavam impossível desviar o olhar do homem que tinha as rédeas nas mãos, e fitavam-no uma segunda vez, uma terceira... O duque era, de fato, muitíssimo atraente.
Certa ocasião, alguém comentara sobre seu irresistível charme, de um modo cheio de despeito:
— Qualquer mulher, bonita ou feia, rica ou pobre, deseja atirar-se em seus braços.
Mas, sem dúvida, não era apenas o aspecto dele que fazia as mães das debutantes convidá-lo para todas as festas. Tratava-se de homem muito rico e importante.
Não havia ninguém em toda a Londres que possuísse melhor ou mais impressionante acervo, como coleção de telas, de móveis e de tudo o que pudesse interessar a um bom conhecedor de arte. Na verdade, os duques de Stevenwood eram antigos amantes da arte.
De acordo com a opinião de muitas pessoas, o atual duque aumentava o valor dessa riqueza com sua aparência atraente, muito mais interessante do que tudo o que existia no enorme Palácio Stevenwood.
O nome original do palácio era Stevenwood Towers. Porém, quando a rainha Anne lá estivera a convite de um dos duques de Stevenwood, dissera:
— Vim, afinal, conhecer seu Palácio. Nenhuma outra denominação poderia descrevê-lo com mais autenticidade.
Depois disso, os Stevenwood passaram a chamar a própria residência de Palácio.
Ninguém jamais discutira acerca da mudança do nome.
A casa da velha duquesa, em Londres, era quase tão bem decorada quanto o Palácio, embora menor e menos majestosa.
Ao deixar o Palácio, por ocasião da morte do marido, ela levara consigo grande quantidade de telas e louças, as de que mais gostava. Mas em seu testamento especificara com clareza que, por ocasião de sua morte, tudo voltaria para lá.
— Quero me sentir em casa, onde quer que eu vá morar — explicara ao se mudar. — E perdoem-me por querer decorar minha casa assim, mas, ao acordar todas as manhãs, desejo me imaginar no Palácio e sentir a mesma felicidade que sentia quando meu marido era vivo.
A mãe do atual duque, que continuara vivendo no Palácio com o marido e o filho, morrera há cinco anos, sendo já viúva. A velha duquesa era portanto, no momento, a única duquesa de Stevenwood.
O duque sofrera demais com a morte prematura da mãe, pois a amava muito, e transferira para a avó todo o afeto filial. A velha senhora tomara o lugar da mãe em seu coração.


28 de janeiro de 2015

Sangue Puro

Saga Familia Cynster
Apesar de sua aparência perigosa, Dillon Caxton agora é um homem com uma reputação excelente. Mas nem sempre foi assim. 

Faz anos, um estratagema ilícito se converteu num vil fraude e só com a ajuda de sua prima Felicity e seu marido Demônio, conseguiram salvar Dillon da ruína. 
Agora totalmente honesto, com sua reputação zelosamente guardada, é o Guardião do Registro de todas as corridas de cavalos da Inglaterra, o Grande 
Registro, que Lady Priscilla Dalloway está desesperada por ver. Ela chegou a Newmarket com a decisão de resgatar seu irmão, que é um apaixonado pelos cavalos, das más companhias.
Juntos, Dillon e Priscilla descobrem uma fraude enorme nas apostas. Ajudados por Demônio, Felicity e Barnaby Adair, embarcam em uma viagem infestada de perigos e paixão inegável, em que procuram desmascarar os culpados. E durante o processo descobrem a resposta à velha pergunta: que preço tem o amor?

