24 de janeiro de 2020

Na Cama com o Duque

Série Instrutoras
A recatada dama de companhia Emma Chegwidden evita desafiar as regras da sociedade. 

Até a noite em que ela corre diretamente para os braços do sedutor Reaper — um homem que cavalga nas sombras da noite através dos campos e esconde sua identidade por trás de uma máscara. Seu objetivo é a justiça… ou será a vingança? Só uma coisa é certa: nada o impedirá de atingir seu propósito sombrio.
Michael Durant, herdeiro perdido há muito do duque de Nevitt, tem contas a acertar. Cínico, perigoso e implacável, Michael é o último homem na terra que a sensível Emma deve desafiar. Mas alguns desafios são tentadores demais para se resistir… e algumas paixões fortes demais para serem ignoradas. Em breve, Michael descobre em Emma, a mulher que sempre desejou: uma mulher cuja beleza e coragem alcançam sua alma torturada. E ele vai desafiar qualquer coisa, até mesmo o próprio destino, para reivindicá-la…

Capítulo Um

Moricadia, 1849

A orquestra com quatro instrumentos parou de tocar, e, com uma precisão excelente, o Comandante Cloutier pronunciou-se de forma a chamar a atenção de todos os convidados ao alcance da sua voz.
— Você já ouviu falar, Lady Lettice, do fantasma que cavalga durante a noite?
Ele, com toda a certeza, chamou a atenção do cavalheiro inglês Michael Durant, herdeiro do duque de Nevitt. Havia pouco para lhe interessar no baile exclusivo de Lorde e Lady Thibault. Era um clone exato de cada baile inglês que ele já havia frequentado, e, de fato, de cada baile prussiano, cada baile francês, cada baile veneziano… Ele fizera o Grand Tour e descobrira que os ricos imitavam uns aos outros até ao tédio.
Agora, esta noite, os músicos tocavam, os convidados dançavam, a comida estava requintada e a sala de jogos estava cheia. O príncipe Sandre e seus capangas circulavam, emprestando uma aura de realeza à reunião.
Mas sobre relatórios úteis, não havia nada… até agora. E agora, Michael sabia, apenas porque Cloutier não compreendia a seriedade de sua gafe. Ele não havia entendido, que na manhã seguinte, seria expulso para longe de Moricadia, viajando de volta para a França, enquanto amaldiçoava sua queda para a fofoca.
Claramente interessado, Michael aproximou-se, de modo a ficar mais perto do grupo de pretendentes em torno de Lady Lettice Surtees.
— Um fantasma? — Lady Lettice soltou um pequeno grito estridente digno de alarme de uma jovem. — Não! Por favor, diga-me, o que esse fantasma faz? —Antes que Cloutier pudesse responder, ela virou-se para sua criada, uma garota de uns vinte anos, e disse: — Faça-se útil, menina! Abane-me! Dançar com tantos admiradores é bastante fatigante.
A garota — uma pobre coitada oprimida, com uma touca de renda presa sobre os cabelos castanhos sem brilho — assentiu em silêncio. Da grande bolsa que usava presa à cintura, retirou um leque de marfim e renda, ocupou seu lugar ao lado direito de Lady Lettice e abanou sua ríspida senhora que estava corada e suada.
Lady Lettice reclamou: — Está demasiado calor aqui. Você não concorda que está quente aqui, Lorde Escobar?
Escobar debruçou-se sobre o seu cotovelo esquerdo. — De fato, você está certa, señorita, está uma noite de verão excepcionalmente quente.
Era um elogio deveras grosseiro chamar Lady Lettice de ”señorita”, ela era uma viúva, com quarenta e poucos anos, já exibindo algumas papadas que atormentariam sua velhice. Mas seus peitos eram impressionantes e exibiam-se com imodéstia no seu corpete decotado e drapeado, e sua cintura, era minúscula, devido ao esforço dos cordões do seu espartilho, apertados o suficiente para impedir sua respiração e tornar a dança, como ela havia dito, fatigante.
Nada daquilo importava realmente, porque Lady Lettice era rica, e a meia dúzia de homens ao seu redor, sabia disso. Eles disputavam posicionar-se ao lado de sua cadeira dourada, oferecendo taças de champanhe gelado, amplos sorrisos mostrando os dentes e, nas suas costas, examinavam as debutantes alinhadas ao longo da parede, garotas mais bonitas e mais jovens, mas sem as riquezas necessárias para fazer uma boa combinação.
— Então, Cloutier, conte-me sobre esse fantasma.








Série Instrutoras
1 - Aquela Noite Escandalosa
2 - Entregue
3 - Comprometida
4 - Seduzida
5 - Em Meus Sonhos
6 - Entre Seus Braços
7 - Provocação de te Amar
7.5 - O Terceiro Pretendente
8 - Minha Bela Sedutora
9 - Na Cama com o Duque
10- Capturada por um Principe
11- Uma Esposa Pirata para Mim
Série concluída


Série Um Cavaleiro na Floresta

1 - Um Cavaleiro Sem Memória
Quando a viúva Lady Aislinn Locksmeade encontra um homem nu e inconsciente na floresta, ela se pergunta se ele é Hugh Brigonne, seu primeiro e único amor verdadeiro. Quando ele acorda, não consegue se lembrar quem ele é ou o que aconteceu com ele. Ela se atreverá a amar o estranho sem lembranças, ou existe um perigo muito maior para Aislinn do que arriscar seu coração?

2- Um cavaleiro na floresta
Quando Lady Magdalen Suffield encontra uma carta ordenando que o marido de sua melhor amiga, cometa assassinato, ela foge para a floresta. Perseguida e ferida, ela cai nos braços fortes de lorde Cynric Woodrow, o xerife local. Enquanto Cyn trata a ferida em sua casa na floresta, ele se pergunta por que ela está fugindo de um homem que ele considera um amigo honrado. Ela se recusa a confiar em Cyn, mas como seu fascínio por ela cresce, ele deve escolher entre lealdade a ela, ou a seu amigo. Magdalen pode ganhar sua confiança e impedir o assassinato, ou o perigo vai destruir muito mais do que o amor que Cyn e Magdalen parecem destinados a compartilhar?


O Beijo de um Cavaleiro (não faz parte da série)
Dias antes do Natal, Lady Honória Whitford compra um livro no mercado para adicionar à sua coleção. Lorde Tristan de Champagne, o melhor amigo de seu irmão, que passará as férias com eles, fica intrigado com o amor que ela tem por contos românticos, mas se ressente do quão encantadora a acha, pois prometeu nunca mais arriscar seu coração, depois que encontrou sua ex noiva nos braços de outro. À medida que se desenrolam as travessuras de Natal sob o visco, o ramo do beijo, o mesmo acontece com o segredo do livro, destinado a trazer grande perigo, mas também o amor eterno.


23 de janeiro de 2020

Arthur

Série Cavaleiros da Normandia
No Ano do Nosso Senhor de 1071 
O rebelde saxão, Hereward the Wake está, mais uma vez, criando problemas para o novo rei da Inglaterra, Guilherme, o Conquistador. Enviando um exército para a ilha de Ely, o rei busca sua rendição.
Elvina, filha de Hereward, odeia os normandos com tanta paixão quanto o pai. Presa na abadia da ilha, o abade pede que ela saia para sua própria segurança antes que os normandos invadam.
 Seguindo o seu conselho ela tenta fugir, mas é rapidamente capturada pelo cavaleiro experiente, Sir Arthur de Clairvoy, e levada sob custódia. Contra seus desejos, o rei ordena imediatamente que a agressiva Elvina se case com Arthur, a fim de manter a paz entre seu pai e a coroa.
Elvina odeia tudo o que os normandos conquistadores representam, mas não pode negar a atração que sente por seu novo marido. Mas, quando sua natureza rebelde leva a melhor sobre ela, logo descobre que seu marido dominante usa o mesmo método de disciplina que seus irmãos, uma surra. Ela pode aceitar seu destino e aprender a amar seu marido normando?

