4 de fevereiro de 2019

O Highlander Amaldicoado

Série Lords de Dunkeld
Será que uma beleza escocesa, que pode ver o futuro, pode prever a desgraça do Highlander que ela ama?

O futuro de uma superdotada Lass Joanna MacConnaway parece sombrio quando seu tio-avô morre, deixando Lochlann nas mãos de um novo líder.
Esse estranho bonito, que assombrou os sonhos de Joanna, logo se vê em perigo mortal. Joanna escolhe ajudá-lo, indo contra suas dúvidas e senso de desgraça iminente. 
Ela pode confiar nele? E ele é digno dos sentimentos que ela logo desenvolve para ele? Um líder amaldiçoado Sombrio e cismado Dougal Blackheath é assombrado por fantasmas que parecem determinados a tirar sua vida, e, quando ele se muda para o Castelo Lochlann, os demônios o seguem para sua nova casa. Embora seu pai decretasse que ele deve se casar com uma moça rica e poderosa para servir as suas próprias ambições, ele toma uma decisão ousada e impetuosa de se casar por amor, e logo descobre que tem sentimentos por sua nova tutelada, a bela Joanna. Fantasmas do Passado Joanna resgata Dougal, mas a assombração continua, e os dois, ao que parece, enfrentam um perigo mortal. Quando um sanguinário Ghoul2 ataca Joanna, os dois se unem, para chegar ao fundo de uma violência que parece real demais. Caso contrário, nenhum dos dois Highlanders viverá para contar a história. Joanna vai descobrir a verdade por trás do mistério das Highlands que ela herdou antes de arruinar seu futuro? Ou sua vidência será um pesadelo de sua realidade cotidiana? Pode Dougal ser realmente a desgraça do Castelo Lochlann, ou é algo muito mais sinistro — um culpado de carne e osso — por trás dos ataques à sua vida?

Capítulo Um

O fogo rugia na lareira do segundo andar, no solar, arqueando as tapeçarias que cobriam as grandes janelas que impediam o frio de invadir a sala. Joanna, sentada à mesa, se abanou com a mão. Estava quente ali. Ela pegou o cabelo e esticou momentaneamente o pescoço, procurando um pouco de frescor. Aos dezenove anos, o cabelo dela era grosso e lustroso, caindo até a cintura. Toda a família estava reunida no solar, para celebrar a Lammastide, a festa que dava graças pela colheita anual. A atmosfera estava cheia de vida, conversa alegre e riso alto. Joanna se abaixou, franzindo a testa em concentração, para ouvir o que sua tia Chrissie lhe dissera.
― Oh! Joanna! Você é tão atenciosa. ― Tia Chrissie sorriu para Joanna, de seu lugar à mesa. ― Joanna sorriu para ela com carinho. ― Não fui realmente prestativa, ― ela admitiu.
― Eu gostei de levar Conn e Leona para dar uma volta. ― Ela olhou por cima da mesa para seus primos, que estavam entretidos brigando por uma porção de pudim. Eles haviam cavalgado por uma hora ao redor das muralhas do castelo, os dois jovens gritando horrorizados ao pensar em ursos, ou lobos, rondando os bosques. Joanna gostava da companhia deles e, além disso, os mantinha longe das estripulias. Chrissie tocou a mão dela.
― Você é uma bênção, minha querida. Joanna se sentiu quente por dentro. Chrissie — doce e gentil — era uma amiga querida. Levar seu filho Conn por algumas horas não foi nenhuma dificuldade. Especialmente não agora, quando todos estavam reunidos para o banquete de Lammas.
 Joanna olhou através da mesa abarrotada, afastando uma mecha dos longos cabelos ruivos da testa enquanto observava os primos e a discussão sobre o prato. Aos treze anos de idade, os dois estavam sempre se metendo em confusão — um estado que Joanna suspeitava ser principalmente culpa de Leona. Única filha de Alina e tão bonita quanto sua mãe, Leona era teimosa. E tão encantadora que ela podia se safar de qualquer coisa. Joanna sorriu, observando os dois primos falarem.
― É meu pudim! ― Protestou Conn enquanto a prima se aproximava para pegar um pedaço com a colher. ― Ah, mas você não se importa de compartilhar comigo? ― Disse Leona, sorrindo, com todas as covinhas e olhos brilhantes.
― Não, Leona, ― disse Conn, olhando para trás. Ele a olhava com adoração e Leona ondulou docemente. Joanna queria rir. Os dois primos argumentavam desde o nascimento e iriam assim para o casamento, e ela podia ver o forte vínculo entre eles. A personalidade dominante de Leona certamente garantiria que não houvesse nenhuma esposa maltratada em sua casa! Ela sorriu.
― O quê, querida? ― Amabel, sua mãe, perguntou do outro lado da mesa.
― Nada.








Série Lords de Dunkeld
1- Coração de um Hinghlander
2- O Desafio do Highlander
3- O Highlander Herói
4- O Highlander Amaldiçoado
5- O Dilema do Highlander
6- O Despertar do Highlander 
6.5 - O Conflito do Highlander
7- O Highlander Agente Secreto
7.5- O Cavaleiro Highlander

Somente Minha

Série Oeste I
Para fugir de um casamento arranjado Jessica Charteris, envolve o homem cujas lembranças ela guarda em seu coração, seu velho amigo Wolfe Lonetree. 

Ele é o único homem em quem confia e o adora... E não hesita em forçá-lo a um casamento que ele não deseja. Contrariado, Wolfe se vê arrastado por aquela temperamental e mimada dama inglesa, então impõe uma condição para aceitar o casamento: deverão viver no selvagem oeste americano. Wolfe sabe que aquela áspera e dura vida no oeste americano não é como a vida que a mimada Jessi levava... E espera que a dureza daquelas terras a convença a aceitar a anulação do casamento e voltar à Inglaterra. Mas ele não conhece Jessi a fundo e não sabe do que ela é capaz, e Jessi não conhece Wolfe, nem seu endiabrado temperamento... Duas personalidades vulcânicas condenadas a se destruírem ou a se entenderem.

Capítulo Um

St. Joseph, Missouri, primavera de 1867
― Serei razoável, milorde. Não havia pensado em despedir Betsy nem os serventes. 
― Não sou seu lorde. Sou um bastardo, lembra-se? 
― Noto que minha memória melhora por momentos. ― Jessica murmurou. ― Ai! Está me apertando. 
― Então deixe de se mexer tanto. Ainda restam mais de vinte botões e são tão pequenos como ervilhas. Maldição! 
No que um estúpido ignorante pensava ao fazer um vestido que não permite que uma mulher se vista sozinha? Nem tirá-lo. E aquilo era o pior. Wolfe sabia que chegaria o momento em que precisaria desabotoar todos aqueles brilhantes botões negros, e cada um deles revelaria mais pele quente e perfumada, e a mais delicada lingerie de renda. 
Era uma elfo que mal chegava ao seu queixo e, no entanto, o fazia cair de joelhos de puro desejo. Suas costas eram tão suaves e elegantes quanto à de uma bailarina, graciosa como uma chama; uma chama que o fazia arder. 
― Sinto muito. ― Jessica sussurrou com tristeza quando as palavras de seu esposo abrasaram seus ouvidos. 
― Eu esperava... ― Maldição, deixe de murmurar. Se você tem algo a dizer, diga, e deixe de lado esse estúpido costume aristocrático de falar em voz baixa, que faz com que um homem se veja obrigado a se inclinar para ouvir. 
― Pensei que se alegraria em me ver. ― Jessica continuou com total sinceridade. ― Não ficamos juntos desde que trocamos os votos, faz meses. E nem mesmo me perguntou como foi à travessia, nem sobre a viagem de trem no qual cruzei o continente, nem... 
― Disse-me que não se queixaria se eu a deixasse sozinha. ― Wolfe a interrompeu, cortante. ― Por acaso o está fazendo, agora, lady Jessica? Ela lutou contra a onda de tristeza que a invadia. 
Não foi assim que imaginara seu reencontro com Wolfe. Ansiara cavalgar com ele pelo grande deserto americano sobre inquietos cavalos puro-sangue. 
Desejara com todas as suas forças, que chegassem aqueles longos dias de cômodos silêncios e animadas conversas que recordava de suas viagens anteriores, aquelas fogueiras noturnas sob o brilhante e limpo céu americano. Mas, sobretudo, desejara voltar a ver Wolfe. 
― Quando recebi a carta onde você me pedia que me reunisse aqui com você, ― replicou ― pensei que tivesse superado seu ressentimento. 
― Ressentimento.