Capítulo Um

Setembro de 1831 Newmarket, Suffolk
— Esperava que pudéssemos desfrutar de um pouco de intimidade. - Fechando à suas costas a porta do Twig & Bough, a cafeteria da Rua Maior de Newmarket, Dillon Caxton desceu à calçada acompanhado de Barnaby Adair. — Por desgraça, o bom dia tem feito sair em massa às matronas com suas filhas.
Observando as carruagens que passavam pela Rua Maior, Dillon se viu forçado a sorrir para duas matronas, cada uma com um par de filhas. Puxando do braço de Barnaby, começou a caminhar.
— Se ficarmos aqui parados, elas não demorarão a tomar como um convite.
Rindo entre dentes, Barnaby acomodou seus passos aos de Dillon.
— Parece ainda mais desencantado com essas doces jovenzinhas que o próprio Gerrard.
— Você que vive em Londres, sem dúvida está acostumado ao pior, mas não seria demais se pensasse naqueles que apreciamos uma existência campestre e tranqüila. Para nós, inclusive a temporada de baile é um aviso de algo que desejamos evitar ardentemente.
— Ao menos, com este último mistério tem algo para distraí-lo. Uma boa desculpa para estar em outra parte, fazendo outras coisas.
Ao ver que uma matrona dava instruções a seu cocheiro para deter a carruagem junto à calçada uns metros mais adiante, Dillon xingou baixo.
— Por desgraça, este mistério deve permanecer no mais estrito segredo. Temo que Lady Kershaw vá ser a primeira em fazer sangue.
A dama, uma reconhecida e influente matrona local, fazia gestos imperiosamente para que eles se aproximassem. Não havia escapatória, Dillon se aproximou da carruagem agora parada. Trocou as saudações de rigor com Lady Kershaw e sua filha, Margot, e logo apresentou Barnaby. 
Permaneceram ali em pé conversando cinco minutos. Pela extremidade do olho, Dillon notou muitos olhares fixos neles e que outras damas estavam manobrando para conseguir uma posição vantajosa na calçada.
Olhou Barnaby, que estava à altura das expectativas da Senhorita Kershaw, e fez uma careta para si mesmo.
Podia imaginar a imagem que ofereciam, ele era moreno, com certo ar dramático, ao mais puro estilo byroniano, e Barnaby, um Adônis de cabelos dourados e frisados, e brilhantes olhos azuis, era o contraponto perfeito.
Ambos eram altos, musculosos e vestiam de maneira elegante. Em uma Sociedade tão restrita como Newmarket não era de estranhar que as damas ficassem em fila para acossá-los. Era uma pena que seu destino, o Jóquei Clube, estivesse ainda a mais de cem jardas, ainda ficavam muitos obstáculos para ultrapassar.
Procederam a fazê-lo com a habilidade adquirida nas intermináveis festas da aristocracia. Apesar de sua preferência pelo campestre, durante a última década e graças a sua prima Flick, Felicity Cynster, Dillon passara boa parte de seu tempo, imerso no torvelinho da temporada, fosse em Londres ou em qualquer outro lugar onde Flick dispusesse e, portanto podia considerar um perito.
Só havia uma pergunta para a que não tinha resposta. Antes de cair em desgraça e de que o escândalo sacudisse sua vida, sempre assumiu que se casaria, teria família e todo o resto. Mas depois de ter passado a última década pondo em ordem sua vida, pagando suas dívidas tão sociais como morais, e restabelecendo sua honra diante dos olhos de todos aqueles que importavam se acostumou a uma existência solitária, à vida de um cavalheiro sem cargas afetivas.
Dirigindo um sorriso a lady Kennedy, a terceira matrona que pretendia detê-los, tomou Barnaby pelo braço e o obrigou a seguir caminho. Lançou um olhar à longa fileira de carruagens e suas belas ocupantes. Nenhuma delas despertava seu interesse. Nenhuma dessas doces jovens estimulava sua curiosidade.
Infelizmente, parecer um cavalheiro de coração duro, um não suscetível às tentações femininas, só servia para avivar o interesse das damas. 
A maioria delas o considerava agora uma provocação, um homem recalcitrante ao que tinham intenção de meter em vereda. Para não falar de suas mães. Cada ano que passava se via forçado ir com pés de chumbo, a manter os olhos bem abertos para não cair nas armadilhas sociais que as matronas estendiam aos desprevenidos.
Inclusive essas seletas damas com as que, em ocasiões, paquerava discretamente na capital tinham suas próprias aspirações. Sua última amante tentara convencê-lo dos múltiplos benefícios que obteria se casasse com sua sobrinha.
Benefícios, claro, que também desfrutaria ela.

A Verdade Sobre o Amor

Saga Familia Cynster
Gerrard Debbington, cunhado de Vane Cynster, é um dos solteiros mais cobiçados eassediados pelas ofertas das belezas mais solicitadas de Londres. 

