14 de novembro de 2019

A Filha do Arqueiro

Cate Archer é uma mulher procurada. 

Quando seu pai foi morto durante as negociações de paz com o jovem rei Richard, Cate prometeu que não ia descansar até ver o assassinato de seu pai ser vingado e seu assassino derrotado. 
Ela nunca imaginou que se apaixonaria pelo homem enviado para executar sua sentença de morte.
O visconde Owen Gray tem apenas uma tarefa — trazer os líderes rebeldes, mortos ou vivos. O dever de sua vida é para a Guarda do Rei, e ele tem certas expectativas para cumprir. Apaixonar-se por sua prisioneira não é uma delas. Ele entende sua causa, mas não pode arriscar sua posição e honra por uma fora da lei. Owen deve escolher entre o dever e o desejo do seu coração. A Guarda é tudo o que ele já conheceu. Ele permanecerá fiel ao seu juramento ou estará na próxima lista dos mais procurados ao lado de sua Cate?

Capítulo Um

Julho de 1381, Floresta Bedgebury, Kent, Inglaterra
Assassinado não era para os fracos de coração.

Cate Archer respirou fervorosamente, incapaz de acalmar seu interior. Ela confiava em seus instintos sem hesitação. A sensação de formigamento que percorria sua barriga e rapidamente se espalhava por suas extremidades — o arrebatador turbilhão de excitação que a consumia a cada estiramento de seu arco — a excitava além da contestação.
O sangue percorria suas veias com cada batida de seu coração. O galho da árvore em que ela pousava balançava suavemente na brisa, ninando-a suavemente em seu dossel de pelúcia. Ela se distraiu brevemente com a ideia de uma pequena soneca, se tivesse tempo. Os informantes rebeldes haviam dado a palavra de que um bando de nobres viajava pela estrada de acesso através da floresta de Bedgebury, e não havia melhor oportunidade do que essa para acabar com suas crueis vidas. Com um pouco de sorte e algumas flechas bem direcionadas, o grupo estaria morto antes do pôr do sol. Justiça rápida para aqueles que tinham sido assassinados nas mãos do rei, incluindo o seu amado pai.
Cate prometeu que não descansaria até que o homem que matara seu pai tivesse o mesmo destino. Ela foi para a floresta, prestando especial atenção à estrada de acesso aberta em meio às árvores. Qualquer nobre que ousasse passar teria uma morte precoce na extremidade oposta de seu arco. Não haveria cobrança de tributos — eram roubos, não tributos — de sua aldeia.
A espera era o mais difícil. Aguardar pelo momento mais oportuno para atacar, ou escutar algum leve ruído suspeito no vento — um passo em falso de um cavalo nervoso, que talvez captasse a presença de Cate muito antes de seu condutor. Lutando contra o desejo de se esticar de sua posição inflexível na árvore, Cate concentrou-se em seus arredores, lembrando as lições que seu pai lhe ensinara durante os seus vinte e três anos. Ela não falharia com ele agora.
Constância, honestidade e verdade.
Agarrando a haste de sua flecha entre os dentes, Cate afastou seus cachos escuros do rosto, segurando-os sobre sua cabeça com um pedaço de corda. Do outro lado da copa, a doce música de um pardal flutuava pelas árvores. Cate respondeu a chamada simulada com um grasnado retumbante, silenciando o pássaro da canção. O sinal fora dado. Seus homens estavam prontos.
Em instantes, os cavaleiros surgiram, aproximando-se de suas mortes a cada passo insuspeito. Três homens armados protegiam um homem fortemente carregado no centro do grupo de viajantes. Pesadas bolsas ​​com mercadorias e moedas retiniam quando o cavaleiro se ajustava na sela.
Um cobrador de impostos. Ele seria o primeiro a morrer.
Depois de encaixar sua flecha, Cate silenciosamente esticou seu arco. Um passo, dois passos mais perto e ela teria um tiro certeiro para o coração do homem. Prendendo a respiração, ela aguardou. Então, a corda do arco escapou de seus dedos, zunindo perto de sua bochecha. A flecha mergulhou profundamente no peito de seu alvo, e Cate abriu um sorriso.
Ela armou sua segunda flecha. Os cavaleiros abaixo se movimentaram em círculos erráticos, gritando ordens e puxando suas armas, preparando-se para combater um inimigo que não podiam ver. Cate riu, comparando-os com um formigueiro importunado. Perturbação caótica... como isso a emocionava. A corda do arco cruzou entre as pontas de seus dedos, impulsionando a flecha em direção ao seu próximo alvo — um homem gordo e calvo que não conseguia decidir se queria ou não descer de sua montaria. Ele se sentou na sela, inseguro de sua posição na refrega. No impacto, sua segunda vítima caiu para o lado e ficou imóvel no chão lamacento.
Seus homens — seus rebeldes irmãos de armas — invadiram todos os ângulos, cortando todos os meios de fuga para as últimas duas pobres almas que ainda lutavam por suas vidas. A galante tentativa deles de batalhar até o amargo fim trouxe uma pontada de culpa em suas entranhas, embora breve.
Quando o terceiro guarda caiu vitimado pelos seus homens, Cate suspirou pesadamente.
— Espere. — ela gritou das árvores. Ela colocou o arco em suas costas, em seguida, saltou de galho em galho, descendo da árvore com a graça e elegância de uma criatura da floresta.
Botas no chão, ela parou, régia e imponente, os pelos suaves da armadura forrada de peles esvoaçando com a brisa. Carregando uma pequena adaga na lateral, Cate se aproximou do guarda restante.
O homem ensanguentado era mantido firme por duas corpulentas monstruosidades de couro e suor, e a observava aproximar-se com os olhos cautelosos.
— m nome. É isso que eu peço. Dê-me o nome do homem que executou William Archer de Kent e pouparei a sua vida, tem a minha palavra.
O homem lutou contra a restrição.
— E o que isso vale... a palavra de uma mulher?

12 de novembro de 2019

Uma Lady Encrenqueira

Série Decepções Maléficas
Lady Sophia Barnes não aceita não como resposta.