Capítulo um

Rebelião Saxã
Ilha de Ely, East Anglia, Inglaterra 1071
Sir Arthur de Clairvoy deteve seu cavalo e examinou a carnificina do campo de batalha. Muitos normandos estavam feridos, outros nunca mais lutariam, seus olhos fechados para este mundo para sempre. Ele amaldiçoou em voz alta.
― É uma visão sombria, Arthur ― afirmou Gerard, ao chegar ao seu lado.
Ele olhou para o irmão mais velho e balançou a cabeça.
― Sim, irmão. Hereward the Wake aproveitou esses malditos pântanos e nos emboscou.
― Ele deve ter conhecimento que nós não sabemos. A calçada de madeira que construímos provou ser inútil – a maior parte afundou com o peso de nossos cavalos e armaduras. Esses pântanos são uma armadilha mortal!
― Sim ― Arthur cuspiu. ― Deve haver um caminho seguro através deles. Como mais os homens de Hereward viajam para lá?
― Eu não sei. ― Gerard ergueu o capacete e esfregou a testa, confuso sobre como o inimigo ganhou vantagem em terreno tão perigoso.
― Devemos nos reagrupar e formar outro plano de ataque. Onde está o Belasius?
― Mais longe, com Renaud.
Arthur olhou para onde Gerard apontava e viu seu líder designado dando ordens para seu outro irmão, Renaud, junto com homens de armas e cavaleiros que haviam sobrevivido à emboscada. Eles peneiravam os corpos, localizando os poucos sobreviventes que estavam presos sob os outros e ajudando os feridos da melhor maneira possível.
Arthur – Maryse Dawson
― Venha, vamos ajudá-los. ― Arthur foi até Belasius, que olhou para ele sombriamente ao se aproximar. Ele era um homem grande em seus quarenta e tantos anos. Um cavaleiro de confiança, que o rei Guilherme recompensara fazendo-o comandar suas forças.
― É um dia sombrio, Arthur ― ele respondeu. ― Escuro, de fato. O rei William não ficará satisfeito.
― Não, meu senhor. Hereward the Wake não pode ser autorizado a fazer guerra contra nós. Ele deve ser derrotado.
― Concordo. Eu tenho um plano, mas preciso de mais reflexão. Ajude aos outros, precisamos atender aos feridos e ver o quanto de um exército nos deixaram.
Ely Abbey, Ilha de Ely… 
 


Série Cavaleiros da Normandia
1- Renaud
2- Arthur
3- Gerard
Série concluída

22 de janeiro de 2020

Vingança

Série Highlander Perdido


Pietro está morrendo. 
Seu amor por Bella o fortalece, mas seu pai controlador a quer de volta e está ameaçando uma guerra.
Apenas quando Piper e seu quente Highlander acham que podem ter algum tempo para explorar a nova paixão de Lachlan por banheiras de hidromassagem modernas, Daria retorna e começa a mirar em todos e em tudo que Piper ama. 
Não prestes a deixar seu ancestral maligno destruir sua vida amorosa, a felicidade de sua melhor amiga ou mesmo seu guarda-roupa, Piper se propõe a vencê-la. E Sam e Evie ainda não estão noivos.

Capítulo Um

Pietro abriu os olhos. Um céu cinza chumbo encheu sua visão turva, com nuvens passando a um ritmo vertiginoso. Sua cabeça doía terrivelmente e balançava assim como as árvores ao sabor do vento.
Merda. Onde estava? Ele piscou algumas vezes e um flash de folhas de outono, não, eram ondas de cabelo castanho-avermelhado macio, surgiram em seu campo de visão. Olhos castanhos preocupados olharam para ele.
Bella. Sua Bella. Ela era uma mistura de paixão ardente e desdém gelado e ele nunca soube qual ele teria. Memórias começaram a voltar para ele. Muitas memórias agradavéis de coisas que tinham feito ...
Rapidamente seus quadris se aqueceram ao pensar nela. Na verdade, sentia-se inteiramente quente, desconfortavelmente quente, pegajoso e, acima de tudo, com calafrios. Ok, então ele se lembrou de Bella, mas ainda não conseguia lembrar do lugar em que estava, ou o por quê.
Seu belo rosto alterou-se para uma carranca, com a qual ele já estava acostumado, quando ela percebeu que ele estava acordado. Parecia que ela estava irritada novamente com ele. Eles estavam ligados pelo destino e pela história e ele a amava, então por que de repente sentiu a dor apertando o peito? Ah sim. Ela não o amava. Ele forçou essa lembrança para o fundo de sua mente, não querendo acreditar que isso era verdade.
Ele piscou um pouco mais, quando surgiu uma nova imagem para ele. Se ele estava olhando para Isobel Glen, isso significava que ele ainda estava no século XVIII. Merda.
Em frente a Bella, outro par de olhos o espreitava, azul escuro e mais impacientes do que preocupados. Eles pertenciam ao grande guerreiro que estava levando-os para a sua terra, e esperançosamente para um lugar seguro. Quinn Ferguson. Ele estava no comando de sua pequena comitiva e não estava satisfeito com essa honra.
Os dois trocaram um olhar tenso, então Bella sacudiu-o timidamente. Pietro gostava da sensação de sua mão pequena e quente em seu ombro. O chão estava frio e duro debaixo dele. O olhar dela também o aqueceu, mas por que ela estava preocupada? Talvez ele tivesse dormido demais e eles estavam ansiosos para ir. Tudo era tão perigoso e urgente ali no século XVIII. Era o bastante para deixar qualquer um cansado.
─ Eu estou bem ─ disse ele, fechando seus olhos vermelhos novamente.
─ Você não está bem ─ disse Quinn. ─ Você acabou de cair do seu cavalo.
Seus olhos se abriram e ele olhou de um para o outro. Bella balançou a cabeça concordando com o que Quinn dissera a ele.
─ Nós não paramos à noite? E montamos um acampamento?
Ele podia jurar que era o que tinha acontecido. Eles estavam cansados de andar durante o dia, por isso montaram acampamento e acenderam
uma fogueira, em seguida foram dormir. Ele riu dos olhares consternados em seus rostos, mas parou abruptamente quando uma nova sacudida de dor o atingiu bem entre os olhos.
─ Não, você apenas gemeu e desmaiou. Você tem sorte que seu pescoço não quebrou com uma queda daquelas.
Bella colocou-lhe a mão na testa e fez uma careta.
─ Ele está ardendo em febre.
Ela olhou para ele com o que podia jurar, ternura. Ele sorriu para ela e foi recompensado com sua carranca mais dura.
─ Por que não disse que estava doente?








Série Highlander Perdido







21 de janeiro de 2020

Instrumentos do Destino

Em Halifax, Ciara Graham enfrenta uma nova vida.

