29 de agosto de 2018

O Fantasma

Série Guardiões das Highlands
Joan Comyn jurou lealdade a Robert o Bruce no dia em que testemunhou o rei bárbaro de Inglaterra torturando a sua famosa mãe, a patriota escocesa Bella MacDuff.

Agora, a misteriosa beleza desliza nos corações dos homens como um espectro e incita os mais ilustres barões da Inglaterra a divulgar os seus segredos sem querer, depois os compartilha com seu rei. 
Conhecida apenas como o Fantasma, mesmo entre os seus irmãos da Guarda das Terras Altas, Joan se tornou a traidora mais procurada da Inglaterra. O homem, determinado a descobrir a sua identidade representa até agora, a sua maior ameaça. Alex Seton já esteve a lado de Bruce, mas agora luta pelo inimigo. Embora Joan saiba que deve evitar o belo guerreiro ou a arrisca a ser descoberta, o seu cavalheirismo toca um lugar nela há muito enterrado. 
Quando as suas suspeitas se tornam aparentes, Joan percebe que deve fazer tudo ao seu alcance para impedir Alex de revelar a sua missão e convencer o poderoso lutador a unir forças com a Guarda das Terras Altas novamente. Mas à medida que a batalha final da grande guerra se aproxima, Alex escolherá amor ou honra?

Capítulo Um

Carlisle Castle, Cumbria, Inglaterra, 16 de abril de 1314
- Você está me deixando louco - o jovem cavaleiro disse enquanto apertava freneticamente a sua boca quente em todo o seu pescoço. - Deus, você cheira tão bem.
Joan desejou poder dizer o mesmo, mas como Sir Richard Fitzgerald, o segundo no comando das forças navais irlandesas do Conde de Ulster, a tinha cercado após o almoço, ele cheirava, claramente, a arenque defumado, o que não era o seu favorito.
Quando ele tentou pressionar a sua boca novamente, nem mesmo a perspetiva de descobrir os movimentos de toda a frota inglesa, poderia impedi-la de virar a cabeça.
- Nós não podemos -, ela disse suavemente. A ligeira respiração em sua voz não era de paixão, mas do esforço de se defender de um determinado aspirante a amante, cansado de ouvir não. - Alguém pode nos descobrir.
O qual era o motivo de ela ter ela escolhido este, como um lugar de encontro. Era privado, mas não muito privado. Ela nunca se deixaria sem meios de escapar
Torcendo-se habilmente, para sair fora do abraço de tentáculo, com a facilidade de alguém que tinha praticado escapar de homens como este muitas vezes antes, ela olhou ao redor ansiosamente, como se tentando provar o seu ponto.
Eles estavam numa secção tranquila do jardim na ala externa do castelo, onde ela anunciou que iria dar um passeio depois da longa refeição. Como ela pretendia, Sir Richard a seguiu até lá e a puxou para trás de uma das treliças de rosas.
O jovem capitão franziu o cenho, o rosto vermelho de desejo frustrado. Com os seus olhos claros, cabelos vermelho-amarelados, tez queimada pelo vento, e constituição robusta, ele carregava o carimbo marcado dos seus antepassados irlandeses. Ele era atraente. Não que isso importasse. Ela perdeu a sua fraqueza por jovens cavaleiros bonitos há muito tempo.
- Ninguém nos descobriria se você concordasse em vir ao meu quarto.
O meu escudeiro pode dormir no quartel durante a noite.
- Eu não poderia - disse ela, como se a sugestão a tivesse chocado, embora não fosse a primeira vez que ela a ouvisse.
O sorriso dele podia ser charmoso para alguém que tivesse menos experiência com os homens. - Nada desagradável vai acontecer - assegurou- lhe com um toque suave do seu dedo em sua bochecha.
Certo. Sempre que ela ouvia falsas promessas como essa, ficava mais difícil fingir inocência de olhos arregalados. Com algum esforço, ela conseguiu. - Você tem a certeza?
Ele assentiu com a voz rouca. -Podemos apenas passar um pouco de tempo sozinhos juntos. Eu pensei que você queria isso.
Ela mordeu ansiosamente o lábio inferior, como se contemplasse a oferta ilícita. O seu olhar se aqueceu, quando ele obviamente contemplou coisas igualmente ilícitas sobre a sua boca.
- Claro que sim - disse ela. - Mas é muito arriscado e temos muito tempo.
- Não, não - ele retrucou, perdendo a paciência com a sedução de duas semanas que sem dúvida, achava que teria progredido muito mais do que alguns beijos roubados. Ela deveria ser uma presa fácil. - Recebi ordens ontem. Vou sair daqui a três dias.
Finalmente, as informações pelas quais ela estava esperando! Joan começara a achar que não ouviria alguma coisa importante dele. Os jovens cavaleiros geralmente estavam tão ansiosos para se vangloriar e se gabar, e é por isso que ela os visava (e porque eles não eram casados), mas Sir Richard tinha sido, frustrantemente uma boca fechada.
Até agora.
Ela escondeu a sua excitação e alívio por trás de uma máscara de preocupação.
- Ordens? Você está partindo? Mas achei que você tinha até junho para ir para Berwick.
- Eu não vou para Berwick. - Ele parecia distraído. Os seus olhos caíram para o peito dela novamente, uma ocorrência frequente. - Deus, você é tão linda. Não há outra mulher como você.
Como parecia que ele poderia tentar beijá-la novamente, ela se mexeu “nervosamente” e falou rapidamente. - Você não vai? Então a guerra terminou?
Ele olhou para cima, do seu estudo lascivo dos seios dela. Ela esperava que ele a achasse tão estúpida quanto ela parecia. Se o seu sorriso divertido, mas ligeiramente paternalista, fosse indicação, ele a achava.
- Não, a guerra não terminou. Mas os meus deveres estão no mar antes do exército.
E por isso é que ela estava aqui com ele. Havia rumores de que o Conde de Ulster, o comandante de Sir Richard, que atualmente estava em York se encontrando com o rei Edward, estaria encarregado de fornecer os castelos antes da invasão inglesa. O rei Robert Bruce, adoraria saber dos seus planos. Embora Ulster fosse o sogro de Bruce, ele era um homem de Edward da Inglaterra.
Ela agia como se as notícias de sua partida fossem devastadoras. - Mas onde você está indo? Quando você estará de volta? Será perigoso?
Se ele teria respondido às suas perguntas, ela não descobriria. O som de vozes se aproximando, colocou um fim rápido na conversa. Inclinando- se, ele deu um beijo rápido em seus lábios que ela não pôde evitar. Arenque.
- Encontre-me mais tarde -, ele sussurrou antes de se afastar.
Nem pensar, ela pensou com um tremor. Pelo menos até que ela tivesse um meio de escapar.








25 de agosto de 2018

Tentação das Terras Altas

Série Cavaleiros das Highlands
Quando Lady Emilia Featherston descobre que seu despresível pai tem tramado contra a coroa, ela se vira para os Cavaleiros das Highlands por proteção ─ e retribuição. 