Especialmente quando ela está vagando pelo submundo decadente de Londres... vestida de homem. Como uma defensora da justiça, a mais recente missão de Sophie é lutar pelos direitos dos pobres, miseráveis — e das funcionárias do bordel de Madame Hartley. 
Ela não está preocupada com os criminosos que cruzam seu caminho, pois Sophie domina a arte do engano, incluindo a arte de usar calças. Agora seu destino está em suas próprias mãos, junto com uma arma carregada. Tudo o que ela precisa é de instruções sobre como disparar. Mas apenas uma pessoa pode ajudá-la: lorde Quint, o homem que partiu seu coração anos atrás. O homem que ela não deixará destruí-la novamente... A última coisa que Damien Beecham, visconde Quint, precisa é de uma intrusão em sua privacidade, especialmente da mulher linda e exasperante que ele nunca deixou de desejar. Uma mulher com um pedido perigosamente absurdo, nada menos. Damien está travando uma batalha própria, que ele deseja manter escondida — junto com seus sentimentos por Lady Sophia. No entanto, essa luta é tão desesperadora quanto parar seu estranho plano. Em breve, tudo o que Quint saberá com certeza é que ele morrerá tentando protegê-la... Aos meus pais, que primeiro me mostraram como eu era feliz. E para Rich, que me deu a minha própria.

Capítulo Um

Fevereiro de 1820
a virilha da calça exigia uma quantidade surpreendente de habilidade. Uma protuberância muito grande atrairia a atenção. Muito pequena e você arriscava que a coisa escorregasse pela perna. Felizmente, Lady Sophia Barnes possuia experiência suficiente para alcançar o equilíbrio perfeito. Ninguém olhando para ela agora acreditaria que ela era uma dama de vinte e sete anos, filha de um rico e poderoso marquês
— não vestida como ela estava, na elegância de um cavalheiro, da cabeça aos pés. Assim como ninguém acreditaria que seu tempo livre fosse gasto investigando assuntos para uma classe de mulheres, na qual a maioria dos londrinos nem queria pensar.
Aquela noite, embora fria e desagradável, fora moderadamente produtiva. Quando Sophie se aproximou da carruagem, o cocheiro pulou para abrir a porta. Sua criada, Alice, sentou-se lá dentro, encolhida debaixo dos cobertores. Alice esperou até a porta se fechar antes de falar.
— Então, milady? Sophie bateu no telhado para sinalizar ao cocheiro. Então ela puxou um papel dobrado do bolso do sobretudo.
— Não há vestígios de Natalia, mas eu encontrei isso.
— Beth, a garota que contratou Sophie, estava preocupada que algo mal tivesse acontecido com sua amiga. Embora Beth agora tivesse encontrado um protetor, Natalia ainda trabalhava em uma taberna perto das docas, onde moedas extras significavam levar um cliente aos aposentos do segundo andar. As duas moças se correspondiam toda semana, sem falhar, e Natalia não enviava notícias há quase um mês.
Naquela noite, Sophie teve acesso ao quarto de Natalia e a procurou. A única carta que encontrou estava em russo. Sophie esticou as pernas livres no pequeno espaço, enquanto a carruagem riscava a noite. As calças eram realmente uma invenção espetacular.
— Eu gostaria de saber o que diz. Beth só falava inglês.
— Precisamos encontrar alguém que possa falar russo, milady. Um nome veio à mente. Um nome que ela tentou não pensar mais de cinco ou dez vezes por dia. Ela frequentemente falhava mesmo nisso.
— Conheço alguém que fala russo. Lorde Quint. Ele fez uma breve palestra durante uma reunião na Embaixada da Rússia, há três anos.








Série Decepções Maléficas

1- A Duquesa Cortesã
2- A Condessa Libertina
3- Uma Lady Encrenqueira
Série concluída

Conde de Weston

Série Club dos Condes (Multiautores)
Edward Hunter, solteiro convicto, chega em casa de uma missão para a coroa e encontra seu irmão morto, e seu pai consumido em tristeza. 

Ele é agora o conde de Weston, uma posição que nunca quis. Enquanto procura por pistas do assassino de seu irmão, ele se vê forçado a comparecer a Ton e seus entretenimentos que normalmente teria evitado.
Hattie Longbottom é uma solteirona que passou a juventude cuidando de sua mãe inválida. Com a morte de sua mãe, ela é forçada a deixar sua casa, porque se recusa a se separar de seu amado papagaio, Archie, e sua única opção é viajar para Eynsham e morar com seu irmão e sua família. A jornada até sua propriedade acorda Hattie para as duras realidades da vida fora de sua pequena aldeia.
Em menos de um dia, e com a ajuda de seu pássaro vociferante, uma infeliz série de infortúnios ameaça arruinar Hattie.
Pode um conde relutante vingar o assassinato de seu irmão e salvar uma solteirona no mesmo processo.

Capítulo Um

Londres, 1816
Edward Hunter, Conde de Weston, recostou-se na cadeira e espreguiçou-se, apertando as mãos de seu oponente, o conde de Harrington. Ele estava procurando por relaxamento e se sentindo apenas ligeiramente animado com sua vitória.
Edward era um símio mais rico depois de cinco jogos de piquet e sentindo-se estranhamente desconcertado. Seu amigo ainda queria jogar, mas ele prometeu que poderia recuperar suas perdas em outro momento. 
torno do elegante salão de jogos no estabelecimento de cavalheiros particulares conhecido como Wicked Earls Club, vários jogos de azar estavam em andamento: roleta, vinte e um,1 faro,2 whist3 e hazard.4 
Na outra extremidade da sala, uma mesa de bilhar emitia uma série de barulhos altos de 
— click, clack — ecoando de vez em quando, acima do zumbido geral. Edward apontou a pequena insígnia de ouro em 'W' no alfinete, ancorado no tecido do pescoço dele. Era um emblema modesto, mas cada membro era obrigado a usar o seu quando estava presente. Ele foi presenteado com o alfinete oito meses atrás, após sua introdução no clube.
Enquanto o clube não estava no bairro mais elegante, ele comparava favoravelmente com o White’s pela riqueza de seus interiores. As paredes eram forradas com tons de bordeaux ou verde-caçador, e a iluminação era baixa. Apenas os móveis mais masculinos — belos couros, tons de madeira escura — designavam as salas públicas do clube.
Este não era um inferno gentil. Embora exclusivo, o Wicked Earls Club era um estabelecimento de má reputação. Edward permitiu que seu olhar viajasse sobre as cabeças dos outros condes presentes. Alguns estavam fazendo o melhor que podiam em operativos para duplicar suas fortunas antes do final do ano; outros viviam escandalosamente na expectativa de herdar. 
Em variados estágios de desordem, esses filhos de cavalheiros estavam descansando nas poltronas de couro macio, bebendo vinho caro como se fosse cerveja e se envolvendo em uma boa e bem-humorada linguagem irreverente.
As lâmpadas a óleo estavam baixas, exceto aquelas acima das mesas, mas de seu canto discreto, Edward podia ver os rostos vermelhos e sentir os aromas de excitação e colônia obsoleta. Ao lado da grande lareira, um cavalheiro falava com o conde de St. Seville, que tinha uma grande pilha de notas promissórias na mão direita. 
cabelo do homem se agarrava a testa úmida e suas bochechas queimavam em um rubor. Ele estava claramente sendo espoliado. Não era uma ocorrência incomum, mas por algum motivo Edward sentiu-se enjoado e desviou o olhar. Quando ele se tornou tão facilmente afrontado e ofendido?

