6 de setembro de 2015

O Rei Apaixonado

Série Nobres Apaixonados
Uma indiscrição foi só o começo...

O leve excesso de uma noite — oh, está bem, ele estava muito, muito bêbado — é o motivo pelo qual Stephen Parker-Roth se vê obrigado a se casar e assim evitar um escândalo. 
Ainda que sua “indiscrição” seja adorável, uma beleza ruiva sob um horrível chapéu fora de moda. 
Mas em seguida começa a se sentir satisfeito por seu compromisso com essa excelente candidata a esposa — e por antecipar as travessuras que vão realizar antes do casamento...Lady Anne Marston há muito tempo não pensa em nada que tenha a ver com a ideia de casamento. 
Esse é o preço que tem que pagar pelos erros de seu passado. Mas uma breve conversa com um atraente patife, não deveria ter provocado que se visse envolvida em um compromisso falso. 
Mesmo que ele tivesse lhe dado esse impressionante beijo...em plena luz do dia...ao lado da casa da maior bisbilhoteira de Londres. 
Agora, encurralada entre o segredo e a mentira, Anne tem que encontrar a maneira de se afastar desse sedutor e enlouquecedor homem, antes que Stephen descubra a verdade — ou perca o coração para ele...

Capítulo Um

Stephen Parker-Roth aterrissou em uma grande poça. Barro e água salpicaram no ar, empapando suas calças, manchando seu casaco e sujando seu rosto. Limpou uma mancha da face com uma área intacta de sua gravata e franziu o cenho para o autor do desastre em sua vestimenta.
— Você tem uns modos deploráveis, senhor.
Com a língua pendurada, o malfeitor piscou. Olhava Stephen sem nenhum sinal de estar envergonhado.
— Isto não teria acontecido se não estivesse muito, muito bêbado, sabe?
O indivíduo inclinou a cabeça para um lado.
— Duvida de mim, senhor? — Stephen se inclinou para frente e apontou com o dedo o grande animal para enfatizar seu ponto. — Aviso, sou um homem extremamente perigoso. Ganhei lutas de Borneou à Buenos Aires ou à Boston. Mais de um canalha lamentou o dia em que seu caminho cruzou com o meu.
O cachorro latiu sonoramente e apoiou a cabeça sobre as patas dianteiras. Suas patas traseiras seguiam levantadas, movendo a cauda como uma bandeira em uma forte tormenta.
Stephen relaxou o bastante para coçar as orelhas da criatura.
— Ah, bem, não vou fazê-lo pagar por sua ignorância sobre mim. Não é mais que um... — franziu o cenho. — Não, não pode ser um cachorro vira-lata... está muito limpo. Porque está vagando sozinho pelo Hyde Park? — Os dedos de Stephen encontraram uma coleira enterrada entre o pelo do cachorro, e então notou a corrente que arrastava pela grama. — Oh não, não está só. O que fez com seu dono, cavalheiro?
As orelhas do cachorro levantaram. A agradável e incrivelmente sedutora voz de uma mulher, gritou.
— Harry!
— Ou dona... — Stephen se encontrou falando com o ar. Harry já estava saltando pela grama e se dirigia até uma figura que estava a uns cem metros de distância. Stephen entrecerrou os olhos por causa do sol. A mulher usava um enorme chapéu e um vestido que parecia um saco de batatas enorme.
Uma lástima. Uma voz que evocava lençóis desfeitos e braços e pernas entrelaçados, não deveria pertencer a alguém com esta aparência ridícula.
A mulher se inclinou para recolher a corrente e Harry começou rapidamente a rebocá-la de novo até ele.
Melhor seria que Stephen se levantasse, é o que faria um cavalheiro. Se pôs de pé, ainda que isto não fizesse que o barro desaparecesse. MacInnes teria uma apoplexia quando o visse. Nunca entenderia porque seu criado pessoal, que não pestanejava quando tinha que cuidar de sua vestimenta no Amazonas ou nas selvas da África, ficava tão insuportável como um maldito almofadinha quando chegavam na costa da Inglaterra.
Oh. A mudança para esta posição vertical não estava fazendo nada bem a ele. Se agachou, apoiando as mãos nos joelhos e engoliu várias vezes até que a paisagem deixou de dar voltas e sua última refeição permaneceu em seu estômago. Seria de extrema falta de educação, cumprimentar esta senhora soltando seu conteúdo digestivo em cima de seus sapatos.
— Harry! Não corra!
Mesmo aguda e sem fôlego, sua voz lhe enviou um tremor de prazer que o percorreu inteiro. Stephen se inclinou um pouco para proteger qualquer óbvia evidência de seu interesse.
Controla tua luxúria!
A mulher poderia ter dentes de coelho e hálito de alho ou estar desdentada e ter oitenta anos.
Ele levantou a vista. Bom, não oitenta. Ela se movia muito rápido para ser tão mais velha.
O chapéu horrível deslizou de sua cabeça enquanto a observava. Ah!

Série Nobres Apaixonados
1 - O Duque Apaixonado
2 - O Barão Apaixonado
2.5 - O Lorde Apaixonado
3 - O Marquês Apaixonado
4 - O Conde Apaixonado
5 - O Visconde Apaixonado
6 - O Cavalheiro Exposto
6.5 - Príncipe Apaixonado
7 - O Rei Apaixonado
Série Concluída


29 de agosto de 2015

Meu Lorde Escândalo

Trilogia Solteiros e Desavergonhados
Sem medo do escândalo

Uma jovem debutante encontra um libertino na varanda da sua alcova. 
Não só a reputação dele se interpõe entre ambos, mas também a antiga inimizade entre as duas famílias, que porá à prova esse amor.
Por que será que a jovem lady Amélia Hathaway só se interessa pelas empreitadas difíceis? 
Por que, dentre todos os jovens da alta sociedade londrinense, ela teve que se fixar em lorde Alexander St. James, tão famoso pelos heroísmos de guerra quanto pelo desprezo que tem pelas regras sociais e os compromissos sentimentais?
Agora Amélia já pode dar nome ao misterioso ladrão que, à noite, surpreendeu-a na varanda do quarto dela e lhe roubou um beijo. 
Lorde Alexander, o filho mais novo do duque de Berkeley, é um vulgar delinquente? Isso é, com efeito, impossível.
O jovem e atraente aristocrata colocou novamente sua reputação em perigo por causa de uma mulher. Mas desta vez se trata de uma mulher muito especial, e quase que a única capaz de obrigá-lo a fazer algo que, em princípio, não quer: sua avó. A velha senhora precisa recuperar um objeto ligado ao passado da família, e essa chave abrirá o coração de Amélia e Alexander.