Desde a infância, Mildred Nevill, uma misteriosa inglesa que emigrou para a Nova Escócia, a recebe em sua casa como professora e mais tarde como família. Em Ciara, ela vê a possibilidade de se vingar das pessoas que lhe causaram tanto sofrimento. Portanto, ela instrui a jovem Ciara, ignorante dos planos da dama; em normas sociais, boas maneiras e conhecimento sobre mercados e finanças.
Quando a sra. Nevill morre, Ciara descobre através de uma carta ela ser herdeira de uma grande fortuna, que se estende não apenas pelas colônias, mas por vários territórios do Império Inglês.
Aos dezoito anos, ela deve viajar para o condado de York, na Inglaterra, para ocupar sua posição na propriedade de Newby Hall. Lá ela conhece o sobrinho de Mildred e sua irmã gêmea Dorothy.
Nela, Ciara descobre uma personalidade perversa que tenta, por todos os meios, afastá-la da Inglaterra. Ela não apenas terá problemas para se adaptar às pessoas com quem viverá, mas também à classe burguesa do país. A jovem enfrentará um mundo cercado por regras e normas que sufocam as mulheres e não permitem seu livre pensamento. Andrew Somerset, filho de Dorothy, começará a lutar contra uma jovem órfã, a quem ele não acredita capaz de conduzir negócios têxteis e imobiliários, como os homens. Depois de conhecer a jovem Ciara aprenderá lições difíceis e terá que se render ao inevitável: o amor.
O ódio que ambos são arrastados para sentir pelo outro será diluído com a força da atração que existe entre eles. Ambos terão que lutar além das duras condições que Mildred foi responsável por especificar em seu testamento: sob nenhuma circunstância
Ciara e Andrew poderiam se casar. O que inicialmente começou com a história de amor truncada de Mildred terminará com um amor apaixonado entre Andrew e Ciara.

Capítulo Um

1868 Halifax, Nova Escócia
Com o olhar do advogado preso nela, ficou sentada sem poder acreditar, tentou prestar atenção no que ele estava dizendo, mas simplesmente continuou paralisada. Seu rosto mostrava quietude, dando tempo ao corpo para reagir. Sua mente não fez nada além de rever seus últimos três anos. A lembrança daqueles momentos estava muito longe.
Sua mãe havia morrido de febre, causada segundo sua própria opinião, por esgotamento. A carreira de sua vida havia provocado o esgotamento e quando a energia lhe falhou, ela decidiu partir. Filha de emigrantes escoceses Joana nasceu em Halifax. Sempre com dinheiro suficiente apenas para sobreviver, ela se casou com Ian Graham quinze anos mais velho que ela e pescador. Foi um casamento sem amor que não deu grandes alegrias, mas sim três filhos; dois homens que logo tiveram que emigrar para o continente e cujas cartas, escritas por outros, tornaram-se escassas ao longo do tempo. 
Sua filha mais nova, chamada Ciara, foi quem a acompanhou durante o último estágio de sua vida. Um dia ela explicou a Ciara que os dez anos de diferença que tinha com seus irmãos se deviam ao fato de ter sido o resultado do resto da paixão que seu marido lhe deu antes de morrer. Viúva e com um bebê para alimentar, ela aceitou um trabalho como lavadeira e costureira na casa de uma burguesa; que, como diziam as fofocas, fugira por causa de um caso obscuro na Inglaterra.
Mildred Nevill decidiu morar em Halifax por vontade própria, e em sua decisão ela foi acompanhada por sua fiel criada Grace. A Sra. Nevill tinha pouca conexão com os habitantes locais. Para começar, ela era inglesa, com uma reputação de ser excêntrica e com ares de grandeza. 
Para o resto do mundo, a Sra. Nevill só lhe importavam seus negócios no porto de Halifax; e assim foi, até que a menininha que acompanhava a lavadeira chamou sua atenção, e um plano começou a se formar em sua cabeça.
Normalmente, Ciara esperava por sua mãe no jardim da senhora, mas Mildred não deixava de notar a cabeça morena e os olhos verde musgo que a contemplavam quando ela tomava chá. 
Para a pequena era engraçado a postura que a mulher esticada tomava quando se sentava; erigida de tal maneira que a menina pensava que sua cabeça seria deslocada. E raramente podia segurar o riso quando assistia como Mildred, com muito cuidado, pegava a xícara de chá e a levava aos lábios para sugar o líquido fumegante. 
Ciara não entendia a razão pela qual aquela careta repugnante aparecia, pois a velha mulher sabia antes de experimentar a infusão o que ela estava bebendo, na verdade, ela havia pedido! 



Diabo das Terras Altas

Saga das Terras Altas/ Família Murray

Quando uma mulher ruiva tenta roubar o cavalo de Sir Gybbon Murray em sua jornada de volta à fortaleza dos Murray, ele agradece as suas estrelas da sorte, por seu cavalo ser um brutamonte rude e mal criado — e que a bela ladra não está tão ferida a ponto de não conseguir contar sua história. 

Ele não é uma babá para moças delicadas, mas Mora Ogilvy está fugindo de seus primos cruéis, temendo pela própria vida. Então, quando ela conta sobre a casa que eles tomaram dela e sobre o homem que eles dizem que ela matou, Gybbon toma uma decisão. Ele não deixará que tamanha injustiça continue.
O orgulho de Mora exige que ela volte para suas terras, mas não arriscará a vida do belo e perverso cavalheiro e a família dele. Ainda, ela precisa se recuperar de suas lesões, e ficar próxima à Gybbon, na fortaleza do irmão dele, é uma solução tentadora. Poucas semanas ao seu lado servirão como uma amável lembrança para quando retornar, para lutar suas próprias batalhas. Exceto a profunda traição de seus primos — e a ferocidade do amor de Gybbon — pode fazer com que seu coração contrarie seus planos.

Capítulo Um

A maneira com que seus primos irromperam na casa sobressaltou e assustou Mora. Ela pausou em colocar sua capa.
— O que vocês querem? — ela exigiu enquanto empurrava Andrew para trás de si.
— Nós queremos que você vá embora — respondeu Robert, o mais velho.
— Por quê? Eu tenho o direito de ficar aqui e manter a casa para o retorno dos meus irmãos — Ela sentiu um arrepio com o olhar que cruzou a face de Robert.
— Nós podemos manter a casa para eles. Agora que seus pais estão mortos, não é certo que você fique aqui sozinha. Como você se sairá sem ninguém trazendo dinheiro?
— As cabras me dão leite e eu tenho queijo para fazer e vender. Não é uma vida abundante, mas servirá.
Robert olhou para seus irmãos e acenou para a porta dos fundos. Todos os três foram naquela direção. Mora tentou detê-los, mas Robert parou o suficiente para lhe dar um tapa no rosto e ela caiu no chão. Ela estava apenas se levantando quando ouviu o primeiro grito da cabra. De olho em Murdoch, que saiu correndo pela porta e tentou impedir o que seus irmãos estavam fazendo, ela agarrou a mochila que havia preparado, entregou para o jovem Andrew e apressadamente o passou pela janela para que ele fugisse.
— Corra com as cabras se alguma conseguir escapar. Vá para a tia Maggie.
— Mas você deveria vir também, — Andrew disse. — Nós deveríamos ficar juntos.
— Vá. Eu irei assim que puder. Vá!
Ela observou ele correr para a floresta e um momento depois viu várias de suas cabras fugindo também. Felizmente seus primos não haviam matado todos os animais, ela se virou e viu Murdoch gravemente ferido, apoiado no batente da porta, observando-a.
Os três irmãos mais velhos reapareceram e ela ficou tensa.
— Vocês não deveriam ter matado meus animais. Fico feliz que alguns deles tenham sentido o perigo e escaparam.
— De toda forma você não será capaz de reunir todas de volta — ridicularizou Robert enquanto andava em sua direção. — Agora nós cuidamos de seus pais e de suas cabras malditas.
Choque tornou seu sangue frio e ela falou em uma voz suavizada pelo terror — Não foram os ladrões. Foram vocês que mataram meus pais. Vocês provavelmente pegaram aquilo que eles ganharam com as vendas das mercadorias também.
Robert gargalhou. — É claro que fizemos isso. E isso mostrou que eles tiveram um bom dia no mercado. Eles não precisavam disso e também não queriam. E, maldição, onde está o pirralho do Andrew?
— Você espera que eu diga onde ele está quando você acabou de admitir que matou nossos pais?
— Claro, e se você negar, nós podemos facilmente fazer com que você nos conte qualquer coisa.
— Eu acho que as pessoas desaprovarão você torturar sua própria prima, especialmente se essa garota acabou de se tornar órfã.
— Não quando eu disser que você é a ladra e a assassina.
— Que besteira é essa? Eu não roubei nada e não matei ninguém.
— Você roubou dinheiro do nosso pai e matou o homem que estava cuidando dele.
— William morreu? Como isso aconteceu? 