7 de novembro de 2019

Conde de Weston

Série O Clube Inferno
Notório e destemido, Lorde Trevor Montgomery deve enfrentar agora seu maior desafio: casamento!

A tímida e calorosa Senhorita Grace Kenwood sabe que não tem chance de tentar seu novo vizinho, Lorde Trevor Montgomery. Todas as belezas elegíveis estão desmaiando sobre o ex-espião. Mesmo que uma vez ele beijou-a sem nenhum motivo, ele não pode ter interesse em alguém como ela. No entanto, de alguma forma, o patife sedutor desencadeia seu próprio diabo interior...
Toda mulher ama um herói, mas Trevor não tem interesse em nenhuma delas — exceto pela graça refrescantemente sincera de Grace. Se ele tivesse um coração sobrando, Grace poderia roubá-lo. Ela insiste que ele é melhor do que pensa. Ele tem certeza de que ela está absolutamente errada. Até o perigo ameaçar, e Trevor redescobrir como é fácil ser um herói... Para a dama certa.

Capítulo Um

Londres, 1816
George estava fascinado, mas isso, Grace supôs, era de se esperar. O despreocupado jovem elegante sentou-se ao lado dela no banco na área do salão e declarou: — Senhorita Kenwood, eu te adoro!
— Ah, isso é muito bom, George.
— Eu quero dizer, eu te adoro!
— Adore a Deus e use sua cabeça, meu querido rapaz — , ela respondeu, observando o salão de baile.
Ele riu como se ela tivesse dito algo encantador. — Falou como a filha de um verdadeiro pregador! Eu diria que você poderia salvar até minha alma, senhorita Kenwood. Mas é verdade — ele disse, levantando o copo para ela. — Você é minha mulher ideal em todas as coisas. — Ele olhou inocentemente para o vestido dela. — O que falta em moda, você compensa com substância!
Ela se virou para ele, assustada. — Uh, obrigado, meu senhor.
Perfeito. Apenas o que ela precisava ouvir. A confirmação do próprio filho de seu anfitrião que ela parecia tão fora de lugar quanto se sentia no opulento palácio da cidade do Marquês de Lievedon.
A Srta. Grace Kenwood, firmemente na prateleira na idade avançada de vinte e cinco anos, não estava acostumada a salões de festas aristocráticos.
Todos ficavam entusiasmados com as delícias mundanas de Londres, mas a grande metrópole fazia com que ela sentisse falta de seu jardim. O ar na capital lotada deixava sua pele suja em comparação com a brisa fresca e o sol do campo.
E as pessoas... Bem, não deveria julgar, mas bastava dizer que estes eram tempos decadentes.
— O que você está fazendo se escondendo nas sombras como uma flor de estufa, afinal? — Seu jovem amigo desobediente exigiu, batendo seu ombro com o dele, como um estudante crescido flertando com sua governanta.
Aos vinte e um anos, George, Lorde Baron Brentford ou Bratford, como ela preferia chamá-lo, era quatro anos mais jovens do que ela. Ele gostava de colocá-la neste pedestal bobo, porque ele sabia muito bem que nada viria disso. Ele era herdeiro do marquesado de Lievedon, enquanto ela era apenas a filha do ministro despreocupado que era continuamente chamado para ajudar a afastar o jovem libertino do caminho da autodestruição.
Através de uma estranha série de eventos, o reverendo Richard Kenwood tornou-se a única autoridade moral na terra que parecia ter qualquer influência sobre o jovem fanfarrão da moda.
O filho pródigo de lorde Lievedon ainda se desviava regularmente, mas pelo menos o patife estava disposto a ouvir os sábios conselhos do reverendo de vez em quando. Deus sabia que o próprio pai de George não conseguia chegar até ele; mas o grande marquês só sabia falar através de comandos frios e cortantes.
De qualquer forma, a influência do reverendo sobre o primogênito de Sua Senhoria foi o que moveu o marquês a dar o sustento ao reverendo. Com o entendimento, é claro, que o reverendo Kenwood se colocaria à disposição da família de seu patrono sempre que fosse necessário.
Em resumo, quando o marquês os convocou para a cidade, os Kenwoods foram.
George jogou para trás o resto de seu conhaque e sinalizou para um lacaio próximo que trouxesse outro.
— Você não acha que já teve o suficiente? — Ela murmurou gentilmente.
— Só mais um!

5 de novembro de 2019

Caminho Íntimo de Magia

Série Rohard
Quando se entra, já não se pode voltar atrás...

Mary Luton, irmã do conde de Rohard, deveria ser uma das mulheres com mais pretendentes em toda a Inglaterra: é bonita, inteligente e nada a detém, nem mesmo sua incapacidade para andar. Quando seu irmão parte em viagem de núpcias, solicita a Diego Lezcano, seu sócio e amigo, que vigie a audaz Mary para que não se meta em problemas.
Diego não tem intenções de cuidar da temerária mulher, mas termina aceitando contrariado. Não quer estar perto de Mary, ou melhor, quer muito estar perto dela. No entanto, ele é um homem que não pode falar do seu passado, e sabe que não é o adequado para Mary, por isso prefere manter uma tensa distância.
As coisas se complicam quando Lorde Davenport, conde de Hampshire, decide cortejar lady Luton, por acreditar que um casamento com ela poderá sanear suas enfraquecidas finanças. 

A mãe de Mary o incentiva a que avance no cortejo, convencida de que um casamento nobre será o melhor para sua filha, ajudando-o, inclusive a levá-la para forçar um casamento. Mas lady Luton se empenha em rejeitá- lo, porque não pode deixar de pensar em Lezcano. Diego deverá então decidir se vai procurá-la, se decide entrar em um caminho junto com Mary do qual ambos não desejarão sair.

