16 de novembro de 2018

Morgan e Archer

Série Windham
Archer Portmaine está investigando uma trama contra a Coroa quando ele conhece Morgan James, uma jovem que sofreu de surdez por vários anos, embora sua audição tenha sido restaurada quando Archer a conhece. 

Morgan acredita que seu problema auditivo faz dela uma candidata pobre para o casamento, embora sua deficiência forneça a chave para desvendar o mistério de Archer e para capturar seu coração.

Capítulo Um

Em um mar de conversas e movimentos, o silêncio e a quietude chamaram a atenção de Archer Portmaine.
As senhoras na frente do camarote podiam ser qualquer par bonito que estivesse desfrutando de uma noite na orquestra, a mais velha exibindo o traje elegante de uma jovem matrona.
A mulher mais jovem mantinha o foco de Archer quando ele deveria estar examinando os outros camarotes procurando a sua presa. Ela fez isso não por esticar o pescoço ou inclinar-se sobre o parapeito, mas pela inspeção sem pressa e silenciosa da multidão reluzente, risonha e cheia de joias.
Archer tinha a sensação de que ele a tinha visto antes, em um cenário diferente. Ele podia esquecer o rosto ocasional, mas não se esqueceria do contorno gracioso dos ombros nus de uma mulher, ou de um queixo sombreado e determinado, mas também firme pela teimosia.
Seu perfil era clássico, seu cabelo castanho bem preso em sua nuca, seu vestido creme próximo ao nude. Ela era discretamente amável e, no entanto, tudo nela implorava para ser olhado novamente, tudo, exceto por sua quietude e o modo como ela mantinha seu próprio conselho em um local onde falar, alto e fofocar, era mais parte do programa do que a música.
Se a moça pudesse tagarelar um pouco enquanto observava a plateia, ou mandar um ocasional olhar coquete para uma sorte aleatória abaixo, ela poderia fazer um investigador passar despercebido.
Essa ideia insultaria qualquer mulher adequada com poder.
Archer parou de observar a jovem calma, para que mesmo à espreita na parte de trás do camarote ele não fosse visto por aqueles cujos caminhos ele preferia não atravessar.
Ele encolheu-se mais perto das cortinas de veludo, contente por qualquer brisa que tivesse apagado as luzes do candelabro mais próximo. Um homem em perseguição deve estar sempre alerta para os perseguidores e evitar uma distração tão fascinante quanto o silêncio de uma bela jovem.
— Você sabia que Valentine dedicou o trabalho final do programa para você? Em meio ao zumbido e a agitação da orquestra em sintonia e a plateia fofocando e cumprimentando-se, Morgan James mal conseguia discernir as palavras suaves de sua irmã.
— Que jovem dama não gostaria que o gênio da música de Windham dedicasse um trabalho para ela? — Especialmente uma jovem que devia a recuperação de sua audição ao mesmo músico?
Anna, condessa de Westhaven, estudou seu programa pela luz limitada dos candelabros do teatro. — Você já superou Valentine, não é? Por favor, diga que sim.
— Sim. — Morgan sentiu um alívio curioso ao dizer as palavras com sinceridade, levantando um peso no ar como a escala ascendente de uma flauta se aquecendo. — Valentine Windham foi o primeiro que eu conheci que se comportou como um cavalheiro, e ele foi um contraste maravilhoso com nosso falecido irmão. — Por que ela não tinha percebido essas coisas antes?
— Ele é obcecado por sua música, fascinado com isso, — continuou Morgan, — e Ellen entende isso sobre ele. Eu estava sozinha em meu próprio mundo silencioso por tanto tempo que não consigo imaginar uma existência isolada de propósito, independentemente de quão belo som eu possa preenchê-lo.
— Você é muito sensata, irmã. Westhaven disse que eu estava me preocupando por nada. — O marido de Anna frequentemente fazia pronunciamentos confiáveis sobre sua família, e ele estava certo em uma porcentagem agravante do tempo.
— Eu considero Valentine um amigo querido, — disse Morgan, — e tenho certeza de que ele considera o mesmo. A última peça é uma sonata para piano. Estou ansiosa para ouvir.
Ela também estava ansiosa para ter a noite terminada, para ficar sozinha nos cômodos aposentos que a família de Westhaven proporcionava a ela, onde curiosamente, ela começava a desfrutar do silêncio e da solidão.
Anna levantou-se graciosamente. — Vou buscar Westhaven no corredor. Ele é apanhado pelos pares da Câmara dos Lordes e é educado demais para deixá-los conversando com eles mesmos, que é o destino deles no que deveria ser um passeio social.
A linda condessa de cabelos escuros saiu do camarote para resgatar algum velho rabugento do fascínio sem fim de Lorde Westhaven pelo que ele chamava de economia, deixando Morgan a pensar no próprio destino dela.
A vida de solteirona estava próxima, e provavelmente um retorno da surdez não muito depois disso. O médico a avisara, afinal de contas.









15 de novembro de 2018

Um Trapaceiro Encantador

Uma maravilhosa história de amor cheia de intrigas, dificuldades, paixão e, sobretudo, amor. 

Um desafortunado acidente une os destinos de Colbert e Alana. Ele, um aventureiro que faz o que tem vontade sempre que quer, debate-se entre a responsabilidade, a honra e uma irresistível paixão que o acerca em segredo. Ela, valente e um pouco ingênua, está passando por um mau momento. A recente morte de seu cunhado, o professor Jhon Wakefield, deixou sua família desamparada e só seu humilde trabalho em uma taberna lhes permite sair adiante, embora de maneira precária... Uma noite os Wakefield recebem a visita de um bonito benfeitor: Colbert, mais conhecido por Lorde Iron, pelo qual se sente imediatamente atraída. Entretanto, as circunstâncias e uma série de acontecimentos porão à prova a força de seus sentimentos e ameaçarão arruinar seu futuro e sua felicidade.

Capítulo Um

Alana Sanders escutou o pároco com atenção. Nunca tinha sido uma crente devota, entretanto, jamais tinha perdido alguém a quem amasse como Jhon Wakefield. Para ela, seu cunhado era mais que isso, mais que um pai ou um amigo, mais que um irmão.
Não estava apaixonada por ele, claro. Jhon era o marido de sua irmã e ela jamais se teria fixado em Jhon dessa maneira, mas seu afeto ia mais à frente. Jhon tinha sido… seu salvador.
― Sente-se com força para falar com o reverendo ou me deixa fazê-lo, Alana? ― Perguntou-lhe o sargento Nicolas Breint lhe roçando apenas a manga com sua mão grande. Ela olhou para Nicolas com um sorriso triste. O senhor Breint era vizinho deles e desde o momento que se inteirou que Jhon havia falecido, ofereceu-se a ajudar a família em tudo o que pudesse.
― Muita vontade não tenho, mas devo fazê-lo. Minha irmã agora não está em condições de aguentar as rabugices do padre Miller, e não posso deixar que você se responsabilize também disto.
― Não me importa fazê-lo. Alana negou. Respirou fundo. ― Quanto mais cedo acabar com isto, melhor. ― Só quero que tanto Hellen como você saibam que podem contar comigo para o que for.
― Sei. ― Olhou-o com gratidão e voltou a centrar-se no funeral. A multidão se congregava em torno do pároco e da família do defunto.
Os gêmeos se sentaram em umas cadeiras dobradiças e observavam atentamente a cena que se desenvolvia ante eles. Estavam aborrecidos e cansados de estar ali, sobretudo fartos de serem o centro das atenções e que todas as pessoas os olhassem. Alana se encontrava junto a Hellen, segurando a pose ante um caixão escuro e brilhante.
Hellen levava o olhar oculto sob o véu de renda; Alana, em troca, tinha eleito um pequeno chapéu de pele escuro com uma gaze muito curta e, ao contrário de sua irmã, e apesar de sofrer a dor pela perda de Jhon, olhava os assistentes reconhecendo entre eles muitas das amizades da família. As irmãs Dobson, lady Judith, o casal Matthews, as empregadas da casa, que também tinham acudido e ficaram um pouco retiradas junto ao Richard, o cocheiro, sua eterna rival Claudia Baxter…

10 de novembro de 2018

O Amuleto de Meu Destino

Intriga, magia, feitiçaria, uma estranha maldição, perigos... e Amor. 