Série Oeste I


29 de janeiro de 2019

Cavaleiro da Paixão

Série Todos os Homens do Rei
Lady Linnet está dividida entre dois desejos: vingar-se daqueles que destruíram sua família ou casamento com seu amor de infância Sir James Rayburn. 

Uma noite fatídica, ela faz uma escolha equivocada: ela sacrifica o amor de Jamie por uma chance de vingança.
Jamie Rayburn retorna à Inglaterra em busca de uma esposa virtuosa, apenas para descobrir que a adorável Linnet é mais encantadora do que nunca. Seu caso imprudente se inflama de novo, ainda mais quente do que antes, embora Jamie prometa nunca mais confiar nela com seu coração. Então, assim que Linnet começa a fazer as pazes, ela é tentada por uma última oportunidade para acertar as contas antigas. Mas uma retribuição final poderia custar o amor de Jamie, desta vez para sempre.


Capítulo Um

Londres, 30 de outubro de 1425
O fedor do Tâmisa fez os olhos de Sir James Rayburn encherem de água enquanto cavalgava através da irada multidão. Os "Gansos de Winchester," as prostitutas que trabalhavam neste lado do rio sob o regulamento do bispo, não fariam muitos negócios hoje. Os homens que enchiam a rua não estavam aqui para buscar prazeres proibidos dentro da Cidade; eles estavam procurando briga.
Mais cedo, Jamie tinha atravessado o rio para avaliar o clima dentro da cidade de Londres e o encontrou à beira da revolta. A multidão cresceu mais espessa à medida que se aproximava da ponte de Londres.
Homens olhavam para ele, mas saíam fora do caminho de seu cavalo de batalha. Enquanto se empurrava através deles, seus pensamentos foram direcionados à noite anterior. Havia demasiados soldados do bispo no castelo.
Ao longo do jantar, Jamie tentou discernir a intenção do bispo em trazer tantos homens armados para o Castelo Winchester. Sob o olhar atento do bispo, no entanto, nenhum dos outros hóspedes se atrevia a falar disto. Em vez disso, eles pressionaram Jamie por notícias dos combates na França.
Obrigaram-lhe, a contar da recente batalha contra as forças do delfim em Verneuil. Enquanto ele descrevia sua história, as senhoras se inclinaram para frente, as mãos pressionadas aos seus seios cremosos. Ele gostava de contar histórias. Só quando tinha começado a desfrutar de si mesmo, as palavras de Linnet voltaram para ele.
O que você precisa, Jamie Rayburn, é uma nobre inglesa maçante, que terá o prazer de compartilhar suas noites ouvindo você recitar histórias tediosas de suas vitórias.
Depois de todos esses anos, o ridículo passado com Linnet ainda irritava. Ele trouxe sua história a um fim abrupto e deixou o salão do bispo indo para a cama. Dane-se a mulher. Cinco anos desde que ele a tinha visto, e ela ainda podia arruinar a noite.
Chamá-lo de tedioso era o menor dos crimes de Linnet contra ele. Não importava que ele fosse três anos mais velho e ela ainda não tivesse completado dezesseis anos na época, ao lado dela, ele tinha sido um bebê na floresta. O embaraçava lembrar como ela tinha usado seu coração. Enquanto ele professava amor eterno e adoração, Linnet o usou sem um pingo de culpa ou remorso.
Após o desastre, ele deixou Paris rapidamente, na esperança de alcançar a Inglaterra antes que sua carta. Mas não conseguiu. Teve que sofrer a mortificação adicional de dizer a sua família que ele e Linnet não iriam casar afinal.
Alguém deveria ter dito a ele que os homens valorizam a virgindade de uma mulher muito mais do que as mulheres. Ele tinha confundido o dom dela como um presente de seu coração e uma promessa de casamento. Nunca mais iria deixar uma mulher humilhá-lo assim.
Isso não significava que ele tinha abdicado das mulheres. Em verdade, tinha ido a mais camas do que qualquer número deles na sua determinação de limpar a memória de Linnet de sua mente. Na maioria das vezes ele conseguiu.
Pensar nela agora, o deixava de mau humor. Pela barba de Deus, ele não conseguia respirar com todas estas pessoas o impedindo de entrar. A julgar pelos relinchar e as orelhas achatadas de Trovão, o cavalo sentia o mesmo. 
— Nós já vimos o suficiente.




Série Todos os Homens do Rei
1 - Cavaleiro do Desejo
2 - Cavaleiro do Prazer
3 - Cavaleiro da Paixão
Série concluída




23 de janeiro de 2019

Doze Beijos para à meia-noite

Série Príncipes de Oxenburg

Quando o noivado de Marcus Sutherland com Lady Kenna Stuart acabou, ele embarcou em um navio e partiu para Oxenburg, esperando esquecer tudo que dizia respeito a isso. 

Dez anos depois, ele está de volta à Escócia em uma festa de Natal quando a vê do outro lado da sala.
Desde que eles terminaram Kenna esteve casada com um homem mais velho e depois enviuvou, e Marcus esteve em todo o continente como diplomata político.
Mas um olhar para ela, e todos os velhos sentimentos de amor e mágoa voltaram.

