22 de março de 2019

Prazeres Inesperados

Série English Tudor
Um jogo perigoso

Como o guardião brutal de Lady Justina Wincott, o Visconde Biddeford promete que qualquer desobediência por parte dela custará caro ao seu filho. Um peão em seus jogos de traição da corte, a bela viúva é forçada a extrair segredos de seus inimigos e testar a lealdade de seus amigos. Ainda assim, a ira de Biddeford não fará com que Justina manche o único homem de honra que ela conheceu…
Sir Synclair ganhou sua fama com sangue e lama. A guerra lhe ensinou que o caminho para a vitória raramente é limpo, mas a paixão que Justina desperta nele não deve ser ignorada. Não importa os predadores que anseiam por sua beleza, ou as artimanhas implacáveis de Biddeford; ele a terá como esposa. E, no entanto, se ele se casar com Justina, sua batalha mais feroz pode ser com a própria dama…

Capítulo Um

Palácio de Whitehall, Outubro 1546
O visconde Gregory Biddeford era considerado um homem bonito, mas Justina só enxergava a sua ambição, que o fazia hediondo no seu modo de pensar.
— Me fez esperar muito tempo por você, minha senhora.
Ele tocou as pontas dos dedos um contra o outro, batendo os levemente juntos. — Para uma mulher que tem muito a perder, acho que seu atraso é um lapso de atenção por ter a certeza de que estou satisfeito com você ... Os olhos dele se estreitaram. — Em tudo o que você faz. Justina suprimiu o desejo de se cobrir. O visconde não tinha anunciado a sua entrada no seu quarto, e ela usava apenas uma camisola. A seda frágil estava translúcida em locais em que a água pingava de seu cabelo recém-lavado, tornando o fino tecido colado ao seu corpo. O visconde considerava suas curvas com um brilho de luxúria em seus olhos. No entanto, ela conhecia o homem bem o suficiente, para saber que seria simples desviar sua atenção de sua carne em favor de repreendê-la por ser corajosa o suficiente para discutir com ele. O ego do homem sempre reinou supremo sobre sua luxúria.
— O Barão Ryppon é conhecido por não gostar de ser traído, meu senhor. Você sabia que ele não iria deixar de me desmascarar uma vez que eu tivesse te obedecido e deixado sua noiva livre durante a noite.
— Você deveria tê-la seguido para fora da fortaleza. Essa solução era tão simples, que poderia ter sido pensada por uma criança.
Justina teve que acalmar o seu temperamento, o que foi surpreendente. Seu tempo em Amber Hill parecia ter drenado um pouco da sua tolerância para a bronca do visconde. O asno pomposo sempre enviava outras pessoas para fazer o seu jogo, embora não tivesse compaixão pela dificuldade das tarefas. Ele estava vestido da cabeça aos pés na última moda. Veludo com pérolas, pedaços de ouro, joias que foram costurados para caber à sua estrutura com precisão. Em torno de seu pescoço, ele usava a Ordem da Jarreteira em ouro maciço, constituída de vinte e quatro nós de ouro alternados com vinte e quatro medalhões que caracterizavam uma rosa Tudor e tendo como um pingente São Jorge matando o dragão. Enquanto ela estava presa na fronteira, o homem que a tinha enviado lá, tinha estado ocupado visitando seu alfaiate.
— Se eu tivesse tentado segui-la, os guardas teriam sido alertados para a sua fuga. Depois que ela se foi, eu estava presa dentro das paredes até de manhã e não poderia escapar sem ser capturada. O Barão Ryppon se recusou a permitir-me a sair, uma vez que o ato foi descoberto.
Biddeford chegou mais perto, seu olhar deslizando para baixo de seu corpo em uma inspeção lenta e insultante. Ele estendeu a mão e tocou seu rosto, deslizando as pontas dos dedos por sua pele. Um único arrepio de desgosto ondulou através dela, apesar de tantos anos de submissão à sua vontade.
— Seu tempo naquela fortaleza enfraqueceu você, minha doce viúva. Seus sentimentos aparecem em seu rosto agora. — Ele se inclinou para baixo, perto o suficiente para que ela sentisse sua respiração contra sua bochecha. — Isso é inaceitável.
Ele olhou para baixo, a frente do decote aberto de sua camisola, seu olhar bebendo na visão de seus seios e mamilos nus. Justina se afastou, repulsa fluindo através dela como um rio.
Biddeford riu. — Como eu afirmei, você é fraca. Esse corpo é meu para comandar, minha senhora. Eu sou o seu guardião e você deve ser obediente a minha vontade.
Ela queria estreitar os olhos, mas exibir a sua verdadeira emoção era um luxo que ela não poderia pagar. Em vez disso, ela baixou os cílios para esconder o clarão de sua rebeldia . — Eu fiz como você disse, meu senhor.
O visconde acenou com a mão. — A noiva de Ryppon é irrelevante agora. Ao Lord Oswald teve que ser entregue para o seu esperado deleite na figura de outra menina a quem fui forçado a encontrar, porque você não conseguiu entregar Bridget Newbury como eu a instruí. Você me falhou.
— Eu mostrei a Bridget o caminho para Amber Hill. Ela estava bem distante. Seu acompanhante falhou com você por não ser capaz de trazê-la para a costa.
O visconde acenou com a mão novamente, desta vez o seu movimento mais impaciente. — Eu disse a você, minha senhora, é irrelevante. Enquanto você ficou trancada na fronteira, muita coisa aconteceu aqui na corte. O rei vai morrer muito em breve.
— Você não deveria dizer algo dessa natureza. Só Deus sabe uma coisa dessas. — Justina rispidamente retrucou antes de pensar. Um olhar mortal passou pelos olhos de Biddeford. 

— Você se despediu de seus sentidos, minha senhora?
 


Série English Tudor
1 - Sedução Imprópria
2 - Meu Querido Highlander
3-Prazeres Inesperados
Série concluída



20 de março de 2019

Uma Dama em tentação

Série Irmãs Donovan
O Capitão William Langley conhecia bem o oceano, mas nada poderia prepará-lo para o que descobriu à deriva no frio Mar da Irlanda. 

O pequeno barco transportava dois passageiros: uma criança e Meg Donovan – o amor há muito perdido de Will. O desaparecimento de Meg no mar, oito anos atrás, foi um golpe devastador. Agora ela está de volta, tão bonita como sempre, e com segredos tão profundos como os de Will.
Depois de anos mantida em cativeiro por um pirata de sangue frio, Meg finalmente escapou com o pequeno Jake, o garoto que ela passou a amar como se fosse dela. Porém, o pirata quer vingança – e Meg deve fazer o que for preciso para proteger Jake da loucura daquele homem. Determinado a não perder Meg novamente, Will promete protegê-los, mas Meg não quer arriscar-se a colocar o único homem que ela já amou em perigo. Com a ameaça a sua segurança crescendo e sua paixão por Will ficando mais forte a cada dia, render-se pode ser um prazer tentador demais para resistir.