Escapando para uma casa segura nos arredores de Londres, Emilia fica surpresa de se encontrar dividindo quartos próximos com um musculoso Highlander de fala mansa. 
Logo, a curiosidade abre passo a uma alarmante atração. Emilia aprendeu de primeira mão com seu pai que não se deve confiar em homens. Ela simplesmente nunca conheceu um tão honrado e leal, tão poderoso e, sim, tentador. Desde Waterloo, Colin Stirling tem lutado com memórias que o assombram dia e noite. À beira da loucura, ele não mais confia em si mesmo com relações significativas de qualquer tipo. 
Ao menos nesse santuário temporário, Colin pode se retirar do mundo ─ isto é, até que sua responsabilidade incrivelmente linda descubra a profundidade de sua dor. Em Emilia, Colin vê um espírito similar com suas próprias cicatrizes de batalha. Ele também sente uma chance para se curar... e encontrar o amor.

Capítulo Um

A maioria dos habitantes de Londres estava na cama a esta hora da noite, mas uma única luz brilhava da janela no andar de baixo da casa dos Cavaleiros das Highlands. No interior, três cavaleiros se reuníram na sala de estar, algo que já fizeram muitas vezes tarde da noite, segurando copos de uísque e conversando facilmente como apenas amigos íntimos podiam.
Sir Colin Stirling sentou no sofá de veludo azul, o cotovelo apoiado no braço quando rodava o líquido âmbar em seu copo. Seus lábios torceram enquanto ouvia Camden McLeod exaltar as virtudes do casamento.
─ Eu não sei por que tantos homens o evitam. Os olhos azuis de McLeod eram brilhantes sob o seu cabelo negro como carvão. Não há nada melhor do que deitar ao lado de um corpo quente e disposto a cada noite. Ele pontuou este pronunciamento com um gole de uísque.
─ Você costumava não gostar de qualquer menção à instituição do casamento, se bem me lembro ─ Sir Ewan Ross disse secamente. Veementemente.
─ E por muitos anos ─ Colin acrescentou, balançando a cabeça.
─ Bem, eu era um idiota e um tolo ─ disse McLeod ─ Vocês dois sabem muito bem.
─ Sim, é claro. Na época, eu sabia que você estava podre ─ disse Ross.
─ Você vê? ─ McLeod lhes deu um olhar presunçoso.
─ Mas o problema é ─ Ross disse, sorrindo sob sua palha selvagem de cabelo vermelho encaracolado ─ Você ainda está podre, cara. Apenas de uma forma diferente.
─Não ─ McLeod disse gravemente ─ Eu sou o mais são de todos nós. Graças a Esme ─ Esme era a esposa de McLeod e Colin estava contente que ela parecia tão feliz por estar casada com McLeod como estava ele por se casar com ela e ambos estavam orgulhosos e animados que Esme estava grávida e eles seriam pais em breve.
Colin sorriu para McLeod, mais feliz pelo homem do que ele poderia dizer. Ele amava essas noites, sentado no conforto com os outros cavaleiros, os quais ele considerava seus irmãos, discutindo suas vidas e seus dias.
Esses eram os últimos momentos de paz para ele todos os dias. Havia sete Highland Knights e Colin foi o único que ficou até tarde todas as noites, evitando ir ao seu quarto até que todos os outros tinham ido para a cama e não havia nenhuma escolha no assunto.
Era então que os demônios vinham. Eles não o assombravam todas as noites. Não, eles lhe davam um indulto de vez em quando, apenas o tempo suficiente para ele baixar a guarda antes que eles voltassem com uma vingança. Será que eles viriam hoje à noite? Ele estremeceu com o pensamento e tomou outro gole de sua bebida.
─ Então, por isso, cheguei à conclusão que vocês dois e Laurent precisam se casar o mais rápido possível ─ disse McLeod.
Ross riu. Mesmo os lábios de Colin desenharam um sorriso. Ele, Ross e Laurent, o mais novo homem das suas fileiras, eram os únicos solteiros remanescentes dos Highland Knights.
─ Oh, bem, isso não é inteiramente justo ─ disse Ross ─ Laurent é um mero filhote. Dê ao rapaz alguns anos de liberdade, pelo menos.
─ Tudo bem ─ Os olhos de McLeod brilhavam em desafio. Vocês dois, então. Vocês dois são velhos demais para serem algemados. Especialmente você, Stirling. O que você tem agora? Quarenta e um?
Colin fez uma careta para ele ─ Não é bem assim. Você está uma década errado. Você esqueceu como contar, homem?
─ Cinquenta e um então? ─ McLeod exclamou sobrancelhas levantadas.
─ Você é um idiota ─ Colin resmungou com bom humor, sabendo que ele estava sendo alvo de brincadeira.
─ Trinta e um, seu idiota ─ disse Ross.
─ Não ─ McLeod fingiu choque ─ Você não pode ter trinta e um. Ora, essa é a minha idade. Você parece pelo menos uma década mais velho com todas essas linhas vincando seu rosto.
Colin balançou a cabeça e revirou os olhos. Sem dúvida, ele parecia mais velho do que McLeod. Ele tinha inveja da capacidade de resistência dos outros cavaleiros depois de Waterloo. Se ao menos ele tivesse esse tipo de força. Erguendo o copo, ele engoliu o último gole de seu uísque.
─ Ainda assim, você deveria se casar. Trinta e um. Inferno, você está praticamente na prateleira.
─ Isso é um termo para as mulheres de certa idade, não para os homens ─ disse Ross McLeod.
─ Mulheres inglesas ─ acrescentou Colin. Ele passou a primeira metade de sua vida na Escócia e ele nunca tinha ouvido uma mulher escocesa ser referida como “na prateleira”.
─ Verdade. Deus, você já imaginou como seria ser uma inglesa, com todos os seus julgamentos e regras? ─ McLeod estremeceu.
─Não, eu nunca ─ disse Ross. E jamais pretendo.
Colin sorriu ─ Você faria uma excelente inglesa, porém, com todo esse bonito cabelo vermelho brilhante.
Ross bufou.
McLeod pousou o copo.─ Bem, toda essa conversa de casamento me fez desejar a minha esposa. Esme está esperando. Eu vou para a cama.
─ Sim, eu também ─ disse Ross. Não há esposa para desejar, mas é tarde.
Engolindo o pânico instantâneo que o alcançou, Colin levantou-se junto com os outros dois homens, cerrando os punhos em seus lados. Em sua cama, ele não iria encontrar uma esposa. Ele iria encontrar nada além de frieza e escuridão e seus demônios.
Os outros cavaleiros tinham sido forçados a expulsar demônios de Colin algumas vezes, que foi algumas vezes mais do que Colin gostaria. Era humilhante, o que os demônios fizeram com ele. Como eles o reduziram a algo menor do que um homem.
Pegando a lanterna, McLeod abriu a porta e os três entraram no corredor e se viraram para a escada que levava ao primeiro andar e os seus aposentos. Mas então, um som os forçou a fazer uma parada súbita. Uma batida na porta da frente.
McLeod olhou por cima do ombro para Colin e Ross, suas sobrancelhas levantadas. Que diabos?
Não era certo que Colin deveria estar aliviado por isso, a esta hora, esse tipo de batida na porta não poderia significar nada de bom. Mas iria atrasá-lo para sua cama por mais algum tempo e portanto, ele estava grato por isso.
Os homens giraram e caminharam rapidamente para a porta da frente. A batida estava mais alta agora; era como se alguém estivesse batendo com as duas mãos espalmadas sobre a superfície de madeira suave. Colin chegou à porta em primeiro lugar. Ele agarrou a maçaneta e puxou a porta.
Era uma mulher – o que foi evidente imediatamente por causa de suas vestes fluindo. Levou um momento para os olhos de Colin se ajustar à escuridão, mas depois a lanterna que McLeod segurava espirrou um feixe de luz amarela sobre ela.
Colin reparou em cachos loiros selvagens, um rosto arredondado, olhos grandes cinza-azulados. E sangue riscado através do tecido de seu vestido branco. Manchado em sua bochecha.
Ele conhecia essa moça. Seu coração começou a bater dolorosamente contra seu esterno. Lady Emília?
A mulher lançou um grande soluço e se jogou contra ele. Ele tropeçou para trás um pé antes de recuperar o equilíbrio, as mãos movendo-se para os braços para segurá-la firme.
─ Oh, Sir Colin, graças a Deus ─ ela chorou em seu peito, os dedos enrolando firmemente em sua camisa ─ Por favor, me ajude. Por favor!