Capítulo Um

— Och, o que ela está fazendo aqui? — Marcus Sutherland, o quarto Duque de Rothesay, estreitou seu olhar sobre uma mulher solitária que estava na lateral da sala de estar.
Nikolai Romanovin, o príncipe herdeiro de Oxenburg, lançou um olhar levemente curioso para os outros convidados esperando o jantar ser anunciado.
— Qual “ela”? Há muitas “elas” para contar.
— Aquela. — Marcus apontou para a pequena morena que estava perto das portas do terraço, sob um longo galho de sempre-viva e visco. Vestida de cinza, como convinha à sua condição de viúva, ela estava sozinha, com as mãos enluvadas juntas desajeitadamente ante ela, uma enorme bolsa pendurada em seu cotovelo.
A avó de Nik, a Grã-duquesa Natasha Nikolaevna, olhou além deles de onde estava sentada em um sofá dourado. Vestida de preto, com as costas rígidas e régias, sua mão se apertou sobre a bengala como se fosse um cetro, ela parecia como uma rainha idosa presidindo a corte. Ela olhou para a mulher e bufou.
— Essa bolsa é do tamanho de uma maleta. Que diabos ela poderia estar levando naquela coisa? Um bolo inteiro? Uma criança?
— Um livro. — Marcus respondeu. — Talvez dois. Ela nunca está sem um.
As sobrancelhas de Nik levantaram.
— Eu suponho que você não saiba o tópico destes livros?
— História, cavalos, ou algum tipo de novela romântica.
— Você a conhece bem, então. — Nik a olhou como se ela fosse um pastelzinho especialmente doce. — Você deve-me dizer sobre ela. Ela é muito linda.
A mandíbula de Marcus contraiu. A última coisa que ele queria fazer era falar, pensar, ou lembrar-se de Kenna Stuart de qualquer forma. Só vê-la despertava memórias que ele tinha esperança que estivessem mortas. Ele teve que lutar contra uma visão instantânea de seios cheios, exuberantes, de uma cintura elegante que arredondava-se em quadris voluptuosos, de olhos de cílios fartos, sonolentos depois de horas de fazer amor...
Ele apertou a mandíbula e se virou. Em outro tempo, ele a tinha adorado e pensara que nenhuma outra mulher poderia se comparar. Mas ela está longe, longe de ser perfeita. Eu já provei o corte amargo daquele coração gelado.
Claro, tudo o que Nik via era uma jovem mulher bonita, parecendo perdida, mesmo quando cercada por ramos de azevinho e velas festivas de Natal. Marcus se recusou a permitir que isso o afetasse.
— Eu costumava conhecê-la, — disse ele brevemente. — Mas não mais.
— Quem é ela? — O olhar de Nik deslizou de volta para a mulher, a aprovação em seu rosto. — Ela é a mulher mais bonita aqui.
Era verdade. O cinza suave do vestido aumentava o rubor de sua pele cremosa, enquanto seus cachos escuros, artisticamente arrumados em torno de seu rosto em forma de coração, fazia seus olhos castanhos parecerem ainda maiores. Se ela tivesse sorrido, Marcus sabia que eles veriam um par de covinhas que poderia derreter o coração de um homem.
Mas não mais.
— Ela é Lady Montrose, viúva do falecido conde.
— Esses olhos escuros, — Nik murmurou. — Eles falam com você.
— Não há nada para olhar nessa mulher, — a avó de Nik anunciou. —Bidnyahshka! Ela é baixinha e roliça, com os olhos muito grandes para o rosto, e aquele cabelo... pah! Cachos estão fora de moda. Ela parece um gatinho despenteado.
Marcus observou que a boca de Kenna se apertou enquanto a duquesa falava. Ela pode nos ouvir? Certamente não. Ela está muito longe. Percebendo que ele estava encarando-a e em perigo de ser pego, ele se moveu de forma que ela não estivesse mais em sua linha de visão.
— Tata Natasha, por favor. — Nik suspirou. — Se você não pode dizer nada agradável, então não fale.
Sua Graça bufou, mas não ofereceu outra palavra.
— Perdoe a minha avó. Ela está de mau humor porque seu amigo Lord Lyons não se juntou a nós aqui na propriedade de Stormont, mesmo que ela tenha convidado o cavalheiro especificamente.
A grã-duquesa murmurou algo num sussurro sobre os homens e promessas vazias.
— O leite azedou, — Nik anunciou. — Então, Marcus, esta mulher com lindos olhos e a boca como uma rosa beijada. Você disse que ela era a viúva do falecido Conde de Montrose?
— Nikolai gosta de viúvas, — a grã-duquesa anunciou em voz alta. — Mas só as bonitas.
— As bonitas são as melhores. — O olhar de Nik demorou sobre Kenna de uma forma que queimou a alma de Marcus. — Me diga mais. Eu gostaria de saber tudo sobre ela.
Marcus percebeu que suas mãos estavam fechadas em punhos, e ele as forçou a se abrirem. Droga, eu deveria não sentir nada por ela. Eu realmente não sinto nada por ela.
Mas talvez fosse normal que um homem se sentisse possessivo com o que já foi seu. O orgulho masculino era cego e insensato. Todo mundo sabia disso. Marcus removeu um pedaço de fiapo da manga de seu casaco.
— Quando eu a conheci ela era Lady Kenna Stuart, filha do Conde de Galloway. Seis meses depois de eu ter deixado a Inglaterra, ela se casou com o Conde de Montrose, um homem dezenove anos mais velho que ela.
— E agora ele se foi, o que me beneficia. Como você chegou a conhecê-la, meu amigo?
— Ela foi minha noiva, uma vez.
Nik não poderia parecer mais atônito.
— Eu te conheço há mais de dez anos e nenhuma uma única vez você mencionou um compromisso, quebrado ou não.
— Aconteceu pouco antes de você e eu nos conhecermos. Como meu orgulho estava gravemente ferido na época, eu não tinha nenhum desejo de mencionar isso. Mais tarde, não parecia importar.
O olhar de Nik voltou-se para Lady Kenna.
— Como esse compromisso acabou?
— Nós descobrimos que não nos encaixávamos. E bem a tempo, pois o casamento estava apenas há um mês de distância.
— Isso não causou um escândalo?
— Algum, mas eu não fiquei para apreciar. Eu aceitei um cargo de diplomata designado pelo Lord Wellmont e viajei para a corte de Oxenburg, onde eu conheci você.
— E eu estava feliz de ter você lá. É malditamente chato na corte; você era uma dádiva de Deus. — Nik cruzou os braços e balançou-se sobre os calcanhares, seu olhar animado no rosto de Marcus. — Devo dizer que você não parece excessivamente desanimado com essa mulher.
— Isso são notícias velhas. — Agora. Na época, no entanto...









Série Príncipes de Oxenburg
1- O Príncipe que me Amou
2- O Príncipe e Eu 
2.5- Uma Princesa na Escócia
3- Louca por um Kilt
3.5 - Doze Beijos para à meia-noite 
Série concluída

22 de janeiro de 2019

Louca por um Kilt

Série Príncipes de Oxenburg 
Nikolai Romanovin, um príncipe real de Oxenburg, viajou para os confins mais profundos da Escócia para resgatar sua avó, a grã- duquesa, que foi raptada enquanto visitava um velho amigo nas Terras Altas. 

Querendo evitar um incidente internacional, Nik planeja silenciosamente entrar em território inimigo, disfarçado como um cavalariço no Castelo Cromartie. Mas seus planos dão errados quando ele cai sob o olhar frio e cinzento da filha do lorde.
Pragmática e inteligente, Ailsa MacKenzie ficou encarregada da propriedade da família e de sua avó indisciplinada na ausência de seu pai. Algo sobre o novo cavalariço atrai seus olhos, e a faz pensar que ele não é quem ele finge ser — e ainda mais chocante, agita seus sentidos. São suas maneiras obviamente educadas? Sua presença arrogante e não servil? Certamente não é sua forma poderosa, ou sonolenta, ou os convidativos olhos verdes!
Depois de confrontar o impostor e aprender a verdade, Ailsa concorda em ajudar Nik — pois ela também entende parentes difíceis, e faria qualquer coisa pela família. Logo, sua parceria secreta leva a um respeito crescente, beijos ardentes e, em seguida, algo muito mais perigoso. E quando a sua busca se torna perigosa, Ailsa e Nik devem descobrir esse inimigo desconhecido enquanto enfrentam as perigosas exigências de seus próprios corações indisciplinados.