Ruth é uma mulher moderna, com uma vida aparentemente perfeita e, um casamento feliz? Sem esperar, ela tem um encontro com uma feiticeira, mas a realidade que ela descobrirá lhe destroçará o coração, porque nem tudo é o que parece. 
Aquela atípica mulher lhe presenteará com um amuleto mágico e a possibilidade de mudar seu destino, sem mencionar o quão radical a mudança pode chegar a ser.  Um desejo e uma viagem no tempo levarão Ruth ao ano de 1831, estranhas maldições e numerosos perigos farão parte dos acontecimentos com os quais Ruth deverá se confrontar em sua nova vida. Porém ela não estará sozinha. Lorde Werwich, um convicto mulherengo, relutante ao compromisso, a protegerá e cuidará dela, mesmo temendo aquilo que ela possa fazê-lo sentir. Poderá Ruth sobreviver naquela nova realidade? Ela se renderá diante daquele enigmático homem? Ela preferirá regressar a sua almejada vida anterior? Somente seu coração poderá decidir. E você, o que faria se tivesse a oportunidade de mudar seu destino? 

Capítulo Um

Londres, ano 1831…
Os primeiros raios de sol entraram pela enorme janela do aposento onde Ruth dormia, tirando-a do sonho espantoso que tivera naquela noite. A traição de seu marido voltou a estar presente em seu pesadelo, algo que não a deixara descansar tanto quanto necessitava. 
Quando despertou, inquietou-se ao não saber onde se encontrava, arregalou os olhos e precisou se beliscar, para comprovar que não era um sonho aquilo que estava vivendo. Não reconhecia aquele aposento onde amanhecera, era o dobro de tamanho do quarto de casal de sua casa. Sua cama de ferro fora substituída por uma de madeira de carvalho, com dossel, da qual caíam finas cortinas de cor vermelha com estampa bege. 
Dirigiu seu olhar à enorme janela que dava a um amplo balcão, ocupando a maior parte da parede direita e que estava adornada com cortinas semelhantes às que estavam penduradas no dossel da cama. Sua televisão de plasma desaparecera e em seu lugar, um grande armário do mesmo tipo de madeira da cama com várias portas e gavetas, ocupava toda a parede central. 
Na parte esquerda do quarto, havia uma penteadeira com alguns frascos de perfume e um pente de prata. Uma cadeira estofada do mesmo tecido bege da colcha da cama, completava o perfeito conjunto de móveis. Na parede havia um grande espelho colocado para que qualquer um que se olhasse, pudesse ver-se dos pés a cabeça e no extremo do aposento, havia uma bacia para o asseio. 
Ela não fazia ideia de onde estava, mas o que mais a preocupava não era isso: era como chegara até ali? Levantou-se da enorme cama e procurou, desesperadamente, seu telefone móvel por todo aposento. Precisava chamar alguém que pudesse lhe explicar onde estava, precisava pedir ajuda. 
Entretanto, não havia nem rastro de seu iPhone 5. Golpes na porta a fizeram retornar rapidamente à cama. Estava assustada por desconhecer a pessoa que batia à porta e tentou refugiar-se entre os lençóis. O medo de um possível sequestro se apoderou de todo seu corpo. 

Amando um Highlander

 Série Noivas das Highlands
Lady Murine Carmichael tinha tido sua parcela de azar.

Mas quando seu meio-irmão endividado, Lord Danvries, tentou vendê-la em troca de alguns cavalos escoceses tinha sido a gota d'água. 
Se manter sua liberdade significava escapar sozinha, através de uma paisagem agreste, que fosse. Ela mal começara sua jornada quando desabou numa improvável escolta — o forte Highlander que se recusou a comprar sua virtude.
Dougall Buchanan ficou desgostoso com a oferta vergonhosa de Lord Danvries, mas Murine o tenta além dos limites. Mesmo enlameada e empoeirada a moça brilha, com beleza e bravura. Dougall quer fazer mais do que apenas ajudá-la a fugir. Ele quer protegê-la — com sua vida e seu coração — se ela apenas o permitisse. Porque Murine pode estar sendo perseguida por um poderoso inimigo, mas nada se compara à coragem ardente de um Highlander apaixonado.

