É o ano de 1850 e a pequena Ana acaba de perder sua mãe, ficando aos cuidados de seu pai, que não tem problemas em enviar sua filha, de cinco anos a um rigoroso internato para senhoritas.
Treze anos depois, Ana Emília Victoria Federica de Altamira e Covas retorna ao Pazo. Converteu-se em uma linda jovem capaz de deslumbrar qualquer homem, mas sua sorte está decidida… Seu pai chegou a um acordo matrimonial com dom Jenaro Monterrey, um empresário de 70 anos com quem quer casá-la. Alberto partiu para longe da Galícia fugindo de dolorosas recordações e das duras exigências de seu pai, para que seguisse com o negócio familiar, mas Alberto ansiava outro destino, queria estudar uma profissão e ser um homem instruído.
Quando parece encontrar seu lugar, exercendo sua profissão em um escritório, se vê obrigado a regressar ao Pazo… Uma manhã na qual dom Jenaro se apresenta de surpresa, Ana foge para o bosque e cai. Um jovem a ajuda. Primeiro escuta sua voz, depois aparece entre os arbustos… Ainda que apenas um encontro seja suficiente para que ambos entendam que se pertencem, seu amor é impossível.
O destino de Ana já está marcado… ou talvez pudesse mudar sua sorte?
Capítulo Um
Villa e Corte de Madrid, treze anos depois.
Ana Emília Victoria Federica de Altamira e Covas se sentou muito ereta no assento forrado em couro negro, da carruagem que seu pai enviara expressamente para buscá-la e levá-la de volta a sua Galícia natal.
Um ligeiro movimento no assento da frente provocou o desvio do seu olhar, da mancha cinza que as ruas madrilenas formavam, disseminando-se agora a certa velocidade do outro lado da janelinha, para fixá-lo no enorme volume coberto de gazes e organdi que constituía sua acompanhante.
Dona Angustias, sua ama de criação, idosa, tinha ido buscá-la na capital, apesar da tremenda tortura que uma viagem de tantas horas provocava em uma mulher de sua idade e envergadura.
Àquela altura, lutava para encaixar suas generosas carnes, e suas volumosas capas de roupa, no reduzido espaço. Ana virou o rosto para observá-la com uma ternura infinita, o único modo no qual se sentia capaz de olhar a aquela boa e amorosa mulher, e um sorriso cheio de alegria e afeto ampliou levemente seu semblante.
Aquela anciã de rosto corado e gorducho, cujas bochechas flácidas caiam em ambos os lados do rosto, como bolsas sobrecarregadas tinha sido uma segunda mãe para ela ainda que, devido a sua idade, seu rol se aproximava mais ao de uma avó afetuosa e protetora.
Uma avó a qual amava acima de todas as coisas e que, estava certa, a amava também do mesmo modo. Sua muito querida nana. Era muito consciente de que a pobre ama, tentava com todas suas forças suprir o vazio que sua senhora deixara no coração da menina treze anos atrás, e o fizera tão bem que Ana mal sofreu sua ausência, somente o justo e necessário.
17 de março de 2018
Uma Sombra na Aljama
O amor é a única coisa que não nos obriga a ser o que os outros decidem.
Em uma época em que a religião decidia o destino das pessoas, Maria, ladra e cristã, vê-se necessitada de um médico para curar uma pessoa muito querida para ela.
Forçada pelas circunstâncias, tem de trabalhar, até pagar por seu erro, para o homem que acabara de roubar: Enoc, médico e judeu.
Acompanhando-o quando das visitas a seus pacientes, entre Maria e Enoc começa a florescer um sentimento que, aos olhos do resto do mundo, é proibido, perigoso e, até criminoso. Repudiados por cristãos, acossados por judeus e perseguidos pela Inquisição, como conseguirão sobreviver e fazer seu amor dar certo?
Capítulo Um
imediatamente. Era um homem usando quipá. Já há bastante tempo Cutelaria, examinando diferentes a misturando enquanto analisava cada detalhe de sua grandes, o cabelo comprido e de formar uma entanto, levou-lhe mais tempo do que o judeus Deus. da . stante , misturandoenquanto , e normal. aljama? Com um tanto como 6 pouco de sorte, estaria demasiado concentrado em sua tarefa para adivinhar as intenções de Maria. Se não, no pior dos casos, a moça podia correr.
Era ágil como uma gata; antes que o homem desse conta, teria desaparecido por algum beco. Alheio ao que acontecia ao redor, o jovem se deteve junto à banca de Pedro. Na rua da Cutelaria se vendiam adagas, punhais e estiletes, assim como utensílios domésticos de diferentes tipos; mas também havia bancas de comida e bebida.
Pedro vendia cevada; nesse momento, precisamente, estava enganando a balança, enquanto distraía um cliente descuidado. Enquanto isso, deu um jeito de trocar um olhar cúmplice com Maria. Ela captou a mensagem: era seguro. Era o momento de agir. A moça caminhou com ar inocente para a sua vítima. Com as mãos nas costas, inclinava-se sobre as mercadorias e as contemplava com ar crítico, fossem sacos de grão ou bainhas de couro. Ao mesmo tempo, vigiava a bolsa que o jovem tinha pendurada no cinto. O cordão não parecia muito grosso.
Quando esteve a menos de dez polegadas dele, ouviu que Pedro dizia: ― Quer provar a minha cerveja, senhor? Não encontrará outra melhor em toda a paróquia de São Salvador…, o que digo!
Em uma época em que a religião decidia o destino das pessoas, Maria, ladra e cristã, vê-se necessitada de um médico para curar uma pessoa muito querida para ela.
Forçada pelas circunstâncias, tem de trabalhar, até pagar por seu erro, para o homem que acabara de roubar: Enoc, médico e judeu.
Acompanhando-o quando das visitas a seus pacientes, entre Maria e Enoc começa a florescer um sentimento que, aos olhos do resto do mundo, é proibido, perigoso e, até criminoso. Repudiados por cristãos, acossados por judeus e perseguidos pela Inquisição, como conseguirão sobreviver e fazer seu amor dar certo?
Capítulo Um
imediatamente. Era um homem usando quipá. Já há bastante tempo Cutelaria, examinando diferentes a misturando enquanto analisava cada detalhe de sua grandes, o cabelo comprido e de formar uma entanto, levou-lhe mais tempo do que o judeus Deus. da . stante , misturandoenquanto , e normal. aljama? Com um tanto como 6 pouco de sorte, estaria demasiado concentrado em sua tarefa para adivinhar as intenções de Maria. Se não, no pior dos casos, a moça podia correr.
Era ágil como uma gata; antes que o homem desse conta, teria desaparecido por algum beco. Alheio ao que acontecia ao redor, o jovem se deteve junto à banca de Pedro. Na rua da Cutelaria se vendiam adagas, punhais e estiletes, assim como utensílios domésticos de diferentes tipos; mas também havia bancas de comida e bebida.
Pedro vendia cevada; nesse momento, precisamente, estava enganando a balança, enquanto distraía um cliente descuidado. Enquanto isso, deu um jeito de trocar um olhar cúmplice com Maria. Ela captou a mensagem: era seguro. Era o momento de agir. A moça caminhou com ar inocente para a sua vítima. Com as mãos nas costas, inclinava-se sobre as mercadorias e as contemplava com ar crítico, fossem sacos de grão ou bainhas de couro. Ao mesmo tempo, vigiava a bolsa que o jovem tinha pendurada no cinto. O cordão não parecia muito grosso.
Quando esteve a menos de dez polegadas dele, ouviu que Pedro dizia: ― Quer provar a minha cerveja, senhor? Não encontrará outra melhor em toda a paróquia de São Salvador…, o que digo!
Dois Corações em Waterloo
Lord Broomfield, o rígido e abnegado comandante dos hussardos, do exército britânico, nunca esperou encontrar a senhorita Stella Hatton, em um elegante salão de Bruxelas.
A última vez que eles se viram, foi há oito anos, quando o então conde de Harding, fanfarrão e egoísta, apostou, em um clube de cavalheiros, que ele poderia fazer a dama se apaixonar antes do final da temporada... Mas ele não contava que se apaixonaria pela jovem.
No entanto, o que começou como um jogo simples, logo se tornou uma paixão que causou a desgraça de Stella.
Agora, com as tropas de Napoleão ameaçando a paz na Europa, Lord Broomfield enfrenta um desafio ainda maior: recuperar o coração da senhorita, que está prestes a se casar com um cavaleiro misterioso, que ninguém parece conhecer.
Capítulo Um
Bruxelas, 1815
Lady Maud deixou escapar um suspiro afetado, antes de lembrar seus acompanhantes, pela terceira vez, desde que abandonaram sua luxuosa residência na praça Saint Michel, o quanto lorde Broomfield fora extremamente amável, ao colocar um landó a disposição deles, para comparecerem ao baile.
A última vez que eles se viram, foi há oito anos, quando o então conde de Harding, fanfarrão e egoísta, apostou, em um clube de cavalheiros, que ele poderia fazer a dama se apaixonar antes do final da temporada... Mas ele não contava que se apaixonaria pela jovem.
No entanto, o que começou como um jogo simples, logo se tornou uma paixão que causou a desgraça de Stella.
Agora, com as tropas de Napoleão ameaçando a paz na Europa, Lord Broomfield enfrenta um desafio ainda maior: recuperar o coração da senhorita, que está prestes a se casar com um cavaleiro misterioso, que ninguém parece conhecer.
Capítulo Um
Bruxelas, 1815
Lady Maud deixou escapar um suspiro afetado, antes de lembrar seus acompanhantes, pela terceira vez, desde que abandonaram sua luxuosa residência na praça Saint Michel, o quanto lorde Broomfield fora extremamente amável, ao colocar um landó a disposição deles, para comparecerem ao baile.
Ele, que já dera provas de sua modéstia, em duas anteriores ocasiões, não dando importância ao assunto, limitou-se a olhar para o exterior com o olhar desfocado; as geladas ruas de Bruxelas se convertiam em uma sucessão de manchas, mais ou menos azuladas, ou, mais ou menos cinzentas, dependendo do material de construção das fachadas que se deslocavam vertiginosamente diante de seus olhos escuros. Broomfield se remexeu, inquieto em seu assento, enquanto a voz fina de lady Maud perfurava o ar, ao enumerar as poucas vantagens da vida em Bruxelas em comparação com os atrativos da Inglaterra em geral, e Londres em particular.
— Custou-nos uma infinidade de tempo encontrar um bairro suficientemente elegante para nos instalar, lembra-se, Irene?
— Quando dizia “nós”, referia-se, é obvio, a seu eminente pai.
— As famílias que chegaram antes, se apressaram em monopolizar as mansões perto do parque. Se não fosse por nossos bons amigos, ainda estaríamos decidindo para onde nos mudar.
Lady Maud deu alguns toquinhos em seu nariz, tratando de se concentrar; entretanto, por mais que tentasse,
não conseguiu se lembrar do nome daqueles amigos, tão atentos, e se viu obrigada a se calar durante alguns
segundos. Cunningham aproveitou o lapso, para fazer um comentário sobre o anfitrião, o coronel Hassett, sendo que Broomfield só entendeu a palavra “Hassett”.
— Desculpe, o que disse?

— Custou-nos uma infinidade de tempo encontrar um bairro suficientemente elegante para nos instalar, lembra-se, Irene?
— Quando dizia “nós”, referia-se, é obvio, a seu eminente pai.
— As famílias que chegaram antes, se apressaram em monopolizar as mansões perto do parque. Se não fosse por nossos bons amigos, ainda estaríamos decidindo para onde nos mudar.
Lady Maud deu alguns toquinhos em seu nariz, tratando de se concentrar; entretanto, por mais que tentasse,
não conseguiu se lembrar do nome daqueles amigos, tão atentos, e se viu obrigada a se calar durante alguns
segundos. Cunningham aproveitou o lapso, para fazer um comentário sobre o anfitrião, o coronel Hassett, sendo que Broomfield só entendeu a palavra “Hassett”.
— Desculpe, o que disse?

11 de março de 2018
Traição
Série Romances Vitorianos
Drogo King Siddal, um galês, de 38 anos, desesperado por sua incapacidade de superar algo terrível que aconteceu em sua vida cinco anos antes, encontra no mar, meio afogada, uma jovem que tentaram matar.
Quando acorda, ela é incapaz de dizer o seu próprio nome, porque não se lembra de nada de sua vida anterior. Ela não sabe, portanto, quem a atacou e pode ser qualquer um.
Assim começa uma viagem que farão juntos, lutando para descobrir o que aconteceu para que ela tivesse acabado abandonada no mar daquela maneira e, mais importante, descobrir que a vida às vezes dá uma segunda chance, apenas temos que segurá-la para sermos felizes.