Série Cavaleiros das Highlands
0.5 - Um Coração Escocês
1 - Calor Escocês
2 - O Despertar do Highlander
2.5 - Seu Malvado Escocês
3 - Tentação das Terras Altas
Série Concluída

19 de agosto de 2018

O Despertar de Belle

A plácida vida de Caroline-Marie Du Berry, jovem e travessa condessa de Chambord, está a ponto de ficar de pernas para o ar. 

Órfã de mãe, criada por um velho conde antissocial e dedicado à caça, Caroline é algo selvagem para sua posição e não entende porque deveria dançar e ter boas maneiras, por isso a ideia de ter um novo professor que a instrua em matérias intelectuais a horroriza e pretende zombar dele à sua chegada. Caroline não sabe que cairá nas redes do amor e da paixão com o jovem, bonito e inteligente professor espanhol contratado por seu pai, um nobre de baixo nível, arruinado, em busca da salvação do patrimônio de sua família. Marco tampouco imagina tudo o que lhe espera na França: mulheres libertinas, bailes, segredos, assassinatos e uma jovem aluna algo rebelde.
Os libertinos Madame Dupin e seu amigo e amante, o bonito modelo de artistas e cientista Denis Papin, serão as piores influências dos dois jovens, levando-os, sob a máscara de preceptores, a uma rede de enganos, mentiras e sensualidade.

Capítulo Um

Vale do Loire ou dos Reis, França - ano 1745
Diário do barão Marco De Gaula

Nunca havia me sentido tão humilhado como naquele dia. Tudo começou quando meu bom amigo Jean-Édouard Du Berry, conde de Chambord, pediu-me o favor pessoal de ir à França, nosso país vizinho, com o fim de educar à sua jovem filha nas matérias que estávamos acostumados a debater em nosso seleto e secreto clube. Naquele mesmo dia, a dama completaria dezessete anos e poderia unir-se a este, tirando-me a honra de ser o membro mais jovem.
— Pode ser que ache a minha querida filha algo selvagem, cher ami. Desde que morreu minha esposa, deixei de exigir as boas maneiras — tinha-me advertido Édouard.
Nenhum prazer supunha para meu pai que um filho dele, um portador de seu “ilustre sobrenome”, tivesse que ver-se rebaixado daquela maneira, próprias palavras. Isso lhe parecia o fato de trabalhar para outros. Mas a precária situação econômica pela qual atravessava minha família, depois de uma larga rajada de maus investimentos e empréstimos não devolvidos, tinha-me levado a aceitar aquele trabalho.
Não havia escolha. Por outro lado, meu entusiasmo juvenil e minha utópica crença de que as coisas podiam mudar me faziam sentir a vocação por transmitir ideias. Nossas ideias. Ia converter-me, à minha curta idade, vinte anos recém-cumpridos, em professor.
Ao contrário de meu pai, barão De Gaula, eu não encontrava nada negativo em trabalhar, como dizia ele: “como os pobres”. Mas, sobretudo, aquele emprego era uma grande oportunidade para ir às reuniões clandestinas dos membros franceses de nosso clube. Tão libertinos, tão avançados em ideias, tão amantes do luxo e dos prazeres, tão… interessantes. 
As reuniões, perigosas e ilegais, eram organizadas no château de Chenonceau. Madame Dupin, a encantadora anfitriã deste castelo, disfarçava-as sabiamente de inocentes “lanches”. Madame Dupin: famosa, diziam, não só por sua beleza e sua generosa hospitalidade, mas sim por sua secreta defesa da filosofia e das ciências. “Todos deveríamos as estudar para compreender o mundo no qual vivemos”, havia-me dito em uma de suas cartas, “incluídas as mulheres”. 
Que ânsia sentia por conhecê-la! Embora eu não fosse dos que se entusiasmavam facilmente com qualquer mulher, seu compêndio de qualidades me obrigava a subi-la a um idílico pedestal.
Madame Dupin estava casada e eram uns vinte anos mais velha que eu. Embora, também, conforme me contavam na França nenhuma das duas coisas supunha um impedimento para levar a cabo qualquer tipo de caso. 
De fato, era a partir de que uma mulher estivesse casada que começava sua verdadeira vida social, sua liberdade e o álibi de ter um marido a que atribuir qualquer paternidade. Mesmo assim, eu não albergava mais esperança que sua amizade.
Eu, calejado em letras e ciências, amigo de homens e mulheres do mundo, aos meus vinte anos eu quase não via isso. Tinha a teoria, mas não a experiência. E, recém-saído da lúgubre e dissimulada Espanha, estava desejoso por conhecer a França e seu liberté.
Mas esse dia, o dia da minha chegada ao castelo de Chambord, viu-se abafado. Gravemente abafado.
Tinha viajado da Espanha somente acompanhado pelo Manuel, o velho cocheiro da família. Uma escolta contra os assaltantes de caminhos tinha sido um luxo que não havia podido me permitir. 
Mesmo assim, toda a viagem tinha transcorrido quase sem incidentes, já que sempre tínhamos seguido a esteira de outras carruagens e caravanas. Mas o último lance até Chambord ninguém mais o compartilhava. Todos receavam quando lhes comunicávamos nosso destino, como se sobre as terras de meu amigo, o conde, pesasse um mau presságio. 
Inclusive houve mulheres nos povoados e nas carruagens do caminho que se benzeram quando nomeei “Chambord”, como se assim espantassem algum tipo de demônio ou alguma classe de maldição. 
Diziam expressões, ao ouvi-lo, que minha boa mãe cristã tivesse expressado como: cruz credo, para assim afastar o mal. 
Assim, logo ficamos na mais absoluta solidão, naqueles verdes e amaciados atalhos franceses.
O mapa refletia que o caminho até o castelo dava um grande rodeio, rodeio que se podia evitar usando os atalhos que atravessavam o bosque. Mas o conde tinha-me desaconselhado com grande ansiedade a cortar desta forma. 
Lia em suas veladas palavras um perigo iminente que no bosque habitava. Podia ser aquilo pelo que nossos companheiros de viagem se benziam, mas que ninguém nomeava. Um perigo que, fora qual fora, parecia pior opção que enfrentar-se a um bando de assaltantes.
Assim, a poucos quilômetros de nosso destino, tinha acontecido o inevitável: um grupo de quatro jovens tinha emergido da solidão e do silêncio para nos desapropriar da carruagem, da bagagem e do pouco dinheiro que levava comigo. Manuel e eu, um pobre velho e um homem de letras e de paz, logo opusemos resistência. 
Uma parca resistência: nossas mãos nuas contra suas quatro compridas e afiadas facas. Sorte tivemos de acabar virtualmente ilesos; apenas com o cabelo desgrenhado e as camisas feitas farrapos. As casacas e os sapatos tinham levado também. Graças à enorme pressa com que pretendiam acabar, conseguimos ficar com as calças, felizmente. 