Capítulo Um

William Langley olhou por cima da proa de seu navio, o Liberdade, para a superfície cinzenta ondulante do oceano. Embora as águas finalmente tivessem se acalmado, uma mancha de espuma cobria tudo e metade de sua tripulação ainda estava roncando em seus beliches, exaustos do esforço de manter o navio flutuando durante a tempestade da noite anterior.
Will correu os dedos pelas gotas frias de água ao longo da borda superior da amurada. Provavelmente levaria um mês antes de secarem, mas não havia sinais de desgaste. Agora poderia voltar para a tarefa que tinha em mãos – procurar contrabandistas ao longo das Western Approaches.
Na manhã quase sem vento, o Liberdade deslocava-se na direção leste. Estavam a meio caminho entre Penzance e a costa irlandesa, embora a tempestade certamente os tivesse desviado do curso, e não conseguiriam uma leitura precisa de sua posição até que o céu clareasse. Só Deus sabia quando isto seria. Nesse ínterim, ele os manteria em direção ao leste, em direção à Inglaterra, para que pudessem patrulhar as águas mais perto da costa.
― Ele portou-se bem, não é?
Will olhou por cima do ombro para ver seu primeiro imediato, David Briggs, aproximando-se do convés de estibordo, recém-barbeado e calmo, muito longe de seu comportamento atormentado da noite anterior.
Will sorriu.
― Sim, de fato.
O Liberdade era uma escuna americana recém-construída, equipada com velas triangulares no estilo das Bermudas, uma visão raramente vista entre os veleiros, e cortadores de plataformas quadradas[2], comuns neste lado do Atlântico. Mas era uma escuna rápida e elegante – perfeita para o trabalho para o qual tinha sido designada a executar. E resistente, como provara por sua resposta corajosa à tempestade da noite passada.
Era, acima de tudo, dele. Will era dono de uma frota de navios capitaneada por vários homens envolvidos em seu negócio de importação, mas, antes mesmo que as primeiras tábuas fossem unidas, o Liberdade era dele. 
Três anos atrás, ele enviou seus projetos cuidadosamente elaborados para Massachusetts, com instruções detalhadas sobre como deveria ser construído. E, agora, a cada passo ao longo das tábuas brilhantes de seu convés, sentia-se duplamente orgulhoso: por sua criação e por sua propriedade.
A única área em que Will havia abandonado o controle do Liberdade estava no batismo do navio. O nome que ele queria era óbvio demais. Isso levantaria muitas sobrancelhas sorridentes na sociedade londrina. Até mesmo seus melhores amigos no mundo – o Conde de Stratford e sua esposa, Meg – franziriam a testa e questionariam sua sanidade, se tivesse dado ao navio o nome que seu coração e sua alma pediam.
Então, ao invés de Lady Meg, concordou com o nome sugerido pelo estaleiro americano – provavelmente como uma piada, já que sabiam perfeitamente que ele era um inglês consumado. Liberdade. Parecia que tudo o que os americanos criavam envolvia suas noções de liberdade ou orgulho nacional. No entanto, surpreendendo-se, Will descobrira que não se opunha ao nome. Para ele, esse navio representava a liberdade.
Estar aqui de novo, em mar aberto, nesta beleza de navio e cercado por sua tripulação resistente – tudo isso era libertador. Os laços que havia em torno de seu coração nos últimos dois anos, cada vez mais apertados, sufocando-o até ter certeza de que ele estouraria, estavam lentamente se desfazendo.
Aqui fora, pelo menos, podia respirar.
Olhou para Briggs, que estava esfregando a mão sobre os olhos.
― Dormiu bem?
― Como os mortos.
― Você deveria ter dormido mais.
Briggs ergueu uma sobrancelha para ele, fazendo com que a irritada cicatriz vermelha, que atravessava sua testa, se franzisse.
― Eu poderia dizer o mesmo a você, Capitão.
Will riu.
― Touché.








Série Irmãs Donovan
1 - Confissões de uma Noiva Inadequada
1.5 - Uma Noite Perversa
2 - Segredos Acidentais de uma Duquesa
3 - Uma Dama em tentação
Série concluída





Inocência e Perfídia

Uma mulher inocente e um homem pérfido, mais um homem traiçoeiro.

Está claro que apenas um dos dois poderá ser resgatado do halo de maledicência que o envolve; está claro que a mulher só elegerá a um dos dois. Então, o terceiro cai da equação. Antes, porém, ele vai fazer todo o possível para ficar.
Caroline Barton vivia uma vida simples no campo inglês, em um povoado que aparentemente não se deu conta de que estavam no tumultuado início do século XIX. Ela não conhecia o mundo e o único indício que tinha de um vínculo amoroso era o de sua irmã Rachel, que se casou por amor. Caroline desconhecia, então, o quanto eram raras tais uniões. Quando Rachel estava prestes a dar à luz, a irmã mais nova mudou-se para acompanhá-la, saindo, assim, pela primeira vez, da redoma idílica em que vivia.
Em casa da irmã, conhecerá ao pérfido Sr. Diggory, que a persegue com intenções que ela rejeita. A inexperiência fará com que Caroline escolha, em vez dele, ao Sr. Knoxville, um homem cuja reputação é digna de ser mencionada apenas em tablóides sensacionalistas e a quem ela acredita que pode salvar por meio de afeto. Diggory, pérfido por fim, fará de tudo para separá-los. E vai ter sucesso, mesmo que apenas por pouco tempo.