Capítulo Um

— Eles estão aqui!
Murine levantou os olhos bruscamente da mensagem que estava escrevendo, quando sua criada entrou no quarto. Ela esperou até que Beth fechasse a porta, antes de perguntar: — Você descobriu quem são?
— Não. — A morena parecia irritada. — Nenhuma das criadas, nem as moças da cozinha parecem saber, ou se sabem, elas não estão me dizendo.
— Oh, — Murine disse com desapontamento, então balançou a cabeça e voltou seu olhar para a mensagem que estava escrevendo. Apertando a boca, ela assinou seu nome no final. — Não importa. Eles são escoceses. Certamente a viagem para casa os levará além dos Buchanans ou dos Drummonds e eles vão entregar isso para mim. Mordendo o lábio, ela começou a agitar o pergaminho para secá-lo e acrescentou: — Eu tenho algumas moedas que posso dar-lhes, pelo trabalho.
— A maioria gosta de embolsar as moedas, dizer que vão entregar e jogam fora assim que deixam Danvries, — disse Beth, infeliz. Eu não sei porque você simplesmente não envia um homem de seu irmão com a mensagem.
— Mandei três dessa forma e não obtive resposta, — Murine lembrou-a sombriamente. Boca apertada com desagrado, ela admitiu: — Eu começo a suspeitar que Montrose não está enviando nenhuma.
— Mas por que ele faria isso?
— É difícil saber, com meu irmão, — murmurou Murine, infeliz. — Ele é um... homem difícil.
Beth bufou. — Ele é um patife egoísta e ganancioso, determinado a apostar a vida dele e a sua junto. Mas não vejo razão para ele não enviar suas mensagens para seus amigos.
— Nem eu, — admitiu Murine, infeliz. — Mas se ele enviou, então... Ela mordeu o lábio, não querendo dar voz ao seu maior medo. Se Montrose tivesse enviado suas mensagens, então Saidh, Jo e Edith simplesmente não estavam se incomodando em responder.
Esse pensamento era perturbador e a fez se preocupar que ela tivesse dito ou feito algo, quando elas estavam juntas, para aborrecer todas elas. Murine havia atormentado seu cérebro tentando descobrir o que poderia ser isso, mas não conseguia pensar em nada. Ela então mudou para se perguntar se talvez seu irmão não estava enviando-as, como ele assegurou que iria. Ela não podia imaginar por que, mas na verdade estava começando a esperar que fosse o caso. Certamente isso era preferível de pensar, do que suas três melhores amigas lhe terem dado as costas, por algum motivo.
— Deve estar seco o suficiente agora, — ela murmurou e rapidamente enrolou, em seguida selou o pergaminho.
— Como você vai levá-lo aos escoceses sem seu irmão ver? — Beth perguntou, preocupada, enquanto se levantava.
— Eu ouvi Montrose ordenando a Cook para ter certeza de que teria muita comida e bebida disponíveis, quando os escoceses chegassem — Murine explicou, enquanto deslizava o pergaminho na manga e verificava se ele estava escondido e não estava sendo esmagado...
— Vou passar a mensagem para um dos homens quando Montrose estiver distraído com a comida.
— Seu irmão está oferecendo comida e bebida para alguém? — perguntou Beth, secamente. — Eu nunca pensei ver isso. O bastardo é tão mesquinho que eu pensaria que ele engasgaria com a oferta.
— Espero que ele queira enchê-los com cerveja ou uísque para torná-los mais receptivos a aceitar crédito, em vez de exigir pagamento pelos cavalos que ele quiser, — Murine disse, satisfeita de que o pergaminho estaria bem em sua manga.
— Sim, bem, Deus sabe que ele não tem o dinheiro para realmente comprá-los. Ele já jogou fora todo o seu dinheiro e o seu dote, — Beth disse amargamente.
— Sim, — concordou Murine, de maneira cansada. Não era um assunto que ela queria considerar. Ela ficou horrorizada quando tinha sabido dessa notícia. Ela pensou que sua situação era terrível o suficiente quando ela tinha um dote, mas não era comprometida, mas sem dote, seria impossível encontrar alguém disposto a casar com ela. Agora, parecia que ela iria viver seus dias aqui em Danvries, como uma solteirona, dependente de seu irmão egoísta, e isso seria apenas se ele não se cansasse de sua presença e a mandasse para a Abadia, para se tornar uma freira.
Afastando aquele pensamento deprimente de sua mente, ela escovou as rugas de seu vestido, endireitou os ombros e se dirigiu para a porta. — Venha. Nós nos sentaremos junto ao fogo no grande salão até que eles entrem. Então, quando a comida chegar, usaremos isso como uma desculpa para nos juntarmos à mesa e passar minha mensagem para um dos homens.
— Tinham me dito que seus animais eram superiores e eles certamente são.
Dougall esperou pacientemente quando Montrose Danvries passou a mão pelo lado da égua e depois a circulou, examinando cada centímetro dela.
Em seguida, lord Danvries foi até o garanhão e deu a mesma atenção, examinando seu garrote e as pernas, os lados e a cabeça, da mesma maneira minuciosa. Sua expressão era uma combinação de admiração e apreciação quando ele parou na cabeça da besta. Esfregando uma das mãos no nariz do garanhão, ele murmurou: — Exatamente o que eu estava querendo.
— Se eles atenderam suas expectativas, talvez devêssemos discutir o pagamento, — sugeriu Dougall.
Danvries endureceu, várias expressões cintilando em seu rosto. Acomodando-se em um sorriso largo e falso, o homem virou-se para a fortaleza. — Venha. Vamos entrar para as bebidas.
— Eu disse a você, — Conran murmurou, caminhando ao lado de Dougall. — O bastardo não tem o dinheiro. Ele perdeu tudo na última aposta com seu rei.
Dougall suspirou com as palavras de seu irmão, reconhecendo a satisfação, em meio à irritação, no tom do homem mais jovem. Conran sempre gostou de dizer eu disse a você.
— Venham comigo, senhores, — disse Danvries, sem olhar para trás. — Há muito a discutir.
— Apertando a boca, Dougall olhou para o homem recuando. Danvries deveria ter lhe atirado um saco de moedas e lhe mostrado o caminho. O único momento em que o comprador queria “discutir” assuntos era quando ele não tinha o dinheiro ou queria reduzir o preço. Dougall não era alguém para negociar.
Apesar de saber que era uma grande perda de tempo, porém, ele afastou os murmúrios do irmão e seguiu o inglês para fora do estábulo e em direção ao castelo. 
Ele não precisou olhar em volta para saber que Conran, Geordie e Alick o estavam seguindo. Foi uma longa jornada até aqui e todos estavam com sede. O mínimo que Danvries podia fazer era vê-los alimentados e hidratados, antes de pegarem suas bestas e irem para a Escócia. 
— Ele tentará enganá-lo, — advertiu Conran, nos calcanhares de Dougall. Malditos bastardos ingleses. A maioria deles venderia a mãe por uma moeda. 
— Não, — seu irmão mais novo, Geordie, se colocou atrás deles. — São as filhas que eles vendem. As mulheres velhas não valeriam uma moeda. Elas são amargas demais, por anos vivendo com os bastardos ingleses, para valer qualquer coisa. As filhas, no entanto, geralmente são doces e bonitas e ainda não estão amargas. Retire-as suficientemente jovens e elas são quase tão boas quanto uma moça escocesa. Quase, — ele repetiu, enfatizando a palavra.
— Lord Danvries não tem mãe nem filha, então eu tenho certeza que isso não é uma preocupação, — Dougall murmurou impaciente.
— Ele tem uma irmã, entretanto, — Conran assinalou. Quando Dougall olhou para ele com surpresa, ele assentiu. — Uma velha solteirona deixada para definhar e morrer, graças a Lorde Danvries ter apostado seu dote.
— Ele apostou seu dote? — Geordie perguntou, surpreso quando Dougall não comentou.
— Isso é permitido?

 






Bodas de Odio

Com sua beleza ruiva, sua teimosia e seu espírito impulsivo, a jovem Fiona de Malone faz honra a sua origem irlandesa.

Nega-se a seguir os costumes portenhos da época, pois está decidida a casar-se por amor. Por isso se desespera quando seu pai impõe seu matrimônio com Dom Juan Cruz de Silva, protegido do tirano Juan Manuel de Rosas. De Silva, apelidado de “o Diabo”, tem um escuro passado e deve a sua prosperidade a sua inteligência, coragem e frieza, como também ao afeto que Rosas têm por ele. Para consolidar sua posição deve casar-se com uma jovem de boa família, e a beleza de Fiona o conquistou. Entretanto, o matrimônio começará marcado pelo ódio. Juan Cruz e Fiona só serão felizes se souberem ceder à imensa força do desejo e do amor.

Capítulo Um

Mariquita Sánchez de Trompson A noite de 9 de julho de 1847, Buenos Aires. 
Fiona de Malone suspirou cansada e sentou-se meio entorpecida na poltrona. Dali observava a sala principal da mansão, lotada de gente. Fizera uma pausa no baile. Os homens, reunidos em pequenos grupos, conversavam de política. As jovenzinhas, excitadas, consultavam suas cadernetas e anotavam os nomes dos cavalheiros que tinham pedido esta ou outra peça. Em um canto, a orquestra afinava os instrumentos, enquanto seu maestro, o professor Favero, recebia instruções da anfitriã, Misia Mercedes de Sáenz.
As mulatas iam e vinham com mate nas mãos, bandejas com manjares e garrafas de vinho. Tudo parecia ocorrer como foi pedido, os convidados pareciam satisfeitos e a proprietária da casa resplandecia pelo êxito de sua reunião social no Dia da Independência. Fiona voltou a suspirar, pensando em sua cama, quentinha e cômoda, em um bom livro, ou no copo de leite quente que sua criada preparava a cada noite. Mas não! Aí estava, rígida, de espartilho até os seios, os pés gelados, e com muito desejo de voltar para sua casa. Sentia-se cansada; nada parecia atraí-la, sempre era o mesmo.
Definitivamente, odiava as festas; em realidade, para ela não eram mais que uma feira de luxo, aonde o gado se substituía por mulheres desesperadas para encontrarem um marido. Uma solteirona: antes, fossem ao convento. Perguntou-se, então, por que permanecia nessa tertúlia, em uma gelada noite de inverno, entre pessoas tediosas e espalhafatosas.
Pensou por instantes e recordou as palavras de sua avó Brigid essa tarde.
— Deve ir, Fiona — lhe ordenou a anciã. — Se se negar a participar de todas as festas que lhe convidam, nunca conseguirá um bom partido para se casar, — predisse sua tia Ana, colocando um pente ornamentado de prender cabelo na sua cabeça que ela, a sua vez, tirou-o rapidamente.
— What are you doing, girl? Não percebe o trabalho que dá colocá-lo em um cabelo tão liso como o seu? — recriminou-lhe a tia. — Não irei com pente de prender cabelo. Os odeio. Além disso, não quero conseguir um bom partido para me casar, quero me apaixonar.
A jovenzinha, desafiante, observava alternadamente para sua tia e sua avó. — Good heavens! Essas baboseiras românticas que lhe colocaram na cabeça, Fiona, são ridículas; terminarão por me enlouquecer. A anciã se deixou cair em uma poltrona.
As ideias irreverentes de sua neta conseguiam tirá-la do controle.
— Por que são ridículas, Grannie? Acaso você não se casou apaixonada pelo Grandpa?
— Menina! Que perguntas você faz? — exclamou sua tia.
— Grannie... — disse Fiona, insistindo para que sua avó respondesse.
— Bom... não...