Capítulo Um

— Isto não estaria acontecendo se o imbecil do meu tio não tivesse casado.
— Pode ser que fosse assim, — respondeu lorde Reeds, alegre diante do visível abatimento de seu interlocutor — mas com a herança do viscondado só teria conseguido retardar o inevitável. Terrell, sua situação financeira é desastrosa; se não fosse por seus contatos, estaria praticamente na miséria.
Terrell Davenport olhou com aborrecimento para seu anfitrião, William Reeds, marques de Hartington, e não porque não estivesse certo, pois devia reconhecer que, desde que herdara o condado de Hampshire, não fizera outra coisa além de dormir todo o dia, jogar cartas, deitar com todas as mulheres que desejava e se embebedar até perder o conhecimento a cada noite.
Há cinco anos, assistia as quantas festas se celebrasse em Londres; e não só aos bailes formais, os que, por certo, odiava, mas também a outras reuniões muito mais depravadas, as quais ele e seu grupo de amigos aristocratas eram assíduos. Pensando bem, deveria reconhecer que a origem de todos seus problemas residia principalmente em que nunca se interessava em como fazer dinheiro, muito pelo contrário: sempre preferia gastá-lo.
Como possuidor de um dos títulos mais antigos da Inglaterra, e da confiança em sua palavra, que se esperava pela nobreza de sua procedência, lorde Davenport havia conseguido até o momento escapar dos credores. Mas agora, suas posses estavam a ponto de serem embargadas.
Assim, a cada noite devia ir para a casa de algum companheiro de farras, para evitar a todos aqueles sanguessugas que o perseguiam constantemente. Além de permitir que os mesmos amigos o mantivessem ou pagassem seus pequenos caprichos, como eles denominavam, em troca de guardar silencio sobre certos detalhes escabrosos de suas vidas. Era uma das vantagens de ser o macho alfa daquela manada de nobres e luxuriosos lobos.
Depois de todos aqueles anos como conde de Hampshire, agradecia mil vezes sua mania de recolher todo tipo de provas acerca das tramas turvas, nas quais a maioria dos jovens herdeiros ingleses participavam. Aquilo servia para salvar sua pele e se manter à tona em muitas ocasiões.
No momento, seu aborrecimento se devia a que seu plano para sair de sua miserável situação econômica fracassara. Davenport depositara suas últimas esperanças no dinheiro da herança de seu tio: o visconde de Mersey que, apesar de ter mais de sessenta anos, se casara fazia menos de um ano. Sua jovem esposa já tinha dado à luz a um saudável e robusto menino, que fazia em cacos, as aspirações do conde à herança de Mersey.
— Quem sabe, —respondeu Davenport com desdém enquanto abria uma caixinha de rapé — talvez possa dizer que aprendi a lição de minha experiência anterior, e desta vez deveria tirar mais partido da fortuna de meu tio, menos desperdício. Sabe: alguns investimentos certeiros e iria viver, meu amigo!
Uma gargalhada rouca escapou da garganta de lorde Reeds.
— Investimentos? Vamos, Terrell, se nem mesmo sabe o que é uma ação. Se seu tio não tivesse se casado e gerado um herdeiro, as propriedades do viscondado seriam pasto dos coletores.
— Você me cansou! 








Série Rohard
01- Doce Caminho Espinhoso
02- Caminho Íntimo de Magia
Série concluída


4 de novembro de 2019

Sua Majestade, Meu Amor

Série The V. Col
Uma princesa em fuga deve completar uma empreitada mística para poder ocupar o seu lugar de direito no trono de seu país. 

A princesa Isabella Chastaine mantém em suas mãos o destino de sua pequena nação insular. Literalmente. Escapando dos homens que assassinaram seus pais, ela fugiu para a Inglaterra com o mapa sagrado que descrevia a localização das relı́quias antigas, itens necessários para que o novo governante pudesse subir ao trono, itens enterrados profundamente nas cavernas de mármore de sua terra natal.

Capítulo Um

Londres, Inglaterra, Fevereiro de 1815
Era um bom dia para morrer.
Mas talvez ela já estivesse morta, seu corpo apenas recusava reconhecer o que o coração sabia.
A Princesa Isabella Genevieve Elizabeth Chastaine caminhava ao longo da Ponte Westminster, a agonia infundida a cada passo. Aquele era o local que deveria ter sido o ponto de encontro com Davide, quando ele chegasse à Inglaterra. Foi o único lugar que eles puderam pensar diante da pequena parada antes que eles partissem para Leaudor. 
O vento gelado soprava sobre ela, fazendo com que arrepios descessem por sua espinha. Ela desejou ter luvas e um casaco, qualquer coisa para mantê-la aquecida. A fuga para a Inglaterra não permitia nada além das roupas que ela vestia e elas eram muito elegantes para que ela permanecesse na clandestinidade. Ela as trocara por comida, um vestido e algumas roupas de menino. Mas o seu escasso suprimento de comida acabara. E agora, o tempo dela também.
O ruı́do das carruagens cruzando a ponte de um lado para o outro tinha um ritmo constante. Ela as olhava, mas sem enxergar. A􀆱 distância, a fumaça subia pelas inúmeras fábricas.
Como ela odiava aquele lugar. As cidades lotadas, os odores ofensivos, as pesadas capas escuras que pareciam encobrir os telhados. Embora o dia de hoje marcasse uma surpreendente prorrogação de tais condições.
Ela olhou para cima. Pela primeira vez o céu de Londres não estava escuro com as sombras das nuvens. O azul brilhante indicava melhores condições da primavera e ela piscou contra a luz do sol. 








Série The V. Col

1 - Duquesa do Meu Coração
2- Sua Majestade Meu Amor

31 de outubro de 2019

Meu Príncipe Implacável

Série O Clube Inferno
Para a sociedade londrina, o Clube Inferno é uma escandalosa sociedade composta por membros aos quais nenhuma dama gostaria de conhecer. 

Mas apesar de serem publicamente célebres por sua dedicação a libertinagem em todas as suas formas, em privado são guerreiros que fazem de tudo para proteger ao seu rei e a sua pátria. 
Seus irmãos guerreiros temem que o conde de Westwood tenha se tornado traidor, mas Emily Harper sabe que isto é impossível para o homem que ela amou desde a infância tão impossível quanto um casamento entre eles poderia ser — ela, a filha do guarda caça e ele, um nobre corajoso e aventureiro.  Impulsionado pelo ódio e pela vingança, Westwood está em um jogo mortal de vingança, inclinado a destruir a conspiração sombria do inimigo por dentro, fica furioso quando Emily mergulha no perigo por causa dele. Forçado a ficar fechado com ela no quartel, seu desejo há muito reprimido explode em uma paixão que o consome. Emily sabe que o amor dela pode salvá-lo..., mas Westwood é um homem que não quer ser salvo. 


