26 de fevereiro de 2012

Milagres

Série Faulkner

Uma moça angelical... 

A jovem tinha uma luz dourada nos cabelos, e calor e magia nas mãos; mas seu dom milagroso despertava o temor dos supersticiosos aldeões de sua terra. 

Ninguém conhecia a secreta dor do passado de Michaelmas Faulkener.
Entretanto, para um homem em especial, Michaelmas era a última esperança... 
Uma mulher inesquecível... 
Foi em um campo de batalha que Diarmid Campbell viu pela primeira vez à moça que curava os doentes com o simples contato, e quando se desvaneceu entre a névoa soube que nunca poderia esquecê-la. 
O poderoso senhor estava disposto a enfrentar o próprio rei para ter ao seu lado a radiante beleza capaz de curar sua alma ferida... e abrir seu coração para o amor. 

Capítulo Um

Escócia, ao oeste das Highlands, primavera de 1322 

O grito ouviu-se outra vez, profundo e fantasmal através da escuridão.  Diarmid se ergueu em sua sela e olhou ao redor. 
Ouviu de novo o alarido e pensou que devia tratar-se de alguma pequena criatura que provavelmente estava perdida ou ferida. 
Mas aquele grito tinha um timbre estranhamente melancólico que o recordou às lendas dos daoíne síth , as fadas e os duendes que diziam habitar em muitas colinas das Highlands da Escócia. Sorrindo ironicamente, afastou de sua mente aquelas fantasias com um gesto da mão e continuou cavalgando. 
Instantes mais tarde ouviu outra vez o grito, que desta vez soou como um gemido. 
Diarmid parou o cavalo para esquadrinhar as colinas que o rodeavam, com suas ladeiras iluminadas pela claridade da lua. 
Estava seguro de que não havia ninguém mais naquele lugar, naquela fria noite da primavera ventosa e cheia de nuvens que ameaçavam chuva. 
Convencido de que o que ouvia não era mais que o gemido do vento, esporeou seu robusto cavalo negro para que prosseguisse com o passar do atalho coberto de erva e iluminado pela lua, que começava a entrar em território desconhecido.
Fazia anos que não passava por este caminho, mas estava seguro de que perto dali se encontrava o pequeno castelo de Sim MacLachlan. 
Embora MacLachlan e sua gente não esperassem a chegada do senhor de Dunsheen, Diarmid estava desejando que o convidassem para comer um pouco de sopa, um assento junto ao fogo e um bom gole de vinho. 
A hospitalidade das Highlands prevaleceria igual à de Dunsheen, que se encontrava a um dia de marcha. 
Diarmid se ocuparia dos assuntos que o haviam trazido até aqui, e depois de passar a noite junto ao fogo dos MacLachlan, empreenderia a volta na manhã seguinte. 
Passou as rédeas à mão esquerda, mas o ar frio agravou a debilidade dessa mão. 
Ao apertar as correias de couro sentiu uma dor surda. 
Chegou até ele de novo o suave gemido, agora com maior intensidade, um som trêmulo que percorreu sua coluna vertebral como se fosse água gelada. 
O cavalo relinchou nervoso, e diminuiu a marcha. 
Alerta frente ao perigo, Diarmid levou a mão à adaga que levava no cinturão e sentiu o peso da larga espada que levava presa à suas costas. 
Um só movimento rápido bastaria para ter a espada em sua mão direita. 
Estava seguro de que o grito tinha surgido de uma colina próxima. 
Desmontou cuidadosamente sob a claridade leitosa da lua e começou a subir pela ladeira com passos largos e ágeis. 
Ao chegar ao topo arredondado, viu um vulto de farrapos que ondeavam ao vento e algo que se movia entre eles, ao mesmo tempo em que o gemido ouvia-se de novo. 
Diarmid se dirigiu para ali, agachado. Então parou e ficou olhando fixamente. 
Havia um menino pequeno sentado no topo da colina, um vulto miúdo e magro, tremendo debaixo das dobras de um tartán. 
O vento revolvia o cabelo loiro ao redor da cabeça. 
Depois de um momento, a pequena se virou e o olhou. 
Diarmid deu um passo para frente, e imediatamente ouviu um chiado alto e parou precipitadamente, utilizando seus dois braços para trás, mas não correu. 
A criatura, que pareceu uma menina, voltou e o olhou fixamente, com a respiração agitada. 
Ele contemplou seus olhos claros e sua face pálida e travessa, e se perguntou se seria de verdade uma menina dos daoine sith. 
Mas o tremor de seu lábio inferior era claramente humano; era uma menina, perdida e assustada, que prendeu um tartán a seu redor enquanto o vento enrolava o cabelo formando um halo de cachos dourados ao redor de seu rosto. 
A pequena deixou escapar um soluço de medo. Esse leve som fez cambalear os alicerces da alma de Diarmid, e agachou-se a seu lado. 
—Se perdeu pequena? —perguntou-lhe brandamente. Esta o olhou fixamente e negou com a cabeça. 
—Não se perdeu? —Diarmid franziu o cenho, desconcertado. 

Série Faulkner
1 - A Lenda de Kinglassie
2 - Milagres
Série Concluída

Um Toque De Charme









Colorado, 1882 


A voz ao coração... 


Os moradores de Colorado Springs consideram a impulsividade de Charisma Sullivan tudo menos encantadora, uma vez que ela diz qualquer coisa que venha à cabeça, sem pensar duas vezes.

Mas o candidato ao Senado Will Barclay fica intrigado com a visão política, a inteligência e a espontaneidade de Charisma. 


Decidindo que a companhia de uma charmosa namorada pode ser um ponto positivo para sua campanha eleitoral, ele pede a Charisma que desempenhe esse papel fictício, até as eleições. 
No entanto, apesar da gentil orientação de Thalia Papadopoulos, a simpática e solícita viúva de um Senador, o jeito impetuoso de Charisma a coloca em situações cada vez mais constrangedoras, mesmo quando a crescente atração entre ela e Will os leva a um envolvimento mais íntimo. 
Paixão e política é uma combinação perigosa, e logo Will terá de escolher entre a razão e a emoção...


Capítulo Um 


— Depressa! Assim chegaremos atrasadas! Charisma Sullivan tentava em vão fazer suas irmãs entenderem a urgência daquele momento. 
Esperar por Grace e Belle seria perder tempo e por isso seguiu adiante. Mesmo de longe, conseguiu ver a multidão se formando em torno do advogado William Barclay, candidato a uma vaga no Senado. 
Ela resistiu à vontade de correr ao se lembrar dos conselhos da mãe, "Senhoritas nunca correm". Senhoritas não faziam várias coisas, a maioria delas divertidas. 
Apesar de sua família agora ser rica, Charisma sentia falta da vida simples que levava quando seu pai trabalhava nas minas. 
Naquele tempo, não havia tantas normas a serem seguidas e seus pais raramente brigavam. 
— Espere por nós, Charisma! — gritou Belle, a irmã mais velha — Você não vai querer se apresentar desacompanhada! Ou vai? 
Ela suspirou e esperou pelas irmãs na estrada larga e suja que levava ao Hotel Colorado Springs. Afinal, a condição imposta pela mãe para poder ir ao comício era que as três fossem juntas.
— Vamos, corram! Já devo ter perdido boa parte do discurso — reclamou Charisma, instigando-as a se apressarem. 
— Não entendo por que você se interessa tanto — disse Belle — Mulheres não têm espaço na política! Nem mesmo podem votar. 
— Isso vai mudar. A Senhora Woodhull disse que é só por tradição que as mulheres não votam, e não pela Constituição. 
— Só porque a Senhora Woodhull concorreu a um posto de presidente e sem sucesso, diga-se de passagem, não quer dizer que esteja certa — comentou Belle, sacudindo a cabeça. 
—As idéias dela são excelentes. Charisma acreditava nelas e as defendia com firmeza. Por que uma mulher não poderia fazer a diferença? 
Quando morava em Leadville, costumava ver como as mulheres mantinham suas famílias unidas, enquanto os homens trabalhavam nas minas de prata. 
Eram elas que tomavam as decisões importantes, e trabalhavam tão duro quanto os homens.
 Por que, afinal, não merecer os mesmos direitos? 
Aproximando-se da multidão que circundava a entrada do hotel, ouviu a voz do Senhor Barclay, embora não conseguisse vê-lo. 
—... e concluindo, acredito no direito de todos os indivíduos, desde um simples vendedor até o próprio General Palmer 
— A voz era grave, bem impostada e cheia de convicção. Se pelo menos ela pudesse vê-lo... 
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25 de fevereiro de 2012

Série As Casamenteiras

1- Aposta no Amor
Já não era uma mocinha, e, além disso, não tinha dote.

