20 de setembro de 2018

Guerreiro Inesquecível

Série Brumas da Irlanda
Após seu pai descobrir os segredos do antigo Livro de Fennore e desaparecer, Rory McGrath, deixou de ser um menino inocente e se tornou um homem atormentado e cínico.
Deixou a Irlanda, evitou sua família, seu patrimônio e o legado da magia que guiou seu povo durante séculos.
Então, começou a sonhar com uma beleza celestial, que o chamava de volta para casa e um destino que o levará mais longe, que jamais imaginou.
Atraído para as ruínas do castelo onde seu pai desapareceu, Rory é levado através do tempo, para o corpo de outro homem, um homem casado com a mulher dos sonhos de Rory. De posse dos segredos do seu passado, da sua família e da sua identidade, seu domínio sobre Rory é inquebrável.
Para ela, ele é seu senhor, sua salvação e seu destino.

Capítulo Um

Depressa Ruairi. Apresse-se
A ordem sussurrada fez cócegas nos ouvidos de Rory McGrath, leve como uma pluma e zombeteira. Ele a afastou e se virou, tentando bloquear imediatamente o que sabia que era. Era o sonho novamente, parecia muito real para ser um sonho. Em um momento, abriria os olhos e encontraria à mulher de pé junto a ele. Não saberia se era real ou uma fantasia, não seria capaz de distinguir o sonho da realidade. Nem sequer pela manhã.
Reconheceu isso e tentou se convencer de que não acreditava que fosse mais que uma projeção da sua própria mente. Uma fantasia que tinha conspirado e o deixava sonolento. Sentiu que os batimentos do seu coração se aceleravam, sua respiração ficava lenta e profunda; lutando contra os sintomas da consciência que o paralisava.
Pensou que tinha aberto os olhos, mas não podia estar certo de nada. De qualquer maneira, vi a esperando impaciente junto ao sofá onde dormiu assistindo ESPN. O apartamento estava escuro, iluminado somente pela tela da televisão as suas costas. Isso lhe dava um tom cinza e negro, como sombras de uma cena onírica. Então, a televisão se desligou e ambos foram banhados pela escuridão.
Isto, de tudo o que estava prestes a acontecer, era o que mais odiava. O vazio negro como o carvão o mantinha cativo por momentos intermináveis.
O som chegou antes que a luz fosse restaurada. Era ressonante, suave, mas com um estímulo sensorial que sua mente apreensiva agarrou com gratidão. Havia algo lá fora. Algo mais que seu medo. Mais que seu corpo amortecido pelo sonho.
Uma cintilação anunciou a chama de uma vela. Um instante mais tarde outras cintilaram se acendendo até que os limites da habitação puderam ser apreciados no resplendor. Já não estava em seu apartamento.
Deu uma rápida olhada ao seu redor, antes de fixar de novo na mulher. Era impossível não o fazer. Tinha o mesmo aspecto de ontem à noite, da noite anterior, e da noite anterior a essa. Tinha o cabelo escuro, muito requintado para ser preto, muito suave e farto para ser marrom. Era abundante, sedoso e brilhante. Ondulado até a cintura e refletia o brilho da luz das velas. Seus olhos eram marrons, tão escuros como seu glorioso cabelo. Ardiam como as pequenas chamas ao seu redor. Mesmo em seu próprio sonho não podia acreditar em sua luminescência. Seus lábios eram grossos e suaves, com a lateral presa entre os dentes. Era exótica, com sua pele escura e seus traços finos.








Série Brumas da Irlanda

1 - Beleza Assombrosa
2 - Guerreiro Inesquecível



Vulcão nas terras Altas

Série Casamento nas terras Altas
No auge feroz de guerras dos clãs, a Rainha Regente engana os filhos de dois lairds feudais em uma escolha desesperada: se casar ou morrer.

A união - por mais relutante - de um MacPherson e uma Robertson poderia terminar com três gerações de hostilidades entre as duas famílias.
Ailis Robertson queria um marido, não um selvagem.
Mas ela é abalada pela intensa paixão que sente por Bhaic - que também fica surpreso com o invejável ciúme que experimenta ao ver Ailis falar com outros homens. É possível que inimigos ferozes se tornem amantes ardentes?

Capítulo Um 

“Você é tão teimosa quanto sua mãe.” Ailis esticou-se para beijar seu pai na bochecha antes de mostrar ao seu chefe um sorriso vitorioso. Seu pai revirou os olhos, e ofereceu-lhe uma mão para ajudá-la a descer de sua égua. 
O cavalo agitou sua juba enquanto Ailis tomava as rédeas com firmeza. A barba de Laird Liam Robertson estava cinza e escassa, mas ainda se orgulhava quando duzentos de seus homens montavam para cavalgar com ele. Atrás deles, o Castelo Robertson satisfazia-se com a luz dourada do amanhecer. 
As colinas estavam verdejantes, e o som da água fluindo enchia o ar - os rios estavam cheios pela neve derretida. Estava muito cedo para urzes ou flores, mas Ailis podia sentir o cheiro da mudança de estação no ar. 
Levantou o rosto e deixou o sol aquecer seu rosto pela primeira vez em semanas. Estava cansada de ter que se agachar perto da lareira para afugentar o frio de seu corpo ou se agasalhar para evitar o vento gelado. “Fui convidada,” Ailis lembrou a seu pai. “Então foi - mesmo que seja o rei regente - me dizendo como orientar minha própria filha. Seu negócio deveria ser comigo.
Não com uma mulher.” Seu pai estufou o peito em uma demonstração de autoridade, mas podia ver a aquiescência em seus olhos. 
Talvez não tenha concordado com o novo regente, mas gostava de ceder aos seus convites quando não havia motivos reais para negá-los. Isso tornava fácil amá-lo. Ela sorriu, e ele gemeu, seu orgulho Highlander exigindo alguma forma de reparação para garantir que todos soubessem que pelo menos havia argumentado contra obedecer completamente a convocação.
 “Talvez o homem leve em conta a história de você voltar a corte. É hora de se casar,” continuou o laird. “Claro que é, pai,” Ailis concordou recatadamente. Seu pai notou o brilho em seus olhos. “Assim como sua mãe,” salientou, então subiu em seu cavalo. “Tive que cortejá-la por duas temporadas antes que concordasse com o pedido.” Ergueu dois dedos em menção à época. “Dois! 
Como se não tivesse nada melhor para fazer com meu tempo.” Os aliados Robertsons estavam se preparando para montar enquanto riam com seu laird. Os homens estavam ansiosos para a jornada. Queriam esticar as pernas também. 
Os Highlanders gostavam de contar histórias ao lado da fogueira, mas seu verdadeiro amor estava em criar esses contos. Zombavam um do outro enquanto seus kilts balançavam com seus movimentos. Os cavalos sacudiram as cabeças, ajustando-se às suas rédeas e sinalizando impacientemente os paralelepípedos no pátio interno. 
A mãe de Ailis que tinha insistido nos paralelepípedos, para manter a lama do lado de fora do castelo. Ailis tinha ouvido que os Grants iriam colocar pedras durante o verão porque funcionava muito bem. Ergueu o queixo e inalou o aroma da nova vegetação. A última coisa que tinha em sua mente seria um marido. Ailis estava quase certa de que seu pai concordava com ela, mas como filha do laird, seria seu dever pensar em alianças. 
Então, seu pai faria os comentários esperados de vez em quando. A verdade é que, não queria que fosse a lugar algum, e a pilha de ofertas colocadas em seu escritório permanecia intocada. Nenhum regente precisava lidar com contos sobre ela de volta à corte. As ofertas estavam chegando desde que tinha quinze anos. 



