8 de janeiro de 2016

O Recruta

Série Guardiões das Highlands
O feroz, agressivo e audaz Kenneth Sutherland é um grande guerreiro e um vencedor nato. 

Está pronto para enfrentar seu maior desafio: se juntar à Guarda secreta de Robert Bruce para libertar a Escócia do domínio dos ingleses. 
Os Jogos dos Highlanders são a oportunidade que estava esperando para demonstrar suas habilidades e alcançar o seu objetivo, mas a chegada inesperada de uma bela mulher está prestes a destroçar todos os seus planos. 
Mary havia jurado que nunca voltaria a cair nos braços de nenhum outro homem, mas não consegue resistir à atração que sente por Kenneth, que culmina com um encontro casual de paixão descontrolada.... Ambos se encontram em uma encruzilhada: serão capazes de renunciar a tudo por amor? 

Capítulo Um 

Julho, 1309 Newcastle-upon-Tyne, Northumberland, Inglaterra 
Mary entregou ao comerciante o pacote que representava quase três centenas de horas de trabalho e esperou pacientemente enquanto ele examinava as várias bolsas, fitas, e toucas com a mesma atenção meticulosa aos detalhes que havia mostrado na primeira vez que havia levado as mercadorias para vender, há quase três anos. 
Quando terminou, o velho cruzou os braços e lhe mostrou uma carranca ameaçadora. "Você fez tudo isso em quatro semanas? Você deve ter uma boa equipe de fadinhas ajudando você à noite, milady, porque me prometeu que ia abrandar o ritmo este mês." 
"Vou desacelerar no próximo mês, prometo", assegurou ela, "depois da Festa da Colheita." 
"E o que me dizes das festividades de São Miguel Arcanjo?" Falou ele, lembrando-a da grande festividade em setembro. 28 Ela sorriu para o homem carrancudo. Ele estava se esforçando para parecer imponente, mas com seu corpo generoso e o rosto afável, com cara de avô, não estava tendo muito sucesso. 
"Quando terminarem as festividades de São Miguel, ficarei tão preguiçosa que vou ter que comprar uma indulgência do Padre Andrew, ou minha alma estará em perigo." Ele tentou manter a carranca, mas, por fim, não conseguiu evitar que uma gargalhada escapasse. 
"Gostaria de ver isso com meus próprios olhos." Respondeu, balançando a cabeça como faria um pai amoroso com um filho travesso, e lhe entregou o saco de moedas que tinham combinado. Mary agradeceu e o enfiou na bolsa que usava amarrada em sua cintura, apreciando o peso que puxava o tecido para baixo. 
O ancião arqueou uma sobrancelha espessa, salpicada com longos fios grisalhos, especulativamente. 
"Você não precisaria trabalhar tão duro se concordasse em aceitar um dos pedidos que recebi. 
Um bordado opus anglicanum tão delicado como este não deveria ser desperdiçado nas mãos desses camponeses." Ele disse isso com tanta repugnância que Mary teve que se esforçar para não rir. 
Os clientes que frequentavam seu comércio não eram camponeses, mas sim comerciantes burgueses – pessoas como ele – que estavam ajudando a transformar Newcastle-upon-Tyne em uma cidade importante. Os mercados e as feiras, tais como os de hoje, eram alguns dos melhores do norte de Londres. E o comércio do John Bureford, cheio de tecidos e de acessórios finos, era um dos mais populares. Em menos de uma hora, estaria cheio de jovens 29 ansiosas que buscavam as últimas modas.

Série Guardiões das Highlands





7 de janeiro de 2016

Atenção queridos seguidores do blog!




Recebi este comunicado sobre a plataforma do Google e vim aqui para informar a todos, principalmente aos Seguidores do Blog só com uma conta do Google, entendam que:
** Para continuar participando do Grupo do face, dos comentários e, atualizações do blog vc deve ter uma conta Google.
Se segue o blog com o Twitter, Facebook, entre outros sigam novamente com conta Google.
Se não tem uma conta, abra uma, clik abaixo. 
Depois é só ir no blog, veja na sua lateral direita a imagem abaixo os seguidores com conta Google.











Encoste a ponta do mouse em Seguindo, vai aparecer esta imagem abaixo, é só marcar a caixinha Seguindo e pronto!











Estarei aguardando vocês, grande beijo!!
Jenna



Para melhor entender, leia abaixo o comunicado recebido.
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Em 2011, nós anunciamos que estávamos suspendendo o uso do Google Friend Connect para todos os serviços exceto o Blogger. Fizemos uma exceção para o Blogger para garantir que os leitores de blogs em nossa plataforma pudessem segui-los facilmente usando uma variedade de contas. Contudo, ao longo do tempo, notamos que a maioria das pessoas acessa o Friend Connect com uma Conta Google. Sendo assim, nas próximas semanas implementaremos algumas mudanças que significam que os leitores precisarão de uma Conta Google para acessar o Friend Connect e seguir blogs na plataforma Blogger.
A partir do dia 11 de janeiro de 2016 não será mais possível seguir blogs com o Google Friend Connect usando o Twitter, Yahoo, Orkut ou outras contas do tipo OpenId. Além disso, removeremos do Google Friend Connect os perfis de contas que não são do Google, então é possível que vocês notem uma queda no número de seguidores em seus blogs.
Recomendamos que vocês avisem os leitores de seus blogs (uma postagem sobre isso no blog pode ser uma boa ideia) que se eles utilizam uma conta que não é do tipo Google para seguir o seu blog, eles precisam então criar uma conta Google para acessar o Friend Connect e seguir o seu blog novamente com essa conta. Ao acessar o Friend Connect com uma conta do Google, os blogs passaram a fazer parte da lista de leitura deles e será mais fácil visualizar as postagens e atividades mais recentes destes blogs.
Sabemos o quanto os seguidores são importantes para todos os blogueiros, mas acreditamos que esta mudança irá melhorar a experiência dos autores e seguidores de blog em nossa plataforma.