Capítulo Um

Alpes Bávaros, 1816
Quando outra bala passou zunindo por seu ombro, ela se virou para trás da imponente árvore mais próxima.
Você é tão louca quanto ele, por vir aqui! ela pensou. Mas que escolha tinha? Era a última amiga que ele havia deixado no mundo, e se não o ajudasse, ninguém o faria.
Ao redor dela, na floresta alpina, ecoavam tiros e as ordens furiosas gritadas dos guardas vestidos de preto que saíram apressados do Castelo de Waldfort quando ela havia sido vista. De costas para o tronco da árvore, com o peito arfando, Emily Harper esperou pela próxima chance de correr.
Ela vinha rastreando sua presa há semanas a uma distância cautelosa, mas quando ele chegou, desaparecendo na sinistra fortaleza no topo da montanha, não havia nada que pudesse fazer além de esgueirar-se pela floresta e tentar vislumbrá-lo, tentar descobrir como atraí-lo.
Mas então um dos sentinelas a notou, e seus esforços para resgatar Drake foram interrompidos.
Agora! Se colocando em movimento, disparou pelo caminho dos cervos mais uma vez, seu manto de lã marrom fluindo atrás dela, seu arco e sua aljava de flechas batendo em suas costas a cada passo.
Raios dourados de luz do sol perfuravam a verdejante escuridão da floresta como lanças de anjos, mostrando-lhe o caminho. Seu olhar experiente examinou cada próximo passo sobre o solo áspero e inclinado. A inclinação era acentuada, ela quase escorregou, mas virou-se rapidamente, derrapando agilmente, se agarrou a raiz espessa e retorcida de uma árvore e depois segurou uma pedra como uma mão ossuda e correu.
A estavam alcançando.
A retumbar selvagem de seu pulso latejava em seus ouvidos, mas seus passos eram silenciosos sobre o espesso leito de agulhas de pinheiro que amoleciam o chão da floresta.
Ela não parou para contar quantos mercenários estrangeiros a perseguiam, alguns a pé, alguns a cavalo.
Alguns com cachorros.
Mas se houvesse alguma dúvida de que a alta cúpula do culto dos Prometeos estava tramando uma conspiração, a presença de um segurança armado era um detalhe muito convincente.
Tão logo sua presença fora detectada, os guardas saíram de trás das muralhas do remoto castelo da Bavária, onde uma reunião secreta de alguns dos homens mais ricos e poderosos da Europa estava em andamento.
Se eles não estavam tramando algo nefasto, então por que precisavam da presença de todos esses guardas armados para manter as pessoas afastadas?
Emily não se importava pessoalmente com os novos e distorcidos esquemas de tirania que os conspiradores ocultistas de alto padrão estavam sonhando em sua interminável busca de poder. Ela veio por apenas um motivo: levar Drake para casa.

29 de outubro de 2019

O Príncipe

Série The Devill’s Duke
















Capítulo Um

Setembro de 1825
Corredor dos Cirurgiões Edimburgo, Escócia
Lenços de pescoço eram muito mais apertados do que ela tinha imaginado. E as calças comprimiam uma pessoa bem no centro de onde ela menos queria ser beliscada. Mas ninguém a havia notado. Até mesmo os estudantes nos bancos de ambos os lados, murmurando para seus companheiros sobre a dissecação no centro do teatro cirúrgico em forma de U, não olhavam duas vezes para ela.
Obviamente, as costeletas tinham sido um golpe de gênio. No entanto, Libby Shaw manteve os ombros curvados e a cabeça inclinada, espiando a demonstração, oculta sob a aba de seu chapéu. Quando o cirurgião afastou o músculo para expor os ossos, um arrepio de prazer a percorreu.
Havia sentado neste teatro antes para assistir a dissecações e cirurgias públicas. Agora, disfarçada de homem, tudo parecia diferente: os médicos com suas sábias sobrancelhas e mãos que faziam milagres; o arranhar dos lápis dos alunos nos blocos de notas; o público curioso atraído pela palestra, se encolhia; e o fedor da carne na mesa, em sua deterioração natural, diminuído pelo porão fresco em que o assistente cirúrgico a guardava todas as tardes para preservá-la para a palestra do dia seguinte.
Durante uma semana, os cirurgiões mais célebres de Edimburgo vinham realizando dissecções, sistema por sistema, mas Libby não se preocupara em participar até hoje, o dia reservado para sua parte favorita: o Sistema Ósseo. O esqueleto humano era robusto, estável, um prazer imenso de se estudar.
― Essa é a fíbula ― o jovem à sua esquerda sussurrou para seu companheiro.
― É? ― O outro sussurrou incerto. Não. Libby mordeu os lábios. As suíças disfarçavam seu rosto, não sua voz. ― Claro, imbecil! ― o primeiro disse. Ela reconheceu aquele tom arrogante. Havia conhecido muitos desse tipo quando seu pai convidava seus alunos para jantar. Pensavam que sua arrogância a impressionaria. ― Já estive em dezenas dessas dissecações ― ele acrescentou. No entanto, ele não diferenciava uma fíbula de uma tíbia.
― O que é isso? ― O outro sussurrou, apontando. O sóleo.
― A tíbia anterior ― disse o altivo.
― Claramente não leu o “Sistema de Dissecações” de Charles Bell. Aparentemente, ele também não tinha. Seus sussurros se tornaram mais altos. Libby avançou no banco e virou a orelha para o andar de baixo. ― Veja, o tensor ― disse o altivo.








Série The Devill’s Duke

01- O Espadachim
02- O Conde
02,5 - O Pirata e Eu
03 - O Duque
04 - O Príncipe

Navegando pela Tentação

Lordes Perdidos de Pembroke

Três jovens herdeiros encarcerados por um tio inescrupuloso escaparam em direção ao mar, às ruas e às guerras distantes, esperando o dia em que pudessem regressar e reclamar seus direitos de herança. 