Me Apaixonei por um Lorde

Série Procura-se um Príncipe
A apaixonada Ravenna Caulfield só quer afastar-se das mesquinhas jovens da alta sociedade.
O atraente e heróico lorde Vítor Courtenay só quer viver uma perigosa aventura atrás da outra. Ravenna, apesar de suas desculpas para evitar os atos sociais, não pôde fugir de uma festa campestre que organiza um príncipe português procurando esposa. E quando pensava que não poderia ser pior, fica isolada pela neve no castelo cheio de virgens conspiradoras... O pior pesadelo da jovem se faz realidade! Mas de repente um beijo roubado em um estábulo, a aparição de um cadáver dentro de uma armadura e outro grande número de aventuras escandalosas, envolverão Ravenna e Vítor em um mistério que estarão dispostos a resolver.
Entretanto, Vitor deseja algo mais e não está disposto a deixar que Ravenna escape...O que pode acontecer quando se une um mistério com os enigmas do amor e a paixão?

Capítulo Um

A fugitiva 
A perdição de Ravenna Caulfield começou com um pássaro, prosseguiu com um garfo para remover o feno, e culminou com um cadáver na armadura. 
O pássaro apareceu antes, vários anos antes do incidente do garfo e do dia em que Ravenna descobriu aquela pobre alma vestida com uma armadura, embora possivelmente aquele descobrimento fosse muito oportuno, depende a opinião que tenha cada qual sobre assuntos de tanta importância como o destino e o amor. Ravenna ficou órfã desde menina e vivia em um orfanato com suas duas irmãs mais velhas. Ali foi onde adquiriu a coragem de sua irmã Eleanor e a resistência de sua irmã Arabella. 
Por desgraça, ela nunca chegou a dominar essas virtudes. E, por isso, no dia que roubou uma cenoura para o velho cavalo que puxava uma carruagem, o senhor Bones, a castigou deixando-a passar seis horas encerrada no sótão, onde encontrou o pássaro ferido metido em uma greta entre dois tijolos estilhaçados, perto da janela, e não pôde ignorá-lo. 
Nenhuma garota de bom coração poderia ter resistido aos tristes gorjeios do bichinho. Aproximou-se dele, descobriu que tinha a asa quebrada, olhou esses olhos negros que tanto se pareciam com os seus, e jurou que o salvaria. 
Passou quatro semanas esfregando o chão pegajoso da sala de jantar muito mais depressa que as outras garotas — e como consequência não deixava de cravar-se lascas nos dedos, — para conseguir dez minutos de liberdade. 
E durante essas quatro semanas, lhe acelerava o coração cada vez que penetrava no sótão onde mastigava os restos flexíveis do pão que lhe tinha dado de café da manhã, e os dava ao pássaro. 
Passou essas quatro semanas guardando a água de chuva do batente em uma folha, e observava como a pequena criatura bebia até que seus gorjeios deixaram de ser tristes e começaram a soar mais alegres. Passou quatro semanas animando-o a subir à palma de sua mão e esteve acariciando a asa ferida até que o bichinho conseguiu estirá-la tanto como a outra e dar uns saltos cuidadosos até a janela. 
E um dia, quando subiu ao sótão, ele já não estava. Mas ficou ali, rodeada de móveis quebrados e arcas velhos, e chorou. Então ouviu um gorjeio breve e alegre na janela. 
Abriu-a e se encontrou com os olhos do pássaro, que estava pousado sobre o ramo de uma árvore. Voou até sua palma aberta. Aquela primavera a jovem viu como se esforçou para construir seu ninho nesse ramo. Quando pôs ovos, Ravenna se ajoelhava sobre seus pequenos joelhos cheios de calos na capela cada manhã, e rezava pela saúde das crias. 
Para celebrar seu nascimento, levou a pequena mãe um verme que tinha encontrado na horta da cozinha, e observou como o utilizou para alimentar a suas crias. Aquele dia se sentiu tão feliz que chegou tarde às preces da noite. A diretora a repreendeu com as bochechas coradas diante das demais garotas, e depois as pôs para cortar nabos, até que lhes doeram os dedos e as mandou à cama sem jantar.








Série Procura-se um Príncipe

1 - Casei com um Duque
2 - Me Apaixonei por um Lorde
3 - Me Rendi a um Canalha

15 de agosto de 2018

As Brumas da Memória

Série McLeod
A jovem acorda abruptamente.

Uma dor aguda martiriza sua cabeça e logo que pode abrir os olhos vê que suas roupas estão sujas e rasgadas. Aterrada e confusa, não sabe onde se encontra e é incapaz de recordar quem é e o que lhe aconteceu. A tênue luz que provém de um rescaldo apenas lhe permite reconhecer o interior do que parece um alojamento militar. 
Em um improvisado palete, a pouca distância dela, dorme um homem cujo rosto sombrio mostra uma profunda cicatriz que atravessa sua bochecha. A julgar por seu uniforme, trata-se de um soldado.
Logo a moça descobrirá que se encontra sob o amparo do Capitão Maximilian McLeod quem, depois de achá-la inconsciente durante um reconhecimento noturno e, para protegê-la dos desmandos de uma zona de guerra, a oculta em seu alojamento de campanha, rompendo todas as regras da tropa e pondo em jogo seu próprio prestígio.
A poucos quilômetros dali, Oliver Moore, um aristocrata a ponto de explodir de ira, pois a mulher que põe em risco seu futuro econômico acaba de lhe escapar entre os dedos. Agora deverá redobrar seus esforços para encontrar a fugitiva e acabar com sua vida. Sem saber absolutamente nada sobre seu passado e os perigos que a espreitam, a jovem e o Capitão McLeod deverão atravessar os desafios que lhes impõe uma realidade crua, assinada pela guerra e pela incerteza sobre o futuro de ambos.