Atenciosamente,

Equipe de Suporte do Blogger

2 de janeiro de 2016

Para Sempre Recordar

Depois de se recusar a lutar pela Confederação, Clayton foi desprezado por todos em sua cidade natal, Cedar Grove.

Para Meg, que perdeu seu marido e irmãos na guerra, a presença de Clay era uma ofensa constante.
Como punição, Meg encomendou a Clayton a criação de um memorial para os heróis de guerra da cidade, mas conforme os meses passam e ela o observa, os sentimentos de Meg começam a mudar.


Capítulo Um

Primavera, 1866
Clayton Holland se sacudiu acordando. Tremendo e banhado de suor, ele correu uma mão trêmula pelo cabelo.
O trovão ressoou novamente e ele respirou profundamente, estremecendo. Os pesadelos sempre vinham durante as tempestades, quando o estrondo no céu tecia através de seus sonhos.
Ele jogou as cobertas para trás, saiu da cama, e caminhou até a janela. Destravando o fecho e abrindo-a, respirou fundo, inalando o cheiro de chuva. Estendendo a mão, apreciou as gotas de chuva que picavam conforme caíam em sua palma. Relâmpagos e trovões gritavam contra a escuridão.
Trovões sempre o lembravam da saraivada de tiros de rifle, a saraivada que nunca veio. Mesmo agora, anos depois, ele ainda esperava a explosão do rifle perturbar aquela madrugada tranquila tanto tempo atrás.
O sargento tinha gritado seu comando final. Clay tinha dado seu último suspiro e segurado o precioso ar profundamente dentro de seus pulmões, esperando que as balas batessem contra a parede, para arrancarem a vida de seu corpo. Esperou o que pareceu uma vida... e mais além. Baixou o olhar para os soldados em pé diante dele, se perguntando se estavam esperando que os olhasse antes que
realizassem suas ordens. Mas quando encontrou o olhar perturbado de cada homem, cada um deles baixou o rifle e estudou suas botas.
Estranhamente, ele podia se lembrar claramente da cor dos olhos de cada homem: marrom, marrom, azul, marrom, verde, azul.
O sargento dialogou com o Capitão Roberts. Então ele escoltou Clay de volta à sua cela.
Mais tarde, Clay soube que sua oração, sua preocupação por suas almas e não pela sua própria, havia tocado o coração dos soldados e oficiais em serviço.
Uma simples oração tinha salvado sua vida e prolongado sua miséria. Ele passou nove meses acorrentado, cumprindo pena por sua recusa a carregar um rifle.
Após sua libertação, tinha encontrado uma razão após outra para não voltar para Cedar Grove. Até o fim da guerra.
Ele chegou em casa no Natal e descobriu que a única paz dentro de sua vida residia dentro de sua consciência. Além disso, a guerra tinha o seguido até sua casa.




30 de dezembro de 2015


Boa noite Galera!!! 
Agradecendo a todos vocês que estiveram comigo este ano, agradecer os grupos de tradução e as Revisoras que esteve conosco trazendo pra todos nós leitura e diversão. Mais um ano terminando e, que venha o novo, que traga novos desafios e novos projetos, que seja uma porta aberta para novos sonhos, renovações de fé e paz para o nosso mundo.
Boas Festas!!!

28 de dezembro de 2015

Entre a Vingança e o Desejo

Série Vikings Vitoriosos

Consumido pela vingança... e pelo desejo.

Capturado pelo inimigo e acorrentado como um animal, o viking Leif Egilsson tem apenas um pensamento: vingança. 
Ele não será mais enfeitiçado pela beleza ardilosa de lady Astrid. 
Após a fuga, Leif decide fazê-la pagar pela traição e usará todas as armas para possuir o que mais anseia: a inocência de Astrid.
Contudo, ela tem o coração de uma guerreira, e não será domada tão facilmente quanto Leif acredita...

Capítulo Um

Leif Egilsson puxou a adaga do corpo inerte e deixou-o cair morto no chão. De onde estava podia ver a clareira onde havia um acampamento com cerca de uma dúzia de homens relaxando ao redor da fogueira, conversando e rindo. 
Os equipamentos de guerra jaziam a alguns metros dali. Atrás deles erguia-se uma tenda imponente que, sem dúvida, abrigava o príncipe e seus escudeiros de confiança. Um pouco afastado dali havia um abrigo menor, onde havia dois soldados de guarda. Leif reparou na presença deles com satisfação.
— É ali onde Hakke a mantém prisioneira, milorde.
Halfdan Svarti assentiu com um sinal de cabeça.
— Vamos agir rápido antes que eles notem o que houve. Enquanto isso, você e seus homens encontrem lady Ragnhild e a mantenham em segurança.
— Pode contar com isso.
Os dois homens se embrenharam entre as árvores até onde aguardava um batalhão de 50 guerreiros. Halfdan os inspecionou com critério.
— Não os façam prisioneiros. Dessa vez vamos acabar com isso de uma vez por todas.
Ansiosos, os guerreiros o ouviam como lobos selvagens prestes a atacar.
— Está pronto? — perguntou Leif ao irmão.
— Será que Thor arremessará seus raios a nosso favor? — Finn sorriu.
— Acredito que sim.
— Fico feliz em saber, primo — disse Erik. — A vida anda muito monótona ultimamente.
Ao lado deles um guerreiro grisalho deslizou a mão sobre o cabo do machado.
— Isso é verdade. Faz semanas que não temos uma boa luta. Meu machado, Skull Cleaver, está sedento.
— Ele terá o que espera, Thorvald — disse Leif.
O velho guerreiro riu, assim como os outros que estavam por perto. Logo em seguida, ouviu-se o tilintar das cotas de malha e o sussurro sinistro das espadas sendo puxadas da bainha.
— Vamos lá.
O grupo seguiu até a margem da floresta. Halfdan levantou a espada e, depois de um urro de guerra, o batalhão inteiro partiu para cima do inimigo.
Astrid endireitou o corpo e olhou para Ragnhild.
— O que foi isso?
— Não tenho certeza, mas parece...
Ela não chegou a terminar a frase, ouvindo os gritos de guerra. Não demorou para que se ouvisse o som do rufar dos pés dos guerreiros e soldados se misturando e o som das espadas se chocando.
— Abençoados sejam os deuses!