Capítulo Um

Castelo Leod - O Pequeno Estudo
17 de novembro de 1824

— O que você quer dizer com “ela desapareceu”? — Lady Ailsa Mackenzie largou a carta que estava lendo, e olhou para a avó com descrença.
Lady Edana MacGregor Mackenzie, a Condessa Viúva Cromartie, agitou o lenço de renda.
— Quero dizer o que eu disse: a duquesa não está em lugar algum. — Vestida de preto, uma cor que Lady Edana havia assumido com a morte de seu marido, o falecido conde a mais de dez anos antes, ela era uma figura impressionante. Alta e esbelta, com cabelos cuidadosamente tingidos de ouro, que ecoavam a verdadeira cor que haviam desaparecido anos atrás, Edana lutou bravamente para evitar que o tempo roubasse a famosa beleza MacGregor. — Ailsa, estou profundamente preocupada. A pobre Natasha não conhece os perigos do interior das nossas montanhas.
— Talvez Sua Graça esteja afora da carruagem, ou indo passear, ou... seja o que for que ela quisesse fazer.
— Querida, é “fora”, não “afora”. ― Edana suspirou pesadamente.
— Eu gostaria que seu pai tivesse lhe enviado para um internato adequado.
— Eu precisava estar aqui com a mamãe depois que ela adoeceu. Eu não perderia aqueles momentos por nada.
— E, agora ela se foi, seu pai nunca está aqui. É como se eu perdesse os dois ao mesmo tempo. — Edana deu um suspiro irritado.
— Seu pai está negligenciando todos nós. Ele deveria ter visto para que você fosse para um internato adequado e tivesse pelo menos uma temporada. Você poderia estar casada agora, do mesmo jeito que suas irmãs.
Ailsa se absteve de dizer que, embora suas irmãs tivessem herdado a famosa beleza MacGregor de Edana, Ailsa tinha puxado aos ousados Mackenzies. Enquanto suas irmãs tinham cabelos dourados, olhos azuis, figuras esbeltas e narizes perfeitos, o cabelo de Ailsa era de um loiro mais escuro, menos perceptível, seus olhos eram cinzentos, sua forma era forte, enquanto seu nariz só podia ser chamado de “proeminente”.
Era uma mistura infeliz de traços.
Não que isso importasse; Ailsa tinha 22 anos agora e não queria ser mostrada na marcha do casamento entre um grupo de jovens de dezessete anos que a enlouqueceriam com suas conversas vazias e fofocas ofegantes. Ela estava feliz por ter sido deixada no Castelo Leod, onde podia caçar, montar, pescar e - quando o clima lhe convinha - lançar um manto no chão debaixo de uma árvore, e ler para o seu coração. Havia mil coisas divertidas para fazer aqui nas terras altas, e ela amava todas elas.
Ela estava contente com sua vida, especialmente agora que Papa deixara o castelo e a propriedade sob seus cuidados. Era uma grande responsabilidade, e ela ainda estava aprendendo a responder aos desafios apresentados, um dos quais era acompanhar os idosos, às vezes, briguentos hóspedes de sua avó.
— Por que exatamente você acha que Sua Graça está desaparecida?
— Tínhamos que nos encontrar no café da manhã há quase uma hora, e também a pedido dela, pois ela queria visitar a loja na aldeia que eu lhe falei, mas não apareceu. — Edana fungou. — Eu tive que comer sozinha, já que ninguém mais estava.
— Então vocês duas estão se falando de novo.
— Ah, criança, claro que estamos falando!








21 de janeiro de 2019

Série Os Kinsberly

3- Infernos de Paixão 
Uma história onde o perdão não existe, mas o amor sim.
Ela... Byron Kinsberly arrebatou-lhe tudo, e estava disposta a vingar-se. Mas quando entre eles surge um amor inesperado e inoportuno, Sofia esquece sua luta contra ele para lutar contra um inimigo que ameaça machucar a quem mais lhe importa. Ele... Sofia Jackson lhe devolveu a vontade de viver. E quando mais vivo se sentia descobre um destruidor segredo que o colocará na mais profunda escuridão. Para sair, entretanto, precisa da mulher que ama, a quem jurou crucificar no inferno.

4- Uma moça indecente
Que opção pode haver em duas almas tão opostas quando a atração é irresistível? O herdeiro de Valldhort está mais do que disposto a procurar uma esposa e cumprir com a responsabilidade para qual foi educado. É a imagem da honra e do decoro, por isso parecia ser uma tarefa fácil até que se depara com a mulher
mais formosa, insensata e indecente que imaginava existir. A última jovem solteira dos Kinsberly sabe qual é agora seu dever, mas não está disposta que sua família obtenha o que sempre pretendeu: trocá-la para consegui-lo. Conan sabe que não lhe convém, mas a astúcia de lady Harley Kinsberly os levará a um jogo ao qual, provavelmente, nenhum dos dois ganhe.


5- O retorno de um sentimento
Uma história sacudida pelo tempo. Um sentimento que se nega a deixar de existir. Amar nunca foi tão importante para alguém como para William Kinsberly, o último de uma família cheia de histórias de amor na qual começava a sentir-se desconjurado. Mas quando conhece a mulher que desperta nele os melhores
sentimentos, um sinistro acontecimento ameaça arrebatar de sua vida a oportunidade de ser feliz. Apaixonada e destroçada, lady Bella Wislow é obrigada a partir para longe para cumprir com o dever para com sua família, no qual não é aceito um homem sem título nem posses. Quando vários anos depois se resignou ao seu destino, voltar a ver o homem que ama fará surgir segredos que jamais pensou revelar.




Série Os Kinsberly
1 - Lágrimas do Coração
2 - O Beijo Definitivo
3- Infernos de Paixão
4- Uma moça indecente
5- O retorno de um sentimento 
Série concluída

O Escândalo da Duquesa

Antologia Dançando nos braços do Duque
Demasiados Escândalos...

Depois de meses de casamento, o Duque de Linton concordou em viver separado de sua esposa. Juntos devido a um erro de programação, Linton descobre que Althea ainda tem o poder de fazer seu coração acelerar. Linton parece diferente do homem com quem Althea casou, crítico e indiferente. Mas, embora ela arda por ele como amante, pode confiar nele para ser o marido que precisa?

Capítulo Um

Ele era um tolo para voltar a Chimneys. Enquanto se aproximava da entrada da propriedade, o Duque de Linton quase disse ao cocheiro para voltar. A última vez que ele fez essa viagem, Althea tinha ido com ele, a noiva doce e jovem, cuja beleza e espírito brilhante o tinham cativado e o levado a escolhê-la, indo contra o senso comum e o conselho de sua família.
A última vez que ele se dirigiu ao longo desta estrada, ele pensava em outra coisa, na aproximação da noite e na cama de sua nova esposa. Isso foi uma lição e um alerta sobre o perigo de decisões rápidas que permitem que o desejo supere a razão. Ele não mudou sua ordem para o cocheiro, e voltou a pensar sobre as três semanas de sua lua-de-mel, e o quanto pensou que seria feliz.
Ele colocou seu desapontamento em um lugar oculto do coração e olhou para a frente prevendo dias tranquilos. Quando o cocheiro parou diante dos portões de ferro forjado que davam para o parque, Linton abriu a janela e olhou para fora.
Um par de meninos pequenos atravessou as grossas árvores adjacentes ao portão. O maior dos dois jogou o mais jovem no chão, e eles rolaram juntos, gritando como um par de leitões. Linton tinha sido uma criança aqui, muitas eras atrás, embora ele tenha brincado ao lado da casa principal e geralmente sozinho, tendo apenas um trio de irmãs mais velhas, a praga de sua vida.
Ele teria gostado de um irmão para lutar com ele. Ele descartou uma pontada de pesar, por não ter filhos próprios para brincar nos gramados desta ou de qualquer outra das suas doze mansões. Uma mulher, seguida por duas meninas, surgiu da parede de tijolo e abriu as portas.
A última coisa que Linton notou, enquanto o cocheiro levava a carruagem para a frente, era uma linha de roupas recém lavadas batendo na brisa. Em qual mundo alguém parava para observar as roupas das famílias dos servos, que desfigurava a entrada da propriedade intocável de um duque? A pequena irritação foi rapidamente esquecida na expectativa de ver Chimneys.
Quando virou a esquina na avenida, a graciosa casa em estilo Rainha Anne ficou à vista, toda em tijolos suaves e pedra dourada, perfeita em suas proporções e dominada pelas quatro chaminés gigantes, que lhe davam o nome. Teria nove dias para ele, com nenhuma preocupação e ninguém para incomodá-lo. Sem chamados, sem secretário, e certamente nenhuma esposa.
Nada a fazer senão caminhar, ler, ou qualquer outra coisa que ele tivesse vontade. Talvez pescar. Descendo do coche alegremente, ele cumprimentou o mordomo idoso.
— Boa tarde, Binney. Eu acredito que se encontre bem neste belo dia.
— Vossa Graça.







Antologia Dançando nos braços do Duque
1- O Escândalo da Duquesa
Uma Duquesa Inapropriada

19 de janeiro de 2019

O Lorde e a Plebeia

Série Uma Herdeira Americana em Londres 

Depois de desfrutar da sua juventude, como um dos mais selvagens libertinos da alta sociedade, Lord Denys Somerton dedicou os últimos seis anos da sua vida, a deixar o passado para trás. 