Assim, a senhorita Constance Woodley não entendia por que tinha despertado o interesse de uma das mais respeitadas damas da alta sociedade de Londres.
Entretanto, com a ajuda de sua benfeitora, transformou-se em uma fascinante criatura que chamou a atenção do bonito, encantador e ligeiramente libertino Lorde Dominic Leighton.

E, ante o olhar de assombro de toda Londres, a presente ninguém e o visconde libertino demonstraram que, inclusive no cruel mercado do matrimônio, quando o amor estava em jogo, todas as apostas eram válidas.


 2- Segredos de Família



Lady Irene Wyngate jurou que nunca se casaria, e tinha mantido aos pretendentes à distância com sua afiada língua. 

Entretanto, topou com um homem a quem não pôde assustar: Gideon, o herdeiro do conde do Radbourne. 
De menino, Gideon foi seqüestrado, e se criou nas duras ruas de Londres. 
E, embora finalmente voltasse à sua família, sentia-se mais cômodo nos antros de jogo que nos majestosos salões de baile da alta sociedade. 
Irene não atraía Gideon, ou isso dizia à casamenteira Francesca Haughston quando a dama pediu ajuda para que o tornasse civilizado, de modo que pudesse lhe encontrar uma noiva. 
Depois de tudo, ele era um verdadeiro malandro com um passado duvidoso; embora Irene devesse admitir que fosse um malandro muito bonito. 
Entretanto, à medida que ela começava a cair nas redes do amor, saíram à luz antigos segredos familiares que teriam conseqüências entristecedoras para os resistentes amantes..

3- Mais Forte que a Vingança


Lady Calandra deveria ter vários pretendentes batendo às suas portas.

Mas a super proteção do irmão, o Duque de Rochford, conseguiu assustar todos os pretendentes adequados a mão dela. Todos os homens, exceto o misterioso Conde de Bromwell.
Callie se sente atraída pelo enigmático conde, apesar dos violentos protestos de seu irmão.
Em desafio aos desejos do irmão, Callie tece um plano para se encontrar com Bromwell mais uma vez, e recorre à ajuda da casamenteira Francesca Haughston.

Mas quando segredos sombrios envolvendo o duque e do conde veem à luz, poderá ser demasiado tarde para Callie fugir da armadilha para a qual caminhou...



4- Doce Tentação 

Lady Francesca Haughston tinha renunciado ao romantismo e, em seu lugar, encontrava a paixão obtendo matrimônios desejáveis para outras pessoas. 

Assim, ao inteirar-se de que anos atrás a tinham enganado para que rompesse seu compromisso matrimonial com Sinclair, o duque do Rochford, pareceu-lhe justo que agora ela o ajudasse a encontrar a esposa perfeita. 
Francesca estava certa de que a faísca da paixão se apagara entre eles muito tempo atrás; sobre tudo, tendo em conta o modo como ela o tinha tratado. 
Os olhares de Sinclair, ou como de repente a tomava entre seus braços... 
Bom, isso só era um ensaio para o momento em que uma mulher mais jovem e adequada captasse seu interesse. Entretanto, logo começaram parecer escandalosas à Francesca as lições de amor do duque, e se deu conta de que a tentação podia pô-los em perigo aos dois. 









Série As Casamenteiras
1- Aposta no Amor 
2- Segredos de Família 
3 – Mais Forte que a Vinçança
 4- Doce Tentação
Série Concluída

Como Uma Flor Entre As Rochas

Ele acreditava que seu maior desafio seria enfrentar os Cátaros. 


Conquistar o coração de um deles se converteria em um desafio ainda maior. 
A fé move montanhas. 
No começo do século XIII, os “Cátaros” pregam seu credo no sul do que mais tarde seria a França. Acreditam na igualdade entre o homem e a mulher, na liberdade para o amor, aborrecem o materialismo e negam a existência do inferno. 
Ameaçada por esta religião, a Igreja Cristã promove uma Cruzada contra o que considera uma heresia e se propõe exterminá-la. 
Laetitia, uma jovem cátara, é a alma de sua comunidade, Montaillou. 
Alegre, atraente e bondosa, dirige um hospital no qual cura os doentes do povoado. 
Vive refugiada na religião e na observância da fé, jejua habitualmente, não tem posses materiais e rechaça aos múltiplos pretendentes do povoado que tentam conquistá-la. 
Entretanto, é Ramiro de Zaragoza quem inesperadamente põe em perigo suas crenças. 
Ramiro, um cavalheiro Aragão, lutou nas Cruzadas e sempre foi um homem de fé. 
Banido, impossibilitado de voltar para seu lar, Ramiro se dedica com exclusividade à guerra e às damas da corte: dois territórios no qual a conquista está assegurada. 
Seus inimigos cansados de verem-se ofuscados por suas glórias militares armam uma armadilha. Planejam assaltá-lo enquanto transporta uma relíquia da cristandade para a Abadia de Montaillou. 
E é Laetitia que, sem saber, precipita a emboscada. 
Quando Ramiro compreende que vai ser atacado, entrega a relíquia a Laetitia para que a esconda, sem imaginar que confia a ela muito mais que um tesouro. 
Forçados a compartilhar o segredo do esconderijo, uma cátara e um cristão, compreendem que a fé move montanhas.
Mas que o amor é mais poderoso. 


Comentário revisora Ana Julia: O livro é bom, para quem gosta de fatos históricos, a autora usou um fato verídico para enredar a história que é muito boa, mas que para mim poderia ter tido um algo mais... 


Capítulo Um 


Carcasonne, março de 1217. Procurou o lugar adequado e descarregou seu punho, que de longe bem podia ser confundido com uma jarra para vinho, sobre a mesa do botequim. 
Vinha fazendo isso fazia uma hora: golpeava a mesa e murmurava bem baixo. 
Todos no botequim o conheciam o suficiente para saber que estava furioso e que, quando isso ocorria, o mais prudente era não aproximar-se. 
O taberneiro mandou uma das mulheres verificar o que tinha acontecido. 
Ela se negou em voz muito baixa, mas finalmente se aproximou e pareceu divertido provocar um pouco o homem. 
Nunca tinha maltratado uma mulher e não acreditava que essa fosse à primeira vez. 
 —O que tem hoje, Ramiro? —perguntou sem nenhuma ingenuidade— Acaso agora que vão te condecorar não presta mais atenção em mim? Agora só o interessam as mulheres da corte?
—insistiu e olhou ao taberneiro com uma piscada cúmplice. 
Para divertir-se tinha que provocá-lo de verdade. 
E sabia que sua fama de mulherengo o incomodava. Ramiro parou e se aproximou da mulher até que ela apagou o sorriso do rosto. 
A mulher retornou para onde estava o taberneiro e disse que estava nervoso pela condecoração e soltou um sorrisinho mal audível. 
Via-se um pouco assustada. Nos oito anos que tinham passado da batalha de Béziers, Ramiro tinha deixado de ser um jovem moço com certas convicções para transformar-se em um guerreiro respeitado, temido e querido por seus soldados. 
Descobriram a ajuda que ele tinha prestado às mulheres para que escapassem da matança de Béziers e tinha estado preso por isso. 
Também tinha perdido sua condição de vassalo do Rei d’Aragão pelo incidente. 
O único que tinha ajudado-o era Simón de Montfort, a quem reconhecia como seu senhor. 
Tinha cavalgado toda Languedoc junto a Montfort e era seu braço direito em temas bélicos. Montfort tinha viajado de Paris como um nobre menor e empobrecido, mas, logo depois da batalha de Béziers e, pouco mais tarde, de Carcasona, revelou-se como um líder valente e audaz. 
O Papa o tinha premiado nomeando-o Visconde de Carcasona, lugar que antes tinha ocupado o jovem Trencavel. 
Logo, animado pelo poder religioso e o novo arcebispo Arnaud Amaury, Montfort tinha excedido os limites dos territórios que lhe correspondiam como Visconde e se lançou à conquista de novas cidades com a desculpa de limpá-las de hereges. 
Cumpria com a missão evangélica de levar o cristianismo e expulsar os Cátaros, mas também anexava territórios para si mesmo.
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Brumas

Clifford Ellis, duque de Ormond, vive marcado pela morte de sua esposa, o que o converteu em um homem severo que não quer saber da sociedade, e muito menos de um segundo matrimônio. 