Série Vikings Vitoriosos
1 - Noiva Desafiadora
2 - Toque de Coragem
3 - Entre a Vingança e o Desejo 
4 - Redenção Total
Série Concluída

26 de dezembro de 2015

O Maior Pecado

Série Pecador e Santo

Sabe o amor, os pecados que escondem os olhos dos enamorados? Nós sim, porque sabemos muito e podemos lhe assegurar que não há pecado mais grave que o que não se pode cometer. 

Entregar-se à tentação seria a ruína de todos eles!
Tendo passado anos acreditando em uma mentira sobre seu nascimento, o Dr. Samuel Hastings foi condenado a um inferno pessoal feito dos seus desejos - seus pensamentos pecaminosos da única mulher que ele nunca pode tocar condenaria a sua alma pela eternidade.
Lady Evelyn Thorne está comprometida com o muito apropriado Duque de St. Aldric quando uma verdade chocante é revelada - e agora Sam vai fazer o que for preciso para seduzir a mulher que ele achava que seria sempre negada a ele!

Capítulo Um

Sam voltara para casa!
Era incrível o efeito que poderiam causar tais simples palavras. Evelyn Thorne pôs a mão sobre o coração, sentindo apenas o ritmo frenético que evocava seu nome. 
Há quanto tempo esteve esperando por seu retorno? Quase seis anos. Sam tinha ido para Edimburgo quando ela ainda estava na escola e, desde então, não havia deixado de esperar esse dia.
Ela tinha certeza de que Sam voltaria para buscá-la. Que um dia ouviria seus passos ligeiros e apressados no chão do vestíbulo. 
Que o ouviria saudar calorosamente Jenks, o mordomo, e perguntar alegremente por seu pai. E de que a resposta chegaria ao mesmo instante do alto da escada, pois seu pai estaria tão ansioso quanto ela para ver o que o seu protegido havia feito com sua vida.
Depois de concluídas as saudações de praxe, as coisas voltariam ao normal. Sentar-se-iam juntos na sala de estar ou jardim. 
Ela o forçaria a acompanhá-la a bailes e festas, e eles seriam muito menos tediosos por ter Sam para falar com ela, para dançar com ele... e para protegê-lo das ambições maritais das outras meninas.
E no final da estação em Londres, voltaria com eles para o campo. 
Ali passeariam pela horta e pelo jardim; percorreriam o caminho que levava ao pequeno lago onde contemplariam os pássaros e outros animais; estenderiam as mantas que ele teria levado para a ocasião. E ela iria partilhar o piquenique que ela mesma teria preparado com suas próprias mãos, já que não confiava que seu cozinheiro reservasse as melhores guloseimas para alguém que não era um “verdadeiro Thorne”
Como para reforçar aquele pensamento, a senhora Abbott pigarreou, de pé no umbral às suas costas.
- Lady Evelyn não ficaria mais confortável no salão matutino? No vestíbulo faz frio. Se vierem convidados...
- Não seria mais elegante recebê-los ali? – Eve terminou por ele, com um suspiro.
- Se Sua Excelência vier...
- Mas não é ele quem esperamos, Abbott, como já deves saber bem.
A governanta soltou um ligeiro muxoxo de desaprovação.
Evelyn voltou-se para ela, deixando de lado seu entusiasmo pueril. Ainda que tivesse somente vinte anos, era a dona da casa e devia ser obedecida.
- Não quero ouvir nenhum protesto, nem de ti e nem de outro criado. O doutor Hastings é tão membro da família quanto eu. Inclusive, talvez mais. Meu pai o resgatou do orfanato três anos antes que eu nascesse. Ele fez parte desta casa desde que me lembro e é o único irmão que terei.
Claro que havia passado muito tempo desde a última vez que havia pensado em Sam como um irmão. Inconscientemente tocou os lábios. Abbot apertou ligeiramente os olhos quando percebeu o gesto.
Por um instante, Eve pensou em fazer uma retirada diplomática ao salão matinal. Ali seu comportamento seria menos obvio para os criados. Mas.. Que mensagem estaria enviando a Sam se o recebesse ali como se fosse uma visita comum?
Inclinou a cabeça, como se reconhecesse o acerto da sugestão de Abbott e disse:
- Tem razão. Aqui está frio. Se pudesse ser amável de trazer-me um chá estaria perfeito. E não passarei diante da janela: será muito mais cômodo que me sente no banco atrás da escada. – dali poderia vigiar muito bem a porta principal, permanecendo invisível para quem entrasse. Desse modo, sua aparição seria uma súbita e agradável surpresa.
Quando passou, mirou-se no espelho do vestíbulo, ajeitando o cabelo e o vestido, encaracolou os cachos e alisou as rugas do vestido. Sam a acharia bonita agora que havia crescido? 
 

Série Pecador e Santo
1-   O Maior Pecado 

24 de dezembro de 2015

Um Beijo Durante o Solstício de Inverno

Série Os Irmãos Sinitros

A senhorita Lydia Charingford está sempre alegre, principalmente na época do Natal.

Mas não importa o quanto sorria, ela não consegue esquecer o erro juvenil, que quase arruinou sua reputação. 
Mesmo que o pior de sua indiscrição foi mantido em segredo, uma outra pessoa sabe a verdade daqueles dias sombrios: o sarcástico doutor Jonas Grantham. 
Ela não quer ter nada a ver com ele... ou com as borboletas que levantam vôo em seu estômago toda vez que ele a olha.
Jonas Grantham tem um segredo, também: ele tem estado apaixonado por Lydia por mais de um ano. 
Neste inverno, ele está determinado a ganhar sua simpatia e conquistá-la. Tudo começa com uma aposta e um beijo...

