4 de agosto de 2018

O Desafio do Highlander

Série Lairds de Dunkeld 
O amor verdadeiro pode abrir caminho para dois corações solitários?

Um highlander determinado... Duncan MacConnoway, filho de um poderoso conde e ansioso para entender seu caminho na vida, está desesperado para se casar com a mulher de seus sonhos.
O tio dela, o astuto Conde de Lochlann, exige que ele cumpra três tarefas que até Hércules lutaria para terminar. 
O amor deles é tudo o que ilumina o caminho através daquele labirinto escuro, que se ele puder ficará por muito tempo...
A mulher sábia... Alina du Mas pode ver coisas que ninguém mais acredita, então ela, geralmente guarda seus segredos para si mesma. Atormentada por sonhos sombrios, tudo o que Alina sabe é que ela tem o poder de encontrar um caminho através do futuro assustador que tem pela frente.
Ela só precisa descobrir como. Enquanto isso, ela luta por um amor que seu tio Brien parece determinado a negar, embora, ele finalmente ofereça uma solução impossível... Segredos Familiares Mortais... Alina e Duncan logo percebem que o plano de seu tio pode ser ainda mais desonesto do que eles pensavam ― ele pode ter colocado Duncan para falhar. Pior ainda, o enredo de Brien conduz a uma situação mortal que convence Duncan que sua morte pode ter sido o objetivo o tempo todo. Com a ajuda do resto de sua família, cabe a Alina descobrir a verdade sobre as pessoas que ela mais preza e rezar para que não seja tarde demais para seu verdadeiro amor...
Como o amor verdadeiro pode prevalecer contra a vontade de ferro de um homem perigoso? Duncan pode encontrar uma maneira de alcançar o impossível sem ajuda? Alina deve confiar à sábia tia Aili, a sua irmã Amabel ou Broderick a informação que poderia salvar seu amor?

Capítulo Um

― Não! Não vá até ele. Ele não vai ouvir. Aquelas palavras quebraram o silêncio, cortando a luz do sol de verão, a paz e a quietude sonolenta e do lugar. Duncan suspirou.
Ele se sentou e estendeu a mão até os dedos longos e pálidos de Alina, pois ela se sentara ao lado dele no sofá. Ele acabara de dizer para Alina que pretendia pedir permissão ao tio dela para se casar com ela. Conhecendo Alina como ele, Duncan sabia que não devia fazer nenhuma suposição sobre sua reação. Mesmo assim, ele não achara que a reação dela seria algo tão veemente.
― Não se preocupe, querida, ― disse ele suavemente. ― Está tudo bem. Ele vai ouvir. Eu juro. Seu rosto forte e bonito estava preocupado, seus olhos castanhos enrugados sob uma carranca. ― Eu vou garantir isso. Alina apertou a mão dele.
― Eu confio em você, querido. Eu acredito que você faria o seu melhor para fazê-lo ouvir. Mas eu não confio no tio Brien. Nem um pouco. Ela mexeu a cabeça, fazendo seu longo cabelo preto azulado balançar. Seu movimento provocou rios de luz do fogo dançando ao longo dos fios. Duncan respirou fundo. Sentado tão perto de Alina, ele achou difícil se controlar. Tudo o que queria fazer era se inclinar e dar um beijo naqueles lábios carnudos e vermelhos. Ansiava por segurá-la perto dele, sentir o corpo esbelto dela contra o seu. Queria se casar com ela e logo. Ele a amara logo que se conheceram. Precisava ser em breve. Ele às vezes sentia que, se tivesse que esperar mais um minuto, morreria de saudade.
― Seu tio Brien é ambicioso, eu sei ― ele disse gentilmente, ― mas porque ele me recusaria a permissão para casar com você? Você acha que eu sou uma escolha muito pequena para ser de ajuda para as ambições dele? Alina soltou uma risada trêmula.
― Eu suponho que não, ― disse ela, e lhe deu um sorriso provocante. ― Assim é melhor, ― Duncan concordou, sentindo seu pulso bater com o desejo crescente. Ele amava o sorriso provocante dela. Amava cada parte dela, desde a suave elevação de seus seios sob o vestido de veludo preto, até a alta curvatura de seu pescoço e a boca vermelha. Amava seus olhos negros e a pele pálida, sua misteriosa quietude e sua risada doce, que parecia completamente em desacordo com sua sábia seriedade. Alina riu de seu comentário e Duncan se deitou no sofá, olhando para ela.
Era tudo o que podia fazer para evitar devorá-la ali mesmo. Ele olhou para o teto, tentando apagar as imagens que sua mente estava formando. Limpou a garganta. Não podia deixar sua mente levá-lo por aqueles caminhos. Assim, tudo o que ele fez foi beijá-la uma ou duas vezes. Isso foi o suficiente para fazê-lo saber que, em breve, precisaria pedir a mão dela em casamento.
― Eu devo ir, ― Alina disse suavemente, saindo de onde ela se sentou, ao lado dele. Duncan franziu a testa.
― Fique mais um pouco?









Série Lords de Dunkeld

1- Coração de um Hinghlander
2- O Desafio do Highlander
3- O Highlander Herói
4- O Highlander Amaldiçoado
5- O Dilema do Highlander
6- O Despertar do Highlander 
6.5 - O Conflito do Highlander
7- O Highlander Agente Secreto
7.5- O Cavaleiro Highlander

A Falsa Noiva do Major

Série Duques da Guerra
Quando o Major Bartholomew Blackpool descobre que sua vizinha de infância vai ser forçada a se casar contra a vontade, volta para casa para encenar como seu falso namorado. 

Ele imagina que agora que perdeu uma perna, uma noiva falsa é o melhor que um ex-soldado pode conseguir. 
Admira a coragem dela, mas a dama merece um homem inteiro — e garantirá que ela consiga um.
A Senhorita Daphne Vaughan odeia que o rompimento vá destruir as chances do Major Blackpool de encontrar uma noiva real. Ela trama fazê-lo largá-la primeiro. 
Quem se importa se isso a arruinar? Nunca quis um marido de qualquer maneira. Mas o major está igualmente determinado que ela rompa o noivado. Com ambos em seu pior comportamento, nenhum espera que seu falso noivado os conduza ao amor…