Mas sua avó e a Coroa exigem que encontre uma nova duquesa para Hallcombe House. Cliff decide nesse instante, que se deve casar o fará com Eleanor McKenna, a neta do homem mais odiado por sua avó. 
Lea nunca se deixou intimidar por um homem, mas quando conhece Ellis se sente ameaçada… e fascinada por ele. Quando Cliff pede sua mão, Eleanor se vê obrigada a aceitar esse matrimônio.  Entretanto, o mistério que rodeia Hallcombe House, o perigo que se abate sobre ela e um segredo que deseja revelar a seduzirão tanto quanto a atração que começa a sentir pelo duque. 

Capítulo Um 

Ducado de Ormond. Inglaterra 
A bruma se infiltrava através dos muros como uma mão úmida e sinistra disposta a apanhá-la. 
O vento uivava no exterior e ela tampou os ouvidos para não ouvi-lo. 
Ela tremeu de medo, cravando seu olhar na lenha da lareira, crepitantes línguas de fogo que monopolizavam sua atenção. 
As pupilas de Mariam, duquesa de Ormond, dilataram ao desviar sua atenção para o canto do quarto onde em outras vezes tinha surgido àquela silhueta fantasmagórica.
Onde ouviu o tétrico sussurro de uma voz que parecia vir do além. 
Agora a rodeava o silêncio, mas ela sabia que voltaria a procurá-la. 
A ela e ao filho que levava em seu ventre. 
Fora do castelo, o vento aumentava em rajadas sibilantes que, como um presságio, pareciam lhe indicar que naquela noite se cumpria seu prazo. 
Afogou um soluço e se cobriu até o queixo com o lençol, mas não pôde afastar seu imprevisível olhar do canto. 
Aguardou e rezou com toda a fé que pôde reunir para que o fantasma não voltasse, para que a deixasse em paz. 
Seus dentes estavam batendo e era incapaz de controlar seus tremores. 
O hálito gelado que castigava os muros parou subitamente e uma cortina de água começou a golpear o imponente castelo. 
Estupidamente, Mariam se disse que talvez o espectro não viesse com um tempo tão lamentável, e o insensato pensamento produziu nela um acesso de risada histérica. 
 Fazia só alguns meses que se instalou em Hallcombe House e depois disso sua vida tinha mudado por completo. 
Os muros cinza, os intermináveis passadiços, as galerias inferiores, inclusive o grande salão onde se celebravam audiências e se administrava justiça em tempos remotos, pareciam-lhe lúgubres e frios. 
Odiou o castelo assim que o viu. Como odiou ao homem com o qual sua mãe a obrigou se casar. 
O clima daquela parte da Inglaterra também não ajudava. 
Nem o terreno escarpado e áspero dos Montes de Cumberland. Ela estava acostumada aos pastos de sua amada Gales, onde vivia, mas teve que deixar para trás sua casa e seus amigos. Tudo que amava. 
Era ainda muito jovem, mal tinha completado dezessete, e com aquele matrimônio se evaporaram seus sonhos de liberdade. 
Agora era a esposa de Clifford Ellis, duque de Ormond. E esperava um filho. 
Ela sentiu-se sozinha e amedrontada assim que o conheceu. 
Era muito alto e ela mal chegava a seu ombro; sua aparência e seu olhar duro e cinza a faziam sentir-se insignificante. 
Imediatamente soube que não combinariam. E não o fizeram. 
Por isso voltou seu afeto para aquele criado de caráter fraco, como ela mesma, mas com o qual se sentia a vontade.

O Príncipe Azul

Série Príncipes Do Mar

O Cavaleiro Mascarado é um misterioso bandoleiro adorado pelo povo, que rouba os ricos para ajudar aos pobres. 

Uma noite assalta por engano a carruagem de Raffaele Dei Fiore, o príncipe herdeiro da ilha de Ascensão, famoso por seus caprichos sexuais e outros prazeres. 

O assalto é abortado e Rafe descobre que atrás da máscara se esconde uma dama de extrema beleza, cuja atitude desafiante despertará nele seus mais profundos sentimentos. 
Daniela Chiaramonte, uma jovem tenaz e valente, comprometida com seu povo, converte-se sem querer no novo capricho do príncipe, que se oferece para salvá-la da forca se aceitar casar com ele. Com este perverso plano, o príncipe quer aproveitar-se de sua popularidade para ganhar a confiança do povo. 
Mas ao entrar na vida do palácio, Daniela descobre um complô contra a família real que porá em xeque não só o futuro de Ascensão, mas também seu próprio coração. 

Capítulo Um 


Ascensão, 1816 


O maior amante de todos os tempos estava ali outra vez, seduzindo sem problemas a inocente Zerlina. 

Enquanto o famoso dueto de Mozart, Là ci darem la mano , enchia o suntuoso teatro, tenor e soprano se amavam com a elegante calidez de suas vozes. 
Ninguém prestava atenção. A cintilação dos óculos e um murmúrio constante na sala indicavam que a atenção da audiência não estava no cenário, mas no primeiro e melhor camarote, à direita do cenário e bem em cima da orquestra. 
Profusamente adornado de cupidos e laços de estuque, o camarote estava sempre reservado para realeza. 
Ele estava apoiado no corrimão esculpido de mármore, com a metade do corpo na sombra, imóvel, o rosto inexpressivo bronzeado pelo sol. 
A luz do cenário se refletia no anel com forma de selo que levava no dedo e brincava com os ângulos patrícios de seu rosto. 
Um laço recolhia sua longa cabeleira loira escura. 
A audiência manteve a respiração ao vê-lo mover-se pela primeira vez desde o início da obra. Lentamente, meteu a mão no bolso de seu extravagante colete, pegou uma bala de hortelã de uma caixinha de metal e levou a boca. As mulheres observaram como chupava o caramelo e coraram, agitando seus leques. 
"Isto é tão aborrecido — pensou, com os olhos em branco — tão aborrecido". 
Os favoritos de seu cortejo rodeavam-no sentados no camarote, sombrios, jovens senhores metidos e soberbamente vestidos. 
Atrás de seu ar de estudada vadiagem se ocultavam olhos duros e ameaçadores. 
Com pouco, a fumaça do ópio se aferrava a suas ricas vestimentas. 
Alguém se distanciava um pouco do rebanho, mas em geral, tudo era permitido. 
—Alteza? Sussurrou alguém a sua direita. 
Sem retirar o olhar aborrecido de sua bela amante que se encontrava sobre o cenário, o príncipe herdeiro Raffaele Giancarlo Ettore Dei Fiore agitou sua mão com joias, e rejeitou a garrafa que lhe foi oferecida. 
Não estava com humor para álcool, afligido de um cinismo que até o próprio Dante teria reprovado. 
Nem o inferno, com todo seu fogo e enxofre, poderia ser pior que esta espécie de limbo no qual seus dias estavam suspensos em uma eterna espera. 
Nascer sendo filho de um grande homem era difícil; mas mais difícil ainda era herdar de um que além de grande, era imortal. 
Não é que desejasse sob nenhum conceito a morte de seu pai, mas nas vésperas de seu trigésimo aniversário, o sentimento de condenação o embrutecia. 
O tempo escapava de suas mãos e não conduzia a nenhum lugar. Acaso tinha mudado sua vida nos últimos, digamos, doze anos? 
Perguntava-se enquanto a canção de Dom Giovanni ressoava na parte de trás de seu cérebro. Seguia tendo os mesmos amigos de quando tinha dezoito anos, jogava os mesmos jogos, adoecia entre um luxo no qual não achava sentido, prisioneiro de sua posição. 

Série Príncipes do Mar
1 - O Príncipe Pirata
2 - A Princesa
3 - O Príncipe Azul
Série Concluída

O Homem Que Odiava As Mulheres

O Marquês cerrou os punhos, furioso com a amante. 


As mulheres eram todas iguais, sempre querendo tirar o máximo de vantagem em troca de seus favores. 
Estava farto! 
Odiava-as todas, com seus truques, seus perfumes exóticos e sua cobiça. 
Continuou andando pela rua escura, ruminando a raiva, quando alguma coisa o atingiu na cabeça. 
Uma mala? Osborne olhou para cima e não acreditou no que viu, numa janela, bem acima de onde estava, havia uma moça pendurada numa corda. 
Pouco depois, ela caía em seus braços. 
E começava para os dois uma estranha aventura que os levaria da fria e nevoenta Londres até as areias tórridas e perigosas do deserto do Saara. 