Capítulo Um

Leicester, setembro de 1857.
— Em sua condição — O Doutor Parwine estava dizendo do outro lado da sala — ela deve particularmente ter cuidado com os miasmas nocivos.
A atmosfera na sala não estava nociva nem miasmática, Jonas Grantham pensou, apenas sombria e tensa. A menina — e, infelizmente, ela era uma menina, não importava a situação em que ela se encontrava — estava sentada rigidamente em uma cadeira no meio da sala. Seu cabelo era escuro e estava solto; seu corpo não mostrava sinal das mudanças que logo apareceriam. Ela não chorou, embora Jonas supunha que a maioria das garotas em sua situação iriam chorar. Ela simplesmente olhava para frente, com as mãos entrelaçadas. Talvez ela não tenha entendido o que tinha acontecido com ela.
Ele tinha visto ela uma ou duas vezes antes. Ele se lembrava dela brincando com outras garotas poucos anos atrás, rolando um aro na rua e gritando alegremente, fitas arrastando atrás dela.
Ela ainda parecia mais criança do que mulher, mas não havia indício de riso nela agora.
— Miasmas nocivos — a mãe da menina exalou. — O que são miasmas nocivos?
— Miasmas — Parwine entoou — são a causa de todas as doenças, e particularmente nocivos para... — Ele olhou para a menina, e então estreitou os olhos. — Para futuras mães — completou. — Há vários miasmas que se deve evitar. Há o miasma idio-kino, produzido por…
Jonas Grantham mal conteve-se de rolar os olhos. Em questão de semanas, estava previsto que ele iniciasse sua instrução médica no King’s College em Londres. Ele passou de estudante com pedigrees de Oxford e Cambridge para ganhar uma premiada bolsa de estudos de três anos em Warneford. 
Ele estava ansioso para a primeira palestra — prevista para primeiro de Outubro, às oito horas, meros seis dias e sete horas a partir deste momento — e ignorantes como Parwine faziam suas mãos coçarem mais que tudo.
Sério, miasmas? Nestes dias e época moderna? A teoria dos miasmas tinha sido conclusivamente descartada há três anos. Apenas tolos ignorantes jorravam esta asneira. Mas Jonas tinha pedido para passar o tempo com o Doutor Parwine. 
Ele tinha um acordo em vigor para assumir a prática do homem quando ele terminasse sua educação. Parwine tinha sido mais específico: Ele poderia vir junto, ver como as coisas funcionavam, mas como um ignorante (palavras do velho homem) jovem, ele deveria se manter em silêncio. Então ali estava Jonas, escutando um velho divagar sobre miasmas.
— Finalmente — Parwine estava dizendo — há o miasma perkoino, o causador da febre amarela, mas certamente vocês não irão expor sua filha a isso.
Os pais dela trocaram olhares. — Não, doutor, claro que não. Mas o que deve ser feito?

Série Os Irmãos Sinitros
0.5 - A Paixão da Governanta
1 - A Guerra da Duquesa
1.5 - Um Beijo Durante o Solstício de Inverno
2 - A Vantagem da Herdeira
3 - A Conspiração da Condessa
4 - O Escândalo da Sufragista
4.5 - Fale Doce para Mim
Série Concluída



23 de dezembro de 2015

Desejamos à Todos um Feliz Natal!!!


O Senhor da Meia-noite






Era uma vez o Senhor da meia-noite, um homem à margem da lei, um aventureiro que impunha sua lei e sua justiça nos caminhos da Inglaterra.

Uma vida perigosa e heróica da qual teve que se afastar pela traição de uma mulher.
Agora S.T. Maitland vive exilado em um castelo francês em ruínas, afastado de tudo e de todos.
Faz três anos que fechou a porta a um passado que, entretanto, a jovem Leigh Strachan quer fazer reviver para seu pesar.
Por ela, que perdeu tudo que amava e só pensa em vingar-se, talvez seja capaz de fazê-lo.

Capítulo Um

La Paire, nos contrafortes dos Alpes franceses, 1772.
O moço tinha o olhar profundo e abrasador de um fanático religioso. S.T. Maitland se remexeu incômodo no tamborete de madeira em que estava sentado e voltou a olhar por cima da jarra de vinho para a tenebrosa profundidade do botequim. Resultou ser muito desagradável e desconcertante comprovar que aquele olhar escrutinador permanecia fixo nele; sentiu-se como se estivesse esperando entrar no Céu, mas não havia muitas probabilidades de que viesse a ser admitido.
S. T. levantou a jarra e saudou-o sem nenhum sinal de provocação. Sabia que a possibilidade de que entrasse no Paraíso era muito remota, mas tampouco nada se perdia por uma mera saudação. Se ao final resultava que esse bonito jovem de surpreendentes pestanas negras e intensos olhos azuis era são Pedro filho, melhor ser educado. Mas, para seu assombro, o olhar do jovem se aguçou ainda mais.
Seus escuras e retas sobrancelhas se retrocederam e se franziram e o menino, magro e silencioso, ficou em pé; com sua figura de veludo azul e seu porte de berço nobre empobrecido, destacava-se entre a habitual massa de camponeses que conversavam em piamontés e provençal. S.T. coçou a orelha arrumou a peruca, nervoso.
A idéia de tomar o déjeuner enquanto caía nas garras de um adolescente santarrão fez que terminasse o vinho de um gole e ficasse rapidamente em pé. Agachou-se para pegar o pacote de pincéis de pêlo de Marta que tinha ido comprar no povoado, mas a cinta que os prendia se soltou.
Amaldiçoou em voz baixa enquanto tentava recuperar aquelas valiosas varinhas antes de que se dispersassem pelo sujo chão. —Seigneur. A suave voz parecia provir de suas costas. S. T. se levantou e se virou rapidamente para a esquerda com a intenção de escapar, mas seu ouvido ruim o enganou em meio de todo aquele barulho de risadas e conversação.
Perdeu o equilíbrio durante um instante e, quando se agarrou instintivamente à mesa, encontrou-se de frente com o jovem.
—MonSeigneur de Minuit? Uma sensação de alarme lhe percorreu o corpo. O acento daquelas palavras em francês soou muito forçado; além disso, fazia três anos que ninguém lhe chamava assim.
Levava tempo esperando as ouvir, tanto que nem sequer se surpreendeu muito. Era a voz em si, bronca e apagada, o que lhe pareceu estranho, já que procedia de um infante de rosto acanhado e aceso.
Quando S.T. pensava nos possíveis caçadores que poderiam buscá-lo pela recompensa que se dava por sua cabeça, nunca teria imaginado que pudesse tratar-se de um rapazola que nem sequer tinha saído a barba. Relaxou enquanto permanecia apoiado na mesa e olhou com desânimo para o jovem. Era isso tudo o que valia?