Capítulo Um

Fevereiro, 1816, Londres, Inglaterra
Apesar de o vento gelado atingir as janelas com neve, riachos quentes de suor escorriam da pele do major Bartholomew Blackpool.
Estava de bruços no centro de sua sala de estar na casa da cidade, os músculos de seus braços tremendo enquanto empurrava seu corpo de bruços em cima do desbotado tapete oriental de novo e de novo. Como fazia todas as manhãs. Equilibrando-se sobre os dedos de apenas um pé.
Não que Bartholomew tivesse muita escolha. Metade de sua perna direita estava faltando. Havia perdido o membro – e tudo o mais com que já se importou – sete longos meses atrás, na batalha de Waterloo. Seu orgulho. Seu irmão gêmeo. Sua própria identidade. Tudo se foi, no espaço de alguns segundos.
Bartholomew cerrou os dentes e aumentou o ritmo. Não poderia substituir seu irmão ou sua perna perdida, mas não ficaria por aí chorando sobre isso. Tinha vivido com a dor até agora. Poderia sobreviver por muito mais.
Uma tábua solta rangeu no corredor. Alguém se aproximava da sala de estar.
Com uma maldição murmurada, Bartholomew se jogou para fora do tapete e para trás do piano. Pegou sua prótese descartada e mal tinha fixado a miserável coisa antes da porta da sala de estar lentamente se abrir.
A fúria no tom de Bartholomew poderia ter derretido ferro enquanto içava-se do chão para olhar de cara feia para seu mordomo.
– O que diabos é tão importante que você me interromperia quando eu expressamente proibi todas as interrupções?
Apenas a menor contração de seu nariz denunciou a afronta de Crabtree com esta repreensão. Impassível, ele entrou na sala de estar com as missivas da manhã em uma bandeja de prata polida, assim como tinha feito todos os dias de seus sete anos de trabalho para Bartholomew.
Todos os dias até que seu senhor saiu para a guerra, no caso. Ao voltar para casa, Bartolomeu solicitou que toda a correspondência recebida fosse entregue diretamente na lareira mais próxima.
– Quem te designou para isso? – Exigiu, embora só pudesse realmente ter um culpado. – Fitz, não se atreva a se esconder no canto como um covarde. Se você tem culhões o suficiente para mandar o Crabtree por aí, tem culhões o suficiente para me trazer suas queixas pessoalmente.
O silêncio reinou por alguns momentos antes do magro, sensível valete de Bartholomew aparecer na porta, torcendo as mãos pálidas e lançando olhares suplicantes ao sempre estoico Crabtree.
Bartholomew soltou o ar lentamente. Esta era sua própria tolice. Se tivesse sido menos vaidoso e cheio de si quando partiu para a guerra, não continuaria a pagar as taxas exorbitantes de seu cobiçado valete, apenas para manter Fitz fora das garras dos dândis de duas pernas.
E se Bartholomew não tivesse sido o mais descarado fanfarrão, o mais infame libertino, o mais imitado coríntio – Fitz poderia não estar mais aqui, na esperança de que algum dia poderia mais uma vez afofar arrancar e adornar seu mestre, de volta em seu legítimo lugar como o mais célebre dândi da alta sociedade.
Tolice, obviamente. Sem as duas pernas um homem não podia cavalgar, boxear, valsar, ou levar belas jovens damas para cantos escuros. Nem o desejava. Não mais. Sem seu gêmeo, Bartholomew não conseguia nem sorrir, muito menos enfrentar os semblantes julgadores de seus pares.
O que era a vida agora além de solidão e dores fantasmas, e se trancar em seu cômodo enquanto atendia a sua própria toalete? Já não podia aguentar que seu valete vislumbrasse o que se tornou do corpo uma vez perfeito do qual ele tinha estado tão arrogantemente orgulhoso. Não era nada, isso é o que era. Era o orgulho que o impedia de permitir qualquer ajuda. E era o orgulho que o impedia de deixar Fitz ir.
Ou permitir que qualquer pessoa o visse, agora que era menos do que perfeito.
– O que quer que seja essas missivas, você sabe o que pode fazer com elas.
Bartholomew limpou o suor de seu rosto com a toalha. Quando olhou para cima novamente, nenhum dos seus servos tinham se movido.
– Se precisa de sugestões sobre onde colocar essas cartas, você pode começar com seu…
– É a Temporada. - Fitz desabafou.
Bartholomew sacudiu a cabeça.
– A Noite de Reis passou faz tempo. É fevereiro.
– Não essa temporada, senhor. – Fitz parecia horrorizado. – A Temporada que importa. A Temporada de Londres. Está aqui. Você está aqui. Tudo que temos que fazer é…
– Eu disse não.
– Você deveria está lá fora na Sociedade. Você foi feito para a Sociedade.
Bartholomew bufou e gesticulou para a estranha prótese de madeira amarrada em seu joelho direito.
– Com esta perna, Fitz? Qual seria o ponto?
– Nem todo momento deve ser gasto dançando.
– Ou boxeando no Gentleman Jackson, suponho, ou cavalgando como louco pela St. James Square, ou indo para remotos bordéis, ou levando damas às nuvens? – Bartholomew jogou a toalha sobre o ombro.
– Você não tem que literalmente levá-las às nuvens. – Fitz disse fervorosamente, as mãos magras torcendo sem cessar. – Você poderia usar o seu… seu charme, senhor. Certamente você não perdeu isso na guerra.
– Meu charme? O que eu tinha era boa aparência, duas pernas, e muita arrogância. – Bartholomew cruzou os braços. – Isso foi antes. Isto é agora. Se estacas de madeira repentinamente não se tornaram um afrodisíaco para procriar com damas, não consigo ver…
– Você não consegue mesmo ver, senhor! O seu aparelho é dificilmente uma monstruosidade. Tem junções móveis no tornozelo e cinco destros dedinhos do pé…
– Dedos de madeira…
– …e nem se pode distingui-lo sob seus calções e meias e botas. De verdade. – Fitz respirou fundo e se apressou a continuar, seus dedos se estendendo na direção do peito de seu senhor. – Se você apenas me deixasse fazer algo sobre esse hediondo colete.
Bartholomew afastou as mãos de seu valete com um tapa. Olhou sobre o ombro de Fitz ao mordomo que não mudara de posição ou expressão desde que entrou na sala.
– Crabtree, se não tem nada a dizer por si mesmo, poderia ao menos bater na cabeça de Fitz com essa bandeja de prata até que ele recupere um pouco de juízo?
– E o que dizer da sua cabeça? – Fitz falou antes que Crabtree pudesse responder. – Se o seu charme está enferrujado, certamente sua mente não está. Não se desvalorize tão facilmente, senhor. Você foi para Eton e Cambridge, e foi um major no exército do rei. Se você usasse…
Bartholomew zombou.
– Minha cabeça é irrelevante. A alta sociedade nunca se interessou por intelectuais. Minhas conversas com os homens se centravam no esporte, nas raças de cavalos e mulheres, e minhas conversas com as damas se limitavam a galanteios de salão e sussurros no quarto. Tentar forçar uma aleijada, mas intelectual versão de mim mesmo sobre a Sociedade, seria um pesadelo para todos os envolvidos. Não, obrigado.
– Mas, senhor…



O Sósia do Duque

Era uma vez, a linda Johanna Sherwood, condessa de Carew, que esteve loucamente apaixonada por Adrian Delacourt, o sombrio, atrativo, e devastadoramente encantador Duque de Roxbury. 

Isso foi antes de casar-se com ele. Isso foi antes que ele mostrasse sua verdadeira natureza quando a acusou de infidelidade, arrastando seu nome pela lama. Isso foi antes que ela fugisse para Itália com o melhor amigo de Adrian, Gareth Sherwood, que a resgatou da ruína total de seu divórcio ao fazê-la sua esposa. Agora Johanna retornou a Inglaterra como uma jovem viúva encantadora só para descobrir que nada mudou. O escândalo injusto ainda envolve seu nome e o amor impossível ainda ardia em seu coração. A opção mais simples… Johanna sabia muito bem que não deveria duvidar na escolha entre o Duque de Roxbury e Lorde John Barrasford. O duque era exatamente como ela o recordava de seu breve e desastroso matrimônio, arrogante, desconfiado, implacável e impaciente por acreditar o pior dela, sempre rechaçando ouvir suas explicações. 
Lorde John Barrasford era justamente ao contrário, atencioso, pormenorizado, elogiando-a e comprometendo-se fazê-la a mais feliz das mulheres. Obviamente isto não deveria fazê-la duvidar: voltar com o terrível duque ou abrir seus braços e coração à adoração que lhe professava Barrasford. Porque para Johanna era tão difícil escolher algo tão evidente. 