Capítulo Um

Inglaterra, 1819. Lambshire County.
O inverno esticava com elegante languidez seus gelados braços sobre o campo, surpreendendo e entorpecendo a vida aletargada de seus moradores sob a translúcida túnica de pesados nevoeiros matinais. Após as recentes nevadas, que, sem dúvida, haviam sido as mais abundantes dos últimos anos, o sol havia voltado a aparecer timidamente em um céu saturado de nuvens, e o influxo de seus fracos raios facilitava que o denso manto esbranquiçado fosse desaparecendo pouco a pouco, para dar lugar a um verde revigorado e cheio de vida. 
As aves de novo se aventuravam a sair de seus abrigos improvisados para entoar felizes canções nos ramos desnudos das árvores, trazendo um pouco de vida àquela linda paisagem, ainda dormente sob o torpor de um frio inverno. Os rebanhos dispersos voltavam a decorar os campos com inúmeras manchas esbranquiçadas e roucos balidos arrulhadores, apesar de que um grosso véu acinzentado embaçava a vívida imagem com o incessante lacrimejamento da abóbada celeste.
Barton Cottage também permanecia atolado na placidez habitual da existência de seus habitantes, alterada apenas ocasionalmente pelos nervos agitados da Sra Barton e suas idéias absurdas.
Fazia seis anos que Rachel Barton, a filha mais velha, tinha deixado a antiga casa paroquial para formar seu próprio lar em Hardshire, um lugar situado mais de cem milhas do pequeno e arborizado condado. 
Quando a Sra Barton conseguiu superar o orgulho insuportável de saber sua filha mais velha esplendidamente casada com um dos homens mais influentes do reino e começaram a aparecer em sua mente os primeiros sintomas que acompanham a saudade e tédio, a pequena Caroline tinha já dezoito anos. Alegremente descobriu a senhora o quanto era agradável ter uma filha com idade suficiente para ser cortejada e, desta vez, com influências proveitosas que garantem um bom casamento.
Certamente, Caroline Barton havia se tornado uma jovem bela e de belo comportamento. Preservava da infância a abundante cascata de cachos louros sobre a cabeça cheia e sensata e a temperança de enormes olhos azuis frisados em um rosto extremamente pálido. 
Caroline não era como sua irmã. Nunca tinha sido. Por suas veias não corria o sangue fervente de cabeças sonhadoras e fantasiosas, mas seu caráter professava uma inclinação mais suave para a música e a pintura.
Excessivamente introvertida e com uma predisposição para a melancolia, a senhorita Barton tinha erguido um pequeno muro ao seu redor, atrás do qual se refugiava, de forma que mantinha intactas em sua mente as belas e agradáveis memórias do passado e alimentava com elas uma nostalgia crescente. 
Certamente que tinha sido duro crescer longe da influência de sua sempre otimista e enérgica irmã mais velha, sua melhor amiga e confidente, e perder os momentos íntimos de cumplicidade criados entre elas. Também tinha sido uma pequena amargura dizer adeus a George, seu único irmão, que, poucos meses após o casamento de Rachel, tinha assumido seu novo trabalho como pastor em um condado próximo.
Sozinha, entre aquelas paredes velhas e desalinhadas, com a única companhia de seus pais idosos e sobrevivendo dia a dia ao estupor decorrente da vida cotidiana, Caroline tentava escapar do mundo sentada ao velho pianoforte, tocando os acordes mais tristes.
No entanto, ninguém parecia notar o ostracismo em que havia submergido, pois seu caráter gentil e sempre moderado poderia levar a confusão caso se associasse erroneamente sua crescente melancolia com timidez.
Longos momentos sentada diante da janela com a vista perdida na distância enquanto esboçava com carvão fino os traços de uma paisagem inspiradora ocupava muitas vezes suas tardes, enquanto na sala de chá ao lado a velha senhora Barton imaginava com as vizinhas novos caminhos por que orientar sua delicada e distraída filha.
― Rachel era uma criatura imprudente e pouco dada a civilidade e, apesar disso, fez um casamento vantajoso. Sem dúvida a minha pequena Caroline vai se casar tão bem ou até melhor do que a irmã. Ela sempre foi uma menina muito brilhante e inteligente e de natureza mais dócil e tranquila do que a da irmã.
― Nenhuma dúvida sobre isso, Sra Barton, a pequena Caroline é uma criatura mais disciplinada e dócil do que sua irmã mais velha.
― E além disso, mais bonita. Você já reparou na palidez romântica do seu rosto?
Caroline sacudiu a cabeça com resignação quando chegou a seus ouvidos o vago rumor das ocorrências de sua mãe junto com o riso das comadres.
Nunca tinha pensado em se casar, nunca tinha sentido a necessidade de embarcar em uma viagem romântica que, sem dúvida, traria mudanças grandes e desagradáveis em sua vida tranquila. Sempre pensou que as histórias que Rachel lia para ela, sobre cavaleiros capazes de atravessar o mundo em busca de sua senhora, eram por demais erradas e imprudentes e que definhar por amor na época em que vivia era pouco menos do que uma absurda utopia.



18 de março de 2019

Rivais de dia, Amantes à noite

Série Londres
Uma promessa que ele romperá por causa do amor... 

Um amor pelo qual ela arriscará a vida... Bárbara Ross, depois da morte de seu único parente, vê-se obrigada a viajar de Edimburgo para Londres para ficar a cargo do tutor eleito por seu tio. Não sabe nada desse sujeito, salvo seu nome: Alan Chambers, visconde de Maine. Imagina que será um cavalheiro de idade avançada, como era seu tio, mas Maine não é, nem por indício, o que a moça espera encontrar. Alan Chambers, segundo filho do duque de Hatfield, aceitou a tutoria pela amizade que o unia a Thomas Ross, esperando ter como pupila uma menina. Tampouco imagina que vai encontrar-se com uma mulher em idade de casar-se. A atração que sente por ela desde o primeiro momento vai deixarlhe as coisas muito difíceis, sobretudo porque jurou não permitir que nenhuma mulher domine sua vida... como aconteceu ao seu pai. Uma antiga afronta e o doentio desejo de vingança de um homem unido à cobiça de possuir uma famosa esmeralda, propriedade de Bárbara, farão com que suas vidas fiquem em perigo e que ponham à prova a força de seu amor.

Capítulo Um

Inglaterra. 1818 
«Um condenado tutor!!», pensou zangada. Um fino filme de água empapava caminhos e prados, e o céu estava coberto de nuvens cinzentas. A carruagem passou por cima de um grande buraco, uma das rodas se obstruiu e a cabine se inclinou perigosamente, fazendo com que o cocheiro amaldiçoasse entredentes e a moça que ocupava o veículo golpeasse um ombro contra a porta. 
Abriu a cortina ao ver que paravam e escutou ao fundo as injúrias ásperas do seu cocheiro contra os objetos. Viu-o caminhar junto à roda, de joelhos sobre o barro, jorrando água de seu capote e de seu chapéu, que mal o protegiam da chuva. 
— O que aconteceu, senhor McBain? — Se chegarmos à cidade com esta roda, vai ser um milagre, senhorita. Tentarei remediar para ver se aguenta. Feche a cortina, cada vez chove com mais força. 
— Posso ajudá-lo em algo? A risada do sujeito chegou até ela amortecida pelo ruído da água que repicava sobre o teto do veículo. 
— Não, senhorita, mas agradeço o gesto. Bárbara fechou, recostando-se de novo no assento. Desde que saíram de Edimburgo não tinha tido senão problemas. Na realidade, desde que ocorreu a Thomas Ross morrer deixando-a imersa na incerteza e na dor.
Porque, apesar de ter sido um homem severo, de férreos costumes, que nunca lhe dispensou muitas amostras de afeto, ela o amou. Órfã desde menina, tinha-a acolhido, dando-lhe a melhor educação e sendo para ela o único pai que conheceu. 
A vida não era justa. Pelo menos para ela, parecia querer tirar-lhe sempre o que mais amava. Primeiro seus pais, logo seu tio… ele não tinha tido nenhuma doeça, nem sequer um resfriado, e ela continuava a estranhar a sua repentina morte. Encontraramno na biblioteca, com um livro nas mãos, como se dormisse. O médico disse que seu coração não quis continuar a pulsar. 
Voltava a ficar sozinha. Recriminava-se pelo abominável sentimento de efêmera liberdade que, por escassos segundos, embargou-a ao saber do seu falecimento. Tinha sido um instante, mas se arrependia: parecia-lhe repugnante e a denegria como pessoa. Apesar de envergonhar-se, confessou à sua velha dama de companhia, Cliona, com a qual não tinha segredos. 
— Não há nada de mal em que, por um instante, tenha se sentido aliviada.




Série Londres
01 - Rivais de dia, Amantes à noite
1.5- - Lili, a intrepida filha do duque
2- Odeia-me de dia Ama-me de noite
3- Dias de ira, noites de paixão
Série Concluída


13 de março de 2019

O Presente de Natal

Série Crônicas do Relógio de Bolso

Diante de um ninho vazio, e com o coração partido, é dada a Anita Lewis a oportunidade de experimentar o natal em outra época, com a ajuda de uma velha senhora misteriosa e um relógio de bolso.

O presente que ela recebe é inestimável quando ela redescobre a magia do Natal no passado.



Capítulo Um

Terça-feira, 23 dezembro, 2008
Nona Bay, Florida.