Série Casamento nas terras Altas
1- Vulcão nas terras Altas




A Andaluza

A Condessa de Lerma se vê frente a um horrível destino: seu pai a condenou em vida forçando-a a contrair matrimônio com um homem a quem odeia e teme. 

Durante a longa viagem ao que será seu novo lar, uns bandoleiros assaltam a diligência em que ela está junto à sua donzela mais querida. No ataque, um bandoleiro lhe roubará algo mais que uma joia...
"O Cavalheiro", um dos bandoleiros mais procurados da região, leva sempre o rosto oculto por uma máscara. Durante o assalto conhece uma mulher charmosa com uns olhos tão verdes como a erva na primavera, uma que não treme a voz quando o enfrenta. Roubara-lhe um anel, um que lhe é muito familiar pois ele mesmo foi quem fechou o trato para fazê-lo. Desde esse momento, debate-se entre o que é correto e o que essa mulher tão diferente lhe faz sentir, obrigando-o a debater-se entre o amor e a lealdade.

Capítulo Um

Maria não era capaz de pensar em nenhuma outra coisa, quase não era consciente de como a carruagem se movia de forma brusca pelo caminho de terra pouco frequentado que a levava para seu destino. Seu escuro futuro. 
Ainda recordava a primeira e única vez em que o tinha visto. Aquela vez, em que seu pai o tinha apresentado antes de fechar o trato: Germán do Vale.
Esse era o nome da besta a quem seu pai ia acorrentá-la ao longo da vida em uns dias. Ela estava indo antes para encarregar-se dos preparativos das bodas e lhe conhecer melhor.
Não o desejava. Sabia dele o suficiente, que não tinha coração nem piedade.
Mantinha muito fresca a lembrança de como tinha machucado sua donzela por derramar sem querer um pouco de água, ou isso foi o que contou, embora sempre tivesse suspeitado que houvesse algo mais que Susana não se atreveu a contar.
Maria se interpôs e ele deixou de golpeá-la, estava segura de que, se não fosse por sua intervenção, Susana teria acabado morta e ela também.
Quão único o deteve, supunha, era que ainda tinha dezessete anos de idade. Isso e que se ele a tivesse golpeado, nunca o teria aceito. E, em realidade, não o fez: rogou, chorou e suplicou ao seu pai para que não fechasse o trato, mas ele fez ouvidos surdos às suas objeções, ao seu medo.
O forte sacolejar da carruagem a obrigou a agarrar-se com força ao assento. Apareceu pela janela e observou o caminho despovoado, rodeado de montanhas agrestes e solitárias, era formoso e perigoso. Agora se arrependia de ter viajado sozinha, sem mais companhia que Susana, um velho cocheiro e dois homens que seu futuro marido lhe tinha mandado «muito atentamente» para que tivesse uma viagem tranquila.
Deveria ter levado a sua própria escolta.
Voltou o rosto para Susana, a pobre seguia tão aterrada pela lembrança de Germán que tinha insistido em não acompanhá-la, mas lhe tinha resultado impossível deixar sua ama, ainda mais depois das súplicas de Maria lhe recordando que a tinha cuidado durante tantos anos que era mais que uma donzela, e por isso agora Maria cuidaria dela.
Não ia permitir que esse canalha voltasse a tocá-la, tinha-o prometido sobre a tumba de sua mãe.
Desviou de novo o olhar para a espessura do bosque, tratando de achar os perigos que pudessem ocultar. Ultimamente as coisas na Andaluzia estavam muito agitadas: sublevações, revoltas, bandoleiros que não deixavam de assaltar diligências como a sua…
Ao menos, tinham tido a grande ideia de criar esse novo corpo: «A Guarda Civil», que se encarregava de controlar os caminhos e oferecer às carruagens um pouco de segurança.
Seu pai elogiava sem parar o bom fazer dos guardas civis e ao artífice de tal corpo, o duque de Ahumada.
Entretanto, nesses momentos, nem a possibilidade de ser assaltada pelo pior dos bandoleiros lhe parecia tão desastroso como ser entregue a Germán do Vale como esposa.
— Senhora, se encontra bem? — Perguntou Susana com voz preocupada e entrecortada devido ao movimento do coche.
— Não, não o estou. Como ficar, Susana? Meu pai vendeu-me a um homem sem coração. Quanto crê que demorará em me golpear como fez contigo?
As lágrimas de frustração, por não poder rebelar-se, golpearam com intensidade as bochechas pálidas de Maria.
— Não chore, minha senhora, eu estarei com você, protegendo-a.
Um débil sorriso adornou o rosto ovalado de Maria. Susana, sempre fiel e ao seu lado. Era uma donzela impecável, responsável, atenta e, se esquecesse daquele desventurado incidente como lhe tinha obrigado seu pai a chamá-lo, nunca tinha cometido nenhuma falha.
Maria entendia perfeitamente por que Susana não deixou que o senhor fizesse com ela o que lhe agradava, assustava-a. Como não sentir-se aflita e diminuída ao lado desse homem, que mais parecia um touro por sua grande envergadura?
Levou-se as mãos ao estômago, que se queixava em silêncio pelo que a esperava ao final do trajeto, e cada passo dos cavalos era um passo a mais que a aproximava de seu futuro desolador, enchendo seu coração, gota a gota, da amarga desdita e do medo que sentia ao pensar nele.
Faziam quatro anos desde seu primeiro e único encontro, agora já não tinha dezessete anos, tinha completado fazia dois meses, em dezoito de agosto, os vinte e um. Já era toda uma mulher, ou quase, pois seu pai não cessava de brigr com ela por seu comportamento tão pouco feminino e seu empenho em querer comportar-se como um homem.
— Isso não são coisas de dama — Lhe tinha recriminado.
Maria tinha ignorado as repreensões de seu pai, que não tinha mais descendência; era filha única e, desde o dia em que nasceu seu pai a cuidou e embalou, pois sua mãe não sobreviveu ao duro e difícil parto do qual quase que ela mesma morre.
Após, não tinha tomado outra esposa, mas agora que ela estava a ponto de contrair núpcias era o momento adequado.
Revolveu-se incômoda ante a lembrança. Tinha suplicado ao seu pai, chorado e até esperneado como quando aos cinco anos se negou a lhe ensinar a montar a cavalo. Comportou-se da mesma forma caprichosa e escandalosa, mesmo assim, nesse assunto não tinha sido capaz de abrandar o duro coração de seu pai.
— Casará com ele.— lhe ordenou. — Pode cuidá-la como você merece, além da sua imensa fortuna também é um homem forte, nobre e agora os de nossa classe escasseiam.
Presa do desespero pelo destino que a aguardava, havia tornado a repreender ao seu pai lhe advertindo que seu futuro marido com certeza a maltrataria. 
Entretanto seu pai, de novo, tinha saído em defesa de Germán, insistindo a que ela o perdoasse, alegando que era apenas um menino um pouco mais velho que ela, que esses quatro anos lhe teriam servido para amadurecer e ajustar seu temperamento, mas Maria duvidava que Germán fosse mudar. Certamente, a idade havia o tornado mais rude, insolente e ditador. 
 A certeza de que tinha razão fazia com que não fosse capaz de deixar de chorar, embora, apesar da sua infelicidade, no fundo de seu coração se ocultava um segredo que a fazia sentir-se calma, segura. Pois, mesmo com a imposição e a negativa de seu pai a que aprendesse coisas que eram de homens, como disparar, tinha-lhe desobedecido e Antônio, o filho de seu capataz, tinha-lhe ensinado às escondidas como fazê-lo. Antônio… Seu bom Antônio!