14 de dezembro de 2015

O Diabo Veste Kilt

Série Escândalos nas Highlands
Em uma missão para resgatar sua irmã fugitiva da atração por elogios floridos e inúteis, de biltres vestidos de cetim e disfarçados por seus pretensiosos títulos, Ranulf MacLawry, marquês de Glengask, irrompeu na sociedade britânica como uma tempestade através das Highlands. 

Mas ele está prestes a descobrir que o cetim tem seu apelo, especialmente quando abrange as curvas de lady Charlotte Hanover, cuja língua é tão afiada quanto sua pele é macia...
Lady Charlotte Hanover já tinha tido suficiente de homens esquentados, tendo perdido seu noivo em um duelo absolutamente desnecessário. 
Os músculos sempre vão triunfar sobre os cérebros? Mas há algo sólido e atraente sobre o highlander impetuoso que é tão perigoso no salão de baile como na batalha. Às vezes, o mais forte é realmente melhor...

Capítulo Um

- Não há necessidade de se preocupar com essa despesa, Jane acolhe com prazer qualquer desculpa para fazer compras. - Com um sorriso, lady Charlotte Hanover beijou sua irmã no nariz, depois se levantou.
- Não tenho nenhuma vontade de mudar a sua programação. - Lady Rowena MacLawry retornou para seu sotaque suave, melodioso. - Chegar à sua porta com apenas uma nota já foi ruim o suficiente.
- Bobagem. - Lady Jane Hanover agarrou a mão da amiga. - Tenho tentado convidá-la a nos visitar pelo que me parecem ser anos. Sua mãe e a minha mãe foram praticamente irmãs. Não é, mamãe?
- Sim. - Elizabeth Hanover, a condessa de Hest, acenou com a cabeça. - E estou tão contente que você começou a se corresponder com Jane. Você é tão parecida com Eleanor, sabe. - Ela suspirou, oferecendo um sorriso suave. - É bem-vinda aqui, minha querida, por tanto tempo quanto queira ficar. E é claro que patrocinarei sua temporada. É só apropriado que você e Jane estreiem juntas.
Jane bateu palmas.
- Você vê? Deveria ter vindo há muito tempo, Winnie.
- Oh, eu quis, acredite-me. É só que Ran bateu o pé sobre o assunto. Ele pensa que todo inglês é.… - Ela parou, limpando a garganta. - Bem, ele é muito conservador quando se trata de Londres.
Ela sacudiu uma mão, rindo, mas quando olhou para Charlotte, a jovem lady Rowena não parecia totalmente à vontade. Claro que ela estava bastante certa que não iria, também, se viajasse com nada menos que sua empregada pela metade da Escócia e toda a extensão da Inglaterra. Claramente que Winnie queria muito uma temporada em Londres.
Para um irmão superprotetor, este Ranulf MacLawry tinha falhado de forma bastante espetacular. Uma jovem que nunca tinha deixado seu próprio condado, não tinha que atravessar sozinha a Inglaterra. Ou viajar em uma carruagem do correio. Charlotte tinha intenção de escrever para o lorde de Glengask e dizer-lhe exatamente isso. Certamente, ninguém poderia ser tão ignorante a ponto de pensar que não seria necessário enviar uma carta para preceder sua irmã, para garantir que alguém estaria em casa para cumprimentá-la e acompanhá-la na temporada. Era... 

Série Escândalos nas Highlands
0.5 - Um Escocês Sedutor
1 - O Diabo Veste Kilt
2 - Um Libertino com Sotaque
3 - Louco, Mau e Perigoso em Tartã
4 - Alguns Gostam de Escoceses
Série Concluída

11 de dezembro de 2015

O Guerreiro

Série Guardiões das Highlands

Rastreando os rincões mais recônditos das Highlands e as ilhas do oeste, Robert de Bruce escolhe dez guerreiros para ajudá-lo em sua cruzada para libertar a Escócia do domínio inglês. 

São os melhores entre os melhores, escolhidos por suas extraordinárias habilidades em cada disciplina de guerra.

E para liderar a este seleto grupo, Bruce escolhe ao maior guerreiro de todos.
Tor MacLeod, guerreiro sem igual, não tem rival com a espada, não está disposto a deixar-se arrastar à guerra da Escócia contra Inglaterra. Devoto a seu clã, este líder independente não responde ante ninguém, muito menos ante sua recente e sedutora noiva, a qual lhe é entregue numa tentativa de assegurar seu comando da força de combate mais letal que o mundo jamais conheceu.
Pode ser que a insidiosa moça que conseguiu penetrar em sua cama tenha ganhado algumas batalhas, mas nunca terá seu coração.