20 de janeiro de 2020

Resgate do Desejo

Série Os Proscritos
Herdeira de um clã irlandês, a espirituosa Temair O'Keeffe abandona tudo para se juntar a um bando de foras da lei na floresta, que roubam dos ricos para dar aos pobres - os aldeões empobrecidos pela ganancia de seu Pai.
Assim, quando um poderoso cavaleiro inglês, Sir Ryland de Ware, é enviado pelo recém-coroado rei John para formar uma aliança de casamento com Temair, a primeira missão de Ryland é encontrar sua noiva em fuga. A independente Temair não deseja ser encontrada, mas ela não pode abandonar seu clã nas mãos de um estrangeiro com fome de terras. Então, ela corajosamente prende seu noivo em um cativeiro na floresta exigindo seu título de direito como resgate. Sem saber que o cavaleiro irresistível pretende ganhar a sua confiança, roubar seu coração e tomá-la como seu prêmio.

Capítulo Um

Clã O'Keeffe - Barão de Duhallow
Irlanda  Outono de 1193

Temair O'Keeffe fechou os olhos e respirou o cheiro doce do feno seco. Tudo estava em paz aqui nas sombras. Deitada na palha entre seus dois melhores amigos no mundo - Bran e Flann - ela podia esquecer tudo. Ele não pensaria em procurá-la aqui. Ele raramente saia cambaleando da Casa Torre[1] depois do jantar. Temair se esconderia no estábulo até que ele bebesse e acalmasse seu temperamento e com sorte desmaiasse pela bebida. Então ela voltaria ao seu quarto depois do anoitecer.
Ela poderia facilmente encontrar seu caminho com a luz da lua cheia. Não que ela estivesse com medo do escuro - não mais. Aos doze anos de idade, ela sabia que havia coisas muito piores a temer... Como a doença que lhe tirou a mãe há dois anos. O suave choro de sua irmã mais velha tarde da noite.
Ela acariciou o pelo de Bran, grata pela companhia do cão de caça. Seu irmão Flann, ciumento, lambeu o rosto machucado, fazendo-a rir.
— Eu também te amo, Flann — ela disse, esfregando atrás da orelha. Ela adorava os dois cães, que ela criara desde filhotes.
Eles entraram na terra de O’Keeffe no dia seguinte à morte de sua mãe. Se ele não estivesse bebendo sua melancolia, provavelmente teria afogado os filhotes, dizendo que ele não precisava de mais bocas para alimentar. Mas Temair os havia escondido ali no estábulo, alimentado com restos de comida e soluçado sua própria tristeza secreta sobre seus corpos quentes e tortuosos.
Ela conseguira mantê-los em segredo por semanas. No momento em que ele descobriu os cães, já era tarde demais. Eles eram grandes demais para se afogar.
De fato, ao contrário de sua mãe, que nunca gostou da água, os cães realmente desfrutaram de uma boa brincadeira no rio. Agora os cães enormes se consideravam seus protetores, atacando estranhos que se aproximavam demais dela. Foi por isso que eles foram proibidos na Casa Torre. Bran bocejou com um grito, então ele balançou a sua cabeça. Uma de suas orelhas bateu na bochecha de Temair. Ela gemeu de dor pela queimação no seu machucado. Mas quando ele cheirou-a com preocupação, ela sorriu e coçou-o sob o queixo cinza e confuso.
— Está tudo bem, Bran.
Isso era uma mentira. Nada estava bem. E quanto mais velha ela ficava, mais certa ela estava disso. Ela viu os olhares de pena dos criados depois que seus olhos escureceram ou apareceram cortes em seus lábios. Nenhuma das outras filhas do clã tinha rostos tão machucados e quebrados. Sua mãe disse que era porque ela era ruim.
Ele alegou que Temair tinha o diabo dentro dela. Talvez ela tivesse. Nem sempre fazia como lhe era dito. Ela era teimosa. Tinha uma língua afiada. E às vezes, em vez de suportar o castigo que ele impunha, ela lutava de volta. Claro, isso o enfurecia ainda mais e lhe rendia, sempre, uma surra ainda mais dura. Mas não parecia haver nenhuma cura para seu espírito selvagem. Ela não podia refrear seu jeito de ser. Sua irmã mais velha, Aillenn, se saia muito melhor. Ela era doce e gentil, agradável e obediente. Nunca desafiou a autoridade dele. Ela sofria o castigo do chefe em silêncio. Talvez fosse porque Aillenn sabia que ela se casaria em breve. Se ela pudesse esperar, ela iria se casar com um novo mestre, alguém que, esperançosamente, não a atacaria se ela olhasse de lado para ele.
Mas para Temair o casamento demoraria muito tempo. O único alívio de sua raiva era vir para cá e se aconchegar com seus cães.
— Vocês são bons rapazes — ela disse com um suspiro, acariciando seu pelo cinza. Eles eram confiáveis ​​e leais, melhores do que qualquer um de seus amigos humanos. Não que ela tivesse amigos de verdade. Como o pai dela era o chefe, o povo do clã se solidarizava com ele e fingia não ver sua crueldade. Mas ela sabia que eles secretamente o desprezavam. Não havia muito do que gostar. Ele era brutal e mal-humorado, impaciente e avarento.
Desde a morte de sua esposa, ele só piorou. Porque o clã o odiava, muitos deles se ressentiam dela também, por extensão. Claro, eles não ousariam falar abertamente de seu descontentamento. Mas ela podia ver através de seus sorrisos forçados. Ela testemunhou a falsidade de seus olhares. Ocasionalmente, ela ouvia suas palavras implacáveis ​​e amargas.
Uma vez, há muito tempo, ela cometeu o erro de passar essas palavras para ele. Ela acariciou com os dedos a pele dos cães, lembrando-se do trágico incidente. Ela ouviu um arrendatário resmungando que seu pai, Cormac O'Keeffe, não era nada parecido com seu irmão Senach, o chefe anterior.
— Cormac é um tolo ganancioso.