Capítulo Um

 — Em realidade, querida, é de pouca importância onde a aflige a morte de meu filho — a condessa viúva suplicou a sua nora. — Então, também podemos retornar a Inglaterra. Suas saias de seda negra rangeram ao mover-se pelo salão fracamente iluminado. 
— Johanna, nada pode devolver a vida de Gary, ambas sabemos. Sua preocupação agora devem ser seus filhos, Justin deve crescer consciente de suas responsabilidades. 
— Mamãe, ele tem só cinco anos — protestou. — Meu amor, ele deve saber que é inglês, não pode criá-lo na Itália e esperar que aprenda o que significa sua herança. Por favor, Johanna, pelo amor de Gary volte com seus filhos à Inglaterra. Johanna Sherwood não se alterou pela suplica. Olhou tristemente o pequeno jardim onde o sol banhava as flores da primavera com sua luz, em contraste com a escuridão de seu coração. Com um suspiro olhou para sua sogra. 
— E fazê-los viver com o escândalo? — perguntou amargamente. — Ouvir que sua mãe foi acusada de adultério e divorciada. — Razão a mais para transladar-se agora, quanto antes Johanna, voltemos para New Haven, confrontemos os falatórios, conseguiremos que se esqueçam. Novos rumores substituem sempre os velhos. Terá que se comportar prudentemente, é obvio, como se a sociedade esquecesse. 
— Eles realmente se esquecem? — Durante um momento seus olhos se nublaram. — Esqueceram um divórcio, que me obrigaram a deixar o país, esqueceram as humilhantes acusações públicas de Adrian, duvido-o muito. 
— O tempo e a distância já tomou cuidado que se esqueçam da maior parte, passaram seis anos desde que ocorreu e Gary... — Ninguém sabe melhor que eu, o que deixou atrás por mim, mas não posso voltar, não me peça isso, não posso. 
— Johanna. — A mulher mais velha se aproximou e abraçou a jovem viúva. — Me olhe, por nada no mundo quero te causar mais dor, mas deve fazê-lo. Gary deixou por você sua casa, seu país, seus amigos, sua carreira política porque a amou por cima de todas as coisas. Pode não encontrar em seu coração razões para retornar com seus filhos para casa. Eles têm o direito de conhecer a herança de seu pai. Justin deve crescer em New Haven, Gary desejaria que fosse dessa forma e você sabe disso. 
— Só tem cinco anos, podemos viver alguns anos a mais na paz do exílio. Não devemos voltar tão cedo.
 — Jo — sua sogra insistiu brandamente. — Só tem vinte e cinco anos, com sua hierarquia e a fortuna de meu filho pode voltar a se casar, amar outra vez, não deixe à amargura te privar disso, ou a meus netos, de encontrar de novo a felicidade, não há nada para atá-la a esta casa, mas a herança de meu filho está esperando por seu filho, não esqueça que Justin é agora o conde de Carew. 

29 de julho de 2018

Uma Paixão Francesa

Um emocionante romance de amor durante os tempos da Revolução Francesa. 

Uma heroína seduzida e ultrajada por um elegante cavalheiro a quem não pode esquecer. Uma luta desenfreada para recuperar uma paixão que só nos braços daquele desconhecido pode encontrar.
Uma mulher disposta a arriscar, inclusive, sua própria vida para alcançar um sonho de amor…
Manon d'Epinay está a caminho de Paris para se casar com um dos mais poderosos nobres da França, um conselheiro do rei Louis. Mas a caminho, sua carruagem é atacada por revolucionários assaltantes. Para salvar sua família, Manon luta por um acordo com um demônio sedutor que selará seu destino. Pois a revolução está prestes a atingir a França e transformar sua vida para sempre.
Uma Paixão Francesa é a história vibrante de três pessoas ardentes em um momento decisivo na história: Manon, uma aristocrata atrevida e empobrecida entre dois homens carismáticos, que faz o que precisa para sobreviver; André, cujo passado está coberto de mistério e que arrisca sua vida para proteger a mulher que ama enquanto luta para trazer justiça e igualdade a seus compatriotas; e o Comte de Crequi, vinculado pelas antigas leis de nobreza e classe, cujas paixões por seu país e por Manon são mais profundas do que qualquer um poderia ter imaginado.