Anita Lewis estava quase terminando de fazer os cookies. Fizera o favorito para todos. Seu marido, Jim, amava as de noz-pecã. Katy, sua filha, gostava dos cookies de manteiga de amendoim. Seu filho, Jack, era um fã das geleias com impressões digitais, desde que ele era um bebê. Sua esposa adorava as barras de caramelo de Anita. E todos queriam os cookies com gotas de chocolate. Anita estava tirando a última bandeja de cookies de açúcar, seu favorito, do forno, quando o telefone tocou. A voz automatizada do identificador de chamadas anunciou: Katy Lewis.
Ela sorriu, colocou a bandeja de cookies em um tripé para esfriar, desligou o forno e atendeu o telefone.
― Oi, Katy, o que foi?
― Oi, mãe.
― Você já fez as malas e está pronta? Eu não posso esperar para vê-la esta noite.
― Bem, eu estou com malas prontas, mas eu tenho uma pergunta para você.
― Atire.
― Em uma escala de um a dez, onde um é Publix ficando sem berinjelas…
― Eu odeio berinjela.
― Eu sei, mãe. Essa é a questão.
Ela riu.
― Desculpe, continue.
― Ok, então em uma escala de um a dez, onde um é Publix ficando sem berinjelas e dez é a Coréia do Norte acabando de bombardear Nova York, quão triste você ficaria por eu atrasar meu voo?
Anita fez uma careta.
― Até amanhã? Você sabe o trânsito na véspera de Natal pode ser um pouco louco. Quanto mais cedo você chegar aqui, melhor.
― Hum... eu também não estaria voando amanhã. Provavelmente na noite de dia de Natal, ou no dia seguinte, o mais tardar.
Anita ficou em silêncio por um momento.
Nove! Nessa escala é um nove.
― Eu preferiria que você voasse hoje à noite. Sabe, Jack e sua família não estará aqui até o dia de Natal. ― Era o primeiro Natal desde que nasceram que um de seus filhos não iria estar em casa na véspera de Natal.
Jack tinha deixado cair à bomba em novembro.
― Mãe, você sabe que Erica e eu vamos para aí todo o Natal desde que nos casamos. Os Hales nunca reclamam, mas eu sei que os incomoda.
― Por que deveria incomodá-los? Você vive há dez minutos. Eles podem ver a sua filha e netas praticamente a qualquer hora. Eles têm todos os aniversários, Páscoa, Ação de Graças, Dia das Bruxas, todas as férias. Você não pode vir aqui a qualquer momento.
― Eu sei mãe, e nós vamos. É só, eu pensei que ia voar no dia de Natal. É apenas um dia depois. Dessa forma, podemos comemorar com ambas as famílias. Além disso, a passagem aérea é um pouco mais barata no dia de Natal do que é na véspera de Natal. Também será muito mais fácil não ter que transportar todos os presentes do Papai Noel e os nossos presentes de um para o outro, só para ter que trazê-los e ainda mais, de volta para cá.
Era certamente uma verdade. Anita não ficara feliz com isso, mas era apenas um dia mais tarde. Todos teriam o jantar de Natal juntos. É que ela amava mais a véspera de Natal. Eles tinham tradições. Ela havia se consolado com o fato de que, ao menos, Katy estaria aqui.
Agora parecia que ela não estaria ali até o vigésimo sexto dia.
― Por que você tem que adiar seu voo, Katy?
― Eu não tenho, mãe. Eu estou apenas considerando-o.
― Mas, por quê?
― É Tony. Tivemos uma briga muito feia há alguns dias.
Por tudo que era santo, se ela estava prestes a dizer que queria passar o Natal com o namorado, Anita iria explodir em lágrimas.
― Sinto muito por ouvir isso, mas eu não vejo o que isso tem a ver com você pegar seu voo de hoje.
― Mãe, nas últimas semanas ele tem falado sobre o futuro. Você sabe, coisas como comprar uma casa em uma área agradável com boas escolas. Como estivéssemos planejando nos casar e ter filhos.
― Mas ele não lhe pediu para casar com ele.
― É exatamente isso. Ele me pediu na sexta-feira à noite.








Série Crônicas do Relógio de Bolso
1 - O Relógio de Bolso
2- A Parteira
3- Assim que te encontrar novamente
3.5- O Presente de Natal
4- A Escolha

12 de março de 2019

Minha adorável Elizabeth

A diferença de classes, ciúmes, uma mãe manipuladora e uma suposta traição abalarão o romance apaixonado que os protagonistas deste romance vivem.

Elizabeth Sommington é a filha do mordomo de Colchester. Graças à apreciação que o falecido aristocrata professava a sua família pôde estudar em uma escola de prestígio para moças. Agora ela retorna como uma linda mulher para ser a governanta do filho do conde atual, de quem ela mal se lembra de sua infância. A atração entre Lord Vincent e Elizabeth é imediata, mas por diferentes razões, ambos lutam contra ela sem conseguir superá-la. Será que eles finalmente conseguirão resolver as dúvidas e a desconfiança que ambos sentem? 

Capítulo Um

Vincent Pridetong, conde do Colchester, apertou ligeiramente a mão de seu filho; este olhava com os olhos muito abertos como jogavam terra sobre o ataúde de sua mãe, sem saber o que estava acontecendo. Vincent tragou saliva e fechou os olhos por um momento, afligido pelo pesar. 
Sua esposa tinha sucumbido à escarlatina e ele não sabia como iria explicar sua morte ao filho. Christine tinha sido uma mãe dedicada e carinhosa, sem dúvida alguma sua ausência seria muito dura para o pequeno Charles aguentar. Nesse momento sentiu sobre ele os olhares dos que assistiam ao enterro, e até mesmo os soluços de sua sogra pareciam ter se interrompido. 
Levantou a vista do implacável buraco que parecia querer absorvê-lo e deu de cara com o olhar penetrante de sua mãe; esta fez um leve gesto, e então reparou na rosa amarela que apertava em sua mão direita. As rosas amarelas tinham sido as preferidas de Christine e recordar esse pequeno detalhe fez com que uma pontada de dor atravessasse seu peito, surpreendendo-o por sua intensidade. 
Apertando a mandíbula e largando com suavidade os dedos de seu filho, enroscados nos seus, aproximou-se até a borda sob o olhar compassivo dos presentes e, depois de beijar as aveludadas pétalas, jogou a rosa sobre o escuro ataúde. O coveiro continuou jogando pás de terra enquanto ele permanecia impassível, observando como o ataúde ia desaparecendo da vista, engolido pelo manto de terra. 
Não se deu conta de que os assistentes começavam a se afastar, tão pouco foi consciente de que a senhora Sommington pegava Charles e o afastava do sombrio cenário, nem sequer pareceu reparar nas grossas e frias gotas de chuva que começaram a cair cada vez com maior intensidade. Algumas horas mais tarde, e após ter tomado um longo banho quente, parecia ter saído de seu estupor. 
Sentado na biblioteca, na poltrona preferida de seu pai, vestido com comodidade e com uma generosa taça de brandy nas mãos se sentia com a serenidade suficiente para pensar no futuro que se apresentava ante ele. A entrada de sua mãe provocou nele uma leve careta de contrariedade. 
— Sirva-me uma taça. Vincent deu um longo gole em sua taça antes de levantar-se e fazer o que sua mãe lhe pediu. A condessa sentou-se em um divã frente à poltrona que tinha ocupado seu filho, deu um gole à taça que este lhe tinha preparado e em seguida o olhou fixamente, cravando seus olhos verde azeitona no rosto pálido de seu único filho.
—O que o preocupa? — Vincent esboçou um sorriso malicioso ao ouvir a pergunta. 
—Acabo de perder a minha esposa e o que é ainda pior, meu filho perdeu a sua mãe, realmente tenho que explicar o que me preocupa? Sua mãe ignorou o sarcasmo e Vincent se deu conta de que sempre tinha invejado a capacidade para abstrair-se de tudo aquilo que pudesse importunála. Aos seus sessenta e sete anos, a condessa viúva mantinha um físico invejável; alta e magra, cabelo acinzentados, olhos e pele azeitonada, parecia tão firme como uma colina. Vincent não recordava tê-la visto perder a compostura jamais, nem sequer depois da morte de seu pai. 
—Encontrará outra esposa logo. É o conde de Colchester e se por acaso isto não for suficiente, parece que as mulheres gostam bastante de você. 
—Não tenho a menor intenção de voltar a me casar.
—Oh, vamos! Isso diz agora porque acaba de enterrar Christine, em poucos meses mudará de ideia. Vincent apertou a mandíbula e se obrigou a contar até dez antes de responder. 
—Não necessito de uma esposa, já tenho um herdeiro. 
—Um herdeiro é pouco…

11 de março de 2019

Somente Você

Série Oeste I
Eve Starr está sozinha no mundo. 

