20 de outubro de 2018

Despertar com seu Amor

Série Saga Despertar
Após a trágica morte de seu pai, Lucien Winfield se torna o novo Marqués Exmond. 

E, como tal, é obrigado a cumprir com as exigências de tal cargo, incluindo o casamento. 
Deslumbrado com a beleza da jovem Penélope Bradford, acredita ter encontrado nela o amor que jamais imaginou que seria parte de sua vida, e, assim, cumprir as disposições da sociedade a que pertence, garantindo também a perpetuação do título familiar através de seus descendentes. Quando Maryanne conhece o Marquês, apesar de sua inocência, você não pode evitar sentir-se atraída por ele, o que a faz se sentir culpada por se apaixonar pelo homem que é o noivo de sua irmã. Nada faz prever que a jovem terá de suportar os duros reveses com que o destino a deparará e do quais se deverá recuperar com uma coragem que desconhece possuir.
Poderá Maryanne despertar de um mau sonho com um amor verdadeiro?


Capítulo Um

Inglaterra 1815, Condado de Clearwater 
A Condessa de Clearwater, junto com sua filha mais velha, partira de viagem em direção a Londres, no que era uma deslocação inevitável; segundo ela, Penélope necessitava encomendar um vestuário novo na cidade, para a sua eminente apresentação na sociedade. Loretta Bradford tinha ideias claras a respeito do futuro da sua primogênita.
O matrimônio era o propósito primordial de qualquer jovem debutante de boa família. E para isso havia-se preparado com esmero, esperando um bom casamento que trouxesse rendimentos extras à economia da família, que ultimamente não era muito boa. Aquela temporada era crucial para conseguir um bom marido. Ela mesma se encarregaria de que Penélope escolhesse bem, supervisionando cada um dos candidatos. Por outro lado, a mais nova dos Bradford não era consciente daqueles assuntos, já que, com seus quinze anos, ainda a consideravam demasiado jovem.
A única coisa que pensava Maryanne, quando sua mãe se ausentava de casa, era na liberdade que gozaria. Ao ficar só com seu pai era consciente de que conseguiria o que desejava dele sem demasiados esforços. Seu caráter doce e brincalhão era muito melhor do que o de sua irmã, de mau humor e fria como uma perdiz de escabeche.
Nesse dia, Samuel Bradford, conde de Clearwater, decidiu fechar-se em seu estúdio com a intenção de revisar as contas da propriedade que, nos últimos tempos, não fechavam. Minutos depois fechou sonoramente o livro de capa vermelha, agoniado pela situação que se revelava ante seus olhos. Segundo seus cálculos, a apresentação na sociedade de Penélope prejudicaria o escasso orçamento que possuíam. No ano anterior haviam perdido parte da colheita, dizimando assim seus ganhos. Tudo devido a umas chuvas tardias que haviam assolado a região.
Por mais que estudasse a situação, não encontrava solução para as suas circunstâncias. A única coisa que levantava o seu ânimo era saber que Loretta desapareceria de sua vista durante meses, enquanto durasse o debute de Penélope em Londres.
Recordou, então, sua juventude num passado longínquo e nos erros cometidos. Agora compreendia o quanto se equivocara quando conheceu a sua esposa. Foi em uma festa de debutantes e logo quando a viu ficou hipnotizado por sua beleza e carinhosas palavras falsas.
Se deixou eclipsar por sua formosura, que resultou efêmera, já que, em poucos meses de casados começou a se mostrar tal qual era. Sua doçura fingida deu lugar a um ser despótico, mal humorado e avassalador. O que mais o desgostava em sua mulher era a forma como tratava suas filhas. Ao longo dos anos havia criado diferenças entre ambas, que não ajudavam a uma boa relação das irmãs. Sua predileção por Penélope roçava o delírio.
 Por esse motivo ele protegia a filha mais nova e tentava equilibrar a situação, já que temia que fosse consciente da indiferença da sua progenitora. Maryanne era apenas uma menina de espírito e coração limpos. Gostava de viver no campo e desfrutava das coisas simples que ali encontrava, e isso enchia seu pai de orgulho e emoção.
Penélope, ao contrário dela, era uma jovem que se caracterizava por seu mau gênio. Quando alguém se atrevia a contrariá-la, seu rosto angelical se transformava numa gélida máscara e só sua mãe era capaz de apaziguá-la. Desde a sua mais tenra infância fora educada pelos melhores tutores e preceptoras.








Série Saga Despertar
1 - Despertar com seu Amor


O Coração de uma Dama

O maior tesouro que um cavalheiro deve desejar é, sem
dúvida, o coração de uma dama.

Lady Sarah sempre foi apaixonada pelo melhor amigo de
seu irmão. Por isso, quando é apenas uma jovenzinha, ela
penetra em seu dormitório, na casa de campo de seus pais, e
lhe declara seu amor. Matthew Bonham, marquês de Rochdale,
foge no dia seguinte, preocupado com o interesse que
despertou, sem querer, no coração da irmã, de seu amigo.
Depois de quatro anos fora da Inglaterra, Matthew retorna
e encontra-se com Sarah, que já não é a jovezinha debutante
que caia de amores por ele. Além disso, por culpa de um malentendido propiciado por ele, Sarah será obrigada a casar-se… ou existirá alguma maneira de que ela se livre de um
casamento sem amor?

Capítulo Um 

Londres, 1817 
Lady Sarah Danvers estava mais que chateada, estava furiosa! 
Tanto que estava com as bochechas vermelhas de segurar a vontade de gritar algum esconjuro, pouco feminino. O problema era que sua mãe não acreditara em seu malestar quando ela fingiu uma doença, ou, talvez, a única coisa que preocupasse a duquesa viúva, era que sua filha perdesse outra noite da temporada, idêntica à anterior, e, portanto, suas possibilidades de encontrar um marido esse ano diminuíssem. 
Como se ela estivesse disposta a casar-se com qualquer um. 
Sua mãe ainda não havia compreendido suas intenções, depois dela rechaçar os cuidados de dez pretendentes? 
Fosse como fosse, sua tática fracassara e ali estava ela, outra vez, em um dos bailes mais abarrotados da temporada, quando teria preferido estar em sua casa ou, senão, o mais longe possível de certo marquês prepotente, antipático e terrivelmente atraente que rondava pelo salão, e que havia retornado para sua vida, no momento menos oportuno. 
Por isso estava há duas semanas em alerta, para não tropeçar nele, praticamente desde que ele retornara a Inglaterra, depois de sua longa viagem pelo continente, e, para isto, ela tivera que fingir mais enxaquecas do que havia sofrido em toda sua vida. Inclusive tivera que renunciar aos seus passeios a cavalo pelo Hyde Park, convencida como estava de que, se saísse com Desdémona para cavalgar, fosse o cedo que fosse, o encontraria lá. 
Espreitando-a, disposto a fazê-la lembrar da vergonha que passara. 
Por outro lado, sua tática de evasão conseguira bem pouco: somente que sua mãe contemplasse a ideia de mandar chamar o médico da família, para que certificasse que ela estava fingindo e, assim, continuar arrastando-a de baile em baile, à caça do marido perfeito ou, mais concretamente, pelo que ela considerasse que devia ser um modelo de virtudes e que se resumia em duas máximas: rico e com título.