Capítulo Um

― Não deveríamos estar viajando com esta escuridão. ― gemeu tia Thérése, retorcendo seus gordinhos e enluvados dedos. ― Deveríamos ter chegado ao hotel de Poste faz duas horas.
― Duas horas ― disse. ― Que coincidência, é o tempo que precisámos esperar para que ferrassem o cavalo!
Meu esforço por acalmá-la com uma brincadeira não deu resultado. Tia Thérése continuou, com voz tremente:
― Nestes dias há muitos bandidos! Assaltantes de caminhos.
Era verdade. Corriam rumores de que havia bandoleiros, especialmente na rota Paris-Reims. Tia Thérése, como se quizesse jogar uma olhada aos supostos assaltantes, espiou pelo guichê da nossa velha carruagem, eu e Jean Pierre nos voltamos involuntariamente. Vários quilômetros atrás, ao deixar a ferraria, os lampiões da carruagem tinham sido acesos. Sua luz fumegante, velada pela espessa chuva, foi tudo o que pudemos ver.
Os cavalos patinaram em um pântano. Saltamos todos de uma vez, tia Thérése contra mim: Jean Pierre, que ia sentado em frente, esticou o braço para segurá-la.
― O que foi isso? ― Disse ela, sem fôlego pelo terror.
― Nada, tia ― disse ― os camponeses não cumprem com suas tarefas nos caminhos, isso é tudo.
― Às vezes, os ladrões cavam uma fossa para atrasar os viajantes… Ao menos é o que dizem.
Tia Thérése, nossa tia avó, era muito bondosa. E muito antiquada. Sempre estava citando ditos e frases.
― Diga-me, tia ― perguntei, ― que ladrão em seu são juízo desafiaria esta tempestade para roubar uma carruagem deteriorada?
― Manon, ― repreendeu-me ela ― não deve brincar com as coisas sérias. Logo vai se casar.
Ao ouvir a palavra casar tive um estremecimento involuntário. E meu irmão, que sabia tranquilizar muito melhor que eu, disse com sua musical voz de tenor:
― Por este caminho passaram soldados.
― Jean Pierre, isso é exatamente o que quero dizer ― exclamou ela. ― Patrulham por causa dos bandidos. Na última parada falavam de um caso terrível acontecido faz uns dias. Os viajantes, um barão, sua mulher e sua irmã, foram despojados de tudo. Mataram o barão. As senhoras foram ― se interrompeu, e me lançou um olhar antes de prosseguir em voz baixa. ― Foram maltratadas.
― O triste ― disse ― é o fato do barão estar morto, mais do que das damas maltratadas!
― É muito jovem para entender o que estou dizendo, Manon ― e a adorável e gorda solteirona, com o espartilho tão ajustado que logo não poderia respirar, levou a mão ao coração, sobre sua capa de viagem. Tia Thérése acreditava firmemente que eu, que tinha vivido dezesseis anos entre os animais de minha granja, ignorava o que fazem um macho e uma fêmea.
Na penumbra encontrei o olhar de Jean Pierre. Piscou-me um olho. Fiz todo o possível por não soltar uma gargalhada.
Querido, querido Jean Pierre. Irmão, amigo, minha única família. Faria quaquer coisa por ele. Quando eu tinha três anos e ele quatro, nossos pais morreram de cólera no mesmo dia, e ser órfãos nos uniu mais do que à maioria dos irmãos e irmãs. 
Jean Pierre era o mais velho, mas eu sempre o tinha protegido. Sua saúde era delicada. Com frequência tinha febre, sofria ataques de tosse e enxaquecas e, durante estas enfermidades, eu permanecia em seu quarto escuro, cuidando-o. 
Devido as dores de cabeça, muitas vezes não estudava as lições, e eu o escondia entre as cortinas de minha cama, protegendo-o da régua do nosso tutor quase cego. Para ser sincera, a enfermidade não era o único motivo pelo qual Jean Pierre desatendia suas lições. 
Ambos tínhamos herdado o amor à diversão dos D’Epinay. Juntos, vadiávamos nos córregos, deslizávamos pelos montões, galopávamos nos gordos cavalos da granja, corríamos com os cães pelo bosque. Jean Pierre estava acostumado a cantar. Tinha uma voz maravilhosa e eu podia escutá-lo durante horas.
Na incerta luz pude ver o delicado arco de sua fronte, o orgulhoso ângulo de sua cabeça. Tinha o aspecto de um aristocrata e o era. 
Em tempos passados, os D’Epinay, tínhamos sido ricos e poderosos, mas várias gerações tinham ido vendendo as granjas e as propriedades de campo para pagar formosos vestidos ou uma noite de jogo ― os D’Epinay, dizia a gente, nunca renunciavam a um gosto. E agora, em 1785, a herança do Jean Pierre era uma desmantelada casa hipotecada, com um telhado de ardósia, que caía. 
E eu possuía as opalas dos D’Epinay, um colar normalmente escondido na gaveta secreta de um banco, que agora se encontrava sob as volumosas saias de tia Thérése.
Nossa pobreza nunca me tinha incomodado.
Jean Pierre, em troca, estava acostumado a falar com veemência de um milagre futuro, quando de algum jeito a fortuna dos D’Epinay voltaria e ele poderia acotovelar-se novamente com a grande nobreza da França. Nossa casa, nossas roupas pobres, faziam-no infeliz. Estranho.
 Em geral, era Jean Pierre quem recusava abertura às coisas desagradáveis. Via o lado bom de tudo. Inclusive quando caia de dor durante um ataque de febre, dizia: Por sorte não terei que estudar essas condenadas lições. Estas duas coisas foram a causa de que Jean Pierre aprovasse meu matrimônio com o conde do Créqui.
Era tia Thérése quem nos tinha recolhido, quando nos tornamos um par de órfãos chorosos e assustados, tinha-nos abraçado contra seu brando peito perfumado de baunilha e nos tinha criado. Mas nosso futuro era o conde de Créqui.
O conde de Créqui era um dos grandes nobres que rodeavam o rei. Caçava com o rei, viajava na carruagem do rei, aconselhava o rei. O conde nos tinha visitado uma vez, quando nossos pais morreram, e eu o recordava como uma figura alta, negra e resplandecente, com uma peruca branca como a neve.
Aquele mês de maio, quando se celebrou meu aniversário, havia tornado a nos visitar. A sensação de estatura que pode ter uma criatura de três anos não é de confiar. 
O imponente vulto dos ombros e o peito do conde de Créqui se seguravam fracamente sobre umas pernas curtas e magras. Uns olhos vivazes iluminavam sua cara de macaco inteligente. Em que, pese a sua fealdade, irradiava linhagem e presença. Sua casaca de cetim negro brilhava com botões incrustados de diamantes. Seu pescoço se movia facilmente dentro de sua camisa com séries de encaixe. Tinha a cortesia quase brutal de um homem que sabe que pode obter tudo o que deseja: mansões, formosos cavalos, mulheres fáceis. Era viúvo.
Tinham arrumado para mim o vestido de seda verde que tinha sido de minha mãe. Meu cabelo, tão loiro que parecia empoado, caía em cachos sedosos. Tia Thérése, ao me examinar antes da refeição, tinha lançado exclamações, comentando minha delicada figura, meu cabelo de um loiro prateado, minha fronte alta, minha pele branca, minhas faces rosadas, o verde de meus olhos, acrescentando que devia cobrir o decote com um lenço.
― OH, tia ― exclamei, ― não seja tão antiquada!



28 de julho de 2018

A Tristeza do Barão

Série Os Cavalheiros
Dizem que o amor juvenil nunca se esquece, talvez porque é suficientemente puro e real. 
Depois de anos procurando Anaís Price, sonhando em têla de novo ao seu lado, Federith Cooper terá que se casar com lady Caroline, que leva o filho de ambos em seu ventre, assim pensa ele. Mas sua vida matrimonial é um inferno, sua esposa rejeita sua presença, sua ternura e inclusive sente repulsa por ele, o homem mais educado e respeitoso de Londres. Federith tenta aceitar a vida que lhe calhou, mas... durante quanto tempo poderá manter aquele comportamento frio e aristocrático que seus pais lhe impuseram desde menino, quando o amor de sua vida reaparece anos depois? Um verdadeiro amor não desaparece com o tempo, e a promessa que fez de protegê-la, cuidá-la e amá-la, tampouco. Entre na apaixonada vida de Federith Cooper, futuro Barão de Sheiton e último cavalheiro desta série.

Capítulo Um 


Londres, 1865. Hemilton, residência de Federith Cooper
Quando a observou entrar em sua casa ficou surpreso e milhares de perguntas apareceram em sua mente: o que fazia ali, de noite e sem uma acompanhante? A resposta surgiu com rapidez ao vê-la com mais precisão. Seus olhos, inchados e vermelhos por um incessante pranto, indicaram-lhe o motivo da visita àquelas horas e naquelas condições. 
Abriu os braços para que se sentisse reconfortada no calor de seu corpo e pudesse consolá-la. Não precisava saber a causa de sua presença, embora ela o tenha explicado de qualquer forma. Nesse preciso momento, ao escutar da boca da mulher o que temia, virou-se e caminhou para a janela. Tinha que pensar, que repensar sobre como liberar a adaga que atravessava seu coração, mas por mais que tentasse tira-la e escrever um novo capítulo do livro que começou na sua infância, foi incapaz de fazê-lo. Tinha mantido a esperança de encontrá-la face aos infortúnios da vida. 
Recordou a última vez que soube algo sobre ela e a amargura que sentiu ao compreender que tinha desaparecido para sempre. Por mais que tentasse assimilá-lo, até o momento em que entrou Caroline em sua casa, imaginou que esse dia poderia chegar a qualquer instante. Abriu a cortina. Parado em frente à janela olhou para o céu e a contemplou. 
Fazia muito tempo que não a observava daquela maneira. Desde aquele dia tão somente se atreveu a olhá-la quando não estava na fase de lua cheia. E depois de tantos anos, admirava-a absorto, em silêncio e rogando que o perdoasse por tê-la afastado de sua vida durante tanto tempo. Acreditou, inutilmente, que se a admirasse com a mesma intensidade que naquela noite obteria a resposta que necessitava. Apoiou a testa sobre o vidro e suspirou. 
Seu futuro já estava determinado? Devia esquecer a promessa de procurá-la? Na verdade, não tinha outra alternativa e, apesar de não poder imaginar uma vida ao lado de Caroline, esta se converteria na mulher com quem teria que viver no futuro. Procurou-a durante os meses após a sua partida. Perguntou sobre a família do conde Kingleton em todos os eventos nos quais comparecia. Mas ninguém soube lhe informar para onde tinham partido. Entretanto, anos depois, na universidade, um pequeno mundo afastado do resto da humanidade, uma pessoa mencionou aquele sobrenome… 