Capítulo Um
St Ives, Cornwall, 1851
Drogo "King" Siddal, solta as amarras de seu barco e em seguida salta para dentro. Embora existisse a ameaça de chuva, precisava sair da mansão. Ele não tinha dormido a noite toda, o que estava se tornando habitual e, apesar de ter tentado pintar, não conseguia se concentrar.
Drogo King Siddal, um galês, de 38 anos, desesperado por sua incapacidade de superar algo terrível que aconteceu em sua vida cinco anos antes, encontra no mar, meio afogada, uma jovem que tentaram matar.
Quando acorda, ela é incapaz de dizer o seu próprio nome, porque não se lembra de nada de sua vida anterior. Ela não sabe, portanto, quem a atacou e pode ser qualquer um.
Assim começa uma viagem que farão juntos, lutando para descobrir o que aconteceu para que ela tivesse acabado abandonada no mar daquela maneira e, mais importante, descobrir que a vida às vezes dá uma segunda chance, apenas temos que segurá-la para sermos felizes.
Capítulo Um
St Ives, Cornwall, 1851
Drogo "King" Siddal, solta as amarras de seu barco e em seguida salta para dentro. Embora existisse a ameaça de chuva, precisava sair da mansão. Ele não tinha dormido a noite toda, o que estava se tornando habitual e, apesar de ter tentado pintar, não conseguia se concentrar.
Naquela manhã tinha começado dois quadros diferentes, para logo abandoná-los. Fazia cinco anos que não pintava nada de bom. Embora os médicos lhe dissessem que era normal, e que voltaria a fazê-lo, no fundo, estava seguro de que jamais voltaria a pintar habilmente, para que os que viam suas obras, sonhassem estar dentro delas.
Entrou no mar respirando profundamente. Dirigia o barco enquanto observava o horizonte. O ar começava a soprar com força. Escutou um ruído no casco que o fez girar a cabeça. Franziu o cenho ao voltar a ouvi-lo. Bloqueou o leme e se levantou para olhar, pois não sabia o que poderia ser.
― Meu Deus! ― Era um cadáver, uma mulher que flutuava de barriga para baixo. Firmou-se sobre seus joelhos para resgatá-la, senão, a família da pobre desgraçada nunca saberia o que tinha acontecido com ela. Agarrou-a pelos braços, mas lhe escorregou. Amaldiçoando, voltou a agarrá-la, com mais força, por debaixo das axilas e a subiu, já sem problemas.
Entrou no mar respirando profundamente. Dirigia o barco enquanto observava o horizonte. O ar começava a soprar com força. Escutou um ruído no casco que o fez girar a cabeça. Franziu o cenho ao voltar a ouvi-lo. Bloqueou o leme e se levantou para olhar, pois não sabia o que poderia ser.
― Meu Deus! ― Era um cadáver, uma mulher que flutuava de barriga para baixo. Firmou-se sobre seus joelhos para resgatá-la, senão, a família da pobre desgraçada nunca saberia o que tinha acontecido com ela. Agarrou-a pelos braços, mas lhe escorregou. Amaldiçoando, voltou a agarrá-la, com mais força, por debaixo das axilas e a subiu, já sem problemas.
Tombando-a dentro do barco, retirou-lhe o cabelo para ver seu rosto. Observou então, as marcas de dedos em seu pescoço, assim como um golpe forte na têmpora. Que estranho, por ali não havia assassinatos. Estava observando as sobrancelhas ruivas da jovem, quando lhe pareceu que suas pálpebras se moviam. Inclinado sobre seu peito, colocou o ouvido no coração. Pulsava, débil, mas estava viva. Levantou-se de um salto, e pôs a proa em direção ao ancoradouro.
Amarrou o barco como pôde, e voltou para pegá-la. Agarrando-a com cuidado, levou-a correndo para sua casa enquanto começava a chover.
― Bates! ― O mordomo, que lhe conhecia de toda a vida, olhava-lhe com os olhos saindo das órbitas, vendo-o entrar na casa com essa jovem nos braços e pingando ― peça que Tom vá procurar o Doutor Ribbons, encontrei-a no mar, pensei que havia se afogado.
Subiu para seu quarto, já que era o único local com fogo aceso. Tombou-a sobre a cama e observou atentamente. Era uma mulher muito bela, de baixa estatura e formas delicadas. Cabelo vermelho como o fogo e pele branca como a lua. Gostaria de ver de que cor eram seus olhos. Estava descalça e com camisola. O que lhe provocava mais de uma pergunta, somando ao resto que se acumulava em sua mente.
A senhora Bates entrou, carregada de toalhas, acompanhada pela criada.
― Senhor, se nos desculpar, secaremos à senhorita.
― Me avise quando terminarem, estarei na biblioteca ― antes de sair agarrou algumas roupas secas para ele, já que estava encharcado. Depois de trocar de roupa, passou à biblioteca. Acendeu o fogo e se sentou em uma das poltronas que havia frente a ele. Olhou para a janela, a chuva golpeava contra os cristais com um som musical. Levantou-se e saiu a procura do mordomo, encontrando-o no salão.
― Bates o médico não veio ainda?
― Está a ponto de chegar, senhor, mandei o Tom como me disse ― o som da porta os interrompeu. O jovem criado fechava a porta depois do médico, que tirava o casaco e colocava sua maleta em uma cadeira. Aproximou-se dele.
Amarrou o barco como pôde, e voltou para pegá-la. Agarrando-a com cuidado, levou-a correndo para sua casa enquanto começava a chover.
― Bates! ― O mordomo, que lhe conhecia de toda a vida, olhava-lhe com os olhos saindo das órbitas, vendo-o entrar na casa com essa jovem nos braços e pingando ― peça que Tom vá procurar o Doutor Ribbons, encontrei-a no mar, pensei que havia se afogado.
Subiu para seu quarto, já que era o único local com fogo aceso. Tombou-a sobre a cama e observou atentamente. Era uma mulher muito bela, de baixa estatura e formas delicadas. Cabelo vermelho como o fogo e pele branca como a lua. Gostaria de ver de que cor eram seus olhos. Estava descalça e com camisola. O que lhe provocava mais de uma pergunta, somando ao resto que se acumulava em sua mente.
A senhora Bates entrou, carregada de toalhas, acompanhada pela criada.
― Senhor, se nos desculpar, secaremos à senhorita.
― Me avise quando terminarem, estarei na biblioteca ― antes de sair agarrou algumas roupas secas para ele, já que estava encharcado. Depois de trocar de roupa, passou à biblioteca. Acendeu o fogo e se sentou em uma das poltronas que havia frente a ele. Olhou para a janela, a chuva golpeava contra os cristais com um som musical. Levantou-se e saiu a procura do mordomo, encontrando-o no salão.
― Bates o médico não veio ainda?
― Está a ponto de chegar, senhor, mandei o Tom como me disse ― o som da porta os interrompeu. O jovem criado fechava a porta depois do médico, que tirava o casaco e colocava sua maleta em uma cadeira. Aproximou-se dele.
Aquele homem desengonçado com sua cara bondosa e seu senso comum tinha conseguido, tempos atrás, que lhe considerasse seu amigo. Um dos poucos que tinha.
10 de março de 2018
Ninguém Me ofende Impunemente
Ayla e Cadha Singht vivem sozinhas, por opção, em uma remota ilha escocesa, longe das danças, festas e agitação que prevalece na cidade.
As duas irmãs parecem se importar unicamente com suas terras indomáveis: isso é tudo o que elas querem e pensam, que nada e ninguém poderão levá-las embora. No entanto, seu pai tem outros planos, e com a chegada de Rob Cunningham, um convidado misterioso, e Michael Campbell, o novo administrador, será ameaçada a relativa paz que as duas jovens têm desfrutado, até agora. Ayla e Cadha serão capazes de encontrar a felicidade e o amor que a vida parece negar-lhes? Ou há segredos e, talvez, valores mais poderosos do que seus verdadeiros desejos?
Capítulo Um
1843
— Não é muito cedo para beber? A gente esperaria que te contivesses ao menos até o jantar.
O homem elevou a vista da partida de xadrez que se desenvolvia diante dele e, ao reconhecer o seu amigo, soltou uma gargalhada burlesca. Recostou-se na cadeira de madeira de mogno, estofada em couro escuro. Sustentava na mão uma taça de absinto, um licor de sabor de anis e cor esverdeada, que já tinha provado, anteriormente, em uma de suas viagens a França.
Lambeu os lábios.
— Cedo? — Perguntou devagar e arrastando as palavras. — Nunca o é para beber, e menos se o motivo for uma celebração — elevou a voz no último momento para que todos pudessem lhe escutar de novo.
Neil Bishop gostava de fazer-se notar e gabar-se de suas vitórias. Desde quese instalouem Irvine, um ano atrás, seus amigos e conhecidos tinham começado a se precaver de seus alardes e gostos caros. Por isso, necessitava uma quantidade enorme de dinheiro, que ajudasse seus gastos.
As duas irmãs parecem se importar unicamente com suas terras indomáveis: isso é tudo o que elas querem e pensam, que nada e ninguém poderão levá-las embora. No entanto, seu pai tem outros planos, e com a chegada de Rob Cunningham, um convidado misterioso, e Michael Campbell, o novo administrador, será ameaçada a relativa paz que as duas jovens têm desfrutado, até agora. Ayla e Cadha serão capazes de encontrar a felicidade e o amor que a vida parece negar-lhes? Ou há segredos e, talvez, valores mais poderosos do que seus verdadeiros desejos?
Capítulo Um
1843
— Não é muito cedo para beber? A gente esperaria que te contivesses ao menos até o jantar.
O homem elevou a vista da partida de xadrez que se desenvolvia diante dele e, ao reconhecer o seu amigo, soltou uma gargalhada burlesca. Recostou-se na cadeira de madeira de mogno, estofada em couro escuro. Sustentava na mão uma taça de absinto, um licor de sabor de anis e cor esverdeada, que já tinha provado, anteriormente, em uma de suas viagens a França.
Lambeu os lábios.
— Cedo? — Perguntou devagar e arrastando as palavras. — Nunca o é para beber, e menos se o motivo for uma celebração — elevou a voz no último momento para que todos pudessem lhe escutar de novo.
Neil Bishop gostava de fazer-se notar e gabar-se de suas vitórias. Desde quese instalouem Irvine, um ano atrás, seus amigos e conhecidos tinham começado a se precaver de seus alardes e gostos caros. Por isso, necessitava uma quantidade enorme de dinheiro, que ajudasse seus gastos.
Essa tarde se sentia afortunado. O negócio que trazia entre as mãos, desde fazia um tempo, começava a dar seus frutos: emprestar capital aos nobres com problemas financeiros. Seu último cliente, por assim dizê-lo, era um barão do norte da Inglaterra que tinha ido ao Irvine com a única intenção de fazer negócios com ele. Depois de investigar suas finanças e seu patrimônio, Neil lhe emprestou a soma requerida… sim, com uns juros exorbitantes. Não sabia como o tinha conseguido, mas o cavalheiro havia pagado o empréstimo em apenas três meses, aumentando, com isso, suas riquezas.
Na última hora, todos os clientes do Milne’s Inn tiveram conhecimentoda quantidade exata que ele tinha ganhado. Umaatitude pouco inteligente, se fosse consciente da inveja que poderia chegar a despertar. Entretanto, sentia-se orgulhoso de provocar semelhantes sentimentos.
Edwards arqueou uma sobrancelha e o olhou com ar malicioso, sentando-se,em seguida, junto a ele. Os outros dois homens seguiam jogando xadrez sem mostrar o mínimo interesse na conversa.
— E por que…? — Expressou, cheio de curiosidade.
Posto que seu amigo desconhecia a notícia, era o momento de lhe pôr apar. Depois poderia desfrutar-se.
— A vida me sorri! E por que, não?
— Isso quer dizer que vais me convidar a um jantar? — Sugeriu o homem em tom jocoso. Estava acostumado ao exagerado modo de atuar de Bishop e era, igualmente, fanfarrão. Possivelmente, por isso, se levavam tão bem. — Poderíamos enfeitá-lo com companhia feminina.
Neil não teve tempo de avaliar a oferta de seu amigo. Por sua mente passou a imagem de uma jovem dama de cabelos dourados e olhos sedutores. Seu rosto fino e delicado ia acompanhado de um temperamental caráter, que jazia escondido sob uma aparência angelical. Era a ela a quem queria possuir e não a uma vulgar rameira.
Na última hora, todos os clientes do Milne’s Inn tiveram conhecimentoda quantidade exata que ele tinha ganhado. Umaatitude pouco inteligente, se fosse consciente da inveja que poderia chegar a despertar. Entretanto, sentia-se orgulhoso de provocar semelhantes sentimentos.