Ele está disposto a cumprir as suas obrigações, encontrar uma esposa e começar uma família. 
Mas os seus planos mudam quando Lola Valentine, uma ruiva sedutora que fez parte do seu passado, regressa a Londres, despertando o mesmo desejo irresistível que esteve prestes a arruinar a sua vida uma vez. Lola é uma mulher sem ilusões românticas. Sempre soube que o amor não seria suficiente para um lorde britânico e uma jovem americana dos bairros pobres. Pelo bem de Denys, se distanciou dele e da vida luxuosa que ele lhe oferecia. Mas, quando uma herança inesperada a leva de volta a Londres, Lola descobre, que a paixão continua sendo tão ardente como sempre foi entre eles. Serão eles capazes de quebrar essa paixão ou escapará do seu controle e os destruirão de novo?

Capítulo Um

Abril de 1892
­­­­­­­­– Meu Deus!
Essa exclamação enfática, da parte do conde de Conyers, foi suficientemente alarmante para capturar a atenção de todos os membros da sua família. O conde, como bem sabiam, não era um homem dado a exclamações, muito menos a hora tão cedo do dia.
Todos pararam, facas e garfos na mão, mas o conde não lhes prestou atenção. Ele continuou a encarar a carta que segurava na mão, sem explicar que notícias apareceram naquelas páginas, que motivaram a súbita necessidade de nomear o sagrado durante o café da manhã.
O seu filho Denys foi o primeiro a quebrar o silêncio.
– Pai, o que há de errado? O que aconteceu?
Conyers olhou para cima, a sua expressão indicando a Denys, que a notícia era tão chocante como induzia a sua exclamação.
Ele esperou, mas quando o seu pai dobrou a carta novamente, para colocá–la no envelope e a guardar no bolso da jaqueta depois de olhar para as senhoras, concluiu que era preciso descrição e voltou a sua atenção para o café da manhã.
– Você tem planos para o almoço? – Sua mãe perguntou.
Quando ele olhou para cima, Denys a descobriu observando–o com uma expressão que conhecia bem.
– Eu fiquei de encontrar Georgiana e sua mãe para falar sobre a exposição de flores. Vamos comer no Rules, que fica perto dos seus escritórios. Você quer se encontrar conosco?
Denys curvou os lábios com um sorriso irônico.
– Você é uma casamenteira, mãe.
– Eu sou a sua mãe. – Lady Conyers sugou com força. – As mães podem agir como casamenteiras.
– E onde essa regra está escrita? Eu gostaria de consultá–la.
– Não seja insolente, Denys. E, se estou fazendo de casamenteira, é porque não me faltam motivos. Eu vi você dançando com Georgiana no baile de Montcrieffe. Duas valsas – Acrescentou com evidente prazer.
– É verdade. – Ele exalou um suspiro pesado de sofrimento fingido. – Nesse caso, suponho que não tenho o direito de reclamar.
– Se você não quiser ir... – A mãe dele parou enquanto olhava para ele esperançosa.
Denys pensou em Georgiana e sentiu uma sensação confortável de afeto.
– O contrário. Irei encantado.
–Você não sabe o quanto me alegro! – Quando as palavras saíram da sua boca, a mãe de Denys mordeu o lábio e desviou o olhar, como se temesse que tanta efusividade fosse excessiva. – Georgiana é uma criatura adorável.
Susan, a irmã de Denys que estava sentada ao lado de sua mãe, suspirou exasperada.
– Por favor mamãe! Georgiana Prescott não é uma garota. Ele tem vinte e oito anos, a mesma idade que eu. Embora eu ousaria dizer que parece mais velha.
– Claro, ela é mais madura – apontou Denys, direcionando à sua irmã irresponsável um olhar significativo.
– Em todo caso, para mim, é uma criatura adorável. – Lady Conyers se inclinou para a sua filha. – E você também, querida.
O conde interrompeu o gemido de resposta, deixando a faca e o garfo no prato.
– Vocês terão que me desculpar – Ele disse enquanto se levantava – Mas eu tenho que me retirar. Denys, você se importaria de me encontrar no estúdio para discutir um assunto de negócios antes de sair?
– Claro.
Ele se levantou, mas a voz de Susan os interrompeu, antes que os dois homens pudessem sair.
– A carta trouxe más notícias, pai?
– Não.
Foi uma resposta afiada e o próprio conde deve ter percebido, porque suavizou a sua expressão enquanto olhava para a sua filha.
– Não é nada com que tenhas que te preocupar – a tranquilizou.
Mas, mesmo antes que Susan falasse novamente, Denys sabia que o conde não tinha conseguido tranquilizar a sua irmã.
– Você não quer me dar um tapinha na cabeça antes de sair? – Susan perguntou quando o conde começou a caminhar em direção à porta.
– Ele gosta de dar um tapinha na sua cabeça – disse Denys enquanto andava ao redor da mesa para se aproximar da sua irmã. – Seja tolerante com ele.
– Mas é ridículo!

 





Série Uma Herdeira Americana em Londres 

1 - Em Busca de uma Dama
2 - Um Pacto Audaz
3 - Um Beijo Ardente
4 - O Lorde e a Plebeia
Série Concluída

18 de janeiro de 2019

A Joia de Meggernie

Depois do ataque ao Meggernie, o lar de Willow MacGregor, o único caminho que fica adiante da jovem é o da vingança. 

Se para isso deve penetrar na fortaleza de seu inimigo e fazer-se passar por quem não é, não duvidará em seguir os ditados de seu coração.
Para o Ewan Campbell, aceitar a um adoentado moço em seu castelo, um que além disso pretende unir-se a sua tropa de soldados, é uma autêntica aberração. Entretanto, o orgulhoso laird do clã Campbell descobrirá que um simples olhar basta para que suas convicções e suas mais arraigadas crenças se cambaleiem.  Sumidos em um desconcerto total de emoções, ambos se darão conta de que o amor se encontra onde menos o esperam, e que seu coração só se acende ante o roce de uma única pele...