24 de julho de 2018

Indomável

Série Guerreiros MacKinnon
Guardas MacKinnon

Eles eram um bando de irmãos, sendo que a lealdade entre eles foi forjada através das dificuldades e batalhas. O vínculo entre esses guerreiros Highlands, as colônias acidentadas e os ferozes nativos americanos é mais forte do que os laços de sangue.
Apesar de ser forçado a lutar pelos odiados ingleses, Morgan MacKinnon não iria trair seus homens e levá-los a morte, nem mesmo quando foi capturado pelos franceses e ameaçado a sofrer uma morte agonizante, queimado vivo pelas mãos dos Abenaki.
 Somente o olhar inocente de uma moça francesa, criada em um convento, poderia fazê-lo questionar sua promessa de escapar e retornar aos Guardas.
Logo, a doce paixão que despertou em Amalie, fez com que ele amaldiçoasse a guerra, forçando-o a escolher entre defender sua honra ou comprometer-se com a mulher que ama.

Capítulo Um

Ticonderoga, Fronteira com Nova Iorque
19 de abril, 1759
O Major Morgan MacKinnon jazia sobre seu estômago, olhando para baixo na cúpula da Montanha Rattlesnake, diretamente para o forte francês na Ticonderoga. Ele ergueu o binóculo de seu irmão Iain, que agora era dele e observou enquanto os soldados franceses descarregavam barris de pólvora de um pequeno navio. Claramente, Bourlamaque estava se preparando para defender o forte novamente. Mas se Morgan e seus Guardas se saíssem bem-sucedidos em sua missão desta noite, essa pólvora nunca veria o interior de um mosquete francês.
Connor estirou-se ao lado dele e falou em um sussurro.
― Não posso ver este lugar sem pensar nesse bastardo do Abercrombie e nos bons homens que perdemos. ― Morgan baixou o binóculo e encontrou o olhar de seu irmão mais novo.
― Eu tampouco posso, mas não viemos aqui para nos lamentar.
― Não. ― o olhar do Connor se endureceu. ― Viemos por vingança.
Amalie beliscou sua comida, seu apetite se perdeu ao falar da guerra.
Ela fez o seu melhor para ouvir educadamente, sem se importar com o quão assustada ela estava, ao pensar em outro ataque britânico. Monsieur de Bourlamaque era comandante de uma guarnição no meio do conflito. Era certo que ele e seus oficiais mais confiáveis deveriam discutir sobre a guerra enquanto comiam. Ela não queria distraí-los com sentimentos infantis, nem era tão egoísta a ponto de exigir diversão. É só que, às vezes, desejava que seu tutor pedisse para ouvir seus pensamentos...
Seu pai era a única pessoa que já havia feito isso e agora ele se foi.
E foi assim que Amalie passou a refeição, em silêncio, como sempre fazia na abadia.
― Não devemos permitir que a vitória do verão passado nos cegue a ponto de termos excesso de confiança. ― Bourlamaque limpava seus lábios com um guardanapo branco de linho. Seu uniforme azul, com suas condecorações e a faixa vermelha diferenciava-o de seus oficiais, que levavam cinza. ― Amherst não é um idiota como Abercrombie, ele nunca teria atacado sem artilharia.
O tenente Rillieux recostou-se em sua cadeira, o rosto sorridente. Somente ele, dentre os oficiais mais jovens, que eram favorecidos pelos seus cabelos naturais, usava uma peruca empoeirada, o branco fazendo grande contraste com a sua pele oliva e as sobrancelhas escuras.
― Deixem-no fazer seu pior esforço.
Amalie sufocou um suspiro. Como ele poderia tentar o destino de tal maneira, quando isso poderia significar a morte de seus próprios homens? Ele faria melhor se rezasse pela paz!
Mas o tenente Rillieux não parecia dar-se conta que havia dito algo sem pensar.
― Devemos dirigir Amherst de volta à floresta, assim como fizemos com o seu antecessor. Meus homens estão prontos.
― Estavam prontos quando MacKinnon e seus homens assaltaram as últimas provisões do trem de abastecimento? ― Bourlamaque elevou uma sobrancelha em desaprovação. ― Perdemos uma fortuna em mosquetes, sem mencionar várias caixas com meu vinho favorito, não importa o quão bem você se prepare, parece que a Guarda sempre está um passo à sua frente.
O estômago de Amalie se retorceu, como o fazia cada vez que mencionavam à Guarda dos MacKinnon. Estes homens que tinham matado seu pai pareciam estar em todos os lugares e em lugar nenhum, embora papai tivesse assegurado que não existia tal coisa como oschi bai, começou a se perguntar se seus primos tinham razão. Talvez os Guardas não fossem homens depois de tudo, o Tenente Rillieux soprou e inclinou a cabeça como desculpa.
― Meus mais sinceros pêsames de novo por sua perda, senhor. Os irmãos MacKinnon são adversários formidáveis, mas os faremos cair.
― Esperemos que sim. Talvez agora que o mais velho dos MacKinnon foi liberado do serviço, os Guardas cairão sob as ordens de um líder incompetente.
― Duvido-o, senhor. Morgan MacKinnon é todo um homem das florestas, arqueiro e líder, assim como Iain MacKinnon foi. Seria uma tolice subestimá-lo. Mas foram feitos arranjos. Como eu disse anteriormente, meus homens estão prontos.
Mas Amalie não estava pronta. Ainda não tinha esquecido a batalha do verão passado e temia à possibilidade de um renovado derramamento de sangue. A dor pela morte de seu pai ainda era evidente, seus sonhos cheios de disparos de mosquetes e dos gritos de homens moribundos.
Se apenas essa guerra maldita acabasse! A vida seria livre para florescer novamente na Nova França. Marinheiros encheriam o porto, trazendo, não soldados, mas homens e mulheres desejosos de construir lares e criar famílias ali.
E o que você fará Amalie?

 


Série Guerreiros MacKinnon

Um Libertino à Meia-Noite

Série Irmãs O’Rourke/Irmãos Hunter
Seu desejo é mantê-la como sua amante!

James Hunter não pode esquecer a noite em que resgatou Eugenia O'Rourke de uma provação terrível, de como a sentiu em seus braços, quente e vulnerável. 
Agora trabalhando no Ministério do Interior durante o dia, ele não acha difícil assumir o papel de seu protetor libertino à noite...
Gina está dolorosamente ciente de que James testemunhou sua mais profunda humilhação. Seu maior medo era o retorno de seu captor, mas à meia-noite ela tem mais medo de ser o objeto da pena de James. No entanto pena não é o que James sente...