Capítulo Um

Norte da Inglaterra, 1763
15 quilômetros ao norte do acampamento militar, ao comando do general Archibald Gould.
― Tenente Finnighan! ― Os gritos do Capitão Maximilian McLeod logo que conseguiam transpor o estrondo produzido por mais de duzentos pares de botas amassando o barro. ― Um refúgio!
O outro assentiu ao localizar uma saliente rocha recortada contra o céu sombrio. Esporeou seu cavalo e se adiantou à formação de soldados esgotados, famintos e cobertos de lodo, até situar-se junto ao seu superior.
― Parece um bom lugar para descansar até a madrugada ― disse Adam Finnighan.
― Acredito que até poderemos acender um fogo. Debaixo daquele promontório o terreno parece estar bastante seco. ― McLeod assinalou uma área sem vegetação.
― São excelentes notícias ― disse o tenente. ― Se não encontrávamos resguardo logo, poderia haver ficado feio. Todos estão ao limite de suas forças, e ambos sabemos que o esgotamento pode ser o germe da insurreição.
― Preocupam-me quão réus recrutamos na prisão do Wiltshire ― disse o Capitão. ― Começaram a falar entre eles.
Finnighan assentiu, e seu semblante refletiu a inquietação que o embargava.
― Não acredito que estejam planejando nada de bom. Nossa capacidade de mando se verá afetada se não chegarmos logo ao acampamento de Gould.
Adicionar criminosos ao grupo sempre supunha um problema, mas a guerra se tratava de quantidades, e depois de quase sete anos de conflito bélico o número de soldados ingleses se encontrava em franco retrocesso. McLeod não tinha tido outra opção que fazer-se com reclusos para engrossar suas fileiras.
― Só restam quatro horas de viagem até o acampamento de Gould ― calculou o Capitão ― é muito pouco, considerando os dias que levamos no caminho, mas mesmo assim não acredito que seja boa ideia pressionar mais aos homens. Chegaremos em melhores condições se nos determos.
Finnighan assentiu, sabendo que McLeod tomaria a melhor decisão para todos.
― Organiza o acampamento noturno, Adam ― pediu McLeod ao seu segundo ao mando. ― Eu irei explorar. Vi um arroio não longe daqui, e não seria estranho que alimentasse algum afluente mais importante. Não estaria mal contar com algo para beber que não seja lama.
Finnighan se posicionou para logo partir a todo galope. Sua tarefa era guiar aos duzentos e trinta e dois soldados sob o mando do Capitão McLeod até a saliente rocha; um precário, embora imprescindível refúgio para passar a noite. A notícia gerou gritos de alegria e aplausos no reduzido batalhão. Todos agradeciam umas horas de descanso.
Logo depois de fazer virar a seu cavalo em direção ao arroio que vira antes, McLeod relaxou as rédeas para permitir que o fino olfato do animal se ocupasse de achar o caminho para a água. Fazendo ranger as rochas sob seus cascos, Titus percorreu lentamente os quatrocentos metros, até chegar à beira de um rio largo e pouco profundo.
Entusiasmado por seu achado, a besta afundou o focinho na corrente cristalina e bebeu com fruição.
― Bom serviço, rapaz! ― Disse McLeod, aplaudindo o pescoço suado de seu fiel companheiro de campanha.
Titus replicou agitando a cabeça e salpicando tudo a seu redor.
O Duque de Hyde, o pai do Capitão, tinha tido razão ao dizer que aquele cavalo nunca lhe falharia. Não era um animal jovem, mas mesmo assim suportava esforços e sacrifícios que outro não teria resistido. O magnífico Titus tinha sido o último presente que o Duque dera a seu filho mais velho, logo depois de ver-se obrigado a aceitar que Maximilian se uniria ao exército de Sua Majestade, apesar de sua forte oposição.
Exausto e desejando um banho quente, McLeod se deixou cair de joelhos na lamacenta margem do rio. Inclinou-se sobre a corrente e estudou seu reflexo, para comprovar quanto tinha envelhecido nos últimos seis anos.
Logo que cumpria os trinta e quatro, mas seu cabelo negro estava sulcado por cintas de prata, e seu rosto ― alguma vez admirado pelas jovens de Greenborough, seu lar natal ― mostrava fundas rugas que talhavam seu sobrecenho. A brutalidade da guerra tinha ficado gravada para sempre em seu rosto, outrora jovial. Inclusive seus olhos pardos, alguma vez entusiastas e confiantes no futuro, tinham perdido seu brilho.
O Capitão enxaguou seu rosto enlameado e bebeu grandes sorvos do líquido, que ele ansiava, muito fresco e puro. E embora a água estivesse gelada, sua necessidade de sentir-se novamente humano o levou a considerar a possibilidade de inundar-se nela e livrar-se da imundície que lhe tinha colado sob a roupa. Assim, desafiando o frio reinante, despiu-se e entrou no rio.
Esfregou uma mescla de água e areia por seu torso, fortalecido por anos de dura atividade no exército, e friccionou com vigor sua cabeça para tirar terra do caminho. Suas longas pernas o conduziram de novo à borda quando os músculos começaram a lhe formigar pressentindo a hipotermia. Urgido por recuperar o calor corporal, o Capitão se secou com uma toalha de linho, outrora branca, e se vestiu antes que o frio lhe jogasse um mau passo. Ignorava que, cruzando o rio, ocultos entre os juncos, olhos atentos vigiavam cada um de seus movimentos.
Um gemido lastimoso reverberou no silêncio da noite e obteve que o Capitão se escondesse e desenbainhasse a espada que lhe pesava no quadril. Procurou na escuridão a origem daquele som arrepiante, enquanto avançava com sigilo, ocultando-se depois dos matagais mais altos. Como fiel vigia, Titus sacudiu as orelhas e soprou inquieto, produzindo uma nuvenzinha de vapor esbraquiçado em torno de seu focinho.
Outra vez aquele ulular e o chapinho na borda oposta.
Em seu avanço, McLeod recordou as histórias fantasiosas que relatava a tropa, sobre seres misteriosos que habitavam os bosques e devoravam as pessoas...



Série McLeod
1 - Da Inglaterra à Virginia
2 - Pintar nas Sombras
3 - As Brumas da Memória
Série Concluída

O Mar em Teus Olhos

Nicholas Russell, Conde de Leyssen, foi chamado à presença de Isabel I Tudor para ser encarregado de uma missão que o afastará de sua amada Londres: localizar o corsário Cook.

Um serviço complicado e perigoso que o obrigará a cruzar o oceano, misturar-se com os piores piratas de Tortuga, e acabar como marinheiro, engajado à força, no Melody Sea, o navio do sujeito ao qual deveria perseguir.
Para seu espanto, o capitão Cook é uma mulher. 
Somente sua coragem poderá mantê-lo com vida enquanto tenta cumprir as ordens de sua soberana, sem se deixar prender nas redes de um amor proibido. Entretanto, o confronto militar entre Inglaterra e Espanha continua se intensificando, e Isabel I dá carta branca a Francis Drake para atacar as costas da península.
Ninguém pode imaginar que a abordagem do navio de Sua Graciosa Majestade, quando viaja para levar a cabo um possível acordo de não agressão com Felipe II, poderá dar uma virada completa na vida de Andy Cook. Batalhas em alto mar contra os navios da Coroa Espanhola, brigas portuárias, companheirismo entre corsários… Um segredo que só será descoberto no final. Aventura e amor tanto nas verdes e cristalinas águas do mar do Caribe, quanto na corte da Rainha Virgem.