A família que a acolheu quando era uma menina, foi brutalmente assassinada por alguns foragidos que procuravam um mapa que conduzia a uma mina de ouro. Desesperada, encontrou a maneira de se vingar dos dois assassinos e de recuperar o mapa em uma mesa de pôquer. E, sem nada mais para apostar exceto sua inocência, a bonita e experiente jogadora reparte a mão ganhadora com um atraente e perigoso pistoleiro chamado Reno e alheio a todo o ocorrido, que entrara na partida atraído apenas pela beleza da jovem. Quando a requintada tentação cujo corpo ganhara nas cartas foge com o restante de seus lucros, Matthew Reno Moran jura persegui-la e prendê-la, decidido a reclamar tudo o que é seu por direito... incluindo a temperamental mulher a quem ele não se atreve a amar..., mas a quem deseja com toda sua alma. O que não suspeita é que seu destino será unir forças com a fugitiva em uma azarada procura pelo ouro escondido, na qual Eve se apaixonará sem solução pelo duro pistoleiro. 

Capítulo Um

Canyon City, Colorado Final do verão de 1867 
Sem dinheiro, sem sorte, sozinha e assustada, a jovem a qual todos conheciam como Evening Starr fez a única coisa que lhe ocorreu para conseguir continuar jogando pôquer. Apostou a si mesma. Mas, primeiro, Eve embaralhou as cartas com deslumbrante velocidade, dispondo sutilmente as cartas tal como Donna Lyon lhe ensinara. Enquanto o fazia, tentou não olhar para o bonito forasteiro de cabelos escuros que se sentara em sua mesa sem aviso prévio. Seu aspecto de homem duro e inflexível era inquietante. Com foragidos como Raleigh King e Jericho Slater, qualquer mulher já teria o suficiente. Não precisava de um estranho com um físico imponente que fizesse tremer suas mãos doloridas. Eve respirou secretamente para relaxar e disse com voz controlada: 
— Mão de cinco cartas. Quais são as apostas iniciais? 
— Um momento, jovenzinha. — Raleigh protestou. — Está sem banca. Onde está sua aposta? 
— Aqui sentada. 
— Como? 
— Eu sou a aposta, senhor King. 
— Está apostando a você mesma? — Perguntou o foragido incrédulo. Reno Moran não precisou perguntar. Já havia lido a determinação na postura feminina quando se sentou e pegou suas cartas. Na verdade, fora a combinação do brilho tranquilo de seus olhos e os lábios levemente trêmulos que o haviam atraído do outro extremo da sala. Qualquer coisa que acontecesse, sabia que a mulher que estava à sua frente falava muito seriamente. 
— Sim. — Eve olhou as joias e as moedas sobre a mesa em frente a cada um de seus oponentes na partida e acrescentou: — Valho tanto quanto qualquer coisa que esteja em jogo neste momento. Após dizer aquilo, deu um brilhante sorriso sem sombra de humor e continuou embaralhando. 
O silêncio se estendeu da mesa de pôquer a todo o salão, seguido quase no instante por uma avalanche de sussurros quando os que observavam a partida começaram a perguntar uns aos outros se tinham ouvido bem. Os murmúrios indicaram a Reno que muitos deles desejaram a jovem, mas que nenhum havia conseguido. Um cínico sorriso alterou a fina linha que seus lábios perfeitamente cinzelados traçavam. Não havia nada diferente naquela jogada em particular. 
Com curiosidade, Reno passeou o olhar das mãos que embaralhavam as cartas, para o rosto da mulher que havia posto em jogo seu próprio corpo. No interior do escuro salão, seus olhos haviam adquirido uma estranha cor âmbar que contrastava com a luz do lampião que se refletia em seus cabelos castanhos avermelhados. 
O corte de seu vestido era bastante recatado, mas estava confeccionado com uma seda vermelha para deixar um homem interrogando como seria desabotoar todos os reluzentes botões negros que mantinham a peça em seu lugar, e acariciar a sedosa pele que havia sob o tecido. 
A direção que seus pensamentos tomavam irritou Reno. Se passaram muitos anos desde que ele fora provocado e enganado por uma das melhores professoras da arte da sedução que as mulheres utilizavam. E se alguma coisa ficara bem clara para ele, era que nunca mais deixaria aquilo voltar a acontecer. Olhando para Reno, Slater remexeu as pérolas e as moedas de ouro que acabara de ganhar de Eve. 
— Imagino que isto se igualará ao seu anel, — espetou — e vale muito mais que esse seu diário. — Acrescentou, dirigindo-se a Raleigh. 
— Não sabe o que diz!








Série Oeste I


9 de março de 2019

Série Família Sherbrook

11-O Príncipe de Ravenscar

Perto de Saint Osyth Na costa sul da Inglaterra
Março 1831
A noite estava tão negra como os sonhos do diabo, nem mesmo o fantasma de uma lua, e nem uma única estrela para perfurar através das espessas nuvens de chuva. Era uma noite perfeita.

Julian tinha amarrado seu cavalo castrado, Cannon, a um ramo magro de um carvalho curvado solitário e fez o seu caminho cuidadosamente para baixo no caminho sinuoso, íngreme e estreito para a enseada escondida. Uma caminhada que ele tinha feito inúmeras vezes nos anos antes de ele deixar a Inglaterra. Era bom estar de volta. Ele bateu os braços contra o frio, o vento saindo do canal e batendo contra seu casaco grosso, para aquecer a seus ossos. Quando ele finalmente chegou à saliência sombreada no penhasco, ele acendeu a lâmpada e ergueu-a, balançou três vezes, um sinal que ele próprio tinha estabelecido muitos anos antes.


10- A Filha do Feiticeiro
Quando Ryder Sherbrooke encontra uma criança espancada quase até à morte em um beco em Eastbourne, ele a levou à casa de Brandon. 