Beleza Assombrosa

Série Brumas da Irlanda
Danni sempre acreditou que tinha sido abandonada quando criança.
Então, o sedutor Sean Ballogh aparece do nada, com uma história surpreendente mudando tudo o que ela pensava que era certo. Ele afirma, que sua família a esteve procurando, desde que desapareceu a vinte anos. E ele veio, para levá-la a sua casa na Irlanda. 
Agora, Danni deve reescrever a história, para salvar sua família, para lutar contra uma força mais malvada do que imaginou e se encontrará com o homem a quem estava destinada ou se arriscará a viver para sempre no tempo, como nada mais, que uma lembrança etérea, uma trágica e inesquecível beleza.

Capítulo Um

O homem aproximou-se dela um pouco antes do amanhecer.
Danni acordou sobressaltada, enrolada em sua cama, sem saber o que tirou seu sono. A negra escuridão que pressionava contra as janelas, uma entidade escura que queria entrar às escondidas e assumir o controle. Inquieta, saiu da cama e arrastando os pés foi até a cozinha para tomar um café.
Foi então que sentiu o ar mudar.
Ele mergulhou em uma força silenciosa e fria que fez com que suas orelhas assobiassem e que seu estômago se revolvesse. Como uma lembrança latente, a sensação apareceu de repente; lá, enchendo sua cabeça, familiar e aterradora, pressão e alívio. Ela o conhecia; ela o temia. Ela se recordava, apesar de que lhe escapasse o que era anunciado.
Virou para encontrar o homem parado atrás dela. Alto, de ombros largos e os músculos de um guerreiro; estava apoiado no balcão. Como se fosse natural para ele estar ali. Como se realmente estivesse na cozinha dela.
As sobrancelhas escuras e pestanas negras ressaltavam a incomum cor de seus olhos; não de todo verde, não de todo cinzas. Olhos como o mar, implacáveis e profundos. Um nariz reto e contundente dava equilíbrio a seus lábios grossos e a sua mandíbula quadrada. Havia um ângulo forte e resistente em suas feições que fazia sua beleza imperfeita e masculina, um pouco mais convincente que simplesmente estética. Usava uma jaqueta de couro negro sobre uma engomada camisa branca e jeans que se ajustavam desde seus quadris magros a suas pernas grossas. Não só era alto. Não só era largo. Era um homem grande.
Ele a olhou, a avaliando e julgando com a mesma concentração ponderada que ela lhe dava. Ela se sentia consciente de si mesma com sua desbotada camiseta do Save the Children e shortinho de cor rosa, o que era ridículo; realmente ele não estava lá.
Danni sabia disso, mas esse conhecimento não evitava que seu estômago se tornasse um nó com a incerteza e o medo. Ela derramou o café pela borda da sua caneca enquanto a deixava sobre a bancada. E derrubaria se tivesse a sustentado por mais tempo. O homem interpretou isso como aquiescência e se moveu. Às vezes era assim, ela se lembrava dele. Às vezes parecia levá-la como guias turísticos em uma viagem fantasmagórica. Outras vezes, eram completamente conscientes de que tinham decifrado as linhas da realidade e que obrigavam Danni a olhar para elas.








Série Brumas da Irlanda
1 - Beleza Assombrosa
2 - Guerreiro Inesquecível



14 de setembro de 2018

Quando já não te esperava

Charles Egremont era um solteiro contumaz por convicção e necessidade, já que não podia permitir-se manter uma esposa. 

Além disso, ocultava um segredo. Entretanto, cometeu o engano de aproximar-se muito de Lauren Mowbray, uma jovem forte e decidida a não se casar se não fosse por amor, e ficou fascinado por ela. Lauren tampouco escaparia ilesa à fascinação que lhe produzia Charles, mas nem toda a força, valentia e decisão do mundo poderiam havê-la preparado para brigar com alguém que não queria ser amado. Conseguiria a força do coração dar a Charles a confiança em si mesmo que tanto necessitava para atrever-se a amar?