Capítulo Um

Desde pequena, todos lhe haviam dito que era o vivo retrato de sua mãe. Para a jovem Willow era toda uma honra que fizessem essa comparação, posto que Erinn MacGregor tinha morrido ao dar a luz e ela não tinha chegado a conhecê-la. 
Saber que, de alguma forma, sua mãe se refletia em seus olhos azuis, no gesto de sua boca ao sorrir, na cor escura de seu comprido e sedoso cabelo, confortava-a. Era um modo de tê-la perto, mesmo que nunca tivesse estado a seu lado; era sua particular e privada maneira de conhecê-la.
Aquele dia, a semelhança entre ambas era mais notório que nunca. Talvez por sua forma de sorrir, ou porque ao fim se intuía, sob aquelas bochechas rosadas, o rosto da mulher em que estava a ponto de converter-se. 
Apesar de que acabava de fazer dezoito anos, resultava evidente que suas feições precisavam amadurecer um pouco mais para alcançar sua expressão definitiva.
Sua velha dama de companhia, Enjoe, cruzou-se com ela pelas escadas e pôde ver quão contente estava sua jovem senhora.
— Aonde vai tão eufórica? — perguntou-lhe.
— Tio Gilmer mandou me chamar. Quer dar meu presente de aniversário.
A anciã lhe sorriu com ternura. Não eram bons tempos, e qualquer detalhe que tingira de cor aqueles dias cinzas em que viviam era bem recebido. A moça tinha poucos motivos para celebrar algo, com seu pai e um de seus irmãos ausentes, convocados à guerra que liberava o rei Robert do Bruce contra os ingleses. A maioria dos soldados MacGregor tinha partido com eles e a jovem tinha ficado ao cargo do Niall, o menor dos gêmeos, que tinha o encargo de custodiá-la e tomar conta do clã enquanto o autêntico laird, seu pai, batalhava contra o inimigo.
Ao chegar no grande salão Willow comprovou que seu tio já estava ali, sentado na cabeceira da larga mesa enquanto sua ama de chaves, Rhona, servia-lhe uma taça de vinho. A mulher levantou a vista e lhe dedicou um sorriso sincero. Encaminhou-se para ela e lhe falou antes de retirar-se.
— Hoje está de muito bom humor. Acredito que o presente excita mais a ele que a você. — Sussurrou isso com cumplicidade.
Willow lhe devolveu o sorriso, encantada. Rhona sempre lhe tinha gostado, era uma mulher atenta e carinhosa que levava a cargo do Landon Tower desde que tinha memória. As más línguas diziam que tanta entrega e dedicação em seu trabalho se devia a que estava apaixonada em segredo pelo senhor daquele castelo. Willow não via nada de mau nisso, justamente o contrário. Tio Gilmer não se casou nunca e, se Rhona tinha decidido amá-lo, não fazia mal a ninguém.
— Me alegro de que esteja feliz. — Respondeu ela, apertando uma das mãos da ama de chaves com carinho. — Nós todos faremos que volte a ser o homem que era.
Uma sombra de tristeza cruzou então pelo rosto da mulher.
— Será complicado, minha senhora. Ninguém volta a ser a mesma pessoa quando os dentes desta guerra cruel lhe remoem o coração.
Willow tragou com dificuldade o nó que lhe tinha formado na garganta ao escutar seu tom. Não era apenas pela desgraça que tinha sofrido tio Gilmer. O único filho de Rhona, de apenas dezesseis anos, tinha morrido em batalha defendendo a causa do rei Bruce. Abraçou-a em um gesto espontâneo, sem saber de que outra maneira lhe transmitir o muito que lamentava sua perda. Willow não podia imaginar-se sua angústia e sua dor, e quis reconfortá-la.
— Sinto-o tanto... Tinha muita admiração ao Connor, era um moço muito valente. — Murmurou enquanto a abraçava.
Rhona se mostrou sobressaltada pela demonstração de carinho e permaneceu muito rígida até que Willow se afastou.
— Era valente e o melhor dos filhos. — Corroborou, com os olhos lacrimejados. Depois, os limpou com um par de tapas e compôs de novo seu amável sorriso. — Mas hoje não terá que falar de penas, mas sim de alegrias. Seu tio já deve estar impaciente para lhe dar o presente que preparou com tanto entusiasmo. Deixo-lhe com ele.
Dito isso, continuou seu caminho e Willow ficou a sós com o senhor do Landon Tower.
— Vamos, te aproxime, tantas coisas tem que falar com a Rhona? — Chamou-a.
— Já vou.
Enquanto se aproximava, a excitação por descobrir qual seria seu presente apagou toda preocupação de sua mente por uns instantes. Não tinha sido um bom ano; muitas ausências e muitas penas para desfrutar de seu aniversário. Somente por isso, não poderia agradecer mais o cuidado que tinha tido tio Gilmer com ela.
Sentou-se ao seu lado, incapaz de manter a compostura. Os dedos lhe tremiam de emoção e seus olhos contemplaram com deleite o tamanho e a forma daquele enorme pacote envolto com um tecido de linho branco, adornado com uma cinta carmesim que o rodeava com uma perfeita laçada. Gilmer o empurrou para ela com sua única mão. 
Willow tratou de não dirigir o olhar ao outro braço, onde um coto substituía a extremidade que tinha perdido no campo de batalha.
Aquela era a causa de que Niall e ela tinham abandonado Meggernie, seu lar, e se encontravam em Landon Tower, a fortaleza de seu tio. Ambos o queriam muito para deixá-lo sozinho em um momento assim e, tal e como lhe tinha confessado a Rhona momentos antes, Willow esperava que sua presença servisse para que o guerreiro voltasse a ser o homem que conheciam, apesar de que aquela desgraça lhe marcaria para sempre.
Na realidade, Gilmer Graham não era seu tio de sangue. Era amigo de seu pai desde que tinha uso de razão e, tanto para ela como para seus irmãos, era mais um da família. 
Quando lhe cortaram a mão na batalha da retomada da ilha do Man, o rei Bruce o liberou da obrigação de lutar contra os ingleses. 
Para o guerreiro, sua mutilação e sua posterior licença do exército escocês tinha suposto um duro golpe. Quando Niall e Willow receberam a má notícia, acudiram ao Landon Tower dispostos a lhe dar todo seu apoio.
Niall o compreendeu muito melhor que ela, posto que o moço tinha sido excluído da batalha só porque Malcom, seu irmão gêmeo, tinha aparecido a cabeça ao mundo dois minutos antes que ele. Willow sabia que Niall desejava ir à frente junto a seu pai e servir ao rei Bruce como outros muitos jovens, e estava convencida de que se ela não existisse, seu irmão teria podido cumprir com os ditados de sua honra e patriotismo.
— Não vais abrí-lo?








Saga Irmãos MacGregor
1- A Joia de Meggernie
Série concluída

Eu Posso ter esse Duque?














 

 
Capitulo Um

— Desejava me ver, Vossa Graça? Gerard Juvenal René Beaumarchand Hammersley, oitavo Duque de Hardcastle, fingiu, por mais um momento, estudar sua lista de tenentes, porque ele enfaticamente não desejava ver a senhorita Ellen MacHugh. 

Essa mulher destruía o foco dele simplesmente entrando na sala, e quando ela falava, o que quer que esteja na cabeça de Hardcastle no momento, resultava em uma parada de boca aberta de forma indecorosa. Um indecoroso, boquiaberto, momento parado, porque a senhorita MacHugh ousou usar em sua pessoa os aromas de lavanda e lilás. O duque se levantou para Miss MacHugh que era uma lady, embora uma lady a seu serviço.
— Por favor, se sente, Senhorita MacHugh. Eu confio que esteja bem? Eles tinham aperfeiçoado um sistema, de forma que pudessem morar na mesma casa por um ano, mas ficar dias sem se falar. Semanas até. O recorde de Hardcastle foi trinta e três dias seguidos, embora reconhecidamente, ele tivesse estado doente a maior parte desse tempo. Ela, pelo contrário, tinha a constituição de um cavalo arado. Ela nunca perdia também seu equilíbrio, enquanto ele se atrapalhava com as palavras na presença dela ou proseava sobre o tempo. Ou alguma outra bobagem.
 — Estou bem, Vossa Graça. Obrigada por perguntar. Christopher também está bem. — Se ele não estivesse bem, e você falhasse em me contar, já estaria fora do seu posto, madame. Ela abaixou o queixo, um queixo bem teimoso. Seu cabelo era castanho avermelhado escuro, e sua altura era infelizmente baixa, mas aquele queixo era bem expressivo. A Senhorita MacHugh não era esbelta, não era loira, não era subserviente, não era 
— oh, seus defeitos eram infinitos. Ela não era nem inteiramente inglesa, sua mãe vinha de uma região escocesa de Peeblesshire.
— Você me chamou por alguma razão, Senhor? Hardcastle cruzou as mãos atrás das costas, andou até a janela da biblioteca e procurou recordar o lapso de sentido que o tinha feito chamála. 
— ah, sim. — Eu estou indo para uma festa em Nottinghamshire, — ele disse. — Christopher irá me acompanhar, e você irá acompanhar o garoto. 
— Quando iremos partir, Vossa Graça? — Nós iremos na terça. Por favor, garanta que Christopher tenha tudo que ele precise para uma estadia de duas semanas no lugar. Você e ele irão dividir o carro de viagem, e eu irei a cavalo. Obrigado, isso é tudo. Ela se levantou em sua pequena estatura, e ainda assim, tal era a presença de Ellen MacHugh que Harcastle continuou na janela, dando o resto da biblioteca para ela.
 — Vossa Graça considerou tutores para ajudar na educação de Christopher? — ela perguntou. Que bicho começou isso?

Evander

Highlanders Imortais

Duas almas perdidas forjam algo bonito de algo quebrado. 