Edwards arqueou uma sobrancelha e o olhou com ar malicioso, sentando-se,em seguida, junto a ele. Os outros dois homens seguiam jogando xadrez sem mostrar o mínimo interesse na conversa.
— E por que…? — Expressou, cheio de curiosidade.
Posto que seu amigo desconhecia a notícia, era o momento de lhe pôr apar. Depois poderia desfrutar-se.
— A vida me sorri! E por que, não?
— Isso quer dizer que vais me convidar a um jantar? — Sugeriu o homem em tom jocoso. Estava acostumado ao exagerado modo de atuar de Bishop e era, igualmente, fanfarrão. Possivelmente, por isso, se levavam tão bem. — Poderíamos enfeitá-lo com companhia feminina.
Neil não teve tempo de avaliar a oferta de seu amigo. Por sua mente passou a imagem de uma jovem dama de cabelos dourados e olhos sedutores. Seu rosto fino e delicado ia acompanhado de um temperamental caráter, que jazia escondido sob uma aparência angelical. Era a ela a quem queria possuir e não a uma vulgar rameira.
Seus gostos eram muito elevados para conformar-se com uma simples prostituta. Para um dia qualquer, talvez, mas naquele momento se sentia eufórico.
Disse-se que já era hora de submetê-la aos seus caprichos e fazê-la tragar suas palavras de desprezo. Fugia de sua presença, apenas lhe dirigia a palavra e o tratava como se não fosse um cavalheiro suficientemente bom para ela. Embora fosse bom amigo de seu pai e, ele daria por boa uma aproximação entre ambos, ela insistia em lhe rechaçar.
Pensou que com o Elliot Singht em Edimburgo aquela seria a ocasião perfeita para fazer uma visita à ilha. Não estava bêbado, necessitavam-se umas quantas taças a mais para conseguir embebedá-lo e, embora fosse tarde, não poderiam lhe negar hospitalidade.
Sorriu para si mesmo, satisfeito. Não podia negar que a desejava e que lhe fervia o sangue ante a perspectiva de tê-la. Aquela repentina ideia estava formando vida própria. Podia imaginar-se com a dama entre seus braços, somente para si. Dir-lhe-ia umas palavras bonitas e lhe contaria quão bem ia nos negócios. Isso mudaria a opinião tão mísera que tinha dele. Uma vez abrandada, ser-lhe-ia muito fácil meter-se entre suas pernas.
Neil decidiu que esta noite ela seria sua, custasse o que custasse.
— Sabe o que? Convidarei-o a um jantar outro dia.
— De repente têm melhores coisas que fazer?
Embora Edwards não parecesse molesto, Bishop deduziu que lhe devia uma explicação.
— Certa dama me espera.
De repente, estava impaciente por voltar a vê-la. Se tudo saísse conforme esperava, a noite seria muito longa.
— E quem éessa que te faz abandonar os seus amigos?
Por uma vez teve o bom julgamento de baixar a voz e lhe falar da jovem, quase em confidência. Edwards já estava a par de quem ele gostava. O que lhe surpreendera fora a ousadia de seu plano. Tratou de lhe fazer mudar de ideia. Podia cometer uma estupidez, por uma simples noite de prazer. Não era bom aventurar-se no mar àquelas horas, ainda mais quando ficava tão pouco para o anoitecer e com o forte vento que soprava.
Não conseguiu convencê-lo. Neil deixou o Milne’s Inn, de High Street,pouco depois. Montou-se em uma carruagem de aluguel e deu as indicações ao chofer.
— Para o porto — anunciou impaciente.
Apesar de tratar-se de uma ordem direta e singela, o chofer vacilou um momento.
— Algum problema?? — Resmungou Bishop, em voz alta. Não estava de humor para que um simples chofer lhe expusesse os mesmos inconvenientes que Edwards. Ele sabia o que fazia.
— Não, senhor — lhe escutou dizer, dando-se por satisfeito.
Desceram pelo Bridgegate, cruzaram o rio e se dirigiram para a zona do Fullarton, ondedisse ao chofer que esperasse.
Era perto das quatro da tarde e o sol desaparecia depois do horizonte, embora ainda houvesse suficienteluz para mover-se com liberdade. Sim, não tinha muito tempo. Assim que colocou o chapéu, subiu as lapelas do casaco, comprido e marrom, protegendo-se do frio, e foi em busca de qualquer homem disposto a lhe levar à Ilha de Beith, apesar do temporal.
Contra o que tinha esperado, a essas horas, o porto parecia deserto. Começava a acreditar que teria que voltar para casa sem ter podido satisfazer suas necessidades. Estava a ponto de dar meia volta, frustrado, e ainda sem aceitar totalmente uma derrota, quando se fixou no velho marinheiro que pescava noconvés de um barco. O barco de pesca era pequeno, de aproximadamente vinte e cinco pés e possuía um casco pouco profundo. Ao parecer, deduziu Bishop, só necessitava de um tripulante para navegar.
Neil Bishop sorriu suavemente. Confiava em que aquele velho estivesse o bastante louco para arriscar-se a sair nesse mesmo instante.
Se não era assim, tinha uma fórmula infalível para convencê-lo.
— Seus olhos olhavam fixos para frente e dominava, sua pessoa, uma rigidez pétrea. Mas, quando posei minha mão sobre seu ombro, um forte estremecimento percorreu seu corpo, um sorriso insalubre tremeu em seus lábios, e vi que falava com um murmúrio baixo, apressado, ininteligível, como se não advertisse minha presença. Inclinando-me sobre ele, muito perto, compreendi, por fim, o horrível significado de suas palavras: Não o ouve? Sim, eu o ouço e o ouvi. Muito, muito, muito tempo... muitos minutos, muitas horas, muitos dias o ouvi, mas não me atrevia… ah, compadeça-me, mísero de mim, desventurado! Não me atrevia… não me atrevia a falar!
Disse-se que já era hora de submetê-la aos seus caprichos e fazê-la tragar suas palavras de desprezo. Fugia de sua presença, apenas lhe dirigia a palavra e o tratava como se não fosse um cavalheiro suficientemente bom para ela. Embora fosse bom amigo de seu pai e, ele daria por boa uma aproximação entre ambos, ela insistia em lhe rechaçar.
Pensou que com o Elliot Singht em Edimburgo aquela seria a ocasião perfeita para fazer uma visita à ilha. Não estava bêbado, necessitavam-se umas quantas taças a mais para conseguir embebedá-lo e, embora fosse tarde, não poderiam lhe negar hospitalidade.
Sorriu para si mesmo, satisfeito. Não podia negar que a desejava e que lhe fervia o sangue ante a perspectiva de tê-la. Aquela repentina ideia estava formando vida própria. Podia imaginar-se com a dama entre seus braços, somente para si. Dir-lhe-ia umas palavras bonitas e lhe contaria quão bem ia nos negócios. Isso mudaria a opinião tão mísera que tinha dele. Uma vez abrandada, ser-lhe-ia muito fácil meter-se entre suas pernas.
Neil decidiu que esta noite ela seria sua, custasse o que custasse.
— Sabe o que? Convidarei-o a um jantar outro dia.
— De repente têm melhores coisas que fazer?
Embora Edwards não parecesse molesto, Bishop deduziu que lhe devia uma explicação.
— Certa dama me espera.
De repente, estava impaciente por voltar a vê-la. Se tudo saísse conforme esperava, a noite seria muito longa.
— E quem éessa que te faz abandonar os seus amigos?
Por uma vez teve o bom julgamento de baixar a voz e lhe falar da jovem, quase em confidência. Edwards já estava a par de quem ele gostava. O que lhe surpreendera fora a ousadia de seu plano. Tratou de lhe fazer mudar de ideia. Podia cometer uma estupidez, por uma simples noite de prazer. Não era bom aventurar-se no mar àquelas horas, ainda mais quando ficava tão pouco para o anoitecer e com o forte vento que soprava.
Não conseguiu convencê-lo. Neil deixou o Milne’s Inn, de High Street,pouco depois. Montou-se em uma carruagem de aluguel e deu as indicações ao chofer.
— Para o porto — anunciou impaciente.
Apesar de tratar-se de uma ordem direta e singela, o chofer vacilou um momento.
— Algum problema?? — Resmungou Bishop, em voz alta. Não estava de humor para que um simples chofer lhe expusesse os mesmos inconvenientes que Edwards. Ele sabia o que fazia.
— Não, senhor — lhe escutou dizer, dando-se por satisfeito.
Desceram pelo Bridgegate, cruzaram o rio e se dirigiram para a zona do Fullarton, ondedisse ao chofer que esperasse.
Era perto das quatro da tarde e o sol desaparecia depois do horizonte, embora ainda houvesse suficienteluz para mover-se com liberdade. Sim, não tinha muito tempo. Assim que colocou o chapéu, subiu as lapelas do casaco, comprido e marrom, protegendo-se do frio, e foi em busca de qualquer homem disposto a lhe levar à Ilha de Beith, apesar do temporal.
Contra o que tinha esperado, a essas horas, o porto parecia deserto. Começava a acreditar que teria que voltar para casa sem ter podido satisfazer suas necessidades. Estava a ponto de dar meia volta, frustrado, e ainda sem aceitar totalmente uma derrota, quando se fixou no velho marinheiro que pescava noconvés de um barco. O barco de pesca era pequeno, de aproximadamente vinte e cinco pés e possuía um casco pouco profundo. Ao parecer, deduziu Bishop, só necessitava de um tripulante para navegar.
Neil Bishop sorriu suavemente. Confiava em que aquele velho estivesse o bastante louco para arriscar-se a sair nesse mesmo instante.
Se não era assim, tinha uma fórmula infalível para convencê-lo.
— Seus olhos olhavam fixos para frente e dominava, sua pessoa, uma rigidez pétrea. Mas, quando posei minha mão sobre seu ombro, um forte estremecimento percorreu seu corpo, um sorriso insalubre tremeu em seus lábios, e vi que falava com um murmúrio baixo, apressado, ininteligível, como se não advertisse minha presença. Inclinando-me sobre ele, muito perto, compreendi, por fim, o horrível significado de suas palavras: Não o ouve? Sim, eu o ouço e o ouvi. Muito, muito, muito tempo... muitos minutos, muitas horas, muitos dias o ouvi, mas não me atrevia… ah, compadeça-me, mísero de mim, desventurado! Não me atrevia… não me atrevia a falar!
Desde Sempre
Marina é uma jovem estudante de arqueologia do século XXI que se vê, de repente, em plena ilha Tortuga, a famosa ilha do Caribe, no ano de 1633.
Inicialmente avessa à ideia que acabou de viajar no tempo e no espaço, acaba por aceitar quando encontra Jeremy Snow, um atraente trapaceiro que foge por sua vida.
Juntos tentam descobrir o objeto que a transportou, uma réplica da grande pirâmide de Gizé, juntamente com o seu professor para aquele tempo e espaço. Durante a busca por esse tesouro, vêm a conhecer a história nunca contada de Naunet e Asim, à qual estão ligados em uma paixão avassaladora, um amor trágico e a um estranho vínculo que os separa uma e outra vez.
Conseguirão eles encontrar-se mais uma e derradeira vez ou terão de continuara a viver as mil vidas das quais os papiros egípcios falam? Entre um mundo e o outro há apenas um suspiro?
Capítulo Um
A lenda nunca contada.
Palácio de Mênfis, Egito. Século 26 a.C.
A pequena Naunet nasceu durante uma noite de furiosa tormenta. As águas que emanavam de escuras nuvens assentavam o pó do deserto formando pantanosas lagoas. Os relâmpagos rasgavam o firmamento iluminando as terras do Egito, até alcançar a luz do dia para logo sumirem nas mais escuras e profundas das escuridões.
Naunet rompeu a chorar no mesmo momento em que apareceu a sua branca carinha por entre as pernas de Henutsen. Entretanto, ficou em um repentino silêncio quando os seus olhos, negros como o azeviche, caíram sobre o pequeno Asim, filho de tyaty que espiava por trás da gigantesca coluna de granito.
O Egito despertou com as novas notícias.
Khufu, o faraó de Quéops, tinha tido outra filha.
*Marina observava absorta, sem ver nem ouvir nada, a mesa de pés de ferro que presidia à sala de audiovisuais. Outra vez o decano se pôs a desvairar sobre assuntos que não tinham absolutamente nada a ver com a aula daquele dia, e ela deixou de prestar atenção a suas palavras para pensar na pequena pirâmide dourada que reluzia sobre o tabuleiro da mesa.
Tinha muitas perguntas para fazer sobre a peça. Estudava arqueologia e sentia uma atração transbordante por tudo o que tivesse a ver com o tema.
O doutor Eduardo Ibarrúri era um dos melhores em seu campo, por isso Marina o tinha escolhido, no entanto, levava umas semanas que começara a arrepender-se. O doutor era uma pessoa mais velha e muito tagarela, e em seguida perdia a noção do tempo. De repente começava a relatar-lhes coisas de sua vida ou aprofundava temas banais e absurdos que não interessavam a ninguém, exceto aos quatro tolos da primeira fila que riam por meras besteiras.