Capítulo Um

Londres, 1892
O primeiro Barão de Egremont, do condado do Surrey, fora famoso no século XIII e a história do Baronato estava preenchida com uma série de serviços emprestados à Coroa, por isso gozava de um bem merecido prestígio.
Ninguém se atreveria jamais a fazer um só comentário negativo a respeito à honra do atual barão, ou qualquer membro de sua família. Não só eram respeitados, mas muito estimados pela chamada boa sociedade.
Sir Patrick Egremont era um homem justo, generoso e de caráter agradável. O baronato que ostentava não era tão rico como outros da região, mas contava com terras férteis e uma renda nada desprezível que, chegado o momento, passariam a seu filho maior, Arthur Egremont, um homem jovem e sensato, tão querido como seu pai e que, ninguém o duvidava, saberia levar com dignidade o título que algum dia passaria a suas mãos.
Além disso, o legado do baronato estava assegurado por outra geração, já que Arthur contraiu matrimônio muito jovem com a encantadora filha de um conde, e o céu os tinha abençoado com dois pequenos varões. Certamente, impossível pôr em dúvida a prosperidade e futuro de um título que formava parte da história da nação.
Entretanto, com frequência as pessoas pareciam esquecer de um importante membro da família Egremont ou, para ser mais exato, não lhe dar a importância que lhe correspondia.
Porque o barão não tinha somente um filho, mas sim dois. O menor deles, Charles Egremont, era todo um personagem por si mesmo. Possivelmente este fora o motivo pelo que as pessoas, sua família incluída, davam por efeito que não havia necessidade de o recordar de quão estimado era; depois de tudo, ele tampouco dava a impressão de necessitar de uma atenção especial.
Charles era um homem jovem, na casa dos trinta anos, arrumado, com um senso de humor invejável e que, como por obra de magia, agradava a quase todo mundo. Muito poucas pessoas podiam encontrar algo que reprovar em sua conduta e se por acaso era esse o caso, eram qualificadas de seres sem bom julgamento para apreciar a um cavalheiro tão unânime e simpático.
Desde sua mais tenra infância, Charles mostrou um engenho superior ao que cabia esperar, com a palavra certa para arrancar gargalhadas de seu pai e converter-se no mais mimado pelas babás. Se algo obscureceu sua infância foi o precoce falecimento de sua mãe, apenas quando o pequeno contava com cinco anos, mas soube recuperar-se logo e se esta perda teve algum efeito profundo nele, jamais o demonstrou.
Passou os anos de escola mostrando que não era somente um jovem encantador, mas também brilhante, embora nunca tenha se esforçado muito por fazer-se notar; encontrava mais divertido formar parte dos grupos mais inquietos em Eton.
Uma vez integrado na sociedade, tal e como se esperava dele por sua ascendência, ocupou facilmente o lugar que lhe correspondia e foi recebido com muito entusiasmo por seus semelhantes. Quem não gostaria de contar com o arrumado e gracioso Charles em suas festas? As damas mostravam uma simpatia imediata e os cavalheiros, salvo pequenas exceções, tratavam-no com especial deferência.
Charles Egremont era um êxito e assim transcorreram os primeiros anos de sua vida adulta.
Entretanto, tal e como mencionamos nas primeiras linhas desta história, muitas vezes as pessoas costumam supor o que outros necessitam com frequência ouvir. Porque o bom Charles se divertia muito como o indivíduo divertido e malicioso que animava as festas e gozava da estima de sua família, mas às vezes, só às vezes, desejava ser visto como algo mais.
E é justo esclarecer que Charles nunca invejou a primogenitura de seu irmão, nem desejou em segredo o baronato; simplesmente, perguntava-se o que seria dele no futuro, quando as reuniões o aborrecessem um pouco e o flerte malicioso com as damas deixasse de lhe agradar.
Não contava com uma grande renda, apenas a necessária para viver com dignidade. Os membros de sua classe não trabalhavam, não a menos que se encarregassem de administrar suas propriedades e ele não possuía nenhuma. Vivia de forma decorosa com o dinheiro que recebia cada mês, sem maiores preocupações, mas pensava, cada vez com mais frequência, em que não lhe incomodaria fazer algo útil, apenas para variar.
Além disso, e isto não o reconheceria jamais, nem ante o respeitado Robert, conde de Arlington, seu melhor amigo, mas fazia um tempo que certa ideia começava a rondar sua mente, uma que não se atrevia sequer a nomear.
Cada vez que visitava seu irmão Arthur na mansão familiar e o via compartilhar coisas com sua cunhada, ou passava uma temporada em Devon com o mencionado Robert e sua esposa Juliet, sentia algo muito parecido à inveja e ele não era uma pessoa que se rendesse a esse tipo de sentimentos. Entretanto, não era singelo ignorar esse desejo que começava a atacá-lo nos momentos menos propícios.
Como seria amar tanto a uma mulher que só sua presença o colocasse em um estado de encantamento? Porque não podia pensar em outra palavra para definir as expressões que via nos rostos de Arthur ou de Robert frente a suas respectivas esposas, especialmente no caso do segundo. Seu melhor amigo nunca foi um homem excessivamente romântico, mas cada vez que Juliet aparecia, olhava-a com uma adoração que com frequência o fazia sentir-se incômodo, como se fosse um espectador indiscreto sem direito a observar um sentimento tão íntimo.
E logo, claro, estava ela. Alguma mulher iria olhá-lo da forma que Juliet olhava Robert? Como se o amor fosse tão forte entre eles que de alguma forma ia além de seus olhares? No início de seu matrimônio sentiu uma profunda curiosidade, quase uma diversão ante este fenômeno, mas se fosse sincero consigo mesmo, cada vez lhe parecia mais invejável.
Amar e ser amado. Soava bem, embora estivesse longe de seu alcance.
Como o segundo filho de um barão não muito rico ninguém poderia considerá-lo um bom partido. Divertido para compartilhar um bate-papo agradável e uns quantos flertes inocentes; um excelente casal nos bailes mais distintos, mas…



13 de setembro de 2018

Dia dos Namorados de 1760

Série Guerreiros MacKinnon

Esta pequena história apresenta Iain e Annie

de Rendição, primeiro livro dos Guerreiros MacKinnon e Morgan e Amalie de Indomável o segundo livro dos Guerreiros MacKinnon.
A fim de torná-lo apto a história, sem dar spoilers do livro do Connor, Defiant, colocado como como cenário o Dia dos Namorados, que ocorre entre o final de Indomável e o epílogo de Indomável.
Annie acabou de ter um bebê e Amalie estava apenas a um mês de dar à luz o seu primeiro filho.



Série Guerreiros MacKinnon
1 - Rendição
2 - Indomável
2.5 - Dia dos Namorados de 1760
3 - Rebelde
3.5 - Em Uma Noite de Inverno
Série Concluída

Como Casar com um Canalha

Série O Clube do Falcão
A bela Diantha Lucas entende as regras da alta sociedade: uma mulher solteira precisa encontrar um homem para se casar. 

Mas Diantha tem um objetivo mais ambicioso e não se importa de se atirar de cabeça em uma aventura para alcançálo, e está convencida de que Wyn Yale é o homem de que ela precisa. Acontece, no entanto, que Wyn é um agente do Falcon Club e tem seu próprio plano: roubar um cavalo de grande valor, matar um duque depravado, vingar uma garota inocente e impedir que enforquem... nessa ordem. O que menos precisa é da distração de um rostinho bonito, embora conte com covinhas e lábios sorridentes, que pedem para serem beijados.