Rachel Ingram está vivendo o sonho. Herdeira de bilhões, ela está comprometida com o homem perfeito. Mas com a morte súbita de seus pais, seu mundo começa a desmoronar. Quando ela descobre a verdadeira natureza de seu novo marido, sua vida implode.
Evander Talorc está vivendo um pesadelo. Traidor de seu clã de highlanders imortais, ele mora sozinho em um chalé remoto. Mas nem sempre foi assim. Uma vez ele tinha desistido de tudo por causa de seu amante mortal. Então ela morreu da peste. Mas quando ele visita seu túmulo no centro do bosque sagrado, ele encontra o inacreditável.
Abandonada e esquecida, Rachel e Evander se encontram. Mas o resto do mundo não vai deixá-los.







Série Highlanders Imortais
1 - Lachlan
2- Tharaen
3- Evander

Tharaen

Highlanders Imortais
Uma detetive em uma missão pessoal não para, mesmo quando ela cair nos braços de um deslumbrante montanhês medieval.

A tenente Diana Burke não desistirá. Embora seu caso tenha caido por terra, algo sobre o desaparecimento de Kinley Chandler não faz sentido. Mas o último lugar que a detetive espera encontrá-la são as terras altas da Escócia medieval.
O guarda-costas Tharaen Aber precisa de outra complicação de segurança como ele precisa da peste. Mas a engenhosa moça que ele pega se esgueirando pelo castelo de Dun Aran não poderia ser mais oposta. Tão hábil como rastreador como ele já viu, ela empresta sua ajuda em todas as oportunidades. Infelizmente para o gigante highlander, as complicações que ela traz ao coração não são tão fáceis de resolver.
Mas nem todos os olhos veem Diana pelo bem que ela traz. Na verdade, os druidas exigem que ela saia e estão determinados a fazer isso acontecer.


Capítulo Um
Bem, ter mais de um metro e oitenta de altura tinha suas vantagens, embora não tantas quando você é mulher. A Tenente Diana Burke levantou-se para esticar os longos membros e viu o resto dos cubículos cinzentos à sua volta já vazios. Uma vantagem de ter mais de um metro e oitenta de altura era a capacidade de verificar os arredores em poucos segundos. Além do labirinto de painéis redutores de som, os painéis externos de vidro do prédio mostravam o brilho das luzes do porto contra um céu preto fosco. A última vez que ela olhou, a vista tinha sido dos arranha-céus da cidade, emoldurados por um céu azul-prateado recortado por nuvens com bordas douradas.
Dentro da têmpora direita ela sentiu o toque de advertência de outra dor de cabeça e pegou o frasco de comprimidos em sua gaveta.
Lá embaixo, no bairro de Gaslamp, a festa estaria apenas começando. Ela não tinha ido lá para beber em seu bar favorito no terraço desde que ela começou a colocar horas extras que ela não relatou em sua folha de ponto. As horas eram dela e ela faria o que quisesse com elas. Desperdiça-las em margaritas de morango congeladas e caras que empalideciam no minuto em que ela se levantava não era atraente para ela.
Mas encontrar as pessoas desparecidas e trazê-los para casa fazia com que fosse manhã de Natal todos os dias.
O cheiro de baunilha fez Diana franzir a testa, até que viu a fatia de bolo que alguém havia deixado estacionada no final de sua mesa. Isso significava um aniversário hoje na unidade, e ela tinha perdido isso. Isso a incomodou. Ela realmente gostava das pessoas com quem trabalhava e adorava bolo de qualquer tipo.
Exceto veludo vermelho. Mesmo pensando nisso, ela estremeceu um pouco. Por que alguém gostaria de bolo da cor de sangue? Era quase tão ruim quanto os crânios e esqueletos de açúcar decorados que eles vendiam pela cidade para o Dia de los Muertos.








Série Highlanders Imortais
1- Lachlan
2 - Tharaen
3- Evander

16 de janeiro de 2019

O Duque de Meus Sonhos

Série Era uma vez um Sonho


Anne Faraday, a filha de um banqueiro, é eleita como acompanhante de Elias, Duque de Sedgemere, para uma festa campestre nos Lagos. 

Anne entusiasma-se com o homem solitário e pai abnegado que está por detrás do título, e Elias fica cativado pela mulher brilhante e oprimida debaixo da fachada gentil de Anne. 
A atração converte-se em amor sob o luar de verão da Cumbria, mas as obrigações familiares, os segredos e um pato prodigioso conspiram para frustrar o curso do amor verdadeiro.
Capitulo Um

 ― Não estou pedindo este favor sem pensar. Elias, Duque de Sedgemere, seguiu andando, envergonhado, pelas brincadeiras do malvado Hardcastle, sem qualquer amostra de sentimento. Hardcastle era, depois de tudo, o amigo mais antigo e mais querido de Sedgemere. Também o único amigo de Sedgemere. 
Tomavam ar junto ao Serpentine, no Hyde Park, ignorando as olhares insistentes e os sussurros que atraíam. Enquanto Sedgemere era de um loiro tão pálido para chamar a atenção, Hardcastle era moreno. 
Ambos estavam acima da média em estatura e compleição, embora Mayfair tivesse muitos homens grandes e bem vestidos, particularmente no que se tratava de moda. 
No entanto, eles eram duques e ser um duque significava ser atormentado pelo interesse público em todo momento. Ser um duque solteiro era um inferno, porque desde cada salão de baile, às rédeas de cada cabriolé, sustentando cada guarda-sol, havia uma duquesa à espera. Em consequência, Sedgemere suportou a insistência de Hardcastle. 
― Não pede um favor ― disse Sedgemere, tocando a ponta de seu chapéu para um homem que passeava com um enorme mastim pintalgado. ― Exige a metade de meu verão, quando o verão é a melhor época do ano para ficar em Sedgemere House. Conheciam-se desde meninos na brutalidade ocasional e a quase inanição que sofriam durante a doutrinação em Eton, e pelas farras e apostas que faziam passar por uma educação de Oxford. 
Hardcastle porém, nunca se casara e, portanto, não sabia que horrores lhe esperavam no caminho para o altar. Sedgemere sabia, e além disso sabia que os dias de Hardcastle como solteiro estavam contados, se a respeitável avó de Hardcastle o enviava a festas campestres no verão. 
― Se não vier comigo Sedgemere, vou- me converter em uma má influência para meu afilhado. Vou ensinar para o garoto tudo sobre charutos, brandy, mulheres levianas e jogos licenciosos. 
― O menino tem sete anos, Hardcastle, mas sinta-se à vontade para corrompê-lo a seu desejo, caso ele não demonstre ser pior influência em... Meu Deus, essas duas outra vez não! As gêmeas Cheshire, loiras, de olhos azuis, sorridentes e tão implacáveis como uma enfermidade inominável, vinham tagarelando pelo atalho, girando as sombrinhas. 
― Senhorita Cheshire, Senhorita Sharon ― disse Hardcastle, tocando com a ponta do dedo seu chapéu. Sedgemere pegou discretamente no braço de seu amigo, embora não servisse de nada, já que Hardcastle devia trocar brincadeiras, como se estas mulheres não fossem ao equivalente social da Escila e Caribdis1 . ― Senhoras. ― Sedgemere inclinou-se também, porque estava em público e promover o assassinato de seu melhor amigo era melhor em privado. 
― Vossas Graças! Que sorte nós encontrarmo-nos!







Série Era uma vez um Sonho
1- Outro Sonho
2-O Duque de Meus Sonhos
Série concluída

Arrebatado por um Beijo

Série Patifes do Mar
Eles são titulados. Ricos. Poderosos. E bonitos como o pecado... 