15 de outubro de 2018

O Segredo de Natal

Série Os Segredos de Hadley Green 
Esta é uma novela sobre Eireanne O'Conner, a irmã mais nova de Declan O'Conner, 


(Ano em que Vivemos Escandalosamente), que retorna para a Irlanda para passar o Natal em Ballynaheath. Enquanto lá com Declan e Keira, e as gêmeas traquinas, Molly e Mabe Hannigan, Eireanne encontra um cavaleiro americano que captura sua atenção.



Capítulo Um

Inglaterra, Véspera de Natal, 1808
Como um menino crescendo nas margens do Rio Hudson, em Nova Iorque, Henry Bristol tinha sonhado em velejar o mundo em um navio mercante, ou residir em uma fazenda com matilhas de cães e manadas de cavalos para lhe fazer companhia. Como homem, ele de fato, possuía quatro finos cães de caça e uma manada de cavalos. Mas, infelizmente, em uma viagem da América para a Inglaterra, ele descobriu, da maneira mais cruel, que ele nunca seria um marinheiro. Ele passou a maior parte da viagem de um mês em seu beliche, verde como um sapo e muito doente.
Henry nunca sonhara que ele, de todos os homens, seria atingido por uma doença tão debilitante como o enjoo marítimo. Ele ficara forte e robusto dos anos passados ​​trabalhando nas vastas operações agrícolas de sua família, enquanto seu irmão, Thomas, tinha cuidado da olaria da família. 
Henry gostara de sua vida e do trabalho físico. Mas Henry gostara mais dos cavalos, e com a idade de vinte e seis anos, havia surgido uma oportunidade para ele treinar com um dos melhores criadores de cavalo em toda a Europa. 
Ele convenceu sua família que ele estava destinado à grandeza da criação de cavalos, e em uma tarde ensolarada de verão, ele partiu de Nova Iorque para a Inglaterra no maior navio que já tinha visto.
O navio mal saíra do porto quando Henry sentiu a primeira irritação doentia em sua barriga.
Não houvera fim à doença; ele lutou com ela pelo mês inteiro da viagem. Ele nunca ficou tão grato ao Todo-Poderoso como ficara quando o navio chegou a Inglaterra e ele esteve em terra firme mais uma vez.
Com suas pernas firmemente sob ele, Henry andou por Londres como havia sido previamente combinado, apenas para encontrar uma carta em seu hotel: Declan O'Conner, Conde de Donnelly, o criador de cavalos sem paralelo que concordara em tutorear Henry, estava no meio da reprodução de um cavalo para um conde dinamarquês e não poderia iniciar a sua instrução por um mês ou mais. 
Isso estava muito bem para Henry; ele passou a se recuperar de sua passagem horrível para desfrutar dos frutos que a vibrante cidade de Londres tinha a oferecer — os quais, francamente, eram muitos quando se tinha cartas de apresentação de famílias com bases tanto no Novo quanto no Velho Mundo.
O fato de que Henry era um americano e, portanto, uma espécie de curiosidade, significava que ele logo foi assediado com convites para finos salões, caças, corridas de cavalos com apostas que o deixaram atônito. Henry foi apresentado para mulheres bonitas e aprendeu os passos das danças mais populares. 
Ele estava começando a se sentir em casa quando foi informado de que Lorde Donnelly havia corrido de volta à Irlanda antecipadamente a algum escândalo tão surpreendente que o criado de Donnelly, um homem pequeno chamado Fish, mal podia falar disso.
— Mas eu paguei caro por esta oportunidade. — disse Henry com um pouco de irritação enquanto uma pequena onda de pânico desdobrava-se em sua barriga. — O conde pretende renegar o nosso acordo?
— Certamente que não. — disse o Sr. Fish, como se a sugestão fosse ridícula, mesmo à luz desse escândalo espantoso que tinha forçado o conde a fugir para a Irlanda. — No entanto, não é conveniente para a sua senhoria neste momento.
Henry tentou ficar zangado e decepcionado, mas não conseguiu. O que acontecia era que Londres era conveniente para ele, e alegremente se juntou a seus novos amigos em clubes de cavalheiros que pareciam estar em todos os cantos de Mayfair. Ele se tornou um excelente jogador. Cortejou um par de primas de uma família proeminente e se esqueceu da criação de cavalos.
Certa manhã, algumas semanas mais tarde, quando Henry voltou para o hotel com os olhos turvos e cheirando a uísque depois de uma noite particularmente memorável gasta em um antro de jogo em Southwark, o porteiro estendeu uma bandeja de prata para ele sobre a qual havia um pergaminho dobrado. Este trazia o selo de Ballynaheath na Irlanda, e um cavalheiro tinha escrito que o Conde de Donnelly receberia Henry agora, em dezembro de 1808.
Henry sorriu. Finalmente, ele iria encontrar o homem que, todos em Londres concordavam, criava os melhores cavalos na Europa. Henry fez as malas, chamou um cocheiro, e muito em breve depois disso, ele partiu através da encantadora zona rural inglesa até o País de Gales, onde iria embarcar em um navio para o que um companheiro jogador tinha garantido era um mero “pulinho” através do Mar da Irlanda.
Mas no momento em que Henry chegou na pequena e singular aldeia galesa de Holyhead, o cheiro salgado do mar e peixes o lembrou de seu calvário na vinda para a Inglaterra e deixou-o um pouco enjoado. Para piorar a situação, uma tempestade estava se formando no horizonte no qual eles estariam navegando.
— Todos a bordo, senhor — o comissário de bordo disse a Henry.
Henry olhou inquieto para o marinheiro.
— Você pretende navegar por aquela tempestade?
O marinheiro olhou ao horizonte de forma casual.
— Ela vai passar, aye — disse ele. — Todos a bordo, por favor.

 





11 de outubro de 2018

Segredo na Noite




Elisabeth Holmes parece uma simples debutante, mas o que ninguém sabe, é que, por trás de sua delicada aparência se esconde um detetive particular que trabalha para as damas da alta sociedade londrina.

Seu último encargo é Edward Sinclair, conde de Carlyle, um homem frio e distante, que como ela, esconde seus segredos nas sombras da noite.
Ambos descobrirão que nenhum é o que realmente aparenta, embora já seja tarde para esconder o desejo que despertam o um no outro.

Capítulo Um

Nada podia comparar-se à excitação que percorria seu corpo, cada vez que deixava para trás, as seguras e luxuosas ruas que rodeavam o turbulento mundo da aristocracia. O chá da tarde, os bailes, noitadas até o amanhecer... Todas elas atividades com certo encanto, embora com altas doses de sóbrio aborrecimento.
Elisabeth Holmes, não, naquela noite ela era outra pessoa, era o senhor Smith, para sermos mais concretos, decidira deslizar-se sozinha através das empedradas ruas enegrecidas pela fumaça das fábricas. A noite estava salpicada de estrelas e a brilhante lua iluminava seu caminho.
Vestida com calças justas e uma larga capa de tosca lã, negra, sua figura se deformava, até fazê-la parecer uma simples pilastra, nos subúrbios de Londres. Subiu o escuro lenço acima do queixo e o rosto ficou suficientemente oculto, para não ser reconhecida.
Na esquina mais próxima a seu objetivo, deteve-se. Permaneceu quieta, escondida entre as sombras. O carro de aluguel lhe aguardava somente a uma rua dali. 