Capítulo Um

12 de setembro de 1821

Noite novamente. Ruas escuras, movimentos inconstantes nas sombras, sons abafados, sussurros no vento, o frio úmido de um nevoeiro sufocante. E sempre, a ameaça iminente de desastre nas costas dela. Gina O'Rourke odiava a noite, embora tivesse começado a viver sua vida nas horas entre o crepúsculo e o amanhecer, como se nada de mal pudesse acontecer com ela se apenas vigiasse. Se encheu de alívio ao ver acender o poste de luz do lado de fora da sua janela da sala de estar. Ela poderia jurar que havia sombras no parque do outro lado.
Afastando-se da janela, pegou o bordado e sentou-se perto da lareira, onde a luz era melhor. Enquanto empurrava a agulha através do linho fino, tentou direcionar seus pensamentos para o futuro, algo que ela não era capaz de fazer desde aquela noite.
Amanhã, talvez, falaria com seu cunhado sobre achar, para ela e sua mãe, um lugar só delas. Andrew e Bella deveriam ter a chance de ficar sozinhos e nutrir o casamento sem a interferência da mãe. Nada tão distante quanto St. Albans, mas talvez um chalé em St. John's Woods funcionasse muito bem. Lá, mamãe poderia reclamar e se preocupar com seu coração, sem incomodar a ninguém. Exceto Gina. Mas havia algo... seguro nesse tipo de vida. Seguro e reconfortante, como só o familiar poderia ser.
Sim, uma vida tranquila sem drama ou perigo era o que queria. Ninguém teria que saber sobre o passado dela, sobre aquela noite. Ela poderia parar de se atormentar, tentando lembrar os trechos horríveis, antes de se ver carregada da mesa, embalada nos braços de James Hunter. Apenas seu perfume, amadeirado e aquecido, a acalmou então. Agora a lembrança disso a incomodava de um modo muito perturbador.
O sino da frente tocou, seguido pelo som de botas e uma voz baixa falando com o mordomo de Andrew no vestíbulo. Ela olhou para o relógio. Quase meia-noite. A reunião de Andrew se estendeu até muito tarde e ele ainda estava na biblioteca com Lorde Wycliffe, mas quem viria à meia-noite? Ela se levantou, pronta para fazer uma retirada rápida, mas não foi rápida o suficiente. James Hunter apareceu na porta e tirou o chapéu.
— Imploro seu perdão, Senhorita O’Rourke. Eu vim para ver meu irmão e Edwards me pediu para esperar enquanto informa a Drew que estou aqui. Ele não sabia que você estava usando a sala.
Gina se esforçou para pensar em algo para dizer, mas se encontrou com a língua presa. Ela afundou-se no sofá, com o coração disparado, e se perguntou se seus simples pensamentos haviam sido suficientes para convocá-lo. Coisas mais estranhas que essa tinham acontecido com ela ultimamente.
Sair agora seria rude. E revelador. Recuperou o bordado novamente e o colocou no colo, rezando para que os dedos não tremessem quando ela pegasse a agulha.
— Acredito que ele esteja em algum tipo de reunião tardia, Senhor Hunter. — Ela disse a ele. — Eu duvido que você tenha que esperar muito tempo.
— Com uma companhia tão encantadora, rezo para que ele atrase.
Ela encontrou seu olhar e percebeu que ele estava apenas sendo gentil, e só porque sua irmã era casada com o irmão dele. Todos os irmãos Hunter eram extremamente educados. Ainda assim, nunca poderia encontrá-lo sem ver a lembrança daquela noite miserável nas profundezas de seus olhos azul-violeta. Também viu pena e abominou o pensamento de que ele sentia pena. Não podia deixar de se perguntar se ele ainda a via como estava naquela noite, nua até que a cobrisse com sua capa. O calor a atravessou e ela engoliu um pequeno gemido ao simples pensamento.
Ele deixou cair o chapéu numa cadeira e foi até um aparador para se servir de uma garrafa de xerez de lá. Olhou para ela por cima do ombro e levantou uma sobrancelha a convite.
— Não, obrigada. — Ela murmurou, olhando para a porta da sala de estar. Onde estava Edwards? E por que James, de todas as pessoas, tinha que encontrá-la sozinha?
— Como tem passado, Senhorita O’Rourke?
— Bem, obrigada. — Ela olhou para o bordado, mas a mão direita ergueu-se para tocar a garganta e a ferida que cicatrizara ali. Encontrou o olhar dele, engoliu em seco e tirou a mão rapidamente. Por que ele tinha que ser tão diabolicamente bonito? Ela poderia suportá-lo se fosse velho ou feio ou grosseiro em vez de alto e invulgarmente bonito!




Série Irmãs O’Rourke/Série Irmãos Hunter
1 - Indiscrições
2 - Beijos de Fel
3 - Despindo Lilly
4 - Um Libertino à Meia-Noite
5 -  Uma Lgação Audaciosa
Série concluída


19 de julho de 2018

A Amante Intelectual do Capitão

Série Duques da Guerra
O corpo do Capitão Xavier Grey está de volta entre o beau monde, mas sua mente não pode se libertar dos horrores da guerra. 

Seus amigos tentam ajudá-lo a encontrar a paz. Ele sabe que não merece isso. Assim como ele não merece as atenções da intenção intelectual sensual em seduzi-lo para a cama…
A solteirona Jane Downing quer sair da prateleira e cair nos braços de um homem de sangue quente. Especificamente, o escuro e perigoso Capitão Gray. Ela pode não estar destinada a ser sua esposa, mas nada vai impedi-la de ser sua amante. Ela consegue citar grego clássico desde os quatro anos de idade. Quão difícil pode ser aprender a linguagem do amor?