Capítulo Um

O beco no qual lorde Alexander St. James tinha posto os pés estava sujo e fedia a ranço; estava quase convencido de que, se caísse do parapeito, aterrissaria sobre uma ratazana de bom tamanho. Como esmagar roedores escorregadiços não estava entre os seus passatempos favoritos, agarrou-se com mais força e calculou a distância que o separava do próximo telhado, que pareciam tão distantes quanto Londres de Edimburgo, mas na realidade, devia estar a poucos metros apenas.
— Que diabo há com você? – sussurrou uma voz na escuridão. – Salte de uma vez. Isto foi ideia sua!
— Eu não vou saltar – replicou, pois não estava disposto a confessar que tinha pavor de altura.
Estava assim desde aquela fatídica noite na qual havia salvado a altíssima muralha da cidadela de Badajoz com Forlorn Hope. Ainda se lembrava da chuva fina, das escadas abarrotadas de homens e do imenso vazio negro lá embaixo...
— Eu sei que foi ideia minha – resmungou.
— Então, creio que, salvo se lhe apetecer dar um passeio pela prisão de Newgate, – coisa que, por certo, a mim não, – você vai concordar comigo que precisa agir, porque o alvorecer está prestes a raiar.
A prisão de Newgate. Alex não gostava de espaços fechados tanto quando de altura. Depois do que lhe contara a avó há alguns dias, quis ter uma imaginação menos fértil. Ser trancafiado numa cela miserável era a última coisa que queria no mundo, mas, pelos seres queridos – filosofou explorando o vazio – teria que assumir riscos, e ele adorava a avó.
Esse pensamento o inspirou o suficiente para cobrir a distância e pousar com uma pancada seca do outro lado, com precário equilíbrio sobre as pequenas tábuas cobertas de fuligem. O companheiro lhe fez um sinal com a mão e, agachado, iniciou a lenta peregrinação até a próxima casa.
A lua era uma forma oblonga um tanto coberta pelas sombras das nuvens, perfeita aquela luz para se esconder, embora dificultasse a visão. Dois becos depois, com os respectivos saltos correspondentes e angustiosos, chegaram ao destino, e se soltaram da varanda que dava para um pequeno jardim cercado por muros.
Michael Hepburn, marquês de Longhaven, saltou primeiro e caiu de pé, mantendo o equilíbrio como um bailarino, o que fez Alex se perguntar, pela enésima vez, qual era a função do amigo no Ministério da Defesa.
— O que os seus espiões averiguaram sobre a distribuição da casa?
Michael examinou o lugar na penumbra através dos vidros das portas.
— Neste momento eu podia estar no nosso clube, saboreando um bom conhaque.
— Não reclame – murmurou Alex. – Você vive à base deste tipo de intriga. Felizmente a fechadura é simples. Não vou demorar a abri-la.
Com efeito, dali a pouco as portas se abriram com um forte rangido que incomodou os ouvidos de Alex, que tomou a iniciativa e se infiltrou no quarto às escuras, registrando com um olhar as formas difusas de uma grande cama com dossel e um armário. Sobre a cama jazia algo branco e, inspecionando de perto, viu que era uma camisola debruada com requintadas rendas, e a colcha estava afastada. Aquela peça virginal fez com que ele se sentisse um intruso, e – que diabos! 

Trilogia Solteiros e Desavergonhados
1 - Meu Lorde Escândalo
2 - Um Erro Inconfessável
3 - Seu Segredo Pecaminoso
Trilogia Concluída

Falsa Inocência




Sophie Haversahm daria qualquer coisa para não ter o dom de ver o futuro, pois sempre a tomaram por louca e por culpa desse "talento" já tinha perdido seu prometido.

Além disso, convencer a Scotland Yard de que vai se cometer um assassinato é muito mais difícil do que ela pensava; sobre tudo porque a futura vítima é nada mais, nada menos que o atraente detetive Mick Dunbar. 
Mick não acredita em visões e está convencido de que na realidade Sophie está protegendo o possível assassino. Entretanto, quando a vida de Sophie corre perigo, Mick se dá conta de que se apaixonou por essa preciosa e incomparável mulher capaz de lhe ler a mente e o coração. 
Será muito tarde para salvá-la?