Depois de ter desembolsado uma suculenta soma de dinheiro, o cocheiro a esperaria o bastante perto, para fazer uso do veículo se seus planos saíssem mal.
Agora, era questão de ter paciência, somente devia esperar que o homem, de largos ombros e grossos cabelos negros, aparecesse pela porta que ela, tão atentamente estava observando.
As ruas de Londres não eram seguras, mas segurança era a palavra mais aborrecida que Elisabeth possuía em seu vocabulário. Segurança era sinônimo de marido, opressão, e um sem-fim de adjetivos, que acompanhavam a vida de qualquer mulher, o suficientemente estúpida para seguir as regras do jogo, de semelhante sociedade hipócrita. Sentiu a opressão no peito causada pela ansiedade, mas respirou fundo e a jogou para um lado. 
Por sorte tinha aquilo: a aventura de ser quem era, um detetive com calças justas e capuz negro que se escondia entre as sombras para poder gozar da liberdade, e das emoções vertiginosas que todas essas missões noturnas lhe conferiam.
Uma nuvem de bafo saiu de entre seus lábios, apertou a longa capa contra o corpo magro e soprou dentro das mãos, para esquentar os dedos. Apoiou o ombro nos frios tijolos do edifício a seu lado. De repente pressentiu o perigo. Sua respiração se entrecortou, consciente de que não deveria haver se descuidado tanto.
Uma forte mão lhe apertou a garganta enquanto lhe jogava o pescoço para trás. Um braço rodeou sua cintura, imobilizando-a. Foi estranho não sentir o desejo de gritar, mas não havia necessidade. Não serviria para nada. Sabia quem era seu captor.
— Elisabeth, — escutou ele sussurrar seu nome.
Fechou os olhos enquanto o coração lhe galopava, desesperadamente, no peito. O poderoso braço masculino a estreitou, até ficar, totalmente, esmagada contra seu duro peito.
Respirou fundo ao ver que seus sentidos despertavam. Traidores calafrios a percorriam de cima abaixo. Não podia concentrar-se em escapar, pois sentia a pressão de seu largo torso nas costas, e seu embriagador aroma lhe embotava os sentidos.
— Edward, — gemeu ao mesmo tempo em que a mão masculina se movia sobre seu ventre.
Edward Sinclair, aquele homem misterioso com um rictus imperturbável e permanente em seu rosto, a fez saber, mais uma vez, que ela não detinha o poder de dominar a situação.
— Senhorita Holmes, — repetiu mais sensualmente desta vez. — O que faz uma pomba como você, fora de seu ninho, a estas horas?
Ela não respondeu, mas escutou as palavras se derramarem em seu ouvido, como se quisesse seduzi-la com isso.
Oh, deuses! 



9 de outubro de 2018

Vaticinio de Amor

Lavinia é destinada pelo senado de Roma, com a idade de dez anos, a servir no templo da deusa Vesta1 como uma das virgens vestais, durante um período de trinta anos, sem possibilidade de conhecer o amor de um homem.

Um plano ardiloso do imperador Domiciano ou, talvez, simplesmente, a força do destino, fará com que sua sorte mude, e Marcus, um centurião romano que considera todas as mulheres, falsas e traiçoeiras, será o encarregado de protegê-la em sua longa viajem até à Britania, tão perigosa quanto fascinante.
Enquanto Marcus só acredita na honra, no cumprimento do dever e na glória de Roma, Lavinia está disposta a arrebatar seu destino das mãos dos deuses, e fazer vacilar as convicções do atraente centurião. Poderá o coração ganhar a batalha contra a razão, quando precisam escolher entre o amor e a honra? Lavinia aceitará o novo destino que lhe oferecem os deuses e renunciará ao amor somente pela glória de Roma? A meu pai, sonhador de histórias e poemas, que me ensinou a arte de escrever.

Capítulo Um

Roma, ano 68 D.C.
Disseram-lhe que ela nunca se casaria. Não é que Lavinia fosse supersticiosa, bem, talvez um pouco, mas é que à tenra idade de dez anos, quando apenas despertava sua feminilidade, aquelas palavras lhe caíram em cima como uma laje. Foi incapaz de se mover quando lhe pediram que se retirasse da sala, e sua mãe precisou tirá-la quase de arrasto do templo do oráculo. 
A favor de Lavinia pode-se dizer que ela não chorou, nem montou um espetáculo; ergueu-se tão alta quanto era, toda braços e pernas, e caminhou como a mais nobre das matronas romanas, ao mesmo passo de sua mãe, que de tempos em tempos lhe dirigia um olhar preocupado. 
Flavia havia sido e continuava sendo uma mulher formosa. Os deuses lhe concederam ser mãe de quatro moças. As três mais velhas se pareciam com ela, e assim que chegaram à idade casadoira, conseguiram obter poderosas alianças com algumas das famílias patrícias mais notáveis de Roma. A quarta filha, Lavinia, herdara o coração e a doçura de sua mãe, alguma coisa de seu rosto, talvez a inclinação das sobrancelhas, mas nada mais; o resto pertencia, sem dúvida, a seu pai, Quinto Lavinius, membro do senado romano. 
À idade de onze anos, Lavinia já ultrapassava suas irmãs em estatura; seu cabelo ― não da cor do ouro como o que possuíam suas irmãs, mas sim de uma simples cor clara, sem cor definida ― não caía em encantadoras ondas, como o delas, mas permanecia liso inclusive durante os quentes meses do verão, quando o clima se tornava muito úmido na capital do Império e todos fugiam para as vilas situadas nos subúrbios da cidade. 
Seus olhos tampouco eram azuis, nem verdes, nem sequer negros, mas sim de um marrom lodoso que se assemelhava ― dizia a própria Lavinia ― ao lodo das margens do Tíberis. Flavia deixou escapar um suspiro. Sua filha Lavinia não seria considerada formosa quando alcançasse a idade casadoira, mas quem a desposasse levaria um verdadeiro tesouro, não só porque era afetuosa e possuía um coração generoso, além de um caráter leal e uma vontade firme, mas, sim, porque possuía uma estranha beleza que emana de dentro e não se percebe no exterior à primeira vista, mas sim vai se tornando atraente com o passar do tempo. 
O difícil, naquele momento, seria convencer sua filha daquelas coisas, especialmente depois de ter escutado as palavras do oráculo. Tal como fizera com as irmãs dela, Flavia levara sua filha para visitar o oráculo da deusa Fortuna em Preneste, nos subúrbios de Roma. Ao chegar sua vez, Lavinia dissera seu nome e interrogara a deusa sobre seu destino, tal como ditava o ritual. Uma sacerdotisa misturava as sortes, as tabuletas da fortuna, e extraíra uma. O destino foi interpretado pelas sacerdotisas. Por que, em nome de Vênus, lhes ocorrera dizer que ela não se casaria? Não poderiam ter mentido, ou ao menos ter adoçado um pouco a verdade.

Rival

Série Família Sherbrook
A saga Sherbrooke continua com James e Jason Sherbrooke, os gêmeos idênticos tão parecidos com a sua tia Melissande, que irrita profundamente o pai dos rapazes, o conde. 