3 de novembro de 2018

Satisfaça-me

A juventude e a beleza são os tesouros mais apreciados que uma cortesã pode possuir, contudo nos seus quarenta e um anos, lady Ruth Attwood parece ter perdido ambos. 

Enquanto tenta aceitar o fato de que já não a consideram uma mulher desejável, não sabe se sente-se ofendida ou adulada quando o barão Garrick Stratfield, um homem doze anos mais jovem que ela, lhe faz uma incomum oferta que não pode recusar.
Apesar de ter fama de ser muito apaixonado, Garrick nunca esteve com uma mulher por medo do rechaço que seu defeito físico lhe pudesse provocar. Para manter as aparências, só necessita de uma amante disposta a não compartilhar de seu leito.
Mas Garrick não contava que Ruth conseguiria fazer estragos nos seus sentidos e que só necessitaria de um delicioso beijo para despertar sua paixão.

Capítulo Um

Londres, 1897
— Estou certo de que compreende minha querida. A senhorita Fitzgerald e eu, sentimos um afeto mútuo que supera o que você e eu compartilhamos neste último ano. Assombra-me que tenha aceitado minha proposta, visto que é muito mais jovem que eu.
Ruth, em pé perante da janela e de costas para Marston, estremeceu. O que queria dizer na realidade, era que Ernestina Fitzgerald era mais jovem que ela. O tom de seu amante soava bastante autossuficiente para saber que o bastardo estava divertindo-se. Passara por essa mesma situação, muitas vezes, ao longo dos últimos vinte anos, mas nessa ocasião, era pior. Era a segunda vez em menos de dois anos, que um amante deixava-a por outra mulher mais jovem. E aos quarenta e um anos, ela era velha, não? Tremiam-lhe as mãos apesar de que apertava-as, com força. Respirou fundo, obrigou-se a esboçar um sorriso e voltou-se para ele.
— É claro que o compreendo, Freddie. — Ruth usou o apelido de propósito, o que lhe rendeu um olhar furioso de seu amante. Sabia quanto odiava que chamassem-no, assim. — Estou certa de que formarão um casal muito bom. Pelo que tenho entendido, o talento da senhorita Fitzgerald como hábil conversadora equipara-se ao teu.
Marston lançou lhe um olhar receoso, mas Ruth sabia que ele nunca compreenderia o duplo sentido. Esse homem não era, absolutamente, tão inteligente quanto gostava de acreditar. De fato, era um irremediável inepto no que se refere a manter uma conversação coerente sobre qualquer assunto que não fosse a caça ou a pesca. De repente, odiou-se a si mesma por ter sequer aceite manter uma relação com ele. Sabia porque o fizera. Entretanto, não quisera reconhecer até esse momento. Tivera medo. Medo de que estivesse acabando o seu tempo. E agora, acabara.
— Naturalmente, me encarregarei de que seja paga sua atribuição deste mês.
— Naturalmente — replicou ela com frieza. Não estava disposta a deixar que ele visse que essa ruptura a afetava. Não era tão inesperada quanto humilhante. — E Crawley Hall?
— Lamento Ruth, mas me parece um presente de despedida muito extravagante, não acredita?
— Prefiro considerar o cumprimento de uma promessa que fez vários meses atrás.
Olhou-o com os olhos entreabertos. Necessitava aquela propriedade.O orfanato de Aston Street estava transbordando, e para os meninos mais doentios faria bem o ar puro do campo.
— Prometi? Não recordo ter feito semelhante coisa.
— Então, possivelmente deveria fazer que Wycombe refresque-lhe a memória, já que ele estava presente quando aceitou comprar o imóvel para mim.
— Estou certo de que Wycombe não recordará desse fato — replicou Marston, com algo mais que um leve rastro de presunçosa arrogância. — Por outro lado, você já tem uma propriedade no campo. Não vejo nenhum motivo para que possa necessitar de outra. Se estiver preocupada com dinheiro, sempre poderá vender as joias que lhe dei de presente.
“Porco dissimulado.” Esse bastardo sabia porque queria Crawley Hall. Também, sabia muito bem, que a casa que possuía junto ao Bath era muito pequena para satisfazer suas necessidades. E as joias com que a presenteara, somente obteria o suficiente para um primeiro pagamento por Crawley Hall. Necessitaria muito mais que isso para comprar aquela propriedade. Embora, no momento desfrutasse de uma segurança econômica, teria que ser cuidadosa com o dinheiro, já que seu futuro distanciava-se muito de ser brilhante no referente a conseguir um novo protetor. Dirigiu-lhe um sorriso desdenhoso.
— As joias que me deu de presente? Freddie, querido, essas bagatelas dificilmente se venderão por uma considerável soma. Não obstante, se negar a manter sua promessa com respeito à Crawley Hall, quem sou eu para questionar sua honra? — Ruth vislumbrou o enfurecido obscurecimento de seu rosto quando deu-lhe as costas, encolhendo os ombros presunçosamente.
— Já que não temos nada mais que nos dizer, acredito que é o momento de que te vá.



26 de outubro de 2018

Rebelde

Série Guerreiros MacKinnon
Acusados de um crime que não cometeram, os irmãos MacKinnon enfrentam uma sentença de morte a menos que aceitem servir a Coroa Britânica e lutar contra os franceses.

Aliados com as tribos indígenas que vivem no deserto, os guerreiros das Highlands escocesas compõem uma nova classe de soldados, Os Rangers MacKinnon.
O major Connor MacKinnon despreza o seu comandante, lorde William Wentworth, mais que a qualquer homem. Porém, quando Wentworth pede que vá resgatar sua sobrinha dos índios Shawnee, que a tomaram como prisioneira, Connor aceita, embora espere encontrar em lady Sarah Woodville um ser tão despresível quanto seu tio. Para sua surpresa, encontra uma garota valente e bonita, mas em perigo e desesperada. No entanto, a única maneira de libertar Sarah é Connor derrotando o guerreiro Shawnee que a sequestrou e a reclamando como sua esposa.
Devastada pela tragédia que assolou sua vida protegida em Londres, lady Sarah não está preparada para a dureza das colônias fronteiriças, nem para a atração que sente por Connor. Contudo, quando chegam a civilização, é ela quem deve protegê-lo. Se seu tio descobrir o que Connor teve que fazer para salvá-la, o matará. Mas, as chamas da paixão, uma vez acesas são difíceis de apagar. Quando o desejo se transforma em amor, Connor terá que desafiar todo um império para manter Sarah ao seu lado.