Era uma vez um nobre, lorde Tristan Easton, convertido em Crimson Jack, um corsário que não respondia a ninguém e cujo único amor era o mar. Mas tudo isso mudou quando a deliciosa lady Anne Hayworth contratou seus serviços para levá-la em uma viagem de perigo e sedução… 
O desespero levou Anne até o bucaneiro de olhos azuis e pele morena. Depois que o capitão lhe pedira um beijo como único pagamento, o desejo foi o que a manteve ao seu lado. Jamais experimentara uma tentação dessa magnitude, mas, para proteger seu coração, sabia que devia seguir seu caminho sem ele. Contudo, Tristan não conseguiu esquecê-la e, quando se reencontraram em um baile, em Londres, jurou que não voltaria a perdê-la. Uma vez reavivada, a chama de uma paixão selvagem começou a arrastá-los por águas inexploradas, capazes de conduzir o lorde perdido de volta ao lar…

Capítulo Um

Sempre ouvi dizer que os olhos são a janela da alma. Ao contemplar os dele, não fui capaz de determinar se aquelas janelas estavam fechadas, ou se os rumores que corriam sobre ele eram verdadeiros: que carecia de alma porque a vendera ao demônio em troca de sua imortalidade. Assim sendo, a vida que levava deveria tê-lo conduzido ao túmulo há bastante tempo. Mas ali estava, a fantasmagórica olhada azul imperturbável, desafiante,…perigosa. 
Chegaria o dia em que me questionaria sobre a decisão de não me afastar. Eu desejava mais do que possuia, e por isso me mantive firme, negando-me ser ignorada. Geralmente regresso àquela noite tormentosa e me pergunto como teria sido minha vida, agora que compreendo que o caminho pelo qual ele me levaria, era um caminho que eu logo descobriria que não queria trilhar. 
Diário secreto de uma dama aventureira Londres, abril de 1858 Não parecia um herói. Lady Anne Hayworth havia esperado que fosse, ao menos, limpo. Jamais havia visto um homem tão desleixado. Usava três botões da camisa, abertos, que revelavam um torso que, para surpresa dela, parecia tão bronzeado quanto suas mãos. 
Estava sentado, sozinho, em uma mesa, em um cantinho na taberna, como se fosse o dono do estabelecimento, ainda que ela soubesse muito bem que não o era. 
Ao menos, pensava que ele não fosse o dono. Os detalhes de sua vida eram tão difíceis de encontrar quanto o próprio homem. 
De pé diante dele, e esteve tentada a usar umas tesouras naqueles cabelos cor de ébano que chegavam até os ombros, e uma navalha na barba incipiente que escurecia seu maxilar. Estava acostumada a que os cavalheiros se pusessem de pé quando ela se aproximava, mas o homem continuou jogado na cadeira, acariciando a caneca de cerveja que estava entre suas mãos quanto a olhava fixamente, como se estivesse imaginando como seria acariciá-la, ao invés da caneca. 
Uma ideia absurda que não sabia de onde surgira. Não estava acostumada que os homens a olhassem descaradamente, como se considerassem fazer alguma travessura com ela. Não, aquele homem não parecia ser feito do mesmo material que os heróis. 
Quem sabe o cavalheiro na porta havia apontado aquele homem como uma forma de brincar com ela. Se assim fosse, exigiria a devolução do soberano que pagara pela informação. Claro que, se por acaso… 
— Estou procurando o capitão Jack Crimson — ela anunciou depois de clarear a garganta. — Crimson Jack
 — e já o encontrou. 
— Entendo. O capitão Crimson Jack, o aventureiro?
 — Isso depende — as comissuras dos lábios do homem se torceram em um sorriso brincalhão. 
— Que tipo de aventura está buscando, princesa? 
— Não sou uma princesa. Meu pai é conde, não um príncipe, ou um rei. Ele… — a jovem se interrompeu. As particularidades de sua herança, de nada, na realidade, eram da conta dele. 
— Disseram-me que você poderia me ajudar. Tristan deslizou um olhar carregado de insolência sobre a mulher, que sentiu o estômago se contrair enquanto apertava os punhos para evitar que tremessem. — Isso depende do tipo de ajuda que necessite. 








 Lordes Perdidos de Pembroke
1- Uma Tentação para o Duque
2- Navegando pela tentação
Série concluída



23 de outubro de 2019

Doce Caminho Espinhoso

Série Rohard
Sara Brown é enganada pela sua mãe, que lhe disse que a saúde de sua prima Mary, irmã do Conde de Rohard, havia piorado e que seria conveniente que fosse cuidá-la.

A Senhora Brown crê que, se sua filha for levada para a residência do Conde e assistir a seus esperados bailes, encontrará um bom partido para se casar; e sabe que a enfermidade de sua prima é o único motivo que pode convencê-la. Sara resiste: não quer abandonar a vida simples que leva na sua casa, não lhe interessam as festas, e, aos vinte e seis anos, já não sonha com um marido.
De qualquer modo, decide ver Mary por si mesma, mesmo que não tenha nenhum interesse em voltar a encontrar com o presunçoso Conde.
Robert de Rohard, o solteiro mais cobiçado da costa leste da Inglaterra, não acredita que Sara seja uma boa influência para sua irmã: o tresloucado temperamento da Senhorita Brown não faz mais que, ao juízo do conde, por em risco a delicada saúde de Mary. No entanto, consente que Sara se instale em sua residência, porque sua irmã adora àquela garota rebelde.
Apesar das reservas que tem em relação à Sara, o Conde não pode deixar de escutar suas opiniões teimosas durante as longas conversas após o jantar na mansão, nem pode discordar muito dela.
Não sabe o que tem a garota que, quando conversam e a confronta, faz com que sinta uma inexplicavel atração. Sara tampouco permanece indiferente a ele: põe-se nervosa quando a olha, porém deseja fervorosamente sentir-se observada pelo conde.
A medida que Robert e Sara passam mais tempo juntos, a suspeita paira sobre a jovem: a mãe do Conde supõe que a garota é uma caça-fortunas e decide afastá-la de seu filho. Sara decide fugir para salvar sua honra, porém uma razão mais poderosa irá lhe impedir.