James, vinte e oito minutos mais velho do que o seu irmão é o herdeiro. Tem uns profundos e sólidos princípios, apaixonado estudante de astronomia, gosta de montar a cavalo e, ao contrário do seu irmão Jason, gosta de aprender os prós e contras da administração das propriedades que um dia vai herdar. Nunca se lança cegamente numa aventura, assim como a sua vizinha, Corrie Tybourne Barrett, que ele conhece desde que eram pequenos, e a qual nunca tinha visto limpa. Há muito tempo atrás, cansado das suas travessuras e do seu desdém, e depois de uma tentativa de jogá-lo por um penhasco, deulhe uns açoites. Uma história um pouco desalentadora para ambos. Mas quando o conde, Douglas Sherbrooke recebe ameaças de morte, que levam diretamente para o seu passado e a George Cadoudal, morto há bastantes anos, tudo apontando para uma história em particular, Corrie, James e Jason vão unir forças para descobrir o que está acontecendo.

Capitulo Um

Northcliffe Hall - Agosto, 1830
James Sherbrooke, Lorde Hammersmith, vinte e oito minutos mais velho que o seu irmão, perguntava-se se Jason estaria nadando no Mar do Norte pela costa de Stonehaven. O seu irmão nadava como um peixe, sem se importar se a água congelava as suas partes, ou se o aconchegava num banho quente. Ele diria enquanto se sacudia como o seu cão Tulipán, “Bem, James isso não importa, não é verdade? É bastante parecido a fazer amor. 
Pode estar numa praia arenosa com as ondas frias mordicando os dedos dos seus pés, ou dando voltas num colchão de penas no final, o prazer é o mesmo.” James nunca tinha feito amor numa praia arenosa, mas presumia que o seu gêmeo tinha razão. Jason tinha um modo de dizer a coisa que te divertia mesmo enquanto concordavas.
 Jason tinha herdado esse dom, se isso era realmente o que era, da sua mãe, quem uma vez tinha dito enquanto olhava amorosamente a James, que tinha dado à luz uma prenda de Deus e que agora era o momento de apertar os dentes e dar à luz a outra prenda. 
Com estas palavras tinha ganho olhares de puro assombro dos seus filhos e, claro, conformidade, a tal ponto que o seu pai tinha dado a ambos uma olhadela de profunda antipatia, tinha bufado e falou: “Mais umas prendas do diabo.” “Meus preciosos rapazes,” dizia ela, “é uma pena que sejam tão formosos, não é verdade? Isso incomoda realmente o vosso pai.” 
Eles olhavam-na fixamente, e uma vez mais concordavam. James suspirou e afastou-se do penhasco que dava para o Vale Poe, uma adorável extensão de verde ondulante, salpicada com árvores de ácer e lima, divididos por antigas cercas. 
O Vale Poe estava protegido por todos os lados por baixas colinas Trelow; James sempre acreditara que algumas dessas extensas colinas rodeadas eram antigos túmulos. Ele e Jason tinham criado inúmeras aventuras sobre os possíveis habitantes desses túmulos; Jason sempre tinha gostado de ser o guerreiro que vestia peles de urso, pintava a cara de azul e comia carne crua. Entretanto, James era o curandeiro, que mexia os dedos e fazia com que o fumo subisse em espiral para o céu, e fazia chover chamas sobre os guerreiros. James deu um passo atrás. 
Uma vez tinha caído desse mesmo penhasco, porque ele e Jason tinham estado lutando com espadas, e Jason tinha esmagado a sua espada contra a garganta de James, e James tinha-se agarrado à garganta e tinha-se sacudido; tudo drama e nada de estilo, tinha-lhe dito Jason mais tarde. Tinha-se desequilibrado e tinha caído pela colina, com os gritos do seu irmão. “Estúpido e condenado chorão, não se atreva a matar —se! Foi somente uma ferida no pescoço!” 
Ele tinha rido mesmo enquanto aterrava no fim da colina. Forte. Mas graças a Deus tinha sobrevivido somente com hematomas no rosto e nas costelas, o que tinha feito que a sua tia Melissande, que estava de visita a Northcliffe Hall, esbravejasse enquanto lhe passava as mãos pelo rosto. 
“Oh, meu querido rapaz, deve cuidar do seu seleto e perfeito rosto, e eu deveria sabê-lo, já que é como o meu.” O seu pai, o conde tinha falado para o céu, “Como pode ter acontecido uma coisa semelhante?” 








Série Família Sherbrook


No Castelo de Pendragon

Série Família Sherbrook
Quando seu primo Jeremy Stanton-Greville, a quem Meggie adora em silêncio desde os treze anos, lhe quebra o coração, ela embarca em um matrimônio apressado com Thomas Malcombe, o conde de Lancaster, um homem desiludido pelas más experiências com as mulheres no passado. 

Thomas leva a sua mulher a Pendragon, um velho castelo na costa sul oriental da Irlanda. É um lugar lúgubre, repleto de gente excêntrica, mas Meggie, que se esforça por conquistar o seu marido, a contra gosto dele, até que descobre que ela está ali por razões que poderiam conduzir a um desastre.

Capítulo Um

Corridas de gatos. Circuito McCaulty, próximo de Eastbourne, Inglaterra. 
Uma tarde de sábado ensolarado, abril de 1823 – Senhor Raleigh tire o Pequeno Tom do caminho do Senhor Cork! Por todos os diabos, ele está atrapalhando–o! 
Alguém tirou do caminho o Pequeno Tom justo a tempo, dois segundos mais tarde e o Senhor Cork o haveria feito em picadinho. Pequeno Tom era a grande esperança do senhor Raleigh, mas ainda não estava pronto para a competição dessa categoria. 
Pequeno Tom, negro como um parente do diabo e de diminutas patas brancas, não tinha mais que um ano, ainda não era um adulto nem estava bem treinado. 
Sem dúvida, quando os corredores já haviam saído disparados e haviam passado a velocidade de um raio, o senhor Raleigh voltou a colocar Pequeno Tom na pista, lhe deu uma palmada nos traseiros e lhe falou algo no ouvido. Esse murmúrio, sem dúvida, era a promessa de uma ração com pedaços de fígado de frango. Ao imaginar o saboroso que seria esse manjar até chegar a seu estômago, Pequeno Tom saiu propulsado para diante. Meggie Sherbrooke estudou os corredores, e com as mãos a modo de corneta voltou a gritar:
 – Por todos os diabos, Senhor Cork, corra! 
Não deixe que lhe alcance Mascarado II! Pode fazê–lo, corra! O reverendo Tysen Sherbrooke costumava passar por alto os momentos ocasionais em que sua filha recorria à blasfêmia predileta dos Sherbrooke, posto que era bastante apropriada para a corrida. Ele também gritou: – Corra, Senhor Cork, corra! Cleópatra, pode fazê–lo, vamos, bonita, vamos! 
O Senhor Cork, que fazia seis meses havia entrado na idade adulta, era um corpulento felino tigrado, de riscas alaranjadas no lombo e na cabeça, e com o ventre e as patas brancos como a neve, era tão forte como Clancy, o macho campeão do senhor Harbor. Senhor Cork corria atraído unicamente pelo aroma de uma truta; de uns três quilos de peso e sempre morta, graças a Deus. O peixe estava temperado com umas gotas de limão acabado de espremer e pendia da mão de Max Sherbrooke, situado na linha de meta. 
O garoto a fazia oscilar a modo de metrônomo e assim mantinha a atenção do Senhor Cork no peixe. Certamente, quando não se encontrava no período de treinamento, o bichano passava muitas manhãs parado junto à mesa da sala de jantar e deixava pairar acima uma coberta de riscas alaranjadas, agitando–a com um balanço preguiçoso. 
Com ele anunciava que estava pronto para que lhe servissem um delicioso lanche de bacon crocante, ou quem sabe uma tigela de leite, ou ambas as coisas, no caso de que seu benfeitor se sentisse generoso. Cheia de admiração, lady Dauntry disse que o Senhor Cork que era corpulento e forte, e que tinha as pernas musculosas, era puro poder e poesia em movimento. Lady Dauntry era a mestre–de–cerimônias desde os quatorze anos e jamais havia deixado de comentar as corridas. Inclusive aquelas que não acompanhava. Detestava a corrupção do circuito. No ano de 1823, havia um rumor de que existiam tentativas de adulterar os resultados das corridas. 
Por ela, todos os gatos se submetiam a uma estrita vigilância. Mary Rose, a mulher escocesa que havia se casado com Tysen fazia oito anos, gritou com uma vozinha aguda e cândida: 
– Corra, Cleo, bonita, corra! – Em seguida gritou a todo o pulmão: – Pode seguir seu ritmo, Alec! Corra, garoto!
 