Série Os Proscritos
0.5 - A Ladra
1 - O Beijo do Perigo
2 - Paixão no Exílio
3 - Resgate do Desejo
Série concluída

Chefe das Terras Altas

Saga das Terras Altas/ Família Murray
Responsável por proteger seus irmãos mais novos de seu pai abusivo, Bethoc Matheson não está em posição de resgatar outra alma na Escócia.

Mesmo assim, quando ela vê um homem sangrando e à beira de se afogar, é exatamente o que ela faz, mantendo-o em segurança numa caverna onde ela pode voltar dia após dia para cuidar de suas feridas.
Sir Callum MacMillan mal pode acreditar que uma moça tão delicada quanto Bethoc pudesse salvá-lo das garras da morte. Mas ele reconhece as marcas reveladoras de um punho agressivo em sua pele, e ele sabe que ela tem a alma de uma lutadora apesar de sua composição delicada. 
Criado para ser um protetor dos fracos pelo membro do clã Murray, Callum preferia ser ele a salvá-la - e salvá-la ele irá. Se ele primeiro conseguir sobreviver ao ataque traiçoeiro que o levou aos braços irresistíveis dela...
Bethoc se entregou ao beijo de Callum. Ela odiava admitir isso, mas foi por isso que ela veio. Sentia falta da sensação de estar em seus braços, da alegria que sentia ao beijá-lo. Era um prazer que permanecia em seus pensamentos muito depois que ela saia do lado dele. 
No momento em que ele se afastou, ela mal conseguia recuperar o fôlego e descansou a cabeça contra o peito dele. Agradou-lhe ouvir o seu coração bater forte e que a respiração estivesse ofegante, como se ele também estivesse tendo dificuldades.
Callum massageou suas costas e Bethoc sorriu. Era bom apenas deitar-se enrolada ao lado dele e ser acalentada. Ela realmente não precisava ser acalentada, mas gostava demais para se mover...

Capítulo Um

Ele precisava colocar a cabeça acima da água. Callum lutava para subir, cada movimento enviava uma dor enorme por seu corpo. Seus pulmões estavam a ponto de explodir quando ele conseguiu. Apesar da dor que o tomava, ele parou um momento para recuperar o fôlego e olhar em volta.
A praia parecia estar a quilômetros de distância, embora Callum soubesse que isso não era verdade, era apenas uma ilusão. Ele podia se lembrar vagamente dos homens que o jogaram ao mar. Ignorando seus gritos, eles o pegaram pelos braços e pernas e o balançaram algumas vezes antes de soltarem seu corpo. Callum sabia que não estava longe da praia, mas a dor latejante em sua perna lhe dizia que seria um longo e difícil caminho chegar lá. A água não aliviava a dor.
Rangendo os dentes, ele tentou nadar de volta para a praia. A dor dilacerou sua perna e ele reprimiu um grito, sibilando entre dentes cerrados. Ele virou de costas e deixou sua perna machucada simplesmente cair. Seus braços não estavam em melhor forma, mas eles não estavam quebrados e ele usou-os para impulsionar-se para frente. Muito devagar. Então seu pé tocou o chão, agonia rasgou sua perna e ele se atrapalhou. Callum soltou uma maldição trêmula quando se levantou novamente. A dor realmente era demais. Ele não pensava mais que conseguiria alcançar a praia.
— Meu Deus — ele murmurou, deitado na água com uma perna inútil pendurada embaixo dele.
Apenas mais algumas braçadas, ele disse a si mesmo. Apenas mais algumas braçadas e poderia desmoronar em terra firme e pensar no que faria a seguir. Cada movimento que fazia teria-o feito gritar se ele não estivesse apertando o maxilar. Ele não sabia o que havia sido feito com sua perna, além de quebrá-la, mas agora estava determinado a dar uma olhada. Depois disso, uma vez que estivesse totalmente recuperado de seus ferimentos, ele faria os bastardos que fizeram isso com ele pagar caro.
No momento em que suas mãos alcançaram o fundo, sem que sua cabeça afundasse na água, Callum se virou e usou-as para se levantar na margem. Ele desistiu quando estava com metade do corpo fora da água, seus braços cedendo e o derrubando no chão. Um grunhido baixo escapou quando o lado de seu rosto bateu em uma pedra, mas ele não se moveu, não conseguia se mover. Callum pensou em checar a perna para ver o tamanho do estrago, mas estava exausto. Fechou os olhos e, enquanto se perguntava onde estava, desmaiou.
Bethoc Matheson estremeceu e amaldiçoou enquanto caminhava, cada hematoma que seu pai lhe dera protestando contra seus movimentos. Ela suspeitava que trazer a pequena Margaret não ajudaria, mas a menina precisava de algum tempo longe da brutalidade do pai, da mortalha de infelicidade que pairava sobre a casa. O homem piorava a cada dia. Bethoc sonhava em ir embora, mas havia um problema: para onde ela deveria ir?








19 de janeiro de 2020

Meu Campeão

Série Cavaleiros de Ware
Sir Duncan de Ware é um campeão jurado por ser um homem notável e um mestre do disfarce.

Então, quando ele encontra Linet de Montfort, uma donzela em perigo, enfrentando um pirata notório, o nobre Duncan fica escondido como clandestino para resgatá-la, apesar de sua insistência de que ela pode cuidar de si mesma. Quando o pirata a sequestra, Duncan e Linet são apanhados em uma aventura sem fôlego, de perigo e romance em alto mar. E, em breve, Linet percebe que sua única esperança é confiar em seu herói misterioso, com sua vida e coração.
Selado com um beijo…
Ele levou a mão para enroscar em seus cabelos.
— Fique longe de mim, seu... seu patife! — ela choramingou.
— Eu sou uma de Mont...
Os lábios do mendigo caíram sobre os dela antes que ela pudesse terminar. Seu beijo era profundo, exigente, e seu queixo áspero e estranho contra a sua bochecha. Por um momento, ficou atônita demais para resistir. Então sua cabeça se aclarou, e ela começou a lutar em seu abraço confinado. Tentou gritar, mas sua boca cortou o som. Isso não poderia estar acontecendo, pensou distante.- Não com um mendigo. -Não o seu primeiro beijo. Ela empurrou contra a firme parede do seu peito e tentou se torcer em seus braços, mas ele a segurou rapidamente. O beijo parecia que iria durar para sempre. Para seu desânimo, sua respiração acelerou, e seu coração começou a bater mais erraticamente contra a garganta, no lugar onde o polegar descansava. Então, de uma só vez, ele se afastou. Por um instante, enquanto olhava para seus olhos esfumaçados, parecia tão atordoado quanto ela se sentia.