Ela não falou durante seis meses. Suas primeiras palavras, curiosamente, foram uma canção aterradora: Eu sonho com beleza e noites escuras Eu sonho com força e poder febril Eu sonho que não estou sozinha outra vez Mas, eu sei de sua morte e do seu pecado grave. Ah, e o que representaria esta música estranha que, aparentemente, foi impressa no cérebro da criança? Ela se denomina Rosalind de la Fontaine... uma vez que não se lembra quem é. Em sua primeira temporada em Londres, em 1835, sob a égide da Sherbrookes, ela conhece Nicholas Vail, o 7º Conde de Mountjoy, recém-chegado de Macau. Acontece uma fascinação instantânea de ambas as partes, mas por razões diferentes. Com Grayson Sherbrooke, eles são levados até uma cópia antiga de um misterioso livro escrito por um feiticeiro do século XVI. O livro é escrito em um código desconsertante que nem Grayson, nem Nicholas, conseguem ler. Mas Rosalind consegue fazer isso, sem problemas. Coisas estranhas começam a acontecer. Tanto Nicholas quanto Rosalind sabem que aquelas coisas estão relacionadas com o livro antigo e, talvez, até mesmo com o passado dela, particularmente com a música que ela cantou, pela primeira vez, como uma criança. A urgência cresce quando eles percebem que Rosalind é a chave para um mistério secular.

9- Portão de Lyon
Cinco anos após Jason Sherbrooke trocar a Inglaterra por Baltimore e os Wyndhams (The Valentine Legacy), maiores vencedores em corridas de cavalo da região, acordou certa manhã com o rosto feio de Horace, o pug de sua amante, olhando para ele, e soube que era hora de ir para casa.

Jason quer criar cavalos de corrida, principalmente o seu próprio puro sangue, Dodger, que é mais rápido do que um batedor de carteiras de Baltimore. Quando seu irmão gêmeo, James, o leva para Lyon's Gate, uma antiga e renomada fazenda de cavalos de corrida, perto da casa de sua família, Jason sabe, do fundo de sua alma, que quer essa propriedade mais do que qualquer coisa. Infelizmente, Hallie Carrick (Night Storm) quer Lyon's Gate tanto quanto Jason, e ela está totalmente preparada para lutar de forma desonesta contra ele para obtê-la. Agora a vida e o destino metem uma mão, e os dois se veem envolvidos com algo totalmente inesperado.








Série Família Sherbrook

6 de março de 2019

Se eu tivesse um Duque

Série Os Duques Desgraçados
Depois de três temporadas fracassadas e uma desastrosa rejeição, Lady Dorothea Beaumont estava mais do que farta com as intrigas da família. 

Ela não domaria um Duque nem enredaria um Conde nem mesmo disputaria um Visconde. Ela sairá discretamente para casa da sua tia, na Irlanda, em direção a uma vida de liberdade e felicidade. Até que um duque arrogante e pecaminosamente atraente a arrastou para uma valsa, tornando Thea a beldade mais popular da temporada.
O Duque arruinou os seus planos e agora ele terá que ajudá–la a consertá-los. Dalton, Duque de Osborne, não suporta debutantes ou casamento, ele usa galanteios e escândalos para esconder o seu verdadeiro objetivo: encontrar o homem que destruiu a sua família. Quando a sua busca o conduz para a Irlanda, a última coisa de que ele precisa é da determinada e dolorosamente inocente Thea, que chega pela calada da noite, exigindo que ele a acompanhe até à casa da tia. Seu tolo acordo poderá ser a sua ruína. 
O caminho para a Ilha Esmeralda está cheio de perigos imprevistos, mas o maior perigo de todos talvez seja ele descobrir que tem um coração…e que está perdendo este coração para Thea.

Capítulo Um

Londres, Primavera de 1819
Thea tinha cometido um erro de dimensões épicas. Um erro alto, de ombros largos, do tamanho de um Duque. Sua coragem era indômita desde que na distância segura do seu tinteiro e do seu papel de carta. Ela planejava se aproximar do Duque de Osborne no primeiro baile da temporada, espalhar a sua comitiva de mulheres deslumbrantes com um olhar severo e dizer algo brilhantemente persuasivo e profissional.
Alguma coisa do tipo: Vossa Graça, esconder as pinturas perdidas de Artemísia no seu sótão é como se o General Hutchinson abandonasse a Pedra de Rosetta às forças de Napoleão no Egito.
Bem, talvez isso fosse um pouco dramático, mas serviria para demonstrar seu ponto de vista. Derrubar esta primeira peça de marfim do dominó e o resto da formação iria atrás. E antes que ela percebesse estaria de volta à Irlanda, livre para ser finalmente imperfeita.
Mas esta primeira peça... Claro que ela observou Osborne durante as suas duas primeiras temporadas, quando ele ainda era o Marquês de Dalton. Mas esta noite era diferente. Esta noite ela precisava de algo dele. E ele era tão grande. Tão poderoso e másculo.
Uma dama podia sentir toda aquela masculinidade do outro lado de um salão de baile sombrio. Ele não andava, marchava. Ele não corria, galopava. E quando ele queria alguma coisa, ela estava à mão para ser pega.  Ele não seria facilmente convencido. Até a sua gravata tinha um ar desafiador de displicência que fazia com que os outros cavalheiros parecessem estar presos por suas gravatas enquanto ele vagueava livre.
Os candelabros sibilavam lá em cima. O perfume açucarado de licor de amêndoa desencadeou uma onda do velho pânico familiar na sua barriga e o peso das pérolas que sua criada tinha trançado em seus cachos encheu-se com a promessa duma dor de cabeça.
— Lady Dorothea, por favor — Lady Desmond abriu o leque com um estalo em frente do nariz de Thea. Thea pestanejou.
— Sim, mãe?
— Este constante vaguear simplesmente não vai dar resultados. Tem de pelo menos tentar parecer suficientemente transformada. Tenho de lembrá-la que esta é a sua última oportunidade de causar uma boa impressão?
Não havia nenhuma possibilidade que isso acontecesse. Ela estava gravada na mente dos membros da sociedade como a Desastrada Dorothea. O que era bastante conveniente quando se desejava permanecer como uma assustadiça donzela e entrar no grupo das solteironas.
— Está me ouvindo? — Perguntou Lady Desmond, estreitando os olhos azuis claros.
— Sim, mãe.
— Agora vou deixá-la sozinha um pouco para que os cavalheiros não se sintam…. Dissuadidos para convidá-la para dançar.
Deveriam estar aterrorizados e longe de tal ideia, isso era o mais provável. Thea tinha uma má reputação, mas a da mãe dela era atroz, uma vez que metade da sociedade suspeitava do embuste que ela tentara utilizar na sua infeliz tentativa de garantir um Duque como genro. Embora isso nunca tivesse sido provado.
— Tente sorrir quando um cavalheiro se aproximar. — Pediu Lady Desmond. — Parece que está num funeral.
De certo modo, ela estava. O último suspiro dos sonhos da mãe... E das perspectivas de casamento de Thea.
Para apressar a partida da mãe, Thea colou um sorriso brilhante no rosto. Se ela sorrisse mais um pouco, sua cabeça se partiria ao meio.
— E nem um pingo daquele risinho esta noite, ouviu? Nem um pio.
— Sim, mãe. — Ela estava fervilhando de frustração, mas absteve-se de uma réplica incisiva. Ela precisava que a mãe saísse para poder arranjar uma maneira de encurralar o Duque.
— Claro que a ouvi. Está bem do meu lado.
— Mesmo? — Respondeu Lady Desmond. — E pare de olhar para o Duque de Osborne. É extremamente inapropriado.
Thea sobressaltou-se com ar culpado.
— Não estou olhando para ele.
— Está praticamente babando, menina. — Lady Desmond bateu com o leque na palma da mão dela. — Admito que é agradável à vista, mas não é o nosso alvo. Foxford servirá perfeitamente, — disse. Lançou um olhar através do salão. — Ainda não chegou.
Thea suprimiu um calafrio. Foxford não iria servir.
Nem em um milhão de anos.
Ela tinha sido dócil e obediente a vida inteira. Exceto daquela vez. Na igreja. Mas ela não tinha nenhuma intenção de casar com um cavalheiro escolhido pela mãe.
O Duque de Osborne agora era o centro das atenções do salão de baile de Lady Thistlethwaite, com suas longas pernas ancorados no chão de mármore, como se fosse o mastro dum navio.
Viúvas usando vestidos de cetim com decotes arrojados, redopiavam à volta dele como ondas de espuma e as debutantes brilhando com juventude e otimismo lançavam olhares tímidos, enquanto as suas mães conspiravam para afastar o Duque da sua aversão ao casamento.
Em que é que ela estava pensando? Ela não podia encaminhar-se para um famigerado libertino. Cada olhar na sala estava cravado nele.
Ela só tinha de lhe escrever outra carta. Sim, era exatamente o que faria. Uma bela e segura carta na sua escrivaninha.
Vamos ver...