2 de outubro de 2018

Amor Escandaloso

Dinastia Warenne
A rebelde e independente Lady Nicole Bragg Shelton se recusa a ser restringida pelas regras sufocantes da Inglaterra Vitoriana.

E agora, o desejo impeliu a bela herdeira para uma ligação chocante com Hadrian Braxton-Lowell, Duque de Clayborough.
Ligado pelos ditames da honra e do dever para com a mulher, Hadrian é encurralado pela conduta ousada de Nicole, mas fascinado pelo seu espírito livre de fogo e sensualidade de tirar o fôlego.
Embora decidido a fazer a beleza de cabelos negros sua amante, nunca concordará em se casar com ela. Mas Nicole não é brinquedo de nenhum homem. E está preparada para arriscar a infelicidade para satisfazer sua paixão selvagem e intransigente... e ganhar a lealdade inabalável do duque e seu amor eterno.

Capítulo Um

Dragmore, 1898
— Você tem visitantes minha senhora.
— Mas eu nunca tenho visitas — protestou Nicole.
Aldric olhou para ela, seu rosto enrugado insondável, embora seus olhos castanhos estivessem brilhando — As senhoras Margaret Adderly e Stacy Worthington, minha senhora.
Nicole ficou surpresa. É claro que era um exagero dizer que ela nunca tinha visitas, sua melhor amiga, a viscondessa de Serle, assim como a nobreza local e sua família, fazia visitas com bastante frequência. Mas eles realmente não contam. O que contava era o fato de que ela mesma não tinha o costumeiro grupo de pessoas que se visitavam como as outras jovens de sua classe. Não nos últimos anos desde o escândalo... O que essas mulheres que ela nunca conhecera poderiam querer?
— Diga a eles que eu vou descer, sirva refrescos, Aldric — disse ela ao mordomo. Uma bolha de excitação surgiu nela. Aldric assentiu, mas antes de sair ele levantou uma sobrancelha branca e espessa.
— Talvez eu deva mencionar que você estará lá em alguns minutos, minha senhora?
Ela entendeu e riu olhando tristemente para os calções de homem e botas de montaria enlameadas. Embora tenha sido quase o alvorecer de uma nova era — o século XX — as mulheres não usavam roupas masculinas mesmo quando tinham justa causa. Algumas coisas nunca mudam.
— Que bom que tenho você para me lembrar, Aldric. Eu não deveria afastar meus ilustres visitantes antes mesmo de descobrir por que eles vieram.
Ainda rindo esperou que Aldric saísse imaginando o choque que as duas senhoras no andar debaixo receberiam se a vissem vestida como um homem.
Nicole suspirou honesta o suficiente consigo mesma para saber que sua atitude despreocupada e seu senso de humor inadequado não ajudariam sua situação — não que ela estivesse realmente em uma situação, lembrou a si mesma. Afinal, ela escolheu permanecer no país.
Enquanto folheava descuidadamente o armário para as roupas de baixo apropriadas, admitiu para si mesma que era bom ter mulheres jovens a visitando. Fazia muito tempo. Não que ela não estivesse feliz em Dragmore, porque ela estava. Sua vida era Dragmore, cavalos e livros. Era só isso, bem, fazia muito tempo.
Nicole vestiu uma combinação, meias e anágua o mais rápido que pôde. Ela odiava espartilhos e se recusava a usá-los, embora tivesse 1,81 de altura em seus pés descalços.
Ela era maior que a maioria das mulheres e depois havia a idade dela e se recusou a tentar cingir sua cintura como se tivesse 1,5 metros de altura, dezoito anos e menos de cem quilos. As pessoas adoravam conversar. Não foi apenas uma questão de conforto, Nicole era uma leitora voraz. Ela concordava com algumas de suas escritoras favoritas que preferiam calças e calções, em vez das modas atuais que segundo elas eram constrangedoras e pouco saudáveis como os espartilhos. 
Assim como a sociedade moderna inventou regras de decoro expressamente para manter as mulheres em seu lugar, também inventou as modas para o mesmo propósito.
Afinal de contas não se poderia esperar de uma dama que fizesse mais que sorrir e respirar. Uma dama não podia correr, cavalgar, atirar ou pensar. Uma dama era recatada.
Nicole era sábia o suficiente para saber que ela deveria manter sua sabedoria para si mesma.
Quando ela terminou de se vestir parou por um instante para olhar nervosamente no espelho, ciente do nó apertado de antecipação em sua barriga. Ela fez uma careta para si mesma.
Não era que ela não gostasse de sua jaqueta e saia azul-marinho, pois não se importava com roupas, desde que não fosse restringida por elas. Foram outros aspectos de sua aparência que a desagradaram.
Ela suspirou — Bem, o que você esperava? — perguntou seriamente ao seu reflexo — Ser mais baixa? Ser loira? O que você é, uma idiota? Se as pessoas julgarem você pela sua aparência é porque não valem um centavo.
Sua porta se abriu — Você está me chamando, minha senhora?
Nicole corou, se os servos a pegassem falando sozinha, ela nunca escaparia disso
— Uh, sim Annie, você levaria minhas calças para Sue Anne? O joelho esquerdo precisa de remendos. Sorriu brilhantemente, esperando até que Annie pegasse as calças e saísse. Então olhou para si mesma com uma carranca, ainda era ridiculamente alta e muito escura.
Ela herdou toda a aparência morena de seu pai e nada de sua pequena mãe loira. Ela não era rabugenta por natureza, mas o cabelo dela não podia ser marrom em vez de negro?
Ela deveria ter pedido a Annie para ajudá-la com seus cabelos, em vez de inventar uma história sobre suas calças, tentando passar um pente, porque a massa preta grossa e ondulada caiu até a cintura e era indomável sem um segundo par de mãos. Era tarde demais para isso agora e Nicole a amarrou de volta rapidamente com uma fita.



Dinastia Warenne
1 - O Conquistador
2 - A Promessa da Rosa
3 - O Jogo
4 - O Prêmio
5 - A Farsa
6 - A Noiva Roubada
7 - A Filha do Pirata
8 - A Noiva Perfeita
9 - Um Amor Perigoso
10 - Uma Atração Impossível
11 - A Promessa
12 - Casa dos Sonhos
13 - Amor Escandaloso
14 - Depois da Inocência
Série concluída



Como Casar com um Highlander

Série O Clube do Falcão
Com sete problemáticas meias-irmãs sob sua responsabilidade Duncan, o Conde de Eads, tem um problema: está falido. 