Capítulo Um

Caros compatriotas britânicos:
Que escândalo!
Tenho passado as noites acordada com o coração desbocado, sem fôlego, e chorando pelo saque em que é
submetida a Grã-Bretanha. Minha alma chora e minha frágil constituição feminina se estremece ao saber que a Elite da Sociedade, admirada por todos, está roubando nosso reino para financiar suas destrezas.
Um roubo em toda regra!
Levo três anos indagando sobre a identidade dos membros do escorregadio Clube Falcon, uma instituição lúdica para cavalheiros que recebe regularmente recursos do erário público sem passar pelo Parlamento tal como estabelece a lei. Hoje anuncio o maior lucro de minha cruzada até esta data: descobri a identidade de um de seus membros. Contratei um assistente para que siga este homem e descubra suas atividades. Quando tiver em meu poder relatórios confiáveis, mostrá-los-ei.
Até então, se estiver lendo esta missiva, senhor Peregrino, secretário do Clube Falcon, saiba que desejo que algum dia nos encontremos cara a cara para poder lhe dizer exatamente minha opinião que você me merece.
Lady Justice
****
À atenção de lady Justice
Brittle & Sons, editores
Londres
Minha querida senhora:
Deixou-me quase sem fôlego (como suponho que acontece às três quartas partes da população masculina londrina) ao imaginá-la deitada em seu leito, transbordante de emoção e com os lábios trêmulos. Sua devoção me comove. E, qual mastro que se eleva orgulhoso com as velas desdobradas, sinto-me cheio
pela emoção de saber que anseia me conhecer. Embora, talvez, não tenha descoberto a um simples membro do clube. Talvez tenha descoberto minha própria identidade. Talvez não me veja obrigado a esperar muito tempo para conhecê-la. Talvez minhas fantasias noturnas se convertam logo em realidade. Ou isso espero.
Seu cada vez mais fervente admirador,
Peregrino
Secretário do Clube Falcon
****
Peregrino:
Envie o Corvo em busca de Lady Priscilla.
O Diretor








Série O Clube do Falcão

Me Rendi a um Canalha

Série Procura-se um Príncipe
Eleanor, a mais velha das três irmãs Caulfield, deve cumprir a profecia e descobrir sua origem. 

Mas se Eleanor está destinada a casar-se com um príncipe, por que não pôde resistir ao canalha que a seduziu e a abandonou? 
O reverendo, pai adotivo das irmãs Caufield, vai casar-se. 
As bodas está em marcha e logo os convidados começam a chegar, entre eles, Taliesin Wolf, um moço cigano que também foi adotado pelo reverendo e rompeu o coração de Eleanor Caufield. Ela não tornou a apaixonar-se e certamente não tornou a acreditar no amor. 
Agora, onze anos depois, Taliesin reapareceu para as bodas. 
Quando Eleanor o vê na porta da igreja, não pode acreditar… Ele mudou, já não é o jovem intrépido que conheceu, agora é todo um senhor, mas com um brinco na orelha e juba de canalha. E o que é pior, segue afetando-a mais do que desejaria. 
Depois das bodas, Eleanor acredita que é o momento oportuno para partir e iniciar a busca de suas origens, mas suas irmãs não querem que viaje só e pedem a Taliesin que a acompanhe. E é óbvio, ele aceita. A viagem será tensa, as lembranças são muitos e os sentimentos parecem não serem esquecidos… Será capaz de aguentar toda uma viagem com um homem que lhe fez tanto dano? 

Capítulo Um 

O filho pródigo 
Comby Park, Residência do Duque e da Duquesa de Lycombe Fevereiro de 1819 
É um fantasma. Este comentário veio no ombro de Eleanor Caulfield, em voz baixa. Eleanor ignorou e tentou se concentrar na glória ecoante do órgão de tubos, cuja música enchia a capela.
 — Nenhum ser vivente pode ter as bochechas tão pálidas — insistiu sua irmã mais nova por debaixo do volume do hino. Não sussurrava. Ravenna não sabia sussurrar. — E parecem de giz — acrescentou. 
— Não é verdade. — Eleanor sim sussurrava, quase tinha aperfeiçoado essa arte. — Agora, silêncio. Mas levou uma mão ao rosto e tocou as bochechas. Seus dedos foram vestidos em pelica debruada de seda, com diminutos botões elaborados com concha de ostra, luvas tomadas emprestados de sua outra irmã, Arabella, a duquesa de Lycombe. Bochechas frias. Como a morte. A morte da vida qual ela tinha conhecido até esta data. 
— A verdade, Ellie, você parece uma princesa — disse Ravenna retirando o xale para jogá-lo sobre os ombros de sua irmã: — Mas vai pegar um resfriado neste sepulcro glacial. A capela ducal não era exatamente um sepulcro, mas um pequeno espaço encantador de calcária da cor de mel e janelas transparentes que permitiam que o sol invernal esquentasse com pálidos raios isolados aos convidados à bodas ali reunidas. Não obstante, ajustou o xale da Ravenna sobre o peito. 
A irmã mais jovem, com uma cascata de cabelo sobre os ombros, não necessitava, e todo mundo sempre achava que Eleanor sim, precisava. Treze anos não tinham apagado ainda da lembrança familiar aquela época em que qualquer mínima corrente de ar que penetrasse por uma porta aberta a deixava a beira da morte. A grave inflamação dos pulmões que a adoeceu aos quatorze anos se prolongou durante tanto tempo que ninguém acreditava em uma recuperação completa. 
Ninguém, à exceção de uma pessoa. Hoje suas bochechas sem vida nada tinham que ver com sua má saúde nem com o frio de fevereiro. Ao pé do coro e o presbitério, seu querido pai ria absolutamente feliz enquanto contraía matrimônio com uma mulher idealmente adequada para ele. Pulcra e contida, com um recatado vestido de algodão cinza, a noiva do reverendo Martin Caulfield elevou um rosto sereno para sua noiva. Inteligente, interessada pela teologia, comovida por seus sermões, e sinceramente pia, a viúva senhora Agnes Coyne era a esposa perfeita para o pároco de St. Petroc, viúvo há tempo. 
Desde o momento em que a mulher se instalou no povoado todos concordaram que era o casal ideal. Eleanor se alegrava imensamente de que seu pai encontrasse de novo a felicidade no matrimônio; sua primeira esposa havia falecido antes que ele descobrisse às três irmãs órfãs no orfanato. Mas a vontade do Agnes de lhe ajudar com o trabalho, somada a sua experiência em conduzir a casa de um cavalheiro, sugeria uma certeza indisputável: Ela era agora desnecessária. 
Seu coração pulsava a um ritmo tão rápido e com tal força que parecia ocultar o hino que surgia dos tubos. A felicidade recém-descoberta de seu pai não era a causa. Sim, que sua vida se encontrasse a ponto de mudar dramaticamente. Depois de anos de silêncio em torno do tema, o reverendo se pronunciou a seu respeito: sua filha mais velha devia casar-se. Gozo! Felicidade! 








Série Procura-se um Príncipe
1 - Casei com um Duque
2 - Me Apaixonei por um Lorde
3 - Me Rendi a um Canalha

8 de setembro de 2018

Noiva em Fuga

Série Duques da Guerra
Miss Sarah Fairfax está tendo um ano miserável. 

Seu pretendido pereceu na guerra. Seu filho está em sua barriga. Para garantir seu futuro, ela se resigna a um casamento sem amor. 
Exatamente no momento em que está prestes a dizer “sim”, seu noivo retorna da sepultura para arruinar o casamento... Mas ele não é mais o homem charmoso e despreocupado que ela lembra.
Depois de ser deixado para morrer no campo de batalha, o Brigadeiro Edmund Blackpool está marcado por dentro e por fora. Ele luta para voltar para casa e descobre sua prometida, diante do altar, com seu melhor amigo. Ele será o único a se casar com ela, não importa o que ela queira! Mas quando sua nova noiva desaparece com seu filho, ele deve reabrir suas feridas para vencer a batalha mais importante de sua vida.