Capítulo Um 1853


— Estou atrasado. Preciso ir embora. Ao dizer isto, o Marquês virou-se e começou a sair da cama. 
Inez Shangarry deu um gritinho de protesto, — Oh, não, Osborne. 
Não! Não pode sair tão cedo. Quero você! 
O Marquês libertou-se dos braços que o prendiam e saiu da cama, começando a se vestir. 
Deitada sobre os travesseiros, os cabelos negros soltos, o corpo nu, Lady Shangarry estava muito atraente. — Não pode ir embora. Não pode! É cedo, e são tão poucas as noites em que podemos ficar assim a sós! 
Havia em seus olhos um brilho sensual e os lábios vermelhos tinham uma expressão provocante. — Você é muito persuasiva, Inez — disse o Marquês, dirigindo para a penteadeira, para dar o nó na gravata. 
— Quero ser persuasiva e quero que fique comigo. Sabe disto. Mas às vezes é difícil. Quando estamos juntos, você é o amante mais excitante e mais perfeito do mundo. 
O Marquês deu o nó na gravata, com mãos experientes. 
Depois, pegando o paletó, virou para a cama de lençóis de seda, onde estava a mulher bonita e atraente. 
— Amanhã vou para o campo. Como tenho de partir cedo, vou precisar de meu "sono de beleza", assim como você precisa do seu. 
— Isso não é nada lisonjeiro — respondeu Inez, com ar petulante — Quero que fique aqui comigo, Osborne. Depois de tudo que significamos um para o outro, bem que podia ficar mais alguns minutos! 
— Duvido de que fossem só alguns minutos. 
Era realmente difícil acreditar que um homem pudesse resistir aos encantos de Lady Shangarry, conhecida como uma das mulheres de corpo mais perfeito, em Londres, admirada pelos conhecedores da beleza feminina. 
Inclusive os dissolutos, os cínicos, e também por homens como o Marquês, sabidamente exigente na escolha de companheiras. 
Osborne conhecia perfeitamente sua reputação e também sabia que bastava olhar para uma mulher com interesse, para que ela ficasse pronta para cair em seus braços. 
Entretanto, tinha resistido durante algum tempo aos encantos de Lady Shangarry, por não gostar do modo confiante como tentara conquistá-lo. 
Os modos de uma mulher que sabia que poucos homens resistiam. 
Finalmente, não apenas porque ela era bonita, como também porque a achava divertida, ele sucumbiu ao convite do olhar e das atitudes tentadoras do corpo voluptuoso. 
Agora, vendo-a insistir tanto para que ele se demorasse mais, imaginou se ela não estaria se tornando um tanto maçante, chegando mesmo a pensar que sua ligação estava chegando ao fim. 
O Marquês era conhecido como implacável, em relação a seus casos amorosos. 
Gostava de ser o caçador, mas, infelizmente, a perseguição era lcurta, porque o objeto de suas atenções não fazia força para escapar. 
De um modo geral, as mulheres por quem se interessava logo se tornavam exigentes e não o deixavam em paz.
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21 de fevereiro de 2012

Divino Tormento

Lorde Adrian, conde de Shropshire, sabia que lady Meriel de Vere o estava enganando. 

Majestosa na floresta real, com seu falcão pousado no braço, ela corajosamente proclamava ser uma plebeia galesa, e não uma nobre normanda. 
Adrian, contudo, contemplou extasiado os cabelos negros como as asas de um corvo e os desafiadores olhos azuis, ouviu suas mentiras, e sentiu uma paixão intensa e primitiva roubar-lhe todo o bom-senso... 
Em um irrevogável lance do destino, 
Adrian deu ordens para que aquela beldade fosse trancafiada na torre de seu castelo, jurando que iria seduzi-la até que ela lhe contasse a verdade e se entregasse a ele, com beijos tão sequiosos quanto os seus... 
Meriel, porém, jamais cederia. 
Morreria se preciso fosse... Esse foi o seu juramento... 
Até que um inesperado arroubo de impetuosidade envolve Adrian e Meriel numa rede de tormentos que poderá pôr em risco o mais sublime dos amores... 

Capítulo Um 

Convent o de Lambourn, Wiltshire. Julho, 1143 

Era um magnífico dia de verão. Meriel de Vere parou no alto da montanha, tirou o capuz do francelho e em seguida lançou-o ao vento, observando, encantada, o pequeno falcão alçar voo. Igualmente encantada, retirou o véu e a touca de freira, e fechou os olhos em contentamento, sentindo o vento soprar por entre seus cabelos lisos e escuros. 
Ela apressara-se na primeira parte de sua tarefa para poder demorar-se na volta, e pretendia aproveitar cada momento de liberdade. 
Não que madre Rohese fosse repreendê-la pela demora; a superiora era sempre incrivelmente tolerante com sua caprichosa noviça. Meriel suspirou, lembrando-se mais uma vez de como o tempo estava passando rápido. 
Havia chegado ao Convento de Lambourn como aluna aos dez anos, e nos cinco anos transcorridos desde então passara mais tempo com as irmãs beneditinas que com sua própria família em Beaulaine. 
Sir William de Vere mandara a filha para o convento com a ideia de que um dia usasse o véu, e no ano anterior Meriel iniciara seu noviciado. 
Lambourn era uma pequena casa, motivo pelo qual era um convento, e não uma abadia, mas era um lugar feliz, e Meriel adorava as irmãs e o estilo de vida. Apesar disso, quanto mais de aproximava o dia de fazer os votos finais, mais difícil se tornava imaginar passar o resto de sua vida dentro dos limites do claustro. 
Era sufocante só de pensar.
Exatamente por esse motivo a madre Rohese frequentemente encarregava Meriel de tarefas no povoado, como forma de aliviar sua inquietude. 
Mas será que ela estaria tão inquieta se seus votos finais não estivessem tão próximos? Percebendo que os pensamentos começavam a girar em círculos, 
Meriel os colocou de lado, evitando estragar com preocupações aquele dia perfeito. 
Suspendeu a saia do hábito preto e sentou-se de pernas cruzadas para observar a ave. 
Batizara o pequeno falcão de Rouge, por causa das listras castanho-avermelhadas na parte superior do corpo, mas não treinara a ave para caçar. 
Além do fato de não ter tempo para o demorado trabalho de treinamento, a falcoaria seria uma atividade muito inapropriada para uma freira. 
Ter o prazer da companhia de Rouge, tanto no convento como nas ocasionais viagens para ao campo, era suficiente. 
Meriel adorava animais: cavalos, pássaros, cachorros, até mesmo gatos. 
Lamentavelmente, não tinha sabedoria para apreciar as aranhas, mas talvez quando fosse mais velha e mais devota aprendesse a amá-las também. 

17 de fevereiro de 2012

De Inimigo...A Amantes Em Fuga



O escocês e eu... 


Agente do Serviço Secreto de Sua Majestade, Alex Hepburn tem um sexto sentido que frequentemente se manifesta durante suas missões, como a de evitar o atentado contra a vida da rainha, no Castelo de Balmoral, por um conspirador que ele há muito tempo está à caça. 


Contudo, uma misteriosa mulher põe seu plano a perder e foge... 
Ela é Mahri Scot, ex-mensageira da facção que Alex jurou destruir.


Mahri sabe manejar um revólver ou um punhal com a destreza de um homem e, disfarçada como um rapazinho, passa praticamente despercebida. 
Ela nunca encontrou um homem que não conseguisse enganar, ludibriar ou manipular... até agora. 
Com Alex incansável em seu encalço, ela foge para o interior da Escócia, e ali descobre que, às vezes, a rendição pode ser a vingança mais doce... e a mais perigosa... 