Capítulo Um

Londres, 1897
Quando Mick Dunbar despertou essa manhã de 28 de maio não era um homem feliz. Fazia trinta e seis anos, e tinha que encarar o amargo fato de que já não era tão jovem.
Esse dia em concreto, inclusive se sentia mais velho. Doía-lhe o ombro por causa da ferida de bala que tinha recebido dez anos atrás, estava convencido de que tinha mais cãs que a noite anterior e nem sequer ter barbeado o bigode o fazia aparentar menos idade. Mick soube que esse dia ia ser muito, muito longo.
Logo que pôs os pés na Scotland Yard, viu que as brincadeiras relacionadas com seu aniversário já tinham começado. Seu escritório estava vazio. Sua mesa, suas cadeiras, as pastas de seus casos tinham desaparecido. Levaram inclusive as condecorações que ao longo de sua carreira tinha pendurado na parede.
-Thacker! - gritou e viu como o sargento saía correndo da sala que no departamento de investigação criminal utilizavam como sala de reuniões -. Pode-se saber o que está acontecendo aqui?
A careta que desenhou o ruivo bigode do sargento indicou a Mick que Thacker estava ciente do acontecido.
-O inspetor chefe DeWitt decidiu que hoje era o dia perfeito para pintar seu escritório.
-Com certeza - resmungou Mick entre dentes. Nem sequer seu chefe tinha podido resistir às brincadeiras -. E onde estão minhas coisas? No necrotério?
-Não, senhor. Estão no piso abaixo. Siga-me.
Mick desceu a escada junto com o sargento. Além do necrotério, era o pior lugar que podiam ter escolhido os meninos. Qualquer um que ia
dar parte de um delito tinha que passar primeiro por ali. Era um lugar caótico, ruidoso e cheio de gente.
Thacker o levou até o centro da sala. Sua mesa estava ali coberta por um montão de arquivos, e as pastas dos casos abertos estavam no chão, rodeando-a por completo. Mick, que era sem dúvida o oficial mais obcecado com a ordem de toda a Polícia Metropolitana, olhou todo esse caos e amaldiçoou tão forte que o ouviram por toda a sala.
Todos os policiais puseram-se a rir olhando-o divertidos. Mas à medida que se aproximava da mesa se deu conta de que a brincadeira ainda não tinha chegado ao seu fim. Apoiado no respaldo de sua cadeira havia uma bengala.
Mick olhou esse símbolo da terceira idade e franziu o cenho. Fazer brincadeiras quando era o aniversário de um deles era o pão de cada dia, e ele estava acostumado a rir tanto quanto qualquer um, inclusive quando era a vítima. Mas esse ano não.
Agarrou a bengala e, sem nenhuma delicadeza, a deu a Thacker.
-Jogue isto no lixo.
-Feliz aniversário, senhor. -Thacker lhe deu uma sincera palmada nas costas que só fez com que lhe doesse ainda mais o ombro-. Já imaginava algo como isto, verdade?
-Sim, imaginava.
-Anime-se, senhor.


O Italiano

Série Crônicas Italianas
Duas pessoas que se apaixonaram na hora errada, mas pelas razões certas...

Com a queda de Napoleão o Império Austro-Húngaro toma poder sobre o continente europeu.
Em 1820, em todos os cantos da Italia haviam revolucionários, traidores e espiões. 
Angelo Bartolini era um homem com muitas faces: bom filho e irmão, amigo fiel e um patriota incondicional.
Como membro dos carbonários, uma sociedade secreta dedicada a libertar a Itália do poder austríaco, Angelo é um homem muito procurado por seus feitos, apesar de sua fama e temido por ela, mostra seu lado sensível e desperta o desejo da tímida pintora inglesa Beatrice FairWeather.

Capítulo Um

As ruas de Turim estavam as escuras, a cidade ainda não havia despertado. Além do Rio Pó, um dos rios mais inportante da Italia, o ponto alto das montanhas mal podia ser visto com o céu nebuloso pela penumbra. Acima, as estrelas continuaram brilhando, o sol não tinha derramado a bênção de sua luz na terra úmida de orvalho.
Ângelo percorria a rua que na Roma antiga era chamavam Decumanus Maximus. O longo casaco negro parecia abafar o ruído de suas botas sobre as velhas calçadas. Passando por junto às fachadas dos edifícios que se abriam à Praça do Palazzo di Cittá, onde antes eram o fórum romano e o mercado medieval. Deteve-se repentinamente quando um som chegou a seus ouvidos, parado junto à esquina onde se elevava a base inacabada da torre do relógio, cujas obras, paradas sob as ordens de Napoleão, não haviam sido retomadas.
O súbito repicar dos cascos de um cavalo rompeu o silêncio da noite. A primeira coisa que pensou foi que o tinham seguido. Permaneceu quieto aguçando os ouvidos. Novamente ouviu o ruído e escondeu-se no vão de uma porta, escurecido por um telhado baixo. Apertou-se contra ela, engolido pela escuridão e pelo casaco. A boca estava seca e seu coração pulsava furiosamente. Angelo inspirou o ar e o reteve, deixando sua pulsação voltar normalmente.
O ruído dos cascos estava mais próximo, uma carroça puxada por um cavalo apareceu lentamente ante sua vista. Ouviu um ruído metálico e viu as leiteiras. Respirou aliviado, mas não ousou sair de entre as densas sombras. As coisas não eram sempre o que pareciam. Um movimento em falso podia lhe custar à vida.
A tensão e o nervosismo tomaram conta de seu estômago travando suas pernas. O suor lhe emanava da testa. Ficou imóvel. Somente seus olhos se moviam, seguindo o avanço da carroça, que dobrou uma esquina e desapareceu por uma viela. Ângelo não se moveu. Nem quando perdeu a carroça de vista, nem quando o rítmico repicar dos cascos se fez mais fraco. Aguardou, como mármore maciço, até que tudo ficou em silêncio. Lentamente, abandonou o refúgio das sombras e prosseguiu seu caminho rua acima. Mantinha-se próximo aos edifícios, aguçando o ouvido, atento aos sons de passos ou ao tamborilar dos cascos de algum outro cavalo.

Série Crônicas Italianas
1 - A Filha Abandonada
2 - O Italiano
Série Concluída

19 de agosto de 2015

Príncipe Apaixonado

Série Nobres Apaixonados

Josephine Atworthy está escandalizada pelo que acontecia durante a festa celebrada na casa de seu rico vizinho. Muito chocada. 

Mas o charme recatado de Jo seduz um nobre misterioso, que implora um beijo... elogo outro. E em um abrir e fechar de olhos, os dois caem nas profundas redes do amor..