Capítulo Um

20 de março de 1760, a noroeste de Albany
Lady Sarah Woodville lutava para manter-se ao lado do seu captor, os pulmões doendo pela respiração e uma pontada, parecida a uma afiada adaga, nas costas. Implacável, ele puxou-a para frente, ajustando o cordão de couro que segurava seus pulsos. Os dedos dos pés estavam rígidos pelo frio e suas coxas ardiam pela estrada íngreme colina acima. Cada passo era uma agonia, com os pés cheios de bolhas e os calcanhares em carne viva pelo couro molhado de seus novos sapatos. E, no entanto, não se atrevia a pedir que a soltasse, nem sequer que fossem mais devagar.
Sabia que ele a mataria.
Ela estava navegando com a Sra. Price, sua acompanhante e Jane, a nova criada da senhora em Nova York, pelo rio Hudson em direção a Albany, onde tinha planejado implorar ao seu tio William que a ajudasse, quando o capitão tinha se encontrado com icebergs de gelo bloqueando o rio. Tentou abrir caminho, mas terminou com o navio encalhado em um banco de areia ao lado da colina ocidental. Desfazendo-se em desculpas por seu erro de julgamento, enviou imediatamente alguém em busca de ajuda, assegurando a Sarah que Albany não estava longe, rio acima.
Mas o estômago da Sra. Price não conseguiu tolerar o balanço do navio encalhado. Para ajudar a aliviar seu mal de mar, o capitão, Sarah e Jane haviam desembarcado, junto com outros passageiros que ficaram enjoados.
Mas, assim que puseram os pés na colina, ouviram um tiro de mosquete e o capitão caiu morto.
Então, os mais terríveis gritos que poderiam ser concebidos saíram da floresta, seguidos por homens pintados, segurando mosquetes, facas e machados. E, em questão de momentos, todos os que haviam deixado o navio, além de Sarah, Jane e um jovem, haviam sido mortos, seus cabelos ensanguentados pendurados nos cintos de contas.
Tio William enviaria soldados. Ele poderia até enviar seus Rangers.
Sarah tinha contado oito atacantes, mas só podia ver a três agora, seu captor e os dois que carregavam Jane e o menino. Só em raras ocasiões, os índios olhavam para os seus prisioneiros e nunca com preocupação, seus rostos terríveis à vista, pintados em tons de vermelho e preto, com a cabeça raspada, exceto uma só mecha de cabelo sobre o couro cabeludo como uma crista, seus corpos estavam cobertos de peles curtidas e pintadas.
E pensar que ontem ela havia dito a Jane que esperava ver um índio.
Por quanto tempo caminharam? Sarah não podia dizer. A dor em seus pés tornou-se insuportável e ainda assim não teve escolha senão suportá-la. Os índios seguiram um caminho através de pinheiros altos, evitando a neve sempre que podiam, com o solo inclinado para cima e a floresta escura em torno deles. E, de repente, na distância, Sara ouviu o som dos tambores militares.
Soldados!
Os índios também ouviram. Pararam, falaram um com o outro com palavras silenciosas que Sarah não conseguiu entender. Jane inclinou-se contra uma árvore, tentando recuperar o fôlego e seus espessos cabelos vermelhos, depois que caíram dos grampos, ficaram pendurados nas costas numa trança longa. O menino olhou para Sarah, com medo em seus olhos verdes, seu rosto polvilhado com sardas. Vestido de entrecasaca, tinha aspecto de morar na fronteira. Quantos anos ele teria? Nove? Dez? Sua família estava entre os mortos?
Pobre criança!
A mente de Sarah derivou até os pensamentos de sua própria família. O que eles fariam quando descobrissem que havia sido levada pelos índios? Será que os pais se arrependeriam de mandá-la para longe? Ou seria sua culpa ter deixado à segurança de Nova York? Se ela tivesse sido a filha que sua mãe queria que ela fosse e não tão envolvida em sua música, não haveria nenhum escândalo e ela estaria segura em sua casa em Londres, longe desse lugar selvagem e terrível.
O menino se aproximou dela, como se estivesse buscando o conforto de uma mãe.
Não pense apenas em si mesma, Sarah, que vergonha! Você tem dezoito anos e ele é apenas uma criança.
Ela sorriu e ofereceu encorajamento silencioso. Então seus captores voltaram e olharam para eles como se estivessem cientes deles pela primeira vez. Aquele que segurava sua corda estendeu a mão, pegou uma mecha de seus cabelos entre os dedos e esfregou, seus olhos escuros cravados nos dela. Ela sentiu seu coração encolher sob seu olhar frio, mas se forçou a sustentar seu olhar, recusando-se a deixá-lo ver o quanto a assustava.
Nunca revele seu verdadeiro eu aos que não te amam de verdade.
As palavras de lady Margaret vieram até ela, um eco longe no tempo.
Então, novamente, ouviu o toque do tambor. Tão abruptamente quanto pararam, os índios começaram a se mover de novo, arrastando Sarah e os outros mais rápido desta vez, primeiro colina acima, depois para baixo, até que a dor nos pés de Sarah fosse tão insuportável que ela teve que lutar para não gritar, com lágrimas nos olhos. Então, finalmente, os índios pararam, deixando-os descansar perto de um córrego congelado na base da colina, inclusive libertando-os de suas amarras, como se soubessem que seus prisioneiros estavam muito exaustos para escapar.
Um dos índios entregou a Sarah um odre de água e fez um gesto para que bebesse. Assim o fez e com gratidão. Mas quando quis dar o odre a Jane, o arrancou de suas mãos.
Seu captor ajoelhou-se diante dela, com um par de mocassins nas mãos e olhou atordoada, como ele descartava os sapatos e as meias rasgadas e lavava suas bolhas com a água do odre e depois deslizava os mocassins macios e quentes em seus pés. Mostrando em seu rosto uma máscara fria de indiferença, se levantou e se afastou para falar com os outros. E por um momento, Sarah ficou sozinha com Jane e o menino. Ela encontrou o olhar do menino.
—Você é um jovem muito corajoso, como se chama?
—Thomas Wilkins, senhorita. —Thomas deu um sorriso triste, seu olhar caindo para seus mocassins. —Acredito que vai te manter com vida, pelo menos.
Suas palavras a surpreenderam.
—O que você quer dizer?
—Eles lhe deram água e mocassins, mas não a nós. —Seu olhar caiu a seus pés de novo. —Eles pensam que nossos soldados não poderão te seguir se você tiver mocassins em seus pés.
—Mas e você, Thomas e minha doce Jane?
Não muito mais velha do que ela, Jane tinha sido uma fiel companheira de Sarah desde que tinha sido enviada a Nova York para ficar com o governador DeLancey. Jane não enrugou o nariz para Sarah como as outras, pelo contrário, ela mostrou simpatia e compreensão, apesar do escândalo. Desde a morte de Lady Margaret, que tinha sido a única amiga de Sarah.
Ela deu a Sarah um sorriso trêmulo.
—Você deve continuar, eu acho, minha senhora, mas tenho medo de que nós dois ficaremos neste lugar solitário.
Um arrepio que não tinha nada a ver com o frio deslizou pelas costas de Sarah.
—Não! Não diga tal coisa!

20 de outubro de 2018

Tudo que Eu Quero

Série Duques da Guerra
Ele ensinou-a a confiar. Ele ensinou-a a amar. 