Capítulo Um 


Escócia, Castelo de Balmoral julho de 1885 


No instante em que seus olhos pousaram naquela mulher, Alex pressentiu problema. 
Mas, por mais bonita e interessante que fosse, sua concentração estava toda voltada para o caso em que trabalhava e ele chegou a se perguntar se ela não poderia ser quem procurava. 
Olhara os cabelos loiros que despertaram sua atenção. 
Nas Terras Altas, região montanhosa de Deeside, os nativos tinham predominantemente, como ele, os cabelos escuros dos celtas. A
quela jovem tinha o tipo físico de uma inglesa. 
Podia apostar que os olhos dela eram azuis. 
Ela voltou instintivamente a cabeça, como se percebesse que alguém a observava, e seus olhares se encontraram. 
E numa fração de segundo, antes que ela desviasse o olhar, Alex leve um lampejo de reconhecimento, como se uma ínfima corrente elétrica percorresse seu cérebro. 
Muito estranho, porque tinha certeza de nunca tê-la visto antes. Ficaria de olho nela, Hepburn, disse a si mesmo. 
Depois de observá-la perambular entre os convidados como se procurasse por alguém, Alex resolveu tirá-la da cabeça. 
Afinal, ela parecia bastante inofensiva. Além disso, estava a procura de um homem, e não de uma mulher. 
— Por onde você anda filho do diabo? — Uma voz disse baixinho ao ouvido de Alex: 
— Sua Majestade está prestes a entrar. O que vai acontecer agora? 
Era Gavin, seu irmão. Embora a semelhança entre os dois fosse impressionante, faltava ao primeiro o charme e a expressividade do irmão. 
— Temos de esperar — Alex respondeu. Ele percorreu com os olhos os convidados que se amontoavam no salão de baile do castelo; a nata da sociedade escocesa estava ali reunida para prestar homenagem à rainha Victoria. 
Seria uma recepção sem dança. 
Desde a morte do marido, ela levava uma vida discreta. A frivolidade não era vista com bons olhos. 
Fez-se silêncio quando as portas do salão foram abertas e Sua Majestade entrou, ladeada pela guarda de honra que usava kilt, o tradicional saiote escocês. Alex havia se posicionado para observar os convidados. 
Examinava os rostos, tentando detectar qualquer sinal estranho. 
Esperava que seu colega do outro lado do salão não fosse muito atento, pois logo deduziria que se tratava de uma encenação, uma armadilha cuidadosamente engendrada para capturar um traidor. A "rainha" não era a rainha, mas alguém que se parecia com ela; os "lacaios", com casacos verde-escuros e saiotes xadrez, não passavam de policiais disfarçados. 
Ele não fazia parte da operação oficial; trabalhava sozinho e se reportava somente a seu chefe de seção, o comandante Durward, e na ausência deste, como naquele momento, a Dickens, o responsável local pela segurança. 
Gavin não tinha participação alguma na operação. 
Era apenas um convidado, mas concluíra que alguma coisa estava para acontecer quando seu irmão mais velho aparecera na cabana de caça e pesca da família, na semana anterior, e lhe dissera que antecipavam problemas na recepção da rainha. 
Ele também pedira a Gavin que ficasse de boca fechada e olhos bem abertos, e essa era toda a contribuição que Alex esperava dele. 
No momento, circulava entre os convidados, fazendo praticamente a mesma coisa que o irmão. Quando a suposta rainha e seu séquito começaram a percorrer o corredor aberto por seus vassalos, todos foram abaixando as cabeças. 
As saias das damas farfalhavam ao fazerem a vênia. 
Alex fez um gesto mecânico com a cabeça. 
Ao levantá-la, viu que a moça loira caminhava rapidamente em sua direção. 
Mal havia se dado conta disso, quando ela sacou uma pistola das dobras da saia e puxou o gatilho. 
Ele ouviu o estampido ensurdecedor do disparo, sentiu o sibilar da bala passando de raspão por sua cabeça e ouviu o gemido da pessoa alvejada atrás dele. 
Aos gritos, a agitada multidão de convivas, qual ondas de um mar bravio, fez com que ele quase perdesse o equilíbrio e precisasse se firmar as pernas. 
Com alívio, ele viu que a guarda da rainha havia cerrado fileiras em torno da "sósia", e ela foi conduzida às pressas para fora da área da recepção. 
Foi então que um segundo tiro foi disparado, acertando o lustre e fazendo-o balançar assustadoramente sobre as cabeças dos presentes. 
A multidão em pânico se acotovelou até as portas francesas que davam pura os jardins, sem que os falsos lacaios conseguissem contê-la. 
Alex ficou perscutando a onda humana que se debatia para sair. 
Não havia sinal da mulher de cabelos loiros. 
— Gavin! 


 Seers of Grampian
1. The Runaway McBride
2. De Inimigo...a amantes em fuga
3. A Bewitching Bride

Morando Com O Inimigo



Dormindo com um espião... 


Desde o fatídico dia em que seu irmão foi acusado de traição, Patience Mandeley não reconhece mais o próprio comportamento. 


Em circunstâncias normais, ela jamais se disfarçaria de criada, se esgueirando pelas dependências da residência de um nobre, vasculhando e procurando segredos que não são da sua conta. 


Mas a situação é de desespero, e Patience fará o que for preciso para salvar o irmão da forca, nem que para isso tenha de encontrar sozinha o verdadeiro culpado... 
Patience precisa ganhar acesso à propriedade de lorde Londringham, o solteiro mais disputado da Inglaterra, sem que ele saiba quem ela é. 
Mas mesmo usando o uniforme de empregada, Patience percebe os olhares interessados do patrão, e descobre, para seu desalento, que a atração é recíproca. 
Embora saiba que deve ignorar seu sentimento por aquele homem e concentrar-se em sua missão, a proximidade do lorde afetava sua capacidade de ser racional, e Patience pode vir a descobrir que o verdadeiro traidor é o seu coração... 


Capítulo Um 


Winchelsea, sudeste da Inglaterra Primavera de 1803 


Patience Mandeley suspirou com o olhar perdido no movimento da rua central de Winchelsea. Nos últimos quinze minutos, estivera debruçada à janela sem registrar o que via. 
Ainda não decidira se era a mulher mais corajosa do mundo, ou se havia perdido de vez o juízo. Optou pela segunda opção. Agir sob o disfarce de serviçal era loucura. 
No entanto, não via outra forma de salvar o irmão mais novo da sentença por traição à Coroa.
— Patience?... A voz modulada a despertou dos devaneios, e ela se voltou para a exuberante jovem que conhecera na viagem para Winchelsea. 
— O que você disse Colette? 
— Aposto que não ouviu uma palavra! — O sotaque francês emprestava charme especial ao timbre suave. — Não se preocupe você terá tempo de sobra para se preocupar com sua nova posição quando estivermos em Paddock Green. Agora, vamos nos divertir. Como estou? 
A jovem rodopiou no centro do quarto, provocando um sorriso em Patience. 
O vistoso modelo azul turquesa acentuava as curvas bem feitas de Colette.
Xale e chapéu, ambos da mesma cor, completavam o vestuário. 
— Você está ótima — elogiou com sinceridade. — E quanto a mim? 
A francesa avaliou-a com olhar crítico.
Patience usava traje modesto e óculos de lentes falsas como parte do disfarce de serviçal. 
— Chêrie, qualquer um será capaz de jurar que está diante de uma camponesa sem instrução alguma. Isso se você não abrir a boca, é claro! 
Satisfeita, Patience ajeitou o chapéu e seguiu a amiga para fora da hospedaria. 
As duas rumaram para o parque, se confundindo com inúmeras damas a caminho do Festival da Primavera de Winchelsea. 
O entardecer coloria a paisagem com uma névoa rosada pairando sobre o aglomerado de moradores, viajantes, mercadores e fazendeiros. 
O burburinho se tornava maior perto das docas, com uma fogueira monumental. 
Perto dali, a gigantesca tenda amarela e vermelha do circo atraía um grupo excitado de crianças acompanhadas dos pais. 
Colette a levou para as tendas de mercadorias, onde os vendedores gritavam acima do alarido para ofertar perfumes importados da Europa, tecidos finos e frutas exóticas. 
Porém, Patience estava alheia à alegre agitação ao seu redor. 
Fingindo examinar as peças à venda, ela se mantinha atenta ao movimento, com esperança de avistar Rupert nas sombras ou misturado à multidão. 
Tinha de falar com ele sobre o plano que havia elaborado para salvá-lo. 
Seu único interesse era o irmão mais novo e seus problemas. 
Com o final do espetáculo do circo, Patience se viu rodeada por uma multidão. Colette desapareceu em meio aos alegres espectadores saídos da sessão, deixando-a sozinha. 
Ela tentou seguir a amiga, mas parou abruptamente quando foi puxada pela barra da blusa. 
— Senhora, poderia me ajudar a encontrar minha tia Bella? 
Patience olhou para baixo e viu uma criança com o rosto banhado de lágrimas, segurando uma boneca de madeira. 
A pobrezinha não devia ter mais do que quatro anos, e os cachos dourados escapavam do gorro azul. 
— Olá, pequenina. Qual é seu nome? — perguntou, retirando um lenço da bolsa para secar o rosto da criança. 
— Meu nome é Sally e tenho de encontrar minha tia Bella. Ela também deve estar perdida. — A garotinha fungou, deixando escapar mais uma lágrima. 
— Sua tia não está perdida. Ela deve estar muito preocupada com você. — Confiante de que poderia encontrar a responsável por aquela criança, ela guardou o lenço na bolsa e estendeu a mão.
— Venha. Vamos procurá-la. 
— Qual é seu nome? Preciso saber, porque minha tia disse para eu não falar com estranhos. Patience hesitou antes de revelar o nome que havia escolhido para seu disfarce. 
Decidiu que ninguém deveria saber de sua verdadeira identidade, nem mesmo uma inocente criança. 
— Patience Grundy — disse, por fim, notando que a menina carregava um objeto apertado ao peito. — É sua boneca?
Os olhos de Sally se iluminaram e o sorriso inocente mostrou uma falha na dentição. 
— O nome do meu bebê é Jane. Veja, Srta. Grundy. — Ela estendeu com orgulho a boneca nua com quatro palitos como membros e uma bola lustrosa no lugar da cabeça. 
— Sua boneca não tem nenhuma roupa? 
— Não. — Sally ergueu os ombros estreitos. — Algum dia, terei um bebê com muitas roupas e cabelos. Tia Bella disse que me dará uma boneca nova se eu for uma boa menina. Sempre fui uma boa menina!
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Desejos

Série Família Hamilton
Muito mais que um sonho... 