Capítulo Um

— Papai, o que diabos é isto?
A senhorita Jo Atworthy atirou o pacote que carregava sobre a escrivaninha de seu pai. Ele se apressou em pegá-lo antes que batesse na danificada superfície de mogno.
— Cuidado, Jo! É uma coleção muito rara dos poemas de Catullus para Lesbia.
— Oh, Meu Deus.
Jo apertou os dentes e contou até dez. Outro livro caro, e de poesia lasciva, nada menos. Quantas vezes tinha que dizer ao seu pai que não podiam se permitir tais extravagâncias?
O observou enquanto examinava o livro com reverência e acariciava a capa de couro. Dava no mesmo que tivesse falado mil vezes. Ele nunca ouvia o que não queria.
Sufocou um pequeno suspiro. Não tinha nada que fazer. Teria que dizer ao senhor Windley que aceitaria dar aulas de latim para seu filho mais novo, um menino dos mais travessos. Desatou a touca e a tirou. Mas de maneira alguma aceitaria o senhor Windley, não importava o quanto fossem claras as intenções dele de contratá-la permanentemente – com anel de casamento incluído – para que ensinasse sua prole e cuidasse do lar, e talvez, até mesmo, procriar um par a mais de Windleys idiotas.
Ainda que a condenada verdade fosse que esse casamento solucionaria todas suas dificuldades financeiras.
Atirou a touca sobre uma surrada cadeira. Meter um pouco de senso de economia na cabecinha de seu pai também podia funcionar. Nesse momento, ele estava examinando as páginas de sua nova aquisição, com um sorriso de alegria pura e um tanto temerosa.
— Papai, tem que parar de comprar estes livros. Não temos dinheiro para pagá-los.
Ele nem sequer se incomodou em levantar a vista.
— Vamos, Jo, tenho certeza que podemos…
— Não podemos.
Meteu as mãos nos bolsos para não o estrangular, e os dedos deslizaram por uma carta que recolheu junto com o resto da correspondência. Um frenesi de emoção a percorreu. Havia esperado esta carta toda a semana. Quando, por fim, recebeu-a, com seu endereço escrito na familiar letra negra, seu primeiro instinto fora pegá-la a toda pressa, ir a seu dormitório, aconchegar-se em sua poltrona favorita e ler na intimidade..., mas o maldito pacote de seu pai conseguiu fazer com que se esquecesse da carta. Passou um dedo pelo papel. Seu príncipe londrino teria se divertido com seus comentários sobre Virgílio? Esteve em brasas esperando sua reação. Acaso ele...?

Série Nobres Apaixonados
1 - O Duque Apaixonado
2 - O Barão Apaixonado
2.5 - O Lorde Apaixonado
3 - O Marquês Apaixonado
4 - O Conde Apaixonado
5 - O Visconde Apaixonado
6 - O Cavalheiro Exposto
6.5 - Príncipe Apaixonado
7 - O Rei Apaixonado
Série Concluída








15 de agosto de 2015

Tentado à meia-noite

Sociedade Literária das Damas de Londres

Uma mulher bonita em uma situação desesperadora, vai usar um pequeno truque para garantir o sucesso, e isso não só atrai a atenção do Literary Society of London Ladies, mas do último homem que ela nunca imaginou seria capaz de seduzir.

Emily Stapleford nunca imaginou que a tarefa de salvar sua família da ruína financeira cairia sobre seus adoráveis ombros.
E desde que decidiu se casar só por amor, não por dinheiro, ela tem escrito uma história que espera trazer a cobiçada fortuna que precisa ... Mas tudo o que conseguiu foi a recusa de cada editora a qual enviou seu manuscrito. Afinal, que respeitável leitor que se preze será atraído por uma heroína vampira?
Mas em vez de sentir- se derrotada, Emily elabora um plano e marca uma série de aparições de vampiros para toda a sociedade de Londres. Agora ela tem a publicidade que precisa e o sucesso é garantido ... A menos que o misterioso americano Jennsen Logan perceba seu truque e tenha a intenção de usá-lo em seu próprio benefício. Até que perceba que se apaixonou por ela. Mas Logan também esconde um segredo chocante ... Um que pode colocar suas vidas em perigo.

Capítulo Um

Desejei-o do momento em que o vi.
O aroma de sua pele, de seu sangue, era um delicioso e potente afrodisíaco que me provocava um intenso frenesi de necessidade.
Tentava-me de uma forma inexplicável, e não podia resistir.
Não podia esperar para afundar minhas presas em sua garganta.
O beijo de lady Vampiro, Anônimo
—Vê alguém suspeito?
Logan Jennsen se deteve debaixo de um dos altos olmos que beiravam o caminho de cascalho do Hyde Park e tirou o relógio do bolso do colete; um gesto despreocupado que contrastava com a tensão que gotejava sua voz.
—Suspeito do quê? —perguntou em voz baixa Gideon Mayne, o detetive do Bow Street.
Logan fingiu consultar a hora.
—Ninguém parece me dar a menor atenção, mas tenho a forte sensação de que alguém me vigia.
Notou como Gideon esquadrinhava a zona com um olhar penetrante enquanto fingia, igual a ele, consultar a hora em seu próprio relógio. Graças à ensolarada tarde depois de mais de uma semana do clima deprimente e cinza de janeiro, o parque estava abarrotado de pessoas que passeavam, cavaleiros e carruagens elegantes.
—Pelo seu tom deduzo que esta não é a primeira vez que isso te acontece —disse Gideon, voltando a guardar o relógio no bolso do colete antes de ajoelhar-se para limpar a ponteira de sua bota negra, embora Logan soubesse que o detetive só prestava atenção ao que acontecia a seu redor.
—Não. É a terceira vez em três dias. Por isso pedi que te reunisse comigo aqui. Esperava que pudesse perceber algo estranho.
—Não observo nada fora do normal —disse Gideon levantando-se. —De qualquer forma, será melhor que continuemos caminhando.
Essa era uma das coisas que Logan gostava em Gideon e a razão pela qual tinha pedido ao detetive que o acompanhasse; não perdia o tempo com perguntas desnecessárias tais como« —Está certo disso ? » — nem fazia sugestões como —«Pode ser que tenha imaginado».

Sociedade Literária das Damas de Londres
1 - Despertos à Meia-Noite
2 - Confissões de uma Dama
3 - Sedução à Meia-noite
4 - Tentado à Meia-noite
Série Concluída







Entre dois mundos

Shanaco era orgulhoso, mas tinha um grande coração, por isso quis cumprir o último desejo de seu avô e levasse sua reduzida tribo de Comanches à reserva do Fort Sill, Oklahoma, onde estariam a salvo. 