Não tem o menor interesse pelo matrimônio, mas reserva toda sua paixão para a pintura, e um de seus maiores desejos é pintar os fabulosos, fantásticos e poucas vezes vistos jardins de Hellebore Hall, propriedade de Lorde Tregonning.  E por fim se apresenta a oportunidade, embora antes devapintar um retrato fidedigno da filha do dono. 
A Gerrard não atrai a idéia de esbanjar seu tempo e talento com uma jovenzinha insossa, mas sem outra alternativa, aceita realizá-lo. Só que descobre que Jacqueline Tregonning o inspira como nenhuma outra dama fez e não só por sua beleza, mas também por sua personalidade apaixonada e sua bondade.
Entretanto, a maldade se esconde nos formosos jardins e ao longo dos labirínticos atalhos. E esse mal estende sua mão para alcançar Jacqueline, apanhando-a em uma rede de insidiosos rumores... 
Rumores que a pintam como uma dupla assassina e ameaça separar de Gerrard à mulher que o deslumbrou.
Os rumores são falsos, mas alguém está estendendo-os ativamente. Convencido de que Jacqueline é inocente de toda maldade, jura mover céus e terra para proteger à mulher que, para ele, personifica a verdade sobre o amor.

Capítulo Um

Londres, princípios de Junho de 1831
— Senhor Cunningham, como já deixei claro em outras ocasiões, não tenho o menor interesse em pintar o retrato da filha de Lorde Tregonning.
Gerrard Reginald Debbington estava reclinado com pose indolente em uma poltrona da sala para fumantes de seu seleto clube. Dissimulou sua crescente frustração e sustentou o olhar do procurador de Lorde Tregonning.
— Aceitei manter esta reunião com a esperança de que Lorde Tregonning, uma vez sabendo de minha negativa de pintar o retrato, aceitasse me dar acesso aos jardins de Hellebore Hall.
Gerrard era, depois de tudo, o paisagista mais respeitado da Alta Sociedade. Devia uma visita aos famosos jardins de Lorde Tregonning fazia muito tempo.
O rosto de Cunningham perdeu a cor. Pigarreou e cravou o olhar nos papéis que tinha estendido na mesinha auxiliar que havia entre ambos.Ao seu redor se ouvia um discreto murmúrio.
Gerrard viu com a extremidade do olho que vários Cavalheiros os olhavam. Outros membros do clube se perceberam de sua presença, mas era a de Cunningham a que estranhavam.Sabendo que estavam falando de negócios, mantiveram-se afastados para não interferir.
Cunningham tinha vinte e poucos anos, uns quantos menos que ele, que tinha vinte e nove. Ia vestido com um sóbrio e apagado traje negro, uma simples camisa de linho branco e colete bege. 
Seu rosto redondoe contrariado e a atenção que prestava aos seus papéis, delatavam que era o procurador de outra pessoa. Quando o homem se dignou a falar de novo, Gerrard já imaginara um esboço em sua mente titulado,Dado procuração no desempenho de suas funções.
— Lorde Tregonning me encomendou a missão dedizer que, embora compreenda suas reservas na hora de pintar o retrato de uma pessoa que nem sequer conhece, só reforçam seu convencimento de que é o pintor que necessita para este trabalho. Sua Senhoria é consciente de que pintará sua filha tal como você a vê, sem deixar que seu julgamento se veja ofuscado. Isso é justamente o que ele deseja… Quer que o retrato seja uma reprodução realista, que represente fielmente à Senhorita Tregonning tal e como é de verdade.