E então ele a deixou sem uma palavra. Hoje à noite ele está de volta. 
Se por um momento ou para sempre, dependerá da virada de uma carta. Vinte e um para ganhar - ou perder tudo. 
O futuro deles dependerá de jogar a carta certa ... 



Capítulo Um 

Outro sarau elegante, outra proposta rastejante de um pretendente faminto de dinheiro com idade suficiente para ser o pai de Matilda. Apesar de seus sapatos de salto alto, Lady Matilda Kingsley correu para o salão de jogos. 
Ela não queria nada mais do que correr para casa e esquecer seus problemas no conforto de um bom livro. Mas para chegar lá, ela precisava do primo Egbert. Ele tinha sido seu acompanhante durante a maior parte de sua vida. 
Ele era um perdulário para todos os seus. Era um elemento fixo em todas as mesas de apostas e jogos de azar em toda a cidade. O pior de tudo, ele tinha a sorte do diabo. Ele não deixava uma mesa até que a moeda de todos os outros tilintasse dentro de seus bolsos, o que às vezes ia muito além do amanhecer. 
Os passos de Matilda diminuíram. Aquele era o primo Egbert, envolto em fumaça de charuto e roupa enrugada, com um pé dentro do salão de jogos e um pé fora? Ele estava gesticulando para ela? Ela parou de andar. 
Normalmente, ela que era encontrada pairando em uma porta, tentando em vão sinalizar a ele que estava pronta para sair, sem deixar os dedos dos pés atravessarem o limiar fino da infame sala de jogos. Fazer isso seria cortejar o escândalo. E, no entanto, ele estava ali, acenando-lhe para se juntar a ele. 
Algo estava muito estranho. Seu pescoço formigou. Todos os seus sentidos ficaram em alerta máximo. Ela arriscou apenas na medida do batente da porta, e pôs a mão no braço de seu primo. 
─ Eu quero ir para casa, ─ ela murmurou. ─ Por favor, primo. Foi uma noite longa. O arranjo tácito deles era que se conseguisse chamar sua atenção, ele seria obrigado a levá-la de volta à casa. Mas desta vez ele sacudiu a cabeça. Seus olhos estavam frios e duros, seu sorriso fácil distorcido e mesquinho. 
Seu estômago se contorceu. Ela não tinha visto essa expressão em seu rosto em anos, mas ela sabia muito bem o que significava: não haveria como falar com ele sobre qualquer problema que estivesse criando. E ele pretendia envolvê-la no meio disso. 
─ Por favor, ─ ela repetiu, embora soubesse que era inútil. Seus olhos estavam muito vidrados. Mas ela tinha que tentar. ─ A música acabou. Não podemos ir para casa? 
─ É claro, ─ disse ele, mas seu sorriso severo só aumentou. ─ Eu estou terminando um jogo de azar. Se você jogar minha última mão, podemos estar a caminho. Seu batimento cardíaco falhou, então acelerou a novas alturas. O que ele queria dizer? Se cruzar o limiar era escandaloso, jogar seria sua ruína. Só podia ser um truque. Mas por quê? E de quem? 
─ Você ... deseja que eu aposte? ─ Sua garganta estava seca demais para engolir corretamente. Ele sorriu. ─ Basta jogar uma mão. Então eu vou te levar para casa. Eu prometo. ─ Ele agarrou-a pelo pulso e puxou-a para a sala iluminada por velas. 
Seus músculos se trancaram. Ela não deveria estar em qualquer lugar perto desta sala. Ou desses homens. Tudo que Eu quero – Erica Ridley Fumaça subia dos dedos e bocas de todos os cavalheiros presentes, tornando o ar espesso e doce demais da fumaça de seus charutos. 
Um bando de dândis cercava o que ela assumiu ser uma mesa de jogo. Duas dúzias de espectadores embriagados em linho extrafino e calças de camurça a rodeava. Eles se separaram para deixá-la passar. 
A mesa era pequena, redonda e vazia, salvo por um pedaço de papel dobrado e um conjunto de cartas de jogar empilhadas de um lado. Um soldado estava sentado em uma das duas cadeiras de madeira, de costas para Matilda. Seus ombros largos e músculos definidos preenchiam seu casaco vermelho imaculado. Dragonas douradas e as estrelas correspondentes marcavam-no como um oficial. 
Ela voltou seu olhar em direção a seu primo. Seu sorriso cruel gravou mais fundo em seu rosto, quando ele a puxou à vista do rosto do soldado. Owen Turner. 
A agitação em seu estômago borbulhava em náusea. 
Ela estendeu a mão para firmar-se. Alguém empurrou-a para a cadeira vazia. Ela tentou não olhar, não encarar, mas seus olhos tinham fome de um mero vislumbre dele por muito, muito tempo ... Ele era lindo. O primeiro amigo que ela já fez. O único garoto que ela sempre amou. 





Esposa Acidental do Duque

Série Duques da Guerra
A senhorita Katherine Ross é uma socialite rica e excêntrica que sabe exatamente o que quer: nem marido, nem filhos, nem luz de velas ou tête-à-tête com o insuportavelmente sem emoção Duque de Ravenwood. 

Ela está convencida de que seu coração é de gelo - até que toca no peito esculpido e cinzelado do Duque. Um lapso de julgamento é tudo o que é preciso para transformar a vida de ambos e virá-la de pernas para o ar ...
O Duque de Ravenwood não é frio e arrogante, mas secretamente romântico que sempre sonhou em se casar por amor. Em vez disso, conhece a Srta. Katherine Ross - uma mulher obstinada e decidida que tem a intenção de desvendar seu mundo cuidadosamente ordenado. Ele não sabe se deve beijá-la ou estrangulá-la. Eles podem sobreviver à companhia um do outro o tempo suficiente para transformar um compromisso em amor?

Capítulo Um

Junho 1816 Londres,Inglaterra

Lawrence Pembroke, Duque de Ravenwood, não podia esperar para fugir do palácio de Westminster. Como de costume, a “curta” reunião da Câmara dos Lordes não havia começado até às quatro da tarde, porque a maioria dos lordes presentes não poderia sair de suas camas até pelo menos dar o início da tarde, em seus relógios.
Ravenwood, no entanto, estava acordado desde o amanhecer. 

Ele não gostava nem de beberrões nem de dançar, e não ficou satisfeito com o que se pretendia ser um debate prático e inteligente sobre a necessidade de uma maior estabilização da moeda no pós-guerra, ter se deteriorado, mais uma vez, para a especulação sobre o recente casamento da Princesa Charlotte, e fofocas alegres sobre a aparição de uma senhorita Katherine Ross, sem máscara, numa das festas de máscaras do Duque de Lambley.
Lambley se safava dessa maneira, porque era um duque. Ele não apenas era a razão pela qual o Parlamento não podia começar a trabalhar em uma hora mais razoável, como o maldito homem estava alegremente contando histórias deliciosas das artimanhas da Srta. Ross. Essa senhorita Ross era prima de Lambley, que, aparentemente, encenara sua façanha para atrair outros aristocratas frívolos a participar de uma paixão igualmente frívola.
Ravenwood não estaria presente. Nunca. 

Além de uma antipatia visceral por multidões e bailes, ele desprezava qualquer comportamento que banalizasse seu título ou a sua integridade.
Nem sequer estaria no Palácio de Westminster até um quarto para a meia-noite, se não tivesse as suas responsabilidades como duque e membro do Parlamento, pelas quais tinha o maior respeito. 