Série Os Duques Desgraçados
1 - Como o Duque foi Conquistado
2- Se eu tivesse um Duque
03- A Culpa é do Duque
Série concluída

5 de março de 2019

Um Lorde para mim

Série Nobres 
Lady Vitória Warwick esteve apaixonada pelo mesmo cavalheiro desde que soube o que era o amor, embora o cavalheiro em questão preferisse a sua irmã mais velha, apesar de havê-los visto se beijar. 

Lorde Sebastian Middlethorpe estava decidido a desfrutar de um par de anos mais de sua solteirice até que se deu conta de que certa dama se deu por vencida e não tinha em mente esperá-lo.



Capítulo Um

«Ontem pela manhã a igreja de Saint George, em Hanover Square, estava tão cheia de mães chorosas que esta cronista pensou que ia ser necessário um desalojamento urgente para evitar males maiores. 
O duque favorito das matronas se casou, não é de se estranhar tanta desolação maternal». Revista Segredos da Sociedade. 
O único motivo pelo qual Lady Vitória estava disposta a manter uma conversação educada com certo cavalheiro era porque se encontrava no casamento de sua irmã e o cavalheiro em questão acabava de converter-se no novo parente da protagonista: a noiva. Essa era uma circunstância para a qual não tinha escapatória. 
Por tudo isso, teve que fingir um sorriso e aceitar a taça que lhe oferecia Lorde Sebastian Middlethorpe. Não obstante, permitiu-se fantasiar jogando o conteudo da taça em seu rosto, partindo dali encantada. 
― Não acredito que o barão Shelton seja uma boa companhia para você e, posto isto, tampouco me parecem ser o visconde Bloomberg nem o duque de Chespeake ― comentou ele sem uma introdução prévia. 
― Desconhecia que soubesse tanto a respeito dos cavalheiros com os quais falo ― respondeu ela, negando-se a o olhar. Desde a tarde em que se encontrou com Sebastian de braço dado com sua amante, uma cantora de ópera italiana, proibiu-se de olhar ou falar com ele além do que ditava a boa educação. 
― É inevitável, frequentamos os mesmos lugares ― confessou sem afastar o olhar dela. 
― Nesse caso tem razão. Não são adequados para mim. Sebastian entrecerrou os olhos antes de perguntar. 
― Adequados? Planeja encontrar um marido nesta temporada? 
― Sim ― revelou sem comprometer-se com uma resposta mais elaborada. 
― Por que tanta pressa? Torie deixou de evitar seu olhar e deu a volta para o observar de frente. 
― Se tem que perguntar é porque não sabe nada da minha família. 
― Sua mãe ― aventurou ele. Conhecia de primeira mão o desejo da condessa de Berbrooke de casar suas filhas. Tinha sido amigo de Brianna durante quase toda sua vida, além de viver a escassos quilômetros da família do conde, por isso não era uma surpresa que Lady Warwick decidisse casar sua única filha solteira. ― Exato. 








Série Nobres 
1 - Um Duque para mim
2- Um Lorde para mim
3- Um Visconde para Mim

A grande surpresa do Duque

Amy está tentando escapar do constrangimento de ser tratada como uma tola. Ela está tentando remendar seu coração partido.

Timothy é um homem bonito e um amigo de seu irmão. Ela gosta dele, mas ele tem que deixar Londres para atender a negócios da família. Esse negócio de família vai mudar sua vida para melhor. Seu status e fortuna mudam drasticamente. Após um acidente, no entanto, ele precisa de algumas palavras de conforto e Amy lhe escreve sob o nome de seu irmão. As cartas continuam e ela começa a sentir por ele mais do que pensa que deveria. Quando volta a Londres, ele está sendo procurado pela arquirrival de Amy. Isso diz a Amy tudo o que ela precisa saber. Quando outro homem a corteja, ela decide que é hora de seguir em frente. Ela planeja uma vida diferente - uma vida de viagens e aventuras - mas este homem vai ajudá-la a escapar, mesmo sem saber que o está fazendo. 
Como pode uma mulher jovem ter tudo o que quer e muito mais? Talvez não seja possível. Mas talvez seja.

Capítulo Um

— Anime-se, irmãzinha. — Robert Clarke carinhosamente acariciou a mão de Amy depois de seu longo, arrastado suspiro. — Esta temporada promete ser muito mais emocionante com Timothy ao redor.
Amy removeu seu irmão mais velho para longe dela com um movimento do pulso. Ele a estava provocando. De novo.
— Eu não estou nem remotamente interessada na próxima temporada, Robert — disse ela com um aceno de cabeça. — Eu nunca estive. Eu nunca estarei.
Não era exatamente verdade, mas, e menos que ela tivesse que falar sobre a ton[1] e os abutres que circundavam a temporada, melhor.
Robert tinha acabado de informar a Amy que seu colega de escola estava na cidade para visitar, e iria ficar em Merrimont, a casa da família em Londres. Eles estariam todos juntos lá e participariam dos maiores eventos que a temporada tinha para oferecer.
— Eu não acredito em você — disse ele, não deixando isso pra lá. — Não há mais nada para fazer no campo, exceto assistir a chuva. Londres sempre tem divertidas distrações. Você logo estará feliz pela temporada.
— Distrações feitas para libertinos e tolos — Amy disse, pegando seu livro novamente e tentando se concentrar nas palavras a frente dela.
A primeira temporada de Amy havia sido no ano anterior e toda a experiência tinha sido tão ridícula e nada assombrosa como ela esperava que fosse. Sorte a dela, sua família possuir uma fortuna e um nome bom o suficiente para que ela ainda não precisasse tanto de um marido para resgatá-la. Ela não havia odiado completamente estar em Londres, uma vez que lhe proporcionou a oportunidade de trabalhar em seu plano de mestre.
Se Amy jogasse sua mão bem o suficiente, ela estaria livre para viajar e explorar além da Inglaterra, para a alegria do seu coração. Coisas triviais, como caçadoras de marido e combinar suas luvas com seus sapatos seriam uma memória distante.
— Você simplesmente não conheceu o suficiente de libertinos encantadores. — disse Robert com uma cara séria. — Eu planejo apresentar você para alguns deles, como um esforço para mantê-la longe das garras do tio Rupert um pouco mais.
Tio Rupert, o irmão mais novo de seu pai, tinha acumulado por conta própria um império e uma fortuna no comércio de produtos têxteis entre a França e a Inglaterra. Ele estava procurando expandir para o Oriente em breve. Tio Rupert, como seria, era exatamente a passagem para fora da sufocante sociedade londrina que Amy estava procurando.
As suposições originais de Amy sobre Timothy de La Fontaine, o amigo de seu irmão dos dias de Oxford, estiveram, em sua maioria, erradas. Ela admitiu este fato a contragosto, enquanto olhava as cartas em sua mão.
Ela atreveu um olhar para cima de seu convidado enquanto ele estava ocupado, e estudou o cabelo castanho escuro que pairava baixo, quase cruzando as sobrancelhas igualmente escuras. Seus olhos eram de um rico verde amarelado avelã, que era incomum. Amy poderia dizer honestamente que ela nunca tinha conhecido outro ser humano em todos os seus dezoito anos com olhos como os seus.
Aos vinte e três anos de idade, a mesma idade de Robert, Timothy conversava muito bem. Ele era mais do que capaz de manter conversas fascinantes que, Amy teve que admitir, iam além de lenços para coletes ou quais cães de caça eram melhores procriadores que outros. Nestas curtas semanas, Amy tinha vindo a descobrir que o amigo de seu irmão possuía mais conteúdo do que ela tinha originalmente esperado. Foi uma boa surpresa.
— Você mudou de ideia sobre o baile de amanhã, Senhorita Clarke? — Perguntou Timothy, levantando as sobrancelhas.
Amy tomou seu tempo para responder, certificando-se de terminar sua vez antes de encontrar seu olhar.
— Nem de leve, Sr. de La Fontaine — disse ela com um sorriso. — Eu ainda prefiro me sujar de esterco nos estábulos de meu pai em Gilchrist do que dar uma volta pela pista de dança do Lorde Cribbley, com algum de seus filhos.
Ao lado dela, Robert bufou e tentou segurar uma risada. Do outro lado de Amy, sua mãe arqueou uma sobrancelha como censura ao comentário da filha.
— Sua boca fugiu com ela mesma novamente, Amy — disse ela, em tom de aviso com um olhar aguçado em direção a Timothy.
Rápido na defesa de Amy, Timothy protestou.
— Eu lhe asseguro, não estou nem um pouco afetado pelo senso de humor da Senhorita Clarke — ele riu. — Acho que é encantador.