Capítulo Um

Março 1816, Londres, Inglaterra
Em circunstâncias normais, a senhorita Jane Downing estaria ansiosa para descer de uma carruagem fria e correr para dentro do edifício para uma pausa bem-vinda do inverno brutal. O edifício requintado na frente da longa fila de carruagens não era outro senão o Theatre Royal. O próprio duque de Ravenwood lhes tinha emprestado seu camarote magnífico para a ocasião.
A maioria das debutantes, quase todo o mundo, em realidade, teria estado em êxtase com tal oportunidade.
Jane não estava.
Ela tinha idade suficiente para ser mais corretamente rotulada de solteirona do que de debutante, se alguém tivesse a chance de olhar em sua direção o tempo suficiente para a rotular de qualquer coisa. Ela suspirou, improvável. Afinal, o camarote do teatro principesco não tinha sido emprestado a ela. Ela era uma ninguém.
Mas porque até mesmo solteironas invisíveis não poderiam vagabundear desacompanhadas por aí, sua melhor amiga Grace e seu marido o conde de Carlisle, a quem o camarote tinha sido presenteado, tinham dirigido na direção oposta da casa de ópera, a fim de pegar Jane e regressar a Covent Garden, a tempo para a atuação. Tudo o que podia fazer era manter um sorriso em seu rosto e fazer o seu melhor para ser encantadora.
No entanto, não foi pela ignomínia de seus amigos incomodados que Jane desejou estar em outro lugar. Aqueles eram desafios do dia a dia. E estes eram os seus amigos.
Grace se esticou através do interior apertado para apertar as mãos de Jane enquanto as rodas da carruagem avançavam em frente na fila para o teatro.
― Muitíssimo obrigada por se juntar a nós. Esta é a minha primeira ópera, e estou muito feliz por compartilhar a noite com todas as minhas pessoas favoritas.
Jane deu às mãos de Grace um aperto em resposta. Em situações como essas, a melhor coisa a fazer era mentir.
― Estou muito feliz de estar aqui. Obrigada por me convidar.
Voltou a cruzar as mãos em seu colo e desejou ter outra coisa para dizer para quebrar o silêncio que tinha regressado. Ela era adepta de conversa, quando estava falando em privado com alguém com quem estava confortável. Mas ela e Grace não estavam sozinhas na carruagem. A mãe de Grace, a senhora Clara Halton, sentava-se à esquerda de Jane, olhando amorosamente através do transporte para sua filha. Lord Carlisle, é claro, sentava-se ao lado de sua esposa, olhando para ela como se a lua e as estrelas empalidecessem ao lado de sua beleza.
Jane mataria para ter um homem olhando para ela assim, somente uma vez.
Lord Carlisle não tinha parado de olhar para Grace assim, desde o momento em que ele a viu pela primeira vez, Jane deveria saber. Ela tinha visto isso acontecer. Do seu eterno ponto de vantagem entre as solteironas e as sombras, ela observou tudo. Outras pessoas rindo, dançando, se apaixonado.
No entanto, passar toda a noite com um par recém-casado, obviamente apaixonado, não era o que a fazia morder o lábio e amaldiçoar sua perna nervosa. Jane estava encantada por seus amigos. Ela adorava passar tempo com eles.
Ela odiava estar na sociedade. Não, odiava ser invisível na sociedade, seus amigos não entenderiam. Antes de Grace ter enlaçado um conde e se tornado sua condessa, quando ainda era pobre, nada delicada e persona non grata por ser uma americana arrogante, ainda assim conseguiu chamar a atenção de todos. Afinal, Grace era bonita, com sua pele branca, cabelo preto e olhos de esmeralda brilhantes, atraia facilmente a atenção de homens e mulheres.
Jane não conseguia sequer atrair mosquitos.
Não era por ser simples, muitas mulheres simples conseguiam ser populares e encontrar maridos, Jane não. Em vinte e quatro anos, ela tinha apenas sido convidada para dançar duas vezes.
Seus sonhos de encontrar alguém eram apenas isso, sonhos. Ela alisou suas saias, não foram as poucas libras extras de seu dote, ou que ela era uma intelectual sem remédio. Sua maldição ao longo da vida foi o fato infeliz de ser totalmente, absolutamente, cem por cento… esquecível.
Sua cabeça começou a doer enquanto as rodas da carruagem avançavam cada vez mais perto de uma longa noite de ser ignorada e mal relembrada.
Mesmo com toda essa neve e a trilha serpenteante de carruagens, ela e seus companheiros teriam tempo de sobra para se misturar perto dos refrescos antes de tomar seus lugares.
Jane caiu contra a almofada, se misturar era horrível, significava ficar parada em um mar de rostos que nem uma vez se viravam em sua direção.
Ela voltou seu olhar para a rua e sentou-se reto, um conjunto de senhores bem-vestidos afluíam para uma fila de mulheres passeando em direção ao teatro em deslumbrantes vestidos de cores brilhantes, cortesãs. Ela olhou pela janela fascinada, estes homens estavam caçando suas próximas amantes.
Suas narinas inflamaram enquanto os homens se apresentavam às mulheres do submundo. Algumas das cortesãs eram lindas e algumas eram medonhas, mas cada uma delas receberia mais atenção do sexo masculino em uma noite do que Jane teria em toda sua vida.
É irônico que os mesmos senhores que nunca tinha pensado em pedir Jane para dançar, de bom grado gastam somas exorbitantes de dinheiro em troca de uma hora na companhia de uma mulher com menos educação e uma reputação pior do que ela tinha.
Como seria ser um deles? Estas não eram prostitutas desesperadas, viciadas em gim em algum bordel, forçadas a aceitar todos os brutamontes com um centavo. Essas mulheres eram elegantes e caras, elas poderiam selecionar seus amantes como quisessem.
Jane inclinou a cabeça, se ela pudesse ter qualquer homem que quisesse, quem seria ele?
Um oficial sombrio e duro como o granito, com olhos azuis assombrados saltou imediatamente a sua mente. Capitão Xavier Gray
Calor picou suas bochechas, é claro que ele veio a mente, ele era o que toda a sociedade comentava e um dos amigos mais queridos do conde, ele sempre tinha chamado a atenção de Jane. Anos antes, quando ele era apenas o Sr. Gray, ele ainda era bonito e confiante e a última pessoa no mundo que notaria o olhar apaixonado de uma prestes a se tornar solteirona. E então ele tinha partido para a guerra.
Três anos depois, ele se tornou uma casca oca de um homem, bonito e quebrado. Ele era prisioneiro dentro de sua mente até que Lord Carlisle o tinha resgatado de, bem, onde quer que ele tivesse estado, e voltou para a Inglaterra, determinado a lhe devolver alguma vida.
A última vez que tinha visto o capitão fora mais de um mês atrás, na noite em que Grace e Lord Carlisle tinham sido comprometidos em se casar, ele parecia tão… derrotado. A sociedade estava de pleno acordo que o Capitão Gray tinha miraculosamente despertado de sua fuga naquela mesma noite, mas Jane chegou a uma opinião particular.
Para ele “despertar” implicava que ele tinha estado em um estado de consciência presa e ela não acreditava que era o caso. Cada vez que ela o tinha vislumbrado, seus olhos tinham estado muito tempestuosos para o imaginário inconsciente do mundo que o rodeava, ele só não queria mais fazer parte disso.
Jane colocou os braços sobre o peito e tentou colocá-lo fora de sua mente. O tempo para ficar obcecando sobre um soldado forte, silencioso, com olhos escuros e assombrados, são cinco horas a partir de agora, quando estivesse sozinha na cama com seus pensamentos. Agora, ela precisava se concentrar em ser uma boa amiga para Grace.Ela deu a seus companheiros o sorriso mais radioso.
Como vão as reformas em Carlisle House?
Os olhos de Grace se iluminaram.
― Passou apenas uma semana desde o casamento, por isso não compramos muito além do mobiliário para o quarto de minha mãe, claro. ― Ela enviou um olhar amoroso para a mãe, em seguida, colocou seus dedos no peito de Lord Carlisle. ― Eu não me importo com lustres e vestidos extravagantes, o que temos é mais do que suficiente, quero que Oliver gaste cada centavo em seus inquilinos antes de restaurar a propriedade.
― E eu não quero que você não tenha um único conforto. ― Lord Carlisle respondeu rispidamente quando pressionou um beijo no topo do cabelo de sua esposa.
Não era adorável? 

A Criada de Fair.Hall

Margaret Macy é uma senhorita mimada que se vê
obrigada a disfarçar-se e fugir de Londres para evitar casar-se
com um homem mau que não ama.

Sem dinheiro nem lugar
para onde ir, pede trabalho como criada na mansão de um
antigo pretendente, Nathaniel Upchurch, a quem uma vez
rejeitou, pois em realidade estava apaixonada por seu irmão.
Rogando a Deus para que nenhum dos irmãos, nem tampouco nenhum dos visitantes da casa a reconheça. Sabe que tem que resistir a trabalhar como criada pelo menos um ano, o tempo necessário para que herde a fortuna que uma tia solteirona lhe deixou e que a converterá em uma mulher livre. Enquanto trabalha, sendo invisível, visto que é uma criada, vai conhecendo os dois irmãos e se dá conta de que, na altura, não julgou bem Nathaniel. Será muito tarde para reavivar nele o que há um tempo sentiu por ela? Para cúmulo, na casa quase acontece um assassinato… e só ela sabe quem foi. Atrever-se-á a revelar a identidade do culpado inclusive correndo o risco de descobrirem a sua própria?