Ele prometeu ficar só o tempo necessário para assegurar-se de que sua gente seria tratada como mereciam, até que viu aquela beleza ruiva. 
A rebelde e teimosa Maggie Bankhead tinha abandonado a segurança de seu lar para empreender uma aventura no Oeste. E resultou que ensinar inglês na reserva era o mais de gratificante que tinha feito em sua vida. 
Por isso prometeu ficar no Fort Sill para sempre, até que conheceu o muito bonito guerreiro com pele de bronze e uns olhos prateados capazes de entrar em sua alma solitária.

Capítulo Um

Uma fria noite de outubro de 1875, Shanaco, um comanche mestiço da tribo dos Kwahadi, jogava pôquer em uma habitação privada no andar alto de um luxuoso Saloon da Santa Fé, Novo México. Shanaco vestia jaqueta negra, igual aos outros quatro cavalheiros, brancos e enriquecidos, sentados à mesa.
Em ambos os lados do arrumado mestiço, encarapitadas em tamboretes de veludo, havia duas mulheres ansiosas.
Uma formosa loira, a sua direita, e uma morena voluptuosa à sua esquerda. O fino braço da loira se apoiava sobre os ombros do comanche Kwahadi, enquanto a mão da morena, com as unhas pintadas de vermelho, descansava languidamente sobre sua coxa. Shanaco não prestava atenção a nenhuma delas.
Sua atenção estava fixa nas cinco cartas que sustentava, muito juntas, na palma da mão direita. Gostava do que via, mas não dava mostras de satisfação.
A ninguém se dava melhor em não demonstrar emoções durante um jogo de pôquer. Era um jogador hábil que conhecia as probabilidades e apostava sem acanhamento. Tinha talento para interpretar a expressão dosseu oponentes e era um professor de blefe. Sabia sem dúvida jogar cartas.
Alguns o chamavam sorte. Com os anos, tinha ganho dinheiro suficiente para comprar um pequeno rancho em terras não confiscadas pelo Governo Federal, em um frondoso Vale ao sul de Pracinha Pass. Ali, trabalhando conscientemente e sem ajuda de ninguém, tinha levantado uma modesta cabana e um curral rodeado por um cercado de troncos.
No ano seguinte planejava começar a explorar o rancho e convertê-lo em um verdadeiro lar. Do instante em que tomou posse da terra, tinha ignorado os olhares furiosos e as ameaças veladas dos colonos próximos. Sempre tinha o rifle preparado para defender sua casa.
 O isolamento e a solidão daquele lugar lhe faziam bem. Aquietava seu espírito. Se necessitasse de companhia, ia a Santa Fé por um par de dias. Ali havia uísque, cartas e mulheres, suas três grandes debilidades. Juntas ou em separado.
Naquela áspera noite de outono, Shanaco preferia desfrutar das três coisas de uma vez. Sua mão ocultava cinco cartas com as que sonharia qualquer jogador profissional. Ante ele havia um copo baixo e uma garrafa de bourbon de Kentucky antigo.
Tinha a cada lado uma mulher bonita e ansiosa por conhecê-lo mais intimamente. Os homens brancos e respeitáveis se mostravam menos cordiais e generosos com o Shanaco. Toleravam ao mestiço comanche para jogar cartas com ele, mas longe da mesa de pôquer procuravam lhe evitar. Não queriam ter nada a ver com ele.
Com as mulheres brancas e respeitáveis acontecia o contrário. Atrair o belo sexo não lhe custava nenhum trabalho. Aos seus vinte e seis anos, Shanaco media um metro oitenta e oito e pesava oitenta quilos. Era todo ele fibra e músculos duros. Seu cabelo abundante, comprido até os ombros e preso atrás com um fino cordão de couro cor ébano, era negro como a noite mais escura. Seus olhos de pesadas pestanas eram de um surpreendente cinza prateado. Aqueles olhos assombrosos podiam ser tão frios como gelo pálido ou exalar um fogo branco de puro ódio. Ou arder lentamente de desejo.

O Visconde Apaixonado

Série Nobres Apaixonados

A verdade apaixonada...

Depois de oito temporadas em Londres, a senhorita Jane Parker-Roth, está desejando abandonar a tediosa busca de marido a favor de interesses mais excitantes. 
De modo que quando encontra um intruso na casa de seu anfitrião, não está disposta a deixar o sem vergonha escapar. 
Até que descobre que está lutando com um Visconde, Lorde Motton, um aristocrata com o qual não se importaria em encontrar na escuridão. E quando fazem em pedaços a uma escandalosa estátua do deus Pan, os problemas estão apenas começando…
Motton estava buscando provas incriminatórias, mas as chocantes pistas dentro da estátua nua, são muito diferentes daquilo que procurava. 
O mesmo pode dizer de Jane, que demonstra ter um talento natural para interferir nos seus assuntos. E quando sua busca se torna um tanto imprópria, descobre que a impetuosa senhorita Jane também tem um grande talento para outras coisas…

Capítulo Um

EdmundSmyth, Visconde Motton, empurrou a porta francesa que dava para o terraço. Esta se abriu facilmente. Perfeito. Ou o mordomo era incrivelmente descuidado,ou o mais provável é que estivesse mais bêbado que uma esponja.
Abriu aporta totalmente e entrou noestúdio do lamentavelmente falecido, ClarenceWidmore. As damas Parker-Roth se encontravam atualmente na residência. Teria que contar a Parker-Roth. Stephen gostaria de saber que suamãe e sua irmã não estavam adequadamente protegidas. Isto eraLondres, ao final de contas.Qualquer tipo de delinquente poderia forçar a entrada.
Motton pegou uma velado suporte da lareira e aproximou das brasas. O fogo voltou a vida.
Claro que, se  Parker-Roth vivesse debaixo deste teto, já estaria a par da situação, mas não podia culpar seu amigo por querer manter sua independência. Ele gostaria de fazer o mesmo, suas tias o estavam deixando louco. Winifred tinha chegado hoje com seu papagaio e seu mico, e com isto, suas cinco tias paternas e suas mascotes, se encontravam, neste preciso momento, morando na sua residência. Por Deus! 
Agora o manicômio de Bedlam seria muito mais tranquilo que sua casa da cidade. O pior de tudo era que as mulheres tinham se unido para lançar um ataque contra sua solteirice. A chegada de tia Winifredera especialmente alarmante.Era uma estrategista muito astuta. Teria que  estar extremamente alerta até que ela voltasse para sua casa.
Inspecionou a habitação.Maldita seja, teria sido muito útil se tivessem lhe dado uma pista de por onde começar. Buscar dentro de todos os livros o misterioso desenho de uns espiões franceses que o Conde Ardley queria,o manteria ali até amanhã.As damas Parker-Roth não ficariam fora tanto tempo.
Edmund abriu o livro que estava mais próximo e folheou as páginas. Se não fosse o vizinho de Widmore e não estivesse tão malditamente aborrecido, teria rechaçado cortesmente — ou não tão cortesmente — o pedido de Ardley.