Capítulo Um

Castelo de Lochmaben , Dumfries e Galloway, Escócia,
28 de agosto de 1305

—William Wallace morreu.
Por um momento, Robert de Bruce, conde de Carrick, senhor de Annadale e antigo defensor da Escócia em companhia de Wallace, não pôde articular uma só palavra. Apesar da morte ser inevitável para Wallace desde que o tinham capturado fazia umas semanas, não era por menor devastador o golpe final, e vacilou a esperança que o arrojado Wallace tinha acendido em seu coração, como nos corações de todos os escoceses oprimidos pela tirania inglesa.
O paladino da Escócia tinha morrido. Correspondia-lhe continuar com sua missão, se decidisse empreender esse caminho. A carga era pesada e perigosa, como tinha demonstrado a morte do Wallace. Tinha todas as chances de perder.
Bruce separou de si os pensamentos erráticos e recebeu o anúncio do prelado com uma séria inclinação de cabeça. Fez um gesto a seu amigo para que se sentasse no banco de madeira e se esquentasse ao amor da luz. William Lamberton, bispo de Saint Andrews, estava encharcado e parecia a ponto de cair rendido pelo esgotamento, como se tivesse sido ele mesmo, cavalgado noite e dia de Londres levando a notícia.
Bruce se serviu uma taça de escuro vinho da jarra que havia sobre a mesa e se sentou a seu lado.
—Tomem, bebam isto. Dá a impressão de necessitar.
Ambos o necessitavam.
Lamberton aceitou a taça dando obrigado em um murmúrio e bebeu um bom gole. Bruce fez o mesmo, mas o intenso sabor frutado do vinho lhe pareceu azedo.
—Como? —perguntou, baixando a voz e preparando-se para o que ia ouvir.
Lamberton lançou rápidos olhares de um lado a outro. Com seu rosto redondo e infantil e o nariz frio e avermelhado tinha o aspecto de uma lebre ao perceber um perigo. E uma lebre bem gorda, além disso. Mas Bruce não se deixava enganar pelo aspecto inofensivo do prelado, pois atrás daquela máscara tão pouco favorecedora espreitava uma mente tão ágil, sagaz e ardilosa como a do próprio rei Eduardo.
—É seguro falar aqui? —perguntou o bispo.
—Sim

Série Guardiões das Highlands

3 de dezembro de 2015

Reinar em Seu Coração

Série Os Greshan

Após o assassinato de seu pai, Tatiana Elisabeta Sminova se torna a herdeira do trono de Orlovenia. Perseguida pelos inimigos de sua dinastia, ela foge para o porto de Londres, onde será forçada a roubar para sobreviver.
Darel Gresham, Barão de Winter, é vítima de um assalto. Ele jura que encontrará o ladrão, mas o que ele não imagina é que a mulher que ele trata como um ladrão é na verdade a herdeira de um trono.

Capítulo Um

Um Palácio de Vernon, Orlovênia, 1819. 
Acariciou os cabelos da moça, ensimesmado na contemplação do jardim vestido de neve através das amplas janelas. 
Fazia mais de uma semana que nevava sem cessar e ele sentia o frio transpassar seus ossos cansados. Deixou que um prolongado suspiro escapasse de seus lábios e ela voltou à cabeça para olhá-lo. 
- No que pensa pai? Sua vista fatigada se deleitou nos traços aristocráticos da jovem: olhos grandes da cor do âmbar, cabelo sedoso e loiro, com mechas acobreadas que sempre o induziam a compará-lo com o fogo, lábios grossos, maçãs do rosto altas, nariz reto. 
Em tudo recordava a sua amada esposa, uma imagem que fez retornar a sua memória há outro tempo, em que ainda era um homem vigoroso. Apesar da diferença de idade 
- havia desposado a Alexandra quando ela contava somente dezoito primaveras e ele tinha cumprido os quarenta e um -, seu matrimônio foi um oásis de paz, coroado por um amor autêntico e desinteressado. Deus lhes tinha concedido à graça de uma só descendente: Tatiana Elisabeta. 
Agora, prestes a completar vinte e dois anos, a moça era seu único apoio. Miúda e magra, aparentava menos idade, mas era forte, valente e atrevida como foi a mulher que lhe deu a vida. 
- Quanto daria para ter sua mãe ao meu lado nestes momentos, querida -sussurrou com uma tristeza infinita. Tatiana apoiou o rosto nos joelhos de seu pai. Ela também sentia falta dela. 
Sobretudo nesses momentos, tão próxima a casar-se. Sua mãe a teria guiado como ninguém; sempre o fez. Mas já não estava com eles, tinha-os deixado há mais de oito invernos. O que teria opinado sobre seu futuro marido? Certamente teria sido de seu gosto, porque era um bom homem. 
Para Tatiana, casar-se era uma obrigação ligada à sua condição. Não podia negar-se àquelas bodas, como, tampouco, podia voltar no tempo; era seu dever para com seu país. 
Como herdeira, carecia da liberdade de que gozavam outras moças para escolher marido, mas não se queixava. Sabia de antemão a servidão que lhe supunha seu lugar na vida, o encargo de ser filha de seu pai, de ter que velar pelo bem-estar de seus súditos quando ele faltasse. 
Não queria pensar nisso, a tristeza a embargava ao imaginar-se sem sua companhia, seu apoio e direção. 

Série Os Greshan
1 - A Baía da Escocesa
2 - Reinar eu seu Coração
3 - Lágrimas Negras
Série Concluída  

2 de dezembro de 2015

Primeiro e Único Amor

Série Bastion Club
Os sete membros do Bastion Clube serviram lealmente à Coroa durante missões perigosas. Agora juntos devem apoiar um deles na missão mais arriscada: casar.

Quando Charles St. Austell retorna a casa para reclamar seu título como conde e decide rapidamente a procurar uma boa esposa, descobre que os anos o tornaram impaciente para suportar todas as jovens que competem para obter sua atenção, exceto Lady Penelope Selborne.
Anos atrás ambos consumaram seu ardor juvenil em uma inesquecível tarde. Charles segue ainda enfeitiçado por aquele interlúdio, mas Penny rechaça ter qualquer outra relação com ele.
Se controlar suas emoções já foi difícil no passado, com o coração endurecido pela batalha de estar por perto, é impossível. 
Até agora Penelope jurou que não voltará a cometer o mesmo engano, nem se casará sem amor; mas quando traidores conspiram contra eles e os ameaçam, Penny descobrirá que Charles é seu verdadeiro protetor, seu primeiro e único amor.