Capítulo Um

Sweet Brier Path, Condado de Rohard.
Mary Elizabeth luton tiou os olhos de seus trabalhos de costura e a carranca da Condessa.
— É importante, mãe?
Surpreendida pela pergunta, Helen Luton dobrou imediatamente a carta que acabara de ler.
— Não é nada, filha.
— Quem escreveu? Me pareceu que vi o selo de Ravenville. Alguma notícia da prima Sara?
Robert Luton, Conde de Rohard, baixou o jornal que estava lendo e olhou para sua mãe e para sua irmã. Todas as noites depois do jantar se reunia com elas numa das salas onde, sentado junto ao brilho da lareira, compartilhava os poucos momentos familiares que sua atarefada agenda lhe permitia.
Depois da morte de seu severo pai, Robert havia estabelecido pequenas rotinas com sua família que o reconfortavam enormemente. Com certeza, se isso ao que chamavam de felicidade existia, devia se parecer àquela sensação tranquila que o envolvia quando via sua irmã bordar alguma paisagem campestre ou enquanto observava a sua mãe ler e repassar sua correspondência.
— Efetivamente, é uma carta de Lydia Brown — admitiu a Condessa incapaz de enganar a sua filha.
— Oh, e como estão? Falou algo da prima Sara? Faz mais de um mês que não recebo correspondência dela.
— Pois pelo que me conta sua mãe parece que não tem estado muito bem ultimamente.
Robert se concentrou no diálogo sem poder evitar que um ligeiro desassossego o assaltasse, como sempre que Sara Brown aparecia em alguma conversação.
— O que está acontecendo? — perguntou, fingindo indiferença.
A Condessa ajustou os óculos sobre seu pequeno nariz e leu a carta em voz alta para seus filhos.
"... um bom pretendente sob a tua proteção e de teu filho, Lord Luton". Robert pôs seus olhos em branco. Como se fosse tão fácil. Nenhum homem em seu juízo perfeito tomaria por esposa Sara Brown, nem sequer por um suculento dote, que não era o caso.
Fazia quase três anos que não a via, porém se recordava dela como a mulher mais irritante que conhecia. Todos os momentos que havia compartilhado com ela durante as noites familiares havia escutado seus diálogos com atenção, o que lhe permitiu formar uma opinião bastante acertada da senhorita Brown: era barulhenta, falava todo o tempo gesticulando com as mãos e tinha a imperiosa necessidade de expressar uma opinião sobre tudo, que costumava coincidir com a primeira coisa que passava pela sua cabeça expressada sem a menor reflexão. O que para sua irmã Mary significava pura honestidade e sinceridade, para ele representava um grande defeito de caráter em qualquer dama.
Não, obviamente Sara Brown não era a mulher ideal para nenhum homem a quem Robert chamasse de amigo.
Porém, apesar disto, havia uma diferença entre ela e as demais: ela era a única que parecia comprender e fazer feliz a sua irmã.
—Oh, pobre Sara. Por certo que tem que vir. Mamãe, podemos preparar-lhe um quarto ao lado do meu e... 








Série Rohard
01- Doce Caminho Espinhoso
02- Caminho íntimo de Magia
Série concluída



21 de outubro de 2019

A Condessa libertina

Série Decepções Maléficas

A apresentação na sociedade de Lady Maggie Hawkins era algo que ela preferia esquecer, juntamente com seu primeiro casamento.

Atualmente essa caricaturista política é uma mulher diferente. Uma mulher totalmente moderna. Tanto que seu público acredita que ela é um homem. FATO: Maggie, que desenha sob um pseudônimo masculino, é conhecida como Lemarc. Seu personagem favorito a ridicularizar é Simon Barrett, Conde de Winchester, uma estrela em ascensão no Parlamento e Ex confidente. Além de ser seu objeto de desejo. ficção: Maggie é uma meia irlandesa sem vergonha que seduziu o marido de sua melhor amiga na véspera do casamento. Ela é uma pessoa a ser temida e repudiada. Destroçada pelo desprezo de Simon, Maggie não pode permitir que toda a cidade a humilhe. É por isso que as caricaturas de Simon o fizeram o riso de Londres... no entanto, agora parece que Maggie pode estar errada sobre o que aconteceu há anos.

Capítulo Um

Primavera de 1809, Londres 
O silêncio se estendeu pelo salão de baile no instante em que seus pés tocaram o degrau mais alto. Antes que lady Margaret Neely tivesse oportunidade de fazer algum comentário sobre a estranha reação dos presentes, sua mãe a arrastou escada abaixo. E só então compreendeu que o desastre era iminente: a forma que cada pessoa evitava seu olhar, as vozes que se ouviam pela sala, o modo que os que dançavam detinham seus passos a meio de uma volta. Sabiam. 
De algum modo, apesar de seus esforços, naquela tarde o rumor sobre o acontecido na noite anterior se estendeu pelas ruas de Londres. Nas visitas matinais, nos passeios em carruagem pelo Hyde Park, ou os passeios a pé pelo Rotten Row…, de algum jeito a alta sociedade londrina tinha feito correr o rumor por toda parte. Nesse dia sua irmã mais nova estava doente, e por isso a mãe não tinha querido sair para fazer visitas. Maggie havia se sentido aliviada e tinha dedicado a manhã a desenhar, e agradeceu que tampouco elas receberam visita. Agora entendia por quê. Dava-lhe vontade de gritar. 
Não tinha feito nada de mal. De fato, estava fazendo um grande esforço por comportar-se como uma jovem inglesa educada enquanto durava sua apresentação em sociedade. E sabe Deus que, com os cabelos negros de seu pai e seu temperamento irlandês, tinha sido uma tortura. Maggie não se comportava como as outras nem tinha seu aspecto, e a alta sociedade parecia desfrutar a tachando de forasteira embora tivesse passado quase toda a vida em Londres. 
— Por que todo mundo se calou? — Sua mãe sussurroulhe ao ouvido. 
— Margaret, o que fez? Evidentemente sua mãe também tinha notado a sensação de mal-estar no ambiente. E não era estranho que seu primeiro impulso fosse atribuir aquele mal-estar à Maggie. E mesmo assim, Maggie não pôde responder. Tinhase formado um nó na garganta, e inclusive respirar era uma luta. «Foge», ouviu em sua mente. 
Foge e finge que tudo isto não aconteceu. Mas ela não tinha feito nada mal. Alguém acreditaria, com certeza. O único que devia fazer era explicar o que tinha acontecido nos jardins Lockheed. Assim, elevou o queixo e seguiu descendo para a luminosa sala. A obstinação sempre tinha sido um defeito de seu caráter, isso diziam. 








Série Decepções Maléficas

1- A Duquesa Cortesã
2- A Condessa Libertina

16 de outubro de 2019

Noites Prateadas

Sophia é uma temperamental e indômita herdeira russa. 

Quando lhe ordenam contrair matrimônio com um homem que não ama, mas que poderia lhe proporcionar as maiores riquezas, Sofía aceita seu destino, mas só até que conhece Adam, o viril nobre que deve acompanhá-la às propriedades de seu futuro marido. 
Adam fica cativado imediatamente pela cálida sensualidade de Sofía, que destrói todas as suas frias reservas e faz com que esqueça as suas obrigações. Quanto a Sofía, incapaz de resistir à intensa masculinidade e ao ar de mistério do nobre, rebela-se contra suas iminentes bodas e se entrega de corpo e alma à intensa paixão de Adam... Mas descobre que esse amor proibido poderia lhe custar a vida.