Capítulo Um

Perto dos Açores, outubro de 1586. 
As quase setenta toneladas do Melody Sea deslizavam suavemente sobre as agitadas águas do Atlântico, conseguindo seu objetivo: abordar um pesado galeão bem abastecido com destino à Espanha, procedente das possessões de Felipe II no Caribe. O gigante ruivo que se movia ao compasso do balanço do barco, no convés, anuiu satisfeito, observando com olhar crítico, como os homens sob seu comando saqueavam o navio espanhol, passando rapidamente os cofres para sua própria embarcação.
― Boa caça, não foi? ― Perguntou alguém ao seu lado. Alex Potter inclinou a cabeça examinando com atenção a figura esbelta da mulher que lhe falava. Em seu rosto apareceu um amplo sorriso que, como sempre, o fazia parecer um menino grande.
― Boa caça, na verdade, capitão Cook. Ela se mostrava eufórica, como a cada vez que entravam em combate. O montante da abordagem serviria para engrossar as riquezas da Coroa, e também para encher seus próprios cofres, pagar aos homens e consertar os danos causados ao navio pelo confronto.
― Estarei em meu camarote, senhor Potter. Se houver alguma novidade, faça-me saber. O contramestre, segundo homem no comando de bordo do Melody Sea a observou se afastar, desviando-se de alguns volumes e sorrindo aos valentes sujeitos que formavam a tripulação. Notava-se que se sentia à vontade sobre o convés do navio. Era um marinheiro a mais.
Os homens não só a aceitavam, mas estavam dispostos a arriscar a vida por ela. Conquistara-os por completo, ainda que conseguir se manter com o comando foi um caminho complicadíssimo, vencendo a resistência dos homens, empenhando-se com tanto ardor como qualquer um deles e, sobretudo, colocando-se no mesmo nível deles. Andy Cook chegara ao Melody Sea com a idade de quatro anos, causando um verdadeiro alvoroço entre a tripulação.
Uma criatura de cabelos negros e olhos verdes, que imediatamente ganhou a simpatia de alguns homens de coração duro, acostumados à pilhagem. Seu anterior capitão, Adrián Cook, a raptara da mansão familiar dos Barrington onde vivia com sua mãe, lady Eleonor. Tivera seus motivos, porque a pequena era sua filha. Lady Eleonor e Adrián se apaixonaram e a menina fora o fruto daquele amor.

11 de agosto de 2018

Lágrimas do Coração

Série Os Kinsberly 
Ela apaixonada por ele... 

Grace Kinsberly amou em silêncio o marquês de Wolfwood mais tempo do que gostaria de admitir. 
Evelin MordánE quando por fim os acontecimentos a convertem em sua esposa crê ter encontrado a sorte que tanto tinha desejado. Ele apaixonado por  outra...Damien crê ter tudo e, de repente, não tem nada. 
Nada, exceto, a uma jovem que o cativa com a ternura de seus olhos e que tão bem parece compreendê-lo. Mas às vezes o passado se interpõe da pior maneira e ambos serão testemunhas disso.

Capítulo Um 

1812, Londres. 
― Grace? ― Perguntou uma voz, ao seu parecer, muito longínqua. ― Grace!? 
― O quê? Grace voltou o olhar para o rosto ovalado de olhos verdes que a olhava com recriminação. 
― Escutou o que te disse? 
― Perdoe, Carl, estava absorta. Diga-me. Um sopro muito pouco feminino escapou dos lábios da jovem. ― É o pior baile de máscaras da história. Grace estava totalmente de acordo, mas era melhor não revelar seu desânimo. ― Tampouco é tão horrível. ― Olhou ao seu redor, todos os convidados pareciam ter o cenho franzido. 
― Só é um pouco insípido, suponho. ― Não tem nem um grama de sal. Muito menos de açúcar. 
― Já tem fome, Carl? ― E exagerada. 
― Pois não será por falta de aperitivos. Deveria ir procurar algum ― sugeriu-lhe. ― Eu te esperarei aqui, no momento não tenho ninguém em meu cartão de baile. Sorriu com pesar ao olhar seu cartão creme quase vazio. 
― É uma ideia maravilhosa. ― Carl não tinha avançado nem três passos quando se virou e lhe disse por cima do ombro: ― E deixa de olhá-lo prima, ou toda a sala se dará conta. Grace ia perguntar a quem se referia, mas Carl já se dirigia à variada bandeja de aperitivos que estava na outra ponta da sala, esquivando à multidão.  Mas, é óbvio, ela já sabia. Apenas se tornava impossível afastar os olhos dele. Damien Cross, marquês de Wolfwood, monopolizava toda sua atenção onde o visse e Carl era muito capaz de dar-se conta disso. 
Carlota Sharleston era sua prima mais próxima, das que habitavam em Londres, e desde pequenas tinham estabelecido uma amizade que com os anos se fez mais forte e confidente. Sem lhe dizer nada, Carl se tinha dado conta de que o coração de Grace já tinha dono, e que este era do marquês de Wolfwood, cavalheiro que tinha sido apresentado a ambas no ano anterior, a qual tinha sido sua terceira temporada social. 
Tinha passado todo um ano até que havia tornado a vê-lo, já que, ao que parecia, era um homem que viajava muito. Mas ao reencontrá-lo seu coração tinha deixado de pulsar por um segundo, trazendo para sua mente a lembrança de tantas noites em claro que passou pensando naquele momento em que olhou àqueles olhos azuis, quando ele beijou o dorso de sua mão… o sentir sobre as luvas de seda tinha sido o único contato que conservava daquele homem por quem tinha se apaixonado, já que nem sequer tinham dançado, mas tinha sido formoso e o único que tinha dele. 
Por isso sabia, acabava de herdar o título de marquês de Wolfwood depois do falecimento de seu pai há dois anos. Vivia em sua residência de Londres, em Grosvenor Square, junto com sua avó materna e sua irmã mais nova, lady Anne Cross. Dizia-se que mantinha em pé o legado de seu pai e que era muito valorado na Câmara dos Lordes. E, para sua desgraça, também era de domínio público o fato de que mantinha um tranquilo romance com a viúva lady Cheryl Growpenham. Toda a sociedade londrina sabia que lady Growpenham, uma mulher formosa de apenas uns trinta anos, mantinha uma relação séria com lorde Wolfwood. A Grace repugnava a forma tão pública com a qual demonstravam seu amor, iam juntos a todas as partes, davam passeios pelo Hyde Park e não se incomodavam em desmentir os rumores de que ele dormia em sua casa mais de uma vez na semana. Era vergonhoso. 
Nesse instante, precisamente, lorde Wolfwood estava inclinado sobre ela de forma discreta enquanto lhe sussurrava algo ao ouvido. Uma pontada de ciúmes percorreu sua espinha dorsal obrigando-a a afastar o olhar. Mas o pior era que não podia, morria de vontade de saber o que lhe estava dizendo, embora aquilo a fizesse sentir-se pior. Por que tinha que haver se apaixonado por ele? Era um amor impossível.



Série Os Kinsberly
1 - Lágrimas do Coração
1 - Lágrimas do Coração
3- Infernos de Paixão
Série concluída

Uma Rosa na Batalha

Série Escócia Medieval 
Alana de Latimer era filha bastarda de um nobre e, por isso, sua poderosa família, os Comyn, a haviam desprezado e abandonado. 

Sua avó a criou sozinha e sempre viveram a certa distância da guerra da Escócia. 
Assim, quando a batalha se aproximou de seu lar, ela se viu obrigada a salvar da morte um guerreiro inimigo. Em consequência disso, colocou sua vida em perigo. 
Iain de Islay jurou lealdade a Robert Bruce. Uma bela mulher o resgatou da morte e lhe arrebatou o coração. Assim, embora começasse um romance apaixonado e proibido, Alana ocultou dele a sua identidade. Quando o exército de Bruce começou a destruição final do condado, Alana teve que decidir entre a família que sempre a desprezou e o homem a quem amava. 