Com a perspectiva de ter que se casar com o pastor local, Lady Teresa Finch-Freeworth tem um sonho: casar-se com o bonito Highlander que viu no baile. 
Como faz uma dama desesperada para convencer um resistente latifundiário de que é a esposa perfeita para ele? Ela aposta que, se conseguir encontrar sete maridos para suas sete irmãs, o Conde terá que casar-se com ela. Duncan não tem intenções de casar-se com a intrometida dama, e lhe dá um tempo limite, que inclusive a mais audaz casamenteira não poderia conseguir… um mês. Mas Teresa impõe suas condições também: a cada noivo que consiga, o Conde deve premiá-la com atos cada vez mais íntimos.

Capítulo Um

Lady Teresa Finch-Freeworth vivia em circunstâncias invejáveis. Não sofria de pobreza ou sequer se aproximava dela. Não era a desventurada protegida de um cruel ou vingativo guardião e não fora reduzida pelas circunstâncias ao estado de servidão. 
Não era incrivelmente feia ou dolorosamente tímida. 
Não perdera sua fortuna para um caçador de fortunas, ou sua virtude com um homem promíscuo. 
Em vez disso, sua família ganhava mais de dois mil, por ano, graças às terras da Mansão Brennon, suficiente para manter quatro caçadores e um canil de não menos de dez perdigueiros, e tratamentos para a Sra. Finch… em doenças frequentemente inventadas, muitas visitas da parte de seus três filhos, e as dez semanas que Teresa esteve em Londres com a tia Hortênsia, no ano passado.
Os pais de Teresa eram negligentes com ela e antipáticos, mas não desagradáveis. Ela era razoavelmente bonita e possuía um sorriso genuíno. Possuia uma mente curiosa e, apesar de sua tendência de inventar histórias escandalosas com toda a aparência de serem verdadeiras (ou possivelmente devido a isso), era bastante querida em Harrows Court Crossing, onde viveu sua vida inteira, exceto por aquelas dez semanas em Londres. 
Seu pai guardara um dote para ela que era suficiente para recomendála para um pretendente respeitável. E finalmente, aos vinte e dois anos, conservava sua virtude. Nesta (a última parte) encontrava-se o problema. Teresa possuia um sonho de beijar um homem. 
Muitos sonhos. Sonhos vivos. E não eram somente a respeito de beijar. Estes sonhos eram animados por sua aventureira faxineira, Annie, que compartilhava com sua senhora, mais detalhes de suas aventuras dos que uma dama solteira deveria escutar. 
Em Londres, entretanto, os sonhos de Teresa aumentaram, mas com a substituição de um beijo anônimo, por um beijo com um homem de verdade: o Conde de Eads. Isto a havia deixado irremediavelmente frustrada e um pouco decepcionada. Por boas razões: Lorde Eads a vira uma vez, olhou-a fixamente através de um salão de baile, com grande intensidade, admiração e, possivelmente, desejo, deixando-a sem fôlego, então, abruptamente, ele deixou Londres sem procurar conhecê-la; agora ele vivia em sua propriedade nas terras escocesas; uma dama não conseguiria beijar um homem a duzentos quilômetros de distância; e ela estava começando a esquecer como ele se parecia.
Entretanto, os detalhes que recordava dele continuavam inspirando seus sonhos: muito alto, ombros largos, e muito masculino; com longo cabelo escuro, intensos olhos azuis, uma mandíbula quadrada, e pernas, cuja musculatura transformara seus joelhos em gelatina.








Série O Clube do Falcão
3 - Como Casar com um Canalha
3.5 - Como Casar com um Highlander
4 - O Canalha e Eu

29 de setembro de 2018

A Passageira Clandestina do Pirata

Série Duques da Guerra
O Capitão Blackheart leva uma vida simples ao percorrer os mares, pechinchando e caçando tesouros.

Ele evita envolvimentos românticos que poderiam prendê-lo à terra. Ele não deveria ter nenhuma dificuldade em manter as mãos longe da dama de estirpe que foi contratado para raptar, exceto que sua carga acaba por ser briguenta e apaixonada! 
Ela seria um prêmio que valeria a pena conservar, se tê-la a bordo não comprometesse tudo ...Clara Halton achou que a pior perda que poderia sofrer era ser despojada de sua família, acometida pela tuberculose, e deixada para morrer sozinha. Então ela conhece Blackheart. Sua atração é ruinosa ... e irresistível. Quando ele a entrega como se fosse mais uma pilhagem, sua missão acabou — mas a dela está apenas começando. Ela vai forçá-lo a reconhecer sua conexão, mesmo que ela precise invadir o navio dele para fazê-lo! 