O discursoo fez apertar os lábios. Aquilo não ia a nenhuma parte.
Sem levantar o olhar, Cunningham prosseguiu.
— Além da quantidade estipulada, disporá dos meses que estime oportuno para terminar o retrato, sempre que não superem um ano e, depois desse tempo, disporá de acesso ilimitado para pintar os jardins de Hellebore Hall. Em caso de que assim o deseje, poderá levar com você uma pessoa de sua confiança. Ambos serão recebidos e atendidos em Hellebore Hall enquanto dure sua estadia.
Uma vez mais, teve que conter sua exasperação. Não necessitava querepetissem a oferta por mais que a adornassem. Recusara-a fazia duas semanas, na primeira vez que Cunningham a expôs.
Moveu-se para chamar a atenção de seu interlocutor.
— Lorde Tregonning tem uma idéia errada de meus serviços, nunca, jamais, pintei por dinheiro. Pintar é uma vocação para mim, e economicamente posso me permitir isso sem problemas. Os retratos, entretanto, não são mais que um passatempo, bastante lucrativo, certo, mas não me atraem muito. Não alimentam minha alma criativa, como diriam alguns — Não era de todo certo, mas nessas circunstâncias bastava e sobrava— Embora eu adorasse ter a oportunidade de pintar os jardins de Hellebore Hall, nem sequer isso supõe o estímulo necessário para que eu aceite pintar um retrato, que não tenho o menor desejo, nem a menor necessidade, de pintar.
Cunningham sustentou seu olhar. Viu-o inspirar fundo, abaixar o olhar um instante e, em seguida, cravar de novo os olhos em um ponto situado por cima de seu ombro direito.
— Sua Senhoria me encarregou dedizer que esta é sua última oferta… E que, caso a recuse, será obrigado a procurar outro pintor que leve ao fim o retrato. Além disso, este outro pintor terá o mesmo acesso aos jardins que ofereceu a você. Por conseguinte, Lorde Tregonning se assegurará de que, enquanto ele viva e também nas sucessivas gerações, nenhum outro artista tenha acesso aos jardins de Hellebore Hall.
Teve que lançar mão de todo seu autocontrole para reprimir sua reação e continuar sentado.
Que diabos estava tramando Tregonning para recorrer a algo que se parecia suspeitosamente à chantagem?
Afastou o olhar, embora não o fixou em nenhum ponto em particular.Uma coisa ficava clara,Lorde Tregonning estava decidido que ele pintasse o retrato de sua filha.
Apoiou o cotovelo no braço da poltrona, o queixo no punho e cravou o olhar no outro extremo da sala, enquanto procurava uma saída, para a armadilha em que caíra sem se dar conta. 
Nãolhe ocorreu nada.
Suarecusa visceral a que qualquer mequetrefe que se fizesse chamar pintor, fosse o único artista com acesso aos maravilhosos jardins que rodeavam Hellebore Hall,nublava sua razão.
Olhou Cunningham.
— Tenho que meditar a oferta de Sua Senhoria com mais calma.
Dada a tensão de sua voz, nãoo surpreendeu ver que Cunningham mantinha uma expressão neutra. O procurador assentiu com a cabeça.
— Sim, é claro. Quanto tempo…?