Capítulo Um

Março 1816, Londres, Inglaterra
A maioria das mulheres ficaria encantada de se encontrar a poucos momentos de se tornar uma duquesa.
Ocorre que Miss Sarah Fairfax não era a maioria das mulheres.
De um lado, ela estava diante de um altar improvisado em uma alcova no jardim da propriedade do Duque de Ravenwood em Londres, com os ombros para trás, o queixo erguido e sua barriga de grávida.
Do outro, Ravenwood O bonito e elegível duque com quem ela estava prestes a se casar, que não era o pai de seu filho por nascer.
Esse era Edmund Blackpool. O menino cujos cabelos castanhos dourados despenteados e olhos azuis sonhadores, tinha roubado seu fôlego e seu coração, mesmo quando eram crianças. Ele era tudo o que ela sempre quis... E nunca teria. Ele tinha ido para a guerra há três anos, com a intenção de tornar o mundo um lugar melhor. Depois de dois anos de dolorosa separação, em junho passado, ela o encontrou em Bruges, poucos dias antes de sua companhia ser enviada para Waterloo.
Um pontapé forte golpeou a barriga de Sarah, e ela sorriu para esconder uma careta de dor. Mascarar suas emoções era tudo o que ela tinha feito durante os últimos oito meses. Sorrir era automático agora. Não importa o que aconteceu.
Tudo remontava àquela fatídica e impulsiva noite.
Edmund não era mais o simples Sr. Blackpool, mas um brigadeiro arrojado com dragonas brilhantes e estrelas correspondentes sobre seu uniforme. Ele estava lindo, apaixonado e irresistível, e quando ele confessou seu desejo de se casar com ela, se ela esperasse pelo retorno dele... Ela estava em seus braços antes de ele terminar de falar.
Ele não tinha conseguido sair do campo de batalha vivo.
Em seguida veio a náusea, a vertigem, o desejo de não fazer nada além de dormir... E a percepção de que a depressão não era a única causa. Ela estava além de arruinada. Ela estava grávida. Seu filho nasceria bastardo, e viveria o resto de sua vida em uma infâmia de ostracismo, assim como sua mãe.
Sarah encarou o vigário e lutou para manter a respiração, para não trair o peso da pressão interminável das expectativas de todos. Sociedade. Seus pares. Os pais dela. Ela mesma. Ela estava nessa posição, porque ela esperava se casar com Edmund assim que ele voltasse da guerra.
Bem, agora ela sabia melhor do que contar com as expectativas. Ela estava no comando de seu próprio destino, agora. Não, de dois destinos. Os nós dos dedos traçou a curva de sua barriga. Seu futuro dependia dela.
─ Lawrence Pembroke, Duque de Ravenwood, ─ o vigário entoou. ─ Queres ter esta mulher para ser tua esposa, para viverem juntos, segundo os mandamentos de Deus, no sagrado estado do matrimônio? Queres amá-la, confortá-la, honrá-la e mantê-la na doença e na saúde, e renunciar a todas as outras, manter-te somente para ela, enquanto viverdes?
A garganta de Sarah convulsionou. Isso era um pesadelo. Ela tocou a palma da mão na barriga inchada. Ela realmente iria passar por isso? Obrigar Ravenwood?
─ Eu quero ─ respondeu o duque antes que Sarah pudesse interromper.
Se ela tivesse feito isso.
Seus dedos acariciaram sua barriga, tentando acalmar a criança dentro. Verdade seja dita, eles estavam a alguns momentos de um milagre. A criança seria legítima, não um bastardo. Mesmo quando a sociedade inevitavelmente fizesse as contas, e percebesse que o bebê havia sido concebido muito antes do casamento ducal, o poder do nome Ravenwood iria protegê-los de todos, exceto de alguns sussurros.
Ninguém ousaria feri-los. O bebê ficaria bem.
Se a criança fosse um menino, ele iria herdar um ducado algum dia. Se a criança fosse menina, seria recebida na sociedade de braços abertos. Talvez se case com um duque algum dia. Que importância tinha se seus pais não estavam apaixonados? Se parte de Sarah tinha morrido naquele campo de batalha encharcado de sangue, ao lado de seu amante perdido, que importava, desde que seu filho estivesse seguro?
O vigário fixou seus olhos escuros sobre ela.
─ Senhorita Sarah Fairfax.
Ela engoliu em seco. Era um milagre e um pesadelo, essa união.



Inimigos nas Sombras

Série Irmãos de de Armas
Longe das intrigas da corte, Lady Gillian só desejava cuidar da propriedade de sua família e cumprir com sua promessa de nunca se casar.

Então chegou ao castelo D’Averette Sir Bayard de Boisbaston, para adverti-la de um possível perigo e proteger a todos aqueles que se encontrassem ali. Quem era esse homem para fazer-se dono e senhor de seu castelo desse modo? Não importava que possivelmente era o cavaleiro mais bonito do reino ou que ele a fizesse repensar sua promessa…
A honra obrigava a Sir Bayard a proteger a Lady Gillian, mas não teria imaginado que para isso teria que brigar com a mesma dama. Gillian era uma mulher de caráter que não demorou para conseguir que ele começasse a conspirar. Tinha que encontrar a maneira de convencê-la de que lhe seria útil ter um cavaleiro perto, não só no campo de batalha… mas também no quarto.


Capítulo Um

Inglaterra, 1204
Os anéis de ferro da cota de malha tilintaram quando Sir Bayard de Boisbaston levantou o braço direito para que seus homens parassem.
— E bem, Frederic, o que te parece o Castelo de Averette? — Perguntou a seu jovem escudeiro, enquanto assinalava ao outro lado do vale arborizado.
Frederic de Sere semicerrou os olhos para observar melhor a fortaleza de pedra cinza sobre a elevação e se balançou com nervosismo sobre a sua montaria.
— Pequeno, não é mesmo?
— Daqui dá essa impressão, — concordou Bayard — mas recorda que nem todos os castelos têm uma estrutura circular. Pode ser que as muralhas e as demais torres que levam à estrada principal estejam do outro lado.
Assinalou as torres em ambos os lados da entrada.
— Os arqueiros têm uma boa visão do rastelo e um bom ângulo para disparar a qualquer um que se aproxime da entrada.
Bayard também tinha notado que as margens da estrada estavam limpas de árvores e arbustos, e que tinham deixado uma faixa de terreno coberto de samambaias de pelo menos trinta metros de largura a cada lado do caminho. Nem inimigos nem bandoleiros que fugissem a pé poderiam emboscar a qualquer viajante sem lhes dar tempo de desembainhar a espada e defender-se.
— Sim, já o vejo, Milorde. — Comentou Frederic enquanto retirava dos olhos um cacho de cabelo castanho.
— Em marcha para Averette. — Ordenou Bayard enquanto fustigava a seu cavalo.
Além de ser um homem temível, e certamente o tinha sido, o falecido senhor de Averette tinha sido inteligente, ao menos quanto a defesa. Nisso ia pensando Bayard enquanto ele e seus homens avançavam em silêncio pela borda do rio para o que parecia uma próspera aldeia. Passaram diante do lago com seu moinho que o provia de água, a roda girava com um movimento lento e constante. O gado mugia em um prado próximo, e ao lado algumas ovelhas cercadas, e um pouco mais à frente do caminho se escutavam os grasnidos dos gansos e o cacarejar das galinhas das granjas.
O povo em si não era muito, mas os edifícios estavam em bom estado e as pessoas pareciam bem alimentadas. Um punhado de meninos esfarrapados saíram a olhá-los, boquiabertos, de um beco entre o posto de um vendedor de velas e uma estalagem que tinha um pôster com a cabeça de um veado. À porta da estalagem havia uma jovem de abundante busto que os observou com olhos de cobiça e calculadora. Se pensava que faria ganho com ele, pensou Bayard estava muito equivocada.