Capítulo Um

Duncan de Ware tomou um refrescante suspiro de ar fresco e salgado e olhou para o mar, sobre as cabeças das pessoas que se amontoavam como arenque na doca de Dorwich. A multidão não o incomodava. Na verdade, gostava do caos animado.
Um bando de marinheiros desciam pelo passadiços dos grandes navios. Meninos passavam por ele em direção às caixas de mercadorias recém-chegadas, adivinhando com entusiasmo seu conteúdo. Os gatos percorriam as passarelas atrás dos pedaços de peixe descartados. Na margem mais distante do cais, os comerciantes lançavam ordens como luvas, desafiando os trabalhadores portuários a não deixar que os danos chegassem às suas preciosas mercadorias.
Vários comerciantes estrangeiros chegavam em navios para vender seus bens na feira da primavera e talvez continuarem para oeste em direção à Londres.
Entre a multidão estavam os servos do pai de Duncan, ganhando uns trocados aqui e ali, vendendo sua cerveja caseira ou alho-poró recém-colhidos aos viajantes com fome. Mas alguns dos que se deslocaram ao lado do cais eram nórdicos, e alguns eram agitadores, como a encantadora senhora da associação para quem Duncan e seus três companheiros olhavam.
Uma rapariga impetuosa havia ganho uma missiva do rei. Uma vez que ela teve mercadorias roubadas pelo espanhóis, as missivas lhe concederam o direito de cobrar uma indenização de qualquer navio espanhol no porto. Consequentemente, no começo deste dia, o chefe do porto em pânico havia enviado uma mensagem a Lord James, já que o problema estava fermentando no banco e que requeria um homem experiente com uma espada.
As missivas de marca eram um caso confuso. Nenhum capitão de navio gostava de ser responsabilizado pelas práticas comerciais secretas de seus compatriotas simplesmente porque navegavam sob a mesma bandeira. E se essa senhora tivesse um pouco de sentido, ela apanharia suas saias e correria pelas colinas quando percebesse qual capitão estava prestes a enfrentar.
— Você está certo de que o mestre do porto disse “missivas de marca”? — murmurou Robert, o amigo mais velho de Duncan e companheiro constante. Ele acenou com a cabeça em direção a um grupo desagradável que acabava de chegar ao porto. — Não é outra coisa? Talvez os devedores desembarquem?
Duncan sorriu. Ele olhou para além das hordas de estranhos em direção aos barcos ancorados que rangiam lentamente na suave corrente, como mulheres idosas reclamando.
Então ele viu, assim como o mestre do porto havia dito, o Corona Negra, a nave do infame El Gallo, sua bandeira espanhola batendo na brisa. E vangloriando-se ao longo da doca, estava o próprio vilão inconfundível.
O irmão de Duncan, Holden, ficou rígido. — Bastardos nojentos. — ele resmungou, seus olhos de esmeralda escureceram. Holden teve uma história com outro espanhol de má reputação, um assassino de mulher vicioso. Embora Duncan não aprovasse o ódio cego de seu irmão contra todos os espanhóis, ele podia compreendê-lo.
— Pelos Santos. — disse Robert, com uma voz cheia de sarcasmo. — Creio que o rapaz cresceu desde a última vez que o vimos.
El Gallo era aproximadamente do tamanho de um jovem elefante. E tinha um temperamento para combinar. Havia rumores de que o pirata havia arrancado membro por membro de seu servo apenas por ter atrasado a sua ceia. Ninguém com um mínimo de senso comum passaria a um braço de distância do esquentando espanhol.
Até agora.
Enquanto Duncan olhava com espanto, uma moça pequena saiu da multidão e plantou-se descaradamente diante da besta, de pé dedo-a-dedo com El Gallo como um pequeno David enfrentando o Golias.
O meio-irmão de Duncan, Garth, sussurrou uma oração de descrença. — Querido Deus.
A mulher se virou para eles apenas brevemente, mas neste instante a imagem dela impressionou de forma indelével a mente de Duncan.
Nunca antes ele vislumbrou uma beleza tão rara. Ela deve ter caído do céu. Essa foi à única explicação para esta pele etérea translúcida. Seu rosto, emoldurado por um véu ondulado de seda de marfim e um halo de ouro, era todo creme e rosa, certamente muito delicado para suportar o duro clima desse mundo. Seus lábios pareciam suaves e vulneráveis, como se ela tivesse jantado com nada mais pesado do que o açúcar, e seus olhos eram tão grandes e inocentes como os de um bebê recém-nascido.
Ela era pequena, não maior do que uma criança e, no entanto, a túnica cor de jade que abraçava seu corpo não deixava dúvidas de que ela possuía as curvas de uma jovem mulher. Não, não uma mulher, ele decidiu — um anjo.
Sozinha este anjo estava prestes a enfrentar o próprio diabo, El Gallo, o mais notório saqueador do mundo em alto mar.
— Se ele tocar em um fio de cabelo dela...








Série Cavaleiros de Ware

0.5 - O Casamento Pagão
1- Meu Campeão
2- Meu Guerreiro
3- Meu Herói
Série concluída

Alguém a quem Honrar

Série Westcott
Os sonhos de Abigail Westcott para o futuro se perderam quando o pai morreu e ela descobriu que os pais não eram legalmente casados. 

Mas agora, seis anos depois, ela desfruta da independência de uma vida sem expectativa que fornece uma mulher solteira rica. De fato, ela ficou confiante o suficiente para repreender um servo descuidado cortando madeira do lado de fora sem a camisa na proximidade de mulheres.
Mas o homem não é um servo. Ele é Gilbert Bennington, tenente-coronel e oficial superior que acompanhou seu irmão ferido Harry para casa das guerras contra Napoleão. Ele veio para ajudar seu amigo e oficial subalterno a se recuperar, e ele não gosta de ser condescendente, secretamente por causa de sua própria origem humilde. Se a princípio esses dois parecem incorporar o que o outro mais despreza, logo descobrirão como as primeiras impressões podem estar erradas. Por trás da aparência da grande dama e outrora humilde, há duas pessoas que compartilham uma compreensão do que significa a verdadeira honra, e como somente com ela se pode encontrar o amor.

Capítulo Um


Finalmente em casa!

Bem, pelo menos na Inglaterra. Vinte meses se passaram desde a sua última e desastrosa estada ali, depois da Batalha de Waterloo em 1815. Agora ele estava de volta.
Mas quando o Tenente-coronel Gilbert Bennington, Gil para seus amigos e conhecidos, desembarcou em Dover após fazer a travessia noturna de Calais, ele sentia cansaço, irritação e um presságio de que voltar para casa não traria o “feliz para sempre”.
Ele fez uma careta ao ver uma elegante carruagem de viagem com brasões ducais estampados em suas portas parada no cais obviamente estava esperando por ele. Ou mais especificamente, Avery Archer, Duque de Netherby, um de seus três companheiros de viagem.
Gil preferiria contratar um cabriolé para a jornada, mas poderia ter imaginado que nada além de esplendor opulento serviria para Sua Graça em seu solo nativo. E era preciso admitir, de má vontade, que esse transporte seria muito melhor do que um veículo contratado para um de seus outros companheiros, Harry. Harry estava cinza de cansaço.
Gil não pretendia ter três companheiros para a jornada. Ele recentemente havia passado um ano na ilha de Santa Helena, como parte da guarnição que guardava Napoleão Bonaparte durante seu segundo exílio. Gil retornou em um navio com destino à França e não à Inglaterra pelo único motivo de este ser o primeiro navio a partir após o termino de seu mandato, assim ele foi para Paris.
Lá ele descobriu, por acaso, que seu velho amigo e camarada Major Harry Westcott, a quem ele pensara ter morrido em Waterloo, estava convalescendo em uma instalação para oficiais militares.
Gil o vira pela última vez depois da batalha quando seus ferimentos pareciam mortais. Mas contra todas as probabilidades Harry sobrevivera, muito mal. E depois de mais de um ano e meio ele estava ansioso para voltar para casa, apesar de seus médicos terem aconselhado fortemente contra a árdua jornada. Ele ainda não estava totalmente recuperado.
Gil se ofereceu para acompanhá-lo e Harry aproveitou a oportunidade convidando ele para ficarem juntos por um tempo até eles voltarem para casa e Gil aceitou.
Ele queria estar na Inglaterra. Ele precisava estar lá. Mas estava relutante em ir até a sua própria casa. Havia coisas que deveriam ser feitas primeiro. Mas então, no último momento dois parentes de Harry chegaram a Paris com o objetivo de transportá-lo para casa. E embora o próprio Harry fosse um mero membro ilegítimo de sua família seus parentes eram homens poderosos. Aristocratas. Avery Archer que fora o guardião de Harry, antes que a ilegitimidade fosse descoberta, era agora seu cunhado e Alexander Westcott, Conde de Riverdale, chefe da família e detentor do título que outrora fora de Harry, também antes da descoberta da ilegitimidade.
Era uma família um pouco complicada, Gil percebeu. Harry nunca falou muito sobre isso.
Eles viajaram juntos, os quatro, apesar de Gil ter tentado escapar. Ele não se sentia à vontade em companhia da aristocracia. Apesar de sua alta patente militar ele era, na realidade, um ninguém de lugar nenhum e tão ilegítimo quanto Harry.
Um rato de rua se alguém decidisse chamar uma pá de pá. Mas Harry implorou para que ele não mudasse de ideia, então Gil veio. Seu amigo precisaria dele depois que seus parentes o levassem para casa e voltassem para suas próprias famílias.
– Ah – disse o Duque de Netherby, olhando sua carruagem através do vidro com seu monóculo que ele ergueu até os olhos.
– Um colírio para os olhos. Quanto você apostou Harry que minha carruagem não estaria aqui?
– Absolutamente nada se você se lembrar – disse Harry. – Seria mais do que a vida do seu cocheiro ou seu sustento, de qualquer maneira, se ele estivesse atrasado.
– Sim – disse Sua Graça com um suspiro.
– O inferno!