― Não vai dar tempo para acabar a aula ― murmurou Clara, com fingido interesse, enquanto olhava para o relógio. ― O que você vai fazer depois de sair? Fica?
Marina cruzou os braços sobre a mesa e olhou para a sua companheira curvando os lábios para cima em uma careta frouxa. Estava segura que Clara podia ver em seus enormes e arredondados olhos verdes, rodeados de largas e frisadas pestanas cor de fumaça, a sua decepção.
― Queria passar pela biblioteca, estou há imenso tempo à espera da aula de hoje e me deixou bastante desconcertada. Ou é a minha imaginação ou este tipo não nos disse nada sobre a pirâmide.
― Tem razão, a verdade é que não disse nada do outro mundo. ― Clara tocou, pensativa, no lóbulo da orelha, fazendo rodar o seu brinco em forma de coração. ― Mas, eu hoje não posso ficar com você. Abriu um lugar novo onde dizem que fazem umas costoletas no churrasco que são de morrer. Você topa?
Marina passou distraidamente os dedos por entre o cabelo e lançou outro olhar dissimulado à pirâmide.
― Não, hoje não, talvez outro dia.
― Dizia alguma coisa, senhorita Miranda? ― Perguntou o decano elevando o tom de sua voz.
De repente, a classe ficou em completo silêncio, tal que o zumbido de uma mosca teria sido capaz de perturbar a sala-de-aula.
Marina voltou a sua atenção para o doutor, tal como os poucos que se tinham distraído. O decano olhava por cima dos grossos óculos, com interesse, em sua direção. Ambos sustentaram o olhar um do outro durante longos segundos, até que ela se deu conta de que lhe tinha perguntado algo. Sentou-se direita, consciente de todos os olhos postas nela.
― Sinto muito, senhor, não estava prestando atenção, poderia repetir o que disse?
O professor franziu o cenho e, com lentidão, tirou os óculos para olhá-la melhor. Balançou a cabeça brandamente.
― Perguntei se tinha algum problema sobre a aula de hoje, senhorita Miranda. Pareceu-me ver que murmurava algo.
Ela sentiu a boca seca.
― Não… Não me chamo Miranda, doutor Ibarrúri, meu nome é Marina.
― Ah, Marina, é certo!
Inicialmente avessa à ideia que acabou de viajar no tempo e no espaço, acaba por aceitar quando encontra Jeremy Snow, um atraente trapaceiro que foge por sua vida.
Juntos tentam descobrir o objeto que a transportou, uma réplica da grande pirâmide de Gizé, juntamente com o seu professor para aquele tempo e espaço. Durante a busca por esse tesouro, vêm a conhecer a história nunca contada de Naunet e Asim, à qual estão ligados em uma paixão avassaladora, um amor trágico e a um estranho vínculo que os separa uma e outra vez.
Conseguirão eles encontrar-se mais uma e derradeira vez ou terão de continuara a viver as mil vidas das quais os papiros egípcios falam? Entre um mundo e o outro há apenas um suspiro?
Capítulo Um
A lenda nunca contada.
Palácio de Mênfis, Egito. Século 26 a.C.
A pequena Naunet nasceu durante uma noite de furiosa tormenta. As águas que emanavam de escuras nuvens assentavam o pó do deserto formando pantanosas lagoas. Os relâmpagos rasgavam o firmamento iluminando as terras do Egito, até alcançar a luz do dia para logo sumirem nas mais escuras e profundas das escuridões.
Naunet rompeu a chorar no mesmo momento em que apareceu a sua branca carinha por entre as pernas de Henutsen. Entretanto, ficou em um repentino silêncio quando os seus olhos, negros como o azeviche, caíram sobre o pequeno Asim, filho de tyaty que espiava por trás da gigantesca coluna de granito.
O Egito despertou com as novas notícias.
Khufu, o faraó de Quéops, tinha tido outra filha.
*Marina observava absorta, sem ver nem ouvir nada, a mesa de pés de ferro que presidia à sala de audiovisuais. Outra vez o decano se pôs a desvairar sobre assuntos que não tinham absolutamente nada a ver com a aula daquele dia, e ela deixou de prestar atenção a suas palavras para pensar na pequena pirâmide dourada que reluzia sobre o tabuleiro da mesa.
Tinha muitas perguntas para fazer sobre a peça. Estudava arqueologia e sentia uma atração transbordante por tudo o que tivesse a ver com o tema.
O doutor Eduardo Ibarrúri era um dos melhores em seu campo, por isso Marina o tinha escolhido, no entanto, levava umas semanas que começara a arrepender-se. O doutor era uma pessoa mais velha e muito tagarela, e em seguida perdia a noção do tempo. De repente começava a relatar-lhes coisas de sua vida ou aprofundava temas banais e absurdos que não interessavam a ninguém, exceto aos quatro tolos da primeira fila que riam por meras besteiras.
― Não vai dar tempo para acabar a aula ― murmurou Clara, com fingido interesse, enquanto olhava para o relógio. ― O que você vai fazer depois de sair? Fica?
Marina cruzou os braços sobre a mesa e olhou para a sua companheira curvando os lábios para cima em uma careta frouxa. Estava segura que Clara podia ver em seus enormes e arredondados olhos verdes, rodeados de largas e frisadas pestanas cor de fumaça, a sua decepção.
― Queria passar pela biblioteca, estou há imenso tempo à espera da aula de hoje e me deixou bastante desconcertada. Ou é a minha imaginação ou este tipo não nos disse nada sobre a pirâmide.
― Tem razão, a verdade é que não disse nada do outro mundo. ― Clara tocou, pensativa, no lóbulo da orelha, fazendo rodar o seu brinco em forma de coração. ― Mas, eu hoje não posso ficar com você. Abriu um lugar novo onde dizem que fazem umas costoletas no churrasco que são de morrer. Você topa?
Marina passou distraidamente os dedos por entre o cabelo e lançou outro olhar dissimulado à pirâmide.
― Não, hoje não, talvez outro dia.
― Dizia alguma coisa, senhorita Miranda? ― Perguntou o decano elevando o tom de sua voz.
De repente, a classe ficou em completo silêncio, tal que o zumbido de uma mosca teria sido capaz de perturbar a sala-de-aula.
Marina voltou a sua atenção para o doutor, tal como os poucos que se tinham distraído. O decano olhava por cima dos grossos óculos, com interesse, em sua direção. Ambos sustentaram o olhar um do outro durante longos segundos, até que ela se deu conta de que lhe tinha perguntado algo. Sentou-se direita, consciente de todos os olhos postas nela.
― Sinto muito, senhor, não estava prestando atenção, poderia repetir o que disse?
O professor franziu o cenho e, com lentidão, tirou os óculos para olhá-la melhor. Balançou a cabeça brandamente.
― Perguntei se tinha algum problema sobre a aula de hoje, senhorita Miranda. Pareceu-me ver que murmurava algo.
Ela sentiu a boca seca.
― Não… Não me chamo Miranda, doutor Ibarrúri, meu nome é Marina.
― Ah, Marina, é certo!
8 de março de 2018
Um Futuro Brilhante
Conheça agora a heroína mais irresistível e independente de todas.
— Hip, hip, hurra! Hip, hip, hurra!
Corando furiosamente, Low Down franziu o cenho para os homens saudando-a e acenando com as canecas de cerveja que Olaf preparara para a ocasião. Como ela nunca tinha sido uma convidada de honra ou recebido aplausos, não sabia como responder ou para onde olhar ou se também deveria levantar sua caneca de cerveja.
Sentindo-se aturdida, virou o olhar para o lado da montanha, em direção à névoa de fumaça que pairava sobre as cinzas da escola. Queimar a escola tinha sido a primeira ordem do dia; então todos tinham subido até a cabana de Olaf para um jantar de celebração com trutas fritas e bifes de alce, seguido de conversa animada sobre a reconstrução.
Foi um dia lindo para pensar em novos começos. Gencianas azuis e densos arbustos de ásteres roxas derramavam-se montanha abaixo como joias espalhadas entre os pedregulhos. Margaridas dançavam ao longo do vale, seguindo o riacho, e a rabbitbrush desabrochava em espetos dourados.
Uma mulher chamada Low Down, que nunca teve nada de bom até o dia em que ela pediu a única coisa que só um homem poderia lhe dar. . .
Tão desalinhada e desarraigada quanto os outros garimpeiros à procura de ouro nas Montanhas Rochosas, Low Down não queria nada em troca de cuidar de um bando de grosseirões com varíola. Mas quando pressionada para revelar o desejo de seu coração, ela admite: — Eu quero um bebê. Não um marido, não um casamento forçado com o homem orgulhoso que escolheu uma bolinha de gude marcada e acabou casando com ela por uma dívida de honra. Com certeza Max McCord era agradável aos olhos, mas amava outra mulher e sonhava com uma vida diferente. No entanto, eles concordaram com um casamento temporário que só poderia terminar em desastre. Mas poderia esta estranha volta do destino levar ao futuro brilhante que ambos estavam procurando?
Capítulo Um
Tão desalinhada e desarraigada quanto os outros garimpeiros à procura de ouro nas Montanhas Rochosas, Low Down não queria nada em troca de cuidar de um bando de grosseirões com varíola. Mas quando pressionada para revelar o desejo de seu coração, ela admite: — Eu quero um bebê. Não um marido, não um casamento forçado com o homem orgulhoso que escolheu uma bolinha de gude marcada e acabou casando com ela por uma dívida de honra. Com certeza Max McCord era agradável aos olhos, mas amava outra mulher e sonhava com uma vida diferente. No entanto, eles concordaram com um casamento temporário que só poderia terminar em desastre. Mas poderia esta estranha volta do destino levar ao futuro brilhante que ambos estavam procurando?
Capítulo Um
— Hip, hip, hurra! Hip, hip, hurra!
Corando furiosamente, Low Down franziu o cenho para os homens saudando-a e acenando com as canecas de cerveja que Olaf preparara para a ocasião. Como ela nunca tinha sido uma convidada de honra ou recebido aplausos, não sabia como responder ou para onde olhar ou se também deveria levantar sua caneca de cerveja.
Sentindo-se aturdida, virou o olhar para o lado da montanha, em direção à névoa de fumaça que pairava sobre as cinzas da escola. Queimar a escola tinha sido a primeira ordem do dia; então todos tinham subido até a cabana de Olaf para um jantar de celebração com trutas fritas e bifes de alce, seguido de conversa animada sobre a reconstrução.
Foi um dia lindo para pensar em novos começos. Gencianas azuis e densos arbustos de ásteres roxas derramavam-se montanha abaixo como joias espalhadas entre os pedregulhos. Margaridas dançavam ao longo do vale, seguindo o riacho, e a rabbitbrush desabrochava em espetos dourados.
Acima, uma águia circulava contra um céu sem fim, tão graciosa, selvagem e livre, que o peito de Down doía só de olhar. Nesse momento, ela desejava poder voar também para escapar do discurso que Billy Brown, o autodenominado prefeito de Piney Creek, parecia estar se preparando para recitar.
Pisando no alpendre de Olaf, Billy endireitou seus ombros, estufou a barrigae conduziu a saudação entusiástica em honra de Low Down.
Pisando no alpendre de Olaf, Billy endireitou seus ombros, estufou a barrigae conduziu a saudação entusiástica em honra de Low Down.
Se ela soubesse que seria aplaudida, se suspeitasse que esse se tornaria o dia mais orgulhoso de sua vida, ela teria se banhado no riacho nessa manhã,lavado o cabelo e vestido alguns trapos limpos para a ocasião. Em vez disso, a convidada de honra usava uma grande camisa masculinae calças jeans,nenhuma das quais muito limpase galochas de borracha. Enquanto conscientemente enfiava um pedaço de cabelo sob seu chapéu velho, notou que todos os outros haviam se trocado.
Billy Brown usava uma camisa de flanela vermelha quase nova sob as alças do macacãoe havia penteado o cabelo e cortado a barba. Na verdade, todos os seus antigos pacientes estavam quase tão arrumados como antes das mulheres terem deixado o acampamento no início da epidemia. Ela ficou tocada que os homens haviam lavado a roupa e penteado os cabelos em sua honra.
— Primeiro precisamos agradecer a Olaf Gurner pelo bom jantar de hoje e por assumir o fogão e alimentar nossos doentes depois que Jacob Jansen se afogou — disse Billy Brown, começando sua fala.
Um coro de insultos cordiais irrompeu, dirigido ao caldo de peixe de Olaf, seguido por uma rodada de aplausos calorosos.