19 de janeiro de 2015

A Noiva Ideal

Saga Familia Cynster
Um homem aristocrático, elegante e naturalmente encantador, Michael Anstruther-Wetherby está destinado ao poder. 

Sua íntima amizade com a influente família Cynster, sua irmã está casada com Diabo Cynster, o Duque de St. Ives assegura o futuro de Michael no Parlamento, com a exceção de que falta do elemento imprescindível para o êxito, uma esposa.
Decidido a procurar uma Senhorita bem educada, encontra uma com tais qualidades. 
Mas há um obstáculo em seu caminho, sua bela e resoluta tia, Caroline Sutcliffe. Mulher de estilo e prestígio, Caro não está disposta a sacrificar a sua querida sobrinha a um matrimônio infeliz. 
Entretanto, Michael se vê atraído de repente pela própria Caro. Mas o perigo a persegue e será necessária muita coragem para protegê-la e cada gota do sedutor encanto de Michael, para convencê-la de que converter-se em sua noiva trará tudo o que deseja seu coração… e mais.

Capítulo Um

Fins de junho, 1825.
Propriedade Fyeworth, perto de Fitham em New Forest, Hampshire.

Esposa, esposa, esposa, esposa.
Michael Anstruther-Wetherby amaldiçoou baixo. Aquele refrão o atormentara durante as últimas vinte e quatro horas. Quando partira do caféda manhã nupcial de Amelia Cynster, ouvira no ritmo das rodas de sua carruagem, agora ressoava no passo firme dos cascos de seus cavalos baios.
Apertando os lábios, fez virar Atlas para sair do pátio do estábulo e o conduziu pelo longo atalho que rodeava sua casa.
Se não tivesse ido a Cambridgeshire para assistir às bodas de Amelia, poderia estar um passo mais perto de ser um homem rico. Mas as bodas tinham sido um acontecimentoque nem sequer considerou perder, além do fato de sua irmã Honoria, Duquesa de St. Ives, ser a anfitriã, as bodas tinham sido uma reunião familiar e ele valorizava os laços de família.
Os vínculos familiarestinham ajudado incomensuravelmente em anos recentes, primeiro para obter um cargo como Membro do Parlamento para seu distrito, edepois para forjar sua ascensão por entre as posições. Entretanto, esta não era a fonte de seu agradecimento, a família sempre tinha significado muito para ele.
Ao rodear a casa, uma Mansão sólida, de três andares, construída em pedra cinza, seu olhar pousou como costumava fazer sempre que passava por aquele lugar,no monumento que se achava na borda, a meio caminho entre a casa e os portões. 
Instalado contra os arbustos que enchiam os espaços entre as altas árvores, como um fundo de contraste, a simples pedra estivera ali durante quatorze anos, assinalava o lugar aonde sua família, seus pais, um irmão menor e uma irmã que chegavam apressadamente a casa em uma carruagem em meio da tormenta, tinham morrido por causa de uma árvore que caiu sobre eles. Ele e Honoria tinham presenciado  o acidente das janelas do salão de aulas.
Possivelmente era só parte da natureza humana, valorizar altamente algo que se perdeu.
Impressionados e tristes, ele e Honoria ao menos tinham um ao outro, mas como ele contava apenas com dezenove anos e ela dezesseis, viram-se obrigadosa separar-se. 
Nunca tinham perdido o contato inclusive agora, eram muito próximos, mas Honoria, depois, conhecera Diabo Cynster e agora tinha sua própria família.
Refreando Atlas quando se aproximou da pedra, Michael se sentiu agudamente consciente de que ele não tinha uma família. Sua vida estava cheia a arrebentar,seu horário perpetuamente abarrotado, entretanto, em momentos como este, esta carência brilhava com clareza, e o aguilhoava a solidão.
Deteve-se observando a pedra, depois apertou os lábios, olhou para frente e puxou as rédeas. Atlas retomou o passo, ao cruzar a dianteira, Michael se lançou a galope pelo estreito atalho.
O som pavoroso de cavalos que relinchavam desapareceu lentamente.
Hoje estava decidido a dar o primeiro passo para conseguir sua própria família.
Esposa, esposa, esposa.
O campo se fechava ao seu redor, o envolvia em seus exuberantes braços verdes, o acolhia nos bosques que eram para ele a essência do lar. A luz do sol cintilava,cintilava por entre as folhas que se moviam. 
Os pássaros chamavam e gorjeavam, além do sussurro da paisagem verde, não havia outro som que pontuasse o golpe dos cascos de Atlas. O estreito e serpenteante atalho conduzia à Mansão, unindo-se a um caminho mais amplo que conduzia a Lyndhurst, para o sul. Não longe da confluência, outro atalho se desviava para o oriente e conduzia ao povoado de Bramshaw, e a Bramshaw House, seu destino.
Decidira-se por este curso de ação uns meses atrás, mas de novo os assuntos do Governo tinham exigido sua atenção e deixara abandonado este projeto...








Saga Familia Cynster
1-  Diabo
2- O Juramento de um libertino
3- Seu Nome é Escândalo
4- A Proposta de um libertino
5- Um Amor Secreto
6. Tudo sobre o amor
7- Tudo sobre a paixão
7.5 - A Promessa em um Beijo
8- Uma Noite Selvagem
9- Sombras ao Amanhecer
10- A Amante Perfeita
11- A Noiva Ideal
12-  A Verdade Sobre o Amor 
13-  Sangue Puro
14- O Sabor da Inocência
15- As Razões do Coração - em revisão
16- O sabor da Tentação -    idem

A Amante Perfeita

Saga Familia Cynster 

Simon Frederick Cynster sabe que uma noiva perfeita e uma amante perfeita são o mesmo. De modo que decide achar o par ideal, alguém que seja uma perfeita dama de dia... E uma amante ardente à noite. 

Mas Simon não está disposto a anunciar ao mundo inteiro e assim correr o risco de que todas as viúvas ricas se apaixonempor ele. Por isso começa sua busca cuidadosamente na festa da Mansão Glossup... 
E fica surpreso quando sente uma irresistível atração pela teimosa Portia Ashford. Embora a conhecesse desde a infância, jamais a considerara como uma possível esposa... Até que um beijo apaixonado o faz mudar de idéia para sempre. 
Porém,à medida que ele e Portia começam a explorar profundamente a arrebatadora paixão que compartilham, acontece algo terrível... Algo que põe Portia em perigo mortal, forçando Simon a usar suaforça e influência social para proteger sua adorada amante perfeita. 