27 de fevereiro de 2019

Assim que te encontrar novamente

Série Crônicas do Relógio de Bolso

Elsie pensou que tinha encontrado o amor. 

O belo jovem menestrel despertou seu desejo e a música dele alimentou sua alma. Mas, bem quando o amor estava florescendo, o inconcebível aconteceu - Elsie acordou mais de setecentos anos no futuro, no corpo da Dra. Elizabeth Quinn. Gabriel Soldani pensou ter encontrado o amor várias vezes, apenas para que ele escapasse de seu alcance. 

Na escola de medicina ele tinha se apaixonado profundamente por Elizabeth Quinn, mas suas carreiras os levaram em diferentes direções. Quando seus caminhos se cruzam novamente, ele espera que tenham recebido outra chance. Há apenas um problema... a mulher que ele nunca esqueceu não se lembra dele. Uma vez que o amor é encontrado... e depois perdido... ele pode ser encontrado de novo?

Capítulo Um

New York University Hospital Center (NYUHC)
Sábado, 11 de fevereiro, 2006

Gabriel Soldani tinha trabalhado turnos de doze horas, durante sete noites seguidas, e ele tinha grandes planos hoje.
Dormir.
Talvez comprar uma pizza à noite e assistir um pouco dos Jogos Olímpicos de Inverno. Depois dormir um pouco mais. Ele tinha realizado parte de seu objetivo principal. Depois de voltar ao seu apartamento tarde naquela manhã, ele caiu na cama e dormiu a tarde toda. Ele só ficara acordado o tempo suficiente para tomar banho e ligar a televisão quando o Dr. Sweeny, o chefe da pediatria, ligou.
– Sinto muito interromper seus planos de sábado à noite. Ligue para o seu encontro e dê a ela as minhas desculpas, mas esta tempestade parece que vai ser ruim. Eu quero pessoal extra esta noite. Eu gostaria que você apoiasse a ala emergencial.
– Meu encontro? O único encontro que eu tenho é com o time sueco de hóquei olímpico feminino. Elas vão superar isso.
Seu chefe riu.
– Eu deveria apresentá-lo a minha sobrinha.
Gabe revirou os olhos.
– Você precisa entrar na fila atrás da minha mãe se quiser me arranjar um encontro.
– A Mama Soldani está ansiosa por netos?
– Isso é para dizer o mínimo.
– Bem, eu acho que é uma coisa boa você não ter um encontro de qualquer maneira. Ela estaria com raiva de ter que passar uma nevada noite de sábado sozinha.
– Sem dúvida. Mas há sempre sexo de reconciliação.
– Não deixe Mama Soldani ouvir você dizer isso.
– Não nesta vida.
Seu chefe riu.
– Quando você acha que pode chegar aqui?
– Dê-me cerca de quarenta e cinco minutos.
– Cristo, Gabe, você só vive a dez minutos daqui e isso é de caminhada.
– Eu preciso pegar uma coisa no caminho.
Ele adivinhou que o desejo de sua mãe de alimentar as pessoas tinha claramente passado para ele, porque o “algo” que ele precisava pegar era uma pilha de pizzas para o pessoal, de seu restaurante favorito – embora sua mãe teria conseguido preparar lasanha ou assado ziti1 em vez de comprar pizza. Ainda assim, seu coração tinha se fixado em pizza, e comida de fora do hospital era sempre recebida com euforia.
Esta noite não foi diferente.
Apesar das preocupações do Dr. Sweeny, estava estranhamente quieto. Não houvera um grande afluxo de pacientes pediátricos e quando Gabe chegou, Davis, o pediatra escalado para trabalhar, tinha as coisas bem sob controle. Gabe voltou a sala de lazer com uma fatia e assistiu um pouco da cobertura olímpica de qualquer maneira.
No entanto, algumas horas mais tarde, o mundo desabou. Houve uma enorme aglomeração no 495. Felizmente, nenhuma criança gravemente ferida tinha sido trazida até então, então Gabe prontificou-se a ajudar com outras vítimas quando ambulâncias chegaram.
Um técnico de emergência médica pulou para fora de uma ambulância e começou a fazer um relatório enquanto removia uma maca.
O paciente estava amarrado a uma prancha e usava um rígido colar cervical.
– Hey, Doc, noite louca. Temos uma mulher que não reage, em seus vinte e tantos anos, com um suposto ferimento na cabeça. Ela tem algum inchaço na parte de trás da cabeça, mas nenhum trauma grande e grave. Os sinais vitais estão estáveis, as pupilas também e reativas a luz. Ela está machucada com arranhões e lacerações menores. A maior parte do sangue é de uma pequena laceração acima de seu olho esquerdo e já parou de sangrar. Parece que ela pode ter um braço esquerdo quebrado e talvez algumas costelas quebradas. Nós estabilizamos sua espinha. Coloquei um cateter de calibre 20 no antebraço dela e pendurei um Ringer lactato.
Gabe franziu a testa.
– Ela está completamente sem resposta?
– Sim, mesmo a estímulos dolorosos.








Série Crônicas do Relógio de Bolso
1 - O Relógio de Bolso
2- A Parteira
3- Assim que te encontrar novamente
3.5- O Presente de Natal