— Há sessenta e quatro de nós aqui hoje — continuou Billy Brown, sua expressão se tornando sóbria.— Seis semanas atrás, Piney Creek tinha uma população aproximada de quatrocentas almas. Os homens estavam encontrando pepitas; este lugar estava prosperando. Então o flagelo começou.
Junto com os outros, Low Down se moveu para olhar para o acampamento.
Billy Brown usava uma camisa de flanela vermelha quase nova sob as alças do macacãoe havia penteado o cabelo e cortado a barba. Na verdade, todos os seus antigos pacientes estavam quase tão arrumados como antes das mulheres terem deixado o acampamento no início da epidemia. Ela ficou tocada que os homens haviam lavado a roupa e penteado os cabelos em sua honra.
— Primeiro precisamos agradecer a Olaf Gurner pelo bom jantar de hoje e por assumir o fogão e alimentar nossos doentes depois que Jacob Jansen se afogou — disse Billy Brown, começando sua fala.
Um coro de insultos cordiais irrompeu, dirigido ao caldo de peixe de Olaf, seguido por uma rodada de aplausos calorosos.
— Há sessenta e quatro de nós aqui hoje — continuou Billy Brown, sua expressão se tornando sóbria.— Seis semanas atrás, Piney Creek tinha uma população aproximada de quatrocentas almas. Os homens estavam encontrando pepitas; este lugar estava prosperando. Então o flagelo começou.
Junto com os outros, Low Down se moveu para olhar para o acampamento.
As vitrines vazias a faziam pensar em uma cidade fantasma. Nenhuma música tilintava das portas do saloon. Até mesmo o escritório de análises fora atingido. Uma leve brisa perseguia um pedaço de papel em uma seção pisoteada de grama amarelada onde antes as fogueiras de fileiras de tendas haviam queimado. Rosas selvagens já floresciam onde as tendas haviam estado. Low Down voltou-se para Billy Brown com a triste convicção de que Piney Creek nunca se recuperaria completamente da epidemia.
Billy franziu o cenho para o fundo de sua caneca de lata.
— Acho que vocês e os homens lá no cemitério enfrentaram a varíola e ficaram pelo mesmo motivo que eu. Para proteger seu veio.
Erguendo a cabeça, olhou firmemente para Low Down.
— Mas uma pessoa ficou sem precisar.
— Bem, eu tinha um veio, também — Low Down murmurou. Parecia que uma convidada de honra deveria ser um pouco modesta.
— Você não encontrou ouro em pó suficiente nem para sustentar um esquilo — disse Jake Martin, inclinando-se para cuspir um fluxo de tabaco mastigado em um formigueiro. — Você poderia ter deixado seu veio sem olhar para trás.
— Deus ouviu nossas orações e nos deu um anjo de misericórdia que não nos abandonou na nossa hora mais escura.
A brisa que soprava dos altos picos parecia fria contra o calor do constrangimento que se elevou em suas bochechas.
Desejava que Billy Brown terminasse seu discurso ali mesmo. Ao mesmo tempo, ela secretamente esperava que ele dissesse mais coisas boas. Elogios foram tão raros como encontrar uma pepita em sua bateia. Ela lembrava-se de cada um deles.
— Esta pessoa se levantou para suprir nossa necessidade desesperada, colocando sua própria saúde e vida em grande risco.
Billy franziu o cenho para o fundo de sua caneca de lata.
— Acho que vocês e os homens lá no cemitério enfrentaram a varíola e ficaram pelo mesmo motivo que eu. Para proteger seu veio.
Erguendo a cabeça, olhou firmemente para Low Down.
— Mas uma pessoa ficou sem precisar.
— Bem, eu tinha um veio, também — Low Down murmurou. Parecia que uma convidada de honra deveria ser um pouco modesta.
— Você não encontrou ouro em pó suficiente nem para sustentar um esquilo — disse Jake Martin, inclinando-se para cuspir um fluxo de tabaco mastigado em um formigueiro. — Você poderia ter deixado seu veio sem olhar para trás.
— Deus ouviu nossas orações e nos deu um anjo de misericórdia que não nos abandonou na nossa hora mais escura.
A brisa que soprava dos altos picos parecia fria contra o calor do constrangimento que se elevou em suas bochechas.
Desejava que Billy Brown terminasse seu discurso ali mesmo. Ao mesmo tempo, ela secretamente esperava que ele dissesse mais coisas boas. Elogios foram tão raros como encontrar uma pepita em sua bateia. Ela lembrava-se de cada um deles.
— Esta pessoa se levantou para suprir nossa necessidade desesperada, colocando sua própria saúde e vida em grande risco.
2 de março de 2018
O Cavaleiro da Peregrina
Depois de lutar nas cruzadas, Henric, pertencente ao clã MacCarthy, decide retornar a suas terras no Cork, mas antes tem uma dívida pendente: vingar-se de Eurico, líder na campanha contra os infieis e muito próximo à Coroa.
Seu ódio lhe levará ao castelo de seu inimigo onde conhecerá sua filha, María, por quem sentirá uma grande atração desde o primeiro momento e a quem decidirá sequestrar e fazê-la sua para acalmar assim sua ânsia de vingança.
Quando se dispõe a levar a jovem, ela já não está no castelo. Henric iniciará então sua partida entrando na rota de peregrinação para Compostela com um único objetivo: encontrar a filha de Eurico.
No caminho conhecerá uma moça que esconde sua verdadeira identidade.
Uma jovem que resultará ser María, a qual leva uma relíquia sagrada que deve proteger com sua vida.
Ela acabará conquistando o coração do guerreiro, o qual, em seu empenho por protegê-la, a levará até seu castelo no Cork, sem ser consciente de que com essa decisão colocará em perigo a vida de sua amada.
Capitulo Um
A fuga
Naquela manhã despertei muito cedo, era meu décimo nono aniversário e intuía que não seria o melhor dia de minha vida. Meu pai me tinha adiantado na tarde anterior suas intenções de anunciar, durante o baile que teria lugar essa noite, meu compromisso com o Almirante português Acurcio, grande amigo deste, companheiro inseparável de batalhas e possuidor de riquezas e prestígio frente à coroa da Castilla em Portugal. A notícia provocou que me revelasse contra ele.
— Não penso em me casar! — Disse-lhe zangada.
— Sim, María! Você vai casar com o homem que eu ordenar! —Olhou-me furioso.
— Mamãe nunca teria permitido! — Respondi-lhe enquanto me escorriam as lágrimas.
— Sua mãe sempre obedeceu ao seu pai, igual a você tem que fazê-lo. — Houve uma pausa. — Amanhã anunciarei seu compromisso no baile. O prometi. Devo-lhe um favor. Além disso, isso beneficia a sua família, fortalece-nos. — Dito isto partiu.
Não podia dar crédito a tudo o que estava me acontecendo, minha vida desmoronava da noite para o dia. Esse homem, com o que meu pai queria me casar, era seu fiel reflexo: mulherengo, agressivo, dominante e da mesma idade que ele, não podia suportar a ideia de ter que passar uma noite com aquele ser desprezível.
Meu pai nunca tinha sido um bom marido, eu tinha escutado muitas noites minha mãe chorar em silêncio por culpa dele, tinha-lhe visto agredi-la físicamente e verbalmente.
Capitulo Um
A fuga
Naquela manhã despertei muito cedo, era meu décimo nono aniversário e intuía que não seria o melhor dia de minha vida. Meu pai me tinha adiantado na tarde anterior suas intenções de anunciar, durante o baile que teria lugar essa noite, meu compromisso com o Almirante português Acurcio, grande amigo deste, companheiro inseparável de batalhas e possuidor de riquezas e prestígio frente à coroa da Castilla em Portugal. A notícia provocou que me revelasse contra ele.
— Não penso em me casar! — Disse-lhe zangada.
— Sim, María! Você vai casar com o homem que eu ordenar! —Olhou-me furioso.
— Mamãe nunca teria permitido! — Respondi-lhe enquanto me escorriam as lágrimas.
— Sua mãe sempre obedeceu ao seu pai, igual a você tem que fazê-lo. — Houve uma pausa. — Amanhã anunciarei seu compromisso no baile. O prometi. Devo-lhe um favor. Além disso, isso beneficia a sua família, fortalece-nos. — Dito isto partiu.
Não podia dar crédito a tudo o que estava me acontecendo, minha vida desmoronava da noite para o dia. Esse homem, com o que meu pai queria me casar, era seu fiel reflexo: mulherengo, agressivo, dominante e da mesma idade que ele, não podia suportar a ideia de ter que passar uma noite com aquele ser desprezível.
Meu pai nunca tinha sido um bom marido, eu tinha escutado muitas noites minha mãe chorar em silêncio por culpa dele, tinha-lhe visto agredi-la físicamente e verbalmente.
Quando ela morreu, meu irmão Juan e eu sentimos um grande vazio em nossas vidas, meu pai nunca se interessou por nós, e mais, fomos um obstáculo para ele, já que cada vez que passava a noite em cama alheia tinha que nos olhar no dia seguinte e justificar sua ausência. Juan e eu nos refugiamos no carinho de nossa babá Ana, ela sempre tinha estado ao nosso lado e, nesses momentos tão tristes, deu-nos todo seu amor.
Ainda não tinha podido contar a Ana nem ao meu irmão, logo que tinha dormido aquela noite. Olhei-me no espelho e me assustei ao ver refletido neste um rosto gasto, com a presença marcada dos sinais do cansaço. As lágrimas começaram a percorrer minhas bochechas, “esse não pode ser meu destino”, pensei.
Ainda não tinha podido contar a Ana nem ao meu irmão, logo que tinha dormido aquela noite. Olhei-me no espelho e me assustei ao ver refletido neste um rosto gasto, com a presença marcada dos sinais do cansaço. As lágrimas começaram a percorrer minhas bochechas, “esse não pode ser meu destino”, pensei.
Dirigi-me para a varanda e saí para tomar ar, afogava-me, respirei fundo e fixei meu olhar nos grandes canhões que protegiam o rio Lobos, apesar da lonjura, distinguia-se sua fortaleza e a imponência daquela natureza soriana.
Numerosos peregrinos percorriam estas terras para chegar aos canhões e, assim, poder avançar para a Compostela, Fisterra, para posteriormente, muitos deles, embarcar às cruzadas em direção a Jerusalém.
Levantei minha vista ao céu e ali estava ela, a águia imperial que sulcava os vales, ladeiras, montes de minha terra, “assim quero ser eu, livre como você, proprietária de minha própria vida”, pensei.
Levantei minha vista ao céu e ali estava ela, a águia imperial que sulcava os vales, ladeiras, montes de minha terra, “assim quero ser eu, livre como você, proprietária de minha própria vida”, pensei.
Naquele pequeno instante tomei uma decisão, fugiria, não estava disposta que forçassem meu próprio destino, minha mãe sempre me repetiu que nunca devia deixar que um homem tomasse as decisões por mim, e assim o faria. Recordei aquela noite antes que ela morresse, estava muito pálida, deitada na cama, apenas pode se erguer ao ver-me, levava algo na mão, guardava-o nesse momento em seu punho ante meu olhar curioso.
— María! — Disse com voz débil, — Me prometa que sempre protegerá sua honra, suas raízes.
— Por que me diz isso, mamãe? — A voz me entrecortava e as lágrimas começaram a percorrer meu rosto.
— Prometa-me isso — insistiu.
— Lhe prometo — respondi.
Sorriu. Seu olhar estava perdido, sabia que queria me dizer algo que para ela era de suma importância.
— Vem! Aproxime-se! — Assinalou-me com sua mão um oco em sua cama muito próximo a ela.
— O que te passa, mamãe? Está muito estranha — lhe perguntei.
— Você sabe que eu vivia em Leão, na casa onde reside tia Isabel. — Assenti. Muitos verões tínhamos ido, meu irmão e eu, com minha mãe ver minha tia e passar os três meses estivais com ela. — Você lembra quando viu, faz muito tempo, o vovô com uma capa branca e um estandarte que levavam impressos uma insígnia?
— Sim, recordo-o, primeiro vi o vovô e logo outros muitos cavalheiros que se reuniam ali, até você tinha uma capa igual. Eu queria ter uma, lembra como eu gostava. — Ambas rimos.
— Pois essa capa representa as origens de sua família. Essa insígnia é uma cruz, simula uma espada com forma de flor de lis no punho e nos braços. A flor representa a honra, a espada o caráter cavalheiresco do apóstolo Santiago, já que foi decapitado com uma adaga.
— O que está querendo me dizer, mamãe? Não entendo nada. —Não compreendia o porquê daquelas explicações.
— Seus antepassados estiveram no lugar e momento exato em que tirou o chapéuda tumba do apóstolo Santiago. Seu avô me contou que seu pai lhe relatou mil e uma vezes o momento em que nosso familiar, junto com outras pessoas, viu uma enorme estrela no bosque Libredón, que brilhava tanto que machucava os olhos. Tiveram muito medo.