Capítulo Um
Finais de julho de 1835. Arredores da Mansão Glossup, em Ashmore, Dorset.
—Demônios!
Simon Cynster freou seus cavalos zainos, fixou o olhar na cordilheira que se erguia no alto atrás da aldeia de Ashmore. A própria aldeia estava as suas costas, dirigia-se para a Mansão Glossup, situada a uma milha de distância além do frondoso atalho rural.
Por trás das cabanas da aldeia, o terreno se levantava abruptamente, uma mulher avançava pelo caminho que serpenteava pela vereda daquilo que Simon conhecia como antigos aterros. Do alto, a vista se estendia até Solent, e em dias limpos inclusive até a Ilha de Wight.
Não era estranho ver que alguém avançava nessa direção.
—Tampouco que ninguém a acompanhasse.
Com crescente irritação, observou como aquela figura esbelta, de cabelo escuro, inegavelmente graciosa, subia a costa com passo firme, uma figura de pernas longas que inevitavelmente atraía o olhar de qualquer homem com sangue nas veias.Reconheceu-a imediatamente, Portia Ashford, a cunhada de sua irmã Amelia.
Com certeza Portia se dirigia à reunião campestre oferecida durante vários dias na Mansão Glossup, esta era a única casa importante próxima o suficiente para ir caminhando.
A sensação de que abusava dele se incrementou.
Maldição!
Cedera aos rogos de seu velho amigo James Glossup e aceitado deter-se em seu caminho a Somerset para ajudar James com as complicações da reunião.
Mas se Portia estava convidada, já teria suficiente com suas próprias complicações.Ela chegou ao topo dos aterros e se deteve para segurar a queda de seu cabelo negro azeviche com sua esbelta mão e, com o rosto levantado para a brisa, contemplou fixamente à distância.
Depois, deixando cair a mão, prosseguiu com elegância seu caminho, seguindo a estrada até o mirante e descendo-a lentamente até que desapareceu de vista.
Ela não é minha responsabilidade.As palavras ressoaram em sua mente, Deus sabe que ela tinha afirmado este sentimento com suficiente freqüência, de diferentes maneiras, a maioria delas muito enfáticas. Portia não era sua irmã, não era sua prima,com efeito, não compartilhavam nenhuma relação de parentesco.
Apertando a mandíbula, olhou seus cavalos, e puxou as rédeas.E amaldiçoou para si mesmo.
—Wilks, acorde, homem! —Simon lançou as rédeas ao seu cavalariço, que até então dormia atrás dele. Freou e desmontou de seu cavalo — Só segure as rédeas,retorno em um instante.
Colocando as mãos nos bolsos de seu sobretudo, dirigiu-se a estreita trilha ascendente, finalmente unindo-se ao caminho da casa que Portia tinha seguido ao subir a costa.
Só estava procurando problemas, pelo menos um encontro cortante, entretanto, deixá-la sozinha, desprotegida frente a qualquer folgado que passasse por ali,simplesmente não era possível, não para ele.
Se tivesse seguido seu caminho, não teria tido um momento de paz até que ela retornasse sã e salva à Mansão.Dada sua propensão a caminhar sem rumo, poderia demorar várias horas.
Ninguém agradeceria sua preocupação. Se sobrevivesse sem que seu ego fosse alfinetado em dúzias de lugares desagradáveis, podia considerar-se afortunado.
Portiatinha uma língua como uma navalha de fio duplo, não podia evitar sair ferido. Sabia perfeitamente qual seria sua atitude quando a alcançasse, precisamente a mesma que tivera durante os últimos dez anos, desde que ele se dera conta que ela realmente não tinha ideia do prêmio que era, a tentação que representava e, portanto,necessitava constantemente proteção das situações nas quais despreocupadamente se metia.
Enquanto permanecesse fora de sua vista, fora de sua órbita, não era sua responsabilidade, se entrava nela, desprotegida, sentia-se obrigado a cuidá-la, a velar por sua segurança, deveria saber que não devia lutar contra o impulso de fazê-lo.De todas as mulheres que conhecia, era indubitavelmente a mais difícil, possivelmente por ser também a mais inteligente.
Entretanto, ali estava, caminhandocom dificuldade atrás dela apesar de saber com segurança como o receberia, não estava seguro sobre o que isso indicava sobre sua própria inteligência.
Mulheres!