O único desejo de Bria Hamilton é retomar de seu implacável padrasto a fazenda de plantação de arroz da família, e sabe que está se arriscando ao contratar Lucas Kincaid para ajudá-la. 
Bria não acredita que alguém, ainda mais um homem atraente como Luke, seja capaz de compreender o que aquelas terras significam para ela. 
Assim como não ousa confiar naquele sorriso caloroso, que parece prometer uma felicidade com a qual ela nunca se permitiu sonhar... 
Luke, entretanto, tem seus próprios motivos para se envolver naquele assunto, motivos que precisam ser mantidos em segredo. 
Por isso precisa impedir que sua atração por Bria o desvie do propósito de reaver a fortuna da família. 
Porém, quando Bria lhe propõe um casamento de conveniência, ele não consegue negar. 
Assim como não consegue negar o êxtase dos doces momentos que passam juntos, da paixão que ele anseia por viver com ela, e de um amor que ele jamais imaginou sentir um dia... 

Capítulo Um 
Julho de 1875 
Ela não o contrataria. Lucas Dearborn Kincaid sempre soubera que havia um risco ao se aproximar daquela maneira, mas se convencera de que havia também uma chance de ser bem-sucedido. 
Fitou o reflexo de sua futura, ou melhor, da ex-futura empregadora na superfície polida da mesa de nogueira que os separava. 
A distorção da imagem dava a impressão de uma suavidade que não existia. 
Perguntou-se em que momento ela perdera o interesse, ou se ele tinha chegado a conquistá-lo. Observara-a desviar a atenção do assunto que discutiam, mas em momento algum ela deixara de fitá-lo. 
Os olhos dela eram lindos, de um azul-escuro que lembrava a cor das safiras, embora as pedras tivessem mais vida. 
Não poucos o haviam avisado, por gestos ou insinuações, que ela era diferente. 
Alguns coçavam a cabeça, outros erguiam as sobrancelhas, procurando fazê-lo desistir da idéia, mesmo sem explicar os motivos da inutilidade de sua intrepidez. Luke não pedira detalhes para não despertar suspeitas. 
Ele observara que Charleston, apesar do potencial de comércio, tinha o comedimento de uma cidade pequena. 
E o fato de ter sido bem recebido devia-se à ânsia da comunidade em querer controlar o inimigo. Afinal, ele era um ianque. 
Bria Hamilton imaginou por que ele supunha que ela contrataria um forasteiro. 
Ianque, ainda por cima. Alguém na cidade se divertira ao enviá-lo para Concord. 
Sem dúvida, apostas estavam sendo feitas, e a soma envolvida devia ser alta. 
Ocorreu-lhe que contratá-lo seria uma excelente maneira de confundir os gaiatos locais. 
Com um leve sorriso, considerou a hipótese tentadora, mas logo desistiu. 
Não fora de maneira irracional que tinha recuperado Concord. 
Luke piscou, espantado com a alteração nas feições dela. 
Por um instante chegou a se sentir encorajado, porém logo percebeu que não era o destinatário daquele breve sorriso. Os olhos, fixos nele, mantiveram-se distantes e frios. 
— Sou um trabalhador enérgico e incansável. — Ele não sabia se estava repetindo a frase, pois os olhos dela — incrivelmente azuis — o desconcentravam. 
— O senhor já disse isso... Várias vezes. 

Série Família Hamilton
1 - O Enigma dos Hamilton
2 - Desejos
Série Concluída

Rosa E Espinhos



Homem resoluto. 

Jameson Flynn tinha uma missão. 
Nada o impediria de cumpri-la... Até que, certa noite, nos jardins de Vauxhall, uma mulher o fez recordar o mundo 
deixado para trás... 
A linda voz, a graça e a sensualidade de Rose 0'Keefe a transformaram numa sensação entre os homens em busca de prazer. 
Mas quanto tempo se passará até sua honra ser comprometida? 
O homem que pode consagrar ou destruir a carreira de Flynn deseja Rose como amante. 
Em breve, Flynn terá que decidir o que tem mais valor em sua vida: o sucesso ou o amor. 


Capítulo Um 


Londres, julho de 1817. 


Os jardins de Vauxhall não eram o lugar que Jameson Flynn escolheria para passar a noite, mas seu patrão, o marquês de Tannerton, exigia sua presença. 
Para Flynn, Vauxhall era apenas uma fachada. Simples estruturas de madeira, pintadas, imitando templos gregos e pavilhões chineses. 
Os convidados, igualmente falsos, usavam máscaras para dissimular o fato de que possuíam títulos, eram ricos e respeitáveis, ou patifes, ladrões e damas de péssima reputação. 
— Coma mais presunto. — Tannerton ofereceu-lhe o prato com finas fatias de presunto, uma iguaria de Vauxhall de sabor duvidoso. Rico como Creso, Tanner — como gostava de ser chamado — comia com entusiasmo, como se jantasse na Carlton House e não em um camarote em Vauxhall. 
Flynn rejeitou a oferta, mas aceitou o áraque, uma forte mistura de rum e especiarias, que redimia, em termos, Vauxhall. 
Era raro Tanner buscar a companhia de Flynn, que não alimentava ilusões. 
Era secretário, não amigo dele. 
Olhando-os, seria difícil dizer quem era o marquês. 
Flynn orgulhava-se da aparência: cabelo castanho-escuro, sempre penteado, casaco preto e calça bem cortada. 
Tanner, poucos anos mais velho e mais claro, era menos cuidadoso com a aparência, com frequência dando a impressão de ter acabado de desmontar do cavalo. 
Flynn colocou a caneca na mesa. 
— Com que propósito me trouxe aqui, sir? Quando vai me informar? — Tanner riu e tirou do bolso do casaco um pedaço de papel. Estendeu-o para Flynn.
— Veja isto, por favor. Era um programa anunciando um concerto de música instrumental e vocal, com a participação de uma certa Srta. Rose 0'Keefe, a nova flor dos jardins, naquele mês de julho, à noite, em Vauxhall. 
Flynn devia ter adivinhado. Uma mulher. 
Desde seu retorno de Bruxelas, Tanner retomara sua habitual busca por prazer, independente da forma. Ou melhor, independente da mulher. 
E havia muitas mulheres dispostas a satisfazê-lo, devido à sua reputação de generosidade com as amantes, cumulando-as de presentes, casas e uma mesada anual ao perder o interesse. Normalmente, saía com atrizes, dançarinas e cantoras. 
— Continuo sem entender. Suponho que tenha interesse nessa Srta. 0'Keefe, mas em que posso ser útil? — Normalmente, Flynn envolvia-se nas negociações financeiras com as chères amies de Tanner quando chegava a hora do congé. 
Afinal, Tanner tinha aversão a cenas. 
Os olhos de Tanner acenderam, animados. — Você precisa me ajudar a conquistar a jovem. 
Flynn quase engasgou com o áraque. — Eu? Desde quando precisa de minha ajuda nesses assuntos? 
Tanner inclinou-se. — Essa é excepcional. Ninguém ouvira falar dela antes do verão. Uma noite, apareceu no palco do teatro e cantou. Comentam que ela voltou a cantar no Baile de Máscaras. De qualquer modo, essa dama não é fácil de ser conquistada. 
Flynn fitou-o com expressão cética. 
Tanner prosseguiu: — Pomroy e eu fomos ouvi-la outro dia. Nossa única intenção, para falar a verdade, era conhecê-la. — Riu e tomou um grande gole da bebida. — O pai toma conta dela e de seus interesses. Não consegui nem entregar meu cartão. Havia uma quantidade enorme de homens desleixados ao seu redor. 
Flynn imaginou o aristocrata marquês tentando passar entre os tipos que assediavam as artistas de Vauxhall. 
— E o que deseja de mim? 
Tamer inclinou-se ansioso: — Minha idéia é a seguinte: você descobre um jeito de chegar ao pai dela e negociar a meu favor. — Sacudiu a cabeça, como se concordasse consigo mesmo. — Você tem o dom da diplomacia, eu, não.
Flynn suspeitava que a negociação se resumisse em perguntar o preço e a dama cederia, mas guardou a opinião para si próprio. 
Agiria como um representante. 
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14 de fevereiro de 2012

À Flor Da Pele

Segredos guardados, desejos apaixonados... 