A socialite jade acha que já fez de tudo... até conhecer o próprio diabo vestido com roupas de padre. 
Uma identidade secreta Quando os piratas atacam o navio de Lorde Steven Ashford em alto mar, isso o aproxima mais do que nunca do criminoso nefasto que ele quer arruinar. Apenas um detalhe sedutor ameaça sua vitória: a escandalosa beleza aprisionada com ele, Lady Valerie Monroe. A tentação nunca foi tão inebriante nem tão proibida, pois Steven está disfarçado de padre francês. Se eles alcançarem sair do navio vivos, para protegê-la de seus inimigos, ele nunca mais deve vê-la novamente... Um amor inegável De volta à Inglaterra, e sob o escrutínio da cidadee sob controle por um passado imprudente que ela não escapou, Valerie sonha com o deslumbrante “homem de hábito” com quem ela compartilhou sua maior aventura. Então ele reaparece na sociedade sob sua verdadeira identidade, o Visconde Ashford, mas, apesar do perigo, sua paixão consumidora não pode ser negada. Agora, no caminho de seu desejo está o coração ferido de Valerie, o destino solitário de Steven, e um vilão que não se deterá em nada para esmagar os dois.

Capítulo Um

Boston, Massachusetts, maio de 1810 
O Direito e honesto. Conde de Alvesrton Derbyshire, GB Querido Valentine Eu fui infantil. Eu tenho sido egoísta. Eu tenho sido todo tipo de tola. Mas agora já tive o suficiente desse tipo de coisa e de exílio. Querido irmão, pelo menos, me perdoe. Eu estou voltando para casa. Sua irmã infiel, Valerie 
 — Respire — Lady Valerie Monroe sussurrou em meio à brisa que soprava pela escotilha. A escada de madeira brilhava com polimento fresco, convidativa. Além da escotilha aberta acima, o céu azul parecia infinito. Colocando o pé no degrau mais baixo, Valerie respirou hesitante. 
Como encorajando-a, uma corrente de ar salgado se precipitou pela escotilha, enroscando-se nas mechas negras que escapavam de seu chapéu, chamando-a pelo ar. Ela subiu os degraus do convés. Arriscando sua pele leitosa, ela inclinou o rosto para o sol do final da tarde e olhou através do enfeite rendado para o céu. Os aromas misturados de água salgada e alcatrão picante provocavam suas narinas. Vozes masculinas ásperas subiram pelo tumulto da atividade através do convés e no cais além. Valerie encheu os pulmões e um sorriso abriu seus lábios. 
— Eu posso respirar de novo. — Presa pelo vento, suas palavras soaram como uma oração. Ela se moveu para o trilho do convés. No cais, abaixo, marinheiros e comerciantes apressavam-se em torno de embarcações embaralhadas, gritando em tantas línguas quanto às cores subiam dos altos mastros. Um coro de trabalhadores musculosos jogavam caixas e barris em seu navio. 
Seu olhar seguiu a procissão de homens e mercadorias a bordo, viajando na popa, depois até a ponta do mastro principal, erguendo-se acima dos telhados dos prédios das docas. Um suspiro tremeu em sua garganta. Em instantes, ao apitar o cano do contramestre, o navio mercante holandês embarcava em Portsmouth. Para Inglaterra. Casa. Os primos americanos de Valerie, ricos com venda de amêndoas, se preocupavam com ela navegando sozinha através do Atlântico em um navio mercante. Mas Valerie não se importava com a travessia. Seus únicos pensamentos eram o destino dela. 
Dois longos anos intermináveis se passaram desde que ela provocara seu amado irmão, Valentine, ou abraçara sua querida amiga, Anna; sua última corrida descalça através de um prado de veludo em Derbyshire; as últimas cócegas do champanhe numa mansão de Mayfair; e finalmente a última vez que perdeu a respiração dançando nos braços de um cavalheiro. Dois anos de culpa lancinante. Dois anos de mágoa e tédio alternados. 
— Agora estou livre, — ela murmurou, absorvendo o ar do mar inebriante como um tônico. Livre da miséria entorpecente. Livre para fazer um novo começo. 
Seu olhar deslizou pelo convés e por cima do grupo heterogêneo de marinheiros preparando-se para zarpar, rapazes e anciões enrugados, holandeses e ex-escravos, todos magros e rijos com a força desgastada pelo mar. Instalando-se em sua cabine mais cedo, ela ouvira a prima Abigail instruir o capitão a limpar o convés de marinheiros ociosos quando Valerie subisse. Não queria, Abigail sussurrou, que um incidente infeliz ocorresse durante a travessia. Com um suspiro vertiginoso, Valerie riu da lembrança. Abigail era um ganso com ervilhas. Com o Conde morto, que uso Valerie tinha para os marinheiros comuns...

 






Série Patifes do Mar
01- Arrebatado por um Beijo
1.5- Desejos de uma Lady
02- Capturada por Um Lorde ladino
Série concluída

Outro Sonho

Série Era uma vez um Sonho
A Senhorita Eleanor Thompson se sente satisfeita como diretora de uma respeitada escola para meninas. 

A vida de uma educadora dedicada oferece muitas recompensas e muita satisfação… mas também mais solidão do que Eleanor previu. Quando aceita o convite de sua irmã, Christine, Duquesa de Bewcastle, para assistir a uma festa em Bedwyn, jamais sonhou que o plano de estudos de verão poderia incluir beijos roubados e o amor verdadeiro.
Capítulo Um

O sol ainda brilhava, em um céu azul sem nuvens quando um dos cavaleiros da escolta se aproximou da carruagem onde Eleanor Thompson viajava e se inclinou para golpear a janela. Eleanor levantou a vista de seu livro, surpresa, e tirou os óculos quando a donzela que viajava com ela baixou a janela. 
― A tempestade se aproxima rapidamente atrás de nós, senhora ― disse o homem, tirando o chapéu. ― Tom Coachman1 esperava deixá-la para atrás, mas diz que não consegue, mesmo que incite os cavalos, o que Sua Graça não gosta, porque pode machuca-los facilmente. Estamos a meio caminho entre hospedarias e tem mais sentido prosseguir do que retroceder. Tom diz que pararemos na primeira estalagem a qual cheguemos. Até então, estará bastante segura, senhora. Parece uma tempestade desagradável, mas Tom é o melhor. 
Nada menos que o melhor para o grande mergulho. Com essas palavras de alarme e consolo se retirou para retomar seu lugar atrás da carruagem. Tanto ele como o outro cavaleiro tinham sido enviados a Bath com a carruagem, o cocheiro, o lacaio e a donzela para transportar Eleanor da escola de meninas, da qual era proprietária e onde ensinava, até Lindsey Hall no Hampshire, o grande imóvel do Duque de Bewcastle. Wulfric, o duque, estava casado com a irmã de Eleanor, Christine. 
Viajar assim era inegavelmente luxuoso, embora Eleanor sempre achasse graça em ser tratada como uma grande dama. Pressionou seu rosto contra a janela e olhou para trás. Oh, Deus querido, sim. Grossas e escuras nuvens estavam se agitando no oeste, e inclusive enquanto olhava, uma descarga irregular de relâmpagos cortou através delas. 
Uma tempestade elétrica era aterradora, inclusive perigosa, quando se viajava. A chuva poderia converter rapidamente o caminho em um pântano lamacento. Inclusive quando tomou seu assento, Eleanor notou que o vento estava piorando. Estava dobrando a comprida erva do prado junto à estrada e balançando ligeiramente a carruagem. 
O trovão que se seguiu ao raio se sentiu mais do que se ouviu por cima do ruído dos cascos dos cavalos e o ruído das rodas da carruagem. Tinha saído de Bath essa manhã para o que normalmente era uma tranquila viagem de um dia. Tinha esperado estar em Lindsey Hall a tempo de tomar o chá com Christine e Wulfric e sua mãe, que vivia com eles. 
Também era possível que Hazel, sua outra irmã, já tivesse chegado com Charles e seus filhos. Era um prazer pouco comum que toda sua família estivesse junta, mas este verão Lindsey Hall ia se encher até as vigas, com sua família e outros convidados, para uma festa de duas semanas na casa, celebrando o quadragésimo aniversário de Wulfric. 
Agora parecia completamente impossível que Eleanor chegasse naquele dia de qualquer jeito. Poderia ver-se obrigada a passar uma noite no caminho. 








Série Era uma vez um Sonho
1- Outro Sonho
2-O Duque de Meus Sonhos
Série concluída