Série Nobres Apaixonados
1 - O Duque Apaixonado
2 - O Barão Apaixonado
2.5 - O Lorde Apaixonado
3 - O Marquês Apaixonado
4 - O Conde Apaixonado
5 - O Visconde Apaixonado
6 - O Cavalheiro Exposto
6.5 - Príncipe Apaixonado
7 - O Rei Apaixonado
Série Concluída





Índigo

Série Comanche


Nascida da união de dois universos diferentes, o branco e o comanche, Índigo Blue vê-se dividida entre mundos diversos...

Crescendo sem muita convivência com os moradores da cidade de Porto Wolf, no Oregon, que não conseguem compreender seu espírito livre e indomável, discriminando-a por considerá-la uma mulher “branca” de sangue Comanche. 
Isto começa a mudar com a vinda de Jake Rand, que chega à cidade para trabalhar como capataz do rancho de sua família, atendendo ao chamado de Hunter, pai de Índigo.
Porém, os reais motivos de Jake são tão secretos quanto a sua verdadeira identidade e tão pessoal como o é sua crescente atração em relação a Índigo, a quem se empenha em conquistar, para isto usa todo o seu arsenal de paciência e sedução.
Irá Jake atingir seus objetivos e também conquistar Índigo? Conseguirá domar o espírito selvagem da sua amada?



Sedução à Meia-noite

Série Sociedade Literária das Damas de Londres
Lady Julianne Bradley sempre ansiou viver uma aventura selvagem. Por desgraça, o homem com quem deseja compartilhar seu ardor jamais poderá ser seu.
Atormentada por seu desejo, prepara-se para um matrimônio apropriado com seu status quando uma série de acontecimentos espectrais, saídos de sua última leitura, começa á suceder-se… e para proteger Julianne, seu pai contrata ao mesmo homem que deseja seu coração.

Capítulo Um

Londres, 1820

Do London Times:
Vocês acreditam em fantasmas? A senhora Marguerite Greeley foi assaltada e assassinada em sua casa na Berkeley Square em um crime idêntico ao de lady Ratherstone semana passada. O mordomo da senhora Greeley, declarou ter ouvido estranhos gemidos, oriundo das habitações privadas, onde a dama guardava suas joias. Ao entrar na sala, o mordomo descobriu o corpo sem vida de sua ama e percebeu que suas joias haviam desaparecido, mas conforme informou, todas as janelas e portas estavam fechadas por dentro. Fatos que se assemelham ao acontecido na casa de lady Ratherstone, por isso resultam evidencias que a senhora Greeley é a última vítima do inteligente, diabólico, e aparentemente invisível e escorregadio criminoso do Mayfair. Neste momento, todo Londres se faz duas perguntas: Poderia ser realmente o ladrão um fantasma? Quem será a próxima vítima?
Depois de assegurar-se de que ninguém a olhava, lady Julianne Bradley, escapuliu do abarrotado salão de baile e percorreu o longo corredor iluminado com velas. Embora seu coração pulsasse de antecipação, esforçou-se a manter um passo tranquilo. De maneira nenhuma queria chamar a atenção sobre sua pessoa.
A música e a risada, o zumbido das conversações, e o tinido das taças se desvaneceram ao afastar-se do elegante salão onde transcorria a festa de lorde e lady Daltry. Dobrou a esquina e começou a contar as habitações… Uma... Duas… Diminuiu o passo ao aproximar-se da terceira porta.
De repente, teve a estranha sensação de estar sendo observada. Um acalorado rubor, que sempre coloria sua pele pálida de um vermelho delator cada vez que experimentava qualquer tipo de nervosismo, subiu-lhe pelo pescoço e lhe acendeu o rosto.
Deu a volta, examinando a zona, mas não viu ninguém. Estava sozinha.
Continuava com a imaginação tão ativa como sempre.
Esperando não parecer tão furtiva quanto se sentia, dirigiu um último olhar a seu redor e abriu a terceira porta. Entrou com rapidez na estadia, fechando a porta atrás de si.
—Já era hora de que chegasse.
Ouviu a voz a seu lado, e Julianne apenas pôde conter o grito de surpresa que lhe veio aos lábios. Apoiando-se contra a folha de carvalho, observou a escura biblioteca, iluminada pelo tênue resplendor do fogo que ardia na chaminé. Três pares de olhos a escrutinaram.
—Começávamos a pensar que não viria. — disse lady Emily Stapleford, afastando impacientemente Julianne da porta — Com sorte, disporemos de uns poucos minutos, antes que alguém note nossa ausência na festa. Que demônios atrasaram-lhe?