13 de janeiro de 2015

Ragnar o Assassino

Série Ragnar O Dinamarquês


Mas quem é condenado à morte?

Sob a Danelaw. Meia raça Dane, Ragnar Longreach, faz o seu melhor para se encaixar com seus parentes, mas sempre se sente como um pária. 
Quando ele encontra a Inglesa Aelfwyn, também rejeitada por seu clã, faíscas voam e eles começam um caso passional. 
Mas ela está prometida a outro homem e proibidos de se consorciar com os dinamarqueses. Quando seu noivo é assassinado, Ragnar é o suspeito óbvio. Será que ele cometeu o crime, ou ele é apenas um peão no jogo de outra pessoa?

Capítulo Um

914 AD East Anglia
- Vamos! - Pediu Saehild, pulando de um pé para o outro para se manter aquecida. - Quanto mais rápido chegarmos lá, mais rápido nós vamos voltar.
Aelfwyn, sendo menor e mais fina do que sua irmã mais nova, achou mais difícil manejar os baldes. A parede era longa, muitas pedras afiadas pelo caminho e ela odiava carregar os baldes pesados de volta.
- Eu estou ansiosa para a festa de casamento de Eappa e Geatfleda na próxima semana, não é? Vai ser uma mudança de tarefas diárias. Quando eu me casar eu vou ter escravos e eles vão fazer todo o trabalho, enquanto eu me divirto.
- Você tem que encontrar um marido rico em primeiro lugar.
Aelfwyn imaginava que não seria difícil. Linda de rosto e de corpo curvilíneo, os homens não poderiam resistir a Saehild. Seus pais insistiram para que ela não case até o seu décimo quinto aniversário, no entanto, e como estava próximo, logo Aelfwyn perderia sua companheira chata, mas divertida.
As árvores, sem folhas, as cercavam como um caminho misterioso.
Quando viraram a última curva, eles viram duas figuras ao lado do poço, vestindo o manto de lã vermelha dos homens do Jarl Thorvald, botas de couro e calças de malte, com ligas. Queixavam- se um ao outro, suas respirações nubladas, tanto que na água congelada não se via a madeira de suas lanças.
As meninas pararam alguns metros de distância.
- Será que eles vão nos atacar? - Sussurrou Saehild dramaticamente, agarrando- se a sua irmã.
Aelfwyn suspirou. - Provavelmente não, mas seria melhor esperar até que eles fossem embora.
O dinamarquês mais alto olhou abruptamente para cima e sorriu. Seu cabelo vermelho escuro era ondulado, mas preso em uma trança por cima dos ombros e usava um gorro de pele, em vez de um capacete, como ele não estava em batalha. Com a pele mais escura do que a maioria dos dinamarqueses, ele parecia agradável, bonito, mas não impenetrável, especialmente por sua barba bem feita e bigode cobria a maior parte inferior de sua face.
- Venha - disse ele. - Não tenha medo.
O outro virou também, e sorriu. Agora, ele realmente era bonito. Cabelo liso cor de ouro, seus olhos grandes e azuis, os lábios com uma forma atraente. Seu bigode e barba eram felizmente menos cheios do que o outro, pois isso revelou sua beleza. As irmãs engasgaram. Ele estendeu a mão em um movimento de boas- vindas dando um passo a frente. - Nós quebramos o gelo. - disse o bonitão, inclinando- se sobre a sua tarefa, enquanto o outro vigiava.
As meninas assistiram, fascinadas. Saehild fingiu ajeitar o lenço na sua cabeça, deixando o cabelo louro e macio escorregar para fora dele. Ela cuida muito bem do cabelo, ao contrário de muitas meninas e possuía três pentes.
- Saehild!

Série Ragnar O Dinamarquês
1 - Ragnar o Assassino
2 - Ragnar and the Slave Girls
3 - Ragnar the Just

11 de janeiro de 2015

Amor em Tentação

Série Vikings Proibidos
O guerreiro viking Ragnar Olafsson se conteve quando seu melhor amigo reivindicou Elena, a mulher que ele mais desejava. 
Havia apenas um meio de acalmar a revolta dentro de si: tornando-se impiedoso nos campos de batalha. 
Quando ela é capturada, Ragnar coloca sua coragem à prova e arrisca tudo para salvá-la. 
Ao ficarem isolados, precisam se ajudar para sobreviverem. 
De repente, cada desejo, cada olhar, cada toque se torna proibido. Mesmo um santo poderia cair em tentação por Elena. 
Um pecador como Ragnar sabe muito bem que não conseguirá conter o ímpeto!