Capítulo Um

A antiga rota das caravanas que conectava as Terras Selvagens — as selvagens estepes do império russo — com o oeste, partia de Kiev. Berkholzskoye, o estado do Golitskov, cercada pelo rio Dniéper, a uns cinquenta quilômetros de Kiev. Sofía Alexeyevna não conhecia nenhum outro lugar fora de Berkholzskoye; não conhecia nenhum outro guardião que não fora seu avô, o príncipe Golitskov; não tinha conhecimento daquele mundo do que a grande família dos Golitskov havia uma vez feito parte. 
As intrigas dos palácios imperiais de Moscou ou São Petersburgo não tinham nenhum significado para a garota, que tinha crescido com a caça e a beleza das estepes como lugar de jogos. Para ela, a rota da caravana foi que levou às gloriosas civilizações da Áustria e Polônia. 
Para ela, uma vez transformada em uma formosa mulher, os cossacos, os kirguiz, e os kalmuks — os cavaleiros das estepes com seu cabelo comprido e sua risada selvagem — se converteram nos príncipes que se apoderaram finalmente de seus sonhos. 
Como mulher das estepes que era, se alguma vez olhava além delas, era para fazê-lo para o oeste e nunca para o leste, o centro de sua terra natal.
O príncipe ancião Golitskov, talvez por próprio ressentimento, tinha ensinado a sua neta a manter a vista afastada do Leste e da corte da czarina Catalina. 
Tinha-lhe ensinado que essa corte com suas regras era o que tinha destroçado a seus pais, e que devia, portanto, ignorar sua existência. E enquanto lhe ensinava isto, tratava de ignorar seus próprios temores. Porque sabia que a herdeira da fortuna dos Golitskov não poderia ser sempre apartada na escuridão das Terras Selvagens que ela tanto amava, que não poderia viver sempre sob a tutela de um velho aristocrata irascível e pouco ortodoxo que havia logo escapado das obrigações e os prazeres da corte imperial.
Este tipo de amargos pensamentos, estes proféticos temores, não estavam na mente de Sofía Alexeyevna. Em seu vigésimo terceiro aniversário, ela foi informada de que era herdeira de umas setenta mil almas disseminadas nos milhares de quilômetros que formavam os estados deste vasto império, mas só lhe interessava Berkholzskoye.
Tanta fortuna não tinha nenhum significado para alguém que acreditava não necessitar. 

O Naufrágio

Série Donzelas Guerreiras

Ele veio invadir a terra dela... em vez disso ele encantou o seu coração

— O que pretende fazer comigo? — perguntou ele.
— Ainda não decidi — disse ela.
— Se vais me matar, — rosnou ele —Acaba logo com isto.
Ela franziu o cenho. Matá-lo? A sangue frio? Obviamente, ele não sabia nada sobre cavalheirismo. Ela endireitou-se com orgulho, plantando o atiçador de brasas entre os pés como uma lâmina. — Não posso fazer isso. Ao contrário de ti, o meu sentido de honra impede-me de matar homens desarmados.
Ele levantou uma sobrancelha em zombaria. — Dá-me uma lâmina então — sugeriu ele.
Avril deu-lhe um sorriso sardônico. Ela não era tão imprudente a ponto de pensar que podia facilmente triunfar sobre um gigantesco homem nórdico. Mas ela não apreciou sua atitude insultuosa. — Posso ser honrada, mas não sou suave.
Ele deu-lhe um meio sorriso. — Você parece suave para mim.
A compostura dela escorregou, mas só por um instante. — Garanto-te que não serias o primeiro homem que deixei coxeando no campo de batalha.
Os olhos dele estreitaram-se sugestivamente. — E tu não serias a primeira mulher que deito sobre suas costas.

Capítulo Um

O Século IX, Ao Largo da Costa leste de Pictland
O último som ameaçador que Brandr ouviu, antes que o oceano gelado se fechasse sobre sua cabeça, bloqueando o rugido da tempestade e o estrondo das ondas, foi o estalido alto do seu barco longo1 se dividindo.
A corrente arrastava através do seu manto de pele de foca e botas, puxando-o para baixo. Mas com o seu único braço ainda útil, ele conseguiu abrir caminho até à superfície. Ofegando com ar gelado em seus pulmões quando ele atravessou as ondas, ele piscou de volta a água salgada ardente, tentando ver na noite negra implacável. As lanternas do barco tinham-se apagado. Nenhuma luz veio da costa distante. Até as estrelas confiáveis estavam escondidas atrás das nuvens de tempestade.
— Erik! — gritou ele — Erik! Gunnarr! Haral...
Um gole de água do mar sufocou os seus gritos. Ele lutou para se manter acima das águas turbulentas no frio paralisante, tentando escutar seus companheiros de navio. Mas tudo o que podia ouvir era o uivar do vento, o bater das ondas e o estraçalhar da madeira quando sua embarcação era atirada contra as rochas.
Um clarão de relâmpago dividiu o céu, ziguezagueando como a lança vingadora de Thor para enegrecer a madeira do mastro. Antes que Brandr pudesse imaginar o que tinha feito para ofender o deus, o trovão abalou os céus, e o topo do mastro explodiu em faíscas, inflamando a vela quadrada. Por um momento, parecia que o dragão pintado no tecido estava respirando fogo.
O Naufrágio – Glynnis Campbell
À luz da vela flamejante, Brandr pôde ver a extensão dos danos no seu navio. O casco estava partido. As cordas estalavam de forma descontrolada com o vento uivante. Os caixotes e remos deslizaram para o mar. E a sua tripulação...
Tremendo de frio e dor, lutando contra a maré, ele chamou sobre o rugido da tempestade até ficar rouco. Ele encontrou quatro dos seus homens. Estavam mortos.
A chuva finalmente conseguiu extinguir as chamas dos destroços. Brandr – espancado pela tempestade, devastado pela perda e exausto demais para se importar com o que lhe acontecia – usou suas últimas forças para escalar a proa estilhaçada de seu navio Longship1 e resignou-se ao capricho dos deuses.
— Fique perto!
  






Série Donzelas Guerreiras
0.5 - O Naufrágio
1 - A Donzela Guerreira
2 - A Donzela Feroz
3 - A Donzela Ardilosa
3.5 - Um Beijo no Natal
Série concluída