Série Sociedade Literária das Damas de Londres
1 - Despertos à Meia-Noite
2 - Confissões de uma Dama
3 - Sedução à Meia-noite
4 - Tentado à Meia-noite
Série Concluída

Confissões de uma Dama

Série Sociedade Literária das Damas de Londres

Carolyn Turner, viscondessa Wingate, está completamente escandalizada pela última seleção levada a cabo pela sociedade literária de Londres. Memórias de uma amante é escandalosamente explícito e absolutamente perverso... e despertava nela sentimentos que nunca soube que possuísse. Está convencida de que esta erótica leitura é o único motivo pelo qual está sucumbindo aos encantos do célebre libertino Daniel Sutton, lorde Surbrooke.
É totalmente impossível que esteja apaixonada por suas ilícitas carícias... ou não?
A última coisa que Daniel desejava era pronunciar os votos matrimoniais. Desejava com anseio a Carolyn, certo, mas nunca imaginou que uma vez que a arrastasse a sua cama jamais queria deixá-la partir.
Mas só quando um assassino converte a sua amada em seu objetivo, Daniel se vê incitado a confessar seu amor... e a reclamar a Carolyn como sua mulher.

Capítulo Um

— Quando escolhemos este livro, não fazíamos ideia de que fosse tão... explícito- murmurou Carolyn Turner, viscondessa de Wingate.
Sentada no salão de sua casa, apertou com suas mãos o exemplar fino, encadernado em couro e muito lido de Memórias de uma amante e contemplou a suas três convidadas, que formava com ela a Sociedade Literária de Damas de Londres. Percebeu que um rubor escarlate idêntico ao dela coloria as faces de suas amigas, o que era compreensível, pois uma delas fazia pouco que se casou, e as outras duas eram inocentes e virginais. Bom, virginais sim, mas inocentes não mais... graças às Memórias.
Claro que ela, apesar de ter estado casada durante vários anos, nunca sonhou, e muito menos experimentou, a metade das coisas descritas no escandaloso livro que, recentemente, cativou à Sociedade Londrina. Antes da prematura morte de seu amado Edward, três anos atrás, Carolyn acreditava que compartilhara com ele todo o prazer imaginável. A julgar pelo que leu nas Memórias, não era exatamente assim.
Sarah, sua irmã, marquesa de Langston graças a seu recente matrimônio, pigarreou.
— Bom, a razão primitiva de que criássemos nossa pequena Sociedade Literária de Damas era deixar de lado os clássicos a favor de leituras consideradas proibidas.
— Assim é — confirmou lady Julianne Bradley, cuja cútis, que normalmente era de porcelana, parecia agora um aceso pôr do sol — mas uma coisa é o proibido, e outra, isto.
Sustentou alto seu exemplar da obra e Carolyn se fixou em que muitas de suas páginas se viam decididamente manuseadas. Julianne se inclinou para diante e, embora estivessem sozinhas na sala, baixou a voz.
— Se minha mãe, alguma vez, descobrisse que tenho lido coisas tão chocantes, ela... — Fechou com força as pálpebras durante uns instantes. — Uf, nem sequer posso imaginá-lo.
— Ficaria furiosa, como faz sempre — interveio lady Emily Stapleford com sua franqueza habitual. — Pediria os sais e, quando se tivesse acalmado, aposto que te confiscaria o livro para lê-lo ela.
— Emily sorriu com ironia a Julianne por cima da borda de sua xícara de chá. — Em cujo caso, você não só te veria confinada a seu quarto pelo resto de seus dias, mas também nunca recuperaria seu livro, assim te assegure de que não o descubra.
Julianne ruborizou ainda mais e acrescentou, com nervosismo, outro torrão de açúcar a seu chá.

Sociedade Literária das Damas de Londres
1 - Despertos à Meia-Noite
2 - Confissões de uma Dama
3 - Sedução à Meia-noite
4 - Tentado à Meia-noite
Série Concluída

Despertos à Meia-noite

Série Sociedade Literária das Damas de Londres

Em Mayfair estalaria um escândalo se descobrissem que a Sociedade Literária de Damas Londrinas decidiu trocar os livros de Jane Austen - muito aborrecidos para seu gosto - por algo mais provocador... algo como Frankenstain.
Depois de um debate em uma reunião campestre, Sarah Moorehouse e suas amigas decidem criar o Homem Perfeito - em sentido figurado, é óbvio. A cada uma delas foi atribuída uma tarefa, e a Sarah corresponde "tomar emprestada" a camisa do anfitrião, o arrumado Matthew Davenport, marquês de Langston. Mas, quando uma noite descobre o marquês no jardim com uma pá, sua imaginação viaja e os mal-entendidos acontecem um após o outro. Movida pela curiosidade, a aventureira moça penetra em seu quarto... e é encontrada com as mãos na massa por este muito bonito aristocrata totalmente nu. De repente, Sarah e Matthew se vêem envoltos em uma luta para descobrir os segredos um do outro.

Capítulo Um

Um calafrio de inquietação desceu pelas costas de Matthew Davenport, que deixou de cavar para jogar uma olhada ao cemitério em penumbra. Com todos os sentidos alerta, aguçou o ouvido para ouvir unicamente o chiado dos grilos e o agitar das folhas pela brisa fresca cujo inconfundível perfume que pressagiava chuva.
As nuvens cobriram a lua, envolvendo-a em sombras, algo que era muito favorável para seus propósitos, mas que ao mesmo tempo o impedia de ver qualquer um que se aproximasse, o que não apaziguava o inquietante martelar de seu coração.
Voltou a jogar uma olhada a seu redor, logo se obrigou a relaxar. Maldição! Por que esse repentino nervosismo? As coisas não estavam saindo mal. Entretanto, não podia evitar a estranha sensação que o tinha invadido desde que a meia-noite tinha saído da casa..., a sensação de que alguém o seguia. O observava.
Uma coruja piou, e seu pulso disparou; apertou os lábios para impedir que o ambiente sombrio o assustasse. Levava meses realizando essas secretas saídas noturnas e estava acostumado aos sons estranhos provenientes do bosque em sombras. Com calma, inclinou-se e rodeou com os dedos o frio punho metálico da faca que levava na bota. Não tinha pensado usar a arma, mas o faria se fosse obrigado. Não tinha chegado tão longe nem dedicado tanto tempo à busca, para permitir que alguém a ameaçasse.
Busca? A palavra em si parecia uma brincadeira, e tragou o amargo som que ameaçava sair de sua boca enquanto cravava a pá na dura terra. Era muito mais que isso. Durante todo o ano anterior, essas malditas aventuras noturnas se converteram em algo mais que uma busca. Era uma obsessão que o despojava do sonho, de sua tranquilidade de espírito. Logo... logo saberia. De uma maneira ou de outra.
Levantando uma pesada pazada de terra, jogou-a de lado enquanto seus cansados músculos protestavam pelo esforço. Quantas fossas mais poderia cavar? Quantas noites mais poderia resistir sem dormir? Inclusive durante o dia, quando tinha que abandonar a busca por temor a ser descoberto, essa tarefa seguia obcecando-o. Agora ficava menos de um mês para cumprir sua promessa. E tanto sua honra como sua integridade requeriam que a cumprisse. Tinha comprometido ambas as coisas e, como consequência de sua insensatez, negava-se a cometer outro engano. 