Ele, pelo menos, iria defender seu dever para com a Inglaterra, apesar de certos lordes caprichosos desperdiçarem um tempo precioso com fofocas ociosas. E sairia daqui antes da meia-noite, se humanamente possível. Sua irmã implorou para que parasse para jantar depois da reunião, e Ravenwood dera sua palavra.
Ele se pôs de pé.
— Proponho que formemos um Comitê de Cunhagem para investigar opções e propor não apenas um curso de ação, mas também um cronograma para alcançá-lo.
A conversa parou enquanto dezenas de rostos viravam em sua direção.
Ravenwood manteve seu tom imperioso, seu rosto uma máscara em branco, apesar de seu coração acelerado. Não gostava que o encarassem ainda mais do que não gostava de salas lotadas, mas o dever vinha primeiro. A Câmara dos Lordes precisava de uma babá, mas esta noite deveria se contentar com Ravenwood. A experiência lhe ensinara que a maneira mais conveniente de atingir um objetivo, era comprometer a si mesmo.
Muito bem.
— Quem estiver interessado em se juntar ao comitê fiduciário deve chegar duas horas antes da nossa próxima reunião. Até que uma cadeira possa ser formalmente nomeada, eu irei encabeçar o esforço nesse ínterim. — Ele enviou seu olhar frio e imperioso sobre a câmara. — A menos que um de vocês queira se voluntariar para o lugar?
Claro que não. O punhado de lordes com inteligência e convicção suficientes para se juntar a tal comitê, era brilhante o suficiente para não se voluntariar para administrá-lo. Com certeza, os lordes mais tolos e indolentes estariam ainda na cama na hora marcada, dormindo após outra noite de farra.
Que assim fosse.
Assim que a reunião foi encerrada, Ravenwood saiu do Tribunal para o ar frio da noite. Uma vez sentado dentro da sua imponente carruagem de quatro cavalos, permitiu-se um pequeno suspiro de alívio por ter finalmente um momento de paz.
Mais seis semanas. Isso era tudo. O Parlamento se dispersaria em julho e não seria retomado até o mês de novembro seguinte.
Graças a Deus. Ele caiu contra o encosto. Nada esgotava sua energia e seu espírito com tanta eficiência quanto ser forçado a interagir com multidões de pessoas que não podia compreender nem encurralar.
Lady Amélia era a epítome de uma mulher incapaz de ser encurralada, mas pelo menos a compreendia. Ele não só valorizava sua mente afiada e suas formas de gestão, mas também sentia muita falta de sua presença em sua casa, agora que ela era casada com Lord Sheffield.
Ravenwood nem percebeu o quanto sentira falta dela até receber o seu convite para jantar.
Ele sempre manteve uma natureza silenciosa e reservada, mas sem a irmã sempre a colocar o nariz onde não devia, as únicas palavras que lhe diziam em casa nos dias de hoje eram ‘Sim, Sua Graça’ ou ‘Talvez o colete azul, hoje?’




Uma Noiva Tentadora

Trilogia Fitzhugh
Helena Fitzhugh entende perfeitamente bem que seria arruinada se seu caso de amor secreto fosse descoberto. 
Então, quando um encontro corre mal e ela está prestes a ser pega no ato, é com a maior relutância que aceita a ajuda de David Hillsborough, Visconde Hastings, e foge com ele para salvar a sua reputação. Helena desprezou David desde que eram crianças —o famoso libertino a atormentou toda a sua vida. 
David, por outro lado, sempre amou Helena, mas seu orgulho nunca o deixará admitir os segredos de seu coração. Um acidente de carruagem no dia seguinte de sua fuga, no entanto, rouba a memória a Helena. Por fim, David se atreve a revelar seu amor, e ela o acha fascinante e desejável. Mas o que acontecerá quando sua memória retornar e ela perceber que se apaixonou por um homem em que jurou nunca confiar?

Prólogo

Janeiro, 1896
David Hillsborough, Visconde de Hastings, nunca se apaixonou. E ele, com toda certeza, nunca foi rejeitado no amor. Isso porque ele tinha um coração alegre e abençoadamente liberto. Embora ele se dedicasse a si mesmo, espalhava amostras de todo o charme que tinha para oferecer como um solteiro jovem, rico e bonito.
Essa era, de qualquer forma, sua posição oficial.
Ele suspeitava que a maior parte das pessoas próximas a ele soubesse a verdade —possivelmente há muito tempo, de sua especial circunstância de amor não correspondido que durava aproximadamente metade de sua vida. Mas ele encontrava conforto no fato de ela não ter a menor ideia. E, se Deus quisesse, ela nunca ia saber.
Porque ele estaria em um inferno se algum dia ela descobrisse.
Não que ele estivesse muito longe disso no momento, observando a garota dos seus sonhos, Srta. Helena Fitzhugh, admirando outro homem com adoração. Sua irmã mais velha era conhecida por todos como a grande beleza daquele tempo, mas sempre foi Srta. Fitzhugh a mulher de quem ele não conseguia tirar os olhos.
Ele não invejava que ela amasse outro. Afinal de contas, se ele recusava a disputar o concurso, não poderia reclamar de outra pessoa receber o prêmio. Mas ele se importava, bastante, de que o homem para quem ela esbanjava sua atenção não a merecesse.
Anos atrás, Andrew Martin teve a oportunidade de desposa-la, mas sua mãe esperava que ele se casasse com outra pessoa a fim de unir duas propriedades próximas. Sem coragem de desafiar a velha Sra. Martin, ele se casou com outra pessoa.
Mesmo em uma terra de gélidos casamentos formais, o casamento do Sr. Martin se destacava por sua frieza e formalidade. Marido e mulher jantavam em horas diferentes, andavam em diferentes círculos e se comunicavam quase completamente por mensagens escritas.
Nada disso importava. Feliz ou não, um homem casado era um homem casado, e uma moça respeitável deve buscar outro lugar para satisfação.
A Srta. Fitzhugh era uma rebelde. Até agora, entretanto, ela ultrapassou não apenas regras, como recomendações. Quando ela se tornou a única de seus irmãos a escolher uma educação universitária, isso foi visto como uma excentricidade. E quando ela foi atrás de sua pequena herança e usou o dinheiro como capital para uma editora que ela mesma administrava, o risco foi descartado como simplesmente outra peculiaridade na família —afinal de contas, seu irmão, Conde Fitzhugh, administrava o curtume que sua esposa rica tinha herdado.
Mas tolerar uma amizade próxima com um homem casado pressionava os limites de um comportamento aceitável. Ela não precisava cometer nenhum pecado de verdade; parecer inapropriado era o bastante para mancha-la.
A sala de estar na propriedade rural do Lorde Wrenworth foi inundada de risos e bom humor. Sra. Denbigh, a amiga casada de Srta. Fitzhugh que era sua dama de companhia no baile da Casa Wrenworth, estava muito ocupada aborrecendo ela mesma. Hastings esperou por uma pausa na conversa em que ele participava, pediu licença, e atravessou a sala até onde Srta. Fitzhugh e Martin sentavam em um sofá chaise-longue, seus corpos de frente um para o outro, efetivamente bloqueando qualquer um que quisesse participar da conversa.
—Sr. Martin, o que você ainda está fazendo aqui? —Hastings perguntou. —Você não tem seu novo livro para escrever?









Trilogia Fitzhugh

0.5 - Reivindicando a Duquesa
1 - Uma Beleza Sedutora
2 - Uma Mulher para Todas as Estações
2.5 - Uma Dança ao Luar
3 - Uma Noiva Tentadora


Uma Mulher para Todas as Estações

Trilogia Fitzhugh
Millicent entende os termos de seu casamento arranjado muito bem. 