Capítulo Um

Castelo de Brodie, Escócia, primeiro de dezembro de 1307. Tudo era um inferno em chamas. Os homens gritavam de dor e agonia, os cavalos relinchavam de terror e as espadas se chocavam umas com as outras. A fumaça se dissipou, e Alana ficou horrorizada. Haviam incendiado uma casa e, no interior de seus muros, os homens lutavam com espadas e facas, tanto a pé como a cavalo. 
Alguns eram cavaleiros Ingleses protegidos com cota de malha, e outros eram Escoceses das Terras Altas, highlanders, com as pernas nuas sob a saia de lã. Um deles atravessou um cavaleiro com a espada. Um enorme cavalo caiu derrubado por um projétil e um escocês pulou ao chão… Onde se encontrava? Alana estava confusa. 
O solo se moveu violentamente sob os seus pés. Teve certeza de que caia, então cravou as unhas no chão. Olhou para cima. Em meio a aquela luta brutal, viu um homem, um guerreiro com uma espada ensanguentada na mão. Os cabelos longos e negros cobriam seu rosto, ele usava uma túnica curta e branca sobre os músculos nus e uma capa de pele sobre os ombros. Gritava aos escoceses para que resistissem, embora todos estivessem feridos e desesperados, eles lutavam pela vida. 
A batalha lhes foi favorável, ao final; alguns dos soldados Ingleses fugiram, e alguns dos ginetes decidiram se retirar a galope. Porém, o highlander não parou de lutar ferozmente contra um inglês. Suas espadas entrechocavam selvagemente uma com a outra. Alana ficou muito tensa. O que era o que acabava de ouvir? Olhou para a casa, e se deu conta de que havia uma mulher pedindo ajuda aos gritos. Também, havia crianças chorando? Alana conseguiu ficar em pé. 
O highlander já estava frente à porta da casa. Pela janela contígua saiam línguas de fogo, mas ele ignorou o perigo e começou a golpear a porta com o ombro, uma e outra vez. Ela temeu por ele. De súbito, o highlander se virou; por um momento, ela pode ver seu semblante duro e decidido, seus penetrantes olhos azuis. Então, ele conseguiu entrar na casa. Um momento depois apareceu de novo, seguido por uma mulher que carregava um bebê nos braços, e ao seu lado, seguia uma menina. Alana sentiu um enorme alívio. O Escocês havia conseguido resgatar a mulher e seus filhos. 
O telhado da casa caiu, e as chamas se erguiam violentamente ao céu. Ele cobriu o menino com o seu corpo, sobre o solo, para protegê-lo dos pedaços de madeira ardentes que chovia por todos os lados. Então, se levantou em um salto, afastou-se da casa e devolveu o menino a sua mãe. Virou-se e observou atentamente o lugar onde ela se escondia, como se a procurasse. E, enquanto o fazia, um homem ruivo, outro escocês das Terras Altas do mesmo exército, se aproximou dele por trás e levantou uma adaga para esfaqueá-lo. A suas costas. — gritou Alana. 
Talvez tenha sentido o perigo, porque se voltou justo quando a adaga descia. Não gritou; ficou rígido ao receber a facada no peito, mas, em seguida, sua espada estava cortando rapidamente o ar. O traidor ruivo caiu ao solo com o peito atravessado pela espada. O Escocês deu outro golpe com a espada e acabou com ele. Depois, cambaleou e também caiu ao solo.… 
—Alana! 
  


Série Escócia Medieval 
1 - O Guerreiro e a Rosa
2 - Uma Rosa na Tempestade
3 - Uma Rosa na Batalha

Casualmente Valentina

A vida sorri a Rafael Mejía.

Ele é um homem bem sucedido, jovem, atraente e arrogante, e acostumado a conseguir o que quer em um piscar de olhos, tanto nos negócios como no prazer.
Valentina, a humilde serva de uma estalagem de reputação duvidosa, será sua próxima vítima. Uma garota tão doce como linda por quem se sente atraído sem esperança, a ponto de fazer dela a principal candidata para ocupar sua cama, sem imaginar que seus problemas começarão com ela. Para Valentina, a aparência impressionante de Mejia causa um enorme cataclismo em sua vida pacífica. Determinada a não sucumbir ao enorme encanto que ele exerce sobre ela, vai lutar contra seu apelo sombrio da única maneira possível: conquistar o coração duro que ele presume não possuir.
Dos salões luxuosos do Casino de Benavente ao coração escondido da Serra da Culebra, Valentina seguirá Mejia numa jornada cheia de perigos e sombras dos quais Rafael a tentará distanciar, mas poderá eludir com a mesma força o poder do amor?