Capítulo Um

Irlanda — 875 d.C.
Não existe nada pior do que estar apaixonado pela esposa de seu melhor amigo.
Ragnar Olafsson segurou firme nos remos, puxando-os contra as ondas do mar. Não deveria ter ido para a Holanda com eles. Mas, quando Styr o convidou a ir, acabou aceitando num momento de fraqueza. Mas escondeu todos os sinais de sua obsessão por Elena, a ideia de não vê-la nunca mais era pior do que o tormento de vê-la com o marido.
Até então, nunca tinha deixado nenhum dos dois desconfiar de seu fascínio por ela. Ninguém tinha conhecimento de sua frustração visceral ao presenciar Styr levando a mulher que amava para a tenda. Era uma tortura mortal vê-los juntos.
Por outro lado, não conseguia tirá-la de sua mente. Enquanto remava, Ragnar mantinha os olhos fixos em Elena. O cabelo longo e avermelhado tinha mechas loiras como se fosse ouro sobre o fogo. Ela era uma linda deusa, que ele adorava de longe.
Ela o considerava como um amigo, nada além disso, o que não era surpresa alguma. Uma mulher como Elena merecia um casamento sólido com um guerreiro nobre de nascimento. 
O casamento com Styr tinha sido arranjado havia anos e Ragnar não fazia o tipo de homem que roubava a mulher de alguém, principalmente se este fosse seu melhor amigo.
Ela havia feito sua escolha e Styr fazia tudo para vê-la feliz. Foi por essa razão que Ragnar ficou de lado.
Durante os anos, ele vinha buscando outra mulher. Apesar de ser um guerreiro forte e cobiçado por várias moças solteiras que já tinham lhe lançado olhares de esgueira, nenhuma delas se comparava à Elena. Talvez nunca encontrasse outra igual.
Enquanto remava, ele a estudou observando as águas cinzentas. Alguma coisa tinha mudado naqueles últimos meses. Ela e Styr mal conversavam um com o outro. A esterilidade de Elena corroía sua alma, deixando-a afogar-se na tristeza. Ao fixar o olhar no mar, seu rosto assumiu uma palidez nada natural. 
Não havia palavras para remendar os pedaços do casamento, nada que Ragnar pudesse dizer a ela.
As águas próximas à praia eram mais rasas do que eles haviam imaginado.
— Vamos parar aqui — ordenou Styr. Depois de uma olhadela aos outros, ele se aproximou de Ragnar e, por um momento, olhou para a enseada, avistando uma aldeia. — Você pode ir com Elena depois? Há movimento na praia, não a quero por perto, receio pela segurança dela.
— Vou mantê-la a salvo. — Ragnar banharia sua espada no sangue de qualquer inimigo que ousasse ameaçar Elena, mesmo que ela não lhe pertencesse, tinha de ser seu protetor. Não hesitaria em oferecer a própria vida se isso a salvasse.
Styr pousou a mão no ombro de Ragnar e com um suspiro pesado, admitiu:
— Fico feliz que você tenha vindo conosco. Uma viagem como essa só podia ser suportada com o apoio de amigos.
— Faz três dias que os homens não dormem — concordou Ragnar. — Todos nós precisamos de uma boa refeição e descanso.
As fortes ondas jogavam a embarcação de um lado para o outro, como se os deuses os quisessem em sacrifício. Eles lutaram bravamente contra o vento impiedoso, tentando sobreviver à tempestade. E tinham vencido, mas sem descansar. 
Ragnar estava com o corpo e mente debilitados, era difícil concatenar as ideias e a única coisa que lhe passava pela mente era o desejo de desmoronar na areia.
— É uma pena que você não tenha uma mulher para aquecer sua cama — acrescentou Styr ao encolher os ombros.
— Soube que há mulheres em Erie. Talvez eu encontre alguma — disse Ragnar, olhando para o amigo com amargura.
Ragnar tivera outras mulheres durante os anos passados, mas nenhuma delas era comparável a ela. Por mais que tivesse tentado arrancar Elena de sua mente, havia noites em que acordava encharcado de suor…


Série Vikings Proibidos
1 - Amor em Pecado
2 - Amor em Tentação
Série Concluída