Série Sociedade Literária das Damas de Londres
1 - Despertos à Meia-Noite
2 - Confissões de uma Dama
3 - Sedução à Meia-noite
4 - Tentado à Meia-noite
Série Concluída

10 de agosto de 2015

O Cavaleiro

Série Guardiões das Highlands
O ano de nosso senhor 1311. Por cinco longos anos, Robert the Bruce lutou por seu direito de sentar-se no trono da Escócia.

Mas, desde a sua derrota nas mãos do Inglês em 1306, ele andou fugindo no seu reino como um fora da lei, e muitos abandonaram a esperança de que ele teria sucesso.
No entanto, Bruce teve um retorno triunfante, primeiro ao derrotar o Inglês em Glen Fruin e LoudounHill, e, em seguida, os senhores escoceses, que estavam contra ele em guerra civil.
Depois de uma breve trégua da guerra, Bruce solidificou a sua espera no norte do país no RioTay. A batalha, em seguida, virou-se para o sul: em marchas problemáticas, para os castelos ainda ocupados pelo inimigo, e para o rei Inglês, que invadiu a Escócia, no verão de 1310.
Mas, Edward II da Inglaterra não era nada como o seu pai "Martelo dos Escoceses", e falhou assim a campanha do Inglês, quando Bruce e os seus homens se recusaram a entrar em campo contra o Inglês, travando, invés disso, uma "guerra secreta" de ataques surpresas e emboscadas para devastar o inimigo. No inverno, Edward II foi forçado retirar para as Planícies Inglesas, para lamber as suas feridas, e planejar a marcha para o norte novamente, na Primavera.
Mas, não havia nenhum descanso para Bruce e seus homens. Enquanto se preparavam para a segunda invasão de Edward, puseram-se a expulsar os ocupantes ingleses de alguns dos castelos chave da Escócia. Bruce podia não ter os meios aterrorizantes de cerco que o Inglês tinha para tomar um castelo, mas ele tinha algo tão destrutivo: homens como James Douglas, cuja destreza, habilidade, e ferocidade, se tornariam numa lenda.

Capitulo Um

Douglas, Lanarkshire, no sul da Escócia, fevereiro 1311
Silenciai-vos, silenciai-vos, vosso animalzinho,
Silenciai-vos, silenciai-vos, preocupei-vos,
The Black Douglas não deve pegar-vos.
Sr.Tales Walter Scott, de um avô
James estava voltando para casa! Joanna Dicson esperou ansiosamente ao lado da grande rocha no topo de Pagie Hill. Espalhando-se abaixo dela, agrupada nas margens do rio, estava a aldeia de Douglas. Para o norte, no outro lado da margem do rio, ela podia ver as torres do Castelo dos Douglas ou, como o Inglês que agora tomava conta do castelo, chamava, "o Castelo Perigoso de Douglas." Para o oeste, eram terras do seu pai em Hazelside, e para o leste...
Para o leste era James!
O sorriso dela caiu. Pelo menos, ela pensava que ele estaria vindo do Oriente. Embora James tenha travado sua campanha contra o Inglês a partir de uma base nas florestas a oeste de Selkirk, e tinha ouvido rumores dele estar recentemente no Norte com o rei Robert the Bruce como um membro da sua guarda pessoal. Agora, ele era tão importante e ela estava tão orgulhosa dele. Mas, tinha passado muito tempo desde que ela o tinha visto. Há quase três meses, James tinha passado por aqui, logo retornando para a sua fortaleza ancestral a fim de devastar o Inglês que detinha o seu castelo, ela não podia ter a certeza de seu paradeiro.
Quando seu pai lhe dissera que havia rumores que James estava na área, ela correu até a colina onde eles tinham se conhecido, sabendo que ele iria encontrá-la lá, assim que ele chegasse. Lágrimas de felicidade turvaram a sua visão. Ela não podia esperar para vê-lo. Eles tinham muito que falar. O coração dela inchou com emoção. Ele ia ficar tão feliz.
Quanto tempo ela tinha estado à espera? Uma hora, talvez duas? Seria meio-dia em breve. O estalo de um galho atrás dela fez seu coração pular. Ela virou-se animadamente. Finalmente!—É você?
Aqui. Só que não era ele. Não era James. A onda de emoção que surgiu através dela, de repente desabou.
O homem que se aproximou balançou a cabeça em falso desgosto. —Desculpe desapontá-la, Jo. Sou eu apenas.—Um canto de sua boca se curvou em um sorriso irônico. —Ainda bem que eu não sou um daqueles soldados ingleses de vocês; o olhar de decepção em seu rosto teria mergulhado uma adaga direto através de meu coração.
Joanna sentiu o calor subir-lhe ao rosto. —Eles não são meus soldados ingleses, Thommy. Você sabe que eu nada faço para encorajá-los.
O homem que ela conhecia desde a infância, que estava mais perto dela do que qualquer irmão olhou para ela com um piscar de diversão em seu olhar azul escuro. —Lass, só está lá e você o incentiva. Quem teria pensado que uma coisa tão engraçada de olhar viria a ser uma das moças mais bonitas de Lanarkshire?
—Coisa engraçada?

Série Guardiões das Highlands