Capítulo Um

Pousada de Adela, arredores de Benavente, Zamora,
finais de agosto de 1886

Rafael Mejía abriu os olhos, antes de esfregar o rosto para se orientar melhor. Onde estava? Pigarreou e se ergueu na cama até pousar os pés no chão. Quando a luz da lâmpada lhe permitiu ver os austeros e escassos móveis do aposento, recordou rapidamente. Por todos os demônios!
Como dormira tão profundamente? Soltou um palavrão. Ramona, uma das atenciosas jovens da pousada, lhe cedera satisfeita aquele quarto para descansar, mas o breve intervalo se convertera em um profundo sono do qual acabava de despertar.
Aproximou-se do espelho, mas quase retrocedeu, assustado pela imagem que viu. Jesus, que grande aspecto! 
Com os cabelos castanho revoltos, o rosto coberto por uma sombra escura de barba e os olhos ainda meio fechados, acabava de pulverizar a imagem que mostrava a toda a vila: um homem atraente, elegante e distinto. 
Embora, pelo menos por aquela noite, teria que se contentar em se lavar um pouco com a agua da bacia antes de tentar em vão alisar as calças e as rugas da empoeirada camisa, para abandonar o quarto com passos apressados.
O ambiente do salão principal da pousada estava tão carregado de fumaça que seus olhos começaram a lacrimejar. Um conjunto ensurdecedor de vozes era dos mais variados tipos, indo desde as risadas dos clientes até os gritos de alguma discussão provocada pelos jogos de baralho e o excesso de vinho, observações obscenas e até exclamações reprovadoras quando algum aborrecimento inoportuno passava dos limites. Sua amiga Adela desfrutava de um espetáculo cheio naquela noite.
Rafael se dirigiu ao balcão, devolvendo o cumprimento a dois Civis, vestidos a paisana e parados junto a porta lateral que dava acesso ao pátio traseiro. 
Depois, centrou sua atenção na jarra repleta de vinho que Ramona lhe serviu, com seu habitual atrevimento e os seios gloriosos que balançou diante de seu olhar indiferente, antes de se dirigir a uma solitária mesa em um canto igualmente solitário. Aquilo era o que necessitava para poder analisar seu plano no pouco tempo de que dispunha. Claro que nem todos pensavam como ele. Adela o viu desmoronar sobre a cadeira e consultar seu relógio de bolso, antes de começar a beber. Assumindo a pressa que lhe nublava o gesto, pediu a Ramona um copo e se dirigiu para lá, suportando seu olhar assassino enquanto se sentava.
― Meus olhos ficam felizes em te ver, Mejía. ― Cumprimentou, quase gritando para se fazer ouvir. ― Fazia muito tempo que não se deixava cair por aqui.
Rafael começou a resmungar. Avizinhava-se outra conversa das suas, fingindo uma luta através da qual recriminaria todos seus atos passados, presentes e futuros. Sempre tinha sido assim entre eles, apesar de seus encontros se espaçarem irremediavelmente no tempo.
― O trabalho tem me ocupado além do esperado. ― se desculpou.
― Descansou bem?
― Muito bem, para ser exato. Até me esqueci de descer para cumprimentá-la.
― Claro… ou será que a baronesa Guzmán lhe deixou por fim livre e por isso anda tão distraído?
O novo resmungo foi mais audível e menos resignado.
Sua fama tornava muito difícil manter discrição em uma vila como Benavente, onde os rumores corriam como a pólvora. Ele e seu amigo Santiago Canales se converteram em autênticos heróis locais desde que, há alguns anos, prenderam um anarquista demente que pretendia voar dos vagões lotados de trabalhadores da baronesa, com uma boa carga de explosivos no meio do caminho.
Aquela posição, vantajosa para muitos, não era tanto para ele. Custara-lhe a privacidade, sobretudo quando o nome da baronesa se misturava ao seu. E tudo porquê? Pelo empenho de certas pessoas em ver sentimentos complicados onde não havia. Para ele, seu coração era o órgão que batia dentro de um espetacular corpo, nada mais. Até mesmo a baronesa tinha percebido, antes que a tomasse por uma amante muito pegajosa. Não teve que convencê-la que seu interesse sexual se convertera em simples carinho, nem lidar com lágrimas e gritos, para sua tranquilidade. Não era a primeira vez que deveria suportar cenas difíceis, para dizer o mínimo.
― Não tenho vontade de falar sobre o assunto. ― Disse secamente.
― Mas vai falar de todo modo. ― Adela insistiu. ― Está muito tenso para não ceder a uma conversa sem importância com uma boa amiga.
― Suas conversas sem importância nunca são sem importância, embora a agradeço. Agora o Flaco ocupa toda minha capacidade de atenção. Aquele maldito contrabandista está me tirando o sono.
― Tanto como antes o tirava a baronesa.
― Quer abaixar a voz? ― Ele advertiu, inclinando-se para frente. ― Nunca foi minha intenção destruir reputações alheias, e a de Claudia menos ainda. Para esta vila, minha relação com ela sempre foi estritamente profissional.
― Por favor! ― Adela exclamou com seu atrevimento habitual. ― É a pessoa mais reconhecida e respeitada de Benavente, tão influente como ela. Garanto que todos comemorariam o seu casamento.
Casamento! 
Rafael decidiu terminar o vinho de um só trago para sufocar o espanto que aquela palavra lhe produzira. Não podia evitar sentir calafrios ao ouvir aquilo.
— Com que alegria joga o laço sobre os pescoços alheios. ― Protestou ― Não me convém as algema de nenhum tipo. Corro muitos riscos em meu trabalho.
Tem muita gente para correr esses riscos por você. 





4 de agosto de 2018

O Fim do Inverno

Silvia e John cresceram rodeados pela miséria e pela pobreza em uma favela miserável em Londres.

No meio de tantas dificuldades, entre ambos, surgirá um amor puro e nobre, que lhes dará asas para tentar sair da penúria que os rodeia.
Mas, então, o pai da moça, a vende para um nobre que a deseja. John, amargurado e triste pelo desaparecimento de Silvia, vai se tornar um homem duro e implacável, que consegue fazer fortuna com a prostituição e jogos de azar. Anos mais tarde, reencontram-se novamente, mas...Poderá o amor que uma vez os uniu, superar os obstáculos, que agora se interpõem entre eles?

Capítulo Um

Silvia sentiu que emergia dos braços doces de um sonho bom, quando começou a notar o desconforto e a dor. O frio e a fome, somados aos dedos rudes de seu pai, que se cravavam em sua pele macia, fizeram-na compreender que um novo dia começava. Lentamente, abriu os olhos e espreguiçou-se devagar, resistindo à ideia de levantar do colchão que compartilhava com sua família.
— Acorde já! — Seu pai não deixava de cutucá-la. — Cada dia tornase mais preguiçosa! 
Silvia levantou-se, e observou que, com exceção de Henry, seu irmão mais novo, todos já estavam de pé. Sua mãe esquentava algo no fogão, e seus irmãos mais velhos, Joseph e Charlie, apressavam-na de maneira brusca e sem consideração.
Olhou-os com desagrado, e teve o prazer de comprovar como Charlie baixava o olhar, envergonhado. No entanto, não podia culpá-los, seu pai costumava insultar e bater em sua esposa pelos motivos mais absurdos, e seus irmãos haviam aprendido rapidamente a não tentar defendê-la, já que assim, os insultos e os golpes se voltavam contra eles, o que aumentava o sofrimento da mulher. Silvia aproximou-se da figura pálida que, imune às recriminações de seus filhos mais velhos, mexia, na panela, o que parecia ser um mingau, e depositou um beijo suave em sua bochecha. Os olhos tristes e cansados da mulher desviaram-se para sua filha, e por um instante, uma faísca de alegria brilhou através deles.
— Posso ajudá-la, mamãe? — Não, querida, já estou quase terminando. A voz de seu pai, rouca pela bebida, interrompeu as mulheres.
— Querem calar a boca? Nunca vi duas mulheres mais inúteis que vocês! Com um olhar de alívio pateticamente evidente, a mãe de Silvia tirou a panela do fogo. Todos se sentaram ao redor da única mesa que havia no casebre de tábuas em que viviam, nos arredores de St. Katharine Docks, em East End. Enquanto todos comiam da própria panela, Silvia observava... Sua mãe tinha o cabelo emaranhado e grisalho, preso em um coque.
Devia ter sido bonita em outros tempos, seus olhos eram verdes, que ela havia herdado, e a fineza de seus traços, atestava esse fato. Mas agora, rugas profundas de tristeza e preocupação, sulcavam suas bochechas e a testa, seu olho esquerdo permanecia meio fechado, consequência de um soco desferido por seu pai. Suas mãos tremiam ligeiramente, como sempre, desde que Silvia podia recordar, e mantinha os olhos baixos, tentando passar despercebida.
Ela ainda lembrava, que até alguns anos atrás, sua mãe costumava se sentar junto a ela, para contar histórias estranhas e maravilhosas, de um livro que chamava de “O Livro Sagrado”. Eram histórias sobre meninos que matavam gigantes com uma funda, de um filho que havia abandonado sua casa, e era recebido de braços abertos, ou de um jovem que havia sobrevivido durante quarenta dias dentro de uma baleia. 
Também tirava seus piolhos, e desembaraçava seu cabelo louro com os dedos, cantava e tentava fazê-la esquecer da vida miserável que tinham.
Mas, com o passar dos anos, ela tornou-se cada vez mais taciturna e silenciosa, e, além disso, Silvia suspeitava que, a morte recente de seus dois irmãozinhos, Sally e Ned, quando ainda eram bebês, havia sido um golpe muito duro, para que ela pudesse suportar.
Seu pai, por sua vez, nem sequer notou a falta das crianças, seu único comentário fora, que a partir disso, teriam duas bocas à menos para alimentar.