Hugh D'Abernon, o marquês de Darley, está em Sevastopol por um único motivo: patrulhar a cidade para o Serviço Secreto Britânico. 
Portanto, se ele por acaso encontrar uma linda mulher em apuros, ele simplesmente a escoltará até um lugar seguro e retomará sua missão. 


Em hipótese alguma, ele se deixará desviar do cumprimento do dever, por mais tentadora que seja a dama em questão... 
Aurore Clement não é do tipo que se deixa impressionar por um homem bonito. 
A prudência vem sempre em primeiro lugar, mas perto de um cavalheiro charmoso como Hugh D'Abernon, ela descobre como é difícil manter o foco em assuntos mais importantes, como por exemplo, seu trabalho para o governo francês e os cuidados com seu irmão, que se feriu servindo o Exército. 
Hugh e Aurore, entretanto, têm seus motivos para querer escapar da realidade daquela guerra temível. 
E quando voltam a se encontrar, nada é capaz de impedir a paixão avassaladora que explode entre ambos...


Capítulo Um 


Crimeia, fevereiro de 1855 


Em uma manhã fria, fora de Sevastopol, Hugh D'Abernon, marquês de Darley, andava sobre uma colina, quando a viu pela primeira vez. 
Ela estava em pé ao lado de uma carruagem, segurando a bainha do casaco para mantê-lo longe da lama, ajudada pelo criado. 
Os cabelos dourados brilhavam ao sol, e até mesmo a dez metros de distância, sua beleza era surpreendente. 
Se ele não tivesse uma missão a cumprir, a moça teria lhe desviado o caminho. 
Mesmo assim, em um cenário de guerra, uma mulher cuja figura era memorável chamaria a atenção de qualquer jeito. 
Na certa ela devia ser esposa de algum nobre muito rico. 
O casaco de zibelina que usava era feito da mais rara e cara pele. 
A estrada se encontrava praticamente intransitável, repleta de buracos; provavelmente os responsáveis pela quebra de uma das rodas da carruagem da dama. 
Ao chegar mais perto, ele notou que a beleza da moça era ainda mais impressionante. 
Ela se assemelhava a uma bela Madonna de Della Robbia, de olhos negros. 
Em vez de ouvir seus pensamentos, que o impulsionavam a seguir em frente, tirou o chapéu de pele de lobo para cumprimentá-la. 
— Posso lhe oferecer um transporte para a cidade? — ofereceu em francês, a língua das classes mais altas da Rússia. 
Ela o fitou após alguns minutos. — Obrigada. Eu apreciaria muito. — A resposta veio na mesma língua nobre, embora pudesse ter sido em tártaro, que parecia ser a língua nativa do estranho. Observando-o melhor, ela notou que o homem forte, de cabelos escuros, tinha a pele morena e as características aquilinas da população local. 
Vestia-se como um tártaro. No entanto, seu francês fluente sugeria que a escolha das roupas tinha mais a ver com o clima do que com sua origem. 
— As estradas estão piores do que de costume depois do descongelamento da semana passada. — Ela deu um sorriso, falando o dialeto da região para testá-lo. Eram tempos perigosos, e estava envolvida em negócios arriscados. 
Não confie em ninguém” havia se tornado seu lema. 
— Ibrahim bem que me avisou sobre fazermos uma viagem hoje. — Encolheu os ombros. 
— E como o senhor... — Sem dúvida, o pobre não quis discutir. Uma dama sempre tem razão, não é mesmo? — Hugh comentou com um leve sorriso, o dialeto tão impecável quanto o dela. Arqueando uma sobrancelha, completou: — Será que consigo passar? 
— E bom ter certa cautela com os exércitos inimigos em campo — ela advertiu, voltando ao francês. 
— Muito sensato de sua parte. Pessoalmente, acredito que nações não deveriam ir para a guerra com pretextos tão superficiais, mas... Ninguém me perguntou. Entretanto, já que nos encontramos aqui, permita que eu me apresente. — Ele se curvou ligeiramente. — Gazi Maksoud, do Leste — mentiu. 
Ela inclinou a cabeça, as mãos ainda ocupadas, mantendo o casaco longe da lama. — Sou Aurore Clement de Alupka. 
— Vizinha do príncipe Woronzov, então. — Sim. Minha propriedade faz fronteira com a dele. Aurore não havia dito quem era o marido, pai ou irmão, despertando sua curiosidade. 
Apesar de todos os anos que ele passara vagando pelo mundo, nunca se sentira inclinado a perguntar algo mais íntimo sobre alguma mulher além de sua disponibilidade. 
Seria por estar cansado e não dormir havia dias? Talvez fosse apenas por ela ser uma mulher bonita que, de repente, o fizera evocar pensamentos sobre lençóis claros, camas macias e um corpo tenro. 
Desorientado com a deliciosa fantasia alimentada pela cadência alegre da voz da moça, voltou para a dura realidade do vento gelado e da lama. 
— Ibrahim, leve aquela caixa de vinho e espere aqui com nossos suprimentos. Mandarei alguém com uma nova roda o mais rápido possível — ordenou Aurore ao criado. E, voltando-se para Gazi, acrescentou: — O senhor não se importa de carregar meu vinho, não é? — indagou, lançando um olhar para a fileira de animais carregados que o seguia. 
— Claro que não. Deixe-me tirá-la deste lamaçal. — Ao desmontar, Gazi andou por sobre a lama até ela. — Mas receio não poder oferecer uma sela para damas. 
— Não tem importância. Tenho cavalgado boa parte da minha vida em selas masculinas. 
Ele devia estar mais cansado do que pensava. 
Seu cérebro estava atribuindo duplo sentido à resposta e formando uma imagem adorável: ela cavalgando sobre ele. 
O sonho quase o fez se esquecer daquela guerra sem sentido e do fato de não tomar um banho quente havia uma semana. 
— Peço desculpas por meu mau estado — murmurou ao se aproximar dela. — Viemos de Perekop sem nenhuma parada. 
— Não precisa se desculpar. As superficialidades da sociedade não têm sentido nestes tempos dolorosos. Depois de visitar os hospitais de Sevastopol, fica claro o quanto é banal a polidez diante do sofrimento humano. 
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12 de fevereiro de 2012

Um Toque De Malícia

Série Escândalo


Londres, 1812 

Victoria Ashton tem inteligência e ambição, qualidades de pouco valor para a maioria dos cavalheiros solteiros da alta sociedade. 
Seu próprio pai não imagina que ela tem uma vida secreta como negociante anônima na Bolsa de Valores de Londres. 
Mas o sonho de Victoria de conquistar sua independência cai por terra quando Blake Mallorey, inimigo de seu pai, assume as dívidas dele e propõe a Victoria uma escolha das mais difíceis: viver com ele por um ano como sua amante, ou condenar a família à falência. 
Durante anos, Blake sonhou em fazer justiça, e seu plano se torna mais atraente quando ele descobre a beldade que Victoria se tornou. 
Ele pode ser um libertino, mas jamais forçou uma mulher a se deitar com ele. Blake pretende seduzir Victoria, beijo por beijo, carícia por carícia. 
Mas com uma mulher sensual e encantadora como Victoria, a sedução pode agir dos dois lados, e um plano baseado no desejo de vingança pode se transformar numa paixão escandalosa... 