Capítulo Um

Abadia do Restormel Lostwithiel, Cornualha, Abril de 1816
Crac!
Um tronco estalou na lareira; as faíscas crepitaram e saíram voando. As chamas saltaram e lançaram dedos de luz que dançaram sobre as lombadas de couro alinhadas nas paredes da biblioteca.
Charles St. Austell, conde de Lostwithiel, elevou a cabeça da poltrona e se assegurou de que nenhuma brasa tivesse alcançado a desgrenhada pelagem de seus cães, Cassio e Bruto. A seus pés, nenhum dos dois animais se alterou; nenhum ardia. 
Charles sorriu e voltou a apoiar a cabeça no desgastado couro. Bebeu da taça que sustentava na mão e retornou a suas reflexões. Sobre a vida, suas vicissitudes e sua evolução às vezes inesperada.
Lá fora, o vento assobiava, tênue e constante, sobre os altos muros de pedra. A noite estava relativamente tranquila, cheia de vida, mas não turbulenta, o que nem sempre era o caso na costa sul da Cornualha. No interior da antiga abadia, tudo estava aprazível e calmo. 
Passava de meia-noite e, além dele, não havia nenhum outro ser humano acordado. Era um bom momento para avaliar a situação.
Estava ali em uma missão, mas isso era o de menos. Descobrir se havia algo de certo nos rumores sobre uma infiltração de segredos do Ministério de Assuntos Exteriores por meio dos canais de contrabando locais não era uma tarefa que fosse exigir muito, certamente, não no pessoal. 
Aproveitou a desculpa que o antigo comandante lhe brindou para retornar à abadia, o lar de seus antepassados que agora era dele, com o principal objetivo de conseguir perspectiva para examinar, e rogava que também para resolver, seu crescente conflito interior relativo à desesperada necessidade de uma esposa e o pessimismo, cada vez mais profundo que sentia a respeito de que fosse encontrar uma dama adequada para isso.
Em Londres, viu-se rodeado de candidatas que não tinham nada a ver com o tipo de mulher que ele precisava. Naquela espécie de purgatório pessoal, viu-se acossado por jovens amalucadas, com mais cabelo que inteligência na cabeça, que só o viam como um belo e rico nobre com o estímulo extra ser um misterioso herói de guerra. 
Não retornaria à vida social até que não tivesse uma ideia firme e definitiva da dama que desejava para si.
O certo era que a intensidade de sua necessidade de encontrar esposa, a esposa adequada, turvava-o. Em um primeiro momento, quando retornou de Waterloo, tinha sido capaz de reconhecer que essa necessidade era algo natural. Sua associação com outros seis homens, tão parecidos com ele, todos eles na mesma situação, e a camaradagem que tinha fluido entre os sete a partir da criação do Bastion Clube, seu último bastião contra as casamenteiras da boa sociedade, tinha atenuado sua impaciência e acalmado sua inquietação durante alguns meses.
Mas agora Tristan Wemyss e Tony Blake haviam encontrado esposa, enquanto ele, com sua necessidade cada vez mais forte, e mais desesperado e inquieto, ainda aguardava que aparecesse sua dama.
Teve que passar aquelas últimas semanas em Londres, consumido pela agitação dos preparativos para os intensos meses da Temporada, para fazer uma verdadeira ideia do porquê de sua impaciência. 
Durante treze anos, esteve afastado, isolado da sociedade em que nasceu. Passou treze tensos anos oculto em território inimigo, sem relaxar nunca e sempre alerta. E, embora agora soubesse que estava em casa e que a guerra havia terminado, ainda se descobria nas festas, baile e em qualquer outro grande evento, isolado mentalmente. Sentia-se ainda como o intruso que observava, que estudava, sem ser capaz em nenhum momento de baixar a guarda e relacionar-se livremente.

1 de dezembro de 2015

Segredos da Corte

Série Casamentos Reais



Os perigos da corte.

Anne de Stamford tem sido a guardiã dos segredos de sua ama há muito tempo. as quando lady Joan se casa com o filho do rei, a vida na corte se torna muito mais perigosa. ir Nicholas Lovayne chegou para desvendar o passado de lady Joan, e Anne precisa fazer algo para impedi-lo. nsioso para fugir das intrigas da corte, Nicholas não esperava ser cativado pela bela Anne. la se mantém altiva, apesar da deficiência no pé, e sua atitude semeia em Nicholas um sentimento jamais experimentado. eria ele capaz de cumprir a missão a qual foi designado se todo o seu corpo anseia por Anne?

Capítulo Um

Castelo de Windsor — final de março, 1361
— Venha, rápido. — Um sussurro imperativo perturbou os sonhos de Anne.
Ela sentiu alguém a balançando pelo ombro. Ao abrir os olhos, ainda piscando, viu a condessa segurando uma vela e inclinada na direção dela, no escuro.
Anne fechou os olhos e virou-se para o outro lado. Aquilo só podia ser um sonho. Lady Joan jamais se levantaria no meio da noite. Isso era tarefa dela.
— Anne, está acordada? — A mão delicada da condessa roçou o rosto de Anne.
E ela se levantou de repente, jogando as cobertas para o lado. Com os pés no chão, procurando por algo para calçar.
— O que houve? — Será que havia uma epidemia? Ou talvez os franceses? — Que horas são?
— Está escuro. — Lady Joan balançou a mão. Em seguida, pegou a mão de Anne com firmeza. — Venha, preciso de você.
Anne tentou se levantar, mais desequilibrada do que de costume, e tateou a cama para encontrar a muleta.
— Está aqui. — Lady Joan a entregou na mão dela e, deixando a impaciência de lado, ofereceu ajuda para Anne se levantar.
A condessa costumava ser gentil sempre nos momentos mais inesperados. Ou desejados.
Apoiando a muleta sob o braço esquerdo, Anne mancou pelos corredores do castelo de Windsor. Lady Joan havia colocado o dedo sobre os lábios dela, indicando que deveria andar em silêncio, mas gesticulou para que Anne andasse mais rápido. Como se Anne tivesse algum controle sobre as duas coisas. Ao subir as escadas com dificuldade, ela não poderia ir mais rápido, a não ser que quisesse arriscar a perna boa.
Lady Joan a conduziu pela ala nobre e até a capela. O recinto fazia eco e estaria totalmente escuro se não fosse uma pessoa segurando uma vela perto do altar. Era um homem alto e forte.
Tratava-se de Edward de Woodstock, filho mais velho do rei, príncipe da Inglaterra, sorrindo e sem a postura rígida de guerreiro que não apenas ela, mas toda a Inglaterra e a França conheciam. Lady Joan também estava radiante. E, sem desperdiçar mais nem um olhar para Anne, segurou a mão dele.
— Pronto. Agora, temos uma testemunha.
Não. Aquelas não podiam ser as intenções de lady Joan. Contudo ela, mais do que ninguém, sabia o que iria acontecer e como era importante a presença de uma testemunha.
O príncipe pegou a vela das mãos de lady Joan e a colocou, junto com a dele, sobre uma mesa que servia de altar. As chamas tremeluzentes sombreavam os rostos dos dois, ressaltando o nariz e as maçãs altas do rosto do príncipe e o sorriso de lady Joan. Os dois entrelaçaram os dedos das mãos, uma por cima da outra.
— Eu, Edward, recebo lady Joan como minha esposa…
Anne engoliu em seco e continuou em silêncio. Bem, na certa, Deus gostaria que ela dissesse alguma coisa naquele momento para evitar aquele sacrilégio.
— Para amá-la e respeitá-la, como é o dever de um homem amar sua esposa…
— Vocês não podem fazer isso! Não devem! O rei, vocês têm o mesmo sangue… — Anne finalmente encontrou voz para interferir.
O príncipe a fuzilou com o olhar, impedindo-a de continuar. Eles estavam bem cientes da realidade. Os dois tinham o mesmo avô, o que significava uma união de parentesco muito próxima para a Igreja aceitar o casamento.
— Tudo será como deve ser — disse lady Joan. — Assim que declararmos nossos votos matrimoniais, mandaremos uma petição para o papa — continuou ela. — Ele ignorará o impedimento e poderemos casar na Igreja.
— Mas…