6 de setembro de 2018

O Cortejo

Série Windham
Percival Windham é um segundo filho e um oficial de cavalaria aclamado e respeitado por seus homens. 

Ele é imensamente atraente e se distrai com as mulheres que parecem se atirar nele em cada turno, até que em uma festa na casa de campo ele conhece a linda e reservada Esther Himmelfarb.
A penas Percy parece ver a inteligência impressionante sob seu comportamento modesto. Percy a vê como a companheira perfeita e ela encontra nele o homem dos seus sonhos.
Capítulo Um

— Fala-se que ele só cheira rapé nos seios nus de suas amantes.
Esther Himmelfarb reorganizou suas cartas e sufocou um bufo às mais ridículas observações de Charlotte Pankhurst.
Herodia Bellamy jogou a rainha de ouros na mesa.
— Fala-se que ele toma banho frequentemente, mas raramente sozinho.
— Uma tarefa árdua — Esther murmurou — dado o tamanho do homem em relação à banheira normal. Sua vez, Lady Zephora.
— Eu sei de fato — Lady Zephora disse suavemente — que tanto Lorde Anthony quanto Lorde Percival foram ordenados por Sua Graça, a mãe deles, para tomar noivas este ano.
Esther continuou estudando suas cartas enquanto as damas catalogavam os muitos atributos positivos do Coronel Lorde Percival Windham.
Seus arrebatamentos correspondiam quase exatamente à lista de Esther das deficiências do homem.
— Ele é tão bonito. — Charlotte murmurou. — E é tudo genuíno — o cabelo dourado, os músculos, a altura.
— Os sonhadores olhos azuis — acrescentou Herodia. — Quando ele olha para você, é como se estivesse tentando transmitir que te ama simplesmente na maneira como olha.
Para não ficar para trás, Zephora declarou o que Charlotte e Herodia sem dúvida tinham ouvido repetidamente de suas mães.
— Sua esposa sempre teria um título de cortesia, e algum dia poderia se tornar a próxima Duquesa de Moreland.
O que no exterior era muito, já que significava a morte do atual duque — um cavalheiro tão vigoroso quanto digno — como também a morte do atual herdeiro ducal, Lorde Pembroke, uma alma justa cujo maior pecado foi ter concebido apenas duas filhas em dez anos de casamento.
— Considere — disse Esther, juntando as cartas — a atual duquesa seria sua sogra quando você se casasse com Lorde Percival. Se ela tem autoridade para chamar oficiais comissionados de seus alojamentos a serviço de Sua Majestade, imagine o poder que teria sobre uma simples nora.
— Lorde Percy não permitiria que ela se intrometesse. — Charlotte fungou. — Você só está com inveja, Esther, porque uma garota sem título ou dote não pode mirar tão alto.
O golpe foi inesperado, já que essas conclusões raramente eram pronunciadas em voz alta. Elas eram aceitas como conhecimento comum, o que geralmente permitia a Esther o presente indireto da privacidade de ser insignificante.
— Esther é bonita, de boa reputação, bem-educada nas artes domésticas e bem-nascida — apontou Herodia. — Pare de ser capciosa, Charlotte, para que os cavalheiros não a ouçam.
Essa repreensão não pareceu a Esther como uma defesa, porque não era. Herodia estava aproveitando uma oportunidade para parecer superior a Charlotte, nada mais.
— Eu posso mirar tão alto quanto queira. — disse Esther, embaralhando o baralho em uma pilha organizada. — Embora mirar sozinha tenha pouca gratificação. Devo repartir novamente?
Enquanto os Lordes Percival e Anthony Windham estivessem na sala conversando com a anfitriã perto da tigela de ponche, Esther teria que permanecer como a quarta no jogo. O jogo — ou o que fingia ser ele — continuou, enquanto Esther fez uma oração silenciosa para que as próximas semanas se passassem tão rapidamente — e da forma mais indolor — possível.
— Eu conheço esse olhar, Percy. — Tony manteve a voz baixa, graças a Deus, porque Lady Morrisette estava a apenas alguns metros de distância, agarrada ao braço de Sua Graça, o Duque de Quimbey.
Percival Windham não parou a sua análise da jovem loira sentada em uma mesa de cartas do outro lado da sala de estar. Ela possuía uma quietude em si, uma serenidade que atraía os olhos mais do que todos os olhares de flerte e peitos empoados na sala.
— Que olhar?
— Você está se apaixonando novamente. Eu já vi isso pelo menos uma dúzia de vezes. Sua Graça se regozijará ao saber disso.
— Eu não me apaixono, Anthony. Eu caio na cama, ou de vez em quando em armários de linho, quartos de vestir privados, castelos isolados, esse tipo de coisa. — Percival tomou um gole de ponche decente e jogou um olhar direto para seu irmão mais novo. — E Sua Graça não escutará nenhum pio de você, a menos que queira que eu a avise sobre um certo encontro que você teve com a Srta. Gladys Holsopple antes de deixar a cidade.
O sorriso de Tony era irremediavelmente indefeso.
— Gladys Holsopple é deliciosa e não se preocupa muito com o apropriado quando ninguém está olhando. Uma fêmea estimável. E você não precisa se preocupar que eu o delate, temos Mannering para isso.
Mannering, o valete que eles estariam compartilhando durante a festa em casa. Percival virou seus pensamentos em uma direção mais otimista e gesticulou um pouco com a taça.
— Quem é a bonita jogadora?
Enquanto parecia arrumar a renda em seu punho, Tony olhou para o outro lado da sala.
— Herodia Bellamy. Com bom dote, dizem que seu pai tem acesso privilegiado ao Bute[1]. Dança bem e não ri.
Tony foi um dos melhores oficiais de reconhecimento já enviados para o Canadá, onde seus talentos foram claramente desperdiçados.
— Não ela. Ela quase tentou entrar no meu quarto na última semana no Heckenbaum. A bonita. — Aquela que fazia até o ato de organizar suas cartas um exercício de graciosidade.
— Lady Zephora Needham. Seu pai é o Conde de Needham, e eles dizem que levam duas horas para arrumar todos os laços no cabelo da menina.
Tony com um humor provocante era um fardo, de fato.
— Não ela, e não aquela fofoqueira zombadora da Pankhurst também. Aquela com o cabelo não empoado. Eu não a vi antes.