— María! — Disse com voz débil, — Me prometa que sempre protegerá sua honra, suas raízes.
— Por que me diz isso, mamãe? — A voz me entrecortava e as lágrimas começaram a percorrer meu rosto.
— Prometa-me isso — insistiu.
— Lhe prometo — respondi.
Sorriu. Seu olhar estava perdido, sabia que queria me dizer algo que para ela era de suma importância.
— Vem! Aproxime-se! — Assinalou-me com sua mão um oco em sua cama muito próximo a ela.
— O que te passa, mamãe? Está muito estranha — lhe perguntei.
— Você sabe que eu vivia em Leão, na casa onde reside tia Isabel. — Assenti. Muitos verões tínhamos ido, meu irmão e eu, com minha mãe ver minha tia e passar os três meses estivais com ela. — Você lembra quando viu, faz muito tempo, o vovô com uma capa branca e um estandarte que levavam impressos uma insígnia?
— Sim, recordo-o, primeiro vi o vovô e logo outros muitos cavalheiros que se reuniam ali, até você tinha uma capa igual. Eu queria ter uma, lembra como eu gostava. — Ambas rimos.
— Pois essa capa representa as origens de sua família. Essa insígnia é uma cruz, simula uma espada com forma de flor de lis no punho e nos braços. A flor representa a honra, a espada o caráter cavalheiresco do apóstolo Santiago, já que foi decapitado com uma adaga.
— O que está querendo me dizer, mamãe? Não entendo nada. —Não compreendia o porquê daquelas explicações.
— Seus antepassados estiveram no lugar e momento exato em que tirou o chapéuda tumba do apóstolo Santiago. Seu avô me contou que seu pai lhe relatou mil e uma vezes o momento em que nosso familiar, junto com outras pessoas, viu uma enorme estrela no bosque Libredón, que brilhava tanto que machucava os olhos. Tiveram muito medo.
Dirigiram-se para aquele lugar, tinham curiosidade para ver o que produzia esse resplendor e, quando chegaram àquele lugar, observaram um ermitão chamado Pelayo prostrado ante uma tumba, chorava e dava graças à Deus.
Eles notaram como uma força estranha lhes forçava a dobrar seus joelhos ante aqueles restos. Seu antepassado agarrou algo nesse momento, estava na mão do apóstolo, envolto em um pequeno pano de veludo vermelho, era um espinho que estava obscurecido em sua ponta. Conforme me disse meu pai, se tratava de um dos espinhos da coroa que puseram em Jesus Cristo durante sua paixão e, aquela mancha, era seu sangue.
— Não entendo nada, mamãe!
— Não entendo nada, mamãe!
26 de fevereiro de 2018
A Princesa Descalça
Trilogia Princesas Perdidas
Era uma vez, num reino distante, um plano de vingança que deu errado e se transformou numa paixão arrebatadora...
A vida no exílio ensinou a princesa Amy a abominar injustiças, e na pitoresca ilha de Summerwind, ela encontra a injustiça personificada no poderoso e incrivelmente atraente Jermyn Edmondson, o marquês de Northcliff.
Como o marquês se apoderou do meio de vida dos habitantes da ilha, Amy decide se apoderar dele. Ela rapta o arrogante nobre, o acorrenta no porão e pede um resgate para libertá-lo. É um plano simples, destinado a ter êxito, pois certamente o tio de Jermyn pagará o resgate.
Só que o tio de Jermyn quer mais é que alguém se livre de seu sobrinho para que ele herde o título e a fortuna. E manter o enfurecido, malicioso e sedutor Jermyn acorrentado no porão mostra-se um desafio ao controle de Amy... e à sua virtude...
Capítulo Um
Devon, Inglaterra, 1810
Se Jermyn Edmondson, o marquês de Northcliff, soubesse que estava prestes a ser sequestrado, não teria saído para um passeio.
Ou talvez saísse. Precisava de alguma emoção na vida.
A barreira cinzenta da bruma se arrastava pelo oceano verde encapelado e cobria a ilha de Summerwind. Bem abaixo de seus pés, as ondas estouravam com espumosa malevolência contra as rochas na base do penhasco. O vento penteava-lhe os cabelos e erguia o pesado sobretudo desabotoado como as asas negras de uma ave marinha. O sal picava-lhe as narinas, e leves borrifos cobriam-lhe a face. Tudo ali, naquele canto de Devon, era selvagem, puro e livre. Menos ele.
Estava atado àquele lugar. E morto de tédio.
Com desgosto, desviou os olhos do cenário com suas ondas imutáveis, enfadonhas, massacrantes, e manquitolou rumo ao jardim onde os açafrões da primavera começavam a apontar os brotos pelo solo nu.
Suas propriedades não contavam com nada que pudesse entreter um homem de seus interesses. Só bailes caipiras animavam as noites, lotados de senhores rurais sem cerimônias, debutantes de risos nervosos e mamães tímidas à caça de um título para as filhas.
Na verdade, Jermyn concluíra que havia chegado a hora de se casar. Efetivamente, pedira ao tio Harrison que apresentasse uma lista da safra atual de debutantes e sugerisse uma noiva adequada. Porém não tomaria como companheira de uma vida uma garota que julgasse uma caminhada bucólica como divertimento.
O acidente de carruagem que ele sofrerá dois meses antes havia cortado categoricamente suas atividades, e os dias eram intermináveis, silenciosos, preenchidos com longos passeios ao ar livre. E com leitura.
Jermyn olhou para o livro em sua mão. Meu Deus, estava tão enfadado de ler... Tinha até mesmo começado a ler em latim, o que não fazia havia treze anos. Não, desde que o pai morrera.
Fora o orgulho que o havia obrigado a partir às pressas de Londres. Ele detestava ser o centro de enjoativas atenções enquanto se recuperava. E quando o tio tinha sugerido a abadia de Summerwind como um retiro, Jermyn julgara a ideia digna de consideração.
Agora, pensava diferente.
No gazebo, sentou-se numa cadeira de vime e esfregou a coxa machucada. Ele sofrerá uma fratura feia no acidente, e aquele médico do interior a quem havia chamado duas noites antes lhe dissera, com seu sotaque ignorante de Devon:
— O melhor remédio é tempo e exercício. Caminhe até sua perna se cansar, mas não exagere. Ande por onde seja seguro e plano. Se escorregar e machucar esse osso recém-emendado, ficará com uma lesão permanente.
No dia anterior, Jermyn enveredara pela trilha íngreme dos penhascos rumo à praia, e caíra por causa da fraqueza da perna. Mal tinha conseguido rastejar de volta até o solar. A dor o fizera chamar o médico de novo, e Jermyn não havia ficado nada feliz em ouvir que só deveria caminhar pela varanda, como uma matrona ou uma criança.
Abriu o livro e mergulhou na narrativa de Tom Jones, e as aventuras jocosas de Fielding o prenderam contra a vontade. Assustou-se quando alguém disse:
— Senhor?
Uma criada encontrava-se de pé à entrada, com um copo numa bandeja, e, diante do gesto dele, aproximou-se.
Jermyn percebeu três coisas. Ele nunca a vira antes. O vestido azul era surrado, e a cruz de prata em torno do pescoço da criada era excepcionalmente elegante. E ela o fitava nos olhos sem deferência ao empurrar a bebida em sua direção.
Jermyn não pegou o copo de imediato. Em vez disso, notou a pele bem tratada da moça, tão diferente da tez queimada de sol das criadas locais. Os olhos eram de um tom incomum de verde, como o mar na iminência de uma tempestade. Os cabelos eram louros, penteados para cima. Ainda não devia ter vinte anos, e era bonita, tão bonita que Jermyn se surpreendeu que nenhum lavrador pela redondeza não a tivesse desposado. Contudo a expressão nos olhos daquela mulher era severa, quase austera.
Talvez isso explicasse sua condição de solteira.
Sem permissão, ela falou:
— Senhor, precisa beber. Eu trouxe isto o caminho todo até aqui para o senhor.
Meio aborrecido, meio divertido, Jermyn disse:
— Não mandei que fosse trazido.
— É vinho — a criada explicou.
Era uma moça corajosa. Talvez receasse problemas se ele não aceitasse a bebida mandada pelo mordomo.
— Está bem. Aceitarei. — Ele ergueu o copo, enquanto ela continuou a encará-lo, esperando, ansiosa, que Jermyn tomasse um gole. Num tom ríspido, ele emendou: — Isso é tudo.
A criada saltou como se assustada. Lançou-lhe um olhar de soslaio, abaixou-se numa graciosa mesura e recuou, o olhar ainda no copo.
E, naquele olhar, ele julgou ter visto de relance um lampejo de amargo ressentimento.
Então, com um jogar da cabeça, ela correu pelo jardim.
Interessante...
Trilogia Princesas Perdidas
1 - Uma Noite Encantada
2 - A Princesa Descalça
3 - A Princesa Raptada
Trilogia Concluída
Era uma vez, num reino distante, um plano de vingança que deu errado e se transformou numa paixão arrebatadora...A vida no exílio ensinou a princesa Amy a abominar injustiças, e na pitoresca ilha de Summerwind, ela encontra a injustiça personificada no poderoso e incrivelmente atraente Jermyn Edmondson, o marquês de Northcliff.
Como o marquês se apoderou do meio de vida dos habitantes da ilha, Amy decide se apoderar dele. Ela rapta o arrogante nobre, o acorrenta no porão e pede um resgate para libertá-lo. É um plano simples, destinado a ter êxito, pois certamente o tio de Jermyn pagará o resgate.
Só que o tio de Jermyn quer mais é que alguém se livre de seu sobrinho para que ele herde o título e a fortuna. E manter o enfurecido, malicioso e sedutor Jermyn acorrentado no porão mostra-se um desafio ao controle de Amy... e à sua virtude...
Capítulo Um
Devon, Inglaterra, 1810
Se Jermyn Edmondson, o marquês de Northcliff, soubesse que estava prestes a ser sequestrado, não teria saído para um passeio.
Ou talvez saísse. Precisava de alguma emoção na vida.
A barreira cinzenta da bruma se arrastava pelo oceano verde encapelado e cobria a ilha de Summerwind. Bem abaixo de seus pés, as ondas estouravam com espumosa malevolência contra as rochas na base do penhasco. O vento penteava-lhe os cabelos e erguia o pesado sobretudo desabotoado como as asas negras de uma ave marinha. O sal picava-lhe as narinas, e leves borrifos cobriam-lhe a face. Tudo ali, naquele canto de Devon, era selvagem, puro e livre. Menos ele.
Estava atado àquele lugar. E morto de tédio.
Com desgosto, desviou os olhos do cenário com suas ondas imutáveis, enfadonhas, massacrantes, e manquitolou rumo ao jardim onde os açafrões da primavera começavam a apontar os brotos pelo solo nu.
Suas propriedades não contavam com nada que pudesse entreter um homem de seus interesses. Só bailes caipiras animavam as noites, lotados de senhores rurais sem cerimônias, debutantes de risos nervosos e mamães tímidas à caça de um título para as filhas.
Na verdade, Jermyn concluíra que havia chegado a hora de se casar. Efetivamente, pedira ao tio Harrison que apresentasse uma lista da safra atual de debutantes e sugerisse uma noiva adequada. Porém não tomaria como companheira de uma vida uma garota que julgasse uma caminhada bucólica como divertimento.
O acidente de carruagem que ele sofrerá dois meses antes havia cortado categoricamente suas atividades, e os dias eram intermináveis, silenciosos, preenchidos com longos passeios ao ar livre. E com leitura.
Jermyn olhou para o livro em sua mão. Meu Deus, estava tão enfadado de ler... Tinha até mesmo começado a ler em latim, o que não fazia havia treze anos. Não, desde que o pai morrera.
Fora o orgulho que o havia obrigado a partir às pressas de Londres. Ele detestava ser o centro de enjoativas atenções enquanto se recuperava. E quando o tio tinha sugerido a abadia de Summerwind como um retiro, Jermyn julgara a ideia digna de consideração.
Agora, pensava diferente.
No gazebo, sentou-se numa cadeira de vime e esfregou a coxa machucada. Ele sofrerá uma fratura feia no acidente, e aquele médico do interior a quem havia chamado duas noites antes lhe dissera, com seu sotaque ignorante de Devon:
— O melhor remédio é tempo e exercício. Caminhe até sua perna se cansar, mas não exagere. Ande por onde seja seguro e plano. Se escorregar e machucar esse osso recém-emendado, ficará com uma lesão permanente.
No dia anterior, Jermyn enveredara pela trilha íngreme dos penhascos rumo à praia, e caíra por causa da fraqueza da perna. Mal tinha conseguido rastejar de volta até o solar. A dor o fizera chamar o médico de novo, e Jermyn não havia ficado nada feliz em ouvir que só deveria caminhar pela varanda, como uma matrona ou uma criança.