Ela será uma condessa ao se casar com um conde empobrecido. E, em contrapartida, o Conde Fitzhugh recebe o benefício de sua vasta riqueza, poupando sua família da falência. Por causa de sua juventude, eles concordam em esperar oito anos antes de consumar o casamento e, em seguida, apenas gerar um herdeiro. 
Depois disso, vão levar vidas separadas. É um acordo muito sensato. Exceto por um pequeno detalhe. De alguma forma, Millie caiu completamente apaixonada pelo marido. O marido, que se tornou seu melhor amigo, mas nada mais... Seu marido que planeja se reunir com sua namorada de infância, a bela e recém-viúva Isabelle, assim que ele honrar o pacto com a esposa... Na medida em que o momento em que eles realmente devem se tornar marido e mulher se aproxima, tanto Millie quanto Fitzhugh devem enfrentar a verdade em seus corações. 
O pacto realmente criou apenas uma grande amizade, ou talvez, sem que nenhum deles percebesse, deu origem a um grande amor?

Capítulo Um

1888
Foi amor à primeira vista.
Não que houvesse algo de errado com o amor à primeira vista, mas Millicent Graves não havia crescido para cair completamente apaixonada, muito menos de forma intensa e rápida.
Ela era a única filha sobrevivente de um homem bastante próspero que fabricava produtos enlatados e outras conservas comestíveis. Foi decidido, muito antes que ela pudesse compreender tais coisas, que se casaria bem, que através de sua pessoa a fortuna da família se uniria a um antigo e ilustre título. A infância de Millie tinha, portanto consistido de infinitas aulas: música, desenho, caligrafia, dicção, comportamento, e, quando sobrava tempo, línguas modernas. Aos dez anos, ela flutuou com sucesso por um longo lance de escadas com três livros sobre a cabeça. Aos doze anos, ela trocara as horas de entretenimentos por francês, italiano e alemão. E no dia do seu décimo quarto aniversário, Millie, não de todo uma musicista natural, finalmente dominou Douze Grandes Études de Listz, por força de simples esforço e determinação.
Nesse mesmo ano, com o pai chegando à conclusão de que ela nunca seria uma grande beleza, nem mesmo uma beleza de qualquer tipo, começou uma busca desesperada por um noivo aristocrático suficientemente bem nascido para se casar com uma garota cuja riqueza da família derivava das – Deus me livre – sardinhas.
A busca chegou ao fim vinte meses mais tarde. O senhor Graves não estava particularmente entusiasmado com a escolha, como o lorde, que concordou em levar a filha em troca de seu dinheiro, e que possuía um título que não era nem particularmente antigo nem particularmente ilustre. Mas o estigma das sardinhas enlatadas era tal que até mesmo este lorde exigiu até o último centavo do senhor Graves.
E então, depois de meses de discussões, depois de que todos os acordos fossem finalmente elaborados e assinados, o lorde teve a desconsideração de cair morto na idade de trinta e três anos. Ou melhor, o senhor Graves viu em sua morte, uma afronta impensada. Millie, na privacidade do seu quarto, chorou.
Ela havia visto o lorde apenas duas vezes e não ficara muito feliz com sua aparência anêmica nem com seu temperamento melancólico. Mas ele, à sua maneira, tinha pouca escolha, assim como ela. A propriedade viera a ele em estado lastimável. Seus intentos de melhoria fizeram pouca ou nenhuma diferença. E quando ele tentou conseguir uma herdeira com um dote mais glorioso, falhou estrondosamente, provavelmente porque havia sido deveras inexpressivo tanto na aparência quanto no comportamento.
Uma garota mais atrevida poderia ter se rebelado contra tal noivo tão pouco atraente, dezessete anos mais velho que ela. Uma garota mais empreendedora poderia ter convencido os pais a deixá-la tentar suas chances no mercado matrimonial. Millie não era nenhuma dessas garotas.
Ela foi uma criança quieta e séria que compreendeu instintivamente o que se esperava dela. E, embora fosse desejável que pudesse tocar todos os Douze Grandes Études em vez de apenas onze, no final, a sua formação não era sobre música ou idiomas, ou comportamento, mas sobre disciplina, controle e autonegação.
O amor nunca foi levado em consideração. Suas opiniões nunca foram uma consideração. Melhor que permanecesse separada do processo, porque ela era apenas uma engrenagem na grande máquina de Casar Bem.
Naquela noite, porém, ela chorou por esse homem, que, como ela, não teve influência na direção de sua própria vida.
Mas as grandes máquinas de Casar Bem seguiram adiante. Duas semanas depois do funeral do falecido lorde Fitzhugh, os Graves receberam para jantar o seu primo distante, o novo Lorde Fitzhugh. 









Uma Beleza Sedutora

Trilogia Fitzhugh
Quando o Duque de Lexington conhece a misteriosa Baronesa Von Hardenberg-Seidlitz a bordo de um paquete transatlântico, ele fica fascinado. 

Ela é exatamente o que tem procurado — uma linda mulher que o interessa e o seduz. Ele cai duro e rápido — e logo propõe casamento. E depois ela desaparece sem deixar rastro... Na realidade, a “Baronesa” é Venetia Easterbrook — uma jovem viúva que tinha os seus próprios motivos vingativos para incentivar um caso com o Duque. Mas o seu plano correu mal. Venetia apaixonou-se pelo homem que ela desprezava — e não se sabe o que pode acontecer quando ela for finalmente desmascarada...

Prólogo

Aquilo aconteceu em um dia iluminado pelo sol, no verão de 1886.

Até então, Christian de Montfort, o jovem Duque de Lexington, levou uma vida encantada e maravilhosa.
Sua paixão era o mundo natural. Quando era criança, o que o deixava mais feliz era poder ver pássaros hatchling[2] bicar através de suas delicadas cascas de ovos, ou passar horas observando as tartarugas e os peixes que povoavam o riacho da família. Ele mantinha as lagartas em terrários para descobrir os resultados de suas metamorfoses — brilhantes borboletas ou mariposas humildes — ambos os resultados o emocionavam.  Quando o verão chegava, quando ele era levado para a praia, ele mergulhava nas piscinas que o mar criava e compreendia instintivamente que ele estava testemunhando uma luta feroz pela sobrevivência, sem perder o seu senso de admiração pela beleza e complexidade da vida.
Depois que ele aprendeu a andar, ele desaparecia regularmente na paisagem que ficava ao redor da sua imponente casa. Algernon House, a sede de Lexington, ocupava um canto do Distrito Peak. Sobre as faces de suas escarpas rudes e de pedra calcária, Christian, um aprendiz esforçado, caçava fósseis de gastrópodes e moluscos.
Ele, de vez em quando, tinha alguma oposição. Seu pai, por um lado, não aprovava os seus interesses científicos. Mas, Christian nasceu com uma confiança inata que levava a maioria dos homens décadas para desenvolver, alguns nunca a alcançavam. Quando o velho Duque trovejava sobre o seu uso deselegante do tempo, Christian friamente perguntava se ele deveria praticar a ocupação favorita de seu pai com a mesma idade: correr atrás das empregadas domésticas da mansão.
 Como se tal coragem e altivez não bastassem, ele também era alto, com um corpo bem construído e classicamente bonito. Ele navegava pela vida com o poder e a impermeabilidade de um urso, seguro do seu papel, convencido de seu destino.
Seu primeiro vislumbre de Venetia Fitzhugh Townsend apenas alimentou ainda mais esse senso de certeza, essa confiança.
O jogo anual de críquete entre Eton e Harrow, um dos destaques da temporada de Londres, tinha acabado de fazer uma pausa para o chá da tarde dos jogadores. Christian deixou o pavilhão dos jogadores de Harrow para falar com a sua madrasta — sua ex madrasta, na verdade, pois ela tinha recentemente retornado da sua lua de mel com seu novo marido.