Capítulo Um

«A única aristocrata conhecida por disfarçar-se de criada foi Georgiana, duquesa de Devonshire, em 1786».
Giles Waterfield e Anne French, Below Stairs.
Londres. Agosto 1815
«E agora também está lendo minhas cartas…». Margaret Elinor Macy sentou-se em frente à sua penteadeira com o coração pulsando com força. No espelho viu seu rosto pálido sob os cachos escuros e a preocupação que refletiam seus olhos azuis claros. Baixou a vista para a carta que segurava na mão. Tinham aberto o selo e o remontado com pouca destreza.
Estava claro que o novo marido de sua mãe tinha começado a revisar sua correspondência; certamente por medo de que o próximo convite que recebesse não fosse para um baile, mas sim para refugiar-se em alguma casa onde não pudesse exercer nenhum poder sobre ela.
Já era bastante mau ter um lacaio seguindo-a para todas as partes, independentemente da ocasião requerer a escolta de um criado ou não. E ainda por cima, fazia só uma hora, tinha pedido para usar o colar de pérolas de sua tia e aquele homem tinha negado.
― De noite há muitos trombadinhas rondando pelas ruas ― tinha dito Sterling Benton, embora sua mãe e ela sempre tivessem usado suas melhores joias. Sterling tinha guardado quase todas as joias de valor da família Macy em seu cofre para que, segundo ele, estivessem seguras, embora no fundo Margaret suspeitasse que tinha vendido algumas peças e retido o resto para que ela não pudesse as usar para escapar dali. Levava muito tempo sem lhe dar nenhuma atribuição, com a desculpa de que as finanças da família não atravessavam seu melhor momento.
Podia ser que fosse certo, mas Margaret sabia que Sterling tinha outros motivos para que dependesse dele economicamente. Assim, embora logo fosse herdar uma grandiosa soma de sua tia avó, nesse momento não podia comprar nenhuma mísera forquilha. E muito menos uma passagem que a ajudasse a sair dali. Voltou a olhar seu pálido rosto no espelho.
Ela não estava muito entusiasmada em ir ao baile dos Valmore, embora sempre tinha sentido especial predileção pelos bailes de máscaras. Adorava os disfarces, o mistério, a oportunidade de paquerar atrás de uma máscara, fingindo ser alguém que não era.
Há semanas tinha planeando ir vestida de leiteira, com o mesmo traje que pôs a duquesa de Queensberry para posar para um retrato, o que tinha desencadeado uma autêntica avalanche de pinturas de damas da aristocracia vestidas como criadas. Tinha o pressentimento de que não seria a única «leiteira» da noite.



11 de julho de 2018

Noiva por uma Noite


Depois de ter sido abandonada no altar, Talia Dobson sofreu uma nova humilhação: ter que casar-se com um substituto!

O irmão mais velho do seu noivo desaparecido tinha decidido enfrentar as consequências da irresponsabilidade de seu irmão. 
Talia sempre havia sentido uma secreta atração por Gabriel Richardson, o muito bonito Conde de Ashcombe. 
Mas depois do casamento e de uma só noite de paixão, ele a mandou para o campo sem suspeitar que esse único encontro tinha despertado dentro dela um fogo intenso, e completamente novo.
Por mais distante que estivesse sua bela esposa, Gabriel não podia deixar de pensar nela, e quando se inteirou de que uns espiões franceses a tinham sequestrado, o Conde teve medo de perder para sempre o que havia acabado de descobrir. Mas a mulher a qual tentaria salvar já não se parecia em nada com a jovem tímida que tinha enviado à sua solitária casa de campo. A nova Talia estava disposta a reivindicar de seu marido o que merecia e desejava.

Capítulo Um

Slone Square não era o melhor bairro de Londres, mas era respeitável e comodamente situado entre as áreas mais elegantes da cidade. Por regra, ali viviam membros da alta sociedade que saíam do convencional ou que preferiam evitar o burburinho de Mayfair.
E então, havia o senhor Silas Dobson.
Com a maior mansão do bairro, o senhor Dobson era o que se chamava, delicadamente, de oportunista. Outros menos delicados, diziam que era um mal educado que cheirava à classe trabalhadora, por mais dinheiro que tivesse.
Possivelmente teriam perdoado sua inadequada intromissão na alta sociedade se estivesse disposto a passar despercebido e a aceitar que sempre seria inferior aos que pertenciam à aristocracia por nascimento.
Silas, no entanto, não era dos que passavam despercebidos em parte alguma.
Grande como um touro, corpulento e com o rosto avermelhado pelo sol, era gritalhão e grosseiro como qualquer homem das centenas de trabalhadores dos armazéns e oficinas da cidade. O pior de tudo era que não pedia desculpas por ter saído dos baixos recursos para fazer fortuna no comércio. 
Era o mais novo de doze irmãos, tinha começado como estivador nas docas, antes de investir no transporte de mercadorias perigosas, o que lhe tinha permitido ir comprando vários imóveis, que alugava a preços exorbitantes para companhias navais.
Era um homem inculto e sem maneiras, que havia insultado pelo menos três vezes quase todos os habitantes de Sloane Square nos últimos dez anos.
Embora não fosse tão estúpido em acreditar que poderia algum dia parecer um cavalheiro, estava disposto a valer-se de sua escandalosa fortuna para conseguir introduzir sua única filha na alta sociedade.
Uma imprudência que não lhe ajudava a reconciliar-se com os cidadãos de primeira.
A única coisa que os tranquilizavam um pouco era saber que o dinheiro e as bravatas de Dobson não poderiam nunca fazer com que sua filha tivesse êxito.
Oh, ela era bonita o suficiente com seus grandes olhos cor de esmeralda colocados em um rosto oval perfeito, nariz delicado e lábios cheios e rosados. Mas havia algo bastante… singelo e pouco sofisticado em suas curvas de cigana, e em seus cachos negros como o corvo.
Foi, no entanto, sua incomparável falta de encantos que assegurou que nunca a tirassem para dançar.
Afinal sempre haveriam cavalheiros de boas famílias que careciam de recursos. Era muito caro fazer parte da nobreza, especialmente sendo o mais novo de vários irmãos, sem o benefício de grandes propriedades para compensar o custo de estar na moda.
Com um dote que superava as cem mil libras, Talia Dobson deveria ter sido arrematada do mercado de casamentos em sua primeira temporada, mesmo com um pai grosseirão que faria seu futuro genro passar vergonha.
Mas, além da desvantagem que provinha de seu pai, a moça em questão era uma intelectual incapaz de dizer uma palavra em público, e muito menos cativar a um cavalheiro com suas paqueras. O resultado de tal combinação era que todo mundo lhe tinha pena e fugiam dela como da peste.
Os membros da alta sociedade pareciam desfrutar dos fracassos de Talia. Estavam convencidos de que serviria de lição ao odioso senhor Dobson, e de exemplo para outros oportunistas que acreditassem que poderiam instalar-se entre a aristocracia graças a seu dinheiro.
Talvez não estivessem tão satisfeitos se conhecessem a Silas Dobson, como o conhecia sua filha.
O filho de um mero açougueiro não teria adquirido um pequeno império, a menos que não tivesse a absoluta determinação de superar qualquer obstáculo. A qualquer custo.
Consciente da implacável força de vontade de seu pai, Talia estremeceu ao ouvi-lo gritar pelos quartos abobadados da elegante casa.
—Talia. Talia, responda-me! Maldição onde está essa menina?