Abriu o livro e mergulhou na narrativa de Tom Jones, e as aventuras jocosas de Fielding o prenderam contra a vontade. Assustou-se quando alguém disse:
— Senhor?
Uma criada encontrava-se de pé à entrada, com um copo numa bandeja, e, diante do gesto dele, aproximou-se.
Jermyn percebeu três coisas. Ele nunca a vira antes. O vestido azul era surrado, e a cruz de prata em torno do pescoço da criada era excepcionalmente elegante. E ela o fitava nos olhos sem deferência ao empurrar a bebida em sua direção.
Jermyn não pegou o copo de imediato. Em vez disso, notou a pele bem tratada da moça, tão diferente da tez queimada de sol das criadas locais. Os olhos eram de um tom incomum de verde, como o mar na iminência de uma tempestade. Os cabelos eram louros, penteados para cima. Ainda não devia ter vinte anos, e era bonita, tão bonita que Jermyn se surpreendeu que nenhum lavrador pela redondeza não a tivesse desposado. Contudo a expressão nos olhos daquela mulher era severa, quase austera.
Talvez isso explicasse sua condição de solteira.
Sem permissão, ela falou:
— Senhor, precisa beber. Eu trouxe isto o caminho todo até aqui para o senhor.
Meio aborrecido, meio divertido, Jermyn disse:
— Não mandei que fosse trazido.
— É vinho — a criada explicou.
Era uma moça corajosa. Talvez receasse problemas se ele não aceitasse a bebida mandada pelo mordomo.
— Está bem. Aceitarei. — Ele ergueu o copo, enquanto ela continuou a encará-lo, esperando, ansiosa, que Jermyn tomasse um gole. Num tom ríspido, ele emendou: — Isso é tudo.
A criada saltou como se assustada. Lançou-lhe um olhar de soslaio, abaixou-se numa graciosa mesura e recuou, o olhar ainda no copo.
E, naquele olhar, ele julgou ter visto de relance um lampejo de amargo ressentimento.
Então, com um jogar da cabeça, ela correu pelo jardim.
Interessante...
1 - Uma Noite Encantada
2 - A Princesa Descalça
3 - A Princesa Raptada
Trilogia Concluída
25 de fevereiro de 2018
Paixão Secreta
Desde que Sebastian conhece Elizabeth durante sua apresentação em sociedade, ambos mantêm uma maravilhosa relação que termina, quando ele confessa que há circunstâncias insolúveis pelas quais não podem se casar.
Com o coração quebrado e uma permanente máscara de indiferença e frivolidade, a bela filha do duque de Newark, ignora, temporada após temporada, todos os cavalheiros que lhe propõem matrimônio.
Passaram-se oito, longos, anos da forçada ruptura… Depois da morte de seu pai, Sebastian Harley é o duque de Washaven e também, obrigatoriamente, o prometido de Christine, prima de Elizabeth. Entretanto, apesar do tempo e das ofensas, em seu âmago segue latente, uma paixão avassaladora, pela única mulher a quem sempre amou. E é agora, que tem a última oportunidade, para encontrar a força e a coragem suficientes para enfrentar tudo e lutar por ela, ou, irá perdê-la, definitivamente.
Capítulo Um
Elisabeth Harrington golpeou o leque três vezes contra seu peito e conteve um sopro nada feminino, nem próprio de sua delicada constituição. Filha do duque de Newark fora nomeada “a Incomparável” em sua primeira temporada.
Sua beleza, de cabeleira loira qual fios de ouro, olhos verdes quase felinos e feições doces, que agradecia a sua mãe, conseguiram-lhe um sem-fim de admiradores, e a declaração de seu escandaloso dote, um número indecente de proposições matrimoniais.
Mas oito anos depois daquela magnífica estreia, ali seguia, assistindo às festas mais importantes da temporada em Londres e amaldiçoando-se por seus tropeções com o marquês de Worcester, Sebastian Harley. E por mais que sua empregada de maior confiança, Marie Lamont, dissesse, que era uma estupidez muito fácil de ocultar, ela jamais viu as coisas tão claras, assim.
Tendo em conta quem ela era e o que possuía, nem sequer passara por sua imaginação, que Sebastian não lhe propusesse matrimônio um segundo depois da perda de sua inocência, mas, infelizmente, seu pai, o duque de Washaven, tivera uma ideia muito distinta. Segundo as próprias, e muito covardes, palavras de Sebastian: “Proibiu taxativamente um matrimônio contigo e ameaçou me deserdar”, e depois, das demais desculpas que Elisabeth relegou ao mais profundo de sua memória, seu caráter egoísta e caprichoso ajudou-a em outros momentos a nem sequer, sentir mais dor que a da humilhação, e o cavalheirismo de Sebastian àquele incidente caiu em segredo.
Aqueles acontecimentos não lhe incomodaram durante muito tempo, até agora, que com assombro e um pingo de inocência de sua parte, via-se diante do anúncio de compromisso de Sebastian Harley com sua prima Christine. Fazia um ano que o duque de Washaven morrera e Elisabeth acalentara a esperança, de que esse fato propiciasse um cortejo por parte dele, para reparar o dano passado. Ledo engano.
Ali estava, na cabeceira da mesa brindando por sua prima de traços disformes e uns quinze anos mais nova que ele.
― Parece que nossa querida prima fez o melhor enlace da temporada. ― Tristan Harrigthon era, sem dúvida, seu primo favorito, com ele assistia, já, a cinco anos, a todos os eventos e assegurava diversão. Possuíam tanta cumplicidade que mais de uma vez quis lhe revelar seu pequeno segredo, mas a vergonha acaba impedindo-a. ― Nem sequer eu, que sou amigo dele, entendo o que viu nela. ― zombou.
Elisabeth conteve uma gargalhada e desdobrou seu leque, de novo.
― Pode ser que este seja meu ano também, ― riu ― estou no ponto limite de me converter em uma solteirona consagrada.
― O que não deixa de ser surpreendente. Como vão as propostas este ano?
― Cinco menos que no mesmo período do ano passado, mas de toda a maneira, não tenho uma posposta de matrimônio decente a pelo menos, três anos. Minha beleza começa a rachar, não meu dote, graças a Deus. ― E abanou-se mais duas vezes. ― Possivelmente deveria sair um pouco mais e assistir metade das festas.
Tristan soltou uma exclamação de horror que atraiu o olhar do convidado ao seu lado. Esperou que este voltasse para sua conversa anterior e murmurou-lhe:
― Querida Lissy, se faltar a mais duas festas, já pode ir fazendo suas malas e se mudar com tia Pippa para Bath, porque terá dado por concluída sua caça para todas estas matronas, que esperam com os braços abertos que se una a elas em seus cantos escuros, ao lado da mesa da limonada.
Elisabeth riu, mas tinha razão. Aos vinte anos parecera exigente ao não escolher marido, aos vinte e três, muito caprichosa, agora, aos vinte e seis estava a ponto de converter-se em excêntrica, graças a seu título, mas, para outros, sem seu título e dote, seria uma pobre infeliz.
― Felizmente, minha madrasta está ocupadíssima este ano apresentando Gabriella, e meu pai parece ter posto toda sua atenção nisso também, assim, ao menos poderei descansar três refeições, sem ouvir algo sobre meu matrimônio.
― Pergunto-me se haveria algo mais nela, que as terras que fazem limite com sua propriedade. ― Tristan voltava a ter o olhar posto em Sebastian e na ruborizada noiva, que recebia com um meio sorriso todas as felicitações, enquanto os convidados levantavam para ir ao salão de baile. ― Qualquer outro motivo escapa a minha imaginação.
― É jovem, de boa família… ― Golpeou o ombro dele com seu leque. ― Pode ser que goste.
― Gostar? ― Soltou uma gargalhada. ― Poderia ter qualquer moça desta sala, e cem vezes mais agradáveis à vista que ela.
― Parece ter bons quadris….
Rosas e Espinhos
Série Worthington Hall
Estamos no primeiro trimestre do século XIX, cada vez mais as mulheres se perguntam sobre seu papel em uma sociedade governada pelos homens.
Marjorie está há um ano em Nova Iorque, com novos amigos e novas experiências, embora isso não faça com que se esqueça de Henrietta e Robert.
Na casa da condessa vai-se celebrar uma festa de aniversário e espera-se a chegada de William nas próximas semanas.
Marjorie se prepara para voltar para Worthington para passar o verão, mas não imagina que vai encontrar seu amor de novo. O amor de Henrietta e Robert sofrerá uma dura prova que abalará este apaixonado casal. Última novela da série Worthington Hall que começou com «Ensina-me a te amar» e continuou com «Aprendendo a te querer».
Capítulo Um
Henrietta contemplava encantada o seu marido, que punha sempre a voz mais doce para falar com o pequeno Rob. Sustentava-o em seus fortes braços com enorme desenvoltura e passeava pelo jardim lhe falando de todo o tipo de coisas, especialmente de todas aquelas que pensava lhe ensinar quando aprendesse a caminhar.
Ela voltou a agarrar a carta de Marjorie para relê-la e sentiu a saudade que sempre a invadia quando pensava em sua cunhada. Sentia muito sua falta e embora o fato de saber que era feliz em sua nova vida amortecesse em algo o seu pesar, uma parte dela tinha desejado que não se aclimasse tão facilmente a esse novo mundo. «Meus queridos irmãos: Hoje suportei bastante bem a chegada de sua carta.
É a primeira que leio sem que me caia nenhuma lágrima. Eu adorei o vestido que me enviou, é precioso e como sempre tem razão: celeste é a cor que mais me favorece. Sinto-me feliz ao saber que o pequeno Rob se acostumou tão bem à sua vida em Worthington Hall, claro que não sente saudades porque não há um lugar que considerasse melhor para viver.
Na segunda-feira passada chegou a carta do William. Estará aqui em duas semanas e ficará conosco até que juntos empreendamos a volta a Londres.
A condessa está muito bem, já se acomodou com perfeição a esta cidade. Tem bons amigos, além do senhor Granger do qual já lhes falei em outras ocasiões, e não tem tempo de aborrecer-se. Além disso, aqui é como uma atração para todos, nada menos que uma condessa! Natalie, a neta do senhor Granger, converteu-se em minha melhor amiga e tenho que dizer que nunca nos deveriam julgar por nossas características, que não poderiam ser mais opostas.
Também lhes posso dizer que já faz mais de dois meses que a condessa não despediu ninguém do serviço, assim acredito que, por fim, conseguimos estabilizar a situação, embora não deixe de estar atenta e siga seus conselhos ao pé da letra, me adiantando a qualquer eventualidade.
Esta casa é enorme, não tanto como Worthington Hall, mas muito mais que a maioria desta cidade, e há muitas coisas que se deve ter em conta, mas a dirijo muito bem. Esta tarde tive um prazer inesperado. Conheci a Catherine Sloper, uma mulher das mais interessantes. Estou segura de que você gostaria muito dela, Henrietta. falámos sobre você, é uma entusiasta de seus escritos, não perde um artigo seu.
É uma mulher surpreendente, independente e com uma conversação das mais amenas. Não se casou e vive com sua tia em uma formosa casa nesta mesma rua.
Tinha ouvido falar dela, mas até hoje não tinha podido dar-lhe mais que uma saudação. Em nada se parece com a outra Catherine de que te falei em minha anterior carta, a esposa do doutor Travis. Sinto dizê-lo mas segue me parecendo uma mulher mesquinha e que com sua pouca inteligência e empatia faz mal a todo aquele que o permite. Segui seus conselhos e trato de me manter o mais afastada possível de seu raio de ação, mas sua filha não me põe isso nada fácil.
Ao que parece Rachel Travis acredita que podemos ser amigas, apesar de que não tenho feito nada para merecer tal distinção, muito pelo contrário.
Terminei o último quadro da série de Central Park. Natalie foi uma amiga excelente e me acompanhou muitos dias sem queixar-se por ter que estar horas sentada em um banco lendo, enquanto eu me isolava em meu mundo, já sabem a que me refiro.
É uma excelente amiga e me ajudou a suportar o fato de estar longe de vós…» Henrietta respirou fundo e olhou para seu marido que seguia passeando com o pequeno Rob em seus braços. Nos dias posteriores à ida de Marjorie se deu conta de até que ponto a jovem tinha feito mossa em seu coração. A relação que tinha estabelecido com sua cunhada era a de uma verdadeira irmã. Sem invejas, sem falsidade de nenhuma classe, somente um sincero afeto, uma verdadeira preocupação pelo bem-estar da outra, sem que houvesse a mais mínima fibra de ressentimento entre ambas.