Série Casamentos Reais
1 - Segredos da Corte
2 - Rumores na Corte
3 - Rumors at Court

27 de novembro de 2015

Jardins de Cristal

Série Damas Rua da Lanterna




Depois de ser vítima de um ataque nas ruas de Londres, Evangeline Ames alugou uma casinha de campo nos arredores da cidade. 

Quando sua vida volta a correr perigo, ela procura refúgio nos jardins de Crystal Garden, uma propriedade próxima que exerce sobre ela uma atração sobrenatural. 
Ali é resgatada pelo proprietário, Lucas Sebastian, que insiste em manter o assunto em segredo, pois já existem muitos rumores sobre um tesouro enterrado em seus jardins. Ainda que Lucas e sua nova vizinha percebam imediatamente suas respectivas faculdades psíquicas, bem como sua mútua atração, devem primeiro enfrentar algo mais urgente: quem tentou matar Evangeline voltará a tentá-lo...

Capítulo Um

O ruído surdo que a fechadura fez ao ser arrombada ressoou como um trovão em meio ao profundo silêncio que cobria Fern Gate Cottage. Evangeline Ames reconheceu o barulho imediatamente. Já não estava sozinha em casa.
Sua primeira reação foi ficar completamente imóvel embaixo das cobertas. Talvez não fosse nada. A casa era velha. As tábuas do chão e o telhado rangiam e gemiam muitas vezes durante a noite. Mas ainda que tivesse repassado mentalmente as possibilidades racionais, sabia a verdade: eram duas horas da madrugada, alguém tinha entrado à força na casa e não era provável que estivesse ali atrás de dinheiro. Não tinha o suficiente para tentar a algum ladrão.
Tinha estado uma pilha de nervos a tarde toda, sua intuição estava lhe enviando sinais sem nenhum motivo aparente. Algumas horas antes, quando havia caminhado até o povoado, não tinha deixado de olhar para trás uma e outra vez. Havia estremecido ao ouvir sussurros insignificantes no espesso bosque que margeava todo o caminho. Enquanto fazia suas compras na concorrida rua principal de Little Dixby, tinha sentido os pelos da nuca ficarem eriçados. Tinha a sensação de estar sendo observada.
Havia lembrado a si mesma que ainda estava se recuperando
do terrível ataque que tinha sofrido há duas semanas. Estiveram a ponto de assassiná-la. Portanto tinha motivos de sobra para estar com os nervos à flor da pele. Além disso, sua novela não ia nada bem e estava chegando o dia em que teria que entregá-la. Não se atrevia a atrasar. Tinha muitos motivos para estar tensa.
Mas agora sabia a verdade. Sua intuição psíquica estava tentando avisá-la já tinha horas. Esse era o motivo de não ter conseguido dormir esta noite.
Uma corrente de ar frio percorreu o corredor, vindo da cozinha. Soaram passos fortes. O intruso não fazia questão de manter-se em sigilo. Estava convencido que a tinha presa. Tinha que se levantar da cama.
Separou as cobertas, jogou as pernas para fora da cama e se colocou de pé. O chão estava gelado. Calçou seus sapatos de couro e pegou sua bata.
O ataque que tinha sofrido nas semanas antes a tinha deixado precavida. Ao alugar aquela casa, tinha analisado todas as possíveis rotas de fuga. Ali, no seu quarto, sua maior esperança era a janela situada na altura de sua cintura. Dava ao pequeno jardim que ficava em frente á porta de madeira. Do outro lado desta porta tinha um caminho que serpenteava através do bosque escuro até a velha casa de campo conhecida como Crystal Garden.
Uma tábua solta no piso rangeu sob a bota do intruso. Ele estava indo direto para o quarto. Isso resumiu o assunto. Com certeza não estava ali por dinheiro e sim por ela.
Não tinha sentido mover-se sem fazer barulho. Abriu as estreitas janelas sem fazer caso do chiado das dobradiças e deslizou pela abertura. Com sorte o intruso não passaria por ela.
— Onde pensa que vai, mulher estúpida? —A voz áspera do homem rugiu da porta. Tinha um forte acento dos bairros pobres de Londres… 
— Ninguém escapa de Sharpy Hobson.

Série Damas Rua da Lanterna 
1 - Jardins de Cristal
2 - Uma Mulher Misteriosa
Série Concluída