Capítulo Um

Fevereiro de 1816, O Dark Crystal, Oceano Atlântico
O infame pirata Blackheart estava na proa do seu navio, sorrindo para a corrente de ar salgado, quando o primeiro sinal da América surgiu no horizonte.
Apesar do frio do inverno, o céu estava claro e azul, com o vento e o sol nas suas costas. Era mais do que um bom presságio. Era um dia perfeito para qualquer das atividades favoritas do Capitão Blackheart. Velejar. Fornicar. Beber. Correr a cavalo. Lutar com espadas. Enfrentar embarcações inimigas. Comandar uma fragata desafortunada.
Nada era melhor do que a liberdade dos mares.
— Terra à vista! — Veio o grito familiar do ninho do corvo.
O bom humor de Blackheart desvaneceu. Ele abandonou a supervisão da navegação ao contramestre sem uma palavra.
Não havia necessidade de gritar ordens. A maioria da tripulação fazia parte de sua família há tempo suficiente para reconhecer as nuvens de tempestade que se formavam nos olhos de Blackheart, e todos à bordo já tinham seus afazeres permanentes.
Sem brigas desnecessárias. Nada de beber em excesso. Fornicar era sempre permitido, mas somente se a tripulação se apressasse. O Dark Crystal só estaria ancorado no Porto da Filadélfia tempo suficiente para Blackheart cumprir a sua missão, e então eles navegariam pelo Rio Delaware e voltariam para o mar com a mesma rapidez.
O pagamento só seria entregue após o recebimento da encomenda. Nesse caso... uma velha doente chamada Sra. Halton.
Apesar de ser um pirata de aluguel, Blackheart não tinha o hábito de sequestrar inocentes. Antes do fim da guerra, oito curtos meses atrás, ele fora um corsário para a Marinha Real. Um pirata do governo. Um pirata legalizado. Agora que ele era um contratante independente, ele tentava defender o espírito (se não a letra precisa) da lei.
Era o caminho mais seguro para evitar a forca.
As solas das botas de Blackheart pisavam silenciosamente contra a madeira polida, enquanto ele se dirigia a passos largos para a escotilha da sala de armas. Ele desceu a escada até a cabine do capitão e entrou para reunir seus suprimentos.
O primeiro item: uma gravata recém-engomada. Essa missão exigiria charme. Segundo item: uma pistola recentemente limpa e com munição extra. Um pirata pode não esperar problemas, mas certamente pretendia terminá-lo. Terceiro item: uma pesada bolsa de moedas. Se tudo o mais falhasse, o ouro era muitas vezes mais forte que as balas. E ele planejava usar todas as armas à sua disposição.
No momento em que a escuna ancorou no porto, Blackheart estava barbeado, afetado e fresco como uma margarida. Oh, certamente, sua pele bronzeada pelo sol era de um marrom não aristocrático — e era generosamente adornada com uma quantidade verdadeiramente não cavalheira de cicatrizes — mas a maioria estava escondida debaixo de suas reluzentes botas Hessians, calções de camurça macios, colete castanho-amarelado, gravata branca ofuscante, e fraque azul-escuro com duas fileiras de botões dourados.
A pistola escondida em sua tipoia ajustada mal fazia uma protuberância sob tantas camadas de janotismo.
Ele dispensou a espada e a bengala de passeio, porque ele pretendia fazer o resto da viagem a cavalo, e considerou deixar seu chapéu para trás também. Era improvável que ficasse em sua cabeça em um galope, e seria esmagado no alforje...
Com um suspiro, Blackheart pegou o chapéu de castor e colocou-o na cabeça. Ele não tinha ideia de quão facilmente manipulável a Sra. Halton poderia ser, ou se ela seria uma daquelas matronas velhas e histriônicas que se recusavam a ser vistas em público ao lado de um cavalheiro com uma cabeça nua.
O Plano B era atirá-la sobre o ombro e resolver o assunto, mas Blackheart havia prometido ao Conde de Carlisle, que ele pelo menos tentaria persuadir o pacote a acompanhá-lo voluntariamente.
E embora Blackheart nunca fosse admitir isso em voz alta, ele tinha uma opinião bastante alta de seu próprio charme e das vovós. Ele faria tudo ao seu alcance para fazer a viagem para a Inglaterra o mais agradável possível para a Sra. Halton, e já havia instruído sua equipe a tratá-la como se ela fosse a própria mãe deles. Com alguma sorte, ela seria do tipo que assava tortas e biscoitos. Ou, pelo menos, não vomitaria no Dark Crystal inteiro.
Levando nada mais do que um par de luvas e uma pequena mochila, ele desceu da prancha em busca do cavalo mais rápido para alugar — e quase tropeçou em um subnutrido garoto do jornal vendendo as manchetes de hoje por um centavo.
Em circunstâncias normais, Blackheart teria jogado ao menino uma moeda e o deixaria ficar com o jornal... mas a fonte preta estampada na parte superior parou o capitão onde estava.
Blackheart pegou o jornal e tentou ler sobre o ranger de seus dentes. Ele não tinha certeza do que mais odiava sobre o Corsário Carmesim: que o homem era um desonrado louco de sangue frio, ou que ele começara a receber mais atenção da imprensa do que o próprio Blackheart.
— Você vai pagar por isso, senhor? — Veio uma voz beligerante, de alta frequência abaixo de seu cotovelo.
Ele bateu com força o jornal de volta para a pilha, juntamente com uma brilhante moeda nova, e saiu da doca. Agora não era o momento de pensar sobre o Corsário Carmesim. Uma vez que a Sra. Halton fosse entregue com segurança, Blackheart e sua tripulação estariam livres para perseguir qualquer missão que quisessem — talvez um rápido procurar e destruir um navio corsário — mas para o momento, ele precisava manter o foco. Não só ele tinha dado a Carlisle sua palavra, como essa missão seria muito fácil. Agarrar a mulher, conseguir o dinheiro. As mais fáceis trezentas libras de sua vida.
A zona rural da Pensilvânia passou voando, o céu escurecendo enquanto cavalgava. Blackheart manteve-se nas estradas utilizadas pelas diligências postais, com a finalidade de trocar de cavalo nas casas de postagens... e também para não perder o caminho. Ele estava acostumado com a Inglaterra e com o mar aberto, não com essas escassamente povoadas trilhas americanas que serpenteavam sem parar entre cidades maiores. Ele nunca se sentia confortável quando estava fora de vista da água, e ele estava se afastando mais do oceano a cada passo.
Apesar do impressionante número de pequenas cidades que se cruzavam nas longas estradas poeirentas, ele sentia-se mais isolado com cada milha que passava. As refeições apressadas que ele fazia nas tavernas do interior não se pareciam com a camaradagem barulhenta a bordo de seu navio. Ele mal podia esperar para completar essa missão.
Felizmente, ele teve que passar a noite em uma pousada apenas uma vez, antes de finalmente chegar à cidade onde seu alvo residia.
O chalé desmazelado estava exatamente onde suas instruções diziam que estaria, mas o estado de abandono fez Blackheart parar. O jardim crescera tanto que era quase selvagem. O exterior estava sujo e coberto de teias de aranha. Nenhuma fumaça saía da chaminé. Nenhuma luz de vela brilhava nas janelas.
Alguém já havia raptado sua presa? Ela simplesmente se mudou? Ou, Deus me livre, morreu de velhice durante sua viagem da Inglaterra?
Em vez de marchar cegamente em território desconhecido, ele virou o cavalo em busca do chefe do correio local, a fim de determinar se o seu alvo ainda estava na mira — ou se as regras do jogo haviam mudado.
— Sra. Halton? — Repetiu o pálido chefe dos correios quando Blackheart interrompeu o seu almoço. — Sra. Clara Halton?
— Sim. — Blackheart respondeu calmamente, enquanto se erguia sobre a mesa de jantar. — Eu vim visitá-la.
— Mas você não deve, senhor. — O chefe dos correios continuou em frente, apesar da sobrancelha levantada do capitão. — Você não pode. Ela está doente...
— Estou ciente de que a Sra. Halton tem estado doente.
— ... com tuberculose. — O chefe dos correios terminou, os olhos arregalados com um mau pressentimento.
Embora o sorriso de Blackheart não vacilasse, seu sangue gelou. Tuberculose. O jogo tinha realmente mudado.
— Há quanto tempo ela está doente? — Ele perguntou em voz baixa.
— Eu não sei direito...




26 de setembro de 2018

Guiomar

Guiomar é a última filha da nobre linhagem de Dom Froilán. 

Desde pequena se sente fascinada pelo mundo dos cavalheiros e das batalhas, e quando seu pai recebe o apelo para que algum de seus filhos vá lutar na guerra, decide em segredo, que se fará passar por um jovem e atenderá a chamada sob o nome de Juan de Valdeón.
No campo de batalha trava amizade com um companheiro e começará a sentir por ele algo mais que amor fraternal, sentimento que vê correspondido, mas que choca com seu papel de homem. Sua decisão a arrastará a uma situação na qual terá que decidir entre a honra e o amor.