31 de agosto de 2018

O Highlander encontra uma Esposa

Série Noivas das Highlands
Lutar com espada, xingar e cavalgar é natural para Saidh Buchanan.

Criada ao lado de sete irmãos barulhentos, Saidh tem pouco interesse em se impor a um marido...
Até vislumbrar o novo Laird MacDonnell tomando banho nu no lago. 
Embora ela esteja longe de ser uma dama apropriada, o forte Highlander faz com que Saidh se sinta em cada centímetro uma mulher.
Ela tem a aparência de um anjo, o temperamento de um guerreiro e procura seus beijos com uma ansiedade devassa. Não é de admirar que Greer esteja intrigado com sua gentil convidada. Quando o desejo imprudente toma conta deles, ele está mais do que disposto a fazer dela uma mulher honesta. Mas Saidh é o alvo de um inimigo oculto, e Greer enfrenta a batalha de sua vida para salva-guardar a mulher que ele quer acima de todas as outras.
Um Laird corajoso e sedutor encontra seu par apaixonado em um romance cintilante das Terras Altas, da autora de best-sellers do New York Times 


Capítulo Um

Saidh tinha acabado de levantar sua saia e começado a agachar, quando ela o ouviu: um grito curto e cortante de homem, que soou como um grito de morte. Com um arrepio se arrastando na parte de trás do pescoço, ela deixou sua saia cair e se endireitou, os ouvidos atentos. No começo, não havia nada. Sem pés correndo, sem sons de batalha, nada para lhe dizer o que aconteceu, e então, ela capturou um gemido alto que se dissolveu em choro.
Praguejando, Saidh puxou sua espada da bainha em sua cintura e começou a atravessar o bosque, seguindo o som desses soluços de cortar o coração. Ela os reconheceu, conhecia sua origem. Ela tinha ouvido o mesmo soluçar ontem à noite, no quarto ao lado daquele que ela havia recebido durante sua estada em Fraser Castle, o quarto para onde a noiva e o noivo tinham sido levados durante a cerimônia de consumação que se seguiu à festa do casamento.
Saidh afastou o pensamento e prestou mais atenção onde estava indo, quando um galho lhe deu um tapa e a atingiu no rosto. O ponto em que pararam para fazer o acampamento era uma linda clareira, mas Saidh havia se afastado dela em busca de um lugar para cuidar de suas necessidades. A distância era um hábito para ela. Ela tinha aprendido que precisava se afastar do acampamento se ela quisesse evitar que um de seus irmãos a encontrasse e, de alguma forma, a embaraçasse ou assustasse, enquanto estivesse no meio de se aliviar. Eles jogaram esse truque com suficiente frequência, no passado, para que ela já tivesse aprendido a lição.
Imagina-se que ela tenha retornado o favor uma ou duas vezes. Sendo a única garota entre sete meninos da prole dos Buchanan, Saidh rapidamente aprendeu a se defender. Tinha sido isso ou se transformar em uma garotinha choramingona e manhosa que corria constantemente para sua mãe, para se queixar dos meninos, e essa não era Saidh. Agora, com dezesseis anos, Saidh deu o melhor de si, e ganhou o amor e o respeito de cada um de seus irmãos por causa disso.
Os pensamentos de Saidh morreram quando ela entrou em uma pequena clareira. Era bonita, cercada por uma parede de árvores altas e majestosas e com um tapete baixo de flores roxas que formavam o chão, mas não foi o cenário bonito que fez Saidh sugar um sopro de ar. Em vez disso, foi a visão de sua prima, Fenella, sentada, soluçando, ao lado do corpo, de bruços, de seu marido, seus cabelos escuros numa confusão, caídos sobre seu rosto redondo, seu vestido rasgado e desarrumado, e uma faca com sangue em sua mão.
― Fenella? ― Ela respirou, finalmente superando seu choque e se movendo em sua direção. ― O que aconteceu?
Sua prima ergueu a cabeça, olhou-a brevemente sem reconhecer e depois chorou com força e balançou a cabeça, enquanto a abaixava novamente.
Franzindo o cenho, Saidh deslizou sua espada de volta em sua bainha e agachou-se para examinar Hammish. Havia um grande círculo de sangue no peito, com um buraco no meio, e ele não parecia estar respirando. Saidh sentiu sua boca apertada e se virou para a prima, para tirar suavemente a faca de suas mãos, sem resistência. Depois de uma leve hesitação, ela a atirou para o lado, depois pegou Fenella pelos ombros e deu-lhe uma suave sacudida.
― O que aconteceu?
Ela estava esperando que Fenella lhe dissesse que eles tinham sido atacados por bandidos, ou alguma outra coisa assim. Em vez disso, Fenella fungou miseravelmente e gritou:
― Eu o matei.
―Querido Deus, ― Saidh respirou, soltando-a para se endireitar e olhar desamparadamente ao redor da clareira.
― Eu não queria, ― Fenella soluçou. ― Eu não podia deixar ele me violentar de novo. ― Saidh olhou de volta para ela, franzindo o cenho. ― Violentar você? Você é casada, Fenella. Ele era seu marido. Ele...
― Ele era um cruel bastardo sem coração que me machucou e humilhou durante toda a noite, ― ela respondeu amargamente. ― No momento em que ele terminou comigo, eu estava ferida, rasgada e sangrando pior do que se eu tivesse minhas regras. 
― Seu olhar girou para o marido morto e ela disse calmamente: ― Isso foi ruim o suficiente, mas eu poderia resistir. Eu teria resistido. ― Cruzando os braços sobre o peito, baixou a cabeça e quase sussurrou: ― Mas então ele me virou e me levou de maneiras não naturais, maneiras ainda mais dolorosas. 
― Ela ergueu a cabeça novamente, os olhos se arregalando com uma combinação de horror e súplica, ao acrescentar: ― E ele ia fazê-lo novamente, aqui mesmo, no bosque, como um animal. ― Sua cabeça voltou-se novamente para o homem caído e disse miseravelmente: ― Eu não poderia deixar. Eu não poderia suportá-lo, então quando senti seu punhal no cinto eu... Eu não pensei acho, eu... ― Gemendo miseravelmente, ela baixou a cabeça novamente. ― Eu apenas peguei-o e...


Série Noivas das Highlands
1 - Uma Noiva Inglesa na Escócia
2 - Se Casar com um Laird Escocês
3 - O Highlander encontra uma Esposa
4- Amando um Highlander
5- Rendendo-se ao Highlander