Estamos no primeiro trimestre do século XIX, cada vez mais as mulheres se perguntam sobre seu papel em uma sociedade governada pelos homens.Marjorie está há um ano em Nova Iorque, com novos amigos e novas experiências, embora isso não faça com que se esqueça de Henrietta e Robert.
Na casa da condessa vai-se celebrar uma festa de aniversário e espera-se a chegada de William nas próximas semanas.
Marjorie se prepara para voltar para Worthington para passar o verão, mas não imagina que vai encontrar seu amor de novo. O amor de Henrietta e Robert sofrerá uma dura prova que abalará este apaixonado casal. Última novela da série Worthington Hall que começou com «Ensina-me a te amar» e continuou com «Aprendendo a te querer».
Capítulo Um
Henrietta contemplava encantada o seu marido, que punha sempre a voz mais doce para falar com o pequeno Rob. Sustentava-o em seus fortes braços com enorme desenvoltura e passeava pelo jardim lhe falando de todo o tipo de coisas, especialmente de todas aquelas que pensava lhe ensinar quando aprendesse a caminhar.
Ela voltou a agarrar a carta de Marjorie para relê-la e sentiu a saudade que sempre a invadia quando pensava em sua cunhada. Sentia muito sua falta e embora o fato de saber que era feliz em sua nova vida amortecesse em algo o seu pesar, uma parte dela tinha desejado que não se aclimasse tão facilmente a esse novo mundo. «Meus queridos irmãos: Hoje suportei bastante bem a chegada de sua carta.
É a primeira que leio sem que me caia nenhuma lágrima. Eu adorei o vestido que me enviou, é precioso e como sempre tem razão: celeste é a cor que mais me favorece. Sinto-me feliz ao saber que o pequeno Rob se acostumou tão bem à sua vida em Worthington Hall, claro que não sente saudades porque não há um lugar que considerasse melhor para viver.
Na segunda-feira passada chegou a carta do William. Estará aqui em duas semanas e ficará conosco até que juntos empreendamos a volta a Londres.
A condessa está muito bem, já se acomodou com perfeição a esta cidade. Tem bons amigos, além do senhor Granger do qual já lhes falei em outras ocasiões, e não tem tempo de aborrecer-se. Além disso, aqui é como uma atração para todos, nada menos que uma condessa! Natalie, a neta do senhor Granger, converteu-se em minha melhor amiga e tenho que dizer que nunca nos deveriam julgar por nossas características, que não poderiam ser mais opostas.
Também lhes posso dizer que já faz mais de dois meses que a condessa não despediu ninguém do serviço, assim acredito que, por fim, conseguimos estabilizar a situação, embora não deixe de estar atenta e siga seus conselhos ao pé da letra, me adiantando a qualquer eventualidade.
Esta casa é enorme, não tanto como Worthington Hall, mas muito mais que a maioria desta cidade, e há muitas coisas que se deve ter em conta, mas a dirijo muito bem. Esta tarde tive um prazer inesperado. Conheci a Catherine Sloper, uma mulher das mais interessantes. Estou segura de que você gostaria muito dela, Henrietta. falámos sobre você, é uma entusiasta de seus escritos, não perde um artigo seu.
É uma mulher surpreendente, independente e com uma conversação das mais amenas. Não se casou e vive com sua tia em uma formosa casa nesta mesma rua.
Tinha ouvido falar dela, mas até hoje não tinha podido dar-lhe mais que uma saudação. Em nada se parece com a outra Catherine de que te falei em minha anterior carta, a esposa do doutor Travis. Sinto dizê-lo mas segue me parecendo uma mulher mesquinha e que com sua pouca inteligência e empatia faz mal a todo aquele que o permite. Segui seus conselhos e trato de me manter o mais afastada possível de seu raio de ação, mas sua filha não me põe isso nada fácil.
Ao que parece Rachel Travis acredita que podemos ser amigas, apesar de que não tenho feito nada para merecer tal distinção, muito pelo contrário.
Terminei o último quadro da série de Central Park. Natalie foi uma amiga excelente e me acompanhou muitos dias sem queixar-se por ter que estar horas sentada em um banco lendo, enquanto eu me isolava em meu mundo, já sabem a que me refiro.
É uma excelente amiga e me ajudou a suportar o fato de estar longe de vós…» Henrietta respirou fundo e olhou para seu marido que seguia passeando com o pequeno Rob em seus braços. Nos dias posteriores à ida de Marjorie se deu conta de até que ponto a jovem tinha feito mossa em seu coração. A relação que tinha estabelecido com sua cunhada era a de uma verdadeira irmã. Sem invejas, sem falsidade de nenhuma classe, somente um sincero afeto, uma verdadeira preocupação pelo bem-estar da outra, sem que houvesse a mais mínima fibra de ressentimento entre ambas.
Série Worthington Hall
24 de fevereiro de 2018
Recomeçar
Espanha e Inglaterra encontram-se confrontadas pela cobiça e pelo poder provocados pela religião, pelo Caribe e pelas riquezas do Novo Mundo.
Na terra e no mar a destruição e a morte são moeda corrente em um mundo caótico.
Uma tormenta e um naufrágio vão unir a vida de dois inimigos: Sara e Salvador, uma inglesa e um espanhol.
O ódio, o medo, a desconfiança e os prejuízos não impedirão que o amor cresça em seus corações, mas será suficiente para superar tantas barreiras e desafiar o mundo? Poderá esse amor ser tão forte que lhes permita ficarem juntos e ao mesmo tempo ter a liberdade?
Capítulo Um
Estado de York, Inglaterra
1586
Sara Redford caminhou com passos rápidos pelos corredores de pedra, do convento de Sant Mary, com o olhar ausente, sem prestar atenção ao restante das pupilas, noviças e monjas que passeavam pelos jardins ou conversavam sob o teto côncavo das galerias. Fazia mais de um ano que não recebia notícias de seu pai e a abadessa Leonor chamou-a até sua sala porque recebera uma carta dele. A situação não a preocuparia tanto se somente tivessem entregue a carta para ela, como em ocasiões anteriores, mas desta vez resultou diferente e isso a inquietou. Apertou os lábios e apressou o passo, desejando que fossem boas notícias, rogando poder voltar para seu lar, rezando para sair dali.
Chegou ao convento aos oito anos, logo depois de uma longa e aborrecida viagem até o estado de York, ao norte da Inglaterra.
Uma tormenta e um naufrágio vão unir a vida de dois inimigos: Sara e Salvador, uma inglesa e um espanhol.
O ódio, o medo, a desconfiança e os prejuízos não impedirão que o amor cresça em seus corações, mas será suficiente para superar tantas barreiras e desafiar o mundo? Poderá esse amor ser tão forte que lhes permita ficarem juntos e ao mesmo tempo ter a liberdade?
Capítulo Um
Estado de York, Inglaterra
1586
Sara Redford caminhou com passos rápidos pelos corredores de pedra, do convento de Sant Mary, com o olhar ausente, sem prestar atenção ao restante das pupilas, noviças e monjas que passeavam pelos jardins ou conversavam sob o teto côncavo das galerias. Fazia mais de um ano que não recebia notícias de seu pai e a abadessa Leonor chamou-a até sua sala porque recebera uma carta dele. A situação não a preocuparia tanto se somente tivessem entregue a carta para ela, como em ocasiões anteriores, mas desta vez resultou diferente e isso a inquietou. Apertou os lábios e apressou o passo, desejando que fossem boas notícias, rogando poder voltar para seu lar, rezando para sair dali.
Chegou ao convento aos oito anos, logo depois de uma longa e aborrecida viagem até o estado de York, ao norte da Inglaterra.
Seu pai, Jonathan Redford, nunca explicou a decisão de mandá-la, sozinha, para este lugar, mas ela sempre suspeitou que a morte prematura de sua mãe foi um dos principais motivos, talvez o único. Sara possuía algumas lembranças imprecisas da casa da cidade onde nascera, mas o que jamais pôde esquecer foram os anos maravilhosos que viveu no campo, rodeada por seus pais e de ladeiras verdes com altas árvores. Quando completou sete anos seu pai decidiu mudar do campo à cidade, para que sua filha aprendesse maneiras e fosse instruída nos hábitos e costumes da corte inglesa.
Entretanto, Sara recordava-se que em pouco tempo retornaram novamente para o campo e que a partir dali tudo aconteceu de maneira precipitada: a morte de sua mãe, a viagem interminável e a chegada ao convento.
Um ano em sua vida que sempre quis esquecer, mas que a lembrança de seu pai, dos dias felizes no campo e do rosto querido de sua mãe dificultavam. Não podia apagar de sua memória quem era e como chegara até ali.
Jonathan Redford nunca pertenceu à nobreza, nem gozou de títulos. Fez sua fortuna ajudando seu pai no comércio de diversos produtos entre as cidades próximas a Londres e relacionando-se com mercados franceses. Mas o jovem e ambicioso Jonathan viu uma grande oportunidade de negócio no Caribe, e foi com essa acertada decisão que sua fortuna aumentou, a cada dia, e sua fama de bom comerciante cresceu até o ponto de despertar o interesse da rainha da Inglaterra. Por ela e por sua filha, mudaram-se à cidade.
Um ano em sua vida que sempre quis esquecer, mas que a lembrança de seu pai, dos dias felizes no campo e do rosto querido de sua mãe dificultavam. Não podia apagar de sua memória quem era e como chegara até ali.
Jonathan Redford nunca pertenceu à nobreza, nem gozou de títulos. Fez sua fortuna ajudando seu pai no comércio de diversos produtos entre as cidades próximas a Londres e relacionando-se com mercados franceses. Mas o jovem e ambicioso Jonathan viu uma grande oportunidade de negócio no Caribe, e foi com essa acertada decisão que sua fortuna aumentou, a cada dia, e sua fama de bom comerciante cresceu até o ponto de despertar o interesse da rainha da Inglaterra. Por ela e por sua filha, mudaram-se à cidade.
A rainha queria conhecer tão importante contribuinte da coroa, cuja esposa, comentava-se, que além de tudo era espanhola.
Sendo menina, Sara jamais suspeitou que o casamento de seus pais fosse polêmico, tanto para a coroa quanto para os habitantes de Londres, mas ao crescer e escutar as notícias que traziam as criadas, do mundo externo para o convento, compreendeu que não era habitual nem aceito o matrimônio de um inglês com uma espanhola.
Blanca Mendoza, sua mãe, vivia em uma das ilhas caribenhas, descobertas pelos espanhóis, quando conheceu Jonathan. Os espanhóis, após a proibição do comércio com outras ilhas que não pertencessem à sua coroa, se viram obrigados a recorrer ao contrabando para aumentar suas riquezas e manter o negócio. Além disso, desse modo, evitavam perder a totalidade de seus produtos para as mãos de piratas ingleses. O
Sendo menina, Sara jamais suspeitou que o casamento de seus pais fosse polêmico, tanto para a coroa quanto para os habitantes de Londres, mas ao crescer e escutar as notícias que traziam as criadas, do mundo externo para o convento, compreendeu que não era habitual nem aceito o matrimônio de um inglês com uma espanhola.
Blanca Mendoza, sua mãe, vivia em uma das ilhas caribenhas, descobertas pelos espanhóis, quando conheceu Jonathan. Os espanhóis, após a proibição do comércio com outras ilhas que não pertencessem à sua coroa, se viram obrigados a recorrer ao contrabando para aumentar suas riquezas e manter o negócio. Além disso, desse modo, evitavam perder a totalidade de seus produtos para as mãos de piratas ingleses. O
pai de Blanca fez o acordo de comercializar com Jonathan, pelas ilhas caribenhas, objetos e sedas trazidos da Inglaterra em troca de ouro e prata extraídos das vísceras do Novo Mundo, quando os jovens cruzaram olhares, fugazes e ardentes, no escritório do espanhol.
O inglês prolongou sua estadia na residência de Mendoza o quanto pode, mas outros negócios requeriam sua presença e, muito ao seu pesar, organizou sua fragata para a iminente partida.
A jovem espanhola, cativada pelos olhos claros e os modos encantadores e corteses do inglês e, além disso, cansada de viver naquela ilha rebelde, rodeada de selva e seres selvagens, empacotou dois ou três objetos, suas joias e fugiu, à noite, para o navio inglês.
A jovem espanhola, cativada pelos olhos claros e os modos encantadores e corteses do inglês e, além disso, cansada de viver naquela ilha rebelde, rodeada de selva e seres selvagens, empacotou dois ou três objetos, suas joias e fugiu, à noite, para o navio inglês.
No amanhecer seguinte, Jonathan zarparia para a Inglaterra. Quando Dom Mendoza descobriu que sua filha não estava na casa nem em nenhum lugar da cidade, os jovens encontravam-se a um dia de distância, navegando felizes sobre o mar.


Assinar:
Postagens (Atom)
