Capítulo Um

Jogos infantis
— Guiomar, não corra! — A voz de Dona Teresa mal chegava aos ouvidos da menina, pois o vento que rodopiava à sua volta abafava todo o som. — Ai, Senhor, esta menina vai cair qualquer dia e vai quebrar todos os ossos. Guiomar!
A sétima filha de Dom Froilán, que naquele inverno comemorava seu sétimo aniversário, subiu de um salto a um dos muros que rodeavam o castelo. Seu equilíbrio era perfeito. Enquanto caminhava com um pé seguido do outro pelos ladrilhos desiguais, seu corpinho ondeava de um lado ao outro sem chegar nunca a perder o centro da gravidade. Parecia uma cana mexendo-se ao vento, sem nenhum temor de se quebrar. Tinha os braços estendidos em cruz para ajudar a se equilibrar, e nem as saias a impediam de usufruir de uma destreza perfeita.
O sol primaveril acariciava sua nuca coberta de penugem negra. Havia nascido com os cabelos escuros como o alcatrão e nem o passar dos anos os clarearam. Tinha a tez pálida própria da gente nobre, ainda que seu amor pelos espaços abertos e as brincadeiras entre as árvores lhe escurecessem um pouco a cor. Sua mãe não deixava de se lamentar por aquela sua mania de se expor ao sol para estragar sua beleza, e lhe repetia continuamente que assim nunca encontraria um marido. Guiomar encolhia os ombros. Os maridos lhe ficavam muito longe e a diversão em abundância ao alcance da mão, assim, a única coisa que tinha a fazer era ignorar as queixas de sua mãe durante um tempo.
Suas outras seis irmãs eram muito mais velhas para se interessarem por suas brincadeiras, ou muito obedientes para acompanhá-la. Asunción era toda ao contrário dela. 
Estava com nove anos e era régia e serena. Cantava como os anjos e tocava lira com tanta destreza como Guiomar derrubava maçãs a pedradas. Jimena brincava com ela em algumas ocasiões, mas sua saúde frágil a impedia de correr e saltar com tanto ímpeto quanto ela, e sua mãe adotiva a obrigava a permanecer junto ao fogo para prevenir resfriados ainda que estivessem em pleno verão.
As gêmeas, Leonor e Sancha, já estavam em uma idade na qual as brincadeiras estavam distantes. Tagarelavam sobre os rapazes do povoado e os cavalheiros, enquanto bordavam seu enxoval. Por último, Elvira, a mais velha, andava sempre distraída e perdida em seus próprios pensamentos.
Por isso, os amigos de Guiomar eram os filhos dos criados. Sem a obrigação social de serem formais e cuidarem de se queimarem em excesso sob o sol, os outros meninos convidavam a filha do senhor para participar de suas corridas. Felipe, o filho do ferreiro, costumava desafiá-la no jogo de correr pela borda do muro até a parte na qual se separava tanto do solo, que dava vertigem olhar para baixo. 
Guiomar também se assustava, mas se obrigava a passar por ali igualmente para demostrar sua coragem. Seu pai lhe dizia sempre que o mais importante para um cavalheiro era mostrar honra e valentia, e Guiomar tomava aquelas palavras como seu credo pessoal. 
Desafiava seus próprios temores sem duvidar, e agora percorria aquele trajeto cada dia, para se assegurar que seu espírito não lhe falhasse. Os outros meninos ficavam boquiabertos quando Guiomar atravessava sem se despentear, um limiar situada a três metros acima do solo; não havia coisa que gostasse mais que despertar a admiração dos demais. Se por acaso sua mãe e suas irmãs reagissem da mesma maneira...
Saltou do muro e correu ao esconderijo dos meninos na parte traseira do castelo. 
Fazia várias décadas, que uma das torres mais velhas se desmancharam e os escombros tinham caído de uma forma peculiar, ao pé da colina. 
O musgo e a terra reclamaram aquele pedaço de alvenaria, de maneira que um menino podia escorregar em seu interior para desfrutar de uma cabana particular. Cada ano era mais difícil se enfiar lá dentro, cada ano se encontravam mais apertados em seu interior, e ainda assim, não imaginavam que logo lhes seria impossível até mesmo entrar. Aquilo ficava para o futuro, e nenhum deles pensava no assunto. Eram meninos, e em seus pensamentos, tudo apontava que continuariam sendo para sempre.





Os Aneis do Tempo

“Vou ensina-la a depender completamente de mim; de minhas carícias, de meus beijos... enfeitiçou-me, fez-me dependente de você. 

Converteu-se em minha droga, mas agora eu vou retribuir da mesma forma. Assim compreenderá que me fez sofrer em sua ausência e nunca, jamais, voltará a passar por sua cabeça afastar-se de mim. 
Vou conseguir que, como eu, seja viciada a um simples roce de minha pele.” 
Depois da morte de seu noivo, Chloe perdeu a ilusão de viver e as recordações não deixam de atormentá-la. Até que um acidente a deixa inconsciente e tudo muda... Quando desperta, seu passado tinha desaparecido: a jovem se encontra em um castelo, em pleno século XVII, onde sem querer acaba envolvida em uma trama de conspirações. Usada como instrumento para uma obscura vingança, conhecerá Cedric, um rude guerreiro cuja família foi vítima de uma terrível traição. 
Ainda que odeie com toda a sua alma a este homem que a faz sofrer, a hostilidade mútua irá desaparecendo até o ponto que ele deixará de lado suas obrigações e a causa pela qual lutava, ela acabará iludindo-se com ele. E que saibam que ambos tentaram resistir, mas o fogo surgirá. Poderá o amor triunfar sobre o destino?

Capitulo Um

Condado de Berwick, primeiro de maio de 1620. 
Davie despertou bastante enjoado, deitado de costas, ainda bêbado pelos estragos do álcool. Sentia que estava a ponto de morrer, e não era para menos, dado seu lamentável estado. Nem mesmo se lembrava de como tinha chegado até sua cama depois da festa. Um tênue sorriso desenhou-se em seus lábios ao relembrar, mas morreu no mesmo instante em que uma arcada ameaçou sair de sua garganta. Como se arrependida de ter bebido tanto! 
Parecia que seu estômago tivesse vida própria... Inalou grandes quantidades de ar e, na intenção de buscar um bálsamo para seu mal-estar, voltou o rosto para a janela, por onde entrava ar fresco da manhã. Não encontrou o alívio que esperava. 
Tinha a boca pastosa e todos os músculos do corpo doloridos, como se na noite anterior tivesse feito um intenso exercício e agora se ressentia pelo esforço realizado. Efetivamente, tanta ingestão de vinho tinha acabado por passar da conta. Ainda assim, tentou levantar-se, mas uma dolorosa pontada na cabeça acabou com sua já pouca disposição. 
Acreditou que sua cabeça iria explodir, tão forte eram as palpitações que perfuravam seu cérebro. Para evitar maiores males, deu a volta na cama com deliberada lentidão até colocar-se de barriga para baixo e, enquanto cobria sua cabeça com a almofada, jurou que jamais voltaria a provar uma gota de álcool no que lhe restasse de vida. 
Momentos depois, o barulho da porta pôs fim a seu precário descanso. Alguém entrou furtivamente no quarto, e mesmo o sussurro daqueles vacilantes passos bastou para tirar Davie da letargia que estava a ponto de cair novamente. Não precisou girar para saber de quem se tratava. 
Mae sempre levava seu café da manhã, mas naquela ocasião bem poderia ter evitado. Ao menos teve a deferência de não tentar despertá-lo, como fazia todos os dias, e abandonou o quarto em completo silêncio, cuidando de não molestá-lo com sua intromissão. Contudo, Davie foi incapaz de conciliar novamente o sono depois da visita. 
O cheiro da comida aumentou suas náuseas. Teve que tirar forças da fraqueza para se levantar, mas depois, sem mostrar nenhum tipo de remorso, afastou de um golpe a bandeja que descansava aos pés da cama e derrubou todo seu conteúdo no chão. Enquanto se lamentava por sua má sorte e de maneira confusa fazia um juramento, caminhou com passo torpe para um canto da habitação, onde por fim pode aliviar seus incontestáveis espasmos estomacais.