Capítulo Um 


— Dizem que ele retornou do mundo dos mortos. 
Victoria Ashton franziu o cenho para a jovem a seu lado. Jane Middleton era uma mocinha robusta, que já estava na sua quarta temporada e já tinha conquistado fama de fofoqueira. Victoria permaneceu em silêncio, os olhos passeando pelo salão de baile lotado do Almack's. 
— Dizem também que ele conseguiu acumular uma imensa fortuna e que é muito bonito — Jane continuou. — Por isso, todas as mães estão atirando as filhas para ele! 
Victoria fingiu interesse e assentiu com um aceno de cabeça para os comentários de Jane. Mudando de posição, ela olhou por cima do ombro de Jane e analisou os rostos dos casais que dançavam ao redor do salão. 
Seus olhos pousaram então na entrada do salão de jogos. Sentiu uma pressão no peito só de pensar que Spencer já tinha ido para lá. 
Jane entrou na frente de Victoria, bloqueando sua visão. Erguendo a voz em uma oitava, continuou: 
— A nova casa de campo de Blake Mallorey é tão luxuosa que o Regente em pessoa foi até lá fazer uma visita para obter alguma idéia para a sua próxima residência real. 
Algo nas últimas palavras de Jane chamou a atenção de Victoria. 
— Casa de quem você falou? — A nova residência do príncipe regente. 
— Não. A casa de quem o príncipe visitou? Jane fitou Victoria, confusa. 
— Victoria, você não ouviu uma palavra do que eu disse? Estou falando de Blake Mallorey, apesar de eu saber que deveria ter me referido a ele pelo título, o conde de Ravenspear, que voltou para Londres depois de dez anos de ausência.Você se lembra dele e da família? 
Um súbito calafrio percorreu a espinha de Victoria. 
O nome Blake Mallorey trouxe à tona um fluxo de lembranças de sua infância. 
Algumas doces e pungentes, mas a maioria não. 
Jane fez um afago no braço da amiga e sorriu, sem jeito. 
— Tenho certeza de que você deve se lembrar. Não aconteceu um escândalo entre as suas famílias? Victoria negou, meneando a cabeça. — Já faz muito tempo. Mal consigo me lembrar. — Bem, lady Cowper o convidou para vir ao Almack's, esta noite. Talvez você o reconheça quando o vir. Victoria virou-se na direção de Jane. 
— Blake Mallorey foi convidado? Esta noite? 
— Sim. A cidade toda não fala de outra coisa — Jane informou. — Ele é muito rico agora, e muito bem relacionado. Correm alguns boatos de que ele até emprestou dinheiro para o príncipe regente. 
Jane fez um afago no braço de Victoria como para acalmá-la. 
— Você não precisa temer por causa do escândalo que aconteceu no passado entre a suas famílias. Com a nova posição que conquistou, duvido que Ravenspear esteja pensando em algo tão leviano quanto uma vingança. 
Mordendo o lábio inferior, Victoria desviou o olhar. 
— Se me der licença, preciso encontrar meu irmão, Spencer. 
Victoria saiu andando pelo salão lotado, num farfalhar de seda. 
Será que Blake era o único da família que tinha voltado? 
E quanto à sua mãe e irmã? 
Victoria forçou um sorriso e seguiu em frente. 

Série Escândalo
1 - Um Toque De Malícia
2 - A Perfect Scandal

A Jovem De Esparta





Esparta, 481 a.C. 


O desejo de vingar a morte do irmão leva Thyia, jovem cidadã de Esparta, a se unir ao exército como servo de Anaxágoras, intrépido guerreiro, a quem odeia com toda sua alma, já que o considera culpado por sua morte. 


Disfarçada de rapaz, ela se introduz em um universo proibido às mulheres e, servindo a seu amo, começa a conhecê-lo de uma perspectiva bem mais favorável. 
Thyia participa da batalha de Termópilas, em que Anaxágoras acaba sendo preso e submetido à escravidão. Sempre sob seu disfarce, Thyia parte em busca do homem a quem aprendeu a amar e pelo qual está disposta a passar pelas mais perigosas aventuras. 


Comentário revisora Ceila Sarita: Sabem que nem sei o que falar de A jovem de Esparta, sem cometer uma injustiça? Foi uma das histórias mais densas que li nos últimos tempos. Mas me prendeu tanto, que muitas vezes parava de revisar e corria ler, pois não aguentava esperar para saber dos acontecimentos...rs 
O que me atrapalhou bastante foi ter assistido o filme “Trezentos” pois o danado só retrata uma milésima parte da verdadeira história e ao correr atrás de pesquisas daí é que pirei mesmo...rs. No decorrer da história acrescentei várias pesquisas (rodapé), para que ficasse mais fácil de entender. 
A linguagem não deu para mudar muita coisa não, pois além da autora ter descendência espanhola, ela usou e abusou da língua espanhola tradicional e do latim. 
Não briguem comigo, pois muitas palavras não deram para ser mudadas, por que a modernidade não combinava. Peguei raiva da Thyia logo no primeiro capítulo. 
Muito orgulhosa. Maaaaasss... Amei de paixão o Anaxágoras, verdadeiro deus grego, eeeeeeee Loiro!!! (raridade na época). Mas minha raiva contra ela mudou rapidinho depois que tive conhecimento do que ela foi capaz de fazer para se vingar dele e o tiro saiu pela culatra...rsrsrsr (amo essas reviravoltas). 
Tem uma cena (juro que nem em dez vidas eu teria coragem de fazer) que a gente fica muito chocada com ela. Deus me livre de mulher vingativa, viu? 
Mas, logo depois a gente começa a torcer por ela, que tem o topete de se entranhar no mundo dos homens (proibidíssimo para mulheres) só para ter acesso total a ele e assim concretizar sua vingança. Uma baita reviravolta aí, gente! 
Não é que a Thyia se apaixona pelo Colosso Anaxágoras e não pode nem pensar em se delatar, sob pena de morte. 
E quando ele é seqüestrado e vendido como escravo ( o homem é tão bonito, que reis, amigos, escravos e mulheres se apaixonam por ele...) ela fica doida, se joga na estrada a sua procura e quase mata a gente de preocupação e incerteza. 
Será que ela vai dar conta... Bem, tem romance e cenas hot? Claro que tem, mas não como estamos acostumadas... 
Agora, fiquei chocada mesmo com a primeira vez dos dois... Selvagem (bem, quase...rs) 
Depois de tanto tempo... De tanta luta e mortes... Que cena!!! Não esperava... 
Sei que muitas vão amar e odiar a história, mas... 
“Foi assim que escreveram”...rsrsrsr 


Capítulo Um 


 — Eles estão chegando, — murmurou Delfia afastando do rosto uma mecha escura do cabelo. 
— Ouça. Os gritos longínquos reverberavam nas ladeiras escarpadas da montanha. Silenciosas e imóveis os ouvimos subir pelos abruptos atalhos do *Taigeto, para os *Apotetes, que tínhamos alcançado pouco antes. 
 — Não perderam tempo... Saía o sol. O sereno que molhava as folhas das sarças que nos ocultavam encharcava nossos vestidos de lã e deslizava pelos braços nus. 
A pequena muralha de espinheiros constituía nossa única proteção entre a pedra e o precipício. Estávamos separadas deste por alguns metros, da saliência que conduzia a um atalho estreito que chamávamos de, a cobra. 
Delfia estremeceu instintivamente. O ar cortante da alvorada não nos incomodava habituadas como estávamos desde nossa mais tenra infância, a suportar os piores rigores do clima. 
Sem me preocupar com as sarças que me arranharam a pele ao me levantar caminhei até a beira do abismo movendo as articulações duras de meus tornozelos e joelhos. 
— Thyia! O que faz? Eles estarão aqui a qualquer momento! 
Encolhi os ombros e me voltei para a amora que acabava de me interpelar. 
O matagal ocultava por completo minha companheira. 
 — Ainda estão a meio caminho. 
Mantive-me o mais perto possível da beira do abismo para observar lá embaixo, o vale verdejante onde serpenteavam as frescas águas do Eurotas, o rio que atravessa o vale de Esparta. 
A brisa primaveril me açoitou o rosto, e levantei as vestes para deixar que me acariciasse as coxas e me impregnasse do perfume das oliveiras, as hortas, as vinhas e os ciprestes. 
Ao pé do Taigeto pulsava o coração da Lacedemônia: Esparta. 
Uma cidade modesta, ou melhor, dizendo, uma constelação de povoados desprovidos de muralhas e espalhados pelas férteis colinas. Panfila, minha ama-de-leite havia me explicado que o neto do chefe dos legetos, Eurotas, um dia canalizou as águas lamacentas de volta do mar criando um rio ao qual deu seu nome. 
Sua filha Esparta, desposou Lacedemon, o filho de Taigeta, heroína epónima do monte Taigeto e rebatizou ao país e o povoado com seu próprio nome. 
Logo chegaram os heráclidas, descendentes de Hércules, filho de Zeus, e sua vasta dinastia real, para conquistá-la e habitá-la. Modéstia, eu reconheço, nunca foi uma de nossas principais qualidades... 
 Os gritos me fizeram estremecer. O pequeno grupo avançava depressa e estava mais perto do que tinha acreditado. 
 — Volte a se esconder, Thyia! 
 Meu pulso acelerou. Ouvi suas risadas e o barulho dos pedregulhos que rolavam sob seus pés e ricocheteavam pela ladeira acidentada da montanha. 
Podia sentir como o sangue pulsava em minhas têmporas. 
Minhas pernas queriam correr para as sarças, mas minha alma se negava a fazê-lo. 
O perigo me embriagava. Nessa época ainda não tinha tido contato bastante com ele para temê-lo.  — Thyia! 
 — Psiu! Vão ouvi-la. 
 — Thyia! — Olhe que covarde é. — Provoquei enquanto voltava para seu lado. 
 — Repete isso e te faço engolir a língua! 
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