Série Westcott
Série concluída


18 de janeiro de 2020

O Segredo de Malcom

1314, Escócia

Após perder seu pai na última batalha contra os ingleses, Lena MacLaren foi convocada pelo rei da Escócia para decidir seu destino. 
Como filha de um laird das Highlands, deve se casar para salvaguardar os interesses de seu clã. No entanto, o candidato escolhido pelo monarca é o último homem no qual teria pensado para desposar. Seu passado em comum é uma barreira que considera intransponível e as feridas em seu coração ainda não cicatrizaram…
Para Malcom MacGregor, o dever e a honra estão acima de sua própria felicidade, portanto acatará a ordem do rei para desposar Lena MacLaren sem apresentar impedimentos. No entanto, sabe que esta decisão fará a ambos infelizes. O guerreiro deverá encontrar o modo de se reconciliar com as perdas sofridas e conviver com uma mulher que sempre temeu, ainda que, para isso, deva manter o segredo que leva guardado em seu íntimo durante tanto tempo.
Quando dois corações feridos tentam se encontrar, um olhar, um sorriso e um pouco de amor podem sinalizar o caminho. Quando dois corações estão predestinados a pulsar juntos, nem mesmo o melhor segredo guardado pode empanar a felicidade que os espera ao final do caminho percorrido.

Capítulo Um

Stirling, Escócia, Outubro 1314
Não era fácil se manter em pé diante de todas aquelas pessoas com a cabeça erguida. Ainda não havia superado a dor pela morte de seu pai, o laird Hamish MacLaren, e aquele salão do trono, invadido por toda a corte do rei Bruce, era o último lugar no qual gostaria de estar. Aquelas pessoas a conheciam, e os que não, tinham ouvido falar dela. A jovem via a compaixão e a condescendência no rosto de alguns; em outros, a superioridade e o desprezo. Os que se encontravam ali a consideravam uma dama mimada e sobretudo protegida por sua família e, nas Highlands, aquilo era sinônimo de fraqueza. Lena MacLaren podia ler em seus rostos o que pensavam e só tinha vontade de abandonar a sala, escapar, se ocultar de todos aqueles olhares que a julgavam e a imaginavam indigna de ser filha de um grande senhor.
— Não pense. — Falou Beth, sua dama de companhia, pegando a mão para reconfortá-la. — Mantenha a cabeça alta e o rosto sereno, Lena. Não deve se importar com o que os outros pensem. Está aqui por seu pai.
— Não me importo, Beth. Porém, preferiria ter ficado em nosso lar, junto a minha mãe. Ela ainda não superou tudo e sinto que deveria estar ao seu lado para reconfortá-la.
— A política não entende de sentimentos, e menos agora. Ganhamos uma importante batalha e temos os ingleses em franca fuga ou resistindo em seus últimos bastiões. Porém, a guerra deixou em seu caminho um povoado maltratado e um país que deve voltar a se levantar. A tarefa do rei é árdua e importante e não se pode permitir o luxo de ceder diante da angústia de seus súditos. Se pensar bem, você também não pode se permitir isso.
Era certo. Após a batalha de Bannockburn, quase quatro meses atrás, seu clã ficara desamparado. Seu pai havia caído sob uma espada inglesa, entregando a vida por seu rei e pela independência da Escócia. Com ele tinham perdido também um grande número de MacLaren. Muitos soldados, muitos bons homens, pais de família, amigos aos quais conhecia desde sempre e que já não voltaria a ver. Com suas forças reduzidas, sem recursos depois da guerra, seu clã se encontrava em uma situação bastante precária. E Lena sabia que sem um chefe de família que defendesse seus interesses iriam passar realmente mal.
Por isso não estranhou a chamada de Robert de Bruce. O rei estivera percorrendo o país depois de ganhar a batalha, tanto para despertar a admiração de seus súditos, que o consideravam um verdadeiro herói, como para conseguir a adesão de todos seus clãs. Aquilo implicava se preocupar por sua situação e pelo dever com as diferentes famílias. E Lena sabia que a sua, na verdade, não passaria no exame do monarca e ele se veria obrigado a intervir.
Após a convocação, havia comparecido desde o seu lar, em Balquhidder, junto com sua fiel dama de companhia e sua escolta pessoal, composta por apenas quatro homens. Não era muito, porém era a única que possuía naquele momento. Como bem lhe havia recordado Beth, não podia se permitir o luxo de deixar Laren Castle desprotegido. E os poucos homens que ainda formavam o exército MacLaren deviam ficar ali, velando pela sobrevivência do clã. Porque os escoceses tinham se unido para fazer uma frente comum contra os ingleses, porém Lena sabia que, apesar de tudo, os velhos ódios de vizinhos não seriam esquecidos tão facilmente. Os MacLaren ainda tinham inimigos e, na situação em que se encontravam, era lógico supor que tentariam se aproveitar de sua vulnerabilidade.
— O que acredita que o rei lhe pedirá? — Beth lhe perguntou.
— Pedir?


Saga Irmãos MacGregor
2- O Segredo de Malcom
Série concluída


Renaud

Série Cavaleiros da Normandia
O Ano de Nosso Senhor 1071 

Cinco anos após a invasão Normanda da Inglaterra, a maioria dos saxões aprendeu a obedecer às regras dos conquistadores, mas não a todos.
A linda garota saxônica, Cynwise Golderon, detesta os arrogantes Normandos e não consegue entender porque sua irmã mais velha deseja se casar com um. Não só isso, mas ela terá que viver ao lado dos recém-casados em seu castelo de pedra por segurança. Quando ela encontra Sir Renaud de Clairvoy, irmão do noivo, ela tem prazer em irritá-lo, mas isso só acaba com ela sobre seu colo, recebendo uma palmada sonora. Por ordem do Rei, Sir Renaud toma Cynwise como sua noiva, procurando aumentar sua influência sobre a Inglaterra juntando-se o Saxão com a Normandia. Ela detesta sua herança Normanda, mas não pode negar sua atração por seu marido forte e bonito.
Renaud pensou em se casar com uma compatriota Normanda e uma mulher menos animada do que a maltratada moça saxã que ele recebeu. Ele deve domar sua natureza rebelde, e da melhor maneira que sabe, com uma palmada sonora. Ela deve aprender a obedecê-lo ou aceitar as consequências.
Ela continuará a desafiá-lo?

Capítulo Um

Uma conquista Normanda , Somerset, Inglaterra 1071

— Por que você o ama? — bufou Cynwise, olhando fixamente para sua irmã.
Elfreda Golderon olhou para sua irmã mais nova e suspirou.
— Cynwise, desista! Sir Gerard de Clairvoy será meu marido, apesar de suas dúvidas. Pense em nosso futuro. — Ela andou pela pequena moradia que compartilhavam e moveu os braços ao redor. — Apenas olhe ao seu redor, Cynwise. Não teremos mais que viver em uma moradia tão pequena. Quando eu me casar, nós duas viveremos com conforto no Castelo de Ilchester.
—Mas Elfreda... Um Normando? Por que você não pode se casar com um saxão nobre de nascimento?
— Cynwise, os Normandos nos conquistaram há quase cinco anos... Já é hora de aceitar o destino. Gerard me ama e agradeço por isso. Significará um bom futuro para nós duas.
— Bom? Temos que aderir ao domínio Normando! Não, não é uma coisa boa a fazer, irmã. Eu ficarei aqui. Vá para o seu castelo e me esqueça! — Ela afirmou dramaticamente, virando-se para olhar fixamente para fora da pequena janela do casebre.
Elfreda se aproximou dela e, colocando uma mão em seu ombro, falou baixinho.
— Cynwise, nunca a deixaria viver sozinha aqui; por que pensas que te ensinei o Francês Normando? Você sabe que é mais querida para mim do que qualquer um. O pensamento de vê-la vivendo sozinha não me agrada. Os tempos estão conturbados, e você estará segura atrás das grossas paredes do Castelo de Ilchester. Aqui, sozinha... tudo pode acontecer.
Cynwise, ouvindo a preocupação na voz da irmã, suavizou-se um pouco e deu um tapinha na mão dela.
— Perdoe-me, Elfreda. Mas nós vimos muitos dos nossos parentes morrerem nas mãos desses bastardos Normandos. Pensar que você irá se casar com um deles... É difícil de aceitar.
—Talvez, um dia você também se case com um Normando.
Cynwise engasgou e se virou, cuspindo no chão em desgosto.
—Não! Aqueles bastardos Normandos nunca vão me conquistar!
Elfreda revirou os olhos.
—Temo que ninguém se casaria contigo, com tal temperamento.
—Algar, filho de Eldred, faria.
—Algar? Ele é apenas um ferreiro. Você sabe que papai nunca te deixaria casar com alguém tão inferior.
—Papai não está mais aqui.
—Como sua irmã mais velha, eu nunca daria permissão para tal casamento. Quando eu me casar, a decisão será tomada pelo meu marido, Gerard.
Cynwise ofegou.
—Você deixaria um Normando decidir com quem eu me casaria?
—Sim. Assim são as coisas, Cynwise. Quanto mais cedo você aprender a obedecer as suas regras, melhor. — Ela pegou a mão de Cynwise e puxou-a para a porta. —Venha, precisamos pegar algumas flores de prado para que eu possa dar o meu melhor ao meu casamento, amanhã.

 


Série Cavaleiros da Normandia
1- Renaud
2- Arthur
3- Gerard
Série concluída


17 de janeiro de 2020

Reunido

Série Highlander Perdido
O excitante Highlander de Piper voltou do século XVIII, desesperado para salvar sua vida.

Parece que ele pode ter tido algo a ver com a razão dela estar em perigo, mas cada vez que ela tenta obter uma resposta direta, ele a distrai com o que está sob seu kilt. Para nunca mais se separarem, eles têm de voltar ao passado juntos. Piper pode usar o feitiço de sua antepassada sem sucumbir à sua escuridão? E será que Sam e Evie alguma vez ficarão noivos?

Capítulo Um

─ Lachlan?
Piper apertou os olhos para o comprido corredor sombrio. Ela deve ter finalmente enlouquecido. Era a única explicação. Ela sentia tanto a falta dele que estava tendo alucinação com a presença dele no quinto andar infestado por esquilos. O desejo de que fosse verdade, que ele estivesse ali em cima, fez seu estômago se remexer com amargo desapontamento e constrangimento por sua tolice.
Uma rajada de ar mofado e viciado encheu o corredor quando a parede que escondia uma das muitas e perigosas passagens secretas do castelo abriu-se.
Com um gemido, ele avançou para seus braços, completamente real, sua montanha de Highlander. Ele estava aqui. Ela jogou seus braços ao redor de seu pescoço, respirando ofegantemente entre lágrimas de felicidade em seu peito sólido. Sua cabeça caiu sobre seu ombro e ela percebeu que algo estava errado. Ele estava em seus braços, mas ainda estava inclinado para frente. Ele estava definitivamente caindo.
Ela lutou para apoiá-lo, e com todas as suas forças conseguiu levá-lo ao chão sem que ele se machucasse, abaixando-se lateralmente para evitar que fosse esmagada enquanto ambos atingiam o tapete surrado.
Apressando-se em ficar de joelhos ao lado dele, passou as mãos pelo seu rosto. Ele tinha lama espalhada e um hematoma alarmante florescendo sob seu olho esquerdo. Seus longos cílios negros repousavam em suas bochechas, quase como se estivesse apenas dormindo pacificamente.
─ Lachlan.
Ela sacudiu seus ombros. Um pavor gelado tomou conta dela e ela sentiu-se começando a ser levada em uma onda de medo. Não, ela disse a si mesma, endurecendo seus músculos e sacudindo-o novamente. Ela precisava ficar aqui, estar presente.
Sua melhor amiga Evelyn sempre pensou que ela era tão tranquila quanto um pepino, mas o fato era que, se algo a perturbava, ela se afastava para outra coisa. A maioria dos problemas eventualmente cuidava de si mesmo ou deixava de importar devido à passagem do tempo, especialmente quando ela mergulhava em algo novo e interessante.
Mas não com Lachlan. Ele foi o primeiro homem que ela realmente amou. Quando ela o perdeu, ela sentiu a perda agudamente, mal passando por cada dia. Não importa o quão ocupada ela se manteve, nada poderia distraí-la ou fazer a dor desaparecer, até que ela compactou seus sentimentos implacavelmente em uma pequena e fria camada de gelo e relegou-o para o canto mais distante de seu coração. Agora ele estava de volta e ele precisava dela. Ela não poderia perdê-lo novamente.
Ela acariciou suas bochechas, lágrimas rolando pelo rosto e respingando sobre ele, fazendo a sujeira correr em pequenos riachos.
─Lachlan, por favor, acorde.








Série Highlander Perdido
1 -  Highlander Perdido
2 - Reunido